sexta-feira, 12 de junho de 2015

Pires de Lima adverte António Costa que agricultores «dispensam políticos tristes»


O ministro da Economia disse hoje, em Santarém, que os agricultores «dispensam políticos tristes» e advertiu o líder socialista, que hoje visitará igualmente a Feira da Agricultura, que o setor quer um discurso de confiança e de esperança.
"Não sei com que tom, com que ar, vem aqui o líder da oposição, mas sei que estes agricultores e agroindustriais, os produtores florestais precisam e querem um discurso de confiança, um discurso de esperança", disse Pires de Lima durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura, que decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.
Começando por afirmar que em matéria de agricultura e agroindústria não é "um cristão-novo", pois trabalha no setor há mais de 20 anos, Pires de Lima frisou que "quando se diz mal da nossa economia está-se a dizer que estes empresários, estes agricultores, não são capazes".
"Aquilo que os senhores que estão na feira dispensam é políticos tristes, que venham aqui – espero que não venha nenhum, hoje – dizer mal da nossa economia, dizer que está tudo mal. Se a nossa economia está bem, o principal mérito é dos empresários, das empresas, dos gestores, dos trabalhadores do setor privado, que demonstram uma vez mais a sua competência", afirmou.
Para Pires de Lima, os políticos "devem fazer o que está ao seu alcance para não prejudicar a economia, para facilitarem a vida aos empresários e agricultores", frisando que, "independentemente das adversidades" dos últimos anos, os empresários sabem que o Governo "tem estado sempre ao lado dos que procuram criar riqueza".
"Os agricultores que aqui estão sabem quem vem aqui pela primeira vez com uma cultura de que tem que ser porque este ano é de eleições e os que vêm há uma montanha de anos, estando no poder ou na oposição", disse.
A 52.ª Feira Nacional da Agricultura foi inaugurada no sábado na presença do Presidente da República, tendo recebido a visita do primeiro-ministro na segunda-feira e do vice-primeiro-ministro hoje, em comitivas que contaram sempre com a presença da ministra da Agricultura.
A deslocação do secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, está agendada para as 19:00 de hoje.
Diário Digital com Lusa

Reconhecimento do arroz carolino é «importante» mas não chega


O coordenador da Associação Portuguesa dos Orizicultores (APOR), Isménio Oliveira, considerou hoje que a atribuição pela Comissão Europeia de Indicação Geográfica Protegida (IGP) ao arroz carolino do Baixo Mondego é «importante», mas não chega.
A Comissão Europeia acrescentou hoje o arroz carolino do Baixo Mondego à lista de produtos com IGP, o que é, para Isménio Oliveira, uma iniciativa «importante», há muito exigida pelos produtores, mas que peca por falta de «medidas nacionais» que promovam e incentivem a produção e consumo deste arroz.
«Esta indicação valoriza e pode incrementar a produção e consumo de arroz carolino do Baixo Mondego por parte dos portugueses», mas seria necessário que a decisão «fosse complementada com a promessa feita pelo Ministério da Agricultura de promoção deste arroz a nível nacional», disse à agência Lusa o dirigente da APOR.
Diário Digital / Lusa

Poiares Maduro anuncia medidas para promover agricultura através da gastronomia


Os ministérios do Desenvolvimento Regional e da Agricultura vão apostar no potencial turístico da gastronomia portuguesa para promover internacionalmente os produtos agrícolas, anunciou hoje o ministro-adjunto e do Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro.

"Em conjunto com o Ministério da Agricultura estamos a preparar um conjunto de iniciativas que ajudem à divulgação dos produtos da agricultura portuguesa, do agroalimentar português, associando-os a toda a fileira da gastronomia", anunciou hoje o ministro durante uma visita à Feira Nacional de Agricultura, que decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.
O objetivo é "vender a cultura gastronómica portuguesa como fator de turismo mas também como fator de potenciação do nosso setor agroalimentar a da agricultura", explicou Poiares Maduro.
A intenção dos dois ministérios [do Desenvolvimento Regional e da Agricultura] é "apoiar [esse setores] a nível internacional, levando ao mesmo tempo vários desses setores económicos: os produtores agrícolas, a indústria agroalimentar, os agentes do turismo, da restauração, os chefs", atores que "em conjunto podem ter uma capacidade ainda maior de vender e promover a distribuição dos diferentes produtos dessa área", acrescentou.
Para Poiares Maduro é "agrupando, ganhando escala e massa crítica" que o país consegue ser mais eficaz "na promoção dos nossos produtos a nível internacional", sustentou, reforçando a necessidade de "apoiar cada vez mais a melhoria da qualidade, da produtividade e da internacionalização" dos produtos portugueses.
O ministro que hoje assumiu, simbolicamente, no 'stand' da CAP (Confederação dos Agricultores Portugueses), um conjunto de dez compromissos que passam pela opção pelos produtos portugueses, elogiou "a vitalidade" e a evolução notável" do setor agrícola nacional, considerando-o "um pilar da recuperação económica que o país iniciou".
Frisando a capacidade de inovação e de internacionalização demonstrada pelos agricultores nacionais, Poiares Maduro, afirmou que o Governo tem que "continuar a apoiar esse processo" e deixou mesmo algumas sugestões práticas.
Entre elas a de que a TAP passe a disponibilizar aos passageiros "embalagens individuais de mel", ou de "frutas desidratadas", produtos em exposição na feira e que assim "poderiam ter um novo mercado".
Até porque, "a inovação não é apenas ter produtos novos, ter uma marca diferente, ter embalagens mais atrativas", é, encontrar também "uma forma diferente de colocar os nossos produtos no mercado", reforçou.
Dinheiro Digital com Lusa

Acção de sensibilização sobre cancro de pele na Feira Nacional de Agricultura

Jun 09, 2015Notícias0Like

Até 14 de Junho, a Confagri (Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal) promove no seu stand na Feira Nacional de Agricultura uma acção de sensibilização relativa à exposição solar e ao cancro de pele entre a população agrícola. Esta acção resulta de um acordo de colaboração institucional firmado entre a Confagri e várias entidades: a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, a Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia e a Leo Farmacêuticos.

Na acção será usada uma câmara UV – equipamento que consegue detectar pele lesada pelo sol, evidenciando alterações decorrentes da exposição solar excessiva invisíveis a olho nu –, destinada a fotografar a face de todos os visitantes interessados em conhecer o estado da sua pele. Acredita-se que, «ao evidenciar o dano solar que a nossa pele acumula ao longo dos anos, e que não vemos a olho nu, a fotografia de UV pode servir como um alerta para evitar futura exposição excessiva e não protegida à radiação UV», referem as entidades em comunicado de imprensa. No local, técnicos de saúde vão ainda prestar informação sobre exposição solar e cancro de pele.

Estas entidades alertam que «a incidência do cancro de pele tem aumentado nas últimas décadas» e que este aumento «deve-se, em grande parte, à exposição excessiva à radiação ultravioleta». «Os comportamentos de risco não se limitam aos períodos de exposição solar durante as férias, também são decorrentes de actividades profissionais como a agricultura. […] A actividade agrícola está associada a longos períodos de exposição solar, durante muitos anos, na maioria das vezes sem protecção solar adequada.»

A Feira Nacional de Agricultura decorre no Cnema, em Santarém, até 14 de Junho.

Continua a polémica em França sobre a quinta das 1.000 vacas

Junho 11
11:15
2015

O projecto de investimento da exploração leiteira em Drucat, França, denominada quinta das 1.000 vacas, continua envolvido em polémica.

Depois do promotor (investidor sem nenhum elo de ligação à agricultura) ter obtido a licença para instalar as 1.000 vacas leiteiras, a contestação surgiu de vários sectores, desde os agricultores locais aos ecologistas.

Um facto é claro, o promotor tinha autorização e instalou a quinta, que já se encontra em funcionamento, apesar de todos os boicotes a que foi sujeito.

Neste momento é o Ministro da Agricultura francês, Stéphane Le Foll, que entra em cena, ao ordenar aos serviços do seu Ministério uma contagem rigorosa do número de vacas existentes.

O Ministro tem vindo a sofrer fortes pressões para fechar a exploração, mas com a contagem das vacas já avisou que se o número existente ultrapassar o autorizado, aplicará fortes penalizações.

O Ministro afirmou que o equilíbrio económico de uma exploração não pode ser obtido em detrimento das normas sanitárias e ambientais.

Enfim, mais uma polémica à volta da já célebre quinta das 1.000 vacas.

Bruxelas dá ao arroz carolino do Baixo Mondego Indicação Geográfica Protegida


 11-06-2015 
 
 
A Comissão Europeia acrescentou o arroz carolino do Baixo Mondego à lista de produtos com Indicação Geográfica Protegida.

O arroz carolino cultivado na região do Baixo Mondego é de grão longo e branco e, em termos climáticos, o Baixo Mondego, é uma região distinta de todas as outras produtoras de arroz, designadamente do Vale do Tejo e do Sado, havendo na fase de maturação do grão de arroz uma acentuada descida da radiação global, tornando o processo mais constante e mais prolongado, designando-se por maturação lenta e específica do Arroz Carolino do Baixo Mondego.

O Baixo Mondego tem menor número de horas de luz, temperaturas médias mais amenas e amplitudes térmicas mais suaves, com uma humidade relativa do ar considerável e ainda uma menor radiação global.

A produção do Arroz Carolino do Baixo Mondego, desde a sementeira à colheita, tem lugar na área geográfica que está circunscrita às freguesias de Ançã, do concelho de Cantanhede; Ameal, Antuzede, Arzila, Ribeira de Frades, São João do Campo, S. Martinho do Bispo e Taveiro, do concelho de Coimbra; Anobra, do concelho de Condeixa-a-Nova; Alqueidão, Lavos, Paião, Borda do Campo, Maiorca, Ferreira-a-Nova, Santana e Vila Verde, do concelho da Figueira da Foz; Tentúgal, Meãs do Campo, Carapinheira, Montemor-o-Velho, Gatões, Abrunheira, Liceia, Verride, Ereira, Vila Nova da Barca, Pereira e Santo Varão, do concelho de Montemor-o-Velho; Louriçal, do concelho de Pombal; Alfarelos, Brunhós, Gesteira, Granja do Ulmeiro, Samuel, Soure, Vila Nova de Anços e Vinha da Rainha, do concelho de Soure.

O arroz carolino do Baixo Mondego junta-se à lista de mais de 1.200 produtos já protegidos como Indicação Geográfica Protegida (IGP).

Fonte: Lusa


Agenda do próximo Conselho de Ministros da Agricultura de 16 de Junho

Junho 11
11:10
2015

A próxima reunião do Conselho de Ministros da Agricultura (último sob a Presidência da Letónia) promete ser muito animada, com alguns pontos quentes na ordem do dia.

O primeiro prende-se com a nova legislação bio, que era um dos pontos de maior importância para a Presidência da Letónia, e que tem vindo a passar de Conselho em Conselho, devido à forte divergência de opiniões.

No último Conselho informal foi feito um grande esforço de aproximação entre os diferentes países e, tudo vai ser feito para que haja um consenso para a semana.

Em termos de sanidade animal, não se espera grande discussão, uma vez que, o Parlamento e o Conselho Europeu já encontraram uma plataforma de entendimento, pelo que, a Presidência apresentará este documento e a discussão deve ser muito limitada.

Outro ponto prende-se com a etiquetagem da carne transformada e do leite e produtos lácteos, dossier onde a Comissão não quer avançar, pois tem estudos que indicam que é muito oneroso avançar com uma indicação de origem destes produtos mais precisa, embora alguns países pretendam avançar.

A polémica proposta para aprovação dos novos OGM's para consumo, deve estar em cima da mesa e aí, sim, a polémica deve estalar, pois as opiniões são muito divergentes.

O grupo de Visegrád vai apresentar os resultados da sua última reunião, em que um dos pontos mais importantes prende-se com o pedido à Comissão para impor medidas de controlo às práticas comerciais abusivas e desleais, utilizadas pela grande distribuição.

Lisboa: fileira debate o montado e a cortiça em setembro de 2015

 11 Junho 2015, quinta-feira  Agroflorestal
montado

Como transferir para os utilizadores os conhecimentos gerados pela investigação? Esta é uma questão frequentemente levantada pelo setor agroflorestal produtivo à comunidade científica.

Esta e outras questões vão ser debatidas a 25 de setembro de 2015 no Centro de Estudos Florestais, no Instituto Superior de Agronomia de Lisboa.

A iniciativa, intitulada "O Montado e a Cortiça - Ciclo de sessões: da investigação à aplicação" vai juntar associações, produtores e empresas das diversas fileiras agroflorestais com o objetivo de partilhar novos conhecimentos, descodificando as componentes científicas e mostrando a sua potencial aplicação no ciclo produtivo.
O evento é organizado pelo Centro de Estudos Florestais, e realiza-se no âmbito de um ciclo de sessões intitulado 'Da investigação à aplicação'.

As inscrições são gratuitas mas obrigatórias e podem ser efetuadas através do número 213653130 ou do e-mail: cef@isa.ulisboa.pt. 

Venda da Herdade da Comporta suspensa


por Ana Rita Costa
11 de Junho - 2015
 
A venda dos ativos da Herdade da Comporta foi suspensa pelos liquidatários da Rioforte. De acordo com o Público, a decisão surge "na sequência do arresto de bens da holding do Grupo Espírito Santo (GES), que foi declarada insolvente pelo Tribunal do Luxemburgo."

"À luz dos procedimentos em curso, lamentamos informar que os liquidatários da Rio Forte Investments consideram não ter outra opção que não seja suspenderem o processo de venda dos ativos na Herdade da Comporta – Atividades agro Silvícolas e Turísticas S.A. e na Herdade da Comporta – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado", refere o site oficial das insolvências do GES no Luxemburgo.

A venda dos ativos da Herdade da Comporta havia sido determinada por um tribunal luxemburguês e as propostas deveriam ser apresentadas a partir deste mês, contudo, em maio passado, o Ministério Público avançou com o arresto de bens a pessoas e empresas ligadas ao Grupo Espírito Santo de forma a impedir "uma eventual dissipação de bens".

Relatório de danos nas vinhas do Douro enviado para o Governo

11-06-2015 
 

 
A Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte prevê enviar ainda esta qunta-feira à tutela um relatório com os prejuízos causados pela intempérie de terça-feira nas vinhas do Douro, algumas com perdas de 80 por cento da produção.

«Estamos a fazer a recolha dos dados dos estragos verificados em Murça, Alijó, Sabrosa e também na margem sul do Douro nas localidades de Moimenta da Beira e Armamar», explicou à Lusa o director regional Manuel Cardoso, destacando que para além da vinha, o mau tempo também afectou plantações de maçã.

Enquanto a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN) procede ao levantamento de dados, os proprietários dos terrenos danificados também terão de comunicar os prejuízos sofridos o que dará origem a um relatório preliminar a enviar ao Ministério da Agricultura.

Sobre os valores preliminares já levantados, Manuel Cardoso relatou existirem parcelas em Murça afectadas em mais de 50 por cento da produção e «alguns casos chegam aos 80 por cento».

Perante a intempérie e os prejuízos cujo valor ainda não é possível estimar, o director regional apela aos produtores que adiram aos «seguros colectivos que existem para a vinha» e que «são vantajosos», com valores «apelativos» como «sete a oito euros por pipa».

O responsável assinalou ainda ter já sido emitido um aviso agrícola sobre os tratamentos químicos de emergência que devem ser feitos «nestas alturas».

Em comunicado também hoje divulgado, a Câmara Municipal de Murça refere que «para além das vinhas, foram afectadas todas as restantes culturas agrícolas, muros de suporte e caminhos agrícolas, ficando com largos quilómetros totalmente intransitáveis».

«Numa primeira análise, estima-se que, exclusivamente em vinho, haverá um prejuízo de meio milhão de euros», acrescenta a autarquia que ainda na terça-feira, e depois da «enorme precipitação de chuva torrencial seguida de queda de granizo», deslocou ao local a sua equipa de intervenção.

A autarquia lembra que «foram cerca de 20 minutos de chuva com forte intensidade e queda de granizo provocando avultados prejuízos nas vinhas», particularmente no lugar da Serra, em Val Moreira e em parte do Barroco.

A Câmara de Murça salienta ainda que quarta-feira «a maioria dos agricultores, como medida paliativa, fez aplicações com substâncias à base de cálcio e boro para colmatar e tentar vitalizar os tecidos afectados da planta».

Fonte: Lusa

Mais de metade do país em situação de «seca severa»

11-06-2015 
 

 
Mais de metade do território continental português encontrava-se, no final de Maio, em situação de seca meteorológica severa, o terceiro em gravidade desde 2005.

Segundo destaca o Jornal de Notícias desta quinta-feira, em regiões mais críticas, «as chuvas previstas nos próximos dias serão insuficientes para recuperar pastagens e permitir a sementeira de culturas de sequeiro para alimentar os gados a partir do Outono».

De acordo com o último Boletim Climatológico mensal do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em 31 de Maio, não só se mantinha a situação de seca meteorológica em todo o território desde Março, «como se agravou significativamente no final do mês de Maio». Em 30 de Abril, 79 por cento do país estava em seca moderada, refere o rotativo.

Fonte: Dinheirodigital

Dilma Rousseff diz que Mercosul está pronta para negociações e quer saber se UE também

11-06-2015 
  
A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, disse, em Bruxelas, que a Mercosul está pronta para avanços nas negociações sobre um acordo de comércio livre com a União Europeia, mas quer saber se o bloco europeu também está preparado.

«O Mercosul pretende fazer a sua proposta e queremos saber se a União Europeia (UE) está pronta para isso», limitou-se a declarar, à chegada à sede do Conselho Europeu, onde decorre, desde ontem até esta quinta-feira a II Cimeira UE-Celac, (América Latina e Caraíbas).

Aproveitando a celebração desta cimeira em Bruxelas, a comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmstrom agendou encontros com delegações dos países do Mercosul, com o objectivo de dar um novo "fôlego" a negociações que tardam em conhecer desenvolvimentos.

As negociações entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul, formado por Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela, foram lançadas em 1999, estiveram paralisadas durante vários anos, e foram relançadas em 2010, mas não têm conhecido verdadeiros progressos.

Na quarta-feira, a chefe de diplomacia da UE, Federica Mogherini, encontrou-se com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Brasil, Mauro Vieira, ao qual transmitiu o «compromisso da UE com essa negociação».

«Manifestámos a esperança de que possamos obter progressos em breve», indicou a Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros num comunicado.

Fonte: Lusa

Portugal reforça cooperação com Cuba para facilitar exportações alimentares

11-06-2015 
  
A secretaria de Estado da Alimentação e Investigação Agro-alimentar anunciou que assinou com o governo cubano dois protocolos para facilitar as exportações alimentares para aquele país sul-americano, no final de uma visita de quatro dias a Cuba.

O secretário de Estado Nuno Vieira e Brito foi acompanhado por uma dezena de empresas portuguesas que aproveitaram para promover os seus produtos na capital, Havana, numa iniciativa de promoção e divulgação que serviu também para celebrar o Dia de Portugal. Queijos, vinhos, azeites, massas alimentícias, bolachas e cereais de pequeno-almoço e produtos pré-cozinhados faziam parte da mostra.

Existem já cerca de 30 empresas habilitadas para poder exportar carne de porco, de aves, lacticínios e pescado para Cuba e espera-se que os memorandos de entendimento assinados durante esta visita, no âmbito da sanidade animal e vegetal, sirvam para habilitar mais empresas e facilitar a exportação de fruta para a ilha.

Fonte: Lusa

Amendoim português consumido em snacks na Holanda vai finalmente entrar no mercado nacional


Pioneira na cultura do fruto "escondido" com destino à exportação industrial, a Torriba não largou mais o amendoim. Três anos depois preparam-se para abastecer Portugal. A partir de outubro. Acompanhe nas próximas semanas as histórias de produtores e produtos inovadores que estão a surgir e a evolução dos distinguidos no Prémio Intermarché Produção Nacional 2014, que este ano volta a ser um projeto do Expresso e da SIC Notícias.

Raquel Pinto
RAQUEL PINTO
Ao contrário de outros frutos secos, a cultura do amendoim é subterrânea. Da planta leguminosa nasce uma flor, da flor um espigão que se coloca na terra e se desenvolve enterrado. Os registos históricos desta produção em Portugal recaem no Algarve, particularmente em Aljezur. O amendoim é ali designado de Alcagoita. Outrora importante naquela região, hoje sem expressão. Da criação na década de 80 de uma associação nacional de produtores de amendoim,  passou-se ao abandono do cultivo e a organização desapareceu. Há quem ainda produza para consumo próprio e venda em mercearias biológicas. 

A única produção de dimensão assinalável em Portugal está a quilómetros a norte do Algarve, nas mãos da Torriba. Mas segue toda para exportação. Dentro de meses, esta realidade vai mudar. "É um ensaio de cerca de um hectare e meio e que está a ser feito em campos de dois agricultores nossos. Estamos a falar na ordem das seis toneladas", revela o engenheiro Gonçalo Escudeiro, diretor executivo desta organização de produtores de hortofrutícolas localizados essencialmente no Ribatejo. "Vamos ter pela primeira vez amendoim com casca para comercializar no mercado nacional. Devemos chegar em Outubro". 

Criada em 1997 para dar resposta à comercialização do tomate, a Torriba voltou-se em 2000 para a diversificação. Da sua lista, destaca cinco produtos chapéu: o tomate, batata para indústria, ervilha, pimento e amendoim. Gonçalo Escudeiro já ali está desde a fundação. Trabalham com 130 agricultores. No início eram 57 e faziam aproximadamente 500 hectares. Duplicando o número de agricultores, tiveram um aumento de área em cinco vezes. 


Portugal com mais potencial que a Roménia 
A aventura no amendoim aconteceu em 2011. Uma aventura porque está longe de ser uma cultura da região. A multinacional de produtos alimentares e bebidas Pepsi CO, presente em Portugal, estava à procura de parceiros numa estratégia de fomentar o desenvolvimento da cultura na Europa e lançou o desafio à Torriba. No primeiro ano foi feito um teste em Portugal e outro na Roménia. "O resultado correu francamente melhor no nosso país e, a partir daí, entenderam que a Península Ibérica poderia ser uma opção neste projeto", explica Gonçalo Escudeiro. Perante o potencial da nossa terra, no ano seguinte experimentaram a cultura já com o objetivo de "poder ser desenvolvida não só em Portugal, mas também no sul de Espanha". 

A atividade teve um arranque difícil com alguma falta de adaptação das variedades. Com o acerto dos ciclos de produção "tem sido um sucesso nestes três últimos anos e vindo a crescer", garante. Esta alternativa localiza-se no Vale do Sorraia, no concelho de Coruche e Vale do Tejo, nos concelhos de Almeirim, Salvaterra de Magos e Benavente. Do núcleo fazem parte 15 agricultores. 

Testadas várias variedades, a opção pendeu para a do tipo "runner", que tem um crescimento mais rasteiro. Há dois anos fizeram 75 hectares, no ano passado 130 e este ano aumentam para 320. Da parceria, conseguiram mecanizar a cultura, com máquinas de colheita provenientes dos EUA, e obter apoio de técnicos também dos EUA e ainda da Argentina. 

O amendoim pode ter outras finalidades, como extração de óleo, rações ou até produção de plásticos. O produto que nasce em Portugal destina-se à Holanda, para ser branqueado (retira-se a casca e a pele castanho-avermelhada) e misturado com vários frutos secos com vista à distribuição de snacks. 

Solos a 18.º graus 
Falamos de uma cultura rústica, feita em terrenos arenosos, sendo necessária uma estrutura de regadio, embora não precise de rega diária. "O custo para produzir anda na ordem dos 2000 a 2500 euros por hectare. É um custo muito parecido com o da produção de milho", salienta o diretor da Torriba. Quando as temperatura dos solos rondam os 18.º graus assumem a temperatura ideal para que as sementes germinem. 

Normalmente, as sementeiras ocorrem entre abril e maio, sendo colhidos em finais de setembro e início de outubro. É importante que o amendoim não sofra com a chuva, por isso, um dos segredos é que só pode ser arrancado seco. Esta cultura apresenta vantagens sustentáveis: pode entrar na rotação com outras culturas e como fixa o azoto atmosférico através das raízes, consegue distribuir os nutrientes e praticamente não necessita de adubos, sendo melhoradora do solo. 

A variedade que vai chegar ao mercado nacional é a do tipo virgínia, um amendoim maior, próprio para a comercialização do produto com casca.

Agricultores propõem plano para prevenir acidentes com tratores


Por ano morrem cerca de 50 pessoas vítimas de acidentes com tratores e máquinas agrícolas

Por: Redação / AJL    |   hoje às 15:01
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A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) vai propor ao Governo a criação de um plano de prevenção de acidentes com tratores e máquinas agrícolas, para travar uma "verdadeira tragédia" que vitima cerca de 50 pessoas por ano. 

A CNA considera, num comunicado, que os acidentes com maquinaria agrícola "são um dos piores problemas da agricultura familiar portuguesa", mas não são uma "uma fatalidade incontrolável". 

Lembrando que a Assembleia da República já aprovou uma resolução com indicações claras sobre o que devia ser feito no domínio da prevenção, a CNA lamenta a "falta de iniciativa governamental" e avança com algumas propostas. 

Entre estas contam-se campanhas de alerta e sensibilização, programas de formação e de aconselhamento, programa extraordinário de renovação e reequipamento das explorações agrícolas familiares, rastreio e acompanhamento médico de manobradores, prevenção de outros acidentes como a inalação de gases em depósitos de líquidos ou aplicação de produtos químicos, etc. 

De acordo com o mesmo comunicado enviado à Lusa, a CNA pretende desenvolver esta proposta em colaboração com outras organizações e entidades públicas e privadas.

CNA Apresenta "Plano nacional de informação e prevenção de acidentes com tractores, máquinas e equipamentos agrícolas"

CNA

A  CNA anuncia que em breve vai apresentar formalmente ao Ministério da Agricultura e ao Governo, uma proposta para um "Plano Nacional de Informação e Prevenção dos Acidentes com Tractores, Máquinas e Equipamentos Agrícolas". 

É necessário reconhecer, a todos os níveis e âmbitos, que os acidentes com máquinas agrícolas e com Tractores em especial, constituem uma verdadeira tragédia a nível nacional. Em primeiro lugar, por "ceifarem" uma média próxima às 50 vidas por ano e por deixarem sequelas e incapacidades várias em muitas e muitas mais.

E, em consequência dos acidentes, sucede aquilo que poderemos designar por "danos associados". Quase sempre, é uma família de agricultores que fica seriamente afectada. Muitas vezes é mais uma exploração agrícola familiar que também desaparece em consequência dos acidentes em causa.

Assim, os acidentes graves com Maquinaria Agrícola são um dos piores problemas da Agricultura Familiar Portuguesa. 

Durante o ano, em especial nos seus "picos", o trabalho agrícola familiar é trabalho duro. Trabalho produtivo que justifica plenamente a criação de condições, através de outras políticas capazes de garantir, em segurança, o aumento do rendimento das explorações agrícolas, a começar pelas de tipo familiar.

A  CNA considera que os acidentes com máquinas agrícolas não são uma fatalidade incontrolável e que, no essencial, os Agricultores são as vítimas e não os culpados. 

Contudo, esta crua realidade e, em especial, os seus nefastos impactos permanecem um pouco escondidos e estão longe de ser devidamente enfrentados a nível das Instituições Públicas, particularmente a nível governamental. 

Salienta-se que a Assembleia da República já abordou algumas vezes o problema e aprovou uma "Resolução" – a nº 139/2010 - que a CNA considera bastante completa – com indicações claras ao(s) Governo(s) quanto àquilo que deve ser feito neste âmbito da prevenção dos acidentes com Tractores, outras máquinas e equipamentos agrícolas. O problema é que isso não foi concretizado… 

O Governo anterior e o actual Governo, a quem competia dar cumprimento à citada "Resolução" aprovada na AR em 2010, "assobiaram para o lado" enquanto praticamente todos os dias acontecem acidentes graves.  Ora, não pode manter-se tamanha falta de iniciativa governamental !

- Propostas (síntese) -

No âmbito da "Resolução" aprovada na AR

I – Campanhas de alerta e sensibilização
Descentralizadas, indo ao encontro dos Agricultores. 

II – Programas de formação e de aconselhamento
Articulados com as acções de alerta e sensibilização e com a formação profissional.

III – Programa extraordinário de renovação e reequipamento das
explorações agrícolas familiares (para lá das possibilidades do PDR 2020  e do QREN)

IV – Campanha (ainda que experimental) de rastreio e acompanhamento médico
de condutores, ajudantes e outros manobradores

Campanha a coordenar/integrar nos serviços básicos do Serviço Nacional de Saúde e devidamente monitorizada. 

V – Campanha (coincidente) de prevenção de outro tipo de acidentes graves

Esta uma campanha prevenção de outros acidentes de grande sinistralidade como sejam a inalação de gases em depósitos de líquidos ou na aplicação de produtos químicos. Esta campanha poderá decorrer em simultâneo com as anteriores.

VI -   Recursos Humanos e Financeiros a alocar a estas campanhas.

Não basta acenar com algumas das acções de informação/prevenção que se possam planear e executar no âmbito do PDR 2020.  Estas acções correm o risco de continuar desgarradas e demasiado limitadas.  Sim, é preciso ir (muito) mais longe nos objectivos, na organização e nos recursos financeiros para garantir maior eficácia às campanhas a desenvolver. Ao Orçamento de Estado, no essencial, compete dotar com as verbas necessárias os custos destas campanhas. 

VII – TRABALHO  EM  EQUIPA  
A  CNA  tenciona partilhar e desenvolver esta proposta em colaboração com outras Organizações e Entidades públicas e privadas. É urgente atacar o problema a fundo.       É necessário prevenir a tragédia !

Coimbra, 11 de Junho de 2015          //          A Direcção da  C N A

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Portas sublinha crescimento das exportações e realça contributo da agricultura


9/6/2015, 14:58
O vice-primeiro-ministro realçou, em Santarém, o contributo dos produtos agrícolas para o crescimento das exportações portuguesas, que, disse, no mês de abril, foi "francamente bom".


O vice-primeiro-ministro realçou, em Santarém, o contributo dos produtos agrícolas para o crescimento das exportações portuguesas, que, disse, no mês de abril, foi "francamente bom".

Paulo Portas, que hoje visita a Feira Nacional da Agricultura (FNA), afirmou que os números das exportações relativos a abril, divulgados hoje, "são francamente bons" ao mostrarem um crescimento de 8,2% face ao mesmo trimestre de 2014 e de 9% face ao mês anterior, valores que contaram com o contributo de 19% dos produtos agrícolas não transformados.

"Teremos meses melhores, meses piores, mas a tendência de crescimento das exportações portuguesas é muito forte em 2015″, declarou.

Para Paulo Portas, o crescimento "cá dentro" com investimento e "para fora" com as exportações permite "proteger a retaguarda e criar emprego".

O vice-primeiro-ministro realçou estes números no encerramento da conferência "A contabilidade e a fiscalidade na atividade silvícola", organizada pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas e pela Confederação de Agricultores de Portugal, que se realizou hoje de manhã no âmbito da Feira Nacional da Agricultura, certame que decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições, em Santarém.

Portas realçou ainda o facto de, a duas semanas de terminarem as candidaturas às ajudas diretas ao rendimento, ter sido já suplantado o número de pequenos agricultores inscritos em 2014 (178.000).

Para Portas, o facto de o número de inscritos estar próximo dos 180.000 e de haver uma "procura muito interessante da agricultura familiar face às novas medidas agroambientais" revela que "as medidas foram bem desenhadas.

Em concreto referiu a definição de um apoio mínimo nas ajudas diretas, de 500 euros, e o "desenho" das medidas ambientais "para chegar mais à agricultura familiar", o que considerou ser "muito importante para a coesão do território e a subsistência do povoamento".

Portas lembrou ainda o anúncio que fez na segunda-feira à noite, também na Feira de Santarém, da execução do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder) de 100%, a seis meses da conclusão do prazo.

Questionado pelos jornalistas sobre o aumento das importações, Portas declarou que estas não se destinam apenas ao consumo, dando o exemplo da maquinaria presente na feira para afirmar que são também "essenciais para o investimento".

Na conferência, Portas realçou o facto de o Governo ter permitido que, tal como já acontecia com as despesas, os produtores florestais passassem a subdividir as receitas ao longo dos anos, possibilitando uma redução do imposto a pagar e alargar a margem que fica para investimento.

Por outro lado, afirmou que a redução faseada e gradual do IRC permite que este não seja um obstáculo à escolha de Portugal para a realização de investimento.

Depois de uma passagem de 25% para 21%, o objetivo é, nos próximos quatro anos, chegar, gradualmente, aos 17%, transformando o IRC em Portugal "num dos mais competitivos", disse.

Só agricultura e pescas escapam ao aumento do crédito malparado nas empresas



Por Pedro Crisóstomo

10/06/2015 - 17:02

Empréstimos vencidos na construção e imobiliário ultrapassam os 7400 milhões de euros. Incumprimento nos particulares atinge novo recorde.
Mais de metade dos empréstimos vencidos (55%) são de empresas de construção e imobiliário Fernando Veludo/NFACTOS


As empresas continuam a revelar dificuldades em pagar os empréstimos. O malparado atingiu um novo recorde em Abril, mês em que 15,7% do crédito às empresas correspondia a situações de incumprimento. É, de acordo com os dados actualizados na terça-feira pelo Banco de Portugal, o valor mais alto em 18 anos (desde 1997, ano a partir do qual há registo destes dados). O agravamento foi transversal aos vários sectores de actividade, com excepção das empresas da agricultura, produção animal e pesca, onde o malparado caiu de forma ligeira.

O problema do malparado é muito diferente de sector para sector, mas a tendência de agravamento foi comum aos 12 ramos de actividade em que o banco central divide o tecido empresarial. O crédito malparado aumentou na restauração e hotelaria; no comércio e reparação de veículos; na electricidade, gás, água, saneamento e gestão resíduos; na construção; nas actividades imobiliárias; nos transportes e armazenagem; na indústria extractiva; na indústria transformadora; nas actividades de informação e comunicação; nas sociedades SGPS não-financeiras; nas empresas de consultadoria; e nos sectores da educação, saúde e serviços sociais.

Ao todo, os empréstimos em incumprimento ascendiam em Abril a 13.385 milhões de euros, o equivalente a 15,7% dos 85.333 milhões de euros de empréstimos que constam no balanço dos bancos e outras instituições financeiras.

Na construção e no sector imobiliário estão 55% de todos os créditos vencidos no tecido empresarial: 7420 milhões de euros. A construção, onde encerraram mais de 39.600 empresas de 2010 a 2014, continua a ser o sector mais afectado. Em Abril, quase um terço do financiamento era crédito malparado (de 14.807 milhões de euros emprestados, 4594 milhões já tinham vencido, ou seja, 31%). Esta percentagem tem sofrido pequenas variações mensais, mas a trajectória dos últimos anos é de agravamento progressivo, até se registar agora um novo máximo. Um ano antes, o peso do malparado na construção era de 25,9%, em Abril de 2013 estava em 21,7%, valores que contrastam com os 15,5% de 2012 e os 8,6% de 2011, no mês imediatamente anterior à chegada da troika.

No sector imobiliário, o malparado também atingiu um novo máximo, chegando aos 24,4% (2826 milhões de 11.595 milhões de euros). O comércio é o sector com a terceira percentagem mais elevada, nos 15,6%, seguindo-se as indústrias extractivas, com 13,2%, e a restauração e hotelaria, com 12,6%. Na agricultura, produção animal e pescas – o único sector onde houve uma queda no incumprimento –, a percentagem é de 5,6%. Dos 2126 milhões de euros concedidos a empresas deste sector, 119 milhões são crédito malparado.

As estatísticas que o Banco de Portugal actualizou apenas dizem respeito ao valor dos créditos, não incluindo o número de sociedades em incumprimento.

Não é apenas nas empresas que se fazem sentir as dificuldades no pagamento dos créditos. O incumprimento dos particulares está a subir desde o início do ano e bateu um novo recorde em Abril, ao representar 4,4% dos empréstimos desse segmento. São 5435 milhões de euros, de um total de 122.298 milhões registados no balanço das instituições financeiras.

Os dados do Banco de Portugal mostram um novo agravamento do malparado no crédito à habitação. De 100.462 milhões de euros concedidos, 2,52% correspondem a empréstimos que não foram pagos dentro do prazo, o equivalente a 2532 milhões.

Nos empréstimos ao consumo, onde a tendência é há muito superior, o incumprimento equivale a 10,89%. Esta percentagem caiu em Abril, apesar de o valor absoluto dos créditos ter aumentado. De 11.999 milhões registados como empréstimos para este fim, 1307 milhões estavam por regularizar depois de ter terminado o prazo de pagamento. Ao todo, entre empresas e particulares, havia em Abril 18.820 milhões de empréstimos vencidos.

Quando há seca na Califórnia, pinta-se o relvado de verde



Por Clara Barata

08/06/2015 - 10:01

O mais importante estado agrícola americano está a começar a enfrentar a sério as consequências de quatro anos com falta de chuva – que podem ser o novo normal


O que mais custou a Paula Pearson foi a falta do verde. Ela arrumou as mangueiras em Abril, quando o governador da Califórnia, Jerry Brown, anunciou que entravam em vigor medidas excepcionais para a poupança de água e deixou que o seu relvado secasse e se transformasse num triste amarelo acastanhado. Mas há uma solução digna da Califórnia, e que não precisa de água: maquilhagem verde.

"Vou ter de pôr um cartaz a dizer que o meu jardim está pintado, senão os meus vizinhos pensam que eu continuo a regar todos os dias e vão denunciar-me", disse a moradora de Escondido, nos arredores de San Diego, com um sorriso de orelha a orelha ao ver o verde brilhante regressar ao seu relvado, depois de pintado com a tinta da Lawnlift.

Jim Power, o fundador desta empresa especializada na pintura de relvados não tem tido mãos a medir este ano, reconheceu à AFP. "As vendas duplicaram em Março, em relação ao ano passado", contou. Os clientes desta tinta não tóxica, com pigmentos naturais, que dura 12 semanas e resiste à chuva são pessoas que "não aguentam ver o tapete de relva morta sempre que chegam a casa", explica. "Quando se deixa de ter o direito de regar, não há muitas opções", até porque uma vivenda rodeada de um relvado morto perde valor.

Uma das opções possíveis é arrancar a relva – há compensações financeiras para quem o fizer, um tanto pago por cada metro quadrado arrancado. Há empresas especializadas em fazê-lo, como a Turf Terminators, que depois oferece também o serviço de substituir o relvado verdinho e devorador de água por plantas nativas da Califórnia, cactos e flores selvagens, que pouco bebem, e jardins de pedra. Há mesmo uma explosão das empresas que se especializam neste tipo de paisagens. Ou então há quem se renda aos relvados artificiais – muitos californianos puseram de lado os preconceitos e fizeram-no, em nome do ambiente ou da sua carteira.

Cortar, cortar
Este é já o quarto ano de seca severa na Califórnia, o maior estado norte-americano, onde vivem perto de 39 milhões de pessoas e cuja economia no valor de 2,2 biliões de dólares tem uma dimensão semelhante à de Itália. A agricultura é que consome a parte de leão da água – 80% - embora não seja sujeita à redução obrigatória de 25%, em média, no uso de água imposta a nível estadual pelo governador.

Numa decisão não isenta de críticas, a agricultura ficou de fora por causa da importância da Califórnia na produção alimentar: um quarto de tudo o que se come nos EUA é ali produzido, e cerca de metade das frutas e frutos secos. Assim, apenas o consumo urbano será sujeito a esta redução obrigatória – a primeira declarada na Califórnia.

Os cortes variam consoante os níveis de consumo de cada zona: quem já é mais poupado, terá de cortar menos, os mais esbanjadores podem ter de reduzir até 36% no seu consumo de água.

A região de Sacramento, onde há residências com grandes jardins, e muitas casas nem sequer têm contadores de água, será das que terá de controlar mais os gastos, segundo o jornal Sacramento Bee. Enquanto cada habitante de Sacramento gasta 632 litros de água por dia, quem mora em São Francisco consome 174 litros. Já em Los Angeles e San Diego, as duas maiores cidades do estado, gastam-se 352 e 310 litros por pessoa diariamente. A média do estado da Califórnia é de 469 litros por habitante diariamente – muito acima da média portuguesa, 220 litros por pessoa.

A entrada em vigor destes cortes – que implicam também multas e mudanças no tarifário – parece ter chamado realmente a atenção dos californianos para o problema da seca, que os cientistas dizem ser a pior dos últimos 120 anos, pelo menos desde que se fazem registos regularmente. Só este ano, os prejuízos da seca podem chegar a 2700 milhões de dólares.

Esta semana foi a primeira vez que a seca foi citada como o assunto que mais os preocupa, segundo uma sondagem do Public Policy Institute da Califórnia. Para 39% dos inquiridos, ultrapassa em urgência os problemas do desemprego e da economia. Outro sinal de que a mensagem estará a chegar é que os californianos reduziram em 13,5% o seu consumo de água em Abril, depois da ordem executiva assinada pelo governador Brown. Foi um grande passo: nos últimos 11 meses, disse o Los Angeles Times, apenas tinham reduzido 9%, cumulativamente.

A grande novidade introduzida pela obrigatoriedade da poupança de água é levar os californianos a olhar para a forma como consomem – ou desperdiçam – algo que dão por garantido.

Em todo o estado, diz o Washington Post, 25 milhões de habitações não têm contadores de água, e muitas dessas casas ficam no Vale Central – uma zona que é o centro agrícola da Califórnia. Esses consumidores ou pagam um montante fixo ou então não pagam nada pela água, porque é impossível saber quanta gastam. "Isto é produto do tempo em que havia muita água, da forma como o estado se desenvolveu. Toda a gente tinha a água que queria", comentou Peter Gleick, do think tank dedicado à política da água Pacific Institute.

O pacto e as amêndoas
Embora o decreto do governador tenha isentado os agricultores dos cortes, os produtores do Delta do Rio San-Joaquim-Sacramento, que têm cerca de 10% das terras agrícolas californianas, ofereceram-se para abdicar de um quarto da sua água nesta estação, quer reduzindo o seu consumo, quer deixando parte das suas terras por cultivar. Em troca, pediram garantias de que o estado não lhes exigisse mais reduções durante esta época de cultivo.

O pacto foi aceite pelo governo estadual, na esperança que sirva de exemplo para outros grupos de agricultores – incentivando a moderação do uso da água na agricultura, que fica com a parte de leão deste recurso natural (80%). "Este é um avanço no que tem sido uma batalha de retórica. É um ponto de viagem", afirmou Felicia Marcus, secretária do Conselho Estadual de Controlo da Água.

A Califórnia tem 77.900 quintas, que geraram 46.400 milhões dólares em vendas em 2013, segundo o Washington Post. É o estado com maior produção agrícola, à frente do Iowa. Mas desde que foram declarados os cortes de água, os agricultores tornaram-se um dos bodes expiatórios da crise da seca.

Correram rios de tinta sobre quanta água é necessária para fazer crescer uma única amêndoa (cerca de 3,7 litros), por exemplo. A área dedicada à plantação de amêndoas duplicou nos últimos 20 anos e hoje é o segundo produto agrícola mais lucrativo da Califórnia, a seguir ao leite: valeu 5800 milhões de dólares em 2013. Mas as amendoeiras não podem ser arrancadas, ou deixadas morrer: as árvores duram muitos anos, e têm de continuar a ser regadas, mesmo em situações de seca.

As árvores vermelhas
Quanto às famosas florestas da Califórnia, têm pago um elevado preço pela seca. Pelo menos 12,5 milhões de árvores morreram e milhões vão morrer ainda neste Verão, afirmou o biólogo Jeffrey Moore, dos Serviços Florestais dos EUA, após um estudo aéreo feito em Abril. O verde está cheio de manchas vermelhas, roxas e castanhas – as árvores mortas.

Os guardas da Floresta Nacional de San Bernardino chamam "árvores vermelhas" às vastas extensões de pinheiros ressequidos, conta o Los Angeles Times. "Não é como no Leste, em que as árvores ficam com cores outonais. Aqui é porque as árvores estão a morrer", explicou John Miller, porta-voz da floresta.

Com o Verão a chegar, a situação é de alto risco. "Estamos a ver os incêndios florestais nos EUA a crescer para dimensões que eram inimagináveis há 20 ou 30 anos. Em 2015, a tendência deve continuar", afirmou o chefe dos Serviços Florestais Tom Tidwell, citado pela revista Time.

 Ao contrário do que se poderia pensar, neste caso o suspeito número um pelos quatro anos de seca não são as alterações climáticas, mas antes a natural variabilidade climática. No passado, o Oeste americano já viveu períodos ainda mais longos de seca – durante décadas ou centenas de anos. No século IX, começou uma seca que durou 200 anos e no XIII iniciou-se outra que se prolongou pelo menos por 150 anos, descobriram os cientistas através de métodos como a análise dos anéis de crescimento das árvores, por exemplo.

Na verdade, todo o desenvolvimento acelerado do Oeste dos Estados Unidos, desde o século XIX, pode ter-se passado durante um período extraordinariamente húmido da história geológica do Oeste americano, comentou ao New York Times Richard Seager, um climatólogo do Observatório da Terra Lamont-Doherty Earth, em Nova Iorque.

Os grandes projectos de barragens, transvases e aquedutos, que grosso modo transportam a água do Norte do estado verdejante para o Sul desértico, podem deixar de ser viáveis, num futuro próximo de secas prolongadas como esta – que os modelos climáticas dizem que serão mais prováveis por causa das alterações climáticas.

Embora não sejam as alterações climáticas que estejam por trás da seca na Califórnia, introduzem uma perturbação no sistema. A maior parte dos modelos mostra o Norte da Califórnia a tornar-se mais húmido nas próximas décadas, e as temperaturas a aumentar em todo o estado. Isso faz aumentar a evaporação, e favorece a chuva em vez da neve. Por isso, haverá menos neve a acumular-se no topo das montanhas mais altas, e a funcionar como um reservatório de água.

É o que o se está a passar já este ano: as temperaturas estiveram altas no Inverno, havia pouca neve e já derreteu toda. Não há reservas para reforçar as linhas de água nos meses mais quentes. Muitas torneiras vão ter que ficar fechadas.

Levantadas restrições às carnes europeias


Junho 09
11:54
2015

Importantes países importadores, como o Japão, a Malásia, Singapura, a Turquia e a Ucrânia reabriram as suas fronteiras à carne de aves de países europeus, que foram alvo da gripe aviária.

Os focos ocorreram no Reino Unido, na Holanda e na Alemanha e, devido à rápida actuação das autoridades sanitárias europeias, foi possível delimitar a doença e controla-la.

De referir que a exportação do sector avícola comunitário pesou 2,5 mil milhões de euros em 2013.

Singapura decidiu levantar a proibição de importação de carne de porco da Polónia, que vigorava desde o aparecimento de Peste suína Africana naquele país. Esta decisão deve-se ao reconhecimento, feito pelas autoridades sanitárias europeias, ao controlo da doença na Polónia.

Entretanto, a Holanda, é o primeiro país europeu a estar autorizado a exportar ovos para os Estados Unidos.

A Holanda já vinha negociando esta situação há algum tempo, mesmo tendo tido focos de gripe aviária, aproveitando agora o facto dos Estados Unidos estarem a braços com uma gripe aviária, que já provocou a morte a dezenas de milhões de galinhas e uma certa escassez de ovos no mercado.

A seguir à Holanda, a porta está aberta a outros países europeus, uma vez que cada vez mais se nota a falta de ovos nos mercados dos Estados Unidos.

A acrylamida aumenta o risco de cancro

Junho 09
11:52
2015

A European Food Safety Authority (EFSA) confirmou que a acrylamida, que é uma substância química que se liberta quando se aquecem alguns alimentos, tais como batata frita, carne num barbecue, ou pão, pode aumentar o risco de desenvolvimento de cancro. Este risco cobre todos os grupos etários.

Esta ligação da acrylamida ao cancro foi referenciada em 2002, por investigadores suecos.

A Food Drink Europe admite esta situação, mas diz que a produção de acrylamida é tão baixa, que dificilmente pode ser perigosa.

Na última década a indústria agro-alimentar tem feito um grande esforço com a produção, para reduzir os níveis de acrylamida e continua a investir grandes somas de dinheiro neste sentido.

Além do cancro, a EFSA realizou uma série de estudos, no sentido de ver qual o efeito da acrylamida no sistema nervoso dos humanos, mas não foram encontrados nenhuns dados objectivos que confirmem efeitos nocivos.

A EFSA vai agora publicar avisos, no sentido de evitar a exposição à acrylamida na comida. As recomendações podem passar por mudanças de hábitos de cozinha, ou controlos na produção industrial de alimentos.

Exploração da mão-de-obra migrante cresce no sector agrícola


Junho 08
13:40
2015

Segundo a agência dos direitos fundamentais da União Europeia (FRA), a exploração criminal dotrabalho da mão-de-obra migrante, proveniente de países membros ou não da União Europeia (UE), está a crescer em vários sectores da actividade económica, com destaque para a agricultura, floresta e pesca.

Os países mais visados são a Itália, o Reino Unido, a Espanha, a Bulgária e a Holanda.

Num relatório publicado pela FRA pode ler-se que a UE está a ser muito permissiva com esta situação, que começa a ter consequências negativas para as actividades legais.

Outros sectores que também estão a recorrer a este tipo de exploração de trabalho são a hotelaria, os restaurantes, a construção civil e o trabalho doméstico.

Foram detectados casos em que os ordenados eram de 1 euro por hora e os dias de trabalho de 12 horas. As poucas ou nenhumas queixas por parte dos migrantes levam a uma dificuldade na aplicação dos controlos.

A nova directiva sobre os trabalhos temporários pode vir a constituir um bom instrumento para controlar estas irregularidades.

Neste momento, existe uma forte reacção sobre o sector legalizado, que exige fortes medidas de controlo, sendo que os consumidores devem ser informados que o produto que consomem foi produzido com recurso à exploração de mão-de-obra migrante.

Sector agrícola desapontado e triste com o plano de investimentos europeu

Junho 08
13:35
2015

As organizações representantes do sector agrícola da União Europeia estão profundamente desapontadas pelo facto do sector agro-alimentar estar praticamente fora do plano de investimentos europeu, vulgarmente chamado de plano Junker e temem que o financiamento desse plano ultrapasse as margens do orçamento comunitário.

No dia 28 de Maio, a Presidência da Letónia e o Parlamento Europeu chegaram a acordo para um projecto que define um fundo europeu para os investimentos estratégicos, que será o braço financeiro para o grande plano de investimentos Junker, que prevê mais de 300 mil milhões de euros de investimentos em três anos.

Nos termos do compromisso, este tem de ser ratificado em sessão plenária de 24 de Julho.

O COPA-COGECA já manifestou a sua preocupação da maneira como o financiamento vai ser conseguido, absorvendo todas as margens do orçamento comunitário, numa altura em que o sector atravessa dificuldades com uma grande volatilidade de mercado.

O embargo russo continua a ter um efeito muito negativo sobre os mercados agrícolas e é necessário que existam margens orçamentais para apoiar os mercados, caso sejam necessários.

Outro aspecto negativo é que todos os projectos agro-alimentares dificilmente terão cabimento no plano Junker.

Apesar desta situação, a Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu aprovou um documento da autoria do eurodeputado alemão Albert Dess, que diz que sendo a PAC de aplicação territorial, está perfeitamente adaptada ao plano Junker.

Cresce a pressão sobre os ministros para rejeitarem a proposta sobre os OGM’s

Junho 08
13:33
2015

Treze organizações representativas do sector agrícola e agro-alimentar europeu (COPA-COGECA, Coceral, ESA, Eropabio,  European flour millers, Euvepro, Starch Europe, Fediol, Fefac, Ferm, UECBV e Unistock) enviaram uma carta aos 28 Ministros da Agricultura da União Europeia para pedirem que rejeitem a proposta da Comissão sobre a nova legislação de aprovação de grãos OGM para consumo.

Esta proposta, que visa renacionalizar a decisão, vai ser discutida no próximo Conselho de Ministros da Agricultura de dia 16 de Junho. Contrariamente a esta proposta, as treze organizações pedem uma aprovação mais simples e rápida dos OGM's para consumo e que essa aprovação seja baseada em pareceres científicos e não em posições políticas.

É, também, pedida a implementação de um nível de tolerância aceitável para a existência de resíduos OGM's não autorizados.

Num momento em que toda a gente está contra esta proposta, cresce a expectativa do que vai acontecer no próximo Conselho de Ministros da Agricultura.

A informação de que o Agroinfo dispõe indica que Portugal se vai opor à proposta da Comissão.

Grande quebra na produção de azeite em França


Junho 08
09:53
2015

Os olivais franceses foram alvo de um forte ataque da mosca da oliveira, o que leva que a produção de azeite da campanha 2014-2015 seja 65% inferior ao da campanha de 2013-2014.

Um Inverno muito suave e um Verão muito ameno proporcionaram um ataque excepcional da mosca da oliveira.

Chamada de Bactrocera oleae, esta mosca ataca, não só as oliveiras, como os frutos que caiem no solo. As larvas atacam o fruto e colocam a sua polpa em contacto com o ar e os seus dejectos.

As possibilidades de tratamentos fitossanitários são limitadas e não foram eficientes num grande número de explorações.

Se a quebra de produção foi importante nas convencionais, foi quase total nas explorações que estão convertidas em produção bio.

O preço do azeite em França subiu no início do ano entre 5% a 10% e os fabricantes estão a optar por reduzir o volume das embalagens de 75 cl para 50 cl.

Para a campanha 2015-2016, é prevista uma produção de 5.000 toneladas, mas o Inverno muito ameno comprometeu a destruição de moscas no solo e se juntarmos alguns problemas de seca nas regiões produtoras, este valor pode vir a ser reduzido.

Era investigadora na Torre do Tombo. Agora faz caviar de caracol



10.06.2015 16h461
 
Ana Ferreira tem canudo. Licenciou-se em História
Ana e Daniel mudaram a vida profissional para a helicicultura e rumaram a Alenquer. Tiveram de recomeçar do zero ao fim de dez meses de projeto. Levantaram-se, tiveram novos percalços, mas mantêm-se e a crescer. Acompanhe nas próximas semanas as histórias de produtores e produtos inovadores que estão a surgir e a evolução dos distinguidos no Prémio Intermarché Produção Nacional 2014, que este ano volta a ser um projeto do Expresso e da SIC Notícias.

Raquel Pinto
RAQUEL PINTO
Ana Ferreira e Daniel Oliveira são um casal. Ela era investigadora e analisava documentos na Torre do Tombo, o maior arquivo nacional com mais de 600 anos. Licenciada em História, a instabilidade dos recibos verdes que vislumbrava como futuro, fizeram-na abrir outro leque de opções, aos 23 anos, juntamente com o atual companheiro. Ele, na altura com 27, engenheiro alimentar, também não estava satisfeito com os desafios profissionais e contratos a prazo e iniciaram uma odisseia em março de 2009. De Lisboa a Alenquer. Para a helicicultura. Que é como quem diz... criar caracóis para fins comerciais.

Começaram de raiz. Encontraram um terreno e foram à banca pedir financiamento, numa altura em que os apoios comunitários estavam fechados. Só mais tarde se candidataram ao PRODER.

Três hectares com uma área de produção de 7000 metros de estufas. Além da rentabilidade, conseguem ter maior controlo do que se fosse ao ar livre . A ActiveGarden é um dos  maiores produtores.

Três anos a viver em Lisboa, com 50 quilómetros diários pela frente, dez a 14 horas diárias de trabalho, para levar a diante um negócio próprio. O desgate fê-los mudar para Torres Vedras. Ficam agora a menos de 18 quilómetros.


Ana destaca o clima mais ameno da região Oeste como propício ao desenvolvimento deste tipo de produção. Além disso, ter familiares nesta zona era uma vantagem. Porém, as intempéries tem sido um calcanhar de aquiles. Os percalços começaram dez meses após o início da atividade. Um temporal em Dezembro de 2009 arrasou com a exploração. Perderam tudo. Mesmo tudo. Voltaram à estaca zero. 

Sobreviveram a uma segunda tempestade de vento em janeiro de 2013, com menos área afetada. Voltaram a reconstruir. E como se não bastasse, mais tarde, foram atingidos também por um incêndio. "Não tem sido fácil", desabafa. Dos obstáculos fizeram desafios. E a luta diária deu frutos. Cresceram e hoje conseguem manter dois funcionários. "Vendemos para revendedores e não temos problemas em escoar os produtos".


Animais hermafroditas 
Controlam todo o processo, desde a produção à transformação e ainda dão formações e consultadoria. E de que produtos falamos? "Criamos os caracóis bebés (alevins) de Helix aspersa maxima, que vão para as estufas crescer, depois apanhamo-los. Uma parte vendemos e a outra voltamos a usar como reprodutores". 


Estes animais são hermafroditas, ou seja, machos e fêmeas ao mesmo tempo. A repodução é feita numa sala fechada em armazém, com temperatura controlada. Entre o dia que copulam até largarem os ovos demoram 15 a 20 dias. São precisos mais 20 a 25 para que nasçam os bebés. A maior parte dos caracóis morre durante a desova, mas não se trata de um desperdício relevante, salienta Ana Ferreira, "tendo em conta que um deu origem entre 100 a 150 ovos".

Desenharam a sua fórmula de farinha para a engorda dos caracóis e vendem-na. Além da ração, os caracóis também se alimentam de ervas. Inovaram com a transformação. O primeiro produto foi o caviar de caracol, que tem tido resultado em variadas experiências na cozinha de autor. 


Um quilo para revenda pode custar até 900 euros. Frascos de 30 gramas custam 50 euros para o público. Só funcionam com encomendas de forma a garantir a máxima frescura do produto, com um prazo de validade até quatro meses. Inovaram também com edições limitadas de caviar com vinho do porto e vinho da madeira. Na panóplia, caracol recheado com ervas aromáticas e manteiga (à francesa), miolo de caracol ultracongelado e patés. 

Ana Ferreira admite ter na manga outros subprodutos, mas recusa divulgá-los, porque o segredo é a alma do negócio. Um negócio que exporta seis toneladas para Espanha. E porque a imaginação não tem limites para esta iguaria, que se adora ou odeia, a Active Garden dá duas sugestões:

CARACOL À BRÁS 
Ingredientes 
- Azeite 
- Alho, cebola e louro 
- Batata palha 
- Ovos 
- Miolo de caracol 
- Sal e pimenta 
- Salsa e coentros 

Confeção 
Fazer refugado com azeite, alho, cebola e louro. Deixar apurar e juntar o miolo de caracol. Deixar apurar mais um pouco. Juntar as batatas, envolver bem e juntar os ovos já mexidos. Juntar sal e pimenta a gosto. Decorar com salsa e coentros e servir.

OU... 

ARROZ DE CARACOL 
Ingredientes 
- Arroz 
- Alho, cebola e azeite  
- Tomate aos pedaços e em polpa 
- Louro, coentros 
- Chouriço e bacon 
- Miolo de caracol 

Confeção 
Fazer um refugado do azeite, alho e cebola. Deixar apurar um pouco e juntar o bacon, chouriço, louro e tomate. Deixar apurar mais um pouco e juntar o arroz e água. Deixar cozer durante cerca de 7 minutos e juntar o miolo de caracol. Deixar o arroz acabar de cozer, juntar sal e picante a gosto, os coentros e servir.  

CAP Promove "Mãos na Terra"


TERÇA, 09 JUNHO 2015 14:22
A CAP está a promover na Feira Nacional de Agricultura, no Centro de Exposições, em Santarém, o projeto "Mãos na Terra", destinado valorizar a atividade agrícola junto dos consumidores e da sociedade portuguesa de uma forma geral, firmando assim "o compromisso dos portugueses com a agricultura".
 
O Presidente da República, Cavaco Silva, inaugurou esta ação na sua visita à Feira, associando-se assim à iniciativa e contribuindo para a sua projeção junto dos portugueses. A iniciativa conta com um espaço de interação com os visitantes, no qual é possível colocar virtualmente as "mãos na terra" através de um sistema que associa a imagem simbólica de uma mão ao nome do visitante e ao local do país pelo qual participa.
 
A CAP definiu para este projeto um conjunto de motivos pelos quais os portugueses poderão colocar as mãos na terra. "Comprar produtos alimentares portugueses", "privilegiar a dieta mediterrânica" e "preferir produtos com selo de denominação de origem e geográfica protegida" surgem à cabeça de uma lista de dez causas destinadas a motivar a população em geral para revalorizar a atividade agrícola e partilhar os valores e a cultura do chamado mundo rural.
 
Para João Machado, Presidente da CAP, "esta é uma oportunidade para que os portugueses se reaproximem definitivamente da terra e dos seus agricultores, partilhando com eles o entusiasmo de produzir alimentos e de contribuir para a recuperação económica do país".
 
Para além de interagir no espaço da Feira destinado a esta iniciativa, cada visitante poderá manifestar a sua adesão à causa usando a pulseira "mãos na terra", que se encontra disponível no local. O projecto conta ainda com um espaço de interação na rede social Facebook (facebook.com/maosnaterra.pt) – no qual cada participante poderá observar e partilhar a imagem simbólica de uma mão associada ao seu nome.

Alvaiázere recebe Festival do Chícharo 2015



 09 Junho 2015, terça-feira  Hortofruticultura & FloriculturaAgricultura
chícharo

De 12 a 14 de junho, Alvaiázere acolhe a edição de 2015 do tradicional Festival do Chícharo.
O chícharo é uma leguminosa semelhante, em aspeto, ao tremoço, de cultivo fácil, muito nutritivo e que pode ser cozinhado da mesma forma que o feijão, acompanha pratos tão diferentes como peixe, enchidos, bacalhau, entrecosto, cabrito, sopa, migas e tartes.
E são estes e muitos outros pratos que estarão à prova em Alvaiázere durante três dias numa organização do município local.
Durante o evento haverá tasquinhas, workshops dedicados ao chícharo mas também provas culinárias de sabores locais.
O chícharo, quase desconhecido em Portugal, têm em Alvaiázere, na região centro, uma longa tradição.
É igualmente conhecido por «xíxaras» embora, na designação oficial, surja identificado como chícharo, uma leguminosa rica em proteínas, hidratos de carbono e sais minerais, cultivada desde épocas remotas como planta forrageira ou como legume comestível.
Elemento característico da região de Alvaiázere, distrito de Leiria, a cultura do chícharo é normalmente feita de forma intercalar entre oliveiras, figueiras e outras árvores de produção, aparecendo também associada ao cultivo do grão-de-bico.
Os relatos das gentes da região, segundo o município de Alvaiázere, dão conta de que antes de se consumir o chícharo deve ser demolhado e pode ser utilizado de diferentes formas, em puré, ou como acompanhamento de carnes, enchidos e peixes.

Agricultura e floresta em destaque em Alcácer do Sal



 10 Junho 2015, quarta-feira  AgroflorestalAgricultura
A 25.ª edição da feira Pimel, que decorre em Alcácer do Sal, entre 26 e 28 de junho, vai contar com diversas atividades com vista à promoção das potencialidades turísticas, agrícolas e florestais do concelho.
Com o tema "Alcácer do Sal - rio de culturas", a Feira do Turismo e Atividades Económicas conta com 20 empresas, perto de 50 expositores e 17 tasquinhas, que, de acordo com o autarca de Alcácer, Vítor Proença, vão dar a conhecer produtos como os vinhos, o arroz, o pinhão e outras «riquezas» desta zona do litoral alentejano, como a própria paisagem.
Na edição deste ano, o autarca realçou a exposição ao ar livre de uma parte do património arqueológico local, que é uma novidade da feira.
Um festival hípico e uma corrida de galgos são outras novas propostas do programa destacadas pela vereadora Ana Chaves, responsável pelo evento.
A Pimel é inaugurada no dia 26 de junho, contando com uma sessão de culinária ao vivo sobre os "sabores do rio".
Fonte: Lusa

Poupar água, irrigar com «alta precisão»


 10 Junho 2015, quarta-feira  TecnologiaAgricultura


A gestão sustentável da água ajuda a garantir uma produção agrícola com maior qualidade. Os dados oficiais dizem que, até 2030, cerca de 80% do abastecimento de água será dedicado à irrigação dos solos.
Melhorar os sistemas de rega é essencial para precaver a eventual escassez no futuro. É esse o propósito do projeto FIGARO.
«Através deste projeto, pretendemos fornecer aos agricultores todas as informações de que eles necessitam para efetuar uma gestão de alta precisão. E quando dizemos 'alta precisão', estamos a referir-nos à gestão da água, à irrigação que combina a água com os nutrientes, a toda a atividade produtiva na agricultura, que está em teste numa escala ainda pequena neste campo», afirma o coordenador, Adriano Battilani.
O desafio consiste em criar um sistema capaz de produzir uma análise detalhada relativamente a um cultivo específico. Isto é, uma ferramenta que permita aos agricultores tomar as melhores decisões no timing certo.
O engenheiro agrónomo Domenico Solimando explica que «há um sensor que mede a evolução da humidade no solo ao longo do tempo. É muito importante ter uma noção precisa da quantidade de água presente nos terrenos, porque nos permite identificar o momento ideal para efetuar as irrigações e o volume de água que é realmente necessário repor numa dada cultura».
Criar um sistema de irrigação de alta precisão implica realizar várias experiências para obter números fiáveis sobre a quantidade de humidade no solo.
«As amostras fornecem-nos vários dados. Uma parte delas necessita de uma nova calibração do sensor, e é essa que nos informa sobre o nível de humidade. As outras amostras são utilizadas para apurar quais os componentes que podemos encontrar no terreno», aponta Gioele Chiari, outro dos investigadores.
Os testes são conduzidos num terreno atravessado por uma série de tubos perfurados, colocados junto às raízes das plantas, formando uma espécie de rede. Cada rede é ajustada com parâmetros diferentes de acordo com o tipo de cultivo, para evitar fornecer água em demasia. Os agricultores podem até gerir o fluxo de água que rega uma só planta, utilizando um tablet ligado a uma plataforma digital.
Essa plataforma é o cerne de um projeto que assenta no tratamento dos dados dos sensores, conjugando-os com informações dos satélites metereológicos. A otimização da gestão da água é também essencial para a produção de biomassa.
Segundo Adriano Battilani, «a agricultura vai dedicar-se cada vez mais à produção de biomassa que será a nova base energética. Vamos abandonar o petróleo, para explorar a indústria química das cetonas e dos açúcares. Dentro de alguns anos, a produção de tomate, por exemplo, poderá ser o resultado colateral da exploração de outras partes da mesma planta, possivelmente mais rentáveis. É o conceito do duplo produto agrícola: por um lado, temos o valor da biomassa e a extração de fitoquímicos; por outro, os frutos».
Fonte: Euronews

Portel: à descoberta do montado e das paisagens do Sul



 08 Junho 2015, segunda-feira  Ana Clara Agroflorestal
Chama-se "A Bolota - Pavilhão Temático" e trata-se de um espaço museológico, inaugurado em setembro de 2013, na vila alentejana de Portel. O presidente da Câmara, José Manuel Grilo, fala ao Agronegócios do projeto que proporciona ao visitante a descoberta e interpretação da paisagem e dos recursos locais. A bolota e o montado são os fios condutores desta viagem de sons, cheiros e sabores vitais para o desenvolvimento das economias locais e revitalização do Mundo Rural.
bolota
Situado no antigo matadouro municipal, na rua 1.º de Maio da vila, o Pavilhão tem como objetivo promover a bolota e o montado, símbolos de referência das paisagens do sul.
«Inicialmente existia a necessidade prioritária de intervir e recuperar um edifício público, construído no início do século passado, que estava bastante degradado e que no passado tinha tido um papel importante na economia do concelho, pois era o matadouro municipal», começa por explicar o autarca.
Foi então que o município pensou «numa nova utilidade para este imóvel e que de alguma forma pudesse servir novamente o concelho. Daí que, na continuidade da política municipal, do empenho e esforço do município em contribuir para a divulgação, valorização e conhecimento dos montados, um recurso natural que representa um importante ativo e suporte ambiental, cultural e económico no nosso concelho, tivesse surgido naturalmente a ideia para este projeto e que a autarquia candidatou aos fundos comunitário do Inalentejo».
José Manuel Grilo realça que o espaço museológico, inaugurado em setembro de 2013, «proporciona a descoberta e interpretação da paisagem e dos recursos locais, através dos cinco sentidos».
O visitante pode aqui descobrir os valores naturais e culturais e reencontrar os saberes seculares, «bem como memórias e vivências de quem habita este território no coração do Alentejo, em Portel».
O espaço conta com quatro salas: Sala Artesanato, Sala Cortiça, Sala Património, Sala Sentidos.
O edil conduz-nos na viagem ao espaço. «Através dos cinco sentidos, e de uma forma lúdica, divertida e pedagógica, podemos olhar as paisagens de sobro e azinho, ouvir o cante alentejano, cheirar a esteva e o rosmaninho, saborear o paladar do mel e sentir a textura da cortiça», começa por referir.
O visitante é levado, ao longo de todo o percurso interno, «a descobrir o montado e os produtos que lhe estão associados, e dos quais se destacam para além da cortiça, as plantas silvestres, as ervas aromáticas, os cogumelos, a apicultura, a caça, a criação do porco alentejano e da cabra serpentina, e ainda o artesanato e as atividades turísticas, um dos mais recentes produtos do montado».
Sons, sabores e texturas

Na Sala Artesanato estão expostos um conjunto de objetos em cortiça e madeira, esculpidos à navalha pelas mãos dos artesãos do concelho.
«São objetos que testemunham os usos e costumes de outros tempos. Para além da exposição, este espaço oferece ainda ao visitante a possibilidade ver um artesão a trabalhar ao vivo a madeira, o buinho ou a cortiça», explica o autarca.
Na Sala Cortiça há uma montra deste «nobre material» onde se encontram alguns exemplos das diversas aplicações atuais da cortiça, quer na indústria, construção civil, quer em particular no design de objetos e acessórios de moda, com destaque para a coleção de vestuário em cortiça da estilista Mónica Gonçalves, apresentada pela primeira vez em Portel, em 2014.
Na Sala Património «há uma explicação sobre o montado e sobre o próprio concelho de Portel, combinando as várias dimensões do Montado: Natureza, Vida Rural, Tradição e Turismo, com especial destaque para a albufeira de Alqueva».
No fundo, aqui o visitante é convidado a descobrir o património natural, a paisagem e o património cultural do território, «desafiando ainda o visitante a "cantar uma moda à alentejana"».
Por fim, na Sala Sentidos há lugar a um espaço interativo, onde, com recurso às novas tecnologias, o visitante é convidado a descobrir, de uma forma divertida e apelativa, os sons do montado, a paisagem através do olhar, os aromas da terra, o sentir a natureza e a provar os sabores locais.
salasentidos
Regularmente são realizadas provas e venda dos produtos tradicionais que têm origem nos montados do concelho de Portel, tais como os enchidos, os queijos, o mel, o azeite e o vinho.
«Este espaço torna-se assim numa montra de atividades e de produtos tradicionais, relacionadas com o montado, de grande relevância para a economia local e com o objetivo de promover e valorizar o que de melhor se faz no concelho», realça José Manuel Grilo.
Cinco mil visitantes em 2014

Desde a abertura do Pavilhão, o número de visitantes «excedeu as expetativas», e em 2014 mais de cinco mil pessoas pessoas visitaram "A Bolota", «facto que é revelador do potencial turístico, cultural e pedagógico que este espaço possui, bem como evidencia o agrado demonstrado quer pela comunidade local quer pelos outros visitantes com origem nos mais distantes pontos do país», salienta o presidente da Câmara de Portel.
Fruto associado aos tempos de escassez no Alentejo, a bolota começa atualmente a ser aproveitada em várias vertentes, uma delas a gastronomia. José Manuel Grilho realça, por isso, o crescente interesse neste produto, «que noutros tempos teve o seu lugar na gastronomia alentejana, fruto da necessidade do povo».
Apesar da importância cada vez maior na gastronomia, «o seu aproveitamento continua a ser essencialmente como alimento de eleição para o porco alentejano do montado, cuja alimentação, tendo por base a "bolota" ou mesmo a "lande," determina a excelente qualidade da carne destes suínos».
«A utilização da bolota na gastronomia, começa a dar os seus primeiros passos, existindo algumas experiências, na área da restauração e também na área da panificação e da pastelaria. Alguns profissionais da cozinha começam agora a interessar-se por este produto, e a utilizá-lo um pouco a título de 'experimentação', sendo que o "Chef" Pedro Mendes terá sido um dos pioneiros nesta atitude, realizando um exaustivo trabalho de investigação e acabando por editar o livro "O Renascer da Bolota", que inclui cerca de três dezenas de receitas de culinária confecionadas com a bolota, para além de muitas curiosidades sobre a mesma», acrescenta o edil.
No entanto, recorda o autarca, ao montado «está associada uma exploração agrosilvo-pastoril de grande peso e importância local em termos económicos e sociais (e ambientais)».
«A possibilidade de uma gestão sustentável dos montados e do seu uso múltiplo, que permite conciliar a rentabilidade da produção de cortiça com outros produtos e serviços de valor económico, gera importantes rendimentos a nível concelhio, mantendo o emprego e algum equilíbrio no nosso mundo rural», sublinha.
montado
Lembra que, assim, relacionados com o montado, e para além da tiragem cortiça e da sua relevância económica, «surgem outras atividades importantes na economia local» como, a lenha e a produção de carvão vegetal (de azinho), a exploração das plantas e frutos silvestres (esteva, rosmaninho, medronho), a apanha do cogumelo (silarcas), a produção de mel (de rosmaninho), a caça (coelho, lebre, perdiz, javali), a criação do porco (alentejano) e da cabra (serpentina)».
«A este último aspeto, da exploração pecuária, está associado a indústria agroalimentar, bastante importante na nossa região, através da produção de presuntos, enchidos e queijos. Todos estes produtos, por serem do montado surgem com características de sabor e de qualidade reconhecida», vinca José Manuel Grilo.
Montado: um enorme ativo da Planície

O montado, criado pela acção humana (de pastoreio ou de práticas agrícolas), é um ecossistema caracterizado pela presença de azinheiras e sobreiros mas também por uma fauna e flora rica e diversificada.
Assim, a utilização dos montados como sistemas de produção e de aproveitamento agro-silvopastoril tem representado, ao longo dos tempos, um enorme ativo e suporte económico das populações da Planície.
«A bolota (e a lande), frutos com origem respetivamente nas azinheiras (e nos sobreiros), têm o seu fundamental e principal papel na alimentação e engorda do porco alentejano produzido nos montados através do tradicional regime extensivo de exploração, uma vez que o elevado teor em gordura daqueles frutos do montado conferem à carne, aos presuntos e aos enchidos deste tipo de suínos, caraterísticas organoléticas ímpares e que se acredita que sejam benéficas para a saúde dos consumidores», adianta o presidente do município.
Contudo, conclui, «e uma vez que são inúmeras as ameaças que se colocam hoje à sustentabilidade dos montados, levando ao seu declínio, condicionando o seu rejuvenescimento e colocando ainda em causa grandes investimentos e consequentemente o rendimento e emprego das populações, é importante que se desenvolvam espaços e fóruns privilegiados para o conhecimento, reflexão, debate e discussão dos problemas dos montados em todas as suas dimensões, na qual se inclui a componente pecuária».
Além dos quatro espaços temáticos há ainda uma sala de provas e venda de produtos regionais e merchandising.
Com entradas gratuitas, é possível visitar o Pavilhão "A Bolota" de terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h00.
As entradas são gratuitas.

PDR 2020: Portaria sobre a Prevenção da floresta contra agentes bióticos e abióticos e Restabelecimento da floresta afetada.



Foi publicada a Portaria 134/2015, de 18 de maio, que estabelece o regime de aplicação da operação 8.1.3, «Prevenção da floresta contra agentesbióticos e abióticos» e da operação 8.1.4, «Restabelecimento da floresta afetada por agentes bióticos e abióticos ou por acontecimentos catastróficos», do Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (PDR 2020).

Saiba mais e informe-se sobre a abertura de candidaturas aqui: