terça-feira, 21 de novembro de 2017

Bosch entra no negócio da agricultura inteligente em Portugal


Nuno Miguel Silva
Ontem 07:25

A multinacional alemã Bosch decidiu entrar numa nova área de negócio, a agricultura inteligente (smart agriculture).


O responsável da Bosch Portugal por esta nova área, João Teixeira, explica ao Jornal Económico os objetivos do grupo para o mercado interno e sublinha que este segmento de atividade deverá duplicar de faturação a nível global nos próximos anos. As novas soluções propostas pela Bosch para a agricultura em Portugal podem ser aproveitadas pelas culturas de frutos vermelhos, flores de corte, tomates, vinhas, olivais e outras explorações de estufas. As novidades da Bosch foram apresentadas ontem na TecFresh, em Santarém, e permitem aos agricultores, com o seu smartfone, a partir do sofá, controlar o cultivo das suas espécies através de um sistema sofisticado de monitorização das culturas.

Como se vai designar esta nova área de negócio da Bosch?
As soluções Bosch para a agricultura inteligente e conectada estão a ser desenvolvidas pela Deepfield Connect, uma start-up da Bosch.

A entrada do grupo nesta nova área de negócio em Portugal está a ser feita em simultâneo com outros mercados em que a empresa está presente ou existe algum desfasamento?
A Bosch começou a introduzir soluções para a agricultura no mercado em 2015. Como é norma no grupo, a entrada em Portugal acontece de forma estratégica e sustentável, num momento em que as soluções já têm um posicionamento no mercado e já estão a gerar mais de mil milhões de euros em vendas.

Porquê a aposta da Bosch nesta nova área de negócio em Portugal?
O mercado da tecnologia de apoio à agricultura está a crescer em todo o mundo. A Bosch usa o seu extenso know-how para aplicar a IoT [internet das coisas] a esta área de negócio e permitir que os agricultores utilizem sensores para determinar a altura ideal para a colheita; consultem aplicações nos smartphones que os ajudam a medir a humidade, a temperatura dos solos; e utilizem tratores autónomos para trabalhar os campos. Desde os sistemas de motorização e soluções hidráulicas para a maquinaria aos produtos conectados, a empresa está a contribuir para tornar o trabalho dos agricultores mais eficaz e sustentável, e ao mesmo tempo está a conseguir tornar o negócio lucrativo.
A entrada no mercado português acontece de forma natural, num momento em que está a expandir o negócio em todo o mundo.

Quais as perspetivas de negócio desta nova área da Bosch em Portugal nos próximos anos?
Há estudos que indicam que o mercado global para a agricultura inteligente vai crescer de 3,5 para 6 mil milhões de euros. A Bosch prevê que o negócio continue a ter um desenvolvimento positivo. Na metade da próxima década, a empresa conta ter duplicado as suas vendas de tecnologias para a agricultura a nível global. Relativamente a Portugal, não há razões para acreditar que o mercado não aceite as soluções que começam agora a ser introduzidas.

Quais as especificidades do mercado português no setor agrícola para uma multinacional como a Bosch?
A Bosch acredita no potencial de Portugal e quer capacitar os agricultores do nosso país com as suas principais inovações na área.

As soluções desenhadas pela Bosch limitam-se aos frutos vermelhos ou são extensíveis a outras produções agrícolas?
As soluções da Bosch são extensíveis a vários tipo de cultura como as flores de corte, tomates, vinhas, olivais, entre outras explorações de estufas que temos em Portugal.

Existem outras inovações em estudo por parte da Bosch para o setor agrícola?
A Bosch é uma das poucas empresas com o know-how necessário em software, tecnologia de sensores e serviços para tornar a agricultura mais eficiente e sustentável. A empresa está a usar sensores MEMS para medir valores relativos à temperatura e humidade dos campos e transmiti-los para o smartphone dos agricultores através de uma cloud. Além disso, a Bosch Deepfield Connect acaba de apresentar um sistema de monitorização do leite que ajuda a garantir a qualidade do produto que chega ao consumidor. A empresa fornece sensores infravermelhos para os tanques nos quais o leite é armazenado. Estes sensores recolhem dados sobre a qualidade do produto, transmite para a cloud da Bosch que os processa e disponibiliza ao produtor através de uma aplicação no smartphone.

Cenário alimentar "é catastrófico" em Portugal e está a pôr em perigo o SNS



A bastonária dos nutricionistas, Alexandra Bento

"Portugal não tem sabido utilizar" os seus recursos "a bem da alimentação dos portugueses"

A bastonária da Ordem dos Nutricionistas, Alexandra Bento, afirmou hoje que o cenário alimentar em Portugal "é catastrófico" e que os seus efeitos estão a pôr em perigo a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde.

Para a bastonária, "Portugal não tem sabido utilizar" os seus recursos "a bem da alimentação dos portugueses".

"Nós temos uma prodigiosa tradição alimentar, a alimentação mediterrânica, temos profissionais de saúde de excelência", nomeadamente os nutricionistas, "mas temos um cenário alimentar que é catastrófico e que está a perigar a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde", afirmou Alexandra Bento, que falava à agência Lusa a propósito do primeiro congresso da Ordem dos Nutricionistas, que decorre na terça e na quarta-feira, em Lisboa.


A bastonária diz que os portugueses estão a morrer devido aos erros na alimentação: "as doenças crónicas não transmissíveis são o cenário das doenças na atualidade, morremos de doenças cardiovasculares, morremos de diabetes, de cancro e todas elas muito relacionadas com os maus hábitos alimentares"

Alexandra Bento observou ainda que, apesar de nunca se ter ouvido tanto falar da importância da alimentação para a saúde, "crescem os mitos e os falsos conceitos à volta da alimentação saudável e equilibrada".

Por outro lado, apontou, estão acentuar-se as desigualdades sociais nesta matéria. "Quem tem mais escolaridade tem mais literacia alimentar e nutricional, alimenta-se melhor, logo tem melhor saúde".

E, pelo contrário, quem tem "menor escolaridade, menor nível sociocultural e económico, tem mais dificuldade de organizar a sua alimentação, logo vai ter uma saúde mais penosa", disse Alexandra Bento.

Sobre o congresso, com o tema "Um Compromisso para a Saúde", a bastonária considerou que "é um grande momento" para os nutricionistas e para os profissionais de saúde.

"A alimentação é uma temática incontornável se queremos mais saúde no nosso país e por isso formatámos este congresso com temas que consideramos que são fortíssimos", abrindo com um "grande painel" sobre "políticas públicas de saúde na área da alimentação".

O palco do evento é o Centro Cultural de Belém, onde são esperados mais de 500 participantes, entre especialistas nacionais e internacionais que irão debater questões como a moderna saúde pública, os conflitos entre a nutrição, a saúde e o setor alimentar, as atualidades em nutrição clínica, as reformas no SNS ou os caminhos da empregabilidade e a valorização da profissão de nutricionista.

O congresso não terá patrocínios, segundo a Ordem dos Nutricionistas, que pretende assim manter "a imparcialidade junto dos decisores políticos, dos organismos públicos e privados e da população em geral, dada a sua intervenção na definição de políticas na área da alimentação e nutrição".

"É óbvio que a colaboração entre nutricionistas e indústria leva a grandes progressos, tanto ao nível da inovação alimentar, como na promoção de uma melhor saúde. Mas é fundamental que esta relação esteja sempre patente e sujeita a total independência e isenção", sublinhou Alexandra Bento.

Reabilitação dos cursos de água após incêndios custa entre 35 e 50 milhões de euros


20/11/2017, 16:17

A reabilitação dos cursos de água nos concelhos afetados pelos incêndios, após 17 de junho, vai custar entre 35 e 50 milhões de euros, anunciou o secretário de Estado do Ambiente.


NUNO VEIGA/LUSA

A reabilitação dos cursos de água nos concelhos afetados pelos incêndios, após 17 de junho, vai custar entre 35 e 50 milhões de euros, anunciou o secretário de Estado do Ambiente.

Carlos Martins falava aos jornalistas nos Paços do Concelho de Figueiró dos Vinhos, à margem da cerimónia de assinatura dos protocolos para limpeza e reabilitação das linhas de água de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã.

Estes sete municípios, nos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco, foram devastados pelos fogos de junho, que eclodiram em Pedrógão e Góis e causaram a morte de 64 pessoas e mais de 200 feridos.


Para os incêndios que ocorreram até ao início de setembro, mas já depois de 17 de junho, o Governo tem "uma primeira fase" de intervenção, na qual prevê gastar 6,2 milhões de euros, em 14 municípios do país.

Essa verba está incluída na estimativa dos 35 a 50 milhões necessários para desobstruir e recuperar as linhas de águas nos concelhos atingidos pelos fogos após meados de junho, incluindo os incêndios dos dias 15 e 16 de outubro, que começaram nos municípios de Lousã e Seia, nos distritos de Coimbra e Guarda.

Para já, com a colaboração das autarquias, o Ministério do Ambiente está a promover "um levantamento dos trabalhos a realizar até final de novembro", nos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos, Castanheira de Pera, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã, disse aos jornalistas o secretário de Estado do Ambiente.

"Este é um trabalho de grande dimensão" em que, através do Fundo Ambiental, serão aplicados 4,2 milhões de euros, referiu.

Segundo Carlos Martins, "as medidas de prioridade máxima", no âmbito dos protocolos hoje assinados, terão de ser concretizadas até 31 de dezembro.

No futuro, este conjunto de intervenções "muito nos pode ajudar" face às alterações climáticas, afirmou durante a sua intervenção na cerimónia.

As obras deverão minimizar "os riscos de obstrução das linhas de água, de destruição de infraestruturas e de inundações", de acordo com uma nota do gabinete do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes.

"Que não se perca nem mais um dia", defendeu Carlos Martins esta segunda-feira, realçando a necessidade de maior vigilância nos próximos meses, designadamente da parte dos municípios relativamente às "captações superficiais" de água para consumo humano.

Para o presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, as medidas a concretizar ao abrigo do Fundo Ambiental constituem "mais um passo" para responder às "necessidades" daqueles territórios após os incêndios.

"É crucial que estas medidas venham para o terreno", sublinhou o autarca do PS.

José Martino avalia agricultura na região transmontana



Consultor identifica tendências agrícolas

O vinho, o azeite, a amêndoa, a castanha, os pequenos frutos, a batata, a maçã, o pistácio, os cogumelos – todos estas culturas têm o seu espaço para um produtor poder lançar o seu negócio agrícola com sucesso.

Numa recente intervenção no Fórum Agrogarante, em Vila Real, o consultor e empresário agrícola José Martino elencou estas atividades agrícolas como exemplos concretos de bons negócios para os produtores que nelas considerem investir.
"As tendências na Região de Trás Os Montes no setor agroalimentar são várias. É preciso, para cada uma delas, ter um plano de negócio bem estruturado", defendeu José Martino.
No caso do vinho, "é preciso aumentar o valor acrescentado e controlar os custos de produção". Além disso, é necessário "promover a ligação do vinho ao turismo, assim como fomentar a cooperação entre produtores e agroindústria das várias regiões vitivinícolas para dar escala e baixar custos no acesso aos mercados internacionais".
Quanto ao azeite, José Martino defende a "criação de marcas de azeite nacional, a melhoria do regadio; caraterizar os olivais, ajustar a data ótima de colheita para se obter azeite da mais alta qualidade".
A amêndoa, "pode vir a ser um grande sucesso e um excelente negócio. Espero que a amêndoa caminhe na escala de valor encontrando segmentos de mercado específicos de valorização do produto e menos sensíveis às variações do preço ao longo do tempo".
No que respeita à castanha, "vista como o petróleo de Trás os Montes" , na opinião de José Martino "é preciso que se faça a valorização da castanha para além do descasque e da congelação".
Enquanto a batata, "tem que fugir da cultura tradicional de part-time e caminhar para algum profissionalismo, com integração vertical na fileira de valor acrescentado, integrando-a nas cadeias curtas de comercialização, ligando-a à gastronomia local ou regional que tira partido do turismo".
Por seu lado, a maçã "está a fazer o seu caminho na comercialização, na busca de valor acrescentado, tirando partido sobretudo do mercado espanhol. Há incremento do profissionalismo e das economias de escala".
Fazendo a agulha para outras atividades agrícolas com fortes investimentos nos últimos anos, José Martino referiu os pequenos frutos, defendendo que "o mirtilo tem mais interesse e futuro face a framboesas e groselhas". Enquanto que "a amora ficará dependente do aparecimento de novas variedades com melhor sabor e maior poder de conservação no pós colheita".
No caso dos cogumelos, "há aumento da procura de cogumelo industrial e oportunidade para duplicação do negócio seja nos players existentes, seja através de uma nova indústria de cogumelo branco". 

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Alqueva cresce a partir de 2018 para garantir mais regadio e abastecimento público

17/11/2017, 16:50344

O alargamento do Alqueva arranca em 2018 e vai regar mais 50 mil hectares no Alentejo. Capoulas Santos anunciou esta quinta-feira que o investimento é de 210 milhões de euros.


A ampliação do Alqueva arranca em 2018 para regar mais 50 mil hectares no Alentejo e levar água para abastecimento público a mais cinco concelhos, num investimento de 210 milhões de euros, revelou esta quinta-feira o ministro da Agricultura.

O projeto Alqueva "foi dado como encerrado na sua atual dimensão de 120 mil hectares pelo Governo anterior" do PSD/CDS-PP, mas o atual Executivo PS vai ampliá-lo em mais 49.427 hectares, afirmou Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.


A ampliação do Alqueva avança no próximo ano e vai incluir, adiantou, "um vasto conjunto de obras" que o Governo quer ter concluído até 2022 para criar mais 49.427 hectares de regadio distribuídos por 13 novos blocos de rega, "espalhados um pouco por toda a região do Alentejo", sendo sete no distrito de Beja, cinco no de Évora e um no de Setúbal.

Além dos blocos de rega, a ampliação prevê também "um investimento muito importante" numa ligação para levar água do Alqueva aos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Odemira e Mértola, no distrito de Beja.

Trata-se da ligação da albufeira do Roxo, situada no concelho de Aljustrel (Beja), e que está ligada ao Alqueva e, se necessário, recebe água do projeto, à do Monte da Rocha, no concelho de Ourique e que é a fonte para abastecimento público daqueles cinco concelhos e para rega do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.

No distrito de Beja vão ser construídos os blocos de rega de Messejana, no concelho de Aljustrel, Cabeça Gorda/Trindade (Beja), Cuba/Odivelas (Cuba), Póvoa de São Miguel/Amarela/Moura (Moura), Marmelar e de Vidigueira (Vidigueira) e de Vila Nova de São Bento (Serpa).

Mais a norte, no distrito de Évora, vão ser construídos os blocos de rega de Lucefécit/Capelins, no concelho de Alandroal, de Évora, Reguengos de Monsaraz e de Monsaraz e de Viana do Alentejo.

No litoral alnetejano e na área do distrito de Setúbal, vai ser construído o bloco de rega de Ermidas-Sado, no concelho de Santiago do Cacém.

Segundo o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural, a ampliação do projeto do Alqueva enquadra-se no Plano Nacional de Regadios, que vai implicar um investimento global de 500 milhões de euros para requalificar regadios obsoletos ou construir novos regadios para beneficiar uma área total de 90 mil hectares.

Após 2.400 milhões de euros de investimento, 21 anos de obras e 15 a encher, Alqueva produz atualmente energia, reforça o abastecimento público de água no Alentejo, rega 120 mil hectares e vai ser ampliado para beneficiar mais 50 mil hectares.

O fecho das comportas da barragem ocorreu a 08 de fevereiro de 2002 e marcou o início do enchimento da albufeira, localizada no "coração" do Alentejo.

Na sua capacidade total de armazenamento, o Alqueva é o maior lago artificial da Europa, com uma área de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1.160 quilómetros de margens.

Governo quer as celuloses a ajudar a gerir eucaliptais privados



17.11.2017 às 16h44

 
JOSÉ CARLOS CARVALHO
Em entrevista ao Expresso que será publicada este sábado, o secretário de Estado das Florestas defende que a indústria tem de ajudar o minifúndio onde vai buscar a matéria prima

Carla Tomás
CARLA TOMÁS
Uma das principais preocupações do secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, "é o crescente aumento de área de eucaliptal abandonado ou mal gerido". Por isso, considera "crucial que a indústria não deixe a produção florestal à sua sorte, mas sim que se comprometa a aumentar o seu nível de intervenção na gestão e apoio técnico, como fez no passado".

Estas declarações constam da entrevista ao Expresso, que será publicada na edição em papel este sábado, e na qual o governante defende que "é preciso reconciliar a floresta com o país".

Questionado sobre como vai o Executivo refrear a corrida à eucaliptização, já que o novo regime só entra em vigor em fevereiro, Miguel Freitas esclarece que "o Governo aprovou esta semana um regime transitório para proibir o corte de pinheiro verde e a substituição por espécies como o eucalipto, contendo dessa forma novas áreas".

"O inventário florestal está atrasado", admite. Contudo defende que em cerca de 830 mil hectares de eucalipto em Portugal, "o aumento foi de cerca de 5 mil hectares, nos dois últimos anos". O novo regime, adianta, "prevê uma redução de cerca de 10 mil hectares nos próximos anos". A ideia é, "daqui a cinco anos, retirar dois hectares de eucalipto por cada hectare que for plantado em áreas de maior aptidão".

Star Wars na quinta: agricultores usam laser para espantar aves

Um novo espantalho hi-tech acaba de entrar na histórica luta entre aves e agricultores.
Star Wars na quinta: agricultores usam laser para espantar aves

19 de novembro de 2017 às 10:00

A Bird Control Group, uma empresa com sede na Holanda, está a vender nos EUA um laser que imita predadores para assustar os pássaros. O Agrilaser Autonomic é instalado perto de plantações e combina cores, filtros e lentes para produzir um raio laser esverdeado de 7,6 centímetros de diâmetro. As aves percebem o movimento de ida e volta do laser como um perigo físico, como um predador ou um carro que se aproxima, e instintivamente voam para longe à procura de segurança, explicou o CEO Steinar Henskes.
 
A empresa levou cerca de três anos para desenvolver "o melhor raio laser para espantar aves", disse Henskes. Cerca de 100 quintas dos EUA já adoptaram a tecnologia, utilizada há duas safras. A empresa calcula que este número poderá triplicar no ano que vem, revelou Henskes.



Desde que domesticou a agricultura, o ser humano enfrenta pragas voadoras ávidas por uma refeição rápida. Estorninhos e melros-pretos, em particular, são conhecidos por dizimarem hectares de frutas maduras. Um estudo de 2012 estimou que as aves provocaram 189 milhões de dólares em danos às plantações de mirtilo, cereja, uva e maçã Honeycrisp na Califórnia, no Michigan, em Nova Iorque, no Oregon e em Washington na colheita anterior. Os agricultores já usam uma série de ferramentas para deter os pássaros, incluindo redes, canhões, birutas, gravações de sons de aves em perigo e repelente.
 
Inteligência das aves
Ainda assim, mais inovação é necessária para que os pássaros fiquem longe das frutas, afirmou Jim O'Connell, educador sénior de recursos agrícolas da Cornell Cooperative Extension em Kingston, Nova Iorque. Os animais são persistentes e inteligentes quando se trata de conseguir alimentos e muitas vezes aprendem a diferença entre ameaças reais e falsas.
 
"As aves têm uma adaptação contínua, por isso é preciso mudar as coisas continuamente para estar sempre à frente", defendeu O'Connell, numa conversa ao telefone. "Se dermos alguma oportunidade, elas continuarão a voltar."
 
É aí que entra o laser para pássaros, que, segundo a Bird Control Group, é avançado o bastante para que os animais não consigam acostumar-se ou superar depois de algum tempo.
 
Isto representaria um alívio para agricultores como Mike Boylan, dono da Wrights Farm, em Gardiner, Nova Iorque. Há alguns anos, as aves consumiram uma plantação completa de cerejas numa área de 1,6 hectares.
 
"Não conseguimos chegar suficientemente depressa para espantar os pássaros", disse Boylan. "Foi uma má safra, os pássaros comeram tudo."
 
Boylan, que também cultiva mirtilos, usa redes para tentar proteger a fruta. O método é eficaz, mas se as redes tiverem pequenos buracos nalgum sítio, estes "pequenos filhos da mãe" encontram, disse.
 
Amanda Vance, assistente de research da Universidade do Estado do Oregon, disse que alguns agricultores estão a ter sucesso com o laser. Vance utilizou-o na última colheita em campos de pesquisa de mirtilos em combinação com o Bird Gard, que projecta sons de aves em perigo. Com o uso conjunto das ferramentas, o campo quase não perdeu frutas, disse.

Preço dos alimentos sobe há quatro meses


O preço das frutas está 2,7% mais alto do que há um ano, segundo o INE.

18.11.2017 / 10:50 

Encarecimento dos produtos pode não ser um efeito direto da seca, mas sim das importações. A seguir Portugal quer reforçar cooperação com Tunísia no turismo, ambiente e água 

Os bens alimentares estão mais caros do que no ano passado, com uma subida de 1,3%, em outubro, mesmo assim, abaixo dos 1,4% da taxa de inflação homóloga divulgada no início desta semana pelo Instituto Nacional de Estatística. Certo é que os preços deste tipo de produtos têm vindo a subir consecutivamente a cada mês, desde junho, face aos mesmos meses de 2016. 

Tirando as bebidas, os maiores aumentos anuais apurados em outubro para os bens agrícolas ocorreram nas frutas (+2,7%), nas hortícolas (1,96%), na carne (+ 1,69%) e no leite (1,32%). Para José Martino, consultor agrícola, a subida dos produtos alimentares não terá a ver diretamente com a seca, uma vez que "os preços não são feitos pela produção interna, mas sim, nos mercados internacionais". 

Considera que as importações (cresceram 8,2%, para 616,9 milhões de euros, em setembro) poderão ter um impacto mais relevante nessa subida. "A seca está a provocar muitos prejuízos nos produtores, mas os efeitos para os consumidores ainda não se notam", argumenta. 

De facto, nem todos os preços ao consumidor refletem os preços pago ao produtor, de acordo com os dados do INE até setembro (os de outubro vão ser atualizados na próxima segunda-feira). Na produção, houve uma subida no índice de preços, por exemplo, nos ovos (+28,5%), no azeite a granel (+19,4%) e nos ovinos e caprinos, mas uma queda nos hortícolas frescos (-8,9%), nos frutos (-7,6%) e nas aves de capoeira (- 1,7%).

Governo quer as celuloses a ajudar a gerir eucaliptais privados



17.11.2017 às 16h44

 
JOSÉ CARLOS CARVALHO
Em entrevista ao Expresso que será publicada este sábado, o secretário de Estado das Florestas defende que a indústria tem de ajudar o minifúndio onde vai buscar a matéria prima

Carla Tomás
CARLA TOMÁS
Uma das principais preocupações do secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, "é o crescente aumento de área de eucaliptal abandonado ou mal gerido". Por isso, considera "crucial que a indústria não deixe a produção florestal à sua sorte, mas sim que se comprometa a aumentar o seu nível de intervenção na gestão e apoio técnico, como fez no passado".

Estas declarações constam da entrevista ao Expresso, que será publicada na edição em papel este sábado, e na qual o governante defende que "é preciso reconciliar a floresta com o país".

Questionado sobre como vai o Executivo refrear a corrida à eucaliptização, já que o novo regime só entra em vigor em fevereiro, Miguel Freitas esclarece que "o Governo aprovou esta semana um regime transitório para proibir o corte de pinheiro verde e a substituição por espécies como o eucalipto, contendo dessa forma novas áreas".

"O inventário florestal está atrasado", admite. Contudo defende que em cerca de 830 mil hectares de eucalipto em Portugal, "o aumento foi de cerca de 5 mil hectares, nos dois últimos anos". O novo regime, adianta, "prevê uma redução de cerca de 10 mil hectares nos próximos anos". A ideia é, "daqui a cinco anos, retirar dois hectares de eucalipto por cada hectare que for plantado em áreas de maior aptidão".

domingo, 19 de novembro de 2017

Governo aumenta défice para 1,1% devido ao impacto dos incêndios


Jornal Económico com Lusa
17 Nov 2017

"A nossa estimativa é que se prevê que o défice do próximo ano seja de 1,1%", em particular devido ao impacto das propostas relacionadas com o programa de combate e prevenção aos incêndios, disse Carlos César.


O PS vai apresentar um conjunto de propostas em respostas aos incêndios do centro do país que implicam 688 milhões de euros. O impacto nas contas públicas do próximo ano faz a meta do défice deslizar para 1,1%, ou seja mais uma décima do que o que estava previsto em consequência do impacto orçamental de medidas no valor de 119 milhões de euros para prevenção e combate a incêndios.

"A nossa estimativa é que se prevê que o défice do próximo ano seja de 1,1%", em particular devido ao impacto das propostas relacionadas com o programa de combate e prevenção aos incêndios, disse Carlos César, Presidente do Partido Socialista, em conferência de imprensa nesta sexta-feira, 17 de Novembro.

" O impacto global é de 688 milhões de euros. Desses 688 milhões de euros, as medidas novas já adoptadas pelo Conselho de Ministros totalizam 387 milhões e outros 301 milhões de euros já estavam previstos na proposta original".

Este dado foi transmitido em conferência de imprensa pelo líder da bancada socialista, Carlos César, na apresentação de "cerca de uma centena" de propostas de alteração do PS ao Orçamento do Estado para 2018.

Ladeado pelos seus vice-presidentes João Paulo Correia e João Galamba, o líder do Grupo Parlamentar socialista disse que, no conjunto de medidas de 688 milhões de euros previstas no âmbito dos programas em áreas relacionadas com a floresta e prevenção e combate a incêndios florestais, apenas haverá um impacto direto no défice do próximo ano na ordem dos 119 milhões de euros.

Esses 119 milhões de euros, especificou depois João Galamba, representará um acréscimo de um ponto percentual face à projeção de défice constante na proposta inicial do Governo de Orçamento do Estado para 2018.

PS avança com 186 milhões para financiamento de despesas com incêndios em 2018

As propostas de alteração ao OE têm de ser apresentadas hoje.

O PS propôs hoje, no âmbito do orçamento para 2018, uma dotação de 186 milhões de euros, que estará centralizada no Ministério das Finanças, para financiamento de despesas com indemnizações, apoios, prevenção e combate aos incêndios.

Esta é uma das propostas da bancada socialista de alteração ao Orçamento do Estado para 2018 em matéria de incêndios florestais, à qual a agência Lusa teve acesso, e que será debatida na fase de especialidade.

"É criada uma dotação centralizada no Ministério das Finanças, no valor global de 186 milhões de euros, dos quais 62 milhões de euros para aplicação em ativos financeiros, destinada ao financiamento de despesas com indemnizações, apoios, prevenção e combate aos incêndios", lê-se documento do Grupo Parlamentar do PS.

Esta dotação, de acordo com o PS, vai pagar "indemnizações decorrentes das mortes das vítimas dos incêndios florestais ocorridos em Portugal Continental, nos dias 17 a 24 de junho e 15 a 16 de outubro de 2017; e recuperar as áreas afetadas pelos incêndios de grandes dimensões ocorridos" nessas datas.

As verbas destinam-se também ao "programa de apoio à construção e reconstrução de habitações permanentes danificadas ou destruídas pelos incêndios de grandes dimensões que ocorreram no dia 15 de outubro de 2017", bem como à "comparticipação no programa de apoio à reposição dos equipamentos públicos municipais para os concelhos afetados pelos incêndios".

O montante em causa, acrescenta-se no documento da bancada socialista, visa igualmente suportar despesas com a "criação de instrumentos para a intervenção pública na gestão ativa da floresta e na estabilização dos mercados de produtos florestais", assim como com a formação da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais e do Laboratório Colaborativo.

Nesta dotação, estão ainda incluídas as verbas a aplicar na criação de "mecanismos de redundância" na rede SIRESP (Rede de Emergência de Comunicações do Estado).

No diploma da bancada do PS, prevê-se igualmente uma linha de crédito de 46 milhões de euros com o objetivo "exclusivo de aplicação em subvenções reembolsáveis aos municípios para despesas com as redes secundárias de faixas de gestão de combustível".

Se este diploma for aprovado em sede de especialidade, o Governo fica também autorizado "a proceder às alterações orçamentais decorrentes da afetação da dotação centralizada no Ministério das Finanças, independentemente de envolverem diferentes programas".

PS quer transferir até 100 milhões do IAPMEI para empresas atingidas pelos fogos

Hoje, segundo a Lusa, o PS disse pretende que uma verba de 100 milhões de euros do IAPMEI, que resulta de reembolsos de incentivos comunitários, transite para 2018 e seja aplicada no financiamento do sistema das empresas atingidas pelos incêndios florestais.

Este é um dos principais diplomas do pacote da bancada do PS destinado à prevenção e combate aos incêndios florestais, ao qual a agência Lusa teve acesso, e que será hoje entregue na Assembleia da República no âmbito do debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2018.

Em matéria de apoio às empresas afetadas pelos incêndios, o Grupo Parlamentar do PS avança com uma proposta para que "os saldos de gerência do IAPMEI (Agência para a Competitividade e Inovação) resultantes de reembolsos de incentivos de quadros comunitários já encerrados transitem para 2018".

Essa verba, até 100 milhões de euros, segundo a estimativa apresentada pelo PS, deve ser aplicada "no financiamento do Sistema de Apoio à Reposição da Competitividade e Capacidades Produtivas" – entidade que resulta do decreto do executivo do passado dia 3 deste mês e que visa apoiar as empresas afetadas pelos incêndios, assim como financiar os custos da linha de crédito de apoio à tesouraria dessas firmas atingidas.

No âmbito das suas propostas de alteração ao Orçamento do próximo ano, o PS pretende também que o executivo assuma o compromisso de abrir concursos no âmbito do Portugal 2020, "com dotação até 80 milhões de euros", para apoiar projetos de investimento produtivo empresarial geradores de emprego nas regiões afetadas pelos incêndios.

A bancada socialista avança ainda com um diploma em matéria de fundos europeus para a recuperação das infraestruturas municipais das áreas atingidas pelos fogos.

Por este diploma, o PS quer que o Governo se comprometa a financiar e executar no próximo ano, "com apoio de fundos europeus estruturais e de solidariedade, no montante de 35 milhões de euros, medidas de reposição dos equipamentos públicos municipais para os concelhos afetados pelos incêndios".

Entre as propostas de alteração ao Orçamento para 2018, igualmente no domínio da prevenção e combate aos incêndios, o PS avança com uma medida de ordem programática destinada a "mobilizar e executar fundos na área da floresta"

"O Governo deve estabelecer como objetivo em 2018 executar 135 milhões de euros do Portugal 2020 em medidas de apoio à floresta, designadamente para ações de florestação e de reflorestação e de estabilização de emergência florestal pós incêndio, para minimização do risco de erosão", lê-se no texto dessa proposta da bancada socialista.

(atualizada)

sábado, 18 de novembro de 2017

PSD quer que venda de madeira queimada deixe de pagar IRS

Os social-democratas propõem que a venda de madeira queimada até 50 mil euros fique isenta de pagamento de IRS neste ano e no próximo, para apoiar os agricultores nessas zonas.

PSD quer que venda de madeira queimada deixe de pagar IRS

Bruno Simões Bruno Simões brunosimoes@negocios.pt
17 de novembro de 2017 às 21:29

Depois dos incêndios que varreram o país este Verão, e que "deixaram um rasto de devastação e de prejuízos em zonas já por si bastante debilitadas", o PSD quer que o Governo tome medidas que apoiem os "pequenos produtores agrícolas das zonas afectadas pelos incêndios florestais", até porque se trata de "concelhos predominantemente agrícolas", onde "muitos pequenos agricultores foram afectados de uma forma que põe em causa a continuidade das suas explorações".
 
Assim sendo, o PSD propõe a isenção do "pagamento de IRS dos rendimentos provenientes da venda de madeira queimada nos concelhos afectados pelos incêndios florestais ocorridos em 2017". Em concreto, os social-democratas querem que fique isento de IRS o "rendimento gerado nos exercícios de 2017 e 2018 por vendas de madeira queimada pelos incêndios ocorridos em território nacional no ano de 2017".
 
A isenção será válida para as "vendas até ao limite de 50 mil euros anuais".
 
Sempre que há grandes incêndios, os proveitos de quem se dedica à venda de madeira aumentam exponencialmente. Na Mata Nacional de Leiria, por exemplo, os rendimentos anuais a rondar o milhão de euros mais que duplicaram nos anos seguintes ao grande incêndio de 2003.

Associação de vítimas dos incêndios mandatada para avançar judicialmente contra o Estado


Jornal Económico com Lusa
00:04

Segundo o presidente da associação, as medidas que estão no terreno "são injustas e discriminatórias e distinguem as pessoas como portugueses de segunda e de terceira".

A Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, criada no distrito de Coimbra, está mandatada para avançar com uma ação coletiva contra o Estado se o Governo insistir em "medidas de apoio discriminatórias".

"Vamos encetar um diálogo com o Governo e se a resposta não for positiva, em situação de igualdade nos apoios à agricultura e às empresas relativamente a Pedrógão Grande, não tenho dúvida nenhuma de que avançamos" com a ação, disse à agência Lusa o presidente da associação sediada em Oliveira do Hospital, Luís Lagos.

Criada após os fogos de 15 de outubro, que mataram 45 pessoas na região Centro, a Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, reunida hoje à noite em assembleia-geral, defendeu também a "desburocratização do apoio até 5.000 euros" para os pequenos agricultores.

Segundo Luís Lagos, as medidas tomadas pelo Governo que estão no terreno "são injustas e discriminatórias e distinguem as pessoas como portugueses de segunda e de terceira".

"Na indústria, o apoio é inferior ao atribuído na tragédia de há cinco meses atrás [Pedrógão Grande] e não há argumento nenhum que o justifique, porque há concelhos que foram atingidos em junho e agora, como é o caso da Pampilhosa da Serra", salientou.

O empresário e dirigente associativo questionou "qual o argumento para que uma empresa da Pampilhosa da Serra merecer agora um apoio inferior àquele que mereceu outra empresa na mesma Pampilhosa da Serra há cinco meses atrás".

"Porque é que a agricultura há de merecer um apoio inferior ao comércio e indústria? Não faz sentido nenhum, ninguém entende isso e, portanto, a nossa base negocial está aqui, de repor uma situação de igualdade no mesmo país", sublinhou Luís Lagos.

Para o presidente da Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, "não faz sentido" que não haja "o mesmo apoio", pelo que vão ser já solicitadas audiências ao Governo, Presidente da República e partidos com representação parlamentar.

Caso as respostas não sejam positivas, Luís Lagos considerou que só resta uma alternativa à associação, que "é retirar o poder negocial ao Governo".

"Se o Governo não quer negociar, não quer falar, então retiramos-lhe a decisão e entregamo-la aos tribunais", frisou, acrescentando que já há um pedido para se nomear uma comissão técnica independente para avaliar estes fogos e também já se percebeu que em Pedrógão Grande os fogos aconteceram por incúria do Estado e aqui não temos dúvida de que o resultado será precisamente o mesmo", acrescentou.

A Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, constituída em Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, propõe-se combater a interioridade e defender o mundo rural.

A associação conta com cerca de 300 associados, entre cidadãos e empresários dos vários concelhos afetados pelos incêndios de 15 de outubro, que, no distrito de Coimbra, causaram 24 mortos.

"Temos de fazer com que uma tragédia destas nunca mais aconteça e que o Estado assuma as suas responsabilidades, porque o que se passou foi incúria de vários governos", disse à agência Lusa, na altura, Luís Lagos.

Plano de Regadios é "grande aposta" na competitividade da agricultura portuguesa -- ministro


O Plano Nacional de Regadios constitui uma "grande aposta" na competitividade e na vocação exportadora da agricultura portuguesa e terá "uma importância acrescida" para enfrentar as consequências das alterações climáticas, afirmou hoje o ministro da Agricultura.

"Trata-se obviamente de uma grande aposta na competitividade da nossa agricultura, num contributo importante para a criação de riqueza e para continuar a acentuar a vocação exportadora da nossa agricultura, e um importante fator de desenvolvimento rural", disse Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.

Por outro lado, frisou o governante, o Plano Nacional de Regadios, que vai implicar um investimento de cerca de 500 milhões de euros para requalificar regadios obsoletos ou construir novos regadios para beneficiar uma área total de 90 mil hectares, vai ter "uma importância acrescida" no contexto que se está a viver, em que "cada vez são mais evidentes as consequências negativas das alterações climáticas".


Segundo o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural, numa região como o sul da Europa, onde Portugal está incluído, que é "tão exposta" às consequências negativas das alterações climáticas, as medidas mitigadoras "passam essencialmente por duas frentes".

"Por um lado, aumentar a capacidade de armazenagem para que possamos dispor de água nos períodos críticos, como é aquele [de seca] que estamos, infelizmente, a viver, e, simultaneamente, avançar no uso eficiente da água, com sistemas tecnologicamente mais avançados, que permitam cada vez com menos água ter melhores resultados em termos da produção agrícola".

Luís Capoulas Santos defendeu a "conjugação" dos dois fatores, o armazenamento e a adoção de medidas que garantam o uso eficiente e a redução dos desperdícios de água, que são os "pilares básicos" da nova política de regadios, traduzida no plano, um "grande investimento" que será feito "nos próximos quatro a cinco anos em Portugal".

Através do plano, o Governo vai "ampliar significativamente o regadio nacional com projetos espalhados um pouco por todo o país", adiantou Capoulas Santos.

O Plano Nacional de Regadios vai ser financiado com verbas do Programa de Desenvolvimento Rural e com um montante de 260 milhões de euros resultantes de dois empréstimos concedidos por bancos europeus.

O maior empréstimo, de 180 milhões de euros, vai ser concedido pelo Banco Europeu de Investimento e o outro, de 80 milhões de euros, pelo Banco do Conselho da Europa, precisou o ministro, referindo que a assinatura dos empréstimos vai concretizar-se este mês.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Orçamento para a agricultura é “muito, muito forreta"



16 nov, 2017 - 10:03

É o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura quem o diz na Renascença, onde também levanta o véu sobre o um possível protesto em Coimbra.

Os agricultores ponderam sair à rua para pedir apoio. A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) diz que o Governo não está a resolver os graves problemas que afectam o sector e a parte do Orçamento do Estado a ele destinada é curta.

"Aquilo que nós conhecemos era muito muito forreta para a agricultura e para a floresta. Para a floresta, aliás, praticamente nem conseguimos descortinar orçamento específico", critica João Dinis, presidente da direcção da CNA.

Na Manhã da Renascença, esta quinta-feira, o responsável lembra que a floresta é um sector "estratégico. Estratégico porque precisamos de respirar" e insiste na necessidade "de prevenir a sério os incêndios florestais, esta tragédia".

Tragédia que, este ano, provocou alargados prejuízos no sector, agora agravados com a seca extrema que o país vive.

João Dinis diz que os agricultores estão desesperados.

"Os pequenos agricultores e produtores florestais vêm ter connosco aflitos, desorientados com o problema da perda de património, de rendimento – que é o que mais se sente no imediato – mas também com esta complicação que está montada no terreno e esta confusão inadmissíveis", afirma, referindo-se à burocracia em redor dos apoios pós-incêndios.

"Vamos ter de, provavelmente, sair para a rua", admite o dirigente. "Estive em duas reuniões muito recentes com bastantes agricultores e estamos a encarar a ida Coimbra, à delegação da direcção regional", concretiza.

Na quarta-feira, o Ministério da Agricultura abriu um novo período de candidatura para a estabilização dos solos nas zonas afectadas pelos incêndios de 15 de Outubro. São mais 23 milhões de euros, num total de apoio financeiro que passa assim a ser de 89 milhões.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Governo disponibiliza mais 23 milhões de euros para evitar erosão e destruição dos solos


15/11/2017, 22:25
O ministro da Agricultura anunciou que o Governo vai disponibilizar 23 milhões de euros para combater a erosão e a destruição dos solos depois dos incêndios.

JOÃO RELVAS/LUSA

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural anunciou esta quarta-feira a disponibilização de mais 23 milhões de euros para dar resposta ao problema da previsível erosão e destruição dos solos das áreas afetadas pelos incêndios.

Com esta verba, cujo concurso vai abrir na quinta-feira, o Governo disponibiliza um apoio total de 89 milhões de euros para medidas de estabilização de emergência, que têm como objetivo evitar a degradação dos solos, declarou o ministro Luís Capoulas Santos.

No âmbito de uma reunião extraordinária do Conselho Florestal Nacional, que decorreu em Lisboa com todas as entidades públicas e privadas que interagem no setor florestal, o governante indicou que esta verba destina-se ao "financiamento das organizações de produtores florestais ou das autarquias locais para proceder à chamada estabilização de emergência nos locais que se revelem de maior risco de erosão ou que possam causar derrocadas nas estradas".

Governo prevê ampliar floresta pública nos próximos anos

O Governo defendeu esta quarta-feira a ampliação da área florestal de domínio público, através da identificação das terras sem dono conhecido, rejeitando qualquer intenção de privatizar a floresta portuguesa, nomeadamente o Pinhal de Leiria.

15 de novembro de 2017 às 22:15

"Nos próximos anos, a floresta pública irá aumentar a sua expressão face ao que existe hoje", afirmou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, indicando que actualmente o Estado é apenas proprietário de 2% da floresta em Portugal.
 
No âmbito de uma reunião extraordinária do Conselho Florestal Nacional, que decorreu em Lisboa com todas as entidades públicas e privadas que interagem no sector florestal, o ministro Luís Capoulas Santos disse que o Sistema de Informação Cadastral Simplificada, que está já a ser implementado como projecto-piloto em dez municípios afectados pelos incêndios e que se prevê que seja depois alargado a todo o país, vai permitir "identificar o património sem dono conhecido, que, uma vez identificado, passará para a esfera pública e irá ampliar a floresta pública".
 
"O Governo não tem a mínima intenção de privatizar a pouca floresta pública que existe, pelo contrário, temos intenção de ampliar a floresta pública em Portugal", reforçou o governante.
 
O Sistema de Informação Cadastral Simplificada entrou em vigor a 1 de Novembro como projecto-piloto em dez municípios das regiões Norte e Centro de Portugal continental, permitindo o registo dos prédios rústicos e mistos de forma gratuita durante um ano.
 
O registo destes terrenos será feito através do Balcão Único do Prédio (BUPi), um instrumento físico e virtual, da responsabilidade do Instituto dos Registos e Notariado (IRN), que vai agregar a informação registal, matricial e georreferenciada relacionada com os prédios.
 
O projecto-piloto do cadastro integra dez municípios atingidos pelos fogos em Junho deste ano e em 2016, designadamente Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela, Sertã, Caminha, Alfândega da Fé e Proença-a-Nova.
 
No caso de terrenos sem dono conhecido, a lei determina a publicitação e o registo provisório e inscrição na matriz dos prédios identificados como sem dono conhecido.
 
"Qualquer interessado pode pronunciar-se relativamente à identificação de prédio como prédio sem dono conhecido, no prazo de 180 dias sobre a data da publicitação do anúncio", lê-se na lei, indicando ainda que os terrenos sem dono conhecido vão ser "inscritos na matriz e registados, provisoriamente, a favor do Estado durante 15 anos".
 
Após a implementação do Sistema de Informação Cadastral Simplificada nos dez municípios do projecto-piloto, o Governo vai apresentar à Assembleia da República "um relatório de avaliação do presente regime, com vista à sua eventual extensão a todo o território nacional", de acordo com a lei em vigor.

Lettuce Grow, a nova plataforma para pequenos agricultores

Um sueco e um húngaro criaram uma plataforma para dinamizar a economia local portuguesa, ligando os pequenos produtores aos negócios locais. A Lettuce Grow vai estar na Web Summit

29/10/2017 - 11:32

Dois jovens europeus, um sueco e um húngaro, decidiram unir-se para criar em Portugal uma plataforma digital de transacção de produtos alimentares que visa conectar os pequenos produtores aos negócios locais com base na proximidade geográfica, a Lettuce Grow.
 
Após uma pesquisa, Gabor Tarok (responsável pelo desenvolvimento informático da plataforma) e Daniel Lind escolheram Portugal para implantar o projecto por ser um país onde existem muitas pequenas quintas e um grande potencial para a agricultura, que não está devidamente explorado. "O clima é excelente para a agricultura e há pequenos agricultores que, por alguma razão, não conseguem suportar a actividade, por isso desistem", observou Gabor Tarok.
 
O húngaro de 33 anos, que também é cozinheiro em part-time e actualmente está baseado no Algarve, desenvolveu a parte tecnológica, mas foi o sueco Daniel Lind, de 26, a viver em Lisboa, que concebeu a Lettuce Grow, depois de se revoltar contra a precariedade laboral em Portugal. "Com este projecto, nós queremos ajudar a economia portuguesa, aumentar a qualidade de vida dos portugueses que, na sua maioria, têm trabalhos precários, o que não é justo", observou, lamentando igualmente o facto de Portugal importar 60% dos produtos de origem agrícola de Espanha.
 
Daniel Lind acredita que Portugal tem melhores produtos, mas os pequenos agricultores não os conseguem escoar porque sai mais barato às grandes multinacionais, que dominam o mercado, importar em grandes quantidades, em vez de comprar localmente. "Nós só ficaremos com 5% das transacções, o que significa que os agricultores podem ganhar três a quatro vezes mais pelos produtos, e estamos a tentar que a distribuição seja gratuita, mas ainda não sabemos se vamos conseguir", explicou.
 
Na plataforma será possível fazer pesquisas por produto e ver imagens dos mesmos, existindo um mapa que revela a localização das quintas e a proximidade a que estão dos clientes. Além de legumes, vegetais e fruta, a plataforma também engloba a transacção de produtos como carne, mel, ovos ou vinho. Gabor e Daniel querem também comprar e dar uma utilização aos desperdícios dos produtores, nomeadamente, frutas, para fazer compotas. "Acreditamos que as pessoas devem comprar produtos de qualidade na vizinhança e não ir longe, porque isso não é sustentável", conclui Gabor Torok.
 
A Lettuce Grow deverá estar operacional até ao final de 2017 e foi uma das 150 startups nacionais seleccionadas no Road 2 Web Summit para participar na edição deste ano da cimeira, que acontece entre 5 e 9 de Novembro, em Lisboa.

Eles querem pôr cabras a limpar florestas para prevenir fogos

Projecto de Filipe Gandra e Fábio Jácome, do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, tem uma campanha de "crowdfunding" até 19 de Outubro
Texto de Lusa • 13/10/2015 - 17:04

Quintal Holístico é o nome do projecto desenvolvido por dois alunos da Escola Superior Agrária (ESA) de Ponte de Lima que querem pôr cabras a limpar florestas para prevenir e reduzir o risco de incêndio. "A ideia surgiu há mais de um ano devido ao gosto que tenho por caprinos e pela confusão que me fazia a quantidade de fogos florestais que acontecem todos anos. Achei que podia dar o meu contributo para reduzir esse flagelo", explicou hoje à Lusa um dos autores do projecto, Filipe Gandra.
 
O jovem de 26 anos, natural de Barcelos, adiantou que a "ideia" começou a ganhar forma quando o amigo e colega Fábio Jácome, 29 anos, de Viana do Castelo, decidiu "associar-se" ao projecto, na vertente da gestão da floresta e da paisagem. Filipe Gandra, a frequentar o mestrado em Agricultura Biológica da ESA do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (IPVC), e Fábio Jácome, engenheiro do ambiente pela mesma escola, recorreram ao "crowdfunding" para garantir os seis mil euros necessários ao arranque do projecto.
 
As primeiras cabras corta-mato deverão estar no terreno dentro de dois meses, em Vila Cova, uma aldeia de Barcelos. Para os autores do Quintal Holístico, "o facto de os animais terem sido progressivamente retirados dos seus ecossistemas, nomeadamente das florestas, contribuiu para o crescimento descontrolado dos materiais vegetais combustíveis — designados normalmente por matos —, que nos períodos mais secos aumentam a sua matéria seca, tornando-se materiais facilmente inflamáveis".
 
"Todos os anos, os fogos destroem milhares de hectares de floresta. Existe pouca gestão dos terrenos, nomeadamente dos matos que crescem sistematicamente. Como são materiais combustíveis necessitam de controlo, e com o pastoreio dos caprinos consegue-se uma redução dos materiais secos combustíveis", frisou. Explicou ainda que a escolha dos caprinos fica a dever-se "ao comportamento alimentar" desta espécie, "ajustado ao objectivo, uma vez que seleccionam e procuram partes específicas e mais nutritivas das plantas, não as destruindo completamente". Por outro lado, "a sua anatomia permite-lhes adaptarem-se às condições íngremes das florestas, conseguindo facilmente subir, equilibrarem-se e alimentarem-se em zonas de declive acentuado".
 
No entanto, adiantou que "o objectivo passa por utilizar outros animais como as ovelhas, cavalos, e vacas". "Cada espécie tem uma função dentro do sistema agroflorestal. O nosso papel é gerir a função desses animais para que eles nunca cheguem a destruir o coberto florestal", disse.
 
O projecto de Filipe e Fábio "já despertou a atenção" de associações ambientalistas como a Quercus, a Green Savers, a Agrobio e a Associação dos Agricultores do Porto. "Se resultar, o objectivo é replicá-lo noutras zonas do país até porque já fomos contactados por vários proprietários interessados na ideia", adiantou. O Quintal Holístico tem uma campanha na plataforma portuguesa de "crowdfunding" PPL para garantir o financiamento dos seis mil euros, online até 19 de Outubro. O valor destina-se à aquisição de cercas eléctricas, reconstrução de um edifício para alojamento dos animais e aquisição de cerca de 100 a 150 cabras.

PSD acusa Governo de ignorar pessoas que tinham agricultura de complementaridade


15 DE NOVEMBRO DE 2017 - 18:48

Hugo Soares esteve em Tondela, um dos concelhos mais fustigados pelos incêndios, para uma reunião com o presidente da Câmara.

Incêndios: Governo esqueceu-se das pessoas que tinham agricultura de complementaridade

O líder do grupo parlamentar do PSD, Hugo Soares, considerou que o Governo se tem esquecido das pessoas que se dedicavam a uma agricultura de complementaridade, antes de terem sido atingidas pelos incêndios de 15 de outubro.

"O Governo tem-se esquecido dessa gente e parece-nos que, aquilo que são as respostas que encontrou, são demasiado burocráticas e exíguas do ponto de vista financeiro. Estamos a falar de 1.053 euros e dificilmente dará para comprar um par de alfaias agrícolas", observou Hugo Soares.


No final de uma reunião com o presidente da Câmara de Tondela, um dos concelhos fustigados pelos incêndios do mês passado, Hugo Soares sublinhou ainda que estas pessoas, que não tinham uma agricultura profissional, mas também já não tinham apenas uma agricultura de subsistência, referindo que são essencialmente idosos, sem acesso a computadores e internet.

"A necessidade de essas pessoas terem de preencher eletronicamente novas fichas, para poderem agora aceder a apoios, depois de terem declarado prejuízos, parece-nos manifestamente burocrático. Por outro lado, o facto desses pedidos de apoio terminarem o seu prazo já durante o mês de novembro", sustentou.

Aos jornalistas, Hugo Soares avançou que o grupo parlamentar do PSD irá apresentar um projeto de resolução com caráter de urgência, que preveja o aumento desse prazo e que facilite as regras burocráticas, tendo em conta o público-alvo.

"Vamos procurar também um reforço no apoio financeiro a essa gente porque é, de facto, muito exíguo e não chega para corresponder às necessidades das pessoas", acrescentou.

Ainda em matéria de apoios, na sequência dos incêndios, o líder parlamentar social-democrata lembrou que apresentaram várias iniciativas na proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2018.

"Iniciativas essas que vão ao encontro do apoio às famílias, como seja a isenção do IMI no ano 2017 e 2018 relativamente às habitações afetadas pelos incêndios, na entrega de contribuições à Segurança Social para as empresas que perderam mais de 20% dos seus ativos", apontou.

Ao Governo deixou o pedido para que seja "expedito nas respostas" e que possa "acolher as sugestões do PSD".

"Parece muito importante que neste Orçamento do Estado, sobretudo nesta matéria, o Governo seja capaz de olhar para as propostas pelo mérito e não numa lógica de 'partidarite' e de tentar sempre chumbar as propostas do maior partido da oposição. Que possa aproveitar o que nós fizemos e que vai ao encontro das reais necessidades da população", concluiu.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Madeira das áreas ardidas vendida a preço de saldo


14 nov, 2017 - 19:42 • Paula Costa Dias

Milhares de toneladas estão a ser vendidas por um valor muito baixo devido ao excesso de oferta. Produtores temem substituição das áreas de pinhal por eucaliptos.
Foto: Joana Bourgard/RR

Reportagem. Um mês depois do fogo. "Perdemos tudo e ainda acham que não estamos a falar a verdade"
Milhares de toneladas de madeira, retiradas das zonas ardidas na região Centro, estão a ser vendidas por valor muito baixo devido ao excesso de oferta.

As serrações não têm mãos a medir e os proprietários têm cada vez mais urgência em livrar-se desta madeira.

Reportagem de Paula Costa Dias
Fernando Dias, administrador de uma serração no concelho da Sertã, diz que as unidades de transformação estão a comprar a madeira queimada "cinco ou seis euros mais barato" em relação ao preço habitual.

A diminuição do preço explica-se também pela diminuição da qualidade, explica o empresário. "A madeira de Pedrógão já está a ficar deteriorada, essa madeira, praticamente, já não tem venda", só dá para triturar ou fazer paletes.

A perda de peso da madeira devido à secagem provocada pelos incêndios é outra razão para a perda de valor comercial. O presidente da Aproflora - Associação de Produtores Florestais e Agrícolas da Zona do Pinhal, Alfredo Dias, pede uma solução urgente, mas não está a ser fácil.

"Os proprietários não têm a capacidade, por eles próprios, de abaterem as árvores e processarem a madeira", afirma Alfredo Dias.

A associação faz esse serviço e não tem tido mãos a medir. No concelho da Sertã há cerca de 700 pequenos produtores florestais que, com os incêndios, estão a sofrer uma quebra significativa nos rendimentos.

"É não só a perda económica que as pessoas tiveram, que é significativa. Os pinheiros com 10 ou 15 anos que as pessoas lá têm valem muito pouco. Estou convencido que, se não forem tomadas medidas, em muitos casos os proprietários nem os vão cortar, porque não compensa o preço que recebem pela madeira que vão tirar de lá", adverte Alfredo Dias.

Outro risco é que os proprietários transformem um pinhal num eucaliptal para conseguirem rendimentos de forma mais rápida, alerta o empresário.

A eliminação das áreas de pinheiro vai deixar as indústrias transformadoras sem matéria-prima nacional e importar "poderá ser muito difícil, senão inviável economicamente".

"Eu acho que isso é altamente preocupante porque há muitos milhares de postos de trabalho na fileira do pinho e é ainda mais relevante para estas zona do interior, porque a indústria de pasta de papel está essencialmente concentrada no litoral, as maiores unidades de processamento de madeira de pinho estão completamente espalhadas no interior. Se deixar de haver matéria-prima essas unidades vão ter que fechar, são milhares e milhares de postos de trabalho que se vão perder. É mais um contributo para a desertificação destas zonas", afirma o presidente da Aproflora.

Nos últimos tempos tem havido um aumento dos pedidos de plantação de eucaliptos em terrenos ardidos, por isso, Alfredo Dias pede que seja aproveitada esta janela de oportunidade para introduzir mudanças na floresta portuguesa, nomeadamente a plantação de espécies mais resistentes ao fogo, numa gestão comum com os diferentes proprietários.

A Guerra tóxica do glifosato


VISÃO VERDE 12.11.2017 às 5h20


Pesticidas - Ciência inquinada - Alguns estudos concluem que o glifosato pode provocar cancro. Outros, que não. Mas a discussão parece manchada por interesses vários

Quando a União Europeia se prepara para decidir se proíbe o glifosato, surgem os "Monsanto Papers" – documentos que revelam promiscuidades entre a gigante de biotecnologia Monsanto e os organismos que declararam o seu pesticida seguro. Por outro lado, a agência da ONU que o considerou "provavelmente cancerígeno" admitiu ter ignorado dados que podiam ter alterado essa classificação. Afinal, em quem podemos confiar?

O avanço da Ciência nem sempre é linear. E no caso da avaliação da segurança do glifosato, aparentemente, quanto mais se descobre, menos se sabe. O último episódio da novela do pesticida mais usado no mundo é a divulgação de dezenas de milhares de páginas de documentos internos da Monsanto – um caso batizado de Monsanto Papers – que revelam ligações demasiado estreitas entre a multinacional de biotecnologia agrícola e algumas entidades que regulam o setor, lançando dúvidas sobre um processo que deveria ser exclusivamente científico. Por exemplo, num email de abril de 2015 agora revelado, um executivo da empresa cita um inusitado desabafo de Jess Rowland, figura de topo da Agência para a Proteção do Ambiente americana (EPA, no original): "Se conseguir matar isto, mereço uma medalha." "Isto" era uma investigação ao glifosato feito pela também americana Agência de Substâncias Tóxicas e Registo de Doenças.

Palavras insólitas – Rowland parecia estar mais a zelar pelos interesses comerciais da Monsanto, agindo como ponta de lança da empresa, do que pelo interesse público, como lhe competia enquanto funcionário de um organismo federal. O comentário de um diretor da Monsanto para os assuntos de regulação parece confirmar esta coincidência de interesses. "Não tenham grandes expectativas. Duvido que o Jess consiga matar isto", escreveu Dan Jenkins, num email para colegas seus.

A Monsanto respondeu, entretanto, a estas revelações: sugeriu que a EPA estava apenas preocupada com a possibilidade de a Agência de Substâncias Tóxicas iniciar uma análise do zero, redundante, quando a própria EPA já estava numa fase muito adiantada do processo. Ou seja, os interesses da EPA e da Monsanto coincidiam, sim, mas por razões distintas. Fosse por que razão fosse, a verdade é que o relatório toxicológico do glifosato dessa agência, que deveria ser publicado uns meses mais tarde, nunca saiu. Alguém matou "aquilo".

A suposta perigosidade do glifosato é uma discussão antiga. Há estudos que apontam para um lado e estudos que apontam para o outro. A Monsanto, que patenteou a substância como herbicida em 1974, garante que quatro décadas de uso generalizado e centenas de investigações científicas atestam a sua inocuidade. A maioria dos organismos oficiais concorda. Mas alguns testes, sobretudo com animais de laboratório, têm efetivamente mostrado resultados opostos, dando o pesticida como possível ou provável causador de cancro, com o linfoma não 
Hodgkin à cabeça. Foi, aliás, essa a categoria que a Agência Internacional de Investigação em Cancro (IARC, sigla internacional) lhe atribuiu, em 2015: "provavelmente cancerígeno".

A entidade, que faz parte da ONU, foi severamente atacada por investigadores e agências reguladoras, que puseram em causa os métodos utilizados. Além disso, o facto de a IARC já ter analisado cerca de mil substâncias ou atividades diferentes, incluindo comer carnes vermelhas e trabalhar como pintor ou num salão de beleza, e só ter definitivamente absolvido uma (crapolactama, um composto aplicado na fibra de nylon), levou muitos críticos a desvalorizarem as conclusões. E, mais relevante, entretanto soube-se que a IARC poderia ter concluído que o glifosato não era cancerígeno se tivesse levado em conta um dos maiores e mais importantes estudos alguma vez feitos. Um estudo bem conhecido por quem classificou o glifosato 
– afinal, o líder dessa comissão é um dos seus autores principais.

E é precisamente no momento mais quente e confuso desta batalha de acusações que a Comissão Europeia tem de decidir se prorroga ou não a licença de uso do glifosato no território da União.


NÓS ESCREVEMOS, ELES ASSINAM
Os documentos internos que parecem atestar a proximidade entre a reguladora do Ambiente dos EUA e a Monsanto foram divulgados por ordem judicial, na sequência de um processo que opõe centenas de pessoas à multinacional, nos EUA, e que pedem indemnizações devido a problemas de saúde (incluindo cancro) alegadamente provocados pelo glifosato vendido com o nome comercial RoundUp. Este caso é, aliás, a principal razão pela qual a Monsanto tem lutado por provar que o pesticida não provoca cancro, e não tanto a possível proibição de uso na Europa – com a patente expirada, empresas chinesas tornaram-se nas principais produtoras e fornecedoras do produto. Para a multinacional americana, o mercado da UE vale cerca de 80 milhões de euros. Uma insignificância, para uma companhia que está em processo de ser adquirida pela gigante Bayer por €56 mil milhões 
(€56 000 000 000). No Velho Continente, o que está a preocupar mais a empresa é o caso que chegou agora a tribunal de um menino francês de dez anos, com malformações congénitas, que a mãe atribui ao facto de ter utilizado Glyper, um genérico do RoundUp, quando se encontrava grávida.

Independentemente das razões da Monsanto, há mais sinais de promiscuidade. Como o que transparece em setembro de 2015, durante uma teleconferência sobre o glifosato entre especialistas de várias agências mundiais (incluindo a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, EFSA). "Já falei sobre o glifosato com a EPA. Eles sentem que alinharam a EFSA durante a teleconferência", escreveu um quadro da empresa no dia seguinte à reunião. Não é clara a identidade do interlocutor da EPA, mas outro email volta a falar de Jess Rowland como aliado. "Jess vai reformar-se da EPA daqui a 5 ou 6 meses", diz um memorando interno de setembro de 2015. "E ainda nos pode ser útil na defesa do glifosato." Depois da reforma, Jess Rowland tornou-se consultor para a indústria química. Mas os seus advogados demonstraram em tribunal que, nas suas novas funções, o especialista nunca colaborou, direta ou indiretamente, com a Monsanto, nem recebeu dinheiro da empresa.

Outra questão que está a gerar insinuações é o facto de a Agência Europeia das Substâncias Químicas ter desvalorizado um estudo feito com ratos, em 2001 (quando decretou a segurança do glifosato), com a justificação de que os animais tinham sido vítimas de uma infeção viral – acontece que a primeira menção a uma infeção viral nos ratos surge num estudo patrocinado pela Monsanto, nesse mesmo ano. E a própria EFSA não sai imune. Foram encontrados num relatório de avaliação (com 4300 páginas) alguns trechos copiados ipsis verbis de um estudo patrocinado pela empresa. Um porta-voz da agência desvalorizou a polémica: "É importante sublinhar que estes são extratos e referências de estudos publicamente disponíveis submetidos pelo requerente como parte da sua obrigação, de acordo com a legislação de pesticidas, de apresentar investigação." A EFSA diz também que este relatório de avaliação é independente do estudo que avalia o risco do glifosato (publicado na revista científica da EFSA em 2015). Ou seja, a decisão de dar o herbicida como seguro não terá dependido do relatório que inclui esses parágrafos copiados da investigação apoiada pela Monsanto.

Finalmente, há suspeitas de que funcionários da multinacional escreveram, na sombra , parte de um grande estudo científico a advogar a segurança do glifosato. Segundo um email de final dos anos 90 escrito por um executivo da empresa, este ghostwriting (expressão usada) seria uma forma de poupar dinheiro, já que a investigação contratada a investigadores de fora custaria 250 mil dólares (hoje, €212 mil): "Uma opção seria pedir a Greim e Kier or Kirkland [cientistas externos] para porem os nomes deles no relatório, mas manteríamos os custos baixos se formos nós a escrever e eles só assinavam, por assim dizer." O estudo em causa foi publicado no ano 2000, na revista científica Regulatory Toxicology and Pharmacology. 
O vice-presidente da Monsanto para a estratégia global, Scott Partridge, diz que houve, e há, colaboração dos cientistas da multinacional com outros investigadores, para lhes dar acesso a dados de investigação próprios. Mas, garante, é só isso. "Não há nada secreto ou escondido. O que lamento é o uso infeliz da palavra ghostwriting. É uma forma inapropriada de referir a colaboração científica que aconteceu." A New York Medical School, universidade onde trabalha o autor principal desse estudo, já investigou o assunto e concluiu que "não há evidências" de que tenha havido ghostwriting.

O ESTRANHO CASO DO ESTUDO IGNORADO
A Monsanto está debaixo de fogo, mas não deixou de ripostar. E o alvo é a IARC. Em tribunal, os advogados da empresa questionaram Aaron Blair, o cientista que presidiu ao processo que classificou o glifosato como "provavelmente cancerígeno", levando-o a admitir ter ignorado um estudo crucial na avaliação. Quando lhe perguntaram se essa investigação mostrou que não havia relação entre o pesticida e o linfoma, Blair respondeu "correto", de acordo com a agência Reuters; à questão "a conclusão seria diferente se esses dados tivessem sido considerados?", Blair voltou a retorquir "correto".

Esse estudo é uma revisão recente do Agricultural Health Study, uma ambiciosa investigação em curso, iniciada em 1993 (com o apoio, entre outras entidades, do Instituto Nacional de Cancro, dos EUA), sobre o uso de pesticidas e que já leva 89 mil participantes, entre agricultores e as suas famílias. Blair é um dos autores dessa pesquisa, mas não o referiu aos colegas da IARC. Do banco das testemunhas, explicou que a investigação, pronta há dois anos, não foi tida em conta porque não havia sido ainda publicada numa revista científica, e a IARC só analisava estudos publicados. Mas a justificação por ter decidido não publicar o trabalho – era "demasiado extenso" – não convenceu vários cientistas ouvidos pela Reuters. A Monsanto acusou o cientista de ter escondido deliberadamente o estudo e acusou a IARC de "vandalismo científico", por ter ignorado dados tão relevantes. Já o diretor-executivo da autoridade europeia, a EFSA, diz que a IARC abandonou a Ciência e entrou "no domínio do lóbi".

Os problemas com a classificação da IARC não terminam aqui. O facto de ter chegado às suas conclusões em reuniões que demoraram apenas uma semana revelou-se razão suficiente para muitos investigadores duvidarem da seriedade do processo. Além disso, o único especialista externo que participou na análise "cancerígena" da IARC, Christopher J. Portier, era colaborador assalariado da Environmental Defense Fund, uma associação antipesticidas. Mas a maior falha apontada foi a escolha dos estudos, que a Monsanto diz ter sido feita a dedo, deixando de fora investigações respeitadas e favorecendo outras, menos sólidas. Incluindo um desacreditado estudo do francês Gilles-Éric Séralini, cientista e ativista contra organismos geneticamente modificados. 
O trabalho em causa mostrara um aumento de casos de cancro em ratos alimentados com milho geneticamente modificado e glifosato da marca RoundUp, da Monsanto. Mas muitos investigadores alertaram para a pequeníssima amostra de animais (estatisticamente, deveriam ter sido usados 65 ratos por grupo, e Séralini ficou-se pelos dez) e questionaram a espécie usada, que é particularmente propensa a contrair cancro com a idade. O teste chegou a ser publicado, mas foi depois retirado pela própria revista científica, com o argumento de que os dados eram duvidosos.

Com a ciência inquinada por acusações de manipulação de ambos os lados, a renovação da licença do glifosato na UE por mais dez anos não podia vir em pior altura. Mas, até ao fim do ano, terá mesmo de haver uma decisão. Já deveria ter sido tomada no início de 2016 – na altura, o impasse nas negociações (a França liderou a oposição ao herbicida) prorrogou o prazo para dezembro de 2017. Não é certo o desfecho. Com tantas contrainformações, seria natural que se aplicasse o princípio da precaução, não fossem os custos tão elevados: não há uma alternativa economicamente viável ao glifosato.

Portugal, onde 12 autarquias já não usam o pesticida nos seus espaços verdes, não tem uma posição clara (na votação do ano passado, absteve-se). Questionado pela VISÃO, o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural diz que "está a analisar as mais recentes informações" e que "decidirá o seu sentido de voto em função desta análise". Resta saber se as mais "recentes informações" ajudam ou dificultam a decisão.

O imbróglio de Macron

O Presidente francês prometeu votar contra a renovação por dez anos do glifosato, piscando o olho aos ambientalistas. Mas os agricultores entraram em pânico: estimam-se perdas de quase mil milhões de euros

O anúncio caiu como uma bomba: a 22 de setembro, duas semanas antes das reuniões de especialistas europeus sobre o futuro do glifosato na UE, França avisou que ia votar contra o prolongamento da licença do pesticida por mais dez anos. 
A decisão é estranha, atendendo a que dois em cada três agricultores gauleses aplicam glifosato, e que as perdas para a agricultura se calculam em €976 milhões por ano. Emmanuel Macron enfrenta, assim, um dos mais poderosos setores de França.

Por outro lado, ganha o apoio da esquerda ambientalista, liderada pelo seu ministro da Transição Ecológica e Solidária, o popular ativista Nicolas Hulot, que valerá cerca de 15% do eleitorado.

DEZ, NÃO. MAS SETE...
Não parece haver solução que agrade a ambas as partes 
– agricultores e ambientalistas estão em polos opostos. A declaração taxativa do governo francês parece ceder às exigências dos "verdes", mas, em política, há que ler nas entrelinhas. A decisão é de votar contra o prolongamento por dez anos. E se alguém puser em cima da mesa uma renovação mais curta, ou um período de adaptação?

Aparentemente, é assim que Macron pensa salvar a face. Após uma grande manifestação de agricultores contra a anunciada posição gaulesa, o ministro da Agricultura, admitiu que o governo apoiaria um prolongamento de cinco a sete anos. Mas o ideal para o Presidente seria que o voto francês não fosse decisivo. Dessa forma, até poderia votar contra qualquer proposta, mantendo a promessa, mas sem consequências práticas que afetassem os agricultores.

Este debate acontece num momento em que os grupos antiglifosato ganham um novo aliado: os pais de Théo Grataloup, um rapaz de dez anos com graves problemas de saúde, são os primeiros, em França, a processar a Monsanto, acusando um derivado do RoundUp de ter provocado as doenças do filho.

Como combater a falta de água? Mais barragens

13 DE NOVEMBRO DE 2017 - 15:49

Francisco Taveira Pinto, presidente da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, defendeu, na TSF, a construção de mais barragens como meio para minimizar os efeitos da seca.

O presidente da Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos recomenda que o país comece a elaborar um novo plano de barragens para fins múltiplos, que permitam também armazenar água para o abastecimento às populações.

Francisco Taveira Pinto, presidente da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos, em entrevista a Dora Pires, no Almoço TSF
Francisco Taveira Pinto defende a construção, "num curto espaço de tempo (em alguns anos), dessas infraestruturas que constituam reservas estratégicas de água para quando ocorram esses eventos extremos".


"A utilização dessas infraestruturas para fins múltiplos é a única forma de as rentabilizar e de torná-las socialmente mais aceitáveis", explica, "se for só para produção de energia, o grau de aceitação será menor. Mas se for para abastecimento de água, para prever situações extremas de seca ou para combate aos incêndios, a aceitação é mais fácil e torna-se também mais rentável".

Taveira Pinto defende que é também tempo de se pensar em sistemas de dessalinização de água do mar, sobretudo porque, afirma, há já métodos mais baratos que permitem o alívio dos custos do processo.

Quanto à campanha de sensibilização ao público para a falta de água, lançada nos últimos dias pelo Governo, o presidente da Associação Portuguesa de Recursos Hídricos considera que era conveniente ter sido feita logo desde o início do período de seca.

Comité de recurso vai tentar resolver impasse no glifosato



De
Isabel Silva

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Últimas notícias: 09/11/2017

Terminou num impasse a reunião de peritos dos 28 países da UE, quinta-feira, em Bruxelas, sobre a renovação da licença de herbicidas à base de glifosato, que a Organização Mundial de Saúde diz ser potencialmente cancerígeno.

 Comité de recurso vai tentar resolver impasse no glifosato

Terminou num impasse a reunião de peritos dos 28 países da UE, quinta-feira, em Bruxelas, sobre a renovação da licença de herbicidas à base de glifosato, que a Organização Mundial de Saúde diz ser potencialmente cancerígeno. Um comité de recurso será agora consultado.


"Não esperamos a posição dos Estados-membros mudem nesta altura. A Comissão deve ouvir-nos e mudar sua proposta para uma proibição de glifosato", disse a ativista da Greenpeace, Franziska Achterberg.

Questionada pela euronews sobre se espera que o comité mude o rumo da negociação, a ambientalista respondeu que "não, porque quando se pronunciou sobre os organismos geneticamente modificados e sobre outros pesticidas, não houve mudança de posição".



A Comissão Europeia tinha uma proposta inicial de dez anos, que reduziu para cinco – seguindo o conselho do Parlamento Europeu -, mas alguns países querem que seja já totalmente proibido.

"Alguns Estados-membros mudaram de ideias na boa direção, mas gostaria de ver outros a fazer o mesmo. Estou a pensar na Alemanha, que teria de afrontar a indústria química dizendo-lhe que "o mundo está a mudar"", disse Philippe Lamberts, co-presidente dos Verdes no Parlamento Europeu.

A licença para o uso de glifosato expira a 15 de dezembro, sendo que é a substância química mais usada na agricultura em todo o mundo para matar ervas daninhas.

Agências europeias para a saúde e para os produtos químicos dizem que o glifosato é seguro.

Vacas e plantas com ligação à internet


FUTURIS
Vacas e plantas com ligação à internet
Euronews

Será que as vacas precisam de internet? Como é que as novas tecnologias mudam a agricultura e nos ajudam a cuidar do meio ambiente? Um experiência inovadora de agricultores e engenheiros europeus coloca coleiras nas vacas – uma espécie de pulseira de fitness – com uma ligação constante à internet. De acordo com os agricultores, estes e outros aparelhos não só melhoram o bem-estar das vacas, como também ajudam nos negócios.

A família de Brian está à frente de uma quinta há três gerações, mas cuidar das vacas leiteiras nunca foi tão fácil. Brian recebe e-mails no smartphone do sistema informático da quinta que o alertam para possíveis alterações na saúde e na fertilidade da vaca. Os dados provêm dos colares que as vacas usam: "A coleira colar indica que houve uma queda nas médias de alimentação, no tempo médio de ruminação, ou na atividade da vaca. Qualquer um destes fatores pode ser um indicador que a vaca está doente ou está apenas a começar a ficar doente. O fator-chave é que estas coleiras conseguem detetar estes problemas antes de se tornarem realmente graves", explica Brian Weatherup.

O ato de comer faz com que os músculos do pescoço se movam. Algo captado pelos sensores da coleira. Os dados são reunidos e processados. Os criadores das coleiras pretendem adicionar também um mecanismo de localização.

Os robôs de ordenha medem o volume e a composição do leite produzido por cada vaca. Os agricultores podem utilizar estes dados para melhorar a produtividade e o bem-estar dos animais. Estas e outras inovações estão a ser estudadas em 24 quintas do Reino Unido. fazem parte de um projeto de investigação europeu para tornar a agricultura mais sustentável e eficiente.

Segundo Brian, 6 meses depois da implementação das novas tecnologias, a produção aumentou 20% e a saúde das vacas melhorou. Os investigadores veem grande potencial na integração desta tecnologia em toda a cadeia de produção.

As dezenas de milhares de estufas em Almería, em Espanha, são também um local de estudo. Uma das estufas experimentais está equipada com vários sensores que mostram exatamente o estado das plantas.

"Estamos a tentar simplificar a aquisição dos dados dos produtores através de diferentes protocolos numa única base de dados na nuvem. Então, podemos usar a inteligência artificial e as grandes tecnologias de dados com esta base de dados para chegar a determinadas conclusões, que englobam toda a região, para comparar e melhorar ainda mais o trabalho dos produtores", explica o professor Manuel Berenguel.

Mede-se a humidade do solo, o peso das plantas, a composição do ar e outros indicadores, para ajudar os agricultores a cultivar melhores produtos, ao mesmo tempo em que otimizam a irrigação e o uso de fertilizantes.

Os tomates foram colhidos, mas a recolha de dados continua. Aqui, é possível processar 2 milhões de quilos de tomates por dia – uma tarefa possível devido ao avanço da tecnologia. As máquinas tiram fotografias de cada tomate para os classificar automaticamente por tamanho, cor e até ao nível do gosto.

Os investigadores estão a trabalhar para combinar os dados das etapas de crescimento e de processamento numa única base de dados que acompanharia cada tomate da quinta até à loja. Algo que iria melhorar a segurança alimentar e ajudaria a tornar toda a cadeia mais eficiente.

Os resíduos de zonas urbanas e rurais normalmente contaminam a água com nutrientes excessivos – principalmente nitrogénio e fósforo. Isso prejudica os ecossistemas subaquáticos. Mas a concentração de nutrientes varia ao longo do dia. Os laboratórios terrestres não conseguem medir as alterações em tempo real. Um laboratório debaixo da água pode ser a solução.

"Em vez de recolher uma amostra e de a analisar no laboratório, podemos deixar o sensor implantado no local durante muito tempo. Consegue tirar medidas a cada 15 minutos e recolher conjuntos de dados longos, fornecendo dados de alta resolução. O que nos permite fazer uma avaliação das tendências que não seriam visíveis se apenas recolhessemos amostras, periodicamente", explica o investigador Alex Beaton.

Outro dispositivo, desenvolvido por outro projeto de investigação europeu, é o denominado "lab-on-a-chip" – um sistema relativamente compacto e acessível que integra várias funções de laboratório. É de fácil utilização e permite tirar medidas recorrendo a uma única ferramenta.

O lab-on-a-chip possui reagentes líquidos. Os sensores óticos detetam alterações de cor que indicam a presença de determinadas substâncias na água. Todos os produtos químicos são armazenados com segurança dentro do dispositivo.

Investigadores académicos trabalham com PMEs para melhorar vários sensores em termos de funcionalidade, custo e tamanho – como um dispositivo que mede os hidrocarbonetos na água usando a fluorescência de moléculas orgânicas.

Simplificar a fabricação é um grande desafio. Uma spin-off dinamarquesa produz microsensores de extrema precisão utilizados por investigadores de todo o mundo. Cada sensor é feito manualmente a partir de um tubo de vidro. Um trabalho meticuloso que requer precisão e paciência.

Os microsensores podem ser úteis para várias tarefas, desde análises de sangue até o controlo da poluição e das emissões de gases com efeitos estufa. Para responder a esta possível procura, os produtores de microsensores estão a trabalhar em novos métodos de produção em massa que substituem o vidro pelo plástico, aumentando a longevidade dos dispositivos, tornando-os mais resistentes e mais acessíveis.

 
Dos campos e quintas até o fundo do oceano, as novas tecnologias ajudam-nos a compreender o nosso complexo mundo.

Agricultura na UE: Portugal é o país onde há mais trabalho ilegal


Euronews


O trabalho ilegal é um problema no setor agrícola da União Europeia e Portugal está no topo da tabela.
Segundo um estudo apresentado hoje pelo Centro de Direito e Política Alimentar de Milão, em Portugal, 60% dos trabalhadores na agricultura estão em situação ilegal.

Os autores do estudo pedem à União Europeia para travar este fenómeno.

Depois de Portugal, Roménia e Itália são os que mais utilizam a mão de obra ilegal na agricultura. Alemanha e Áustria são os países menos afetados. 
O estudo do observatório de Milão identifica algumas das causas deste fenómeno, entre elas, está a falta de cooperação entre os membros da UE para fazer frente ao problema.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

Governo cria empresa pública de gestão da floresta

14 DE NOVEMBRO DE 2017 - 10:36

Depois dos fogos em matas nacionais o Governo decidiu entregar a gestão das florestas a uma empresa que vai ser criada no próximo ano.

O terramoto que abalou Irão e Iraque em imagens


O ministro da Agricultura, Floresta e Desenvolvimento Rural anunciou esta terça-feira, no parlamento, que vai criar uma empresa pública para a gestão da floresta.

Capoulas Santos revelou que "o governo decidiu e terá expressão orçamental neste Orçamento do Estado criar uma empresa pública para a gestão da floresta. Nós queremos que o Estado avance, dê o exemplo e possa ter uma atitude mais pró-ativa, que demonstre à sociedade civil que é possível gerir a floresta de acordo com os novos instrumentos".

O ministro Capoulas Santos anunciou a criação de uma empresa de gestão pública das florestas

Depois desta primeira declaração e no decorrer do debate parlamentar o ministro sentiu a necessidade de dar mais esclarecimentos sobre esta matéria. Capoulas dos Santos adianta que "esta empresa não se destina a gerir as matas públicas. É uma empresa que se vai colocar no mercado como uma entidade de gestão florestal cujo principal objetivo será arrendar ou comprar terras, sobretudo na pequena propriedade, para ganhar dimensão e criar uma entidade de gestão florestal similar aquelas que pretendemos que a sociedade civil venha a criar através dos incentivos fiscais" aprovados.

Recentemente, o governo publicou um despacho onde pedia ao Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), administrador das matas nacionais, medidas de estabilização e de recuperação da área atingida pelo fogo.

No mesmo despacho, o executivo adiantava que queria ter em cima da mesa, em fevereiro de 2018, uma avaliação dos modelos de organização territorial, revisão dos planos de gestão florestal em vigor, um programa de rearborização e um plano de defesa contra incêndios.

Nesta audição, o ministro reforçou ainda a ideia de que vão aumentar até final de 2019 o número de equipas de sapadores florestais; vão passar a existir 500 equipas.

Entretanto, esta terça-feira, durante a audição do ministro Capoulas Santos foi revelado que já são 10 mil as candidaturas dos agricultores afetados pelos incêndios receberem indemnizações, um processo que formalmente arranca no final do mês.

Capoulas Santos revelou que, apesar das candidaturas abrirem só a 30 de novembro, o ministério da Agricultura já tem uma lista com 10 mil candidatos e "estes serão agora os primeiros a serem contactados para que os serviços expliquem qual a medida a que se pode candidatar".

Outra medida de apoio ao mundo rural afetado pelos fogos tem a ver com a produção de mel. "Amanhã [quarta-feira] mesmo começam a ser distribuídas 70 toneladas de açúcar, que iremos distribuir através das associações de apicultores, para a alimentação das abelhas durante o inverno", anunciou.

O ministro explica que a distribuição de açúcar será feita através de três bases logísticas distribuídas pelo território.