quarta-feira, 22 de junho de 2011

Quinta com vista sobre a cidade

É um pedaço de campo no coração de betão de Lisboa. Catarina Figueira
andou no meio de um campo de cereais e fez um espantalho na Quinta do
Zé Pinto. E agora só pensa em mudar-se para o campo.
Vive encalacrada entre os prédios altos de Sete Rios, os prédios
baixos de Campolide e uma via rápida sempre a debitar carros nos dois
sentidos. A Quinta do Zé Pinto é uma espécie de casa de campo com
vista sobre a cidade, erguida a pensar sobretudo nas escolas (desde
Setembro já passaram por ali 6000 crianças) mas que pelo menos um
fim-de-semana por mês abre as portas às famílias alfacinhas que por
algumas horas quiserem fazer de conta que não vivem numa cidade de
betão.

Os impulsionadores do projecto, a Associação Nacional de Produtores de
Cereais, aproveitaram um campo baldio recuperado pela Câmara de Lisboa
e nele semearam, para além do trigo, do centeio, da aveia e da cevada,
um projecto educativo que tem dado os seus frutos. Os girassóis
plantados pela autarquia (que no ano passado tanta curiosidade
despertaram aos automobilistas, aos transeuntes e à Time Out) deram
lugar a um campo de cereais, uma horta, um picadeiro e um espaço onde
se contam histórias.
Os monitores de serviço guiam miúdos e graúdos pela quinta e explicam
o ciclo de vida do cereal, desde a semente ao momento em que aparece
nos nossos pratos. "Então mas os cereais que eu como ao
pequeno--almoço não nascem nas caixas de cartão que a mãe compra no
supermercado?". Aqui as crianças aprendem ao vivo e a cores que não.
Conhecem as máquinas que se usam na lavoura, como a alfaia e a grade
de discos, ajudam a moer o grão acabado de apanhar e transformam-no em
farinha, ouvem falar de profissões que a maioria desconhece, como a
ceifeira ou a enfardadeira. Na horta, uma nova descoberta: não, as
alfaces não crescem nas árvores. Vêm da terra, como explica a Tia
Alice, responsável por manter de boa saúde as leguminosas e as
cenouras, mas também as roseiras e os malmequeres. A visita à quinta
exige os sentidos bem apurados: sobretudo do tacto, para sentir a
textura dos vários cereais cujas sementes estão divididas em vários
saquinhos de serapilheira, e do olfacto, para inspirar fundo e sentir
o aroma dos coentros, da alfazema, dos orégãos e do tomilho.
Os donos da quinta acreditam que a passagem por um espaço como este
pode semear nos miúdos o respeito pela natureza. A prova de que não
estão errados é que a Quinta do Zé Pinto foi seleccionada como
Experiência Educadora pela Comissão Científica das Cidades Educadoras
por contribuir para um melhor ambiente na cidade e para a sua educação
e desenvolvimento sustentável.
A boa notícia é que ainda vai a tempo de apanhar o fim-de-semana
aberto deste mês. Este sábado, a partir das 10.00, miúdos e graúdos
são convidados a conhecer o imenso campo de cereais e a horta e a
construir um espantalho a partir de materiais do quotidiano, que assim
ganham uma nova vida ecológica. A estas três actividades já rotineiras
dos dias de semana junta--se uma novidade: quatro burros da Reserva da
Serra de Sintra que as crianças vão poder cuidar, mimar e montar.
Convém não esquecer a toalha de piquenique em casa porque quem quiser
pode almoçar por ali um delicioso hambúrguer de carne alentejana
grelhado no momento.
A Quinta do Zé Pinto fica na Rua de Campolide. A entrada é gratuita
mas requer inscrição prévia. Informações: 96 849 5699;
quintazepinto@gmail.com. Pode acompanhar o programa em
quintadozepinto.blogspot.com. Menu de fim-de-semana (hambúrguer no
pão, bebida e fruta): 6€.
terça-feira, 21 de Junho de 2011
http://www.timeout.pt/news.asp?id_news=7069

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