quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Comerciantes europeus pedem que UE actue contra restrição russa à exportação de trigo

04-02-2015 
 

A organização europeia de comerciantes de grãos, a COCERAL, criticou a medida imposta pela Rússia, de forma unilateral, para restringir as suas exportações de trigo.

Trata-se de uma taxa de 15 por cento sobre o valor de mais 7,5 euros a toneladas de trigo, a aplicar desde 01 de Fevereiro. A COCERAL denuncia que as exportações russas de trigo em Janeiro de 2015 caíram frente às do mesmo período de 2014, devido a entraves burocráticos.

Com a introdução da taxa, as exportações permanecem menores. Por este motivo, os comerciantes pedem à Comissão Europeia que actue, condenando esta medida que restringe o comércio unilateralmente.

Actualmente há existências suficientes e perspectivas favoráveis nos Estados Unidos da América e na América do Sul, mas não suficientes para esquecer o efeito global negativo que tem a medida russa.

Fonte: Agrodigital

Assunção Cristas e Paulo Portas em Berlim para impulsionar exportações de frutas e hortícolas

 04-02-2015 
 

Portugal tem a partir desta quarta-feira 50 empresas representadas na Fruit Logística, «a maior feira de frutos e legumes do mundo», em Berlim, onde Paulo Portas e Assunção Cristas vão hoje impulsionar as exportações nacionais do sector.

O vice-primeiro-ministro e a ministra da Agricultura e do Mar marcam presença no primeiro dos três dias do evento, do qual Portugal é este ano um país parceiro, visitando os expositores portugueses, distribuídos por cerca de 600 metros quadrados da "Messe Berlin", o centro de feiras e congressos da cidade alemã.

A presença em Berlim das empresas portuguesas foi organizada pela Portugal Fresh, a associação nacional para a promoção das frutas, legumes e flores. «O Governo de Portugal envolveu-se desde o início da candidatura a país parceiro.‎ O objectivo principal é alavancar as exportações portuguesas», refere-se numa nota à imprensa enviada à agência Lusa pelo gabinete do vice-primeiro-ministro, Paulo Portas.

O secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agro-alimentar, Nuno Vieira Brito, e o embaixador de Portugal na Alemanha, Luís de Almeida Sampaio, vão também visitar a Fruit Logística, que deverá receber este ano mais 65 mil visitantes profissionais de 140 países, e onde estarão em exibição 2.600 expositores de 84 países.

«Entre 2010 e 2013 as exportações de frutas, legumes e flores portuguesas cresceram 28 por cento. Em 2014, até Novembro, comparando com o período homólogo do ano anterior as exportações cresceram mais de 10 por cento e já passaram os 1.000 milhões de euros», adianta a mesma nota.

Entre as empresas presentes estão também o projecto Alqueva, dinamizado pela Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva, apostado em divulgar os hectares de regadio criados no Alentejo.

Para a empresa, a Fruit Logística «constitui uma oportunidade para divulgar as oportunidades criadas pelo projecto de Alqueva junto de potenciais investidores das áreas agrícola e agro-industrial, que aqui podem encontrar soluções alternativas para complemento das suas produções"», de acordo com um comunicado de imprensa.

Fonte: Lusa

Acordo de Parceria para o Desenvolvimento Rural


Associações de Desenvolvimento Local juntam-se para evitar dificuldades na implementação dos novos fundos comunitários

Apesar do entusiasmo com que foi anunciado, o processo de transição para o novo período de programação de fundos comunitários está a colocar em risco o trabalho de desenvolvimento rural que tem sido realizado com sucesso pelas Associações de Desenvolvimento Local (ADL), e que só no último período de programação resultou na criação de 7300 empregos, mobilizando o investimento de 820 milhões de euros nas zonas rurais.
Atendendo à importância de dar continuidade aos processos de desenvolvimento em curso, as ADL estão a preparar a assinatura de acordos de parceria entre elas, organizando-se regionalmente na defesa de um modelo de intervenção que tem dados excelentes resultados.
De acordo com Regina Lopes, Presidente da Minha Terra – Federação Portuguesa de Associações de Desenvolvimento Local, «a assinatura destes acordos visa também evitar os riscos de atrasos no apoio aos projetos nos territórios rurais numa fase tão crítica para o país». Pretende ainda, acrescenta, «contribuir para minimizar os impactos negativos do atraso do concurso para a apresentação de estratégias de Desenvolvimento Local de Base Comunitária, que podem colocar em causa dinâmicas em curso e a continuidade do trabalho destas associações com experiência consolidada na gestão de fundos para o desenvolvimento rural (designadamente, o LEADER), perdendo-se o património de experiência e implantação no terreno que em muitos casos levou 20 anos a construir».
Os acordos de parceria regionais prevêem a criação de Comissões Regionais de Acompanhamento que funcionem como Observatórios de Desenvolvimento Local de cada região, juntando as Associações de Desenvolvimento Local, as Autoridades de Gestão dos fundos nacionais e regionais, as Comunidades Intermunicipais e os principais parceiros estratégicos regionais.
Os acordos de parceria das ADL da Região Centro e da Região Norte serão formalizados nos próximos dias, estando as ADL das restantes regiões a ultimar a preparação das suas ações concertadas. 
A Federação Minha Terra é uma entidade privada de interesse público sem fins lucrativos, que agrega e representa 53 Associações de Desenvolvimento Local de todo o país, que gerem o LEADER de forma descentralizada, e dinamiza uma plataforma de cooperação alargada, no domínio das intervenções promotoras de um desenvolvimento integrado, conducente à melhoria de qualidade de vida no espaço rural português.

Vamos beber à saúde do Alvarinho no seu primeiro museu

Por Fugas
03.02.2015

Monção inaugura Museu do Alvarinho em Fevereiro.

Nobre casta, cara uva, nobre vinho. E por fim com uma casa museológica em sua honra. Monção prepara-se para inaugurar o primeiro Museu do Alvarinho, já nos finais de Fevereiro, num edifício do século XVII recuperado e readaptado no centro da vila. A Casa do Curro, na Praça Deu-la-Deu, passa a ser o epicentro cultural do Alvarinho, um dos ex-líbris daquela região do Alto Minho.

Com um investimento de cerca de 150 mil euros (comparticipados em 90 mil pelo PRODER), segundo a autarquia local, o Museu do Alvarinho abrirá ao público a 28 de Fevereiro. Os objectivos passam pela "promoção do vinho Alvarinho" e pela divulgação da sua cultura, mas também pela promoção da região, do património natural, histórico, arqueológico e cultural do concelho e do seu potencial turístico. Será um "trunfo valioso na defesa e divulgação" do Alvarinho, resumiu o presidente da autarquia em comunicado, Augusto Domingues, salientando ser um produto com "elevada importância na economia de muitas famílias monçanenses e suporte da identidade cultural e histórica" locais.

O museu divide-se por várias áreas, proporcionando uma "viagem pelo mundo deste famoso néctar", da origem à evolução e empresas produtoras. Além dos espaços museológicos, será um ponto de encontro para actividades como degustações, provas comentadas, encontros promocionais e estabelecimento de parcerias. 

Nos concelhos de Monção e Melgaço, assinala a Lusa, a produção de Alvarinho movimenta cerca de 2 mil produtores e engarrafadores, representando um volume de facturação anual de 25 milhões de euros. Dados da Associação de Produtores Alvarinho apontam para quatro milhões de quilos anuais desta uva que origina mais de 1,5 milhões de garrafas de Alvarinho. Cerca de 10% é exportado. Segundo afiançam, é a casta cuja uva é a que "mais rende ao produtor" (só ultrapassada pela uva usada para o Vinho do Porto de mesa): pode atingir 1,10 euros por cada quilo e os produtores dizem mesmo que é a "matéria-prima mais cara" do país. Agora, é também peça de museu.

Assalto ao ICNF rende 70 mil euros

Bragança 
foto

Cofre dos serviços de natureza e floresta guardava avultada soma em dinheiro
Foram assaltadas as instalações do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) , na Estrada do Turismo em Bragança. Segundo fonte da PSP, o assalto terá ocorrido na madrugada desta quarta-feira e rendido mais de 70 mil euros em dinheiro e outros artigos não especificados. 
Os assaltantes terão arrombado uma janela e levado um cofre que pesava cerca de 500 quilos. O caso está a ser investigado pela PSP, aguardando-se a comunicação dos factos ao Ministério Público. 
Entretanto, na sua passagem pelo distrito de Bragança este fim-de-semana, o secretário de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza considerou que este valor seria uma situação normal, na sequência das receitas obtidas na aplicação das taxas que cabem a este instituto.

Governo desconhece

Miguel Castro Neto disse aos jornalistas que desconhece as circunstâncias em que ocorreu o caso mas acredita que os procedimentos adoptados pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas na gestão das verbas são os mais adequados. "A tutela do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas é conjunta e as questões orçamentais estão no Ministério da Agricultura e do Mar. De qualquer forma, eu julgo que o montante que estaria no cofre seria decorrente da cobrança de taxas e outros valores", revelou o governante, e acrescentou: "confesso que não conheço o assunto para me poder pronunciar e explicar se o dinheiro era muito ou pouco, em que condições é que estava ou qual era a origem. Julgo que será fruto, eventualmente de algum momento extraordinário de algumas taxas ou licenças e que serão adoptados os melhores procedimentos possíveis na gestão dessas taxas", considera o secretário de Estado. 

Angola dá prioridade a exportadoras de alimentos e medicamentos


por Ana Margarida PinheiroOntemComentar

Angola dá prioridade a exportadoras de alimentos e medicamentos
Remessas para pagamentos estão a ser disponibilizadas de forma gradual. Alguns negócios estrangeiros estão na primeira linha para as receber
O Banco Nacional de Angola está já a disponibilizar remessas para que os bancos comerciais do país possam dar resposta às exportadoras e empresas internacionais que operam em Angola. Os pagamentos a importadores de produtos alimentar e medicamentos terão prioridade.

Cortiça portuguesa. A importância do desperdício para salvar o planeta



A Generation Awake distinguiu a Pelcor como um dos melhores exemplos de economia circular
Sobras e restos: quem é que dá importância a essas miudezas? Parece um assunto menor, mas é tema da maior importância. Sobretudo porque eliminar os desperdícios não é só uma moda ou um capricho.

Passou a ser também uma das principais atitudes para salvar o planeta. E, neste capítulo, a Pelcor desempenha um grande papel, segundo a Comissão Europeia. A campanha Generation Awake distinguiu a empresa portuguesa de acessórios de cortiça como um dos melhores exemplos de modelo de negócio baseado na economia circular em Portugal.

E o que é isto de economia circular? É muita coisa mas, principalmente, passa por ver a economia como um círculo, onde tudo o que se produz volta outra vez para o consumidor com o mínimo de desperdício. Implica, portanto, mudar a forma como usamos os recursos, fazer mais com menos, diminuir os custos e o impacto no ambiente. A Pelcor, fundada em 2003, fez tudo isto e ainda mais, segundo a Comissão Europeia. A empresa de Sandra Correia recorreu à inovação, ao design e à sustentabilidade para revolucionar o conceito de uso na cortiça, explica a Comissão para justificar a distinção atribuída à campanha Generation Awake.

Dito assim, poucos vão perceber. Será melhor, por isso, explicar como tudo começou. Sandra Correia cresceu na fábrica do pai, que produz rolhas para garrafas de champanhe. Desperdícios de cortiça amontoavam-se pelos cantos da fábrica. Ela apanhou uma mão-cheia de sobras e fez um guarda-chuva que apresentou numa feira de Almeirim. A partir daí, foram acessórios atrás de acessórios com a marca da empresa de São Brás de Alportel: desde uma mala de cortiça com um forro que é a bandeira portuguesa que ofereceu a Angela Merkel e a Hillary Clinton até à coleira que fez para o cão de Obama, passando por sapatos, cintos e outras miudezas trendy que estão à venda em Nova Iorque, no Reino Unido ou na Alemanha.

"Quando usámos a cortiça, estamos a contribuir para o desenvolvimento sustentável dos sobreiros e, uma vez que as árvores absorvem CO2, também ajudamos a prevenir o aquecimento global", contou a empresária. A cortiça, aliás, é um valioso recurso natural, ressalva a Comissão Europeia: hipoalergénico, leve, impermeável, resistente e, também, um material amigo do ambiente, reciclável e biodegradável.

E a cereja em cima do bolo é que Portugal é responsável por mais de 50% da produção de cortiça mundial. Não é a primeira vez que Sandra Correia chama a atenção de Bruxelas: já em 2011 foi nomeada "Melhor empresária da Europa" pelo Parlamento Europeu e o Conselho Europeu de Mulheres Empresárias.

O que vamos comer em 2015


    
Alexandra Ho, Patrícia Cintra e Telma Miguel Alexandra Ho Patrícia Cintra e Telma Miguel  | 03/02/2015 23:08:07 638 Visitas   


A necessidade de alimentar uma população mundial em rápido crescimento, com uma estimativa actual de sete mil milhões de almas, deixou à indústria agro-alimentar a responsabilidade e liberdade de criar soluções para produzir em larga escala, a baixo custo e com lucro. Foi reduzido o risco típico de milénios de produção agrícola e, por causa disso, criada uma dieta alienígena não só para o homem como para os animais. A cadeia alimentar encheu-se de híbridos. O trigo, pilar do crescimento da civilização ocidental, é hoje o grande interdito, proposto para extermínio.

Cereal killer : trigo, a nova 'besta negra'



Ele está na Bíblia: o 'pão nosso de cada dia nos dai hoje'. Está na Tora: os judeus celebram a Páscoa com pão ázimo. Está na cultura de quase todos os países: chapati na Índia, pita no Médio Oriente, tsoureki na Grécia, bagels nos Estados Unidos. Está na cultura popular: 'como pão para a boca', 'casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão' ou, ainda, 'quem tem fome, sonha com pão'. Como pode um alimento tão profundamente enraizado em tantas culturas (e na mesa de tantas famílias) não ser bom para a saúde?

A questão é controversa e polariza opiniões. Porém, nos seminários médicos e nas revistas científicas o que está em causa não são opiniões mas sim evidências que começam a questionar o sacrossanto trigo. Médicos, investigadores e nutricionistas concordam que a criação de novas estirpes deste cereal, mais resistentes a condições ambientais e a pragas, estão na base de alterações substanciais no código genético do trigo, introduzindo uma nova espécie - o trigo 'anão' - hoje presente em 99% das produções agrícolas.

Segundo William Davis, o médico autor do bestseller Sem Trigo. Sem Barriga. Dietas para quê?, estas novas estirpes foram criadas nos EUA, no Centro Internacional de Desenvolvimento de Milho e Trigo, a partir de 1943, numa colaboração entre a Fundação Rockfeller e o Governo do México, para ajudar a tornar este país auto-suficiente em termos agrícolas. Menos de 40 anos depois, havia milhares de novas estirpes, sendo as mais robustas disseminadas pelos quatro cantos do mundo. A questão, alerta Davis, é que "as proteínas do trigo sofreram uma alteração estrutural considerável com esta hibridização, tendo aparecido 14 novas proteínas que não estavam presentes em nenhuma das plantas de trigo progenitoras. E estas novas estirpes nunca foram testadas em animais ou seres humanos. Estamos a falar em hibridizações que antecederam as modificações genéticas", realça.

Com um 'novo' trigo super-resistente, mais barato e que permite produção em massa, entraram em cena os lobbys dos cereais. José Manuel Boavida, o médico responsável pelo Programa Nacional para a Diabetes, defende que foram eles "que introduziram a ideia que uma quantidade grande de hidratos de carbono - ou seja, cereais - seria a forma mais adequada para uma alimentação equilibrada". O resultado foi que as próprias directrizes de alimentação assimilaram estes pressupostos como verdades absolutas. De acordo com a Roda dos Alimentos (criada em 1977 para servir de bússola aos hábitos alimentares saudáveis), os cereais - incluindo o trigo - devem constituir uma das maiores fatias da dieta, cerca de 28% (ainda assim, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, os portugueses superam esse valor, ingerindo cerca de 31%).

No seminário The Gluten Trilogy, que teve lugar em Lisboa, no passado dia 18 de Janeiro, a comunidade médica interrogou-se se estamos verdadeiramente no caminho certo, e qual o verdadeiro papel dos cereais - e principalmente do trigo - numa população ocidental cada vez mais obesa. Só em Portugal estima-se que 63,8% dos homens e 54,6% das mulheres tenham excesso de peso, segundo um estudo publicado, no ano passado, na revista The Lancet, pelo Instituto para a Avaliação e a Métrica da Saúde da Universidade de Washington (EUA).

"Mas não podemos pôr o problema da alimentação como um problema de escolhas individuais, isso é exigir demasiado às pessoas", diz Manuel Boavida. E lembra: "Os alimentos que temos hoje disponíveis são feitos à base de farinhas que são quase açúcar. Não temos o grão integral, temos um grão muito refinado e depois o que vai acontecer é que vamos ter hidratos de carbono que vão ser rapidamente absorvidos e metabolizados, que constituem uma entrada de energia que não vamos utilizar (porque estamos mais sedentários), e que são indutores de mais fome porque fazem um pico de insulina, que rapidamente transforma esse açúcar em gordura, em ácidos gordos, e a seguir o açúcar baixa e vem a fome novamente. É um círculo vicioso". Para interromper esse círculo, o médico sugere que cada um encontre o seu próprio equilíbrio, com redução dos hidratos de carbono, nomeadamente os cereais. E alerta: "Não estamos a falar de moda ou de elegância, mas de uma questão de saúde".

'Escolham carne ecológica'



Que o excesso de consumo de carne de vaca prejudica a saúde é uma conversa antiga. Mas o mais recente estudo da Harvard School of Public Health, que durante 20 anos analisou os hábitos alimentares e a saúde de mais de 110 mil adultos, diz agora que "qualquer tipo de carne vermelha, em qualquer quantidade, aumenta significativamente o risco de morte prematura". As conclusões são preocupantes, mas Pedro Bastos alerta para o facto de na Europa ainda estarmos longe dos perigos a que estão expostos os norte-americanos. "A legislação nos EUA é mais permissiva, expondo os animais a doses  superiores de hormonas e antibióticos. Logo, os estudos americanos mostram aumento de risco de algumas patologias, como o cancro do cólon". Assim, o que o investigador recomenda é que os consumidores "escolham carne ecológica, em que os animais são tratados com dignidade, andem ao ar livre e pastem em vez de serem alimentados a cereais".

Leite pode sair da alimentação



"Numa dieta saudável as pessoas não devem beber leite - o leite é para as vacas", atira sem contemplação Tom O'Bryan. Já a dietista Joana Oliveira tem uma perspectiva mais apaziguadora de como este alimento foi fundamental no passado, quando o acesso à carne, ao peixe e aos ovos era limitado. "O leite era uma fonte proteica fundamental porque era muito mais barata. Hoje, se as pessoas o quiserem tirar da alimentação, podem fazê-lo porque conseguem ir buscar proteínas a outras fonte. Definitivamente não podemos dizer que o leite é um 'veneno'". Esta visão é partilhada pelo director do Programa Nacional para a Diabetes, que lembra que nos últimos anos era prática comum defender o leite magro. "Neste  momento sabe-se que a gordura diminui a rapidez com que os açúcares são absorvidos. O ponto de partida principal é que a nossa ignorância sobre a alimentação é enorme e que a necessidade de investigação e de conhecimento deveria estar nas mãos das universidades, nas mãos de institutos autónomos, livres de influência dos grandes lobbies alimentares", conclui Manuel Boavida.

Ovos: a comida perfeita?



A Roda dos Alimentos atribui aos ovos e ao leite uma pequena fatia. Em conformidade, habituámo-nos a ouvir que uma quantidade superior a três ovos por semana poderia contribuir para o aumento do colesterol. No entanto, também esta teoria parece ter sido ultrapassada com as mais recentes investigações científicas. A dietista Joana Oliveira esclarece que até agora a tónica estava na quantidade e no tipo de gordura que os ovos tinham. No entanto, chegou-se à conclusão que o tipo de gordura é muito semelhante à das carnes vermelhas, ou seja, gordura saturada. "O que se tem vindo a perceber é que mais do que as gorduras saturadas, são as gorduras hidrogenadas que promovem o aumento do colesterol". As gorduras hidrogenadas são as gorduras produzidas a nível industrial, chamadas 'gorduras trans'. "Nos EUA, que estão mais alerta para esta questão, no rótulo já tem que dizer se aquele alimento tem ou não gorduras 'trans'. Em Portugal isso não acontece e o que diz no rótulo é 'gordura vegetal'. E já se sabe que isso tem influência no aumento da aterosclerose", realça a dietista que alerta que não se deve comer três ou quatro ovos de uma vez, tal como não se deve comer um bife de 200 gramas, mas "se comermos só um ovo até tem menos quantidade de proteína do que um bife de 100 gramas", conclui. Além de gorduras saturadas, os ovos têm também lecitina, relembra Tom O'Bryan, que ajuda o organismo a usar esse colesterol. "E o colesterol é a matéria-prima para fazer hormonas, como o estrogénio, a melatonina ou a serotonina. E é por isso que os ovos são chamados de 'comida perfeita': toda a sua proteína é totalmente utilizável", afirma o médico americano.




Ministra da Agricultura quer rendeiros dos Machados fora da herdade em 2018


Carlos Dias 03/02/2015 - 16:05 

Assunção Cristas não cedeu aos pedidos dos 53 rendeiros que ainda persistem na herdade.
 
Enric Vives-Rubio 


Foi praticamente um monólogo o encontro que esta manhã juntou em Lisboa a ministra da Agricultura e do Mar (MAM) Assunção Cristas e uma delegação dos rendeiros da Herdade dos Machados. O encontro começou às 11h30 prolongou-se por cerca de uma hora. Assunção Cristas deixou claro que os rendeiros "vão ter de sair em 2018" das suas explorações na Herdade dos Machados, frisando que "era tempo de dar o lugar a outros".

 Fernando Patrício, um dos três elementos que compunham a delegação dos rendeiros, de que fazia ainda parte o presidente da Câmara de Moura, Santiago Macias, e uma representante da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), confessou ao PÚBLICO que "foi uma das piores reuniões" em que participou com representantes do Governo.

O rendeiro classificou o encontro com a ministra de "muito frio" deixando antever um futuro conturbado para as cerca de meia centena de famílias de rendeiros que ainda exploram as terras que lhes foram entregues por Sá Carneiro no início dos anos 80 como forma de pagamento de vários anos de salários em atraso que se foram acumulando após a nacionalização da Herdade dos Machados em 1975.

A reunião realizada nesta terça-feira surge na sequência da intimação feita pelo secretário de Estado da Agricultura a 16 rendeiros reformados para que entregassem as terras que exploravam até 31 de Outubro passado.

Os visados movimentaram-se junto dos diversos grupos parlamentares para travar a decisão da tutela e, a dois dias do fim do prazo, o MAM divulgou um comunicado, onde garantia que "face aos elementos invocados pelos rendeiros" os contratos de arrendamento "se deveriam manter em vigor até ao fim da respectiva vigência", em 2018.

Colocados perante a intransigência da ministra que mantém a sua decisão de retirar os cerca de 33 hectares de terra que cada um dos 53 rendeiros ainda explora na herdade dos Machados, Fernando Patrício admitiu que o próximo passo será solicitar uma reunião ao primeiro-ministro Passos Coelho.

SNIRA – DESATIVAÇÃO DE EXPLORAÇÃO DE BOVINOS

IFAP


De acordo com o dever de manter atualizada a base de dados do "Sistema Nacional de Informação e Registo Animal (SNIRA), procedeu o IFAP a um processo de desativação de explorações de bovinos.

Neste contexto, foram desativadas todas as explorações ativas referentes a bovinos que não apresentam registos de atividade, o que leva a supor a inatividade da exploração, designadamente:

Explorações em que se apurou a inexistência de bovinos e de atividade (movimentos de bovinos) desde 1 de janeiro de 2014;
As explorações que cumpriram estes critérios foram desativadas com a data de 30-01-2015.

A reativação das explorações poderá ser realizada mediante solicitação ao IFAP ou aos Serviços Veterinários Oficiais, devendo o detentor fazer prova da manutenção da atividade e do cumprimento da legislação em vigor.

Valor médio de fundos comunitários pago a cada agricultor é de 5600 euros


por Ana Rita Costa
3 de Fevereiro - 2015

A Comissão Europeia publicou um documento sobre a distribuição dos pagamentos diretos da PAC entre os países da UE que revela que, em média, cada agricultor recebe 5600 euros de fundos comunitários.

 
O documento mostra que que em 13 Estados-membros, nomeadamente Portugal, Bulgária, Chipre, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e Roménia, mais de metade dos beneficiários receberam 1250 euros em pagamentos diretos e que apenas em sete países, como a Dinamarca, Alemanha, França, Eslováquia e Reino Unido, mais de 1% receberam mais de 100 mil euros, sendo que o pagamento médio por exploração em 2013 foi de 5628 euros.

Na União Europeia dos 15, mais de um terço dos beneficiários, ou seja, 69%, receberam menos de 5000 euros e cerca de 29% entre 5000 a 50 mil euros, o que supõe que 98% dos benificiários das ajudas da política agrícola comum (PAC) recebem menos de 50 mil euros. Se considerarmos a União Europeia a 27, mantém-se o padrão dos 98% dos beneficiários com menos de 50 mil euros. 

Sabe o que são esponjas vegetais?


por João Barbosa
3 de Fevereiro - 2015

Portugal tem aptidão para a produção de esponjas vegetais. O negócio está a dar os primeiros passos, no Alto Minho. O ano de 2014 correu bem e em abril regressam os trabalhos. A VIDA RURAL falou com um produtor pioneiro na plantação desta cultura em Portugal.

 
O cultivo de esponjas vegetais pode constituir uma alternativa de produção, na generalidade do país. O cultivo é simples mas exigente, refere Paulo Eurico Pereira. Este agricultor, estabelecido na Freguesia de Bico, no Concelho de Paredes de Coura, salienta que o custo de instalação é elevado.

Paulo Eurico Pereira iniciou-se na produção de esponjas no primeiro trimestre do ano passado. O ano de 2014 correu bem, no entender deste agricultor. "Conseguimos concluir a estrutura, plantar, colher, estamos em vias de comercializar antes de passar um ano! É bom".

Com apenas um ano de atividade, qualquer balanço é sempre prematuro. Por isso, vai manter este ano a área de cultivo. Paulo Eurico Pereira assume desconhecer o que será a produção média por hectare dado que este foi um ano experimental.

Este agricultor adianta que a produção de esponjas vegetais possa ser praticada em quase todo o território português, mas com algumas premissas. "Em princípio em qualquer zona com menor altitude é possível cultivar".

O projeto de plantação de esponjas vegetais, foi dinamizado pela autarquia de Paredes de Coura. Na altura da apresentação do projeto à comunicação social, no final do ano passado, Vitor Paulo Pereira, presidente desta Câmara Municipal, revelou que "o projeto nasceu de uma parceria com a empresa galega Esponjas Vegetales – Luffa, situada em Pontevedra, que iniciou a produção depois de mais de três anos de investigação na área da Biogenética". O autarca acredita que este é um produto inovador, com muita potencialidade e capacidade de penetração no mercado, e adiantou que "A autarquia limitou-se a fazer investigação sobre o projeto espanhol e depois aproximou um grupo de empresários portugueses aos espanhóis de Caldas de Rey, o que levou à criação da empresa Esvesport", que está agora dedicada à produção desta cultura no norte de Portugal. Na mesma ocasião este dirigente indicou que o investimento foi superior a 100 mil euros e que este ano deverá permitir a produção de mais de 15 mil unidades.

Fim das quotas pode quadruplicar exportações de açúcar europeias


por Ana Rita Costa
3 de Fevereiro - 2015

O fim das quotas de açúcar anunciado para 2017 pode levar a um aumento na produção da União Europeia e pode colocar os países europeus no topo dos maiores produtores do mercado mundial. De acordo com a consultora Agritel, o fim das quotas pode levar a Europa a quadruplicar as suas exportações de açúcar.

 
Com a reforma da Organização Comum de Mercado (OCM), em 2006, a produção comunitária reduziu cerca de 30% e colocou a União Europeia como o terceiro produtor mundial com 15 milhões de toneladas, depois do Brasil, com 40 milhões, e da Índia, com um total de 25 milhões de toneladas.

Agora, com o aumento do consumo por parte da China e de África, a procura mundial de açúcar poderá aumentar até 2023 cerca de 40%, e segundo a Agritel, isto é uma oportunidade de crescimento para o setor de produção de açúcar comunitário, assim como também para aumentar a presença no mercado internacional.

A previsão da consultora é de que as exportações da UE possam passar dos atuais 1,5 milhões de toneladas para 5 a 6 milhões.

Copa-Cogeca: Agricultores e cooperativas não devem ser penalizadas injustamente com aplicação da nova PAC

03-02-2015 
 


 
O presidente do novo grupo de trabalho do Copa-Cogeca defende que os agricultores e as cooperativas não devem ser penalizadas injustamente com o início da aplicação da nova política agrícola comum durante os primeiros anos da reforma.  

Com o início da aplicação da nova política agrícola comum (PAC), o Copa-Cogeca vai pressionar, ao longo de 2015, para garantir que os agricultores e cooperativas da União Europeia (UE) disponham de tempo para adaptarem-se e que não sejam penalizados injustamente durante os primeiros anos da reforma, afirmou Udo Hemmerling, presidento do novo Grupo de Trabalho do Copa-Cogeca "Pagamentos Directos e Greening".

«O Greening não resulta apenas dispendioso para os agricultores com a nova PAC, mas também algumas perguntas básicas sobre a forma de aplicar as novas normas ficam sem reposta. Contudo, está é crucial quando os agricultores têm que tomar decisões importantes sobre a produção», sublinhando que as normas para aplicar a PAC a nível nacional estão ainda a ser finalizadas».

Os procedimentos e excesso de burocracia no quadro da PAC já se assinalou como uma das principais preocupações para os agricultores e as cooperativas, que asfixiam a inovação e os investimentos. Por isso, o risco de cometer erros involuntários durante os primeiros anos de aplicação será elevado. Por esta razão e porque já é demasiado tarde para facilitar com uma maior clareza sobre as normas, é necessário haver doses de tolerância ao longo dos primeiros anos, declarou Udo Hemmerling.

O responsável destacou a importância de realizar visitar às explorações para apoiar e aconselhar os agricultores para aplicarem as normas do Greening correctamente e alcançar os benefícios ambientais desejados, insistiu Hemmerling.

Na sua intervenção recebeu com agrado o facto do comissário europeu da Agricultura, Phil Hogan, ter lançado um exercício de controlo exaustivo do conjunto da legislação agrícola. «Uma prioridade chave para o Copa-Cogeca será alimentar este exercício e assegurar de que a simplificação seja um êxito. Uma redução dos procedimentos administrativos proporcionava tempo e recursos para impulsionar o investimento, o crescimento e o emprego. A simplificação não deveria alterar o compromisso político e muito menos colocar me risco os objectivos da PAC», afirmou.

Para o presidente também é crucial assegurar aos produtores europeus que as medidas Greening não resultem na retirada de terras de produção. É muito difícil para os agricultores entenderem que a União Europeia deveria optar por reduzir a produção quando o resto do mundo concentra a sua atenção no aumento de produção de alimentos para responder à crescente procura», concluiu.

Fonte: Copa-Cogeca

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Compal tem 60 mil euros para ajudar fruticultores

Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2015
Compal tem 60 mil euros para ajudar fruticultores

Já estão a decorrer as inscrições para a terceira edição da Academia do Centro de Frutologia Compal. Com o objetivo de estimular a inovação na fruticultura nacional, o concurso tem 20 mil euros para oferecer às três melhores propostas.

Numa primeira fase, do total de candidaturas submetidas, 12 empreendedores serão escolhidos para participar na Academia - um programa de formação composto por um conjunto de sessões no terreno, visitas a explorações agrícolas e a centros de experimentação e módulos teóricos, lecionados por peritos do setor.

Numa edição que percorre o país de norte a sul, estão incluídas as seguintes frutas e regiões: Alperce, Ameixa, Ameixa Rainha-Cláudia, Cereja, Clementina, Diospiro, Laranja, Figo, Maçã, Melancia, Melão, Meloa, Marmelo, Pêssego e/ou Pera Rocha; nas regiões - Algarve, Alentejo, Beira Interior Sul, Cova da Beira, Douro, Oeste e Ribatejo). 

O júri da Academia é composto pela Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas, Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural e pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. 

Azeite muito premium


BRUNO LOBO, FORA DE SÉRIE
Ontem 15:00
Um azeite em edição limitada, uma produção de nicho, uma embalagem magnífica e um preço a condizer.
O azeite da Quinta das Tecedeiras lança-se num novo mercado para a produção nacional. Produzido a partir de azeitonas de um olival centenário da Quinta das Tecedeiras, bem no coração do Douro, é "um azeite blend, das variedades madural, verdeal transmontana, negrinha de freixo, entre outras. Complexo, harmonioso e suave, este azeite exibe notas de um frutado ligeiro, de maçã, folha de oliveira e leves sensações de frutos secos, apresentando o doce, amargo e picante de modo bastante equilibrado".
Parecem as notas de prova de um bom vinho, não de um azeite, mas é mesmo assim quando falamos de azeites 'premium'. São pequenas 'nuances' que marcam a diferença, como as azeitonas serem apanhadas à mão e processadas logo em seguida, a baixas temperaturas, para garantir o sabor mais autêntico possível. Não falta sequer um "enólogo" famoso na sua elaboração, no caso Francisco Pavão, um dos grandes especialistas nacionais na área.
Portugal tem muitos e bons azeites, como se sabe mas, ao contrário de países como a Itália, por exemplo, faltam-nos azeites com elevado valor acrescentado. É precisamente este nicho que o azeite da Lima Smith vem preencher. Ou melhor, os azeites, já que para além da Quinta das Tecedeiras, os mesmos produtores lançaram ainda o Quinta da Covela, alargando a oferta de azeite às duas quintas que possuem na região do Douro.
No total, foram produzidas apenas 1.300 garrafas de Azeite Quinta das Tecedeiras e 2.600 garrafas de Azeite Quinta de Covela, disponíveis por um preço de 22, 45 euros para o Tecedeiras e 12,75 para o Covela. Ambas as garrafas são de 500 ml.

Cortiça portuguesa conquista campanha Generation Awake


Por Sandra Gonçalves
Cortiça portuguesa conquista campanha Generation Awake


A Generation Awake distinguiu a Pelcor como um dos exemplos de modelo de negócio baseado na economia circular em Portugal. Esta campanha, desenvolvida pela Comissão Europeia, promove o recurso à economia circular que passa pelo uso sustentável dos recursos e incentiva a mudança na forma de os utilizar: pretende fazer mais com menos. Ou seja, criar mais valor reduzindo, ao mesmo tempo, os recursos utilizados, os custos e o impacto no ambiente.

Com a mira posta na inovação, na sustentabilidade e no design a Pelcor veio revolucionar o conceito do uso da cortiça, segundo a Comissão Europeia. Renovada a cada nove anos, a cortiça é um valioso recurso natural: hipoalergénico, leve, impermeável, resistente e, também, um material amigo do ambiente, reciclável e biodegradável. Portugal é detentor de mais de 50% da produção de cortiça mundial.
 
 
Pioneira do projeto, Sandra Correia, nomeada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu de Mulheres Empresárias «Melhor Empresária da Europa» em 2011, afirma que «quando utilizamos a cortiça, estamos a contribuir para o desenvolvimento sustentável dos sobreiros e, uma vez que as árvores absorvem CO2, também ajudamos a prevenir o aquecimento global».
 
A Pelcor, cujo principal foco é a produção de acessórios em pele de cortiça, alia a modernidade ao design e à sustentabilidade. Apresenta, agora, a sua coleção Primavera/Verão 2015, considerada fresca, trendy e sofisticada.

Rolha de cortiça valoriza o vinho, confirma pesquisa junto de consumidores brasileiros


02 Fev 2015 < Início < Notícias

Pesquisa recente, realizada pela Conecta, em conjunto com o Ibope, sondou os hábitos de consumidores de vinho em São Paulo.

A pesquisa indica que o consumidor vê a importância do engarrafamento proporcional à qualidade do vinho. Dado obtido dos mais relevantes se refere à rolha de cortiça como elemento agregador de valor ao produto. Se um vinho é fechado com rolhas de cortiça, o consumidor tende a percebê-lo como de maior qualidade, em comparação com vinhos com outros tipos de engarrafamento, como rolhas de plástico ou as tampas de rosca (screw cap).
Também para os mais jovens, a maioria também considera o vinho selado com rolha de cortiça como de melhor qualidade. Tanto que, segundo a pesquisa, o consumidor está disposto a pagar entre R$ 13,00 e R$ 15,00 a mais por um vinho cuja rolha seja de cortiça natural. O consumidor acredita, inclusive, que ela ajuda a preservar melhor o sabor do vinho.
O engarrafamento tem tanta mais importância  quanto mais alto é o estrato social. A classe A, por exemplo, que consome vinhos mais requintados e bebe com maior frequência, vê no procedimento de engarrafamento com rolha de cortiça, além de mais qualidade, muito mais charme. O barulho da rolha saindo da garrafa é muito mais atraente do que o ato de abrir uma garrafa com tampa de rosca, ou screw cap. Inclusive, 80% do total de entrevistados acredita que os vinhos nobres exigem a selagem com rolha de cortiça natural.
Sustentabilidade é uma outra questão relevante para 50% dos pesquisados. Este dado é extremamente relevante, pois há uma tendência cada vez mais crescente quanto à consciência ambiental na população. A cortiça é um recurso natural, não poluente e renovável. Trata-se da casca que envolve o sobreiro, um tipo de carvalho abundante em Portugal e no sul da Europa, árvore nobre que não precisa ser cortada. Dela se obtém a cortiça, produto que também é usado em muitas outras áreas, que vão desde a engenharia e arquitetura, onde é empregue como isolante térmico e acústico, até à moda e à engenharia espacial. Recentemente, o material também vem sendo utilizado como alternativa mais ecológica na confeção de pranchas de surf.
O estudo, que ouviu 407 pessoas das classes A, B e C em São Paulo, teve como principal objetivo identificar a preferência do consumidor por algum tipo de engarrafamento específico das garrafas de vinho. Para tanto, foram ouvidas pessoas que tivessem consumido vinho nos três últimos meses. Do total de entrevistados, notou-se que dois terços deles compraram vinho nas duas semanas que antecederam à pesquisa. E dois terços também consomem, em média, vinho uma vez por semana.
 
Fonte: AICEP

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

PORTARIA QUE OPERACIONALIZA O FINANCIAMENTO DO SEGURO DE COLHEITAS NO PDR 2020

Foi hoje publicada a portaria (nº 18/2015) que possibilita o financiamento do novo Seguro de Colheitas para 2015. Este seguro será financiado com fundos comunitários, através da medida 6 "Gestão do Risco e Restabelecimento do Potencial Produtivo" do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020 (PDR 2020), estando também já assegurado o financiamento relativo a 2014. Este financiamento vai permitir continuar a poupar verba ao orçamento de Estado e a liquidar a dívida do antigo sistema (SIPAC) às seguradoras.

Este Seguro de Colheitas está assente em 3 princípios fundamentais: 1º Financiamento Comunitário, pois opera no PDR 2020 e portanto é financiado por fundos comunitários; 2º mais atrativo para os agricultores, pois é composto por uma apólice horizontal que abrange todas as culturas no território continental e por apólices específicas mais adaptadas às culturas e regiões e, 3º mais universal, pois é conjugado com o Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020, isto é, os agricultores que façam seguros terão prioridade e majorações nos apoios às medidas de investimento do PDR 2020.

Segundo o Secretário de Estado da Agricultura, José Diogo de Albuquerque: "Com esta portaria confirmamos a resolução do problema de falência e dívida do antigo sistema de seguros (SIPAC). Os seguros aos agricultores passam a ser financiados com financiamento comunitário. O orçamento de Estado passa a ser consagrado para pagar a dívida do passado. O novo sistema, além de mais barato (por ter financiamento comunitário em vez de nacional) será melhor. E será cada vez melhor, quantos mais agricultores entrarem no sistema. Para isso vamos fazer uma campanha de divulgação a nível regional e nacional de formaa sensibilizar cada vez mais o sector para a importância de fazer seguros e consequentemente protegerem os seus rendimentos.".

O seguro de colheitas está aberto a todas as pessoas singulares ou coletivas, de natureza pública ou privada, que sejam agricultores ativos e que contratem um seguro ao abrigo da portaria nº 65/2014 (Aprova o Regulamento do seguro de colheitas e da compensação de sinistralidade, integrados no Sistema Integrado de Proteção contra as Aleatoriedades Climáticas) publicada em março de 2014. No caso dos seguros coletivos, podem ainda ser tomadores, em representação dos agricultores, as seguintes pessoas coletivas:
 Agrupamentos de produtores e as organizações ou associações de produtores reconhecidas;
 Cooperativas agrícolas;
 Sociedades comerciais que efetuem a transformação ou comercialização da produção segura;
 Associações de agricultores, cujos associados diretos sejam agricultores.
Os níveis de apoio a conceder são os seguintes:
 65% do prémio para contratos de seguro coletivo, para contratos de seguros individuais de beneficiários que tenham aderido a um seguro agrícola no ano anterior, bem como para os contratos de seguro subscritos por jovens agricultores em primeira instalação no âmbito do PDR 2020;
 62% do prémio para os contratos de seguro individuais quando o segurado não tenha aderido a um seguro agrícola no ano anterior.
As candidaturas a este seguro estão abertas em contínuo e podem ser submetidas pelas seguradoras através de formulário electrónico disponível no portal do IFAP, em www.ifap.pt ou do portal do Portugal 2020, www.portugal2020.pt.
02 de fevereiro de 2015

Agricultores que façam seguros terão prioridades nos fundos comunitários

02-02-2015 
 

 
Os agricultores que façam seguros de colheitas terão prioridade e majorações nos apoios ao investimento do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 (PDR 2020), segundo o Ministério da Agricultura.

A portaria que possibilita o financiamento do novo seguro com fundos comunitários foi publicada, esta segunda-feira, no Diário da República e prevê apoios que variam entre 65 por cento do prémio para seguros colectivos, beneficiários que tenham aderido a um seguro agrícola no ano anterior e seguros de jovens agricultores e 62 por cento do prémio para segurados que não tenham aderido a um seguro agrícola no ano anterior.

De acordo com um comunicado da Secretaria de Estado da Agricultura, «os agricultores que façam seguros terão prioridade e majorações nos apoios às medidas de investimento do PDR 2020».

O seguro é composto «por uma apólice horizontal que abrange todas as culturas no território continental e por apólices específicas mais adaptadas às culturas e regiões».

O seguro de colheitas está aberto a pessoas singulares ou colectivas, incluindo agrupamentos de produtores, cooperativas agrícolas, sociedades comerciais que efectuem a transformação ou comercialização da produção segura e associações de agricultores.

Fonte: Lusa

Cortiça portuguesa conquista medalha Generation Awake

02-02-2015 
 

 

A Generation Awake distinguiu a Pelcor como um dos exemplos de modelo de negócio baseado na economia circular em Portugal. Esta campanha, desenvolvida pela Comissão Europeia, promove o recurso à economia circular que passa pelo uso sustentável dos recursos e incentiva a mudança na forma de os utilizar: pretende fazer mais com menos. Ou seja, criar mais valor reduzindo, ao mesmo tempo, os recursos utilizados, os custos e o impacto no ambiente.

Com a mira posta na inovação, na sustentabilidade e no design a Pelcor veio revolucionar o conceito do uso da cortiça, segundo a Comissão Europeia. Renovada a cada nove anos, a cortiça é um valioso recurso natural: hipoalergénico, leve, impermeável, resistente e, também, um material amigo do ambiente, reciclável e biodegradável. Portugal é detentor de mais de 50 por cento da produção de cortiça mundial.

Pioneira do projecto, Sandra Correia, nomeada pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho Europeu de Mulheres Empresárias «Melhor Empresária da Europa» em 2011, afirma que «quando utilizamos a cortiça, estamos a contribuir para o desenvolvimento sustentável dos sobreiros e, uma vez que as árvores absorvem dióxido de carbono (CO2), também ajudamos a prevenir o aquecimento global».

A Pelcor, cujo principal foco é a produção de acessórios em pele de cortiça, alia a modernidade ao design e à sustentabilidade. Apresenta, agora, a sua coleção Primavera/Verão 2015.

Sendo a cortiça um material ecológico e extravagante, a sua combinação com «materiais premium» traduz-se em formas simples e superfícies 3D que representam peças inigualáveis que vão fazer toda a diferença no guarda-roupa, com a vantagem de serem amigas do ambiente.

Fonte: Diáriodigital

O Meu Copo. Um sommelier e uma folha de prova como TPC já feito

A ideia de O Meu Copo é levar o escanção a casa do cliente, metido numa caixa com duas garrafas de vinho

31/01/2015 | 00:01 |  Dinheiro Vivo

Esqueça as dúvidas nos corredores dos supermercados à procura do vinho ideal para o prato que vai servir ao jantar. A O Meu Copo resolve-lhe o problema com um kit mensal e dois vinhos novos, apresentados com honras de presente-surpresa. Explicamos: durante os seis meses que viveu na Suíça - enquanto fazia um curso de empreendedorismo -, Rafael Lemos, 24 anos, conheceu uma startup cujo negócio passava por subscrever um serviço de curadoria de cerveja, entregue ao domicílio.
Na mesma altura pensou que, com o mesmo modelo, mas aplicado ao vinho, podia criar um negócio em Portugal, vendendo caixas pensadas para apreciadores de vinho que não soubessem muito sobre o assunto. De regresso a Portugal, começou a trabalhar na ideia. Escreveu-a primeiro no papel, passou-a para o computador e foi à procura de uma equipa complementar que pudesse juntar-se ao projeto. Juntaram-se à equipa Filipe Castro Matos, economista, o programador André Pintado e o escanção Rodolfo Tristão, responsável pela seleção dos vinhos que integram as caixas.
Em setembro do ano passado, começaram juntos a trabalhar na ideia. Quatro meses depois entregavam as primeiras caixas às mais de cem subscrições. Da ideia à prática passaram cerca de seis meses, "mas não havia dedicação a tempo inteiro. "Se houvesse 100% de dedicação seria mais rápido", garante Rafael Lemos. "Esta ideia, este negócio existem porquê? A indústria dos vinhos é muito fragmentada, existem centenas de rótulos. Quando um cliente vai a um supermercado é inundado de marcas e de opções e, muitas vezes, acaba por escolher a mesma coisa porque é aquilo em que tem confiança.

Produção Setor do vinho abre-se a novos viticultores a partir de 2016


Para produzir vinho atualmente é preciso ter vinha ou comprar o direito de plantar, barreiras que têm fim anunciado para 2016, abrindo caminho à entrada de novos produtores no mercado.

PAÍS Setor do vinho abre-se a novos viticultores a partir de 2016 Lusa
07:00 - 02 de Fevereiro de 2015 | Por Lusa

A partir de 01 de janeiro do próximo ano, o atual sistema de direitos de plantação será substituído por um sistema de autorizações, sendo disponibilizados anualmente 2.400 hectares a quem queira entrar no negócio do vinho, disse o presidente do Instituto do Vinho e da Vinha (IVV) em entrevista à agência Lusa.


Por definir estão ainda os critérios de elegibilidade e de prioridade que irão ser determinantes para a seleção dos candidatos, bem como um eventual limite por viticultor.

"Estamos neste momento a trabalhar nas regras de elegibilidade e de prioridade para a distribuição das novas autorizações, mas não haverá um custo associado", adiantou Frederico Falcão.

O regime de vinha vigente atualmente em Portugal e em toda a União Europeia baseia-se em quotas de plantação, o que significa que para alguém iniciar a atividade vitivinícola é preciso que outro agricultor arranque a vinha.

"Há uma quota estática, se alguém quer plantar, tem que alguém arrancar e vender essa quota", explicou o responsável do IVV.

Este regime tinha fim previsto para finais de 2015, mas os riscos de uma liberalização total dos direitos de plantação de vinha para a estabilidade de mercado levaram a negociar um sistema de autorizações que prevê um crescimento sustentável da vinha.

Uma das alterações prende-se com as quotas, que deixam de ser estáticas.

"Portugal tem uma quota de cerca de 240 mil hectares de vinha, passamos a poder crescer anualmente cerca de 1%, ou seja, aproximadamente 2.400 hectares por ano", afirmou Frederico Falcão.

Outra diferença é o facto de as transmissões passarem a estar vedadas: se hoje em dia um viticultor pode arrancar uma vinha e vender os seus direitos, no futuro já não o poderá fazer.

"Se arrancar a vinha, terá uma autorização válida por um período de três anos, se não aplicar a autorização e plantar vinha esse direito extingue-se. Não o pode ceder, não pode vender a ninguém", acrescentou o presidente do IVV.

O crescimento do setor passará assim a ser feito, não pela compra de direitos a outros viticultores, mas sim concorrendo às quotas que há para distribuir anualmente e que serão geridas pelo IVV através de concursos.

O que significa que não existe, segundo Frederico Falcão, uma abertura total: "A plantação livre traria algum risco de plantações maciças de vinha, de produções muito grandes de vinho", refletindo-se na desvalorização do próprio vinho "por haver, de repente, uma oferta superior à procura", justificou.

Para Frederico Falcão, este acordo que prevê um crescimento de 24 mil hectares em dez anos é "razoável" e permite "crescer de forma sustentável para manter algum equilíbrio de mercado e de preços".

Os 2.400 hectares atribuídos anualmente serão válidos por um período de três anos, devendo os primeiros concursos ser abertos em março ou abril de 2016.

As autorizações serão distribuídas pelo IVV até ao dia 01 de agosto.

Portugal, que tem a segunda produtividade de vinha por hectare mais baixa na União Europeia, tem recorrido a apoios comunitários para substitui vinhas velhas ao abrigo do programa Vitis, com bons resultados.

"As vinhas que têm sido reestruturadas têm sido bastante mais produtivas: produzem mais em qualidade e produzem mais em quantidade", comentou o dirigente do IVV, sublinhando que os fundos estão garantidos até 2018.

No entanto, as novas autorizações não serão elegíveis para este apoio e está ainda por definir se os novos viticultores poderão recorrer a outro tipo de ajudas.

O mesmo acontece com a dimensão das futuras plantações.

"Neste momento não está pensado nenhum limite mas é algo sobre o qual o setor terá de se pronunciar. É possível que venha a ser estabelecido um limite", admitiu Frederico Falcão.

O presidente do IVV adiantou que os direitos de plantação atribuídos através da reserva (direitos que não foram vendidos nem usados para plantação e que caducaram) têm sido limitados a 20 hectares por viticultor.

"Port" produzido nos EUA é ameaça para vinho do Porto


Hoje às 09:48
O acordo comercial que está a ser negociado com os Estados Unidos pode representar uma ameaça para o vinho do Porto, inundando o mercado de garrafas de "Port" americano, alertou o presidente do Instituto da Vinha e do Vinho.
 

LEONEL DE CASTRO / GLOBAL IMAGENSEstados Unidos não reconhecem a Denominação de Origem portuguesa que protege o vinho do Porto


Frederico Falcão reconheceu, em entrevista à agência Lusa, que este tipo de acordos "são vantajosos em tudo o que tenha a ver com a eliminação de barreiras alfandegárias", mas podem colocar dificuldades ao setor do vinho.

"Aquilo que nos preocupa neste acordo com os Estados Unidos prende-se precisamente com a questão do vinho do Porto", disse.

Isto porque os Estados Unidos não reconhecem a Denominação de Origem (DO) portuguesa que protege o vinho do Porto e outros produtos originários de uma determinada região, impedindo utilizações abusivas.

"Nos Estados Unidos, a designação "Port" é considerada semi-genérica (...) e isto é preocupante para Portugal. Simultaneamente, alguns dos nossos designativos de qualidade como "Vintage" ou "Tawny" não são reconhecidos como protegidos", adiantou o presidente do IVV, mostrando preocupação com a entrada de vinhos norte-americanos rotulados como "Port Vintage" ou "Port Tawny" no mercado europeu.

A União Europeia e os Estados Unidos estão a negociar, desde julho passado, a Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (mais conhecida pela sigla inglesa TTIP), que pretende abolir barreiras alfandegárias e regulatórias e facilitar a compra de bens e serviços em ambos os mercados.

Para Frederico Falcão "é difícil prever o que vai acontecer".

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Graziano da Silva é candidato único à FAO

 A eleição acontece em junho. O atual diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o brasileiro José Graziano da Silva, é o único candidato que se apresentou para as eleições da chefia do organismo, que ocorrem em junho. Num comunicado publicado este domingo, a FAO informou que após o encerramento do prazo de candidaturas à diretor-geral do organismo, a única candidatura recebida por parte dos membros da FAO foi a do Governo brasileiro, que propôs a reeleição de Graziano da Silva. A eleição para o posto de diretor-geral durante um mandato de quatro anos, que começará em agosto de 2015, acontece em junho, por ocasião do 39.º período de sessões da Conferência da FAO, órgão máximo de direção da organização. Os membros emitirão o seu voto numa votação secreta, seguindo o sistema de "um país, um voto" e é preciso apenas uma maioria simples para o resultado ser válido.

Comissão da Segurança Alimentar aumenta fiscalização nos talhos


Teresa Correia
29 Jan, 2015, 12:36 / atualizado em 29 Jan, 2015, 12:37

Os parceiros desta comissão reuniram-se depois de um estudo da Deco ter colocado dúvidas sobre a qualidade da carne picada à venda em Portugal.
Mais fiscalização junto dos talhos e retalhistas, partilha de informação e formação são as principais medidas saídas desta reunião da Comissão da Segurança Alimentar.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) insiste que não encontrou problemas na carne que tem fiscalizado, mas aceita o reforço das medidas.

(com Sandra Henriques)

Regadio de Alqueva pode aumentar 55% para 170 mil hectares

A um ano do fim da obra do regadio de Alqueva, lançado em 1995, está decidido que o projeto pode crescer mais 55% em área, passando dos 110 mil hectares previstos desde o início, para 170 mil.

Vítor Andrade |
10:00 Domingo, 1 de fevereiro de 2015
Regadio de Alqueva pode aumentar 55% para 170 mil hectares
 EDIA


A área de regadio de Alqueva pode aumentar dos 110 mil hectares programados desde 1995, para 170 mil. Ou seja, um aumento de 55%.

A notícia foi avançada ao Expresso pelo presidente da EDIA - Empresa de Desenvolvimento das Infraestruturas de Alqueva. José Pedro Salema, que completa 12 meses à frente do projeto, garante que estão criadas todas as condições para que o regadio cresça mais 60 mil hectares, nos terrenos vizinhos do atual perímetro dos 110 mil hectares estipulados.

Ou seja, assim haja procura e vontade de investir e a área regada pode não ficar por aqui. A explicação é simples: quando o sistema de rega foi imaginado há 20 anos, as dotações planeadas apontavam para gastos de seis mil metros cúbicos de água por hectare/ano. No entanto, e como explica José Pedro Salema, "o que hoje estamos a constatar é que as dotações de hoje são metade daquele valor". E dá como exemplo a área regada de olival, onde  se consomem apenas dois mil metros cúbicos de água por hectare, "o que faz baixar muito a média previamente estabelecida".

Pode um documentário sobre vacas mudar os nossos hábitos?

Chamam-lhe a conspiração da indústria da carne e revelam dados que a provam, alegam os realizadores. Já exibido em Portugal, o documentário reabriu a discussão sobre a alimentação sustentável — e até já mudou hábitos
Texto de Ana Maria Henriques • 29/01/2015 - 17:42

Não tem (muitas) imagens que impressionam, ao contrário do que acontece com outros documentários que alertam para a realidade da criação de animais para consumo. São os números, apresentados em hora e meia, que mais chocam quem assiste a "Cowspiracy — A Sustainability Secret". Entre tentativas falhadas de chegar à fala com associações de defesa do ambiente, entrevistados que evitam questões incómodas e especialistas que sublinham o impacto altamente nocivo da exploração pecuária intensiva para a saúde da Terra, Kip Andersen e Keegan Kuhn criaram um documentário "que incentiva as pessoas a agir, sem ser impositivo".
 
A análise é de Rita Silva, presidente da Animal há já 11 anos. "Tenho recebido dezenas de e-mails de pessoas, que me conhecem ou não, que depois de verem o filme ficaram mesmo mudadas, tiveram um clique", diz em entrevista ao P3. No início de Janeiro, "Cowspiracy" foi exibido num cinema de Lisboa, com sessão dupla. A iniciativa partiu de Rita e do apresentador de televisão João Manzarra. A primeira é amiga de um dos realizadores do filme e desde que ouviu falar dele que o queria passar em Portugal. O segundo reconheceu o impacto que ver o documentário teve na sua vida: perante milhares de seguidores nas redes sociais, Manzarra assumiu uma nova dieta baseada em produtos de origem vegetal e vendeu a participação numa petisqueira da qual era sócio, por uma questão de consciência.
 
Sheila Teodoro foi uma das espectadoras no cinema do Saldanha Residence. Já tinha ouvido falar do filme, mas não sabia propriamente o que esperar. Como veterinária, a jovem tinha noção de algumas das consequências ambientais da agro-pecuária mas não estava preparada para os números [vê coluna da esquerda]: "Depois de ver os factos foi fácil mudar". Sheila, que não come carne há perto de 20 anos, abandonou de vez os derivados de origem animal e o peixe. Sente-se bem com esta mudança alimentar — "hoje em dia é tão mais fácil ser-se vegano do que era há 20 anos" —, consequência assumida dos factos revelados por Kip e Keegan. "Para mim, faz todo o sentido, sobretudo depois de saber a percentagem de emissão de gases, o gasto de água na produção de lacticínios e o impacto nos oceanos", enumera.
 
A mesma reacção teve Raquel Graça, designer freelancer de 30 anos: "Tu olhas para aqueles dados e pensas: tenho que fazer alguma coisa para contrariar isto". Assim Raquel pensou, assim o fez: a carne deixou de fazer parte da dieta, bem como o leite de vaca. Reduziu o consumo de queijos e ovos e passou a comprar aqueles cuja origem conhece, com a preocupação de optar por produtos locais — agir localmente para alcançar um impacto global. "Não sou defensora de radicalismos, apenas de agir de forma sustentável. É isso que tenho tentado fazer", explica.
 
Má distribuição dos alimentos produzidos
"Não seria necessário todos deixarmos de comer carne. Seria, isso sim, que todos deixássemos de comer tanta carne", defende a jovem que vive no Porto. Opinião similar tem o presidente da Quercus, Nuno Sequeira, que acrescenta outros dados à discussão. A média anual de consumo de carne está, actualmente, nos 40 quilogramas por pessoa; na década de 60 do século XX, ficava-se pelos 25. "Mais do que discutir se devemos optar por um regime exclusivamente vegetariano ou não, o documentário reitera que todos temos que fazer um esforço para alterar a nossa dieta alimentar", acredita.
 
Ao P3, o Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA) observou ser "fácil concordar" com a redução de ingestão de proteínas de origem animal, mas que esta implicaria "enormes desafios". "Será, sem dúvida, uma revolução global inevitável para a civilização humana, tal como a conhecemos, poder sobreviver", remata. Até porque, de acordo com o filme, uma dieta vegetariana reflecte-se numa diminuição de 50% da pegada de carbono de cada um na Terra.
 
Há estimativas da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) que vão ao encontro desta ideia: é produzida uma quantidade suficiente de alimentos, a nível mundial, para alimentar de forma satisfatória toda a população terrestre. São é mal distribuídos — há 1.500 milhões de pessoas com excesso de alimentos.
 
Podem 51% das emissões globais de gases com efeitos de estufa ter origem na pecuária e em todos os seus produtos derivados, um valor muito superior àquele da responsabilidade de todos os transportes combinados (13%)? Segundo dados da associação World Watch, sim. Mas para a FAO, a percentagem desce para os 18%. A discrepância pode explicar-se, sugere o presidente da Quercus, pelo facto de nas contas da FAO estar apenas considerada a produção e não o transporte, por exemplo.
 
Portugal com elevada pegada hídrica
A dupla de realizadores norte-americanos centrou-se, sobretudo, na realidade do seu país. Mas, e em Portugal? "A nossa realidade é comparável numa outra dimensão", alega Rita Silva, concepção que o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, partilha. "A forma de alimentação dominante nos EUA é uma aberração em termos de carga calórica e de quantidade, levando aos graves problemas de obesidade que todos conhecem. Um exemplo: num restaurante americano serve-se uma costeleta com 700 gramas, o que é impensável em Portugal", afirmou, remetendo para as declarações ao "Expresso".
 
Portugal é dos países europeus com maior pegada hídrica, aponta Nuno Sequeiro: 80% da água consumida é para efeitos de agricultura. A nível mundial, de acordo com o documentário, um terço da água doce da Terra é gasta na indústria da carne e dos lacticínios; o valor médio da União Europeia é ainda mais elevado, chegando aos 46%.
 
Na introdução do filme, Kip conta como "Uma Verdade Inconveniente" (2006), do antigo vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, teve um impacto impressionante na sua vida. Os dados que o Prémio Nobel da Paz de 2007 revelou fizeram com que Kip se tornasse "obcecado pelo ambiente": passou a reciclar absolutamente tudo, a usar a bicicleta como principal transporte, a tomar duches mais curtos e a fechar a torneira na hora de lavar os dentes.
 
Achava que estava a fazer tudo que podia para "mudar o mundo" — afinal, parece que não. Estes gestos ajudam, claro, considera Raquel. Mas, tal como o realizador de "Cowspiracy", também a jovem se apercebeu que um banho mais curto "representava uma coisa mínima". "Isso foi mesmo o choque maior", confessa, porque "não tinha noção dos números": 2500 litros de água são suficientes para dois meses de banhos de chuveiro, mas apenas chegam para a produção de um hambúrguer.
 
Ao não mencionar o impacto da pecuária nas alterações climáticas, Al Gore deixou Kip "desiludido", que juntamente com Keegan trabalhou durante meses para perceber como o assunto está a ser tratado. Associações de defesa do ambiente de nível global recusaram-se a prestar esclarecimentos ou sequer a recebê-los. A Greenpeace — provavelmente a mais conhecida e mediática — foi uma das que declinou. Raquel sentiu-se "muito enganada". "Tu achas que são elas que têm um papel importante em tentar mudar algumas coisas e estão é a encobrir dados, a varrer para debaixo do tapete."
 
Kip e Keegan, que a meio das filmagens viram uma das fontes de financiamento retirar o apoio, recorreram a uma campanha de "crowdfunding" em 2014. Inicialmente pediram 54.000 dólares (47.600 euros), terminaram com mais de 117.000 (15.000 euros). O DVD do documentário pode ser adquirido por perto de 18 euros e a visualização online não chega aos 9 euros. Parte dos objectivos dos dois amigos — revelar a conspiração que acreditam existir na indústria agro-pecuária e pôr as pessoas a pensar sobre o assunto — parece ter sido alcançada.

Produtores de leite são cada vez menos


No Planalto Mirandês chegaram a existir mais de 300 produtores, hoje restam apenas 70
São cada vez menos os produtores de leite no Nordeste Transmontano. Uma diminuição que acompanha a tendência nacional. No Planalto Mirandês chegaram a existir mais de 300 produtores com cerca de 180 mil litros. Neste momento restam 70 produtores que produzem cerca de 40 mil litros por dia. 
O presidente da Associação de Produtores de Leite do Planalto Mirandês, Higino Ribeiro, explica que os produtores estão a procurar actividades ligadas à agropecuária mais rentáveis do que a produção de leite. "A maioria terminou porque a actividade não é rentável. Alguns produtores passaram a criar porcos bísaros, outros a plantar olivais e amendoais, outros dedicaram-se à engorda de novilhos, outros transformaram as unidades leiteiras em explorações de carne", conta o responsável. 
Já o presidente da Agros - União das Cooperativas dos Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, José Capela, visitou recentemente as novas instalações da Cooperativa dos Agricultores de Vinhais, onde se mostrou preocupado com a tendência de concentração da produção de leite no litoral do país. "A produção de leite na região e, principalmente no concelho de Vinhais, já é muito diminuta. Ainda mantemos dois polos com algum peso, na zona de Mogadouro e Chaves. Mas, infelizmente, a produção está a decair, sendo que há concelhos na região de Trás os Montes que já não têm produtores", sublinha o representante da Agros. 
José Capela considera que a forma de os produtores de leite resistirem e enfrentarem a capacidade negocial das grandes superfícies comerciais é ganhando escala para se poderem ter preços competitivos. 

Ministra da Agricultura apoia presença lusa na feira internacional Fruit Logística Berlin 2015

Portugal será o país anfitrião


   O Ministério da Agricultura e do Mar, a Portugal Fresh e a Lidl Portugal convidam a conhecer o trabalho desenvolvido em conjunto no setor hortofrutícola e na exportação de produtos genuinamente portugueses, como é o caso da Pera Rocha. Neste encontro, será ainda apresentado pela primeira vez o programa da feira internacional Fruit Logística Berlin 2015, onde Portugal será o país anfitrião. O encontro realiza-se esta quinta-feira, dia 29 de janeiro às 15h, na Cooperativa Agrícola dos Fruticultores do Cadaval, e conta com a presença da ministra da Agricultura e do Mar, Assunção Cristas, do presidente da Portugal Fresh, Manuel Évora, e do Diretor Geral de Compras da Lidl Portugal, Pedro Monteiro.


Socialistas querem ouvir ASAE e DECO sobre qualidade da carne picada

Actualizado em 28 de Janeiro, às 17:18
Lusa
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ASAE, carne picada, Deco, segurança alimentar
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O grupo parlamentar do PS requereu hoje, com caráter de urgência, a audição da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), depois ser divulgado um estudo que punha em causa a carne picada vendida em talhos e hipermercados.

"Os resultados dos mais recentes testes que a DECO - Associação da Defesa do Consumidor fez à carne picada que é vendida em estabelecimentos de venda ao público, não podem deixar a população tranquila", referem os deputados no requerimento hoje apresentado na Comissão de Agricultura e Mar e que foi aprovado por unanimidade.

Os socialistas lembram que, "no passado recente (2013), a intranquilidade na segurança alimentar foi levantada a propósito do caso da fraude em produtos alimentares processados", evidenciando a necessidade de uma maior fiscalização e maior controle das entidades com a responsabilidade do controlo e segurança alimentar.

"Passados cerca de dois anos, a dúvida na qualidade e segurança alimentar mantêm-se e volta a ser questionada, nomeadamente neste tipo de produtos cárnicos, assim como volta a ser colocada no epicentro a entidade com a responsabilidade de o garantir", lê-se no requerimento.

Também a DECO vai ser ouvida sobre o assunto, sob proposta do PS.

A associação de defesa do consumidor (Deco) divulgou na segunda-feira um estudo que analisou amostras de carne picada vendida em 26 talhos de rua, de mercados e de hipermercados, tendo chumbado todos na conservação, higiene e temperatura de venda da carne de vaca picada a granel, com 23 a adicionarem ao preparado sulfitos, aditivos proibidos por lei.

A ASAE esclareceu posteriormente que os sulfitos detetados em carne de vaca picada a granel vendida em talhos avaliados num estudo da Deco "podem ser utilizados", uma vez que se tratam de aditivos alimentares aprovados como conservantes.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica questionou ainda as metodologias implementadas nas amostras recolhidas pela DECO por "carecerem de informação clara e científica, informação relativamente ao método de colheita de amostras utilizado, método de ensaio analítico (se está ou não acreditado)".

Para a ASAE, "a amostragem realizada (0,4% do total de estabelecimentos de comércio a retalho de carne e produtos à base de carne, em estabelecimentos especializados) é claramente insuficiente, tendo em consideração o universo em causa".

Wine – A Essência do Vinho escolheu e premiou os melhores de 2014


O JMF Moscatel de Setúbal Superior 1911, uma fantástica produção da José Maria da Fonseca e que há poucas semanas foi colocado à venda em leilão, foi considerado o Vinho do Ano 2014 pela revista Wine – A Essência do Vinho, que na noite da passada sexta-feira realizou, no Porto, o jantar de anúncio e entrega de prémios aos Melhores do Ano nos setores do vinho e da gastronomia.

Com 19,5 pontos em 20 possíveis, o JMF Moscatel de Setúbal Superior 1911 foi, de entre as centenas de vinhos provados e avaliados pelo painel de provas da revista, no último ano, aquele que obteve a pontuação mais elevada e que mereceu maior reconhecimento. Foi também a primeira vez que um Moscatel de Setúbal alcançou este prémio.

O Alentejo e a Bairrada estiveram ainda em destaque na cerimónia. Dora Simões, presidente da Comissão Vitivinícola Regional (CVR) Alentejana foi considerada a Personalidade do Ano no Vinho, pelo trabalho e resultados conseguidos na agilização de procedimentos e promoção nacional e internacional dos vinhos daquela região. O galardão de Enólogo do Ano foi atribuído a Luís Duarte, ligado a projetos como a Herdade dos Grous e a Herdade da Malhadinha Nova, entre outros, além de ser

também produtor de vinhos com marca própria no Alentejo.

A Quinta das Bágeiras, de Mário Sérgio, e o projeto Vadio, de Luis Patrão, ambos da Bairrada, foram distinguidos como Produtor do Ano e Produtor Revelação do Ano, respectivamente.

António Lopes, do hotel Conrad, no Algarve, recebeu a distinção de Sommelier do Ano.

A atribuição de prémios estendeu-se fora de portas e, pelo segundo ano consecutivo foi atribuído o prémio Personalidade do Ano no Brasil, agora a distinguir Ciro Lilla, mentor e proprietário das importadoras Mistral e Vinci, além de formador e autor de livros e dvd's sobre vinho.

Reconhecido há vários anos como um emigrante de sucesso em destaque na gastronomia, Carlos Ferreira foi eleito Personalidade do Ano na Gastronomia. Natural de Estarreja, o empresário emigrou jovem para o Canadá, trabalhou no setor da restauração e abriu o já célebre Café Ferreira, um dos mais conceituados e requisitados restaurantes da cidade, onde a cozinha e os vinhos portugueses são tratados com particular carinho.

José Avillez foi distinguido, pela segunda vez, com o prémio Chefe de Cozinha do Ano e o restaurante Pedro Lemos, o novo estrela Michelin do Porto, foi considerado Restaurante Gastronómico do Ano.

O Vinum at Graham's, que integra o projeto de enoturismo das Caves Graham's, em V.N. de Gaia, mereceu o título de Restaurante com Melhor Serviço de Vinhos.

Por fim, Lisboa sucede à cidade do Porto como Destino Gastronómico. A revista Wine – A Essência do Vinho justifica assim o prémio: "Foi em Lisboa que nasceu o fenómeno mais recente do petisco com pinta. É em Lisboa que está concentrada a maior oferta de wine bares. Lisboa, a seguir ao Algarve, afirma-se como a geografia mais concentrada de restaurantes de fine dinning. Lisboa não tem a gastronomia tradicional mais rica do país (essa está no Alentejo e no Minho), mas tem uma oferta eclética que permite percecionar um pouco do que todo o país pode oferecer em termos gastronómicos, do mais tradicional ao mais contemporâneo".

A revista Wine, que estará nas bancas no início da semana, apresenta com grande destaque a festa de distribuição de prémios e mais informação sobre os premiados.