segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Vinhos: Tendências para um futuro próximo


05 Jan 2015 < Início < Notícias

As tendências vêm e vão ao sabor das marés. Algumas estão em franca regressão de popularidade enquanto outras aparentam estar em franca ascensão na hierarquia social do vinho. Palavras-chave: madeira, 'vinhos naturais', vinhos secos, espumante, garrafas leves.
O ditado popular "ano novo, vida nova" faz parte da tradição e do imaginário social da quadra que atravessamos. Com o começo de cada ano civil regressa a oportunidade para argumentar sobre algumas das tendências futuras, alguns dos fenómenos que poderemos observar ao longo deste novo ano de 2015 que poderão mudar a nossa percepção e valorização do vinho.
Tal como em qualquer outra actividade económica, o vinho também navega ao sabor das modas e tendências velejando em águas agitadas que variam de acordo com os ditames de cada época. O que valorizávamos num passado recente passa a ser quase irrelevante no presente, da mesma forma que o que enaltecemos no presente passará a ser um acessório menos entusiasmante num futuro muito próximo.
A velocidade destas transformações foi acelerada pelo modelo social em que vivemos, pela sofreguidão pela novidade, pelo entusiasmo com que abraçamos propostas novas, independentemente da sua validade ou do seu fundamento. Mesmo o mundo sempre tão conservador do vinho, um mundo que durante décadas se conseguiu manter relativamente distante dos fenómenos da moda e que se pautava por um classicismo quase barroco, teve de se adaptar a estas convulsões sociais que obrigam a seguir cartilhas diferentes que se renovam a um ritmo intenso e intimidante.
Exemplos destas tendências que vão surgindo com uma agilidade surpreendente são aquilo que se chama de vinhos biológicos, biodinâmica, vinhos naturais, vinhos de graduação alcoólica elevada, vinhos leves, vinhos sem álcool, vinhos vegan, vinhos sem sulfuroso, vinhos sem madeira, vinhos com duas ou três passagens por barricas novas e um sem fim de outros jeitos e feitios que em muitos casos não passarão de modas passageiras.
Pouco importa se quem segue estas tendências compreende a filosofia inerente a cada proposta, pouco importa se cada uma destas tendências tem justificação e proporciona resultados bondosos. Em muitos casos infelizmente o mais importante é apanhar o comboio, entrar a bordo do sabor do mês, abraçar causas que nesse momento têm valor acrescentado e que geram uma imagem positiva. As tendências vêm e vão ao sabor das marés. Algumas estão em franca regressão de popularidade enquanto outras aparentam estar em franca ascensão na hierarquia social do vinho.
A madeira é uma dessas tendências, ou melhor, a ausência da sua presença ou, no mínimo, a diluição da sua percepção. Se num passado recente se enalteciam os sabores tostados e caramelizados da barrica, a presença e peso da baunilha, coco, chocolate e demais tiques aromáticos da madeira, hoje a tendência é fugir do sufoco e peso destes aromas para apostar em vinhos mais discretos e joviais, onde sobressaia a frescura e a pureza da fruta em detrimento do fardo dos excessos de madeira. E quando a presença da madeira é obrigatória, sobretudo nos vinhos do segmento hierárquico mais elevado, a tosta surge muito mais discreta e menos penalizadora da elegância e clareza do vinho.
A outra tendência é a aposta em madeira e barricas de diferentes proveniências deixando de lado o duopólio do carvalho francês e americano para abraçar madeiras oriundas de outras paragens como o carvalho húngaro, austríaco, russo, esloveno ou de outras paragens mais exóticas, Igualmente exótica é a inclinação para a utilização de tipos de madeiras diferentes, madeiras usadas num passado distante e cujo uso deixou de estar na moda, assistindo-se hoje a uma recuperação de simpatia pela experimentação de madeiras como a acácia, cerejeira, mogno ou outras espécies ainda mais excêntricas.
Os vinhos naturais, nome ostentoso e reprovável que revela tiques de superioridade moral ao assumir os restantes vinhos como "pouco naturais", é outra das tendências que aparentemente continuará a marcar este ano de 2015. A noção de vinhos puros e sem a ilusória mácula dos produtos processados é algo que continua a marcar pontos mesmo se a sua adaptação para o mundo do vinho seja forçada e pouco consentânea com a realidade.
Agricultura sustentada e sem a presença de produtos de síntese é não só recomendável como proveitoso para a planta e para o ambiente mas a adopção de práticas exageradas na adega é frequentemente sinal de vinhos maus, vinhos com defeitos há muito erradicados, vinhos que sem o rótulo natural dificilmente teriam lugar à mesa.
Uma tendência mais que prometida para este 2015 é a propensão nacional e internacional para vinhos mais secos numa fuga declarada aos vinhos marcada ou envergonhadamente doces. Uma atracção geracional que poderá ser pouco favorável para os nossos extraordinários vinhos generosos e que indica uma necessidade de maximizar a frescura e secura de alguns dos estilos. Quem poderá lucrar com esta veia de secura são os vinhos da região do Vinho Verde, vinhos que beneficiam igualmente da tendência para os vinhos mais leves e com menor grau alcoólico.
Mais leves serão igualmente as garrafas de vidro que muito em breve deixarão de ser ultra pesadas no segmento da cadeia de preço mais elevado. A pegada ecológica e a pressão mediática começam a afastar consumidores e produtores da utilização dos modelos de garrafas mais caras, e mais pesadas, alegrando os dois lados da barreira.
Continuaremos igualmente a presenciar o desenvolvimento da produção de vinhos espumantes, mesmo em regiões onde a tradição nunca existiu ou em regiões sem aptidão natural para a sua produção. A febre dos vinhos espumantes continua a atacar graças a uma popularidade crescente destes vinhos junto dos consumidores, facto que naturalmente desperta o interesse de muitos para este mercado. Os resultados dos novos produtores têm demorado a chegar mas quem sabe se não teremos surpresas neste novo capítulo?
 
Fonte: Público / Rui Falcão

Aplicação da disciplina financeira – Campanha 2014 (IFAP)

Dezembro 30
09:37
2014

De acordo com o princípio da Disciplina Financeira, referido no artigo 11º do Regulamento (CE) n.º 73/2009, os montantes destinados a financiar as despesas relacionadas com o mercado e os pagamentos diretos da Política Agrícola Comum, devem respeitar os limites máximos anuais fixados por Decisão dos representantes dos Governos dos Estados-Membros. Com este objetivo, sempre que as previsões do financiamento daquelas medidas indiquem que o limite máximo anual será excedido deverá ser fixado um ajustamento dos pagamentos diretos.

Uma vez que as previsões relativas aos pagamentos diretos e às despesas relacionadas com o mercado, constantes do projeto de orçamento da Comissão para 2015, indicaram a necessidade de disciplina financeira, revelou-se necessário proceder à fixação de uma taxa de ajustamento dos pagamentos diretos.

Deste modo, o Regulamento (UE) n.º 1227/2014, vem determinar que os montantes dos pagamentos diretos, incluindo o POSEI, superiores a 2000 euros, a conceder aos agricultores por conta de pedidos de ajuda apresentados relativamente ao ano de 2014, serão deduzidos em 1,302214%, independentemente da data em que são efetuados.

Há um lugar no mundo onde o vinho é mais barato do que a água

CONSUMO
4/1/2015, 23:23
Queda da procura internacional e excesso de produto no mercado interno são alguns dos motivos porque, na Austrália, o vinho é mais acessível do que a água. Quem diria?


AFP/Getty Images

É amante de vinho? Se sim, vai acrescentar o país australiano à lista de destinos a visitar em 2015. Isto porque na Austrália, imagine-se, alguns vinhos são mais baratos do que a água engarrafada. Numa ida ao supermercado local é provável que encontre uma garrafa de vinho tinto a menos de um dólar australiano (0,67 euros), enquanto uma garrafa de água engarrafada de 350 ml custa, em média 2,50 dólares (1,7 euros). É só fazer as contas (e as malas).

"Os vinhos estão mais baratos do que uma garrafa de água", diz o professor Kym Anderson, do Centro de Pesquisa Económica de Vinho de Adelaide, à BBC. Esta não é a primeira vez que tal acontece, muito embora a situação comece a ser preocupante, segundo os especialistas consultados pelo estação pública britânica. Regra geral, os preços estão a ser afetados por diferentes fatores interligados entre si, incluindo as taxas de câmbio recentes, a queda da procura internacional e o excesso de produto no mercado interno.

Por partes. O aumento da moeda australiana em relação ao dólar americano, entre 2011 e 2013, prejudicou a indústria do vinho. É Paul Evans, diretor executivo da Federação de Produtores de Vinho da Austrália, quem o diz. "Uma grande parte do volume que exportávamos regressou ao mercado interno quando a procura internacional pelo nosso vinho caiu." Por essa razão, a concorrência entre os produtores locais está a crescer, levando à consequente baixa dos preços. "Isso também é um incentivo para as importações e, assim, vimos crescer substancialmente as vendas de vinhos importados no mercado interno".

Outro fator a ter em conta é o imposto sobre o álcool, o qual varia de acordo com o produto e não com o teor alcoólico que cada unidade acarreta — o vinho e a cidra tem um imposto diferente, por exemplo. Quanto mais barato for o vinho, mais baixo será o imposto, o que pode suscitar uma divisão dentro da própria indústria, assegura Robin Room, investigador que dirige o Centro Turning Point de Álcool e Drogas, em Melbourne.

O duopólio de duas grandes cadeias de supermercados, Woolworths e Coles, também tem a sua quota-parte de responsabilidade. Ambas controlam mais de 70% de todas as vendas de vinho a retalho, situação que gera preocupação entre a Federação de Produtores de Vinho da Austrália: se por um lado esta entidade aplaude o investimento que tem sido feito na indústria pelas respetivas empresas, por outro, afirma que a situação precisa de ser revista.

"Há uma incompatibilidade considerável entre o poder dos retalhistas e os produtores de vinho que está a afetar negativamente a indústria do vinho como um todo", explica Evans, o que implica que a margem de lucro dos produtores de uva esteja a cair significativamente. Ainda assim, nem todos contestam o poderio do duo de supermercados, os quais chegam a ser vistos como uma ajuda aos produtores de vinhos num período difícil.

De uma forma geral, escreve a BBC, o preço dos vinhos é aceite por alguns produtores e pelos consumidores, além de ser uma "vitória" para os grandes retalhistas. No entanto, a federação faz questão de salientar que a situação não é sustentável. Enquanto o cenário não muda, uma coisa é certa: além do sol, praias, paisagens naturais e qualidade de vida que caracterizam a Austrália, o destino fica agora conhecido por ser um oásis do vinho, pelo menos, no que a preços diz respeito.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Assunção Cristas, a mulher que se segue no CDS?


03 Janeiro 2015322 partilhas
Catarina Falcão

Desde que chegou à política tem sido figura constante ao lado de Paulo Portas e assume cada vez mais relevo dentro do partido. Estará Cristas na linha de sucessão da liderança do CDS?

Há sete anos, Assunção Cristas era uma figura desconhecida do panorama político nacional. Atualmente é uma das ministras mais populares do Governo de coligação e é comum vê-la ao lado de Paulo Portas, vice-primeiro-ministro e líder do CDS-PP, tornando-se assim uma das vozes com mais destaque dentro e fora do partido. Em 2015, terá a missão de coordenar a elaboração do programa dos centristas quer estes se apresentem nas eleições de outubro em coligação pré-eleitoral com o PSD, quer decidam ir sozinhos a votos. Mais uma tarefa de responsabilidade ou um passo para a sucessão na liderança do CDS?

"Se chegou até aqui, pode ir mais longe no partido", afirma Manuel Isaac, deputado do CDS-PP, que conheceu Assunção Cristas quando esta foi cabeça de lista do partido pelo seu distrito – Leiria – em 2009 (foi reeleita em 2011). Antes de saber quem seria o escolhido para dar a cara pelos centristas em Leiria, Isaac recorda ao Observador que recebeu um telefonema de Paulo Portas a avisar: "Vais ver quem vai para Leiria e vais ver a surpresa que vai ser".

E foi. O deputado conta que apesar de Cristas não ser do distrito e não ter desempenhado cargos políticos, no terceiro evento de campanha que consistia numa entrevista a uma rádio local, a até aí professora universitária, deixou os centristas admirados com a sua eficácia política. "Eu e os meus colegas ligámos o rádio no carro para ficar a ouvir e passados cinco minutos dissemos: temos candidata", recorda o deputado, explicando que a agora ministra mostrou na altura "capacidade de perceber as coisas, estudá-las e falar delas de forma limpinha" – "não houve momentos de indefinição" – apesar de não ter qualquer relação com o distrito.


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Assunção Cristas em Belém ao lado de Paulo Portas durante a crise política de julho de 2013
Gustavo Bom / Global Imagens
Desde aí, e especialmente desde que foi para o Governo, Paulo Portas manteve sempre Assunção Cristas por perto. Esteve ao seu lado na crise política de julho de 2013, no congresso deste ano e até na visita de Jean-Claude Juncker a Portugal antes das eleições europeias. Quando no início do ano se falou na possível sucessão de Paulo Portas, a ministra era falada ao lado de nomes como Nuno Melo, eurodeputado do CDS, e Pedro Mota Soares, ministro da Solidariedade, Emprego e Segurança Social, para o cargo. A própria Assunção Cristas veio defender posteriormente que a questão da sucessão não se colocava e que apesar da crise na coligação "este Governo é bem melhor com o CDS lá dentro do que sem o CDS". Um trunfo importante, já que numa sondagem de julho conduzida pelo Jornal de Negócios, os inquiridos deram a nota mais alta a Assunção Cristas entre todos os ministros do Governo – e a única com nota positiva.

"Assunção Cristas impôs-se por ela própria e pela maneira de ser e de estar na política"
Manuel Isaac, deputado do CDS
A chegada e ascensão de Assunção

A postura assertiva de Assunção Cristas logo na campanha de 2009 só não deve ter surpreendido Paulo Portas. Convidou-a para o partido em 2007 após ver o seu desempenho no programa Prós e Contras, defendendo o 'não' em plena campanha para o referendo sobre a despenalização do aborto que se realizou nesse ano. Até esse ponto, a vida de Assunção Cristas não tinha passado pela política ativa – tendo assessorado Celeste Cardona enquanto ministra da Justiça em 2002 e passando os três anos seguintes como diretora do Gabinete de Política Legislativa e Planeamento do Ministério da Justiça – mas sim, pela via académica, como investigadora e professora auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa.

No entanto, e apenas com dois anos de militância no partido, em 2009, quando é eleita pela primeira vez como deputada à Assembleia da República, Assunção Cristas já é vice-presidente do partido – tendo coordenado a proposta de orientação política, económica e social de Paulo Portas ao congresso desse ano -, assumindo a coordenação dos centristas numa das comissões mais exigentes: a Comissão de Orçamento e Finanças. Ao mesmo tempo, ao intervir no plenário da Assembleia da República, fora da sua família política até havia quem lhe reconhecesse características de outros tempos.

"Assunção Cristas foi minha aluna entre 1992 e 1997 na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e lembro-me que era uma aluna aplicada, trabalhadora e que revelava grande inteligência, capacidades que lhe reconheci 18 anos depois quando nos voltámos a encontrar na Assembleia", diz ao Observador Teresa Morais, atual secretária de Estado dos Assuntos Parlamentares e da Igualdade e, em 2009, deputada e vice-presidente da bancada parlamentar do PSD. A antiga professora chegou mesmo a ligar à sua antiga aluna – Assunção Cristas foi aluna de Teresa Morais nas cadeiras de História do Direito, no 1º ano, e História do Pensamento Jurídico, no 5º ano – para lhe dar os parabéns por uma intervenção no plenário na discussão do Orçamento do Estado e esta retorquiu que que quando a ouvia falar se lembrava dos tempos de estudante.

Mas a ministra nem sempre alinhou com o partido. Em 2010, aquando a votação sobre o casamento homossexual, Assunção Cristas votou contra, mas apresentou uma declaração de voto dizendo que só não tinha votado favoravelmente de modo a cumprir o programa do partido. "Disse o que pensava, mas não votei a favor, porque devia fidelidade ao programa eleitoral do CDS – e nesse sentido cumpri o programa –, mas dececionei amigos e familiares que esperavam que eu fosse contra. […] Se há gente que acha que pode ser feliz por esse caminho, eu não tenho o direito de entender que esse não é o caminho de felicidade para eles", disse Cristas em entrevista ao Expresso em 2011.

A superministra com qualidades de líder 

O desempenho no Parlamento vale-lhe a recandidatura em 2011 e posteriormente o controlo de um dos maiores ministérios da democracia portuguesa, agregando Agricultura, Mar, Ambiente e Ordenamento do Território. A escolha de Assunção Cristas para a pasta surpreendeu quem a conhecia. "Surpreendeu-me, mas nunca duvidei que faria um bom trabalho fosse qual fosse a pasta", assume a deputada do CDS Teresa Anjinho, que entrou no partido em 2011, vinda também do meio académico, através da própria Assunção Cristas. "Ela assume a posição de um líder: alguém que se prepara sobre as matérias e se rodeia das melhores pessoas", argumenta a deputada, afirmando que pouco tempo depois da tomada de posse acompanhou a ministra a uma deslocação a uma fábrica de cortiça, onde esta "falava de cortiça como se tivesse trabalhado no setor a vida toda".

Um exemplo corroborado por José Diogo Albuquerque, secretário de Estado da Agricultura, que conheceu Assunção Cristas em 2011, quando foi convidado a integrar o Governo. "É muito rápida a absorver as matérias, tem bom senso, tato e está sempre disposta a aprender", disse o secretário de Estado ao Observador, reconhecendo que o ministério, especialmente no setor da Agricultura, enfrentava grandes problemas no início do mandato devido às dificuldades económicas, depois em 2012 devido também à seca que atingiu o país e que no ano passado teve de renegociar uma das políticas comunitárias mais importantes, a Política Agrícola Comum (PAC).


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Em 2012 com o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho na Feira Nacional de Agricultura em Santarém
João Girão / Global Imagens
Com quase duas décadas de experiência em Bruxelas sobre política agrícola, Albuquerque reconhece que o setor pode ser "conservador" e que por isso é positivo que seja liderado por pessoas que venham de fora e tragam "ideias frescas", como considera ser o caso de Assunção Cristas. "O setor está a recuperar e há muita confiança no trabalho do ministério. Até é comum ouvir dizer que agora é o ministério dos agricultores", refere o secretário de Estado. Sobre a organização interna da equipa e o trabalho direto com Cristas, José Diogo Albuquerque diz que a ministra "delega muito", "compreende os problemas" e "aguenta bem o stress".

Manuel Isaac, que coordena os deputados do CDS na comissão parlamentar da Agricultura, defende que "o debate político é muito bonito e é isso que passa para fora", mas que o trabalho de fundo do ministério tem passado pela negociação e que nisso "Assunção Cristas é um exemplo para qualquer ministério". "É um trabalho feito em gabinete e de charme, as pessoas respeitam a ministra", remata o deputado.

Já dentro do partido, as qualidades de Cristas podem demorar mais algum tempo a fazer efeito. "Uma pessoa que não chegou há muito tempo ao partido ainda não tem o conhecimento das bases. Há outros que trabalham dentro do próprio partido, ela não faz isso, não tem tempo", afirma Isaac, defendendo que a ministra, na sua opinião "está a fazer o caminho correto": "Dedicar-se àquilo que tem em mãos e o partido há-de reconhecer o trabalho que realizou".

Ministra, mulher, mãe, católica

Para além de ter sido a primeira mulher a desempenhar o cargo de ministra da Agricultura em Portugal, foi também a primeira ministra grávida em funções. Algo que não abrandou o ritmo de Assunção Cristas, mãe de quatro filhos – Maria da Luz, a mais nova, nasceu no verão de 2013. "Lembro-me de estarmos a ir para uma Comissão Política Nacional do CDS e ter medo que quando saíssemos tivéssemos de ir diretamente para a maternidade", recorda Teresa Anjinho. Para a deputada centrista, a capacidade de organização da ministra e capacidade de conciliação entre a vida pessoal e a vida profissional é uma das chaves do seu sucesso. "É uma pessoa que descomplica quase tudo na vida e sabe distinguir entre o que é importante e o que não é", afirma.

Em várias ocasiões, a ministra já disse que tenta levar a família o máximo de vezes possível nas deslocações que faz ao fim de semana a eventos oficiais e que no CDS conseguiu mudar as horas das reuniões para antes ou depois do jantar, de modo a conseguir fazer esta refeição com os filhos. No próprio ministério, a gravidez da ministra não causou qualquer disrupção. "A ministra esteve grávida enquanto se levava a cabo a reforma da PAC, teve bebé, continuou a trabalhar e a acompanhar as matérias sem qualquer sobressalto", ressalva José Diogo Albuquerque.

Para isto, a ministra tem vindo a defender uma divisão equitativa de tarefas entre o casal e diz praticar este princípio com o marido. Apesar de dizer que só deu conta que ser mulher fazia qualquer diferença quando chegou à política, a ministra, segundo Teresa Anjinho, tem sido "uma pioneira", "contrariando estereótipos" e mostrando que "o trabalho muito sério que faz, é apenas uma parte da sua vida". Já em Conselho de Ministros, Teresa Morais assegura ter na ministra uma aliada na defesa da igualdade de género, dizendo que a ministra se mostra "favorável" a propostas que visem a igualdade de oportunidade entre homens e mulheres.

A par da família, Assunção Cristas continua a zelar pela sua vida espiritual, mantendo a ida semanal à missa de domingo. "Vou à missa, comungo, digo aos meus filhos que a coisa mais importante para fazer ao domingo é ir à missa e que tudo o resto vem a seguir", disse em entrevista ao Expresso. No entanto, os centristas próximos de Cristas consideram que a ministra tem uma visão moderna da Igreja, mais ao estilo do Papa Francisco. "Ela enquadra-se dentro da democracia cristã, mas deu um passo à frente. O que quer dizer muito da sua personalidade, já que no caso dos casamentos homossexuais, quando teve de ir contra os princípios da Igreja, foi e disse porquê. Até na linha do Papa Francisco", argumenta Manuel Isaac.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Vinho do Porto de 1815 vai a leilão por uma boa causa

VINHO DO PORTO DE 1815 VAI A LEILÃO POR UMA BOA CAUSA

Leilões, Vinho Do Porto
A garrafa de Vinho do Porto mais antiga da casa Ferreira, de 1815, vai a leilão em Londres, na próxima primavera, no âmbito das comemorações do bicentenário da batalha de Waterloo e o valor arrecadado reverterá para uma instituição assistencial.

Em comunicado, Fernando Guedes, o administrador executivo da Sogrape, a detentora da marca, destaca que esta é a primeira vez que a Ferreira decide levar a leilão uma garrafa "tão especial" e sublinhou que os fins altruístas do leilão "seguem o legado de Dona Antónia".

Fernando Guedes refere-se a Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha, uma empresária duriense do século XIX associada ao Vinho do Porto e à inovação na vinicultura, mas também ao bem-estar dos seus trabalhadores.

Fonte da Sogrape remete para mais tarde informações sobre a data concreta do leilão do "Waterloo Vintage", a leiloeira que o concretizará, o valor base de licitação e a instituição beneficiária da receita.

Reguengos de Monsaraz, Capital Europeia do Vinho


Publicado ontem às 12:21
Este ano Reguengos de Monsaraz será a Capital Europeia do Vinho. A candidatura alentejana derrotou as cidades de Cantanhede, Melgaço e Monção e prepara agora o programa das festas que se prolongam por todo o ano.
 

Ainda não há cartaz oficial, mas o programa terá sessões de observação astronómica, provas cegas de vinhos, ioga , festival de gastronomia, passeios de barco, apanha de uvas em noites de lua cheia, entre muitas outras atividades.
A passagem de testemunho, de Jerez de la Frontera, em Espanha, para Reguengos de Monsaraz realiza-se a 3 de fevereiro.

Abertura de candidaturas ao PDR 2020 Acção 3.2 e 3.3


2 de Janeiro de 2015 em Notícias

De 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2015
A Autoridade de Gestão do PDR 2020 – Programa de Desenvolvimento Rural do Continente para 2014-2020, iniciou o período de apresentação de candidaturas da Ação 3.2 – «Investimento na exploração agrícola» e da Ação 3.3 – «Investimento na transformação e comercialização de produtos agrícolas».

A submissão de candidaturas é feita no período de 1 de Janeiro a 30 de Junho de 2015 no Balcão 2020 deste portal ou no endereço: www.pdr-2020.pt

Consulte aqui os ANÚNCIOS:

Anúncio Ação 3.2 – Investimento na exploração agrícola (Anúncio aqui https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/Docs/avisos/PDR2015-321-002.pdf)

Anúncio Ação 3.3 – Investimento na transformação e comercialização de produtos agrícolas (Anúncio aqui https://www.portugal2020.pt/Portal2020/Media/Default/Docs/avisos/PDR2015-331-002.pdf).

Fonte: Portugal2020

Investimentos acima de 25 milhões com novo regime de contratação pública

FINANCIAMENTO
02 Janeiro 2015, 16:02 por Isabel Aveiro | ia@negocios.pt


"Grandes projectos de investimento" passaram a ter novas regras de contratação para os apoios do Estado. Nova regulamentação abrange projectos mais pequenos de empresas com 75 milhões de facturação.
O Governo, através da tutela da Economia, decidiu publicar no último dia do ano de 2014 o novo "regime especial de contratação de apoios e incentivos exclusivamente aplicável a grandes projectos de investimento" a serem oficializados pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (Aicep).
 
O Decreto-Lei nº 191/2014, de 31 de Dezembro de 2014, actualiza o regime contratual de investimento (RCI), harmoniza-o com "os novos enquadramentos nacionais e europeus dos incentivos financeiros e fiscais" que irão vigorar durante o próximo quadro comunitário de apoio (2014-2020) e engloba a actualização entretanto introduzida (2008) no âmbito do Código dos Contractos Públicos (CCP).
 
Ficam abrangidos pela nova regulamentação "os projectos cujo valor de investimento exceda 25 milhões de euros", valor que aliás é o patamar já estabelecido para o tratamento diferenciado nos apoios financiados por fundos comunitários no âmbito do Portugal 2020, e do Programa de Desenvolvimento Rural – PDR 2020 (agricultura).
 
Mas a nova regulamentação abrange inclusivamente projectos que, não atingindo aquele valor, "sejam de iniciativa de uma empresa com facturação anual consolidada com o grupo económico em que se insere superior 75 milhões de euros ou uma entidade não empresarial com orçamento anual superior a 40 milhões de euros".  
 
Para beneficiar do regime especial de contratação de apoios públicos, adianta a legislação agora publicada, os "grandes projectos"  têm que demonstrar " que detêm "interesse especial e estratégico para a economia portuguesa".
 
A Aicep (liderada por Miguel Frasquilho, na foto) fica, neste contexto, responsável pela análise, negociação e contratualização dos grandes projectos, e é da sua "competência exclusiva" a "avaliação do mérito" dos mesmos. Também fica a agência do Estado com a responsabilidade de "acompanhamento, controlo e fiscalização da execução dos grandes projectos", e com "a verificação do cumprimento das obrigações contratuais".
 
Quem incumprir, devolve os apoios e paga os juros
 
Ao Estado cabem, caso a Aicep aprove o projecto, as contrapartidas negociadas: quer sejam "incentivos financeiros", "benefícios fiscais", ou até mesmo "investimentos em infraestruturas".
 
Mas, caso a Aicep decida terminar unilateralmente o contrato formalizado, os operadores já sabem que penalizações têm: "perda dos incentivos concedidos, bem como a devolução dos montantes recebidos pelo promotor, acrescidos de juros compensatórios" nos termos e prazos fixados no contrato, e, se for o caso disso, mais "juros de mora calculados à taxa legal em vigor para as dívidas do Estado".
 
O "contrato de investimento pode ser resolvido unilateralmente" pela Aicep em caso de incumprimento do contrato de investimento pelo promotor, da falha do operador nas suas "obrigações legais e fiscais" e por "prestação de informações falsas ou viciação de dados fornecidos" à agência "ou a outras entidades públicas".

Funcionários da extinta Casa do Douro pedem esclarecimentos

Perto de cinquenta pessoas queixam-se da "grande indefinição". Os trabalhadores da Casa do Douro (CD) apresentaram-se esta sexta-feira na sede, no Peso da Régua, exigindo esclarecimentos sobre o seu futuro após a extinção da instituição, enquanto associação de direito público, no dia 31 de dezembro. Perto de meia centena de funcionários, do quadro privado e do setor público, queixam-se da "grande indefinição" que os atinge após a extinção da organização duriense que foi concretizada pelo Governo no último dia de 2014. "Não sei rigorosamente nada", afirmou esta manhã aos jornalistas Fátima Ferreira, funcionária pública, que pertence ao quadro do Ministério da Agricultura, e que trabalhava na CD há 32 anos. Por não ter sido informada sobre o que fazer, Fátima Ferreira resolveu apresentar-se esta sexta-feira no local onde sempre trabalhou, encontrando as portas abertas por decisão da direção da instituição. "Não sei o que vou fazer agora. Fui informada de que a 31 de dezembro os postos de trabalhos estavam extintos. Eu como funcionária pública estava à espera de receber alguma notícia do Governo, saber o que vou fazer da minha vida", salientou. Esta trabalhadora referiu que o seu salário está em dia, tendo recebido como habitualmente a 23 de dezembro, mas agora não sabe se vai para o regime de mobilidade ou se será inserida em qualquer outro serviço do ministério.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Legionella. Fábrica Adubos de Portugal já retomou actividade total


A Adubos de Portugal (ADP) retomou a produção na semana passada, depois de ter estado parada mais de um mês no seguimento do surto de 'legionella' na região de Vila Franca de Xira que vitimou 12 pessoas.

"A ADP recebeu, a 26 de Dezembro, autorização da Inspecção-geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) para retomar a actividade total da fábrica", avançou à agência Lusa uma fonte da empresa.

A IGAMAOT tinha emitido um mandado de suspensão de actividade da fábrica, decisão relacionada com a presença da bactéria 'legionella' numa das torres de arrefecimento da unidade.

No relatório final do surto, divulgado a 15 de Dezembro, é referido que a situação de Vila Franca de Xira, registada a partir de 07 de Novembro, causou 12 mortos e 375 doentes.

Lusa

Avidouro contesta futuro da Casa do Douro

Dezembro 31
09:13
2014

A Associação dos viticultores Independentes do Douro exige que o governo volte atrás com a sua decisão de transformar a Casa do Douro em associação privada de inscrição facultativa.

A Casa do Douro, que foi criada em 1932, tem vindo a acumular passivos nos últimos anos, atingindo os 160 milhões de euros, verba que se torna insustentável, pelo que o governo decidiu pela sua extinção em 31 de Dezembro de 2014.

O passivo é assumido pelo estado, que recebe o espólio dos vinhos como dação em pagamento, sendo que foi aberto concurso público a instituições privadas para ficarem com o restante património e continuar com o nome e as funções da Casa do Douro.

A Avidouro vem contestar esta decisão, com o argumento que ela só vai favorecer os grandes produtores, prejudicando os pequenos produtores, pelo que apela à mobilização destes, de modo a lutar contra esta decisão.

Se não obtiverem resultados ameaçam fechar as portas da Casa do Douro a cadeado e não permitir a entrada de ninguém a não ser dos viticultores que consideram os seus legítimos proprietários.

Gestão e produção sustentável de bovinos e equinos debatidos em Évora

Dezembro 18
09:35
2014

Évora, (Março de 2015): o Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) em parceria com a Equimuralha vão realizar nos próximos dias 6 e 7 de Março, a 7ª edição das Jornadas do Hospital Veterinário Muralha Évora.

Trata-se de um conjunto de seminários e workshops que se realizam no Évora Hotel e se focam, no primeiro dia, nos temas "Enfrentar o Futuro da Pecuária: desafios e oportunidades" e "Técnicas de reabilitação equina".

Ao longo destes dois dias irão ser abordados diversos temas de ruminantes e equinos, em diferentes áreas temáticas, que possibilitem melhorar a produtividade dos sectores, de forma sustentável, contribuindo para o desenvolvimento rural.

As Jornadas constituem uma oportunidade para que investigadores, técnicos e outros profissionais dos sectores possam partilhar ideias, analisar e discutir o estado actual do conhecimento e das perspectivas futuras.

A organização das Jornadas foi mais uma vez movida pela ambição e o desafio de responder às expectativas de todos os que nos procuram, conjugando elevados padrões de qualidade nas palestras e inovação.

O painel de oradores que se debruça sobre os ruminantes, conta com intervenções vindas de várias áreas e com experiências diferentes. Irá manter-se a realização de uma mesa redonda, com a presença de diversas entidades.

Na sala dedicada aos equinos este ano pretende-se dar destaque às mais modernas técnicas de reabilitação em equinos.

No segundo dia o programa versa sobre temáticas mais específicas e workshops práticos para médicos veterinários.

Nos ruminantes, irão decorrer diferentes seminários, onde as Associações de Criadores voltam a ganhar destaque.

As Jornadas do Hospital Veterinário Muralha Évora destinam-se à comunidade em geral, a produtores, criadores, proprietários de animais de produção e cavalos, mas também a médicos veterinários e estudantes. Na sua última edição teve uma participação que superou os 400 participantes, consolidando-se como um evento de importância nacional.

O Hospital Veterinário Muralha de Évora (HVME) e a Equimuralha são duas entidades de referência na região e entendem que para além dos serviços médico-veterinários que prestam à comunidade, devem ter um papel mais interventivo na sociedade ao nível pedagógico, nomeadamente através do desenvolvimento de diversas ações de formação.

Para consultar o programa das jornadas veja no site www.hvetmuralha.pt.

Agricultores começam a apostar na venda directa dos seus produtos

Dezembro 16
09:12
2014

A notícia vem de Coimbra, onde alguns produtores começam a apostar na venda directa dos seus produtos ao consumidor, organizando entregas ao domicílio de cabazes contendo, sobretudo, legumes.

As entregas são feitas a dias fixos e os produtos são normalmente hortícolas perecíveis, que são apanhados na véspera, para chegarem directamente a casa do consumidor em óptimas condições, pois não passaram por nenhum processo de conservação.

Outra vantagem é que o consumidor passa a conhecer o produtor e, portanto, quem produz aquilo que vai comer, tem um rosto e está perfeitamente identificado.

Até ao momento, este sistema está a ser praticado por alguns pequenos produtores, mas está a ganhar cada vez mais aderentes por parte dos consumidores, pois a qualidade dos produtos é muito superior ao que encontram no supermercado e não pagam mais por isso.

Os produtores, por seu lado, e apesar de terem muito mais trabalho, conseguem uma remuneração mais correcta dos seus produtos e evitam a pressão da grande distribuição, que é sempre de baixar preços.

Outra vantagem é que os consumidores têm a certeza de que estão a comprar produto nacional e produzido localmente. A desvantagem deste sistema é que está limitado à produção sazonal e, portanto, não pode manter um abastecimento regular ao longo do ano dos mesmos produtos, o que, no entanto, não tem perturbado os consumidores.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Transição das medidas agro-silvo-ambientais do proder para o pdr 2020

No âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural do novo quadro de apoio - PDR 2020, foi definido o conjunto de novas medidas agro-ambientais e silvo-ambientais que irá vigorar durante os anos 2015 a 2020. O programa foi avaliado pela Comissão Europeia, tendo sido aprovado no decurso do mês de dezembro de 2014.

Tendo em conta que existem compromissos agro-silvo-ambientais iniciados no quadro comunitário anterior, ao abrigo do PRODER, cujo ciclo de cinco (5) anos obrigatórios terminarão entre 2015 e 2017, importa informar que, ao abrigo do Regulamento (CE) n.º 1974/2006, de 15 de dezembro, nomeadamente do seu art.º 46.º, os beneficiários que se encontrem nesta situação, poderão adotar umas das seguintes três opções:

Cessar os compromissos assumidos no âmbito do PRODER, não se exigindo por esse motivo o reembolso das ajudas pagas;
Cessar os compromissos assumidos no âmbito do PRODER, não se exigindo por esse motivo o reembolso das ajudas pagas e iniciar novo ciclo de cinco (5) anos de compromisso no âmbito das medidas do PDR 2020;
Concluir o ciclo de cinco (5) anos iniciado no âmbito do PRODER nas medidas equivalentes do PDR 2020 (ver quadro abaixo).

Quadro de equivalência entre medidas agroambientais do PRODER e medidas do PDR 2020
PRODER PDR 2020
Nome das Medidas Código Nome das Medidas
Modo de produção integrado 7.2.1. Produção integrada
Modo de produção biológico 7.1.2. Agricultura biológica
Conservação do solo 7.4. Conservação do solo
Proteção da biodiversidade doméstica 7.8.1. Recursos genéticos - raças autóctones em risco
ITI Douro Vinhateiro 7.6.2. Culturas permanentes tradicionais - Douro Vinhateiro
ITI Peneda Gerês 7.3.2. Pagamentos Rede Natura - Apoios zonais de caráter agroambiental
ITI Montesinho e Nogueira 7.3.2. Pagamentos Rede Natura - Apoios zonais de caráter agroambiental
ITI Douro Internacional, Sabor, Maçãs e Vale do Côa 7.3.2. Pagamentos Rede Natura - Apoios zonais de caráter agroambiental
ITI Tejo Internacional 7.3.2. Pagamentos Rede Natura - Apoios zonais de caráter agroambiental
ITI Castro Verde 7.3.2. Pagamentos Rede Natura - Apoios zonais de caráter agroambiental
ITI Alentejo 7.3.2. Pagamentos Rede Natura - Apoios zonais de caráter agroambiental
 

Informa-se ainda que, nas medidas ao abrigo do PDR 2020, os compromissos iniciam-se a 1 de janeiro do ano da candidatura.

Assim, todos os beneficiários que pretendam candidatar-se às medidas do PDR 2020 no Pedido Único de 2015 (por via da criação de novo compromisso ou por transição de um compromisso assumido no PRODER) deverão assegurar o cumprimento dos critérios de elegibilidade e dos compromissos a partir do dia 1 de janeiro de 2015.

Vinho branco português impressiona revista "Forbes"


31 Dez 2014 < Início < Notícias

Um vinho branco português mereceu, recentemente, destaque na secção de Comida&Bebida da revista norte-americana "Forbes".
O Kopke DOC Douro Branco 2011, da Sogevinus, foi considerado um "deleite" pelo crítico de vinhos Nick Passmore, que o conheceu numa passagem por Inglaterra.
"O Kopke é atrativo" e tem "uma mineralidade rígida e concentrada", bem como um "toque cítrico fresco", elogia Passmore na "Forbes", descrevendo-o como um vinho "prazeroso" e que desempenhou um papel "perfeito" no acompanhamento de um prato de salmão fumado durante a quadra natalícia. 
O crítico explica que este é um vinho branco oriundo do vale do Douro, "lar do mais famoso produto português, o vinho do Porto", que, apesar de célebre, "atualmente, não voa das prateleiras", o que levou os produtores a "apostar, com diferentes graus de sucesso, numa diversificação para os vinhos de mesa". 
A experiência tem sido, particularmente, voltada para os vinhos tintos, porque "os brancos são mais difíceis de conseguir", mas, na opinião de Passmore, o Kopke é um exemplo de que é possível e tal deve-se, entre outros fatores, à escolha das uvas, um elemento "fundamental" devido ao "forte sol português", que pode arruinar a qualidade do vinho. 
"A casta Arinto é de elevada acidez, ao passo que a Rabigato combina acidez com peso e substância, o que torna possível produzir vinhos vivos em casos em que as variações de temperatura poderiam secar as suas raízes", escreve o colaborador da "Forbes" a propósito do "Kopke".
Passmore, que atribui cinco estrelas a este branco e recomenda aos amantes do vinho que o provem a par de uma entrada ou de um prato de peixe ou frango, acrescenta ainda que os brancos e tintos do Douro estão em crescendo que "é de esperar que, no futuro, se encontrem muitos mais vinhos modernos, equilibrados e bem feitos como este".

Clique AQUI para aceder à crónica do crítico publicada na "Forbes" (em inglês).

Matérias-primas agrícolas: Um ano agri-doce


31 Dezembro 2014, 13:02 por Carla Pedro | cpedro@negocios.pt

2014 foi um ano de grandes disparidades nas matérias-primas agrícolas. Globalmente, os preços estão em queda no acumulado do ano, segundo o índice da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), que agrega 55 produtos agrícolas. Mas houve fortes subidas, com o café à cabeça.
Os piores desempenhos de 2014 pertencem à soja, milho e algodão. No entanto, há "commodities" que sobressaem em alta, como é o caso do café, do cacau e do sumo de laranja. O café, aliás, é a grande vedeta em matéria de performance positiva em 2014, com um ganho de %%
 
Os cereais registaram fortes altos e baixos e as últimas subidas não têm sido suficientes para atrair os investidores de volta à agricultura. Só no último trimestre de 2014 saíram cerca de 85 milhões de dólares dos ETF (fundos de investimento negociados em bolsa, que replicam o desempenho dos índices) ligados aos produtos agrícolas, como trigo, soja, milho, café e açúcar, referem os dados compilados pela Bloomberg. No acumulado do ano, essa retirada ascende a 158 milhões de dólares.
 
Apesar de o sub-índice Bloomberg Grains (só dedicado aos cereais) ter disparado 20% desde finais de Setembro, num contexto de aumento da procura das colheitas norte-americanas e de receios de que a Rússia diminua as exportações, no acumulado de 2014 cai cerca de 6%, a caminho do segundo ano consecutivo de desvalorização. Já o sub-índice Bloomberg Agriculture, que agrega o café, milho, algodão, sementes de soja, óleo de soja, açúcar e trigo, cai 6,5% no conjunto do ano.
 
Mas vamos por partes. Como se comportaram estas principais matérias-primas isoladamente, entre cereais, oleaginosas e outros produtos agrícolas?
 
Café regista a maior valorização do ano
 
O café de tipo arábica registou uma subida superior a 50% no acumulado de 2014, no mercado de futuros nova-iorquino ICE. No entanto, a valorização anual chegou a ser superior, apesar de a produção mundial ter excedido a procura pela quinta campanha agrícola consecutiva.
 
Em Outubro, os preços do arábica registavam um acréscimo de 50% desde o início do ano, depois de a seca ter afectado as plantações e diminuído as perspectivas de rendimento das colheitas no Brasil, que é o maior produtor do mundo. Entretanto, as chuvas fizeram-se sentir, o que ajudou à produção e travou o ímpeto altista nos mercados. Só em Dezembro, os preços caíram mais de 10%.
 
Já o café de tipo robusta somou 13% desde Janeiro, tendo sido a sua escalada penalizada pelo facto de muitos fundos estarem a liquidar as suas posições no final do ano. E estima-se que este movimento de vendas regresse em Janeiro, segundo as estimativas de Keith Buers, operador do Marex Spectron Group, citado pela Bloomberg.
 
Cacau
 
Os preços do cacau somaram mais de 9% entre Janeiro e Dezembro deste ano. Foi o quarto ano consecutivo de valorização, devido a um défice na produção global face à procura? Esse défice de oferta deveu-se, nomeadamente, às doenças que atacaram os cacaueiros na África Ocidental, à possibilidade de o vírus do ébola chegar ao maior produtor mundial, Costa do Marfim, e também devido à instabilidade política em algumas regiões produtoras.
 
Esta diminuição da oferta de cacau fez disparar os preços nos mercados internacionais, gerando-se algum receio de que um dos seus maiores dependentes, o chocolate, pudesse estar ameaçado de escassez. Mas tal não acontecerá. "Rareando a oferta, a procura faz subir os preços, mas isso é normal e a situação tenderá a estabilizar. Daí a acabar o chocolate vai uma grande diferença", sublinhou ao Negócios o secretário-geral da Associação dos Industriais de Chocolate e Confeitaria (ACHOC), Manuel Barata Simões.
 
Sumo de laranja
 
Foi outro – dos poucos – produtos de origem agrícola que esteve em alta no cômputo de 2014. O sumo de laranja, que faz parte dos principais índices de "commodities" agrícolas, fecha o ano com um ganho agregado de 3,7%.
 
O maior produtor de laranjas do mundo, que é o Brasil (seguido de perto pelo Estado norte-americano da Florida), registou uma quebra da produção este ano, sobretudo devido à seca, o que tem sustentado os preços. Recorde-se que São Paulo é o maior Estado produtor de laranjas no Brasil, sendo que este país lidera a produção agregada de citrinos em termos globais.
 
Já na Florida, as temperaturas abaixo do normal também provocaram estragos nas colheitas, o que contribuiu para a subida das cotações deste produto.
 
Açúcar
 
2014 foi um ano pouco doce para esta "commoditiy". O açúcar não refinado caiu 10% no acumulado do ano, naquele que foi o quarto ano consecutivo de descidas. Já o açúcar branco (refinado) recuou 13%.
 
Estas quedas reflectem sobretudo o excesso de açúcar no mercado, com a oferta a suplantar a procura pelo quinto ano consecutivo.
 
Entre os factores de pressão, além do excedente mundial, esteve a debilitação da moeda brasileira, a queda dos preços do petróleo, os subsídios na Índia e as novas refinarias no Médio Oriente.
 
O sector receia que o Brasil – maior produtor mundial – possa continuar a transferir mais cana-de-açúcar para a produção de açúcar do que para o etanol, dada a forte queda dos preços mundiais do petróleo. De facto, os preços mais baixos do petróleo tornam o etanol um pouco menos atractivo, o que poderá incentivar a uma maior produção de açúcar no Brasil, onde a cana pode ser usada para adoçante ou para este biocombustível.
 
Assim sendo, o excedente de açúcar manter-se-á. No entanto, especialistas do sector citados pela Bloomberg têm começado a chamar a atenção para a maior procura de açúcar que começa a observar-se por parte do Médio Oriente. Se a tendência assim continuar, o excesso de açúcar no mercado poderá ser escoado com maior facilidade.
 
Trigo
 
Os preços do trigo nos EUA estão no nível mais baixo dos últimos quatro anos, devido à forte produção. Contudo, as cotações têm subido nas últimas semanas, na esteira dos receios de um período de seca na Austrália e das iniciativas da Rússia para limitar as suas próprias exportações de cereais como forma de evitar que os preços do pão subam muito mais numa altura em que o rublo desvaloriza.
 
Mas esta recente valorização pode ser pontual. O Departamento norte-americano da Agricultura (USDA) estima que a colheita mundial da actual campanha agrícola atinja um recorde de 722,18 milhões de toneladas. A ser assim, a pressão sobre os preços irá manter-se.
 
"A produção mundial de trigo atingiu novos recordes em 2013 e 2014, contradizendo as afirmações alarmistas de que o aquecimento global estava a reduzir as colheitas", referia a Forbes a 26 de Dezembro. De facto, alguns especialistas em ambiente salientaram recentemente, num artigo citado pela Reuters, que nas últimas décadas o rendimento das colheitas de trigo diminuiu em regiões mais quentes, como a Índia, África, Brasil e Austrália, mais do que ofuscando o aumento das colheitas em locais mais frescos, como algumas regiões dos EUA, Europa e China. No entanto, em termos globais, esse efeito não está a ser visível. Segundo os dados do USDA, citados pela Forbes, as colheitas de trigo a nível mundial aumentaram 33% desde 1994.
 
Milho
 
Os preços do milho chegaram a cair 40% este ano, atingindo a 1 de Outubro um mínimo de cinco anos. Depois disso, retomaram fôlego e conseguiram reduzir a descida em 2014 para 24%.
 
A produção de etanol está a provocar um fluxo regular de procura de milho e estima-se que o consumo por parte da China também aumente depois de o governo ter levantado o bloqueio à importação de alguns organismos geneticamente modificados, segundo os analistas da Shanghai Intelligence Co. e da Beijing Orient Agribusiness Consultant, citados pela Bloomberg.
 
 
Soja
 
Esta oleaginosa registou um recuo de 20% no acumulado do ano, pressionada sobretudo pela vasta oferta. Com efeito, a produção mundial de soja deverá subir para 312,9 milhões de toneladas na actual campanha agrícola, contra 285 milhões na campanha de 2012-2013, segundo as previsões da Oil World.
 
"As condições atmosféricas da América do Sul deverão continuar a ser propícias a boas colheitas", considera o Commonwealth Bank of Australia. O que manterá a pressão sobre os preços.
 
Algodão
 
A matéria-prima de origem agrícola, usada na produção têxtil, perdeu 26% no acumulado de 2014.
 
Em finais do ano, os preços registaram uma subida, devido à desvalorização do dólar australiano e à menor plantação deste produto em 2014. No entanto, o consumo em baixa - que nem a prolongada queda das cotações fez retomar – acabou por penalizar o algodão no conjunto do ano.
 
O esperado aumento da procura por parte das moagens, que se estimava que aconteceria devido à diminuição dos preços, também não se concretizou. E isto porque  os stocks de alta qualidade não estão disponíveis devido a problemas na Austrália e na China, conforme comentou à Bloomberg um professor da Universidade do Mississipi, O.A. Cleveland.
 
Além dos stocks que a China acumulou, o USDA também prevê que os inventários aumentem em termos mundiais. "Isso é certamente um motivo de receio", referiu à Bloomberg o conselheiro Matt Leeson, da Independent Commodity Management. Mas a queda dos preços do petróleo poderá tornar os preços do algodão sintético mais competitivos e Leeson acredita que haverá um aumento da procura de têxteis.

Programa POSEI: Governo dos Açores paga 22 milhões aos agricultores



O Governo dos Açores anunciou hoje o pagamento de cerca de 22 milhões de euros aos agricultores da região relativos aos prémios do programa POSEI, designadamente culturas arvenses e produtores de leite, vaca leiteira, ovinos e caprinos e vacas aleitantes.

"O regulamento prevê que estes pagamentos possam ser feitos até 30 de junho de 2015, mas o Governo Regional desenvolveu todos os esforços para que a sua liquidação decorresse nesta data, conforme se havia comprometido", refere uma nota do gabinete de imprensa do executivo.
O POSEI é um programa específico da União Europeia (UE) que existe desde 1992, destinado às regiões ultraperiféricas como os Açores e que visa compensar os sobrecustos e dificuldades de produção.
O comunicado refere que o Governo Regional reforçou a dotação do prémio do POSEI aos produtores de leite, reduzindo para 4,3% o rateio neste prémio.
A portaria que regulamenta as novas regras para os pagamentos diretos aos agricultores açorianos, no âmbito do programa POSEI, recentemente aprovado pela Comissão Europeia, foi entretanto hoje publicada em Jornal Oficial.
Foram extintos alguns prémios, cujas dotações financeiras transitam para outras medidas consideradas de "maior relevância na agricultura regional".
De acordo com a portaria hoje publicada, o novo programa POSEI contempla um crescimento em 20% da dotação na área da diversificação, com o objetivo de "aumentar a produção, promover o autoabastecimento e reduzir a dependência do exterior".
O prémio aos produtores de leite, no âmbito deste programa específico criado pela UE, é alvo de um acréscimo de cerca de dois milhões de euros e passa a ser atribuído em função do leite produzido, ainda de acordo com o Jornal Oficial dos Açores.
Já no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PRORURAL), o executivo açoriano pagará também hoje aos beneficiários da região cerca de 6,1 milhões de euros relativos às medidas de investimento na modernização das explorações agrícolas e da agroindústria dos Açores.
Dinheiro Digital com Lusa

Champanhe? Cuidado com estes sete erros

ANO NOVO
31/12/2014, 13:27

Quando o relógio estiver a cruzar a meia noite e a passagem de ano for iminente, é costume arrancar a corrida à garrafa de champanhe. Aqui ficam sete erros a evitar na altura de beber vinho espumante.

Festa da grossa. Está aí um novo ano, pronto a dobrar a esquina, e a dar uma desculpa para, festejando, entrar bem em 2015. O facto de o 1 de janeiro se mascarar de feriado também ajuda. Mesmo não querendo, a tradição ordena a que se descanse e, assim, dá mais uma desculpa para quem pretende passar a última noite do ano em farra e celebração. E os hábitos, mandões, impõem que um dos convidados da festa seja o champanhe.

Ele até costuma andar pela mão de todos. Assim que a meia noite começa a espreitar na esquina, o reboliço da passagem de ano arranca: reúnem-se copos, tiram-se as garrafas do frigorífico e juntam-se as pessoas. Depois é esperar que a hora oficialize a troca de ano, desejar saúde a quem está à volta e toca a beber o espumante. É tradição, sim. Mas também há regras por respeitar.

Ou devia haver. Pelo menos foi isso que o Huffington Post, com a ajuda de Elise Losfelt, enóloga da Moët & Chandon, escreveu quando deixou sete conselhos — e, ao mesmo tempo, sete erros que, por norma, se cometem — quando se opta por beber vinho espumante. E um deles até tem a ver com festa.

1. Os copos flauta

A tradição também parece mandar que um champanhe se beba num copo flauta. Ou seja, num que seja estreito e, no topo, alargue um pouco. Mas Elise Losfelt explicou ao site norte-americano que isso é errado. "Os copos com esta forma até sufocam os aromas e sabores", explica. O perfeito, garante, é um normal copo de vinho branco, que permite ao espumante respirar. Os outros só são bonitos para ver o soltar das pequenas bolhas de gás.

2. Só beber champanhe com iguais e "boa comida"

A passagem de ano até o acompanha de passas. Em outras ocasiões, porém, é normal que o champanhe só apareça em jantares de gala, nos quais a comida se una ao requinte. Mas o melhor mesmo é lembrar-se do vinho espumante quando à mesa também terá comida salgada e gordurosa, como frango, batatas fritas ou qualquer coisa vinda de um churrasco. Pelos vistos, é quando sabe melhor. É por isso que em Portugal se costume beber espumante a acompanhar salmão, que vai especialmente bem com espumante tinto.

3. Encher demasiado o copo

Aqui a culpa será do ímpeto. O aconselhável é preencher apenas um terço do copo com champanhe. Enche-lo significa que será mais fácil, e rápido, que a temperatura da bebida aumente. Ora o champanhe sabe melhor bem frio.

4. Abrir a garrafa de forma errada


O Huffington Post resume a arte da abertura em três pontos. E diz que, assim, não há maneira de errar: primeiro, coloque o polegar em cima da rolha, pressione; depois desenrole o arame que envolve a rolha e, por fim, com a outra mão, comece a desenroscar a garrafa da rolha, e não o contrário. Parece fácil, certo?

5. Guardar a garrafa tempo demais no frigorífico

À falta de uma adega ou cave, o melhor é ter uma garrafa de champanhe no sítio escuro e fresco. O interior do frigorífico apenas serve caso a garrafa seja para ser aberta passados três, quatro dias, no máximo. "Se a guardar durante semanas [no frigorífico] será problemático", explicou Elise Losfelt, pois lá "não há humidade" e, por isso, "a rolha acabará por secar". Se isto acontece, o "selo entre a garrafa e a rolha soltar-se-á" e "o champanhe oxidará mais rápido". E isto tudo é igual a perda de aromas.

6. Por onde se pega no copo

Voltamos à temperatura. Agora não tanto por causa da quantidade de líquido, mas do sítio onde se coloca a mão que pega no copo. Aconselha a especialista que se pegue no pé do copo, ao invés da taça. Porque, desse modo, a mão vai transmitir o calor do corpo para o copo. O que, lá está, ajudará a aquecer o champanhe — que não é o objetivo.

7. Champanhe só para as ocasiões especiais

Isto é coisa que não vem escrito no rótulo. Portanto, porquê guardar o espumante só para aniversários, passagens de ano ou celebrações? "Não pense demasiado sobre champanhe. Simplesmente, aprecie-o", defende Losfelt. E até disse mais: "Se neste momento tiver uma garrafa no frigorífico, não espere por uma ocasião especial. Verá que, ao abrir essa garrafa, será a ocasião especial a ir ter consigo." Por isso, toca a experimentar.

É um lago? Sim, mas em vez de água está cheio de fezes e urina de porco


Um realizador enviou um drone para uma das maiores fábricas de criação de suínos dos Estados Unidos. As imagens que obteve são chocantes

30-12-2014 • Tânia Pereirinha

A Smithfield Foods é a maior produtora de carne de porco nos Estados Unidos e uma das maiores do mundo. A Murphy-Brown é uma das suas sub-empresas que, só no estado da Carolina do Norte, tem mais de duas mil fábricas - e não quintas, aponta o realizador Mark Devries - de criação de suínos. Foi sobre uma delas que o drone comandado pelo realizador/activista filmou as imagens chocantes a que o titulo alude.
 
"Os animais que comemos crescem dentro de fábricas gigantes escondidas pelo país. Desde 2012 que tenho secretamente trabalhado neste projecto para denunciar estas quintas-fábricas recorrendo ao equipamento de espionagem mais tecnologicamente avançado que existe: drones. Este vídeo dá apenas uma amostra daquilo que vi durante uns dias de filmagens", explica o autor do filme, de 4:45 minutos.
 
Aquilo que descobriu? Além de edifícios gigantescos e fechados onde crescem, alegadamente sem espaço para se virarem sobre si sequer, milhares de porcos, um lago, com o tamanho de quatro campos de futebol americano (são 439 metros de comprimento por 195 de largura), cheio de fezes e urina dos animais. "As consequências são desastrosas", diz o realizador, que entrevistou várias pessoas na zona. "Às vezes até animais mortos são atirados lá para dentro. As pessoas não podem sequer abrir as janelas, muito menos sair de casa."
 
Steve Wing, professor de Epidemiologia na Escola Gillings de Saúde Pública da Universidade da Carolina do Norte diz que as fábricas do género têm sido instaladas em zonas especialmente pobres e fala em "racismo ambiental". Também garante que já há estudos feitos sobre as consequências para a saúde desta proximidade: "Esta poluição está a afectar a pressão arterial das pessoas. Há mais casos de asma do que o normal, sobretudo entre as crianças, e nos adultos têm sido diagnosticadas várias doenças respiratórias". 
 
A Smithfield Foods não foi ouvida no filme.

Formação a copo promovida pela VINIPORTUGAL para incentivar o bom serviço de vinho

QUARTA-FEIRA, 31 DE DEZEMBRO  DE 2014
 
Realizada no dia 05 de Janeiro, a partir das 15h, na Sala de Provas do Porto e dirigida ao canal Horeca
 
O canal Horeca é convidado pela ViniPortugal a participar na formação que será realizada do próximo dia 05 de Janeiro, a partir das 15h, na Sala de Provas dos Vinhos de Portugal, no Palácio da Bolsa, no Porto. Esta iniciativa tem por objectivo formar o sector da restauração a nível nacional, reforçar o seu conhecimento do vinho nacional e transmitir as inúmeras vantagens do serviço de vinho a copo.
 
A formação é de inscrição gratuita e será organizada entre 15h e as 18h e conduzidas pela formadora Daniela Macedo. É promovida no âmbito das formações A Copo e está focada no serviço a copo, pretendendo evidenciar que o vinho a copo pode ser um factor diferenciador e potenciador da fidelização de clientes. De forma complementar, a formação procurará ainda aperfeiçoar as competências dos participantes relativamente ao produto vinho e melhora o conhecimento dos formandos sobre os Vinhos de Portugal.
 
 
Os interessados poderão procurar mais informações na página https://www.facebook.com/pages/A-COPO/166157413418827 ou contactando o número 213569890

Agricultores de Aveiro pedem ao Governo que trave anunciada baixa do preço do leite

30-12-2014 12:55 | Norte
Porto Canal com Lusa 

A Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA) apelou hoje ao Governo para pôr fim à anunciada redução de três cêntimos no preço de cada litro de leite pago ao produtor a partir de 01 de Janeiro de 2015.

Em comunicado, a ALDA diz que esta baixa do preço do leite na produção acontece num momento de "grandes dificuldades" para os agricultores e é "uma forte machadada" para grande parte das explorações leiteiras.

A ALDA manifesta-se preocupada com esta situação, advertindo que "muitas explorações leiteiras, em particular as pequenas e médias explorações familiares, não irão resistir" a esta anunciada baixa de preços à produção.

Responsabilizando o Governo pela situação difícil dos agricultores, devido às "más políticas comunitárias e nacionais, com particular destaque do fim das quotas leiteiras", a ALDA apela ao executivo de Pedro Passos Coelho para que intervenha neste setor no sentido de pôr fim às dificuldades das explorações e à anunciada baixa do preço do leite na produção.

Por fim, a ALDA apela aos produtores à unidade, mobilização e luta em defesa da produção de leite do país.

Na passada segunda-feira a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) também alertou para as consequências desta anunciada descida no preço do leite na produção, adiantando que para a maioria dos produtores, isto representará uma descida entre seis e oito cêntimos por litro no prazo de oito meses.

"Com esta baixa de quase 10%, a esmagadora maioria da produção irá ficar no limiar da rentabilidade e naturalmente aqueles que mais investiram nos últimos anos terão dificuldade em manter os compromissos assumidos", diz a APREOLEP.

A associação assinala ainda que o preço do leite em Portugal permaneceu abaixo da média comunitária desde abril de 2010 e não acompanhou os preços altos registados no norte e centro da Europa, lamentando que a indústria de lacticínios e a distribuição não aproveitassem a oportunidade para "corrigir essa injustiça contendo esta descida acentuada de preço".

A APROLEP salienta ainda que "a fileira do leite em Portugal apenas terá futuro se mantiver o grau de auto-aprovisionamento de leite produzido por produtores nacionais".

The Telegraph elege rotas gastronómicas portuguesas



Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014
The Telegraph elege rotas gastronómicas portuguesas
O Porto e a região do Douro são destacados pelo jornal como uma boa sugestão para a degustação de vinhos
O jornal britânico The Telegraph elegeu os quatro melhores percursos para experimentar a gastronomia portuguesa, no ano que aí vem. A rota, que incide sobre o Porto, o Alentejo e o Douro, inclui provas de vinhos, viagens gastronómicas e aulas de cozinha tradicional Portuguesa.


Conheça abaixo as sugestões da publicação britânica:

1. Rota do Douro: o The Telegraph recomenda uma viagem pelos conhecidos barcos Rabelos, para conhecer "o belo e o amplo Douro", e fazer também uma passagem pelas várias vinícolas da região, como por exemplo a Quinta do Seixo. Lamego é outra das regiões em destaque no jornal, juntamente com uma visita à fronteira com Espanha, antes do regresso ao Porto, "para algumas degustações de vinho memoráveis".

2. Porto: O Yeatman Hotel é recomendado pela publicação como uma escolha gastronómica acertada para as férias em Portugal, uma vez que se encontra situado acima das caves do vinho do Porto. As "magníficas vistas sobre o Douro para as fachadas mediavais coloridas" e a estrela Michelin que conquistou, garantem que o The Yeatman Hotel oferece aos seus clientes a possiblidade de provarem especialidades regionais como a sopa de marisco ou o polvo assado.

3. Alentejo: Em 2015, a região irá acolher mais uma edição do Alentejo Food & Wine Festival, que reúne os melhores restaurantes e produtores da região. A publicação destaca a degustação do famoso porco preto, as azeitonas e o queijo de ovelha típicos do local. O jornal sugere ainda uma tour gastronómica pela região, em especial por Marvão, para provar as castanhas e os cogumelos selvagens, bem como as migas de espargos (carne de porco preto com espargos cultivados no local) e o arroz de lingueirão com choco frito.

4. Ria Formosa: O jornal britânico sugere as "águas quentes" da Ria Formosa para a caça de marisco, como por exemplo amêijoas e mexilhões. Mas se preferir comprá-lo, o The Telegraph recomenda os mercados "barulhentos" de Olhão, descrita como uma "encantadora cidade caiada de branco". Aqui, a publicação sugere uma visita guiada pelo ria e pelas dunas da região. O The Telegraph recorda ainda o Festival Anual do Marisco que decorre em Olhão entre 9 a 16 de Agosto.

5. Aulas de culinária no Esporão: Com um tema diferente por dia, estas aulas têm a duração de 12 horas semanais, de forma a que o visitante tenha tempo para visitar "as cidades e aldeias locais famosas pela sua mármore, cerâmica e mobiliário pintado", bem como as vinhas da região onde se pode "aprender sobre as variedades de uvas portuguesas e como conjugar o vinho com as refeições". Nestas aulas, os alunos também poderão descobrir receitas tradicionais, como por exemplo de bacalhau.

Notícia sugerida por Maria da Luz

Feira do Porco de Boticas mantém preço dos enchidos para atrair mais visitantes

30-12-2014 

 
A Feira Gastronómica do Porco de Boticas, de 09 a 11 de Janeiro, mantém os preços do fumeiro e tem um menu de baixo custo para atrair mais visitantes, afirmou à Lusa o presidente da câmara.

Fernando Queiroga frisou que o certame tem 70 expositores, entre os especializados em enchidos e em artesanato, esperando-se que aquele município do distrito de Vila Real receba por essa altura 70 mil visitantes, portugueses e espanhóis, mais 10 mil do que na edição anterior.

Durante os três dias da feira, o autarca prevê a venda de 40 a 50 toneladas de fumeiro e um volume de negócios de 450 mil euros. «A feira nasceu para defender os interesses do mundo rural barrosão e a preservação, valorização e divulgação dos produtos da agricultura e pecuária local», afiançou.

Na opinião de Fernando Queiroga, o certame é uma "mais-valia" para o concelho porque traz dinamização económica e dá a possibilidade aos produtores de escoar o seu produto e angariar clientes.

O preço do fumeiro irá manter-se ao do ano anterior, dado o menor poder de compra dos visitantes. «Não faria qualquer sentido aumentar os preços praticados na feira, já que isso poderia ter reflexo no decréscimo do volume de vendas», frisou.

O número de restaurantes aumentou e apresentam um menu a um preço acessível (17,50 euros), com quatro iguarias da região, para atrair pessoas.

Uma das novidades da feira é a realização de `show cooking´ com a presença de chefes de cozinha que irão convencionar novos pratos com produtos tradicionais de Boticas.

Quanto ao número de produtores, Fernando Queiroga revelou que surgiram «muitos» interessados em participar, mas a autarquia não quer aumentar de forma significativa a quantidade de produtos à venda porque o «fundamental» é garantir a sua qualidade.

«Queremos que os produtos vendidos se mantenham num patamar elevado», afirmou. Acrescentando que «o veterinário municipal regista e acompanha todos os animais num controlo muito apertado para garantir a genuinidade dos enchidos».

Fonte: Lusa

Petróleo cai para mínimos de cinco anos e meio

30-12-2014 
 

 
O preço do barril de "brent" bateu esta manhã os 57 dólares com os países produtores a recusarem-se a diminuir a produção.

O preço do petróleo caiu esta manhã para mínimos de cinco anos e meio, com o barril de "brent" a valer 57 dólares devido a preocupações cada vez maiores com um excesso de oferta.

O preço do "brent", que serve de referência a Portugal, caiu 98 cêntimos para 56,90 dólares esta manhã, depois de ter atingido ontem os 56,74 dólares, o preço mais baixo desde Maio de 2009.

Já relativamente à produção dos Estados Unidos o preço do barril caiu 77 cêntimos para 52,84 dólares depois de ter caído 1,12 dólares ontem. Chegou a atingir os 52,70 dólares, o mais baixo desde Maio de 2009.

Alguns analistas contactados pela Reuters prevêem que o "brent" possa baixar até 55 dólares por barril e que o crude norte-americano possa cair para 50 dólares por barril no início do próximo ano. E não há sinais de que os países da OPEP tencionem abrandar a produção.

As interrupções de fornecimento da Líbia, devido à crise política, seguraram os preços do petróleo, mas agora o país está a produzir cerca de 128 mil barris por dia. O aumento do fornecimento global de petróleo e ainda a recusa dos países da OPEP em reduzir a produção têm afectado os preços.

Fonte: Económico

PME's vão poder concorrer a fundos para internacionalização

30-12-2014 
 

 
As Pequenas e Médias Empresas (PME) portuguesas vão poder, a partir de hoje, concorrer a fundos para a internacionalização, naqueles que são os primeiros concursos para empresas inseridos já no âmbito do novo quadro comunitário.

Ao todo, avança a edição desta terça-feira do Diário Económico, haverá 100 milhões de euros para acções conjuntas.

O jornal salienta, no entanto, o facto de o programa prever apenas acções conjuntas, deixando de fora candidaturas isolados e abrindo caminho a projectos de associações empresariais.

De referir ainda que estes 100 milhões de euros são apenas uma parte de um plano comunitário maior, que pretende agora apoiar empresas, sendo que, até 2020, serão disponibilizados 6,2 mil milhões de euros para investimentos empresariais.

Fonte: Dinheirodigital


E se doenca de creutzfeldtjakob esporadica vier das ovelhas

Pela primeira vez, uma experiência mostrou que a encefalopatia espongiforme das ovelhas pode saltar a barreiras das espécies e infectar proteínas humanas existentes no cérebro. A experiência foi em ratinhos modificados para produzirem essas proteínas humanas.
 
Mesmo que os priões das ovelhas passem para os humanos, os cientistas não consideram que isso seja uma grande ameaça sanitária Enric Vives-Rubio 


O estranho mundo dos priões tornou-se notícia frequente em 1996, quando apareceram os primeiros casos da doença das vacas loucas, em Inglaterra. Prião, do inglês "prion", é uma conjugação das palavras "proteína" (protein, em inglês) e infecção" ("infection) e revela uma ideia bizarra – a de que as proteínas podem adquirir a capacidade de infectar animais e pessoas e de se multiplicarem, causando uma doença neurodegenerativa. Até ali, pensava-se que só os vírus, as bactérias e outros parasitas poderiam causar infecções.

Mas a encefalopatia espongiforme bovina – o nome oficial da doença das vacas loucas, mostrou o perigo deste fenómeno biológico e assustou os governos devido às suas consequências sanitárias – já terá estado na origem da morte de mais de 170 pessoas no Reino Unido e pelo menos duas em Portugal. Os priões que existiam nas vacas estavam a infectar pessoas que ingeriam carne e outros produtos contaminados, saltando a barreira das espécies, e causando uma variante da doença de Creutzfeldt–Jakob, descrita em 1920 pelos neurologistas alemães Hans Gerhard Creutzfeldt e Alfons Maria Jakob.

Há também uma variação desta doença em ovelhas e cabras, chamada "scrapie", já conhecida há três séculos, mas até agora pensava-se que não poderia saltar para os humanos. Uma experiência em ratinhos geneticamente modificados com a versão humana da proteína normal dos priões mostrou que os priões das ovelhas e cabras podem passar para aqueles roedores. A descoberta, publicada na revista Nature Communication, obriga a "reconsiderar a possibilidade" de a forma mais comum da Creutzfeldt–Jakob ter origem na scrapie.

A versão mais frequente da doença nos seres humanos – a Creutzfeldt–Jakob esporádica – aparece entre os 40 e os 70 anos. Os primeiros sintomas da doença passam pela mudança nos comportamentos das pessoas. Depois, os doentes sofrem de demência progressiva, com alucinações e movimentos involuntários. Um ano após o início dos sintomas, as pessoas morrem e não há nenhum tratamento.

No cérebro, o que está a acontecer é uma degeneração do tecido nervoso com a morte de neurónios. A culpa é dos priões. Na sua forma saudável, estas proteínas estão nas membranas das células do sistema nervoso e são degradadas normalmente.

No entanto, há uma variante desta proteína que tem uma forma tridimensional diferente. Nessa forma, o corpo não consegue degradar a proteína, e esta acumula-se. Pior, a proteína deformada – o prião – é capaz de alterar proteínas do prião saudáveis e transformá-las em priões com a forma não degradável. Este processo faz aumentar a quantidade de priões no cérebro, que se acumulam em placas fora das células, causando a degenerescência do tecido.

Nos cortes histológicos dos cérebros das pessoas que morreram, o tecido cerebral aparece com buracos microscópicos, dando-lhe um aspecto esponjoso.

A doença Creutzfeldt–Jakob esporádica, responsável por 85% dos casos, não está ligada a nenhuma mutação do gene humano que comanda o fabrico da proteína do prião (o PRNP) e, segundo o que se sabe, surge espontaneamente. Na forma genética da Creutzfeldt–Jakob, uma mutação no gene pode desencadear esta doença.

Quando a doença das vacas loucas surgiu, as pessoas afectadas tinham uma média de idade de 28 anos. Os priões das vacas, ingeridos na carne, foram capazes de transformar as proteínas saudáveis humanas em priões, saltando assim a barreira das espécies e causando a doença.

Há outros animais que têm doenças semelhantes, como os veados. No caso das ovelhas e cabras, a doença faz com que estejam sempre a raspar a pele devido à comichão, por isso o nome scrapie.

Até agora, pensava-se que a scrapie não conseguia saltar a barreira das espécies. Mas a experiência da equipa de Olivier Andréoletti, do Instituto Nacional de Investigação Agronómica de França, aponta no sentido contrário.

Os cientistas injectaram diferentes tipos de priões, que causam a scrapie, em ratinhos com o gene humano PRNP. Deste modo, queriam testar se estes ratinhos ficavam infectados e se a proteína humana era vulnerável aos priões vindos de ovelhas.

Das seis estirpes de priões de ovelhas, quatro acabaram por infectar alguns dos ratinhos. "As experiências mostram que os priões das ovelhas propagam-se em ratinhos com a variante humana da proteína do prião", lê-se no artigo.

Mais: os cientistas mostraram que os sintomas que estes ratinhos desenvolvem são semelhantes aos sintomas da Creutzfeldt–Jakob esporádica, o que leva a hipótese de poder haver uma ligação entre as duas doenças. "A nossa informação não estabelece de uma forma inequívoca uma ligação causal", defendem os autores. "No entanto, aponta claramente para uma necessidade de reconsiderar esta possibilidade."

Estabelecer essa ligação vai ser difícil, considera Olivier Andréoletti. "Já que a doença de Creutzfeldt–Jakob esporádica é rara, com cerca de um caso por um milhão de pessoas por ano, e os períodos de incubação são longos – de várias décadas –, é extremamente difícil os estudos epidemiológicos tentarem encontrar esta ligação", disse o investigador, num comunicado. Mas tendo em conta que o contacto entre ovelhas e humanos é antigo e a frequência da doença é baixa, os autores não consideram que seja "uma grande ameaça sanitária".

Agricultura familiar. Do vaso de salsa na varanda às hortas cheias de legumes

Hortas urbanas


Seja apenas num jardim vertical na varanda seja em hortas de grande dimensão, 2014 ficou marcado pelo regresso dos portugueses à agricultura
"Foi impressionante ver que duas semanas depois de plantar um pé de alface, ela já está pronta a ser comida." Com esta conclusão João Bexiga resumiu a sua inexperiência no mundo da agricultura. Quando há cerca de um ano decidiu ter uma horta viu-se obrigado a comprar o "Borda d'Água" para saber o que plantar em cada altura do ano. Agora, no espaço que lhe pertence, de um talhão de cem metros quadrados de uma horta urbana, tem alface, couve, ervas aromáticas, melões e abóboras: "Aqui em casa ficámos totalmente autónomos. No que toca às verduras, nunca mais tive de comprar nada."

João explica que a recompensa vem do dinheiro que poupa, mas principalmente da satisfação que retira de cuidar do que é seu: "Antes comprava o alho francês já cortado, a cenoura descascada. Agora dá mais trabalho, mas muito mais prazer", garante o rapaz de Lisboa.

O reconhecimento do sector agrícola como a forma mais sustentável de assegurar a alimentação do planeta foi o mote para que 2014 fosse eleito pela ONU o Ano Internacional da Agricultura Familiar. O âmbito é mundial, mas em Portugal o seu reconhecimento como área de futuro já se faz notar. Para a ministra da Agricultura, o país deve manter a aposta neste sector, em que todos são necessários, "dos mais novos aos mais experientes, das pequenas às grandes explorações". Comum a todas está associada a sustentabilidade ambiental, não só para cumprir a legislação, mas também porque quem regressa à pequena agricultura o faz para poupar dinheiro e diminuir o impacto ecológico da produção alimentar.

João Bexiga explica que na horta onde tem a sua produção se recorre apenas a agricultura biológica, mas que já se viu obrigado a recorrer a produtos químicos. "Começamos por aplicar sabão azul e branco nas plantas para impedir as pragas, mas às vezes não é suficiente", lembrando que "vai na volta temos de recorrer aos químicos que matam a lagarta". Já Graça Marques, que vive em Oeiras, consegue recorrer apenas a mezinhas para evitar as pragas que invadem a sua pequena horta. "Colocar um recipiente com cerveja junto das plantas evita a aproximação de caracóis e pulgões", conta. Aos 55 anos e com uma vida dedicada à engenharia de telecomunicações, Graça viu-se obrigada a ler muitos livros e pesquisar em sites da especialidade para conseguir montar uma horta de raiz. Se inicialmente o espaço era pequeno e composto pelas ervas mais consumidas pela família – cidreira, salsa, coentros, cebolinho e tomilho – agora expandiu-se, dando espaço a nabos, courgettes, tomates. "Já comi as primeiras batatas da minha horta", diz com orgulho. Foi a entrada na pré-reforma este ano que lhe deu mais tempo para se dedicar ao que lhe dá mais prazer. "Trabalhar na horta relaxa-me, funciona quase como um anti-stressante", conta. Aliada a isso surge a preocupação com a poupança familiar nas compras e o cuidado com a natureza. "Todos podemos ser mais sustentáveis. Ter uma pequena horta é sinónimo de poupança de dinheiro e produção própria", lembra.

O regresso dos portugueses à pequena agricultura já fez aumentar o número de inscritos nas formações organizadas pela Agrobio – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica. Nelson Silva, técnico da associação, explica que a formação prática ou o recursos a livros sobre o tema são fundamentais para quem quer começar. "Existe uma recuperação da paisagem agrícola", explica, lembrando os tradicionais minifúndios, que mais recentemente passaram a espaços ainda mais reduzidos, como hortas ou varandas. Para evitar erros de principiante, Nelson aconselha a que os produtos sejam escolhidos conforme o espaço e a disponibilidade de cada um. "Ter uma horta dá trabalho e requer algum compromisso", lembra.

Plantar cogumelos em borras de café

Foi depois de ter lido um artigo científico sobre o cultivo de cogumelos em resíduos produzidos pela indústria de café que João Cavaleiro teve a sua ideia de negócio: cultivar cogumelos em sacos com borra de café. Assim nasceu o Eco Gumelo, que além de potenciar um cultivo fácil não usa aditivos nem conservantes. A técnica é simples: cortar a embalagem pelo picotado, colocá-la numa zona da casa com luz. Depois seguem-se dez dias em que são necessárias duas borrifadelas de água diárias. Cumprindo os requisitos, chega a hora de ver os cogumelos crescer.

Adoptar um agricultor

O sucesso do jogo Farmville fez perceber a vontade do contacto com a agricultura. Neste caso, em vez de dedicar horas de trabalho a uma horta virtual, o projecto My Farm pretende fazer do jogo uma interacção real entre agricultor e cliente. Através de uma plataforma digital, o utilizador escolhe o tamanho da horta e os produtos e as quantidades que deseja, mas é o agricultor que implementa a horta no terreno. Pagando uma mensalidade, o utilizador tem acesso aos produtos que cresçam na área que lhe pertence, com a garantia de que lhe serão entregues na altura da colheita.

Legumes frescos à porta de casa

O maior cuidado com a alimentação e o regresso aos produtos biológicos fez crescer o mercado para quem produz legumes e fruta. Melhor que comprar no mercado só mesmo os produtos virem 
ter a casa. A entrega de cabazes ao domicílio funciona normalmente por área geográfica, até para que a frescura dos alimentos seja garantida. Os legumes e a fruta vão variando ao longo do ano e existem cabazes para todos os gostos, preços e tamanhos. O Horta à Porta funciona na região do Porto e tem cabazes a partir dos 10 euros com 4 produtos até aos 27 euros com 12 produtos.

A horta que cabe em qualquer lado

A Minigarden uma empresa internacional, em Hong Kong tem um muro de plantações de sete metros de altura no Sha Tin Park, um dos maiores jardins da cidade. Em Portugal, centra-se nos cultivos mais pequenos, até porque a empresa garante que em menos de meio metro quadrado de chão é possível ter mais de 200 plantas. O truque está na instalação em altura, que permite criar espaços verdes, verticais, cantos, de esquina, horizontais ou mistos, com diferentes dimensões. Além de a horta se montar como um puzzle, vem ainda com um sistema de rega incorporado.

Criar vida em sacos e caixinhas

Há quem não tenha espaço para uma horta, mesmo pequena, nem tão-pouco tenha varanda em casa. Para esses casos, um casal de Famalicão criou a hipótese de fazer os produtos crescer dentro de sacos ou caixinhas. O projecto Life in a Bag disponibiliza produtos que permitem criar uma horta de ervas aromáticas e pequenos vegetais biológicos dentro de casa. Por 25 euros pode comprar-se uma caixa com um trio de rúcula, brócolos e rabanetes ou escolher apenas um destes produtos. Nos sacos é possível escolher, por exemplo, entre salsa, coentros, manjericão e rúcula.

Trazer as hortas para a cidade

Plantações de cenoura, alface e tomate paredes meias com a passagem de uma auto--estrada passaram a ser cenário comum nas cidades. No início do ano, Lisboa tinha mais de 70 mil hortas urbanas e este número não pára de crescer, até porque a câmara municipal abriu concurso para 42 novos talhões de cultivo. Estas hortas foram nascendo de improviso mas actualmente são encaradas pelas autarquias como uma forma de intervenção ao nível da sustentabilidade do meio ambiente, por possibilitarem a proliferação dos espaços verdes e a renovação da paisagem.

 

Bê-á-bá da agricultura

O que plantar segundo a época do ano 
Na Primavera-Verão Aconselha-se a plantação de culturas de fruta, porque precisam de mais luz, temperaturas altas e menos precipitação 
•  Tomate 
•  Pimentos 
•  Pepino

No Outono-Inverno 
Deve optar-se por culturas de folha, porque suportam mal as temperaturas altas e precisam de mais água 
•  Espinafres 
•  Acelgas 
•  Couves

O que plantar segundo o espaço 
•  Numa varanda, deve optar-se por ter produtos que se consome em pequena quantidade como a salsa, coentros ou hortelã 
•  Com um pouco mais de espaço é possível optar pela alface, alho francês, beterraba e espinafres 
•  Com um espaço de 3 ou 4 m2 já se pode optar por produtos maiores, mas que, mesmo assim, não ocupem muito espaço como a curgete ou tomate

Dicas
•  A semente deve ser enterrada a uma profundidade nunca superior a três vezes o seu tamanho 
•  No caso da plantação, é indispensável assegurar o espaço necessário para o crescimento da planta e das raízes 
•  A rega depende da observação diária. Mexendo na terra é possível ver o nível de humidade 
•  Não usar água da torneira para a rega. O cloro vai salinizar a terra e impedir que a água seja absorvida. Dar preferência a água da fonte ou da chuva 
•  É possível evitar pragas sem usar produtos químicos. Uma das opções é fazer extractos de plantas como as urtigas, por exemplo. Coloca-se a planta em água durante um dia e esse líquido serve para pulverizar e repelir os insectos. 
•  É preciso saber escolher o que plantar lado a lado. Por exemplo, o tomilho junto às couves evita o aparecimento de lagartas e o alecrim junto às cenouras afasta as moscas

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Quando soarem as 12 badaladas vão saltar milhões de rolhas de cortiça nacionais


As rolhas de champanhe representam 19% do total exportado. França, EUA e Itália são os principais mercados
Milhões de rolhas de cortiça portuguesas vão saltar das garrafas de champanhe um pouco por todo o mundo quando soarem esta madrugada as 12 baladas. Grande parte da produção do território português tem como destino o mercado externo e só as rolhas de champanhe representam 19% do total das rolhas exportadas, o equivalente a 109 milhões de euros.

O mercado francês lidera o consumo de rolhas de champanhe (27 milhões de euros) e em segundo lugar surge a Itália (22 milhões de euros). "Estas épocas festivas representam noites emblemáticas para a cortiça. A cortiça está muito ligada a celebrações e, como é natural, na noite da passagem de ano vão saltar das garrafas milhões de rolhas de cortiça portuguesas", refere ao i o presidente da Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR), João Rui Ferreira.

Mas não é só deste segmento que vive o sector. Portugal é o líder mundial no que diz respeito às exportações de cortiça, com esta indústria nacional a pesar quase 65% do total. Segundo os últimos dados disponibilizados pela associação, Portugal exportou 845 milhões de euros no ano passado. Para este ano, a APCOR prevê um ano de estabilização. "Julgamos que vamos assistir a um crescimento moderado, na ordem de 0,5% a 1%, o que reflecte o nível de mundial de produção de vinhos, que foi baixo em 2012", refere João Rui Ferreira.

O responsável admite que o sector "está pouco ou nada exposto ao mercado interno", já que exporta mais de 95% da sua produção e, como tal, "a crise nacional não teve um efeito muito visível no negócio".

40 MILHÕES DE ROLHAS POR DIA A Europa é o principal destino das exportações  de cortiça, absorvendo 54% do total. França lidera o ranking (19,5%), seguida pelos Estados Unidos (16,4%), por Espanha (10,7%), Itália (9,6%) e Alemanha (9,3%).

O principal sector de destino dos produtos de cortiça é a indústria vinícola, que absorve 68,4% do que é produzido, seguido pela construção (31%). As rolhas de cortiça continuam a liderar as exportações portuguesas com um peso na ordem dos 68%, correspondente a 578 milhões de euros. A França é o principal país consumidor de rolhas naturais (99 milhões de euros), seguido pelos Estados Unidos (73 milhões de euros).

O sector conta actualmente com 600 empresas, que produzem 40 milhões de rolhas de cortiça por dia (35 milhões são produzidos no Norte do país) e empregam cerca de 8 mil trabalhadores. Portugal lidera a produção mundial de cortiça, concentrando 34% da área mundial do montado de sobro, o correspondente a uma área de 736 mil hectares e 23% da floresta nacional. Só o Alentejo detém 84% do total nacional.

"GUERRA" AO PLÁSTICO Conquistar mercados aos vedantes de plástico continua a ser um dos objectivos da associação. "É uma batalha que está longe de está ganha. Apesar de sentirmos alguns sinais de recuperação, já que cortiça tem vindo a reconquistar quota de mercado aos seus concorrentes, temos a noção de que ainda há muito a recuperar", diz João Rui Ferreira, admitindo, no entanto, que "algumas caves que usavam plástico e cápsulas de alumínio regressaram à cortiça".

A ideia, de acordo com o responsável, é mostrar que a rolha de cortiça pode ser associada a todo o tipo de vinhos e que os problemas técnicos que se verificaram em 2000 - e que ficaram conhecidos como o "gosto a rolha" - já foram ultrapassados. E isso, segundo o mesmo, é visível nas preferências dos consumidores, já que 90% revelam que prefere este vedante.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Furto de gado volta a deixar agricultores do baixo vouga em alerta


Maria José Santana 29/12/2014 - 10:06 

Só um produtor perdeu quatro bezerros numa noite. Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro exige medidas por parte do Ministério da Agricultura.

Para alguns agricultores da zona do Baixo Vouga esta época festiva está a ter um sabor amargo. Na noite de sexta-feira para sábado, registaram-se novos casos de furtos de gado nesta zona agrícola da região de Aveiro. A situação já não é nova e, segundo Albino Silva, presidente da Associação da Lavoura do Distrito de Aveiro (ALDA), tem vindo a causar prejuízos avultados aos agricultores. A ALDA prepara-se para voltar a denunciar a situação junto do Ministério da Agricultura e lembrar que "é tempo de o Governo resolver os problemas do Vouga".

"É lamentável, mas voltou a acontecer e já não foi a primeira vez, este ano, que os agricultores viram o seu gado seu furtado", protestou o responsável máximo da ALDA, depois de os ladrões de gado terem voltado, este fim-de-semana, aos campos agrícolas de Estarreja. Ainda sem números exactos, Albino Silva refere que terão sido "vários" os produtores afectados. Só um agricultor viu desparecerem do seu terreno quatro bezerros. "São centenas de euros de prejuízo, sem que haja a possibilidade de os animais estarem cobertos por seguros", garante o presidente da associação de agricultores, ao mesmo tempo que assegura que a GNR já está a par da situação e a investigar.

Ainda há um ano, as autoridades policiais procederam à detenção de um comerciante, residente em Oliveira do Bairro – também na região de Aveiro -, por suspeitas de envolvimento em furto de gado bovino. O homem guardava, no estábulo da sua residência, uma vaca da raça autóctone Marinhoa que tinha sido furtada dos campos em Salreu (Baixo Vouga).

Perante esta ameaça de uma nova onda de furtos de gado – em 2011 e em 2013, o número de animais furtados nesta zona agrícola chegou às quatro dezenas -, o presidente da ALDA prepara-se para voltar a lembrar à tutela que urge resolver os problemas do Baixo Vouga, que abrange os concelhos de Albergaria-a-Velha, Aveiro e Estarreja. "O emparcelamento dos terrenos agrícolas ajudaria a resolver estes problemas de segurança", defende Albino Silva.