sábado, 22 de agosto de 2015

Corridas de cavalos com apostas. Um cenário que pode chegar a Portugal "dentro de três anos"



17.08.2015 às 23h303

Previsões da Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida apontam para uma receita de cerca de 300 milhões de euros por ano e a criação de cerca de seis mil postos de trabalho

Lusa
LUSA

As corridas de cavalos com apostas poderão concretizar-se em Portugal dentro de dois ou três anos, depois de construídos hipódromos e criados equídeos para o efeito, revelou hoje o presidente da Liga Portuguesa do setor.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos de Corrida (LPCPCC), Ricardo Carvalho, admitiu que as corridas com apostas podem ser uma realidade "dentro de dois, três anos", caso se concretizem os incentivos necessários.
Entre estes, apontou a necessidade de se avançar com as apostas com corridas realizadas no estrangeiro, de forma a ser criado um fundo para o desenvolvimento das competições em Portugal e para que sejam criados cavalos no nosso país enquanto são construídos os hipódromos.

Após o reconhecimento por parte do Governo da LPCPCC como entidade oficial organizadora das corridas de cavalos em Portugal com apostas hípicas, Ricardo Carvalho considerou que dentro de algum tempo, e depois de criadas as condições necessárias, o desenvolvimento desta atividade vai ser muito grande.

O responsável disse existirem atualmente em Portugal entre 200 a 250 cavalos de corrida, estimando que, quando os hipódromos estiverem em pleno funcionamento, a realidade será de cerca de 10 mil cavalos para se conseguir realizar competições cerca de três vezes por semana.
O mercado das corridas de cavalos objeto de apostas hípicas pode vir a gerar uma receita de cerca de 300 milhões de euros por ano, podendo levar à criação de cerca de seis mil postos de trabalho, segundo a Liga.

Ricardo Carvalho classificou as corridas como "uma grande indústria, que está a ser desaproveitada em Portugal", manifestando esperançado em que este novo impulso possa desenvolvê-la ao mesmo tempo que se desenvolverá a indústria agrícola que lhe está associada.
" A criação de cavalos vai trazer novos postos de emprego, com criadores, 'jockeys', veterinários.

Há toda uma máquina que funciona por detrás. Vamos fomentar que os cavalos sejam criados em Portugal para fomentar também o emprego de que o país tanto precisa", sublinhou.
Ricardo Carvalho explicou que, apesar de em Portugal existirem cavalos de raças nobres, como o Lusitano, não há cavalos de corrida e como tal, vai ter de se apostar no puro sangue inglês, tradicional cavalo de corrida.

Para já, o responsável defendeu que se devem começar a fazer apostas com corridas realizadas no estrangeiro, de forma a ser criado um fundo para o desenvolvimento das corridas em Portugal, para que sejam criados cavalos no nosso país enquanto são construídos os hipódromos.
A Liga Portuguesa de Criadores e Proprietários de Cavalos foi fundada em 1997 e é desde 1998 a única entidade, reconhecida pela tutela, como organizadora de corridas de cavalos em Portugal.

Agora, após uma portaria publicada em junho em Diário da República, ficou como responsável pelas corridas objeto de apostas hípicas.

Já a exploração das apostas hípicas foi atribuída à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, por decreto lei que data de fevereiro passado.

ACT alerta para riscos de trabalhar sob temperaturas extremas


Publicado a 14 AGO 15 às 20:52

A Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) considera um flagelo nacional os acidentes com máquinas e equipamentos na lavoura mas, nos meses de maior calor, repetem-se também os alertas sobre os riscos a que estão sujeitos todos aqueles que têm de trabalhar sob um sol escaldante.

Nestes meses de maior calor, a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) reconhece que aumentam os riscos para quem está na atividade agrícola e florestal.
Paulo Jorge Magalhães/Global Imagens
ACT alerta para riscos de trabalhar sob temperaturas extremas
Agricultura
Ouvido pela TSF, Carlos Montemor, director do centro da ACT de Portimão defende que a entidade empregadora está também obrigada a organizar as tarefas de modo a reduzir a exposição do trabalhador ao risco, por exemplo, às horas de maior calor.
São muitos os riscos que os trabalhadores agrícolas estão sujeitos, em especial no verão, quando as temperaturas são mais elevadas. Carlos Montemor lembra, no entanto, que são raros os acidentes mortais por insolação.
A ACT alerta para a necessidade do trabalho agrícola ser feito com roupa e óculos adequados, sem esquecer que, sobretudo durante o verão, é preciso beber água com frequência.

Portas escolhe adjunta de Cristas para Santarém como independente


  Sofia Rodrigues   
13/08/2015 - 11:29


Candidata é engenheira agrónoma.

O último nome a ser revelado das listas de candidatos a deputados da coligação PSD/CDS é Patrícia Fonseca de Oliveira, 43 anos, ligada à agricultura e actual adjunta da ministra Assunção Cristas. Foi a escolha de Paulo Portas para se candidatar como independente em quarto lugar pelo círculo de Santarém.

Com 20 anos de vida profissional ligada à agricultura e engenheira agrónoma de formação, Patrícia Fonseca de Oliveira foi secretária-geral da associação de agricultores do Ribatejo e fez parte do Conselho Consultivo da Confederação dos Agricultores de Portugal, é professora na Escola Superior Agrícola de Santarém, e assegura desde Novembro de 2014 no gabinete de Cristas a representação na comissão interministerial dos fundos do Portugal 2020.

Com esta indicação para um lugar elegível, Portas quer dar um sinal de valorização de agricultura aliado à escolha de uma mulher. A candidata junta-se a outras mulheres que estão em lugares de destaque nas listas: Assunção Cristas, Teresa Caeiro, Cecília Meireles, Vânia Dias da Silva, Ana Rita Bessa, Mariana Ribeiro Ferreira e Isabel Galriça Neto.

Patrícia Fonseca Oliveira vai em quarto lugar atrás de Duarte Marques, Nuno Serra e de Teresa Leal Coelho, a cabeça de lista. Em 2011, o CDS conseguiu novamente eleger (já o tinha conseguido em 2009) em Santarém Filipe Lobo D'Ávila que agora integra as listas de candidatos por Lisboa. 

Empresa faz fumeiro à moda antiga e dá trabalho a desempregos

Uma empresa de Arcos de Valdevez, que faz enchidos e fumeiro de "forma tradicional", com produtos locais, deu trabalho a trabalhadores, com "larga experiência" no sector, que se encontravam desempregados, disse hoje à Lusa o promotor.

Lusa
   
A fábrica de transformação de enchidos e fumeiro "Sabores do Vez", instalada no Parque Empresarial de Mogueiras, começou a laborar em julho com seis funcionários, num investimento de 550 mil euros, candidatado ao Plano Desenvolvimento Rural (PDR) 2020.

"A equipa com que avançamos é composta por seis pessoas sendo que cinco estavam desempregadas. São pessoas com largos anos de experiência na transformação de carnes que estavam sem emprego. Este projeto veio juntar o útil ao agradável", afirmou o proprietário Vasco Lima.

O agora empresário de 40 anos, com formação académica na área das Relações Internacionais explicou que a ideia de negócio surgiu "por acaso" quando se encontrava desempregado e a pensar emigrar para os EUA.

"Convenceram-me que o melhor seria ficar no meu país e desenvolver uma ideia de negócio. Eu e a minha mulher, que é médica veterinária começamos a pensar num negócio, e apesar de nenhum dos dois ter qualquer ligação a esta atividades decidimos apostar. A fábrica avançou com capitais próprios e sem qualquer financiamento", adiantou.

O casal, natural de Arcos de Valdevez, apresentou uma candidatura ao PDR2020, que acaba de ser aprovada, mas a fábrica já está a laborar desde julho, e vai ser inaugurada, no sábado, às 11:30, pela ministra da Agricultura, Assunção Cristas.

A marca está "a dar os primeiros passos no mercado nacional", mas o objetivo é alcançar "o mercado da saudade", chegando às prateleiras de países como França, Luxemburgo, Suíça e EUA.

Com capacidade para produzir 15 toneladas por mês dos 13 produtos que detém, a unidade possui "um processo de fabrico tradicional, respeitando o saber fazer local, com instalações e equipamentos modernos, para garantir a qualidade".

A visita de Assunção Cristas aquele concelho vai começar cerca das 10:30, no mercado municipal, onde a Câmara Municipal quer investir 500 mil euros na sua requalificação.

"Vou pedir ajuda à senhora ministra para nos ajudar, no âmbito do PDR 2020 a requalificar o espaço para dinamizar a atividade económica local", afirmou o autarca social-democrata João Esteves.

João Esteves espera poder lançar a obra a concurso público até final do ano, considerando que a requalificação do mercado municipal, inaugurado no final da década de 80, vai "reforçar a atratividade e competitividade do território".

"Pela sua localização, a requalificação do mercado é importantíssima para dinamizar a economia, incentivar ao empreendedorismo jovem, gerar emprego e rendimento, e ajudando a fixar população", frisou.

Preço do azeite é o mais alto em 10 anos por medo de escassez

Preço no varejo subiu em torno de 10% no mundo nos últimos 12 meses.

Menor oferta impulsiona alta e custo para temperar salada pode subir mais.


Alerta para os consumidores que cuidam da saúde: uma menor oferta está impulsionando alta dos preços mundiais do azeite de oliva para máximas de quase uma década e o custo de temperar uma salada pode subir mais devido às perspectivas de uma colheita escassa na Espanha, o principal produtor.

Os preços no atacado para o azeite de oliva virgem alcançaram € 4.099,52 por tonelada esta semana, uma escalada de mais de 60% ante um ano antes, segundo a Fundação para a Promoção e o Desenvolvimento dos Olivais.
Os preços no varejo subiram em torno de 10% em todo o mundo nos últimos doze meses, mostrou uma análise do Euromonitor. A seca danificou a produção espanhola no verão passado, que foi de 835 mil toneladas, menos da metade que a temporada anterior, de 1,78 milhão de toneladas.

Na Itália, que tradicionalmente tem sido o segundo produtor mundial, uma bactéria transmitida por insetos destruiu grandes áreas de oliveiras no sudeste do país e reduziu sua produção em mais de 50%, para 222 mil toneladas.

A produção global para a temporada 2014/15 caiu 29%, segundo números do Comitê Oleícola Internacional, o que ajudou a definir os preços de atacado do chamado "ouro líquido" em seu maior nível desde fevereiro de 2006.

Da engenharia à agricultura


Por: Cláudia Pinto 17/08/2015 - 10:14

Engenheiro de formação e agricultor de coração, Gonçalo Fabrício criou uma empresa ligada à terra. Produz melancias e melões de tamanhos mais pequenos do que o habitual. O objetivo? Evitar o desperdício e garantir o consumo rápido, mantendo assim o sabor.
Aos 47 anos decidiu que estava na altura de mudar de vida. Foi a ocasião certa: a formação e o percurso profissional como engenheiro civil não tinham apagado a paixão pela agricultura herdada por tradição familiar. Gonçalo Fabrício começou por idealizar um pequeno projeto: três hectares de terreno seriam, à partida, suficientes para pomares de nectarinas e ameixas (acabou por optar por outras culturas mais viáveis). Deixou Coimbra, onde vivia, e levou a família para Castelo Branco. Estávamos em 2011 e a paixão começou a ganhar forma.
Mas no ano seguinte, o primeiro de produção propriamente dita, Gonçalo percebeu que «teria de aumentar de escala». Precisava de mais hectares, se queria tornar a empresa sustentável. Concorreu a um concurso de jovens agricultores e foi contemplado com o aluguer das terras do Monte Rochão, no Ladoeiro, freguesia de Idanha-a-Nova. «Ficámos com 52 hectares e com um dos lotes que mais nos interessava por ter terra de excelente qualidade e boas condições de clima para a produção de hortícolas. Esta terra tem potencialidades únicas. É um dos regadios mais antigos do país e as infraestruturas estão feitas. Basta utilizar.»
Gonçalo dedica-se à produção de melancia, meloa, melão e beringelas e o negócio anda ao sabor do tempo. «É uma verdadeira lotaria. Lidamos diariamente com fatores que não conseguimos controlar e não existem dois anos iguais.» É uma luta incessante e quando as chuvas da primavera chegam sem avisar e em exagero, como aconteceu no ano anterior e no corrente, perdem-se culturas, atrasam-se outras e o risco aumenta. E se antigamente o famoso Borda d'Água facilitava o processo, hoje a imprevisibilidade meteorológica contribui para a instabilidade da produção. «Podemos contar ter as primeiras melancias no final de maio mas perdermos tudo e entrarmos em absoluto prejuízo se tivermos muita chuva. Por outro lado, o tempo pode ajudar e correr tudo bem para que a produtividade seja ótima.»
Gonçalo e a equipa – nove colaboradores no total e cinco contratados no verão, época de maior trabalho – têm feito produção integrada. «Tentamos usar o máximo possível as técnicas de agricultura biológica, por uma questão de sustentabilidade. E temos várias culturas e diversos canais de distribuição.» A consolidação do mercado nacional é já uma realidade, com a entrada em grandes superfícies. E em 2017 espera começar a exportar.
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A aposta da Fabrício Fresh está nos formatos e variedades «mais interessantes para o mercado». Gonçalo acredita que isso é uma mais-valia, pois vai ao encontro dos gostos e das necessidades dos clientes. «Produzimos melões com um a dois quilos e melancias mais pequenas do que o habitual. A nossa preocupação passa por não haver desperdícios de fruta em qualquer parte da cadeia.» Além de garantir facilidade de transporte e armazenamento, desta forma o consumo da fruta é mais rápido, o que garante a manutenção do sabor e as propriedades.
«Já temos duas lojas em Castelo Branco a que recorremos para testar produtos e tendências, e neste momento são elas que nos contactam a solicitar a nossa fruta e os nossos legumes.» É também necessário passar a informação mais correta aos retalhistas e grossistas de forma a ser interiorizada. «Não existe melão deste tamanho noutra parte do país e apesar de ter começado com uma área muito pequena, já conto com toneladas de produção.» O peso e o tamanho dos frutos são controlados graças à utilização de sementes de outras variedades.
Não se perdeu um engenheiro civil e ganhou- se um agricultor. Gonçalo Fabrício trabalhou em direção de produção e o know how que adquiriu é essencial para aplicar no negócio. «Uso os mesmos métodos e diagramas, e o facto de vir de outra área dá-me a vantagem de olhar para esta atividade empresarial sem ideias preconcebidas. É relativamente fácil integrar novas visões de produção e tecnologias ao setor.» É por esse motivo que tem tentado influenciar alguns agricultores ao mostrar-lhes «como podem gastar dinheiro garantindo os ecossistemas. Se fizerem tratamentos intensivos a determinadas pragas, vão matar não só essas pragas como outros bichos que andam ali à volta, o que vai desequilibrar a cadeia alimentar e exigir novos tratamentos e mais custos». Esta postura faz que ainda não tenha sido necessário utilizar nenhum fitofármaco no ano corrente na sua cadeia alimentar.
Por ter uma grande necessidade de formação na área, Gonçalo concorreu à primeira edição da Academia do Centro de Frutologia Compal. «O desenho que a Academia tinha ao colocar jovens produtores sem grande experiência em contacto com outros que já têm muito conhecimento e projetos de sucesso, como com cadeias de distribuição e com setores diversificados, tornou-se muito motivante.» Dos ensinamentos que recebeu, começou a conseguir «eliminar riscos e entrar num patamar com maior probabilidade de ser bem sucedido». Após o período formativo, o seu projeto foi um dos que mais se destacaram, tendo-lhe sido atribuída uma bolsa de vinte mil euros que permitiu aumentar o espaço para pomares e, assim, adaptar as culturas à zona do Ladoeiro – «que tem caraterísticas únicas para produção de hortícolas e frutícolas».
A Academia foi também importante, em grande parte, para lhe dar maior noção dos riscos. Gonçalo entra nos projetos a cem por cento e nem sempre tem noção do que vai encontrar, admite. «Mas é compensador ver as ideias a avançarem e a serem reconhecidas. Há muito a fazer, mas há que vencer a inércia de algumas pessoas e mercados. Não pretendo mudar o mundo. Mas torná-lo um pouco melhor, sim.»
NÚMEROS QUE MARCAM
Em 2013, a empresa de Gonçalo Fabrício produziu trinta toneladas de beringela por hectare. No ano passado passou para 68 toneladas por hectare. Também na cultura da melancia os números são reveladores: cinquenta toneladas por hectare em 2012, 92 toneladas em 2014. No que diz respeito à produtividade global anual, foi muito pequena em 2012 – apenas 50 toneladas de fruta e legumes (melancia, melão, beringela e pimento). Mas no ano seguinte passou para 270 toneladas. Em 2014 chegou às 670 toneladas e as expetativas para este ano estão nas 1200 toneladas.

Agricultores franceses vão invadir Paris no próximo dia 3 de Setembro

Agosto 19
11:05
2015

A Fédération Nationale des Syndicats d'Exploitants Agricoles está a preparar uma mega manifestação de agricultores em Paris para o dia 3 de Setembro.

São esperadas centenas de tractores e muitos milhares de agricultores, que vão invadir a cidade luz.

A convocação atinge todos os sectores agrícolas e não só os que estão em maiores dificuldades, como o do leite, da carne de porco e de bovino e as frutas e legumes.

O sector dos cereais também está a sentir uma baixa considerável de preço nos últimos dias.

A contestação é feita, não só ao governo francês, mas também a Bruxelas, sendo exigidas medidas urgentes para apoio ao sector agrícola.

Um dos pontos de reivindicação prende-se com o embargo russo, com a exigência de que Bruxelas tome posição clara para negociar com os russos.

O ponto mais delicado prende-se com a legislação laboral, que os franceses consideram um forte elemento de distorção do mercado comunitário.

Assim, enquanto os empresários agrícolas franceses têm de pagar elevadas contribuições para ter um assalariado, os responsáveis agrícolas apontam o dedo a outros países, como a Alemanha e a Espanha, que acusam de utilizarem mão-de-obra sazonal de países de Leste e do Norte de África a preços por hora muito baixos, o que faz baixar os custos de produção dos produtos agrícolas.

Esta contestação ao nível da legislação laboral pode vir a tomar dimensões imprevisíveis ao nível de negociações em Bruxelas.


Vinhas históricas


Por Rui Falcão 

 21.08.2015  

Seguimos pelo mês de Agosto, a época do ano que a maioria dos portugueses reserva para o período de férias, o que me impele a continuar a abordar temas mais ligeiros, pequenas e grandes histórias sobre o mundo do vinho, que é igualmente um mundo pejado de preconceitos e certezas absolutas, um mundo que gosta de preservar as suas histórias independentemente de as mesmas poderem apresentar qualquer fundamento… ou não. 

 
Um desses muitos preconceitos garante que a história do vinho é reserva moral, patrimonial e espiritual dos países produtores europeus tradicionais, uma espécie de privilégio reservado ao velho continente, que segundo a lógica europeia seria dono e senhor de todas as tradições relevantes. Os países do novo mundo, dos restantes continentes, seriam por isso países sem tradição e sem passado vínico, países que teriam começado a produzir vinho há pouco mais de meia dúzia de anos. Tal como é apanágio dos mitos, também este é facilmente contrariado pela realidade e pelos factos.

Sim, é mais que evidente que as vinhas, as castas e a tradição enológica chegaram aos países do novo mundo com a colonização europeia, Ásia menor excluída. Mas, curiosamente, muitas das vinhas mais velhas ainda em produção encontram-se precisamente fora da Europa, nas antigas colónias da Europa imperial. Pensa-se que a vinha norte-americana mais antiga estará estabelecida na Califórnia, em Amador County, datando de 1850, ano em que terá sido plantada.

Mas as vinhas mais velhas ainda em produção, tirando casos muito pontuais nos pouquíssimos lugares onde a filoxera não conseguiu aniquilar as vinhas europeias, estão na Austrália. Entre elas merecem referência as vinhas Syrah de Château Tahbilk, vinhas que datam do distante ano de 1860. Ainda mais antiga é a vinha da Hewitson, da casta Mourvèdre, uma vinha situada em Barossa que terá sido plantada em 1853 e que ainda segue alegremente em produção. Mas as vinhas mais velhas da Austrália situam-se em Tanuda Creek, também em Barossa Valley, e pertencem ao famoso produtor Turkey Flat, uma vinha de Syrah que foi plantada em 1847.

A Europa perdeu infelizmente a maioria das vinhas muito velhas quando a praga da filoxera cá chegou, vinda do continente norte-americano. O que não significa que não existam vinhas históricas na Europa. Claro que se faz vinho na Europa há milhares de anos. Claro que o vinho foi influenciado e influenciou muitas das civilizações europeias, sobretudo aquelas que se situam mais a sul do velho continente.

Na verdade, o vinho influenciou mesmo aquela que é a religião dominante em muitos dos continentes, a religião cristã, tornando-se no centro da sacralização da celebração eucarística. O império romano foi um dos grandes difusores e inovadores na vinha e na enologia. Não sabemos com segurança como seriam os vinhos da época, mas sabemos que os habitantes de Pompeia eram entusiastas dos mistérios do vinho, como o atestam as reinas e os inúmeros frescos temáticos preservados sob os escombros da grande erupção do Vesúvio.

As escavações arqueológicas levadas a cabo na cidade ao longo das últimas décadas desvendaram a existência de cinco vinhas plantadas dentro dos limites da cidade. E foi precisamente uma dessas vinhas que foi recuperada e replantada com a ajuda da família Mastroberardino, um produtor clássico e histórico da região da Campania que há muito se celebrizou não só pelos seus vinhos como pela defesa intransigente dos valores da região.

Sem a tenacidade e o empenho pessoal de Antonio Mastroberardino em recriar as vinhas de Pompeia seria muito provável que já se tivessem perdido as castas antigas de origem grega que eram tradicionalmente usadas na região, variedades como o Aglianico, Greco di Tufo e Fiano d'Avellino, castas que entretanto voltaram a ganhar popularidade e notoriedade face à evidência qualitativa que demonstraram nesta vinha.

A vinha foi plantada utilizando as técnicas, compasso e formas de condução usadas há mais de dois mil anos segundo as inscrições nos frescos e os manuais de viticultura escritos por figuras como Plínio e Columella, autor de um tratado de agronomia e viticultura que é geralmente considerado como o documento técnico de viticultura mais antigo do mundo. Seguindo as indicações pormenorizadas por estes dois autores clássicos foram seleccionadas exactamente as mesmas castas do passado, recuperando variedades esquecidas como o Piedirosso e o Sciascinoso.

Foi seguida a densidade recomendada, oito mil plantas por hectares, amarradas a estacas de castanheiro e plantadas no mesmo local onde existiu uma das vinhas originais. O vinho continua em produção e todos os anos se enchem cerca de um milhar e meio de garrafas deste projecto histórico que permitiu recuperar variedades que muito provavelmente já teriam desaparecido do mapa.

Apesar de Mastroberardino seguir à letra a maioria das tradições e técnicas descritas nos tratados de Plínio e Columella… decidiu saltar algumas das receitas enológicas indicadas. Sim, o vinho continua a ser fermentado em ânforas de barro enterradas no solo, sofre macerações muito prolongadas, envelhecimento igualmente prolongado e não é filtrado antes de ser engarrafado.

Mas Mastroberardino preferiu descartar a sugestão de acrescentar ratos ou as suas cinzas ao mosto, tal como decidiu afastar a ideia de temperar o vinho com ervas aromáticas e outras especiarias para acrescentar sabor. Da mesma forma decidiram não revestir as talhas com resina, como faziam os romanos, já que o resultado adulterava o sabor do vinho para algo demasiado aproximado aos vinhos gregos conhecidos como Retsina.

O vinho "moderno", chamado Villa dei Misteri, é um vinho tinto opaco, duro, austero, especiado, taninoso e intenso que poderia facilmente ter sido guardado na adega durante mais um bom par de anos. Uma parte significativa da muito limitada produção é vendida em leilão com as verbas a serem reservadas para a renovação da vinha e restauro de Pompeia.


“OECD-FAO Agricultural Outlook 2015-2024”

Publicado em quinta, 20 agosto 2015 11:32
 

Relatório publicado em Julho de 2015

Este Relatório fornece uma avaliação anual das perspetivas para a próxima década dos mercados nacionais, regionais e mundiais de bens agrícolas, com base nas condições macroeconómicas, nas definições de Política Agrícola e Comercial, nas condições climatéricas, nas tendências de produtividade a longo prazo, bem como a evolução do mercado internacional.

As projeções de produção, consumo, stoks, comércio e preços para os diferentes produtos agrícolas analisadas neste relatório abrangem os anos de 2015 a 2024.

A evolução dos mercados durante este período utiliza taxas de crescimento anuais ou alterações percentuais para o de final de ano 2024 em comparação com o período de referência de 2012-14.

Aceder ao Relatório (pdf): http://www.fao.org/3/a-i4738e.pdf

O Vinho rosé em Portugal

O mercado de tratores agrícolas

20-08-2015


No mês de julho de 2015 foram matriculados 360 tratores agrícolas novos, o que significa um acréscimo de 2 por cento, face ao mesmo mês do ano anterior. Por tipo de tratores, foram matriculados 165 tratores convencionais, 120 tratores compactos e 75 tratores especiais (fruteiros e vinhateiros) o que significa uma variação homóloga de mais 10 por cento, de menos 6,3 por cento e uma estabilização do mercado, respetivamente.

Em termos de valores acumulados nos primeiros sete meses de 2015 foram matriculados um total de 2.754 tratores novos o que representa um decréscimo do mercado de 0,4 por cento, relativamente ao mesmo período do ano anterior, o qual foi determinado pela queda de 3,4 por cento e de 3,3 por cento das matrículas de tratores convencionais e de compactos, respetivamente. No período em análise, as matrículas de tratores especiais registaram um acréscimo de 13,4 por cento.

Quanto à distribuição do mercado de tratores novos por classes de potência nos primeiros sete meses do ano, os escalões que vão dos 40 aos 88kw representaram 46,7 por cento do total das matrículas, os escalões até aos 39kw representaram 44,3 por cento e os escalões com mais de 88kw representaram 9 por cento.
A potência média dos tratores novos vendidos em Portugal situa-se nos 52Kw.


Tribunal tira sinos às vacas por incomodarem vizinhos


12/08/2015
Um tribunal de Recurso de Zurique, na Suíça, obrigou um fazendeiro a retirar durante a noite os sinos dos pescoços das suas 27 vacas leiteiras para não incomodarem os vizinhos.
 

DARREN STAPLES/REUTERSO tribunal decidiu que o fazendeiro deve remover os sinos das vacas entre as 22 horas e as 7 horas


A decisão anunciada no início de agosto confirma a ordem já dada ao fazendeiro, depois de uma queixa apresentada pela população de uma pequena comuna ao pé de Zurique exasperada por não conseguir dormir à noite nos últimos quatro anos por causa dos sinos.

O tribunal decidiu que o fazendeiro deve remover os sinos das vacas entre as 22 horas e as 7 horas.

"Mesmo a 80 metros, a fonte de poluição do ruído é muito alta", referiu o tribunal, acrescentando que a utilização dos sinos é inútil, porque as vacas pastam num prado com cerca.

O criador ainda pode recorrer da decisão para o Supremo Tribunal.

ASAE apreende toneladas de 'kebabs' depois de intoxicações



12.08.2015 às 23h270


Fiscalização em dois armazéns, um em Loulé e outro no Montijo., resultou na apreensão de 7,5 toneladas de produtos alimentares. Operação surge na sequência de múltiplas intoxicações alimentares por visitantes do Street Food Festival
Lusa
LUSA
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) anunciou esta quarta-feia ter efetuado a apreensão de 7,5 toneladas de produtos alimentares, na maioria 'kebabs', no Montijo e em Loulé, na sequência de intoxicações alimentares em Portimão.

Em comunicado, a ASAE revelou que as diligências foram desenvolvidas ao longo da última semana "na sequência da intoxicação alimentar ocorrida na passada semana no evento 'Street Food' em Portimão" e tiveram por objetivo "apurar a origem e condições de funcionamento dos respetivos fornecedores daqueles géneros alimentícios".

Desta forma, foram fiscalizados dois operadores de armazéns no Montijo e em Loulé, onde foram apreendidas as 7,5 toneladas de "produtos alimentares avariados", levando à "instauração do correspondente processo-crime".

A ASAE apreendeu também outros bens, num valor total acima de 27 mil euros.

A atividade do armazém localizado no Montijo foi suspensa, por "falta de requisitos de higiene".

"A ASAE continuará a proceder às diligências consideradas necessárias para o apuramento da situação ocorrida, por forma a salvaguardar a saúde e segurança dos consumidores tendo presente que o consumo deste tipo de produtos é bastante elevado, em especial nesta época do ano, por tratar-se de produtos muito populares nos festivais de verão e festas tradicionais", acrescentou aquela autoridade.

No começo do mês foram denunciadas múltiplas intoxicações alimentares em Portimão por visitantes do 'Street Food' Festival que decorreu naquela localidade.

No Facebook do evento, a organização lamentou o sucedido e referiu que "a delegação de saúde de Portimão foi chamada a intervir e a recolher análises ao produto", que estaria "em perfeitas condições de conservação e de forma a ser servido, o que leva a crer que se [tratava] de uma bactéria numa parte específica do leitão".

De acordo com a mesma fonte, a carne em causa viria a ser destruída posteriormente pelo proprietário do espaço.

Estado deve milhões a empresas que destroem cadáveres de animais


     
14/08/2015 08:47 671 Visitas   

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Estado deve milhões a empresas que destroem cadáveres de animais


O Estado deve seis milhões de euros às empresas que diariamente recolhem, transportam e destroem 1.150 cadáveres de animais, que estão com grandes dificuldades em assegurar este serviço, considerado imprescindível para a segurança alimentar.

A dívida foi confirmada à agência Lusa pelas duas empresas em questão (ITS e Luís Leal & Filhos), que fazem parte do consórcio criado pelo Estado para pôr em prática o Sistema de Recolha de Cadáveres de Animais Mortos na Exploração (SIRCA), enquanto o Ministério da Agricultura assumiu "alguns atrasos nos pagamentos".

Este sistema foi criado na altura da crise da doença das "vacas loucas" para "a recolha dos animais, em tempo útil, e permite efetuar a despistagem obrigatória de eventuais encefalopatias espongiformes transmissíveis (BSE)".

Desde janeiro que as duas empresas não estão a ser ressarcidas, o que lhes coloca dificuldades para assegurar um serviço dispendioso, disseram à Lusa fontes empresariais.

A situação está a preocupar o grupo dos resíduos da Quercus, para quem o SIRCA - uma das suas reivindicações - garante "um alto controlo sanitário dos animais mortos em explorações, nomeadamente através da recolha, transporte, colheita de amostras para laboratório e tratamento/destruição".

De acordo com esta associação, em 2014 foram recolhidos 415 mil animais (27.500 toneladas). Já este ano, a média de recolha é de 1.150 animais/dia, ou seja, 75 toneladas diárias.

"Este controlo apertado permitiu a Portugal sair de uma situação de total descontrolo em relação a doenças transmitidas de animais para o homem - no caso da chamada BSE chegou a ter o pior desempenho na Europa - para uma situação de estatuto mínimo, a partir de 2013".

Segundo a Quercus, se Portugal mantiver este controlo quatro anos consecutivos "considera-se que houve erradicação das doenças".

A associação explica que, "quando os suínos morrem nas explorações, são armazenados temporariamente em sistemas de refrigeração" e que "a recolha nunca demora mais do que três dias".

"No caso dos ruminantes - bovinos, ovinos, caprinos, equinos -, a recolha é tipo "táxi", pois existe um "call center" para os donos solicitarem a recolha imediata. No máximo, o serviço é realizado até 48 horas depois do pedido", explicou a associação.

A Quercus sublinha que, nos ruminantes, é ainda "recolhida uma amostra do tronco encefálico, a qual é posteriormente enviada para análise no Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária para despiste de doenças".

Dados da associação indicam que este sistema é pago através da cobrança de uma taxa aos estabelecimentos de abate.

"O dinheiro à partida existe especificamente para o sistema montado", refere a Quercus.

Esta dívida, prossegue, "está a tornar insustentável todo o sistema que é naturalmente muito custoso, como qualquer sistema que obriga a um elevado controlo e, neste caso, associado a transportes diários capilares, nomeadamente a locais de difícil acesso, uma vez que a recolha é realizada onde o animal morre, mesmo que seja no meio de uma serra".

A associação está contra uma eventual paragem do sistema de recolha, não querendo sequer acreditar que tal seja possível.

"É intolerável esta situação de falta de pagamento, que vai já em sete meses, quando o Estado recebe antecipadamente, através das taxas de abate, as verbas para pagar o serviço", adianta.

Para a Quercus, existe "um risco elevadíssimo para o ambiente e saúde pública" se se registar "o abandono abrupto, por falta de verbas, do presente sistema de recolha".

"Se os animais deixarem de ser recolhidos nas explorações, e consequentemente deixar de existir controlo, é a própria segurança alimentar que está em causa, pois não há nada que impeça que essas carcaças sejam introduzidas na alimentação humana, através de canais ilegais de distribuição de carne".

Fonte oficial do Ministério da Agricultura e do Mar confirmou à Lusa que, "nos últimos meses, fruto do mecanismo de financiamento, têm de facto existido alguns atrasos nos pagamentos, que têm vindo a ser feitos em valores mais reduzidos".

O ministério prevê que os pagamentos venham "a ser acelerados já no próximo mês de setembro".

Sobre o risco deste serviço parar, a mesma fonte sublinhou que "as empresas do Consórcio são profissionais que executam este serviço há alguns anos, pelo que não se coloca certamente em questão a suspensão deste serviço".

Lusa/SOL

A família alemã que está a reinventar o vinho alentejano

HISTÓRIAS DE AGOSTO
por Leonídio Paulo Ferreira16 agosto 2015Comentar

Dorina Lindemann, com a cadela Cloe ao colo, e rodeada pelas filhas Júlia e Luísa. A antiga Quinta do Vinagre, junto a Montemor-o-Novo, foi rebatizada pela família alemã de Quinta de São Jorge (como Jorge Böhm, o patriarca) e tem hoje 110 hectares, 85 dos quais de vinha.  Inovadora, Dorina usa castas do Norte de Portugal para produzir vinhos alentejanos, conseguindo exportar 90% da produção. Um caso de sucesso
Dorina Lindemann, com a cadela Cloe ao colo, e rodeada pelas filhas Júlia e Luísa. A antiga Quinta do Vinagre, junto a Montemor-o-Novo, foi rebatizada pela família alemã de Quinta de São Jorge (como Jorge Böhm, o patriarca) e tem hoje 110 hectares, 85 dos quais de vinha. Inovadora, Dorina usa castas do Norte de Portugal para produzir vinhos alentejanos, conseguindo exportar 90% da produção. Um caso de sucesso Fotografia © Diana Quintela / Global Imagens
Tudo começa em 1961 com um jovem alemão que naufraga em Portugal e se apaixona pelo país. Herdeiro de uma empresa centenária dedicada ao negócios de vinhos, Jorge Böhm torna-se um especialista em castas portuguesas e passa o amor pelas vinhas à filha Dorina Lindemann. Esta e as filhas Júlia e Luísa são hoje famosas em Montemor-o-Novo.
Dorina caminha ágil por entre as vinhas carregadas de cachos, procurando que os pés não tropecem nem nos torrões de terra nem na pequena Cleo, a única das três cadelas da família Lindemann que escapou a ter nome de casta. As outras são a Barroca, bem maior do que a Cleo e que já deu um ar da sua graça nesta manhã, e a Touriga, "que está no veterinário", explica a alemã que produz vinhos em Montemor-o-Novo há duas décadas e é apaixonada por Portugal desde criança, quando vinha passar férias com os pais e o irmão. "Numa casa em Colares, que ainda lá está, mas já não é nossa", sublinha.
Aqui é preciso um parêntesis: Dorina Lindemman é filha de Jorge (nascido Hans Jörg) Böhm, que naufragou em Cascais em 1961 quando tentava fazer uma volta ao mundo. Ficou mais tempo do que era preciso para tentar reparar o veleiro, e a partir daí, com um pé em Portugal e outro na Alemanha, até os dois assentarem mesmo por cá, foi-se interessando por tudo que tinha que ver com as vinhas e o vinho português; e a ponto de se ter tornado um reputado especialista.
"O meu pai sabe tudo, mas mesmo tudo, sobre as castas portuguesas", afirma Dorina. Se fosse preciso certificação de que não se trata só de orgulho filial, aí está O Grande Livro das Castas, com a primeira edição em 2007, e a comenda da Ordem de Mérito Agrícola concedida em 2006 pelo presidente Jorge Sampaio. A Böhm foi também dada a nacionalidade portuguesa.
Economista e enólogo, Jorge Böhm tem 77 anos e desde os 23 está ligado a Portugal. Destacou-se por selecionar e catalogar as castas de vinho portuguesas
Economista e enólogo, Jorge Böhm tem 77 anos e desde os 23 está ligado a Portugal. Destacou-se por selecionar e catalogar as castas de vinho portuguesas
As ruínas do Castelo de Montemor-o-Novo avistam-se não muito longe, como se fossem o pano de fundo ideal para um terreno cheio de vinhas quase prontas a ser vindimadas. Afinal, a Quinta de São Jorge (como Böhm) fica a meia dúzia de quilómetros da cidade alentejana, onde toda a gente fala dos "alemães dos vinhos" e ainda mais dos "vinhos dos alemães".
Hoje quem manda naquelas terras, "que chegaram a chamar-se Quinta do Vinagre, mas logo lhe mudámos o nome, claro", é Dorina, de 49 anos, mãe de duas filhas, que teve de arregaçar as mangas (e muito) para salvar a empresa Quinta da Plansel quando o marido, morreu, pois as dívidas acumulavam-se. Renegociou com os bancos e conseguiu um sócio, Karl Heinz Stock, também um alemão apaixonado por Portugal, e que mesmo dono de 50% dá carta-branca a Dorina no negócio dos vinhos. Nos últimos anos "as coisas têm corrido bastante melhor", com projetos para alargar a quinta, que tem 110 hectares, 85 de vinha." Solo bom. Pesado. Vigoroso. Por baixo com granitos e xisto", garante a alemã a quem, desconhecedor dos segredos da agricultura, só vislumbra terra vermelha.
Dorina pede a uma das filhas que segure Cloe. São duas, altas, elegantes e loiras como a mãe. Júlia tem 21 anos, Luísa 19. Fizeram a escola toda em Montemor-o-Novo e falam um português impecável, "ao contrário de mim, que nunca perdi o sotaque alemão", diz por entre risos a matriarca. Ambas sempre viveram em Portugal, tendo nascido depois de a mãe e o pai terem decidido fixar-se no Alentejo, onde o avô Jorge criara os viveiros Plansel - Plantas Selecionadas, aos quais ainda hoje dedica toda a atenção e são um dos segredos do sucesso da Quinta de São Jorge (a que os montemorenses mais velhos chamam "quinta do alemão") e dos vinhos da família.
"O segredo da diferenciação dos nossos vinhos reside, em grande parte, na capacidade de termos encontrado as castas indicadas a serem trabalhadas nesta região com condições climáticas tão especiais. Nós trabalhamos muito com as castas do Norte e somos inclusive os únicos no Alentejo a trabalhar com a Tinta Barroca. Todos os nossos vinhos têm um traço feminino, suave, redondo. Isto resulta do nosso terroir único ", explica Dorina, que além de empresária é enóloga.
E acrescenta: "Aqui, em Montemor-o-Novo, devido à vizinha serra de Monfurado e a alguma influência marítima, existe um microclima específico, com uma maior precipitação e temperaturas ligeiramente mais amenas. Isso permite que as uvas se desenvolvam mais refinadas e aromáticas e confere excelentes características aos nossos vinhos."
Fiel à tradição familiar (que vem desde o século XIX, com antepassados a terem uma empresa de importação de vinhos), Luísa prepara-se também para ser enóloga. Esteve já na Alemanha a fazer um estágio de seis meses, dentro de dias volta a partir, vai tirar o curso na Universidade de Geisenheim.
De calças de ganga e T-shirt preta (como a mãe e a irmã, mas estas com o logótipo da empresa), Luísa caminha por entre as vinhas com a segurança de quem está habituada a lidar com o campo. "O interesse surge por volta dos 15 anos quando comecei a ajudar na adega, principalmente no tempo da vindima. Intensificou-se ainda mais após fazer o estágio numa adega, na Alemanha, onde adquiri novos conhecimentos sobre o mundo dos vinhos. Tudo isto aliado ao sonho de querer seguir os passos de uma mulher da qual muito me orgulho, a minha mãe, que fez que eu quisesse seguir este caminho da enologia", diz. E Júlia, que vai começar em setembro, em Lisboa, o segundo ano da licenciatura em Marketing, na Universidade Europeia, também está dentro do espírito: "Desde pequena que estou habituada a estar envolvida na adega, e como o marketing se revelou uma paixão, pensei em aliar estas duas vertentes da minha vida."
Dorina Lindemann, na adega 
Dorina Lindemann, na adega Fotografia © Diana Quintela / Global Imagens
Dorina não esconde o orgulho nas filhas, com quem partilha evidente camaradagem. E até deu o nome de ambas a vinhos. O Luísa Lindemann é um frisante; o Júlia Lindemann, um tinto. E como é a sensação de se dar nome a um vinho? "É uma grande honra! E é ainda mais por saber que é um vinho com uma excelente aceitação no mercado nacional como no internacional", responde Luísa. "A primeira vez que soube que iria ter um vinho com o meu nome foi uma surpresa. Senti-me muito feliz e honrada por a minha mãe me ter feito esta homenagem, ainda para mais porque durante a época de vindima participei no processo de fermentação em barrica, sem saber que aquele iria ser o meu vinho", diz Júlia.
Estacionado o pequeno jipe que usa para percorrer a quinta (um Volkswagen, que isto da fidelidade à tecnologia alemã não se perde mesmo após muitos anos fora), Dorina mostra a adega e depois a casa da família, onde uma sala enorme serve de galeria para a coleção de pintura que ao longo dos anos Jorge Böhm tem adquirido. Com marcação, a família organiza também jantares na quinta (com direito a ver as obras de arte) e há ideias para avançar com um turismo rural. A Quinta de São Jorge até tem uma velha capela, dedicada a Santa Margarida. Está bem conservada, com linhas azuis a pontuar o branco da cal, e o segredo, sublinha Dorina, "é que é do padre, mas nós pintamos e cuidamos dela".
É numa mesa de madeira cá fora, mas à sombra pois no Alentejo o verão chega a ser de 40 graus, que a conversa continua. Conta Dorina que da produção anual de 350 mil a 400 mil garrafas, "uns 90% destinam-se à exportação". Vende para o Brasil, também para a China, mas especialmente para a Alemanha, onde é uma grande embaixadora dos vinhos portugueses. "Vou a feiras, faço palestras, e não falo só dos meus vinhos. Falo dos vinhos portugueses, de como temos a melhor variedade de uva, o melhor solo, castas únicas, de paladar único", relata com entusiasmo Dorina. E sobre as suas três castas de eleição, não poupa os elogios: "A Touriga Nacional é as duas faces de Portugal. A feminilidade: beleza e floral. A masculinidade: complexo e sedutor. É uma casta real, elegante e harmoniosa. A Touriga Franca é o machão cowboy português. Repleto com frutos vermelhos e taninos aveludados é poderosa, masculina e selvagem. Já a Tinta Barroca é Rubens: encorpado, doce, feminina, sensual, frutado."
O resultado (que começou a nascer em 1997 com a ajuda da Universidade de Évora e do enólogo Paulo Laureano) são os vinhos da linha Plansel, da linha Marquês de Montemor e da linha Family Estate, a que pertencem os que levam os nomes das filhas e também os batizados Dorina Lindemann.
Tanto tempo passado fora a promover a exportação exige gente de confiança na quinta, onde trabalham umas 40 pessoas durante todo o ano, mais na época das vindimas. Um papel importante, destaca Dorina, é o do engenheiro Carlos Ramos, que começou nos viveiros e trabalha com a família há mais de dez anos. E fala também de Adenilson, "o meu adegueiro brasileiro, 100% de confiança". Mas se hoje Dorina trabalha bem com homens, no início não foi bem assim, conta. "Quando cheguei era muito difícil lidar com os portugueses na quinta. Eram muito difíceis. Machistas. Dizia-lhes uma coisa e faziam antes à maneira deles. Tive de contratar duas mulheres para me ajudarem, as minhas Florbela e Florinda."
Quando fala de Portugal e dos portugueses, Dorina diz "nós". E quando elogia os vinhos portugueses diz " os nossos". É antigo o seu amor a Portugal, desde essas férias em criança que ela adorava mas o irmão não. Por causa do trabalho vai com frequência à Alemanha, "país com vinhos muito bons e onde cada vez mais gente descobre a qualidade dos vinhos portugueses", quando antes só conheciam os italianos, os franceses e os espanhóis. Confessa-se admiradora de Angela Merkel, do estilo de vida simples que a chanceler alemã pratica. "Tenho a certeza de que não é corrupta", sublinha.
Quanto às diferenças entre a pátria e o país de adoção, onde se fixou em 1993, "a mais significativa entre portugueses e alemães, é que a Alemanha, sendo um país do Noroeste Europeu, tem um sistema mais rígido e organizado. Em Portugal as regras são menos firmes e nem sempre inflexíveis. Mas acho que é algo muito típico das culturas latinas. Faz parte da identidade dos países do Sul da Europa, esta mentalidade mais serena. No entanto são povos extremamente trabalhadores. Já viajei muito por esse mundo fora e não encontrei ainda mulheres mais trabalhadoras e dedicadas como as mulheres do Alentejo. É como algo que lhes corre no sangue. As nossas mulheres que trabalham no campo, sob as condições climáticas mais adversas, não o fazem só por fazer... em cada gesto seu há uma devoção, um cuidado desmedido, um segredo só delas que faz que as nossas vinhas sejam sempre bem cuidadas". Mulheres alentejanas e mulheres alemãs, três. Em Montemor-o-Novo juntaram-se para fazer vinhos que pouco a pouco o mundo descobre. Vinhos portugueses do Alentejo com apelido alemão.

Cientistas dizem ter descoberto o sexto gosto do nosso paladar: o da gordura


Até hoje, o consenso entre cientistas é que o ser humano tem a capacidade de sentir cinco categorias de gostos diferentes: doce, salgado, amargo, azedo e umami. Mas cientistas de uma universidade dos EUA afirmam ter descoberto mais um tipo de gosto sensível ao paladar, denominado por eles como «oleogustus», ou gosto de gordura.
«É normalmente é descrito como amargo ou azedo, porque não é agradável. Mas novas evidências revelaram que o ácido gordo evoca uma sensação única, satisfazendo outro elemento do critério que constitui os gostos básicos», diz Richard D. Mattes, professor de nutrição na Universidade de Purdue, responsável pelo estudo.
O quinto gosto, chamado de umami, foi descoberto no Japão no início do século XX e é reconhecido pelo nosso paladar quando comemos alimentos que possuem ácido glutámico, inosinato e guanilato, como cogumelos, tomates, cebola, shoyu, carnes vermelhas, peixes e marisco.
Mattes conduziu duas experiências para provar que o sexto gosto é único e reconhecido pelos receptores nas nossas papilas gustativas. No primeiro teste, os 102 participantes recebiam amostras que continham um dos seis gostos isolados: doce, salgado, azedo, amargo, umami e «oleogustus» e tinham que separá-las em grupos.
As amostras doces, salgadas e azedas foram facilmente separadas pelos participantes, confirmando que haviam entendido a tarefa. Mas, inicialmente, as amostras com gosto de gordura foram agrupadas com as amargas, «já que o amargo é normalmente associado a sensações desagradáveis», explica Mattes.
Depois, os participantes receberam apenas os três gostos que, na primeira experiência, não conseguiram separar claramente: amargo, umami e «oleogustus». Já neste segundo momento, foram divididos facilmente em três grupos, comprovando que o gosto de gordura é diferente dos outros.
«Para Mattes, o gosto da gordura não deve ser confundido com a sensação causada pela gordura, normalmente descrita como cremosa ou macia», diz o site da universidade.
O pesquisador explica que o gosto da gordura não é agradável quando isolado, mas, «como químicos amargos que são usados para destacar o sabor de alimentos como o chocolate, café e vinho», o «oleogustus» em baixas concentrações pode melhorar o gosto do que comemos.
«Construir um vocabulário sobre a gordura e entender a sua identidade como um gosto poderia ajudar a indústria dos alimentos a desenvolver produtos mais saborosos e, com mais pesquisa, clínicas de saúde podem compreender melhor as implicações da exposição oral à gordura.»

O Homem que pôs o vinho portugues online


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Por: Rui Pedro Tendinha 17/08/2015 - 09:44 • Fotografia: Jorge Simão

André Ribeirinho é o homem por detrás deste conceito inovador e virtual.


A ideia deste ex-informático é que por detrás de cada bom vinho há uma boa história. Foi por isso que criou a Addega, uma plataforma que reúne uma série de produtores de excelência, e permite provar e adquirir os eleitos.
Há nove anos, um grupo de informáticos operou uma espécie de revolução no mundo dos vinhos portugueses. Com a assinatura Addega, com dois dd, os rapazes criaram um novo modelo de negócio: uma plataforma online que permite fazer chegar os melhores vinhos ao consumidor final. A Addega existe para os chamados wine lovers, organiza mercados com provas de vinho, gere uma rede social em torno deste e aproxima os produtores do público. Os vinhos, sempre nacionais, podem ser encomendados através do site, a preços competitivos.
O cofundador e porta-voz da Addega é André Ribeirinho, um defensor acérrimo do conceito de que por detrás de cada bom vinho há sempre uma boa história. «Tudo começou a funcionar quando oferecemos um lado físico aos consumidores que usavam a plataforma digital. Agora, as pessoas vão aos eventos e depois voltam à rede social para comprar os vinhos de que mais gostaram», diz André, alguém que há dez anos deixou um emprego «seguro» como craque informático do Sapo (Portugal Telecom) para se dedicar a cem por cento a este projeto: «Antes era muito esquisito. Não bebia vinho e nem percebia nada de vinhos. Nem sequer comia queijo. Não dá para imaginar a quantidade de sensações que descobri. Aprendi a gostar, fiz cursos, entretanto, e hoje é uma paixão. Abriram-se uma quantidade de portas. Sou louco por vinho do Porto.»
SER UM EXPERT DE VINHOS tardio tem vantagens, permite o ângulo precioso da distância. Os prazeres de Baco neste homem de 36 anos ainda têm a efervescência da novidade. Se o vinho terá mudado a sua vida, há antes de tudo isso – muito antes – um episódio determinante: «Nasci com glaucoma. Aos 21 dias tive de ser operado e isso deu-me uma perspetiva diferente: tenho de aproveitar melhor a vida. Estou sempre grato por não ter ficado cego. O vinho é um dos canais através do qual passei a aproveitar a vida.»
Rentabilizando a cada vez maior ligação entre vinho e gastronomia, um dos mais importantes eventos «ao vivo» da Addega são os jantares vínicos: «as pessoas veem a gastronomia como uma coisa acessível e os vinhos como algo complexo. Todos sabem falar do prato que estão a comer, o que nem sempre acontece em relação ao que bebem. A nossa ideia é fazer aproximar as pessoas do vinho», explica André Ribeirinho.
No décimo quinto WineMarket, o primeiro no Algarve, organizado pela Addega, percebe-se o trabalhão que uma empreitada destas significa, mas um trabalhão que é feito com um prazer dos diabos. «Já temos uma estrutura que monta eventos com alguma rapidez, mas em cada WineMarket o processo para garantir a alta qualidade que pretendemos é longo e complexo. Há que coordenar muitos produtores: 300 vinhos em cada evento.» Para entrar num evento Addega e poder provar à discrição vinhos de topo, paga-se 15 euros e recebe-se um copo que se pode levar para casa.
Não é um copo qualquer, é um Smart-Wineglass, cujo chip permite, no momento, dar uma avaliação sobre cada vinho que se prova (posteriormente, recebe-se um e-mail com todas as classificações dadas durante a prova. Não há perigo de amnésia alcoólica…). Ribeirinho garante que esta tecnologia inovadora está bem registada e até já foi premiada no Wine Business Inovation Summit. Há também gente que se conhece ali, com o copo na mão, depois da familiaridade na net. Através destes mercados, muitos amantes de vinho já se conheceram pessoalmente.
JÁ EXISTE UMA LISTA DE ESPERA de produtores que querem trabalhar na plataforma. O critério é a qualidade e só entram 40. «Já se percebeu que fomentamos a ligação emocional ao vinho, que para nós é algo mais do que o conteúdo da garrafa. Tem que ver com a história que está por detrás. Por exemplo, o vinho menos interessante que uma pessoa possa ter bebido pode ser o mais importante da sua vida se estiver associado a um momento importante… Isso é a emoção.»
Para se chegar aqui, um produtor tem de ter uma boa relação preço/qualidade, saber falar com os consumidores sem linguagem técnica e ter histórias para contar. Paulo Laureano, produtor de alguns dos vinhos elegíveis (e até tem uns tantos em exclusivo), é fã: «Trata-se de uma nova forma de atingir um conjunto de clientes associados aos eventos da Adegga e diferenciados dos habituais frequentadores das feiras de vinho. Assim, para além de ocasiões pontuais, como os AdeggaWineMarket, onde podem comprar vinhos, estes enófilos passam agora a dispor de forma permanente de uma oferta alargada de vinhos, muitos deles verdadeiros exclusivos. A venda online é cada vez mais uma realidade e saber ser criativo, também nesta área, fará toda a diferença.»
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André Ribeirinho, ao meio, com Celma Correia e André Cid, dois dos sócios na Addega.
Ribeirinho e os seus sócios perceberam que, ao contrário dos discos e dos filmes, não havia nenhuma plataforma que tornasse possível a comercialização dos vinhos via internet. O CEO da Addega faz um paralelismo: «O iTunes fez que pudéssemos comprar a Madonna e, ao mesmo tempo, o disco mais indie. Agora, através de nós, é possível comprar o vinho de topo ou um mais popular. Nem lá fora existia uma plataforma que permitia isso. Porquê? Digamos que o mundo do vinho é tradicionalmente muito fechado e conservador.» Mas, tal como Laureano aponta, uma das principais «revoluções» da Addega é a forma como leva e promove os nossos vinhos lá fora: «Podemos ajudar o reconhecimento internacional do vinho nacional utilizando a mesma perspetiva de conquista de novos conjuntos de enófilos. Creio que fazem uma promoção crescida, criativa e inteligente dos vinhos portugueses nos mercados internacionais.»
No Brasil, no Rio de Janeiro, durante dois dias, esgotaram a capacidade de uma pista de corridas e atraíram 10 mil pessoas, que se acotovelaram para entrar no mercado. Dia 19 de setembro têm o primeiro mercado em Estocolmo e segue-se, a 3 e 4 de outubro, Berlim, a convite de um evento de comida de rua.
A ESTRATÉGIA DE RIBEIRINHO é dar a provar e vender (o lema, para diferenciar de uma prova de vinhos, é poder também comprar de seguida) cada vez mais vinho português em mercados onde a entrada é complicada. Não é por acaso que a rede social está em oito línguas diferentes. Será isto serviço público patriótico? A resposta vem de pronto: «Há uma grande apetência dos enófilos estrangeiros para o nosso vinho e estamos a ajudar os nossos produtores a vender lá fora. A Alemanha e a Suécia são os nossos dois primeiros mercados internacionais, mas já chegámos com eventos ao Brasil e à Bélgica.»


LIVRO: A Agricultura Portuguesa

A Agricultura Portuguesa
de Francisco Avillez

SINOPSE
Após a adesão de Portugal às Comunidades Europeias, a evolução da agricultura portuguesa foi influenciada, no essencial, pelas mudanças ocorridas na Política Agrícola Comum. Nos primeiros anos após a adesão à CEE, os ajustamentos estruturais e as alterações tecnológicas tiveram como consequência uma evolução bastante favorável dos resultados económicos do sector agrícola nacional e da viabilidade e competitividade das explorações agrícolas portuguesas. A partir de meados dos anos 90, os resultados económicos sectoriais e empresariais da agricultura portuguesa evoluíram de forma desfavorável. São inúmeros os factores que irão influenciar a evolução futura da agricultura portuguesa. Entre eles, importa destacar o comportamento ao longo da próxima década da eficiência económica e da sustentabilidade ambiental dos sistemas de produção agrícola praticados, que irá depender da consistência com que se vierem a aplicar as diferentes medidas e acções que integram o Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020.

LIVRO: Petróleo Verde | Floresta de Equívocos

Petróleo Verde | Floresta de Equívocos
De: João M. A. Soares
 
Sinopse

Um livro de leitura obrigatória para todos os que se interessam – ou dizem interessar – pela Floresta Portuguesa e pelo Ambiente, nas suas diversas vertentes. Em matéria ambiental – e não só – os textos nele contido assumem o carácter desassombrado e contra a corrente, assumindo-se o Autor como um técnico, um profissional e um cidadão disposto a pôr em causa, explicando o "politicamente correcto" nestes domínios. Elogiados por uns e criticados por outros, escritos, lidos e publicados ao longo de mais de quatro décadas de profissão, continuam a revelar enorme – e por vezes alarmante – actualidade e a apontar de forma crua, responsabilidades e responsáveis pelo actual estado da "Coisa Florestal" entre nós. Talvez este livro suscite agora a reflexão filosófica e a discussão objectiva e fundamentada que os textos nele raramente nos neles visados…
 
Ficha Técnica

Editora: Edições Ex Libris
Colecção:
Data de Publicação: 07-2015
Encadernação: Capa mole em 3 volumes c/ caixa - 646 + 718 + 586 páginas
Idioma: Português
ISBN: 9789898714312
Dimensões do livro: 155 x 230 mm
Prefácio: Eng.º José António Neiva Vieira
Capa / Paginação: Rui Cunha e João Timóteo, Nuno Remígio (contracapa) / Paulo Resende
Depósito Legal: 391766/15
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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

IFAP: Pedido único 2015 - calendário indicativo de pagamentos - continente

O IFAP disponibilizou informação relativa às datas previstas de pagamento da maioria das medidas incluídas no Pedido Único — PU 2015.

Este Calendário Indicativo de Pagamentos é provisório e será atualizado em função da adaptação da nova cadeia de pagamentos da reforma da PAC.

Com efeito, o ano de 2015 é o 1.º ano de aplicação dos Pagamentos Diretos da nova PAC, bem como de um conjunto alargado de novas medidas do Desenvolvimento Rural, tendo ocorrido alterações significativas nas respetivas regras de aplicação.

Nesse sentido, o IFAP, enquanto Organismo Pagador, tem vindo a proceder a adaptações substanciais dos procedimentos de gestão e controlo de forma a garantir o correto pagamento das ajudas.

O trabalho desenvolvido, com o objetivo de assegurar os apoios o mais cedo possível aos beneficiários, designadamente através do início atempado das candidaturas e realização de controlos, permite confirmar, desde já, o adiantamento de alguns pagamentos:

Todos os apoios "ligados";

Manutenção da Atividade Agrícola em Zonas Desfavorecidas.

No caso do Regime de Pagamento Base – RPB, salientam-se as significativas alterações face ao anterior Regime de Pagamento Único, em particular a necessidade de estabelecimento de novos direitos cuja atribuição está condicionada à conclusão de todos os controlos, sendo condição necessária para proceder ao primeiro pagamento ou adiantamento do Regime de Pagamento Base (RPB), bem como do Regime da Pequena Agricultura (RPA).

As datas referentes aos restantes pagamentos serão oportunamente divulgadas, tendo em conta a implementação da respetiva operacionalização.

Países da África Austral reunidos para discutir crise alimentar


LUSA 15/08/2015 - 10:52
 
JORGE ADORNO/REUTERS
 
Os chefes de Estado dos 15 países da África Austral vão reunir-se na segunda-feira, no Botswana, para discutir a crise alimentar que está a atingir a região, onde mais de 25 milhões de pessoas necessitam de ajuda humanitária.

De um total de 292 milhões de habitantes, 27,4 milhões de pessoas (cerca de 10%) confrontam-se com a falta de alimentos devido ao mau ano agrícola. A produção de alimentos diminuiu drasticamente nos países da zona, de acordo com um relatório da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) publicado em Junho. A falta de chuva e as temperaturas elevadas causaram efeitos preocupantes no volume de colheitas.

"O número de pessoas expostas à insegurança alimentar passou de 24,3 milhões no ano passado para 27,4 milhões em 2015, refere um outro relatório da SADC a que a AFP teve acesso.

De acordo com Margaret Nyirend, do Departamento de Agricultura da SADC, os chefes de Estado que se vão reunir a partir de segunda-feira em Gaborone vão previsivelmente lançar apelos individuais de apoio para os respectivos países. A Namíbia, o Botswana, o Malawi e o Zimbabué são os Estados mais afectados.

No Malawi e no Zimbabué regista-se mesmo a pior crise alimentar dos últimos dez anos, segundo David Orr, porta-voz do Programa Alimentar Mundial (PAM).

O Zimbabué precisa de importar 700 mil toneladas de trigo para colmatar a descida de 49% da produção nacional de cereais que afecta directamente um milhão e meio de pessoas. No Malawi, 2,8 milhões de pessoas precisam de auxílio alimentar até ao final do ano. O país é habitualmente o terceiro maior produtor de trigo da região, mas vai ser obrigado a importar cereais.

Bom tempo ajuda a aumentar produtividade das vinhas


ANA RUTE SILVA 19/08/2015 - 12:48

INE aponta previsões de crescimento global de 8% este ano na uva para vinho, mas regiões como Alentejo contrariam tendência.

 
Uvas cresceram sem problemas nas principais regiões produtoras ADRIANO MIRANDA

O tempo quente e seco deverá ajudar os produtores a ter mais uvas para a produção de vinho este ano. As previsões agrícolas do INE, divulgadas nesta quarta-feira, apontam para um aumento global de produtividade de 8% em comparação com 2014. Contudo, há excepções.

Na Península de Setúbal a estimativa do instituto de estatísticas é de uma queda de 10%, enquanto nas regiões do Tejo e Alentejo a produtividade deverá manter-se em comparação com a campanha anterior.

Na maioria das principais regiões, não se registaram problemas fitossanitários e, com vento moderado e pouca chuva nas fases da floração e alimpa (determinantes para o bom rendimento das vinhas), as uvas vingaram sem problemas, aponta o INE. As vindimas deste ano deverão resultar numa produção de vinho "de boa qualidade". Para a uva de mesa também há perspectivas de um crescimento de 10% na produção.

No milho, um dos cereais mais semeados em Portugal, os números não são positivos. A área de milho para grão de regadio diminuiu 10% em comparação com 2014 e deverá ficar abaixo dos 90 mil hectares. Isto significa um recuo para níveis de 2011. A volatilidade dos preços desta matéria-prima, usada para a alimentação animal, humana ou na produção de bioetanol e biogás, por exemplo, contribuiu para esta queda. Em Maio a redução do preço corrente foi de 23% em comparação com o mesmo mês do ano passado, indica o INE. As medidas de greening que obrigam à diversificação de culturas (inscritas na Política Agrícola Comum 2014-2010) também foram responsáveis por esta queda.

Mais maçãs, menos pêras
O boletim do INE detalha ainda a produção de maçãs deverá crescer 20%, depois de uma "floração abundante". Mas com as macieiras carregadas de fruta, os tamanhos (calibre) das maçãs deverão ser mais pequenos o que, em termos comerciais, desvaloriza o valor.

Enquanto a produtividade das maçãs cresce, a das peras deverá cair 20%. Apesar das temperaturas elevadas que ajudam a desenvolver os frutos, os ventos fortes "conduziram à queda abundante dos frutos logo após o seu vingamento".

No sector do tomate, já arrancou a colheita para a indústria onde há "abundância de frutos" e ausência de "problemas fitossanitários". Contudo, há dificuldades das fábricas de transformação em receber as elevadas quantidades de tomate, não só por se ter antecipado o início da colheita, mas também porque no final de Julho uma das unidades fabris ainda não tinha começado a laborar.

Produtores de leite preparam protesto em Setembro

Queda no consumo e de 13% no preço do leite esmaga produtores

ANA RUTE SILVA 21/08/2015 - 10:05

Quatro meses depois do fim das quotas, o aumento de leite no mercado fez descer preços pagos à produção. Cadeias de distribuição e Ministério da Agricultura discutem campanha para estimular consumo.

 
 HELENA COLAÇO SALAZAR

 PCP diz que sector do leite está a viver situação de desastre
 Governo açoriano exige intervenção de Bruxelas devido à queda do preço do leite
O preço do leite de vaca pago aos produtores caiu 13% em Julho para cerca de 28,8 cêntimos por litro, longe dos 33,3 cêntimos do ano passado. O fim das quotas leiteiras, em vigor desde Abril, provocou quedas consecutivas no preço em praticamente todos os países da União Europeia (19% de redução média em Julho), mas outros factores estão a deixar os produtores alarmados.

Além do fim de um instrumento que vigorou durante 30 anos, e que serviu para eliminar os excedentes, os portugueses estão a consumir cada vez menos leite. A categoria de lacticínios, que inclui iogurtes e queijos, tem vindo a perder importância no carrinho de compras (menos 3% até Julho deste ano, face ao mesmo período de 2014 de acordo com dados da Nielsen) e nem a queda de preços nas prateleiras, também impulsionada pelas promoções, faz aumentar as vendas.

Nesta quinta-feira, o Ministério da Agricultura esteve reunido com a Associação Portuguesa das Empresas de Distribuição (APED) para discutir "possíveis acções que ajudem a atenuar " os problemas dos produtores, detalha fonte do gabinete de Assunção Cristas. As medidas serão apresentadas "oportunamente", mas uma das hipóteses é a realização de uma campanha nacional para levar os portugueses a beber mais leite. Esta é, aliás, uma reivindicação dos produtores que, nas palavras de Carlos Neves, presidente da Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep), se sentem abandonados pelos políticos europeus.

"Uma das coisas que já devia ter sido feita é a campanha. A opinião pública tem estado a ser intoxicada por opiniões contra o leite e uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade. As promoções não resolvem porque as pessoas bebem o leite mais barato, mas não bebem mais", defende.

Nas explorações há relatos de encerramentos e abates de animais, atrasos de pagamentos e desespero. A Aprolep diz que a produção em Portugal "atravessa provavelmente a etapa mais difícil da sua história". "O preço pago aos produtores em média é de 28 cêntimos por litro mas há quem esteja a receber 23 cêntimos. E nenhum destes valores compensa o custo estimado de 32 a 33 cêntimos por cada litro produzido", defende.

O cenário europeu é ainda agravado pelo embargo russo aos produtos lácteos. Carlos Neves diz que a Rússia comprava 30% da produção de queijo da UE e lembra que, por cá, o negócio das exportações também está a ser afectado com a descida do preço do petróleo em Angola, um importante cliente do sector. Para forçar a Comissão Europeia a adoptar medidas para proteger a produção, a European Milk Board - que faz lobby em Bruxelas e representa 100.000 produtores - já marcou uma manifestação para 7 de Setembro, dia em que os ministros europeus da Agricultura se reúnem com o tema em cima da mesa.

"Mercado livre, oportunidades de exportação fantásticas, o leite que se quiser: todos conhecem estas palavras. Mas escondem uma política para o leite que está a arruinar os produtores e a nossa agricultura. Nenhuma destas promessas se cumpriu. O resultado: preços a bater no fundo e explorações a encerrar por toda a Europa", diz a organização. A Aprolep também está a organizar um protesto no mesmo dia em Portugal. "A capacidade negocial dos produtores depende da capacidade para fazer barulho", lamenta Carlos Neves, relembrando as manifestações em França onde os agricultores depositaram estrume e pneus à porta de supermercados.

Custo da água em Alqueva faz do olival a cultura mais acessível


CARLOS DIAS 21/08/2015 - 09:47
Pequenos e médios agricultores são os mais afectados pelos custos da rega. Uns regressam ao sequeiro, outros optam pelo olival, arrendam ou vendem as suas terras.

 Área de milho quase triplicou na zona do Alqueva em apenas três anos
 EDIA recorre à energia solar para reduzir custos no regadio em Alqueva
 Governo quer discutir preço da água para as culturas regadas
 Ex-secretário de Estado diz que o preço da água em Alqueva "é excessivo"
O elevado preço da água em Alqueva está a afastar um número crescente de pequenos agricultores das culturas regadas.

A alternativa passa pelo regresso ao sequeiro, pela venda ou arrendamento das terras, fenómeno que está a concentrar a propriedade nas mãos de empresas espanholas e portuguesas que investem, sobretudo, no olival superintensivo e intensivo.  

Assiste-se ainda à redução e até ao abandono de culturas que exigem um grande débito de água entre os 10 e 12 mil metros cúbicos por hectare/ano, como as do milho, arroz, melão, pastagens, beterraba, para optar pelo novo olival que consome muito menos água, entre 2,5 e 3 mil metros cúbicos por hectare/ano.

"O olival aumenta porque gasta menos água" explicou ao PÚBLICO, Luís Mira Coroa, que faz regadio no perímetro de rega da Margem Esquerda do Guadiana. O agricultor salienta que para as culturas de milho, pastagens, arroz e beterraba "o preço da água é proibitivo". Para além do custo da água, os agricultores em Alqueva ainda têm de pagar uma taxa de conservação de 50 euros por hectare regado. Alguns persistem no regadio "mas regam menos", por causa do nível incomportável do tarifário, ou então fogem das culturas de ciclo longo (mais tempo na terra) para gastar menos água, salienta Mira Coroa.
  
Para superar o cepticismo inicial dos agricultores em aderir ao regadio do Alqueva, receosos pelo custo da água, o antigo ministro da Agricultura António Serrano anunciou em Abril de 2010 que o seu preço ia ser controlado por um período de seis anos. O tarifário previsto no despacho 9000/2010, estabelecia que os agricultores pagariam no primeiro ano apenas 30% do custo da água, o qual seria aumentado progressivamente. 

O custo final varia entre os 0,42 cêntimos para rega em baixa pressão e os 0,58 cêntimos por metro cúbico, para alta pressão. Assim, e à medida que o preço se aproxima do valor máximo, "torna-se incomportável" sobretudo para os pequenos e médios agricultores refere Mira Coroa. 

No perímetro de rega de Monte Novo, em Évora, Gonçalo Macedo, presidente da respectiva Associação de Beneficiários de Rega confirma que a área regada está a reduzir-se por causa do tarifário. "Já estamos a pagar a água a 60 cêntimos o metro cúbico" assinala. As plantações que consomem grandes quantidades de água registam "uma quebra" com a subida do preço da água, observa o dirigente associativo.

O relatório e contas da EDIA de 2014 acentua esta "redução", neste caso de 365 hectares, com a saída de dois beneficiários "com peso nas culturas do milho e do melão."  

Gonçalo Macedo destaca a cultura do milho como a que regista a quebra mais acentuada. "O preço do cereal baixou e a água sobe" argumenta. A alternativa vai para a "produção de papoila (para extracção de ópio medicinal), olival, tomate e girassol" ou então os pequenos agricultores "arrendam por 300/400 euros/hectare" a terra aos espanhóis, garantindo assim um "baixo risco para o proprietário", esclarece.  

Noutra zona de Alqueva, próximo de Beja, onde as propriedade têm geralmente menor dimensão, Carlos Rosa, 46 anos, proprietário de uma centena de hectares, regressou ao sequeiro alegando não ter "capacidade para fazer regadio". A maioria dos pequenos agricultores tem mais de 60 anos, explica, "e quem se safa nesta situação são os grupos espanhóis e portugueses". 

O agricultor diz que "é quase tudo olival entre Ferreira do Alentejo e Beja", com base nas aquisições de pequenas propriedades. De acordo com a EDIA, na zona de Alqueva há mais de 20 mil hectares de pequenas explorações, com áreas médias na ordem dos 10 a 20 hectares.

A cultura da oliveira sofreu um novo incremento desde que o acesso ao crédito bancário se tornou mais fácil e se registou, em 2014, uma subida no preço do azeite que está a ter continuidade em 2015, realça Álvaro Labella, presidente da Olivum - Associação de Olivicultores do Sul. A opção preferencial dos agricultores vai para o olival superintensivo por garantir um retorno mais rápido do investimento realizado e oferecer melhores condições para a colheita mecânica.  

Neste momento mais de metade da área de regadio em Alqueva está preenchida de olival, revela José Guerreiro dos Santos director e coordenador técnico da EDIA. Segue-se-lhe o milho com cerca de 7 mil hectares e as culturas hortícolas com apenas 250 hectares.

Segundo o Ministério da Agricultura o investimento feito no Alqueva no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural do Continente (ProDeR), no período 2007-2013, foi dominado pelo olival, com 164 milhões de euros (62% do total). Em seguida aparecem os cereais, com 26 milhões de euros (10% do total) e a vinha com 20 milhões de euros (7% do total). 

CAP Promove “Dar e Receber Produtos Agrícolas”


QUARTA, 29 JULHO 2015 14:46

A CAP, a Entrajuda e a Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome (FPBA) promovem em parceria o projeto Dar e Receber Produtos Agrícolas, no sentido de aumentar a intervenção dos produtores agrícolas "junto dos que mais precisam".

A plataforma já se encontra disponível, tem uma abrangência nacional e reúne vários tipos de respostas de carácter social. A CAP colaborar neste iniciativa promovendo a doação de produtos agrícolas. Os agricultores ou as suas organizações que pretendam colaborar devem registar-se e seguir os passos do "Quero DAR", em www.darereceber.pt/produtosagricolas.

Pampilhosa da Serra: plantar medronheiros para prevenir incêndios



 20 Agosto 2015, quinta-feira  Agroflorestal
medronho
O presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, José Brito, defende a plantação de medronheiros e realçou o valor económico do fruto e o contributo desta espécie autóctone para prevenir os incêndios florestais.
«O medronho é um fruto que tem atualmente uma projeção muito grande no mercado», disse José Brito, a propósito de uma ação de sensibilização ambiental que vai decorrer naquela vila do distrito de Coimbra, a 21 de agosto, às 16h00.
«Temos cada vez mais produtores de pinho e eucalipto que apostam neste tipo de plantação», um dos quais, José Martins, está a finalizar a instalação de uma destilaria, na zona industrial da Pampilhosa da Serra, destinada ao fabrico de aguardente de medronho, enfatizou José Brito.
A floresta a criar nas áreas destruídas pelo fogo «deve incluir folhosas», como carvalhos e castanheiros, mas também medronheiros, que podem travar o avanço dos incêndios e «têm a capacidade de se regenerar muito facilmente».
«No concelho, temos medronheiros que arderam há um ou dois anos e já estão a dar fruto novamente», exemplificou o autarca.
Além de proporcionarem a produção de uma aguardente saborosa, após fermentação prolongada, bebida que é «muito procurada» em Portugal, os medronhos podem ser consumidos em fresco, estando atualmente a ser estudadas outras utilizações, com a participação de investigadores da Escola Superior Agrária de Coimbra e das universidades de Aveiro e Coimbra.
José Brito disse ainda que a autarquia apoia o processo para a certificação da aguardente de medronho da região.
Fonte: Lusa 

Agrobio promove curso sobre modo de produção biológico



 21 Agosto 2015, sexta-feira  Agricultura Biológica
agrobio
O modo de produção biológico de produtos animais e origem animal, fertilidade e fertilização do solo, acondicionamento e comercialização, controlo e certificação, conservação do solo e da água bem como a proteção de plantas são alguns dos temas em destaque no curso sobre o modo de produção biológico, promovido pela Associação Portuguesa de Agricultura Biológica (Agrobio).
A iniciativa, que vai na sua quarta edição, e que terá a duração de 50 horas, realiza-se entre 17 de setembro e 10 de outubro de 2015.
Todos os interessados podem inscrever-se aqui.
VER PROGRAMA 

Foto: Agrobio

Douro centra atenções nas vindimas e espera uma boa colheita este ano

21-08-2015 
 

 
No Douro, todas as atenções estão por estes dias centradas nas vinhas onde se começam a cortar as uvas e se perspectiva uma boa colheita em qualidade e quantidade, que poderá atingir os 20 por cento nesta vindima.

Entre finais de Agosto, Setembro e Outubro, os socalcos durienses enchem-se de cores e de gente. O tempo quente e seco acelerou as maturações e aqui e ali já se ouve o som das tesouras a cortar os cachos e o barulho dos tratores.

Na Quinta do Vallado, perto do Peso da Régua, distrito de Vila Real, colhem-se as uvas brancas. «As perspectivas para este ano são bastante boas. Prevemos um aumento da produção entre os 05 e 10 por cento em relação à média», afirmou à agência Lusa o responsável pela quinta, Francisco Ferreira.

A média de precipitação no Douro este ano foi cerca de 450 mililitros, enquanto a média dos últimos 30 anos foi de 750 mililitros. Em termos de temperatura, a região registou mais dois graus do que a média neste território.

«Apesar destas condições, as uvas estão bastante íntegras, não se vê stress hídrico o que se deve ao facto de o mês de Agosto não ter sido muito quente e ao tipo de solo que temos, um xisto fraturante que permite que as raízes entrem em profundidade para capturar água», salientou.

Em termos sanitários foi também um «bom ano», sem a ocorrência de doenças. «Desde que, daqui para a frente, as condições climatéricas não sejam extremas, acho que este poderá ser um grande ano especialmente aqui no Baixo Corgo», afirmou.

As previsões para a região são boas em qualidade e quantidade. De acordo com as perspectivas de vindima do Instituto da Vinha e do Vinho, a produção de vinho na Região Demarcada do Douro deve aumentar 20 por cento em 2015/2016 face à campanha anterior para cerca de 1,7 milhões de hectolitros.

Na região as previsões de vindima são feitas pela Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID), que avançou com uma produção nesta vindima a rondar entre as 278 e as 300 mil pipas de vinho, o que se traduz num aumento de 20 a 30 por cento comparativamente com o ano passado.

Para esta fase inicial a Quinta do Vallado precisa de menos mão-de-obra. O grosso dos trabalhadores é chamado para a colheita dos tintos, que se iniciará dentro de dias. «As vindimas são o culminar de um ano inteiro de trabalho na vinha», afirmou o feitor da propriedade, Paulo Rodrigues.

É um trabalho que faz há cerca de 30 e diz que, neste período, muita coisa mudou na região. A vindima ainda é, na sua opinião, uma festa, mas «nada do que era antigamente». «Cantava-se, ria-se, agora pouca gente faz isso. As tradições estão a mudar», salientou.

Referiu que o trabalho está também agora mais facilitado pela mecanização, já que os tractores percorrem os socalcos e se tornou mais fácil o transporte das uvas.

Jorge Rodrigues, de Vilarinho dos Freires, concelho da Régua, corta uvas, um trabalho que antes era quase exclusivo das mulheres, mas que agora também é feito por muitos homens.

«Gosto da vindima mas dói muito a coluna porque estamos aqui agachados o dia todo. Apesar disso antigamente era pior porque tínhamos que subir os socalcos com os cestos de 50 quilos às costas e leva-los a pé para os lagares», frisou.

Ano Sofia trabalha para um empreiteiro agrícola, que presta serviços na quinta, e vem todos os dias de Resende para o Douro. «Este não é um trabalho difícil, até é dos que eu mais gosto de fazer. Não se apanha tanto frio e é divertido. Fazemos de tudo ao longo do ano, tudo o que a vinha tem, a gente faz», afirmou.

Na Região Demarcada do Douro existem cerca de 23.500 viticultores e à volta de 1.700 centros de vinificação, dos quais cerca de 150 concentram mais de 90 por cento de toda a produção deste território.

Fonte: Lusa

Seca não compromete produção agrícola mas Ministério antecipa alguns pagamentos

 21-08-2015 
 


 
A situação de seca que se verifica em Portugal continental não comprometeu a produção agrícola porque ocorreu a partir de Maio, mas o Governo vai antecipar pagamentos a agricultores que possam ter sido afectados, disse fonte do Governo.

«Como o início desta situação de agravamento da seca meteorológica ocorreu numa fase tardia do ano hidrológico, em Maio, permitiu que o ano agrícola não ficasse comprometido, tendo os efeitos sido limitados», referiu a Secretaria de Estado da Agricultura.

Em resposta a questões da agência Lusa, o organismo do Ministério da Agricultura e do Mar (MAM) acrescentou que, «para ajudar os agricultores que poderão ter sido mais afectados por esta situação, o Ministério vai antecipar os pagamentos ligados, oportunos em situação como esta».

E destacou os pagamentos ligados à produção animal, como vacas aleitantes, ovinos e caprinos, assim como ao leite, mas também ao arroz e tomate. «Estamos a envidar todos os esforços para que, na medida do possível, outros apoios sejam antecipados», avançou ainda a Secretaria de Estado liderada por José Diogo Albuquerque.

No final de Julho, quase 80 por cento do território continental estava em situação de seca extrema ou severa, os dois níveis mais graves, enquanto os restantes 21 por cento estavam em seca fraca a moderada, segundo o último boletim climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

«Uma vez que nos encontramos no período estival, o qual corresponde, em Portugal, a meses de muito fraca precipitação, seria sempre expectável que a situação de seca meteorológica manifestada na estação anterior se viesse a manter ou a intensificar», referiu a Secretaria de Estado que acompanha a situação através do grupo de trabalho criado para este efeito, em 2012.

Entre os efeitos da pouca chuva e consequente falta de água nos solos, é apontado o «encurtamento do ciclo vegetativo de pastagens e forragens de sequeiro e alguma redução da sua produção», mas que «praticamente não implicou um recurso excecional a alimentos conservados e rações» utilizados no regime extensivo.

À questão sobre possíveis pedidos de apoio dos agricultores para resolver problemas relacionados com a seca, a Secretaria de Estado respondeu que «tem havido alertas», agora em avaliação, mas «não há justificação para a instituição de apoios específicos».

Os produtores têm assegurado o fornecimento de água para o gado beber, «apresentando apenas limitações em zonas de sequeiro acentuado onde não existem os devidos recursos para fazer face a épocas de menos pluviosidade», adiantou.

A previsão de disponibilidade de água para rega nos perímetros hidroagrícolas para a campanha em curso, segundo o Ministério, indica que está assegurada a quantidade necessária.

Por outro lado, a Secretaria de Estado estima um aumento de produtividade na quase totalidade das culturas nesta campanha em comparação com o período de cinco anos precedente, com excepção para casos pontuais, como a pereira, devido à ocorrência de ventos fortes, e a uma ligeira quebra no centeio.

Em 31 de Julho passado, 21 por cdento do território estava em situação de seca fraca a moderada e 79 por cento em situação de seca severa a extrema. Neste mês manteve-se a situação de seca meteorológica em todo o território que se verifica desde Março.

Fonte: Lusa

Sanidade animal e sistema de recolha dos cadáveres dos animais.

CNA


SANIDADE  ANIMAL  E  SISTEMA  DE  RECOLHA   DOS  CADÁVERES  DOS  ANIMAIS.
UMA  "BOMBA-RELÓGIO"…  GOVERNO  DEVE  9  MILHÕES DE  EUROS !

A Sanidade Animal continua a ser posta em causa pelos constantes atrasos, da parte do Ministério da Agricultura e do Governo, no pagamento da comparticipação pública que é devida aos Produtores Pecuários e que deve ser paga através das OPP - Organizações de Produtores Pecuários. 
Essa comparticipação pública tem vindo a ser reduzida e nem assim é paga a tempo e horas. De uma forma geral, as OPP e os seus Produtores Pecuários suportam já na ordem dos 60% dos custos totais/ano.  Entretanto, como não recebem a tempo a comparticipação pública - na ordem dos 40% do total dos custos – as OPP encontram-se descapitalizadas e com muitas a caminho da falência pelo que já estão a fazer recair sobre os Produtores todas as despesas com a Sanidade Animal, o que é injusto e ilegítimo.
Só agora começam a ser pagos os últimos 20% de 2014, o que soma cerca de 1 milhão de Euros. Quanto a 2015, o Governo ainda não pagou o "adiantamento" da comparticipação pública – 40% do total desta – o que dará na ordem de 2 milhões de Euros.  Ronda pois 3 milhões de Euros o que o Ministério da Agricultura e o Governo ainda não pagaram às OPP de 2014 e 2015.
Esta situação crónica causa grandes prejuízos aos Produtores e às OPP e compromete as condições em que deve ser prestada a Sanidade Animal, componente da maior importância para a Pecuária mas que está a ser posta em risco também por causa dos atrasos no pagamento da comparticipação pública. 

GOVERNO  TAMBÉM  NÃO  PAGA  A  RECOLHA - 2015 - DOS CADÁVERES DOS  ANIMAIS
Com ligação à Sanidade, mas muito relacionado com a Segurança Alimentar e Ambiental, existe o chamado SIRCA - Sistema de Recolha de Cadáveres de Animais Mortos na Exploração, um serviço público que o Ministério da Agricultura e o Governo entregaram a empresas para execução.
Segundo informações recentemente divulgadas, o Ministério da Agricultura e o Governo ainda não pagaram, a essas empresas, 6 milhões de Euros pela recolha dos cadáveres de animais desde o início deste ano de 2015, a uma média de 1 150 animais/dia. 
Para além da rápida recolha dos cadáveres, este serviço também proporciona o controlo sanitário (doenças) dos animais que morrem nas Explorações Pecuárias.
A falta de pagamento, por parte do Governo, dos custos directos do SIRCA, ameaça já este serviço, abre caminho ao ressurgimento de doenças na Pecuária e, assim, pode comprometer a Segurança Alimentar da População.
Portanto, a situação preocupante dos serviços da Sanidade Animal, conjugada com a situação também preocupante dos serviços do SIRCA, são uma autêntica "bomba-relógio" em consequência da falta de pagamento das verbas necessárias – na ordem dos 9 milhões de Euros, para já - por parte do Ministério da Agricultura e do Governo.  
"Bomba-relógio" que pode detonar a qualquer momento (com surtos de doenças nos animais) e agravar a já de si difícil situação da Pecuária.
Sim, como se já não bastassem para acumular dificuldades na Pecuária:- o fim das quotas leiteiras – a falta de escoamento e os baixos preços, à Produção, do Leite e da Carne – os custos elevados de Factores de Produção – as consequências da Seca.

CNA reclama ao Ministério da Agricultura e ao Governo o pagamento urgente das verbas em causa.
Em defesa  da Sanidade Animal, da Pecuária e da Segurança Alimentar nacionais ! 

Coimbra, 20 de Agosto de 2015
A Direcção da CNA


FATACIL: Cerca de 170 mil pessoas são esperadas na feira algarvia deste ano


Cerca de 170 mil pessoas são esperadas, entre sexta-feira e 30 de agosto, na 36.ª Feira de Artesanato, Turismo, Agricultura, Comércio e Indústria de Lagoa (FATACIL), no Algarve, a principal montra de atividades económicas da região.

No certame, que nesta edição tem como tema «o ano do vinho e da vinha», estarão presentes 700 expositores em representação dos diversos setores de atividade, com destaque para o artesanato, com 200 participantes.
Os restantes dividem-se pelo comércio e indústria (275 expositores), agropecuário (150), institucional (40) e 35 de restauração.
Dinheiro Digital / Lusa