quarta-feira, 14 de março de 2018

Produtores de castanha de Bragança querem os mesmos apoios do Algarve


O Agrupamento de Produtores de Castanha Transbaceiro reivindicou hoje, para as quebras na produção causadas pela seca, apoios do Estado idênticos aos recentemente anunciados para os prejuízos na agricultura do Algarve.

O agrupamento de uma das zonas de maior produção de castanha já tinha pedido, em outubro, a intervenção do Governo para o que classificou da "calamidade" que se abateu, na última campanha, sobre a produção de castanha, em Trás-os-Montes, devido à seca extrema.

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, respondeu que o Governo não compensa perdas de produção como também não pede aos agricultores quando têm excedentes. Os produtores de castanha sentem-se discriminados e voltam a reivindicar apoio depois do anúncio de subsídios do Estado aos agricultores afetados, nos últimos dias, pelo mau tempo no Algarve.

"Porque razão vai ao Algarve- e muito bem- anunciar apoios e dizer que o que aconteceu é um fenómeno da natureza, é imprevisível e, então, e a seca?" questionou Carlos Fernandes, presidente do Agrupamento de Produtores de Castanha Transbaceiro.

O dirigente afirmou que aos produtores de castanha também servem os valores anunciados pelo Governo para o Algarve e que consistem num apoio a fundo perdido de 100% para prejuízos até cinco mil euros, 85% entre cinco mil e 50 mil euros, e 50% entre 50 mil e 400 mil euros.

Segundo Carlos Fernandes, a maioria dos produtores de castanha estariam no primeiro escalão dos apoios.

"Se calhar, não há dez produtores que façam 100 mil euros de castanha", afirmou.

O dirigente não entende que "furacões e inundações" sejam considerados "fenómenos climáticos" e não a seca, quando "o Governo andou a dizer todo o ano que o país estava em seca extrema e severa".

Além deste agrupamento de produtores, também os municípios de Bragança e Vinhais, os maiores produtores portugueses de castanha, reclamaram do Governo apoios à produção por quebras que estimaram na ordem dos 50%, devido à seca que não deixou o fruto desenvolver-se.

Numa visita à região, em janeiro, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, comparou o setor a outras atividades como uma sapataria ou um restaurante, para justificar que o Governo não compensa perdas de produção como também não pede aos agricultores quando têm excedentes.

Prazo para limpeza do mato em redor das casas "pressupõe alguma elasticidade"

RTP12 Mar, 2018, 08:05 / atualizado em 12 Mar, 2018, 08:35 | País

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que o prazo para limpar o mato e cortar árvores nas proximidades de casas e aldeias, que termina na quinta-feira, "pressupõe alguma elasticidade".

"É evidente que o prazo pressupõe alguma elasticidade, até com a chuva que tem caído, e supõe um esforço para encontrar meios e, se o ideal não é possível atingir, que se faça o bom", defendeu o Chefe de Estado, elogiando a medida de limpeza de terrenos em redor das habitações decidida pelo Governo, considerando que tem um objetivo psicológico.

Media player poster frame
Share
O Fisco notificou os contribuintes de que até 15 de março têm de limpar o mato e cortar árvores nas proximidades de casas e aldeias, incorrendo, se não o fizerem a coimas que podem variar entre 140 a 5.000 euros, no caso de pessoa singular, e de 1.500 a 60.000 euros, no caso de pessoas coletivas. E este ano são a dobrar, ou seja, até 10 mil euros no caso de pessoa singular e 120.000 euros no caso de pessoas coletivas.

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, o Governo está interessado em limpar "o mais possível" e não em cobrar coimas por falta de limpeza até à próxima quinta-feira, considerando que, na prática, existe um "estender do prazo".

Falando em Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, onde hoje visitou a Feira do Queijo da Serra da Estrela, o Chefe de Estado congratulou-se com o facto da floresta ter entrado "na agenda e na vida de todos os portugueses e, sobretudo, dos mais novos, o que é muito importante".

"Tenho de reconhecer que esta campanha que o Governo está a levar a cabo e que o primeiro-ministro tem encabeçado em torno da limpeza da floresta, além do objetivo de limpar tem um objetivo psicológico que é chamar a atenção do país para este problema", referiu o Presidente da República.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, a dramatização do primeiro-ministro em torno da limpeza é uma forma de "chamar a atenção daqueles para quem isso passava ao lado".

Para o Presidente da República, o que se trata é de "prevenir para não ter de remediar, daí as limpezas".

"Outra coisa é a situação daquelas áreas em que mais importante do que limpeza é reflorestação, portanto nós temos de fazer duas coisas ao mesmo tempo: limpar e reflorestar", disse.

C/ Lusa

Ministro da Economia defende que interior é espaço para grandes projetos de investimento

O ministro da Economia, Caldeira Cabral, considerou hoje, em Castanheira de Pêra, que o interior é um espaço para grandes projetos de investimento, colocando de parte a ideia de que esta parte do país não tem soluções.

"O interior não tem de ser uma região sem prosperidade e há espaço para investimentos nas novas indústrias, como nas áreas mais tradicionais, como é o caso da agricultura", sublinhou o governante.

Falando na conferência "Valorizar o interior - Promover o investimento e o emprego", organizada pela Confagri e UGT, Caldeira Cabral disse que a agricultura e as agroindústrias do interior tiveram em 2017 "um aumento das exportações muito significativo, com algumas áreas da agricultura a crescerem mais de 20%".

O ministro da Economia apresentou vários exemplos de investimentos realizados em diversos setores, considerando que "no interior há espaço para grandes projetos em setores e áreas mais sofisticadas, que estão a acontecer".

"É o resultado do investimento que tem sido feito, das novas dinâmicas empresariais e da melhor organização dos produtores, que está a trazer mais rendimento para as regiões do interior e, nesse sentido, temos de continuar a trabalhar para não olharmos para o interior como [região de] perda de empregos, diminuição da população e da atividade económica", frisou.

Salientando que o interior "não é uma região menos capaz", Caldeira Cabral considerou que, pelo contrário, é uma zona com "muitas soluções e que tem mostrado que é muito competitiva", apontando também o crescimento registado no turismo.

Além do investimento em 43 novas unidades hoteleiras no interior, o ministro da Economia frisou, ainda, o reforço de 30 milhões no programa "Valorizar", para projetos com "enfoque especial nas regiões onde houve incêndios, para restauro e valorização dos espaços afetados".

Segundo o governante, este programa está associado a investimentos de 58 milhões de euros em 250 projetos aprovados.

Em 10 dias choveu o dobro da média para o mês de março

A ponte de Rio Mourinho em setembro e agora, depois da chuva de março. O ministro da Agricultura, Capoulas Santos partilhou há dias no Facebook a última foto

A norte do Tejo, as barragens estão a recuperar as suas disponibilidades de água, mas a sul ainda persistem problemas. Na agropecuária as perspetivas estão agora mais positivas

Nos primeiros 10 dias de março já choveu "praticamente o dobro do que é habitual em março", afirmou ao DN o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, sublinhando que as expectativas são de "mais pluviosidade até ao final da primavera", o que "dá alguma tranquilidade de que as culturas de primavera/verão vão poder realizar-se". A seca, porém, ainda não é passado, avisa o governante.

A chuva que caiu desde o início do mês "ainda não é o fim do problema da seca, mas é já parte da sua resolução", resume o ministro.

A precipitação média para o mês de março é da ordem dos 61 milímetros e as estimativas feitas anteriormente mostravam que, para que a situação de seca fosse ultrapassada, seria necessário que ao longo deste mês se registasse cerca do dobro da sua pluviosidade habitual - isso já ficou cumprido nestes primeiros 10 dias -, sendo necessário também que abril registe precipitação acima da média. Se vai ser assim, não é possível dizer com certezas absolutas, mas as previsões, pelo menos até dia 18, são de continuação da chuva.


A ponte de Rio Mourinho em setembro e agora, depois da chuva de março. O ministro da Agricultura, Capoulas Santos partilhou há dias no Facebook a última foto
A tempestade Félix atinge Portugal este fim de semana e só dá tréguas a partir de amanhã, mas na logo quarta-feira prevê-se novo agravamento da meteorologia, com possibilidade de mais vento e agitação marítima. E a chuva é para continuar até ao próximo fim de semana, segundo o IPMA.

Com esta precipitação desde o final de fevereiro, "as barragens estão a ganhar volume a norte do Tejo", mas no sul do país "subsistem problemas, particularmente na baía do Sado", garante o ministro da Agricultura, ressalvando que "ainda estamos longe de ter o armazenamento ideal no país".

Os dados mais recentes sobre as reservas das albufeiras, desta sexta-feira, mostram que, das 61 monitorizadas, 10 já apresentam disponibilidades superiores a 80% do seu volume total, (são agora mais cinco do que em 28 de fevereiro) enquanto 12 mantêm volumes inferiores a 40% - no início do mês, eram 23.

A situação continua por resolver nas regiões do sul, particularmente, na bacia do Sado, onde persistem oito albufeiras nessa situação, como Campilhas, com apenas 7% do total das suas disponibilidades, Monte da Rocha (10%), Monte Miguéis (12%) ou Vale de Gaio (22%). Já na bacia do Tejo, a albufeira mais depauperada é a de Divor, com 16% do volume, e na bacia do Guadiana há três com níveis abaixo dos 28%.

Apesar disso, com a precipitação a manter-se, bem como as medidas de precaução no consumo, a situação poderá evoluir favoravelmente nestas albufeiras também nas próximas semanas.

Para a agricultura, esta precipitação "é ouro a cair do céu para as pastagens, como dizem os agricultores", refere Capoulas Santos. Não estão só em causa as repercussões negativas da escassez de água nas culturas propriamente ditas, mas também na pecuária. "Estas chuvas estão a ajudar a armazenar água nos locais onde os animais bebem", sublinha o governante. "Não se resolve tudo, mas contribui para resolver alguns problemas".

A situação problemática do abeberamento para o gado "tem quase dois anos", adianta Capoulas Santos. E "as primeiras medidas" para fazer fazer face à falta de água para o gado "foram tomadas em outubro de 2016", quando o problema se colocou em "nove municípios do distrito de Beja".

Entretanto, no último ano e meio a seca intensificou-se e alastrou com a falta de precipitação e chegou às regiões de Évora, Portalegre, parte de Setúbal, Guarda, Braga. Ao ministério chegaram pedidos de apoio de 1700 explorações agrícolas. "Temos 1500 desses projetos aprovados e contratados, em que os agricultores podem ser ressarcidos de imediato, num investimento de 13 milhões de euros", sublinha Capoulas Santos.

Na agricultura, as sementeiras de primavera ainda não se iniciaram, mas esta chuva, que está a beneficiar, com a humidade no solo, as culturas permanentes, como a vinha, pomares ou olivais "dá-nos esperança também para elas", conclui o ministro.

terça-feira, 13 de março de 2018

Organizações de produtores do Oeste vão propor ao Governo 16 medidas para ordenar a floresta


PUB
Oito organizações de agricultores e produtores florestais da região Oeste discordam da imposição de medidas de minimização do risco de incêndio iguais para todo o país e vão propor ao Governo soluções de reordenamento florestal para cada região.

As oito organizações, que abrangem agricultores e produtores florestais de seis concelhos das região Oeste de Portugal consideram "imperativo agir" na floresta portuguesa mas discordam da aplicação de "leis verticais de Norte a sul do País, pois o mesmo apresenta especificidade particulares", assumem num documento que vão na sexta-feira entregar na Assembleia da República (AR).

No documento, a que a agência Lusa teve hoje acesso, as oito associações defendem uma ação "coordenada, estrutural e muito bem pensada", envolvendo "todas as entidades que contatam diretamente com a realidade da floresta" para definir "uma visão estratégica a médio-longo prazo, criando um verdadeiro ordenamento do território com base nas necessidades por concelho".

Assumindo-se "naturalmente preocupados com a sua fonte de rendimentos (a floresta)", as oito organizações, que se constituíram em movimento, afirmam-se "disponíveis para a limpeza da mesma, reconhecendo a importância da medida de redução de carga combustível" para minimizar os riscos de incêndio.

Porém, recusam aceitar "a imposição do abate de árvores colocando o ónus da culpa [dos incêndios do ultimo ano] essencialmente sobre o eucalipto e o pinheiro bravo".

Assim, o movimento quer propor ao Governo "um conjunto de medidas" que consideram "estruturais e lógicas", entre as quais a obrigatoriedade de pousios e limpeza dos terrenos ou a criação de "faixas de descontinuidade florestal, nas manchas com grande carga combustível, utilizando espécies pouco combustíveis" como o sobro, azinho ou castanho.

Nos concelhos com áreas com grande continuidade de espécies com maior poder de combustão, o movimento defende a aplicação de "uma taxa/compensação por parte dos proprietários", refere o documento.

Fiscalização por parte da GNR, Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) e da proteção Civil e "mão pesada da justiça" para incendiários e "possíveis redes organizadas na queima da floresta", são outras das medidas referidas no documento.

O movimento defende igualmente "a relação floresta-cereal-caça" e o fomento de regadios dispersos pelo país para que "as culturas frescas limitem o desenvolvimento dos incêndios", ou a criação de várias centrais de biomassa de norte a sul do país.

No documento, as organizações contestam ainda o prazo limite para o corte de vegetação e consideram "inadmissível" que os municípios não disponham de ferramentas para efetuar o cadastro e conhecer e saber quem são os proprietários dos terrenos.

O movimento que vai fazer chegar as propostas a todos os grupos parlamentares integra a AARA - Associação de agricultores da Região de Alcobaça, AFRA - Associação de Produtores Florestais da Região de Alcobaça, Centro de Gestão Agrícola de Alvorninha, Centro de Gestão Agrícola de Óbidos, Real 21 - Associação de Defesa do Rio Real, APAS Floresta, AATV - Associação de Agricultores de Torres Vedras e Florest -- Associação de Produtores Agrícolas e Florestais da Estremadura, representando produtores de Alcobaça, Caldas da Rainha, Óbidos, Bombarral, Cadaval e Torres Vedras.

Parques de receção de madeira queimada avançam na próxima semana - Governo


Os parques de receção de madeira queimada vão avançar já na próxima semana em alguns pontos do país, sobretudo nas regiões do Norte e Centro, anunciou hoje o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos.

"Estão aprovados 26 parques, mas o concurso continua aberto e a reação à medida foi muito boa", disse o governante em Castanheira de Pêra, no distrito de Leiria, onde participou na conferência "Valorizar o Interior - Promover o investimento e o emprego", promovida pela Confagri e UGT.

Os parques vão funcionar de acordo com os incentivos do Ministério da Agricultura, que atribui aos produtores florestais um valor de quatro euros por tonelada "desde que a madeira seja vendida a um preço não inferior a 25 euros por tonelada" e tenha um diâmetro superior a 20 centímetros.

"Estou a falar de madeira nobre, com mais de 20 centímetros de diâmetro, que é aquela utilizada pela indústria e é aquela que, se não for armazenada rapidamente e em condições adequadas, se vai deteriorar em pouco tempo", afirmou Capoulas Santos.

Segundo o ministro da Agricultura, "é necessário garantir que o 'stock' que se acumulou com os incêndios não seja perdido".

A tutela vai atribuir ainda mais "três a três euros e meio" por tonelada às entidades que vão gerir os parques.

"Haverá, também, um apoio mais pequeno, de um euro e meio, para a madeira que não necessita de cuidados de conservação, inferior a 20 centímetros de diâmetro, e que é utilizada para a trituração, estilha e peletes", disse.

"Na próxima semana já irei visitar alguns [parques]. Trata-se de uma medida que congregou à sua volta as organizações de produtores florestais e Câmaras Municipais", frisou ainda Capoulas Santos.

Na zona Centro e do Pinhal Interior estão previstos parques para Figueiró dos Vinhos, Oleiros e Arganil.

Alterações climáticas exigem novas formas de gestão agrícola


12.03.2018 às 16h14


Eventos climáticos extremos, que vão ser mais cada vez mais frequentes e duradouros, exigem que os agricultores se adaptem, de maneira a que o sector se torne mais resiliente, conclui estudo internacional ECOSERVE

Os eventos climáticos extremos, que vão ser mais cada vez mais frequentes e duradouros, implicam "novas formas de gestão agrícola e agroflorestal" para tornar "o sector mais resiliente", defende um estudo internacional.

"Os agricultores vão ter de se adaptar, encontrando novas formas de gestão agrícola e agroflorestal por forma a tornar este sector mais resiliente às alterações climáticas", afirma o cientista José Paulo Sousa, coordenador de uma equipa de investigadores portugueses que participa no estudo internacional ECOSERVE, que está a avaliar os efeitos das alterações climáticas nos processos biológicos do solo.

Os eventos climáticos extremos "vão ser cada vez mais frequentes e de maior duração", alerta o investigador do Centro de Ecologia Funcional da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC).

Uma medida para mitigar os efeitos de eventos climáticos extremos, nomeadamente períodos prolongados de seca, passa pela "utilização de variedades de plantas cultiváveis com as características mais adequadas para promover o sequestro de carbono no solo, de modo a aumentar o uso eficiente da água e dos nutrientes", revelam os primeiros resultados do estudo, referidos numa nota da UC enviada hoje à agência Lusa.

"Um maior teor de carbono no solo implica uma maior capacidade de o solo reter água e disponibilizá-la para as plantas, logo menor é a necessidade de rega", explica a UC.

O trabalho científico, já publicado na revista "Journal of Applied Ecology", comprovou também que o tipo de agricultura praticada influencia o sequestro de carbono no solo.

De acordo com os investigadores, "os sistemas de cultivo orgânicos, sistemas em que a utilização de químicos é muito reduzida e onde os resíduos de uma cultura são utilizados como fonte de matéria orgânica para a cultura seguinte, originam maiores stocks de carbono no solo do que sistemas de cultivo convencionais", acrescenta a UC.

Este facto, esclarece José Paulo Sousa, "está intimamente relacionado com as características das espécies cultivadas, especialmente com a facilidade com que os resíduos destas espécies se decompõem e são posteriormente incorporados no solo", ou seja, existem "espécies ou variedades que influenciam de forma positiva a quantidade e qualidade dos stocks de carbono no solo".

Através de uma meta-análise global, complementada com medições em campo, a equipa relacionou as "características de diferentes espécies cultivadas com as respostas dos stocks de carbono nos dois tipos de cultivo, tendo encontrado relações significativas entre a presença de espécies que originam resíduos da cultura mais recalcitrantes, normalmente utilizadas em cultivos orgânicos, e maiores stocks de carbono", observa o investigador e docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia de Coimbra.

Estas conclusões são relevantes porque "fornecem pistas para possíveis medidas de mitigação dos efeitos de alterações climáticas na agricultura", sustenta José Paulo Sousa.

"Ao utilizar variedades de espécies cultiváveis com as características apropriadas, os agricultores podem mitigar estes efeitos, aumentando o stock de carbono no solo, logo aumentando o uso eficiente da água e dos nutrientes", conclui o investigador.

O estudo ECOSERVE envolve, além da equipa da Universidade de Coimbra, investigadores de Espanha, de França, da Holanda, da Suécia e da Suíça.

Cadelas abatidas a tiro de caçadeira



Duas cadelas de caça da raça podengo foram abatidas a tiros de caçadeira, em Amares, estando os crimes a ser investigados pelo Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) do Comando Territorial da GNR de Braga, faltando encontrar ainda duas outras cadelas, da mesma raça.

As cadelas, uma adulta e uma bebé, morreram atingidas por nove e sete chumbos, ambos de zagalote, segundo foi constatado pelos peritos da GNR e por uma veterinária, que já analisou os cadáveres, para determinar que arma fez os disparos.

"Vários dos meus cães tinham fugido do canil de minha casa, faz domingo uma semana, uns acabaram por aparecer, mas estes dois nunca mais deram sinais de vida. Depois, fui alertado da sua morte por um amigo. Quando dei com eles mortos, estava lá a GNR, a tomar conta da ocorrência", disse ao JN o dono das cadelas, Carlos Fernandes, um caçador.

O dono dos animais salientou que irá "até ao fim para esclarecer toda esta situação". "Estou certo que brevemente as autoridades chegarão até aos autores destes crimes, será só uma questão de tempo, há várias pistas que para já vão todas no mesmo sentido, é só esperar", revelou ao JN.

A propriedade onde estavam os cães situa-se na freguesia de Sequeiros, do concelho de Amares, tendo os animais sido encontrados mortos, com tiros de zagalote, que são proibidos por lei, num terreno a cerca de um quilómetro e meio da quinta, na localidade de Santa Cruz, onde se dividem os municípios de Amares e Terras de Bouro.

Marcelo: "Governo tem de dar mais um bocadinho" aos agricultores

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que os agricultores da região de Oliveira do Hospital, muito fustigados pelos incêndios de outubro, precisam de mais apoios.

"O presidente da Câmara tem razão ao dizer que o Governo tem de dar mais um bocadinho. Acho que sim, que o Governo deve apoiar mais", disse o chefe de Estado, este domingo, durante a visita à Feira do Queijo de Oliveira do Hospital.

O autarca do município, José Carlos Alexandrino, disse que os apoios são insuficientes para os agricultores e pediu a reabertura das candidaturas para prejuízos até cinco mil euros.

Aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa reconheceu que o Governo "tem feito muito", mas que, "como diz o presidente [da Câmara], sente-se que "ainda falta um bocado, que pode fazer a diferença na vida de muita gente".

"Vamos ver se é possível esse bocado", sublinhou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa considera que a indústria está a renascer mais depressa do que a agricultura e a pecuária, que "precisam de mais apoio".

Depois do almoço, que juntou um milhar de pessoas, em que foram homenageadas as vítimas dos incêndios de 2017 e alguns voluntários e entidades que se distinguiram na cadeia de solidariedade, o presidente da República plantou uma árvore em Ervedal da Beira, junto às instalações do clube "motard", e visitou uma serração em Vila Franca da Beira, que retomou a laboração em 26 de janeiro.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Capoulas Santos diz que chuva de março “dá alguma tranquilidade”, mas não é o fim da seca


11/3/2018, 11:43158

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, diz que a chuva nos primeiros 10 dias de março ultrapassam a média prevista para o mês. "Ainda não é o fim do problema da seca", sublinhou.

"As barragens estão a ganhar volume a norte do Tejo [mas no Sul do país] subsistem problemas, particularmente na bacia do Sado", disse Luís Capoulas Santos.
MÁRIO CRUZ/LUSA

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, afirmou que nos primeiros 10 dias de março já choveu "praticamente o dobro do que é habitual em março" e acrescentou que isso "dá alguma tranquilidade de que as culturas de primavera/verão vão poder realizar-se".

Em declarações ao Diário de Notícias, o ministro da Agricultura sublinhou ainda assim que este "ainda não é o fim do problema da seca, mas é já parte da sua resolução". "As barragens estão a ganhar volume a norte do Tejo [mas no Sul do país] subsistem problemas, particularmente na bacia do Sado", disse Luís Capoulas Santos.

Segundo números da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), há várias barragens na bacia do Sado com níveis ainda bastante baixos. É caso de Campilhas (7% do total), Monte da Rocha (10%), Monte Gato (10%), Monte Miguéis (12%), Vale do Gaio (22%), Pego do Altar (24%), Fonte Serne (30%) e Roxo (34%).

Na Bacia do Tejo, também há números preocupantes. É o caso da barragem do Divor (16%), Vigia (19%), Caia (27%) e Abrilongo (28%).

Segundo a APA, consultada pelo Jornal de Negócios, a chuva trazida pela tempestade Félix levou a "um aumento em 11 bacias hidrográficas", que ainda assim estão abaixo das médias previstas para Março.

Quanto a albufeiras, entre as 61 monitorizadas, dez tinham valores acima dos 80% do volume total, mas 12 mantinham-se abaixo dos 40%. "Nas bacias do Mondego, Tejo e Arade e oito albufeiras registaram um aumento superior a 20%", avançou a APA àquele jornal.

domingo, 11 de março de 2018

Duplicam barragens com mais de 80% de água



Barragem do Roxo, Aljustrel. A sul ainda há situações preocupantes, segundo o ministro do Ambiente


A chuva dos últimos dias levou a que o número de barragens com volume de armazenamento superior a 80% tenha aumentado de cinco para dez.

Segundo a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), que comparou os níveis de 61 albufeiras com os da semana anterior, há dez bacias hidrográficas com disponibilidades superiores a 80% do volume total. Já o número de albufeiras com uma disponibilidade inferior a 40% diminuiu de 23 para 12. Oito destas estão na bacia do Sado, três na bacia do Guadiana e uma no rio Tejo.

A análise revela ainda que se verificou um aumento do volume de água em 11 bacias hidrográficas e a descida da quantidade numa delas. Esta última é no Mondego, onde se diminuiu o nível de armazenamento para se poder "guardar encaixe" para os volumes afluentes previstos com a tempestade Félix que atinge o país durante o fim de semana.

A APA adianta ainda que nas duas últimas semanas registou-se um aumento na percentagem de armazenamento em 49 albufeiras. Nas bacias do Mondego, Tejo e Arade, oito albufeiras registaram um aumento superior a 20%.

Também esta sexta-feira, o ministro do Ambiente disse que a chuva tem reposto os níveis de água das barragens, mas a um ritmo "bastante lento" no sul do país. "Temos que separar o país ao meio. A norte do rio Tejo, as barragens estão muito próximas da sua capacidade máxima e algumas já a atingiram", afirmou João Pedro Matos Fernandes, citado pela agência Lusa.

No sul, embora esteja a haver "encaixes de água a cada dia", ainda há situações preocupantes, como a da barragem de Monte da Rocha, no concelho de Ourique, que abastece "um conjunto vasto de habitantes", e que ainda está com apenas 9,6% da capacidade, disse o governante, adiantando que o cuidado com o consumo tem que continuar.

Ex-ministro da Agricultura Arlindo Cunha alerta para situação "gravíssima" do interior


"Portugal não tem uma estratégia territorial", acrescentou Silva Peneda, numa iniciativa solidária em Castanheira de Pêra.

LUSA 10 de Março de 2018, 14:12 Partilhar notícia

 "Portugal não tem uma estratégia territorial. Os três grandes problemas de Portugal são a dívida, a demografia e as desigualdades", considerou Silva Peneda.Foto

O antigo ministro da Agricultura Arlindo Cunha considerou neste sábado, em Castanheira de Pêra, que o interior do país está numa situação "gravíssima", decorrente dos desequilíbrios demográficos e da desertificação.

"A problemática do interior é uma situação gravíssima que Portugal tem para resolver. A situação é, de facto, assustadora. Temos uma situação muito grave em termos de disparidade do território", afirmou, ao participar numa iniciativa solidária promovida pela Confagri — UGT sob o tema "Valorizar o interior — Promover o Investimento e o Emprego".

Segundo Arlindo Cunha, entre os problemas que afectam o interior, destacam-se a disparidade de rendimento e de oportunidades [face ao litoral], "uma catástrofe demográfica anunciada", a desertificação dos territórios e a "morte do património rural".
"Quando os territórios não têm peso nem economia, as debilidades vêm ao de cima", frisou.

Para o antigo ministro, os vários governos foram reduzindo também os serviços públicos nas regiões do interior. "O Estado foi desaparecendo. Se o Estado não serve para a coesão para que é que serve?"

O ex-governante defendeu, neste contexto, para os territórios do interior e para as áreas ardidas, políticas de discriminação positiva.

Por seu turno, o ex-presidente do Conselho Económico e Social (CES), Silva Peneda, defendeu a necessidade de se pensar nas políticas a aplicar e da escolha de opções para o desenvolvimento territorial.

O melhor do Público no email
Subscreva gratuitamente as newsletters e receba o melhor da actualidade e os trabalhos mais profundos do Público.

Subscrever×
"Portugal não tem uma estratégia territorial. Os três grandes problemas de Portugal são a dívida, a demografia e as desigualdades", considerou Silva Peneda.

Para resolver estes problemas, sublinhou, do interior é necessário haver um amplo consenso político.

sábado, 10 de março de 2018

CAP diz que agricultura de regadio em Portugal é "exemplo para o mundo"

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, considerou hoje um "exemplo para o mundo" a eficiência da rega na agricultura hoje praticada em Portugal, defendendo que não é preciso "ter medo dos agricultores como utilizadores de água".

Nos "regadios mais visíveis", como os do Alqueva, região do Tejo e Vale do Sorraia, "a agricultura que se pratica hoje não tem nada a ver, em termos da eficiência de rega, com o que se fazia há 10, 15 ou 20 anos", afirmou o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

A agricultura atual "tem um nível, em Portugal e em Espanha, em termos da eficiência da rega, que é exemplo para o mundo inteiro", argumentou Eduardo Oliveira e Sousa, que falava no 14.º Congresso da Água, em Évora.

Como exemplo, o responsável lembrou que, quando começou a trabalhar no Vale do Sorraia, "a média de utilização da água para um hectare de arroz ultrapassava os 20 mil metros cúbicos por hectare", mas, hoje em dia, "a maior parte dos agricultores não gasta 10" mil metros cúbicos por hectare.

"O tomate gastava sete [mil metros cúbicos/hectare], hoje não são precisos quatro", indicou, ao intervir numa mesa-redonda sobre a "Revisão da Diretiva-Quadro da Água e Novos Modelos de Gestão dos Recursos Hídricos".

Por isso, atendendo a essa evolução, Eduardo Oliveira e Sousa alertou que "não há que ter medo dos agricultores como utilizadores de água", porque "eles não vão estragar a água, não vão acabar com a água" e, pelo contrário, "em muitos locais, são a salvaguarda até da própria circulação de água".

O Sorraia, no Ribatejo, evocou, "secava antes da obra de rega", mas, "hoje em dia, é um fio de água permanente durante todo o verão".

"Vivemos numa região que tem tendência em desertificar-se e ou salvaguardamos estas atividades, através do uso que a água nos potencia, ou o território terá tendência em entrar num ciclo de maior desertificação e de maior abandono", disse Eduardo Oliveira e Sousa.

E "acidentes" como os incêndios do ano passado em Portugal, salientou, "replicar-se-ão no futuro, se esse abandono se vier a concretizar".

A propósito da Diretiva-Quadro da Água (DQA), que é o principal instrumento da política da União Europeia (UE) relativa à água (em vigor desde 2000), o presidente da CAP deixou críticas e argumentou que "introduziu alguma perturbação na forma de lidar com setores maciçamente utilizadores de água, como é o caso da agricultura".

Na transposição para o direito português das normativas comunitárias, em algumas situações, a administração foi "mais 'papista do que o papa', criando restrições, dificuldades à utilização dos recursos ou até do seu próprio armazenamento de uma forma um pouco desligada dos setores", alegou.

O moderador da mesa-redonda, o antigo ministro do Ambiente Francisco Nunes Correia, considerou que a DQA, que se encontra "em processo de análise crítica e de revisão" no quadro da UE e dos Estados-Membros teve "excecional importância", porque permitiu que a água deixasse de ser encarada "apenas do ponto de vista químico", para adotar um olhar com "preocupações ecológicas" e, na diversidade europeia, numa ótica "integrada".

O 14.º Congresso da Água, que hoje termina em Évora, foi promovido pela Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH).

Limpeza das florestas do Estado custa 14 milhões, diz ministro da Agricultura


9/3/2018, 15:32
3
As intervenções nas matas públicas vão decorrer sobretudo em zonas de ação prioritária, com maior risco de incêndio, dentro das áreas sob gestão do ICNF.

Partilhe

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O Governo vai investir 14 milhões de euros na limpeza de terrenos florestais e matas nacionais geridas pelo Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF), trabalhos que nas zonas consideradas prioritárias devem estar concluídos até 31 de maio.

O Plano de Intervenção nas Matas Públicas e Perímetros Florestais, apresentado esta sexta-feira pelo ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, inclui intervenções que estão a decorrer desde dezembro. As intervenções vão decorrer sobretudo em zonas de ação prioritária, com maior risco de incêndio, dentro das áreas sob gestão do ICNF.

Estas localizam-se sobretudo no Norte e Centro do país e estão distribuídas por 189 concelhos, representando um total de 1.049 freguesias e de 6.400 aldeias. Destas, 710 freguesias são consideradas de "prioridade 1" (as de maior risco) e outras 339 de "prioridade 2".

É prioritariamente nestas zonas que estamos a concentrar os nossos esforços. Nas zonas prioritárias não ficará uma casa por limpar, não ficará uma aldeia que confinar com património gerido pelo ICNF que não seja limpa. Em todas as outras áreas iremos tão longe quanto possível, quanto o esforço, o tempo e os recursos materiais nos permitirem", afirmou o ministro.


As zonas prioritárias definidas pelo ICNF são, segundo Capoulas Santos, zonas "que não arderam ainda" e "não nas zonas que, infelizmente, arderam no ano passado". As principais medidas de proteção incidirão na proteção das pessoas, aldeias e casas habitadas junto às zonas do ICNF.

"Tenho a perceção de que se criou a ideia de que os privados devem limpar até 15 de março e que, a partir daí, a responsabilidade é das autarquias. Não. Os proprietários têm de continuar a limpar depois de 15 de março. A partir de 15 de março sujeitam-se é a haver multas e coimas aplicadas. Mas naturalmente que o esforço de todos deve ir até ao final de maio, até ao início do verão, que é a zona de maior risco de incêndio. Todos temos de estar mobilizados depois de 15 de março, inclusivamente os proprietários", explicou.

Na proteção de casas e aglomerados, como áreas agrícolas, jardins e outros terrenos de floresta e mato junto a edifícios está prevista a limpeza de 3.001 hectares, tendo já sido executada a limpeza em 1.401 hectares. O governo pretende ainda construir 837 quilómetros de novas faixas de interrupção de combustíveis e fazer a manutenção de 279 quilómetros já existentes.

Ao todo, as intervenções têm um custo estimado de 14 milhões de euros, distribuídas por iniciativas para proteção de casas e aglomerados, construções de redes, de faixas de interrupção de combustíveis, caminhos florestais, avisos para áreas de fogo controlado e prioritárias para queimadas e de áreas geridas com pastoreio.

Agricultura. Portugal perde recurso no Tribunal da UE para recuperar quase €30 milhões

09.03.2018 às 12h53

Em causa, estão ajudas pagas a agricultores em 2013 e 2014 que, segundo a Comissão Europeia, apresentam deficiências na consolidação

O Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) confirmou esta sexta-feira a decisão da Comissão Europeia de excluir do financiamento a Portugal uma verba de quase 30 milhões de euros de despesas no âmbito dos fundos para a agricultura.

Portugal tinha recorrido para o TJUE em agosto de 2016 da decisão de Bruxelas de excluir despesas feitas a título do Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) no montante de 29.957.339,70 euros, que havia sido tomada em junho de 2014.

A Comissão Europeia excluiu do financiamento da UE, por deficiências na consolidação, o montante relativo a despesas declaradas por Portugal no âmbito das ajudas pagas a agricultores, nos exercícios de 2013 e 2014.

Para além de negar provimento ao recurso, o acórdão condena Portugal no pagamento das despesas.

Capoulas Santos: "Não ficará uma casa ou aldeia por limpar que seja responsabilidade do Estado"

O Ministro da Agricultura avançou esta sexta-feira com uma estimativa de 14 milhões de euros de custos para a limpeza das florestas que são de responsabilidade do Estado, num total de 50 mil hectares. Quanto aos privados, avisa: "a sua responsabilidade na limpeza não termina a 15 de Março".

Capoulas Santos: "Não ficará uma casa ou aldeia por limpar que seja responsabilidade do Estado"

Filomena  Lança Filomena Lança filomenalanca@negocios.pt
09 de março de 2018 às 13:30

O Ministério da Agricultura estima gastar 14 milhões de euros com as operações de limpeza de florestas e à volta de casas e aldeias onde exista património sob responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). Ao todo está em causa uma área de 50 mil hectares, localizada sobretudo nas regiões Norte e Centro (59% e 34%, respectivamente) e que inclui matas nacionais, baldios ou perímetros florestais.

Nas zonas prioritárias entretanto identificadas e que incluem 1.049 freguesias em 189 concelhos, "não ficará uma casa por limpar, nem uma aldeia confiante com património do ICNF deixará de ter o seu perímetro limpo", assegurou o ministro da Agricultura esta sexta-feira, num encontro com jornalistas para apresentação do Plano de Intervenção das áreas sob gestão do ICNF.

Fora das zonas prioritárias, acrescentou o ministro, a ideia é "ir tão longe" quanto o tempo e os meios o permitam, sendo que, realçou, a prioridade serão sempre as casas e as aldeias e para essas a limpeza terá de estar assegurada, por forma a que não se repitam os incêndios de 2017.

O ICNF começou os trabalhos em Dezembro e este é o primeiro balanço realizado pelo Governo. Até agora, disse Capoulas Santos, foram já executados 1.401 hectares de limpezas de faixas de gestão de combustíveis em torno de casas, aglomerados populacionais ou outras instalações existentes e confiantes com terrenos de responsabilidade do ICNF. Estão a ser contratualizados outros 1.600 hectares e o total planeado ascende a 3.001 hectares.

Na limpeza em rede primária e mosaicos, que abrange áreas mais extensas, foram executados 627 hectares, para um total planeado de 2.800 hectares.

Outro trabalho em curso é a criação de novas faixas de interrupção de combustíveis, com as quais se pretende que, em caso de fogo, este encontre um espaço onde não havendo nada para arder, seja interrompido. Vão ser criados 837 novos quilómetros e há 279 já existentes em manutenção. Isto, mais uma vez, nas florestas públicas.

 O ICNF tem também em mãos a limpeza de 3.300 quilómetros de caminhos florestais, bem como limpeza através de fogos controlados ou usando as chamadas cabras sapadoras que, ao serem pastoreadas em zonas de mais difícil acesso, fazem elas próprias as limpezas. Serão também acompanhadas queimadas nas zonas prioritárias onde são efectuadadas tradicionalmente.

Privados têm obrigações além de 14 de Março

O Governo não está, para já, a acompanhar o trabalho que está a ser feito pelos privados e que, segundo o ministro, será depois fiscalizado pela GNR. No entanto, Capoulas Santos fez questão de deixar um alerta para desfazer o que considera poder ser um equívoco: "Tenho tido a percepção que os privados devem limpar até 15 de Março e que a partir daí a responsabilidade é das autarquias e que por isso já não têm de continuar a limpar, mas isso não é assim".

A data para que tudo esteja limpo, lembrou, é 31 de Maio e "o esforço de todos deve ir até esse dia, todos temos de continuar mobilizados mesmo depois de 15 de Março", sublinhou.

O que acontece é que a partir de 15 de Março, os privados "sujeitam-se à aplicação de sanções", avisou ainda Capoulas Santos. "Claro que o nosso objectivo era que houvesse sanções zero", rematou. 

As chuvas que têm caído tem levado agora em Março têm levado a críticas sobre a data de 15 de Março como limite para as limpezas, uma vez que entretanto, mesmo nos terrenos já limpos, as ervas e os arbustos vão novamente começar a crescer. É verdade, reconhece o ministro, mas "é muito diferente erva ou arbustos novos e portanto mais rasteiros, do que mato antigo e já instalado ou árvores com copas  coladas" umas às outras. Esses têm de ser limpos e o momento é agora", insiste Capoulas Santos. 

“Somos um hot spot das alterações climáticas”

INCÊNDIOS FLORESTAIS
Se nada mudar radicalmente, no final do século a área ardida por ano em Portugal pode ser duas a três vezes superior.

 Liliana Valente
LILIANA VALENTE 8 de Março de 2018, 17:05 Partilhar notícia
45

ADRIANO MIRANDA
Vai chover menos, as secas serão mais frequentes e mais intensas e isto fará com que o risco de incêndio aumente em Portugal até ao final do século. O cenário só poderá ser menos negro, se algo for mudando em vários aspectos, e mesmo assim pode não ser suficiente.

"Somos um hot spot das alterações climáticas", disse esta quinta-feira à tarde o professor Filipe Duarte Santos, numa conferência na Gulbenkian sobre "a protecção das comunidades em cenário de incêndio rural", organizado pela Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, liderada por Tiago Martins Oliveira. Para aquele professor da Faculdade de Ciências, especialista em alterações climáticas, os vários indicadores que contribuem para o risco de incêndios em Portugal mostram um agravamento desde o início do século e a projecção desses dados até ao final do século XXI mostra o seu agravamento, se nada for feito. "Em 2075 as áreas ardidas [por ano] poderão ser duas a três vezes superiores. Isto acontecerá, mas depende da actividade humana, não é uma coisa determinística, pode haver uma série de medidas no sentido de evitar que isso aconteça desta forma", argumentou.

O ano de 2017 mostrou que o risco existe e que já se concretizou. Mas nem seria preciso o ano passado para passar a ideia de que Portugal tem um problema grave com incêndios: "Entre 2006 e 2015, Portugal teve mais incêndios que a Rússia". "Além de termos um problema que tem características particularmente agudas, aquilo que se projecta para o futuro é uma tendência para um maior risco de incêndio florestal".

Um dos problemas tem a ver com a redução da ocupação do espaço com a agricultura, como lembrou mais tarde o professor José Manuel Lima: "Onde há abandono agrícola, há fogos", disse este especialista em agricultura. Este é um dos pontos-chave para futuro. "Pode acontecer que se torne impossível que se crie valor económicos para as florestas no centro e norte de Portugal, o que significa que até ao final do século poderíamos ter apenas ter uma floresta residual: é preciso dar valor às florestas", defendeu Filipe Duarte Santos.

Esta evolução do que se passa é visível, por exemplo, no caso da freguesia de Alvares, em Góis. De 1960 a 2010, esta freguesia, que faz parte de um projecto de reflorestação levada a cabo pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA), "deixou de ser essencialmente uma área de pastorícia para ser floresta", contou o professor José Miguel Cardoso, que lidera aquele projecto. Noventa por cento desta freguesia era floresta e 80% eucalipto - a proposta que o ISA faz é que seja reduzida a área florestal para 70% e redizir a 50% o eucaliptal.

Este professor apontou outro ponto importante na floresta em Portugal: uma parte significativa arde mais do que uma vez num curso espaço de tempo: "Um produtor florestal contou-me que tem alguns hectares de eucaliptos há 40 anos. Nunca os cortou verdes". Quarenta anos significam quatro ciclos de crescimento do eucalipto, oque significa que aquela área ardeu pelo menos quatro vezes em 40 anos.

Sobre estes assunto há números que mostram a calamidade: "Em 28 anos, de 1990 a 2017, em 430 mil hectares, ardeu 117% da área da região do Pinhal Interior. Ou seja, em 28 ano, o Pinhal Interior ardeu completamente mais do que uma vez". A área do Pinhal Interior engloba municípios como Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pêra ou Góis, afectados pelos incêndios do ano passado.

O que poderá ser feito para futuro não é apenas trabalhar num sector, mas em vários e tem de envolver a comunidade. Foi isso que defendeu o especialista canadiano Kelvin Hirsh, que esteve a apresentar o programa FireSmart. "A pergunta não é se a comunidade [no Canadá] vai ser afectada por um incêndio, mas quando", pelo que é preciso ter consciência, defendeu que "a fase da supressão tem os seus limites". Naquele país, que é dos mais afectados por incêndios e sobretudo por incêndios graves, este programa engloba várias vertentes (desde a educação, à legislação ou à gestão florestal) para tornar as comunidades mais seguras.

O especialista canadiano focou-se ainda na protecção das habitações, uma vez que naquele país os incêndios afectam cerca de 20 povoações por ano, que chegam em média às 70 mil pessoas, grande parte delas evacuadas. Para Kelvin Kirsh é possível reduzir a destruição de casas com a escolha do material de construção e também com a envolvência (delimitação de áreas perto das povoações sem árvores), mas apesar disso, não é possível evitar a destruição de casas: "É uma questão de probabilidades (…) o risco de não queimar nunca é zero. Pode ser reduzido, mas nunca é zero", defendeu.

Municípios de Lisboa consideram "incumprível" lei de limpeza florestal


Os autarcas da Área Metropolitana de Lisboa (AML) vão escrever à tutela para salientar que consideram "incumprível" até 31 de maio a lei de limpeza das florestas, apesar dos esforços que estão a fazer para a cumprir.

O Governo exigiu aos municípios o cumprimento de uma lei de 2006, segundo a qual têm de limpar até 31 de maio os terrenos dos proprietários que não o façam até 15 de março.

Os autarcas da AML decidiram hoje no Conselho Metropolitano de Lisboa enviar uma carta ao Ministro da Administração Interna (MAI), Eduardo Cabrita, que também tutela as autarquias, onde vai a "afirmação inequívoca dos trabalhos e do empenho dos municípios da AML que têm área florestal e obrigações na área florestal", mas também as dificuldades práticas de cumprir as determinações literais da lei.

"Acho que ninguém espera no país que o país resolva em mês e meio aquilo que o país não fez em décadas. Se alguém tem essa expetativa, só pode resultar de manifesto irrealismo", destacou o presidente da AML, Fernando Medina, também presidente da Câmara de Lisboa (PS).

Na carta, segundo o presidente de Lisboa, também vai uma "pública nota do desagrado das declarações do Ministro da Agricultura sobre esta matéria".

Durante uma visita a Porto de Mós, realizada a 26 de fevereiro, onde acompanhou ações de limpeza de terrenos para prevenção de incêndios, o ministro Capoulas Santos reconheceu as "limitações orçamentais" das autarquias, mas defendeu ser necessário "estabelecer prioridades".

"Porventura, levar mais longe essas tarefas implica cortar noutras despesas. No Ministério da Agricultura estamos a conferir essa prioridade. Estou convencido que os municípios não deixarão de fazê-lo: implicará sacrificar algumas festas? Não sei. Dentro dos recursos que cada um dispõe, esses terão de ser mobilizados e levar o esforço tão longe quanto possível", afirmou então o ministro.

Fernando Medina salientou que os municípios não aceitam "entrar no jogo dos bodes expiatórios".

"Se for para isso, também teremos algumas coisas a dizer sobre o Ministério da Agricultura", afirmou.

A sugestão da carta ao Governo surgiu do presidente de Mafra, Hélder Silva (PPD/PSD), segundo o qual "esta lei não é passível de ser cumprida" no seu concelho.

"Vamos dar o nosso melhor, mas não vamos poder cumprir esta missão. (...) Eu não tenho condição de cumprir aquela lei", disse.

O autarca estimou que 22% do seu território está abrangido por esta lei e considerou que "precisaria de 6,6 milhões de euros" para a cumprir.

"O que me preocupa ainda mais nem é o que está escrito na lei, é a forma como vários membros do Governo têm abordado este problema. E têm-no abordado inculcando nas pessoas a ideia de que as câmaras têm todos os meios ao seu alcance para resolver o problema", disse, pelo seu lado, Bernardino Soares, presidente de Loures (CDU).

De acordo com Bernardino Soares, "muitos proprietários estão a interpretar esta informação como ficando desobrigados de fazerem a limpeza dos seus terrenos" porque depois "as câmaras vão lá limpar e hão de mandar a conta".

O presidente da Câmara de Vila Franca de Xira alertou ainda para um outro problema: "Estamos a assistir a um fenómeno em que não há empresas [de limpeza de florestas] e as que existem estão a inflacionar os preços de uma forma absolutamente escandalosa", disse Alberto Mesquita.

O Conselho Metropolitano é o órgão político da AML, que é constituída por 18 municípios: Alcochete, Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Odivelas, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira.

Relatório oficial confirma presença de pesticidas ilegais em produtos biológicos à venda em Portugal


SOCIEDADE 07.03.2018 às 16h45

A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária encontrou resíduos de pesticidas em amostras de produtos biológicos recolhidas em 2016. Já o ano passado uma investigação da VISÃO detetara a presença de pesticidas proibidos em alimentos bio

Luís Ribeiro

A reportagem que fez a capa da VISÃO a 29 de junho de 2017 chocou muita gente: em 113 alimentos vendidos como biológicos analisados por um laboratório certificado, 21 continham vestígios de pesticidas não autorizados pela lei que regula o setor - incluindo uma couve com glifosato, numa quantidade 12 vezes acima do máximo permitido para produtos convencionais. Quase um ano depois, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária tornou público um relatório em que os bio também não passam na prova.

Durante o ano de 2016, a entidade recolheu e testou 23 produtos e encontrou resíduos de químicos sintéticos em dois deles (os fungicidas tiabendazol e boscalide, em cebolas e alhos-franceses, respetivamente). Ou seja, 9% dos alimentos analisados estavam ilegais. O relatório, finalizado em dezembro de 2017 e publicado há uma semana e meia, adianta que outros dois produtos (bananas e repolhos) revelaram também a presença de pesticidas, mas estes autorizados no setor.

Ou seja, apesar de em menor quantidade do que na investigação da VISÃO, quando 19% dos alimentos testados deram positivo a substâncias não autorizadas, este estudo confirma que o setor da agricultura biológica tem efetivamente joio no meio do trigo. As boas notícias é que nenhuma das quatro amostras ultrapassou o limiar de segurança definido pela lei (chamado Limite Máximo de Resíduos, LMR).

Naturalmente, os alimentos de agricultura convencional, onde se aplicam herbicidas, fungicidas e inseticidas em vários momentos da produção, revelaram a presença de mais pesticidas do que os bio: 1,67% excederam o LMR, 54,3% continham vestígios abaixo do LMR e 44% deram negativo à presença de químicos sintéticos. A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária sublinha, no entanto, que há uma margem de segurança acima do LMR, pelo que, mesmo nos casos em que o valor foi ultrapassado, não significa que está em risco a saúde pública,

Governo alerta que ainda há problemas a enfrentar apesar da chuva


Secretário de Estado do Ambiente lembra que recarga dos aquíferos ocorre de uma forma particularmente lenta

O secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins, alertou hoje que o país ainda vai ter de "enfrentar problemas nos próximos tempos" devido à seca, sobretudo a sul do Tejo e, em especial, na bacia do Sado.

"Pese embora a chuva dos últimos dias, temos ainda de enfrentar problemas, seguramente nos próximos tempos, do ponto de vista" da "recarga dos aquíferos", a qual "ocorre de uma forma particularmente lenta", disse o governante à agência Lusa, à margem do 14.º Congresso da Água, que começou hoje em Évora.

Segundo o secretário de Estado, o país anda vai "precisar que haja muita precipitação e que ela seja de molde a poder haver recarga de aquíferos".

"Infelizmente, não controlamos a forma como precipita e não podemos ter a aspiração de ela ocorrer em todo o território de maneira tão boa quanto está a ocorrer na zona norte do Tejo", afirmou.

A sul do Tejo ainda subsistem "grandes desafios", salientou Carlos Martins, explicando que estes prendem-se mais com a rega agrícola do que com o abastecimento público às populações, que vai ser reforçado graças a projetos que envolvem a empresa gestora do Alqueva (EDIA) e a Águas de Portugal.

"Aqui no Alentejo, a notícia relevante foi esta parceria, que vai permitir, dentro de dois anos, termos aqui soluções redundantes muito mais seguras" para o "abastecimento de água às populações e também um conjunto de investimentos novos, sobretudo na área de Mértola", elogiou.

Mas, frisou, como "a sul do Tejo e nomeadamente na bacia do Sado os problemas ainda estão para ficar" e "não foi esta chuva que os ultrapassou", é preciso "fazer melhor" e olhar de forma "muito criteriosa" para o uso da água, sobretudo o uso agrícola.

"Esta chuva sossega-nos um pouco mais no que é o abastecimento público, mas 92% da água é utilizada na agricultura e aí os problemas ainda se colocam", vincou.

Carlos Martins reconheceu que há explorações agrícolas que gerem a água de forma eficiente, mas há também exemplos menos positivos.

"Não podemos ignorar que há ainda muitos perímetros de rega que usam técnicas e infraestruturas que já não se compadecem com aquilo que é a escassez da água" e que há "utilizadores que, eventualmente, não usam as melhores práticas agrícolas e as melhores práticas de rega", disse.

"Há aqui, quer no nível da capacitação técnica, quer no nível de construir e modernizar infraestruturas, um trabalho que é importante ainda continuar", defendeu, sugerindo ainda que, em alguns territórios, é preciso "repensar algumas culturas agrícolas".

No 14.º Congresso da Água, promovido pela Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos (APRH) e que decorre até sexta-feira, o secretário de Estado do Ambiente aludiu, na sua intervenção, aos Planos de Contingência para a Seca, que vão ser elaborados pelas Administrações das Regiões Hidrográficas (ARH).

O Governo, frisou, pretende que estes planos possam estar "todos concluídos até ao final de 2018" para que o país possa ter "um inventário bem completo das águas superficiais e subterrâneas e dos sistemas semipúblicos que foram abandonados" e que se quer "recuperar".

O objetivo passa por ter uma "noção clara daquilo que são cenários de oferta de água tendo em conta as projeções e cenários das alterações climáticas" e, ao mesmo tempo, ter "um estudo para aquilo que são as projeções dos consumos para uso público de abastecimento de água, para a utilização na agricultura e para a utilização na indústria", explicou.

sexta-feira, 9 de março de 2018

A lei mais estúpida de Portugal



Nuno Melo*


A lei que refiro não é simplesmente estúpida. É idiota e soviética. Mal elaborada, transforma donos de terras em prevaricadores, confunde tudo e ignora que o território português é radicalmente diverso. Poderia integrar um compêndio sobre "como não legislar num país civilizado".

No folheto bonitinho, com uma casinha branca rapada de árvores e arbustos num raio de 50 metros, concebido talvez pela criatividade delirante de um jovem assessor, o Governo ameaça com multas de loucura, não previstas sequer para alguns dos crimes mais graves do Código Penal, enquanto avisa: "Limpe o mato e corte árvores à volta da sua casa". Deveria ter vergonha.

O Governo aterroriza cada alma que possua um palmo de terra, sem esclarecer sequer quem está excluído da obrigação - e são muitos.

O Governo cria premeditadamente a convicção (falsa) de que num raio de 50 metros à volta das casas há que cortar tudo o que pareça verde. Quantas árvores e arbustos impressionantes, muitos deles seculares, de variadas espécies, não foram varridos da face da terra sem necessidade, por puro medo?

Quando interpela os titulares de áreas agrícolas, o Governo não lê sequer o paupérrimo decreto-lei 10/2018 que fixa num anexo o que deve ser cortado e onde (dissecando a previsão genérica do art.º 15° do decreto-lei 126/2006), exclui expressamente as áreas agrícolas da sua aplicação (ponto I - "redes secundárias de gestão de combustível envolventes aos edifícios, aglomerados populacionais, equipamentos e infraestruturas, aos estratos arbóreos, arbustivos e subarbustivos, não integrados em áreas agrícolas (...)". A previsão legal não pode ser substituída pelo arbítrio de ministros incompetentes, nem planos municipais.

Levado à letra, o afastamento compulsivo de quatro metros entre copas implicará, por exemplo, o corte de choupos, plátanos e carvalhos contíguos, usados há séculos no Minho para "vinhas de enforcado". Especialistas advertem que o afastamento de 10 metros para pinheiros e eucaliptos potenciará o crescimento de mato inflamável rasteiro. E a bizarra altura máxima de 50 cm para o extrato arbustivo, imporá a mutilação impraticável de magníficos zimbros, buxinhos, lauros, azáleas e tantas outras espécies. Absolutamente criminoso.

Para as autarquias e proprietários são transferidas obrigações impossíveis de cumprir até 15 de março, pela óbvia razão de que ao Governo interessa fundamentalmente a multa e, claro, fugir das suas próprias responsabilidades.

Já agora; a dita linha verde não dá resposta para a maior parte das dúvidas. Acreditem, já tentei.


Rio anuncia ministros-sombra dentro de duas semanas (Arlindo Cunha na Agricultura)

O Negócios apurou que o presidente social-democrata pretende levar fechados os nomes dos coordenadores e porta-vozes das 16 áreas temáticas do novo Conselho Estratégico Nacional.
Rio anuncia ministros-sombra dentro de duas semanas

David Santiago David Santiago dsantiago@negocios.pt
08 de março de 2018 às 14:42

Os nomes dos ministros-sombra escolhidos por Rui Rio vão ser conhecidos dentro de duas semanas. O Negócios sabe que a nova direcção social-democrata pretende ter já fechada a equipa que vai preparar o programa eleitoral para as legislativas de 2019 na próxima reunião da Comissão Política Nacional (CPN), que terá lugar daqui a 15 dias.

Depois do encontro da CPN que decorreu ontem, o líder social-democrata anunciou uma "revolução" resultante do novo modelo do Conselho Estratégico Nacional (CEN), que ficará dividido em 16 áreas temáticas e que terá como líder da estrutura David Justino, vice-presidente do partido, que assim reforça o seu peso no PSD de Rio.

Cada uma destas 16 áreas terá um coordenador e um porta-voz, podendo num ou outro caso ser a mesma pessoa a desempenhar ambas as funções. Segundo apurou o Negócios, a intenção de Rio passa por recrutar esses especialistas não apenas no seio do PSD mas também fora do partido.

Ou seja, Rio quer fazer jus à vontade expressa de abrir o partido à sociedade civil recrutando independentes que possam assumir um papel de relevo no PSD. Sobre se o reforço de atribuições conferido ao novo CEN pode agravar o descontentamento na bancada parlamentar laranja, Rio admitiu ontem que pode provocar alguma "convulsãozita", garantindo porém que não passará de um "epifenómeno de quatro ou cinco" deputados.

No entender da nova direcção social-democrata, é importante trazer gente nova para o partido para lá daquela que está no Parlamento, até porque os deputados sociais-democratas já têm esse palco. A proposta apresentada na Comissão Política prevê ainda uma Comissão Consultiva composta por militantes e independentes de reconhecido mérito.

Rio explicou esta quarta-feira que cada uma das áreas poderá ainda contar com um vice-coordenador e com mais quatro ou cinco pessoas, sendo que "obrigatoriamente" nesses elementos estarão um ou dois membros do grupo parlamentar social-democrata. Esses deputados ficarão responsáveis pela ligação entre o CEN e o grupo parlamentar.

Rui Rio acrescentou que o coordenador será alguém "com mais idade, mais experiência" e o porta-voz alguém "mais jovem, que ainda tem de fazer um caminho". Os porta-vozes irão falar em nome do partido em cada uma das 16 áreas definidas.

Nesta altura são conhecidos apenas dois nomes que vão integrar a nova estrutura que ficará incumbida de escrever o programa eleitoral do PSD para as eleições legislativas do próximo ano. O ex-ministro de Cavaco Silva, Arlindo Cunha, vai coordenar a área temática da Agricultura e o professor Tiago Moreira de Sá será o coordenador da área de Relações Externas, função que acumulará com a liderança do Gabinete de Relações Internacionais do partido.

Falta ainda anunciar o nome dos outros 14 coordenadores para pastas que vão das Finanças Públicas à Economia, Inovação e Internacionalização, passando pela Saúde ou Ensino Superior, Ciência e Tecnologia. No encontro da Comissão Política que decorrerá daqui a duas semanas (ainda sem data oficial) será aprovada a estrutura final do novo Conselho Estratégico Nacional, podendo haver um pequeno ajustamento no número de áreas temáticas, disse Rio aos jornalistas.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Governo assume limpeza de terrenos de idosos e carenciados

 Autarquias podem recorrer a linha de crédito para auxiliar sem terem de devolver dinheiro ao Estado. 

Estado vai assumir as despesas da limpeza de terrenos de famílias e idosos carenciados, avança o jornal i desta quarta-feira.  As autarquias irão proceder aos trabalhos de limpeza em nome dessas pessoas a partir de 15 de março e poderão recorrer à linha de crédito criada pelo Governo para o fazer, sendo que não precisarão, no caso de pessoas com dificuldades financeiras, de devolver ao Estado as verbas que usarem.  

O anúncio foi feito esta terça-feira no Parlamento pelo ministro da Agricultura e das Florestas, Luís Capoulas Santos, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar. Capoulas Santos fez questão de salientar que as autarquias irão ter verbas para auxiliar na limpeza de terrenos de famílias e idosos com problemas financeiros, uma reivindicação de muitas câmaras, que se questionavam sobre a falta de clareza da lei nestes casos.  

As verbas a utilizar pelos municípios sairão de uma linha de crédito com 50 milhões de euros. Nos casos em que se provar, através de documentação, que há, de facto, dificuldades financeiras comprovadas, a verba emprestada não precisará de ser devolvida.  Nos restantes, a verba terá de ser devolvida ao Estado com juros de mora, sendo que o prazo de devolução varia entre cinco e dez anos.  Desconhecem-se, porém, mais detalhes sobre esta medida, que estará a ser preparada para ser enviada para as autarquias.

Substituir 30% da carne nos hambúrgueres reduziria emissão de gases em 10,5 milhões de toneladas


O World Resources Institute anunciou que a substituição de 30% da carne utilizada nos hambúrgueres reduziria a emissão de gases de carbono em 10,5 milhões de toneladas, o que equivale à poluição produzida por 2,3 milhões de carros.
Substituir 30% da carne nos hambúrgueres reduziria emissão de gases em 10,5 milhões de toneladas

06 de março de 2018 às 00:18

"Se as pessoas comessem mais plantas do que carne, os benefícios em escala seriam exponenciais", segundo Richard Waite, chefe do laboratório de alimentos sustentáveis do World Resources Institute.

Segundo aquele responsável, poderiam ser também economizados vários milhões de litros de água e os campos dedicados à pecuária poderiam ser reduzidos.

O laboratório dirigido por Richard Waite incentiva restaurantes a incluir alimentos feitos inteiramente com plantas no menu, mesmo que os seus clientes não sejam vegetarianos. "Uma solução que redirecciona o consumidor de carne para plantas comestíveis pode ter um grande impacto ambiental, embora não seja uma mudança de 100%", afirmou o especialista.

Uma das principais cadeias de 'fast-food' norte-americanas defendeu que adicionar cogumelos à carne de milhões de hambúrgueres vendidos nos Estados Unidos poderia reduzir os gases com efeito estufa.

O novo produto foi bem aceite pelo paladar dos norte-americanos, que anualmente consomem 10 mil milhões de hambúrgueres de carne e, ao mesmo tempo, contribuem para melhorar o meio ambiente.

Limpeza das matas. Governo otimista e agricultores revoltados

06.03.2018 às 22h53

 
A nove dias dio fim do prazo dado pelo Governo ao particulares, para limparem os seus terrenos, há acusações de coação e queixas de que já há pessoas a darem as suas propriedades às juntas de freguesia


O Governo reiterou hoje o apelo à "maior limpeza possível" dos terrenos por parte dos proprietários privados e de entidades públicas, visando prevenir incêndios, mas admitiu que Portugal não vai ficar "limpinho de uma ponta à outra".

"Vamos limpar tudo o que pudermos. Não somos só nós [Estado], é também a Infraestruturas de Portugal, as Estradas de Portugal e os municípios, e vamos ter de fazer o máximo possível", disse o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

"Vamos ter de ir tão longe quanto possível, sempre com a consciência de que não vai ser como passar um 'clinex' [toalhete descartável] e o país fica limpinho de uma ponta à outra", acrescentou.

MINISTRO DIZ QUE O PAÍS ESTÁ MOBILIZADO

Segundo o governante, "o país está a ser mobilizado para esta tarefa", tentando evitar incêndios, depois de em junho e outubro do ano passado se terem registado pelo menos 116 mortes por fogos de origem florestal.

Estas declarações surgem numa altura em que entre os municípios não há uma opinião consensual quanto às obrigações que lhes são incumbidas, caso os privados não cumpram com a limpeza dos seus terrenos. Vários autarcas dizem não ter capacidade de resposta para executar o trabalho de limpeza que lhes será exigido a partir do dia 15 deste mês. "Nem mesmo contratando equipas de limpeza em Espanha, como já está a acontecer em algumas zonas do país", disse um presidente de câmara ao Expresso, que conhece vários casos desta natureza na zona interior do país.

De acordo com o presidente da CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal, já há proprietários de terras a oferecer as suas propriedades às juntas de freguesia, pois não querem ou não podem proceder à respetiva limpeza, conforme está a ser exigido.

Eduardo Oliveira e Sousa, disse na passada semana ao ministro da Agricultura, que todos temos de promover a limpeza das terras "mas não com uma 'pistola' apontada à cabeça", numa alusão ao ultimato transmitido aos portugueses através de uma carta enviada há cerca de uma semana pela Autoridade Tributária a todos os contribuintes.

Também a CNA - Confederação Nacional da Agricultura já reagiu à forma como o Governo está a implementar os trabalhos de limpeza das matas e florestas, dizendo que se trata de "um processo repressivo e contraproducente que o Ministério da Agricultura e o Governo estão a impor a pretexto da 'prevenção' de incêndios florestais. De uma só penada, fica assim posto em causa o direito de propriedade dos pequenos e médios Proprietários Rurais e é posta em causa a autonomia política e administrativa dos municípios".

ESTAMOS PERANTE UMA AÇÃO DE COAÇÃO PURA, DIZEM OS AGRICULTORES

Os responsáveis da CNA afirmam ainda, em comunicado, que, para além de estarmos perante uma ação de coacção pura e dura – mesmo na publicidade paga pelo Governo na comunicação social se termina dizendo que as multas aos proprietários que não cumpram são a dobrar – os folhetos e os vídeos publicitários do Ministério da Agricultura e do Governo "provocam as maiores confusões interpretativas e práticas por parte de milhares de pequenos e médios proprietários rústicos, tantas e tantas vezes já idosos e isolados nas suas aldeias e vilas rurais".

E nas aldeias do interior do país, estão "já a aparecer os 'espertos', por sua vez a pressionarem os proprietários e a oferecerem-se para as limpezas, cujos custos já encareceram bastante, e até a mostrarem o tal 'boneco' (panfleto) erróneo para melhor assediarem", conclui a CNA.

ICNF JÁ LIMPOU MIL QUILÓMETROS DE TERRENOS

Capoulas Santos precisou que, até segunda-feira, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) limpou "mil quilómetros" de terrenos.

A decorrer até 15 de março está o prazo para os proprietários limparem as áreas envolventes às casas isoladas, aldeias e estradas, ficando sujeitos a processos de contraordenação caso não o façam, com coimas que variam entre 280 e 120.000 euros.

Inserido no Orçamento do Estado para 2018, o Regime Excecional das Redes Secundárias de Faixas de Gestão de Combustível, que introduz alterações à lei de 2006 do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios, indica que até 15 de março "os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obrigados a proceder à gestão de combustível".

LIMPEZA OBRIGATÓRIA

Assim, os proprietários (públicos e privados) são obrigados a proceder à limpeza do mato numa largura não inferior a 50 metros à volta das casas, armazéns, oficinas, fábricas ou estaleiros e numa largura não inferior a 100 metros nos terrenos à volta das aldeias, parques de campismo, parques industriais, plataformas de logística e aterros sanitários, de acordo com informação disponibilizada pela Autoridade Tributária e Aduaneira, numa campanha para a prevenção de incêndios, em colaboração com o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

Nos terrenos à volta das aldeias, os proprietários têm ainda de limpar as copas das árvores quatro metros acima do solo e mantê-las afastadas pelo menos quatro metros umas das outras, bem como cortar todas as árvores e arbustos a menos de cinco metros das casas e impedir que os ramos cresçam sobre o telhado.

Caso não o façam, serão as câmaras municipais a assumir tal tarefa, até 31 de maio de 2018.

Falando na audição, Capoulas Santos notou que o executivo está a avançar com outras medidas de prevenção de incêndios, uma das quais será apresentada na sexta-feira e diz respeito ao programa de limpeza de matas do Estado, que incidirá sobre zonas prioritárias em 189 municípios.

VÊM AÍ AS CABRAS SAPADORAS

O Governo vai ainda investir em equipamentos de proteção, aumentar as equipas de sapadores florestais, apostar em cabras sapadoras e instar os municípios à criação de planos de defesa da floresta, precisou.

Ao todo, segundo Capoulas Santos, os apoios aos agricultores afetados pelos incêndios vão ascender a quase 90 milhões de euros, dos quais quase 70 milhões provêm do Orçamento do Estado, 15 milhões são suportados por fundos comunitários e cinco milhões são referentes à "solidariedade nacional", nomeadamente através do fundo de apoio à revitalização das áreas afetadas em Pedrógão Grande, REVITA.

Sogrape volta a comprar uma empresa de vinhos em Espanha

Seis anos depois da aquisição da LAN, a maior empresa portuguesa de vinhos reforça no país vizinho com a compra da Bodegas Aura, instalada na região espanhola que lidera na produção de vinhos brancos.

Sogrape volta a comprar uma empresa de vinhos em Espanha

Paulo Duarte
António  Larguesa António Larguesa alarguesa@negocios.pt

06 de março de 2018 às 18:06

A Sogrape acaba de comprar a Bodegas Aura à Pernod Ricard Winemakers Spain, reforçando a posição da maior empresa portuguesa de vinhos no país vizinho, onde em Março de 2012 tinha comprado a Bodegas LAN por cerca de 50 milhões de euros.

Sem detalhar os valores envolvidos na operação, anunciada esta terça-feira, 6 de Março, a Sogrape assume o "claro foco" na Península Ibérica e fala na aquisição da Aura, na localidade de Rueda, como "um passo natural para complementar o portefólio do grupo relativamente à origem Espanha", desenvolvendo a posição da LAN na denominação de origem líder nos vinhos brancos em Espanha.

Detendo um total de 40 hectares de vinhas velhas da casta verdelho, a Aura produz actualmente dois vinhos de "reconhecida qualidade" – o Aura Vendimia Nocturna e o Aura Selección Parcela Avutarda – numa adega com capacidade para 900 mil litros anuais, que a Sogrape apresenta como "a base de desenvolvimento de um projecto 'premium' nesta região" por parte desta empresa familiar com sede em Vila Nova de Gaia.

Sustentando que o reforço da operação em Espanha "foi sempre um objectivo" após ter definido uma estratégia de maior foco para aumentar a eficiência e o crescimento, o presidente executivo da Sogrape, Fernando da Cunha Guedes, assinala numa nota de imprensa que "ainda [quer] continuar a crescer, mas esta aquisição responde de forma directa à intenção de ganhar escala em Espanha, quer pelo aumento da oferta relativamente a esta origem, quer pelo reforço inevitável da distribuição neste mercado, em particular no canal on-trade".

Produção em cinco países

Com um volume de negócios de 215 milhões de euros em 2016, o último ano para o qual anunciou publicamente resultados, a empresa fundada em 1942 produz vinhos em Portugal, em Espanha, na Argentina (Finca Flichman), no Chile (Viña Los Boldos) e na Nova Zelândia (Framingham), que vende em mais de 120 países.

Com cerca de 35 marcas no portefólio, 50% das vendas da Sogrape são feitas com os vinhos Mateus, Casa Ferreirinha, Gazela, Sandeman (vinho do Porto) e LAN. Em termos consolidados, o maior mercado era o português, que valia 25% do total, seguido dos Estados Unidos, de Espanha e do Reino Unido.

Foi precisamente neste que é o segundo maior importador mundial de vinhos e o quarto mercado mais relevante para a empresa que a Sogrape decidiu investir em Abril de 2017 na área da distribuição. Como o Negócios noticiou em Abril de 2017, o grupo nortenho entrou no capital da Liberty Wines, uma das principais distribuidoras britânicas, através da compra de uma participação de 25%.

Mau tempo: Não haverá "pagamentos rápidos" por danos no Algarve, diz Governo


O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, disse esta terça-feira que "não é possível ter pagamentos rápidos" aos agricultores do Algarve que ficaram com explorações agrícolas afectadas pelo mau tempo por o período de candidaturas aos apoios ser "longo".



06 de março de 2018 às 22:08
Falando numa audição na comissão de Agricultura e Mar, o governante disse que "só depois de avaliadas, é que as candidaturas são pagas" e apontou que "não é possível ter pagamentos rápidos e períodos de candidatura longos".

Como em causa estão "prejuízos de grande dimensão", o responsável estimou um prazo de "três ou quatro semanas para candidaturas". "Até ao final da semana será feito um levantamento" dos danos, havendo depois um tempo de análise, indicou.

Segue-se, depois, a publicação da portaria que vai enquadrar tais apoios. "As regras têm de ser publicadas para não estarmos a violar as regras comunitárias. Se não desenharmos a área afectada, podemos ser obrigados a devolver o dinheiro", assinalou Capoulas Santos.

Na segunda-feira, o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, quantificou hoje em 15 o número de produções agrícolas destruídas pelo vento extremo que atingiu no domingo o Algarve, durante uma visita à zona afectada, em Olhão.

"Demos instruções à Direcção Regional de Agricultura do Algarve, que no terreno colocou três equipas para começar a fazer o levantamento, e até agora já foram sinalizadas 15 explorações com problemas, pomares arrancados e destruição de equipamentos e instalações, e até final desta semana irão estar mais equipas no terreno para fazer o levantamento total dos prejuízos", afirmou o governante.

Luís Medeiros Vieira falou aos jornalistas durante a visita a uma exploração de um hectare de framboesas localizada em Pechão, no concelho de Olhão, que ficou "totalmente destruída", sendo visíveis todas a estruturas de ferro das estufas retorcidas e os plásticos e plantas danificados, pouco tempo após do início da colheita.

O secretário de Estado adiantou que as explorações afectadas terão acesso a apoios para reposição do potencial produtivo, que o Governo "já disponibilizou quando ocorreram também os incêndios" do verão passado.

"É uma medida que está no programa de desenvolvimento rural 2020 e que permite apoiar os agricultores que tiveram problemas, nomeadamente com danificação de culturas plurianuais, como destruição de equipamentos e instalações, e os apoios são direccionados a fundo perdido para esses produtores", precisou.

Nos prejuízos até 5.000 euros, haverá um fundo perdido que os cobrirá na totalidade. Já entre 5.000 e 50 mil euros, a cobertura é de 85% e desce para 50% nos danos entre 50 mil e 800 mil euros.

"Vamos agora fazer o apuramento até final da semana, até aí estamos a trabalhar na portaria que vai fazer esse enquadramento e depois temos que ver, nestes concelhos, quais foram as freguesias exactas onde houve estes danos e quais foram as produções afectadas", adiantou Luís Medeiros Vieira, referindo-se aos municípios afectados, nomeadamente Olhão, Faro, Tavira, Castro Marim e Vila Real de Santo António.

Acusados de tráfico de pessoas para exploração na agricultura pedem absolvição


A defesa dos arguidos acusados de tráfico de pessoas para exploração laboral na agricultura, num processo que corre no Tribunal de Santarém, alegou hoje que a prova produzida em julgamento não configura a prática deste crime, pedindo absolvição.

Os vários mandatários dos arguidos, 12 pessoas e sete empresas, afirmaram hoje, na segunda sessão de alegações finais do julgamento iniciado em abril de 2017, que os depoimentos prestados em tribunal não permitem concluir nem que as alegadas vítimas estiveram privadas de liberdade nem que se encontravam em situação de especial vulnerabilidade, uma vez que estavam todas em situação legal, com vistos de trabalho.

Referiram igualmente que foram cumpridas todas as obrigações contratuais, rementendo para documentação que no seu entender prova o pagamento de salários, subsídios e horas extraordinárias, admitindo que tenham existido alguns atrasos, e sublinharam que muitos dos trabalhadores referenciados neste processo continuam no país.

Considerando "chocante" a acusação pela prática deste crime, os mandatários afirmaram que, para que ele ocorra, é preciso que existam situações como tratamento desumano, ausência de retribuição, condições insalubres, retenção de documentos, impedimento de acesso ao exterior, ameaças, agressão, o que alegaram não resultar dos depoimentos prestados em tribunal.

Num processo que viu cair, na fase instrutória, a acusação inicial de associação criminosa, o coletivo de juízas decidiu a 15 de dezembro, já depois de produzidas alegações finais, imputar aos principais arguidos a coautoria material não de um mas de 11 crimes de tráfico de pessoas e acrescentado a pena acessória de expulsão para os arguidos de nacionalidade israelita e nepalesa.

A presidente do coletivo, Raquel Matos Rolo, afirmou hoje que o que o Tribunal fez foi identificar 11 de entre as perto de um milhar de vítimas que constam na acusação, pelo que a alteração feita a 15 de dezembro e reiterada a 09 de janeiro foi "irrisória".

Os mandatários contestaram ainda o facto de, das 11 alegadas vítimas, apenas cinco terem sido ouvidas no tribunal, tendo nas restantes seis validado os depoimentos para memória futura prestados perante o juiz Carlos Alexandre, o que levou a advogada do cidadão israelita a criticar "a ligeireza" com que se alegou dificuldade em contactar estes trabalhadores.

O processo, em que são arguidos 12 pessoas e sete empresas (chegaram a ser 22 e 13, respetivamente) teve origem numa operação realizada no final de julho de 2015 pela Unidade Nacional Contra o Terrorismo da Polícia Judiciária e que começou com a detenção de oito pessoas numa empresa em Almeirim, que estiveram em prisão preventiva até novembro de 2016.

Nas alegações feitas em outubro e reiteradas hoje, o Ministério Público considerou que, ao longo do julgamento, ficaram provadas as acusações de ameaça e agressão a um trabalhador e de tráfico de seres humanos para exploração laboral na agricultura, pedindo que os arguidos fossem condenados por tantos crimes quanto as pessoas ofendidas.

A leitura do acórdão ficou marcado para a próxima terça-feira, dia 13.

Governo pede limpeza "máxima" mas admite que país "não vai ficar limpinho"


6 mar 2018 21:14

O Governo reiterou hoje o apelo à "maior limpeza possível" dos terrenos por parte dos proprietários privados e de entidades públicas, visando prevenir incêndios, mas admitiu que Portugal não vai ficar "limpinho de uma ponta à outra".
 Governo pede limpeza 

"Vamos limpar tudo o que pudermos. Não somos só nós [Estado], é também a Infraestruturas de Portugal, as Estradas de Portugal e os municípios, e vamos ter de fazer o máximo possível", disse o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, numa audição na comissão parlamentar de Agricultura e Mar.

"Vamos ter de ir tão longe quanto possível, sempre com a consciência de que não vai ser como passar um 'clinex' [toalhete descartável] e o país fica limpinho de uma ponta à outra", acrescentou.

Segundo o governante, "o país está a ser mobilizado para esta tarefa", tentando evitar incêndios, depois de em junho e outubro do ano passado se terem registado pelo menos 116 mortes por fogos de origem florestal.

Os fogos obrigaram também a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

Capoulas Santos precisou que, até segunda-feira, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) limpou "mil quilómetros" de terrenos.

A decorrer até 15 de março está o prazo para os proprietários limparem as áreas envolventes às casas isoladas, aldeias e estradas, ficando sujeitos a processos de contraordenação caso não o façam, com coimas que variam entre 280 e 120.000 euros.

Inserido no Orçamento do Estado para 2018, o Regime Excecional das Redes Secundárias de Faixas de Gestão de Combustível, que introduz alterações à lei de 2006 do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios, indica que até 15 de março "os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obrigados a proceder à gestão de combustível".

Assim, os proprietários (públicos e privados) são obrigados a proceder à limpeza do mato numa largura não inferior a 50 metros à volta das casas, armazéns, oficinas, fábricas ou estaleiros e numa largura não inferior a 100 metros nos terrenos à volta das aldeias, parques de campismo, parques industriais, plataformas de logística e aterros sanitários, de acordo com informação disponibilizada pela Autoridade Tributária e Aduaneira, numa campanha para a prevenção de incêndios, em colaboração com o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

Nos terrenos à volta das aldeias, os proprietários têm ainda de limpar as copas das árvores quatro metros acima do solo e mantê-las afastadas pelo menos quatro metros umas das outras, bem como cortar todas as árvores e arbustos a menos de cinco metros das casas e impedir que os ramos cresçam sobre o telhado.

Caso não o façam, serão as câmaras municipais a assumir tal tarefa, até 31 de maio de 2018.

Falando na audição, Capoulas Santos notou que o executivo está a avançar com outras medidas de prevenção de incêndios, uma das quais será apresentada na sexta-feira e diz respeito ao programa de limpeza de matas do Estado, que incidirá sobre zonas prioritárias em 189 municípios.

O Governo vai ainda investir em equipamentos de proteção, aumentar as equipas de sapadores florestais, apostar em cabras sapadoras e instar os municípios à criação de planos de defesa da floresta, precisou.

Ao todo, segundo Capoulas Santos, os apoios aos agricultores afetados pelos incêndios vão ascender a quase 90 milhões de euros, dos quais quase 70 milhões provêm do Orçamento do Estado, 15 milhões são suportados por fundos comunitários e cinco milhões são referentes à "solidariedade nacional", nomeadamente através do fundo de apoio à revitalização das áreas afetadas em Pedrógão Grande, REVITA.

ANE (SYSM) // ARA

Lusa/Fim