terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Espanha duplica exportação de azeite para os EUA


19 DE JANEIRO DE 2015 AGROTEC

Os Estados Unidos da América, maior importador mundial de azeite, encerrou as suas importações de azeite na campanha 2013/14 com 312 557, 80 tn, mais 5% relativamente à campanha anterior.

O conjunto dos países europeus subiu 15% relativamente à campanha anterior, passando de 71% em 2012/2013 para 86% das importações totais para aquele país em 2013/14, muito devido ao aumento da produção em Espanha.

A Itália continua a estar à cabeça como maior importador, com 44% do total, ainda que tenha diminuído as exportações tanto em volume como em percentagem. A Espanha mantém-se no segundo lugar, com uma percentagem de 40% do total de exportações. Nesta campanha, conseguiu duplicar as suas exportações, graças a um aumento da produção, passando de 58.950 tn na campanha 2012/13 para 124.452 tn na campanha 2013/14. A Grécia, que para esta campanha teve uma baixa colheita, diminuiu apenas -0.7% relativamente à campanha anterior, mas possui uma quota de mercado muito pequena (1,8%).

Os restantes países exportadores são (por ordem de volume): Tunísia, que se mantém como terceiro fornecedor (mas apenas com 5%, menos 7 pontos que na campanha 2012/13), a Argentina em quarto lugar (com 2.8%), seguido da Turquia e do Chile, que juntamente com o resto dos países perfazem o total (100%) das importações americanas, segundo os dados do último relatório do COI.

Em conclusão, o registo significativo é a subida muito forte da quota de mercado de Espanha em 2013/14, baseado num forte aumento da produção e provavelmente da procura cada vez mais forte para as importações a granel.

A categoria de azeite com maior procura nos EUA é o azeite virgem extra, que representa 49% do total, com um volume de 153.200,7 tn, dos quais 34% (104.768,4 tn) chega em recipientes <18 kg. Os restantes 15% (48.432,2 tn) chega a granel, em recipientes >18 kg. A categoria de azeite virgem extra biológico representa 11% do total (34.470 tn) dos quais 7% (20.683,9 tn) chega engarrafado e 4% (13.786,4 tn) chega a granel.

Mercado de tratores em Portugal cai 5,3% em 2014


19 DE JANEIRO DE 2015 AGROTEC

No mês de dezembro de 2014 foram matriculados 382 tratores agrícolas novos, o que significa um decréscimo de 7,5% face ao mesmo mês do ano anterior.

Por tipo de tratores, foram matriculados 192 tratores convencionais, 121 tratores compactos e 69 tratores especiais (fruteiros e vinhateiros) o que significa variações homólogas de menos 14,3%, de menos 10,4% e de mais 27,8%, respetivamente.

Em termos de valores acumulados no total do ano 2014, foram matriculados 4.668 tratores agrícolas novos, o que representa um decréscimo do mercado de 5,3%, relativamente ao mesmo período do ano anterior, o qual foi determinado pelas quedas do mercado dos tratores compactos (-7,5%) e dos convencionais (-7,2%). No período em análise o mercado dos tratores especiais cresceu 4,9% face ao período homólogo do ano anterior.

Quanto à distribuição do mercado de tratores novos por classes de potência em 2014, os escalões que vão dos 40 aos 88Kw representaram 46,9% do total das matrículas, os escalões até aos 39kw representaram 44,7% e os escalões com mais de 88kw representaram 8,5%.



Venezuela diz que há alimentos a serem desviados para Portugal


     
18/01/2015 11:01:01 2689 Visitas   
Nicolás Maduro (EPA/Lusa) 
Venezuela diz que há alimentos a serem desviados para Portugal
 Presidente da Venezuela acusou no sábado os distribuidores privados de alimentos de estarem a fazer uma "guerra económica" contra os venezuelanos e denunciou que os produtos importados para abastecer o mercado local vão parar a outros países, incluindo Portugal.

"Se investimos em dólares e em bolívares para importar, para produzir (...) porque é que, pelas redes privadas, os produtos acabam em Cúcuta, em Bucaramanga, em Bogotá, em Cali (todas elas localidades na Colômbia), em Aruba, em Miami (EUA) e até em Portugal", questionou Nicolás Maduro.

Nicolás Maduro falava no palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, num discurso transmitido pelas televisões venezuelanas, depois de regressar de um périplo pela Rússia, China, Irão, Arábia Saudita, Catar e Argélia, que incluiu, na sexta-feira, uma paragem técnica em Portugal, onde se reuniu com o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

"A distribuição de todos estes produtos (escassos no mercado nacional) está nas mãos de empresas privadas, parasitárias quase todas e 'maioristas' (venda por atacado). A nossa rede (estatal) de distribuição e comercialização às vezes pode ter algum problema, aqui ou acolá, mas o povo é atendido sempre e aí encontra o que necessita para a sua família", explicou.

Segundo Nicolás Maduro em apenas quatro dias os distribuidores impuseram uma guerra psicológica que levou 18 milhões de pessoas a irem fazer compras aos serviços comerciais públicos e privados, "três vezes mais do que em qualquer (outra) circunstância".

"Há que mudar o modelo de distribuição e comercialização que foi posto ao serviço da guerra económica contra o povo. Há que mudar tudo e mudar já. Ou mudamos esse modelo ou eles vão fazer graves danos à paz da República", vincou.

O Presidente da Venezuela explicou que o seu Governo já teve bastante paciência, que muitas vezes chamou os empresários ao palácio presidencial para conversar e que ordenou à sua equipa convocar novamente "todos os distribuidores e 'maioristas', um a um".

"Façamos que assinem um ultimato de respeito pelo povo e as leis da Venezuela ou atuarei com todo o peso da Lei e da Constituição. Já basta de emboscadas e de guerra económica contra o povo", disse, vincando que o "grande repto histórico do ano 2015" é derrotar essas "mafias".

Segundo o canal de estatal Venezuelana de Televisão, a Associação Nacionais de Supermercados e Afins (Ansa, presidida por portugueses) tem 71.000 estabelecimentos comerciais na Venezuela, representando quase 80% da distribuição nacional de produtos.

Lusa / SOL

Vamos ter etiquetagem dos produtos OGM


Janeiro 19
09:20
2015

O Comissário da Agricultura Phil Hogan anunciou que, no futuro, os produtos alimentares que tenham integrado algum OGM vão ter que ser etiquetados com menção de que contêm OGM's.

Esta posição foi assumida durante a Semana Verde de Berlim e serviu para acalmar um pouco os ânimos, face a um futuro acordo comercial com os Estados Unidos (TTIP), onde os OGM's são discussão forte.

A menção no rótulo tem de ser clara e directa e não como os americanos propõem, ou seja, que essa menção só seja vista através da passagem do rótulo por um scanner.

O Comissário também afirmou que os nossos produtos de alta qualidade, com denominação de origem, serão protegidos nas negociações com os Estados Unidos.

Estas declarações vêm, também, no momento em que a Ministra do Ambiente alemã declarou publicamente a sua vontade de banir todos os OGM's da Alemanha.


180 milhões de euros para a sanidade animal

Janeiro 19
09:19
2015

Está prevista, para 2015, uma verba de 180 milhões de euros no orçamento comunitário, para a luta contra as epizootias e reforço da saúde animal.

A CE participa em 50% para os programas de controlo das doenças apresentados pelos diferentes países. Esta percentagem pode subir a 75% em casos excepcionais.

O programa de luta contra a febre catarral foi o mais reforçado, pois tinha uma verba de 1,8 milhões de euros em 2014 e, em 2015, a verba é de 18,5 milhões de euros.

Os restantes programas são contra a tuberculose bovina (62 milhões de euros), a BSE ou doença das vacas loucas (18 milhões de euros), a raiva (25 milhões de euros), a salmonela (19 milhões de euros), a brucelose bovina (10 milhões de euros), a peste porcina clássica (2 milhões de euros), a gripe aviária (2,2 milhões de euros) e a peste suína africana (5,7 milhões de euros).

Tentativa de reequilíbrio das forças na cadeia alimentar

Janeiro 19
09:18
2015

A Comissão Europeia quer privilegiar o reforço do poder dos agricultores na cadeia de aprovisionamento alimentar. Está a preparar o terreno para a introdução de novos pedidos na PAC, autorizando, sob certas condições, a concentração da oferta.

Phil Hogan quer, também, agir ao nível dos adubos, de modo a evitar a inflação dos preços.

A indústria pretende a renovação do mandato do Fórum de Alto Nível da Cadeia Alimentar, de modo a tentar uma maior base de equilíbrio com a grande distribuição.

No caso dos adubos, um estudo do Instituto Internacional de Investigação das Políticas Alimentares afirma que o mercado internacional dos adubos é uma oligarquia e não se explica a subida de preços com a descida do preço do petróleo e gás natural.

As organizações de produtores exigem um mercado mais transparente e leal.

Em relação ao Fórum de Alto Nível da Cadeia Alimentar, este terminou o mandato sem existir nenhum resultado palpável, pois todas as medidas que foram tomadas, foram de cariz voluntário e, na realidade, não tiveram qualquer resultado prático.

Impõe-se, por isso, que se discuta e se encontrem soluções para acabar com a posição dominante da grande distribuição, de modo a evitar a continuação de práticas comerciais  abusivas e desleais.

O lobby da grande distribuição é muito forte em Bruxelas, mas o Comissário Phil Hogan dá sinais de que entende que só com legislação específica é que podem acabar estas práticas abusivas.

Projecto sobre a utilização de produtos veterinários em discussão em Bruxelas

Janeiro 19
09:18
2015

O COPA-COGECA apoia, na generalidade, a proposta da Comissão sobre a utilização de produtos veterinários, mas defende a utilização preventiva dos alimentos medicados.

Na resposta à proposta da Comissão, o COPA-COGECA apoia a intenção de redução das cargas administrativas e a harmonização da legislação ao nível de todos os países europeus. Continua, no entanto, a defender a possibilidade do uso de alimentos medicados na prevenção das doenças.

A Comissão Europeia, na sua proposta de 10 de Setembro, propunha uma legislação mais actual e moderna, com o objectivo de evitar a resistência microbiana aos antibióticos. No entanto, pretende impor a proibição do uso de alimentos medicados na prevenção das doenças.

O uso de antibióticos como factores de crescimento foi proibido em 2006, mas continua a ser autorizado em vários países, sobretudo no continente americano.

A Presidente da Letónia não prevê que se tome uma decisão sobre esta matéria até ao fim do seu mandato em Junho, mas o trabalho da Comissão continua, de modo a que se tenha uma decisão até ao final do ano de 2015. A eurodeputada francesa Françoise Grossetête está a preparar um relatório do Parlamento Europeu sobre esta matéria.

Grupo de eurodeputados quer etiquetagem da carne processada


Janeiro 19
09:16
2015

Os eurodeputados Glenis Willmott, Julie Girling, Anelli Jaatteenmaki, Lynn Boylan, Keith Taylor e Piernicola Pedicini, em representação do Comité do Meio Ambiente, apresentaram uma moção com vista a uma resolução do Parlamento Europeu, em que defendem a etiquetagem com a designação do país de origem para a carne processada.

Nesta proposta, depois de vários considerandos, que focam, sobretudo, a necessidade de dar a correcta informação ao consumidor, o que obriga a uma maior e melhor traçabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

A proposta também é justificada pela necessidade de combate às fraudes que têm atingido o sector alimentar, com destaque no sector da carne, como é o último caso do escândalo com a carne de cavalo.

É pedido à Comissão que, com urgência, avance com uma proposta legislativa, de modo a tornar obrigatória a etiquetagem com a origem para as carnes processadas.

A legislação deve ter em conta os custos que tal etiquetagem implica e ser exequível na prática.

Reitera, também, a necessidade que a Comissão tem de actuar mais efectivamente, de modo a evitar futuras fraudes no sector alimentar.

Esta resolução, se for aprovada, irá seguir para o Conselho, para a Comissão e para os governos dos respectivos estados membros.

A etiquetagem da carne transformada tem sido sempre adiada, devido à dificuldade de identificar o país de origem das carnes que constituem um transformado, mas tem sido uma exigência dos consumidores.

UC quer colocar merujes nas mesas dos portugueses


por Ana Rita Costa
19 de Janeiro - 2015
O Laboratório de Biotecnologia Vegetal do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra e a InProPlant estão a desenvolver o projeto "Merujes no Prato", iniciativa que quer colocar esta planta semelhante aos agriões, não só nos pratos dos portugueses, mas também na gastronomia gourmet internacional.

 
Liderada por dois jovens investigadores da Universidade de Coimbra, a investigação é financiada pela Fundação Vox Populi e pela Câmara de Almeida, no valor de 16 mil euros (8 mil euros cada) no âmbito da 5ª edição do Prémio Ribacôa, e consiste em estabelecer as condições para a multiplicação eficaz desta espécie com vista à sua comercialização durante todo o ano.

As merujes nascem livremente em nascentes ou ribeiras onde há água corrente e são uma fonte de ómega 3 e de antioxidantes, sendo também ricas em fibras e vitamina C. A planta tem um ciclo curto (2/3 meses), sendo colhida apenas entre janeiro e março, sem qualquer tipo de certificação ou controlo fitossanitário.

Reconhecido o interesse gastronómico da meruje, importa agora "transformá-la num recurso agrícola viável e numa alternativa saudável e complementar aos vegetais mais vulgarmente utilizados em saladas. Com elevado valor nutricional, esta planta silvestre é, desde há muito, colhida e usada na alimentação por populações rurais. Na zona da Guarda, p. ex., é habitual colher e degustar a meruje", explicam David Reis e Rui Pereira, Mestres em Biodiversidade e Biotecnologia Vegetal responsáveis pelo projeto.

Os investigadores já efetuaram clonagem da planta e vários ensaios de cultura in vitro, em laboratório, permitindo caracterizar melhor a planta e estudar a sua fenologia, bem como a seleção dos genótipos mais interessantes para o cultivo. 

Governo dos Açores apoia agricultores na aquisição de máquinas


por Ana Rita Costa
19 de Janeiro - 2015

O Governo Regional dos Açores vai apoiar os agricultores da região na aquisição de máquinas e equipamentos. O objetivo é "reforçar os indicadores da modernização e mecanização das explorações agrícolas", através de "um processo simples e célere", explica o Governo dos Açores.

 
O Programa de Apoio à Modernização Agrícola (PROAMA) vai prestar apoio na aquisição de máquinas e equipamentos adaptados à dimensão das explorações e unidades de produção e em situações que não justificam um investimento de grande valor.

O objetivo é também modernizar as explorações agrícolas, incrementando a sua mecanização. O PROAMA, que "funciona em complementaridade ao novo Programa de Desenvolvimento RURAL (PRORURAL+), visa incentivar a modernização e mecanização nos setores da produção animal e vegetal, reforçar a sua competitividade e contribuir para a melhoria das condições de trabalho dos agricultores", refere o Governo dos Açores em comunicado.

São considerados elegíveis os pedidos de apoio cujo custo total do investimento seja inferior a 3000 euros e cujos beneficiários se comprometam a não afetar a outras finalidades as máquinas ou equipamentos apoiados. 

Ano de 2014 foi o mais chuvoso dos último 25 anos em Portugal Continental

19-01-2014 

 
O ano de 2014 foi o mais chuvoso dos últimos 25 anos em Portugal Continental, segundo o resumo climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.

No documento, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indica que o ano de 2014, em Portugal Continental, se caracterizou por valores da temperatura média do ar e da precipitação superiores ao valor médio.

«O valor da quantidade de precipitação em 2014 foi o mais alto dos últimos 25 anos», adianta o IPMA, sublinhando que os valores superiores aos registados em 2014 ocorreram apenas em cerca de 20 por cento dos anos desde 1931.

O IPMA, que classifica 2014 como «um ano muito chuvoso», refere também que o valor médio de precipitação total anual, 1098,2 milímetros (mm), corresponde a uma anomalia de mais 216,1 mm em relação ao valor médio 1971-2000.

O resumo climatológico destaca, igualmente, que o ano 2014 foi o 12.º mais quente desde 1931 em Portugal Continental.

«O valor médio anual da temperatura média do ar, 15,80 graus centígrados, foi superior ao valor médio em mais 0,54 graus centígrados, sendo o 12.º valor mais alto desde 1931», refere.

Segundo o IPMA, valores superiores aos registados este ano ocorreram apenas em cerca de 15 por cento dos anos.

O documento acrescenta que «os valores médios anuais da temperatura máxima e mínima do ar foram superiores aos respectivos valores normais em mais 0,51 graus centígrados e mais 0,56 graus centígrados, respectivamente».

O IPMA diz ainda que o valor médio anual da temperatura mínima do ar corresponde ao 11.º valor mais alto desde 1931 e o 2.º mais alto desde 2000.

Fonte: Diáriodigital; Lusa

China vai financiar agricultura com 2,5 milhões de euros

19-01-2015 
  

 
O Banco Popular da China vai canalizar seis mil milhões de euros em empréstimos a instituições financeiras, com objectivo de reforçar o apoio à agricultura e a pequenas empresas.

Destes, 2,5 mil milhões destinam-se exclusivamente ao desenvolvimento da agricultura, regiões rurais e apoios a agricultores. As verbas pretendem ajudar as instituições financeiras a ampliarem a concessão de crédito aos dois sectores.

Segundo o Banco Popular da China, o objectivo é implementar o «macrocontrolo estrutural e com destinos definidos», aprovados durante a última reunião central anual sobre os trabalhos económicos. A entidade vai, assim, fomentar o apoio às áreas essenciais e frágeis da economia daquele país.

Fonte: Vida Rural

PME europeias terão 8,6 milhões de euros para investir em inovação

19-01-2015 
 

A União Europeia tem 8,6 mil milhões de euros disponíveis para financiar projectos de investigação científica e inovação de pequenas e médias empresas, no âmbito do Horizonte 2020, programa gerido pelo comissário europeu português, Carlos Moedas.

É uma pequena parte dos 80 mil milhões de euros que, directamente ou através do plano de investimentos Juncker, a Europa tem para apoiar a inovação, até 2020.

«É o maior programa de sempre em inovação e tecnologiac«, disse Carlos Moedas, reconhecendo que o Velho Continente não é eficaz na transformação de conhecimento em produtos vendáveis, que criem riqueza para as empresas e melhores e mais bem remunerados empregos.

O Horizonte 2020 poderá contribuir para reduzir o que Carlos Moedas admitiu ser uma deficiência europeia: transformar conhecimento em produtos. E deu o exemplo da tecnologia MP3, desenvolvida na Europa mas transformada em lucro pela Apple. O crescimento da economia, disse, advém do aumento da produtividade, que se obtém com a transferência de tecnologia para as empresas e os consumidores. Com sete por cento da população mundial, a Europa produz 30 por cento da inovação, uma percentagem estagnada precisamente pela dificuldade de pôr os produtores de conhecimento científico, como as universidades, a trabalhar directamente com os empresários.

No Horizonte 2020, «existem instrumentos interessantes para pequenas e médias empresas (PME) portuguesas», disse o comissário europeu da Investigação, Ciência e Inovação, dando como exemplo o Instrumento PME, que financia com 50 mil euros, a fundo perdido, empresas que queiram desenvolver um produto novo e colocá-lo no mercado. Já serão financiadas por este mecanismo 275 empresas, seis das quais são portuguesas.

Além disso, Moedas lançou o Processo Acelerado para a Inovação (PAI), doptado com 200 milhões de euros, cujo objectivo é apoiar a transição de novos produtos para o mercado, por parte de PME. «Estes apoios são cumulativos com os fundos europeus, o Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) ou o Portugal 2020», adiantou.

Para concorrer, é necessário preencher um formulário existente na página na Internet do Horizonte 2020. «Os programas são abertos a todas as PME de todos os países. Os melhores ganham», adiantou o responsável.

Fonte: Jornal de Notícias

CE faz consulta sobre novas orientações no sector agrícola

19-01-2015 
  
Depois da reforma da Política Agrícola Comum, aplicam-se novas regras específicas à venda de azeite, carne de bovino e culturas arvenses.

Nesse sentido, a Comissão Europeia está a realizar uma consulta sobre o projecto de novas orientações relativas à aplicação das regras no domínio antitrust da União Europeia (UE) no sector agrícola.

As novas regras autorizam os produtores a proceder à comercialização conjunta destes produtos sob determinadas condições, designadamente se esta cooperação produzir ganhos de eficácia significativos.

As orientações da Comissão pretendem «contribuir para garantir que a implementação da reforma da Política Agrícola Comum (PAC) melhore o funcionamento da cadeia de abastecimento alimentar e salvaguarde uma concorrência eficaz e a inovação nos mercados dos produtos agrícolas», explica a Comissão Europeia em comunicado.

As respostas à consulta pública podem ser enviadas até cinco de Maio de 2015 e em função dos comentários recebidos, a Comissão irá rever a sua proposta, tendo em vista a adopção das orientações finais até finais de 2015.

A 1 de Janeiro de 2014, entrou em vigor a nova PAC da UE, incluindo um regime específico de concorrência para determinados produtos. Esta reforma permite aos produtores a comercialização conjunta de azeite, carne de bovino e de culturas arvenses através de organizações de produtores ou de associações de organizações de produtores.

Fonte: Vida Rural

Governo dos Açores defende produtos lácteos de qualidade como resposta à subida do preço do leite

19-01-2015 
 

O secretário regional da Agricultura dos Açores defendeu uma melhoria da qualidade dos produtos lácteos produzidos na ilha Terceira como solução para o aumento do preço do litro de leite pago ao produtor.

«Há que encontrar outras formas de chegar aos mercados de destino com produtos diferenciados, com produtos de mais-valia, que possam enriquecer toda a cadeia que o negócio do leite gera e que possa permitir remunerar melhor aqueles que produzem e que colocam na indústria o seu produto», salientou.

Os agricultores da ilha Terceira queixam-se da quebra do preço do leite e alegam que não vão conseguir manter as explorações agrícolas «por muito mais tempo» se o preço se mantiver baixo.

Nos últimos seis meses, o preço do leite na ilha Terceira caiu seis cêntimos, o que representa uma descida de 16 por cento. Em Julho, o preço do leite caiu um cêntimo, em Outubro, dois cêntimos, e agora foi anunciada uma quebra de três cêntimos, o que fixa o preço do litro de leite em 25 cêntimos.

Os agricultores da ilha Terceira queixam-se também da diferença «substantiva» do preço do leite em comparação com o que é praticado na ilha de São Miguel, onde existem três fábricas, quando na Terceira a maior parte do leite é laborada numa única fábrica.

Se até Abril a Unicol não resolver o problema, as associações agrícolas ameaçam mostrar o peso que a lavoura tem na ilha. «Nós é que temos o produto, temos os produtores e a lavoura tem muito mais peso do que aquilo que pensa. Espero é que não seja necessário ver realmente o peso da lavoura, que as coisas se resolvam pelos trâmites legais», frisou José António Azevedo.

No final da reunião com as associações agrícolas, o secretário regional da Agricultura salientou que o executivo açoriano não pode «interferir na definição» do preço do leite, que «resulta da negociação entre quem compra e quem vende», mas garantiu que o Governo está «atento» ao problema.

Para Luís Neto Viveiros, face à conjuntura nacional e internacional e à produção reduzida da ilha Terceira, a solução deve passar pela valorização dos produtos lácteos e deve ser implementada com «urgência».

Fonte: Lusa

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

António Valério Maduro apresentou livro “Cister em Alcobaça”

Com base na sua tese de doutoramento


    António Maduro, Rui Rasquilho e Eduardo Gonçalves    António Valério Maduro apresentou, no dia 17 de janeiro, no auditório da Biblioteca Municipal de Alcobaça, o seu livro Cister em Alcobaça –Território, Economia e Sociedade (séculos XVIII-XX), que constitui uma síntese da sua tese de doutoramento concluída em 2007 na Universidade de Coimbra. Uma obra que Rui Rasquilho, ex-diretor e presidente da Associação dos Amigos do Mosteiro de Alcobaça, considerou "um primor de investigação, transcrita numa prosa escorreita e límpida", o que muitas vezes não acontece em obras académicas. O historiador defendeu que esta obra pode ser considerada a continuação dos trabalhos de historiografia rural do Prof. Joaquim Vieira Natividade (1899-1969). 

   Perante cerca de meia centena de pessoas, Margarida Neto, membro do júri da tese de doutoramento do autor e Professora da Universidade de Coimbra, considerou que António Maduro tem especiais capacidades para estudar a história rural, recordando também que o projeto inicial do doutorando foi podado por sua iniciativa, circunscrevendo o tempo de estudo aos últimos séculos XVIII, XIX e início do XX, em vez de o estender até à Idade Média, o que contribuiu para um estudo mais aprofundado da temática em causa. 

   Aurélio de Oliveira, também membro do júri da tese de doutoramento do autor, sublinhou as qualidades do autor, que "não vê o mundo rural com olhos de fora, mas com olhos de quem o conhece." O Professor Catedrático da Universidade do Porto classificou este livro como sendo de sociologia rural, contribuindo para explicar o atraso da agricultura portuguesa, que, na sua opinião, não se deve às condições edafoclimáticas dos terrenos agrícolas, como muitos defenderam durante séculos, mas à burocracia, desregulação dos mercados e fiscalidade desajustadas no setor agrícola.

   A finalizar, António Maduro recordou ter sido sua a opção de estudar o passado rural da sua terra, alertando que "Alcobaça tem de garantir que o passado tem futuro" e que "o passado não é um fardo", mas um fator de progresso. O historiador admite que "Alcobaça tem vindo a melhorar neste capítulo, embora não, talvez, ao ritmo que os alcobacenses gostariam", dando como exemplos positivos, nos últimos anos, a criação do Parque dos Monges e a reabertura do Museu do Vinho de Alcobaça. 

   O autor alertou também que o Mosteiro de Alcobaça não pode continuar a ser encarado como um conjunto de pedras sem o correspondente enquadramento territorial, económico e social cisterciense, defendendo assim a criação de roteiros turísticos integrados e explicativos, para os quais muito poderão contribuir o Museu do Vinho de Alcobaça e o futuro Museu dos Coutos de Alcobaça.

   Cister em Alcobaça –Território, Economia e Sociedade (séculos XVIII-XX) tem cerca de 700 páginas, custa 30 euros e é uma edição do ISMAI- Instituto Universitário da Maia, que se fez representar nesta apresentação pelo Prof. Eduardo Gonçalves.

   Mário Lopes

Reforço da barragem do Alqueva gera disputa entre EDIA e EDP

As duas empresas não se entendem sobre o valor da compensação financeira prevista no contrato de concessão.

A EDIA mantém, actualmente, um diferendo com a EDP relativo à compensação financeira proporcionada pela central hidroeléctrica do Alqueva. Um processo que promete arrastar-se no tempo e que já subiu à tutela da empresa gestora das infra-estruturas do Alqueva, o Ministério da Agricultura e do Mar liderado por Assunção Cristas.

Em causa está a retenção pela EDP de uma verba relacionada com o reforço da capacidade hidroeléctrica do Alqueva de 260 para 512 megawatts, cuja construção arrancou em 2008. O projecto, que entrou em operação em Dezembro de 2012, representando um investimento de 190 milhões de euros, transformou esta barragem no segundo maior centro produtor hidroeléctrico do país, destronado apenas pelo alto do Lindoso, outro dos activos estratégicos da EDP.

Quando o contrato de concessão foi fechado, visando as centrais hidroeléctrica do Alqueva e de Pedrogão, esta última com dez megawatts, a EDP pagou à cabeça cerca de 240 milhões de euros, acrescidos de uma renda anual, por um período de 35 anos, de 15,2 milhões de euros.

À data, o negócio foi fortemente contestado pela concorrência da EDP, por não ter sido objecto de concurso público.

De acordo com a gestora das infra-estruturas do Alqueva, o contrato estipula que, a compensação financeira a pagar pela EDP à EDIA, poderá ser reajustada, designadamente, por alteração do investimento previsto, no montante de 145 milhões de euros, a preços de 2006.

A EDIA, presidida por José Pedro Salema, argumenta que o investimento necessário "para o reforço da potência que não tenha sido incluído no âmbito da respectiva empreitada de construção ou no fornecimento de equipamento, não poderá ser considerado para efeitos de cálculo do investimento a realizar" com este projecto.

Queixa-se ainda do silêncio da EDP e alega que, em caso de disputa, se deve recorrer à arbitragem, conforme estipulado no contrato de concessão.

Confrontado pelo Diário Económico, o gestor esclarece que, "no caso do reforço de Alqueva, a aplicação do mecanismo de revisibilidade contratualmente previsto originou diferentes interpretações por cada uma das partes", com destaque para o acréscimo no valor dos equipamentos, ligação à rede nacional de transporte e método para actualização dos valores em causa.

A mesma fonte acrescenta que a EDP reclama da EDIA, a verba de 5,2 milhões de euros, "o que, de acordo com o princípio de neutralidade financeira, e tendo em conta o faseamento do pagamento em quatro anos, com uma taxa de actualização de 5,5%, pressupõe uma anualidade de 1,501 milhões de euros". Adianta que "o valor retido ocorreu pela primeira vez em 2013, voltou a acontecer em 2014 e a EDP tem a expectativa de o continuar até 2016".

Contestando o entendimento assumido pela EDP, a EDIA "considera que as estipulações contratuais em caso algum o sustentam", sublinhando que pelas razões reflexas das que motivam a EDP, a EDIA considera-se credora da verba de 2,8 milhões de euros, "o que de acordo com o princípio de neutralidade financeira e tendo em conta o faseamento do pagamento em quatro anos, com uma taxa de actualização de 5,5%, pressupõe uma anualidade de 801 mil euros".

Contactada pelo Diário Económico, fonte oficial da EDP não quis comentar.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Já percebemos o que é a dieta mediterrânica?



 Alexandra Prado Coelho (Texto) e Miguel Manso (fotografia) 

Comer não é apenas uma questão de ingestão de alimentos, mas é um acto social e cultural. E aí, Portugal é mediterrânico do sul ao norte. 

Há décadas que Maria Manuel Valagão estuda a alimentação mediterrânica e a sua relação com o território português. Anteriormente, não falava de "dieta", porque considera que é algo que vai muito para além da comida, mas hoje já adoptou o termo. Investigadora do Instituto de Estudos de Literatura Tradicional – Património, Artes e Culturas da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, é autora de dois textos fundamentais no livro A Dieta Mediterrânica em Portugal: Cultura, Alimentação e Saúde, lançado no ano passado pela Universidade do Algarve e que inclui artigos de vários especialistas.

Jorge Queiroz, que foi o responsável técnico pelo processo de candidatura à UNESCO, é também autor de um livro, com fotografias de Luís Ramos, intitulado Dieta Mediterrânica – Uma Herança Milenar para a Humanidade (althum.com), lançado em Dezembro passado, por altura do primeiro aniversário da consagração da dieta mediterrânica e que contextualiza a questão da alimentação na história e na cultura do Mediterrâneo.

O Mediterrâneo é um "mar entre as terras", interior, relativamente pequeno, cuja força está no facto de ligar três continentes, Europa, África e Ásia. Banha 23 países, mas a sua influência, nomeadamente climática estende-se além disso (e por isso podemos dizer que Portugal é um país mediterrânico). Foi desde sempre um espaço de contacto entre os povos, de trocas culturais e comerciais. A 4 de Dezembro de 2013, a UNESCO reconheceu a dieta mediterrânica como Património Imaterial da Humanidade a partir de uma candidatura apresentada por Itália, Espanha, Marrocos, Grécia, Chipre, Croácia e Portugal.

Norte e Sul

Como pode Portugal pertencer aos países da dieta mediterrânica se não é banhado pelo Mediterrâneo e se o Norte do país não tem um clima mediterrânico?

Foi Orlando Ribeiro, o autor daquela que continua a ser a grande obra de referência sobre o tema, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, quem melhor definiu as diferenças entre o Norte de influência atlântica e o Sul mediterrânico. Mas, como diz Maria Manuel Valagão, "não faria sentido apresentarmos [na candidatura à classificação da dieta mediterrânica] apenas o Sul, com o Algarve e o Alentejo".

Além disso, sublinha, quando falamos de dieta mediterrânica falamos de muito mais do que de alimentação. Na classificação da UNESCO, "o significado de dieta apoia-se na derivação grega diaita, a qual significa estilo de vida, relação entre corpo e espírito, corpo e meio ambiente, englobando ainda a produção, comercialização, comensalidade, ritual e simbologia alimentar". E esse é um estilo de vida que encontramos tanto no Norte como no Sul. Isso e o vinho e a oliveira — entende-se que o espaço mediterrânico vai até onde chegam as oliveiras, e em Portugal há olival de norte a sul (é preciso notar, contudo, que mesmo sendo o azeite o grande alimento mediterrânico há países onde a sua importância é muito menor, como o Egipto ou Israel).

Maria Manuel Valagão recorda os trabalhos que fez no Douro no final dos anos 1970 e nos anos 1980 e como a alimentação era, tal como no Sul, de proximidade e subsistência. Mas havia diferenças nítidas. "No Norte ninguém conhecia um orégão ou um coentro para usar na alimentação. As únicas ervas que usavam era salsa e louro". As diferenças estão também no clima e nos terrenos, com "os calcários no Sul, o granito e o xisto no Norte". Mas o importante, insiste, é que o que estamos a patrimonializar com a dieta mediterrânica são "os modelos de alimentação familiar, do quotidiano e rural", e todo o estilo de vida a eles ligado — a já referida diaita.

"O que define a dieta mediterrânica não é o clima nem a geografia", concorda Jorge Queiroz. "Há climas mediterrânicos em vários continentes, no Chile, na África do Sul, nos Estados Unidos. O que a define é a cultura." O que aconteceu, explica, é que o conceito acabou por surgir nos anos 1970 com um fisiólogo, [o norte-americano] Ancel Keys, que tinha um ponto de vista muito ligado à sua especialidade, a nutrição. Daí o enfoque nos alimentos e nos resultados deste tipo de alimentação para a saúde, o que deixou para segundo plano toda a questão do estilo de vida.

O importante agora que se conseguiu o reconhecimento da UNESCO, conclui Maria Manuel Valagão, é que entendamos que "comer não é apenas uma questão de ingestão de alimentos, mas é um acto social e cultural". E aí, Portugal é mediterrânico do sul ao norte.
 

O vinho

Se o vinho não é consumido nos países muçulmanos da margem sul do Mediterrâneo, como é que pode ser parte integrante da dieta mediterrânica?

Há, de facto, uma fronteira, traçada pela religião. Para norte, o vinho, para sul, não. "Enquanto o olival surge como o grande elemento de unidade entre os espaços culturais mediterrânicos, a vinha é a grande linha de demarcação na paisagem entre os mundos cristão e islâmico", escreve Jorge Queiroz.

Em conversa com a Revista 2 sublinha que este "é um assunto que ainda exige investigação", mas lembra que a ocupação árabe do Magrebe acontece a partir do século VIII e que até então habitavam na zona populações "que não falavam árabe e tinham outro tipo de cultura, como os berberes ou os tuaregues".

A proibição do vinho, que surge com os árabes, é uma imposição religiosa, porque "a intervenção da religião faz-se muito procurando a identidade, a diferenciação". E ser diferente, para um muçulmano, significava, entre outras coisas, não beber álcool. Mas antes disso, refere no livro, "sabe-se que o Antigo Egipto e as gentes da Palestina, Fenícia, Grécia e Roma eram grandes produtores e mercadores de vinho e divulgadores da plantação da vinha". E foram os romanos "os grandes divulgadores da cultura da vinha e do vinho por todo o Mediterrâneo e também na Península Ibérica, onde o produziam com qualidade nas suas inúmeras villae".

Maria Manuel Valagão, que conhece muito bem a cozinha algarvia, lembra por outro lado que a presença do vinho na alimentação dos portugueses também tem sofrido alterações: "Aqui no Algarve, a memória que as pessoas têm é de que o vinho não se bebia nas refeições do dia-a-dia. Passou a ir para a mesa dos algarvios já depois dos anos 70. O vinho era uma coisa dos dias de festa e da convivialidade masculina. Mas era também importantíssimo pelo vinagre", produto muito usado na cozinha local, "seja para as sopas frias no Verão, seja para refrescar uma sopa quente". Aliás, toda a presença do ácido é muito importante na cozinha algarvia, onde o limão é também elemento fundamental.
 

A carne de porco

E o que acontece com o porco? O problema é o mesmo que com o vinho: na margem sul do Mediterrâneo não se consome e em países como Portugal tem uma enorme importância. Afinal, o porco é mediterrânico ou não?

A questão é a mesma: no que diz respeito à carne de porco, judeus e muçulmanos estão de um lado, cristãos do outro. E no Portugal maioritariamente cristão o porco é um animal sempre presente. "O que predominava no passado era o porco selvagem, o javali", afirma Jorge Queiroz. "Mais tarde começa a haver criação de porcos, mas sempre no espaço doméstico, não é uma cultura intensiva. Pedaços do animal eram depois usados como conduto nos pratos, nas sopas."

Na Alta Idade Média, o consumo do porco era muito importante, mas, dentro da alimentação de subsistência que é a mediterrânica, todo o animal era aproveitado (a matança do porco é, ainda hoje, o melhor exemplo disso). O arqueólogo Cláudio Torres, citado por Queiroz, afirma que "a carne mais apreciada no Mediterrâneo foi sempre o carneiro e o borrego", como, aliás, continua a ser no Norte de África. E refere a imposição por parte da Inquisição do consumo de carne de porco "como prova da fidelidade cristã". Trata-se, contudo, de um animal que não se dá bem em climas muito secos, e que por isso se adapta melhor ao Norte do que ao Sul de Portugal.

Os bois eram usados sobretudo como animais de trabalho e por isso não havia o hábito de comer estas carnes, a não ser em alturas excepcionais. Mas aí já estamos noutra fronteira. Escreve Jorge Queiroz: "O consumo de carne marca a linha de fronteira entre o mundo civilizado e os bárbaros, entre o mundo mediterrânico e o 'mundo carnívoro' dos homens da guerra e do saque vindos das regiões frias do Norte." E a esse propósito cita ainda Massimo Montanari, especialista italiano na história da comida, que fala da "civilização da carne contra a do pão, a civilização do leite contra a do vinho, a civilização das manteigas contra a do azeite". Foi essa influência dos povos do Norte (o "modelo germânico") que fez aumentar no Sul (greco-romano) o consumo de carne, leite e manteiga, hoje um padrão instalado.
 

Os cereais e o pão

Se a dieta mediterrânica se caracteriza por uma forte relação entre a paisagem e a alimentação, como se explica que Portugal tenha dificuldade em produzir cereais mas seja um grande consumidor de pão?

Um dos grandes traços comuns entre as populações do Mediterrâneo é o consumo de pão e cereais. Mas é verdade que Portugal sempre teve problemas em garantir uma produção suficiente. "No Algarve, por exemplo, a produção era insuficiente para as necessidades de consumo", afirma Maria Manuel Valagão. "Os almocreves iam pelos montes levar o peixe e a fruta e traziam o pão para baixo", recorda, frisando que o Norte "adoptou mais o milho e o centeio" do que o trigo.

Mas nem todo o Mediterrâneo come o mesmo pão, nem da mesma forma (em Itália os cereais são muito utilizados na grande variedade de massas, por exemplo). Uma das características que, segundo a investigadora, torna Portugal um caso particular é a riqueza do receituário com pão, das sopas às migas, aos ensopados e até à doçaria. Se, dentro do quadro mediterrânico, quisermos diferenciar Portugal, temos então esta cozinha de tacho (e o tacho implica sempre uma refeição comunal), muito ligada às sopas e ao pão. "O termo sopa é dos poucos que não têm origem latina, mas sim germânica", explica. "Significa um bocado de pão embebido num caldo bom. O pão fica duro ao fim de dois dias, as pessoas usam o que têm, fazem um bom caldo aromatizado… é a origem da açorda. E, apesar de se comer mais no Alentejo, a açorda é um prato nacional, que se encontra também no Norte. Cada um faz a sua açorda."

E há ainda, sobretudo no Algarve, o xarém, as papas de milho, comidas com tudo, desde as simples às com carne de porco ou com bivalves: conquilhas, amêijoas ou berbigão. Diz Maria Manuel Valagão: "A maior parte do Algarve é rural e interior, as pessoas moíam o milho para consumo próprio (ao contrário do Norte, onde a produção se destinava ao fabrico do pão, no Sul o milho era plantado em pequenas hortas individuais) e algumas vendiam-no ou trocavam-no com as do litoral. Hoje vê-se que cada vez mais compram o milho, em saquinhos, para fazer o xarém. Vejo que o que foi abandonado voltou a vender-se e começa a ser recuperado com prazer."

No seu livro, Jorge Queiroz recua às raízes históricas da relação entre os homens e os cereais, e cita o historiador Fernand Braudel quando este escreve que "o trigo e o pão são os tormentos sempre eternos do Mediterrâneo, as personagens decisivas da sua história". Vindo do Médio Oriente, o trigo (o selvagem tetraplóide deu origem a espécies domesticadas como o duro, o mole, o espelta, a cevada e o centeio) espalhou-se pelo Mediterrâneo, em grande parte com os romanos, já com culturas cerealíferas intensivas, que vieram substituir o hábito de comer bolota e castanha. Só mais tarde, nos séculos XV e XVI, com os Descobrimentos, é que chegaria o milho, vindo da América do Sul. Podemos não produzir muitos cereais, mas não nos alimentamos sem eles.

Peixe

Em Portugal, o peixe vem do Atlântico. Isso não nos torna diferentes dos outros países, que pescam no Mediterrâneo?

É um facto que as cozinhas mediterrânicas, apesar de terem elementos comuns, são muito diferentes (basta pensar, por exemplo, na cozinha francesa, onde, por influência do Norte, a presença de gorduras animais, do foie-gras à manteiga e ao queijo, é muito maior do que na maioria do Mediterrâneo). E no que diz respeito ao peixe, Portugal distingue-se dos outros países por o consumir muito mais (sendo mesmo o terceiro maior consumidor mundial per capita, a seguir ao Japão e à Islândia).

Apesar de o peixe ser naturalmente muito mais abundante na costa do que no interior, temos também peixe de rio, e, como recorda Jorge Queiroz no seu livro, o país é pequeno e o peixe chega rapidamente e ainda fresco a todo o lado: "Os peixes do mar chegam em pouco tempo ao interior mais distante, onde são culinariamente personalizados com ervas aromáticas dos campos e das ribeiras." Mas, refere o autor, é precisamente o "elevado consumo de peixe" (capturam-se regularmente mais de 50 espécies) que, juntamente com "a grande variedade de sopas", distingue a "dieta mediterrânica portuguesa".
 

Queijo

Que papel têm os lacticínios na alimentação mediterrânica?

Não são um elemento fundamental, embora sejam consumidos, sobretudo sob a forma de manteiga ou queijo, e menos de leite. No entanto, Grécia e Itália, por exemplo, consomem mais queijo e integram-no nas suas alimentações de uma forma diferente da dos portugueses. "O queijo é muito importante como alimento em si", afirma Maria Manuel Valagão. Ou seja, em vez de carne ou de peixe, o queijo aparece como complemento de uma sopa, por exemplo (como acontece em algumas açordas), ou simplesmente comido com pão e um pouco de vinho. "Quando a refeição era mais fraca, só uma sopa, comia-se depois o queijo com mel e pão", recorda.

Doces

À base de ovos e açúcar, a doçaria tradicional portuguesa é bastante diferente da de outros países mediterrânicos, que usam muito o mel e os frutos secos. Pode ser considerada mediterrânica?

A doçaria portuguesa está muito ligada à festa, por um lado, e aos mosteiros e conventos por outro, explica Jorge Queiroz. A tradição dos ovos e do açúcar vem dessa especialização das freiras num tipo de doces muito particular. Mas o mais importante, sublinha, é percebermos que na alimentação mediterrânica os doces surgem num contexto de festa. Se a dieta mediterrânica é por um lado equilibrada e com elementos de frugalidade, por outro integra os momentos de excesso.

Num dos textos que escreve e onde analisa a cozinha algarvia, Maria Manuel Valagão fala também dos doces: "De herança árabe adoptada e adaptada ao contexto local, são alguns dos doces e bolos — queijos de figo, doces de amêndoa, filhoses em calda... — à qual se veio associar posteriormente, já nos séculos XVII e XVIII a influência da doçaria conventual. Deste conjunto de heranças, saberes e recursos resultou a diversidade e requinte da doçaria algarvia, cuja variedade e notoriedade são por demais conhecidas."

Futuro

A dieta mediterrânica tornou-se Património da Humanidade. É muito uma alimentação de subsistência, associada à escassez. Que condições temos hoje para a proteger?

A dieta mediterrânica não é estática, há mil anos que está em evolução (veja-se a forma como integrou os novos produtos vindos de outras partes do mundo, como o arroz do Oriente ou o tomate da América Latina). "Ela pode e deve evoluir", defende Jorge Queiroz. "Pode-se utilizar a dieta mediterrânica de várias maneiras, para dar um cunho de identidade. Na economia global, o que é importante é a diferenciação, aquilo que não existe nos outros lados. É muito importante que Portugal, sendo um pequeno país, perceba que pela riqueza e história que tem, pode perfeitamente ter uma oferta muito interessante. Há aspectos ligados ao turismo cultural, às paisagens da dieta mediterrânica, os itinerários ligados ao azeite, ao vinho. Temos uma diversidade gastronómica fantástica."

Maria Manuel Valagão reconhece que ainda há alguns estigmas associados à ideia de uma "comida pobre" e que muitas alterações alimentares dos últimos anos (sobretudo o enorme aumento do consumo de carne) têm que ver não apenas com maior disponibilidade mas com ultrapassar o "trauma subterrâneo da pobreza". Mas vê já uma recuperação de alimentos e práticas que há uns anos estavam a perder-se na economia familiar, como as papas de milho ou o uso das leguminosas. "A grande questão é a educação", diz. "E não pode começar pelo prato mas pela observação dos saberes antigos que souberam recriar esta comida de grandes efeitos a partir de poucos recursos."

Comemos assim há mais de mil anos, lembra a investigadora. Foram muitos séculos de afinamento e aperfeiçoamento de modos de produção, modos de conviver associados a uma alimentação que, no seu conjunto, se vieram depois a reconhecer como saudáveis e equilibrados. Mas esse equilíbrio só existirá se estiverem presentes todos os elementos implícitos no conceito de diaita. E isso significa respeitar os ciclos da natureza, aproximar a produção da comercialização, estar próximo, comer em conjunto.

"Não é de forma nenhuma um regresso ao passado, a uma agricultura de subsistência", reforça também Jorge Queiroz. É, entre outras coisas, "reconhecer que a mesa é um lugar fundamental na dieta mediterrânica, é um lugar de transmissão de conhecimento". E que (também) pertencemos ao Mediterrâneo, "esse 'mar entre as terras' cuja influência ultrapassou a sua própria geografia."

Um boi inteiro no prato

Crónica 
Ricardo Garcia 18/01/2015 - 11:14 



Aos 17 anos, o metabolismo humano faz milagres no campo da digestão. Como um buraco negro, o organismo adolescente absorve quantidades opíparas de comida, ingeridas sofregamente e com reduzido uso da mastigação. O tempo e o espaço colapsam, encurtando ao mínimo o intervalo até se ouvir novamente a tradicional senha de presença: "Tenho fome". Acto contínuo, dilapida-se o frigorífico.

 Se toda esta voracidade alimentar fosse suprida com carne, o planeta estaria ainda em piores lençóis do que já está. Por isso, para a consciência ecológica da família foi um certo alívio quando meu filho perguntou:

– Será que eu já comi um boi inteiro?
– Na semana passada? – brinquei.
– Não, desde que eu nasci.

Fazendo jus à sua condição de pós-púbere ocidental, o rapaz aprecia um bom bife. É uma preferência cultural e gutural, que nos agarra pelo hábito e pelo palato, muito antes que o cérebro se manifeste. Comer carne é algo que está aí para ficar, a despeito dos malefícios que se propalam quanto a esta opção gastronómica.

Números para a catástrofe, há para todos os gostos. Para não dispersar, tomemos os de um estudo recente que contabiliza, entre muitas variáveis, as toneladas de carne produzidas mundialmente num ano: 59 milhões em bifes, 11 milhões em borrego, cabrito e similares, 91 milhões em febras, costeletas e entrecostos, e 124 milhões em frangos e outros alados. A tudo isto somam-se 586 milhões de toneladas de leite.

De todo este universo, o gado vacum é de longe o principal mau da fita. Quase 80% dos 4,7 mil milhões de toneladas de pasto e rações que alimentam a pecuária são consumidos pelos animais ruminantes. Para abrir espaço para a agricultura e saciar o apetite dos bichos florestas são abatidas, a biodiversidade fica mais pobre e lá se vai o CO2 que antes seria absorvido pelas árvores.

A isto acrescem os corolários digestivos dos animais, sobretudo na forma gasosa. Cerca de 77% do metano assim libertado pela zoologia de criação cabem às vacas. Vai tudo direitinho para baixo das cobertas na atmosfera, aquecendo ainda mais o planeta.

O potencial maléfico da expansão do consumo de carne é tal que a própria ONU já recomendou, num relatório de 2010, que a humanidade se afastasse dos produtos de origem animal. Num mundo utópico, todos seguirão este conselho e os resistentes defender-se-ão dizendo que o vegetarianismo é o aipo do povo.

Enquanto este momento libertador não chega, o melhor é irmos fazendo as contas aos bichos que já comemos. Segundo cálculos do mundo pecuário, do peso total de um boi, 39% vão à vida quando o animal é decepado, sangrado e esventrado. O que resta ainda perde mais peso, à medida que a carcaça seca e os ossos e a gordura são retirados. Sobram 43% da massa inicial. Na prática, de uma vaca com 400 quilos sairão cerca de 170 quilos de carne para o talho.

Para os muito carnívoros que comem o equivalente a um bife de 125 gramas por dia, uma vaca vai para o brejo a cada quatro anos, mais ou menos. Com um bife por semana, um bicho inteiro dá para 26 anos.

O consumo lá em casa está mais perto do segundo caso – por deliberada opção tomada há anos, para reduzir a insustentabilidade da família. Feitas umas contas rápidas, meu filho terá consumido cerca de 70 quilos de carne até agora, menos da metade de um exemplar bovino.

– E quando atingires um boi, o que vais fazer? Parar? – perguntei-lhe.

E ele, no pleno gozo da adolescência:

–  Não, a meta é dois.

Pode o leite dos Açores ser um produto premium? A Bel acredita que sim

ANA RUTE SILVA (São Miguel) 18/01/2015 - 08:28

Para fugir das oscilações de preços, a dona do Terra Nostra avançou com um programa para certificar o leite do arquipélago, onde as vacas pastam ao ar livre 20 horas por dia. Agricultores pedem melhor remuneração.

 
Selo que distingue este leite só estará nas explorações que conseguirem cumprir entre 90 a 100% das regras RUI SOARES
 
 Programa de certificação poderá ser aberto à concorrência
José Pereira tem orgulho na sua Alice. Também fala quase inchado na Garça, na Gaivota, na Irene e na Mafalda. Garante que as vacas que são chamadas pelo nome produzem mais leite e, por isso, prefere não arriscar. Com 60 animais a pastar ao ar livre na ilha de São Miguel, nos Açores, só tem aplausos para o programa "leite de vacas felizes" que a multinacional Bel está a adoptar entre os 500 fornecedores, a quem compra a matéria-prima para produzir queijo, manteiga e leite UHT da marca Terra Nostra. A intenção é certificar desde a origem e valorizar não só quem cumpre as cerca de 177 normas de qualidade, mas também o produto quando chega à prateleira.

Para já, o selo que distingue este leite só estará nas explorações que conseguirem cumprir entre 90 a 100% das regras. O programa é de melhoria contínua e José Pereira acredita que o pode ajudar a "ser mais exigente". "Se queremos qualidade, isto ajuda a fugir à tentação de estabular as vacas", conta, num intervalo da sessão de apresentação do projecto, que no início da semana encheu a sala do Teatro Micaelense.

Nos Açores, as vacas alimentam-se diariamente de erva, estão no campo ao ar livre e permanecem escassas horas em locais fechados, apenas quando são ordenhadas ou alimentadas com rações para complementar a dieta, rica em proteína. A Bel acredita que 80% das horas diurnas devem ser no pasto e quer valorizar no mercado a característica única do leite que aqui se faz, em oposição ao que é dado por animais que vivem em estábulos apertados. José Viana, da direcção regional de Agricultura, diz que dos 120 mil hectares de terreno agrícola no arquipélago 106 mil são pastagens permanentes, ou seja, mais de 88% da área. "A erva é o alimento natural dos bovinos, contribui para o seu bem-estar", e os consumidores "associam o bem-estar animal a qualidade". "É isso que tem de ser preservado", defende.

No Monte do Inglês, o programa da Bel (que já auditou 20 dos 500 fornecedores) apanhou Eugénio Câmara numa boa altura. Tinha acabado de terminar um investimento de 500 mil euros na exploração, onde tem 100 vacas leiteiras. "Mantemos os animais 365 dias por ano em pastoreio, 20 horas por dia. A ordenha é feita de manhã e à tarde", conta. Na Fajã de Cima, tem 56 hectares e apostou em software para gerir melhor a produção e manter a saúde dos animais. Por exemplo, se uma das vacas tem quebra de leite (um dos sinais de doença), o sistema detecta. Ainda não tem o selo que distingue o "leite de vacas felizes", mas como refere Eduardo Vasconcelos, director de recolha de leite da Bel, este é um programa evolutivo e pode até implicar o fim da relação comercial com os produtores que não cumpram os requisitos mínimos.

Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores, elogia a iniciativa, mas lembra que não é possível ter leite de vacas felizes "com produtores muito infelizes". "Somos confrontados com o anúncio de baixas de preço do leite em algumas ilhas e as comparações que se fazem em gráficos (…) esquecem que na Europa o preço médio se mantém em 35,2 cêntimos e nos Açores está a 31,5", ilustra. Jorge Rita defende que cabe à indústria valorizar o produto.

Na prática, tudo se resume ao preço. A União Europeia prepara-se para o fim das quotas leiteiras (a 31 de Março) e prevê-se já um aumento de 8% da produção até 2024, com a consequente descida de valor. O embargo russo também impediu vendas de dois milhões de toneladas de leite e provocou excesso de stocks. Em casa, e com a recessão no bolso, os consumidores travaram gastos e o consumo de leite caiu 7% em 2014.

A Bel argumenta que o seu programa é, por isso, uma espécie de plano de combate à descida de preços. A intenção é vender este leite mais caro aos consumidores, ao mesmo tempo que os produtores receberão um cêntimo a mais por cada litro que entregarem na empresa. Para a multinacional, os sete milhões de euros que pretende gastar no projecto representam um investimento quatro vezes superior ao habitual. E o retorno não vai chegar já.

Ana Cláudia Sá, directora-geral da Bel, diz que a multinacional francesa, que também detém o queijo Limiano, manteve a sua estratégia de produção "nas origens". "O resto do mundo industrializou, fechou as vacas, deu cereais e rações. Nós nunca saímos daqui", ilustra. É essa diferenciação que a empresa quer, agora, certificar.

Nutricionistas ajudam vendas
Num contexto de deflação generalizada, Ana Cláudia Sá estima um crescimento do negócio de 3,5% em 2015, alimentado sobretudo pelas marcas principais (A vaca que ri e Mini Babybel). Nos produtos Terra Nostra e Limiano, produzidos nas três fábricas portuguesas, as expectativas são mais tímidas: 2%. "Dado o enquadramento de mercado e a queda de preços prevista, inclusive para as marcas da distribuição, não temos uma ambição enorme de crescimento porque vai haver deflação", resume.

Neste campeonato pela atenção dos consumidores, têm ganho as porções de queijo. Os nutricionistas têm repetido a importância de comer snacks saudáveis ao longo do dia, indicando marcas concretas e ajudando a estimular as vendas destes produtos. A directora-geral adianta que só a Mini Babybel vendeu mais 70% nos supermercados em 2014. Com as preocupações com a saúde em alta, a Bel prepara-se para reforçar as versões light destes produtos.

No total, o investimento para este ano chega aos dez milhões de euros, sete milhões no programa "leite de vacas felizes" e três milhões na marca Limiano "para alargamento do portefólio". O queijo produzido em Vale de Cambra terá novas versões nas prateleiras, como ralado. Este ano haverá ainda investimento no leite UHT Terra Nostra e a empresa terá novidades para comunicar no final do ano.

O PÚBLICO viajou a convite da Bel Portugal

E por que não tentarmos salvar os sobreiros?

 Armando Sevinate Pinto 18/01/2015 - 12:26 


O alargamento contínuo das áreas com autênticos mortórios de sobreiros e com povoamentos com crescentes sintomas de declínio interpela-nos a vários níveis, colocando-nos questões sérias e exigindo respostas rápidas e eficazes. 

Tendo em conta a progressiva degradação da situação e a óbvia ausência de acções colectivas eficazes para a contrariar, a questão que se coloca é a de saber quanto tempo restará de vida aos sobreiros, a nossa árvore nacional.

Quanto às respostas eficazes, que até agora não aconteceram, o que me faz mais impressão é o imobilismo e a ausência de tentativas concretas de combate às doenças dos sobreiros que estejam à altura das circunstâncias.

Incomodam-me igualmente as reticências que me parecem existir na divulgação pública da situação concreta dos nossos montados e da sua vitalidade.

Uma vez que já tenho a certeza que pertenço à geração que irá ver desaparecer as palmeiras, perdida que me parece estar a guerra contra o escaravelho vermelho que as devora com uma rapidez impressionante, não gostaria mesmo nada de pertencer à geração que verá desaparecer os sobreiros. Se isso vier a acontecer, as consequências serão bem mais graves do que as resultantes do desaparecimento das palmeiras.

A razão é simples: os povoamentos de sobreiros e os ecossistemas que lhes estão associados, são, sem sombra de dúvida, um dos mais importantes activos naturais que possuímos.

Importantes, pela riqueza que geram: somos o maior produtor mundial de cortiça, uma das mais polivalentes matérias-primas naturais conhecidas e exportamos anualmente mais de 800 milhões de euros de produtos transformados com valor acrescentado 100% nacional.

Importantes, pelos postos de trabalho directos que a sua conservação e exploração justificam e que ascendem a muitas dezenas de milhares, quer junto à produção, quer em cerca de 600 empresas de transformação.

Importantes, porque os povoamentos de sobreiros são os elementos centrais de um dos mais ricos, complexos, estáveis e multifuncionais ecossistemas das regiões mediterrânicas pobres, que constituem uma grande parte do nosso território. Temos mais de 700 mil hectares ocupados com sobreiros, que fixam carbono, protegem e enriquecem os solos, modulam o clima e abrigam e alimentam ricos habitats de flora (140 espécies aromáticas, medicinais e melíferas) e fauna silvestre (a mais rica fauna da Europa, sobretudo de vertebrados de que se conhecem 55 espécies correntes), favorecendo a diversidade biológica.

Contudo, se continuarmos como até aqui, abandonando programas de defesa da subericultura, como aconteceu em 2005, e mais inclinados em consagrar recursos à preservação de espécies com interesse relativo face à enorme importância dos sobreiros, o risco é grande de ainda em vida não conseguir assistir ao triunfo da investigação e da técnica sobre as doenças mortais mais importantes que, dia após dia, acentuam o declínio dos montados.

Sei que há relativamente pouco tempo, em Julho de 2014, foi subscrito por várias instituições um protocolo que formaliza a constituição do Centro de Competências do Sobreiro e da Cortiça, com quinze membros fundadores, entre os quais várias associações, universidades, além do Ministério da Agricultura e da Câmara Municipal de Coruche.

Não sei o que vai dar este protocolo, cujas boas intenções reconheço.

Contudo, gostaria bastante mais de ver ser posto em prática um programa concreto, com recursos financeiros e humanos concretos e suficientes para desenvolver uma acção nacional em larga escala que procedesse à análise sistemática dos solos e do estado sanitário das árvores e que, sem limitações nem reticências pseudo-científicas, fosse acompanhado de uma rede alargada de experimentação sistemática de antídotos relativamente às principais causas de morte que fossem detectadas (por exemplo, a utilização de fungos antagonistas do género Trichoderma para combater a fhytophthora).

Incomoda-me pensar que não existam antídotos para o que está a acontecer.

Incomoda-me pensar que existem investigadores preparados e interessados, mas com limitadíssimas condições materiais para desenvolverem acções em larga escala.

De tempos a tempos, ouve-se falar de produtos e tratamentos que poderiam eventualmente revelar-se eficazes contra as doenças principais dos sobreiros, mas que não estão disponíveis para utilização, ou porque ninguém se interessa pela sua homologação ou porque os interessados se deparam com obstáculos que os conduzem à desistência. Ouve-se falar de práticas agrícolas que potenciam as doenças, mas nada se sabe sobre o seu desencorajamento público. Se se cortar um sobreiro mesmo em estado de morbilidade adiantada, corre-se um sério risco de se ser objecto de uma coima de valor significativo. Contudo, se não se cortar nada e se deixarem morrer centenas ou milhares á vista de todos, nada acontece, memo que os seus esqueletos fiquem no terreno a contaminar os sobreiros sãos na sua proximidade.

Alguma coisa terá de ser feita para alterar este estado de coisas. Será impensável continuarmos como até aqui, a fechar os olhos à realidade, como se nada estivesse a acontecer.

PS: Começaram recentemente a aparecer as novas regras a que devem obedecer os projectos de investimento agrícolas e agro-industriais que estarão em vigor até 2020 no quadro do Programa de Desenvolvimento Rural (o novo PRODER). O que se vai vendo, infelizmente, não é muito encorajador. Foi dada excessiva liberdade ao funcionamento do complicómetro que habita em cada um de nós e, neste caso, aos responsáveis pela concepção dessas regras. Está-se a regredir, sem explicação razoável, relativamente ao programa anterior e torna-se vital que os responsáveis tomem disso consciência o mais rapidamente possível e que se lembrem das consequências resultantes dos primeiros anos de funcionamento do PRODER e das suas regras absurdas que prejudicaram seriamente o seu funcionamento.

Engenheiro agrónomo (ISA) 

Pode ser a altura certa para a expansão do biodiesel

Janeiro 13
12:03
2015

A produção mundial de etanol para incorporação na gasolina pode subir dos actuais 1,45 para 3 milhões de barris, em 2040. No entanto, o que parece ter mais futuro de expansão é o biodiesel obtido através de óleos vegetais, gorduras animais e óleos reciclados.

A sua incorporação não revela problemas até 20% na grande parte dos motores diesel, sem grandes alterações, contudo alguns fabricantes, como a Mercedes, só aceitam um máximo de 5% de incorporação para o diesel dos seus motores. É curioso que o primeiro motor a diesel foi posto a trabalhar por Rudolf Diesel, com óleo de amendoim.

A produção de biodiesel nos Estados Unidos começou com 75.000 barris por dia, sendo que as projecções são de que se possa atingir os 783.000 barris por dia, com os governos a apoiarem em 42 dólares o proveniente do óleo reciclado.

A produção global, em 2014, foi de 444.000 barris por dia, sendo que a União Europeia é o maior produtor, com 183.000 barris, seguida dos Estados Unidos, com 91.000 barris, do Brasil, com 50.000 barris e da Argentina, com 40.000 barris. As previsões da International Energy Agency são de que a produção possa atingir os 1,1 milhões de barris.

Neste momento, o processo de fabrico utilizando hidrogénio é muito similar ao hydrotreating e simplifica os processos ao nível da refinaria, reduzindo custos e logística.

Tem havido, contudo, alguma contestação, devido ao uso de alimentos para o biodiesel, bem como da desflorestação de grandes áreas da Malásia e Indonésia, para serem cultivadas com palmeiras para óleo de palma.

Baixa do preço do petróleo pode ter influência no preço do milho

Janeiro 13
11:59
2015

Segundo a Morgan Stanley, a baixa do preço do petróleo pode ter uma implicação na subida do preço do milho.

A baixa do preço do petróleo leva a um aumento do consumo da gasolina e, consequentemente, do etanol, pelo que é necessário mais milho para a sua produção.

As implicações da descida do preço do petróleo nos mercados agrícolas constituem um debate da actualidade, uma vez que alguns produtos são utilizados para os bio combustíveis.

Segundo a Morgan Stanley, verifica-se uma correlação directa entre a evolução do preço do petróleo e do milho em sentidos inversos.

Neste momento, nos Estados Unidos, é obrigatório a incorporação mínima de 10% de etanol na gasolina, daí o boom esperado na procura de etanol.

Até ao momento, as margens para a incorporação de etanol na gasolina mantêm-se positivas, mas, devido à dimensão e estrutura dos produtores, é possível que estes fabricantes possam trabalhar abaixo do ponto de equilíbrio, para aumentar os volumes de fabrico.

Produção de etanol influencia preço do milho


Janeiro 08
15:24
2015

Os futuros do milho em Chicago caíram cerca de 2%, baixando da barreira psicológica dos 4 dólares por bushel, depois do anúncio da redução da produção de etanol, em consequência do preço do barril de petróleo ter descido abaixo dos 50 dólares.

A descida do preço do petróleo arrastou o preço do etanol, que desceu 2,4% para os 1,46 dólares o galão, ou seja, o valor mais baixo desde 2009.

Na última semana, a produção de etanol desceu uma média de 23.000 barris por dia, para uma produção total de 949.000 barris por dia.

Vários fabricantes já estão a perder dinheiro, apesar da boa valorização dos subprodutos da destilação ricos em proteína e utilizados na alimentação animal. O peso dos subprodutos nas margens de laboração das fábricas é cada vez maior.

Entretanto, as grandes consultoras mundiais pensam que o petróleo vai continuar com preços baixos, o que levará à descida do preço da gasolina e, consequentemente, ao aumento do consumo deste. No entanto, esta situação vai pressionar o preço do etanol e, logo, o do milho, que assim não tem grande margem para se aguentar.

 

Pastor perde 40 ovelhas em ataque a cerca

Mogadouro 


José Carlos Reis diz que o prejuízo ronda os 3500 euros

José Carlos Reis perdeu 40 animais do seu rebanho na sequência de um ataque que garante ter sido feito por lobos. O pastor de Tó, no concelho de Mogadouro, deixou ovelhas e cordeiros numa cerca a cerca de 500 metros da aldeia ao final da tarde da passada quarta-feira e quando voltou, na manhã da passada quinta-feira, encontrou vários animais mortos.
"Quando chego por volta das 8:30 horas começo a ver um borrego morto, uma ovelha morta, vou para baixo estava tudo morto. Encontrámos mais de 30 mortos, mas ao todo foram 15 ovelhas e 25 filhos, porque os pequenos comeram-nos", conta José Carlos Reis.
O pastor assegura que a vedação de seis hectares onde guarda o gado tem 1,5 metros de rede e ainda tem arame farpado e mesmo assim não é suficiente para impedir que os lobos lá entrem. 
"Tenho a certeza que foi lobo. Desde pequeno que ando com ovelhas e conheço a dentada do lobo e o comer dos borregos, porque abriram-nos e o cão agarra logo as tripas e o lobo tira-lhes o fígado e come logo a carne e foi o que aconteceu", assegura José Carlos Reis.

Comissão procede a consulta sobre o projeto de orientações em matéria de venda conjunta de azeite, carne de bovino e culturas arvenses



JAN 16LISBOA, PORTUGALLISBOAPOR GERSON INGRÊS

 
LISBOA – A Comissão Europeia convida os interessados a enviar comentários sobre o projeto de novas orientações relativas à aplicação das regras no domínio antitrust da UE no setor agrícola. Após a reforma da Política Agrícola Comum (PAC) da UE, aplicam-se novas regras específicas à venda de azeite, carne de bovino e culturas arvenses. Designadamente, as novas regras autorizam os produtores a proceder à comercialização conjunta destes produtos sob determinadas condições, designadamente se esta cooperação produzir ganhos de eficácia significativos. As orientações da Comissão irão contribuir para garantir que a implementação da reforma da PAC melhore o funcionamento da cadeia de abastecimento alimentar e salvaguarde uma concorrência eficaz e a inovação nos mercados dos produtos agrícolas. As respostas à consulta pública podem ser enviadas até 5 de maio de 2015. Em função dos comentários recebidos, a Comissão irá rever a sua proposta, tendo em vista a adoção das orientações finais até finais de 2015.

Em 1 de janeiro de 2014, entrou em vigor a nova PAC da UE (ver igualmente Memo), incluindo um regime específico de concorrência para determinados produtos. Designadamente, a reforma permite aos produtores a comercialização conjunta de azeite, carne de bovino e de culturas arvenses através de organizações de produtores ou de associações de organizações de produtores, desde que:

i. Estas organizações melhorem significativamente a eficácia dos agricultores, prestando-lhes apoio sob a forma de serviços de armazenagem, distribuição ou transportes; e

ii. A quantidade comercializada pela organização não exceda determinados limites.

A Comissão vem agora dar orientações sobre a forma como estas novas regras podem ser usadas com maior eficácia para impulsionar o investimento e o crescimento, ao mesmo tempo que se mantêm condições equitativas para todos os operadores no mercado único. Designadamente, as orientações definem:
• exemplos de como as organizações de produtores podem prestar serviços que gerem ganhos de eficácia significativos para os trabalhadores;
• diretrizes quanto à verificação de que os volumes comercializados pelas organizações de produtores não excedem determinados limites de volume de produção; e
• as situações em que as autoridades da concorrência podem aplicar a cláusula de salvaguarda e reconsiderar ou anular contratos de comercialização conjunta por parte de uma organização de produtores.

As autoridades nacionais da concorrência e os ministérios da agricultura foram já consultados sobre esta proposta. A Comissão convida agora as partes interessadas a dar a conhecer os seus pontos de vista sobre o projeto de orientações. Os comentários podem ser enviados até 5 de maio de 2015. Por ocasião de uma conferência a realizar em 4 de março de 2015, a Comissão apresentará as propostas às partes interessadas, às autoridades nacionais de concorrência e aos ministérios da agricultura. O texto integral das propostas está disponível em:


Antecedentes

A avaliação de impacto realizada no contexto da reforma da PAC apontou a necessidade de melhorar o funcionamento da cadeia de abastecimento alimentar e criar as condições certas para que o setor agrícola possa ser mais competitivo e inovador. Isto implica, em especial, fomentar a cooperação entre os agricultores, ao mesmo tempo que se garante a concorrência no setor.

A reforma da PAC de 2013 altera as regras no domínio antitrust para o setor agrícola, designadamente no que respeita ao azeite, à carne de bovino e às culturas arvenses. As novas regras constam do Regulamento 1308/2013 que estabelece uma organização comum dos mercados agrícolas e disposições específicas para certos produtos agrícolas (Regulamento OCM). Em junho de 2014, a Comissão anunciou que iria emitir orientações relativamente a aspetos ligados à legislação de concorrência que possam surgir aquando da aplicação deste novo regime. Além disso, o Parlamento solicitou que se assegurasse a aplicação coerente da reforma da PAC de 2013 em todos os Estados-Membros da UE e o artigo 206.º do Regulamento OCM impõe à Comissão a adoção de orientações nesse contexto, sempre que tal for necessário.

2014 foi o ano mais quente alguma vez registado na Terra


Lusa
16 Jan, 2015, 18:17

O ano de 2014 foi o mais quente na Terra desde o início do registo das temperaturas, em 1880, anunciou hoje a Agência Oceânica e Atmosférica Norte-Americana (NOAA).
O mês de dezembro registou também uma temperatura média da superfície terrestre sem precedentes nos últimos 134 anos para esta época do ano, indicou a NOAA, salientando que medições realizadas de forma independente pela NASA (Agência Espacial Norte-Americana) chegaram às mesmas conclusões.

As temperaturas de dezembro foram 0,77 graus Celsius acima da média do século XX, revelou a instituição.

Na totalidade do ano, a temperatura média no solo e nos oceanos foi 0,69 graus Celsius acima da registada no século XX, ultrapassando os anteriores recordes de 2005 e 2010, de apenas mais 0,04ºC.

Este recorde de calor foi observado em todo o mundo, mesmo no extremo leste da Rússia, no oeste do Alasca, no interior da América do Sul, na maior parte do continente europeu, no norte de África e também nas regiões costeiras do leste e do ocidente da Austrália, precisou a NOAA.

A agência refere igualmente a zona equatorial do oceano Pacífico, vastas porções do oeste e do sudeste do Atlântico, o mar da Noruega e partes do centro e do sul do oceano Índico.

Em 2014, a temperatura média global na superfície da Terra situou-se 1ºC acima da média do século XX, ou seja, a quarta mais elevada desde 1880.

A temperatura nos oceanos foi 0,57ºC superior à média dos anteriores 134 anos, entre 1880 e 2014, batendo os anteriores recordes de 1998 e 2003 de 0,05ºC.

Segundo a NOAA, a temperatura média da baixa estratosfera (entre 15 e 20 quilómetros de altitude) diminuiu, ao passo que a da troposfera, as camadas mais baixas da atmosfera, aumentou, o que é indicativo de um aquecimento provocado por gases com efeito-estufa.

De acordo com estes dados, analisados na Universidade Rutgers, a extensão média da superfície anual coberta por neve no hemisfério norte foi, em 2014, de 63,4 milhões de quilómetros quadrados, na média das medições efetuadas desde o início das observações por satélite, em 1978.

Durante o primeiro semestre de 2014, a cobertura com neve ficou abaixo da média histórica, mas ultrapassou-a até ao final do ano.

A extensão média dos glaciares no oceano Ártico foi de 28,4 milhões de quilómetros quadrados em 2014, a sexta superfície anual mais pequena medida em 36 anos. Em contrapartida, a superfície dos glaciares no Antártico atingiu um tamanho recorde em 2014 pelo segundo ano consecutivo, com 33,8 milhões de quilómetros quadrados.

Estes recordes de temperatura ocorreram na ausência da corrente quente do Pacífico `El Niño`, que geralmente aparece, em média, de cinco em cinco ou de sete em sete anos e exerce uma forte influência no clima do globo.

A NOAA estimava, no fim de 2014, existirem quase 60% de hipóteses de El Niño repetir a sua aparição durante o inverno no hemisfério norte.

No seu mais recente relatório, divulgado em abril, o Grupo Intergovernamental de Especialistas em Clima (GIEC) estima que, na ausência de uma drástica e rápida alteração na produção energética mundial, muito dependente do carvão e do petróleo, a subida do termómetro mundial será de entre 3,7 e 4,8ºC até 2100.

O GIEC alerta que resta pouco tempo para atuar no sentido de limitar o aumento das temperaturas do planeta a 2ºC até ao final deste século, em relação aos níveis da era pré-industrial, porque além dos dois graus centígrados de aumento, as alterações climáticas poderão ter consequências desastrosas, entre as quais uma acentuada subida do nível da água dos oceanos devido ao degelo acelerado dos glaciares árticos, a multiplicação de intempéries catastróficas, o desaparecimento de espécies animais devido ao fim dos respetivos habitats, e mais conflitos.

Estatuto do vinho da Madeira permite criar novos produtos


O estatuto da vinha e do vinho da Região Autónoma da Madeira, que vai permitir "a criação de novos produtos vínicos", foi hoje publicado em Diário da República.
PAÍS Estatuto do vinho da Madeira permite criar novos produtos Lusa
11:22 - 12 de Janeiro de 2015 | Por Lusa

A presidente do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira, Paula Cabaço, disse à agência Lusa que o documento agora publicado era a condição essencial para "permitir adequar à região as novas dinâmicas na criação de novos produtos vínicos".

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De acordo com o documento, "o aumento das áreas de vinhas de castas europeias reestruturadas e reconvertidas, a aposta na produção de vinhos com denominação de origem 'Madeirense' e indicação geográfica 'Terras Madeirenses' constituíram passos fundamentais dados no sentido de assegurar, para a vitivinicultura madeirense, um futuro com progresso e gerador de um desenvolvimento económico e social sustentado".

Paula Cabaço realçou que o novo estatuto reúne documentação dispersa produzida desde 1985 e que agora fica condensada num único documento.

"Introduz uma melhoria administrativa ao condensar e melhorar o anterior estatuto, que estava disperso", afirmou.

Atualmente, a região tem 54 regiões cartografadas, respeitantes às 54 freguesias dos 11 concelhos da Madeira.

Agricultura familiar dá prémio a Viana do Castelo


ALTO MINHO
2015-01-14

O presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, José Maria Costa, marcou presença na sessão oficial de encerramento das Comemorações do Ano Internacional da Agricultura Familiar, tendo representado as autarquias que desenvolveram projectos neste âmbito.

A sessão, presidida pela ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, contou com a presença do secretário-de-Estado da Alimentação e Investigação Agro-Alimentar, de representantes da FAO em Portugal, da Comissão Nacional da Unesco e do presidente da Comissão de Agricultura e Mar e serviu para fazer um balanço institucional as comemorações em Portugal e para entregar o prémio do Concurso de Cartazes alusivos à Agricultura Familiar, entregue a Viana do Castelo.

Na sua intervenção em representação das autarquias que desenvolveram programas para assinalar o Ano Internacional, o autarca vianense fez uma breve resenha da actividade e dos resultados do programa em Viana do Castelo, que contou com a estreita parceria da Cooperativa Agrícola e da Associação Regional dos Agricultores do Alto Minho.


  > Em Viana do Castelo, foram efectuados quatro feirões no mercado municipal 21 workshops com mais de 300 participantes, levados a cabo oito projectos pedagógicos em nove escolas envolvendo mais de mil alunos, promovidas seis sessões temáticas e de esclarecimento e editadas quatro revistas e promovidos três exposições e o evento 'Viana Florida'.

Na sessão, foi entregue a Viana do Castelo o prémio do Concurso de Cartazes alusivos à agricultura familiar pela qualidade do cartaz que ilustra as Comemorações em Viana do Castelo, da autoria do designer Rui Carvalho.

Recorde-se que a Assembleia das Nações Unidas proclamou 2014 Ano Internacional da Agricultura Familiar. A agricultura familiar é uma forma de garantir a produção agrícola e silvícola, assim como a pesca, o pastoreio e a agricultura, gerida e dirigida por uma família que na sua maior parte depende da mão-de-obra familiar não assalariada, tanto de mulheres como de homens. A família e a exploração estão vinculadas, coevoluem e combinam funções económicas, ambientais, reprodutivas, sociais e culturais.

Municípios podem ter com incentivos à adaptação a alterações climáticas


15-01-2015 15:10 | Política
Fonte: Agência Lusa 

Lisboa, 15 jan (Lusa) - O secretário de Estado do Ambiente revelou hoje que os municípios poderão ter incentivos à definição de estratégias e aplicação de medidas para a adaptação às alterações climáticas, nomeadamente nas zonas costeiras.

O Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) "tem verbas que podem ser utilizadas pelas câmaras municipais nas medidas de adaptação", disse Paulo Lemos aos jornalistas.

O responsável falava à margem do seminário sobre a adaptação às alterações climáticas em que foram assinados 26 protocolos entre outras tantas autarquias e o projeto ClimadaPT.Local, financiado pela iniciativa europeia EEA Grants, liderada pela Noruega, para ajudar cada região a identificar as vulnerabilidades à mudança do clima, a definir e a aplicar medidas de adaptação.

"Há cada vez maior sensibilidade para este assunto e é natural que outras autarquias comecem a preocupar-se e pretendam avançar" com formas de aumentar a resiliência a fenómenos como inundações, cheias, secas ou erosão costeira, referiu o secretário de Estado do Ambiente.

Para isso, poderão ter incentivos de várias origens, como os programas da União Europeia, e Paulo Lemos recordou que estão disponíveis cerca de quatro mil milhões de euros de verbas comunitárias para financiar investimentos na área da sustentabilidade até 2020.

Entre as questões mais complicadas na tarefa das câmaras municipais de adaptação às mudanças do clima está, segundo a opinião do secretário de Estado do Ambiente, o planeamento urbanístico, uma vez que, "durante muitos anos, não foram tidas em conta as limitações" relacionados com constrangimentos ambientais, referindo o exemplo da construção em leito de cheia.

"Lidar com situações [de construção] em zonas de risco é um dos maiores desafios" a enfrentar pelos municípios neste âmbito, outro será "a sensibilização da população para esta questão, de modo a ser parte ativa", acrescentou.

Portugal é um dos países mais vulneráveis aos efeitos das alterações climáticas, marcadas por fenómenos extremos, de pluviosidade ou falta dela, mas também de subida do nível do mar, afetando a zona costeira, como já aconteceu em vários pontos do litoral português, por exemplo, no ano passado.

Paulo Lemos recordou que 67% do litoral português está em risco de erosão e que em 2014 e este ano o investimento para aumentar a resiliência na zona costeira ascende a 300 milhões de euros, tendo sido elaborado um relatório acerca da ação que é necessária para a gestão do litoral, criando um novo modelo, documento que está em discussão com as autarquias.

Os protocolos hoje assinados envolvem os municípios de Amarante, Barreiro, Braga, Bragança, Castelo de Vide, Castelo Branco, Coruche, Évora, Ferreira do Alentejo, Figueira da Foz, Funchal, Guimarães, Ílhavo, Leiria, Lisboa, Loulé, Montalegre, Odemira, Porto, Seia, São João da Pesqueira, Tomar, Tondela, Torres Vedras, Viana do Castelo e Vila Franca do Campo.

Estas autarquias juntam-se a Sintra, Cascais e Almada, que já estão a trabalhar na definição de uma estratégia municipal para a adaptação às alterações climáticas e a integrar medidas neste sentido nos vários planos das autarquias, como o da gestão dos recursos hídricos, para lidar com possíveis situações de seca, da saúde ou da defesa dos incêndios florestais, em resposta a ondas de calor.

EA // SO

Lusa/Fim

ASAE apreende em Gaia 39 mil garrafas devido a presença de fragmentos de vidro


16-01-2015 12:06 | Norte
Fonte: Agência Lusa 
Vila Nova de Gaia, Porto, 16 jan (Lusa) -- A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) anunciou hoje ter apreendido mais de 29 mil garrafas destinadas a Vinho do Porto devido à existência de fragmentos de vidro, consideradas inseguras e perigosas para a saúde.

Em comunicado, a ASAE refere ter "procedido nas últimas semanas, no concelho de Gaia, distrito do Porto, à tomada de medidas no sentido de retirar do circuito comercial" garrafas de vidro destinadas ao engarrafamento de Vinho do Porto.

A existência de fragmentos de vidro nas garrafas foi dada através de uma notificação de alerta emitida pelas autoridades belgas, transmitida pela Comissão Europeia através do "Sistema de Alerta Rápido para os Géneros Alimentícios e Alimentos para Animais" a todos os estados-membros.

A ASAE sublinha terem apreendidas até ao momento cerca de 20.350 garrafas de vidro vazias e 9.000 com vinho, num valor total de cerca de 63 mil euros.

"A situação relatada e objeto de ação de fiscalização não está relacionada com o produto em corneto, mas tão-somente com as garrafas onde o mesmo é embalado", destaca a autoridade.

A ASAE conclui que "dará continuidade no âmbito desta notificação de alerta às diligências consideradas necessárias para garantir a não introdução no mercado de garrafas que coloquem em perigo a saúde pública contribuindo para a defesa do consumidor".

JAP // JGJ

Lusa/Fim

Os “verdes” criticam decisão do Parlamento Europeu sobre o cultivo de OGM’s

Janeiro 16
09:25
2015

A decisão tomada pelo Parlamento Europeu (PE), por 480 votos contra 158, que autoriza os estados membros a decidir unilateralmente pela proibição das sementeiras OGM's, está a ser altamente contestada pelos Verdes.

Com esta decisão, cada país pode decidir por si e, os que autorizem as sementeiras OGM, têm de respeitar certas condições ao nível da prevenção da não contaminação das culturas tradicionais pelas OGM.

Os Verdes votaram contra no PE e o principal argumento é que esta decisão vai provocar uma divisão ao nível comunitário, enfraquecendo a luta contra os OGM's.

Segundo os Verdes, os países que decidirem pela proibição podem ficar fragilizados perante as multinacionais da biotecnologia, que lhes podem mover processos ao nível da Organização Mundial de Comércio, de bloqueio à circulação de mercadorias ou, então, podem reivindicar indemnizações causadas aos investimentos já realizados.

Outro ponto também levantado é o da distorção da concorrência que pode provocar ao nível europeu, com agricultores a poderem dispor da tecnologia OGM e outros não.

Também ao nível das negociações internacionais, sobretudo ao nível das negociações com os Estados Unidos, a posição de Bruxelas pode ficar inferiorizada, devido à existência de países que utilizam sementes OGM.

São, também, criticadas as medidas de protecção nos países que autorizem os OGM's, pois elas resumem-se a distâncias de segurança, que são centenas de metro, enquanto o pólen pode viajar vários quilómetros.