terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Novo programa de Ordenamento do Território está concluído - Governo



A secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, afirmou hoje que a proposta de revisão do Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território (PNPOT) está concluída.

"O diagnóstico está concluído. Há sempre uma dimensão ou outra que, até ao dia da sua aprovação, será certamente melhorada. A estratégia contendo o modelo, os desafios territoriais, os sistemas territoriais e o modelo territorial está concluído", afirmou Célia Ramos, durante uma audição no parlamento, na Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação.

De acordo com Célia Ramos, "há uma clara diferenciação do primeiro modelo territorial do PNPOT que está atualmente em vigor com o modelo territorial" que agora o Governo apresenta, um plano que está a ser trabalhado em conjunto com vários ministérios.

O modelo territorial definido pelo Governo "é uma orientação, um macro esboço que identifica os principais recursos, os principais pontos fortes, mas também as principais debilidades territoriais", destacou a governante.

De acordo com Célia Ramos, "este modelo não deixa também de considerar as vulnerabilidades ambientais e as vulnerabilidades que existem sob ponto de vista social, fundamentalmente, o que tem a ver com a perda demográfica".

A secretária de Estado referiu que o modelo do PNPOT vai atender "à diversidade geográfica do território" e "vai estar assente num sistema urbano policêntrico, com base nas duas áreas metropolitanas e num conjunto de centros regionais" e também noutros centros com "centralidades mínimas e que permitem dotar as populações de acesso aos serviços de interesse geral".

"O que nós queremos construir é uma agenda para o território, que é alicerçada em três plataformas essenciais - ambiental, social e económico - que tem um conjunto de medidas de ação que são organizadas por fichas, medidas de ação essas que são enquadradoras do planeamento e ação dos setores e dos vários instrumentos que existem de programação ao nível nacional", explicou.

Entre os principais objetivos estão "o reforço da resiliência do litoral, afirmar a biodiversidade como um ativo territorial, gerir as disponibilidades de água, diversificar e ordenar a nossa floresta, promover a equidade territorial de acesso a serviços de interesse geral, combater o desperdício de solo, reforçar a mobilidade suave, progredir no acesso à habitação, contrariar a dispersão e a fragmentação do edificado, acionar políticas ativas para o desenvolvimento rural e melhorar a cultura do ordenamento do território", resumiu Célia Ramos.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

"A Fábrica da Azeitona". Reportagem TSF num Alentejo a mudar rapidamente

08 DE FEVEREIRO DE 2018 - 07:19

Milhões de oliveiras, água, seca, pesticidas e muitos imigrantes ilegais da Ásia e de África que enchem os campos alentejanos. O retrato de uma mudança rápida.


Numa altura em que 95% do país continua em seca moderada ou severa e a tendência a longo prazo, com as alterações climáticas, será para mais anos de pouca chuva, associações ambientalistas e agrónomos da Universidade de Évora alertam que o Alentejo está a usar mal a água que tem.

O retrato de um Alentejo onde a mudança está a ser muito rápida à boleia da água do Alqueva é feito na Reportagem TSF desta semana. Mudanças que estão longe de ser pacíficas.

"A fábrica da azeitona". Reserve 30 minutos e ouça a Reportagem TSF desta semana. Um trabalho de Nuno Guedes com sonoplastia de Pedro Simões Ribeiro.
Ninguém parece ter dúvidas em falar mesmo numa revolução na economia e na paisagem da região onde hoje já se vê verde todo o ano, como salienta a reitora da Universidade de Évora, mas vários contestam que o caminho seja o mais correto, garantindo que a aposta em culturas de regadio, sobretudo em olivais intensivos, está a ser exagerada e vai ter consequências graves no futuro.

A associação ambientalista Quercus pede ao governo que não autorize mais olivais intensivos na região e Mário Carvalho, docente e agrónomo na Universidade de Évora, partilha dos mesmos receios.

O professor catedrático do Instituto Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas salienta que já hoje "guiamos quilómetros a fio e só vemos olivais intensivos e super-intensivos, agravando a gravidade dos problemas ambientais e para a biodiversidade da região devido ao uso de pesticidas", tudo subsidiado pelo Estado que vende a água de Alqueva "abaixo do preço de custo", apenas beneficiando os empresários que apostam nestas culturas.

"O Alentejo", que tem 55% da área agrícola do país, "deslumbrou-se com a água de Alqueva", defende a reitora e também agrónoma Ana Costa Freitas: "Estamos a esgotar as reservas indiscriminadamente sem conhecer a água que existe na região".

Nada rende tanto no Alentejo como a azeitona

Numa altura em que o preço do azeite está em máximos nos mercados internacionais, há milhões de novas oliveiras a ser plantadas na área de influência do Alqueva no Baixo Alentejo mas também no Alto Alentejo, perto da Barragem do Maranhão que em pleno inverno tem apenas 22% da água que pode armazenar numa zona já cheia de olival intensivo.

Do lado do governo, um despacho conjunto de 2017 de vários ministérios admite que o novo regadio do Alqueva levanta "preocupações económicas ou ambientais" e o crescimento do olival intensivo no Alentejo põe questões que pedem "investigação urgente".

No entanto, o presidente do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, para onde a TSF foi encaminhada depois de questões enviadas ao Ministério da Agricultura, desdramatiza.

Nuno Canada garante que essas preocupações estão a ter resposta efetiva, a agricultura do Alentejo é cada vez mais inteligente e usa menos água, sendo sustentável no longo prazo, numa visão partilhada pela Olivum (Associação de Olivicultores do Sul) que representa as empresas com cada vez mais olivais intensivos na região.

Azeitonas que dependem dos imigrantes

O presidente da associação que representa os grandes olivicultores, Cortez Lobão, salienta que os novos olivais que estão a ser plantados, chamados de super-intensivos, muito mecanizados, exigirão ainda cada vez menos mão-de-obra 'importada', travando os casos de milhares de estrangeiros, muitas vezes ilegais, que enchem a região na época da apanha da azeitona.

Maria Antónia Pires de Almeida, alentejana de Avis e investigadora do ISCTE que na tese de doutoramento investigou a Reforma Agrária da década de 1970, salienta que o Alentejo que conheceu "já não existe".

Está a alterar-se toda a estrutura económica e social sem, de facto, trazer riqueza e pessoas para a região, numa altura em que a falta de população se agrava pois o novo regadio, afirma, dá muito pouco trabalho a portugueses.

O agrónomo Mário Carvalho, tal como a Associação de Agricultores do Baixo Alentejo, sublinha que boa parte desta nova agricultura só é viável não apenas pela água barata do Alqueva mas também porque há imigrantes que aceitam ordenados baixos e condições de trabalho que nenhum português aceitaria, com Pires de Almeida a salientar que "não quer viver num país onde há pessoas a trabalhar nestas condições e a viver em contentores".

Incêndios. António Costa implacável com as Câmaras


António Costa apelou à limpeza dos focos de risco para incêndios e disse que as autarquias até podem tomar posse administrativa de terrenos privados de quem não o faça. Mas não disse tudo. As Câmaras que não tiverem tudo limpo até maio, perdem 20 por cento do orçamento. 


Depois do embate por causa da descentralização de competências, há agora uma nova tensão entre as autarquias e o Governo, gerada pela responsabilidade da limpeza de terrenos. 

Isto porque foi introduzido à última hora um artigo na lei do Orçamento do Estado 2018 que empurra para as autarquias a responsabilidade pela limpeza dos terrenos - incluindo os de propriedade privada e os que são detidos pelo próprio Estado - sob pena de, se não o fizerem até 31 de maio, serem alvo de um corte de 20% nas verbas do Fundo de Equilíbrio Financeiro (FEF), transferidas mensalmente. Corte que será aplicado a partir do mês seguinte, junho.

Até 15 de março, a limpeza é da responsabilidade dos proprietários. Só depois dessa data serão as autarquias a assumir a obrigatoriedade da limpeza, que terá de estar terminada a 31 de maio, antes da época problemática de incêndios. Com esta medida, as câmaras passam também a ser responsabilizadas civil e criminalmente no caso de incêndios em terrenos que não tenham sido limpos.  

A norma, que foi aprovada no Parlamento sem que a Associação Nacional de Municípios (ANMP)  tivesse sido ouvida e ainda com vários detalhes por definir, promete um novo braço de ferro. De um lado, o Governo já fez passar várias mensagens públicas de que não irá recuar; do outro, as autarquias repudiam a medida que consideram ser de execução impossível. 

As críticas das autarquias

O SOL sabe que as autarquias já manifestaram ao Governo o seu protesto e transmitiram a sua oposição frontal à norma tal como está definida, frisando que o Estado quer que os municípios em menos de três meses façam aquilo que não foi realizado em décadas.

Além disso, as autarquias também já lembraram ao Governo que nas últimas décadas o Estado não cuidou das suas matas nacionais, que estão sob a sua própria responsabilidade. 

A somar a tudo isto, as câmaras já apontaram que, apesar de o terem solicitado várias vezes, o Governo ainda não terminou o cadastro de proprietários, sendo, por isso, desconhecida a realidade do território nacional. 

Estas foram algumas das críticas reiteradas pelas câmaras durante a reunião com o ministro da Administração Interna, que decorreu no dia 1 de fevereiro. 

O SOL também apurou que Eduardo Cabrita prometeu estudar algumas as questões suscitadas pelas autarquias e remeteu eventuais novas medidas para o decreto de execução orçamental. Uma das nuances que pode vir a constar do decreto de execução orçamental será a definição de faixas prioritárias de terrenos a limpar.      

 De acordo com algumas fontes próximas do processo, o mapa de prioridades já está definido pelo Governo, mas ainda não foi divulgado. 

Esta semana, António Costa disse que tinham sido identificadas 19 áreas de maior risco de incêndios, que estão abrangidas em «mais de 180 concelhos de todo o país, por mais de mil freguesias e milhares de aldeias».  

O SOL solicitou ao MAI o mapa de prioridades para a limpeza, mas não obteve qualquer resposta até à hora de fecho desta edição.  

Além disso, às autarquias nada foi dito pelo Governo sobre as medidas que estão a ser seguidas pelo Executivo para limpar os seus próprios terrenos. E está ainda por definir quem vai assumir os custos da limpeza dos terrenos que estão sem proprietário. 

Com a ausência da publicação do decreto-lei de execução orçamental, as autarquias solicitaram  uma reunião com o primeiro-ministro e vão ser recebidos pelo Presidente da República na próxima segunda-feira, e o SOL sabe que este assunto vai estar sobre a mesa.

Também esta semana, o primeiro-ministro avisou ainda em Tondela que «a partir de 15 de março, os municípios têm todo o poder para entrar nas propriedades privadas e fazerem o que os proprietários não fizeram». Mas António Costa não deixa de frisar que «este é um esforço que envolve toda a sociedade e cada um dos proprietários».

O primeiro-ministro lembrou  igualmente que «a lei impõe há mais de dez anos obrigações muito claras a todos». De acordo com o decreto-lei 124/2006, nos 50 metros em redor das casas e nos 100 metros em redor de cada povoação não pode existir mato  nem árvores.    

O que diz a lei

De acordo com o artigo 153.º do Orçamento do Estado de 2018, os proprietários dos terrenos têm até dia 15 de março para fazer a limpeza. A mesma norma estipula ainda que o valor atual das coimas aplicadas - 140 euros a cinco mil euros, no caso de pessoa singular, e de 800 euros a 60 mil euros, no caso de pessoas coletivas - passam a ser o dobro. 

Posteriormente, até 31 de março, as câmaras terão de fazer um levantamento dos terrenos que terão de ser limpos. 

E nos casos em que os proprietários não assumam a limpeza essa responsabilidade passa para as autarquias, que terão de o fazer até 31 de maio. Nestas situações, os proprietários «são obrigados a permitir o acesso aos seus terrenos e a ressarcir a câmara municipal das despesas efetuadas com a gestão de combustível». Ou seja, com as verbas que resultem da venda do combustível que resulte da limpeza.

Caso este valor não seja suficiente para ressarcir as câmaras dos respectivos custos, a norma prevê ainda que se recorra às receitas arrecadadas através de processos de execução aos proprietários decorrentes da cobrança coerciva das dívidas.

Para suportar as despesas, o Estado criou uma linha de crédito com um teto máximo de 50 milhões disponíveis para os 308 municípios, aos quais serão cobrados juros dos valores adiantados através deste crédito.

Nos últimos dias o Governo tem feito vários apelos para que os proprietários limpem os seus terrenos, sendo que o ministro Eduardo Cabrita disse que «não há contestação» por parte dos municípios. 

Também a GNR da Guarda fez saber que pediu a colaboração da Igreja para que, durante a missa, os padres ajudem a sensibilizar as populações para a necessidade da limpeza dos terrenos.   

As normas do OE/2018 somam-se ao pacote de medidas da reforma florestal que deu entrada no Parlamento dutrante o verão. Nessa altura, a TSF avançou que o Governo se entendeu com o BE para acabar com a liberalização do eucalipto e integrar compulsivamente no Banco Público de Terras os terrenos abandonados e sem dono, que passam a poder ser arrendados pelo Estado. 

Contactado pelo SOL, o MAI não prestou quaisquer esclarecimentos sobre este assunto.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Governo anuncia 50 milhões de euros para regadio no distrito de Bragança


11/2/2018, 16:06

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou hoje um investimento superior a 50 milhões de euros em novas barragens e ampliação e reabilitação de infraestruturas para o regadio no distrito.

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou hoje um investimento superior a 50 milhões de euros em novas barragens e ampliação e reabilitação de infraestruturas para o regadio no distrito de Bragança.

O anúncio foi feito no encerramento da Feira do Fumeiro de Vinhais, e os investimentos a serem executados até 2021 destinam-se aos concelhos de Alfândega da Fé, Vila Flor, Mirandela e Vimioso, como informou o governante.


Trata-se, segundo Capoulas Santos, de "um conjunto de programas de aprovados e outros em vias de aprovação que na totalidade superará, até 20211, um investimento superior a 50 milhões de euros".

O investimento destina-se às diversas componentes do regadio, desde a construção de barragens, a ampliação de regadios existentes ou da alteração do seu sistema de rega e investimentos nas redes de caminhos e valas de drenagens para que quando chove demais as culturas não sejam prejudicadas.

No total, de acordo com o ministro, são "sete ou oito diferentes projetos em todas as áreas, dois terços para novas barragens, um terço para reabilitação ou ampliação dos regadios já existentes", para o distrito de Bragança.

O governante vincou que "a água e o regadio são hoje fatores fundamentais para a competitividade da agricultura e para combater as alterações climáticas que são hoje mais do que nunca visíveis".

Por isso, recordou, "o Governo inscreveu no seu programa e tem agora em plena execução um grande programa de investimentos públicos no regadio".

"Iremos fazer provavelmente o maior investimento público que num período tão curto de tempo foi executado, uma vez que nos propomos até 2021 instalar no país mais de 90 mil hectares de novos regadios ou de regadios recuperados", reiterou.

Associações ambientalistas defendem divulgação pública das análises ao rio Tejo


10 DE FEVEREIRO DE 2018 - 15:07

Apesar de defenderem a necessidade respeitar a decisão do Ministério Público, que colocou em segredo de justiça o inquérito à poluição no Tejo, ambientalistas entendem que por questões de saúde pública os resultados deveriam ser públicos.


"A Quercus lamenta que esteja em segredo de justiça, mas se é uma ordem judicial temos que aceitar isso. Achamos que devia ser divulgado, que é uma informação relevante para a opinião pública, mas não só. Por questões de segurança e saúde pública os valores deviam ser conhecidos", diz o presidente da Quercus, João Branco, que entende que "as pessoas têm o direito de saber o que se passa com a água dos rios".

João Branco, da Quercus, defende publicação dos resultados das análises
O Ministério Público notificou a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território de que os elementos recolhidos no âmbito do inquérito sobre a poluição no Tejo estão em segredo de justiça.

Em nota divulgada esta sexta-feira, a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) explica que recebeu uma notificação do Departamento de Investigação e Ação Penal de Castelo Branco sobre o inquérito por crime de poluição no rio Tejo, na qual se lia que "todos os elementos já coligidos, bem como todos os demais elementos juntos e a obter, relativos à investigação no âmbito do processo de inquérito (...) se encontram sujeitos a segredo de justiça".

Também Francisco Ferreira, da Zero, defende que deve ser respeitada a decisão judicial, considerando fundamental que se "averiguem as circunstâncias" do episódio de poluição no rio Tejo, para se perceber se houve ou não um acidente relacionado com a fábrica de celulose Celtejo, ou, acrescentou, se se tratou apenas de poluição acumulada.

"Seria importante que toda esta informação fosse pública para nós melhor percebermos o que se pode e deve decidir em relação à produção naquela zona", disse Francisco Ferreira, que considerou acertadas as decisões que o Ministério do Ambiente já tomou em relação à produção da empresa.

O ambientalista entende, no entanto, que os resultados das análises agora colocados em segredo de justiça "são importantes, mas não determinantes" para saber o que se passou no rio, defendendo que teria sido mais importante ter as amostras dos dias anteriores ao aparecimento da espuma junto ao açude de Abrantes.

Para ações e decisões futuras, o presidente da Zero entende que deve ser adotado um "princípio de preocupação" e diz que não conhecer toda a informação não impede a tomada de algumas medidas preventivas de novos casos de poluição, admitindo que possam ser "afinadas no futuro".

A Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou, no passado dia 27 de janeiro, que o Ministério Público instaurou um inquérito a empresas de Vila Velha de Ródão, na sequência de uma participação de crime de poluição apresentada pelo Ministério do Ambiente.

A abertura do inquérito surgiu na sequência dos recentes fenómenos de poluição detetados a 24 de janeiro, junto à queda de água do açude insuflável de Abrantes.

No dia 31 de janeiro, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, revelou que a carga poluente que afetou o rio Tejo na zona de Abrantes, teve origem nas descargas da indústria da pasta de papel.

Governo vai revogar licença da Celtejo


RICARDO CABRAL FERNANDES
11/02/2018 09:10

O Governo vai revogar a licença da empresa de celulose que, entretanto, está obrigada a reduzir as descargas em 50%. PROTejo desafiou empresa a retirar ação judicial. Pescadores exigem indemnização.

A espuma branca e espessa que há duas semanas dominou o rio Tejo, na zona de Abrantes, levou o Governo a revogar a licença de descargas da Celtejo. Mas os resultados às análises feitos às tubagens não poderão ser divulgados porque se encontram em segredo de justiça. O aviso foi deixado ontem pelo Departamento de Investigação e Ação Penal  (DIAP) de Castelo Branco à  Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGMAOT), que investiga o caso.

No seguimento das denúncias de ambientalistas e análises realizadas pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que revelaram que a poluição teve origem nas indústrias de pasta de papel, o Governo decidiu revogar a licença de descargas de afluentes para o Tejo que a Celtejo tinha desde maio de 2016. A empresa é, entretanto, obrigada pelo Ministério do Ambiente a reduzir em 50% as descargas para o rio por mais de trinta dias, um valor que no futuro poderá ser ainda mais reduzido e espaçado no tempo. Em declarações ao SOL, a empresa desvaloriza a questão: «A revisão de licenças é um procedimento normal, e a Celtejo tem uma postura de colaboração permanente com as autoridades». 

O Ministério Público está a investigar o caso desde o dia 27 de fevereiro, data em que foi oficialmente instaurado um inquérito às empresas papeleiras de Vila V Velha de Ródão. Mas a Celtejo é mesmo a empresa a empresa com um maior número de descargas. Segundo a Inspeção-Geral da Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território, só a Celtejo é responsável por 70,82% do total das descargas para o rio na zona de Abrantes.  

Uma eventual nova licença está dependente do estudo que a Universidade Nova de Lisboa está a realizar, com base nas análises recolhidas na proximidade da ETAR da Celtejo e na capacidade do rio em receber os seus afluentes, avançou o Público. 

Esta semana, o movimento ambientalista PROTejo desafiou a Celtejo a ter «o bom senso de assumir a reparação dos danos ambientais e económicos» causados pela poluição e a «retirar a ação interposta contra Arlindo Consolado Marques», conhecido ativista que tem publicado diversos vídeos do rio poluído. O ambientalista foi processado pela Celtejo que exige 250 mil euros. Já os responsáveis difamados defendem que «uma empresa cumpridora não pode ser caluniada» e que tem o «direito a se defender». 

Entretanto, o Movimento Pescadores pelo Tejo entrou com uma queixa no Tribunal Europeu contra a Celtejo e o Estado português, entretanto aceite. A primeira é acusada de poluir o curso de água e o segundo por inércia perante as denúncias dos pescadores. Estes pedem uma indemnização de 100 milhões de euros, calculada de acordo com os rendimentos expectáveis dos profissionais, pela poluição do Tejo nos últimos três anos. O Movimento referiu que em 2012 cerca de 1090 pescadores exerciam a sua profissão no rio, enquanto que atualmente apenas 46 exercem a atividade.

A nova revolução verde


Entre o drama da fome que persiste e a epidemia de obesidade que cresce, há uma pergunta cada vez mais incontornável: o que fazer para tornar o mundo da alimentação mais racional?

11 de Fevereiro de 2018, 6:50 Partilhar notícia

Poucas revoluções do século XX foram tão boas para a humanidade como a que transformou a agricultura e retirou milhões de pessoas do pesadelo da fome. Hoje, porém, a revolução verde está em crise. Vítima do seu próprio sucesso, a transformação baseada na ciência, na escala e na produtividade tornou-se uma ameaça para a sustentabilidade, para a biodiversidade. Tornou-se ainda um factor de desperdício e um foco de uma das mais terríveis epidemias do nosso tempo: a obesidade. Com a fome confinada a cenários de conflito ou a países dominados pela cleptocracia ou pela má governação, discute-se tanto a alimentação humana pelos seus limites como pelos seus excessos.

É impossível ficar ao lado dos problemas. Entre a realidade existente, com o abuso de proteínas no hemisfério Norte e a subnutrição em várias zonas do planeta, e o mundo ideal, há um fosso difícil de transpor. A eficiência na produção que hoje leva ao desperdício de um terço dos alimentos implica uma lógica económica baseada na competição e numa ordem geopolítica. Mudar essa lógica exige uma quase utopia: obriga a acertos na globalização, na concorrência, no próprio capitalismo.

Pretender o regresso da produção ao modelo da agricultura familiar é uma aspiração que, como sublinha o director-geral da FAO numa entrevista ao P2, deve reforçar o seu papel na agenda do nosso tempo. Mas acreditar que é possível com uma deliberação política reduzir o poder das multinacionais que dominam o negócio da alimentação é também uma utopia. Porque quem poderia alterar a lógica das coisas é quem domina esse ciclo de negócio — a Europa, os Estados Unidos ou o Brasil.


Mais do que confiar no poder da política, é melhor pensar que uma grande transformação só ocorrerá quando cada um de nós for ao supermercado e preferir pagar mais por pão de cereal do Alentejo ou carne de um pequeno produtor da Galiza. Quando a força motriz dos hábitos não for a quantidade e o preço mas os bens sustentados numa tradição rural, numa cultura, num padrão de qualidade que o agrobusiness não contempla.

A próxima revolução verde não será por isso um modelo de aumento de produção — mas um princípio de produção sem hormonas de crescimento animal, nem doses industriais de agro-químicos, nem sementes manipuladas para resistir a insectos. Pode ser uma utopia: mas, nos anos ásperos do pós-guerra, a hiperabundância de comida também o era.

tp.ocilbup@ohlavrac.leunam

Suspeitas de burla qualificada na Câmara Agrícola Lusófona


RTP
09 Fev, 2018

Suspeitas de burla qualificada na Câmara Agrícola Lusófona


Jorge Santos é suspeito de burla qualificada e está a ser investigado pela terceira secção do DIAP de Lisboa. Santos não tem nada em seu nome, pelo que nunca pagou as dívidas da anterior associação a que presidiu: a Câmara de Agricultura Lusófona, constituída em 1999. Uma investigação do Sexta às 9.
Quando esta entrou em incumprimento com a agência que gere os fundos comunitários, Jorge Santos fechou-a e abriu outra com a mesma sigla, mas com um novo número fiscal. Em 2013 surgiu assim a Câmara Agrícola Lusófona.

Esta mudança foi suficiente para se voltar a candidatar a novos fundos comunitários. Atualmente, a refundada associação de Jorge Santos tem três projetos aprovados no valor de mais de 1,3 milhões de euros. 

O Sexta às 9 teve acesso a documentos que provam que, dos cerca de 500 mil euros já entregues à CAL, 265 mil euros já terão sido transferidos para um universo de empresas controladas por Jorge Santos.

Incêndios: Governo vai ajustar apoios à agricultura e à indústria nos fogos de outubro - associação

O Governo comprometeu-se hoje a ajustar os apoios à agricultura e à indústria no âmbito dos incêndios de outubro de 2017, revelou a Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal (AVMISP).

"Tivemos conhecimento que também já está nomeado o professor Xavier Viegas - tal como tínhamos vindo a pedir há muito tempo - para fazer o relatório de outubro tal como fez o de junho", avançou à Lusa o presidente da AVMISP, Luís Lagos.

Após uma reunião no Palácio de São Bento, em Lisboa, com a presença do primeiro-ministro, António Costa, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e o secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, Nelson de Souza, o presidente da AVMISP manifestou-se satisfeito com o diálogo encetado com o Governo, já que este é o primeiro encontro entre as partes desde os incêndios de outubro de 2017.

A reunião não fazia parte da agenda pública de hoje do primeiro-ministro.

"O balanço será sempre positivo, porque há muito que vínhamos a pedir uma postura de diálogo connosco, por parte do Governo, para podermos melhorar os apoios, melhorar o apoio à região e conseguirmos, em diálogo, encetar um processo de construção para o futuro que redundasse em benefício de todos e acho que isso hoje começou", declarou Luís Lagos, indicando que o executivo assumiu o compromisso de voltar a reunir com a direção da associação.

Da parte do ministro da Agricultura, a AVMISP recebeu o compromisso de se "avaliar a possibilidade de aumentar o valor máximo de apoio" aos prejuízos no setor agrícola, já que as atuais ajudas têm um limite de 400 mil euros e os danos a partir desse valor não são apoiados.

Já o Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, representado pelo secretário de Estado do Desenvolvimento e Coesão, deixou o compromisso de que no apoio à indústria se poder "chegar a uma taxa de comparticipação idêntica àquela que existiu em junho de 85%", uma vez que a taxa de comparticipação à reposição empresarial ou à recuperação das empresas que arderam "é inferior em outubro do que aquela que existiu em junho", disse o representante da AVMISP.

"Quem é lesado e vítima de um incêndio a primeira coisa que desejaria era não estar aqui, era não ter que ter este tipo de reunião, agora ficamos satisfeitos no sentido em que o Governo encetou um diálogo connosco, percebemos que existe um compromisso para o diálogo", reforçou Luís Lagos.

Apesar dos compromissos assumidos pelo Governo no apoio aos prejuízos dos incêndios de outubro de 2017, a associação AVMISP considerou que ainda não estão concluídos os objetivos traçados, "que é o melhorar efetivo, em concreto, dos apoios, quer na agricultura, quer na indústria".

Caso da poluição no Tejo em segredo de justiça. Resultados de análises não serão conhecidos


Ministério Público decide que não serão revelados resultados das análises que faltava conhecer, relativas à Celtejo

O caso da poluição no Rio Tejo fica em segredo de justiça, anunciou esta sexta-feira a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, em comunicado. Ao DN, fonte da PGR confirmou que foi aberto um processo-crime que entrou em segredo de justiça.

"A Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, foi notificada pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Castelo Branco de que todos os elementos já coligidos, bem como todos os demais elementos juntos e a obter, relativos à investigação no âmbito do processo de inquérito - Crime de Poluição no Rio Tejo - se encontram sujeitos a segredo de justiça", informa a nota.

"Eles mataram o rio, rebentaram com isto tudo"

"Assim, todos os órgãos, serviços, ou pessoas com contacto com o referido processo, estão impedidos de divulgar quaisquer informações, designadamente elementos de prova, resultados de análises ou de outras quaisquer diligências".

A Procuradoria-Geral da República (PGR) revelou, no dia 27 de janeiro, que o Ministério Público instaurou um inquérito a empresas de Vila Velha de Ródão, na sequência de uma participação de crime de poluição apresentada pelo Ministério do Ambiente. A abertura do inquérito surgiu na sequência dos recentes fenómenos de poluição detetados a 24 de janeiro, junto à queda de água do açude insuflável de Abrantes.

No dia 31 de janeiro, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, revelou que a carga poluente que afetou o rio Tejo na zona de Abrantes, teve origem nas descargas da indústria da pasta de papel.

Resultados das análises na Celtejo não serão conhecidos

Na prática, esta restrição significa que não serão conhecidos os resultados das análises às amostras recolhidas na indústria Celtejo, cuja recolha tinha sido já problemática: só foi possível à quarta tentativa e com o recurso a três inspetores em permanência durante 24 horas, revelou no início da semana Nuno Banza, o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.

Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo, o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território IGAMAOT disse que vários cenários seriam possíveis para o problema registado na recolha das amostras na Celtejo.

"Não estávamos à espera que aquilo acontecesse, não só porque nunca tinha acontecido em mais lado nenhum como também nunca tinha acontecido na própria Celtejo", afirmou Nuno Banza, indicando que os inspetores têm muita experiência, porque já recolheram "centenas, senão milhares", de amostras através deste método.

Das seis entidades suspeitas de terem contribuído para a mancha de poluição no Tejo, a Inspeção-Geral da Agricultura tinha já revelado os resultados das análises referentes a cinco: à Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Abrantes, de Mação, de Vila Velha de Ródão, e às unidades industriais Paper Prime e Navigator. Todas cumpriam os valores a que estavam obrigadas, exceto a ETAR de Abrantes, que estava fora dos parâmetros. A Inspeção-Geral da Agricultura considerou, porém, que os incumprimentos não eram excessivos.

Esta sexta-feira, o jornal Público avança que a licença de descargas da Celtejo vai ser revogada pelo Governo. Ao DN, fonte oficial do Ministério do Ambiente afirmou que a decisão sobre este processi deverá estar tomada até 1 de março.

A licença atual, que foi atribuída em maio de 2016, duplicou o montante das descargas permitidas à empresa, sendo que o Ministério do Ambiente se prepara para obrigar a unidade industrial a reduzir em pelo menos 50% os despejos inicialmente previstos.

Seca: Cerca de 1 ME executado dos 15 ME disponíveis para apoiar agricultores


O ministro da Agricultura disse hoje que, dos 15 milhões de euros disponibilizados para apoiar os agricultores devido à seca, "há cerca de um milhão de euros executado", apontando como obstáculo à execução a falta dos comprovativos da despesa.

"Dos cerca de 1.500 projetos que foram apresentados, estão neste momento aprovados cerca de 1.300", avançou Luís Capoulas Santos, no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que decorreu em Lisboa, com a participação de associações e confederações de agricultores.

Em declarações à agência Lusa, o tutelar da Agricultura afirmou que os projetos estão contratados e se não há mais execução financeira é porque os agricultores não apresentaram ainda os comprovativos da despesa, já que se trata de "fundos comunitários que têm uma gestão rigorosa e os pagamentos são efetuados contra o pagamento das despesas".

A 09 de janeiro, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) disse que a ajuda do Governo para a situação de seca "ainda não chegou", revelando que, dos 15 milhões de euros anunciados, apenas foram pagos cerca de 20 mil euros.

"Quem sentiu e está ainda a sentir na pele os efeitos da seca dramática que Portugal atravessa são os produtores pecuários", afirmou o presidente da CAP, Eduardo de Oliveira e Sousa, indicando que os agricultores "solicitaram ajuda no início da Primavera do ano passado, ajuda essa que ainda não chegou" quando já começou o ano de 2018.

De acordo com Capoulas Santos, o problema "mais premente" que o setor da agricultura enfrenta devido à situação de seca é a falta de alimentos para os animais, "já que as reservas se têm vindo a esgotar, não choveu o suficiente para o desenvolvimento das pastagens e o frio que tem ocorrido nos últimos tempos tem travado o seu crescimento"

"Existem alguns problemas para os animais não só na alimentação como no abeberamento, garantir pontos de água", reforçou o ministro da Agricultura.

Neste âmbito, o governante lembrou as "muitas medidas" tomadas pelo executivo, nomeadamente a redução do preço da água do Alqueva em 30%, a criação de uma linha de crédito de cinco milhões de euros para a alimentação dos animais, um conjunto de derrogações da Política Agrícola Comum e a antecipação de cerca de 500 milhões de euros de pagamento de ajudas comunitárias.

"Estamos obviamente preparados, a monitorizar a situação e prontos a adotar as medidas que as circunstâncias determinarem", assegurou Capoulas Santos.

Governo avalia construção de pequenas barragens para interanualidade da água

08 DE FEVEREIRO DE 2018 - 23:30


A ideia é aproveitar a água de um ano em que não haja seca para utilizar nesse ano e num próximo mais complicado.

O Governo está a avaliar a possibilidade de construção de pequenas barragens que garantam a interanualidade da água, disse o ministro do Ambiente, assumindo, porém, que a prioridade é promover ligações entre as barragens que já existem.

"Não está prevista, neste momento, a construção de qualquer barragem em concreto. Estamos a avaliar a possibilidade de se construírem pequenas barragens que garantam a interanualidade da água, isto é, num ano de seca, se o ano anterior não for um ano de seca, existe água para esses mesmos dois anos", afirmou João Matos Fernandes, no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que decorreu em Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o governante sublinhou que a prioridade do executivo não é construir novas barragens.

"A nossa prioridade é de promover ligações entre as barragens, até porque, não chovendo, a existência da barragem, obviamente, não puxa a água, portanto temos é que garantir a capacidade de a poder transferir onde ela existe e de continuar a apelar ao uso mais moderado e mais racional da água", explicou o ministro do Ambiente.

Presente na reunião da Comissão da Seca, o ministro da Agricultura lembrou o novo programa nacional de regadios, através do qual se pretende "ampliar a área de regadio e reabilitar perímetros que são hoje ineficientes e que têm enormes perdas de água".

"Trata-se de um investimento que até 2021 irá representar um esforço financeiro na ordem dos 534 milhões de euros, onde se inclui, além da reabilitação de perímetros de rega, algumas barragens destinadas a uso exclusivamente agrícola e a ampliação do projeto Alqueva, num conjunto global de cerca de novos 90 mil hectares de regadio", referiu Luís Capoulas Santos, defendendo que as ligações ao Alqueva vão "permitir não só reforçar e melhorar as condições do abastecimento urbano como até garantir a chegada da água aos polos industriais como é o caso de Sines".

Neste momento, estão a decorrer as avaliações de impacto ambiental para a execução do programa nacional de regadios, informou o tutelar da Agricultura.

"Trata-se do maior esforço e do maior programa de regadio executado num tão curto espaço de tempo, quatro anos", reforçou o governante.

Questionado sobre a recomendação da Comissão Europeia para que Portugal avalie alternativas energéticas às barragens, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, defendeu que "a produção de energia a partir da fonte hídrica é fundamental para assegurar a meta dos 60% de produção de energia elétrica por fontes renováveis".

Neste âmbito, o responsável pela pasta do Ambiente adiantou que está a ser desenvolvido um plano de "uma maior promoção de energia a partir da fonte solar, que vai complementar aquilo que já são os investimentos que existem e que já vêm de há muitas décadas de produção de energia por fonte hídrica e por fonte eólica".

PAC: Portugal, Espanha, França e Itália vão ter posição comum

Os representantes dos quatro países acordaram preparar documento a enviar aos ministros da UE, embora já tenham chegado a acordo para manter fundos "ambiciosos" na Política Agrícola Comum além de 2020

LUSA 8 de Fevereiro de 2018, 18:36 Partilhar notícia

Portugal, Espanha, França e Itália vão apresentar ao Conselho de Ministros da União Europeia (UE) um documento comum para reivindicar uma Política Agrícola Comum (PAC) com forte orçamento, disse hoje o secretário-geral da Agricultura espanhol, Carlos Cabanas.

O responsável e os seus homólogos de França, Itália e Portugal decidiram, numa reunião, elaborar uma proposta com "pontos comuns" sobre a reforma da PAC para apresentá-la perante a Comissão Europeia e o Conselho de Ministros da Agricultura, em Março, segundo a agência Efe.

Os representantes dos quatro países acordaram preparar o documento e enviá-lo aos ministros, embora já tenham chegado a acordo para manter fundos "ambiciosos" na PAC - além de 2020 - e que o novo modelo tenha um quadro comum que evite problemas e alterações de concorrência.

Em relação ao orçamento, Cabanas sublinhou que estão a ser analisadas "todas as possibilidades" do ponto de vista agrícola, com reflexões sobre o impacto do 'Brexit'.

"No nosso nível, acordámos que o orçamento deve ser suficiente para uma PAC ambiciosa", acrescentou Carlos Cabanas, citado pela Efe.

Ministro da Agricultura vai ser confrade do fumeiro de Vinhais


O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, irá ser um dos novos "embaixadores" do fumeiro de Vinhais com a entrada, no domingo, para a confraria que representa uma das mais importantes fileiras económicas transmontanas, divulgaram hoje os promotores.

Anualmente, por esta altura do ano decorre a feira que é uma montra dos negócios estimados em mais de seis milhões de euros anuais, e que termina no domingo com a presença do governante.

A organização anunciou hoje que o ministro da Agricultura vai ser entronizado na Confraria do Porco Bísaro e do Fumeiro de Vinhais, criada há cinco anos para promover a raça protegida e que é responsável pela carne que distingue e levou à certificação de qualidade dos produtos associados e enchidos de Vinhais.

A entronização como confrade "é uma honra e um reconhecimento atribuído a pessoas que, no âmbito da sua vida profissional ou pessoal, contribuem para a valorização e promoção do porco bísaro e dos produtos que lhe estão associados e, consequentemente, para o desenvolvimento do mundo rural", segundo a Grão-Mestre, Carla Alves.

A confraria conta atualmente com 54 confrades que são "embaixadores" destes produtos e a quem se juntará, no domingo, o ministro Capoulas Santos, com a cerimónia de entronização marcada para o Centro Interpretativo do Porco Bísaro, local de memória e promoção da raça e da feira do fumeiro, a mais antiga do país, com 38 anos.

"Neste lugar há memórias do próprio ministro da Agricultura, quando anteriormente exerceu essas mesmas funções e nos apoiou e nos visitou", observou a Grão-Mestre da Confraria.

Carla Alves acompanha, enquanto técnica da Associação Nacional de Criadores de Suínos da Raça Bísara, há mais de 20 anos, todo o processo da raça que dá fama ao fumeiro e estava em vias de extinção.

No capítulo marcado para domingo vai ainda integrar a confraria Fontainhas Fernandes, o reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), "instituição que, desde a primeira hora, foi parceira, quer do município de Vinhais, quer da associação de criadores, nos estudos e investigação que levaram à valorização da raça e à certificação dos produtos e na própria formação profissional dos produtores".

Os promotores recordam que "a norte do Tejo, o município de Vinhais é aquele que tem maior número de certificações associadas a uma raça autóctone, o que obviamente é uma garantia de qualidade e segurança alimentar".

O ministro da Agricultura irá depois, já na qualidade de confrade, participar num dos momentos altos da Feira do Fumeiro de Vinhais, que é a entrega de prémios do concurso do melhor salpicão.

O governante visitará também a feira que conta, entre os mais de 500 expositores, com 70 produtores do fumeiro certificado e espera, este ano, um número recorde de 80 mil visitantes.

O certame oferece um espaço 'gourmet' com produtos tradicionais, exposição de maquinaria agrícola, espaço de animação com concertos, tasquinhas e restaurantes, artesanato e feira de rua, além de jornadas técnicas sobre temáticas ligadas ao setor agrícola e agroalimentar.

Lidl Portugal contribuiu com 10% das exportações de pêra rocha


A retalhista exportou 9,3 mil toneladas de pêra rocha na última campanha. Um "exemplo" que o secretário de Estado da Agricultura gostava que "fosse seguido" por outros retalhistas portuguesas com presença internacional.

Lidl Portugal contribuiu com 10% das exportações de pêra rocha

Sara Ribeiro Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt
08 de fevereiro de 2018 às 14:30

O Lidl Portugal exportou 9,3 mil toneladas de pêra rocha para o resto da Europa, o que equivale a 10% do total das vendas para o exterior do produto português durante a campanha 2017-2018. Os dados foram divulgados esta quinta-feira, 8 de Fevereiro, por Gonçalo Santos Andrade, presidente da Portugal Fresh - associação para a promoção das frutas, legumes e flores.

A venda de pêra rocha nos vários mercados onde a retalhista alemã está presente, cerca de 28 países, deu os primeiros passos em 2014, através de uma parceria com a Portugal Fresh. Desde então, "tem ganho escala rapidamente", sublinhou Bruno Pereira, administrador de compras do Lidl Portugal, durante um encontro com jornalistas em Berlim, Alemanha, que também contou com a presença do secretário de Estado da Agricultura.

Só para o mercado germânico, de Agosto de 2017 até à data, o Lidl Portugal exportou 6,5 mil toneladas de pêra rocha, "um valor que duplicou", acrescentou. E as expectativas é que até ao final de Março, a exportação atinja "400 camiões", cerca de 8 mil toneladas.

Actualmente, todas as 3 mil lojas Lidl na Alemanha vendem pêra rocha. Em 2014, quando arrancaram com a comercialização do produto português, vendiam em 240 espaços. 

No total, desde 2014, o LIdl Portugal exportou um total de 27 mil toneladas de pêra rocha para países como a Alemanha, Espanha, Inglaterra, Irlanda e Polónia. E como o presidente da Portugal Fresh destacou, "se fizermos um bom trabalho na Alemanha", país de origem da retalhista, "é uma oportunidade incrível para o mercado nacional tendo em conta que o Lidl está em 28 países".

Já o secretário de Estado da Agricultura, Luís Medeiros Vieira, aproveitou para relembrar que o Lidl vende outros produtos nacionais nas suas lojas nos vários mercados, como vinho. "O Lidl exporta 10 milhões de garrafas por ano de vinho português". E deixou o recado: "Gostávamos que este exemplo fosse seguido por outras empresas de distribuição em Portugal, que também têm presença internacional.

Além de pêra rocha e vinho, o Lidl Portugal também exporta outros produtos hortofrutícolas portugueses, como couve coração, frutos vermelhos e castanhas.

* - Jornalista em Berlim, a convite da Portugal Fresh

Parcerias com países mediterrânicos podem mudar agricultura portuguesa


7/2/2018, 22:04

Os países do norte de África e do Médio Oriente têm uma experiência vasta com secas como a que Portugal atravessa, razão pela qual a cooperação com estes pode ajudar a agricultura portuguesa.

A cooperação científica com os países da bacia do Mediterrâneo pode ajudar a Portugal a mudar a sua agricultura e enfrentar a terra árida que as alterações climáticas anunciam, considera Ana Costa Freitas, representante portuguesa num projeto europeu de parcerias.

Ana Costa Freitas, reitora da Universidade de Évora e representante na organização da Parceria para a Investigação e Inovação na Região Mediterrânica (Prima), disse à Lusa que Portugal tem que acautelar a cultura de sequeiro, própria de grande parte do Alentejo, porque "ninguém diz que o Alqueva vai durar para sempre".

Os países do norte de África e do Médio Oriente têm uma experiência vasta com secas como a que Portugal atravessa e "estão habituados a conquistar terreno ao deserto", um cenário que os cientistas que se dedicam ao estudo do clima afirmam que poderá afetar mais partes da Península Ibérica nas próximas décadas.

Acrescentou que é preciso dar à sociedade portuguesa a noção da ciência que está por trás da agricultura, que hoje tem "muita inovação e gestão" que é necessária para o mais básico, como levar às prateleiras dos supermercados saladas já preparadas, lavadas e embaladas. A par disso e de práticas como a agricultura de precisão, importa não abandonar a "agronomia pura" e as espécies autóctones.

O ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou na apresentação do Prima que a "diplomacia científica" em torno do Mediterrâneo pode juntar "contextos sociais, políticos e religiosos" diferentes, algo que "os políticos sozinhos não conseguem".

No levantamento de problemas que são comuns, os responsáveis do Prima encontraram práticas insustentáveis, sobre-exploração, demasiada especialização e pouco valor nutricional dos produtos cultivados.

Para concorrer a um programa que distribuirá globalmente 440 milhões de euros de fundos europeus, terão que ser formados consórcios de três países, incluindo sempre um europeu e um do Mediterrâneo sul.

Portugal comprometeu-se com uma contribuição de 750 mil euros anuais durante os dez anos de vigência da Parceria em projetos de irrigação, gestão de água, prevenção de doenças e adaptação da agricultura às alterações climáticas, entre outras. Em cada ano prevê-se que sejam apoiados entre cinco e nove projetos. Na parceria participam 19 países.

Ministério da Agricultura quer aumentar área de produção biológica


O secretário de Estado da Agricultura revelou que o Executivo quer abrir exportações "a mais 36 mercados". E que a promoção da agricultura biológica portuguesa faz parte da agenda do Governo. O objectivo é aumentar a área de produção para 40 mil hectares.
Ministério da Agricultura quer aumentar área de produção biológica

Sara Ribeiro Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt
07 de fevereiro de 2018 às 16:54

As alterações climáticas e a falta de mão-de-obra no sector agrícola são duas "das preocupações" do Governo e para as quais "está a olhar atentamente". A garantia foi dada pelo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira (na foto à esquerda), durante a visita à Fruit Logística, feira de frutas e legumes que está a decorrer em Berlim.

Questionado sobre de que maneira o Executivo pensa mitigar estas questões, referiu que "as alterações climáticas estão a ter impacto não só em Portugal, como noutros países". Uma questão "que nos preocupa e para a qual já foram tomadas medidas", dando como exemplo, no caso respectivo da seca que assolou o país, o programa de regadios até 2020. No entanto, sublinhou que "a nível da produção global, não teve impacto. O produto agrícola aumentou 7,1% em 2017". " 2017 foi um bom ano para a agricultura",  sustentou.

Quanto à questão da falta de mão-de-obra, começou por explicar que a actual "taxa de desemprego é das mais baixas que tivemos. Mas temos carência em alguns sectores, como a agricultura. Para tentar mitigar este problema, referiu que o Ministério da Agricultura está "em articulação" com o da Administração Interna e dos Negócios Estrangeiros para arranjar solução. "Há muita mão-de-obra que já está instalada que vem de países terceiros", comentou.

O governante revelou ainda que faz parte dos planos do Executivo aumentar o cultivo de produtos biológicos em Portugal. "Há cada vez maior procura no mercado por este tipo de produtos. É um sector com futuro", sublinhou na feira de Berlim, onde estão presentes 41 empresas e associações através da Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores.

"Portugal já definiu uma estratégia com várias medidas" para impulsionar a agricultura biológica. "Foi feita uma audição pública e agora estamos a implementar esta estratégia", da qual faz parte aumentar a área de produção biológica para 40 mil hectares.

Em declarações aos jornalistas, Luís Medeiros Vieira relembrou ainda que nos últimos dois anos foram abertos "42 novos mercados" para a exportação de produtos agrícolas portugueses. E começaram a ser vendidos para o exterior mais 140 produtos, dos quais "12 vegetais". Agora, "estamos a trabalhar em mais 36 mercados" para aumentar "ainda mais" as exportações do sector da agricultura e do sub-sector de frutas e legumes, destacou.

O secretário de Estado da Agricultura adiantou ainda que depois das exportações deste sub-sector terem crescido 16% até Novembro de 2017, para 1,3 mil milhões de euros, a expectativa é que as vendas "atinjam os 1,5 mil milhões de euros" no total do ano.

Maria do Carmo Martins preside Cooperativa Agrícola de Alcobaça

 19:56 - 07 FEVEREIRO 2018

Maria do Carmo Martins foi eleita no final do mês de janeiro presidente da Direção da Cooperativa Agrícola de Alcobaça para o próximo triénio. A lista única apresentada em assembleia-geral, encabeçada pela engenheira agrónoma, obteve 60 votos a favor, 1 nulo e 2 brancos, num total de 63 sócios votantes.

A secretária-geral e técnica de fruticultura do Centro Operativo Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN), em Alcobaça, assumiu o cargo de vogal nos últimos três anos da Direção da Cooperativa, o que lhe permitiu "ter uma primeira experiência em órgãos de direção, conhecer por dentro a instituição, desde a história aos princípios de cooperativismo, e aprender muito com o Dr. Manuel Castelhano", enumera a dirigente, que sucede no cargo precisamente a Manuel Castelhano, que liderou a Cooperativa Agrícola nos últimos nove anos.

Em declarações ao REGIÃO DE CISTER, o agora presidente do Conselho Fiscal declarou que "não pretende perpetuar-se nos cargos que ocupa", razão pela qual criou uma equipa "altamente qualificada" para que este ano um dos elementos pudesse assumir a liderança de uma das instituições mais importantes do concelho.

A transferência de conhecimento para aumentar competitividade e enfrentar os novos desafios da agricultura, nomeadamente as alterações climáticas, é um dos principais objetivos da atual Direção, composta por Rodrigo Martins (vice-presidente), Paula Malojo (secretária), Tiago Dias e José Rafael (vogais).

Por outro lado, outras das metas para os próximos três anos passam por "aumentar a produção agrícola, sendo que o desafio é produzir mais para mais pessoas", e "dar mais informação ao consumidor, que é cada vez mais exigente e quer saber todos os processos".

No plano de atividades para o próximo triénio destacam-se o "estreitamento de relações com a atual vereação da Câmara de Alcobaça, em particular com o Pelouro de Desenvolvimento Rural", a "criação de medidas a curto e a longo prazo, em parceria com a autarquia, para a utilização e rentabilização da água" e ainda a "criação de um campo experimental, onde serão desenvolvidas práticas que possam ajudar os agricultores". Está já sinalizado um terreno na Maiorga, que poderá também incentivar a criação de uma associação de regantes naquela freguesia. Está ainda prevista a criação de um consórcio entre a Cooperativa, o COTHN e a Universidade de Coimbra para criar um centro de experimentação de máquinas agrícolas nas instalações da Cooperativa Agrícola de Alcobaça. "Não existe um espaço para estes fins e a criar-se, Alcobaça poderá servir de região-piloto".

FAO organiza programa sobre agricultura familiar que poderá beneficiar países lusófonos


07-02-2018 15:18 | País

Porto Canal com Lusa 

Lisboa, 06 fev (Lusa) -- A FAO e o FIDA estão a organizar um programa conjunto para financiar a agricultura familiar que poderá beneficiar os países lusófonos, disse hoje o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

"A FAO e o FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola/ONU) ficaram encarregados desta agenda da década para a agricultura. Nós estamos a montar um programa de trabalho conjunto e é função específica do FIDA o financiamento da agricultura familiar", disse José Graziano da Silva.

O diretor-geral da FAO falou aos jornalistas depois da sessão de encerramento da Reunião de Alto Nível sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realizou entre segunda-feira e hoje na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

"De modo que esta questão - de apoiar os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com recursos externos para o financiamento da agricultura familiar - já está na agenda", sublinhou o brasileiro, eleito diretor-geral da FAO em 2011.

Graziano da Silva disse que "evidentemente, os recursos são limitados frente à magnitude dos problemas" que o mundo enfrenta "principalmente agora com as mudanças climáticas".

"Mas também, felizmente, estamos a ter acesso cada vez maior aos recursos do Fundo do Clima, que foi constituído especificamente para isso", acrescentou.

"A FAO e o FIDA são agências implementadoras destes recursos do clima e estamos a ajudar os países a formular os projetos específicos para atender estes segmentos mais necessitados da população", disse ainda.

Graziano da Silva afirmou, sobre os recursos externos necessários para a agricultura familiar, que "cada país tem formulado os seus projetos iniciais e é muito difícil nestes momentos iniciais ter uma ideia da magnitude" do montante de dinheiro necessário.

"O que nós sabemos é que o volume disponível, cerca de mil milhões de dólares, não serão certamente suficientes para atender os pedidos que temos em carteira. Mas, é um bom começo. Não podemos minimizar, pois isso foi um dos grandes resultados do Acordo de Paris (para o Clima de 2015)", declarou.

Graziano da Silva disse que é preciso "gastar este dinheiro primeiro para depois poder pedir mais".

Hoje, José Graziano da Silva também esteve reunido com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e trataram do apoio à CPLP.

"Tanto Portugal como a FAO coincidem que a CPLP é um mecanismo muito importante de integração (...). É uma instituição presente em quatro continentes e tem-nos permitido levar adiante a temática da alimentação e da agricultura familiar, que é a grande base social dos países que integram a CPLP. Para nós, é muito importante que isso funcione", garantiu o diretor da FAO.

"Como a CPLP está baseada aqui em Lisboa, a intenção da FAO é abrir um escritório de ligação aqui com a CPLP e contamos para isso com a ajuda de Portugal", sublinhou José Graziano da Silva.

Na sessão de encerramento da Reunião de Alto Nível sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável na CPLP foi assinada pelos membros de cada país do bloco lusófono, e também por José Graziano da Silva, a Carta de Lisboa pela Agricultura Familiar na CPLP.

CSR // VM

Lusa/Fim

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Capoulas Santos vinca importância da agricultura familiar para “combater fome e desnutrição”


6/2/2018, 23:48

Capoulas Santos referiu que a Carta de Lisboa pela Agricultura Familiar na CPLP "é um passo muito importante" para erradicar a fome, combater a desnutrição "e promover a pequena agricultura familiar".


O ministro da Agricultura de Portugal, Capoulas Santos, sublinhou esta terça-feira a importância da Carta de Lisboa pela Agricultura Familiar na CPLP, a ser assinada na quarta-feira pelos ministros dos países membros, para "combater a fome e a desnutrição".

Depois da reunião dos ministros da Agricultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no Ministério da Agricultura, Capoulas Santos referiu que a Carta de Lisboa "é um passo muito importante" para erradicar a fome, combater a desnutrição "e promover a pequena agricultura familiar, por tudo o que representa em termos de coesão social, económica e social".


O governante referiu que a Carta de Lisboa consolidou e confirmou as diretrizes da cimeira da CPLP de junho do ano passado, em Brasília.

"Concluímos a Carta de Lisboa para fortalecimento da agricultura familiar, que é um passo muito importante para a concretização dos objetivos que já vêm traçados do passado e que tiveram a expressão máxima em Brasília no ano passado, no sentido de ir tão longe no grande objetivo de combater a fome e a denutrição e promover a pequena agricultura familiar".

O governante, que disse na segunda-feira estar em fase de conclusão o Estatuto de Pequena Agricultura Familiar, para ser levado em breve a aprovação em Conselho de Ministros, acentuou que o Governo português considera o segmento agrícola "como uma das áreas prioritárias".

Em Portugal, registos do Ministério da Agricultura indicam que a agricultura familiar representa cerca de 93% dos agricultores, em quase três centenas de explorações, e 49% da superfície agrícola útil.

A secretária executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, aludiu também à importância da agricultura familiar, para que "a concertação de esforços" dos estados membros possam "dispor de políticas e instrumentos facilitadores, para se atingir uma agricultura familiar sustentável na CPLP".

"Dispomos, neste momento, de um potencial bastante importante. As estratégias nacionais estão adotadas, alguns países estão em processo de adoção. Aprovámos as diretrizes, criámos mecanismos de governabilidade. Resta-nos o desafio de implementação com sucesso de políticas que nos possam permitir alcançar a segurança alimentar", declarou Maria do Carmo Silveira.

A Carta de Lisboa, que resultou da reunião ministerial da CPLP, é um conjunto de directrizes políticas para a aplicação prática nos estados membros da pequena agricultura familiar.

Projetos de agricultura e vinicultura portugueses elegíveis para financiamento mediterrânico

Agricultura, vinicultura e energias sustentáveis são áreas a que Portugal se poderá candidatar, com outros países da área do Mediterrâneo, a 440 milhões de euros de financiamento para projetos científicos, num programa que vai ser apresentado na quarta-feira em Lisboa.

O ministro da Ciência e Ensino Superior, Manuel Heitor, disse à Lusa que desde o ano passado que se preparam redes de ciência e conhecimento e quintas experimentais em áreas como as culturas de regadio no Alentejo, a vinha em Trás-os-Montes e Alto Douro ou a cultura de montanha em Bragança, que estarão na linha da frente para se candidatarem.

A Parceria para a Investigação e Inovação na Região Mediterrânica (PRIMA) deverá ter "impacto na capacidade científica portuguesa" e implicar o reforço da cooperação na zona do Mediterrâneo, indicou.

As escolas agrícolas dos politécnicos e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro são algumas das instituições envolvidas nas quintas experimentais.

Os projetos a concurso deverão envolver pelo menos três países do norte do Mediterrâneo em consórcios com países do Mediterrâneo sul e do Médio Oriente.

As áreas genéricas dos projetos que poderão ser apoiados a 10 anos, mediante concurso, são gestão da água em zonas áridas e semiáridas, sistemas agrícolas sustentáveis e cadeia de valor alimentar no desenvolvimento local e regional.

A apresentação do PRIMA, na qual participará Manuel Heitor, vai decorrer na quarta-feira de manhã no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa.

Ministro acolhe propostas para pequena agricultura e critica grupo de académicos


por Notícias de Coimbra Fevereiro 6, 2018

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, criticou hoje as sugestões de um grupo de docentes universitários e investigadores para o Estatuto da Pequena Agricultura (EPA) e assegurou que as "propostas exequíveis" serão incluídas no texto final.

Em declarações à agência Lusa, o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural congratulou-se com a iniciativa de 12 professores e investigadores, hoje divulgada, mas fez algumas críticas ao documento intitulado "Repensar a agricultura e os territórios. Apostar na agricultura familiar e na sua valorização".

"Saúdo, mas lamento que se limite a considerações genéricas", acrescentou.

Entre os subscritores do documento, estão, além de outros, os professores da Universidade de Coimbra Helena Freitas (bióloga e ex-coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior) e José Reis (economista e antigo secretário de Estado do Ensino Superior num governo de António Guterres, no anos 1990).

"Estamos na fase de concretização das propostas. As que forem exequíveis pelo Governo não deixarão de ser contempladas no estatuto", afirmou Luís Capoulas Santos.

O ministro disse esperar que o grupo de académicos que contesta o projeto de EPA, concebido pelo executivo de António Costa, tenha participado na consulta pública, que terminou no dia 31 de janeiro.

"Estou convicto de que fizeram chegar as suas propostas concretas", acrescentou.

O Governo "está a apreciar todas as críticas e sugestões para uma versão final" do diploma, declarou.

"O Governo chegou-se à frente com propostas concretas", ao passo que as críticas daqueles universitários "são vagas e imprecisas", referiu.

Não sendo suficientes as medidas previstas na proposta de Estatuto da Pequena Agricultura, como referem no documento, "então o que é que lhe falta?", questionou ainda o ministro da Agricultura.

No texto enviado à Lusa, os signatários consideram que as medidas preconizadas pela tutela para a agricultura familiar não atendem às especificidades e características do setor, nem dão "resposta adequada às suas necessidades".

As medidas previstas no EPA continuam "a manter afastado do apoio público e do progresso um número muito significativo de explorações agrícolas, cerceando assim as condições para o desenvolvimento das partes do território nacional onde a agricultura familiar predomina", afirmam, entre outras críticas.

Os subscritores do documento são os seguintes: Agostinho Carvalho, Américo Carvalho Mendes, António Covas, Helena Freitas, João Guerreiro, José Portela, José Ramos Rocha, José Reis, Manuel Brandão Alves, Pedro Bingre Amaral, Pedro Hespanha e Victor Louro.

Ao anunciar a abertura da consulta pública do EPA, o Ministério da Agricultura salientou que "importa distinguir a especificidade da pequena agricultura familiar nas suas diversas dimensões, criando um estatuto que a reconheça e valorize através de adoção de medidas de apoio específicas".

Estas medidas deverão ser aplicadas, "preferencialmente, ao nível local, para atender à diversidade de estruturas e de realidades agrárias, bem como aos constrangimentos e potencial de desenvolvimento de cada território", lê-se na página do Governo na internet.

Diretor-geral da Organização para a Alimentação e Agricultura alerta contra “epidemia avassaladora” da obesidade


6/2/2018, 14:24
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O diretor-geral da Organização da ONU para a Alimentação e Agricultura declarou que a obesidade é uma "epidemia avassaladora". José Graziano da Silva está em Lisboa para uma reunião de três dias.

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) defendeu esta terça-feira que a fome no mundo se restringe cada vez mais a zonas de conflito, mas advertiu que a obesidade é "uma epidemia avassaladora".

"Hoje estamos confiantes no progresso em reduzir o número de famintos, cada vez mais a fome se restringe a ambientes de conflito explícito, guerra civil, impactados pela mudança climática e alguns bolsões de pobreza extrema", disse José Graziano da Silva, na abertura do seminário sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no âmbito da reunião de alto nível de três dias a decorrer em Lisboa.


O diretor-geral da FAO alertou que, "paralelamente, uma epidemia fora de controlo, avassaladora, tanto em África como na Europa, ameaça-nos: a malnutrição, a obesidade, mais especificamente, em mulheres e crianças".

Na sua intervenção, José Graziano apontou algumas medidas essenciais para apoiar o setor da agricultura familiar, como a garantia do acesso dos agricultores aos recursos naturais e meios de produção, alertando que a ausência de "políticas específicas" impede um "reconhecimento explícito deste setor diferenciado".

O responsável do organismo da ONU deu o exemplo "de muito sucesso" no Brasil, já replicado em vários países africanos e da América Latina, que garante compras diretas aos produtores familiares para os lanches escolares.

Graziano alertou ainda para a necessidade de "fortalecer os instrumentos da proteção social", face ao envelhecimento da população de agricultores familiares.

Outro problema é o acesso à água para beber, advertiu: "Falamos de água para a agricultura, mas esquecemos as populações que precisam de água potável. Quem quiser ajudar a fortalecer a mulher, tem de encontrar água para beber, porque é a mulher que, na época de seca, tem de andar, às vezes oito horas como no Brasil, à procura de uma lata de água".

"Os agricultores familiares são fundamentais para a coesão social, o desenvolvimento do interior, a luta contra a desertificação da população, a manutenção da paisagem e a preservação dos vários ecossistemas", considerou o responsável da FAO.

A agricultura familiar é "o maior empregador" na maioria dos Estados-membros da CPLP (entre 60 a 85% da população) e responsável pela produção de uma média dos 70% dos alimentos básicos, mas "a paradoxal verdade" é que os agricultores familiares "estão entre os mais pobres", advertiu, por seu turno, a secretária-executiva da organização lusófona, Maria do Carmo Silveira.

Além disso, em vários países, as mulheres são "a maioria da força de trabalho na agricultura", mas enfrentam "desigualdades de género", com restrição de acesso aos recursos naturais, disse.

Construir uma CPLP "livre da fome" é "um dos maiores desígnios" da comunidade lusófona, sublinhou a secretária-executiva.

Em representação da Plataforma de Camponeses da CPLP, Luís Muchanga recordou que o setor representa, nos países da comunidade, mais de sete milhões de agricultores e agricultoras.

O representante dos camponeses identificou como "prioridades" o trabalho ao nível das leis, estatutos, registo e cadastro, "para ter uma radiografia real dos agricultores familiares".

"A valorização da semente local e a promoção de banco de sementes são estratégias imprescindíveis", bem como a promoção do "papel importante da mulher e os jovens" neste setor, defendeu.

Muchanga apelou ainda ao desenvolvimento, entre todos, de "estratégias de luta" contra "os novos inimigos: a escassez de água para a agricultura e os impactos das mudanças climáticas, "que carregam consigo várias pragas e que minam os esforços dos camponeses na luta incansável pela melhoria da produção e produtividade agrária".

Os trabalhos desta terça-feira prosseguem com uma reunião ministerial da CPLP, em que será aprovada a "Carta de Lisboa pelo Fortalecimento da Agricultura Familiar", no contexto da Consolidação da Estratégia da Segurança Alimentar e Nutricional da organização.

O documento, que será assinado na quarta-feira, último dia da reunião de alto nível, significará "um impulso importante" aos países da organização lusófona, sublinhou, no encontro, o ministro da Agricultura português, Luís Capoulas Santos.

Situação melhorou mas sul do país ainda está em seca severa


08 fev, 2018 - 21:04

A atualização foi feita por João Matos Fernandes, no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca.

Foto: Rui Minderico/Lusa

O sul do país e as regiões junto à fronteira estão ainda em seca severa, diz o ministro do Ambiente, indicando que, no geral, a situação da seca "regrediu bastante" em comparação ao final do ano hidrológico.

"Não há, neste momento, nenhuma bacia hidrográfica com territórios em seca extrema, reduziu-se a zero, mas há ainda bacias hidrográficas com uma situação de seca severa", afirmou João Matos Fernandes, no final da reunião da Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca, que decorreu em Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o governante adiantou que "a situação da seca regrediu bastante quando comparada com o final do ano hidrológico e até mesmo com o mês de novembro".

O início do ano hidrológico acontece a 1 de outubro, por um período de 12 meses compreendido entre o início de duas estações de chuva consecutivas - outono e inverno.

De acordo com o ministro do Ambiente, o fenómeno da seca "é muito heterogéneo no país".

"Existe uma única bacia hidrográfica, neste momento, que, por exemplo, tem mais água do que a média. É a bacia hidrográfica do Mondego, onde exatamente houve os maiores problemas do lado do consumo humano no último verão, porque Fagilde - a barragem que serve Viseu - está nessa mesma bacia hidrográfica", avançou o governante.

Sobre o plano de contingência contra a seca, João Matos Fernandes assegurou que "todo o calendário das medidas assumidas está a ser cumprido", desde a limpeza dos fundos das barragens às ligações a partir do Alqueva para outras albufeiras.

Em 31 de janeiro, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) informou que o mês de dezembro de 2017 em Portugal continental classificou-se como seco, sendo o nono mês consecutivo com valores de precipitação abaixo do normal.

"Nos últimos sete anos, o valor médio da quantidade de precipitação em dezembro tem sido sempre inferior ao valor normal, e nos últimos 17 anos apenas nos dezembros de 2002, 2009 e 2010 ocorreram valores de precipitação acima da normal", referiu o IPMA, em comunicado.

No entanto, segundo o IPMA, em dezembro verificou-se um desagravamento da situação de seca meteorológica em todo o território e em particular na Região Norte.

"No final do mês de dezembro, 6% do território estava em seca extrema, 58% em seca severa, 29% em seca moderada e 6% em seca fraca", adianta o IPMA.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Grupo de docentes critica medidas do Governo que não servem agricultura familiar


Um grupo de docentes universitários e investigadores considera que as medidas preconizadas pela tutela para a agricultura familiar não atendem às especificidades e características do setor, nem não dão "resposta adequada às suas necessidades".

A política que o Ministério da Agricultura tem para a agricultura familiar, designadamente em relação ao Estatuto da Pequena Agricultura, em discussão pública, "não atendem às especificidades e características próprias da agricultura familiar e não dão resposta adequada às suas necessidades", sustentam 12 professores e investigadores, num documento enviado à agência Lusa.

As medidas previstas pelo Ministério continuam "a manter afastado do apoio público e do progresso um número muito significativo de explorações agrícolas, cerceando assim as condições para o desenvolvimento das partes do território nacional onde a agricultura familiar predomina", afirmam.

As explorações agrícolas familiares representam 97% dos agricultores, o valor da produção total de 42% (de acordo com dados de 2013) e "56% da SAL [superfície agrícola utilizada] e das condições necessárias para assegurar o seu desenvolvimento e a sustentabilidade dos territórios em que dominam (o interior do país)", sublinham os docentes e investigadores ligados designadamente às universidades do Algarve, de Coimbra, de Lisboa e de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A proposta em discussão pública "não reconhece a realidade da estrutura produtiva" do território nacional "onde a agricultura familiar predomina", nem "a importância que o plurirrendimento tem nesta agricultura", embora avance com "algumas medidas", cujo interesse os subscritores do documento reconhecem.

Mas essas medidas "não são as que permitirão assegurar a valorização da agricultura familiar e dos seus territórios", alertam, considerando que "não será possível alterar a atual situação e as condições que conduziram à catástrofe da desertificação do território e das suas consequências, sem uma mudança total do paradigma em que tem, de forma continuada, assentado a conceção e delineamento das medidas de política".

Para alterar a situação, impõe-se "outra conceção e execução, continuada e persistente", de medidas de política que contemplem "uma atuação prioritária ao nível do território, abrangendo todas as explorações", e a existência de instituições de Investigação e desenvolvimento que ofereçam "novas técnicas e práticas adequadas aos diferentes tipos de explorações" e induzam, por exemplo, a "ganhos de produtividade".

São igualmente necessárias instituições com "escala e diferentes formas organizativas", como cooperativas e organizações de produtores, um sistema de "financiamento público, estável e plurianual, regularmente avaliado em função dos objetivos e resultados obtidos", apoio público ao investimento e "um modelo de organização e governança territorial, assente nos princípios da legitimidade, da democracia e da cidadania", entre outros aspetos.

É indispensável "uma profunda alteração do paradigma em que tem assentado a conceção e o delineamento das políticas públicas para o setor, cuja reversão é imprescindível" para não se "continuar a contribuir para a desertificação das zonas rurais e para catástrofes", conclui o documento, intitulado 'Repensar a agricultura e os territórios. Apostar na agricultura familiar e na sua valorização".

O documento é subscrito por Agostinho Carvalho, Américo Carvalho Mendes, António Covas, Helena Freitas, João Guerreiro, José Portela, José Ramos Rocha, José Reis, Manuel Brandão Alves, Pedro Bingre Amaral, Pedro Hespanha e Victor Louro, que também são os autores de um texto sobre 'Incêndios, territórios e fragilidade económica e social: Pensar o país inteiro', enviado em novembro de 2017 ao Presidente da República, Marcelo rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa.

Inspeção-Geral acusada de "incompetência" na recolha de amostras no Tejo


Os resultados da Celtejo, empresa indicada como responsável pela maioria das descargas, ainda não são conhecidos visto que a inspeção teve dificuldades para recolher as amostras

O proTejo -- Movimento pelo Tejo acusou hoje a Inspeção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) de "incompetência" na recolha de amostras na sequência do episódio de poluição registada no rio.

"Neste caso é evidente a incompetência revelada pela IGAMAOT na obtenção de prova pelo facto de ter demorado uma semana a fazer a recolha das amostras, considerando-se que deveria ter procedido à recolha manual das amostras logo que não obteve resultados com a recolha automática das mesmas, ou seja, no dia seguinte à primeira tentativa, a 27 de janeiro, e não apenas dia 31 de janeiro, uma semana depois do extremo episódio de poluição ocorrido no dia 24 de janeiro", refere o movimento em comunicado.

O proTejo salienta que o IGAMAOT tinha informado que na segunda-feira seriam comunicados os resultados das análises realizadas aos alvos de inspeção na sequência do episódio de poluição registada no rio Tejo, em especial no açude de Abrantes, tendo sido essas quatro ETAR urbanas e três empresas, entre elas a Celtejo, Navigator e Paper Prime.

"Os resultados das análises à água do rio Tejo foram conhecidos apenas parcialmente uma vez que o inspetor-geral do Ambiente Nuno Banza revelou que os resultados da Celtejo, empresa indicada como responsável pela maioria das descargas da indústria da pasta de papel, ainda não eram conhecidos visto que a inspeção teve dificuldades para recolher as amostras", acrescenta.

O documento refere que a demora pode "colocar em causa a relevância da prova obtida".

A Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Abrantes encontra-se em incumprimento dos parâmetros a que está obrigada, revelou na segunda-feira o inspetor-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT).

"Não consideramos os incumprimentos expressivos" na ETAR de Abrantes, advogou o inspetor-geral da IGAMAOT, Nuno Banza, no âmbito de uma conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efetuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo.

O incumprimento na ETAR de Abrantes verificou-se nos parâmetros de "sólidos suspensos totais, cujo limite é de 35 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 55 mg/l, carência bioquímica de oxigénio, cujo limite é de 25 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 33 mg/l, e carência química de oxigénio, cujo limite é de 125 mg/l e a amostra revelou uma concentração de 143 mg/l".

As análises realizadas pela IGAMAOT realizaram-se a partir do dia 24 de janeiro, após o alerta da presença de espuma no açude de Abrantes, referiu o inspetor-geral Nuno Banza, indicando que foram isolados os alvos com maior risco de poderem estar na origem da ocorrência deste fenómeno de poluição no rio Tejo.

No troço do rio Tejo entre Perais e Abrantes, foram identificadas quatro ETAR urbanas nos concelhos de Abrantes e de Mação e ainda três unidades industriais, designadamente Celtejo, Paper Prime e Navigator.

Das ETAR e indústrias identificadas, a IGAMAOT deparou-se com "vários constrangimentos inusitados" na amostragem realizada na Celtejo, pelo que os resultados desta empresa de celulose "são esperados na próxima semana", informou Nuno Banza.

Já a ETAR de Mação e as unidades industriais Paper Prime e Navigator cumprem os valores a que estão obrigadas, avançou o responsável.

"Apesar de a ETAR de Vila Velha de Rodão ter sido inicialmente sinalizada, a recolha de informação revelou que a sua contribuição, quer em termos de caudal, quer em termos de carga orgânica não tem qualquer expressão", referiu Nuno Banza.

O Ministério do Ambiente anunciou na segunda-feira o prolongamento por mais 30 dias de todas as medidas provisórias impostas à empresa Celtejo, nomeadamente a redução de 50% do volume diário de descargas de efluentes no rio Tejo.


Estatuto de agricultura familiar está na fase de conclusão - Ministro

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou hoje que o estatuto de agricultura familiar, que o Governo perspetiva poder "beneficiar cem mil organizações familiares", está na fase de conclusão para ser submetido a aprovação em Conselho de Ministros.

Capoulas Santos, que se reúne com os ministros da Agricultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) na terça-feira, na Fundação Calouste Gulbenkian, referiu que o regime "consagra um conjunto de direitos" em benefício de um número alargado de agricultores em Portugal.

O membro do Governo, que discursou no encerramento do seminário Eventos Paralelos dos Mecanismos de Participação Social no Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN) da Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), ressalvou a importância da agricultura familiar em Portugal, para "a coesão social e territorial", e também no universo dos países lusófonos.

"A agricultura familiar tem uma importância muito grande em Portugal, mas também nos países membros da CPLP", afirmou, frisando a necessidade de "reforço da prioridade política da CPLP", porque, assinalou, é preciso "erradicar a fome" e promover "o desenvolvimento económico de todos os países-membros da CPLP".

O período de discussão pública do estatuto de agricultura familiar terminou em 31 de janeiro e o Ministério da Agricultura inicia agora a fase de estudo das propostas e contributos para a redação final.

O Governo admite outra discussão pública do estatuto de agricultura familiar antes de submeter à aprovação em Conselho de Ministros, o que poderá ocorrer em abril ou maio.

Antes do ministro do Governo de Portugal, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, interveio para defender que as diretrizes para a agricultura familiar aprovadas pela CPLP devem "passar à ação", para fazer "um setor importante da sociedade".

A secretária-executiva da CPLP, Maria do Carmo Silveira, disse que a agricultura familiar "é uma temática estratégica e prioritária para a CPLP" e defendeu ser necessário "aprimorar o processo de diálogo", em "prol de uma agricultura sustentável".

"A disponibilidade e interesse para se continuar a trocar experiências com o espírito aberto e aprofundar parcerias de uma forma partilhada e comprometida leva à garantia do direito humano à alimentação", disse.

Joana Rocha Dias, do Mecanismo para a Facilitação da Participação da Sociedade Civil no COSAN da CPLP, afirmou que a agricultura familiar pode atingir "17 milhões de agricultores e camponeses e mais de 500 organizações" no universo lusófono.

"Precisamos de leis e estatutos para a agricultura familiar e de leis base para a alimentação em todos os países", declarou a membro do Mecanismo para a Facilitação da Participação da Sociedade Civil no COSAN da CPLP, que marcou presença no seminário juntamente com representantes da Rede da Sociedade Civil para a Segurança Alimentar e Nutricional na CPLP (REDSAN-CPLP) e da Plataforma de Camponeses da CPLP.

Na terça-feira, também na Fundação Calouste Gulbenkian, decorre o seminário sobre Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável na CPLP.

Poluição no rio Tejo: Amostras na Celtejo só à quarta tentativa e com três inspectores em permanência

A recolha de amostras na Celtejo só foi possível à quarta tentativa e com o recurso a três inspectores em permanência durante 24 horas, disse esta segunda-feira o inspector-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território.

Poluição no rio Tejo: Amostras na Celtejo só à quarta tentativa e com três inspectores em permanência 

05 de fevereiro de 2018 às 18:54

"A recolha de amostras na indústria Celtejo teve por duas vezes problemas ao nível do colector automático que não recolheu o líquido por razões que desconhecemos. Na terceira tentativa, pedimos o apoio da GNR, do Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente e esse colector foi guardado. Durante 24 horas o colector funcionou, no entanto, apenas recolheu no final alguma espuma e muito pouco líquido", declarou Nuno Banza.

Segundo o inspector-geral, face às circunstâncias, foi decidido colocar três inspectores durante 24 horas, permanentemente, a fazer as recolhas manuais hora a hora.

Numa conferência de imprensa de apresentação dos resultados das análises efectuadas aos efluentes das ETAR urbanas e industriais descarregados no rio Tejo, o inspector-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território IGAMAOT disse que "vários cenários são possíveis" para o problema registado na recolha das amostras na Celtejo.

"Não estávamos à espera que aquilo acontecesse, não só porque nunca tinha acontecido em mais lado nenhum como também nunca tinha acontecido na própria Celtejo", afirmou Nuno Banza, indicando que os inspectores têm muita experiência, porque já recolheram "centenas, senão milhares", de amostras através deste método.

Devido aos "vários constrangimentos inusitados" na amostragem realizada na Celtejo, os resultados desta empresa de celulose "são esperados na próxima semana", informou Nuno Banza.

Sobre a contribuição para o caudal, a Celtejo é a mais representativa com 70,82%, seguindo-se a ETAR de Abrantes (15,3%), a Navigator (6,85%), a Paper Prime (3,30%), a ETAR de Mação (2,77%) e a ETAR de Vila Velha de Rodão (0,96%).

Relativamente à carga orgânica, a Celtejo tem 89,81%, seguindo-se a ETAR de Abrantes (5,2%), a Navigator (2,73%), a ETAR de Mação (1,09%), a Paper Prime (1,04%) e a ETAR de Vila Velha de Rodão (0,32%).