terça-feira, 5 de maio de 2015

CNEMA investe um milhão para melhorar Feira da Agricultura



 04 Maio 2015, segunda-feira  AgropecuáriaAgricultura


O Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) anunciou esta segunda-feira, 4 de maio, que investiu um milhão de euros para melhorar as condições do espaço em que se realiza a Feira Nacional da Agricultura/Feira do Ribatejo, em Santarém.
Entre as novidades apresentadas para a edição deste ano, que decorre de 6 a 14 de junho de 2015, contam-se as novas estruturas instaladas na zona pecuária, que irão «permitir melhores condições aos animais, melhor organização e concentração numa só zona dos efetivos em exposição com um novo layout», permitindo que os visitantes apreciem equinos, bovinos, caprinos, ovinos e suínos, entre outras espécies, "sem percorrer grandes distâncias".
Nas zonas mais expostas ao calor, no exterior do edifício e destinadas a espaços de exposição e restauração, vão ser instalados «sistemas de nebulização», que «permitirão a empresas e clientes um maior conforto térmico», e serão criadas «zonas de sombreamento» nas ruas para maior comodidade para quem circula no exterior.
A organização investiu este ano também na sinalética com o objetivo de «organizar circuitos de visita para profissionais e público em geral».
Por outro lado, o certame passa a assumir «um compromisso com a reciclagem», disse Luís Mira, administrador do CNEMA, na conferência de imprensa de apresentação da feira, referindo a parceria com a Resitejo - Associação de Gestão e Tratamento dos Lixos do Médio Tejo, com a colocação de diversas «baterias» para separação dos resíduos (papel, vidro e embalagens), estando também disponível um ponto para recolha de óleos alimentares.
«Numa preocupação com o ambiente e a sustentabilidade, iniciamos um novo caminho», disse Luís Mira, apontando como meta deste projeto a três anos chegar aos 30% a 40% de lixo reciclado. Em 2014, a feira gerou 110 toneladas de resíduos, adiantou.
A feira estará presente na página oficial e nas redes sociais, tendo este ano sido criada uma aplicação para os sistemas IOS (Iphone e Ipad), Android e Windows Phone.
Saiba mais sobre a Feira Nacional da Agricultura aqui. 
Fonte: Lusa/Agronegócios

Nuno Melo: «A PAC não assegurou a coesão e a equidade desejadas»



 04 Maio 2015, segunda-feira  Ana Clara Política AgrícolaAgricultura

Nuno Melo, eurodeputado e o único português membro da Comissão de Agricultura no Parlamento Europeu (PE), analisa, em entrevista ao Agronegócios, os desafios da Agricultura portuguesa e reflete sobre um setor que considera «estratégico» para a economia nacional. O deputado europeu manifesta-se preocupado com a nova Política Agrícola Comum (PAC) que, sublinha, mesmo depois da revisão, «não assegurou a coesão, a solidariedade e a equidade desejadas». O Programa de Desenvolvimento Rural 2020 (PDR 2020), o agroalimentar e o fim das quotas leiteiras são outros dos assuntos em destaque nesta entrevista a Nuno Melo.
nuno melo
Agronegócios: Sempre defendeu que a Agricultura é um dos setores que tem ajudado a impulsionar a economia portuguesa. A que se deve este desempenho, essencialmente nos difíceis anos que o país tem atravessado?
Nuno Melo: O que justifica o sucesso óbvio da Agricultura portuguesa nos últimos anos reside no facto de o setor ter sido finalmente encarado de forma estratégica, do ponto de vista da economia, e no qual vale a pena investir. Recordo que houve todo um mundo que mudou entre a Agricultura com Jaime Silva (ministro da Agricultura no XVII Governo Constitucional, liderado por José Sócrates) e o setor dos tempos atuais. No que respeita aos fundos comunitários, a alteração não foi tão relevante como se possa pensar. Porém, na ótica da distribuição de fundos por países, Portugal continua a não ser propriamente dos mais privilegiados. Mas, o que importa salientar é que a Agricultura é vista como um setor estratégico, com importância para a tutela e se transformou num setor atrativo, coisa que antes não o era. E lembro que há uns anos, quando Paulo Portas entrava num qualquer mercado do país, de boina, tratavam-no jocosamente como 'o Paulinho da Lavoura', tudo, unicamente, porque era um setor estigmatizado.
AN: Não se tratava apenas de uma arma de arremesso político?
NM: Não era apenas isso. Era um setor estigmatizado e desprestigiante. E, curiosamente, a verdade é que a esquerda sempre desinvestiu na Agricultura. Mas muito mudou…
AN: É verdade, muito mudou. Contudo, será que a fatura política deve apenas ser entregue à esquerda e aos governos socialistas, tendo em conta que, durante décadas sucessivas, a Agricultura ficou esquecida nas gavetas dos ministérios de vários Executivos?
NM: Houve um abandono dos campos para as cidades, essencialmente no começo pós-revolucionário, não só como opção de vida, mas também muito por causa do tal estigma que rejeitava a ruralidade, e que fez com muitos campos fossem abandonados. Por outro lado, muito destes campos, que eram produtivos, acabaram por ser ocupados do ponto de vista urbanístico, e de forma desordenada.
AN: Foram anos perdidos, na sua opinião?
NM: Foi muito assim até ao final dos anos 80, início dos anos 90 do século XX, e havia regiões altamente produtivas do ponto de vista agrícola que deixaram de o ser.
AN: Perderam escala…
NM: Sim, essencialmente porque perderam escala, desde logo naquelas que hoje são caracterizadas pelo minifúndio, mais concretamente no Litoral Norte, por exemplo. Contudo, isso não invalida que esse estigma e esse caráter depreciativo tenha persistido. A verdade é que começou a mudar, porque também a tutela atual viu a Agricultura como um setor estratégico, que cria riqueza, gera emprego e pode ser uma alternativa, mas ao mesmo tempo mais atrativo que outros setores económicos. Estamos a falar de um setor que teve o desempenho conhecido num espaço de quatro anos, com Portugal intervencionado, com um programa de austeridade e com um impacto recessivo.
AN: Precisamente. Nos últimos anos, e de acordo com dados da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), foram investidos mais de sete mil milhões de euros na Agricultura (através do PRODER), permitindo que o setor, em tempos de recessão, tenha crescido e chegado a novos mercados. Como se explica esta evolução rigorosamente ao contrário de outros setores da atividade económica?
NM: Eu dou-lhe um exemplo. Com Jaime Silva na tutela, Portugal devolvia milhões de fundos comunitários todos os meses a Bruxelas. Fundos que necessitávamos, já que naquele tempo havia dificuldades de financiamento. Hoje estamos no topo da tabela ao nível do aproveitamento dos fundos comunitários. Portugal foi um dos poucos países que conseguiu antecipar a aplicação do PDR 2020 - que substitui o PRODER -, exatamente porque, desde o tempo do ministro Jaime Silva até agora, Portugal passou do «país apontado» ao «país bom exemplo».
AN: E isso significa o quê?
NM: Significa que, independentemente do empreendedorismo e da aposta devida de muitos jovens num setor que antes estava abandonado, houve também uma atenção dada pela tutela e um apoio até no plano administrativo, que justificou que tudo acabasse por acontecer. O acesso aos fundos comunitários não acontece apenas e só com um estalar de dedos. Há procedimentos burocráticos aplicados. Há um conhecimento técnico e administrativo que, muitas vezes, os agricultores não têm. É preciso não esquecer todos estes fatores…
«A aposta verde é uma inevitabilidade»

agricultura
AN: E neste novo quadro de fundos comunitários há essa desburocratização e facilidade de tornar mais simples a vida aos agricultores?
NM: Houve uma simplificação administrativa e burocrática, houve uma aposta estratégica direcionada para jovens que têm de renovar o tecido produtivo dizendo «esta é uma opção de vida e viável». Registou-se também uma intermediação entre os agricultores/produtores e as entidades europeias para aproveitamento dos fundos através dos regulamentos nacionais. Tudo isto permitiu que a Agricultura fosse, ela própria, uma das razões do sucesso possível no tempo da Troika. Porque se a Troika desde maio de 2014 não está em Portugal deve-se, em larga medida, ao desempenho das exportações (com resultados pouco vistos em décadas passadas em setores tradicionais como o têxtil, o vestuário, o calçado, etc.) mas também no Turismo e na Agricultura, que se modernizou, tornou-se mais competitiva e que hoje satisfaz muito do mercado interno e exporta.
AN: Falando do novo PDR 2020, que garante a Portugal oito mil milhões de euros, este novo modelo promove uma Agricultura mais verde e sustentável, já que os pagamentos diretos por hectare ficam condicionados ao cumprimento por parte dos agricultores de práticas agrícolas amigas do ambiente (as medidas greening). Acha que o setor está preparado para este desafio verde?
NM: Do ponto de vista clássico dos custos de produção, a aposta no Ambiente pode ser vista como um risco mas, no plano europeu, é uma inevitabilidade. Estrategicamente, o programa "Horizonte 2020" estabelece a investigação, a empregabilidade e as economias verdes como opção. Percebe-se que a Europa atingiu um patamar de Civilização que nos distingue mas que, ao mesmo tempo, tiveram um impacto no Ambiente que todos sentimos. E está também demonstrado que é possível fazer bem com menos impacto para o Ambiente. E, por isso, do ponto de vista dos fundos, existe esta opção.
AN: Mas será fácil?
NM: Fácil não será, como todas as mudanças culturais. Quando hoje sabemos que o recurso a muitos herbicidas potenciam o aparecimento de doenças graves, designadamente de natureza oncológica, quando muitos deles estão banidos de alguns países da União Europeia (UE), sabemos que o problema tem de ser combatido. É por essa razão também que a Europa dará mais a quem faça melhor. Mas até nesta matéria, atualmente, a renovação do tecido produtivo na Agricultura ajuda. Porque as novas gerações têm no Ambiente perspetivas que outras, no passado, não tinham.
AN: Falando da nova PAC. Na sua opinião, ela coloca ao mesmo nível de justiça todos os agricultores dos 28 Estados-membros?
NM: Não, de modo nenhum. Recordo que a PAC, sendo um dos primeiros sucessos na UE, teve entre vários propósitos, o de acabar com causas de guerras que flagelaram a Europa (desde logo por duas vezes no século XX), além da autonomia alimentar. Foi a PAC que assegurou à Europa essa autonomia. Mas a PAC, mesmo depois da revisão, não assegurou a coesão, a solidariedade e a equidade desejadas e, que dizem, deve ser pilar do processo europeu.
AN: E onde é que Portugal perde mais?
NM: Portugal perde em todos os critérios. Por hectare, por unidade de produção, mas isso não invalida que Portugal não tenha disponível muito dinheiro que possa ser aplicado.
AN: E como se pode minimizar o dano para o país?
NM: O que está a ser feito é tentar corrigir, no plano europeu, esse diferencial, por forma a que os países que hoje são mais beneficiados possam ir reduzindo as suas margens em relação aos outros, e para que se consiga aquilo que é necessário para assegurar todo o setor. Recordo que há uns anos, quando eu defendia no Parlamento Europeu, que Portugal devia ter mais fundos, a resposta que obtinha era só uma: «se Portugal não aproveitava os fundos de que dispõe, não se entende porque reclama outros».
AN: Há cada vez mais jovens a regressar à Agricultura e, muitos casos, em territórios de Baixa Densidade (também uma aposta no PDR 2020). A que se deve este fenómeno e como se pode atrair mais gente?
NM: O ritmo alucinante de vida a que chegamos nas sociedades modernas ocidentais faz com que muitos jovens pensem no futuro de outro modo. As necessidades da geração dos nossos pais eram completamente diferentes das atuais.
AN: Mas estarão preparados? Nalguns casos há quem fale de preocupações ao nível da profissionalização…
NM: Hoje, felizmente, o Estado, transversalmente nas suas instituições, faculta processos de formação para determinadas atividades que facilita essa profissionalização, ao contrário do passado.
AN: Ironicamente ou não o CDS está à frente de dois setores que têm tido desempenhos positivos nestes últimos anos com o país intervencionado: a Agricultura e o Turismo. É pura coincidência?
NM: A Agricultura e o Turismo são duas pastas de sucesso com investimento estratégico. Mas é uma aposta ganha do Governo no seu todo e não apenas do CDS. Vivemos nestes quatro anos de excecionalidade, com uma governação condicionada e reavaliada trimestralmente pelos técnicos da Troika. Conseguir os resultados que são conhecidos nesta conjuntura penso que é muito positivo.
Fim das quotas de leite

AN: Falando do fim das quotas do leite que terminaram no fim de março de 2015. Em Portugal muitos produtores (em regiões como os Açores e o Minho, por exemplo) estão preocupados e falam no aumento dos custos de produção. Pedem apoios suplementares na fase de transição. A concorrência dos grandes produtores europeus, que escoam os seus excedentes para o mercado ibérico, é outra inquietação. Como olha para esta situação?
NM: Em relação ao leite já olho com muita preocupação desde o início da minha legislatura. Recordo que fui eu que fiz o requerimento dirigido ao antigo Comissário da Agricultura, Dacian Ciolos, pedindo que pela primeira vez datasse o momento em que as quotas terminariam. Sempre fui muito crítico em relação ao fim das quotas e apresentei um projeto de resolução para prorrogação do prazo, sobretudo pela preocupação que tinha (e tenho), já que considero ser uma preocupação de legislaturas mesmo.
nuno melo
AN: O que o preocupa?
NM: O impacto. Temos um problema que resulta do fim das quotas mas temos outro problema, que resulta conjunturalmente do conflito da Ucrânia, que devido ao embargo russo (que recebia muito do leite produzido na Polónia e de outros países de Leste), tivesse de ser canalizado para o mercado interno, distorcendo ainda mais este mercado. Além de que os custos de mercado não são os mesmos. Não é a mesma coisa produzir um litro de leite em Vila Nova de Famalicão (em modelo de minifúndio), ou produzir um litro de leite numa grande propriedade, com produções em massa, vocacionadas para as grandes exportações, na Polónia.
AN: Mas esse impacto foi pensado?
NM: Esses impactos, que sempre invocamos, não só em alguns países do sul, e em Portugal com muita firmeza, começam hoje a ser mais percetíveis. Eu acredito que, sendo o fim das quotas uma realidade, alguma coisa será feita a nível europeu para, no fator corretor, corrigir essa assimetria, nomeadamente o impacto negativo que muitos produtores vão sofrer. Até porque muitos deles investiram muito para modernizarem as suas unidades de produção.
Agroalimentar

AN: Falando do agroalimentar. Um dos objetivos do Governo português é chegar a 2020 com equilíbrio da balança comercial no setor. Neste momento o défice agroalimentar rondará os 2,6 mil milhões de euros. Como chegamos lá?
NM: Produzindo para o mercado interno, europeu e intra-comunitário. Como sabe está a ser negociado o Acordo Transatlântico de Comércio Livre (TTIP na sigla em inglês), atualmente em discussão entre os Estados Unidos e a UE, por exemplo. Se não for acautelado nesse fator que distorce um mercado saudável, poderá ser um problema para os produtores nacionais. Mas se (o acordo) for acautelado significará no mercado americano uma potencialidade. Neste momento, em Portugal ainda somos dependentes de muitos produtos. Temos mecanismos de produção razoavelmente obsoletos, nomeadamente no Interior, e práticas que precisam ainda de ser modernizadas. Há, pois, um conjunto de possibilidades que nos permitem acreditar que em Portugal se pode produzir mais, reduzindo importações e vendendo mais fora.
AN: Tem organizado nos últimos anos com a CAP o Congresso de Jovens Agricultores, onde têm sido distinguidos projetos nacionais inovadores. É para repetir este ano?
NM: Sim, em 2015 o Congresso será em julho e é a terceira edição consecutiva.
AN: O que o motivou a lançar esta iniciativa?
NM: Sobretudo mostrar que há jovens com qualidade no setor e que simbolizam a esperança de um futuro melhor. O que sempre pretendemos com este Congresso foi e é permitir que as diferentes organizações agrícolas europeias, a sociedade e os jovens agricultores, vejam no Parlamento Europeu um parceiro forte e proativo na discussão do setor e dos seus agentes. Premiar os melhores, destacar quem faz bem e mostrar que a renovação do tecido agrícola continua a ser uma das maiores preocupações da UE são as nossas intenções com esta iniciativa.

New Holland abre portas na Expo Milano 2015

04-05-2015


A New Holland Agriculture é o único fabricante de equipamentos agrícolas presente na exposição mundial na cidade de Milão, Itália.

O pavilhão da New Holland denomina-se Sustainable Farm ou Quinta Sustentável, fazendo uma tradução literal.

Serão 184 dias – até ao dia 31 de outubro - de exposições, eventos e conferências, que irão atrair milhões de potenciais visitantes às instalações da marca e que poderão perceber o papel da mecanização agrícola na cadeia de abastecimento da produção de alimentos e entender os agricultores que utilizam tecnologias e equipamentos New Holland.

Intrinsecamente ligado ao tema da Expo – Alimentar o planeta, energia para a vida – o pavilhão New Holland foi inspirado na estratégia Clean Energy Independent Farm, que oferece aos agricultores ideias e soluções tecnológicas para a produção independente, num ciclo contínuo e renovável de toda a energia necessária na quinta. Um dos símbolos desta tecnologia é o novo trator T6 Methane Power, alimentado a biometano e orgulhosamente posicionado sobre o telhado inclinado do pavilhão.

A Quinta Sustentável da New Holland, entre vários temas disponíveis, terá dois que merecem destaque: o "The Seeds of Life Series", que se trata de uma história contada em vídeo e que relata a vida e os desafios do dia-a-dia de nove heróis agrícolas e clientes da New Holland, que prezam tanto a tradição como a inovação para obter uma produção de alimentos mais limpa e saudável. Já o segundo tema prende-se com uma galeria cronológica que celebra os 120 anos da New Holland, desde o seu início em 1895, na Pensilvânia, passando pelas engenhosas intuições dos seus pioneiros fundadores, até uma gama de inovações e soluções tecnológicas que aliviaram gradualmente o fardo do trabalho agrícola, tornando-o mais produtivo, lucrativo, fiável e saudável.

Carlo Lambro, presidente da New Holland, foi o porta-voz da marca durante a cerimónia de inauguração do espaço. "Dedicámos uma enorme quantidade de recursos para garantir que esta oportunidade única é explorara para oferecer a milhares de potenciais visitantes uma visão aprofundada da New Holland e mostrar-lhes o que fazemos. Durante o evento, empregaremos 140 pessoas, incluindo técnicos, pessoal de apoio e de receção aos visitantes".

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O segredo do vinho português descobre-se cada vez mais na vinha

Por Manuel Carvalho
02.05.2015

Depois de décadas de reestruturação, como está o património das vinhas em Portugal?
Em Portugal há vinhas nas planícies do sul e nas montanhas do Norte, perto das praias ou nas regiões semiáridas do interior e se a maior parte da área cultivada com esta planta fica longe das grandes cidades, há videiras bem no coração das áreas urbanas do Porto e de Lisboa. Portugal é um país de vinhas, muito mais do que qualquer outra nação da orla mediterrânica - 2,59% do seu território está ocupado com esta cultura e enquanto a Itália se aproxima com 2,55%, a Espanha fica-se pelos 2,01% e a França 1,45%. Mas, mais do que ser um país com muitas vinhas, Portugal é um lugar de vinhas diferentes. O seu património de castas é único. Saber o que fazer com este património, discutir que castas devem ser privilegiadas, perceber se a área actual de vinha é suficiente ou se são necessárias novas plantações e fazer perguntas sobre se está na hora de parar a reestruturação e conservar as vinhas velhas que restam são tópicos cruciais para se identificar o rumo do vinho português no futuro.

Nas últimas duas ou três décadas deram-se passos gigantes nas artes de fazer o vinho, mas a revolução que se produziu nas vinhas não ficou atrás. O balanço do que se fez nas quintas ou nas herdades "é extremamente positivo", já que "quer do ponto de vista qualitativo, quer do ponto de vista da produção, as nossas vinhas estão hoje muito melhores", diz Frederico Falcão, presidente do Instituto da Vinha e do Vinho, o órgão do Estado que regula o supervisiona do sector. Nas últimas décadas, a área de vinha sofreu uma lenta mas continuada redução (ronda agora os 220 mil hectares), como aliás aconteceu em todos os países europeus. Mas a que resistiu foi alvo de uma intensa reestruturação.

Para se ter uma ideia desse esforço, entre o ano 2000 e 2015 modernizaram-se 50.800 hectares de vinhas, a uma média de 3.800 hectares por ano. Ou seja, neste período de tempo, quase um quarto da área nacional de vinha foi alterada. E em 2016 esse esforço vai continuar com a modernização de mais cinco ou seis mil hectares de vinha, o que implicará um investimento de 85 milhões de euros. Nos projectos já aprovados no âmbito do programa Vitis, as novas vinhas vão ser plantadas principalmente com as castas Touriga Franca (744 hectares), Aragonês/Tinta Roriz (533 hectares) e Touriga Nacional (531 hectares). No passado recente, a política agrícola europeia disponibilizou ainda fundos para o arranque de vinhas situadas em zonas menos interessantes e permitiu a transferência de direitos de plantação para zonas mais nobres.

O investimento e a modernização do vinhedo foi um passo obrigatório para o vinho português poder exibir as melhorias dos anos recentes. "No final dos anos 90 descobrimos a tecnologia e começámos a fazer vinhos correctos, mas indiferenciados. Quando quisemos dar um salto qualitativo e fazer vinhos com carácter, percebemos que tínhamos de procurar a identidade dos vinhos na vinha", diz Jorge Moreira, enólogo da Real Companhia Velha, da Quinta de la Rosa e autor do consagrado Poeira, do Douro. Nas reestruturações que foram entretanto feitas, equipas de enólogos e de viticultores  dedicaram-se a desenhar vinhas novas partindo para o terreno com já um conceito de vinho na cabeça. Nesta discussão, a escolha das castas tornou-se um ponto crucial.

A prova dessa preocupação está no extraordinário crescimento das plantações com Touriga Nacional. Há 30 anos, a "touriga", como é familiarmente designada, era apenas mais uma casta perdida no labirinto das vinhas do Douro e do Dão. A sua escassa produtividade tornava-a pouco simpática, embora tenha sido desde sempre o esteio dos grandes tintos do Dão que conseguem durar décadas na garrafa. Depois de ser estudada nos anos de 1990 por especialistas como Nuno Magalhães, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e de ser adoptada por enólogos ousados como José Ramos Pinto Rosas, a Touriga tornou-se um sucesso e de imediato passou a ocupar o lugar de porta-bandeira dos vinhos de Portugal. Hoje é a quinta variedade mais plantada em Portugal, ocupando 8.100 hectares de vinhas em praticamente todas as regiões do país.

Para muitos críticos, essa expansão da Touriga foi tão rápida e acentuada que se corre o risco de o vinho português se "touriguizar", ou seja, de se tornar uniforme e de esconder numa única palete de aromas e sabores a enorme variedade regional e genética da produção nacional. Jorge Moreira discorda dessa visão. "Começa a ficar bem dizer mal da Touriga Nacional", diz, "mas nos vinhos de top que não vêm de vinhas velhas é esta a casta que sempre se distingue", acrescenta. Para ele, "a Touriga Nacional tem a mesma identidade e a mesma força de carácter das grandes castas internacionais, como a Cabernet Sauvignon ou a Syrah. Tem aromas exclusivos, carácter e envelhece bem em garrafa".

A discussão sobre as castas encontra em Portugal uma amplitude que não existe em nenhum outro produtor de vinhos do planeta. Os produtores portugueses têm à sua disposição 343 variedades autorizadas para as suas plantações, e entre estas 268 são castas nativas – convém notar que cada região adoptou o seu próprio leque de castas admissíveis para o seu território. É por isso que nos planos de promoção internacional Portugal se apresenta como "um mundo de diferença". Uma diferença que se se faz pela evolução e adaptação das plantas ao solos e climas do país ao longo de séculos, mas também por uma origem remota, já que está cientificamente provado que após a última grande glaciação a vitis sobreviveu em refúgios na Península Ibérica e não apenas no Médio Oriente, de onde se expandiu, como até há pouco se acreditava.

Esse universo alargado de variedades da videira é, no geral, pouco estudado e conhecido. A Associação para o Desenvolvimento da Videira, Porvid, lançou um projecto inovador, com base em Pegões, que visa conservar essa riqueza genética. Num tereno de 273 hectares cedido pelo Estado serão cultivados e protegidos 50 mil genótipos de 250 castas nacionais – cada casta tem diferentes genótipos que, em muitos casos, dão origem a produções e tipos de vinho distintos. A ideia é conservar para o futuro a possibilidade de os produtores disporem de um leque quase ilimitado de castas, que em teoria lhes permitirá conceber vinhos de estilos muito variados. Porque é convicção generalizada entre viticultores e enólogos que se desconhece muito mais do que o que se sabe sobre as castas indígenas.

Jorge Moreira reconhece essa realidade. "O nosso conhecimento sobre as castas é muito pequeno. No Douro temos dezenas de variedades, mas só cinco é que foram estudadas. É um conhecimento muito redutor", diz. Até porque as conclusões obtidas nos anos de 1980 estão hoje postas em causa. Castas como a Barroca, a Tinta Roriz ou a Tinto Cão, que na altura mereciam todos os elogios, suscitam hoje muitas dúvidas aos produtores. E muitas outras, como a Sousão, são alvo de um renovado interesse. A Real Companhia Velha tem um projecto que aposta na descoberta de novos vinhos de castas "estranhas", como a Rufete, Tinta Francisca, Samarrinho, Arinto ou Sémillon. Peguemos no caso da Rufete. "Há uns anos, quando se privilegiavam vinhos carregados de cor, de volume e álcool, essa casta não tinha interesse. Mas agora que há uma procura por vinhos mais elegantes, pode ter muito potencial", diz Jorge Moreira.

O Estado não se tem envolvido nas opções dos agricultores em relação às castas, deixando as escolhas à livre iniciativa dos investidores. Mas, no futuro próximo, admite discriminar positivamente os apoios financeiros destinados a plantações com as variedades indígenas, afirma Frederico Falcão. Neste processo, vai surgir a discussão sobre o que são, de facto castas nacionais – algumas, como a Jaen (a Mencia da Ribeira Sacra, na Galiza), ou a Alicante Bouschet, a casta rainha do Alentejo, foram "nacionalizadas" e ninguém as vê como intrusas. Mas há quem questione a expansão acelerada que algumas castas internacionais conheceram em Portugal nos últimos 20 anos. A Syrah, por exemplo, é já a décima casta mais plantada em Portugal, ocupando uma área de 3.900 hectares.

A mudança das regras europeias para o sector do vinho cria uma boa oportunidade para se discutir o que fazer e para se acertarem estratégias. Porque a partir de 2018 não há garantias de ajudas ao investimento na reconversão das vinhas – até lá haverá um fundo de 65 milhões de euros por ano. Depois, deixará de haver direitos de plantação para começar a ser praticada a política de autorizações de plantação. Até agora, um produtor podia arrancar a sua vinha e vender os seus direitos de plantação a outro interessado. A partir de Janeiro, ou esse produtor replanta a sua vinha num prazo de três anos ou perde esses direitos. Para a instalação de novas vinhas passará a haver uma bolsa correspondente a 1% da área de cada estado-membro para distribuir, o que no caso português representa 2.200 hectares por ano.

Esta bolsa suscita diferentes apetites por parte das diferentes regiões. O Alentejo e, principalmente, o Douro, a braços com excedentes de produção, não parecem muito interessados em alargar as suas áreas vinha. Mas a região dos Vinhos Verdes vê essa possibilidade como uma urgência. "Vivemos um período de stocks particularmente baixos", diz Manuel Pinheiro, presidente da Comissão Vitivinícola Regional. Ou seja, a região está em dificuldades para responder á procura crescente dos seus vinhos, em particular os Loureiro e Alvarinho – para se ter uma ideia, as exportações de vinhos brancos cresceram 14% no primeiro trimestre deste ano. No caso de nenhuma região querer participar na distribuição das novas autorizações, os Vinhos Verdes admitem ficar com tudo. "O Conselho Interprofissional já enviou um pedido ao secretário de Estado para que a região possa aceder ao máximo de licenças de plantação atribuídas", diz Manuel Pinheiro. Para o presidente da Comissão dos Verdes, "a viticultura é a nova fronteira do Vinho Verde", sublinhando que a região "tem de reforçar a sua capacidade de produção".

Neste novo enquadramento político e financeiro, a reestruturação de vinhas deixará de ser uma prioridade. Frederico Falcão admite que o ritmo de investimento na modernização das vinhas se reduza, mas não vê nisso um problema de maior. "Muito do que havia a fazer está feito", nota, pelo que "abrandar o ritmo a reestruturação pode ser bom". Porquê? Muito provavelmente, as vinhas de pouca qualidade ou as que não tinham viabilidade económica já foram abandonadas ou modernizadas e as que ficaram, principalmente as vinhas velhas, são cada vez mais objecto de devoção dos enólogos. "Agora começa-se a olhar para as vinhas velhas e é importante que isso se faça – por causa da sua qualidade e para se evitar a sua erosão genética", acrescenta o presidente do IVV.

Um pouco por todas as regiões, as empresas têm apostado em produção das vinhas velhas para fazer alguns dos seus topos de gama – ou seja, estas vinhas revelaram um potencial económico não menosprezável. Porque as videiras com 30 ou 40 anos têm uma aptidão produtiva especial. As suas raízes profundas salvam-nas do stress hídrico nos anos mais secos e disponibilizam-lhes uma maior riqueza de nutrientes, tornando as maturações das suas frutas mais equilibradas. Não se sabe ao certo qual é a área ocupada por estas vinhas no país, mas em regiões com alguma densidade histórica, como o Dão, a Bairrada ou o Douro, muitas sobreviveram e são hoje protegidas como pequenos tesouros do património genético e como fontes de vinhos de excepcional qualidade – veja-se o caso do Legado, um vinho da Sogrape produzido a partir da centenária vinha do Caêdo, no Douro, onde um hectare de videiras produz apenas mil quilos de uvas.

Com uma parte significativa da sua área modernizada e apta para responder aos novos desafios, o sector do vinho entra agora numa fase de balanço entre o passado e o presente que tende a acentuar a sua originalidade no plano internacional. Haverá cada vez mais vinhos orientados para o padrão internacional do consumo, feitos com Syrah ou Petit Verdot e regiões como Lisboa e o Tejo parecem mais vocacionadas para disputar com enorme sucesso as grandes tendências do mercado do que em procurar afirmar as suas identidades em segmentos específicos de consumidores. Mas, no geral, a imagem que o país começa a ter lá fora e os prémios internacionais que os vinhos portugueses continuam a acumular mostram que o arcaísmo de outros tempos é hoje uma enorme vantagem. Sem esse arcaísmo, Portugal jamais poderia ter conservado um património tão vasto e tão original de castas com as quais se pode fazer quase tudo.

Uma pequena ilha no mundo da vinha
A videira é uma planta familiar na paisagem portuguesa, mas Portugal está longe de poder entrar em comparações com a área de vinha dos principais produtores mundiais. De acordo com a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), a Espanha tem a maior área de vinha do mundo (1.018 milhões de hectares), seguindo-se a França (800 mil hectares), a Itália (769 mil), a China (570 mil), a Turquia (517 mil) e os Estados Unidos (407 mil). Portugal, com os seus 224 mil hectares de vinha, ocupa a sétima posição neste ranking, mas quando se fala em produção de vinho, o país ocupa uma posição bem mais modesta – está em 11º lugar, o que sublinha a escassa produtividade da vinha nacional.

Nos últimos anos, o que aconteceu nas grandes tendências da economia mundial repetiu-se na situação da vinha e do vinho. A área global de vinha reduziu-se de oito para 7.5 milhões de hectares na última década, mas nesse recuo a Europa tem particular responsabilidade. Se em 2003 o seu peso na vinha mundial ascendia a 62.5%, hoje vale 55%. Como seria de esperar, a regressão da Europa é proporcional ao progresso da Ásia, cujos vinhedos passaram de 19.4 para 24% do total mundial. Um olhar mais atento permite depois constatar que neste surto a China teve um papel crucial. A sua vinha valia em 2003 menos de 4% da área total, mas actualmente já representa 9% - um crescimento de 127%.

Mas se a área mundial de vinha diminuiu, a produção aumentou 8%. O aparente paradoxo explica-se pela entrada no sector de áreas de vinha mais produtivas e de plantações mais voltadas para o volume. É essa mudança que explica a retracção na produção europeia, que passou de 52.9% do total mundial para 40.9%. Pelo contrário, a Ásia aumentou a sua quota de 20.3 para 29.8%. Actualmente, a China produz o dobro de Portugal (11.7 milhões de hectolitros contra 5.8 milhões de Portugal, em 2014). Mas permanece longe dos registos da França (46 milhões), da Itália (44 milhões) e da Espanha (38 milhões). Em boa parte porque uma grande parte da área de vinha chinesa está voltada para a produção de uvas frescas.

Sétimo em área de vinha e 11º na produção de vinha, Portugal ocupa uma posição intermédia entre estas duas no que diz respeito à exportação. Quem continua a mandar no negócio do vinho é a França, que em 2013 exportou um valor superior ao acumulado entre o segundo e terceiro maiores exportadores mundiais (a Itália e a Espanha), vendendo para o exterior 7.8 mil milhões de euros. Portugal exportou 720 milhões de euros, naquele que é o seu quinto ano consecutivo de crescimento. Está lado a lado com a Argentina, mas o seu desempenho está longe de comparar com o dos Estados Unidos ou da Alemanha no que diz respeito ao ritmo de crescimento das suas vendas. No top dez das exportações, um único país recuou nas exportações nos últimos anos: a Austrália. A Nova Zelândia, principalmente á custa dos seus Sauvignon Blanc, duplicou o seu volume de negócios. Um dado que serve como bom ponto de partida para a discussão sobre as castas indígenas e as suas vantagens.

domingo, 3 de maio de 2015

Discurso de Abertura - 32ª OVIBEJA


02/05/2015

Senhor Primeiro-Ministro,

Senhora Ministra da Agricultura,

Senhor Presidente da Câmara Municipal de Beja,

Excelência Reverendíssima o Bispo de Beja

Senhor Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da ACOS,

Senhores Presidentes de Câmara,

Excelentíssimos membros do Corpo Diplomático,

Autoridades civis e militares,

Minhas Senhoras e meus senhores,

A  inauguração  desta  32ª Ovibeja por Vossa Excelência reveste-se de um significado histórico para a nossa região.

Há dois anos Vossa Excelência anunciou aqui na Ovibeja, a continuação das obras do regadio de Alqueva, antecipando a sua conclusão para os finais de 2015.

Senhor Primeiro-Ministro,

sabemos que é um homem de palavra, que concretizou aquilo que nos prometeu há dois anos atrás.

O regadio já começou a dar os seus frutos.

Mais de metade da área disponível encontra-se ocupada pela cultura do olival, num modelo moderno e competitivo.

O Alentejo já produz mais de 70% do azeite nacional e o país atingiu a autossuficiência.

A qualidade do azeite nacional é comprovada nos vários concursos a nível mundial entre os quais o único concurso internacional de azeites virgem extra – Prémio Ovibeja, promovido em Portugal e organizado por esta Associação.

Além do olival, estão a surgir na região outras culturas que têm contribuído para esta campanha do regadio.

São exemplo os frutos secos, hortícolas, o milho, até mesmo a cultura da papoila para fins medicinais.

Estas culturas estão associadas a projectos de comercialização e transformação patentes na exposição Terra Fértil representadas por novas empresas implantadas na região com a chegada da água.

A ocupação do regadio de Alqueva constitui uma situação ímpar.

A sua taxa de ocupação rapidamente excedeu todas as previsões, o que revela o grande esforço financeiro dos agricultores, na transformação de uma vasta área de sequeiro em regadio.

É preocupação dos agricultores a poupança e boa gestão da água de rega, por motivos ambientais mas também económicos.

Essa poupança será, certamente, feita com rigor pela empresa do Estado que gere, entretanto, o regadio do Alqueva.

Senhor Primeiro-Ministro,

a agricultura e a exploração de gado em extensivo ocupam, com o montado de sobro e azinho a maior área da Região.

Estas actividades encerram grandes fragilidades devido ao mercado global, às condições de clima e de solo e, mais importante ainda, à erosão humana que grassa nestas regiões do interior.

O novo quadro comunitário de apoio é agora ainda mais exigente e restritivo para estes modelos de agricultura e para o nosso tipo de floresta mediterrânica.

As obrigações ambientais, o excessivo controlo dos efectivos animais e o aumento de compromissos difíceis de cumprir, deixarão certamente muitos agricultores de fora.

Tudo isto irá contribuir para a continuação do ciclo vicioso de uma agricultura pobre, com implicações directas na desertificação humana.

Senhor Primeiro-Ministro, Dr. Pedro Passos Coelho,

a nossa associação, ACOS – Agricultores do Sul, foi criada com a finalidade de melhorar a vida dos agricultores numa altura em que se punha em causa a propriedade privada. 

Granjeou notoriedade a nível nacional e internacional e sempre fez questão de contribuir para a solução de uma agricultura moderna e rentável no nosso país.

Muitas vezes o nosso trabalho não é devidamente reconhecido e a nossa opinião não é tida em conta, devido ao modelo que está institucionalizado.

As organizações que estão na capital assumem o principal papel, por vezes em detrimento daqueles que actuam no terreno, junto dos agricultores.

Comemoramos este ano a elevação do Cante Alentejano a património Universal da Unesco.

Temos hoje aqui na Ovibeja muitas crianças a cantar em uníssono uma moda alentejana, que faz parte da nossa identidade.

No próximo sábado, juntam-se mais de 2200 alentejanos, vindos de todo o País a cantar a uma só voz.

Esta é a realidade da Ovibeja a que alguém chamou de "todo o Alentejo deste mundo"

Manuel de Castro e Brito

Acordo CAP: Pingo Doce Renova Pagamento a 10 dias


QUARTA, 29 ABRIL 2015 14:20
O Pingo Doce vai prolongar por mais 12 meses a medida extraordinária de apoio aos produtores nacionais do setor agrícola com quem trabalha e que são membros da Confederação dos Agricultores de Portugal.

Esta medida consiste na antecipação para uma média de 10 dias, sem custos financeiros para o produtor, do prazo de pagamento praticado pelo Grupo.
 
A medida agora renovada, por mais um ano, entra em vigor no dia 1 de maio.

Agricultores franceses vêm a Portugal comprar variedade única de grão-de-bico

ANA RUTE SILVA 02/05/2015 - 09:35

Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária de Elvas desenvolveu três tipos de sementes que foram compradas por uma cooperativa de França e que, agora, as vende a produtores nacionais.

 
Em Elvas, há 37 variedades de sementes de trigo, aveia, ervilhas e outras que estão patenteadas DANIEL ROCHA

As letras negras garrafais ainda identificam o edifício branco, de arquitectura típica do Estado Novo, como a Estação de Melhoramento de Plantas. O nome oficial já não é este. Mudou para Unidade Estratégica de Investigação e Serviços de Biotecnologia e Recursos Genéticos do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) de Elvas. Muitas palavras para identificar um organismo público cuja origem remonta a 1915, ano em que foi criado o Posto Agrário de Elvas.

Nestes 40 hectares de terreno há talhões de terra semeados com trigo, aveia, chícharos, papoilas ou forragem que não são mais do que laboratórios experimentais. Em vez de tubos de ensaio há plantas ao ar livre, distribuídas por pequenos talhões.

Esta unidade, dirigida por Benvindo Maçãs, tem cerca de 37 obtenções varietais de trigo, triticale, aveia, grão-de-bico, ervilha ou fava. É o equivalente a patentes no mundo das sementes. Significa que podem ser incluídas no catálogo nacional de variedades e são comercializadas por quem compra a "patente". O INIAV de Elvas desenvolve no campo a chamada pré-base que é, depois, adquirida por empresas que, por sua vez, a multiplica e vende aos agricultores. Foi o que aconteceu com o grão-de-bico, cultura que em 2013 ocupava apenas 786 hectares de terra em Portugal, quase cinco vezes menos do que o feijão.

"A Europa é deficitária em proteína e importa muita soja, feijão, grão. E desde os anos 1960 e 1970, com os acordos bilaterais, abandonou-se um pouco estas culturas. Mas agora há uma necessidade cada vez maior de diversificação. E em Portugal temos um grande programa de produção interna. A ideia é desenvolver as espécies mais adaptadas às condições do território e substituir as importações", detalha Benvindo Maçãs.

O grão-de-bico é uma proteína barata e com grande potencial de crescimento. Antes, "todos a faziam no Alentejo", conta o responsável. Mas sem incentivos, os produtores deixaram esta cultura de lado, incapazes de competir com as versões mais baratas dos grandes produtores mundiais, onde a Índia e o México se destacam.

O INIAV de Elvas criou três variedades tradicionais específicas (elvar, elixir e eldorado) que se adaptam ao Mediterrâneo, região onde "chove quando não faz falta e quando a temperatura sobe, sobe muito", detalha Benvindo Maçãs. As alterações climáticas e o aumento da população trouxeram novos desafios a esta indústria que, agora, tem de produzir mais, mas usado menos recursos ambientais. Os franceses da Arterris, uma cooperativa da comuna de Castelnaudary, compraram ao INIAVE as variedades tradicionais e querem apostar no cultivo de grão-de-bico no seu país, diminuindo a dependência do exterior.

"Tem corrido tão bem que França já está a exportar para o Reino Unido onde a presença da comunidade paquistanesa é grande e tem grande apetência por este produto", revela Benvindo Maçãs. O ano passado foram vendidas em França 440 toneladas de sementes certificadas e, entretanto, os próprios produtores portugueses também quiseram testar em solo nacional a variedade do INIAV e compraram 100 toneladas aos franceses da Arterris. "Trata-se da Agro-Inovação, um grupo de investidores que há cerca de três anos se começou a interessar pela diversificação. A indústria alimentar importa tudo e as nossas variedades distinguem-se pela forma e sabor", diz Benvindo Maçãs.

O potencial negócio para o Estado português faz-se com o sucesso das vendas das sementes: quanto mais agricultores as semearem, mas dinheiro se encaixa. O exclusivo das três variedades foi vendido por um "preço simbólico" que ronda os quatro a cinco mil euros. É na valorização comercial que se faz dinheiro. "Nós recebemos royalties [espécie de taxa de utilização] sobre o valor a que as sementes são comercializadas", continua. A elvar, por exemplo, já está semeada em 630 hectares de terra em Portugal e, em Setembro, estará pronta a ser vendida ao consumidor final.

Mas o trabalho do INIAV de Elvas não se esgota no melhoramento da semente. "Somos obrigados a fazer uma selecção de manutenção e a entregar para o ano semente pré-base" actualizada, explica. A investigação é, por isso, contínua. Para chegar a uma variedade são precisos entre dez a 12 anos e, depois, é preciso continuar a estudar a semente, ver como reage a alterações de clima ou pragas, por exemplo.

É nesta estação de Elvas que também se estuda a melhor cevada para os cervejeiros nacionais produzirem malte, ou o trigo mole que pode ser usado na indústria alimentar, num jogo que Benvindo Maçãs chama de "variabilidade genética". Trata-se de responder à cada vez maior necessidade de comida em todo o mundo, obtendo mais grão, mais alimento, com menos água e recorrendo às espécies tradicionais. E, ao mesmo tempo, investigar com o foco nas necessidades do mercado e do consumidor.

"Hoje temos de nos preocupar com o território, encontrar as soluções para as necessidades dos produtores, produzir o máximo. Se não for competitivo, o território é abandonado. Só não há abandono se for possível ganhar dinheiro. Pode ser muito bonito produzir mais grão em território nacional, mas se não for competitivo não há solução", ilustra.

O trabalho de um "melhorador de plantas" está, por isso, nos bastidores da produção. É ele quem vai quase todos os dias ao campo, "falar com as plantas". "Tem de se apaixonar, observar. E há cada vez menos pessoas a quererem ser melhoradores de plantas. Temos de nos aperceber o que se passa em cada talhão. Não se pode fazer isto à distância", diz Benvindo Maçãs, lembrando que o aperto orçamental vivido nas estruturas do Estado também afectou a unidade de Elvas. Com mais de 50 funcionários, sofre com a falta de investigadores.

O INIAV de Elvas tem no total 356 hectares onde testa sementes, seleccionando as melhores. Tem origem no Posto Agrário de Elvas, criado por decreto a 30 de Junho de 1915 e instalado em terremos cedidos pelo Sindicato Agrícola. De acordo com informação disponível no site do INIAVE, o principal objectivo do posto era fazer estudos sobre pomicultura, olivicultura, viveiros e seleccionar novas linhas de cereais. Este trabalho de melhoramento de plantas é reconhecido numa portaria de 1901 que "determina a realização de hibridações de trigo entre variedades nacionais e estrangeiras".

sábado, 2 de maio de 2015

É preciso “mudar paisagem da floresta em Portugal”, diz especialista



Joaquim Sande Silva considera que melhorar as questões relacionadas com o combate é o mais fácil. Mais difícil é tornar a floresta menos susceptível aos incêndios. 

01-05-2015 1:14

Estamos a 15 dias do início da "fase Bravo" de combate aos incêndios florestais, a fase que precede o dispositivo em máxima força dos bombeiros e de outras forças de protecção civil. Por isso, a Renascença falou com Joaquim Sande Silva, especialista em floresta.
Este professor na Escola Superior Agrária de Coimbra diz que a parte do combate está garantida, o mais difícil é mudar a nossa floresta para que não arda tanto.
"Tudo indica que alguma melhoria que se tem sentido a nível dos incêndios - e isto já descontando a questão meteorológica - tem sido precisamente devido a alguma aposta que se tem feito no combate. Agora, é importante dizer que essa é a via mais fácil: apostar em melhorar as questões relacionadas com o combate é sempre o mais fácil e resolver. O que é difícil de fazer é aquilo que não tem sido feito: mudar a paisagem da floresta em Portugal de maneira a torná-la menos susceptível aos incêndios e isso é, de facto, o mais difícil de fazer ".

Este especialista lembra que Portugal é um dos países do mundo com menos propriedade florestal pública e das mais fragmentadas em termos europeus, com pouca floresta natural, mais resistente aos incêndios.
Joaquim Sande Silva diz que muito foi anunciado, mas quase nada evoluiu na nossa floresta. "Evolução em termos administrativos na criação de legislação, na criação das zonas de intervenção florestal (ZIF). Tudo isso foi anunciado como grandes realizações dos sucessivos governos dos últimos anos mas, enquanto não virmos que há de facto alterações consideráveis a nível da paisagem florestal portuguesa - o que não tem acontecido- não podemos dizer que estamos num bom caminho em termos de gestão florestal e em termos de mudar o estado das coisas da floresta portuguesa", disse.
Como exemplo, este especialista fala nas zonas de intervenção florestal. "Entretanto já passaram praticamente 10 anos e apesar de nós termos perto de 1 milhão de zonas de intervenção florestal (ZIF) em Portugal não vemos nada a mexer no terreno. A paisagem continua igual ao que estava e em muitos casos pior. Aquilo que arde em áreas de ZIF é basicamente o que arde nas outras. Foi uma evolução basicamente administrativa mas muito pouco em termos de gestão do território", referiu.
Mais dez anos são necessários, diz este especialista que é trabalho para vários governos. "Eu acho que vamos demorar muito. Mesmo que haja um governo que tome decisões que, até agora, não tem havido coragem de tomar no sentido de levar essa gestão ao terreno… Mesmo que isso fosse feito agora. Eram precisos no mínimo dez anos para vermos qualquer coisa mudar no terreno".

Ministra da Agricultura fã do "Ketchup à Portuguesa" produzido na Golegã

     
30/04/2015 20:12:11 951 Visitas   
Assunção Cristas foi convidada para uma visita destinada a assinalar o lançamento do mais recente produto da marca Paladin. 
PAULO CUNHA/LUSA

Ministra da Agricultura fã do "Ketchup à Portuguesa" produzido na Golegã
O sabor do "Ketchup à Portuguesa" produzido pela Mendes Gonçalves, na Golegã, conquistou hoje a ministra da Agricultura, numa visita a uma fábrica que considerou exemplo de como se pode acrescentar valor aos produtos "de grande qualidade" produzidos em Portugal.

"Procuramos ir buscar a excelência do que se faz em Portugal, na agricultura, e transformar no que produzimos, vinagres, ketchup, maionese, molhos para saladas", acrescentou.
Assunção Cristas foi convidada para uma visita destinada a assinalar o lançamento do mais recente produto da marca Paladin, o qual disse - depois de confessar não ser grande adepta de ketchup -- ter apreciado por ter "um sabor muito nosso".

"De facto, podemos sentir o sabor do nosso tomate, desta zona Ribatejo", disse, elogiando a Mendes Gonçalves por ter "agarrado com as duas mãos e de forma muito convicta uma estratégia de internacionalização, de inovação e de diversificação dos seus produtos e de construção de uma marca forte, a Paladin".

A ministra referiu em particular a disseminação da marca "por esse mundo fora", aludindo às embalagens "em muitas línguas" e destinadas a "muitas geografias" (mais de 23 países) que observou durante a visita.

"Temos excelentes produtos, de grande qualidade, que têm que ver com a nossa terra, com o nosso clima, mas precisamos de retirar desses produtos o maior valor possível e isto faz-se com muito trabalho, com investigação, com inovação, com o querer diversificar o que já temos", declarou, realçando o trabalho realizado pela agro-indústria "em forte proximidade com os produtores e também com o sistema científico nacional", como universidades e politécnicos.

Carlos Mendes Gonçalves, administrador da empresa, explicou o novo produto da marca Paladin com a vontade de dar ao ketchup um novo sabor à portuguesa.

"Não temos que estar a importar ketchup com outros sabores de outras culturas, temos o nosso gosto, o nosso sabor, e foi isso que pretendemos fazer com a Paladin", disse, sublinhando que todos os produtos da marca são previamente testados no mercado e aprovados pelos consumidores.

Como exemplos desta estratégia, referiu o recentemente lançado vinagre de tomate do Ribatejo, que resultou de uma parceria de investigação com um produtor da região, um molho de cebola caramelizada, um molho para douradinhos, e, para breve, vinagres de pera rocha e de maçã de Alcobaça. 

"Procuramos ir buscar a excelência do que se faz em Portugal, na agricultura, e transformar no que produzimos, vinagres, ketchup, maionese, molhos para saladas", acrescentou.

Para Carlos Gonçalves, a aceitação da marca está patente no crescimento em mais de 250% desde que foi lançada, uma aceitação verificada também na internacionalização (o produto é vendido no estrangeiro com a mesma imagem, introduzindo alguns produtos adaptados ao mercado em concreto), que representa 25% do negócio com meta de crescimento até 30% até ao final do ano.

Este mês a unidade em Angola, um investimento de 3,5 milhões de dólares realizado com um parceiro que é distribuidor naquele país, vai começar a produzir vinagre, disse.

A empresa dedica 5% da sua facturação à investigação e desenvolvimento, sector onde emprega 11 pessoas e que, frisou, "tem suportado todo o desenvolvimento da empresa".

Lusa/SOL

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Figo-da-índia ganha terreno no país e exportação pode chegar em 2016



 17 Março 2015, terça-feira  AnaClara Pequenos Frutos
figo da índia

Em Portugal o figo-da-índia era até há pouco tempo desconhecido da maioria dos cidadãos. Mas, desde 2009, que a planta começou a ganhar terreno, quando alguns produtores descobriram o seu potencial económico. Nesse ano foi instalado em Sesimbra o primeiro pomar ordenado. Dois anos depois nascia uma associação para defender a fileira. Cultivado um pouco por todo o país, é no Algarve que assume maior expressão ao nível de área plantada. Com diversas aplicações (gastronomia, cosmética ou imobiliário), pensa-se agora numa estratégia de exportação que deverá arrancar em 2016.
Fotos: APROFIP
Mário Nunes, presidente da Associação de Profissionais de Figo da Índia Portugueses (APROFIP), em entrevista ao Agronegócios afirma que a «consciencialização por parte dos portugueses, de que o figo-da-índia representava um potencial económico a aproveitar, deu-se em 2011», altura em que a APROFIP começou a ser constituída e a desenvolver iniciativas para a promoção e valorização da planta.
Normalmente, o figo-da-índia integra as memórias de muitos cidadãos no seu estado selvagem, sendo que era comum observá-lo à beira dos caminhos nas zonas rurais. Cenário que há seis anos a esta parte se alterou, com o seu aproveitamento na agricultura e para fins comerciais.
Para se perceber melhor como a planta começou a ser aproveitada em Portugal e integrar um verdadeira fileira, é preciso recuar a 2009, quando foi instalado em Sesimbra o primeiro pomar ordenado, com uma área aproximada de 0,8 hectares (ha) para exploração de frutos.
Um ano mais tarde surge outra iniciativa semelhante em Portalegre, «mas com o objetivo de se obterem cladódios (um tipo de caule que cresce paralelamente ao chão) como forragens, para alimentação de bovinos», recorda Mário Nunes.
Só em 2011, depois da realização do primeiro concurso de "Aromas e Sabores com Figo-da-Índia" em Martim Longo, concelho de Alcoutim (Algarve), foi possível assistir-se a uma maior divulgação da Opuntia Ficus Indica (nome científico da figueira-da-índia).
Estava dado o primeiro passo para a criação da APROFIP (a 4 de abril de 2012), nomeadamente com a manifestação por parte de muitos jovens e agricultores em apostarem na cultura desta planta.
Plantações em todo o país

Segundo Mário Nunes, existem plantações de figueiras-da-índia em todo o território nacional. No entanto, «as condições propícias para a produção de frutos com maior qualidade, são a luz e calor do sol em zonas com índices elevados».
«Todas as regiões do país onde existam essas condições climatéricas, a qualidade do fruto assume maior relevância», adianta o dirigente da APROFIP, acrescentando que os «terrenos propícios» são os pobres a nível agrícola, com boa drenagem e prolongada exposição solar.
«Apesar de se desenvolver sem regadio, o desenvolvimento desta planta é mais lento, tendo em conta que o período do ano em que a planta tem melhores condições para crescer, é a primavera e o verão e se não tiver regadio, começa a desidratar-se, com as elevadas temperaturas, e entra em estivação, ou seja, a planta não tem crescimento enquanto não voltar a recuperar a sua seiva natural, o que só irá acontecer no outono, logo que caia a pluviosidade suficiente para os solos ficarem húmidos», explica Mário Nunes.
Plantação de figo da índia
Actualmente os associados da APROFIP são responsáveis por cerca de 150 ha de pomares ordenados, sendo a variedade de polpa vermelha a que tem maior expressão, seguida da polpa laranja e em menor quantidade a verde.
Em termos geográficos o distrito do Algarve é o que conta com maior área plantada, seguido de Castelo Branco, Évora, Portalegre, Beja, Santarém, Leiria, Bragança, Viseu, Setúbal, Lisboa e Guarda.
«Relativamente a outros produtores (não associados da APROFIP) calcula-se que tenham cerca de 100 ha. de pomares ordenados e as suas áreas de localização, serão idênticas às referidas anteriormente», diz Mário Nunes.
De acordo com a APROFIP, em 2013, a produção de frutos, com origem em pomares, «não teve grande expressão em termos quantitativos, entre 20 a 30 toneladas».
Em 2015 espera-se que este volume seja de aproximadamente 60 a 80 toneladas já que a maioria dos pomares têm um a dois anos de vida.
Perfil do produtor

Mário Nunes refere que a faixa etária da maioria dos produtores de figo-da-índia situa-se de 25 a 40 anos, sendo que «a maioria têm formação académica em várias áreas, engenheiros, arquitetos, professores, advogados, geógrafos, etc.».
«Também muitos produtores, com mais de 40 anos de idade, se têm dedicado à exploração de figo-da-índia», esclarece.
Quanto à comercialização, o dirigente refere que a APROFIP tem sido contactada para o fornecimento de frutos para consumo em fresco e transformação, sementes de figo para extracção de óleo, nopal (cato) em pó.
No entanto, «não se tem concretizado o negócio, por défice de volume, com capacidade de resposta a essas solicitações», esclarece.
figo da índia 
Quanto a aplicações do figo-da-índia são muitas e variadas. A planta e o seu fruto são utilizados para diversos fins, como sumos, compotas, geleias, pastelaria, doçaria, licores, aguardentes, iogurtes, gelados, óleo cosmético, dietas de emagrecimento, forragens para pecuárias, fabrico de biodiesel, construção civil e decoração de mobiliário.
E, com o crescimento da fileira em Portugal, Mário Nunes realça que «os portugueses, principalmente os jovens, estão a aderir ao cultivo desta planta com muita determinação e até mesmo os picos não são um entrave».
«A maioria deles referem que o país ou outros familiares têm terrenos "abandonados" e gostariam de os rentabilizar, já que se trata de uma planta que não é exigente em termos de investimento, aplicação de fitossanitários ou em manutenção», frisa.
Exportar sim, mas com qualidade

Para Mário Nunes, o figo-da-índia português, devido às condições edafo climáticas existentes em Portugal, «poderá ser um dos melhores do mundo e se houver uma imagem de marca cuidada e o necessário marketing, acrescido da respetiva certificação biológica, essas qualidades assumem maior valor».
«Quando existirem produções de frutos, em escala industrial, a exportação deve ser a grande aposta da APROFIP e, nesse sentido, está já a trabalhar para que, a partir de 2016, possa actuar com sucesso, nessa sua missão», afiança o responsável.
Entre outros eventos de promoção da planta, a APROFIP organizou o I Festival Nacional do Figo da Índia (em outubro de 2012), na Escola de Hotelaria em Portimão, participou na Feira Salone Internazionale del Gusto e Terra Madre, em Turim, em outubro 2012, na Biofach, Nuremberg (2013 e 2014), apoiou a organização do I Encontro Nacional do Figo da Índia em Évora (em abril de 2014) e participou em diversas feiras e certames dedicados à planta por todo o território nacional.
No início de Fevereiro deste ano marcou ainda presença recentemente na Fruit Logística, em Berlim, com o objetivo de conhecer a realidade dos mercados internacionais do figo-da-índia e ajudar os seus associados no escoamento das próximas produções de figo-da-índia.
Recorde-se que a figueira-da-india (Opuntia ficus-indica) é uma espécie da familia Cactaceae, com origem e na região central do Mexico, sendo que pode ser encontrada em vários sistemas agrícolas de várias regiões do mundo.
A planta adapta-se particularmente bem em zonas semi-áridas, caraterizadas pela seca, chuvas erráticas e solos pobres sujeitos a erosão.
Na família Cactaceae a espécie Opuntia ficus-indica é considerada a mais importante do ponto de vista económico, sendo cultivada em mais de 20 países, com destaque para o México, Sicília, Argélia, Chile, Brasil e Norte de África.
Na Europa, a Itália e o principal produtor de fruto com uma área plantada dedicada de 3500 ha e uma produção total de 70 mil toneladas de fruto.  

Ministra satisfeita com conclusão do Alqueva sem aumento de endividamento



A ministra da Agricultura afirmou-se hoje satisfeita por o Governo estar a cumprir «realisticamente» o objetivo que traçou de concluir o Alqueva até final deste ano e sem aumentar o endividamento da empresa gestora do projeto.

«Fico tão satisfeita por ver que o Governo, realisticamente, de forma ambiciosa, mas com os pés assentes na terra, traçou um plano e está efetivamente a cumpri-lo com melhores condições de financiamento», disse Assunção Cristas.
A ministra, que acompanhou o chefe do Governo, Pedro Passos Coelho, na inauguração de um novo perímetro de rega do Alqueva, no concelho de Beja, frisou que a conclusão do projeto está a ser feita «sem aumento de endividamento» da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA).
Dinheiro Digital / Lusa

Agricultores devem entregar faturas em julho para serem reembolsados do IVA



A ministra da Agricultura e do Mar alertou hoje os agricultores que faturam até 10.000 euros por ano que devem entregar já em julho as faturas das despesas que tiveram com a produção para serem reembolsados do IVA.


Assunção Cristas fez este apelo no final de uma visita a uma exploração agrícola de legumes na Feiteira de Cima, em Santana, na Região Autónoma da Madeira, propriedade de João Hilário Gouveia.
"Trago uma mensagem para os pequenos agricultores, aqueles que estão fora do regime do IVA para que, vendendo a organizações de produtores, ou a cooperativas, ou a supermercados, possam guardar as suas faturas e fazer o pedido para reembolso do novo regime do IVA forfetário que permite, a quem, por ano, fatura até 10 mil euros, apresentar faturas daquilo que compram para fazer as suas produções, seja as sementes, seja os adubos, seja os fertilizantes", disse.
A ministra da Agricultura e do Mar referiu ainda que os pequenos agricultores podem pedir" o reembolso duas vezes por ano e a primeira vez vai ser já, agora, em julho" para poderem beneficiar do reembolso em seis por cento sobre o volume de vendas que fazem.
"São seis por cento do volume das vendas que lhes compensa um bocado aquilo que pagaram no imposto quando adquiriram os seus produtos", afirmou.
A ministra considerou esta possibilidade como "muito importante" porque "quer dizer que um agricultor que tenha de faturação por ano até 10 mil euros pode estar a receber 600 euros de reembolso do IVA duas vezes por ano, podem ser 300 euros num semestre e mais 300 euros no outro semestre".
Para isso, lembrou ser importante que "os agricultores adiram a este modelo e também, para isso, podem organizar-se melhor".
A ministra sustentou que a agricultura "é uma aposta deste Governo, e uma aposta para continuar", disse.
"A agricultura tem um papel importante na economia do país, tem tido excelentes resultados mas o Governo acredita que é possível continuar a trabalhar e ter ainda melhores resultados no país e, também, aqui, na Madeira, que é uma região deficitária no setor agroalimentar", concluiu.
Assunção Cristas visitou hoje a Madeira onde presidiu à apresentação pública da "Estratégia do Mar para a Região" numa iniciativa da Associação Comercial e Industrial do Funchal e, na Câmara Municipal de Santana, participou numa sessão de esclarecimento dirigida a agricultores.
Dinheiro Digital com Lusa

Há um novo método para reduzir o consumo de água na agricultura


Uma jovem estudante de 23 anos ganhou uma bolsa numa universidade americana após desenvolver um sistema que reduz o consumo de água por agricultores.
A brasileira Mariana Vasconcelos é a responsável pelo sistema. Inspirada pela crise hídrica no Estado de São Paulo, desenvolveu um método de reduzir entre 30% e 60% o gasto de água na agricultura. O sistema usa sensores em plantações que enviam informações sobre a quantidade de água necessária e o momento em que é preciso regar as plantas.
Eis como ela explicou o sistema ao El País:
«Com os dados fornecidos pelos sensores, geramos recomendações e dizemos ao agricultor quanto e quando tem que regar, a humidade do ambiente, as probabilidades de pragas do cultivo, o gasto de água e energia da plantação…»
Em resumo, Vasconcelos encontrou uma forma de juntar a medição de diversos elementos na agricultura de uma só vez e enviá-los para um smartphone. O sistema ainda pode ser adaptado para cada tipo de plantação, funcionando de maneira diferente de acordo com a necessidade de cada lugar.
A jovem - que faz parte da start-up AgroSmart com três colegas - venceu um concurso promovido pela FIAP e como prémio será levada para Silicon Valley nos EUA e estudará num centro de pesquisas da Singularity University, que fica num campus da NASA e é patrocinado pela Google e a Nokia.
Enquanto estiver a estudar fora do Brasil, Mariana também pretende levar o sistema para o sector público e privado - ela quer que até dez explorações usem o seu método até Junho, e 35 até ao fim do ano. Ambicioso, sim, mas, se der certo, pode ter uma grande contribuição no combate à crise hídrica.
Dados da Agência Nacional de Água indicam que 72% do consumo hídrico no Brasil vem da agricultura. Reduzir drasticamente esse consumo, assim, pode ajudar a minimizar os efeitos da falta de água.

Quais as críticas da indústria agroalimentar à grande distribuição?


Abril 28
13:27
2015

Esta notícia vem de França, mas pode perfeitamente ser adaptada às condições portuguesas. As principais críticas são a baixa de preços desproporcionada, bem como as compensações retroactivas e a ausência de respeito pela evolução dos custos de produção, sem atender à lei, mesmo com todos os controlos que são efectuados.

O agroalimentar sofre, sobretudo, com a violenta guerra de preços no seio da grande distribuição e que em Portugal se traduz por uma guerra Pingo Doce-Continente. Esta guerra de preços tem, efectivamente, permitido aos consumidores poupar alguns euros por semana, mas não se apercebem da destruição que está a causar ao nível do sector agroalimentar.

Em França, a indústria pede acções imediatas, como a que surgiu face ao quartel dos iogurtes, em que as empresas que combinaram os preços vão pagar uma multa total de 192,7 milhões de euros.

Esta situação está a levar à impossibilidade de novos investimentos no ramo agroalimentar, bem como à redução dos orçamentos na investigação e segurança alimentar, assim como ao nível do meio-ambiente, com prejuízos evidentes a curto prazo.

Portugal sente, sobretudo, este problema ao nível da carne de porco, cujos preços praticados pelos dois principais grupos portugueses são impossíveis para uma produção minimamente organizada.

 Imagem - savingdinner.com

UE reforça luta contra a Xyllela fastidiosa apesar da oposição de Roma

Abril 29
11:58
2015

A União Europeia reforçou, em 28 de Abril, o seu programa de luta contra a propagação da bactéria que está a destruir vastas áreas de olivais no sul de Itália, apesar da oposição de Roma, que, segundo a Comissão, não tem respondido satisfatoriamente aos apelos lançados.

Estas medidas reforçadas passam pela criação de uma zona tampão de 20 km à volta da área afectada, na província italiana de Lecce.

As árvores doentes serão abatidas e destruídas e será posto em prática um sistema de vigilância num raio de 10 m de cada árvore.

Os estados-membros devem notificar a Comissão do aparecimento eventual de qualquer surto da bactéria e limitar imediatamente a zona atacada.

No caso de existir um novo foco, todas as árvores das espécies susceptíveis de serem contaminadas, num raio de 100 m, devem ser destruídas.

Foi, também, decidido submeter a controlo estrito todas as importações e movimentos de plantas provenientes dessas zonas.

A França, que tinha decidido unilateralmente fechar a fronteira às importações de material vegetativo vindo de Itália, vai levantar esta interdição quando estas medidas forem postas em prática.

As importações de plantas de café das Honduras e da Costa Rica vão ser proibidas, pois suspeita-se que tenham sido as causadoras da entrada da doença em Itália, em 2013.

A Itália continua a não querer, sequer, ouvir falar da possibilidade de vir a arrancar as oliveiras, como medida para suster a doença.

Posto em causa o plano de apoio ao investimento de Phil Hogan


Abril 30
13:20
2015

O plano de apoio ao investimento lançado por Phil Hogan, que conta com o apoio do Banco Europeu de Investimentos (BEI), pode vir a ser posto em causa depois da publicação de um relatório recente do Tribunal de Contas Europeu, que levanta muitas questões sobre a legalidade daquele plano.

Este plano pretendia encorajar os estados-membros a usar instrumentos financeiros, tais como garantias sobre o capital investido, para os investimentos no sector agrícola. Assim, seria dada maior segurança aos bancos, de modo a encorajá-los a emprestar em condições mais favoráveis, ou seja, com taxas de juro mais baixas e com prazos de pagamento mais dilatados.

Até ao momento, só alguns países mostraram interesse em usar este tipo de instrumentos para o Plano de Desenvolvimento Rural 14-20.

Kersti Kaljulaid, do Tribunal de Contas europeu (ECA), afirmou que os instrumentos financeiros têm um potencial para melhorar a utilização de recursos públicos escassos ao providenciar financiamento para mais investimentos, utilizando o mesmo budget, mas o resultado da auditoria sugere que isto vai constituir um desafio considerável para conseguir obter o impacto pretendido.

A Grécia e a Roménia são responsáveis por mais de 2/3 dos 700 milhões de euros investidos pelos estados-membros em garantias e fundos de empréstimo, até ao final de 2013. Isto representou um excesso de 370 milhões de euros, que não se transformaram em empréstimos para os agricultores, segundo o ECA. De acordo com esta instituição, torna-se necessário melhorar o controlo destas medidas, para o financiamento chegar, de facto, aos agricultores.

Perigo para a carne de porco! Alemães começam a usar soja nas salsichas!


Abril 30
13:21
2015

Os alemães são conhecidos pelo seu elevado consumo de carne de porco, sobretudo ao nível de produtos transformados, dos quais se destacam as salsichas.

Nos últimos anos, o consumo de carne de porco tem vindo a diminuir, preocupando os produtores.

Aparece, agora, uma nova tendência, de utilizar cada vez mais soja nas salsichas, em detrimento da carne de porco. São apontados alguns motivos para este facto, sendo o principal, o número de vegetarianos na Alemanha, que duplicou nos últimos anos.

O partido dos verdes, na Alemanha, tem encetado uma certa campanha contra a carne de porco e a favor das salsichas com soja, invocando motivos de saúde pública. Outro argumento dos verdes é que os consumidores começam a ficar fartos dos escândalos com as carnes e querem saber exactamente aquilo que comem.

Outro problema põe-se com a discussão, a nível mundial, de resistência aos antibióticos e do seu uso crescente na produção animal.

Uma sondagem recente, realizada na Alemanha, mostra que 3,7% da população é vegetariana e que 60% encara a possibilidade de reduzir o consumo de carne.

Neste momento, a indústria das salsichas está a ter que se adaptar às novas realidades, como é o caso de uma indústria que trabalha desde 1930 e que, recentemente, começou a introduzir soja nas salsichas.

Desflorestação: mais de 200 milhões de hectares em risco de desaparecer nos próximos 20 anos


 30 Abril 2015, quinta-feira  Agroflorestal

O alerta foi dado esta semana pelo World Wide Fund for Nature (WWF), que não tem dúvidas: mais de 200 milhões de hectares de floresta vão desaparecer nas próximas duas décadas.
A desflorestação vai atingir uma área equivalente à Alemanha, França, Espanha e Portugal em 2030.
Um cenário que vai incidir sobretudo na Amazónia, Austrália e em Sumatra (Indonésia) sendo que 80% está concentrada em 11 regiões: a Amazónia, a floresta atlântica e o Gran Chaco, o Cerrado, o Choco Darien, a bacia do Congo, África oriental, Austrália ocidental, o grande Mekong, Bornéu, Nova Guiné e Sumatra.
Estas desflorestações servem para aumentar a área agrícola, incluindo pastagens para animais, plantações para óleo de palma e para produção de soja.
O corte de madeiras exóticas e madeiras para combustível é, também, um motivo para desflorestação.
A WWF quer, portanto, implementar um programa a nível mundial, que venha a proteger, não só o meio ambiente, como também, as populações que vivem dessas florestas.
A situação só não é mais grave porque tem havido florestação na China e na Rússia, em terrenos que foram abandonados para a agricultura, revela o WWF. 
Saiba mais aqui.

Estudo: projeções estimam que agricultura mundial cresça 3,5% nos próximos dez anos



 30 Abril 2015, quinta-feira  CerealiculturaAgricultura
agricultura

O Departamento Agrícola dos Estados Unidos (USDA) emitiu nos últimos dias o seu estudo anual referente às previsões para a agricultura a nível mundial para os próximos dez anos.
Este ano as projeções são feitas para o período de 2015 a 2024.
Entre as principais previsões deste estudo, o USDA estima um crescimento mundial de 3,5% em média, ou seja, um aumento em relação aos anos anteriores. Algo que se deve ao crescimento nas economias emergentes, China e Índia.
Por outro lado, a USDA só prevê um crescimento de 1,9% para a União Europeia.
Já as tensões geográficas devem ter uma grande influência nos mercados, com a Rússia a tentar caminhar para a autosuficiência.
Já a baixa dos produtos agrícolas, que se tem vindo a verificar nos últimos anos, deve ainda manter-se durante alguns anos, mesmo com o aumento da procura, devido ao aumento da população mundial.
Este aumento da procura será compensado pelo aumento das exportações de países como a Argentina, a Austrália, o Brasil, o Canadá, os Estados Unidos e a União Europeia.
Estas previsões devem, contudo, ser analisadas com algum cuidado, vinca o USDA, uma vez que os mercados agrícolas são expostos a muitos riscos, cujos efeitos tornam-se muito nefastos à evolução dos preços.
Existe uma concentração crescente dos factores de produção em zonas com vantagens comparativas e competitivas.
Isto confirma um novo reagrupamento geopolítico à volta das potências emergentes e dos países em vias de desenvolvimento, que devem vir a ter cada vez mais peso a nível mundial.

Tecnologia da Universidade de Aveiro põe drone a vigiar as florestas

PÚBLICO 30/04/2015 - 12:32

Equipamento tem a capacidade de monitorizar 50 mil metros quadrados de área florestal a cada dez minutos.

 
O drone está equipa com um equipado com um sensor multiespectral UNIVERSIDADE DE AVEIRO

Uma equipa da Universidade de Aveiro desenvolveu uma tecnologia que, quando integrada num drone (avião não tripulado), permite avaliar as consequências que a falta de água ou de nutrientes, doenças ou ataques de insectos e fungos têm sobre as florestas. Na fase seguinte, a equipa pretende que o projecto chegue também às explorações agrícolas.

O objectivo inicial do projecto é simples. "Mudar o paradigma da monotorização das florestas, que quando realizada é morosa e feita por técnicos no terreno", indica a Universidade de Aveiro (UA) em comunicado.

Jan Jacob Keizer, investigador do Departamento de Ambiente e Ordenamento da UA, explica que foi desenvolvido "um sistema para a monitorização de plantações de eucalipto, tendo em conta a relevância económica destas plantações, não só em Portugal mas também em muitas outras regiões do mundo como, por exemplo, o Brasil". E porquê o eucalipto? Trata-se da espécie florestal dominante no país e que, segundo o investigador, representa actualmente mais de 6% do total da superfície florestal, num total de 812 mil hectares.

Devido à dimensão da área em causa, a utilização de um drone poderá facilitar a tarefa de monitorização. Segundo a UA, o equipamento com a nova tecnologia "consegue monitorizar 50 mil metros quadrados a cada dez minutos".

Numa parceria com os departamentos de Biologia e Química da UA e com a Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Águeda, a equipa criou uma tecnologia que faz uma monitorização por imagens multiespectrais, "imagens adquiridas em diferentes comprimentos de onda que resultam na captura separada de cores", que são captadas através do drone, de asa rotativa com propulsão eléctrica, equipado com um sensor multiespectral.

Jan Jacob Keizer indica que as imagens são depois utilizadas "para quantificar, de forma espacialmente explícita, o grau de impacto de vários factores de stress no crescimento tanto de uma plantação como um todo como de árvores individuais". Num voo é possível, por exemplo, "avaliar a eficácia de um tratamento contra uma praga ou determinar a mortalidade de plantas recentemente plantadas após dias de geada ou de seca".

Os drones da UA podem ser enviados em missão sob solicitação dos produtores florestais.

“Portugal Sou Eu”: a marca que potencia os produtos nacionais

 30 Abril 2015, quinta-feira  Ana Clara Hortofruticultura & FloriculturaIndústria alimentar

Lançado em dezembro de 2012, o "Portugal Sou Eu" é uma iniciativa do Governo português criada com o objetivo de promover os produtos nacionais e melhorar a competitividade das empresas. Mais de dois anos depois, Luís Mira, secretário geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), entidade que integra o órgão que gere a iniciativa, fala ao Agronegócios sobre o programa que conta com três mil produtos portadores do selo "Portugal Sou Eu". Destes, «52% respeitam ao setor agroalimentar». Já o volume de negócios agregado ao programa é superior a 3,1 mil milhões de euros.
portugal sou eu
Começamos pela questão de produtos agrícolas. Que mais-valia traz o "Portugal Sou Eu" a produtores e agricultores?
Luís Mira não tem dúvidas de que a grande mais-valia para os produtores agrícolas «é a rápida identificação e o reconhecimento por parte dos consumidores», bem como «a notoriedade que uma associação à marca Portugal pode conferir aos seus produtos».
Atualmente, afirma o responsável, cerca de três mil produtos são portadores da certificação "Portugal Sou Eu", o que corresponde a um total de 350 empresas.
«O setor alimentar é particularmente relevante para a economia nacional, pelo que é natural que em termos de produtos seja também o mais representativo», afiança Luís Mira, acrescentando que o programa «desenvolveu um esforço intenso neste setor de atividade, tendo em atenção a sua importância e visibilidade para os consumidores finais».
«Cerca de 52% dos produtos respeitam ao setor agroalimentar e 16% ao setor das bebidas», informa.
O agroalimentar tem uma grande importância no programa, como já foi referido, resta saber qual a real importância para o crescimento económico do país, outro intento da iniciativa.
Para Luís Mira, a relevância do setor agroalimentar para a economia nacional «é uma realidade reconhecida pela generalidade dos observadores e confirmada pelos dados estatísticos, que confirmam um aumento exponencial das exportações e uma tendência de equilíbrio da balança comercial do setor».
«O programa "Portugal Sou Eu" começou há relativamente pouco tempo e, portanto, carece ainda de evolução e de um maior grau de reconhecimento por parte dos consumidores, para que os produtores possam tirar dele o máximo partido. No entanto, o setor agroalimentar é muito mais do que apenas os produtos com marca e com enquadramento no "Portugal Sou Eu". É também composto de commodities cotadas nos mercados internacionais e que não são adquiridas aos produtores por via da sua marca», sublinha.
«Balanço muito positivo»

Mais de dois anos depois de o programa estar no terreno, o balanço feito pelo secretário geral da CAP «é muito positivo».
luis mira
Luís Mira, secretário geral da CAP
«Os produtos qualificados com o selo "Portugal Sou Eu" representam um volume de negócios agregado superior a 3,1 mil milhões de euros», esclarece Luís Mira, adiantando que no portal estão registadas mais de 1300 empresas, cujos produtos estão em processo de qualificação.
Atualmente, o programa abrange todos os setores da economia. «A produção agrícola e primária, os produtos de transformação industrial, o artesanato e os serviços, através da adesão ao selo "Portugal Sou Eu"», diz, lembrando que «abrange também, mais recentemente, o comércio a retalho e a restauração e através da adesão ao estatuto 'Estabelecimento Aderente'».
Também desde dezembro de 2012, «foram dinamizados mais de uma centena de eventos dirigidos a empresas ou ao público em geral, significando, em média, mais de uma ação de promoção, divulgação ou sensibilização por semana».
O "Portugal Sou Eu" conta ainda com 17 embaixadores (personalidades dos mais diversos quadrantes da nossa sociedade) e que dão a cara pela iniciativa.
Por outro lado, «a marca Portugal (versão exportação do "Portugal Sou Eu") está a ser promovida «através da sua aplicação como marca chapéu na esmagadora maioria das presenças coletivas no âmbito internacional, promovidas diretamente ou através de terceiras entidades associativas, coordenadas pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP)».
Massificação da marca em 2015

Em 2015, antecipa Luís Mira, «espera-se que se verifique uma massificação da marca "Portugal Sou Eu" e que os meios do novo quadro comunitário de apoio permitam promover um reconhecimento mais abrangente do programa e da sua marca, por parte dos consumidores em geral».
O responsável explica, contudo, que o reconhecimento de uma marca «tem o seu tempo de sedimentação, baseado na relação de confiança que se estabelece». «Encontramo-nos na rota da construção dessa confiança, dando passos sólidos e rigorosos, e estamos convencidos que ganhará maior notoriedade com uma crescente adesão das empresas e afixação do selo nos rótulos dos produtos», assegura.
E recorda que o esforço está bem patente no estudo de "Portugalidade", realizado pelo Instituto Superior Economia e Gestão (ISEG), que indica que o reconhecimento da marca "Portugal Sou Eu" alcança os 27,7%, «quando somados os dois símbolos associados à marca, incluindo a versão exportação e a versão nacional».
«Trata-se de uma percentagem que consideramos interessante na perspetiva de promoção junto do consumidor em fevereiro de 2014, tendo o estudo de notoriedade decorrido em setembro 2014 e sido divulgados os seus resultados em Novembro», acrescenta.
portugal sou eu
A medição da notoriedade será novamente realizada após novas campanhas de promoção e de informação, no período 2015-2017.
Para Luís Mira não há dúvida de que «temos produtos nacionais de grande qualidade» no "Portugal Sou Eu". «Vinho, azeite, fumeiro e queijo, são setores específicos com marcas de excelência reconhecida», exemplifica, dando outros exemplos como a Gumelo ou compotas em bisnaga, no âmbito dos produtos inovadores, ou o Cantinho das Aromáticas, com o Prémio Londres, ou ainda o BeeIellow, mel em embalagem inovadora.
Sucesso do agroalimentar

Sobre o desempenho do setor agroalimentar, o responsável da CAP salienta que «os produtos agroalimentares portugueses têm margem de evolução na linha do que tem vindo a acontecer nos últimos anos».
«Os produtos hortofrutícolas têm sido um exemplo recente de como implementar, com capacidade técnica e logística, uma estratégia exportadora de sucesso nos exigentes mercados europeus, nomeadamente tirando vantagem de condições climáticas específicas, com mais horas de sol, e conseguido colocar os produtos nos mercados do centro da Europa antecipadamente em relação ao produtores de outras zonas do continente e do mundo», sustenta.
Um sucesso que, na opinião de Luís Mira, se deve «à capacidade organizativa do setor, que tem sido determinante para o sucesso acompanhada, obviamente, pelo espírito empreendedor e pelo investimento dos produtores nacionais, assim como pela sua capacidade de modernização, na sequência de uma boa aplicação dos fundos comunitários».
Por outro lado, conclui, «a qualidade dos produtos agroalimentares nacionais é um fator distintivo determinante para as nossas marcas e os nossos produtores se afirmarem nos mercados internacionais».
Recorde-se que o "Portugal Sou Eu" nasceu de uma iniciativa do Ministério da Economia, numa parceria com a sociedade civil, com o objetivo de valorizar a produção nacional.
É gerido no terreno por um conjunto de parceiros, públicos e privados, como o IAPMEI, a AIP, a AEP e a CAP. 


Portugal 2020: CAL e Banco BIC promovem programa de internacionalização do agronegócio no espaço lusófono



 30 Abril 2015, quinta-feira  diversosNegócios

A CAL - Câmara Agrícola Lusófona, no âmbito do seu protocolo com o Banco BIC, informa que tem disponíveis diversos produtos financeiros e crédito em condições especiais para os seus associados no âmbito do Portugal 2020.
«As prioridades estratégicas, enquanto plataforma de referência do agronegócio no espaço da CPLP, estão orientadas em dois vetores, a exportação e internacionalização do agronegócio sob o lema "together we go far"», explica em comunicado a CAL. 
Face à redução dos apoios neste novo quadro comunitário, no âmbito do Portugal2020, a comparticipação de 75% a fundo perdido reduziu-se agora para 50%.
Com este protocolo do Banco BIC, esclarece a CAL, o objetivo «passa por alavancar as empresas no âmbito da sua presença em missões empresariais, missões de prospeção e feiras no âmbito do nosso programa da CAL "Internacionalização Agronegócio PME Lusofonia"».
Esta linha pretende apoiar os associados e participantes neste programa financiando-se em condições especiais no Banco BIC por forma a suportar o investimento inicial.
Há ainda outras linhas e instrumentos que Banco BIC colocou á disposição dos sócios da CAL.
Entre as feiras em destaque no âmbito desta iniciativa está a Feira Internacional de Agronegócios, está a Expointer, que tem lugar no Brasil entre 29 de agosto e 6 de setembro de 2015; a Feira Internacional de Agronegócios, que decorre em Cabo Verde de 9 a 15 maio de 2016; e a Expointer que se realiza no Brasil entre 29 de agosto a 6 de setembro de 2016.
Já no campo das missões empresariais e ações de prospeção de clientes e promoção de produtos estão previstas as seguintes em 2015: Huambo (Angola), Guiné-Bissau, Cabo Verde, Nampula (Moçambique), Guiné-Equatorial, São Tomé e Príncipe.
Em 2016 a ação irá passar pelos mesmos países.

Manual da CAP ajuda pequenos agricultores com obrigações fiscais



 30 Abril 2015, quinta-feira  AgroflorestalAgricultura
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) em parceria com a Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas (OTOC), lançou recentemente um manual de boas práticas fiscais dedicado aos pequenos agricultores.
O documento visa ajudar os pequenos agricultores, de natureza singular (IRS), com rendimentos provenientes da venda de produtos agrícolas inferiores a dez mil euros, a conhecerem as suas obrigações fiscais.
Na introdução do manual, pode ler-se que o mesmo se justificou, atendendo «ao grande número de alterações em matéria fiscal que abrangem não só os agricultores de média e grande dimensão mas também os pequenos agricultores, nomeadamente as recentes alterações em termos de IVA que abrangem a actividade agrícola é importante enumerar as obrigações necessários para o exercício de uma actividade agrícola».
A CAP recorda que a maioria das explorações agrícolas são de natureza singular e de pequena dimensão.
Os promotores deste guia recordam que os pequenos agricultores, em regra, «não dispõem de contabilidade organizada e inserem-se em termos de tributação na categoria B do IRS».
No entanto, referem, «a sua organização e cumprimento das obrigações fiscais para além dos salvaguardar do incumprimento, interfere em toda a cadeia das atividades agrícolas nomeadamente nas médias e grandes empresas, cooperativas, organizações de produtores etc., já por si organizadas».

Castelo Branco debate em junho temática do solo



 23 Março 2015, segunda-feira  AgroflorestalAgricultura
solos 

A Escola Superior Agrária de Castelo Branco (ESACB) irá ser palco entre 24 e 26 de junho de um Encontro dedicado aos solos.
Intitulado "Proteger as funções do solo – assegurar a vida na Terra", o evento irá debater a importância do recurso solo na produção e qualidade dos alimentos, como reserva de biodiversidade, como regulador do ciclo hidrológico, do carbono e de outos ciclos biogeoquímicos bem como no desenvolvimento socioeconómico.
Os organizadores realçam a importância do Encontro com a relevância do solo como parte «essencial para um planeta saudável e para o bem-estar da Humanidade», tal como vinca a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
A iniciativa decorre no âmbito do Ano Internacional dos Solos (declarado pela Organização das Nações Unidas) que decorre em 2015 e realiza-se no âmbito do Encontro Anual das Ciências do Solo (EACS 2015), promovido pela Sociedade Portuguesa da Ciência do Solo.
A ESAC, do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), apoia a iniciativa.