quarta-feira, 6 de junho de 2018

“O agricultor do futuro vai ter que saber de tecnologia”


04.06.2018 às 16h52
 
Carlos Moedas e Paulo Macedo manifestaram confiança no destino da agricultura no Alentejo

"Alqueva é toda a minha vida, era o projeto que nunca ia acontecer mas que nós sabíamos que ia mudar as nossas vidas." E mudou. Ou pelo menos é como o comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, Carlos Moedas, recordou o longo processo de implementação e construção da barragem que está a provocar uma verdadeira revolução no Alentejo, a acreditar nos sentimentos ecoados ao longo de uma conferência onde o processo de modernização da agricultura esteve em discussão em pleno centro da região.

Foi Beja que recebeu o novo Encontro Fora da Caixa, com a XVI edição do projeto da Caixa Geral de Depósitos (a que o Expresso se associa) a ser dedicada ao tema "O sucesso de Alqueva na inovação e desenvolvimento regional", com espaço para um "encontro com mais de 400 empresários" e mesmo para "fechar alguns negócios", confessou o presidente-executivo da CGD, Paulo Macedo. E para que nenhum dos convidados se furtasse a palavras fortes: "Todo o futuro deste sector no Alentejo está neste momento a começar. Será enorme, acho que muitos de nós não conseguem sequer imaginar", garantiu, por exemplo, o gerente da Olinorte em Portugal, Luís Rosado.

Novas mentalidades 
Até à sua inauguração, em 2004, a barragem passou por inúmeros avanços, recuos e dúvidas que não se imaginava que tanta espera viesse a dar resultados. Mas os mais de €12 mil milhões em valor bruto de produção que poderão ser atingidos até 2025, de acordo com dados da Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA), superam todas as expectativas, com a certeza de que vamos "continuar a assistir a muitos recordes", seja "no olival, na fruta ou no amendoal", acredita o CEO da EDIA, José Pedro Salema.

O administrador-executivo da CGD, José João Guilherme, lembrou que, numa altura em que "o país estava em crise", o projeto de Alqueva foi importante, "como forma de atração ao investimento", sobretudo do país vizinho. Só que, ao contrário do que aconteceu noutras fases, as linhas de financiamento privilegiam agora projetos de valor acrescentado, até porque "as mentalidades são muito diferentes." É uma nova geração que quer deixar a sua marca e levou Carlos Moedas a confessar "uma emoção muito especial" perante o trabalho que tem vindo a testemunhar nas suas visitas à região que o viu nascer.

É o caso de Carolina Silvestre Ferreira, administradora-executiva do Grupo Vale da Rosa e a representar a terceira geração da família. Como uma das responsáveis por um "dos principais empregadores do Baixo Alentejo", defendeu que um dos segredos para o sucesso da empresa é estar constantemente à procura "das melhores uvas" e dos melhores métodos para as criar, num processo onde a inovação e a tecnologia têm um peso muito importante. "Não pode ser só a combinação do solo, da terra e da água, é também das pessoas e das tecnologias", realçou Luís Folque. O administrador-executivo da Sovena — segundo maior grupo do sector do azeite a nível mundial — revelou que a zona de regadio de Alqueva "representa 50% da área de azeite produzido" pela empresa, pelo que é "uma pedra basilar" para a sua estratégia e um dos responsáveis pelo "boom tecnológico que se tem vivido".

Atualmente a regar 120 mil hectares, a barragem de Alqueva já tem "50 mil hectares com projetos assegurados para expansão", contou José Pedro Salema. Crescimento que o Governo espera ver concluído até 2022 e que vai permitir um aumento de área de 40%. O CEO quer "dar condições aos verdadeiros heróis de Alqueva, os empreendedores" e olha para o plano em curso como prova de que este projeto tem todas as condições para "poder ser replicado noutras zonas do país." Com renovação cíclica porque o "que se fez nos primeiros regadios vai-se reconverter " com os novos processos, na opinião de Luís Rosado.

Inteligência artificial 
Carlos Moedas não tem dúvidas que "a profissão está a mudar e o agricultor do futuro vai ter que saber de tecnologia". A separação já se está a diluir para que a inovação ajude a combater os dois grandes desafios que o comissário europeu identifica como aqueles que mais podem afetar no futuro: o "crescimento populacional e o combate às alterações climáticas".

No programa Ciência e Inovação para 2021 estão reservados €10 mil milhões para desenvolvimento tecnológico na agricultura e o antigo secretário de Estado fez questão de manifestar a sua crença na capacidade de o Alentejo se converter num "segundo Food Valley", a região holandesa de produção agrícola intensiva que faz do país o segundo maior exportador mundial do sector. Algumas apostas cirúrgicas em tecnologia de ponta podem ser decisivas, a começar pelo big data, "uma das chaves do futuro para Alqueva", com a utilização de dados para tornar a produção mais eficaz. Por outro lado, surge uma pergunta: como rastreamos rapidamente os produtos que comemos? "Com recurso à tecnologia blockchain para estabelecer uma relação de confiança." É outra das ferramentas que pode ser aplicada na região, a que Carlos Moedas junta a inteligência artificial, mas essa, "vai-nos levar a caminhos que ainda nem conhecemos."

ALENTEJO NO CENTRO DO DESENVOLVIMENTO
A região que durante tantas gerações esperou por Alqueva para cumprir o seu potencial agrícola já sente os efeitos da mudança. Mas "mais do que uma barragem ou um sistema de irrigação, é preciso saber gerir estes instrumentos." Palavras de José Félix Ribeiro que já é um habitué destas sessões dos Encontros Fora da Caixa e que, em Beja, dedicou a sua intervenção ao "Alentejo, Terra de Modernidade." Para o economista, é inegável que a estrutura hídrica está a provocar "uma gigante transformação", que ganha ainda mais destaque quando o "projeto antigo" foi concluído numa "altura de grandes alterações climáticas." Mesmo assim, a velha máxima das diferenças entre qualidade e quantidade deve ser observada na região, onde é preciso entender que "sem inovação para diferenciar não é possível competir." O professor pediu por isso uma maior sinergia entre as instituições de ensino e as empresas "para alavancar o conhecimento", e alertou: "O Alentejo foi grande quando esteve no centro das decisões que tornaram Portugal grande."

DISCURSO DIRETO
"O que este projeto fez para mudar as mentalidades do Baixo Alentejo é extraordinário. Esta nova geração é tão diferente da minha, para melhor"
Carlos Moedas
Comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação

"A barragem de Alqueva avançou muito rápido. Está a acontecer muito depressa, mas não nos assustamos com isso. Antecipámos dez anos o calendário inicial"
José Pedro Salema
CEO da EDIA

"Fazemos tudo para estar à altura. Urge agora cuidar da parte da infraestrutura para dar o salto e tornar o interior mais atrativo"
Carolina Silvestre Ferreira
Administradora-executiva do Grupo Vale da Rosa

"Foi este projeto que gerou esta transformação. Vale a pena materializar o crescimento da agricultura com a componente tecnológica"
Paulo Macedo
Presidente da comissão-executiva da Caixa Geral de Depósitos

Textos originalmente publicados no Expresso de 2 de junho de 2018

 Chineses já se reuniram com Bruxelas para impedir travão à OPA à EDP. Debate quinzenal: O mecanismo gripado. Faturas vão passar a ter QR Code que evita cedência do número de contribuinte
Chineses já se reuniram com Bruxelas para impedir travão à OPA à EDP. Debate quinzenal: O mecanismo gripado. Faturas vão passar a ter QR Code que evita cedência do número de contribuinte

Presidente realça "grande colaboração nacional" para melhorar fundos para a agricultura


Marcelo Rebelo de Sousa falava durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura

2018-06-02 17:01 / ALM com Lusa
O Presidente da República disse hoje, em Santarém, que há "uma grande colaboração nacional" para conseguir melhorar o quadro financeiro comunitário para o período 2021/2027, sobretudo no que respeita aos apoios para o desenvolvimento rural.

Marcelo Rebelo de Sousa falava durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura (FNA), que hoje inaugurou, realçando o "crescimento, a qualidade e a imaginação" patentes num certame que este ano celebra "aquilo que é um grande feito nacional e que é o papel do azeite".

O chefe de Estado afirmou que a sua visita ao que é considerado o maior certame dedicado à agricultura nacional acontece num momento em que o país está "a fazer muita força para garantir ainda a possibilidade de melhorar as condições em termos do quadro financeiro entre 2021 e 2027".

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou a "grande colaboração nacional, entre parceiros económicos e sociais, como é o caso da CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), o Governo, a oposição, tudo irmanado".

O Presidente destacou o facto de, "à partida", se saber já "uma coisa impressionante", que é a de que os agricultores vão receber, ao longo do pacote comunitário, até 2027, "mais de três vezes" o que receberam no atual, embora isso "signifique uma entrada por parte do Estado".

"É evidente que ainda estamos a lutar para conseguir melhores condições de apoio ao desenvolvimento rural em Bruxelas. Por isso, digo e repito, a luta continua, nesse bom sentido", declarou, realçando o "dinamismo na agricultura portuguesa" presente na Feira de Santarém e que "enche o coração".

Segundo a proposta apresentada sexta-feira em Bruxelas pela Comissão Europeia, Portugal vai receber menos dinheiro no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) no próximo quadro financeiro plurianual (QFP), estando prevista uma ligeira subida nos pagamentos diretos aos agricultores.


A Comissão Europeia propôs uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no QFP 2021-2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos e cortes no desenvolvimento rural.

A preços correntes, para o QFP 2021-2027, está prevista uma verba de 4,2 mil milhões de euros no primeiro pilar e de 3,4 no segundo.

No arranque da PAC 2014-2020, Portugal recebeu 4,1 mil milhões de euros no âmbito do primeiro pilar, dos pagamentos diretos aos agricultores, e 4,082 mil milhões no segundo pilar (desenvolvimento rural).

O Governo considerou esta proposta inicial da Comissão boa para os agricultores portugueses, sublinhando que ela contempla um reforço global de verbas da ordem dos 280 milhões de euros para o setor nacional no próximo Quadro Comunitário, mas frisou que é "má" para o Orçamento do Estado.

O Ministério da Agricultura vai bater-se por consolidar e, se possível, ampliar os ganhos no I Pilar (ajudas diretas) e tudo fará no sentido de reduzir o esforço financeiro nacional, mantendo o nível de apoio aos agricultores alcançado na proposta inicial", afirma um comunicado emitido sexta-feira.

O Presidente da República fez questão de prestar "homenagem" ao comissário europeu para a Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas – que participará na sexta-feira, no âmbito da FNA, numa conferência internacional sobre o futuro da Agricultura -, pelos "muitos milhões" de euros que vão chegar à agricultura portuguesa e europeia "pela via da investigação".

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a sua presença no evento que vai decorrer na sexta-feira, no qual participará igualmente o comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, é "muito justa", porque "está a pensar no futuro".


Questionado sobre o encontro que manteve esta semana com a chanceler alemã, o chefe de Estado apenas reforçou o facto de, no mesmo dia, Ângela Merkel ter ouvido o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o líder da oposição a terem "a mesma mensagem".

Isso é muito importante, porque quem ouve a mensagem percebe que há uma coesão nacional. Não é um discurso Governo contra oposição, oposição contra o Governo, Presidente da República diferente do Governo. Não. Estamos unidos", frisou.

"No mesmo barco". Marcelo exige combate a desigualdades territoriais

Carlos Santos Neves - RTP02 Jun, 2018, 16:56 

No mesmo barco. Marcelo exige combate a desigualdades territoriaisDurante a manhã, no Encontro Nacional de Associações Juvenis, a decorrer no Estoril, Marcelo Rebelo de Sousa havia apelado à preservação da meta de "mais igualdade e mais justiça" | José Sena Goulão - Lusa

O Presidente da República traçou este sábado como prioridade para a próxima legislatura o combate às desigualdades territoriais no país. Durante uma visita à Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou a "ilusão" de "pensar que uma parte do país podia avançar e o resto ficava para trás".

"Não pode haver vários portugais a várias velocidades dentro de Portugal. Não é possível. Não é possível porque, se isso continuasse para o futuro, que não vai continuar, atrasava o país todo", afirmou o Chefe de Estado.

"É uma ilusão pensar que havia uma parte do país que podia avançar e o resto ficava para trás. Isso não existe. Estamos no mesmo barco", reforçou Marcelo.

A "aposta" no combate às desigualdades territoriais, continuou o Presidente, recai no próximo quadro comunitário, a vigorar de 2021 a 2021. "Mas começa já".

"Eu até digo mais: a legislatura que começa para o ano e vai até 2023 é essencial para se perceber se conseguimos ou não reduzir as desigualdades que existem em termos territoriais no nosso continente. Temos de reduzir. E já não falo, obviamente, também nas regiões autónomas", frisou.

Durante a manhã, no Encontro Nacional de Associações Juvenis, a decorrer no Estoril, Marcelo Rebelo de Sousa havia apelado à preservação da meta de "mais igualdade e mais justiça", referindo-se já então a "vários portugais que são esquecidos".

"Nós não precisamos de esperar por tragédias para nos lembrarmos desses portugais. Devemos antecipar, prevenir, para não ter de remediar", sustentou.
Corte na PAC "não faz sentido"

Nas declarações que fez aos jornalistas, o Presidente da República condenou ainda o corte aplicado por Bruxelas aos fundos para agricultura portuguesa entre 2021 e 2027.

"Estamos a lutar contra esse corte cego. Não pode ser, não faz sentido. Estamos unidos, vários países europeus. No próprio Parlamento Europeu já passou uma recomendação contra esse corte cego, que, como tudo o que é cego, não é inteligente", vincou Marcelo.
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"Há, digamos assim, uma espécie de compensação: o Governo ter dito - só se pode comprometer até às eleições – que até 2019, enquanto for Governo, compensa com um fundo do Orçamento do Estado. Mas não chega", sublinhou o Presidente. 

"Como se diria noutros tempos e noutras circunstâncias, a luta continua para conseguirmos na União Europeia muito mais do que aquilo que foi dado", rematou.

No próximo Quadro Financeiro Plurianual, Portugal terá menos verbas disponíveis ao abrigo da Política Agrícola Comum (PAC).

A proposta da Comissão Europeia estabelece uma verba de aproximadamente 7,6 mil milhões de euros, a preços correntes. Ou seja, aquém dos 8,1 mil milhões inscritos no anterior orçamento. Verifica-se um ligeiro aumento nos pagamentos diretos, a par de cortes no desenvolvimento rural.

c/ Lusa

Bloco e PCP juntam-se contra a aprovação dos fundos para a PAC


Catarina Martins apela ao "veto" e Jerónimo de Sousa quer mais do que uma "voz grossa"


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O corte nos fundos comunitários para a Política Agrícola Comum (PAC) da União Europeia não deixam os parceiros do governo tranquilos. Catarina Martins e Jerónimo de Sousa aproveitaram as visitas ao Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) para manifestar as suas preocupações.

Para Jerónimo, este orçamento "revela uma contradição" e por isso o PCP considera "que é inaceitável". "Todos os esforços vão ser poucos para alterar o que é o objetivo das instituições europeias", frisou o secretário-geral dos comunistas acrescentando que "é preciso muito mais do que voz grossa", numa referência às declarações de Nuno Melo, eurodeputado do CDS, que disse esta semana ao SOL que, a Portugal, "falta a tal voz grossa que António Costa disse que teria se fosse primeiro-ministro e, manifestamente, não tem".

Para Catarina Martins, a solução passa pelo veto de Portugal à aprovação do Quadro Financeiro Plurianual (QFP). "Ou este orçamento é melhorado, faz algum sentido, ou, se não for, o Governo português pode vetá-lo em Conselho Europeu como qualquer outro Governo. Portugal não é mais nem menos que qualquer outro país, mas o que não podemos aceitar é que sejam constantemente feitas regras da União Europeia que beneficiam os grandes países e que prejudicam países como Portugal", disse a coordenadora do Bloco de Esquerda.

"É preciso argumentos, fundamentos e posicionamentos políticos que visem uma outra negociação e outras verbas que ajudem Portugal a desenvolver a sua produação nacional", reforçou Jerónimo que considera que a distribuição dos fundos europeus tem colocado Portugal no lado "dos países mais prejudicados",  lembrando o PAC que provocou a "liquidação de cerca de 400 mil unidades produtivas na agriculturas".


O descontentamento com o valor atribuído à agricultura portuguesa não é só dos parceiros. O próprio governo tem esperança que a proposta inicial do QFP seja alterada "para melhor". Quem o disse foi o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, na inauguração da 55.ª Feira Nacional da Agricultura. "Estamos perante uma proposta inicial que, quando chegar a conclusão da negociação, terá algumas diferenças e espero que, no caso português, sejam para melhor", afirmou o ministro.

Apesar de considerar a primeira proposta "curiosamente", "muito boa para os agricultores", Capoulas Santos destaca os prejuízos que traz para o Orçamento do Estado. Se por uma lado a dotação para os agriculturas aumenta em 279 milhões de euros, por outro aumenta também a parte de cofinanciamento dos Estados para o dobro – dos atuais 15% para 30% que eu euros significa uma passagem de 700 milhões para 1400 milhões de euros.
"No futuro queremos consolidar o que já ganhámos", acrescentou o ministro lembrando que Portugal é "um dos cinco Estados-membros em 27 que, nos pagamentos diretos, aumenta os apoios em cerca de 160 milhões de euros".

terça-feira, 5 de junho de 2018

Regras sagradas da agricultura biológica em risco




UE está a discutir as regras da agricultura biológica e há pressões para que passe a aceitar níveis mínimos de pesticidas

Daqui a dois anos e meio, muita coisa pode mudar nas regras a cumprir para obter a certificação biológica, tal como as conhecemos, e a Agrobio - Associação Portuguesa de Agricultura Biológica está preocupada com a possibilidade de as instituições europeias banalizarem o rigor que até aqui caracterizou este tipo de produção, num gesto de cedência à pressão do mercado.

As mudanças decorrem da Nova Legislação da Agricultura Biológica agora aprovada na União Europeia. Até janeiro de 2021, as instituições comunitárias vão definir as regras para a implementação do novo quadro legislativo, mas, em Portugal, a Agrobio já analisou o que está em perspetiva e, apesar de reconhecer mérito a algumas inovações, teme por algum facilitismo que possa desacreditar este modo de produção aos olhos do consumidor.

Uma das alterações previstas estabelece que a União Europeia pode vir a aceitar níveis mínimos de contaminação por pesticidas, a partir de 2024. No entanto, continuará a não permitir a utilização de fertilizantes e pesticidas de síntese. Antes dessa data será feito um relatório para se saber se é de avançar ou não com a mudança, salvaguarda Jaime Ferreira, presidente da Agrobio.

"A nova legislação prevê a autorização do uso de um conjunto de substâncias coadjuvantes que são usadas, por exemplo, em pesticidas da agricultura convencional. Nós não concordamos com isso", comenta o dirigente associativo.

Outra preocupação apontada por Jaime Ferreira tem que ver com a possibilidade de cada Estado membro poder definir limites para a detenção de resíduos químicos, ou níveis de contaminação, nos produtos biológicos. "Teriam de ser limites iguais para todos os países, desde logo, porque, no caso da exportação, se um país como a Alemanha definir um nível baixo, outro país mais tolerante já não vai poder exportar para lá", observa.

Há ainda outra alteração que deixa a Agrobio desapontada e contra a qual vai lutar: a redução dos controlos obrigatórios. Atualmente, produtores, lojas ou indústrias são alvo das ações de controlo uma vez por ano. As novas regras admitem que esse procedimento seja feito apenas nos casos de entidades que tiverem risco associado. Caso contrário, será só de dois em dois anos.

Até janeiro de 2021, as instituições comunitárias vão definir as regras para a implementação de todo o novo quadro legislativo, mas a Agrobio espera que a federação do setor, a IFOAM, da qual faz parte, consiga atuar e travar as três grandes preocupações mencionadas.

O lado bom

Por outro lado, Jaime Ferreira reconhece que as novas disposições legais também têm aspetos positivos, como é o caso do reforço do conceito de "solo vivo", isto é, rejeita-se que as produções em substratos ou soluções aquosas, como a hidroponia, tenham direito à certificação biológica, porque "no solo existem muitas interações e características de alto valor, que se repercutem nos produtos, e que não existem numa produção artificial. Nos EUA, por exemplo, essas técnicas são aprovadas, mas não na Europa".

Há outra vantagem apontada: as espécies que se vão poder cultivar em agricultura biológica deixam de ser aquelas que estão apenas definidas por catálogo, a favor de uma maior diversidade. Passa também a ser reconhecida a importância deste tipo de produção na defesa do meio ambiente, com a autorização do uso de expressões nesse sentido, associadas ao produto.

No caso do uso dos fatores de produção, como sejam fertilizantes e pesticidas naturais, deverá haver uma maior exigência na sua homologação e terem uma rotulagem apropriada, para que o produtor possa escolher. Na mesma linha, será mais restrito o uso de aromas nos alimentos transformados, depois de se ter concluído que nem todos são benéficos.

A pensar nas crianças, vai haver uma maior clarificação quanto à suplementação dos alimentos infantis. Por outro lado, serão completamente banidos na agricultura bio os produtos com origem na nanotecnologia.

Em termos de produção, Jaime Ferreira destaca também como positiva a possibilidade de ser atri-buída a certificação de grupo, por exemplo, até a uma pequena aldeia, pela redução de custos inerente.

Já os pequenos vendedores de produtos biológicos, mas não produtores (com faturação até 20 mil euros/ano), como é o caso de alguns comerciantes em mercados biológicos, ficam dispensados da certificação como operador.

Apesar das mudanças identificadas pela Agrobio como favoráveis, Jaime Ferreira espera "um forte empenho das instituições europeias e dos Estados membros para travar o que de mais negativo se perspetiva na nova legislação, sob pena de prejudicarem o futuro da agricultura biológica na Europa".

Bayer prevê concluir a aquisição da Monsanto a 7 de junho

Em 2017, as duas empresas juntas empregavam aproximadamente 115 mil pessoas.


A Bayer prevê concluir a aquisição da Monsanto a 7 de junho, após receber todas as aprovações exigidas pelas autoridades reguladoras. "A aquisição da Monsanto é um marco estratégico para o fortalecimento do nosso portfólio de negócios líderes em saúde e nutrição. Duplicaremos o tamanho da área de negócio agrícola e criaremos um líder de inovação na agricultura, posicionando-nos para servirmos melhor os nossos clientes e aproveitar o potencial de crescimento a longo prazo no setor", disse Werner Baumann, presidente do Conselho de Administração da Bayer AG, em comunicado.

Recorde-se que,a Bayer anunciou em maio de 2016 a intenção de adquirir a Monsanto e assinou um contrato com a empresa norte-americana em setembro de 2016 no valor de 128 dólares por ação. Atualmente, tendo em conta as dividas pendentes da Monsanto em vigor a 28 de fevereiro de 2018, isso corresponde a um custo total de aproximadamente 63 mil milhões de dólares.

Em ligação com o abrangente processo de aprovação regulatória, a Bayer concordou com a alienação de negócios que geraram 2,2 mil milhões de euros em vendas em 2017 por um preço-base de compra consolidado de 7,6 mil milhões de euros. Incluindo a Monsanto, e tendo em consideração as vendas, os negócios de saúde e agricultura teriam sido praticamente iguais em tamanho em 2017, com vendas totais pro forma de cerca de 45 mil milhões de euros, incluindo as vendas combinadas da Crop Science, de cerca de 20 mil milhões de euros.

Em 2017, as duas empresas juntas empregavam aproximadamente 115 mil pessoas, incluindo as alienações.

O que é que os jovens preferem quando optam pela agricultura?


03.06.2018 às 15h45

Investem sobretudo nos produtos hortícolas e nos pequenos frutos, com destaque para as framboesas, mirtilos, amora e groselha. Os jovens investem principalmente na região Centro, mas também no Alentejo

A crise dos últimos anos empurrou muitos jovens para fora do país mas, muitos dos que não saíram, acabaram por optar pela agricultura.

Dados oficiais apurados pelo Ministério da Agricultura indicam que, entre os jovens que optaram pela lavoura, há uma opção clara pelos investimentos em hortícolas. Dos 2.914 projetos de financiamento aprovados até ao final do primeiro trimestre deste ano, ao abrigo do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020), 522 recaíram precisamente sobre a área da horticultura.

Logo a seguir vêm os projetos de investimento nos pequenos frutos (494), onde se incluem muitos dos frutos silvestres, onde agora Portugal começa a dar cartas, mesmo ao nível das exportações – com largo destaque para a framboesa, o mirtilo, a amora e a groselha. Basta referir que no ano passado 90% da produção de mirtilos e framboesas da região Centro seguiu para o estrangeiro.

767 MILHÕES DE EUROS JÁ APROVADOS
Curiosamente, quase tão procurada como a área dos pequenos frutos está a ser a da pecuária, para onde foram encaminhados 493 projetos de investimento. Recorde-se que, apesar das 'guerras' de preços – entre a produção e a distribuição – Portugal continua a ser um país altamente deficitário neste domínio, pelo que continua a haver espaço para crescer, embora em concorrência aberta com alguns dos principais produtores europeus.

Com 480 projetos para novos investimentos está a área designada por 'Pomar', onde se inclui sobretudo a produção de pera, maçã e laranja.

Os projetos dos jovens agricultores estão a desenvolver-se maioritariamente no Continente (62%), com os restantes 38% nas ilhas. Os homens dominam nesta incursão pelo investimento agrícola em todas as regiões do país. Apesar de tudo, é na zona Norte que as mulheres empresárias marcam mais posição, com 40% do total dos investimentos.

Dos 767 milhões já encaminhados para projetos de jovens agricultores, é a região Centro do país que se mostra mais dinâmica, pois acolheu 36% daquele valor. Segue-se o Alentejo, com 30% e o Norte, com 27%.

domingo, 3 de junho de 2018

"Nunca se investiu tanto na agricultura como agora", diz Capoulas Santos

02.06.2018 às 16h32


O ministro da Agricultura diz que tem em cima da mesa 44.743 intenções de investimento em projetos agrícolas. Alguns já estão aprovados, outros em apreciação. Portugal tem a 3ª melhor taxa de execução no sector em toda a União Europeia
Vítor Andrade
VÍTOR ANDRADE
Há 44.743 intenções de investimento em projetos agrícolas em Portugal, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural, que termina em 2020.

Os dados, adiantados ao Expresso pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, revelam ainda que estão já aprovados 18.932 projetos, a que correspondem 2,9 mil milhões de euros de investimento, dos quais 1,37 mil milhões em forma de subsídio por parte do Estado.

Dos 4,1 mil milhões de euros orçamentados para o PDR 2020, no final do primeiro trimestre estavam executados ou já comprometidos 3,1 mil milhões. Uma taxa de execução de 76,3%, que coloca Portugal no terceiro lugar da União Europeia, logo a seguir à Irlanda e à Finlândia, que lidera. "Penso que nunca se investiu tanto no sector da agricultura como agora", sublinha o ministro.

Estes dados surgem um dia depois de ter sido conhecida a proposta da Comissão Europeia para a próxima vaga de subsídios à agricultura. Mas a notícia não é boa para Portugal, que deverá ficar a perder cerca de 500 milhões de euros, em comparação com o último Quadro Comunitário de Apoio.

Bruxelas propõe uma 'fatia' de €7,6 mil milhões para Portugal, para o período 2021/27, contra €8,1 mil milhões (do quadro de apoios ainda em curso).

Segue-se agora um período de negociação entre a Comissão Europeia e os vários Estados-membros que o ministro da Agricultura classifica como "longo, duro e penoso", e que se prolongará praticamente até final de 2020, sendo que até maio do próximo ano a parte orçamental da Política Agrícola Comum terá de ficar definida. Depois falta definir as regras para a sua aplicação.

Entretanto hoje é inaugurada em Santarém a 55ª edição da Feira Nacional da Agricultura, este ano com enfoque especial no sector do azeite, onde Portugal tem vindo sistematicamente a crescer na última década.

Amanhã começa o rodopio político na Feira, com os três os líderes partidários a visitar o certame: o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, pelas 10:00, seguindo-se a coordenadora do BE, Catarina Martins, às 16:00, e a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, às 18:00. O presidente do PSD, Rui Rio, deverá visitar Santarém na quinta-feira.

sábado, 2 de junho de 2018

Presidente da República inaugura hoje Feira da Agricultura em Santarém


O Presidente da República inaugura hoje, ao princípio da tarde, a 55.ª edição da Feira Nacional de Agricultura (FNA), que decorre em Santarém até dia 10, com o olival e o azeite em destaque e uma forte agenda política.

O chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, havia já anunciado que estaria presente naquele que é considerado o principal evento agrícola do país na abertura oficial e durante a conferência internacional que irá debater "Os Grandes Desafios para a Agricultura no Futuro", agendada para sexta-feira, dia 08.

Nesse encontro, que conta com a participação dos comissários europeus para a Agricultura, Phil Hogan, e para a Ciência, a Investigação e a Inovação, Carlos Moedas, está igualmente anunciada a presença do primeiro-ministro, António Costa, e a do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, que, na véspera, abre o Congresso Mundial sobre o Azeite.

Antes, já no domingo, dia 03, serão três os líderes partidários a visitar o certame, com o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, a chegar pelas 10:00, seguindo-se a coordenadora do BE, Catarina Martins, às 16:00, e a presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, às 18:00.

O presidente do PSD, Rui Rio, é igualmente esperado no certame na quinta-feira.

O tema em destaque nesta 55.ª edição da FNA terá o seu ponto alto na quinta e na sexta-feira, com a realização do Congresso Mundial sobre o Azeite, que integra, na sexta-feira de manhã, a conferência internacional sobre os desafios da agricultura no futuro, onde, segundo a organização, a questão do orçamento da União Europeia para o setor depois de 2020 não deixará de ser abordada.

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e do Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), que organiza o certame, justificou a escolha do tema desta 55.ª edição da FNA/65.ª Feira do Ribatejo pela "qualidade" e "impacto" da produção de azeite na economia do país.

Além do 'World Olive Oil Summit' (WOOS), do Congresso Nacional de Azeite e do Simpósio de Olivicultura, durante a feira está patente uma mostra de azeites premiados e exposições de pintura e fotografia alusivas ao tema, que estará igualmente em destaque no Salão Prazer de Provar.

Nesta área do certame, há um espaço dedicado ao azeite, com mostra de produtos e ações de cozinha ao vivo, com chefes a demonstrarem como usam este "tempero de qualidade superior".

O largo de acesso à entrada do CNEMA foi transformado num "olival", ajudando a conhecer os diferentes exemplares e os vários tipos de azeitona que se produzem.

Nos dias úteis do certame realizam-se as "Conversas de Agricultura", um programa de seminários e colóquios técnicos que irá mobilizar 6.000 pessoas, entre as quais representantes de associações de agricultores vindas de Espanha, França, Grécia, Itália e das instituições europeias e nacionais, especialistas do setor e dirigentes associativos.

À reflexão e debate sobre o setor, o certame junta a mostra da produção nacional, agrícola e pecuária, a gastronomia, os produtos regionais, a promoção e divulgação da maquinaria e equipamentos, dando a conhecer a tecnologia e a inovação nesta área, e ainda um programa de espetáculos e de exibições da cultura ribatejana ligada ao touro e ao cavalo.

Oliveira e Sousa afirmou que este ano o certame vai "puxar mais" pelas tradições ribatejanas associadas ao cavalo, levando as provas equestres para a "zona nobre, com um recinto próprio, com características em tudo semelhantes a um recinto olímpico".

No dia 09, decorrem as comemorações do centenário do Ministério da Agricultura, que incluem uma apresentação da Escola Portuguesa de Arte Equestre.

CDS. Verbas da PAC diminuem porque Costa não tem “voz grossa” na Europa

1/6/2018, 18:06

Para o vice-presidente do CDS-PP, a diminuição das verbas da Política Agrícola Comum (PAC) "é uma solução fortemente discriminatória de Portugal" por parte da Comissão Europeia.

O vice-presidente do CDS-PP, Nuno Melo, defendeu esta sexta-feira que a diminuição das verbas da Política Agrícola Comum (PAC) para Portugal demonstra "falta de voz grossa" na Europa por parte do primeiro-ministro, António Costa.

"Na PAC o que se está a passar com Portugal é a demonstração absoluta e grave da falta de voz grossa na Europa que o doutor António Costa dizia que teria se alguma vez fosse primeiro-ministro", defendeu o 'vice' centrista e eurodeputado Nuno Melo à agência Lusa.

A Comissão Europeia propôs esta sexta-feira uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no Quando Financeiro Plurianual (QFP) 2021-2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos e cortes no desenvolvimento rural.

"É uma solução fortemente discriminatória de Portugal. No plano global, tendo em conta a PAC e a política de coesão, Espanha, que é um país mais rico e desenvolvido do que Portugal, vai ter um aumento de verbas, o que é inaceitável e demonstra uma capacidade negocial e um poder de condicionamento de decisões em Bruxelas que Espanha tem e que Portugal não tem", acusa Nuno Melo. O eurodeputado do CDS-PP argumentou que "Portugal tem uma proximidade muito grande do financiamento do primeiro pilar e do segundo pilar, e por isso, um aumento de 4% no primeiro pilar e redução de 15% no segundo pilar implica o acentuar da divergência, em vez de uma solução que tentasse, como é obrigação comunitária, a convergência de Portugal com os outros países".

Nuno Melo acusou ainda o Governo de não ter investido nos últimos anos na sua comparticipação no segundo pilar, no Programa de Desenvolvimento Rural, "em que faltou dinheiro e se desperdiçaram recursos".

A preços correntes, para o QFP 2021-2027, está prevista uma verba de 4,2 mil milhões de euros no primeiro pilar e de 3,4 no segundo. No arranque da PAC 2014-2020, Portugal recebeu 4,1 mil milhões de euros no âmbito do primeiro pilar, dos pagamentos diretos aos agricultores, e 4,082 mil milhões no segundo pilar (desenvolvimento rural). A estas verbas acresce ainda um financiamento de 1,1 mil milhões destinada a medidas de mercado.

Na proposta apresentada, a Comissão Europeia propõe um corte global de 5% no orçamento da PAC para 2021-2027, face ao QFP vigente, a preços correntes e que pode ir até aos 12% se não se tiver em conta a inflação. "Com um orçamento de 365 mil milhões de euros, estas propostas asseguram que a PAC permanece uma política preparada para o futuro, continua a apoiar os agricultores e as comunidades rurais, lidera o desenvolvimento sustentável da agricultura europeia e reflete a ambição da UE em matéria de proteção do ambiente e de ação climática", segundo um comunicado de imprensa da Comissão Europeia.

Segundo a proposta de Bruxelas, os pagamentos diretos aos agricultores superiores a 60 mil euros terão reduções e serão limitados a 100 mil euros por exploração, sendo os custos laborais totalmente tidos em conta.

A nova PAC, que representa menos de 30% do plano de despesas de sete anos da União Europeia, prevê ainda que as pequenas e médias explorações receberam um maior apoio por hectare e que os Estados-membros tenham que reservar 2% da sua dotação para pagamentos diretos para ajudar à instalação dos jovens agricultores.

O quadro financeiro plurianual 2014-2020 atribuiu 38% do seu montante total à PAC para o financiamento de despesas relacionadas com os pagamentos diretos e os programas de desenvolvimento rural, as medidas de mercado.

Governo diz que proposta de orçamento da PAC é “boa” para agricultores e “má” para OE


A proposta do orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) vai exigir um esforço adicional de 763 milhões de euros, com o aumento da taxa de cofinanciamento de 15% para 30%.

O Governo defendeu esta sexta-feira que a proposta do orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) pós-2020 é "boa" para os agricultores nacionais e "má" para o Orçamento do Estado (OE).

"O Governo considera boa para os agricultores a proposta inicial de orçamento da futura Política Agrícola Comum apresentada pela Comissão Europeia. A proposta contempla um reforço global de verbas da ordem dos 280 milhões de euros para o setor nacional no próximo quadro comunitário", disse, em comunicado, o Ministério da Agricultura.


De acordo com o ministério, no primeiro pilar da PAC, que inclui os pagamentos diretos e as medidas de mercado, regista-se uma subida de 122 milhões de euros, em comparação com o atual orçamento, enquanto no segundo pilar, onde está o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), o ganho é de 157 milhões de euros.

No entanto, "no que respeita à contrapartida nacional, a taxa de cofinanciamento obrigatória para as medidas do segundo pilar passa de 15% para 30%, traduzindo-se num esforço adicional de 763 milhões de euros ao longo dos sete anos de implementação do novo programa, razão pela qual o Governo considera a proposta má para o Orçamento do Estado". O Ministério da Agricultura garante que "vai bater-se por consolidar e, se possível, ampliar os ganhos no primeiro pilar e tudo fará no sentido de reduzir o esforço financeiro nacional".

O Governo adianta que Portugal faz parte de um grupo, atualmente formado por seis países – Espanha, Finlândia, França, Grécia, Irlanda e Portugal -, que defende "uma posição negocial conjunta no Conselho de Ministros Europeus da Agricultura", com o objetivo de "melhorar" as propostas financeiras da Comissão.

Segundo uma proposta  apresentada em Bruxelas, Portugal vai receber menos dinheiro no âmbito da PAC no próximo quadro financeiro plurianual (QFP), estando prevista uma ligeira subida nos pagamentos diretos aos agricultores. A Comissão Europeia propôs uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no QFP 2021-2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos e cortes no desenvolvimento rural.

A preços correntes, para o QFP 2021-2027, está prevista uma verba de 4,2 mil milhões de euros no primeiro pilar e de 3,4 no segundo. No arranque da PAC 2014-2020, Portugal recebeu 4,1 mil milhões de euros no âmbito do primeiro pilar, dos pagamentos diretos aos agricultores, e 4,082 mil milhões no segundo pilar (desenvolvimento rural).

De acordo com a Comissão Europeia, a PAC pós 2020 será dotada, globalmente, com um orçamento de 365 mil milhões de euros, prevendo uma nova forma de trabalhar, uma distribuição mais justa dos apoios, maiores ambições no domínio do ambiente e utilização intensiva dos conhecimentos e da inovação.

Bruxelas tira 600 milhões do orçamento das zonas rurais de Portugal

Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, com o primeiro-ministro português, António Costa, em Lisboa, em outubro do ano passado  |  ARQUIVO REUTERS

Cortes no desenvolvimento rural ultrapassam os 15%.

Portugal não escapa aos cortes do orçamento com que Bruxelas se propõe a "modernizar e simplificar" a Política Agrícola Comum. A Comissão Europeia apresentou a proposta em que define os critérios para a distribuição do dinheiro europeu que vai destinar à agricultura no período de sete anos a partir de 2021.

O documento que já mereceu a oposição de seis governos europeus, entre os quais o de Portugal, propõe cortes que, em alguns casos, ultrapassam os 15%, encolhendo a verba que Bruxelas destina ao desenvolvimento das zonas rurais. Portugal deverá receber 3449 milhões de euros. No quadro financeiro que está em vigor, a Comissão tinha destinado 4058 milhões.

Se a "insatisfação" manifestada já pelos ministros da Agricultura de Portugal, Espanha, França, Finlândia, Irlanda e Grécia não for tida em conta no processo negocial que se inicia a partir de agora, Portugal arrisca-se a uma redução da ordem dos 600 milhões de euros, a preços correntes.

Pagamentos diretos

Na parte relativa aos pagamentos diretos, a proposta não prevê qualquer alteração ao critério atual, que vigora para Portugal. O país faz, aliás, parte de um grupo muito restrito, em que se incluem a "Eslováquia e a Roménia" que, segundo a proposta, não sofrem qualquer corte nas ajudas que são distribuídas aos agricultores, em função dos hectares de exploração.

Portugal vai até ter um ligeiro aumento do montante para os pagamentos diretos. Os 4% a mais, destinados a esta parcela, não são comparáveis ao aumento de 13 por cento que se destinam à Estónia, à Letónia e à Lituânia, mas permitirão a Portugal receber 4269 milhões de euros.

Bruxelas admite que o Estado membros possa "transferir até 15% das suas dotações para a PAC entre pagamentos diretos e desenvolvimento rural e vice-versa", consoante as necessidades estratégicas, definidas pelo governo.

A distribuição dos montantes destinados aos pagamentos diretos sofrem reduções graduais para explorações que acumulem pelo menos 60 mil euros de ajudas e serão limitadas ao máximo de 100 mil euros.

Cada Estado-Membro "terá de apresentar planos ecológicos" que serão em parte financiados "com as dotações dos pagamentos diretos nacionais". Pelo menos "30% de cada dotação nacional para o desenvolvimento rural será dedicada a medidas ambientais e climáticas", refere a proposta.

Bruxelas espera que "40 por cento do orçamento global da PAC contribua para a ações climáticas", permitindo que os Estados-Membros transfiram ainda outros 15 por cento das atribuições do primeiro pilar, para o segundo pilar, "para despesas com medidas relativas ao clima e ao ambiente". A verba resultante desta transfêrencia poderá ser usada no desenvolvimento rural "sem cofinanciamento nacional".

Ciência

O orçamento prevê um gasto global de "10 mil milhões de euros do programa de investigação Horizonte Europa", destinado a projetos de investigação e inovação nos domínios da "alimentação, agricultura, desenvolvimento rural e bioeconomia".

O objetivo seria "incentivar os Estados Membros a usar grandes dados e novas tecnologias para controlos e monitorização (por exemplo, verificando tamanhos das explorações para pedidos de pagamentos diretos usando dados de satélite), reduzindo assim significativamente a necessidade de controlos no local".

Em Bruxelas

Portugal integra aliança para exigir manutenção da ajuda aos agricultores europeus


Um grupo de seis Estados-membros da União Europeia, entre os quais Portugal, formou esta quinta-feira em Madrid um grupo de pressão para lutar pelo aumento das ajudas aos agricultores, recusando a diminuição proposta pela Comissão Europeia.

Portugal integra aliança para exigir manutenção da ajuda aos agricultores europeus

31 de maio de 2018 às 18:13

"A proposta da Comissão Europeia é uma má proposta", disse o ministro da Agricultura português, Luís Capoulas Santos (na foto), numa conferência de imprensa conjunta, na capital espanhola, ao lado dos congéneres de Espanha, França, Finlândia, Irlanda e Grécia.

O responsável português sublinhou a necessidade de "melhorar" a proposta de Bruxelas e defendeu que a aliança entre os seis Estados-membros vai permitir ter "uma posição forte para recuperar o orçamento".

Este grupo de países pretende que as ajudas previstas no próximo quadro comunitário, de 2021 até 2017, estejam ao mesmo nível das do período actual, que termina em 2020.

No "memorando" aprovado, os seis países "lamentam vivamente que a Comissão tenha proposto, para o futuro Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, uma redução do orçamento da PAC (Política Agrícola Comum) ".

Estes Estados-membros também "solicitam que o orçamento da PAC seja aumentado, de modo a regressar ao actual nível da UE-27, o que permitirá responder com êxito aos desafios económicos, ambientais, das alterações climáticas e sanitários no quadro dos dois pilares".

Capoulas Santos criticou o facto de, no projecto do executivo comunitário, o sector agrícola seja o principal a "pagar os custos do Brexit (saída do Reino Unido da UE)".

"Consideramos que o mínimo que é justo é ter um orçamento ao nível do actual", insistiu o ministro português em declarações à Lusa, reconhecendo que "vai ser uma luta difícil" de ganhar.

Em termos nacionais, Capoulas Santos considerou "positivo" Portugal ser um dos cinco Estados-membros da UE que vê aumentado (cerca de 4%) o seu envelope orçamental para "pagamentos directos", por hectare, aos seus agricultores (primeiro pilar da PAC), assim como o facto de Bruxelas atribuir agora uma maior capacidade aos Estados-membros para tomarem decisões internamente (subsidiariedade).

Mas Lisboa quer, no mínimo, "anular" o corte apresentado, na ordem dos 15% para todos os Estados-membros, nas políticas de Desenvolvimento Rural (segundo pilar da PAC).

Este grupo de seis países vai apresentar o memorando aprovado aos restantes Estados-membros do clube europeu, esperando que alguns deles se juntem nesta luta.

Moçambique deverá ser autossuficiente em milho na atual campanha agrícola


Moçambique deverá ser autossuficiente em milho na atual campanha agrícola, apesar das pragas e adversidades que a cultura enfrentou, anunciou hoje o ministro da Agricultura, Higino Marrule.

Os agricultores moçambicanos perderam 188 mil hectares de plantações devido a pestes e condições atmosféricas adversas no primeiro quadrimestre deste ano.

A área corresponde a 1,2% do total de áreas cultivadas previstas para a campanha 2017/18 no país, referiu o governante à margem de uma reunião do Conselho Coordenador da tutela, em Maputo, citado pela Agência de Informação de Moçambique (AIM).

A cultura mais afetada foi o milho, com 116 mil hectares perdidos, referiu o ministro, confiante, ainda assim, que o país será autossuficiente e prevendo até um aumento na produção de 27% em relação à última campanha, de 2,6 para 3,3 milhões de toneladas.

A maioria das famílias em Moçambique pratica agricultura de subsistência.

Para elas, as mudanças climáticas são uma ameaça séria, disse o ministro, contribuindo para a propagação de pragas e doenças.

"Devemos estar permanentemente preparados para a vigilância epidemiológica e para o controle de pragas e doenças, com especial atenção para as pragas que atacam as culturas que são cruciais para a segurança alimentar", referiu.

No que respeita à produção de culturas de rendimento, o algodão deverá registar o maior crescimento no país, na ordem de 53%, com uma produção estimada de 80 mil toneladas, em comparação com 52.000 toneladas no ano anterior.

Na produção de cana-de-açúcar, o aumento previsto é de 45%, passando de 2,9 milhões para 4,2 milhões de toneladas.

A produção de castanha de caju registou um declínio na comercialização, com 126 mil toneladas transacionadas, 8% menos que no ano anterior.

Um total de 32.600 toneladas de caju foram exportadas em bruto, enquanto a indústria moçambicana de processamento absorveu as outras 47.800 toneladas, acrescentou Higino Marrule.

O ministro deixou um alerta: a campanha agrícola de 2018/2019 acontecerá "num contexto de escassez de recursos, o que nos desafia a priorizar o planeamento voltado para ações que tenham impacto na produção".

Portugal num grupo de cinco países que vai exigir reforço do orçamento da PAC


30/5/2018, 20:38176

Os responsáveis pela agricultura de Portugal, Espanha, França, Finlândia, Irlanda e Grécia vão tentar chegar a acordo sobre uma "declaração comum em defesa de um financiamento adequado da PAC".

Os responsáveis pela agricultura de Portugal, Espanha, França, Finlândia, Irlanda e Grécia vão manifestar na quinta-feira em Madrid a sua "insatisfação" e defender o "reforço" do orçamento da União Europeia (UE) dedicado à agricultura.

"Vamos dizer que consideramos insuficiente e bater-nos pelo reforço do orçamento da PAC [Política Agrícola Comum]", disse esta quarta-feira o ministro da Agricultura português, Luís Capoulas Santos, à agência Lusa.


Segundo o Ministério da Agricultura espanhol, os seis países vão tentar chegar a acordo sobre uma "declaração comum em defesa de um financiamento adequado da PAC".

Capoulas Santos sublinha que o documento vai ter "posições comuns" para esses países terem uma "posição forte", no Conselho de Ministros da UE, em relação ao próximo orçamento da PAC, a partir de 2020, cuja negociação começa agora. Para o responsável governamental, "a questão fundamental" é mostrar à Comissão Europeia que estes Estados-membros estão "insatisfeitos" com a proposta apresentada, apesar de reconhecerem "aspetos positivos" na mesma. "Portugal quer consolidar o que está adquirido e tentar ir mais longe nas nossas reivindicações", disse o ministro da Agricultura.

Capoulas Santos considerou "positivo" Portugal ser um dos cinco Estados-membros da UE que vê aumentado (cerca de 4%) o seu envelope orçamental para "pagamentos diretos", por hectare, aos seus agricultores (primeiro pilar da PAC), assim como o facto de Bruxelas atribuir agora uma maior capacidade aos Estados-membros para tomarem decisões internamente (subsidiariedade).

Mas Lisboa quer, no mínimo, "anular" o corte apresentado, na ordem dos 15% para todos os Estados-membros, nas políticas de Desenvolvimento Rural (segundo pilar da PAC). "A posição de Portugal é que o saldo global seja igual à dotação anterior", defendeu Capoulas Santos.

Na reunião de Madrid vão estar os ministros da Agricultura de Espanha, Isabel García Tejerina, da França, Stéphane Travert, de Portugal, Luís Capoulas dos Santos, da Irlanda, Michael Creed, e o secretário de Estado da Finlândia, Jari Partanen, e o secretário da Agricultura da Grécia, Charalampos Kasimis.

A próxima reforma da PAC: o triunfo da tecnicidade


José Diogo Albuquerque

O ponto de partida é redutor, e ainda agora a festa começou. A experiência mostra que o Conselho tende a decidir por mais cortes. Garantir agora o que quer que seja é vender uma ilusão.

No fim desta semana a Comissão Europeia (CE) deverá aprovar as propostas para a nova Política Agrícola Comum (PAC) para o próximo quadro pós 2020. Tendo em conta a importância que os apoios da PAC têm na existência e modernização das explorações agrícolas, é normal que estas semanas que aí vêm sejam de particular atenção para os agricultores.

Têm estado em circulação projetos de texto ainda confidenciais. Mas, como confidencial em Bruxelas, significa amplamente divulgado, já é possível ter uma noção do que aí vem e comparar com reformas anteriores.

O primeiro elemento a considerar é o contexto em que se vão tomar decisões. Em linha com a reforma de 2013, e diferente das anteriores, é a conjuntura negocial. Vamos ter outra vez em simultâneo, a discussão da PAC e a discussão do Orçamento da União Europeia (UE). Ou seja, enquanto os ministros de Agricultura vão estar a discutir as medidas da PAC no Conselho de Ministros de Agricultura da UE, os primeiros-ministros estarão noutra instância a discutir o Orçamento da PAC e das outras políticas da UE. Os últimos decidirão o futuro dos primeiros.

A conjuntura da futura aplicação desta reforma também é semelhante à da reforma de 2013. Lá para 2021, ou provavelmente mais tarde, quem estiver no Governo terá de aplicar o primeiro pilar da PAC, em particular os pagamentos diretos (basicamente apoio ao rendimento), em simultâneo com o arranque do futuro Programa de Desenvolvimento Rural.

E também são semelhantes alguns elementos em conteúdo desta reforma, que são repetentes de reformas anteriores, como o famoso capping ou o teto máximo de ajudas que uma exploração pode receber, o pagamento redistributivo ou as majorações para jovens agricultores.

E a partir daqui começam as particularidades e as diferenças nesta reforma, algumas inéditas:

Primeiro, começa com menos dinheiro à partida. Desta vez, e ao contrário das vezes anteriores, a proposta da CE para o orçamento do próximo quadro 2021 a 2027 é de reduzir o orçamento da PAC. Enquanto no quadro anterior, o comissário Ciolios, conseguiu manter o orçamento da PAC, tendo em troca introduzido o ambiente no coração da Política através do greening, o atual comissário, teve de ceder a reduzir o orçamento da PAC, para responder às pressões orçamentais criadas pela saída do Reino Unido e pelo crescimento de novas políticas como a Juventude e a Investigação. O ponto de partida é redutor, e ainda agora a festa começou. A experiência mostra que o Conselho Europeu tende a decidir por mais cortes. Garantir agora o que quer que seja, e em particular aumentos, é vender uma ilusão aos agricultores.

Segundo, a componente ambiental voluntária (atual greening) passa a ser definida pelo Estado membro, e não pela UE. Ao contrário do que aconteceu na reforma de 2013, com a introdução do greening, em que se introduziram a nível da UE três medidas chave para incentivar a alternância de culturas, pousio, e áreas de interesse ecológico na exploração, agora há um "reenvio" da definição de medidas ambientais para cada país. A definição das medidas (antigo greening), passa agora a ser da responsabilidade de cada Estado membro, e a aprovação é feita pelos serviços da CE.

Este reenvio de responsabilidades para cada Estado membro, que alguns chamam de descentralização, e outros apelidam de renacionalização, é uma oportunidade ou uma ameaça para Portugal? Na verdade, é os dois. É uma oportunidade, porque cria o espaço para Portugal desenhar e propor à CE medidas mais adaptadas à sua realidade. A título de exemplo, Portugal poderia propor um apoio a baldios ou montados com presença manifesta de matos como elementos integrantes do ecossistema, algo que não é possível agora com a legislação Europeia.

Mas também é uma ameaça, porque a aprovação das medidas será feita pelos serviços da Comissão Europeia, e não pelo Conselho de Ministros da UE, muitas vezes longe da realidade da nossa agricultura. Basta, como já aconteceu no passado, ter um funcionário do norte de Europa que considere uma pastagem em regime extensivo com árvores uma floresta, para termos um problema. Ainda mais é ameaça se tivermos em conta que as obrigatoriedades ambientais para os restantes pagamentos vão aumentar (condicionalidade reforçada). Nestas condições, ganharão protagonismo as administrações nacionais e os serviços da Comissão Europeia, em detrimento do papel político dos ministros, do comissário e mesmo do Parlamento Europeu, ou seja, ganhará a tecnicidade.

Terceiro, inicia-se a fusão dos dois pilares da PAC. Essa fusão seria ótima se se transferisse a simplicidade do primeiro para o segundo, eliminando a complexidade deste último. Infelizmente o que se vai passar é o oposto. O primeiro pilar — que consiste em medidas da CE diretas aos agricultores, anuais, com financiamento comunitário a 100% — passará agora a ter um sistema de plano e aprovação da CE em conjunto com o processo de aprovação do Programa de Desenvolvimento Rural (segundo pilar). A realidade das avaliações ex-ante, indicadores, critérios de avaliação e monitorização, etc… chega assim às medidas mais simples.

Fazendo outra vez a mesma pergunta, isto é uma oportunidade ou uma ameaça? A resposta já se sabe e é clara. É uma ameaça. Por um lado, porque o processo de aprovação pela CE de um plano para os pagamentos diretos coloca em risco o início atempado do quadro. Os pagamentos diretos são anuais, o que não se gasta perde-se. Imagine-se o que pode custar um atraso. Por outro lado, porque os pagamentos diretos eram o refúgio das mudanças de política nacional. Agora com um sistema de programação e de gestão como o do Desenvolvimento Rural ficarão com certeza mais suscetíveis de mudanças e de imprevisibilidade.

Como é que Portugal se deve posicionar neste contexto? Na negociação da reforma, Portugal deve defender que a aplicação das regras de aprovação da CE se mantenha restringida o mais possíveis às medidas do Desenvolvimento Rural. Na futura aplicação da reforma, deve começar já ontem a prepará-la. O exemplo a seguir deve ser o do PDR 2020, aprovado em 2014 ainda antes do arranque do quadro em 2015, e em que Portugal foi o quarto Estado Membro a aprovar o programa, o que aliado a um programa de transição conseguiu uma execução excecional e atraiu muito investimento; o exemplo a não seguir é o do Proder, que foi o último programa da UE a ser aprovado.

A história também nos traz lições. Quando se criou a PAC com o Tratado de Roma, com a Europa a seis países, criou-se um fundo de apoios para a modernização da agricultura, muito a pensar em Itália, que tinha uma agricultura necessitada de infraestruturas e com um número elevado de pequenas explorações. No entanto, esses fundos necessitavam de uma máquina administrativa capaz de os aplicar, que Itália não tinha. A ironia foi que quem mais utilizou esses apoios foi a Holanda, que tinha uma administração muito mais organizada. Portugal já provou ser capaz das duas prestações, estar na primeira liga dos países da UE, ou estar no último. Se voltar a pertencer à primeira, poderá, eventualmente, conseguir uma política agrícola mais à nossa medida, se for a segunda, verá com certeza os fundos a passar pela janela.

PSD lembra Governo do acordo sobre fundos comunitários e pede ação


O PSD acusou hoje o Governo de baixar as expectativas e minimizar os cortes dos fundos comunitários, e, lembrando-o do acordo que celebrou com os sociais-democratas, pediu ação pelo reforço das verbas da coesão e agricultura.

"Perante a ameaça, o que diz e o que faz o Governo? Baixa as expectativas, minimiza ou desvaloriza a intensidade dos cortes, alimenta, ainda que de forma encapotada, um putativo conformismo", defendeu o deputado do PSD Luís Leite Ramos no parlamento.

Durante um debate potestativo do CDS-PP sobre "fundos europeus, coesão social e territorial", o PSD dirigiu propostas ao Governo, com quem celebrou um acordo sobre esta matéria com o executivo em abril.

No debate, o centrista Pedro Mota Soares, reiterou a proposta, em linha com o Parlamento Europeu, de um orçamento de 1,3% da riqueza gerada na União, acusando o Governo de ter "baixado a expectativa negocial", com 1,2%.

O PSD invocou o acordo celebrado entre o seu presidente, Rui Rio, e o primeiro-ministro, António Costa, para pedir ação ao Governo.

"É por isso mesmo que estamos aqui, para lembrar ao Governo que as palavras bonitas ou as declarações de circunstância não chegam. É preciso mais, é preciso agir, é preciso formular as propostas alternativas, encontrar as alianças e negociar os apoios necessários que permitam defender os interesses de Portugal", afirmou Leite Ramos, que disse não aceitar que o executivo português pareça "estar disponível para aceitar o poucochinho".

O PSD, que apresentou, por arrastamento da marcação do CDS, um projeto de resolução, recomenda ao Governo que defenda o "reforço do próximo quadro plurianual, sugerindo a contribuição dos estados membros para um mínimo de 1,2% do rendimento nacional bruto".

Além da procura de compromisso político entre os países que mais dependem da política de coesão, Leite Ramos sublinhou a defesa de "novas formas de aumentar receita comunitária sem penalizar os contribuintes".

As medidas apresentadas passam pela diminuição da taxa de retenção dos direitos aduaneiros, aumento das multas cobradas aos países que violam as regras da concorrência, a aplicação de taxas sobre as transações financeiras internacionais, a introdução de taxas sobre plataformas transnacionais do setor digital, passagem dos lucros do BCE para a União Europeia e a criação de uma percentagem sob a taxação do comércio das licenças de carbono.

Na parte inicial do debate, a questão dos impostos europeus surgiu logo na intervenção inicial do centrista Mota Soares e gerou uma troca de acusações com o PS, e também reparos mútuos entre PSD e CDS.

"O CDS tenta desafiar não só a ciência das finanças públicas, mas a matemática. Nunca diz de onde veem esses recursos, mas diz que as contribuições nacionais aumentam", afirmou o socialista Fernando Rocha Andrade.

Rocha Andrade disse que era do domínio da "matemática mais ou menos elementar" que os impostos têm de subir para aumentar os recursos, e disse não entender que o CDS não seja a favor da tributação de empresas transnacionais que competem com empresas nacionais.

Mota Soares respondeu que "governar não é só aumentar impostos" e que "só na cabeça de um socialista é que é possível este pensamento: para aumentar contribuições é preciso aumentar impostos".

O centrista acusou ainda Rocha Andrade de, enquanto secretário Estado dos Assuntos Fiscais, ter contribuído para uma "borla fiscal de 200 milhões de euros à EDP".

Na intervenção inicial, Mota Soares insistiu que "o Governo do PS preocupou-se mais em dar a Bruxelas a possibilidade de lançar impostos sobre os portugueses do que defender os interesses dos portugueses em Bruxelas", afirmou Mota Soares.

O PSD, através de António Costa Silva, questionou que o CDS não defenda "mais receitas para a União Europeia": "Qual é afinal o caminho que o CDS propõe? São precisas novas formas de financiamento".

Mota Soares respondeu que os sociais-democratas contemplam a criação de impostos europeus no seu projeto de resolução, reiterando a sua recusa, e defendendo que o orçamento deve ser financiado pela riqueza criada na União Europeia, numa fase de crescimento económico.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

PE rejeita cortes nos fundos da UE para pagamentos diretos a agricultores


Cada Estado-membro deverá estabelecer um "plano estratégico da PAC"

O Parlamento Europeu (PE) defendeu que os pagamentos diretos aos agricultores no âmbito da reforma da Política Agrícola Comum (PAC), que deverá ser apresentada na sexta-feira, devem continuar a ser assegurados por fundos europeus, rejeitando qualquer renacionalização.

Num relatório aprovado com 468 votos a favor, 123 contra e 89 abstenções, o PE adotou a sua posição sobre a proposta da Comissão Europeia para a reforma PAC pós 2020, prevista para sexta-feira.

O PE defende a manutenção da atual arquitetura de dois pilares (pagamentos diretos aos agricultores e desenvolvimento rural), sendo que "o primeiro pilar deve ser integralmente financiado por fundos europeus" e o segundo deve responder às necessidades específicas dos Estados-membros.

Os eurodeputados defendem que os Estados-membros devem beneficiar de um "nível razoável de flexibilidade no âmbito de um sólido quadro comum europeu de regras", mas rejeita qualquer possibilidade de renacionalização desta política, que "agravaria os desequilíbrios em termos de concorrência no mercado único".

"Com a sua atual estrutura, a PAC só pode realizar os seus objetivos se dispuser de financiamento suficiente", defendeu ainda o PE, apelando para que o orçamento da PAC seja "aumentado ou mantido em euros constantes no próximo quadro financeiro plurianual" (QFP), sendo que a estimativa aponta para um corte que pode ir até aos 15%.

O PE quer que o sistema atual de cálculo dos pagamentos diretos abrangidos pelo primeiro pilar, em especial nos Estados-membros em que o valor dos direitos ainda é calculado em parte com base em referências históricas, seja modernizado e substituído por um método de cálculo dos pagamentos a nível da UE, cujo elemento de base seja o apoio ao rendimento dos agricultores dentro de certos limites e que poderia aumentar proporcionalmente à contribuição para o fornecimento de bens públicos.

A assembleia europeia defende uma distribuição equitativa dos pagamentos diretos entre Estados-membros, que tenha em conta critérios objetivos, tais como "os montantes recebidos pelos países ao abrigo dos primeiro e segundo pilares e o facto de as condições naturais, o emprego, as circunstâncias socioeconómicas, os níveis gerais de vida, os custos de produção, em especial os custos da terra, e o poder de compra não serem os mesmos em toda a UE".

As regiões mediterrânicas da UE são mais vulneráveis ao impacto das alterações climáticas, tais como secas, incêndios e desertificação, pelo que os agricultores destas regiões necessitarão de envidar maiores esforços para adaptar a sua atividade às alterações das condições ambientais, notam os eurodeputados.

O PE considera que o orçamento do Programa de Opções Específicas relativas ao Afastamento e à Insularidade (POSEI) "deve ser mantido a níveis suficientes para fazer face aos problemas da agricultura nas regiões ultraperiféricas", tal como solicitado por diversas vezes pelos eurodeputados.

Devido às suas limitações específicas, o financiamento da PAC é de vital importância para estas regiões, nota o PE, alertando para que "qualquer redução teria um impacto muito prejudicial em muitos produtos agrícolas".

Os eurodeputados pedem ainda à Comissão Europeia que execute o pedido do PE de não utilizar quaisquer dos subsídios agrícolas para a criação de touros destinados às touradas.

No passado dia 02, o comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, garantiu que Portugal não sofrerá cortes nos pagamentos diretos aos agricultores, apesar da redução prevista nas verbas para a PAC, propostas no próximo orçamento plurianual.

Em 29 de novembro último, Hogan apresentou uma proposta de reforma da PAC que dá mais poderes aos Estados-membros num cenário de incerteza orçamental devido ao 'Brexit' e aposta na simplificação das regras.

Uma das diferenças propostas em relação à PAC em vigor é o abandono do princípio de que um modelo serve para todos, introduzindo flexibilidade nas opções dos Estados-membros para chegarem aos objetivos traçados.

Assim, cada Estado-membro deverá estabelecer um "plano estratégico da PAC", que abranja intervenções do primeiro (apoio à produção agrícola) e do segundo pilares (desenvolvimento rural).

Estes planos estratégicos terão de ser avaliados e aprovados por Bruxelas e permitem que as autoridades nacionais maximizem o contributo da PAC para as prioridades e os objetivos da UE e a concretização das suas metas, nomeadamente em matéria de clima e energia.

A apresentação das propostas legislativas pertinentes que aplicarão os objetivos delineados na comunicação está agendada para sexta-feira.

Restaurantes franceses obrigados a ter embalagens para levar sobras


Por SV - 29 Maio, 2018

Os deputados franceses aprovaram um projecto de lei que visa defender os consumidores e o ambiente, incluindo como medida a obrigatoriedade dos chamados "doggy-bags" nos restaurantes, ou seja, de recipientes apropriados para os clientes levarem os restos das refeições para casa.

Esta obrigatoriedade é para aplicar de forma progressiva a partir de 1 de Julho de 2021, e faz parte de uma política alargada contra o desperdício alimentar e em prol da protecção do ambiente e dos direitos dos consumidores.

A medida estava incluída num projecto de lei alargado para a agricultura e a alimentação que provocou "aceso debate" na Assembleia Nacional francesa, durante este fim-de-semana que passou, de acordo com o Le Monde.

Entre as propostas discutidas, os deputados rejeitaram interditar a supressão dos recipientes plásticos ou incluir um número mínimo de menus vegetarianos nas cantinas escolares. Mas, por outro lado, aprovaram a interdição do uso de água parada em garrafas de plástico, a partir de 2020, nos espaços de refeição dos estabelecimentos de ensino.

Os deputados franceses também recusaram incluir na Lei a proibição da publicidade em embalagens de produtos alimentares destinados às crianças com menos de 16 anos, e contendo elevados teores de gordura, açúcar ou sal.

Apesar dos apelos para a proibição de vários deputados, evidenciando o facto de em França, uma em cada seis crianças ter peso a mais, a medida foi chumbada para gáudio do ministro da Agricultura, Stéphane Travert, que era contra, apelando a uma melhor clarificação da proposta.

Igualmente chumbada foi a obrigação de os fabricantes de produtos alimentares incluírem uma etiqueta nutricional para ajudar os consumidores a identificarem os produtos mais saudáveis.

Por outro lado, os deputados determinaram a integração de cerca de 50% de produtos biológicos e orgânicos na restauração colectiva até 2022. Também votaram a favor do reforço da etiquetagem do vinho e de certos géneros alimentares, nomeadamente com a indicação do método de criação, da origem geográfica e dos tratamentos com produtos fitossanitários.

Outra medida aprovada visa a interdição do uso do termo "gratuito" e de sinónimos similares na promoção de produtos alimentares, em nome do "reconhecimento do trabalho dos agricultores" e de uma "partilha equitativa do valor, permitindo-lhes viver decentemente do seu trabalho", segundo refere o deputado Nicole Le Peih, que foi o autor da medida, em declarações divulgadas pelo Le Monde.

Aprovada foi ainda uma medida para permitir ao Governo enquadrar as promoções excessivas dos grandes distribuidores alimentares, para proibir a venda de produtos abaixo do preço pelo qual foram comprados aos fornecedores.

SV, ZAP //

Governo dos EUA autoriza Bayer a comprar a Monsanto mediante condições

29/5/2018, 20:54103

O Governo dos EUA autorizou esta terça-feira a Bayer a comprar a Monsanto, operação estimada em 57 mil milhões de euros, na condição de aquela empresa se desfazer da sua área agrícola.

O Governo dos EUA autorizou esta terça-feira a Bayer a comprar a Monsanto, operação estimada em 66 mil milhões de dólares (57 mil milhões de euros), na condição de aquela empresa se desfazer da sua área agrícola. O valor dos negócios desta área é de nove mil milhões de dólares, o que permitiu ao Departamento de Justiça assegurar que este é o maior acordo antimonopólio de desinvestimento alguma conseguido nos EUA.

Em resultado do acordo, a Bayer vai vender a parte do seu negócio agrícola à empresa química alemã BASF, por nove mil milhões de dólares, o que "vai resolver todas as preocupações de concorrência horizontal e vertical". Assim, a Bayer vai alienar os negócios de algodão, canola, soja e sementes de hortaliças, bem como o de herbicidas Bayer Liberty, que concorre diretamente com os pesticidas Roundup, da Monsanto.


O acordo obriga ainda a Bayer, que apresentou a sua primeira oferta para adquirir a Monsanto há dois anos, a desfazer-se de propriedade intelectual e projetos de investigação e desenvolvimento, além do seu incipiente negócio de agricultura digital. Tudo isto, para "assegurar que a BASF tem os mesmos incentivos de inovação, capacidade e dimensão que a Bayer teria como concorrente independente".

O acordo está agora pendente da aprovação da Justiça norte-americana.

O presidente da Bayer, Werner Baumann, afirmou esta terça-feira, em comunicado, que a farmacêutica alemã está em vias de se converter em "uma empresa líder da economia agrícola".

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Chuva e granizo destroem "a 100%" vinhas em Alijó


29 DE MAIO DE 2018 - 13:16

A chuva e a queda de granizo em Pinhão, no concelho de Alijó, destruíram por completo algumas vinhas.


A Câmara Municipal de Alijó está a fazer um levantamento dos estragos provocados pela queda de chuva e granizo, durante esta segunda-feira, na zona do Pinhão, em Alijó.

À TSF, Vítor Freire, vice-presidente da autarquia, confirma que "há áreas muitas afetadas, com perdas de 100% da produção deste ano".

A autarquia de Alijó fala em perdas de 100% em algumas vinhas
"Estamos também a identificar os caminhos agrícolas que estão em piores condições, de forma a tentar, já durante a tarde de hoje [terça-feira], com [recurso a] máquinas, permitir o acesso dos agricultores às suas propriedades e para ver se ainda é possível recuperar alguma parte da produção", esclareceu.

Perante os estragos, a Câmara Municipal de Alijó promete apoios aos agricultores.

"Tentaremos, principalmente junto dos pequenos agricultores, ajudar em tudo o que for possível, e tentar participar [a situação] às autoridades competentes", comprometeu-se Vítor Freire.

Os prejuízos estão a ser avaliados e a autarquia garante que irá apoiar os agricultores afetados
O vice-presidente da Câmara Municipal de Alijó adiantou ainda à TSF que a autarquia já reuniu com a direção regional da Agricultura, que já esteve no local para avaliar a "dimensão dos prejuízos".

Numa nota enviada à comunicação social, a Junta de Freguesia do Pinhão informa que há "prejuízos em estabelecimentos comerciais (...) e danos muito avultados nas vinhas envolventes à vila", afirmando a necessidade de "intervenções orçamentadas em cerca de 50 a 60 mil euros".

Esta segunda-feira, a queda intensa de chuva e granizo provocou inundações, derrocadas e deslizamentos de terra, que chegaram a cortar o trânsito em várias estradas em Alijó.

Septuagenário ficou preso debaixo de trator e escavou buraco para sair

Um homem de 72 anos ficou preso debaixo de um trator durante cerca de uma hora, esta terça-feira, na sequência de um capotamento, na localidade de Adães, em Chaves.

O septuagenário conseguiu libertar-se depois de escavar um buraco com as mãos e com a ajuda de um vizinho que apareceu, mais tarde, no local do acidente.

Segundo o comandante dos bombeiros de Vidago, Bruno Henriques, a vítima "estava a operar um trator agrícola que se despistou num desnível do terreno, tendo capotado".

"Fomos acionados, inicialmente para um trauma, mas quando chegamos ao local percebemos que envolvia um trator. O homem terá ficado preso debaixo do trator, mas conseguiu libertar-se", explicou.

Após ser avaliado e imobilizado no local, o homem foi transportado para o hospital de Chaves, com ferimentos considerados ligeiros.

O alerta para os bombeiros foi dado às 11.07 horas e no local estiveram dois operacionais dos bombeiros de Vidago e a GNR.

terça-feira, 29 de maio de 2018

Viticultores queixam-se de elevados prejuízos em Alijó e Sabrosa



Quinta de La Rosa, em Gouvães do Douro, Pinhão

Instituto dos Vinhos do Douro e Porto mobilizou para a região uma equipa de fiscalização para contabilizar as perdas na produção e o número de cultivadores afetados

Viticultores dos concelhos de Alijó e de Sabrosa, na região do Douro, queixaram-se esta terça-feira de elevados prejuízos na vinha provocados por "quase uma hora" de chuva intensa acompanhada de granizo.

Nestes concelhos do sul do distrito de Vila Real, a chuva forte chegou na segunda-feira acompanhada de granizo, deixando um cenário, em algumas vinhas, de folhas esfarrapadas, galhos quebrados e bagos no chão, muros caídos e deslizamentos de terras.

José Pinto, produtor de Vilarinho de Cotas, concelho de Alijó, estava na vinha quando começou a intempérie.

"Estão as uvas todas no chão e as hortas estão todas desfeitas", afirmou.

O agricultor descreveu o cenário como "desolador" e disse que as pedras de granizo eram pequenas, como "grãos de milho", mas "caíram forte e feio durante quase uma hora" e, por causa disso, o gelo ainda era visível esta terça-feira nos valados.

"Tenho 69 anos e nunca vi nada assim. Perdi mais de metade da produção", salientou.

O granizo que caiu feriu as videiras e os cachos, agora há que tratar das feridas com produtos para tentar que as feridas que ficaram abertas não prejudiquem mais a produção e a qualidade

Pedro Perry passou a manhã na vinha a fazer o tratamento às videiras para "tentar minimizar os prejuízos".

"O granizo que caiu feriu as videiras e os cachos, agora há que tratar das feridas com produtos para tentar que as feridas que ficaram abertas não prejudiquem mais a produção e a qualidade", referiu.

O presidente da União de Freguesia de Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas e Casal de Loivos, Faustino Moreira, fala "em catástrofe"
Este produtor, também de Vilarinho de Cotas, disse que ainda não calculou os prejuízos. "A minha preocupação agora é tratar e tentar minimizar os prejuízos, depois vamos ver", frisou.

O presidente da União de Freguesia de Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas e Casal de Loivos, Faustino Moreira, fala "em catástrofe" e produções "perdidas na totalidade em algumas vinhas".

"Estamos a ver os pontos piores. No geral, o granizo caiu em todo o lado, só que há pontos em que provocou mais prejuízos", explicou.

Em Gouvães, concelho de Sabrosa, António Pereira afirmou à agência Lusa que perdeu "cerca de 60% da produção" nos seus cinco hectares de vinha, onde já está a aplicar o tratamento das videiras.

O vice-presidente da Câmara de Alijó, Vítor Ferreira, disse que os serviços municipais estão espalhados pelo terreno a fazerem o levantamento dos prejuízos, referindo que a área mais atingida corresponde à União de Freguesia de Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas e Casal de Loivos, onde há zonas "que, efetivamente, a produção está completamente perdida.

"Estamos também a fazer o levantamento dos acessos às propriedades porque, nas primeiras 48 horas, é necessário fazer um tratamento à vinha. Há alguns acessos que estão bloqueados e estamos a tentar identificá-los para desbloquear e permitir que os agricultores acedam às propriedades", frisou.

Também o Ministério da Agricultura já esteve no terreno esta manhã a fazer uma primeira avaliação dos prejuízos e, através da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, emitiu um alerta aos produtores para começarem imediatamente a aplicar um tratamento para ajudar a cicatrizar as videiras, nomeadamente adubo foliar com elevada percentagem de cálcio.

A DRAPN salientou que o tratamento é "tanto mais eficaz quanto mais rapidamente for efetuado".

Por causa da intempérie de granizo e trovoadas, o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) mobilizou para a região uma equipa de fiscalização para contabilização das perdas na produção e número de viticultores afetados, não havendo, ainda, resultados desta verificação.

A intempérie provocou ainda inundações no Pinhão, no edifício da estação de caminhos-de-ferro, numa unidade hoteleira, dois estabelecimentos comerciais e arrastou lama para a principal avenida desta vila turística
O instituto referiu, em comunicado, que foram "contactados vários viticultores que confirmaram danos localizados, registando-se pontualmente elevados prejuízos em algumas parcelas de vinha, sendo mais abrangente o prejuízo provocado pela grande quantidade de água que causou queda de muros e deslize de terras".

A intempérie provocou ainda inundações no Pinhão, no edifício da estação de caminhos-de-ferro, numa unidade hoteleira, dois estabelecimentos comerciais e arrastou lama para a principal avenida desta vila turística.

As operações de limpeza, na segunda-feira à noite, envolveram cerca de 60 bombeiros das corporações do concelho de Alijó, Sabrosa, Armamar e Ervedosa do Douro (São João da Pesqueira).

Identificada mais uma vantagem da dieta mediterrânica: Protege contra a poluição do ar


VISÃO MAIS 28.05.2018 às 9h29

 
Um estudo recente descobriu que quem come mais fruta, vegetais e cereais integrais tem cinco vezes menos probabilidades de morrer por causa da poluição do ar, devido aos antioxidantes encontrados nestes alimentos
Nos últimos 17 anos, uma equipa de investigadores da Universidade de Nova Iorque estudou cerca de 550 mil adultos em seis estados e mais duas cidades dos EUA e chegou à conclusão de que uma dieta mediterrânica protege as pessoas contra os efeitos prejudiciais da poluição do ar. Aqueles que seguem uma alimentação rica em fruta, vegetais e cereais integrais têm menos cinco vezes de probabilidade de morrer de causas relacionadas com a poluição do ar - Os antioxidantes encontrados nestes alimentos contrariam o seu efeito no organismo.

"A adoção de uma dieta mediterrânea tem o potencial de reduzir os efeitos da poluição do ar numa parte substancial da população nos Estados Unidos", acredita George Thurston, o principal autor do estudo.

Para chegar a estes resultados, a amostra foi monitorizada e exposta, a longo prazo, a alguns tipos de poluição do ar, incluindo na forma de partículas (formam-se na atmosfera como resultado da reação química entre diferentes poluentes). Ao mesmo tempo, os investigadores tiveram em atenção o tipo de alimentação que cada um dos participantes seguia.

Aqueles que não tinham uma alimentação rica em frutas, vegetais e cereais integrais mostraram uma taxa de mortalidade por doenças cardíacas 10% mais elevada, por cada aumento de 10 partes por mil milhões na exposição a dióxido de nitrogénio (que resulta, por exemplo, dos motores de combustão ou incêndios). Na mesma situação, para os que seguiam a dieta mediterrânea, a taxa de mortalidade só subiu 2 por cento.

A taxa de mortalidade por doenças cardíacas também aumentou para 17% quando a exposição à poluição em forma de partículas aumentou 10 miligramas por metro cúbico. Para os seguidores deste tipo de alimentação, aumentou apenas 5 por cento.

"Estudos anteriores mostraram que mudanças na dieta, particularmente a adição de antioxidantes, podem atenuar os efeitos adversos da exposição a altos níveis de poluição do ar em curtos períodos de tempo", lembra Chris Lim, um dos investigadores. "O que não sabíamos era se a dieta podia influenciar a associação entre a exposição à poluição do ar a longo prazo e os efeitos na saúde", acrescenta.

Comissão Europeia propõe reutilização da água na agricultura


29 Maio, 2018

A Comissão Europeia apresentou novas regras para incentivar e facilitar a reutilização da água no sector agrícola.

As novas medidas "ajudarão os agricultores a fazerem o melhor uso possível das águas residuais não potáveis, atenuando a escassez de água e protegendo ao mesmo tempo o ambiente e os consumidores", revelou a Comissão.

São apontados requisitos mínimos para a reutilização das águas residuais tratadas provenientes de estações de tratamento de águas residuais urbanas, para que estas sejam seguras.

A reutilização da água na União Europeia "está actualmente muito abaixo do seu potencial, não obstante o facto de o impacto ambiental e a energia necessária para a extracção e o transporte de água doce ser muito mais elevado", assinala a Comissão, num Boletim Informativo enviado à Rádio Pax.

Governo insiste no esforço de prevenção para evitar tragédias

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje a necessidade de o país prosseguir o esforço de prevenção para evitar incêndios florestais de consequências trágicas, como em 2017.

 Governo insiste no esforço de prevenção para evitar tragédias
   
Para António Costa, importa que os portugueses, designadamente os proprietários, os habitantes das zonas rurais e as autarquias promovam "uma cultura de segurança" que seja "partilhada coletivamente".

O primeiro-ministro falava aos jornalistas, no concelho de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, no final de uma reunião com a Associação de Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande (AVIPG), presidida por Nádia Piazza, em que também participaram o ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, e os homólogos da Agricultura, Luís Capoulas Santos, e do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques.

Na sua opinião, é fundamental "levar para a frente" a reforma da floresta em Portugal, incluindo nos territórios do Centro e do Norte, que geralmente são os mais fustigados pelos fogos, como aconteceu com as tragédias de 17 de junho e 15 de outubro, em que morreram mais de 100 pessoas.

António Costa admitiu que, apesar do esforço do último inverno, ao nível da limpeza das faixas de gestão de combustível previstas na lei, "falta fazer muito" para melhorar a segurança das populações nas zonas de risco, designadamente para promover o ordenamento florestal e assegurar às pessoas condições para viverem nas localidades do interior de Portugal.

A reforma da floresta, sublinhou, deverá contribuir para que "estes territórios não sejam territórios pobres e possam valorizar" a produção florestal, a agricultura e a pecuária, entre outras atividades que venham a fixar as pessoas no mundo rural.

A reunião com a direção da AVIPG, a segunda desde a sua criação, na sequência do incêndio de meados de junho do ano passado, que atingiu vários municípios da região Centro, nos distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra, serviu para fazer um balanço do trabalho realizado pelos organismos do Estado junto das populações, mas também para "não deixar esquecer esta tragédia" e o sofrimento das vítimas e seus familiares, disse.

Importa "continuarmos a fazer o esforço para termos um novo paradigma" na floresta e na segurança das aldeias, com vista a "diminuir o risco" para pessoas e bens, afirmou António Costa.

No entanto, apesar de as forças de segurança "terem de cumprir" as suas obrigações, o objetivo do Governo não é aquelas "andarem a cobrar coimas".

É necessário "prosseguir esse trabalho" de limpeza das faixas florestais previstas na lei, mas "quanto mais fizermos" menor será o risco no futuro, salientou.

Para Nádia Pizza, "é preciso agora que as comunidades deem o seu contributo" com esse objetivo.

A presidente da AVIPG, com sede na antiga escola primária de Figueira, freguesia da Graça, frisou que a reconstrução dos territórios devastados há 11 meses pelo fogo passa por fixar as pessoas, criando condições para atividades ligadas à agricultura e pecuária.