terça-feira, 8 de julho de 2014

Descida do preço do leite esmaga margem dos produtores

APROLEP - Associação dos Produtores de Leite de Portugal



Os principais compradores de leite em Portugal anunciaram uma descida do preço do leite ao produtor a partir de 1 de Julho, cerca de 1,5 cêntimos; Trata-se da segunda baixa do preço este ano, sendo o valor acumulado nas descidas de 4 cêntimos por litro para a maioria e até de 5 cêntimos para alguns produtores.

Esta nova descida acontece em contraciclo com os principais países produtores de leite na Europa que depois de terem registado algumas descidas no início da primavera já estão com recuperação de preços.

É lamentável que a nossa indústria de lacticínios não seja capaz de pagar o leite português ao nível da média europeia apesar de registar lucros consideráveis e proporcionar salários e mordomias principescas para alguns administradores, o que revoltam os produtores de leite.

A perpetuação de baixos preços e grandes injustiças leva ao desânimo, ao abandono da produção e desencoraja a instalação de jovens agricultores, tendo como consequência o envelhecimento do sector leiteiro.

Que estratégia é esta? Ser competitivo no imediato esmagando a margem dos produtores, utilizando como referência os preços de leite spot (sobras pontuais de leite trocadas entre compradores) quando estão em baixo e ignorados quando estão em alta? Esperam no futuro abastecer as fábricas de laticínios com leite produzido em Portugal ou com essas sobras de leite importado?

Como é possível não haver uma visão de sustentabilidade, a longo prazo, de um sector?

Como é possível definir estratégias para o futuro sem dialogar com os produtores como parceiros comerciais a respeitar e preservar?

Que patriotismo é este dos nossos industriais e distribuidores, anunciado na publicidade e renunciado na prática com importações de leite e laticínios?

É preocupante que esta situação ocorra quando estamos ainda no último ano de vigência das quotas leiteiras. Se agora a margem dos produtores já é esmagada, como será o comportamento de Indústria e distribuição com os excedentes que o resto da Europa pode produzir a partir de Abril de 2015, no "pós-quotas"?

A PARCA, Plataforma de Acompanhamento das Relações na Cadeia Agroalimentar, já reuniu e analisou este novo desequilíbrio das margens ao longo da cadeia? Porque demoram tanto os resultados esperados da atuação desta plataforma?

Os produtores de leite estão desiludidos, desanimados, revoltados e preocupados…

Face ao agravar da situação, a APROLEP já solicitou uma reunião com urgência à Senhora Ministra da Agricultura, esperando que a sua intervenção ajude a preservar os poucos produtores de leite que ainda resistem mas que sofrem agora nova asfixia que pode ser letal para a Produção de Leite Nacional.

A Direcção da APROLEP

Seca no sul de Angola reduz produção agrícola em 40 por cento


A província do Cuando Cubango, sul de Angola, registou um prejuízo de mais de 40 por cento na produção agrícola do ano 2013-2014 devido à persistente seca que afecta aquela região há quase três anos.

A informação é avançada pelo responsável provincial do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA), Domingos Gonga, que adianta que das 200 toneladas de produtos diversos previstos foram colhidos, naquele período, apenas 125,5 toneladas devido à seca (quebra de 40%).

O sul e leste de Angola enfrentam desde finais de 2011 uma estiagem (seca), que tem afectado seis das 18 províncias de Angola, em particular o Cunene, Namibe, Cuando Cubango, Huíla, Benguela e Cuanza Sul.

Fonte:  LUSA

domingo, 6 de julho de 2014

Junho de 2013 ainda foi mais frio


     
Sónia Balasteiro Sónia Balasteiro.  | 06/07/2014 17:39:41 231 Visitas   
Junho de 2013 ainda foi mais frio
O clima está instável. Se Junho foi um mês de "variações significativas na temperatura diária do ar, com dois períodos frios, intercalados por um quente"  (de 11 a 16), como assinala fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), é ainda difícil saber como vão estar os humores do tempo em Julho.  "Na temperatura média semanal prevêem-se valores abaixo do normal para a região sul", na próxima semana, lê-se no boletim de previsão mensal daquele instituto. Quanto a chuva, os meteorologistas não arriscam.

A 'culpa' desta instabilidade, explicou ao SOL a mesma fonte do IPMA, é como sempre do anticiclone dos Açores, um grande centro de altas pressões atmosféricas que "influencia as condições meteorológicas do continente, especialmente no Verão". Normalmente, "entre Junho e Agosto, aquele anticiclone localiza-se a norte ou nordeste dos Açores e as condições meteorológicas predominantes no continente são céu pouco nublado e valores elevados da temperatura, em especial no interior". Mas, no mês passado, o anticiclone tomou "frequentemente posições a sul do arquipélago" dos Açores e Portugal continental tem estado sob "influência de situações depressionárias" e de "superfícies frontais frias". A estas condições meteorológicas "está associada a formação de nuvens, a ocorrência de precipitação e variações significativas de temperatura do ar". Em termos meteorológicos, a temperatura média esteve normal, apenas a mínima foi inferior: desde 1931, apenas em 30% dos meses de Junho esses valores foram inferiores aos deste ano. 
 
'Variabilidade' natural

Mas, lembra a mesma fonte do IPMA, "Junho de 2013 foi mais frio que o de 2014". Nesse mês, "os valores médios da temperatura mínima foram muito inferiores" aos deste ano, tendo os da máxima sido "próximos". No ano passado, o tempo esteve "seco a muito seco e caracterizou-se por uma grande variabilidade na temperatura do ar, com períodos quentes e frios". Chegou mesmo a nevar em dois dias seguidos (17 e 18 de Junho) na Serra da Estrela.

Filipe Duarte Santos, investigador da Faculdade de Ciências de Lisboa, explica que estas mudanças fazem parte daquilo a que os especialistas chamam "variabilidade climática interanual". "Na nossa região, refere o investigador, "a temperatura varia bastante ao longo do ano, ou seja, entre o Inverno e o Verão, e, de ano para ano, também tem variações bastante significativas". Os "desvios", salienta, "são uma característica dessa variabilidade", que é natural.


Cacho de uvas vendido no Japão por quatro mil euros


Cacho de uvas vendido no Japão por quatro mil euros
 

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Um cacho de uvas de uma casta rara que só é cultivada no Japão foi adquirido num leilão por um valor recorde de 550 mil ienes (quatro mil euros), segundo a cadeia televisiva nipónica NHK.

O cacho com 34 uvas, que pesa cerca de 30 gramas, pertence à casta ruby roman que é cultivada apenas na província de Ishikawa, no oeste do Japão.

As uvas foram compradas por um operador de espaços para casamentos de Ishiawa, no primeiro leilão da temporada de 2014, que se realizou no mercado abastecedor de Kanazawa, a capital da província.

A NHK adianta que o preço recorde deste ano se deve provavelmente ao facto de a região ter registado mais horas de sol, o que melhorou a qualidade e aspeto do produto.

As uvas deste cacho tinham um diâmetro de mais de três centímetros.

A ruby roman, considerada a casta de uva de mesa mais cara do mundo, é vendida no mercado desde 2008, ano em que o primeiro cacho da temporada alcançou um preço de 100 mil ienes (720 euros).

Caracterizada pela sua intensa cor avermelhada e tamanho grande, os agricultores de Ishikawa esperam vender cerca de 16 mil cachos desta casta exclusiva até setembro, quando a temporada acaba.

O que esperar do Alqueva

26 Junho 2014, 00:01 por José Martino

O primeiro-ministro, Passos Coelho e a ministra da Agricultura, Assunção Cristas determinaram a conclusão das obras do projecto agrícola do Alqueva em 2015.
 
Tudo o que diz respeito ao Alqueva assume proporções gigantescas. Para um pequeno país como Portugal, tal gigantismo devia traduzir-se numa enorme atenção mediática eficaz sobre o que aí se passa.
 
Os mais de 2.500 milhões de euros de investimento público, os 120 mil hectares de regadio à disposição das explorações agrícolas e do sector agro-industrial, os milhares de agricultores, de empresas e de associações que vão passar a ter de mudar de vida com a "revolução" que aí vem, devido à passagem de uma cultura de sequeiro para uma cultura de regadio, o melhor aproveitamento das disponibilidades hídricas ao dispor da produção, não parecem estimular o foco mediático nem o escrutínio da opinião pública.
 
Estamos a falar de investimento público, dinheiro dos contribuintes, numa altura em que ele é escasso e disponibilizado a preço de ouro. Não vejo da parte de muitos responsáveis políticos, a necessária preocupação com o futuro do Alqueva, de quem lá vive, trabalha e tem os seus negócios.
 
Para quem não sabe ou anda distraído, estamos a falar do maior reservatório de água da Europa e de um dos maiores projectos hidroagrícolas a nível europeu. O que temos a fazer para aproveitar todos os recursos que vão ser disponibilizados deve ser feito já.
 
Tenho-me deslocado diversas vezes à região do Alentejo. Tenho falado com produtores, com agricultores, com associações, com empresas. À pergunta, "como maximizar o potencial produtivo" que resultará do projecto do Alqueva, tem encontrado respostas vagas e imprecisas, bem como verifico que há muito que poderia ser feito na implementação de culturas de regadio e infelizmente, não está a ser realizado.
 
É preciso investir em informação sobre a melhor estratégia para rapidamente se passar do sequeiro ao regadio, colocar no terreno as culturas e agro-indústria mais rentáveis, divulgando-a através de seminários, visitas de estudo, workshops, etc,. junto dos interessados, sejam eles pessoas individuais ou colectivas. É preciso definir o plano estratégico para o regadio do Alqueva. Espero que sejam canalizados 3% do orçamento global da obra, qualquer coisa como 75 milhões de euros, para estes planos, assim como para estudos e demais incorpóreo.
 
É preciso inverter a lógica política vigente que se baseia em dar dinheiro a todos. Temos de ser mais selectivos, e alocar os recursos em projectos que promovam as economias de escala.
 
O Alqueva é essencial para que o nosso PIB agrícola, hoje abaixo dos 4%, possa alcançar os 10% do PIB nacional. Por outro lado, é imperativo da independência económica de Portugal colocar a agricultura a gerar valor acrescentado.
 
Ouço muita gente a falar sobre o Alqueva como se o turismo fosse o remédio santo para ultrapassar a nossa crise. Nada de mais errado. O turismo é importante, mas a nossa economia não deixará de ser "arcaica", como recentemente disse um "guru" da economia mundial, se não investir na agricultura e na agro-indústria.
 
A nossa agricultura tem de ser olhada como um negócio e não como um "hobby". Os empresários agrícolas, com perfil e vocação para assumir riscos, adquirir competências, dar valor acrescentado ao "made in" Portugal para entrar em novos mercados de exportação, na Ásia, na América Latina, etc., devem ser apoiados.
 
Uma política agrícola de "nova geração" deve obedecer a uma estratégia de longo prazo, que torne mais eficaz o modelo de ajudas públicas ao investimento, valorize o perfil empresarial do agricultor e o valor acrescentado das actividades.
 
Engenheiro e Consultor Agrícola

Ingleses pagam no máximo 8 euros por garrafa de vinho


1 Julho de 2014, por Elisabete Mendes
 
 Uma pesquisa feita em Inglaterra pela Harpers, revelou que apenas metade dos britânicos está disposta a pagar mais de 8 euros por uma garrafa de vinho, e que somente 7% das pessoas está disposta a comprar uma garrafa no supermercado que custe mais de 12 euros.

De acordo com o estudo, a guerra de preços entre supermercados é a culpada por fazer os britânicos recorrem mais ao preço do que à qualidade quando se trata de escolher uma garrafa de vinho. Uma pesquisa do jornal inglês The Guardian diz ainda que as grandes redes de supermercado, como Tesco, Sainsbury e Asda, consideram as promoções de vinho uma das melhores maneiras de incentivar a venda da bebida. No entanto, isso fez crescer nos ingleses o hábito de caçar vinhos a preços cada vez mais baratos, facto que coloca uma pressão real sobre os produtores, que não estão a ter quase nenhum lucro na venda de bebidas de custo superior a 8 euros. O estudo também mostrou que, quando se trata de escolher uma garrafa de vinho de qualidade, a maioria dos britânicos tem dificuldade em fazê-lo. As mulheres provaram ter menos conhecimento de vinho do que os homens, já que 40% das mulheres, em comparação com 29% dos homens, foi incapaz de citar nem uma variedade de uva.

Vinhos de Lisboa aumentam vendas com novos produtos autorizados pelo Governo

03-07-2014 
 
Fonte: Lusa

A Comissão Vitivinícola Regional (CVR) de Lisboa estima para este ano um aumento de 7% nas vendas dos Vinhos de Lisboa, em parte devido a novos vinhos que foram autorizados em portaria recentemente publicada em Diário da República.

Vasco Avillez, presidente da CVR, disse à agência Lusa que se prevê um aumento de 7% na rentabilidade do setor para este ano, devendo 2% ser resultante do eventual aparecimento de "vinhos" de mesa, "vinhos frisantes", "vinhos espumantes de qualidade", "aguardentes bagaceiras" e "vinagre de vinho", que vêm juntar-se aos tradicionais.

Os novos produtos, que foram autorizados pelo Governo para a região vitivinícola de Lisboa em portaria publicada a 25 de junho, que atualiza a anterior de há oito anos, "vêm acrescentar valor aos vinhos e abrir novas possibilidades de negócio para os agentes económicos", afirmou o dirigente.

No caso dos vinhos frisantes, os produtores que até agora tinham vinhos leves, com pequenos índices de gás natural ou gaseificado, podem agora fazer vinhos frisantes.

Trata-se de uma oportunidade sobretudo para "as cooperativas que já produziam vinhos leves com gás terem condições para, além dos leves, produzirem frisantes. Como já têm a tecnologia, é um pequeno passo", explicou.

Sete dias depois da publicação, "já há um pedido para a criação de um vinho frisante", adiantou.

A região pode passar também a produzir "vinhos" de mesa, uma oportunidade para os produtores certificarem o vinho de menor qualidade ("a granel"), mediante entrega à CVR de uma declaração de colheita e de produção, para vinho com um ano de colheita e produzido em determinadas castas.

As vendas aumentaram 5% em 2013, com uma vantagem económica de mais três milhões de euros face a 2012 e 83 milhões de euros faturados.

Em 2013, a região de Lisboa reduziu em 18% a sua produção, com 900 milhões de litros, mas, em contraponto, houve mais vinhos certificados, tendo em vista sobretudo a sua valorização nos mercados externos.

"O aumento de certificação ocorreu porque, devido à recessão nacional e ao facto de a produção ser menor, os produtores quiseram garantir o 'stock' dos seus vinhos certificados para os mercados externos, visto que a previsão era de que a procura nestes mercados subisse", justificou o responsável, adiantando que as contas de 2013 apontam para um aumento da exportação de vinhos certificados.

A Estremadura, região da CVR de Lisboa, é a segunda maior do país em área, com 26 mil hectares de vinha, produzindo 22 milhões de garrafas por ano, ou seja, 20% dos vinhos portugueses.

Além disso, é a maior região a exportar vinhos certificados e a única a produzir vinhos leves.

A região possui oito vinhos com Denominação de Origem (Alenquer, Arruda, Torres Vedras, Óbidos, Encostas D'Aire, Bucelas, Carcavelos, Colares), dois vinhos regionais de Lisboa (sendo um deles o único leve do país) e uma aguardente (Lourinhã) com Denominação de Origem.


O índice de preços dos alimentos da FAO baixa pelo terceiro mês consecutivo

04-07-2014 
 
Fonte: FAO

O índice de preços dos alimentos da FAO caiu pelo terceiro mês consecutivo em junho, uma queda influenciada, principalmente, pelos preços mais baixos do trigo, milho e óleo de palma, reflexo de uma oferta abundante e da melhoria das perspetivas mundiais para a produção destes produtos básicos.

De acordo com o último relatório da FAO Perspetivas sobre as colheitas e a situação alimentar, as previsões para a produção mundial de cereais - um alimento básico em muitos países - têm continuado a melhorar, com revisões em alta das previsões sobre o abastecimento de cereais secundários e de trigo para 2014/15.

A última previsão da FAO para a produção mundial de cereais em 2014 situa-se agora nos 2 498 milhões de toneladas (incluindo o arroz branqueado), 18 milhões de toneladas a mais em relação aos dados anteriores de junho, todavia, ainda 1 por cento (23 milhões de toneladas) abaixo da produção recorde do ano passado. A recente revisão em alta reflete a melhoria das perspetivas da produção de cereais secundários e de trigo, especialmente nos Estados Unidos, na UE e na Índia.

No entanto, apesar do aumento da oferta e da diminuição dos preços médios, muitas pessoas em áreas atingidas por conflitos ou pela seca necessitam de ajuda externa para a obterem alimentos, de acordo com este relatório trimestral da FAO, que se foca especialmente nos países em desenvolvimento.

O índice de preços dos alimentos, com base nos preços de um conjunto de produtos básicos negociados internacionalmente, teve em junho de 2014 uma média de 206,0 pontos, o que representa uma queda de 3,8 pontos (1,8 por cento) em relação a maio e quase 6 pontos (2,8 por cento) abaixo do nível de junho de 2013.

O índice tinha atingido em março de 2014 o nível mais alto em 10 meses com 213 pontos, mas caiu em abril, maio e junho, principalmente como consequência da diminuição dos preços dos cereais, óleo vegetal e produtos lácteos. Os preços do açúcar também caíram em junho em relação a maio, mas permaneceram acima dos do ano passado, por oposição aos preços médios da carne que aumentaram em maio.

Oferta e procura

O índice de preços dos cereais da FAO registou uma média de 196,2 pontos em junho, 10,9 pontos (5,2 por cento) abaixo do valor revisto em maio e 36,1 pontos (15,6 por cento) abaixo em relação ao ano passado. A queda foi causada principalmente pela diminuição dos preços do trigo e do milho, que caíram cerca de 7 por cento num contexto de melhoria das perspetivas sobre as colheitas e de uma menor preocupação com a possível interrupção das exportações da Ucrânia.

Os óleos vegetais atingiram em junho uma média de 188,9 pontos, 6,4 pontos (3,3 por cento) abaixo do nível registado em maio, em parte como reflexo do preço mais baixo nos últimos 9 meses no óleo de palma, que é o óleo alimentar mais comercializado.

Ao mesmo tempo, os preços dos produtos lácteos registaram uma média de 236,5 pontos em junho, 2,5 pontos (1,0 por cento) abaixo do nível registado em maio, mas uma queda menos importante do a que se observou nos três meses anteriores.

No entanto, os preços da carne subiram, com uma média de 194,2 pontos em junho no índice da FAO, o que pressupõe 1,4 pontos (0,7 por cento) a mais do que em maio, reflexo de uma menor oferta a nível mundial.

Conflitos e condições meteorológicas adversas agravam a insegurança alimentar

Embora confirmando as perspetivas geralmente favoráveis da produção agrícola e da oferta para 2014/15, o relatório da FAO Perspetivas sobre as colheitas e a situação alimentar adverte que muitas pessoas no mundo enfrentam uma situação de insegurança alimentar.

A FAO estima que 33 países em todo o mundo - incluindo 26 em África - precisam de ajuda externa devido a uma combinação de: conflitos, más colheitas e altos preços dos alimentos no mercado interno.

A violência vivida na República Centro-Africana tem ameaçado a produção agrícola, que já em 2013 foi 34 por cento mais baixa do que em relação ao ano anterior. O número de pessoas que necessitam de ajuda alimentar foi estimado em abril de 2014 em cerca de 1,7 milhões, numa população total de 4,6 milhões de pessoas. O número de deslocados internos nos finais de junho foi estimado em 536 500.

A permanência e a escalada dos conflitos em algumas partes da África Oriental ameaçam o acesso da população local aos alimentos, enquanto o clima mais seco do que o normal pode ameaçar a agricultura e a pecuária.

Na Somália, estima-se que cerca de 870 000 Somalis careçam de ajuda de emergência, especialmente os deslocados internos e as famílias pobres dedicadas à pastorícia em algumas zonas do centro e noroeste do país.

No Sudão do Sul, desde o início do conflito em meados de dezembro de 2013, a população sofre de insegurança alimentar grave, que tem inclusive vindo a aumentar dramaticamente atingindo cerca de 3,5 milhões de pessoas, incluindo 1,1 milhões de deslocados internos.

No Sudão, país vizinho, estima-se que o número de pessoas a precisar de assistência humanitária - principalmente deslocados internos e em áreas de conflito - aumentou para 5 milhões.

As condições meteorológicas adversas e a escalada dos conflitos na Síria e no Iraque tiveram um impacto negativo na produção agrícola e na segurança alimentar. Na Síria, as previsões de cerca de 2 milhões de toneladas de trigo indicam uma severa redução na produção de cereais, enquanto no Iraque - onde há relatos da deterioração do acesso à água potável - as condições de segurança alimentar tendem a piorar.

Norte-americanos criam mapa das caves de vinho do Porto

MARIANA CORREIA PINTO 03/07/2014 - 10:00
Mapa do designer José Miguel Cardoso é o primeiro produto da marca 100% Fermentado em Portugal, criada pelo casal Ryan e Gabriella Opaz, radicado no Porto há cerca de um ano.

 
ADRIANO MIRANDA
 
Mica Douro Opaz. O nome do filho de Ryan e Gabriella Opaz diz muito sobre este casal que chegou ao Porto há pouco mais de um ano para trabalhar na promoção do vinho local: "Nós gostamos do sítio, desculpem", sorriu o americano perante a plateia que assistia ao lançamento de uma nova etapa na história do casal: a criação da marca 100% Fermentado em Portugal e do seu primeiro produto, um mapa das caves de vinho do Porto.

A ideia do salto — da promoção do vinho e gastronomia através do reconhecido blogue Catavino para uma aposta mais acentuada no turismo — surgiu depois de duas constatações. Primeiro: as estruturas de turismo estão desenhadas sobretudo para locais; segundo: os turistas não são maioritariamente locais.

No Cais de Gaia, Ryan olhava para o Porto e sentia-se algo perdido na paisagem. Do lado de lá dificilmente identificava onde estavam as principais caves de vinho do Porto. "Decidimos que íamos tentar resolver este problema", contou o americano formado em Belas Artes e Escultura.

O mapa, totalmente desenhado à mão pelo designer José Miguel Cardoso, mostra Vila Nova de Gaia em duas perspectivas — paisagem e aérea — e ajuda a navegar pelas ruas da cidade fazendo uma ligação às sedes das empresas no Porto através de um desenho da típica marginal portuense e mostra ainda algumas referências mitológicas, monstros marinhos associados a mapas do século XVI, e figuras importantes da história do vinho do Porto, como o Barão de Forrester e Dona Antónia.

Uma peça de design e um souvenir
O objectivo é "guiar os turistas de forma simples", fornecendo informações úteis como moradas, horários, contactos, estacionamento, acessibilidades, lojas de recordações, wi-fi, entre outras. Mas este mapa — que já pode ser comprado online por cinco euros e que deverá depois estar em algumas lojas da cidade — não se apresenta apenas como um mapa: é, segundo a família Opaz, um objecto de design e um souvenir que pode ser exposto ou apenas guardado para mostrar a amigos e familiares.

José Miguel Cardoso, 32 anos, conta como foi o processo de trabalho: "A primeira coisa que fiz foi ir ao lado de Gaia fazer uma prova de vinhos porque afinal de contas o mapa é um pouco à cerca disso, pus-me no papel do utilizador do mapa. Depois passou pelo levantamento das ruas de Gaia para a parte do mapa e posteriormente a parte mais longa e trabalhosa — mas também a que me motivava mais —, o desenho da paisagem do lado do Porto."

E não seria mais útil fazer o mapa como aplicação para telefone? "Talvez partamos para essa solução em algum momento, mas para já achamos que fazia sentido assim", respondeu Ryan Opaz.

O próximo produto da marca 100% Fermentado em Portugal ainda não está decidido: "Pode surgir amanhã ou daqui a seis meses. Depende dos problemas com que nos cruzarmos." Já disponíveis estão também uma "t-shirt" com a frase "Port Wine Geeks", por 15 euros, e um autocolante com o galo de Barcelos a beber vinho do Porto ("Como é que podemos ter o galo sem vinho?",) por 1,99 euros, "coisas simples" que "fazem as pessoas sorrir" — outro dos objectivos do casal americano.

Ryan e Gabriella foram integrados na bienal Power List de 2013, feita pela revista Decanter, das 50 figuras mundiais mais importantes que vão influenciar o sector dos vinhos nos próximos dois anos. A Catavino, que começou como blogue amador há cerca de uma década, tem agora uma média de 33 mil visitas mensais, das quais 43% são dos EUA, e é a promotora da Digital Wine Communications Conference, que junta anualmente líderes de opinião e bloggers da área dos vinhos. Este ano, o encontro acontece em Montreaux, na Suíça, entre 31 de Outubro e 2 de Novembro.

sábado, 5 de julho de 2014

Arlindo Cunha defende proteção do comércio local



O antigo ministro da Agricultura Arlindo Cunha defendeu hoje a proteção do comércio local contra o grande poder detido pelas cadeias comerciais de grande distribuição, que "representam 85% da distribuição alimentar" em Portugal.

"O Governo devia usar o músculo regulador para impor certas regras. Hoje temos uma desintegração dos circuitos comerciais locais e precisamos de fazer algo para recriar as cadeias comerciais locais, isso é muito importante", disse o antigo ministro de Cavaco Silva durante comemorações do 30.º aniversário da OVIBEIRA - Associação de Produtores Agropecuários, que decorreram em Idanha-a-Nova.
"O país vive uma nova realidade incontornável, da grande distribuição que se estende de forma tentacular até às terras de baixíssima densidade, através de médias superfícies em que o que vendem não vem do próprio território", disse Arlindo Cunha.
O controlo de "85% da distribuição alimentar no país" é, para antigo governante, "um poder louco".
Arlindo Cunha defendeu ainda a necessidade urgente de rejuvenescer a estrutura etária da agricultura portuguesa, que é "das mais envelhecidas" da Europa.
Apesar de nos últimos três anos se terem instalado no setor mais jovens que na última década, o ex-ministro da Agricultura, referiu que "é muito perigoso ficar por aqui".
"O que fez a mudança foi a crise económica que o país vive e que fez com que muitos jovens vejam na agricultura uma oportunidade interessante. Mas, se não fizermos mais nada, terminados os cinco anos de presença obrigatória na exploração [agrícola], corremos o risco de muitos desses jovens se irem embora", alertou.
Para evitar que isso aconteça, Arlindo Cunha defendeu a criação de uma estrutura no âmbito do Ministério da Agricultura, "que enquadre muitos desses jovens, com formação superior e que vêm da cidade, para que não corram tanto risco de insucesso".
Dinheiro Digital com Lusa

Associação Agrícola cria centro de interpretação da agricultura


 
A Associação Agrícola de S. Miguel, nos Açores, vai avançar com a criação de um centro interpretativo da agricultura, para retratar o passado, o presente e perspetivar o futuro de um dos setores mais importantes da economia regional.

"Em relação ao centro de interpretação da Agricultura, que nós queremos no espaço do antigo restaurante [do recinto da associação em Santana, Ribeira Grande], nas duas salas, criar ali um espaço em que se retrate o que foi a agricultura no passado, o que é no presente e o que poderá ser no futuro", afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Agrícola de S. Miguel, Jorge Rita.

O dirigente associativo adiantou que a nova valência, que só deverá abrir ao público em 2016, contará com fotografias atuais e antigas, alguns utensílios de menor dimensão utilizados pelos agricultores no seu trabalho diário e quadros explicativos em português e inglês.
"Estamos a preparar um projeto para candidatarmos ao próximo quadro comunitário de apoio para recebermos os devidos apoios que estão adstritos a este tipo de medidas", disse Jorge Rita, sem adiantar quanto irá custar a concretização desta "ambição" da direção da Associação Agrícola de S. Miguel.
Segundo explicou, já foi constituída uma equipa para trabalhar neste projeto, que envolve a recolha de mais alguns utensílios agrícolas entre os associados e pequenas obras de adaptação do antigo espaço onde funcionava o restaurante da Associação Agrícola de S. Miguel antes da inauguração do novo pavilhão multiusos, também em Santana.
Jorge Rita estima que a nova valência possa criar mais cinco a seis postos de trabalho e atrair ainda mais turistas do que já atrai ao local onde está instalada a sede da Associação Agrícola de S. Miguel.
"Queremos aqui, em Santana, potenciar também o espaço e criar um roteiro turístico, principalmente às quintas-feiras", disse Jorge Rita, que pretende dar outras condições à tradicional feira semanal, apostando em melhores condições de higiene, novas bancadas para expor os produtos hortícolas e albergarias para os animais.
Ao centro interpretativo da agricultura e à tradicional feira, Jorge Rita soma o novo espaço do restaurante da associação, com horário alargado, a abertura em breve de uma loja com produtos 100% regionais e todo o espaço verde envolvente como motivos mais do que suficientes para justificar uma visita ao local.
Dinheiro Digital com Lusa


Suspensão no PRODER é um «ato de gestão normal»- Governo


O secretário de Estado da Agricultura assegurou hoje que a suspensão de novas candidaturas ao PRODER é um «ato de gestão normal», desdramatizando a reação do setor que ficou «em estado de choque» com a decisão.
«É um ato de gestão normal que o PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural) faz e tem feito durante toda a [sua] vivência, quando começa a haver um fluxo de candidaturas muito grande, e nos últimos três meses houve o dobro das candidaturas», disse José Diogo Albuquerque, em declarações à agência Lusa.
O governante, que considera o aumento do número de candidaturas como um «bom sinal» para o setor, explicou que a suspensão vai permitir «fazer pontos de situação» para que se possa «dar resposta» aos agricultores.
Diário Digital / Lusa

Guia de Boas Práticas de Turismo de Habitação e de Turismo no Espaço Rural


Este Guia de Boas Práticas abrange um conjunto de recomendações e melhores práticas para uma adequada prestação do serviço, tendo em consideração o modelo nacional que recai sobre estas tipologias de empreendimentos turísticos e a sua especificidade, com vista a assegurar, preservar e valorizar as características que as tornam únicas e diferenciadoras.



Novo dispositivo para localizar gado via satélite


1 DE JULHO DE 2014 AGROTEC PUBLICAR UM COMENTÁRIO

Técnicos da fundação basca HAZI apresentaram ao setor pecuário daquela região espanhola um novo sistema de localização baseado em comunicações via satélite que permitirá conhecer instantaneamente a localização exata do gado quando se encontra no monte, diminuindo dessa forma o tempo que dedicam à procura do seu gado em zonas de difícil acesso.

O Vice Conselheiro da Agricultura, Pesca e Política Alimentar do Governo Basco destacou "o apio que o setor pecuário prestou no desenvolvimento da projeto. Trouxe o seu conhecimento e experiência profissional, uma informação imprescindível para chegar a uma ferramenta destinada a melhorar as suas condições de trabalho".

O objetivo do GEOPOS – nome dado a este sistema desenvolvido – é facilitar ao ganadeiro o trabalho de supervisão dos rebanhos em produções extensivas (reunião do gado, alimentação, atuações sanitárias, partos…). Para além disso, traz conhecimento acerca dos hábitos dos animais e permite definir alertas, via sms ou email, para avisar acerca de situações de inatividade ou saída do gado de zonas concretas que sejam definidas pelos próprios ganadeiros.

O sistema é composto por um dispositivo eletrónico que, colocado através de uma coleira no animal líder do rebanho, comunica via satélite con um sistema informático, que envia informação para que possa ser consultada diretamente pelo ganadeiro. A incorporação de painéis fotovoltaicos e baterias de alto rendimento consegue alargar a sua autonomia de forma ilimitada, pelo que o pastor não terá que se preocupar com a sua manutenção durante toda a campanha.

"Os Verdes" questionam governo sobre poluição suinícola no rio Maior



As unidades de criação suinícola, existentes ao longo das margens do rio, em particular nos concelhos de Rio Maior e de Santarém, são identificadas como "parte substancial do problema"
O Partido Ecologista "Os Verdes" anunciou hoje ter questionado os ministérios do Ambiente, da Agricultura e da Administração Interna sobre a poluição do rio Maior e a Estação de Tratamento de Efluentes Suinícolas (ETES) de Alcobertas, Rio Maior.

Num requerimento entregue no Parlamento, o deputado José Luís Ferreira lembra que o rio Maior "tem sido, em conjunto com a Ribeira dos Milagres, em Leiria, um dos cursos de água mais castigados, ao longo de décadas, pela poluição, em especial de origem suinícola".

No documento, endereçado aos três ministérios, José Luís Ferreira traça o retrato de um rio que foi fonte de desenvolvimento económico e que está hoje "abandonado à morte, convertido em mero passivo ambiental, problema de saúde pública, fonte de preocupação e de degradação da qualidade de vida das populações ribeirinhas".

As unidades de criação suinícola, existentes ao longo das margens do rio, em particular nos concelhos de Rio Maior e de Santarém, são identificadas como "parte substancial do problema", seja pelas "escorrências ou descargas, intencionais ou acidentais, de efluentes poluentes para o seu curso de água ou para ribeiras afluentes" ou pela "deposição de chorume no solo ou espalhamento em campo agrícola, poluindo a médio prazo os lençóis freáticos da sua bacia".

O deputado lembrou que em 1995 entrou em funcionamento uma ETES, na freguesia de Alcobertas, considerada pioneira por, não só tratar os efluentes, como permitir o aproveitamento de lamas inertizadas para fins agrícolas e do biogás para produção de energia para a própria estação e para a rede elétrica nacional.

"No entanto, hoje encontra-se inativa, abandonada e em degradação, apresentando riscos ambientais e de segurança, designadamente por se encontrar localizada em solos de elevada permeabilidade, em pleno Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros (PNSAC)", frisa.

O deputado questiona o Ministério do Ambiente sobre o estado do rio e a identificação das fontes poluidoras, as razões por que a ETES entrou em degradação, quais as responsabilidades do Instituto da Conservação e da Natureza, o que levou à entrega da gestão deste equipamento à Junta de Freguesia, qual o envolvimento que admite assumir na resolução do problema, o que vai fazer para cessar a poluição e promover a limpeza do rio e em que ponto está a Estratégia Nacional para os Efluentes Agrícolas e Agroindustriais que em 2007 identificou a zona como de intervenção prioritária.

Aos ministérios da Agricultura e da Administração Interna, "Os Verdes" perguntam quantas suiniculturas estão identificadas na zona e quantas estão em laboração, quantas devidamente licenciadas, como estão a tratar os efluentes, quantas foram fiscalizadas nos últimos anos e se houve penalizações.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico 
 

Gin "lentamente" destilado 'nasce' no Alentejo por antigo professor

Graças a uma "tempestade perfeita" na vida, com desemprego à mistura, António Cuco passou de simples apreciador de gin para 'alquimista de sabores', há poucos meses, criando uma marca dessa bebida, lentamente destilada no Alentejo.

Trata-se de um gin "feito no Alentejo", em Reguengos de Monsaraz, mas de "caráter português", incorporando na receita maçã Bravo de Esmolfe oriunda de Sernancelhe (Viseu), explica à agência Lusa.

E o lema da marca assenta num 'jogo de palavras' que cruza a forma "100% artesanal" com que António fabrica a bebida com a 'reputação' dos alentejanos, que considera ser injusta, como 'filho da terra'.

Se fosse feito em Lisboa ou no Porto continuaria a ser lentamente destilado", diz, entre risos, realçando que o processo demora várias horas e que, na produção, só a máquina de engarrafar "é semiautomática".

Lançado no mercado no final de Abril, o "Sharish Gin" está a exceder todas as expectativas do empreendedor, já contactado para começar a exportar para Espanha, Suíça, Brasil e Angola.

"Começámos a produzir à volta de 150 garrafas por semana", mas, após cerca de dois meses de comercialização, "estamos com 500 garrafas por semana", o que faz com que os planos de vendas iniciais estejam "completamente ultrapassados", congratulou-se.

A empresa vai "duplicar a produção até final do Verão" e prevê atingir o objectivo de vendas traçado para o ano inaugural "nos primeiros três ou quatro meses", afirma.

Até final de 2014, ou seja, "um ano e meio antes do previsto", António quer expandir as áreas de armazenamento e fabrico e contratar mais funcionários, para o ajudarem a ele e à mulher.

Antes desta 'aventura, o empresário apreciava gin, mas só no copo, como consumidor. Há uns meses, recorda, uma "tempestade perfeita" levou à sua mudança de vida.

Após uma brincadeira com amigos, com uma tentativa para criar gin, mas que saiu gorada - "Eles gozaram" e disseram "isto mais parece uma açorda de peixe do rio", recorda -, António não desarmou. De forma autodidata, aprendeu as bases da produção da bebida e voltou 'à carga'.

Para recuperar cheiros e sabores da infância, foi buscar a maçã Bravo de Esmolfe, que comia na feira em Borba, com a bisavó, e a lúcia-lima, com que a avó de S. Manços fazia chá, juntando-as a botânicos, citrinos e outros ingredientes para chegar à formula final do seu gin.

Aí, os amigos deram-lhe o 'selo de aprovação' e contribuíram para o 'germinar' da ideia de que este sucesso caseiro poderia ser algo mais, até porque António, antigo professor de Turismo, estava desempregado.

"Sempre fui empreendedor, achei que havia aqui uma possibilidade de negócio e juntei tudo com uma 'tempestade perfeita'", pelo facto "de ter ficado sem trabalho", conta.

Recebeu o aval de especialistas, que gostaram das amostras que lhes levou, e criou a empresa com o apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional, colocando no mercado aquela que "é a quarta marca de gin nacional" e a segunda com origem no Alentejo (a outra chama-se "Templus").

Convicto de que, em Portugal, o consumo desta bebida "não é moda, é um culto" com apreciadores fiéis, António quer continuar a dedicar-se à 'alquimia de sabores' que, uma vez destilada, se transforma em gin e já tem novos produtos na 'calha'.

Um novo gin com pêra-rocha do Oeste, numa edição especial a lançar em "Outubro ou Novembro", e uma gama de cinco vodkas, uma neutra e as outras aromatizadas (maçã Bravo de Esmolfe, pêra-rocha, limão e tangerina), vão ser as novas criações.

Fonte:  Lusa

Portugal já pode exportar carne de porco para o Japão


Os empresários portugueses já podem exportar carne de porco para o Japão, anunciou ontem a ministra da Agricultura, Assunção Cristas, que espera vir a concretizar a venda deste produto para a Coreia do Sul.

"Para o Japão, o dossier da carne de porco está concluído, isso quer dizer que os empresários portugueses já podem exportar porco para o Japão. No caso da Coreia do Sul, o assunto está muito bem encaminhado", revelou a ministra da tutela à Lusa, a partir de Seul (Coreia do Sul).

Assunção Cristas, que falava no final de cinco dias de visita aos dois países, no âmbito do 'Roteiro do Mar', fez "um balanço muitíssimo positivo" desta deslocação, na qual a comitiva portuguesa se reuniu com dezenas de empresas que manifestaram interesse em investir na aquacultura e na agricultura portuguesas.

Além da aquisição de carne de porco, os dois países também mostraram interesse em investir na aquacultura em Portugal.

"Tivemos uma reunião específica com a associação japonesa de aquacultura e podemos atestar muito interesse dos empresários japoneses em conhecerem as oportunidades da aquacultura e em visitarem Portugal", afirmou Assunção Cistas.

Certa de que haverá visitas de empresários japoneses a Portugal "num futuro muito próximo", a ministra da Agricultura considerou que o facto de termos uma empresa japonesa que faz a engorda do atum -- a Tunipex, no Algarve -- vai contribuir para que outras possam deslocar-se ao nosso país.

Assunção Cristas revelou ainda que para além do ponto da situação feito com o Japão dos dossiers fitossanitários das aves a das cerejas, teve "uma belíssima reunião com o maior grupo empresarial da Coreia do Sul na área da restauração e das padarias" que manifestou interesse em adquirir vários produtos portugueses: porco preto, azeite, tomate e mexilhão.

"Na área de captação de investimento directo estrangeiro para Portugal fiquei muito optimista", salientou a ministra da Agricultura.

Fonte:  Lusa

Câmara de Lisboa vai plantar uma vinha

Julho 03
08:48
2014

O vereador da estrutura verde da Câmara de Lisboa, José Sá Fernandes, assinou um contrato com uma empresa vinícola para a implantação de uma vinha em terrenos da freguesia de Marvila.

A iniciativa, que visa divulgar os vinhos da região de Lisboa, vai ocupar uma área de terreno de 3 hectares, que se encontrava desqualificada e sem aproveitamento.

Com este projecto, pretende-se trazer o campo mais para a cidade, constituindo, também,, uma mais-valia em termos ambientais, além de ser didáctica, pois pode vir a mostrar aos habitantes de Lisboa que desconhecem o mundo rural, a aprender como se produz vinho.

O Ministério da Agricultura mudou recentemente a denominação geográfica de origem para os vinhos da região da Estremadura para Lisboa, pois considerou que poderia ser uma mais-valia para a promoção nos mercados externos.

A empresa vinícola Casa Santos Lima – Companhia das Vinhas, S.A. terá a seu cargo todas as obras de implantação da vinha, bem como a casa de apoio e pagará, por ano, à Câmara Municipal, uma renda sob a forma de 600 garrafas de vinho e 100 garrafas de vinho à freguesia de Marvila.

O investimento previsto não deve ultrapassar os 100.000 euros.

Governo baixou o IVA da fruta desidratada, cogumelos e especiarias

ANA RUTE SILVA e PEDRO CRISÓSTOMO 05/07/2014 - 08:47
Não foi só o pão com chouriço que teve uma redução do imposto. IVA aplicado à fruta desidratada, produção de cogumelos ou especiarias desceu logo no início do ano.

 
O Governo fala na "valorização dos produtos primários" com esta descida do imposto MIGUEL MADEIRA

Depois de, em 2012, o Governo ter limitado o número de bens sujeitos à taxa reduzida de IVA – e, com isso, aumentado o imposto de valor acrescentado a dezenas de produtos alimentares – em 2014 a lista dos artigos com 6% de imposto está maior. Não foi só o pão com chouriço, nozes ou torresmos que passou a beneficiar de um IVA menor, também a fruta desidrata, a produção de cogumelos ou de especiarias baixaram de 23 para 6%.

Há dois anos, da charcutaria à mercearia, poucas foram as prateleiras que escaparam ao aumento do IVA. Ao abrigo do programa económico e financeiro acordado com a troika, o Governo limitou a aplicação da taxa reduzida de 6% a um "cabaz de bens essenciais" de produção nacional, como a vinicultura, a agricultura e as pescas. A fruta desidratada estava enquadrada na taxa normal (23%), mas o crescimento do mercado levou o executivo a reconsiderar.

No Orçamento do Estado (OE) para 2014, este produto passou a beneficiar da taxa reduzida. Não foi o único: o mesmo aconteceu com a produção de cogumelos, de especiarias, de sementes e de material de propagação vegetativa, e a exploração de viveiros, no âmbito de actividade de produção agrícola.

A descida, cirúrgica, entrou em vigor a 1 de Janeiro com o OE, mas passou despercebida – ao contrário do que agora aconteceu com a orientação dada para que o "pão especial", com chouriço, passas ou nozes ou torresmos, beneficie da redução que já estava prevista no código do IVA para o "pão e produtos de idêntica natureza, tais como gressinos, pães de leite, regueifas e tostas".

A opção por colocar estes produtos agrícolas ou alimentares na taxa reduzida contrasta com a estratégia seguida pelo Governo em relação a outros sectores que têm um grande impacto na arrecadação de receita de IVA, como a restauração, onde o imposto se mantém na taxa máxima desde 2012, contra um coro de críticas dos representantes dos empresários da hotelaria e restauração. No próximo ano, aliás, a taxa máxima do IVA vai voltar a aumentar, passando para 23,25%, uma diferença de 0,25 pontos percentuais face ao valor actual.

O Ministério da Agricultura justificou as alterações no IVA da fruta desidratada com a "correcção de uma incongruência" e a "valorização dos produtos primários". Também Nuno Vieira e Brito, secretário de Estado da Alimentação, sublinha que, por exemplo, a fruta desidratada "tem um manifesto valor acrescentado, até do ponto de vista da saúde". "No caso do pão com chouriço, trata-se de um produto de economia local e é uma forma de promoção da pequena economia e da agricultura familiar", diz. E admitiu: "Há a intenção de olhar com atenção para estes dossiês e, dentro da possibilidade económica que vamos tendo, fazer essas correcções".

O PÚBLICO questionou o Ministério da Economia sobre o critério que esteve na base desta descida e se houve pressão por parte das empresas para que se concretizasse, mas o assunto foi remetido para o Ministério das Finanças. Este, por sua vez, não prestou esclarecimentos sobre a alteração relativa à fruta desidratada, que não estava prevista na proposta de orçamento apresentada em Outubro do ano passado, mas acabou por ser incluída no OE.

Não há dados discriminados que permitam perceber o impacto orçamental destas reduções. Mas sendo a fruta desidratada uma área de negócio ainda com pouca expressão no mercado, o seu peso no total da receita de IVA arrecada pelo Estado é, à partida, reduzido.

Apesar do peso crescente do IRS na execução orçamental, o IVA continua a ser o imposto que mais receita gera para os cofres do Estado. Até Maio, a execução chega aos 5848 milhões de euros arrecadados, mais 2,9% do que nos cinco primeiros meses do ano passado. Ao todo, o Governo conta que o encaixe com o IVA chegue este ano aos 12.915 milhões, mais de um terço de toda a receita fiscal prevista no Orçamento Rectificativo (35.820 milhões de euros).

O consumidor é cada vez mais sensível à responsabilidade social das empresas

Julho 01
08:25
2014

Nos últimos anos, tem vindo a assistir-se, em todo o mundo desenvolvido e, sobretudo, na Europa, a uma preocupação e orientação de escolha por parte do consumidor em matérias que vão para além da qualidade dos produtos alimentares.

Falamos, por exemplo ,nas garantias de segurança e na responsabilidade social das empresas noutros produtos. Temos em Portugal um exemplo de sucesso, a Duorum, que além de produzir vinho de alta qualidade, tem também um programa de produção com defesa da biodiversidade, através da protecção das aves em vias de extinção na zona do Douro.

Este trabalho começou há sete anos, com a plantação das primeiras vinhas e, actualmente, é com orgulho que os produtores vêm a fauna de aves em vias de extinção aumentar, contribuindo, assim, decisivamente para a sua preservação.

Devido à componente ambiental do projecto, a Duorum é a única vinícola do Douro assente na plataforma europeia Business & Biodiversity e tem recebido vários prémios de empreendedorismo e inovação a nível internacional.

Esta situação tem sido extremamente útil para a promoção de vinho em mercados como os Estados Unidos, o Canadá e a Escandinávia, onde as vendas não param de aumentar.

Pagamentos Junho 2014

Junho 27
15:04
2014

No último dia do mês de junho de 2014, conforme procedimento habitual, o IFAP irá proceder a pagamentos* num montante total de cerca de 104 milhões de euros.

Do conjunto das transferências efetuadas, destacamos os seguintes pagamentos:

PRODER: Medidas Investimento - 49,6 milhões de euros
PRODERAM: Medidas Investimento - 2,9 milhões de euros
POSEI AÇORES: Pescas - 3,2 milhões de euros
Regime de Pagamento Único - 17,4 milhões de euros
Prémio por Vaca em Aleitamento - 3,8 milhões de euros
Art.68º – Pagamentos Complementares - 2,7 milhões de euros
PESCAS - 4,9 milhões de euros
Relativamente aos pagamentos diretos da Campanha 2013, a fim de garantir o cumprimento do limite orçamental previsto no art. 8º do Reg. 73/2009, no que se refere ao limite máximo líquido fixado no anexo IV do mesmo Regulamento, foi aplicada uma redução linear de 1,30% sobre os referidos pagamentos aos beneficiários cujos montantes se encontravam sujeitos a ajustamento.

Para mais informações consulte Calendários de Pagamentos.

* Valores provisórios.

IFAP

Os pulverizadores vão passar a ter inspecções periódicas na UE

Julho 03
08:46
2014

Segundo a directiva comunitária, os pulverizadores que estão em funcionamento em 2014 vão ter que ser inspeccionados até 26 de Novembro de 2016. A medida deve atingir três milhões de pulverizadores.

A inspecção só pode ser feita se o pulverizador estiver totalmente descontaminado e devidamente engatado ao tractor, com todos os sistemas de protecção instalados.

Serão inspeccionados:

1 – Todas as protecções de segurança para o operador, como a do cardan de ligação e de todos os elementos móveis

2 – A bomba deve estar em perfeitas condições, assegurando uma pressão correcta, mistura do produto, correcta mistura e lavagem do reservatório

3 – A bomba deve fornecer as pressões correctas para a aplicação dos diferentes produtos

4 – Todos os difusores têm de estar em boas condições e devem debitar igual quantidade de produto

5 – O depósito não pode ter fugas, tem de ter um visor externo da quantidade e deverá ter um filtro que não permita a entrada de corpos estranhos

6 – Se houver um sistema de injecção dos químicos no depósito, o débito deste será testado

7 – Em todos os que recorrem a uma gestão electrotécnica, serão medidos os seus débitos para conferir se correspondem ao programado

8 – Nenhuma válvula de controlo pode apresentar a mínima fuga

9 – As barras de pulverização devem ter os aspersores afastados à medida correcta e assegurar que mantêm uma altura constante ao solo ao longo do seu comprimento

Porto quer roteiro de árvores classificadas


HojeComentar

Porto quer roteiro de árvores classificadas
O acervo de árvores classificadas como de interesse público é "generoso" e "motivo de orgulho" para o Porto, o que leva a autarquia a querer lançar em breve um roteiro dos mais de 230 exemplares monumentais existentes na cidade.
Atualmente há 237 árvores municipais, de sete espécies, classificadas como de interesse público no Porto, atributo que as dignifica e que lhes reconhece "caráter benéfico e valioso, não só para a cidade em si mas também para as suas comunidades, para as populações e para os visitantes", afirmou, em declarações à Lusa, Isabel Lufinha, engenheira do pelouro do Ambiente da Câmara do Porto.
Pelo seu desenho, porte, raridade ou interesse histórico e paisagístico, estes exemplares municipais estão protegidos enquanto monumentos vivos e são hoje "contadores de histórias", além de serem "elementos riquíssimos em termos botânicos".
A Ginkgo (ou nogueira-do-japão) no passeio das Virtudes, a Araucária (ou bunia-bunia) no jardim da Cordoaria, o Tulipeiro da Casa Tait, o conjunto de palmeiras no Passeio Alegre e a avenida dos plátanos, também na Cordoaria, são alguns exemplos de árvores classificadas cuja presença não passa desapercebida.
O Porto é uma cidade "extremamente verde" e "há que valorizar esse património", afirmou o vereador do pelouro do Ambiente e Inovação, Filipe Araújo, que acredita que "a breve trecho" será possível dar a conhecer aos munícipes e a quem visita a cidade o património arbóreo, através de um roteiro turístico, em formato digital ou em papel.
"Temos essa intenção, a ideia é ir recolhendo o maior número e a maior qualidade possível de informação associada a cada uma das árvores e fazermos um mapa, um roteiro turístico, mas desta vez com as nossas árvores classificadas", frisou também Isabel Lufinha.
Para Isabel Lufinha, à semelhança de um roteiro de monumentos de arquitetura, este sobre árvores classificadas faz todo o sentido, porque "é um valor patrimonial igualmente forte, igualmente válido e com muitos amantes, também".
A primeira classificação de árvores na cidade remonta a 1939, com um ulmeiro (Cordoaria), um pinheiro manso (avenida da Boavista) e um tulipeiro-da-virgínia com mais de 300 anos (escola pública João de Deus), sendo este o único dos três exemplares que ainda existe.
Mas foi em 2004 que ocorreu um "boom" de classificações de árvores da cidade, quando associações ambientalistas, em colaboração com a Câmara, decidiram impulsionar o processo, apresentando as candidaturas.
A preservação e manutenção destes seres vivos estão salvaguardadas, porque "qualquer intervenção tem que ter o parecer e autorização prévia da tutela [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas]", disse Isabel Lufinha, lembrando ainda que a lei estabelece um raio de proteção de 50 metros.
O vereador Filipe Araújo adiantou ainda que a autarquia tem já mais árvores em processo de classificação, porque ao querer dar este estatuto a mais espécies a Câmara está também "a reproduzir a importância que têm, a dar relevância e a valorizar a cidade".
A técnica da autarquia não tem dúvidas de que estas árvores monumentais "precisam de muita dedicação, vigilância e proteção".
"Devemos ter todos os cuidados que conseguirmos e soubermos ter, mas também somos mais cuidadosos com a saúde dos nossos avós do que com a nossa e é um bocadinho esse valor que permanece", concluiu.

Membros do Parlamento inglês preocupados com o possível aumento dos preços dos alimentos

Julho 02
12:22
2014

Membros do Parlamento inglês estão preocupados com a possível subida do preço dos alimentos, devido a alterações climatéricas e ao aumento da procura mundial, sobretudo na China e um inquérito que fizeram mostra que o Reino Unido pode vir a ter uma penúria de alguns produtos, se não forem tomadas medidas.

Aconselham, portanto, o governo a incentivar a produção de OGM's e deixarem este tema controverso para a União Europeia.

O consumidor deve ser informado que os alimentos OGM respondem a todos os padrões de segurança alimentar.

Outras medidas a tomar poderão passar por uma previsão meteorológica mais atempada e mais fiável, para prevenir os agricultores de eventuais acidentes naturais e, também, pelo incentivo aos agricultores para semearem maiores áreas.

A principal preocupação vem do possível aumento do custo da proteína vegetal, que acarretará aumento nos custos de produção do sector animal.

É, também, pedido aos grandes supermercados que comprem cada vez mais produtos ingleses.

Actualmente, o Reino Unido tem uma auto-suficiência alimentar de 68%, enquanto há vinte anos, tinha 87%.

Presidência Italiana dá prioridade à agricultura

Julho 02
12:17
2014

Os temas prioritários para a Presidência italiana, deste segundo semestre de 2014, são a segurança alimentar, na perspectiva da exposição universal de Milão em 2015, a renovação da geração de agricultores e os acordos comerciais internacionais.

A produção biológica, as regras de aplicação da nova Política Agrícola Comum, assim como as quotas leiteiras, são também dossiers que são considerados prioritários.

Estão previstos Conselhos de Ministros de Agricultura para 14 de Julho e 15 de Setembro, 28 a 30 de Setembro (informal), 13 e 14 de Outubro, 10 e 11 de Novembro e 15 e 16 de Dezembro.

Um dossier que será seguramente discutido na primeira reunião é o do leite, com a Presidência a querer preparar uma transição suave para o regime sem quotas leiteiras de 2015, cuja discussão não se afigura nada fácil.

A Itália quer ter um consenso até ao final do ano sobre a legislação da produção bio e, também, sobre as novas modalidades de distribuição de frutas nas escolas. A publicação dos últimos actos delegados, sobretudo no que diz respeito à autorização de plantação de vinhas também está em cima da mesa.

As negociações dos acordos internacionais, sobretudo com os Estados Unidos, receberão especial atenção, sobretudo no capítulo da salvaguarda das denominações de origem europeias.

No domínio da segurança alimentar, pretende-se que os 28 desbloqueiem o pacote "saúde animal e vegetal" sobre o qual o Parlamento já se pronunciou, excepto para as sementes e, a este dossier, vai juntar-se o referendo à clonagem.

No que diz respeito ao ambiente, os temas principais serão os OGM's e a afectação de terrenos para a produção de bio combustíveis

Temperaturas sobem a partir de segunda-feira

METEOROLOGIA

por Lusa, publicado por Marina AlmeidaOntemComentar

Temperaturas sobem a partir de segunda-feira
As temperaturas máximas vão começar a subir gradualmente a partir de segunda-feira, prevendo-se ainda precipitação no fim de semana no Minho e Douro litoral, disse hoje à agência Lusa a meteorologista Cristina Simões.
"Para o fim de semana ainda prevemos chuva em geral fraca, mas apenas no Minho e Douro litoral. As regiões do norte e centro vão continuar a ter alguma nebulosidade, enquanto no sul prevê-se céu pouco nublado ou limpo", disse a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
De acordo com Cristina Simões, as temperaturas não vão sofrer alterações significativas no fim de semana, variando entre os 22 e os 32/33 graus Celsius nas regiões do interior e no Alentejo.
"No domingo, as temperaturas sofrem uma ligeira descida e a partir de segunda-feira vão subindo gradualmente", adiantou, salientando que na segunda-feira já não está prevista precipitação.
Segundo Cristina Simões, estas temperaturas são normais para a época, não se prevendo para já tempo seco.
"Estamos no início do verão. Esta situação ocorre porque tem havido alguma nebulosidade e precipitação por causa de uma corrente de oeste que traz alguma humidade. Geralmente as situações de tempo mais quente estão associadas a vento de leste quente e seco, que para já ainda não se prevê", disse.
O IPMA prevê para hoje no continente céu pouco nublado ou limpo, apresentando períodos de maior nebulosidade no litoral oeste até ao final da manhã e para o final do dia e possibilidade de ocorrência de períodos de chuva fraca ou chuvisco no litoral a norte do Cabo da Roca até final da manhã.
A previsão aponta também para vento em geral fraco do quadrante oeste, soprando moderado de noroeste nas terras altas e no litoral oeste, em especial durante a tarde, neblina ou nevoeiro matinal, pequena subida da temperatura mínima e descida da máxima nas regiões do litoral norte centro.
Na Madeira, prevêem-se períodos de céu muito nublado, aguaceiros fracos nas vertentes norte e vento fraco a moderado de nordeste.
Para os Açores, prevêem-se períodos de céu muito nublado com boas abertas e vento fraco a moderado.
Quanto às temperaturas, em Lisboa, Braga e Faro prevê-se uma máxima de 26 graus Celsius, no Porto e na Guarda 22, em Évora 32, Beja 30, Castelo Branco 31, Bragança 28, Funchal e Angra do Heroísmo 24, Ponta Delgada 23 e Santa Cruz das Flores 25.
Risco elevado de radiação UV em todo o país
Quase todo o país apresenta hoje risco muito alto de exposição à radiação ultravioleta (UV), de acordo com o IPMA.
Segundo informação disponível na página do IPMA na Internet, as regiões de Aveiro, Beja, Bragança, Braga, Castelo Branco, Évora, Faro, Funchal, Guarda, Lisboa, Penhas Douradas, Porto, Portalegre, Porto Santo, Sagres, Santarém, Setúbal, Sines, Viana do Castelo, Viseu, Vila Real, Horta e Angra do Heroísmo apresentam risco muito alto de exposição à radiação UV.
Também as regiões de Coimbra, Leiria e Ponta Delgada apresentam hoje risco alto.
Para estas regiões, o IPMA aconselha a população a utilizar óculos de sol com filtro UV, chapéu, t-shirt, guarda-sol e protetor solar e a evitar a exposição das crianças ao sol.
Segundo o instituto, a radiação ultravioleta pode causar graves prejuízos para a saúde se o nível exceder os limites de segurança.

Adegga Summer WineMarket: Vinhos de 40 produtores à prova este sábado em Lisboa


Por Sandra Gonçalves
Adegga Summer WineMarket: Vinhos de 40 produtores à prova este sábado em Lisboa


Se gosta de vinho já deve ter ouvido falar no Adegga WineMarket. Se não, terá a oportunidade de ficar a conhecer o evento já este sábado, no Hotel Florida (Marquês de Pombal, Lisboa), entre as 15:00 e as 22:00 horas. Em entrevista ao Diário Digital, André Ribeirinho, mentor do projecto, contou que o evento, que já vai na sua 10ª edição, terá 40 produtores com os seus vinhos à prova. Mas há muito mais.
Além dos stands, que estarão distribuídos pelos dois terraços do hotel, haverá ainda provas de degustação de iguarias.

O visitante receberá à entrada um copo "tecnológico", cujo design foi premiado, o «Smart Wine Glass», que tem incorporado um chip que ajuda a lembrar quais os vinhos que foram provados.

E as surpresas não ficam por aqui. Segundo André Ribeirinho, foram criados dois espaços distintos: o Premium Room e o Adegga+Food. Outra das particularidades deste evento é que «o visitante pode provar todos os vinhos, optar pelos que mais gosta, efectuar a compra no local e receber as garrafas no conforto da sua casa». O que é sensato. Com tanta oferta de vinho pode ser desafiante deixar o local sem estar a cambalear.
O Adegga WineMarket é uma iniciativa já bastante consolidada; acontece três vezes por ano em Portugal – Natal, Primavera e Verão -, e já "viajou" até Bruxelas. Este ano regressará à capital da União Europeia e lá estarão representados cerca de 50% dos produtores nacionais.

André Ribeirinho gosta de convidar para o Adegga WineMarket «produtores que estão pouco à vontade com grandes eventos para que assim possam apresentar a sua produção num ambiente acolhedor e mais intimista». Uma mais-valia para quem produz e para quem frequenta, porque propicia momentos de boa conversa em torno de um bom copo de vinho.
Adegga Summer WineMarket
Data: 5 de Julho (sábado)
Horas: das 15:00 às 22:00 horas
Local: Hotel Florida (Marquês de Pombal, Lisboa)
Preços: 12 euros por pessoa no local / 10 euros por pessoa online (no site)

Mais informação em http://winemarket.adegga.com/.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Apresentação Oficial Portugal Agro 2014

No próximo dia 9 de Julho, quarta-feira, pelas 11h00, realiza-se na FIL – Feira Internacional de Lisboa o evento de apresentação oficial da 1ª edição do PORTUGAL AGRO – Feira Internacional das Regiões, da Agricultura e do Agroalimentar.

O evento contará com a presença da ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, do presidente da Fundação AIP, Jorge Rocha de Matos, e dos Presidentes e Representantes de Associações Sectoriais e Entidades Parceiras do PORTUGAL AGRO, para assinatura de protocolos de colaboração mútua, com o objectivo de partilha de conhecimentos, organização e divulgação de acções paralelas de relevante interesse para o projecto.

Entidades Parceiras do PORTUGAL AGRO

ACOPE - Associação dos Comerciantes de Pescado 
ACOS - Agricultores do Sul
AEBB - Associação Empresarial da Beira Baixa 
AEP - Associação dos Escanções de Portugal
AERLIS- Associação Empresarial da Região de Lisboa
AGIM - Associação para os Pequenos Frutos e Inovação Empresarial
AGROBIO – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica
AGROCLUSTER - Agrocluster Ribatejo
AHRESP - Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal 
AICC - Associação Industrial e Comercial do Café 
AIHO - Associação Interprofissional de Horticultura do Oeste
AIP-CCI - Associação Industrial Portuguesa - Câmara de Comércio e Industria
AJAP - Associação de Jovens Agricultores de Portugal
ALIF - A Associação da Indústria Alimentar pelo Frio 
ANCIPA - Associação Nacional de Comerciantes e Industriais de Produtos Alimentares
ANIPLA - Associação Nacional da Indústria para a Protecção das Plantas
ANP - Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha
CASA DO AZEITE - Associação do Azeite de Portugal
CCIPD - Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada
CIP - Confederação Empresarial de Portugal
CNA - Confederação Nacional de Agricultura
CNJ- Confederação dos Jovens Agricultores e do Desenvolvimento Rural
CONFAGRI - Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal
COTHN - Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional 
DOCAPESCA - Portos e Lotas, SA 
EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva Sa
FENADEGAS - Federação Nacional das Adegas Cooperativas de Portugal
FENAREG - Federação Nacional de Regantes de Portugal 
FIPA - Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares
FNAP - Federação Nacional dos Apicultores de Portugal
IACA - Associação Portuguesa dos Industriais de Alimentos Compostos para Animais
INOVCLUSTER - Associação do Cluster Agro-Industrial do Centro
INOVISA - Pólo de Tecnologia e Empresas
NERA - Associação Empresarial da Região do Algarve
NERBA - Associação Empresarial do Distrito de Bragança
NERBE - Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral
NERC - Associação Empresarial da Região de Coimbra
NERE - Associação Empresarial da Região de Évora
NERGA - Associação Empresarial da Região da Guarda
NERLEI - Associação Empresarial da Região de Leiria
NERPOR - Associação Empresarial da Região de Portalegre
NERVIR - Associação Empresarial de Vila Real
PORTUGAL FRESH - Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal
UNAC - União da Floresta Mediterrânica
VINIPORTUGAL - Associação Interprofissional do Sector Vitivinícola 

Fonte:  FIL

Parlamento Europeu: Nuno Melo fará defesa dos interesses da agricultura portuguesa na UE


O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, diz que a indicação do eurodeputado Nuno Melo como único português na comissão de Agricultura é "muito importante para a defesa dos interesses da agricultura portuguesa" na União Europeia.

"É muito importante para a defesa dos interesses da agricultura portuguesa que um deputado europeu com o carisma, a experiência e a competência que Nuno Melo reconhecidamente tem possa ter influência prática nessa comissão onde se decidem tantas matérias relevantes na política agrícola comum com impacto imediato na vida dos agricultores portugueses", disse à Lusa Paulo Portas.

O presidente centrista destacou que "o facto de ser o único deputado português efectivo na comissão de Agricultura reforça as responsabilidades de Nuno Melo e confirma o empenhamento e o compromisso do CDS com a agricultura e os agricultores".

"A nomeação de Nuno Melo como efectivo para a importante comissão de Agricultura foi objecto de consenso positivo entre CDS e PSD e muito bem acolhida no Partido Popular Europeu", declarou o também vice-primeiro-ministro.

Os 21 deputados portugueses eleitos para o Parlamento Europeu vão integrar 16 comissões parlamentares na legislatura 2014-2015, sendo as de Assuntos Económicos, de Emprego e Assuntos Sociais e das Pescas aquelas que contam com mais eurodeputados de Portugal.

No quadro da sessão constitutiva da nova assembleia, após as eleições europeias de Maio passado, o Parlamento Europeu decidiu hoje quais os membros que vão integrar cada uma das 20 comissões e duas subcomissões, e apenas não há eurodeputados portugueses em quatro comissões, designadamente as de Comércio Internacional (que na anterior legislatura era presidida por um português, o socialista Vital Moreira), Controlo Orçamental, Cultura e Educação, e Petições.

Entre as comissões parlamentares que contam com mais deputados portugueses conta-se a de Assuntos Económicos e Monetários, que integra um total de 61 deputados, e onde Elisa Ferreira (PS) e Marisa Matias (Bloco de Esquerda) voltam a marcar presença, agora acompanhadas do novo deputado comunista Miguel Viegas.

Outras duas comissões contam com três eurodeputados portugueses: as de Emprego e Assuntos Sociais, com Maria João Rodrigues (PS), Inês Zuber (PCP) e Sofia Ribeiro (PSD), e das Pescas, com Marinho e Pinto (MPT), João Ferreira (PCP) e Ricardo Serrão Santos (PS).

Entre as várias "colocações" ontem votadas, Francisco Assis (PS) ficou na comissão de Assuntos Externos, Carlos Zorrinho (PS) na de Indústria, Investigação e Energia, Carlos Coelho (PSD) na de Mercado Interno e Proteção dos Consumidores, Nuno Melo (CDS-PP) na de Agricultura, Marinho e Pinto (MPT) na de Assuntos Jurídicos, Ana Gomes (PS) na de Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos, e Paulo Rangel (PSD) e Pedro Silva Pereira (PS) na comissão de Assuntos Constitucionais, de Desenvolvimento e de Orçamentos.

As presidências e vice-presidências das comissões parlamentares serão votadas na próxima segunda-feira, em Bruxelas.

Fonte:  Lusa

Bombeiros prevêem fase de incêndios “muito difícil” potenciada pelas falhas na prevenção


ANA BÁRBARA MATOS 04/07/2014 - 10:04

Nem o reforço dos meios de combate aos incêndios tranquiliza o presidente da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários, que retira das fases Alfa e Bravo uma "perspectiva assustadora".

 
Dirigentes garantem que falhas na prevenção de incêndios desmotiva os bombeiros FOTO: PAULO PIMENTA

 A fase Charlie começou na terça-feira e prolonga-se até 30 de Setembro. Nos dois primeiros dias foram registadas 50 ocorrências, substancialmente menos do que em período homólogo, para que contribui o estado do tempo, com temperaturas mais baixas e períodos de chuva.

Para esta fase mais crítica estão mobilizados 9697 operacionais (mais 360 elementos do que em 2013), 2220 equipas das diferentes forças envolvidas (Bombeiros, GNR, PSP, ICNF, entre outras), 2027 viaturas (mais 51 do que no ano passado) e 49 meios aéreos (eram 45 em 2013), além de 237 postos de vigia da responsabilidade da GNR. As corporações de bombeiros foram também reforçadas com 2600 rádios SIRESP (Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal).

Marta Soares diz que este é "o melhor DECIF [dispositivo de combate] desde sempre", mas não deixa de criticar o atraso na entrega de viaturas e a falta de equipamentos de protecção individual: "É um descuido grosseiro e grave", afirma.

O presidente da Liga, tal como já havia feito o ministro Miguel Macedo, mostra-se preocupado com o facto de a maioria das corporações enfrentar a fase mais crítica dos incêndios florestais sem equipamentos de protecção não inflamáveis. O dirigente assegura que a falha terá grande impacto na confiança e atitude dos bombeiros no terreno.

E da pedra se fez vinho

JOSÉ AUGUSTO MOREIRA 04/07/2014 - 11:45

Há dez anos que a Paisagem da Cultura da Vinha da Ilha do Pico foi declarada património mundial pela UNESCO. A classificação abarca vinhas heróicas criadas em solos de rocha vulcânica e onde se produzem vinhos únicos, tal como o sistema de cultivo em currais de pedra de lava.

 
MIGUEL MANSO

Nem sempre a fama fala mais alto. Numa altura em que a França ainda anda às voltas com a candidatura de Champanhe a património mundial e em que o Piemonte italiano - de onde saem os igualmente famosos espumantes de Asti - só há dias viu aprovada a classificação dos seus vinhedos, completa-se já uma década desde que a Paisagem Cultural da Vinha da Ilha do Pico consta da lista da UNESCO.

Foi em Suzhou, na China, que o Comité do Património Mundial aprovou a classificação do secular sistema de cultivo da vinha naquela ilha dos Açores, reconhecendo o valor de uma "paisagem extraordinariamente bela e feita pelo homem". Mesmo que então uma grande parte da zona a classificar estivesse votada ao abandono. O plano de gestão proposto pelo governo regional propunha, precisamente, um conjunto concreto de acções para a sua revitalização, no qual terá nestes dez anos investido já cerca de cinco milhões de euros.

E o balanço é claramente positivo. Quem o garante é o actual responsável pelo Parque Natural do Pico, Manuel Paulino da Costa, no cargo há três anos. "Conseguiu-se aquilo que à partida se apresentava como o mais importante, que era estancar o abandono", diz, explicando que, "ao mesmo tempo, foi já revitalizada uma boa parte da vinha" o que, em seu entender, terá deixado "garantidas as condições para que a zona se mantenha como paisagem viva".

Mas não é só o cultivo da vinha. Os programas de incentivo incluem também a reabilitação de muros e construções e, nos dois últimos anos, tem-se verificado uma multiplicação do número de candidaturas aos apoios públicos àquela actividade. Efeitos da crise? "Também, seguramente", concede o responsável, que aponta ainda para a crescente visibilidade deste património, para a cada vez maior afluência de turistas e ainda para o reconhecimento e valorização crescentes dos vinhos. E os números aí estão para o confirmar. Só no ano passado foram apresentados 50 projectos para revitalização e recuperação, ou seja quase metade dos 116 que surgiram durante os primeiros oito anos de funcionamento do sistema de incentivos. E neste ano, até há um mês atrás, tinham já dado entrada 15 novos projectos. Em muitos casos, incluem recuperação de antigas construções para turismo rural, o que para o director do parque representa a afirmação do projecto e a confiança no futuro por parte das populações.

No que respeita ao turismo os números são, de facto, animadores. Em 2011 registaram a chegada à ilha de cerca de mil visitantes, número que triplicou no ano seguinte a disparou já para os seis mil no ano passado. Não só, é claro, pela paisagem das vinhas, mas também pela observação de baleias e as caminhadas "à montanha", como por aqui é sempre designado aquele que nos seus 2351 metros é o ponto mais alto de Portugal. Na zona classificada há três percursos pedestres, tendo o da Criação Velha sido recentemente incluído na lista dos dez melhores do mundo, num ranking organizado por uma revista inglesa da especialidade

Beleza secular
No relatório sobre a candidatura, os técnicos do Icomos – o órgão consultivo no qual se apoiam as decisões da UNESCO – deixaram escrito que "a paisagem da Ilha do Pico é reflexo de uma resposta única à cultura da vinha numa pequena ilha vulcânica. Esta paisagem extraordinariamente bela feita pelo homem, composta por pequenos campos limitados por muros de pedra, é o testemunho de gerações de pequenos agricultores que, num ambiente hostil, criaram um modo de vida sustentável e um vinho muito apreciado".

Um legado que começou a ser construído já no tempo dos primeiros povoadores, no séc. XV. Foram as ordens religiosas, com saber acumulado noutras paragens, que para ali levaram culturas de tipo mediterrânico, como a vinha e a figueira.

A parte ocidental da ilha, inóspita e improdutiva porque dominada por solos de pedra de lava, permanceu, no entanto, praticamente abandonada. Foram, mais uma vez, os monges que aí começaram a erguer protecções para o plantio de videiras. E, com os seus conhecimentos de misturas de castas na fermentação, começaram a fazer vinhos muito apreciados, o que levou ao interesse das populações por essas áreas inóspitas para a produção de vinha.

A singularidade do cultivo resulta do complexo e geométrico reticulado de muros de pedra basáltica, que cria uma espécie de ninho protector onde cresce a videira. É o sistema de currais ou curraletas, que comunicam entre si por aberturas nas extremidades, permitindo a circulação dos trabalhadores. Há uma abertura em cada uma das extremidades da quadrícula, mas sempre desencontradas para assim impedir a circulação do vento e respectivos malefícios.

OGM: quando os cientistas se esquecem de fazer ciência

ANA GERSCHENFELD 04/07/2014 - 08:30
Os organismos geneticamente modificados (OGM) são ou não uma ameaça para a saúde humana? Um artigo que concluía que sim – e que fora retirado de publicação por falta de provas e falhas graves – acaba de ser republicado sem motivo, deixando-nos mais longe da resposta.

 
O artigo sobre os efeitos dos OGM fora retirado da publicação DR

Gilles-Éric Séralini, cientista da Universidade de Caen (França) e autor principal de um controverso artigo que, supostamente, associava o cancro ao consumo de organismos geneticamente modificados (OGM) – mais precisamente de cereais transgénicos –, não parece estar interessado em tratar seriamente do assunto. Está convencido de que tem razão – e disposto a adoptar uma posição nada científica para ter a última palavra.

A prova disso: a saga do artigo assinado por ele e a sua equipa, que foi publicado, em 2012, numa revista científica; retirado de publicação, em 2013, pela própria revista e devido a diversas falhas graves; e, apesar de tudo, tornado a publicar há dias, numa outra revista. Só que, desta vez, sem passar por qualquer crivo científico de avaliação – e sem qualquer novo resultado que venha agora demonstrar a justeza das conclusões iniciais dos seus autores.

Muitos leitores lembrar-se-ão das horrorosas imagens de ratos de laboratório com tumores subcutâneos do tamanho de bolas de pingue-pongue que correram mundo em Setembro de 2012. Segundo a equipa de Séralini, que publicaria os seus resultados no mês seguinte de Novembro na conceituada revista Food and Chemical Toxicology, do grupo Elsevier, o estado de saúde dos animais devia-se a terem sido alimentados com uma variedade de milho transgénico, produzido pelo gigante Monsanto e geneticamente manipulado para ser resistente a um herbicida (já agora, também comercializado pela Monsanto).

A maneira como os resultados foram divulgados junto dos media também sugere fortemente que, já naquela altura, os autores queriam minimizar as eventuais controvérsias em torno do seu trabalho. Acontece que os jornalistas só tinham acesso antecipado aos resultados, se tivessem previamente assinado um acordo de confidencialidade que os tornaria passíveis, caso mostrassem o artigo a outros cientistas para recolher a sua opinião, de terem de pagar uma elevada indemnização aos autores. Nem as revistas científicas mais estritas proíbem os jornalistas de solicitar opiniões independentes acerca de resultados prestes a serem publicados.

A experiência realizada por Séralini e colegas (franceses e italianos da Universidade Verona) consistira em distribuir 200 ratos por 20 grupos de 10 animais e em alimentá-los, durante toda a vida (dois anos), com diferentes dietas. Em particular, enquanto certos grupos comiam diferentes doses de um tipo de milho transgénico chamado NK603, outros comiam diversas doses desse milho transgénico e ao mesmo tempo bebiam água que continha diferentes quantidades do herbicida, chamado RoundUp, ao qual o milho transgénico em causa é resistente. E outros ainda comiam alimentos não transgénicos mas bebiam água contaminada com diversos teores de herbicida. Animais que não consumiam nem alimentos transgénicos, nem herbicida serviam de referência para testar os efeitos do OGM e do RoundUp.

Conclusão dos cientistas: os ratos dos grupos alimentados quer com milho transgénico (com ou sem água "temperada" com herbicida), quer com dietas não transgénicas (mas contaminadas pelo herbicida), apresentavam mais problemas de saúde – e em particular maiores taxas de cancro – do que os outros. Ou seja, o milho transgénico era, segundo eles, tão perigoso para a saúde como o próprio herbicida que era suposto neutralizar.

Os opositores dos OGM saudaram logo o estudo como sendo a prova de que tanto esperavam para banir estes perigosos produtos do mercado para sempre. Mas rapidamente numerosos cientistas começaram também a questionar, em particular junto da revista, a forma como os resultados tinham sido obtidos.

Publicação, retractação

Um ano mais tarde, em Novembro de 2013, a Food and Chemical Toxicology dava razão aos críticos e "despublicava" o artigo de Séralini (que continua, contudo, a estar acessível no site daquela revista, com a palavra "RETRACTED", a vermelho, a barrar cada página do texto). A revista retirou o artigo depois de os autores se terem recusado a fazê-lo de motu proprio.

Os editores da revista escreveram então que não tinham detectado qualquer indício de fraude, mas sim falhas graves na metodologia utilizada pela equipa de Séralini. "Uma observação mais aprofundada dos dados revelou que, com o reduzido tamanho da amostra [de ratos], não é possível chegar a conclusões definitivas", lia-se no editorial então publicado para explicar a decisão da revista.

A estirpe de ratos utilizada também levantava problemas, uma vez que é particularmente propensa a desenvolver tumores malignos após os 18 meses de vida. Portanto, não era possível excluir que a mortalidade elevada observada nos grupos de animais tratados não fosse devida à variabilidade fisiológica natural destes animais e não a um qualquer efeito da alimentação. Podemos, aliás, perguntar-nos por que é que a revista não detectara estes problemas, no fundo bastante evidentes, na altura da avaliação inicial. Mas essa seria outra história.