terça-feira, 4 de setembro de 2018

Empresários e produtores reivindicam nova máquina de raio x no Aeroporto



24 Ago 2018

Secretaria da Agricultura promete intervir junto do operador para resolver o problema.


A falta de uma máquina de raio x no Aeroporto da Madeira que possibilite trabalhar com 'paletes' inteiras obriga aos produtores e empresários a trabalharem com estruturas de menores dimensões com custos acrescidos e é uma situação que está a ser monitorizada pelo Governo Regional através da Secretaria da Agricultura e Pescas.

"É preciso uma máquina de raio x que viabilize a passagem de paletas inteiras, evitando trabalho e custos extraordinários. Vamos abordar essa situação junto do operador do Aeroporto, garante Humberto Vasconcelos.

O secretário com a tutela da Agricultura na Madeira diz que o aumento da exportação dos produtos regionais é uma prioridade do Governo que, com esse intuito, assinou ontem um protocolo com o Consórcio Mais, detentor do avião cargueiro, para promoção das culturas madeirenses.

Drone em Montemor-o-Velho no combate à vespa velutina

Vespa-asiática

31 Agosto 2018 às 17:15

A disseminação da vespa velutina tem aumentado na região Centro e as autoridades tentam novos métodos de combate, como o drone que a Câmara de Montemor-o-Velho utiliza para uma destruição mais eficaz dos ninhos.

O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, disse à agência Lusa que se tem verificado "um aumento substancial" do número de pedidos para extermínio das colónias daquele inseto de origem asiática.

Conheça a vespa "assassina" que ameaça Portugal.

No âmbito de "um projeto com mais de um ano", numa parceria com a Associação de Modelismo do Centro de Portugal (AMCP), a Proteção Civil local registou "dois ensaios bem-sucedidos" de destruição com auxílio de um drone, tarefa em que pode igualmente ser usada uma pistola de "paintball" para aplicar o veneno.

Emílio Torrão salientou que os sapadores florestais "destruíram mais de 200 ninhos" desde que a vespa velutina começou a ser vista neste e noutros concelhos do Baixo Mondego, por volta de 2016.

Tem sido usada sobretudo "uma vareta de vários metros" para injetar o inseticida no vespeiro, instrumento que, afinal, é "uma cana de pesca convertida em seringa".

O mesmo sistema foi adotado esta semana pelos Bombeiros Sapadores de Coimbra (BSC), que conseguiram eliminar sete ninhos logo no primeiro teste, realizado na quarta-feira.

O comandante dos BSC, Paulo Palrilha, realçou à Lusa a vantagem desta solução, que passa pela colocação de uma substância química que é fatal para as vespas.

Até agora, as equipas da companhia incineraram os ninhos com ajuda de um maçarico. Só que os animais que ficam no exterior fundam geralmente novas comunidades, acabando por multiplicar a sua proliferação.

Em apenas oito meses já foram destruídos 120 ninhos

Em 2017, os sapadores de Coimbra eliminaram 150 ninhos de vespa velutina, enquanto este ano, em apenas oito meses, já foram destruídos 120, segundo o comandante.

"Temos notado este ano, com o calor, que há um crescimento exponencial do número de ninhos", adiantou. Em média, "eram queimados dois ou três", mas o recurso à cana de pesca adaptada permitirá mais do que duplicar esse resultado.

Quarenta e oito horas após a aplicação do veneno em sete ninhos, no concelho de Coimbra, o presidente da Associação de Modelismo do Centro, Carlos Filipe, acompanhou os bombeiros municipais na verificação dos primeiros ensaios efetuados.

"Estavam todos destruídos, vendo-se milhares de vespas mortas", congratulou-se Carlos Filipe, no final de mais um trabalho em que colabora a AMCP, com sede em Coimbra.

Para Paulo Palrilha, trata-se de "um método bastante mais eficaz" no combate ao inseto, que tem dizimado apiários em várias zonas de Portugal e Espanha.

No processo de queima com maçarico, é preciso fazer duas visitas aos locais, sendo a primeira durante o dia e para avaliar a situação. A destruição é feita durante a noite, a fim de garantir que todas as vespas estão recolhidas e morrem.

O comandante dos sapadores de Coimbra disse que a injeção do veneno com apoio da vara de carbono, para aceder aos sítios mais altos, exige apenas uma deslocação, em pleno dia, e que o inseticida, associado a uma substância adocicada, é aplicado de imediato. O ninho não é desmantelado e todos os animais sucumbem à medida que entram no vespeiro.

Este ano há um aumento exponencial do número de ninhos

"Temos aqui um surto. Este ano há um aumento exponencial do número de ninhos", confirmou à Lusa José Carlos Marques, coordenador municipal da Proteção Civil de Oliveira do Hospital.

José Carlos Marques, que é também presidente da Junta de Freguesia de Lourosa, revelou que, em colaboração com os bombeiros voluntários deste município do interior do distrito de Coimbra, "foram destruídos 30 e tal ninhos" nos últimos três meses.

A Proteção Civil local combate a vespa velutina através da queima, aplicação de pesticida e colocação de armadilhas.

"Tem havido queixas dos apicultores e de que maneira", declarou, por sua vez, o presidente da Cooperativa Lousãmel, António Carvalho. Alguns associados "até dizem que desistem" da atividade apícola, acrescentou à Lusa.

"Muitas colmeias vão ao ar", segundo António Carvalho, que, depois dos incêndios e da instabilidade climática, lamentou mais esta ameaça à produção do mel com denominação de origem protegida (DOP) da Serra da Lousã.

A vespa velutina "veio trazer transtornos muito grandes" ao setor, o que obrigará a "alterações no maneio" das colmeias, referiu.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Ferrugem-do-trigo ameaça culturas na Europa e no Norte de África

Doença fúngica destruiu as culturas na Sicília no ano passado, num dos piores surtos na Europa em mais de 50 anos.

Uma nova estirpe altamente destrutiva que arrasou as colheitas de trigo no ano passado na Sicília, Itália, poderá espalhar-se pelo Mediterrâneo durante 2017, ameaçando as colheitas e os meios de subsistência de pequenos agricultores – alertaram os cientistas esta sexta-feira, que elaboraram estudos em colaboração com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
 
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A FAO pediu assim aos países da Europa e do Norte de África para ficarem vigilantes, de forma a evitar que eventuais surtos da ferrugem-do-trigo se transformem numa epidemia que diminua a produção de alimentos.


Em 2016, milhares de hectares de culturas de trigo foram destruídos na Sicília num dos maiores surtos de ferrugem-do-trigo que atingiu a Europa em mais de 50 anos, sublinham os investigadores. "Há cinco ou seis décadas que não víamos nada assim", diz David Hodson, do Centro de Melhoramento do Milho e do Trigo (CIMMYT).

Uma investigação científica do CIMMYT e da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, publicada na revista Nature desta semana, descobriu que aquele surto foi causado por uma nova estirpe de ferrugem-do-trigo, uma infecção fúngica que, se for deixada sem tratamento, pode destruir totalmente as colheitas em semanas. "É muito agressiva", disse Biagio Randazzo, um engenheiro agrónomo que detectou a doença, acrescentando que na Sicília diferentes tipos de trigo duro, usados para fazer massas, bem como pão de trigo, e algumas variedades de aveia foram afectados.

Os esporos da ferrugem-do-trigo espalham-se através do vento, e em 2017 o fungo pode vir a afectar as culturas de países vizinhos da Itália, como a Grécia, a Albânia, a Líbia e a Tunísia, alertaram os investigadores.

Fazil Dusunceli, fitopatologista da FAO, explicou que a doença é particularmente preocupante para os pequenos agricultores no Norte de África, que, em conjunto, contribuem para uma grande parte da produção de trigo na região.

Segundo as investigações científicas, a aplicação desde muito cedo de fungicidas é fundamental para conter os surtos, mas os pequenos agricultores muitas vezes têm falta de dinheiro ou de conhecimentos para os usarem de forma eficaz, referiu ainda Fazil Dusunceli. "Eles estão mais vulneráveis."  

Mais de mil milhões de pessoas de países em desenvolvimento dependem do trigo como fonte de alimento e de rendimentos, segundo a FAO. Também surgiu uma outra ameaça nalgumas zonas da Europa, África e da Ásia com o aparecimento de duas novas estirpes de outra doença – a ferrugem amarela –, embora ainda não seja claro o seu impacto potencial.

"É mais importante do que nunca que especialistas de instituições internacionais e países produtores de trigo trabalhem juntos para parar o rasto desta doença", disse ainda Fazil Dusunceli, referindo-se à ferrugem-do-trigo. "Temos de ser rápidos e rigorosos na forma como lidamos com isto."

Um terço dos frutos e vegetais produzidos na Europa vai para o lixo. São feios


Ativistas consideram que é preciso trabalhar na aceitação de alimentos com formas e aspetos diferentes, bem como no reaproveitamento de produtos agrícolas que não chegam às prateleiras da grande distribuição.

Feios, pequenos, grandes ou tortos. Mais de um terço dos frutos e legumes produzidos na Europa não chegam a ser comercializados por razões estéticas, de acordo com um estudo da Universidade de Edimburgo, publicado no Journal of Cleaner Production.

Segundo a mesma investigação, que fez uma estimativa sobre os alimentos descartados no Espaço Económico Europeu, 50 milhões de toneladas de frutos e vegetais produzidos na Europa não chegam às prateleiras dos supermercados, porque não correspondem às exigências.

Em causa estão os elevados padrões estéticos impostos pelos hipermercados e as expectativas dos consumidores sobre a forma como os alimentos devem apresentar-se.

"Os dados sobre desperdício alimentar são normalmente bastante chocantes, na produção, distribuição ou consumo. Os números são assustadores", diz Susana Fonseca, da direção da ZERO (Associação Sistema Terrestre Sustentável). Do ponto de vista ambiental, a ativista lembra que "quando produzimos alguma coisa, precisamos de recursos - solo, água, energia, pesticidas, fertilizantes - que têm impacto ambiental".

Há casos, lembra Susana Fonseca, em que a fruta e os legumes que não são integrados no mercado são canalizados para conservas, papas, aproveitados para processamento na indústria ou para alimentação animal. "Mas, em muitas situações, nem para compostagem são usados." Por isso, alerta, "ainda há muita coisa a fazer, quer na aceitação social de todas as formas e aspetos quer no que pode ser aproveitado e integrado na economia de outras formas".

Um milhão de toneladas por ano

Por cá, o PERDA - Projeto de Estudo e Reflexão sobre o Desperdício Alimentar concluiu, em 2012, que é desperdiçado um milhão de toneladas de alimentos por ano - 17% do que é produzido pelo país.

Relativamente aos produtos agrícolas, Iva Pires, uma das autoras do estudo, diz que "o grande problema é que há uma triagem muito grande entre os produtores e a distribuição, que tem critérios de estética muito apertados. Diz que não consegue vender os alimentos se forem feios, o que faz que haja um desperdício muito grande logo na primeira fase".

Na opinião da docente da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH) da Nova de Lisboa, "foi-se longe de mais no critério estético, mas, felizmente, estamos a dar alguns passos atrás. Já começa a dar-se mais atenção à qualidade, e percebe-se que qualidade e estética não estão necessariamente ligadas".

Segundo a docente, não existem estudos mais recentes sobre o desperdício alimentar em Portugal. E, ressalva, o que há normalmente são estimativas, porque é muito difícil ter estatísticas nesta área. O mesmo confirma o Ministério da Agricultura em respostas enviadas ao DN. À espera de arrancar estão também várias das medidas previstas na Estratégia Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar (ENCDA), nomeadamente aquela que prevê a criação de locais específicos para venda de produtos em risco de desperdício. Segundo o Ministério, "pelo seu impacto mediático, o processo de diálogo entre a CNCDA [Comissão Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar] e os representantes do retalho agroalimentar está em curso, com o objetivo de estabelecer, até ao final do ano, um compromisso voluntário para a criação de pontos de venda" que tenham este tipo de produtos, embora neste caso se esteja a falar mais de bens alimentares próximos da data de fim de validade e não de hortofrutículas "feios".

Em Portugal, há projetos, como o Fruta Feia, que visam combater o desperdício ao nível da produção, colocando no mercado fruta e hortaliça "feias", mas que respeitam a segurança e a qualidade alimentar. Atualmente, lê-se no site da cooperativa, conta com a participação de 162 produtores, 11 delegações e 4679 consumidores.

O Governo destaca exatamente o projeto Fruta Feia como um bom exemplo e esclarece que "estes produtos 'feios' não têm qualquer impedimento de comercialização, desde que estejam em condições sanitárias para o consumo humano". E sublinha: "Contrariamente ao que habitualmente é referido, as normas de comercialização da UE não são o motivo desse desperdício, pois apenas definem padrões para garantir que os consumidores são defendidos nos seus interesses, pagando um preço justo e adequado ao standard que está a adquirir, e garantem a respetiva normalização. Para combater esta tendência, há que primeiro esclarecer o consumidor, e por outro lado, desenvolver iniciativas que promovam e valorizem o consumo dos produtos que não reúnem tais critérios."

Em declarações à BBC, Stephen Porter, do Departamento de Geociências da Universidade de Edimburgo, diz que "encorajar as pessoas a serem menos exigentes relativamente à aparência da fruta e dos vegetais podia ajudar a reduzir o desperdício alimentar, diminuindo o impacto da produção de alimentos no clima".

domingo, 2 de setembro de 2018

Trigo atinge preço mais elevado dos últimos três anos


As colheitas de cereais da Alemanha e Suécia já têm previsões e não são boas. A seca deverá levar entre 20% e 40% da produção de trigo. Os mercados internacionais já estão a antecipar redução da oferta

ISABEL AVEIRO e AGÊNCIAS 1 de Agosto de 2018, 14:15 actualizado a 2 de Agosto de 2018, 13:07 Partilhar notícia


Esta terça-feira, o valor de referência para o trigo de moagem atingiu máximos de três anos e meio, cotando durante a manhã nos 208,5 euros por tonelada na Euronext Paris.

Dependência de Portugal ao exterior é quase total

Desde Fevereiro já era sabido que Portugal atingira, no arranque da campanha cerealífera de Inverno, a área cultivada mais baixa dos últimos cem anos. Mas convém pormenorizar o grau de dependência externa entre grãos. As últimas Estatísticas Agrícolas, referentes a 2017, emitidas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), situam a campanha de 2016/2017 (iniciada em Julho e terminada em Junho do ano seguinte) com um grau de aprovisionamento total de cereais de 20,5%. É "o valor mais baixo das últimas quatro campanhas", afirma o gabinete oficial de estatística. O trigo, contudo, é o que tem a taxa mais baixa — total de 6%, com 5% para o trigo duro (sobretudo usado em massas, mas também em alguns pães regionais) e 6,1% no trigo mole (farinha para pão mais branco e pastelaria em geral). Compara, por exemplo, com um grau de aprovisionamento português de 25,9% para o milho, 38,1% para o centeio e 82,5% para a aveia. Na Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, apresentada pela tutela em Maio, recordava-se que o grau de aprovisionamento, em 1989, era de 60% para o total dos cereais e de 49% no caso do trigo. No caso do milho — responsável ao largo de Alqueva pelo abandono do trigo por aquela cultura, mais rentável —, o grau de aprovisionamento recuou "apenas" 14 pontos percentuais desde 1989. Tomando os últimos dados do INE, para recursos disponíveis de 1,55 milhões de toneladas de trigo (somando uma "produção utilizável" de 90 mil toneladas a importações de 1,82 milhões de toneladas e descontando 363 mil toneladas de exportações), o país consumiu 1,51 milhões de toneladas do cereal-base do pão. Não foram todos para a mesa, contudo, já que as rações para animais utilizaram 22% do trigo disponível. Por comparação, o milho teve uma produção de 711 mil toneladas no país, que importou mais 2,19 milhões de toneladas. Mas, neste caso, 83% do milho disponível foi para alimentação animal.

O alerta já vinha nas páginas do Financial Times de ontem: o preço do trigo, como matéria-prima agrícola cotada nos mercados internacionais está de volta à curva ascendente. Segundo o jornal britânico, a produção de trigo para moagem na Europa deverá recuar para um volume inferior a 130 milhões de toneladas, o que, a concretizar-se, é o nível mais baixo desde 2012.

Só na Alemanha - segundo maior produtor europeu e um dos sete maiores do mundo – avançou ontem o FT citando dados da consultora Stratégie Grains, a próxima colheita deverá cair para 20 milhões toneladas de trigo, o nível mais baixo dos últimos 15 anos.

Hoje, a Reuters avança com mais dados: a queda estimada na produção de todos os cereais de grão, na Alemanha, deverá ser de 20%. Segundo a associação de produtores alemães DBV, a seca e a onda de calor que está a varrer o Norte da Europa este Verão deverá deixar apenas 36 milhões de toneladas de cereais de grão nos campos para serem colhidos. E, no caso do trigo, os produtores só conseguirão colher 18 milhões de toneladas – o que representará, caso se materialize a previsão feita pela DBV – num corte de um quarto (25%) da campanha de 2017. Mais pessimista, portanto, que a previsão da Stratégie Grains para o FT.

De exportador a importador
Mais a Norte, a mistura entre falta de chuva e de humidade e as altas temperaturas vividas desde Junho deverá reduzir a produção de trigo na Suécia em 40% na próxima colheita – ou seja, explicou Mikael Jeppsson à Reuters, a evolução, negativa, poderá ser de 3,2 milhões de toneladas de trigo em 2017 para um intervalo entre 1,7 para 1,9 milhões de toneladas este ano.

Se as previsões de Mikael Jeppsson – director-geral da divisão de grãos da cooperativa agrícola sueca Lantmännen – acabarem por verificar-se, aquele país, tradicionalmente exportador de trigo, poderá transformar-se num importador. E se no caso da Alemanha a produção ainda não está preocupada com o trigo destinado a alimentos (principalmente pão), mas sim com as necessidades de cereais para as rações animais, na Suécia, a escassez desta matéria-prima agrícola poderá igualmente afectar a produção de biocombustíveis.  

A Suécia, contextualize-se, não é um grande produtor, em quantidade, de trigo – a oferta mundial é dominada pela Rússia, pelos EUA e Austrália no pódio dos exportadores. A Ucrânia, França, Argentina, Alemanha e Roménia – por esta ordem – são os restantes cinco maiores contribuintes para as exportações mundiais - que ascenderam a 173 milhões de toneladas em 2017, segundo o FT. E se actual campanha – que se iniciou na Suécia há 10 dias – está a ser pouco generosa na quantidade de trigo, também é a verdade, reconheceu Mikael Jeppsson à Reuters, que a qualidade do trigo já colhido é genericamente boa.

Mas as previsões pessimistas do gigante agrícola Lantmännen são extensíveis a outras culturas. A colheita de todos os cereais de grão e oleaginosas irão cair, previsivelmente, para o valor mais baixo dos últimos 25 anos - face a uma produção de 6,5 milhões de toneladas em 2017, e uma média do quinquénio de 6,2 milhões de toneladas, a estimativa deste ano é de 4,2 milhões de toneladas.


Na Suécia, o Governo avançou já que irá orçamentar cerca de 1,2 milhões de coroas suecas (cerca de 116,86 mil euros ao câmbio actual) para financiar medidas de apoio aos agricultores atingidos pela seca, este ano e no próximo. O que a ministra das Finanças sueca, Magdalena Andersson, chamou esta semana de "pacote nacional de crise para os agricultores suecos", de acordo com a Reuters, visa sobretudo subsidiar primeiro os encargos com a alimentação animal e só depois a perda de rendimento dos produtores agrícolas.

Na Alemanha, o movimento é semelhante, mas mais cauteloso por parte do executivo. Face ao pedido - de mil milhões de euros - feito pelas associações de agricultores como forma de apoio para enfrentar a diminuição previsível da próxima colheita cerealífera, Berlim espera para ver. Especificamente, espera para ler o próximo diagnóstico de previsões agrícolas deste mês de Agosto.

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Perda de culturas para pragas de insectos irá agravar-se com o aumento das temperaturas


A quebra de produtividade devido a pragas de insectos no milho, no trigo e no arroz pode aumentar entre 10 a 25% por cada grau a mais .

RITA MARQUES COSTA 31 de Agosto de 2018, 16:35 Partilhar notícia

As regiões temperadas serão as mais atingidas, diz o estudo REUTERS/TODD KOROL
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É certo que a produtividade das culturas agrícolas diminui à medida que as temperaturas aumentam com as alterações climáticas. Agora, um grupo de investigadores norte-americanos provou que essa perda pode vir a ser agravada entre 10 a 25% pelas pragas de insectos (que já são responsáveis por quebras na ordem dos 5 a 20%), por cada grau a mais em relação à temperatura média.

Os cientistas estimam que, com o aumento das temperaturas em 2 graus Celsius, as perdas relacionadas com as pragas aumentem 49%, 19% e 31% para o trigo, o arroz e o milho (as três culturas estudadas), respectivamente. O que corresponde a perdas de 59, 92 e 62 megatoneladas por ano.

O trabalho dos investigadores norte-americanos das universidades de Washington, Colorado, Vermont e Stanford foi publicado na revista Science, esta sexta-feira. O trabalho baseia-se em dados sobre 38 espécies de insectos diferentes.

"Usámos as relações estabelecidas entre a temperatura, o crescimento populacional e as taxas metabólicas dos insectos para estimar como e onde o aquecimento global provocará o aumento das perdas de produtividade", explicam os investigadores no artigo.

Outra das conclusões a que chegaram é que "as perdas serão mais agudas em áreas onde o aquecimento provoca um maior crescimento populacional e aumento das taxas metabólicas dos insectos". Estas condições existem nas zonas temperadas, onde a maioria destes cereais é produzida. 

Aquilo que os agricultores tentam fazer actualmente para controlar estas pragas será infrutífero. "A aplicação de mais pesticidas, o uso de culturas geneticamente modificadas e práticas como a rotação de culturas ajudarão a controlar as perdas de insectos. Mas ainda parece que em praticamente todos os cenários de mudança, as pragas serão as vencedoras", diz ao jornal britânico The Guardian Rosamond Naylor, investigador na Universidade de Stanford e um dos membros da equipa.


Perdas para os grandes produtores
Entre os cinco principais produtores destes cereais estimam-se perdas adicionais significativas. No caso do arroz, cuja produção é dominada pela China, as quebras oscilam entre os 3,4% (China) e 1,7% (Bangladesh). Quanto ao milho, também é a China que perderá mais (2,9%). O maior produtor do mundo — os EUA — deve perder 2,1% só por causa do aumento das populações de insectos. O trigo é a cultura para a qual se prevêem quebras adicionais mais significativas, com a Rússia a perder mais (5,9%).

"O quadro geral é que quem está a produzir muita comida numa região temperada, será mais atingido", disse Scott Merrill, da Universidade de Vermont, outro membro da equipa, ao The Guardian.

Mesmo assim, este trabalho não tem em conta alguns cenários, diz Markus Riegler do Instituto do Ambiente de Hawkesbury, da Western University of Sidney, num comentário ao estudo também publicado na revista Science.

É que, por exemplo, "muitos insectos são vectores de doenças que também causam perdas em colheitas. As previsões baseadas no crescimento populacional e nas taxas metabólicas podem, assim, subestimar os danos nas culturas provocados pelos insectos vectores".

Outro dos aspectos a ter em conta, diz o especialista, é o "impacto das expansões de alcance geográfico, introduções de insectos que acontecem pela mão humana e invasões de espécies propiciadas pelo aquecimento global".

Mesmo assim, "a previsão de um aumento substancial dos danos causados nas culturas é uma chamada à acção para a mitigação e adaptação às alterações climáticas. Todos devem estar envolvidos: agricultores, indústria, políticos e a sociedade civil no geral. Algumas comunidades de agricultores já estão a adaptar-se, por exemplo, na selecção de determinadas variedades, bem como onde e quando vão cultivá-las", conclui o cientista.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Japão disponível para fornecer a Angola tecnologia de ponta para fins agrícolas


29/8/2018, 19:54

A disponibilidade foi revelada pelo presidente da Comissão Parlamentar de Amizade Japão/Angola, Yositaka Sakuranda, no final de um encontro, terça-feira, com o presidente do Parlamento angolano.


O Japão manifestou disponibilidade para fornecer a Angola a mais moderna tecnologia para fins agrícolas, com o intuito de ajudar o país a desenvolver a área da agricultura, no âmbito da diversificação económica angolana.

A disponibilidade foi revelada pelo presidente da Comissão Parlamentar de Amizade Japão/Angola, Yositaka Sakuranda, no final de um encontro, terça-feira, com o Presidente do Parlamento angolano, Fernando da Piedade Dias dos Santos, no quadro de uma visita de trabalho a Angola.


Segundo o deputado japonês, o Japão pretende contribuir para o aumento da produção agrícola em Angola e, ao mesmo tempo, para o processo de diversificação económica com base no desenvolvimento da agricultura. Como contrapartida, Sakuranda pediu a Angola o apoio à pretensão de Tóquio em organizar a exposição mundial de 2025 (Expo2025), cuja decisão será conhecida em novembro próximo.

A este propósito, Sakuranda, que lidera uma comitiva de mais dois deputados na visita a Luanda, onde chegou domingo, indicou ter recebido "palavras promissoras" do Presidente da Assembleia Nacional (AN) angolana. A Comissão Parlamentar de Amizade Japão/Angola foi criada há dez anos.

A delegação foi também recebida pelo presidente do Banco Nacional de Angola (BNA), José Lima Massano, e pela comissária que organiza a participação angolana nas exposições internacionais, Albina Assis. As relações diplomáticas entre Angola e Japão datam de setembro de 1976.

Em Angola, o Japão tem desenvolvido vários projetos em áreas como a desminagem, infraestruturas, energia, agricultura, educação e saúde. Nas trocas comerciais, Angola importa do Japão mercadorias como viaturas automóveis, bem como aço, ferro e equipamentos. Por seu lado, o Japão importa de Angola maioritariamente crude e outras matérias-primas.

Funcionária da Direcção de Agricultura e Pescas/Norte acusada de desviar 83 mil euros


A verba em causa era referente a pagamentos efectuados pela emissão de licenças de pesca lúdica.

LUSA 29 de Agosto de 2018, 13:40 Partilhar notícia

Uma funcionária da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte apropriou-se de mais de 83 mil euros de receitas daquele serviço, acusa o Ministério Público de Matosinhos, citado nesta quarta-feira em nota da Procuradoria-Geral Distrital (PGD) do Porto.

 
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"O Ministério Público considerou indiciado que a arguida, no exercício funcional enquanto assistente técnica da Direcção Regional, apropriou-se da quantia global de 83.341 euros", refere o despacho de acusação citado pela PGD na sua página electrónica.


A verba em causa era referente, ainda segundo o Ministério Público, a pagamentos efectuados pela emissão de licenças de pesca lúdica.

Os factos reportam-se ao período de 1 de Janeiro de 2007 a 30 de Abril 2015 e a arguida está formalmente acusada de um crime de peculato.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Trás-os-Montes concentra 40% da área de vinhas biológicas


Quase 500 produtores portugueses somam 2.720 hectares de vinhas em modo de produção biológico. O crescimento da procura dos consumidores tem sido superior ao da produção, que mais do que duplicou na última campanha.

Trás-os-Montes concentra 40% da área de vinhas biológicas

António  Larguesa António Larguesa alarguesa@negocios.pt
03 de agosto de 2018 às 15:11

Portugal já tem 2.720 hectares de vinhas em modo de produção biológico (MPB), que são trabalhadas por 490 produtores certificados. Apesar de marcar presença em todo o território nacional, a produção deste tipo de vinho tem maior expressão nas regiões Norte (Entre-Douro-e-Minho; Trás-os-Montes) e Centro (Beira Litoral; Beira Interior), seja em termos de área ou no número de operadores.

Com 1.063 hectares (39% do total) e 155 operadores, Trás-os-Montes é a região líder neste segmento biológico, seguida da Beira Interior: 762 hectares e 145 operadores. A zona agrária associada aos vinhos verdes e durienses tem mais 12 agentes neste registo do que o Alentejo, mas são estes 55 produtores alentejanos que têm a terceira maior área de vinhas biológicas do país, com 448 hectares. No extremo oposto estão os Açores com apenas um pequeno agricultor dedicado a este nicho de valor acrescentado.

 Os dados mais recentes disponibilizados pelo Instituto da Vinha e do Vinho (IVV), referentes à campanha 2015/2016, mostram que, embora se tenha mantido estável a área e o número de operadores, a produção nacional de vinho biológico disparou para 20.099 hectolitros, mais do que duplicando a quantidade face à vindima anterior (8.302hl). A maior parte destas uvas são matéria-prima para os vinhos tintos mais valiosos no mercado: com Denominação de Origem Protegida (DOP) e com Indicação Geográfica Protegida (IGP).

A procura de produtos biológicos na Europa, incluindo Portugal, tem registado nas últimas décadas um ritmo de crescimento superior ao da produção.
ANUÁRIO VINHOS E AGUARDENTES DE PORTUGAL 2017 (IVV)
 

"Atendendo ao facto de a procura de produtos biológicos na Europa (incluindo Portugal) ter registado, nas últimas décadas, um ritmo de crescimento superior ao da produção, é expectável que a produção de vinho biológico em Portugal continue a evoluir favoravelmente, indo ao encontro das novas solicitações dos consumidores e valorizando o potencial exportador deste segmento de mercado", diagnostica o IVV no Anuário Vinhos e Aguardentes de Portugal 2017.

Rotular, fiscalizar e vender fora da Europa

Os vinhos produzidos em MPB levam no rótulo um logótipo específico criado pela União Europeia e que inclui a identificação do país de origem. Os operadores que produzam, preparem, armazenem, coloquem no mercado, importem ou exportem produtos em conformidade com as regras de produção biológica têm de se sujeitar ao controlo da actividade por parte de um organismo reconhecido e acreditado pelas autoridades dos diferentes Estados-membros.

Para facilitar as exportações, que em 2017 atingiram um novo máximo, e em particular o acesso dos vinhos biológicos aos mercados extra-comunitários, o bloco europeu tem vindo a estabelecer acordos de equivalência com países terceiros, em que "ambas as partes reconhecem como equivalentes as regras e os sistemas de controlo da produção biológica, fazendo-os reflectir nas respectivas normas internas". 

O instituto público que, após a saída de Frederico Falcão é liderado transitoriamente pelo antigo vice-presidente Francisco Toscano Rito, sublinha ainda que alguns destes entendimentos, como os que foram firmados com os Estados Unidos da América ou com o Canadá, são inclusive específicos para os vinhos biológicos, que a partir de 2021 terão de obedecer a um regulamento específico (2018/848) que acaba de ser aprovado a nível europeu.


Áreas e produtores biológicos por região agrária
Entre-Douro-e-Minho: 170 hectares (ha) – 56 operadores
Trás-os-Montes: 1.063 ha – 155
Beira Litoral: 127 ha – 31
Beira Interior: 762 ha – 145
Ribatejo Oeste: 135 ha – 34
Alentejo: 448 ha – 44
Algarve: 10 ha – 11
Açores: 1 ha – 1
Madeira: 4 ha – 13

Morreu Pedro Queiroz Pereira, um dos mais importantes empresários do país


O dono da Navigator e da cimenteira Secil morreu sábado, aos 69 anos. "O grande industrial" era o sétimo homem mais rico do país.

JOANA AMARAL CARDOSO 19 de Agosto de 2018, 8:09 actualizado a 19 de Agosto de 2018, 8:53 Partilhar notícia


O empresário Pedro Queiroz Pereira, dono da Navigator e da cimenteira Secil morreu sábado, aos 69 anos, noticia este domingo o semanário Expresso.

Considerado o maior industrial português, chefiava a empresa líder em todo o mundo no mercado do papel para impressão e era há seis anos o accionista totalitário da segunda maior cimenteira do país. Recentemente, o seu nome extravasou o sucesso no mundo empresarial para se tornar parte da narrativa do colapso do Grupo Espírito Santo (GES) e da sua ruptura com Ricardo Salgado.

A história do maior conflito na cúpula do capitalismo português do pós-25 de Abril

Segundo a revista Exame, o accionista maioritário do grupo Semapa, que detém a Navigator, tinha uma fortuna avaliada em 779 milhões de euros (em conjunto com a mãe, Maud) — era o sétimo homem mais rico do país.

O dono da antiga Portucel mantinha também negócios na área do ambiente e da energia. Citado este ano pelo Jornal de Negócios, Pedro Queiroz Pereira clamava: "Eu pago impostos e ajudo a enriquecer o país. Nos últimos dez anos investi dois mil milhões de euros em Portugal". 

O Expresso recorda a sua última entrevista ao semanário, em Fevereiro de 2016, na qual deixou no ar a ameaça de cancelar os investimentos que tinha previsto para Portugal, na sequência da decisão do Governo de travar a expansão da área de eucalipto no país, no âmbito do acordo alcançado com o Partido Ecologista Os Verdes. Dois anos depois, porém, as contas mostram que a Navigator investiu mais de 1,3 mil milhões de euros nos últimos 15 anos em Portugal, como destacou o mesmo Negócios.

PQP e o amigo Ayrton Senna
O GES era "um castelo de cartas", os reguladores tinham "cara de póquer" e as irmãs de Salgado que fazem "bolos para vender"

O GES era "um castelo de cartas", os reguladores tinham "cara de póquer" e as irmãs de Salgado que fazem "bolos para vender"

Pedro Queiroz Pereira nasceu a 5 de Março de 1949, em Lisboa, e estudou no Colégio Militar. Não chegou a terminar o curso do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa. O filho de Manuel Queiroz Pereira tornou-se piloto depois de a família Queiroz Pereira ter vivido no Brasil no pós-25 de Abril após as nacionalizações das suas empresas. Foi aí, nas corridas de automóveis, que ganhou a alcunha que resumia as suas iniciais, PQP, que mais tarde se tornariam parte do léxico do caso BES, e que ganhou também um amigo chamado Ayrton Senna. 

Tornou-se depois, como o próprio se definira nas célebres comissões de inquérito do GES, num "industrial, comerciante e empresário". Dos maiores e mais importantes do país, criando dezenas de milhares de postos de trabalho em Portugal. 

O empresário tinha uma ligação estreita ao GES, do qual era accionista e onde chegou a ser membro do conselho de administração do BES. Uma ligação de oito décadas, entrelaçada por cruzamentos familiares.

Duas tentativas de controlo das duas maiores cimenteiras do país terão contribuído para a crise nas relações entre Ricardo Salgado e o empresário. Por um lado, foi quando Pedro Queiroz Pereira tentou, com uma oferta pública de aquisição (OPA), controlar a maior cimenteira do país, a Cimpor, que entrou em colisão com Salgado — a OPA falhou e a Cimpor foi parar às mãos da Teixeira Duarte, apoiada pelo Banco Comercial Português e pela Lafarge. Estávamos em 2000. Por outro, numa medida que Ricardo Salgado sempre negou ter levado a cabo, a tentativa de controlo accionista do grupo Semapa (Secil), que detém a Navigator, aliado às duas irmãs de Pedro Queiroz Pereira, Maude e Margarida. Foram casos esmiúçados nas comissões de inquérito ao colapso de um dos maiores grupos financeiros do país. A 1 de Novembro de 2013, Queiroz Pereira e o GES descruzaram posições accionistas. 

Era avesso a entrevistas e a expor a sua vida privada nos media. Casou-se com Maria Rita Mendes de Almeida, que morreu em Novembro de 2014 aos 63 anos, e com quem teve três filhas — Filipa, Mafalda e Lua. Segundo o Expresso, um fundo privado subscrito apenas pelas filhas de Pedro Queiroz Pereira faz com que se tornem as suas únicas sucessoras na gestão do património.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou o "prematuro desaparecimento" de um "grande industrial português", numa nota de pesar.

domingo, 5 de agosto de 2018

Caçadores vão ser envolvidos na prevenção dos incêndios


Em cada uma das cinco mil zonas de caça haverá um grupo de caçadores responsáveis por comunicar directamente com as autoridades. "Trata-se de termos mais olhos a vigiar a floresta", disse ministro da Agricultura.

LUSA 1 de Agosto de 2018, 20:30 Partilhar notícia

Os caçadores vão estar envolvidos este Verão na prevenção dos incêndios, através de um programa governamental assinado nesta quarta-feira com o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas e que abrange cinco mil zonas de caça.

O programa "Cada Caçador, Um Vigilante" foi oficializado numa cerimónia que decorreu no concelho de Benavente, no distrito de Santarém, presidida pelo ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos.

Ministro da Administração Interna apela à população para evitar comportamentos de risco
Ministro da Administração Interna apela à população para evitar comportamentos de risco
Com a assinatura deste protocolo, em cada uma das cinco mil zonas de caça existentes em Portugal haverá um grupo de caçadores (identificados com coletes e com um autocolante) responsáveis por comunicar directamente com as autoridades, em caso de avistarem qualquer situação suspeita que possa pôr em causa a segurança da floresta.

No final do encontro, em declarações aos jornalistas, o governante sublinhou que este protocolo, assinado com as três principais associações de caça, pretende envolver os caçadores na vigilância das florestas portuguesas e na comunicação às autoridades de eventuais situações de risco.

Identificados pelo número de telefone
"Trata-se de termos mais olhos a vigiar a floresta por forma a tentar prevenir ou detectar incêndios na sua fase nascente. Pretendemos desta forma integrá-los [caçadores] de forma organizada no sistema de prevenção contra incêndios, uma vez que vão ser identificados os seus números de telefone e uma vez ligado o 112 são dados como um contacto credível, o que dispensa uma série de confirmações", explicou Capoulas Santos?.

O governante referiu que os caçadores "têm uma presença no território constante" e que, por isso, "são conhecedores do que se passa", podendo assumir o papel de "guardiões da natureza".


"Isto é um reconhecimento. Este protocolo dá-nos mais responsabilidades sobre esta matéria. É o culminar do reconhecimento do que temos feito, mas é também mais uma obrigação", apontou o presidente da Federação Portuguesa de Caça (Fencaça), Jacinto Amaro.

Além da Fencaça, participam igualmente neste projecto representantes da Associação Nacional de Proprietários Rurais (ANPC) e da Confederação Nacional dos Caçadores Portugueses (CNCP).

Produtores, autarquias, ambientalistas e notáveis defendem montado no Alentejo


O estado de debilidade do montado de sobro e azinho no Alentejo levou à criação de uma "frente civil" para a sua defesa. A primeira coisa que reclama é que o Governo deixe de falar de "uma" floresta, porque o país tem duas, a lenhosa a Norte e o montado a Sul, ameaçado pela desertificação.

 Lurdes Ferreira
LURDES FERREIRA 5 de Julho de 2018, 20:53 Partilhar notícia

No Sul existem 72% dos sobreiros do país e 92% das azinheiras DANIEL ROCHA
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Mais de três dezenas de autarquias, produtores, individualidades e instituições do Alentejo apelaram esta quinta-feira ao Governo para que deixe de olhar apenas para a floresta lenhosa, do Centro e Norte do país, e dê atenção ao montado no Sul, onde existem 72% dos sobreiros do país e 92% das azinheiras.

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"Não existe apenas 'uma' floresta em Portugal", subscreve a Iniciativa Pró-Montado Alentejo, preocupada com os efeitos das alterações climáticas na região e a destruição da que é considerada a primeira grande barreira natural contra a desertificação do sul do país, para além do seu valor económico e social. O que preocupa especialmente os membros desta "frente civil" é o ritmo de declínio do montado de sobro e azinho, a chamada floresta multifuncional face às suas diversas valências. "Duas décadas de deterioração do clima e três anos de seca seguida" provocaram não só um severo enfraquecimento das árvores como trouxeram pragas e doenças. "Defender o montado de sobro é combater a desertificação", afirma Eugénio Sequeira, uma das principais vozes da sustentabilidade da agricultura em Portugal e que regressou recentemente à presidência da LPN - Liga para a Protecção da Natureza. A associação é uma das subscritoras do movimento.

Em Fevereiro, antes do lançamento da iniciativa, um grupo de especialistas percorreu quatro concelhos, num reconhecimento no terreno ao estado do montado. "Apanhámos um susto grande", diz Pedro Sousa, produtor florestal, ao constatarem que a situação era pior do que pensavam, entre sobreiros a morrer e em desfoliação, apontando três zonas mais críticas: serras de Grândola, Portel e Santiago do Cacém.

Assumem-se também preocupados com a ideia que o caminho do montado é migrar para Norte. "Vemos com bons olhos que haja montado de sobro e azinho em outros sítios do país, mas [deixar apenas migrar] implica esquecer 31% do território do país mais exposto às alterações climáticas", afirma Eugénio Sequeira.

Não é apenas o valor ambiental do montado que está em causa, mas também o seu impacto económico e social. O montado de sobro e azinho alentejano "presta serviços ao ambiente de valor incalculável", segundo o mesmo especialista e investigador, que lembra também que a cortiça contribui anualmente com 600 milhões de euros de saldo positivo para a balança de pagamentos do país. Ignorar esse facto "é um disparate tão grande ou maior que a campanha do trigo", conclui.

A mão-de-obra empregue na cortiça é, por seu lado, a mais bem paga na agricultura e a mais qualificada, atingindo os 100 euros por dia, diz Carlos d'Orey, produtor florestal.

Medidas urgentes
Entre as medidas urgentes para a sobrevivência do montado no Alentejo, a iniciativa pede ao Governo que "comece por dizer que não tem 'uma' floresta, mas duas", a lenhosa a Norte e o montado a Sul. Esta quinta-feira, em conferência de imprensa, reclamou também a definição do montado de sobro "como povoamento florestal elegível prioritário", o fim de "barreiras estéreis" no acesso aos apoios, vocacionados para a mancha florestal do centro e norte do país mas não para o sul.

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O grupo quer políticas que incluam o montado, "sem precisar de mais nenhuma reforma", e programas específicos nos próximos programas de fundos europeus. Para já, o mais urgente, considera, é a reafectação de uma parte das verbas do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 (60 milhões de euros de um total de 90 milhões que estarão disponíveis ainda) para melhoria da resiliência e do valor ambiental das florestas e o reforço do valor actual dos apoios para a floresta em 133 milhões de euros.

Sublinha ainda a necessidade de valorização do impacto ambiental das medidas de protecção do montado e de revisão do Plano Regional de Ordenamento Florestal do Alentejo Litoral. Neste último ponto, pedem, entre outras medidas, a actualização das séries climáticas dos modelos de previsão, dado o agravamento da "ameaça climática", e uma estratégia para "melhoria drástica dos solos de montado", com aumento da matéria orgânica, do ensombramento e de curvas de nível no terreno que retenham a água da chuva. O objectivo é aumentar o armazenamento de água no solo e a densidade de sobreiros dos actuais 60 por hectare para 80 a 100.

O pacote de políticas, acções e medidas concretas reclamadas ao Governo chegou ao primeiro-ministro em Maio passado, que, na semana passada, encaminhou o dossier para o secretário de Estado das Florestas.

A comissão coordenadora da Iniciativa integra representantes das câmaras de Grândola e Portel, das associações ambientais Quercus e LPN, e ainda Francisco Avillez, um dos principais especialistas em questões agrícolas, o perito José Manuel Charrua, o produtor Luís Manuel Rodrigues Dias e o gestor florestal Pedro Teotónio Marques de Sousa.

Governo abre “concurso relâmpago” de €40 milhões na Agricultura


01.08.2018 às 17h25


O CDS PP acusa Governo de falta de transparência na Agricultura a propósito de um concurso de €40 milhões aberto apenas durante oito dias, quando o normal é ter prazos de vários meses

Vítor Andrade

Um concurso de acesso a financiamento de projetos agrícolas no montante de €40 milhões está a incendiar o ambiente político entre o CDS-PP e o Governo.

O partido de Assunção Cristas acusa o Governo de falta de transparência, incoerência e de não ter como prioridade na sua agenda o desenvolvimento da agricultura portuguesa.

As deputadas do CDS-PP Patrícia Fonseca, Ilda Araújo Novo e o deputado Hélder Amaral questionaram esta quarta-feira o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, sobre o processo que envolve o anúncio do lançamento de um concurso para atribuição de verbas para investimento, na ordem dos 40 milhões.

Ao contrário do que é normal, segundo a deputada Patrícia Fonseca, este 'concurso relâmpago' foi lançado a 27 de julho, uma sexta-feira ao final da tarde, e apenas até 8 de agosto, sendo que estamos em período de férias, com muita gente fora dos seus postos de trabalho.

NORMAL É TER CONCURSOS ABERTOS POR VÁRIOS MESES
A mesma responsável nota que o normal é cada concurso ficar aberto por vários meses, pois a carga burocrática que envolve cada candidatura é de tal forma elevada que só assim faz sentido. "Ninguém consegue, em sete dias úteis, por de pé uma candidatura consistente e coerente de forma a poder ser considerada na complexa teia de critérios de seleção", sublinha a deputada do CDS.

"Fica-se com a sensação de que o Governo não quer mesmo despender verbas relativas à comparticipação nacional nos financiamentos ao investimento em agricultura pois, se quisesse, dava o tempo necessário à formalização das candidaturas", acrescenta Patrícia Fonseca.

"Claro que o Governo depois vai dizer: 'nós até abrimos o concurso mas ninguém se chegou à frente'", acusa a parlamentar do CDS PP.

No final de maio havia, segundo os dados oficiais, 16 mil agricultores candidatos a projetos de financiamento à espera de uma resposta oficial, ou por os processos não terem sido sequer analisados ou por falta de verba (dotação nacional) para a respetiva comparticipação.

Em carta enviada ao Governo, o CDS-PP diz que o timing da comunicação do concurso em causa e o prazo dado para a transição de candidaturas (do anterior concurso sobre o mesmo âmbito lançado há um ano), em pleno período habitual de férias, "pode levar a que muitos promotores não tenham sequer possibilidade de reapresentar ou reformular as suas candidaturas".

CDS PERGUNTA SE O MINISTRO DA AGRICULTURA 'SABE O QUE SE PASSA'?
Recorda que as candidaturas que vinham detrás até já tinham dado entrada nos serviços do Ministério da Agricultura há mais de um ano e "tiveram a possibilidade de ser analisadas ou, pelo menos, é possível conhecer o valor de investimento e os setores de atividade propostos".

Em face disto, os deputados do CDS-PP perguntam ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, se ele próprio tem conhecimento do que se está a passar? Por outro lado, querem saber por que razão o prazo de candidaturas agora aberto é tão curto (oito dias úteis)? Ao contrário do que é normal?

As perguntas ainda não obtiveram qualquer resposta e nem o próprio ministro, questionado pelo Expresso, se mostrou disponível para falar sobre o assunto, remetendo para a Autoridade de Gestão do (Programa de Desenvolvimento Rural) PDR 2020 – que gere os fundos para o investimento na agricultura.

GOVERNO NÃO COMENTA O ASSUNTO
O Expresso tentou obter uma explicação da gestora do PDR 2020, Grabriela Freitas, mas sem sucesso.

Entretanto, também a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) considera que houve aqui claramente falta de tato político na gestão deste processo e, eventualmente, algum desconhecimento da natureza do âmbito do concurso em causa.

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP, nota que "até é bom que os concursos sejam expeditos, mas também não convém abusar. Oito dias, em pleno início de agosto, quando muita gente está de férias, parece-me que não é propriamente adequado".

O mesmo responsável diz que "até dá para desconfiar, quando o CDS vem falar em falta de transparência, mas não quero acreditar que tenha aqui havido qualquer espécie de má vontade política".

Tmax dia 3/8/2018



sábado, 4 de agosto de 2018

Moeda de troca? UE mais do que triplica importações de soja dos EUA

É a primeira acção pública após o encontro de Jean-Claude Juncker com Donald Trump: a Comissão Europeia começou a publicar um relatório bi-mensal sobre as importações de soja, que aumentaram 283%.

Tiago Varzim Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt
01 de agosto de 2018 às 15:06

"A União Europeia pode importar mais soja dos EUA e isto está a acontecer no momento em que falamos", disse hoje o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. É assim que Bruxelas se aproxima de Washington, após o encontro da semana passada com o presidente dos EUA, Donald Trump. 

A Comissão Europeia publicou esta quarta-feira, 1 de Agosto, o primeiro relatório bi-mensal sobre a evolução das importações de soja norte-americana. De acordo com os dados publicados, as compras de soja norte-americana realizadas pelos Estados-membros aumentaram 283% num ano. Os dados referem-se a Julho deste ano em comparação homóloga.

Este aumento permitiu que os EUA passem agora a representar 37% das importações de soja da UE. Há um ano esse peso era de apenas 9%, segundo os dados de Bruxelas. Ainda assim, o Brasil continua a ser o principal parceiro da UE na soja. No total foram importadas 360 mil toneladas de soja nos primeiros sete meses do ano. 

"A UE precisa de soja na Europa como uma fonte de proteína para alimentar os nossos animais, incluindo galinhas, porcos e gado, assim como para a produção de leite", explica o comunicado, uma vez que é incapaz de a produzir em "quantidades suficientes". De acordo com Bruxelas, "os preços norte-americanos da soja são actualmente os mais competitivos do mercado e, por isso, a opção de alimentação mais atractiva para os importadores europeus e os seus utilizadores".

Esta é a primeira acção pública depois de ambos os lados do Atlântico terem assinado um compromisso de entrar em negociações comerciais. Assim, estes dados podem ser interpretados como uma "moeda de troca" para Trump, que já ameaçou impor tarifas sobre o sector automóvel europeu. 

Juncker argumenta que "esta é uma situação de 'win-win' [ganhos mútuos] para os cidadãos europeus e norte-americanos". Uma ideia também defendida pelo comissário europeu para a agricultura, Phil Hogan, que revelou que a UE expressou a sua "vontade" de importar mais soja dos EUA. "Os agricultores europeus e norte-americanos têm muito a ganhar ao trabalharem em conjunto", disse Hogan. 

Na semana passada, os dois líderes acordaram que a cooperação futura entre a UE e os EUA não passaria pela agricultura, mas houve um compromisso para aumentar o comércio de soja. Esta semana começaram os trabalhos do Executive Working Group, um grupo bilateral, que está a trabalhar nestas questões, ao qual este relatório foi entregue.

Avaliado impacto de programas de financiamento nos agricultores de São Tomé

São Tomé 28 jul (Lusa) - O Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) inicia na segunda-feira um inquérito para determinar o impacto na vida dos agricultores são-tomenses de dois programas de financiamento, no valor de 30 milhões de dólares, indica a instituição.

28 Julho 2018 — 13:48

Em causa está o Programa de Apoio Participativo a Agricultura Familiar (PAPAFPA), iniciado em 2001 e terminado em 2013, orçado em pouco mais de 16,6 milhões de dólares (14,2 milhões de euros) e o Programa de Apoio a Produção da Agricultura Comercial (PAPAC), que termina em 2019, financiado em 12,8 milhões de dólares (10 milhões de euros).

"Nós vamos percorrer todas as comunidades para entrevistar todas as pessoas, saber quem mora lá e quais sãos as suas atividades", disse aos jornalistas Pauline Mauclet, inquiridora contratada pelo FIDA.

Os inquéritos têm duas fases, sendo que a primeira arranca na próxima segunda-feira e tem a duração de três semanas e a segunda começa em setembro com previsão para 45 dias. Abrangem pelo menos 4.500 famílias e 147 comunidades agrícolas do país.

"É importante saber qual foi o impacto, do ponto de vista económico e social na vida dos agricultores de um projeto dessa amplitude, porque os dois projetos juntos têm um orçamento de 30 milhões de dólares (25,7 milhões de euros)", sublinhou Pauline Mauclet.

A inquiridora do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola explicou que o resultado deste inquérito "vai determinar a implementação pelo FIDA de projetos futuros em São Tomé e Príncipe".

Desde 2001, o FIDA tem feito várias intervenções nas comunidades agrícolas de São Tomé e Príncipe, pretendendo a instituição saber se valeu a pena o financiamento que vem sendo aplicado a nível da agricultura no arquipélago.

O presidente do Federação são-tomense de Pequenos Agricultores (FENAPA), Cosme Cabeça, considerou, por seu lado, que este inquérito "é bastante importante" por abranger "tanto os agricultores envolvidos nestes dois projetos como os que ficaram de fora".

Proteção Civil engana-se em SMS de alerta e manda ligar para a Glassdrive

Número sugerido remetia para uma empresa de reparação de vidros. Lapso foi entretanto corrigido. 02.08.18PARTILHE 587 1 1 / 6 Proteção Civil Pedro Noel da Luz 587 1 A autoridade Nacional da Proteção Civil enviou um alerta por mensagem a toda a população dos distritos de Faro e Beja devido ao risco máximo de incêndio nessas zonas. O SMS, por lapso, sugeria o número de telefone da Glassdrive, uma empresa de reparação de vidros a que as pessoas deveriam recorrer em caso de dúvida. "Risco extremo de incêndio rural nos distritos de Beja e Faro. Fique atento. Em caso de dúvida: 808246246 ou www.prociv.pt/ANPC", lê-se na mensagem. 

Tmax dia 2/8/2018

Os Verdes insistem na proibição de cultivo de transgénicos com projeto de lei

O Partido Ecologista os Verdes (PEV) volta à discussão da proibição do cultivo de organismos geneticamente modificados e apresentam um projeto de lei nesse sentido, realçando os riscos para a saúde e ambiente.

10 Julho 2018 — 17:20

Os Verdes consideram que "é de insistir na discussão de um projeto de lei que há já alguns anos o PEV traz à Assembleia da República, com o objetivo de se assumir a responsabilidade de impedir o cultivo de [Organismos Geneticamente Modificados] OGM em Portugal".

O projeto de lei entregue na Assembleia da República e hoje divulgado, pretende proibir o cultivo de OGM assim como a sua libertação deliberada no ambiente para qualquer fim.

A proibição proposta pelo PEV inclui a aquisição e a receção na exploração agrícola de sementes de variedades geneticamente modificadas, bem como as operações do processo de produção e armazenamento na exploração agrícola, e ainda a entrega, pelo agricultor, dos produtos vegetais produzidos nas instalações de comercialização ou transformação.

O diploma, assinado por Heloísa Apolónia e José Luís Ferreira, contempla uma exceção nas regras de proibição dirigida a ações controladas com fins de investigação científica ou medicinais.

No projeto de lei estão definidas coimas entre 10 mil e 300 mil euros, consoante o tipo de incumprimento e do incumpridor ser pessoas singular ou coletiva.

Para os ecologistas, a agricultura é um dos setores onde se pode promover a melhor compatibilização da atividade humana com a preservação ambiental, apostando, por exemplo, em práticas agrícolas menos intensivas, relocalizando a produção e aproximando-a dos consumidores, apoiando a agricultura familiar, incentivando a produção de alimentos mais saudáveis e com menos pesticidas ou "livrando o país de culturas transgénicas".

O PEV explica que as diferentes maiorias parlamentares assumiram sempre uma postura de "aceitação incondicional" da autorização europeia, referindo que não era possível proibir o que a União Europeia (UE) aceitara, argumento que este partido nunca aceitou, defendendo que Portugal devia seguir a opção tomada por países como Alemanha, Áustria, França ou Polónia.

Critica ainda a UE por não ter sido "respeitadora da vontade dos cidadãos quando determinou que a informação ao consumidor em geral, e as normas de rotulagem em particular, não teriam que se suportar num esclarecimento cabal sobre a presença de transgénicos nos alimentos" e preferiu "deixar a porta aberta à salvaguarda dos interesses das multinacionais do setor agroalimentar".

Os riscos que os transgénicos podem representar para a saúde e para o ambiente, "designadamente ao nível da perda de biodiversidade e de contaminações acidentais ou deliberadas, justificam a sua rejeição pela população" e mais de 70% dos cidadãos recusam consumir alimentos transgénicos e cerca de 95% não admitem prescindir do direito de poderem rejeitar este tipo de alimentos, acrescentam os Verdes.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Temperaturas já bateram recordes em oito estações meteorológicas


País em alerta máximo este fim-de-semana. Esperam-se dias quentes e com risco de incêndio elevado.

RITA MARQUES COSTA 2 de Agosto de 2018, 19:58 Partilhar notícia


Onze distritos do continente em alerta vermelho por causa do calor e dezenas de concelhos do Algarve e interior Norte e Centro de sobreaviso devido ao risco de incêndio. É o que nos reservam os próximos dias. Pelo menos até domingo. Esta quinta-feira já se bateram recordes de temperaturas em oito estações meteorológicas e Alvega, no distrito de Santarém, registou o valor mais alto de temperatura, 45,2ºC.

Na sexta-feira, as temperaturas mais elevadas são esperadas para os distritos de Évora e Castelo Branco. Entre os concelhos mais quentes estão Reguengos de Monsaraz (Évora) e Vila Velha de Ródão (Castelo Branco), onde os termómetros vão chegar aos 46 graus.

Quanto ao risco de incêndio para esta sexta-feira, o Algarve e Castelo Branco estão em alerta máximo. Durante a tarde de quinta-feira a Protecção Civil já estava no terreno a combater incêndios nestes distritos que mobilizaram várias centenas de bombeiros. Mesmo assim, a Protecção Civil algarvia disse que não vai activar o Plano Especial de Emergência para incêndios.


Região Centro preparada para aumentar resposta na área da Saúde por causa do calor

Durante o fim-de-semana não se prevê grande melhoria das condições e, em alguns locais, os termómetros podem chegar aos 48ºC. Os avisos motivados pela intensidade do calor mantêm-se pelo menos até sábado, às 21h, em Beja, Braga, Bragança, Castelo Branco, Évora, Guarda, Lisboa, Portalegre, Santarém, Setúbal e Vila Real. Todos os outros permanecem sob alerta laranja, o segundo mais grave da escala.

domingo, 29 de julho de 2018

Portugal envia homens e aviões para combater fogos na Suécia


Suécia enfrenta vaga de incêndios

20 Julho 2018 às 14:16


Aviões portugueses de combate a incêndios viajam para a Suécia
Governo garante que país não fica desprotegido com ida de aviões para a Suécia

Portugal vai ajudar a Suécia a combater os graves incêndios florestais que atingem, nesta altura, aquele país do norte da Europa.

Vão ser enviados dois aviões médios anfíbios e um módulo de combate a incêndios com capacidade de análise de comportamento de fogo e reconhecimento e avaliação, num total de 31 elementos e quatro veículos.

O Ministério da Administração Interna anunciou esta sexta-feira que o Governo português, através da Autoridade Nacional de Proteção Civil, acaba de comunicar ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil a sua disponibilidade para enviar meios humanos e terrestres para apoiar a Suécia no combate aos graves incêndios florestais que atingem, nesta altura, aquele país do norte da Europa.

Na passada segunda-feira, a Suécia acionou o Mecanismo Europeu de Proteção civil devido aos vários incêndios que continuam a assolar todo o país. A Suécia regista já milhares de hectares de áreas queimadas, principalmente nas regiões de Jämtland, Gävleborg e Dalarna, em particular graças às temperaturas recorde que se têm feito sentir.

Portugal depende do exterior para comer


22.07.2018 às 10h00


 
Economia nacional tem um dos maiores défices da balança alimentar da Europa. Entre 2007 e 2017 melhorou, mas pouco. Passou de -€3878 milhões para -€3460 milhões. Há produtos, como os cereais, a carne ou o arroz, em que jamais seremos autossuficientes, mas nem tudo é mau. No azeite 
a produção já ultrapassou as necessidades de consumo, tal como no vinho

Vítor Andrade
VÍTOR ANDRADE
Imagine que, de um dia para o outro, deixava de comer bacalhau. Uma provação difícil de acomodar psicológica e fisicamente, pois não seria nada fácil acostumar o estômago à falta daquele velho e fiel amigo. A verdade é que, bastava Portugal não comprar bacalhau, que é totalmente importado, para que o fiel da balança alimentar portuguesa oscilasse mais de €500 milhões a favor da balança comercial portuguesa.

Mas isso não irá acontecer pois nunca iremos abdicar da companhia do nosso velho amigo, seja com grão, à lagareiro ou à Gomes de Sá. Por outro lado, poderemos facilmente dispensar uma parte da produção nacional de vinho, azeite, leite ou tomate pois, nestes produtos, já estamos num patamar de autossuficiência que nos permite não só consumir à vontade o que é nacional como ainda sobram quantidades para vendermos a outros países.


Em tom jocoso, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, diz mesmo que "é uma maçada termos de gastar €700 milhões na compra de cereais, todos os anos mas, como vendemos lá para fora mais ou menos o mesmo em vinho, uma coisa acaba por equilibrar a outra".

Mas o equilíbrio é apenas parcial, pois, segundo dados apurados pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral (GPP), do Ministério da Agricultura, entre 2007 e 2017 o défice da balança alimentar até melhorou, embora continue negativo: passou de €3878 milhões para €3460 milhões. De igual forma, o grau de autoaprovisionamento nacional evoluiu positivamente, mas não tanto como alguns analistas gostariam: de 82,8%, em 2007, para 85,9%, no ano passado (ver gráfico).

NÃO É FÁCIL REDUZIR A DEPENDÊNCIA ALIMENTAR
"Com a crise houve uma pequena melhoria, pois houve uma contração no consumo e comprámos menos ao exterior. Agora, porém, já estamos a consumir mais, outra vez", nota Eduardo Diniz, diretor do GPP. Ou seja, não é fácil reduzir o grau de dependência alimentar.

Aquele responsável sublinha mesmo que "o nosso défice alimentar é dos maiores da Europa". Mas como prémio de consolação, segundo o ministro da Agricultura, é que "não há nenhum país com 100% de autossuficiência alimentar. O que há é alguns países — como França, Espanha ou Hungria — com superavits na sua balança comercial". Sobretudo porque produzem mais do que ninguém em determinados bens, como cereais.

Aliás, a Europa, no seu todo, tem um saldo alimentar positivo de €11 mil milhões, o que significa que vende mais do que compra.

Agora, com a inevitabilidade estatística (ou fisiológica) de comer de três em três horas — num país que produz 'um pouco' de quase tudo mas que, na verdade, só é excedentário em azeite, vinho, leite e hortícolas — é quase impossível, mesmo sem querer, acabar a consumir produtos das mais variadas origens. É que, embora possa afetar a balança comercial, não deixa de ser positivo para os consumidores poderem optar — em quantidade e qualidade — de uma oferta mais alargada de produtos.

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), considera que Portugal até está no bom caminho e que o sector até está a produzir mais, tanto para consumo interno como para as exportações, "mas os nossos padrões de consumo atuais não se adaptam à produção que temos. Na fileira agroflorestal até temos um balanço positivo, mas no sector agrícola, por si só, não acredito que alguma vez possamos vir a atingir o autoaprovisionamento total".

FALTA UM PACTO DE REGIME PARA O USO DA ÁGUA
O dirigente da CAP acredita, porém, que é possível crescer sobretudo ao nível das culturas de estufa, e em especial no segmento dos frutos vermelhos, onde Portugal está cada vez mais competitivo a nível europeu. Mas "há uma lacuna em termos de política agrícola: a gestão do recurso 'água'. Precisamos urgentemente de um pacto de regime, que envolva todos os partidos em matéria de captação, armazenamento e utilização da água na agricultura".

CPLP/Cimeira: Cabo Verde pede "forte articulação" sobre segurança alimentar e nutricional


O ministro da Agricultura e Ambiente cabo-verdiano, Gilberto Silva, disse hoje que deve continuar a existir uma "forte articulação" na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para resolver os problemas ao nível da segurança alimentar e nutricional.


Lusa
10 Julho 2018 — 13:44

"Os problemas alimentares e nutricionais de cada país terão que ser resolvidos a nível de cada país, com ação governativa em cada um dos países, mas a nível da CPLP o que existe e deve continuar a existir é uma forte articulação, uma cooperação, troca de experiência, partilha de conhecimento e de estratégias que permitem ao nível de cada país atacar os problemas existentes de segurança alimentar e nutricional", disse Gilberto Silva.

O ministro cabo-verdiano falava em conferência de imprensa, na cidade da Praia, para anunciar a segunda reunião ordinária do Conselho da Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN) da CPLP, que se realiza na próxima segunda-feira, dia 16, na ilha do Sal.

O CONSAN, que reúne todos os ministros responsáveis pela segurança alimentar e nutricional da CPLP, acontece antes e à margem da XII Conferência de Chefes de Estado e de Governo da comunidade, marcado para os dias 17 e 18 também na ilha cabo-verdiana do Sal.

A partir de quinta-feira começam as reuniões técnicas e preparatórias do encontro e será realizado um fórum sobre a soberania alimentar das organizações da sociedade civil e outro sobre o papel do setor privado no desenvolvimento da CPLP e uma reunião do grupo de trabalho sobre agricultura familiar.

Segundo o governante cabo-verdiano, a segurança alimentar e nutricional é uma "área transversal", com vários setores envolvidos, pelo que exige "abordagens específicas" em cada país e em cada região e, no caso de Cabo Verde, em cada ilha e concelho.

"A segurança alimentar e nutricional a nível da CPLP é um tema bastante caro, creio que a nível político e também das estratégias se desenvolveu bastante e a CPLP é uma comunidade que engloba países dos quatro cantos do mundo, por conseguinte, temos bastante que partilhar com as demais regiões do mundo em matéria de política e estratégia", referiu o ministro.

Gilberto Silva disse um dos resultados da reunião será um "melhor entendimento e consenso" entre todas as partes envolvidas nas questões atuais ligadas à segurança alimentar e nutricional.

O CONSAN vai reunir diversos atores em matéria de segurança alimentar e nutricional, como ministros, parlamentares, autoridades locais, organizações da sociedade civil, representantes do setor privado e pesquisadores/investigadores de todos os Estados-membros da CPLP.

O evento contará com a presença de várias personalidades, incluindo o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva, o presidente do Comité Mundial de Segurança Alimentar e Nutricional das Nações Unidas, Mario Arvelo, e o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina.

Após a reunião ordinária na ilha do Sal, em que será aprovada a "Declaração de Santa Maria", Cabo Verde vai assumir presidência do CONSAN-CPLP durante os próximos dois anos, período em que vai coordenar todas as atividades e reuniões sobre o setor na comunidade lusófona.

O CONSAN é um mecanismo de cooperação de CPLP que constitui uma plataforma de coordenação das políticas e dos programas desenvolvidos nas áreas de segurança alimentar e nutricional e tem por objetivo promover a inter-setorialidade das políticas e estratégias.

A CPLP já dispõe também de uma Estratégia de Segurança Alimentar e Nutricional (ESAN), que visa o combate à fome, malnutrição e pobreza bem como a concretização progressiva do direito humano à alimentação adequada nos Estados-membros.

Clima húmido não afecta quantidade das colheitas mas compromete sabor


O volume da generalidade das colheitas em 2018 é "bom", apesar do tempo instável registado nos últimos meses, mas a qualidade dos produtos pode ser afectada pela falta de sol, disse à Lusa a Confederação Nacional da Agricultura (CNA).

LUSA 23 de Julho de 2018, 15:44 Partilhar notícia


"As colheitas deste ano, em geral, são boas, embora haja nuances. Há produções permanentes (frutas) com volumes de colheitas bastante assinaláveis, acima do normal, o mesmo acontece com o azeite. Também há que diferenciar o azeite produzido no olival [tradicional] do 'óleo de azeitona', mais produzido no olival superintensivo, que gosta e precisa de água", disse o dirigente da CNA, João Dinis, em resposta à Lusa.

De acordo com o responsável, apesar do volume de colheitas registar "boas quantidades", as produções mediterrâneas a céu aberto, como frutas e hortícolas, "também precisam de muito sol, que tem faltado este ano".

Por isso, "a qualidade, mais entendida até como o bom sabor, não é a melhor e [há] ainda produções desta época que se atrasam na sua maturação, [precisamente] pela falta de sol".

A agricultura familiar também tem sofrido com o clima mais húmido, que proporciona "o crescimento exagerado de ervas", atrasando "o trabalho das máquinas na colheita" e, consequentemente, aumentando os custos de produção.

Por sua vez, a vinha "apresenta-se com boas perspectivas", embora necessite de muitos tratamentos contra, por exemplo, pragas e doenças, "o que faz aumentar os custos de produção".

"Há culturas permanentes - para além da floresta - que sofreram bastante com os incêndios florestais. Arderam olivais, pomares, vinha e também apicultura e pecuária no geral, o que implica a redução destas produções nas regiões onde passaram os piores incêndios e que também provocaram perda de rendimentos", frisou.

Para João Dinis da CNA, o escoamento destes bens agro-alimentares continua a ser influenciado pela "'ditadura' comercial dos hipermercados, ficando o pequeno e médio produtor de base familiar sem acesso às prateleiras".

Municípios têm de incorporar orientações regionais para a floresta até 2020


O ministro da Agricultura vincou que as novas regras terão de ser transpostas para os PDM "por forma a que se passe a suceder aos espaços florestais aquilo que acontece nos espaços urbanos".

Municípios têm de incorporar orientações regionais para a floresta até 2020

14 de julho de 2018 às 21:36

Os municípios vão ter de incorporar as novas orientações para os Programas Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) até ao final de 2020, afirmou no sábado o ministro da Agricultura,Capoulas Santos.

O Governo aprovou hoje este sábado uma resolução do Conselho de Ministros que define uma nova orientação estratégica para os programas regionais, com a criação de uma segunda geração de PROF, que se traduz na passagem de 21 programas regionais para sete (Trás-os-Montes e Alto Douro, Entre Douro e Minho, Centro Litoral, Centro Interior, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve).


Segundo o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, os municípios vão ter de integrar nos seus planos directores municipais (PDM) as novas orientações contidas nos programas regionais, "até 31 de Dezembro de 2020". Para o membro do executivo, esta medida é "uma peça fundamental na reforma da floresta", resultado de um trabalho que começou há dois anos, envolvendo consórcios com universidades e empresas. "São um instrumento fundamental, já que o pilar básico desta reforma da floresta que estamos a executar é o ordenamento - definir o mosaico desta nova floresta", sublinhou, referindo que os novos PROF estabelecem "uma projecção até 2050 sobre aquilo que deve ser" a floresta no território nacional.


As regras, vincou, serão transpostas para os PDM "por forma a que se passe a suceder aos espaços florestais aquilo que acontece nos espaços urbanos". "A floresta não pode ser caótica, onde cada um planta o que quer sem nenhuma preocupação de ordenamento", defendeu.


Dos sete programas regionais, cinco já estão concluídos e vão entrar em execução nos próximos dias, sendo que dois (Centro Litoral e Centro Interior) deverão estar concluídos dentro de dois meses, "uma vez que se pretende neles incluir as consequências da enorme devastação ocorrida" em 2017, explicou.


De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, a passagem de 21 programas regionais para sete deve-se à necessidade de "promover ganhos de eficiência na sua implementação e a redução da complexidade administrativa para todos os agentes nela envolvidos".


No Conselho de Ministros Extraordinário, que decorreu este sábado na Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra, foi também aprovada a revisão Programa Nacional da Política Ordenamento do Território (PNPOT) e a criação do Programa de Valorização do Interior.

Insegurança alimentar em Cabo Verde afeta 30 mil pessoas. FAO aliviada por impacto da seca ser menor do que o previsto

15.07.2018 às 19h19


José Garziano da Silva, diretor geral da Organização para a Alimentação e Agricultura, temeu que 150 a 200 mil pessoas viessem a ser afetadas pela grande seca de 2017 em Cabo Verde. O país foi incluído foi lista de emergência alimentar, medida que faz parte da nova estratégia "antes prevenir do que remediar" da FAO

O diretor geral da FAO, José Graziano da Silva, estimou, este domingo, em cerca de 30 mil as pessoas cuja segurança alimentar será afetada pela seca em Cabo Verde, manifestando-se satisfeito por as previsões iniciais não se terem concretizado. "Tínhamos uma projeção que entre 150 e 200 mil pessoas seriam afetadas na sua segurança alimentar, mas felizmente isso não ocorreu. Os números que temos hoje são muito menores. Estamos a fazer uma avaliação agora, mas diria que nem um quinto dessa população está sob ameaça. Estamos a falar aproximadamente 30 mil pessoas, que é uma ordem de magnitude que estamos acostumados a trabalhar na região do Sahel", disse José Graziano da Silva.

O diretor geral da Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) falava aos jornalistas, na cidade da Praia, à margem de uma cerimónia em que foi condecorado com a Medalha de Mérito da República de Cabo Verde pelo chefe de Estado cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca. Cabo Verde foi incluido pela FAO na lista de países que poderia vir a precisar de ajuda alimentar de emergência, devido aos efeitos da seca e do mau ano agrícola que assolou o país em 2017, medida que Graziano da Silva adiantou ter sido de prevenção.

"No ano da seca, apoiámos Cabo Verde com oito milhões de dólares, 16 vezes mais do que o que costumávamos investir, por causa da magnitude do facto. Não é uma seca qualquer, é uma seca que só tem precedentes em 1947. O facto de termos listado Cabo Verde nos países que poderiam precisar de ajuda alimentar é uma prevenção que a FAO faz habitualmente quando há fenómenos dessa magnitude, excecionais. É para prevenir a nossa comunidade internacional, os nossos doadores de que os recursos estão a ser alocados, mas que mais poderão ser necessários", explicou.

José Graziano da Silva sublinhou que a "nova normalidade" na região do Sahel revela um regime de chuvas torrenciais e concentradas em poucos dias, alertando igualmente para o potencial de destruição destas chuvas. "As previsões são totalmente incertas. Não temos como fazer previsões dada a alteração que está a acontecer no clima. A FAO tem trabalhado com a ideia de que é melhor prevenir que remediar e, por isso, continuamos a procurar os investimentos, os recursos para fazer o possível para que, na hora em que as chuvas torrenciais vierem, estejamos preparados para isso, inclusive para captar parte dessa água para ser utilizada para futuro", disse.

O responsável da FAO destacou também a importância do exemplo de Cabo Verde no trabalho da organização, considerando que se trata de "um laboratório onde se está a demonstrar que prevenir é melhor que remediar". José Graziano da Silva vai participar à margem da XII Conferência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), que terá lugar de 17 a 18 de julho na ilha do Sal, na reunião do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSAN) daquela organização.

No âmbito da deslocação à cimeira da CPLP, José Graziano da Silva cumpre este domingo uma agenda de contactos com as autoridades cabo-verdianas e de visitas na ilha de Santiago, seguindo ao final do dia para a ilha do Sal. Durante a manhã assinou com o Governo cabo-verdiano um acordo de cooperação para promover maior resistência de pastores e agricultores aos períodos de seca.

António Barreto sobre a reforma agrária: “1975 é o meu grande desapontamento histórico”


"A minha causa no Alentejo era a defesa da liberdade e da democracia no país", garante António Barreto sobre as razões que o levaram a enfrentar o modelo colectivista do PCP na reforma agrária. Defensor, à época, da distribuição de terras, assume que já então teve dúvidas sobre se havia "condições sociais e culturais" para o fazer.


É uma referência na política e na sociologia em Portugal, um ancião de 75 anos que até já foi olhado como possível candidato a Presidente da República — hipótese que matou no ovo, antes que fermentasse —, mas ainda hoje, mais de quatro décadas passadas, continua a ter o seu nome associado à alteração legislativa que preparou, a "Lei Barreto", com a qual pretendia reorientar a reforma agrária introduzida em Portugal pelo PCP, logo após o 25 de Abril.



"Dentro do meu percurso de juventude de esquerda, a reforma agrária era uma questão prioritária", confessa ao PÚBLICO António Barreto, que entre 1963 e 1970 foi militante do PCP. "Para mim, reforma agrária era a expropriação pelo Estado das terras e a sua distribuição por quem as trabalha, os camponeses, os seareiros", explica. E reconhece: "1975 é o meu grande desapontamento histórico."

O PCP "tinha tomado conta de 15% do país", lembra Barreto, sublinhando que "o que houve em Portugal foi tirar as terras aos proprietários e dá-las aos comunistas, que, em vez de distribuírem, ainda concentraram mais a propriedade constituindo unidades colectivas de produção (UCP) que juntavam várias herdades, num modelo do tipo dos kolkhozes soviéticos".

Afirma mesmo que o modelo seguido pelo PCP para a ocupação das terras "não respeitou a lei" de 1974. E aponta o modelo directamente seguido. "Esteve cá, a seguir ao 25 de Abril, um ex-ministro da Agricultura de Salvador Allende, no Chile, Jacques Chounchol, que deixou um documento em que dizia como se fazia a reforma agrária. Era o modelo que o PCP seguiu. E que transpôs para cinco documentos, os quais eram o guia para a reforma agrária", frisa.

Pela liberdade e democracia

As suas convicções profundas sobre reforma agrária colidiam assim com a realidade do que se passou em Portugal. Por isso, impôs a Mário Soares condições para aceitar ser ministro da Agricultura (ver páginas seguintes). Mas garante: "O que me moveu na minha acção como ministro foi estar a lutar pela democracia, a minha causa no Alentejo era a defesa da liberdade e da democracia no país." Daí que, perante os que manifestavam dúvidas, dizendo que "o Alentejo era comunista, eles tinham 45% dos votos na Zona de Intervenção da Reforma Agrária (ZIRA) e 55% em Beja e Évora", Barreto respondia: "O que me interessa é o meu país e a liberdade e a democracia em Portugal."

Logo quando tentou alterar o caminho da reforma agrária, assume hoje, teve dúvidas sobre se conseguiria atingir os seus objectivos. "Pensei muitas vezes: 'Estou a devolver terras, quando a minha ideia há dois anos era fazer uma reforma agrária'", afirma. E admite: "Não nego que já na altura me perguntava: 'Será que há gente para fazer a distribuição de terras ou já é tarde?'" E sublinha: "Então já duvidava que houvesse pequenos agricultores, rendeiros e seareiros com fome de terra, suspeitei que não havia condições sociais e culturais para voltar atrás. Perguntei-me se ainda era possível, se o ter havido a revolução não era impeditivo de se distribuírem terras."

O interesse pela agricultura não lhe advinha só do ideário político de esquerda da época, mas também da sua experiência profissional. Licenciado em Economia Social, pela Universidade de Genebra, em 1967, ficou como assistente naquela instituição, onde em 1984 se doutorou em Sociologia com uma tese precisamente sobre "Reforma agrária em Portugal", de que resultou a obra Anatomia de Uma Revolução — A Reforma Agrária em Portugal 1974-1976.

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Em simultâneo, entre 1968 e 1974, é assistente do director-geral do Instituto de Pesquisas das Nações Unidas para o Desenvolvimento Social (UNRISD). "Nesses anos trabalhei primeiro num projecto sobre cooperativas de crédito e desenvolvimento agrário na América Latina e, depois, num estudo sobre revolução verde, ou seja, a introdução de novas variedades híbridas — não era transgénicos — para potenciar a produção de cereais, um projecto que ajudou a combater a fome na Índia e na China. A minha função era viajar pela América Latina e África e garantir que os métodos de comparação eram idênticos."

Com essa "experiência de gabinete sobre agricultura de seis a sete anos", regressa a Portugal após o 25 de Abril, convencido de que "tinha de trabalhar na agricultura e na reforma agrária". Será, aliás, até 1982 investigador responsável no Gabinete de Estudos Rurais da Universidade Católica Portuguesa.

Adere ao PS ainda em 1974 e as circunstâncias político-partidárias levam-no a deputado eleito à Assembleia Constituinte e, depois, ao lugar de secretário de Estado do Comércio Externo no VI Governo provisório chefiado por Pinheiro de Azevedo. "Quando vou para secretário de Estado do Comércio Externo, é uma solução saída da Assembleia", admite. No I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares, após a vitória do PS nas primeiras eleições legislativas, sobe a ministro do Comércio e Turismo (23/07/1976 a 25/03/1977) que acumulara temporariamente com a pasta da Agricultura e Pescas (05/11/1976 a 23/01/1978).

Cartelização acelerada

Durante mais de um ano procurou mudar a situação. Repôs a autoridade do Estado na ZIRA, libertou terras indevidamente ocupadas, mudou a lei (22/07/1977) e distribuiu ainda "15 propriedades", uma medida em que foi seguido por Sá Carneiro, líder do PSD, nos poucos meses que foi primeiro-ministro da Aliança Democrática, antes de morrer, que "distribuiu pouco mais de 20". E reconhece que "depois ninguém aplicou a lei, Sá Carneiro tentou, mas os governos da AD a seguir não. [Com a AD a Agricultura] teve três ministros — Álvaro Barreto, Basílio Horta e Cardoso e Cunha  — e [mudou-se] três vezes a lei e, cada vez mais, no sentido de uma agricultura com base na propriedade privada."

Hoje, olha para trás e recusa-se a considerar que a reforma agrária, apesar do seu modelo e dos excessos que combateu, não é responsável pela crise e quase morte da agricultura portuguesa após a adesão à Comunidade Económica Europeia.



O Alentejo não tinha condições para cultura de cereais. Tem para montado e para regadio com o Alqueva. A crise agrícola no Alentejo vinha dos anos 60, perdurou 30 anos. Hoje estamos num período de rejuvenescimento da agricultura em Portugal com um modelo completamente diferente", argumenta Barreto. Entende que a reforma agrária baseada em UCP e dirigida pelo PCP apenas reproduziu o modelo de agricultura adoptado pelo Estado Novo, esse, sim, o responsável pelo erro de modelo agrícola.

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"A produção de cereais era fomentada e subsidiada pelo Estado salazarista. Os preços no Estado Novo para o vinho e os cereais eram tabelados pelo Estado e a política usada penalizava os mais pobres, mas quem produzia mais ficava mais rico, porque tinha mais lucro com o preço tabelado", sublinha. E conclui: "Aquele modelo morreria de qualquer maneira, mesmo sem reforma agrária."

Mas há uma herança que atribui à reforma agrária: a da aceleração da cartelização do aparelho de Estado, ou seja, a colocação de militantes partidários no aparelho de Estado e na administração pública. "A cartelização acontece em todo o país, mas no Alentejo é mais rápido. Em Janeiro de 1975, com a criação dos centros regionais da Reforma Agrária, que tinha sede em Lisboa, mas existia nos distritos e nos concelhos, os lugares são preenchidos com funcionários políticos do PCP. Criam um ministério paralelo. Mas o sistema foi extensível à Segurança Social, ao Crédito Agrícola de Emergência, aos bancos, então nacionalizados. A esmagadora maioria eram militantes que eram transferidos dentro do Estado ou entravam na função pública. Foi uma organização minuciosamente montada."