terça-feira, 24 de março de 2015

Identificada nova praga em citrinos do Grande Porto


Identificada nova praga em citrinos do Grande Porto



O Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) identificou recentemente uma nova praga em citrinos na área do Grande Porto, cujo inseto picador-sugador considerado de quarentena provoca "estragos muito graves".
De acordo com um ofício da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), datado do dia 09 de março, o inseto -- psila africana --, "além de provocar estragos diretos, pode veicular uma doença muito grave dos citrinos denominada 'Citrius greening' causada por uma bactéria muito destrutiva" e que faz com que o fruto cresça pouco e se apresente deformado e descolorido.
Contactada pela Lusa, Gisela Chicau, da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, garantiu que o consumo de citrinos recolhidos em árvores afetadas pela praga "não tem qualquer risco para a saúde humana".
Depois de em dezembro do ano passado Espanha ter notificado a primeira deteção desta praga na zona da Galiza, foi levada a cabo uma vigilância suplementar particularmente dirigida à zona norte do país, "tendo sido detetada a presença deste inseto em citrinos isolados em jardins particulares na área do Grande Porto em janeiro de 2015", lê-se no ofício, disponível na internet.
"Da prospeção exaustiva realizada verifica-se que as deteções se circunscrevem à Área Metropolitana do Porto", refere o documento, especificando que a praga foi detetada em diversas freguesias dos concelhos de Gondomar, da Maia, de Matosinhos, do Porto e de Gaia.
A psila africana, que foi "observada pela primeira vez na Europa, em 1994, na ilha de Porto Santo (Madeira)", provoca a deformação das folhas novas, que ficam enroladas acentuadamente para o interior, atrofiadas e amareladas.
Como medida de combate a esta praga de quarentena, a Direção Regional salienta a proibição da entrada no país de material de propagação de citrinos, o corte e queima de imediato dos ramos com sintomas, seguindo-se um tratamento contra as formas hibernantes de insetos e ácaros à base de óleo de verão, tendo cuidado de atingir completamente a copa da árvore.
"As árvores afetadas devem ser sujeitas a monitorização durante o ano, para confirmação da eliminação ou não da praga e continuação de aplicação de medidas para o seu combate", acrescenta a Direção Regional, na nota de divulgação da praga, disponível em http://www.drapn.mamaot.pt/drapn/conteudos/edm/Circular_03_2015.pdf.
Gisela Chicau referiu que qualquer horto e cooperativa dispõem de profissionais habilitados para proceder ao combate desta praga, que implica o uso de inseticidas.
Até ao momento, a praga foi encontrada em árvores de citrinos, na sua maioria limoeiros, nas freguesias de Fânzeres, São Cosme e Valbom (Gondomar), Águas Santas (Maia), Leça da Palmeira, Matosinhos, São Mamede de Infesta e Senhora da Hora (Matosinhos), Aldoar, Nevogilde e Ramalde (Porto) e Arcozelo, Canidelo, Guilpilhares, Madalena, São Félix da Marinha, Valadares e Vilar do Paraíso (Gaia).
"Caso observe sintomas em plantas de citrinos deve contactar a Direção Regional de Agricultura e Pescas da sua região", apela a DGAV no ofício.
O objetivo, concluiu Gisela Chicau, "é delimitar a zona infestada, acompanhar a mancha para ver a sua evolução".
Diário Digital com Lusa

Moçambique quer que agricultores portugueses invistam no país


por Ana Rita Costa
23 de Março - 2015
 
Moçambique quer que a nova geração de agricultores portugueses invista no país. De acordo com Hélder Muteia, representante da FAO em Portugal, o país do continente africano criou recentemente o Centro de Promoção de Investidores, num território em que "dá para plantar de tudo um pouco."

De acordo com Muteia, "há vários regimes agrícolas. Dá para plantar desde chá, soja - que está em forte crescimento - a frutos tropicais e algodão". Para além disso, as terras moçambicanas também permitem a exploração pecuária.

Outra das particularidades de Moçambique, segundo o representante da FAO em Portugal, é que "não se compram terras. A terra é sempre propriedade do Estado, sendo dados títulos de direito de uso e aproveitamento da terra. Os proprietários dos títulos podem depois transacionar o título e as benfeitorias realizadas nos terrenos. No caso de terra virgem é estabelecido um valor pelo DUAT - direito de uso e aproveitamento da terra."

ONU financia projectos em São Tomé e Príncipe com nove milhões de euros

23-03-2015 
 

 
As Nações Unidas vão financiar nos próximos dois anos projectos de combate à pobreza ou desenvolvimento sustentável em São Tomé e Príncipe, no valor de 9,2 milhões de euros.

O secretário-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Comunidades são-tomense, Francisco Fernandes, adiantou a jornalistas que os projectos abrangidos pelo financiamento do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) referem-se à luta contra a pobreza e alcance dos objectivos do milénio, governação democrática e meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

Para que os objectivos sejam atingidos, segundo Francisco Fernandes, «é imprescindível uma liderança forte e apropriação dos planos anuais por parte das autoridades nacionais».

«Nesse sentido, torna-se necessário a eficaz monitorização que se afigura como condição necessária para que os resultados sejam alcançados, isto é, que tenha um impacto na melhoria significativa nas condições de vida das populações mais desfavorecidas e melhoria do sistema de coordenação da base de dados para os parceiros de ajuda ao desenvolvimento», explicou.

O PNUD alerta as autoridades são-tomenses para «uma verdadeira apropriação dos projectos inscritos» para financiamento para que as verbas sejam libertadas.

«Esperamos que no final de 2016 possamos utilizar todos os fundos que foram postos à disposição do Governo» disse António Viegas, representante do PNUD.

Os projectos destinam-se a aplicar regras de boa governação, acesso dos jovens e mulheres aos benefícios da produção, assim como beneficiar as populações mais vulneráveis com os serviços sociais básicos.

Relativamente ao meio ambiente, o financiamento do PNUD deverá permitir também uma melhor gestão da prevenção dos riscos e catástrofes naturais.

Fonte: Lusa

Novo perímetro do Alqueva para regar 14.031 hectares no concelho de Beja

 23-03-2015 
 

 
A empresa gestora do Alqueva vai apresentar na terça-feira, sobretudo aos agricultores beneficiários, o novo perímetro de rega do empreendimento, que entra em exploração na actual campanha de rega para servir 14.031 hectares no concelho de Beja.

Segundo a Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA), a apresentação pública, aberta a todos os interessados, nomeadamente agricultores e proprietários, visa «esclarecer os beneficiários dos processos ligados à exploração» do perímetro de rega de São Pedro/Baleizão/Quintos.

Trata-se de uma área composta pelos blocos de Magra, São Pedro-Baleizão Norte e São Pedro-Baleizão Sul e pelos cinco blocos de Baleizão-Quintos, os quais beneficiam um total de 14.031 hectares servidos por 455 bocas de rega e cerca de 165 quilómetros de condutas, explica a EDIA.

À semelhança do que aconteceu quando os anteriores perímetros de rega do Alqueva entraram em exploração, não serão cobrados os volumes de água usados no novo perímetro no primeiro ano, ou seja, o «ano zero», que «é considerado o ano de testes», explica a empresa.

Actualmente, dos cerca de 120 mil hectares de regadio previstos no Sistema Global de Rega de Alqueva, 73.300 estão em exploração e os 14.031 do perímetro de rega de São Pedro/Baleizão/Quintos começam a funcionar na campanha de rega deste ano, perfazendo um total de cerca de 88 mil hectares de área irrigada.

Os restantes cerca de 30 mil hectares estão em construção com vista à conclusão do empreendimento até ao final deste ano, sendo que os cerca de 120 mil hectares já deverão estar em exploração na campanha de rega de 2016.

Os cerca de 30 mil hectares em construção são relativos aos blocos de rega de S. Matias, Beringel e Álamo, Beja, Barras, Torrão e Baronia Baixo, Baronia e Alvito Altos e Alvito Baixo, Roxo-Sado, Pias, Caliços-Machados e Moura Gravítico.

Fonte:Lusa

Portugal desperdiça mais de 400 milhões de litros de água por dia

23-03-2015 
 

 
Aquele número significa que um em cada cinco litros de água captada, tratada e pronta a ser consumida perde-se pelo caminho e não chega às torneiras, segundo dados da Entidade Reguladora para os Serviços de Água e Resíduos (ERSAR).

No entanto, dois terços dos municípios registam perdas superiores a 19 por cento, enquanto em mais de uma centena são desperdiçados mais de 30% de água e em 45 o valor das perdas é de mais de 40 por cento. Há mesmo cinco municípios onde as perdas atingem valores superiores a 50 por cento, segundo o Público.

No conjunto, os dados mostram que as chamadas «perdas reais», ou seja, a água que se esvai em avarias ou fugas, variam de dois por cento em Boticas a 70 por cento em Murça, ambos no distrito de Vila Real. Mais quatro concelhos têm desperdícios superiores a 60 por cento são: Mação, Arouca, Mourão e Santa Marta de Penaguião.

No outro extremo estão alguns dos maiores sistemas de abastecimento do país. Na maior rede, a da EPAL (Lisboa), a taxa era de sete por cento. Em Oeiras e Amadora, foram nove e em Cascais, oito por cento. Já no segundo concelho onde mais água é distribuída, Sintra, a taxa foi de 24 por cento e no Porto 14 por cento.

Tudo somado, cerca de 155 milhões de metros cúbicos de água das redes de abastecimento em todo o país não chegaram às torneiras, o que equivale a 426 milhões de litros desperdiçados todos os dias.

Fonte: Diáriodigital; Lusa

Copa-Cogeca espera que sejam alteradas condições para conceder pagamentos das ajudas associadas voluntárias

23-03-2015 
 

 
O Copa-Cogeca considera que o plano do comissário europeu da Agricultura, Phil Hogan, para estender o limite dos pedidos de pagamentos da política agrícola comum é um passo na direcção certa, tendo em conta que muitos agricultores não podem cumprir o prazo e as regras, que também devem ser mais claras.

O presidente do Grupo de Trabalho sobre "pagamentos directos e greening" do Copa-Cogeca, Udo Hemmerling, destacou que «este é um passo adiante. Muitos agricultores estão sobrecarregados com a burocracia e as cargas administrativas que surgem com a nova política agrícola comum (PAC). Algumas perguntas fundamentais básicas continuam sem resposta, sobretudo no que diz respeito às normas do greening da PAC», afirma Udo, assinalando que querem a maior simplificação possível das regras agora, em vez de esperar até finais do ano. «Esperamos que o próximo passo seja modificar as condições para conceder as ajudas associadas voluntárias, dentro do contexto dos requisitos de identificação e do registo dos animais, tal e como foi anunciado pelo comissário da Agricultura».

Udo Hemmerling referiu ainda que em «2015 também». Vão trabalhar arduamente para garantir «aos agricultores da União Europeia tempo para se adaptarem e que não hajam cortes dos pagamentos de forma injusta durante os primeiros anos da nova PAC devido a pequenos erros involuntários». O responsável adiantou que têm enviado propostas detalhadas a Phil Hogan nas quais assinalam os âmbitos nos quais a simplificação da nova PAC é crucial.

Por fim, Hemmerling considera que é «importante introduzir iniciativas concretas para simplificar a administração para todos os operadores o quanto antes e que não se aguarde até o final do ano»

Fonte: Agrodigital

Magos Irrigation Systems desafia agricultores a poupar 10% de água

23 de Março de 2015


A Magos Irrigation Systems patrocinou um debate sobre Uso Eficiente da Água, realizado a 12 de Março, em Beja, onde apresentou soluções inteligentes de rega aos agricultores do Alentejo, desafiando-os a poupar 10% de água. Uma proposta que surge em linha com as novas medidas do PDR 2020.
O evento reuniu cerca de 200 agricultores, técnicos e representantes das entidades oficiais no auditório da EDIA, provando o interesse e atualidade do tema do regadio em Portugal.
A Magos Irrigation Systems demonstrou que a rega eficiente é um fator de sucesso na agricultura, sendo para tal fundamental o dimensionamento inteligente do sistema de rega, a escolha dos emissores mais adequados a cada cultura e o recurso a sistemas de informação e gestão integrada em tempo real (variadores de velocidade, programadores, estações meteorológicas e sondas). Subjacente à apresentação, conduzida por Guilherme Vidigal, projetista da Magos Irrigation Systems, esteve um desafio: poupar 10% de água, sem afetar a produtividade das culturas.
Pedro Teixeira, diretor-geral da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), revelou que as intenções de investimento em regadio em Portugal totalizam neste momento 1.000 milhões de euros. Por sua parte, o presidente da EDIA e anfitrião do evento, José Pedro Salema, anunciou que até final de 2015 estarão infraestruturados 88.000 hectares no perímetro de rega do Alqueva e que nas áreas limítrofes existem mais 7.000 hectares com condições de beneficiar da água do Alqueva, mediante pequenos investimentos dos agricultores.
«O potencial de crescimento da agricultura no Alentejo é enorme e os agricultores estão a transitar das culturas de sequeiro para culturas de regadio, algumas bastante inovadoras. A Magos Irrigation Systems abriu uma filial em Beja porque quer acompanhar esta nova dinâmica, ajudando os agricultores a tirar o máximo partido da água disponível», afirma António Gastão, administrador da Magos Irrigation Systems, destacando os ativos estratégicos da empresa: «Temos equipas especializadas no terreno, um sólido know-how técnico e provas dadas da nossa capacidade ao nível do projeto, instalação e assistência técnica a sistemas de rega, trabalhando com algumas das maiores casas agrícolas em Portugal».
Um indicador interessante revelado pelo diretor-geral da DGADR é que 70% da rega em Portugal é realizada através de sistemas sob pressão, o que prova a crescente profissionalização da agricultura nacional.
A expectativa maior do evento recaia sobre a nova medida do PDR 2020 "Uso Eficiente da Água", regulamentada através da Portaria n.º 50/2015 de 25 de Fevereiro. Esta medida prevê apoios aos agricultores que usem sistemas de rega por aspersão, localizada (micro aspersão, gota-a-gota) ou subterrânea, assegurando uma poupança mínima de 7,5% nos consumos anuais da água da rega.

Alexandra Dinis, responsável da Autoridade de Gestão do PDR2020, revelou que a medida está a ser operacionalizada e que as candidaturas aos apoios abrirão em breve, estando a ser definidas as regras para reconhecimento dos "regantes".
Francisco Gomes da Silva, docente do Instituto Superior de Agronomia, que falou sobre regadio público e preço da água, defendeu que o setor agrícola e o Estado têm vantagens em explicar à opinião publica o valor que o regadio representa para a sociedade, ajudando a fixar as populações no território e a gerar riqueza, nomeadamente no Alqueva.

fonte: nota de imprensa

segunda-feira, 23 de março de 2015

Costa aponta Alqueva como exemplo


22/03/2015 - 17:57

Líder do PS defendeu uma gestão descentralizada na visita ao Alqueva a propósito do Dia da Água

O secretário-geral do PS, António Costa, disse este sábado que o Alqueva é "bem ilustrativo do potencial transformador" da água sobre um território e defendeu uma gestão integrada e descentralizada para o projecto.

O Lago de Alqueva "é bem ilustrativo do potencial transformador que a água tem sobre um território", afirmou António Costa, durante uma visita à Amieira Marina, projecto de turismo náutico instalado no concelho de Portel, junto da albufeira.

Nesta sua deslocação a terras alentejanas, no Dia da Água, o líder do PS referiu querer destacar a importância da água, nomeadamente para o desenvolvimento regional. Segundo António Costa, o Alqueva é demonstrativo de como "um investimento público de qualidade é essencial para transformar o território e alavancar e dinamizar o próprio investimento privado".

O líder do PS defendeu que o Alqueva "tem um efeito importante na capacidade de multiplicar o investimento privado, seja no turismo, seja na agricultura, seja nos usos múltiplos que este plano de água oferece neste Alentejo transformado pelo novo lago do Alqueva.".

Costa realçou ainda a importância de o Alqueva ter uma gestão integrada e descentralizada. "A descentralização é da maior importância" salientou, frisando que "um investimento desta dimensão não teria sido feito se não fosse o Estado a investir, mas, depois, tem que continuar a ser acompanhado, a ser regado" e isso tem que ser feito "por quem está nas melhores condições de poder extrair melhor aproveitamento".

Ora isso faz-se com "uma gestão integrada e a verdadeira reforma do Estado não é a reforma que fecha os serviços perto das pessoas, não é centralizar todo o poder de decisão", defendeu.

"É organizarmo-nos de uma forma mais racional, mais inteligente, mais próximo dos problemas e das pessoas e permitindo integrar as diferentes competências", para, "no limite, racionalizar efectivamente o próprio funcionamento da administração", acrescentou.

O líder socialista aproveitou ainda a visita, no âmbito da qual até pilotou um dos barcos-casa da Amieira Marina, para defender que é preciso continuar "a apostar cada vez mais na cooperação transfronteiriça", de modo a "vencer as múltiplas barreiras que, nesta Europa sem fronteiras, ainda vão existindo".

Jovens agricultores e o (Des)Incentivo da Inovação



 10 Março 2015, terça-feira  Bernardo SabugosaPortal Madeira Política Agrícola

A publicação, nos últimos meses, da regulamentação do Plano de Desenvolvimento Rural PDR 2020, levantou algumas questões sobre as opções tomadas.
Uma delas é o impulso que se tem tentado dar à organização da produção.
A Portaria n.º 230/2014 estabelece que os investimentos de empresários ligados a organizações de produtores têm uma comparticipação adicional de 10%. E por sua vez, neste caso para os jovens agricultores, aqueles que se instalem e sejam associados de uma OP beneficiam de um prémio adicional de 5.000€.
O incentivo à organização de produção é louvável. No entanto, tem-se entendido organização de produtores como "organização da comercialização dos produtores" e não como verdadeiro associativismo de produtores da produção, como são em frança os GAEC (Agrupamento Agrícola de Exploração Comum) em que os produtores se juntam para unir esforços, partilhar equipamentos, estruturas e vender concertadamente.
As majorações dos apoios a quem está "agrupado" em Organizações de Produtores implica que quem investe se compromete a escoar a sua produção, maioritariamente, através da organização. Isto é o mesmo que dizer que aqueles que pretendem desenvolver projetos inovadores, com produtos para os quais não existem organizações de produtores, nem podem vir a existir, precisamente pela inexistência de outros produtores, acabam sendo penalizados…
Há muitos micronegócios bem sucedidos em Portugal que não podem ser integrados em organizações de produtores. Produtores únicos, sem concorrentes, regionais ou de produtos especialmente singulares.
Assim, a quem se podem agregar, ou por outro, com quem podem organizar o escoamento, os empresários que investem na produção de morcões (larvas de mosca para alimentação animal), os minhocultores, os criadores de rãs, de forragens desidratadas, óleos essenciais e até os primeiros produtores nacionais de Stévia? Tema da capa da AGROTEC .
A quem se podiam agregar os primeiros e pioneiros produtores de caracóis, a quem agora reconhecemos mérito pelo sucesso da sua iniciativa, mas tiveram, durante muito tempo que navegar isolados? Serem eles pioneiros, e terem que suportar o risco do isolamento, não era já uma dificuldade, ainda deveriam ser penalizados e ter menos apoio do que outros produtores?... Por não haver uma OP à qual se associarem?
Não seria de prever a possibilidade de acesso aos mesmo benefícios e incentivos que os produtores de produtos integráveis em OP's aos produtores agrícolas que, pela inovação e pioneirismo dos seus empreendimentos, possam provar a inexistência de organizações de produtores a que se possam associar?

“Agricultura de Precisão” a caminho do Pleonasmo

 13 Março 2015, sexta-feira  RicardoBraga Investigacao & Desenvolvimento

À semelhança da designação "Agricultura Sustentável" que, dada o carácter intuitivo e incontestável (é inconcebível uma "agricultura não sustentável") se tornou redundante, estamos certos que, em relação a "Agricultura de Precisão", o destino será idêntico. Essa é, com grande clareza, a noção com que se fica, por exemplo, depois de uma visita ao recente SIMA 2015, em Paris.
Apesar de lhe ser dedicada uma área específica, sobretudo com prestadores de serviços e "pequenos" fabricantes de equipamentos, verificou-se um pouco por todo o salão que os "grandes" fabricantes dedicam à AP uma importância central na estratégia de desenvolvimento dos seus produtos.
Também muitos dos "prémios de inovação" do salão estão relacionados com a agricultura de precisão. Isso é garantia suficiente para que a AP não seja apenas uma tendência passageira mas, de facto, uma estratégia de futuro que veio para ficar. Num dos stands foi até possível observar uma charrua de aivecas com uma consola digital associada!
Obviamente que ainda temos um longo caminho a percorrer para a completa integração da AP como prática corrente na tomada de decisão das explorações agrícolas portuguesas.
Mas também não restam dúvidas que os radares dos empresários agrícolas nacionais se começam a orientar nesse sentido. No também recente X Congresso do Milho, a AP teve um painel dedicado, com uma abundante e interessada audiência. As diversas manifestações de interesse demonstradas neste, assim como noutros recentes eventos sobre o tema, são um bom indicador da sua importância crescente.
Em relação à condução assistida e automática por GPS, a mensagem é fácil de passar, as vantagens são intuitivas, tornando a decisão de adoção um processo simples.
Quanto à gestão da variabilidade espacial das culturas/atuação diferenciad /"farm information system", verifica-se que o interesse inicial é normalmente seguido por alguma dificuldade em clarificar tecnologias e sobretudo, modo(s) de "levar à prática". Neste particular, podemos beneficiar da experiência de outros países (com as devidas adaptações) que passaram pelo mesmo processo há alguns anos e com isso ser bastante eficazes, quer nos resultados, quer nos custos.
No entanto, não nos podemos esquecer que enquanto algumas das tecnologias já se encontram no "planalto da produtividade" da "Gatner Hype Curve", outras ainda caminham para o "pico das expectativas exageradas".

In Agrobótica nº 3 (Editorial)

Produção de Alimentos



 13 Março 2015, sexta-feira  ManuelPatanita Tecnologia

Este é um tema recorrente, focado cada vez com maior incidência. Embora o tenha sempre presente, nos últimos dias, em dois eventos aos quais tive oportunidade de assistir, a importância e relevância do tema ficaram mais fortemente vincadas. No dia 5 de fevereiro, em Tours (França), realizou-se a 17ª Jornada da Fileira do Trigo duro («17ème Journée Filière Blédur») e no dia 11 e 12 deste mesmo mês decorreu em Lisboa o X Congresso Nacional do Milho.
Em qualquer destes eventos, o problema da necessidade crescente da produção de alimentos para satisfazer as necessidades da população mundial, bem como a sua distribuição/comercialização, estiveram em plano de destaque.
No evento que ocorreu em França, a comunicação intitulada "Trigo no coração das questões geoestratégicas globais" proferida por Sébastien Abis (CIHEAM – Centre International de Hautes Études Agronomiques Méditerranéennes / IRIS – Institut de Relations Internationales et Stratégiques) foi particularmente interessante, mas também preocupante. A importância da produção endógena de cada país, de modo a diminuir a sua dependência externa é determinante, não só do ponto de vista económico, como estratégico. Considerando o que foi referido, gostaria ainda de destacar o seguinte:
vivemos uma nova geopolítica dos recursos, decorrente de desigualdades socioeconómicas e espaciais e falhas dos sistemas de governança. Por outro lado, o crescimento económico e da população e os problemas ambientais ao nível dos solos, da energia e especialmente da água, com riscos de escassez, revoltas sociais, anseios e conflitos;
assistimos a grandes desigualdades globais no trigo; de 1914 a 2014 a população mundial foi multiplicada por 4, enquanto que o consumo e produção de trigo se multiplicou por 7. A produção tem respondido à procura, mas entre 1998 e 2013, um ano em cada dois, o consumo foi superior à produção. O trigo ocupa 225 milhões de hectares, o que equivale a 15% das terras cultivadas e à superfície da Argélia. Dez países suportam 80% das terras de trigo e 85% da produção. A Europa Comunitária (28 países), em conjunto com a China, produzem mais de 100 milhões de toneladas (40%) do total mundial, mas com grande disparidade de rendimentos e variações interanuais;
a procura de trigo duplicou depois dos anos 70, sendo consumido atualmente por 2,5 a 3 mil milhões de pessoas. Em 2050, o consumo per capita anual será de 160 kg de cereais, com um expectável maior consumo na Ásia e na África, o que se poderá traduzir numa necessidade de produção de mil milhões de toneladas;
atualmente temos 1,8 mil milhões de jovens entre os 10 e os 24 anos, sendo que 90% vivem em países em vias de desenvolvimento;
o comércio é necessário porque a produção está concentrada. Hoje, um homem em seis depende dos mercados internacionais para cobrir as suas necessidades alimentares e, em 2050, será metade da humanidade. Como tal, precisamos de produzir, preservar, inovar e repartir.
Para Sébastien Abis é uma grande sorte para um país ter a possibilidade de produzir trigo. O orador referiu várias vezes que era muito importante que os políticos e a população francesa tivessem bem presente a sorte que têm em ser um país produtor de trigo (até comparando à sorte que é um país ter petróleo…).
Na comunicação que apresentou no X Congresso Nacional do Milho intitulada "Os novos desafios que se colocam à agricultura mundial", Hélder Muteia, Representante da FAO em Portugal/CPLP, adicionou mais alguns elementos que merecem ser assinalados. A relação entre a demografia e alimentação em 2050, aponta para o seguinte:
a população mundial atingirá 9,2 mil milhões de pessoas (70% da população urbana);
aumento da procura de alimentos, de 2,1 para 3 mil milhões de toneladas de cereais e de 270 para 470 milhões de toneladas de carne;
60% de aumento global da produção agrícola;
apenas 20% de potencial expansão sustentável dos terrenos agrícolas.
Por outro lado, os sistemas alimentares modernos caracterizam-se por:
maior produção alimentar da história;
má distribuição (falta para uns, excesso para outros);
maior pressão sobre os recursos naturais (água, solo e biodiversidade);
alargamento da cadeia de valor (agroindústria);
1/3 dos alimentos produzidos é desperdiçado.
Perante estes elementos e considerações não há dúvida de que se torna imperioso aumentar a produtividade (novas variedades), conquistar terrenos não utilizados devido a stresses abióticos (biotecnologia), diversificar a produção, utilizar de forma mais eficaz e sustentável os recursos naturais, bem como melhorar a eficiência de utilização fatores de produção (agricultura de precisão, robotização).
O caminho que é necessário percorrer para atingir estes objetivos será obrigatoriamente assente num trabalho de intensa cooperação entre todos os agentes das fileiras (produção, investigação e indústria), desenvolvendo projetos de investigação aplicada com transferência de conhecimentos e tecnologia, por forma a uma utilização racional e eficaz do dinheiro público e privado disponível para o efeito.
In Grandes Culturas nº 4 (Editorial).

Todos podemos ser agricultores?



 10 Março 2015, terça-feira  João DuarteBarbosa Política Agrícola

A imagem veiculada dá-nos a ideia de que o futuro de quem aposta na agricultura é (e será) risonho, que a agricultura é para todos, quando, na realidade, não o é.
Nos últimos anos, tem-se assistido a um crescente interesse pela produção agrícola em Portugal, deixando de ser visto como o parente pobre dos 3 Setores Económicos (como o era na altura da adesão à UE, onde existia um inexplicável sentimento de vergonha por sermos um país com produção agrícola) para passar a ser visto como o El Dorado da rentabilidade empresarial. Uma das fileiras desta nova geração de agricultores tem visto na produção dos chamados pequenos frutos o ex-líbris desta "febre", com o mirtilo como expoente máximo desta nova forma de se "ganhar muito dinheiro". Mas o aumento súbito do interesse nesta fileira do setor agrícola não aparece apenas pela "larga margem de crescimento" e pelo "potencial económico dos pequenos frutos", que de facto o têm, mas também por ser um cultivo "fácil", com retornos do investimento mais "imediatos" do que os obtidos em outras fileiras do setor, o que já não será bem desta forma.
Esta nova onda tem sido também sustentada pelos apoios à instalação de jovens agricultores, que chegam a apoiar até 80% do valor do investimento inicial. Porém, toda esta conjuntura aparentemente favorável - e partindo do principio que assim o é - implica sempre um conhecimento bastante profundo das ciências agrárias e do(s) produto(s), para que se consigam máximos de produtividade e rentabilidade, existindo também fatores externos que poderão determinar de forma crucial o sucesso da exploração.
Porém, na opinião pública, a imagem veiculada dá-nos a ideia de que o futuro de quem aposta na agricultura é (e será) risonho, que a agricultura é para todos, quando, na realidade, não o é.
É premente informar o putativo agricultor dos riscos que este está a correr e que, apesar de todas as ajudas ao investimento, se ele fracassar, irá, garantidamente, perder dinheiro. Para além do tempo investido: se o objetivo de se produzir um produto agrícola é gerar rentabilidade suficiente, não é possível fazê-lo em part-time. Em alguns casos, serão precisos dois "full-times". É intrigante o facto de ainda não conseguirmos saber o que está a acontecer a muitos dos projetos que arrancaram, mesmo depois do primeiro Programa de ajudas (PRODER 2007-2013) já estar concluído: surpreendentemente (ou não), o Governo ainda não publicou até à data nenhuma estatística relativa ao número de desistências/falências/sucessos de projetos que avançaram nestes últimos anos. Estes dados seriam uma boa ferramenta de auxílio para os novos interessados, não só para se conscientizarem acerca dos riscos, mas também para ajudar a perceber o que falhou em projetos anteriores, de forma a ajudar quem agora se inicia.
Antes de o potencial agricultor pensar no retorno económico que este negócio lhe poderá trazer, deverá sim informar-se a fundo, nas mais variadas fontes mas, principalmente, junto das mais importantes: de outros produtores, que lhes poderão contar acerca da suas experiências e o que implica, na realidade, ser agricultor.
Existem, garantidamente, excelentes oportunidades de investimento e de criação do próprio emprego no setor agrícola, mas estas sorrirão apenas para alguns, não para todos.

Figo-da-índia ganha terreno no país e exportação pode chegar em 2016


 17 Março 2015, terça-feira  AnaClara Pequenos Frutos
figo da índia

Em Portugal o figo-da-índia era até há pouco tempo desconhecido da maioria dos cidadãos. Mas, desde 2009, que a planta começou a ganhar terreno, quando alguns produtores descobriram o seu potencial económico. Nesse ano foi instalado em Sesimbra o primeiro pomar ordenado. Dois anos depois nascia uma associação para defender a fileira. Cultivado um pouco por todo o país, é no Algarve que assume maior expressão ao nível de área plantada. Com diversas aplicações (gastronomia, cosmética ou imobiliário), pensa-se agora numa estratégia de exportação que deverá arrancar em 2016.

Fotos: APROFIP

Mário Nunes, presidente da Associação de Profissionais de Figo da Índia Portugueses (APROFIP), em entrevista ao Agronegócios afirma que a «consciencialização por parte dos portugueses, de que o figo-da-índia representava um potencial económico a aproveitar, deu-se em 2011», altura em que a APROFIP começou a ser constituída e a desenvolver iniciativas para a promoção e valorização da planta.
Normalmente, o figo-da-índia integra as memórias de muitos cidadãos no seu estado selvagem, sendo que era comum observá-lo à beira dos caminhos nas zonas rurais. Cenário que há seis anos a esta parte se alterou, com o seu aproveitamento na agricultura e para fins comerciais.
Para se perceber melhor como a planta começou a ser aproveitada em Portugal e integrar um verdadeira fileira, é preciso recuar a 2009, quando foi instalado em Sesimbra o primeiro pomar ordenado, com uma área aproximada de 0,8 hectares (ha) para exploração de frutos.
Um ano mais tarde surge outra iniciativa semelhante em Portalegre, «mas com o objetivo de se obterem cladódios (um tipo de caule que cresce paralelamente ao chão) como forragens, para alimentação de bovinos», recorda Mário Nunes.
Só em 2011, depois da realização do primeiro concurso de "Aromas e Sabores com Figo-da-Índia" em Martim Longo, concelho de Alcoutim (Algarve), foi possível assistir-se a uma maior divulgação da Opuntia Ficus Indica (nome científico da figueira-da-índia).
Estava dado o primeiro passo para a criação da APROFIP (a 4 de abril de 2012), nomeadamente com a manifestação por parte de muitos jovens e agricultores em apostarem na cultura desta planta.
Plantações em todo o país

Segundo Mário Nunes, existem plantações de figueiras-da-índia em todo o território nacional. No entanto, «as condições propícias para a produção de frutos com maior qualidade, são a luz e calor do sol em zonas com índices elevados».
«Todas as regiões do país onde existam essas condições climatéricas, a qualidade do fruto assume maior relevância», adianta o dirigente da APROFIP, acrescentando que os «terrenos propícios» são os pobres a nível agrícola, com boa drenagem e prolongada exposição solar.
«Apesar de se desenvolver sem regadio, o desenvolvimento desta planta é mais lento, tendo em conta que o período do ano em que a planta tem melhores condições para crescer, é a primavera e o verão e se não tiver regadio, começa a desidratar-se, com as elevadas temperaturas, e entra em estivação, ou seja, a planta não tem crescimento enquanto não voltar a recuperar a sua seiva natural, o que só irá acontecer no outono, logo que caia a pluviosidade suficiente para os solos ficarem húmidos», explica Mário Nunes.
Plantação de figo da índia
Actualmente os associados da APROFIP são responsáveis por cerca de 150 ha de pomares ordenados, sendo a variedade de polpa vermelha a que tem maior expressão, seguida da polpa laranja e em menor quantidade a verde.
Em termos geográficos o distrito do Algarve é o que conta com maior área plantada, seguido de Castelo Branco, Évora, Portalegre, Beja, Santarém, Leiria, Bragança, Viseu, Setúbal, Lisboa e Guarda.
«Relativamente a outros produtores (não associados da APROFIP) calcula-se que tenham cerca de 100 ha. de pomares ordenados e as suas áreas de localização, serão idênticas às referidas anteriormente», diz Mário Nunes.
De acordo com a APROFIP, em 2013, a produção de frutos, com origem em pomares, «não teve grande expressão em termos quantitativos, entre 20 a 30 toneladas».
Em 2015 espera-se que este volume seja de aproximadamente 60 a 80 toneladas já que a maioria dos pomares têm um a dois anos de vida.
Perfil do produtor

Mário Nunes refere que a faixa etária da maioria dos produtores de figo-da-índia situa-se de 25 a 40 anos, sendo que «a maioria têm formação académica em várias áreas, engenheiros, arquitetos, professores, advogados, geógrafos, etc.».
«Também muitos produtores, com mais de 40 anos de idade, se têm dedicado à exploração de figo-da-índia», esclarece.
Quanto à comercialização, o dirigente refere que a APROFIP tem sido contactada para o fornecimento de frutos para consumo em fresco e transformação, sementes de figo para extracção de óleo, nopal (cato) em pó.
No entanto, «não se tem concretizado o negócio, por défice de volume, com capacidade de resposta a essas solicitações», esclarece.
figo da índia 
Quanto a aplicações do figo-da-índia são muitas e variadas. A planta e o seu fruto são utilizados para diversos fins, como sumos, compotas, geleias, pastelaria, doçaria, licores, aguardentes, iogurtes, gelados, óleo cosmético, dietas de emagrecimento, forragens para pecuárias, fabrico de biodiesel, construção civil e decoração de mobiliário.
E, com o crescimento da fileira em Portugal, Mário Nunes realça que «os portugueses, principalmente os jovens, estão a aderir ao cultivo desta planta com muita determinação e até mesmo os picos não são um entrave».
«A maioria deles referem que o país ou outros familiares têm terrenos "abandonados" e gostariam de os rentabilizar, já que se trata de uma planta que não é exigente em termos de investimento, aplicação de fitossanitários ou em manutenção», frisa.
Exportar sim, mas com qualidade

Para Mário Nunes, o figo-da-índia português, devido às condições edafo climáticas existentes em Portugal, «poderá ser um dos melhores do mundo e se houver uma imagem de marca cuidada e o necessário marketing, acrescido da respetiva certificação biológica, essas qualidades assumem maior valor».
«Quando existirem produções de frutos, em escala industrial, a exportação deve ser a grande aposta da APROFIP e, nesse sentido, está já a trabalhar para que, a partir de 2016, possa actuar com sucesso, nessa sua missão», afiança o responsável.
Entre outros eventos de promoção da planta, a APROFIP organizou o I Festival Nacional do Figo da Índia (em outubro de 2012), na Escola de Hotelaria em Portimão, participou na Feira Salone Internazionale del Gusto e Terra Madre, em Turim, em outubro 2012, na Biofach, Nuremberg (2013 e 2014), apoiou a organização do I Encontro Nacional do Figo da Índia em Évora (em abril de 2014) e participou em diversas feiras e certames dedicados à planta por todo o território nacional.
No início de Fevereiro deste ano marcou ainda presença recentemente na Fruit Logística, em Berlim, com o objetivo de conhecer a realidade dos mercados internacionais do figo-da-índia e ajudar os seus associados no escoamento das próximas produções de figo-da-índia.
Recorde-se que a figueira-da-india (Opuntia ficus-indica) é uma espécie da familia Cactaceae, com origem e na região central do Mexico, sendo que pode ser encontrada em vários sistemas agrícolas de várias regiões do mundo.
A planta adapta-se particularmente bem em zonas semi-áridas, caraterizadas pela seca, chuvas erráticas e solos pobres sujeitos a erosão.
Na família Cactaceae a espécie Opuntia ficus-indica é considerada a mais importante do ponto de vista económico, sendo cultivada em mais de 20 países, com destaque para o México, Sicília, Argélia, Chile, Brasil e Norte de África.
Na Europa, a Itália e o principal produtor de fruto com uma área plantada dedicada de 3500 ha e uma produção total de 70 mil toneladas de fruto.  

Leite: fim das quotas pode levar ao fim de mais explorações em Portugal



 22 Março 2015, domingo  Política AgrícolaAgropecuária

O fim das quotas leiteiras acontece a 1 de abril e receia-se que possa levar ao fim de mais explorações em Portugal.
A nove dias do fim das quotas leiteiras, os preços vão diminuir no que concerne à produção, mas o consumidor final não será afetado. O setor receia que este seja o fim de mais explorações em Portugal.
Durante 22 anos, a produção de leite na Europa era regulada por um sistema de quotas, que equilibrava a produção de cada país. No entanto, durante esse período foram perdidos 54 mil produtores, que acabaram por não afetar a produção, sendo que em termos globais Portugal é autosuficiente. Mas a partir de 1 de abril tudo irá mudar.
Os produtores nacionais acreditam que isto não vai ser bom. «Portugal trabalhou sempre para o mercado interno e, dadas as condições, não conseguimos preços apetecíveis para o exterior. Por outro lado, os países do Norte da Europa, grandes produtores, e também a Polónia com potencial, quiseram sempre o fim das quotas, que sentiam como um colete de forças», explica a Federação das Cooperações de Leite e Laticínios (Fenalac).
Para o secretário-geral da Fenalac, Fernando Cardoso este poderá ser mesmo o fim de mais explorações em Portugal.
Já a Associação dos Industriais de Laticínios (ANIL) acredita que, "em dois a três anos, a produção passe para o Norte da Europa e países bálticos, e os países do Sul serão tendencialmente prejudicados".
O facto de se passar a produzir mais leite, poderia significar uma diminuição de preços para o consumidor final, mas isso não irá acontecer. No final os produtores acreditam que ninguém na União Europeia irá ficar bem com esta medida.
Fonte: Jornal de Notícias

domingo, 22 de março de 2015

Ajudas diretas em 500 euros Candidaturas facilitadas com entrega do Pedido Único.



Por Raquel Oliveira 

Os pequenos agricultores vão poder contar com um apoio mínimo de 500 euros por exploração, de acordo com as novas regras da Política Agrícola Comum (PAC). As candidaturas para as ajudas diretas poderão ser feitas até dia 15 de maio, segundo o calendário divulgado pelo Ministério da Agricultura. O Governo anunciou já a abertura ao primeiro pilar da nova reforma da Política Agrícola Comum às medidas agroambientais e de apoio às zonas desfavorecidas do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2020. O acesso a estes apoios comunitários está facilitado com o Pedido Único, um formulário que pode ser preenchido diretamente no portal do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, ou numa das salas de atendimentos existentes para o efeito. O Pedido Único abrange o Regime de Pagamento Base, o Regime da Pequena Agricultura, os apoios ligados à produção, bem como determinadas ajudas ao desenvolvimento rural, como é o caso das Medidas de Apoio às Zonas Desfavorecidas e as Medidas Agroambientais, que incluem apoios à agricultura biológica, produção integrada, culturas permanentes e pastoreio intensivo. O envelope financeiro previsto para este ano ascende a 565 milhões de euros. Recorde-se que também já estão abertas as candidaturas ao Programa de Desenvolvimento Rural para os jovens agricultores entre os 18 e os 40 anos. Os apoios variam entre os 15 mil e os 31 250 euros, embora possam subir para investimentos superiores a 55 mil euros. Segundo o Ministério da Agricultura, a nova Política Agrícola Comum "traz ferramentas de apoio ao setor que irão permitir conseguir os objetivos de crescimento da balança comercial até 2020, melhorar a concentração de oferta e garantir agricultura em todo o território". 

Criadores do Porco Alentejo “frustrados” com novo quadro de apoio


Rádio Pax - 20/03/2015 - 00:08

Criadores do Porco Alentejo "frustrados" com novo quadro de apoio

    
A Associação de Criadores do Porco Alentejano (ACPA) considera que a falta de apoios à produção de suínos no novo quadro comunitário pode ser "um grande travão ao desenvolvimento da raça a médio prazo".

Nuno Faustino, presidente da Associação, falou à Rádio Pax no âmbito da Feira do Porco Alentejano que arranca hoje em Ourique e expressou as preocupações dos produtores.
No entender do presidente da ACPA, o "Porco Alentejano está muito mal tratado" no novo programa de apoio ao desenvolvimento rural, o PDR 2020.

"O porco, comparativamente com outras espécies pecuárias como os ovinos, os bovinos e os caprinos, é muito menos apoiado", diz Nuno Faustino.

O mesmo responsável acrescenta que os produtores estão "frustrados" e que a falta de apoios pode levar ao desinvestimento na produção de suínos, com reflexos no desenvolvimento da raça que se vão sentir a médio prazo.

Ministra planta árvores para reflorestar áreas ardidas


21/3/2015, 16:53
A ministra da Agricultura plantou, este sábado, várias árvores em Vale de Cambra, numa iniciativa de reflorestação de áreas ardidas durante a qual apelou a parcerias entre pequenos proprietários.


Assunção Cristas apelou a parcerias entre pequenos proprietários e à diversificação da economia florestal
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A ministra da Agricultura e do Mar plantou, este sábado, diversas árvores em Vale de Cambra, numa iniciativa de reflorestação de áreas ardidas durante a qual apelou a parcerias entre pequenos proprietários e à diversificação da economia florestal.

Assunção Cristas começou por inaugurar a nova Rota dos Moinhos de Paraduça, constituída por cinco engenhos recuperados pela Junta Freguesia de Arões após um investimento de 15.000 euros, financiado pelo programa LEADER +.


Em seguida, a ministra circulou pelo casario rural da aldeia, experimentou iguarias locais ao som das cantadeiras locais e depois, com três dos seus filhos, deitou literalmente as mãos à terra para com eles plantar cerca de 15 árvores em parte dos quase três hectares de terrenos baldios que arderam em Paraduça em 2006 e 2010.

"Se for a contabilizar as minhas árvores e as dos meus filhos, nós já superamos a quota de participação", contou Assunção Cristas à Lusa, por altura da sua 13.ª árvore. "Temos que deixar algumas para serem plantadas pelos voluntários", acrescentou, em tom de humor.

A iniciativa da Câmara Municipal de Vale de Cambra e do Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta envolve hoje 600 voluntários da comunidade regional e ainda os 500 participantes da prova de BTT "GPS Epic".

"A plantação de árvores é uma fonte de benefícios para a sociedade, não só do ponto de vista económico, mas também do ambiente", defendeu Assunção Cristas, referindo-se, por exemplo, ao sequestro de oxigénio e à filtração de água.

A governante realçou que a tutela tem reservados para ações nessas área 550 milhões de euros ao abrigo do PDR 2020 – Programa de Desenvolvimento Rural do Continente e, nesse contexto, apelou a que os pequenos proprietários estabeleçam parcerias entre si no sentido de "defenderem a floresta em conjunto".

"É importante canalizar verbas para isso", afirmou a ministra. "A nossa intenção é também diversificar aquilo que se retira das florestas [para efeitos de comercialização], porque a sua riqueza não é apenas a madeira e também o mel, as plantas, as ervas", acrescentou.

Para esse efeito, a técnica florestal da autarquia de Vale de Cambra apontou como essencial a criação de zonas de compartimentação florestal que, em caso de incêndio, ajudem a delimitar o fogo.

"Esta área onde estamos a plantar hoje já ardeu duas vezes e por isso é que escolhemos para aqui espécies locais, autóctones: sobreiro, medronheiro, carvalho negral, carvalho roble e bétulas", explica Vera Silva. "Estas árvores são folhosas, menos inflamáveis, e isso significa que, em caso de incêndio, representam uma redução de matéria combustível", complementa.

Assunção Cristas observou que diversas entidades nacionais estão já a executar operações de manutenção nos terrenos florestais, na habitual estratégia de prevenção da época de incêndios.

"Temos, aliás, verbas e fundos para apoiar essas atividades e muitas delas são financiadas a 100%", realçou.

Agroalimentar: Governo conclui reestruturação dos laboratórios do Estado



 21 Março 2015, sábado  TecnologiaIndústria alimentar

O secretário de Estado da Alimentação e Investigação Agroalimentar quer concluir a reestruturação da rede de laboratórios até dezembro de 2015 e anunciou um investimento de cinco milhões de euros para compra de equipamentos e transferência de instalações.
Nuno Vieira e Brito, que apresentou a 20 de março a Estratégia do Ministério da Agricultura e Mar para a Investigação e Inovação Agroalimentar e Florestal no período 2014-2020, salientou que o investimento de um milhão de euros na compra de equipamento para o laboratório de Vairão serve para «deixar de fazer análises nos laboratórios ingleses», permitindo maior independência do ponto de vista da saúde animal.
Os restantes quatro milhões de euros destinam-se a apoiar a saída do laboratório de Benfica para Oeiras e a financiar as obras de adaptação necessárias.

A Estratégia apresentada aponta para o desenvolvimento de dois 'clusters' importantes (agroalimentar e florestal), crescimento dos protocolos e projetos de parcerias internacionais de investigação e desenvolvimento (mais 10%/ano até 2020) e aumento da produção científica.

O Governo pretende também aumentar os resultados da exploração de patentes e propriedade intelectual em 10%, passando de 50.000 euros em 2013, para 97.000 euros em 2020 e criar dois centros de competência por ano, para chegar aos 10 em 2020.
O volume de financiamento contratualizado em investigação e desenvolvimento nas áreas agroalimentar e florestal deverá crescer para 12,500 milhões de euros em 2020, face ao valor de referência de 10,150 milhões em 2013, e o volume de financiamento executado de 2,6 para 3,3 milhões de euros.
Quanto ao volume de negócio contratualizado por entidades privadas estima-se que aumente de 1,5 para 2,9 milhões de euros, passando o número de projetos executados de 31, em 2013, para 60, em 2020.
O Programa de Desenvolvimento Rural (PDR2020) conta com 100 milhões de euros para apoiar a investigação científica e tecnológica e a inovação, tendo sido já apresentados 30 projetos, o que Nuno Vieira Brito classificou como «um bom prenúncio de toda esta atividade».
Fonte: Lusa

sábado, 21 de março de 2015

Cinco pesticidas "possível ou provavelmente" cancerígenos

Pesticidas foram classificados pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro. Por Lusa Cinco pesticidas foram esta sexta-feira classificados como "possível ou provavelmente" cancerígenos para o homem pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Cancro (IARC), estrutura da Organização Mundial de Saúde (OMS). O herbicida glifosato, um dos mais utilizados no mundo, bem como o malatião e o diazinão, foram classificados como "provavelmente cancerígenos para seres humanos", mesmo que "as provas sejam limitadas", segundo a IARC, com sede em Lyon, França. O glifosato, herbicida cuja produção é a mais significativa em volume, é a substância ativa do 'Roundup', um dos produtos com maiores vendas no mundo, pois, além da agricultura, onde a sua aplicação tem aumentado bastante, também é usado nas florestas e em jardins privados.

Ministra planta árvores para benefício de áreas ardidas e da economia florestal



A ministra da Agricultura e do Mar plantou hoje diversas árvores em Vale de Cambra, numa iniciativa de reflorestação de áreas ardidas durante a qual apelou a parcerias entre pequenos proprietários e à diversificação da economia florestal.

Assunção Cristas começou por inaugurar a nova Rota dos Moinhos de Paraduça, constituída por cinco engenhos recuperados pela Junta Freguesia de Arões após um investimento de 15.000 euros, financiado pelo programa LEADER +.
Em seguida, a ministra circulou pelo casario rural da aldeia, experimentou iguarias locais ao som das cantadeiras locais e depois, com três dos seus filhos, deitou literalmente as mãos à terra para com eles plantar cerca de 15 árvores em parte dos quase três hectares de terrenos baldios que arderam em Paraduça em 2006 e 2010.
Dinheiro Digital / Lusa

Cavalos selvagens cercados no Minho


ANA PEIXOTO FERNANDES | Hoje às 00:00
O problema não é novo, mas agravou-se e levou câmaras a tomar medidas. Quarenta cavalos errantes foram recolhidos nos montes do Alto Minho para travar destruição de culturas e acidentes nas estradas.
 
A Câmara de Vila Nova de Cerveira está a preparar uma investida aos montes do concelho para tentar capturar, pelo menos, mais oito cavalos errantes que têm massacrado campos agrícolas e provocado acidentes nas estradas da região, sem que ninguém se responsabilize pelos prejuízos. A área afetada é extensa, abrange também os dois concelhos vizinhos de Paredes de Coura e Valença, e as queixas da população dispararam.

Apicultores preocupados com furtos de colmeias na Serra da Estrela

19/3/2015, 12:10

Os apicultores da Serra da Estrela estão "preocupadíssimos" com o recente furto de enxames e de colmeias. Nas últimas semanas foram roubadas 12 colmeias valendo cada uma, em média, cerca de 150 euros.

Os apicultores da zona da Serra da Estrela estão "preocupadíssimos" com o recente furto de enxames e de colmeias, disse esta quinta-feira, à agência Lusa, fonte de uma associação profissional daquela região.

Segundo José Lages, presidente da assembleia geral da Associação de Apicultores do Parque Natural da Serra da Estrela, que tem sede em Gouveia, no distrito da Guarda, nas últimas semanas foram roubadas doze colmeias de três apiários instalados em locais distintos dos concelhos de Seia e de Gouveia.


O responsável indicou que foram furtadas seis colmeias em Nabais, no concelho de Gouveia, cinco em Loriga e uma em São Romão, localidades que pertencem ao concelho de Seia.

"Dos três locais, levaram as colmeias com as abelhas e só deixaram o estaleiro", referiu José Lages, que fala num prejuízo de "grande valor" para os proprietários.

Pelas contas do responsável, o valor global dos furtos praticados naquela área protegida está calculado em cerca de 1.800 euros, pois cada colmeia vale, em média, cerca de 150 euros.

"É um valor muito grande, porque estamos no início da primavera e na fase de produção de mel. As doze colmeias eram povoadas e estavam prontas a produzir mel", justificou.

O dirigente da Associação de Apicultores do Parque Natural da Serra da Estrela, onde existem cerca de 200 apicultores, contou que os produtores de mel da região, ao terem conhecimento do sucedido, ficaram "preocupadíssimos, porque hoje foram uns e amanhã serão outros".

As colmeias estavam localizadas nos montes, "em locais relativamente isolados", e terão sido furtadas "por alguém conhecedor da apicultura", calcula José Lages.

Segundo o dirigente, os apicultores visados não apresentaram queixa na GNR, alegando que "não adiantava nada", mas sugere que em ocorrências futuras o façam e que eles próprios "vão tendo alguma vigilância nos seus apiários".

Fonte do Comando Territorial da GNR da Guarda disse à agência Lusa que em caso de furto de colmeias os proprietários "devem dar conhecimento à GNR e apresentar queixa-crime para haver investigação".

Referiu ainda que a GNR, só tendo conhecimento das situações é que pode orientar o patrulhamento e a vigilância para esses locais específicos, contribuindo para a prevenção dos furtos nos apiários existentes na área do Parque Natural da Serra da Estrela.

Governo aprova constituição de mercados locais de produtores


por Ana Rita Costa
20 de Março - 2015
 
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, revelou esta semana que os mercados locais já "podem ser constituídos por autarquias, organizações de produtores, ou mistos". O objetivo é criar um espaço onde os produtores vendam diretamente aos consumidores e sem intermediários.

Assunção Cristas explicou que estes mercados de proximidade têm apoio financeiro "através das verbas comunitárias. Não temos um envelope fechado, mas há verbas suficientes para este projeto."

Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, estes "sistemas agroalimentares locais estimulam a economia local e promovem a interação social entre as comunidades rural e urbana, desempenhando funções que beneficiam os produtores, os consumidores, o ambiente e a economia local."

Framboesa já é o segundo fruto mais exportado por Portugal

 20-03-2015 
 

 
A framboesa foi, em 2014, o segundo fruto mais exportado por Portugal em termos de valor, alcançando os 64 milhões de euros, de acordo com o investigador Pedro Brás de Oliveira.

O cientista do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), onde será apresentada a "Estratégia do Ministério da Agricultura e do Mar para a Investigação e Inovação Agro-alimentar 2014-2020", salientou que os «pequenos frutos estão na moda», sendo a framboesa a "rainha" deste sucesso.

Portugal, que passou de uma área de pequenos frutos «insignificante» na década de 80, para 1.300 hectares em 2013 tem vindo a duplicar o valor das exportações todos os anos, fazendo da framboesa o segundo fruto mais exportado em valor, a seguir à pêra, com 88 milhões de euros.

O potencial de Portugal para este tipo de produção atraiu, na década de 90, a empresa norte-americana Driscoll's, líder mundial na produção de frutos vermelhos, que estabeleceu uma parceria empresarial com o INIAV neste domínio.

«A Zambujeira, no Litoral Alentejano, é a Califórnia da Europa e foi isso que nos atraiu», sublinhou o director da empresa para Portugal, Nuno Madureira Simões.

A Driscoll's conta actualmente com duas quintas em Portugal (Maravilha Farms) e trabalha igualmente com produtores independentes, sendo a organização Lusomorango considerada como «a grande alavanca de desenvolvimento».

A empresa exportou 50 milhões de euros em 2014 e assegura cerca de 3.500 postos de trabalho directos através da sua rede de produtores em Portugal, sendo «um forte empregador» da região alentejana, estimou o mesmo responsável.

Fonte: Lusa

sexta-feira, 20 de março de 2015

Agricultura: Culturas para frutos vermelhos são aposta de sucesso no Algarve

Os produtores de citrinos algarvios dizem que estão a escoar laranja abaixo dos custos de produção e que podem ter de fechar, mas quem converteu culturas para frutos vermelhos considera ter apostado bem e vê a agricultura no Algarve com otimismo.

A agência Lusa ouviu duas organizações de produtores, uma de citrinos e outra de frutos vermelhos, e os seus responsáveis traçaram diagnósticos diferentes: os de citrinos criticaram os preços pagos pelas cadeias de distribuição, quando escoam 70/80% da produção para o mercado português, enquanto os de frutos vermelhos elogiaram a aliança com uma distribuidora internacional e garantiram que exportam mais de 90% do que produzem e prosperam.
João Bento é produtor de frutos vermelhos - morango, framboesa e amora - e disse à Lusa que, quando cofundou a organização de produtores Madre Fruta, em 1996, ainda realizava as «culturas tradicionais» de hortícolas (tomate, meloa, pimento ou feijão-verde), mas percebeu que não tinha futuro porque os preços não compensavam.
«Atravessámos esse caminho uma série de anos, mas chegámos à conclusão que isso não chegava e que não tínhamos futuro na agricultura se continuássemos a fazer as coisas da mesma forma e no mesmo tipo de mercados», afirmou João Bento, que, em 2002, passou a trabalhar com morango, quando a Madre Fruta encontrou um parceiro internacional que coloca frutos vermelhos em mercados, sobretudo, do norte da Europa.
A mesma fonte frisou que, em 2007, começou «a substituir as produções tradicionais pelo morango e pela framboesa» para «criar um produto diferente» e «atingir também mercados diferentes», e isso trouxe mais «rentabilidade e viabilidade às produções».
«Na altura tínhamos cerca de 47% da produção para exportação e hoje estamos exclusivamente a fazer morango e framboesa, e também amora, mas com um nível de exportação acima dos 90%», disse, sublinhando que a Madre Fruta passou dos 30 para os 108 hectares de produção e dos 3 para os 22 milhões de euros de faturação.
Pedro Madeira, diretor da Frusoal, organização de produtores de citrinos do sotavento algarvio, mas com produtores em todo o Algarve e no Baixo Alentejo, explicou à Lusa que, «nos últimos 10 anos, tem havido uma tendência para a baixa de preços e os produtores têm cada vez mais dificuldade em cobrir os custos» devido «à guerra de concorrência» entre cadeias de supermercados.
«Essa guerra vai-se refletindo, como é lógico, na produção, e tem vindo a agravar nos últimos 10 anos, mas, nos últimos dois principalmente, os produtores de laranja, não estão a conseguir cobrir os custos de produção e, neste momento, correm o sério risco de poder ter que proceder a abandonos ou reconversões para outro tipo de fruta, porque não se está a conseguir, na maior parte do ano, pagar custos de produção», lamentou.
Pedro Madeira disse que a Frusoal faturou 13,5 milhões de euros em 2014 e «tem vindo a apostar no mercado externo», mas realçou a dependência do mercado português e, por isso, pediu aos retalhistas «uma mudança de perspetiva e mentalidades» e mais «preocupação pela sobrevivência» dos produtores.
Dinheiro Digital com Lusa

OMS quer ação global para acabar com indústria tabaqueira


A diretora da Organização Mundial de Saúde (OMS), Margaret Chan, apelou hoje para uma «ação global» para acabar com a indústria tabaqueira e elogiou os progressos mundiais feitos na luta contra o tabagismo.
Falando na Conferência Mundial do Tabaco, que decorre na capital dos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi, Margaret Chan felicitou os vários países, como a Austrália, que introduziram embalagem simples nos pacotes de cigarros, exortando outros Estados a adotarem a mesma decisão.
A responsável da agência da ONU assinalou que as empresas de tabaco "usam todo tipo de táticas, incluindo o financiamento de partidos políticos e de políticos individualmente para trabalhar para elas" e que "não há nada que não explorem para prejudicar os governos na sua determinação de proteger o próprio povo".
"Vai ser uma luta dura" mas "não devemos desistir até termos a certeza de que a indústria tabaqueira acabou", assegurou Margaret Chan.
Em 2014, a OMS lançou novas orientações, no âmbito da Convenção Quadro de Controle do Tabaco, a exortar os Estados membros da ONU a aumentarem os impostos que incidem sobre produtos derivados do tabaco, produto que anualmente mata cerca de seis milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a agência.
"O tabagismo caiu em vários países maioritariamente graças às medidas legislativas", afirmou Margaret Chan, apontando o mais recente relatório da OMS, em que se demonstra que a proporção de homens que fumam registou uma queda em 125 países.
Para a diretora geral da OMS, ser não fumador "está a tornar-se uma norma".
"Estamos felizes por ver esse progresso em tantos países", disse à AFP à margem da conferência, onde instou as nações que produzem folhas de tabaco para "se moverem mais rápido" no combate ao tabagismo, estabelecendo parcerias com a Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a OMS.
Na véspera da preparação da Conferência das Partes da Convenção Quadro para o Controle do Tabaco da OMS (COP6), que decorreu em outubro último na Rússia, diversos produtores africanos de tabaco mostraram-se alarmados com a suposta exclusão dos governos de África nos debates sobre políticas ligadas à indústria tabaqueira.
"As pessoas que definem estas políticas estão completamente alheadas da realidade e não conseguem reconhecer o contributo económico positivo da produção de tabaco em África", disse na altura o presidente da Associação Internacional de Produtores de Tabaco (ITGA, sigla em inglês), François van der Merwe.
Aquele responsável afirmou que os produtores do Zimbabué, do Maláui, da Zâmbia, do Quénia e da África do Sul consideravam o tabaco "uma cultura de elevado valor comercial e bastante adequada à agricultura de pequena escala, tendo mudado para melhor a vida de muitos agricultores africanos", pelo que os produtores exigiam a sua inclusão nos debates da OMS sobre as políticas do setor.
Até 2025, a OMS pretende reduzir para 30 por cento o consumo de tabaco, pelo que Margaret Chan afirmou que, apesar de uma queda no número de fumadores em muitos países é necessário fazer muito mais para conter a prática do uso de tabaco.
Diário Digital com Lusa

Bruxelas estuda pagamento em prestações de multa de 143 milhões de euros


Ana Rute Silva 16/03/2015 - 18:27 

Pagamentos irregulares aos agricultores foi tema da reunião de Assunção Cristas, ministra da Agricultura, com Phil Hogan, comissário europeu da Agricultura.
 
Ministros da Agricultura discutiram apoios de greening e o fim das quotas do leite Rui Soares/Arquivo 

Bruxelas vai analisar a possibilidade de Portugal poder continuar a pagar em prestações o reembolso de 143,4 milhões de euros relativos a pagamentos irregulares aos agricultores efectuados nos anos de 2009, 2010 e 2011. Assunção Cristas, ministra da Agricultura, esteve reunida, nesta segunda-feira, com o comissário europeu Phil Hogan, e voltou a "batalhar para que haja uma redução das correcções porque não foi valorizado o esforço já feito por Portugal", disse ao PÚBLICO.

 "O comissário ficou de estudar a matéria e ver em que medida podia melhorar a solução. À partida poderá haver um escalonamento no tempo, que na prática já está a acontecer. Ou seja, permitir um reembolso em prestações. A melhoria que tivemos já foi não ter de pagar logo em 2011 e podermos remeter o pagamento para o fim do Programa de Assistência Financeira. Neste momento é mais difícil negociar outra solução", sublinha Assunção Cristas.

Recorde-se que a Comissão Europeia notificou Portugal para devolver verbas entregues indevidamente aos agricultores de 2005 a 2008 no valor de 98 milhões de euros (a que acrescem multas). Este ano, a Direcção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural exigiu ao Governo o reembolso de mais 143,4 milhões de euros relativos aos anos de 2009, 2010 e 2011. Até agora, foram pagos 68 milhões de euros em 2014 e o Ministério da Agricultura prevê pagar 60 milhões em 2015 e o mesmo montante nos anos subsequentes. No total, o país deve 277 milhões de euros a Bruxelas.

"O que foi possível negociar foi não pagar logo. Conseguimos alguma redução e uma moratória durante três anos. Esse prazo acabou e o nosso ponto agora é batalhar para que haja uma redução das correcções porque não foi valorizado o esforço que Portugal fez em 2011 para, em tempo recorde" ter reagido, sublinha Assunção Cristas, acrescentando que a comissão "está a ser muito excessiva nas multas a aplicar", e devia mostrar "maior benevolência", sobretudo, quando já "houve trabalho de casa feito".

A ministra da Agricultura admite que a expectativa de uma redução da multa não é alta. "Enquanto houver multas para pagar continuarei a falar do assunto e a exigir que as coisas sejam consideradas. A expectativa de ganho de causa não é muito elevada mas devemos sempre batalhar, explicando os nossos argumentos", rematou.

Na reunião dos ministros da Agricultura, que decorreu em Bruxelas, esteve em discussão o fim das quotas leiteiras, regime criado em 1984 para travar a acumulação de excedentes e a dificuldade de escoamento desta matéria-prima. Portugal, diz Assunção Cristas, "reiterou a opinião de que é contra o fim das quotas", mas viu "com surpresa" que quase todos os países pediram a Bruxelas "medidas mais efectivas de prevenção e resolução de crises no sector".

Também foram discutidas as regras das práticas agrícolas benéficas para o clima de ambiente (greening) no âmbito da Política Agrícola Comum, tema que Portugal pediu para ser analisado, defendendo a "simplificação" e alguma "sensibilidade" face às "diferentes culturas" e às regras de diversificação. Assunção Cristas frisa que este é um tema com impacto "no sector do leite e do milho". "Tivemos o apoio de um conjunto de Estados-membros e a Comissão ficou sensibilizada, ficando de analisar pontos possíveis de flexibilização", disse.

SIMA-SIMAGENA 2015


Fonte: Comunicado SIMA


Edição positiva e dinâmica
A SIMA-SIMAGENA 2015 terminou após ter registado durante 5 dias 238 848 entradas profissionais, das quais 23 % de internacionais provenientes dos 5 continentes. Este resultado quase idêntico à edição de 2013, ano recorde em termos de frequência, é particularmente satisfatório dentro do atual contexto económico. Pelo seu lado os organizadores e as 1 740 empresas expositoras realçam o otimismo dos visitantes e o renovado dinamismo no plano dos negócios.


Uma feira Internacional de referência
A grande densidade de visitantes observados nos corredores da feira confirma a atratividade da SIMA-SIMAGENA, nomeadamente a nível internacional. Numerosos profissionais vindos de todo o mundo, descobriram os últimos avanços em matéria de maquinaria: materiais que respondem às exigências e aos desafios de todos os géneros de agricultura.


Rumo à Tailândia e a Londres
Esta edição foi inaugurada pelo Sr. Stéphane Le Foll, Ministro da Agricultura, do Agroalimentar e da Floresta. A visita oficial foi uma oportunidade para ratificar os acordos permitindo a organização da SIMA na Tailândia (setembro de 2015) e na Argélia (maio de 2016).


"Innovation first !"
A SIMA-SIMAGENA 2015 pôs em realce a Inovação, palavra de ordem desta edição, graças às 600 novidades apresentadas este ano pelos expositores, mais precisamente, as novas tecnologias, ponta de lança da agricultura de precisão.


SIMAGENA ganha a aposta
Quanto à SIMAGENA que encontrou uma total coesão graças à sua nova implementação no hall 7, permitiu oferecer através dos concursos e dos leilões, uma excecional vitrina do mercado da genética bovina francesa e internacional.


« Na opinião geral os visitantes eram numerosos, interessados e com projetos. Esta edição dinâmica e positiva da SIMA-SIMAGENA dá um impulso de confiança a todos os agentes e uma visão do mercado para além do curto termo, conclui Martine Dégremont, Diretora da SIMA-SIMAGENA ».

Cerca de 10% das espécies de abelhas selvagens europeias em risco de extinção

Quase 10% das cerca de 2.000 espécies de abelhas selvagens europeias estão ameaçadas de extinção, de acordo com um estudo hoje divulgado pela Comissão Europeia.

A investigação realizada pelo braço executivo da União Europeia é a primeira a focar-se na população de abelhas selvagens europeias, que é menos conhecida do que a variedade doméstica, mas igualmente importante para a polinização das culturas.
O relatório revela que 9,2% das espécies de abelhas selvagens da Europa estão ameaçadas de extinção, enquanto 5,2% das mesmas são consideradas suscetíveis de entrar para a lista num futuro próximo", revela a comissão.
A avaliação foi publicada como parte da Lista Vermelha Europeia das Abelhas, criada pela União Internacional para a Conservação da Natureza, e do projeto Estatuto e Tendências dos Polinizadores Europeus.
Os autores do estudo consideram que este providencia a "melhor compreensão", até ao momento, sobre as 1.965 espécies pesquisadas, mas acrescentam que o conhecimento ainda está incompleto devido a uma "alarmante falta de recursos e competências".
A União Internacional para a Conservação da Natureza sublinhou que a investigação, cofinanciada pela Comissão Europeia, mostra a urgência em investir em pesquisas para deter o declínio das abelhas selvagens, que desempenham "um papel essencial na polinização das culturas".
"Se não abordarmos as razões por detrás deste declínio e não agirmos com urgência para detê-las, podemos pagar um preço muito elevado", disse Karmenu Vellu, comissário europeu para o meio ambiente.
Segundo a Comissão, 84% das principais culturas para consumo humano na Europa exigem polinização por insetos para melhorar a qualidade e o rendimento do produto.
As abelhas estão ameaçadas pela "perda e degradação em grande escala" das espécies e dos seus espaços, sobretudo devido à agricultura intensiva e ao uso de inseticidas e fertilizantes.
"A mudança climática é outro importante fator de risco de extinção para a maioria das espécies de abelhas, particularmente as mamangabas", alertou a Comissão.
Diário Digital com Lusa

Negócio com patentes terá de aumentar 10% ao ano até 2020


Ana Rute Silva 20/03/2015 - 08:38 

Novo pacote de fundos europeus PDR 2020 inclui 100 milhões de euros para a inovação no sector agro-alimentar. Laboratórios do Estado terão de ser "motores de desenvolvimento" para os produtores.
 
Inovação no sector agro-alimentar terá fundos específicos de 100 milhões de euros Paulo Pimenta 


Os resultados de exploração de patentes e propriedade industrial no sector agrícola e alimentar terão de aumentar em média 10% ao ano até 2020, passando dos actuais 50 mil euros (dados de 2013) para 97 mil euros nos próximos cinco anos. Esta é uma das metas traçadas pelo Ministério da Agricultura que, nesta sexta-feira, apresenta oficialmente a estratégia para a investigação e inovação no sector. O novo quadro comunitário desenhado para estas actividades económicas (PDR2020) tem destinado uma verba específica de 100 milhões de euros para a inovação, cujas candidaturas arrancam na primeira quinzena de Maio.

 Nuno Vieira e Brito, secretário de Estado da Alimentação e Inovação Agro-alimentar, acredita que haverá uma corrida aos fundos, tendo em conta o dinamismo que as empresas têm demonstrado nos últimos anos. "O sector está a correr bem, cada vez mais temos mais jovens e mais pessoas qualificadas e interessadas em novos produtos e que reconhecem a importância da inovação e a necessidade de, não tendo essa capacidade, se aproximarem das instituições que o podem fazer. Estou seguro de que teremos as candidaturas esgotadas", disse ao PÚBLICO.

Além dos 100 milhões de euros do PDR2020, há 4400 milhões de euros disponíveis no POCI, o Programa Operacional de Competitividade e Internacionalização, cujo primeiro eixo temático é direccionado ao reforço da investigação, do desenvolvimento tecnológico e da inovação. O Horizonte 2020 dispõe ainda de 77.000 milhões de euros especificamente orientados para o apoio à investigação.

Aumentar a produção científica, as parcerias internacionais, ligar empresas e universidades, criar clusters e centros de competência dedicados a produtos concretos (50 em 2020), ou acreditar os laboratórios do Ministério da Agricultura são algumas das intenções desta estratégia. As estruturas do Estado (quatro laboratórios e quatro estações experimentais) também vão aproveitar os fundos disponíveis.

"A expectativa é que, mesmo a nível do próprio ministério, os laboratórios e as estações experimentais sejam motores de desenvolvimento para os produtores. Que olhemos para as estruturas e que passem a acompanhar [a inovação] e se possível a dinamizar o sector agrícola e agro-alimentar português", diz Nuno Vieira e Brito. Ao contrário do que sucede noutras actividades, a inovação na alimentação tem estado "nas mãos do Estado (laboratórios e universidades públicos)". É, por isso, preciso aproximar as empresas dos investigadores e partilhar conhecimento – necessidade que há muito está diagnosticada. Outra das intenções é que as pequenas empresas, com menos capacidade financeira e de recursos humanos para ter estruturas de I&D, também recorram à investigação disponível nas universidades.

Foram definidas sete linhas de orientação, que também serão seguidas pelas estruturas públicas, alvo de uma reestruturação recente. Incluem desde a produção de alimentos à protecção animal, ecossistemas florestais ou alterações climáticas. "Fomos ao encontro de um facto positivo da inovação e investigação. Quando a agricultura não era uma actividade interessante, a investigação ressentiu-se e, do ponto de vista oficial, não houve grandes investimentos. Quem o fez foram as empresas", diz Nuno Vieira e Brito.

O último relatório da União Europeia coloca Portugal entre os países "moderadamente inovadores", ocupando o 16.º lugar entre 27 Estados-membros e o sexto entre os que estão abaixo da média da UE. Há uma "elevada dependência do ensino superior (50%) e do sector Estado (34%). Na agricultura, apenas 14% da inovação é proveniente das empresas", indica o Innovation Union Scoreboard (2013). A despesa total de Portugal em I&D foi de 2748 milhões de euros, 101 milhões de euros dos quais na agricultura, ou sejam apenas 3,7%.

Do gelado de algas aos enchidos de coelho
Apesar de a despesa em investigação e desenvolvimento estar longe dos patamares europeus, as pequenas empresas têm vindo a lançar novos produtos na área alimentar, usando parcerias com universidades e matéria-prima nacional. 

A gelataria Emanha, na Figueira da Foz, criou um gelado de kefir com algas marinhas em parceria com o Grupo de Investigação em Recursos Marinhos da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar, do Instituto Politécnico de Leiria. Em Bragança, a Grão a Grão alargou a produção de fumeiro tradicional à carne de coelho. Manteve todos os processos de fabrico mas mudou a matéria-prima principal, mais magra e com menos calorias. 

Já em Beja, a Mestre Cacau tem usado o medronho para produzir paté, em parceria como Centro de Excelência para a Valorização dos Recursos Mediterrânicos. Na lista de novos produtos estão ainda o medronho seco coberto com chocolate, trufas com aguardente de medronho ou medronho seco confitado. Há ainda o exemplo da aguardente da Lourinhã, uma das três aguardantes classificadas na Europa, que tem sido aplicada em bombons ou pastéis, num projecto da Câmara Municipal da Lourinhã para dinamizar o produto.

Bendita água


 Armando Sevinate Pinto 15/03/2015 - 14:34 

Portugal, tal como os restantes países do Sul da Europa, cujas agriculturas dependem, em larga medida, do regadio, tem sido vítima da ideia absurda, defendida por muitos países do Norte, de que o regadio é prejudicial ao ambiente e nesse sentido não deve ser apoiado pela União Europeia.

Todos sabemos que a vida dos seres vivos depende da existência da água, seja qual for a sua origem, a forma como é assimilada e as funções que esta desempenha nos diferentes organismos.

 Esta circunstância, por si só, deveria levar os seres vivos mais inteligentes a respeitar a água, lutar pela sua conservação, armazená-la, consumi-la com moderação, bem como dar graças aos seus Deuses quando dela podem beneficiar sem restrições, sabendo que muitos outros, seus semelhantes, morrem diariamente por não a ter, ou por não a ter em condições de suficiente salubridade.

Sendo tudo isto verdade, não vejo qual seja o interesse em destacar o consumo agrícola de água como se tratasse de algo pouco natural ou pouco racional.

De cada vez que consulto um qualquer estudo ou documento relacionado com a água, entre os primeiros parágrafos é frequentemente dito que a agricultura consome cerca de 70% da água disponível e, na esmagadora maioria dos casos, esta afirmação é associada a um sentimento critico implícito, atribuindo-lhe uma carácter excessivo, desnecessário ou negligente. Muitas vezes os autores fazem acompanhar as suas opiniões com dados estatísticos muito impressivos do género: quantidade média de água, expressa em litros, necessária à produção de um quilograma de batatas (590), de milho (494), de trigo (590) de arroz (5000), etc.

Esta constatação, repetidamente divulgada, foi criando lentamente um sentimento público anti-regadio, sobretudo entre as populações servidas por climas húmidos ou temperados em que a chuva, caída do céu com regularidade, lhes basta para manterem as suas agriculturas, modernas, desenvolvidas e competitivas. Portugal, tal como os restantes países do Sul da Europa, cujas agriculturas dependem, em larga medida, do regadio, tem sido vítima da ideia absurda, defendida por muitos países do Norte, de que o regadio é prejudicial ao ambiente e nesse sentido não deve ser apoiado pela União Europeia.

Em primeiro lugar, os tais 70% de consumo de água pela agricultura referem-se à média mundial e não à Europa, onde o maior consumidor é a indústria e não a agricultura cujo consumo médio pouco ultrapassa os 30% do consumo total (talvez um pouco mais para os países do sul incluindo Portugal). Os grandes consumidores de água para a agricultura, muito acima da média mundial são, como é natural, os países do próximo Oriente, de África e da Ásia.

Em segundo lugar, uma grande percentagem da água utilizada na agricultura, perder-se-ia sem utilidade, se não fosse apresada especificamente para esse fim.

Em Portugal, o regadio também conta com muitos críticos. Ao longo do tempo, foram contra todos os empreendimentos hidroagrícolas, designadamente contra o Alqueva e contra os sistemas de regadio em geral.

Devo dizer que nunca compreendi a posição destes grupos de portugueses que dizem defender o ambiente e a biodiversidade, sendo contra o regadio. Se conhecessem bem o país já teriam chegado a pelo menos três conclusões:

Que nas nossas condições, a agricultura sem água, corresponde a uma aventura de grande risco que nem todos estão em condições de assumir a não ser que detenha grandes propriedades apropriadas ao pastoreio extensivo e com significativa componente florestal;
 
Que, em si mesmo, o regadio não faz mal ao ambiente, bem pelo contrário. O que faz mal são as práticas agrícolas desajustadas às condições naturais, seja em regadio seja em sequeiro
 
Que as zonas de regadio em Portugal apresentam uma incomparável diversidade biológica em comparação com a das zonas de sequeiro, frequentemente semi-áridas


Dito isto, reconhecemos que há muitas formas de regar, mais ou menos cuidadas, mais ou menos consumidoras de água e também mais ou menos poluidoras, não directamente da responsabilidade da rega, mas da intensidade tecnológica no que respeita a fertilizações e tratamentos fitossanitários e a outras práticas agrícolas de cuja execução, se for descuidada, podem resultar prejuízos ambientais.

O grande projecto de regadio de Alqueva, que quase diariamente é noticia, agora quase sempre por bons motivos - às vezes até tão exagerados que ultrapassam o limite do bom senso, tal como aconteceu ainda há dias com uma reportagem do semanário Expresso, em que se concedia à região do Alqueva a categoria de campeã do mundo relativamente à produtividade de oito produtos agrícolas ali produzidos – foi iniciado debaixo de criticas violentas de defensores do ambiente que só lhe encontravam defeitos e de gurus da economia que consideravam o projecto um elefante branco sem futuro.

O projecto jamais teria sido feito se não tivesse havido um grupo de pessoas, com alguns técnicos e políticos locais, com pouca representação de políticos nacionais, que ao longo dos anos foi dando a cara e se foi batendo pelos méritos do projecto

Passados alguns anos, os partidos políticos disputam agora a paternidade do projeto, chegando alguns a fazê-lo de forma despudorada tentando reescrever a história. As críticas já se acalmaram. Os detractores do projecto só de vez em quando criticam as culturas mais intensivas, atribuindo-lhes malefícios que nem sempre têm. O projecto já se vê e os seus reflexos já se fazem sentir, quer a nível regional, quer a nível nacional. Penso que para o defender e promover não são necessários exageros, sobretudo tão forçados e desprovidos de senso, com o anteriormente referido.

De facto, a região beneficiada pelo Alqueva, está a mudar para melhor. Há mais actividade, mais investimento, mais trabalho e mais riqueza gerada. Há novas culturas na região e novos protagonistas, nacionais e estrangeiros. Estima-se que já tenham sido investidos mais de 750 milhões de euros em investimentos produtivos e criados mais de 4000 empregos directos.
 
O acréscimo de valor acrescentado anual na região já supera os 60 milhões de euros, devendo atingir em pleno um acréscimo de 160 milhões de euros quando 80% da área beneficiada de 120.000 hectares estiver a regar (sem contar com o valor acrescentado na transformação dos produtos agrícolas ali produzidos que poderá trazer este valor para próximo do dobro).


Estima-se também que o retorno do investimento nacional em Alqueva venha a gerar 4,45 euros por cada euro investido da componente nacional do investimento. Além disso, é sabido que o regadio faz multiplicar, pelo menos por sete, todos os indicadores de produção

Existem mais 43.000 hectares já identificados e estudados, para além dos 120.000 iniciais, que podem ser beneficiados pelo Alqueva, com custos de investimento relativamente baixos face à enorme mais-valia que podem trazer para a região. Contudo, apesar do excelente trabalho que me parece estar a ser executado pelas estruturas da EDIA, também existem ainda problemas significativos por resolver. O maior dos quais parece-me ser o dos pequenos e muito pequenos agricultores, tecnicamente pouco apetrechados, envelhecidos, isolados e quase sempre descapitalizados que, apesar de não gerirem uma área significativa, são em número muito elevado e integram a parte da população mais significativa das povoações abrangidas pelo projecto. Não quero ser injusto, mas não me parece que estejam a ser ponderadas estruturas, modelos e dinâmicas de desenvolvimento capazes de os integrar nos benefícios do projecto.

VII Congresso Nacional da Suinicultura

Março 16
09:44
2015

Vai decorrer, nos próximos dias 23 e 24 de Junho, nas Caldas da Rainha, o VII Congresso Nacional da Suinicultura.

Este ano, o local escolhido teve a ver com as magníficas instalações do Centro Cultural das Caldas da Rainha e com o facto de esta cidade estar situada no epicentro da maior concentração da suinicultura do país.

O programa científico foi cuidadosamente estudado e tem pontos de interesse fundamentais para a fileira portuguesa da carne de porco, contando com palestrantes nacionais e estrangeiros de grande renome.

Assim, por exemplo, para a análise do mercado, contamos com um dos maiores consultores brasileiros na matéria, que nos dará uma panorâmica da produção além-Atlântico e com o responsável máximo do sector da carne de porco na Comissão Europeia, que nos dará uma perspectiva da produção europeia.

Em termos de sanidade, iremos discutir os pontos mais importantes a nível nacional, a erradicação da doença de Aujesky, bem como da diarreia epidémica suína, onde teremos uma das maiores sumidades da matéria, vinda do Canadá.

Com o intuito de melhorar a produtividade nacional, vai ser apresentado o concurso "O Porco de Ouro Português", que irá premiar as explorações mais produtivas.

As raças autóctones estarão, como não poderá deixar de ser, presentes, através de apresentações sobre as raças bísara, alentejana e malhado de Alcobaça.

No sentido do desenvolvimento da suinicultura que se pretende, serão apresentados, também, os modelos de apoio financeiro, bem como os seguros pecuários.

Estão, portanto, criadas todas as condições para que os suinicultores portugueses com visão de futuro possam recolher no Congresso os dados necessários para a definição das suas estratégias e a concretização das mesmas.

A sala é grande e esperamos que o interesse dos temas leve a uma grande enchente por parte dos suinicultores!