terça-feira, 8 de setembro de 2015

Carta do grupo popular do Parlamento Europeu ao Comissário Phil Hogan


Setembro 04
12:38
2015

Nesta carta, os eurodeputados, onde estão incluídos os portugueses Nuno Melo e Sofia Ribeiro, mostram a sua preocupação sobre a difícil situação que vivem alguns sectores agrícolas, como a carne de porco, a carne de bovino, as frutas e legumes e o leite.

No que diz respeito ao sector do leite, lembram que os preços têm estado sujeitos a grande pressão, devido ao embargo russo, à difícil situação na China e ao aumento da produção mundial, bem como dos custos de produção.

As áreas mais desfavorecidas, como as de montanha, são as mais atingidas pela crise.

A produção pecuária, como é o caso do leite, é a mais vulnerável às volatilidades do mercado e, também, dos factores de produção.

Outro problema grave é a fraca posição do sector pecuário face à grande distribuição, o que faz com que os preços sejam esmagados, por vezes, através de medidas comerciais desleais.

As medidas postas actualmente em prática, como as ajudas à stockagem privada e a intervenção pública, têm sido insuficientes para manter um preço aceitável.

A evolução do mercado internacional é feita de incertezas, com o embargo russo e a crise chinesa.

Durante as negociações da Política Agrícola Comum, em 2013, o Parlamento Europeu expressou a sua vontade de haver um aumento do preço de intervenção, no entanto, durante a discussão, o Conselho de Ministros foi sempre muito relutante em mexer no preço de intervenção, pelo que, neste momento, é preciso fazer lembrar ao Conselho as suas responsabilidades.

Devem ser postas em prática medidas, como a antecipação dos pagamentos directos e melhor apoio por parte do Banco Europeu de Investimentos.

O dinheiro proveniente do super levy (multas por ultrapassagem das quotas leiteiras) deve ser usado para apoio ao sector do leite.

Os eurodeputados lembram também que em Dezembro de 2013 elaboraram um relatório sobre a necessidade de manter a produção de leite em zonas de montanha, o que, actualmente, devido ao embargo russo, ainda tem maior relevância.

A carta termina pedindo ao Comissário que tenha estas propostas em consideração.


Um dia no Porto para conhecer a marca Kiwiberico


Set 07, 2015Destaque Home, Notícias01


A 19 de Setembro, no Edifício ANF – Centro Empresarial do Porto, decorre uma jornada de apresentação da marca Kiwiberico. Aberta a todos os produtores, meios de comunicação social e associações agrícolas, a iniciativa visa «mostrar aos agricultores a importância de pertencer a uma marca», esclarece a organização.

Os directores da marca, a PMNI/ARC Eurobanan, marcam presença neste dia pensado para conhecer os agricultores e revelar as potencialidades da Kiwiberico, um selo já colocado nos kiwis produzidos no noroeste da Península Ibérica.

O objectivo principal da marca é «juntar os kiwicultores sob uma marca chapéu que os proteja e lhes dê força» no mercado nacional, onde cada vez mais há «entrada de kiwi estrangeiro, oriundo especialmente de países como Grécia, Itália e França, e também venda a granel sem qualquer identificação».

A jornada, cujo arranque está previsto para as 9h30, terá também uma mesa-redonda com os directores da Kiwiberico que vão responder a todas as dúvidas dos participantes.

A marca implementa-se no mercado com sinónimo de «qualidade, proximidade ao consumidor, produção sustentável e sabor delicado».

O evento é organizado pela a PMNI/ARC Eurobanan e a participação é gratuita. As inscrições estão disponíveis aqui: http://unaseakiwiberico.com/formulario-evento-2/

CAP Participa na Manifestação dos Agricultores Europeus


SEGUNDA, 07 SETEMBRO 2015 11:13

Lisboa, 7 de setembro de 2015: A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) marca presença na manifestação que se realiza hoje junto ao Conselho de Ministros da Agricultura, convocada pelo Copa-Cogeca – organização europeia de agricultores – a propósito da situação "drástica" verificada nos setores do leite, das frutas e hortícolas e das carnes de vaca e porco, na sequência do embargo comercial da Rússia aos produtos agrícolas europeus.

Os agricultores europeus pretendem assim confrontar os ministros europeus da agricultura com uma realidade que consideram grave e sem precedente, e reivindicar medidas tendentes a colmatar os efeitos do excesso de oferta dos produtos embargados no mercado interno europeu, nomeadamente uma intensificação das medidas europeias de promoção em mercados alternativos.
 
O embargo russo está em vigor há um ano e os agricultores europeus consideram que estão a pagar uma fatura de questões de política internacional às quais são alheios. De acordo com o Copa-Cogeca, os preços estão já abaixo dos custos de produção em muitos países, elevando de forma relevante o risco de falência de muitas explorações agrícolas, pelo que reivindicam medidas compensatórias por parte dos ministros do setor e das instituições europeias.
 
De acordo com os argumentos a apresentar pelo Copa-Cogeca, por exemplo, as exportações europeias de peras e maçãs para a Rússia sofreram reduções de cerca de 90% e o setor das frutas e hortícolas não conseguiu encontrar mercados alternativos para a colocação dos produtos. No setor do leite o panorama é igualmente grave, com uma pressão muito significativa nos preços pagos aos produtores.
 
De acordo com João Machado, Presidente da CAP, "o embargo russo tem vindo a preocupar os produtores nacionais ao longo do último ano, sendo o caso da pêra Rocha provavelmente o mais grave, uma vez que se tratava de um mercado em que os produtores nacionais tinham vindo a apostar e com resultados crescentes. O caso do leite, tendo em conta a pressão generalizada sobre os preços no mercado interno europeu tornou-se também muito crítico para os produtores nacionais. Desde o início do embargo, temos vindo a alertar para que o problema não seria apenas o fecho do mercado russo, mas também o consequente excesso de oferta no mercado interno europeu o que, infelizmente, está neste momento a verificar-se".

«Falta uma abordagem coerente e integrada à administração do recurso solo»



 08 Setembro 2015, terça-feira  Ana Clara Agroflorestal

Carlos Alexandre, presidente da direção da Sociedade Portuguesa da Ciência do Solo (SPCS), fala sobre o Ano Internacional dos Solos 2015 e não tem dúvidas: «está por fazer uma avaliação geral da degradação que os solos do país sofreram ao longo da história». O responsável adianta ainda que «falta uma abordagem coerente e integrada à administração do recurso solo, a nível nacional, regional e local».
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Agronegócios: Qual a importância deste Ano Internacional dos Solos, globalmente mas também para Portugal?
Carlos Alexandre: A declaração pela Organização das Nações Unidas (ONU) de 2015 – Ano Internacional dos Solos – constitui uma oportunidade para chamar a atenção para a importância vital do solo. Segundo as estatísticas da FAO - Food and Agriculture Organization da ONU, o solo sustenta cerca de 99% de toda a produção de biomassa do mundo – destinada à alimentação humana e animal, à produção de fibras vegetais com diversas aplicações industriais, à bioenergia, à obtenção de produtos farmacêuticos e outros – o que dá bem a medida da nossa dependência extrema deste recurso. Mas a nossa dependência do solo é ainda mais profunda, uma vez que ele desempenha outros serviços ou funções ecológicas insubstituíveis, como é o caso do seu papel na reciclagem dos materiais orgânicos e, portanto, em quase todos os ciclos biogeoquímicos (como o ciclo da água, do carbono e do azoto, para referir apenas os mais relevantes para as alterações climáticas); o conjunto de organismos que vivem no solo (dos macro aos micro) constitui também uma imensa reserva de biodiversidade; o solo pode ainda conservar materiais e informação de enorme interesse científico, cultural, artístico e religioso. Sem solos e sem as funções que eles desempenham, o mundo seria completamente diferente do que conhecemos e, seguramente, muito mais pobre de vida. Em geral ninguém quer ver degradada a região onde nasceu, onde cresceu ou onde vive. No entanto, nem sempre temos a consciência de que cada paisagem, com toda a sua riqueza natural, só se manterá enquanto se conservar o solo que a sustenta. Um dos objetivos mais importantes do Ano Internacional dos Solos, tanto a nível global como nacional, é consciencializar a sociedade sobre a sua dependência do solo e sobre a importância vital de proteger este recurso. No fundo, aplica-se também ao solo o que disse Baba Dioum (1968) acerca do ambiente: "no final, conservaremos apenas o que amamos; amaremos apenas o que compreendemos; e compreenderemos apenas o que nos foi ensinado".

AN: Falando dos aspetos vitais – para a Agricultura, floresta e sustentabilidade dos ecossistemas – o nosso país tem tratado bem os nossos solos?
CA: Está por fazer uma avaliação geral da degradação que os solos do país sofreram ao longo da história. A ocupação humana do território e o seu aproveitamento para a agricultura, a silvicultura e o pastoreio implicou sempre a remoção da cobertura de vegetação natural e, por regra, contribuiu sempre para uma maior degradação do solo, principalmente por redução da matéria orgânica e da biodiversidade do solo, aumento da compactação e aumento da perda de solo por erosão hídrica. O nosso país tem uma longa história de ocupação humana que deixou marcas na paisagem e, necessariamente, também nos solos. Os primeiros sinais de desflorestação extensiva no território português são anteriores a 3 000 A.C. Desde essa época o uso intensivo do fogo para aumentar as áreas de pasto e as áreas agrícolas, bem como a exploração da madeira para lenha, carvão e todo o tipo de construção, culminou numa redução drástica das áreas florestais que, segundo alguns autores, terá chegado a valores mínimos de pouco mais de 10% do território em meados do século XIX. O enorme crescimento demográfico do país, em especial durante o século XX (entre 1920 e 1960 a população passou de 6 para 9 milhões) aumentou a pressão para expandir as áreas de produção de cereais e levou à ideia de converter o Alentejo no celeiro do país. Esse movimento ganhou expressão na lei de Elvino de Brito em 1899, conhecida por "lei da fome" e prosseguiu com a campanha do trigo de 1929, que levou a um forte aumento da área de produção de cereais, especialmente entre os anos 40 e 60 do século passado (de menos de 40% para cerca de 55% do território). A par da expansão da área agrícola, a utilização crescente de maquinaria permitiu a intensificação de técnicas de cultivo tradicionais com mobilizações do solo mais frequentes e mais profundas. A fatura de degradação dos solos do Alentejo, e do país, ao longo do século XX não é fácil de quantificar, mas originou muitos vestígios, alguns que foram documentados e vários que ainda são identificáveis. Os efeitos dessa degradação vão perdurar por muitas centenas de anos. Os solos demoram milénios a formar-se (1000 a 2000 anos para formar apenas 10 cm de espessura nas regiões temperadas) mas podem degradar-se em poucos anos, ou até em poucas horas. No nosso país, em que os solos de qualidade são escassos e em que muitos já têm um longo historial de uso, é vital para o nosso futuro incluir a preservação deste recurso nas prioridades nacionais, tanto pela promoção de medidas de gestão adequadas a cada tipo de uso, como na definição dos critérios de alocação dos usos aos solos, isto é, nos critérios adotados para o ordenamento do território.
Medidas

AN: Que políticas considera urgentes tomar nesta matéria?
CA: Em consequência da sua natureza multifuncional o solo interage com várias políticas, principalmente as do território, do ambiente e da agricultura. Talvez por esta diversidade de interesses, falta uma abordagem coerente e integrada à administração do recurso solo, a nível nacional, regional e local. Para tal seria necessário considerar dois tipos de medidas: no âmbito da administração e no âmbito da valorização e da proteção dos solos, estas últimas adaptadas aos principais tipos de usos do solo, desde as áreas mais sujeitas a expansão urbana até às áreas de reservas naturais, passando por áreas agrícolas e florestais com níveis de intensificação muito variados. Exemplificam-se algumas medidas para cada um dos tipos.
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Medidas no âmbito da administração dos solos do país:
- Concluir o reconhecimento dos solos do país, atualizar e harmonizar a sua cartografia numa escala âmbito nacional (1:1.000.000 ou 1:500.000).
- Definir indicadores do estado dos solos do país, programar e implementar a sua monitorização de modo a responder a compromissos internacionais, por exemplo, sobre o stock de carbono e os níveis de degradação do solo.
- Criar um sistema de informação dos solos de Portugal que possa reunir e disponibilizar informação à escala nacional, nomeadamente a resultante das medidas anteriores.
Medidas de valorização produtiva e de proteção do solo:
- Valorizar as ações de conservação do solo, através de instrumentos de apoio e de condicionalidade eficazes, alargando-as a outras práticas para além do enrelvamento e da não mobilização do solo, nomeadamente a práticas eficazes, simples de implementar e de verificar como, por exemplo, a conservação da vegetação das linhas de escoamento naturais, desde os vales aos alto das encostas.
- Apoiar a manutenção de uma rede mínima de produtores de cereais e de outras culturas alimentares básicas, em terras de boa aptidão para essas culturas. Manter e reforçar a defesa dessas terras vitais de que é exemplo a RAN. Promover a investigação e o desenvolvimento visando uma gestão mais sustentável desses sistemas nos nossos condicionalismos ambientais.
AN: Como olha para a importância da criação da Parceria Portuguesa para o Solo?
CA: Esta parceria começou por ser uma iniciativa da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e da SPCS, à qual aderiram várias outras instituições (ver lista atualizada de aderentes). Nos últimos 30 anos assistiu-se a uma progressiva e substancial redução de meios humanos e materiais nos serviços que tutelam o recurso solo no País. Esta evolução deu-se em contraciclo com o crescente reconhecimento da importância do solo a nível europeu e global. O papel do solo na produção agrícola e florestal, mas também na mitigação das alterações climáticas e na conservação da biodiversidade, traduz-se numa procura de informação cada vez mais detalhada e de conhecimento cada vez mais aprofundado sobre este recurso. A Parceria Portuguesa para o Solo visa congregar os esforços de entidades, públicas e privadas, interessadas na valorização e na proteção do recurso solo. Procura-se assim criar massa crítica, dispersa por várias instituições, para discutir e promover iniciativas para um melhor aproveitamento dos solos do país.
Sistemas produtivos mais sustentáveis

AN: De que forma temos sabido sensibilizar e dinamizar a sociedade em geral para uma utilização segura do recurso solo?
CA: Temos sabido pouco. É necessário aproveitar melhor os nossos solos, não apenas sob a perspetiva da produção agrícola, florestal ou pecuária tradicionais, mas em todas as suas componentes multifuncionais. Para isso é indispensável a investigação e o desenvolvimento de métodos de gestão que garantam sistemas produtivos mais sustentáveis. Garantir a sustentabilidade destes sistemas significa dar prioridade não apenas à produção mas também à proteção do solo, de modo a permitir que as gerações futuras se possam continuar a sustentar dos mesmos solos que nós. No entanto, mais conhecimento e melhor formação dos agentes mais diretamente envolvidos no uso do solo – agricultores, técnicos e investigadores – não diminui a nossa obrigação de informar e consciencializar todos os cidadãos da sua dependência do solo, e de como todos temos o direito, e até o dever, de exigir que o aproveitamento deste recurso não se faça à custa da sua degradação.
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AN: Fala-se muito da importância do solo na produção e qualidade dos alimentos, em matéria de segurança alimentar futura. Como agir de forma célere e eficaz, passando dos discursos à prática?
CA: Prevê-se que a população humana aumente dos atuais cerca de 7 mil milhões para mais de 9 mil milhões de habitantes em 2050. Em consequência, aumentará a pressão sobre o solo enquanto recurso indispensável para satisfazer muitas das nossas necessidades. À escala global tende a aumentar também a competição por diferentes usos da terra, incluindo usos não alimentares que algumas sociedades conseguem pagar melhor do que muitas outras podem pagar pelos seus bens alimentares básicos. Com as perspetivas de aumento da procura e sabendo-se que as terras agrícolas são limitadas, grandes instituições públicas e privadas têm vindo a assegurar reservas de terras para garantir as suas necessidades de produção futura. Por outro lado, tudo aponta para que a ocorrência de eventos extremos mais frequentes e mais intensos seja o traço dominante das alterações climáticas, aumentando a incerteza sobre toda a produção agrícola. Neste contexto, a conjugação do aumento gradual da procura de culturas alimentares básicas com o aumento da irregularidade da produção à escala global, aumenta o risco de ocorrência de anos de produção deficitária relativamente às necessidades e, portanto, o risco de fortes subidas nos preços. Nos últimos anos, Portugal tem vindo a alterar substancialmente o seu perfil de produção agrícola, adequando-o melhor às suas condições edafo-climáticas e melhorando a sua competitividade externa em várias fileiras, nomeadamente de culturas perenes (olival, vinha, frutícolas diversas). Sob muitos aspetos este tem sido um processo positivo. Por outro lado, a área de solo arável do país (culturas anuais e prados temporários) é das mais baixas da Europa (0,1 ha por habitante) e, como se sabe, o país tem, também, uma enorme dependência externa de culturas alimentares básicas, principalmente cereais, em que praticamente nunca foi autossuficiente nem se justificaria que o procurasse ser atualmente. No entanto, as incertezas referidas acima justificariam que se procurasse garantir uma rede mínima de sistemas produção de culturas alimentares básicas, em especial para a produção de cereais.
AN: No final deste ano, com o fim das celebrações do Ano Internacional dos Solos, que balanço gostava que fosse feito?
CA: Gostaríamos que fossem atingidos alguns dos principais objetivos definidos pela ONU para o Ano Internacional dos Solos, tanto a nível global como nacional, nomeadamente:
- Uma maior consciencialização da sociedade e dos decisores públicos sobre a profunda importância do solo para a vida humana;
- O reforço da capacidade de recolha de informação sobre o solo e da sua monitorização em todos os níveis (global, regional e nacional);
- Um maior apoio a políticas e ações efetivas para a gestão sustentável e a proteção dos solos;
Para além de vários eventos, alguns já realizados e outros previstos, em que diversos membros da SPCS têm tido um papel ativo, gostaríamos que algumas ações pudessem perdurar depois de 2015 – Ano Internacional dos Solos. Neste sentido a SPCS promoveu a tradução para português da publicação "Solos – À Conquista do Crachá" da YUNGA e da FAO/ONU, destinada a professores e alunos do 1º, 2º e 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário. Este livro está disponível em formato pdf aqui.
AN: Falando da Sociedade, que atividades constam da vossa atuação e quais os vossos principais objetivos? Quando foi criada?
CA: A SPCS foi criada no início da década de 1960, mas os seus estatutos só foram aprovados oficialmente em 1973. A SPCS é uma associação portuguesa de indivíduos e entidades, interessados no estudo, utilização e proteção do solo. Entre outras iniciativas, a SPCS realiza regularmente Encontros Anuais e, numa parceria com a Sociedad Española de la Ciencia del Suelo (SECS), organiza Congressos Ibéricos de 2 em 2 anos, alternadamente em Portugal e em Espanha. O próximo Congresso Ibérico das Ciências do Solo será em2016 (CICS 2016), no Instituto Politécnico de Beja, envolvendo, para além das duas sociedades citadas, também a Escola Superior Agrária de Beja (ESABeja), o Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) e a Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (APRH). Este congresso dará especial enfoque ao papel vital dos recursos solo e água para a valorização e a sustentabilidade do regadio no nosso País.

Pêra rocha procura alternativas à Rússia e à dependência do Brasil

ANA RUTE SILVA 07/09/2015 - 07:05
Autoridades da Colômbia, Peru e México fazem auditoria à fruta portuguesa para dar luz verde à exportação para estes países.

 Agricultores europeus recebem 500 milhões de ajuda
 Rússia e preço do leite arrastam agricultura europeia

Durante o mês de Setembro três missões de altos quadros dos ministérios da Agricultura da Colômbia, Peru e México vão fazer auditorias à produção de fruta e legumes portugueses que, caso tenham sucesso, abrem portas à exportação para aqueles países. Numa altura em que o Brasil – para onde vai mais de 40% da pera rocha - atravessa dificuldades económicas, e em que o embargo russo fez aumentar na Europa a oferta de fruta, as visitas são "absolutamente determinantes" para o sector, diz Manuel Évora, presidente da Portugal Fresh, Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores.

"Constituem a concretização de um trabalho exaustivo ao nível dos dossiês que são 'esgrimidos' durante meses e, por vezes, anos entre os ministérios da Agricultura de Portugal e dos países onde queremos chegar com as nossas frutas e legumes", continua. As chamadas "missões técnicas" são preparadas em conjunto com a tutela de Assunção Cristas, os produtores representados pelo Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN), a Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha (ANP) e a Portugal Fresh.

O México é o mercado onde a abertura às importações portuguesas está mais próximo de concretizar. A visita marcada para 21 a 24 é para "validação conclusiva", adianta Manuel Évora. A mais recente comitiva, da Colômbia, esteve até sábado a visitar agricultores, pomares de pera rocha e os entrepostos das organizações de produtores. Se a missão técnica tiver sucesso, abre-se a possibilidade de fazer negócio com um país com "50 milhões de habitantes e com a particularidade de [lá] estar presente o grupo Jerónimo Martins com as lojas Ara, o que poderá ser também uma oportunidade para a fruta portuguesa e, em particular, para a pera rocha", continua.

A empresa liderada por Pedro Soares dos Santos, dona do Pingo Doce, tem já 100 supermercados na Colômbia. O mais recente foi inaugurado esta semana em Cartagena das Índias e marca a entrada da cadeia Ara na região da Costa do Caribe, onde terá 40 lojas até ao final do ano.

Os produtores de fruta e legumes estão também a tentar entrar na região do Magreb e no Oriente e têm traçado o novo mapa das exportações em conjunto com o Ministério da Agricultura, através da Secretaria de Estado da Alimentação. "Um dos grandes objectivos é a China que, pela sua dimensão, pode ser uma solução muito interessante em anos de muita produção para conseguirmos equilibrar a dicotomia da oferta e da procura mundial de pera rocha, por exemplo", afirma Manuel Évora.

Há mais de um ano que a busca por novos clientes internacionais tem sido a prioridades das empresas e agricultores, depois de a Rússia ter proibido a importação de hortofrutícolas europeus. Apesar de Portugal não exportar em grandes volumes para o mercado russo, outros países, como a Polónia, perderam o seu principal cliente. A oferta de fruta aumentou no espaço europeu, tal como a concorrência e a disputa por compradores alternativos.

O Brasil é um deles. Apesar de ser um dos mais importantes mercados para o sector e comprar regularmente pera, maçã, pêssego e ameixa, os problemas económicos e a desvalorização do real têm dificultado das exportações. "A pressão de muitos operadores, alguns deles pouco preparados e com uma abordagem incorrecta têm dificultado em muito a rentabilidade das empresas", adianta Manuel Évora. "Nos últimos anos tem havido mais problemas de incumprimentos financeiros e principalmente uma constante e sucessiva desvalorização da qualidade das encomendas que enviamos", lamenta.

A dependência do Brasil para a pera rocha, "a rainha" das exportações nacionais de fruta, é enorme. Em 2014, os produtores associados da ANP venderam para o estrangeiro 102 mil toneladas de pera, 40,2% das quais para o Brasil. Segue-se o Reino Unido, que absorve 17,5%, França (16,5%), Marrocos (9,5%) e Irlanda (5,9%).

Pacote de 500 milhões anunciado por Bruxelas não convence agricultores

ANA RUTE SILVA 07/09/2015 - 14:39 (actualizado às 19:38)
Milhares de produtores protestaram ontem em Bruxelas contra o fim das quotas leiteiras e os impactos do embargo russo. Proposta da comissão passa por antecipação de pagamengos já previstos

 Rússia e preço do leite arrastam agricultura europeia
 Pêra rocha procura alternativas à Rússia e à dependência do Brasil
A Comissão Europeia anunciou, nesta segunda-feira, um pacote de medidas no valor de 500 milhões de euros para ajudar os agricultores, no mesmo dia em que os ministros da Agricultura se reuniram de urgência para debater a crise no sector do leite. À porta, na praça Schumann, cinco mil produtores com mais de mil tractores concentraram-se em protesto contra aquela que já é apelidada da maior crise de sempre na agricultura.

Enquanto na rua se lançavam petardos e se incendiavam pneus e fardos de palha, o vice-presidente da Comissão Europeia Jyrki Katainen, dizia que o fundo de 500 milhões pode ser "imediatamente utilizado em benefício dos agricultores". "Esta é uma resposta robusta e decisiva", disse. Mas para os produtores, o conjunto de medidas ainda é "genérico" e fica aquém das pretensões de criar um mecanismo público de regulação da oferta, no caso do leite.

De acordo com a informação disponibilizada por Bruxelas, o pacote está dividido em quatro temas. O primeiro conjunto de medidas servirá para ajudar os agricultores a enfrentarem as dificuldades financeiras a curto prazo, o segundo para travar o desequilibro de mercado, estimular a procura e reduzir a oferta, o terceiro prende-se com a cadeia de abastecimento e o quarto tem como objectivo "reforçar a ligação entre a agricultura e a sociedade".

Em comunicado, a comissão descreve que a parte "mais significativa" das verbas será entregue aos Estados-membros para ajudar o sector do leite e lacticínios. Os países podiam até agora antecipar em 50% as ajudas dos pagamentos directos e a comissão propõe aumentar essa percentagem para 70%. Outra das medidas é a antecipação de 85% em vez de 75% dos pagamentos relacionados com os programas de desenvolvimento regional aplicados à área animal.

"A comissão está a trabalhar de perto com o Banco Europeu de Investimento em várias opções para estabelecer instrumentos financeiro", continua o documento, divulgado ao início da tarde.

Para aliviar a pressão no mercado, Bruxelas refere já ter estendido as ajudas à armazenagem privada de manteiga e leite em pó até ao próximo ano. Está agora a trabalhar num novo esquema, com mais ajudas, e que garanta que o produto "seja armazenado pelo tempo apropriado, tornando o esquema mais efectivo no alívio da pressão no lado da produção". Haverá, ainda, uma medida semelhante para a carne de porco, e um reforço do orçamento destinado à promoção em 2016.

Outro dos pontos, prende-se com os acordos de comércio bilaterais, de forma a escoar a produção. Estão em curso negociações com os Estados Unidos e o Japão.

No final do conselho extraordinário de ministros da Agricultura, onde Portugal apresentou uma proposta concertada com Espanha, França e Itália, Assunção Cristas lamentou a "falta de detalhe" do plano, mas aplaudiu o facto de o documento abranger "um conjunto alargado de matérias". "Há um pacote de 500 milhões de euros, mas não sabemos qual a repartição das diferentes medidas. Estão incluídas acções de apoio ao rendimento dos agricultores, uma das medidas que Portugal pretendia, mas não sabemos qual a sua repartição", disse ao PÚBLICO.

A proposta de aumento do preço de referência a partir do qual os Estados-membros poderiam comprar e armazenar leite (retirando o produto do mercado e fazendo, assim, subir os preços) não está incluída. A Ministra da Agricultura espera "que possa haver ainda evolução nesta matéria". Assunção Cristas disse ainda que ficou visível a diferença de opiniões entre os países da UE. Para a semana haverá reunião informal no Luxemburgo onde o tema será, de novo, debatido.

Para os agricultores, as medidas souberam a pouco. "Estamos um pouco desiludidos", disse Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenalac, a federação das uniões de cooperativas leiteiras. "É importante minorar o impacto da crise neste momento mas também pensar a longo prazo", defendeu. A "tempestade perfeita" que está a afectar os produtores (confrontados com o fim das quotas à produção, o embargo russo e a queda no consumo) não será resolvida com "paliativos". "Não há, a longo prazo, uma medida que nos permita dizer que esta situação não vai acontecer no futuro", lamenta. "Se não temos um instrumento de regulação de oferta, um sinal vinculativo de que é preciso parar a produção, a volatilidade vai ser constante e agreste. E é isso que nos preocupa. Vamos sair desta crise, mas mais tarde ou mais cedo vai regressar", continua.

João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, diz por seu lado que a verba de 500 milhões de euros é "curta" para toda a União Europeia. Antecipar os pagamentos aos produtores "é bom", mas esta é uma ajuda que já estava programa. "O que me parece é que o que foi anunciado vem na linha do que tem sido feito no último ano e não tem resolvido o problema", diz.

PE vota proibição de clonagem de animais na UE e sua importação

07-09-2015 
 

 
O Parlamento Europeia vota na próxima terça-feira um projecto legislativo para proibir na União Europeia a clonagem de todo o tipo de animais de explorações, seus descendentes e produtos derivados, incluindo importações.

O Parlamento apertaram a proposta inicial da Comissão, com destaque para a elevada taxa de mortalidade durante todas as fases do processo de clonagem, assim como na preocupação dos cidadãos europeus pelo bem-estar animal e padrões éticos.

Tendo em conta que fora da União Europeia pratica-se a clonagem para pecuária, a norma assegura que seja ilegal importar animais, produtos para a sua reprodução, alimento e rações de origem animal de terceiros países caso o certificado de importação não prove que não são resultado de clonagem nem descendentes de um animal clonado.

A Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA), assinalou em 2008 numa informação que a saúde e o bem-estar de uma significativa proporção de animais clonados forma afectados, frequentemente de forma grave e com um resultado fatal, oque contribui para o baixo índice de eficiência da clonagem, de entre a 6 e 15 por cento para o gado bovino e 6 por cento para o gado suíno.

Os eurodeputados indicam que, segundo investigações sobre hábitos de consumo, os cidadãos da União Europeia rejeitam os alimentos procedentes de clonagens ou seus descendentes. A maioria também desaprova o uso da mesma para fins pecuários, por motivos de bem-estar animai e razões éticas.

Fonte: Agrodigital

CONFAGRI em protesto na manifestação de Bruxelas

07-09-2015 
 

 
A Engenheira Maria Antónia Figueiredo, Secretária Geral Adjunta da CONFAGRI e Vice-Presidente da COGECA (Confederação Geral das Cooperativas Agrícolas da União Europeia), juntamente com dezenas de agricultores portugueses ligados à CONFAGRI, dos sectores dos suínos, leite e lacticínios, bovinos e frutas, estão esta segunda-feira, 7/9/2015, em Bruxelas a protestar contra as políticas europeias que têm sido seguidas nos últimos tempos, e que estão a arruinar os agricultores portugueses. Trata-se de uma mega manifestação europeia, que se realiza no dia da reunião extraordinária do Conselho de Ministros em Bruxelas.

Esta manifestação é uma resposta à situação deplorável a que as Instituições Europeias conduziram os agricultores e as cooperativas agrícolas e pretende sublinhar o carácter sem precedentes a que se chegou.

Esta situação altamente penalizadora em especial para os sectores do leite e lacticínios, suínos, bovinos e frutas é o resultado das restrições impostas pela Rússia à exportações da União Europeia destes produtos desde 2014 e com continuidade em 2015.

Estamos assim, com as fronteiras do principal mercado de exportação da União Europeia fechadas. Os preços são inferiores aos custos de produção conduzindo a que alguns tenham que fechar aporta, uma vez que há muito produto na europa, e por isso os preços baixam.

O que não é aceitável é que os produtores estão a ser vítimas da política internacional, não tendo qualquer culpa ou intervenção.

Por outro lado, a desregulação da Política Agrícola Comum (PAC) nomeadamente o fim das quotas leiteiras em Março 2015,determinado pela Comissão Europeia, originou um desequilíbrio profundo entre a oferta e a procura no espaço europeu, o que contribuiu também para o abaixamento dos preços, sobretudo nos países periféricos como Portugal.

Os agricultores e as cooperativas agrícolas reclamam esta segunda-feira medidas urgentes e enérgicas à Comissão Europeia, Conselho de Ministros e Parlamento Europeu, no sentido de contrariar a profunda crise de preços que afecta estes sectores e que coloca em risco a sobrevivência de milhares de explorações, e um número significativo de postos de trabalho.

São necessários:

- apoios imediatos ao rendimento dos produtores pecuários

- medidas estruturais de regulação da oferta de leite na UE

- concessão de mandato politico do Conselho à Comissão, para negociar a abertura de mercados sujeitos a embargo sanitário nos suínos

- medidas de gestão de mercado como por exemplo preços de referencia que assegurem a viabilidade das explorações

- regulação da cadeia de valor agroalimentar.

Agricultores Portugueses Reclamam em Bruxelas por medidas de apoio aos sectores do Leite e da Carne

07-09-2015 


Agricultores Portugueses Reclamam em Bruxelas por medidas de apoio aos sectores do Leite e da Carne

- Manifestação juntará mais de 4 mil agricultores europeus

A CONFAGRI e as suas Federações ligadas à pecuária (FENALAC, FENAPECUÁRIA e FPAS), conscientes da situação dramática de muitas explorações pecuárias de leite e de carne de suíno e bovino, decidiram aderir à Manifestação, em Bruxelas, esta segunda-feira, dia 7 de Setembro, visando sensibilizar o Conselho de Ministros Europeu e a Comissão Europeia para a situação dramática do sector.

O embargo Russo às exportações de produtos agrícolas europeus originou excedentes de carne e leite criando uma pressão insuportável sobre os preços desses produtos. Por outro lado, a desregulamentação da PAC, nomeadamente a cessação do regime das quotas leiteiras em 2015, originou um desequilíbrio profundo entre a oferta e a procura de leite no espaço europeu. Como consequência, ocorreu uma quebra abrupta dos preços ao produtor e do seu rendimento, em particular nos países periféricos. 

Os produtores de leite e de carne de suíno e bovinos nacionais reclamam uma actuação imediata e enérgica das autoridades europeias, no sentido de contrariar a profunda crise de preços que afecta o sector e que coloca em risco a sobrevivência de milhares de explorações e um número muito significativo de postos de trabalho.

Importa que o Conselho de Ministros da Agricultara da UE estabeleça apoios imediatos ao rendimento dos produtores pecuários e determine medidas estruturais de regulação da oferta de leite na UE, uma vez que a abolição do sistema de quotas veio liberalizar a produção de leite e assim contribuir para o presente desequilíbrio de mercado. 

Por outro lado, o Conselho deveria conceder um mandato político à Comissão para negociar a abertura de mercados que estão atualmente sujeito a um embargo sanitário de todo inexplicável, nomeadamente no caso da carne de suíno.

Finalmente, será importante atuar ao nível da regulação da cadeia de valor agro-alimentar, nomeadamente no que respeita ao relacionamento dos Agricultores com a grande distribuição, uma vez que o excesso da oferta está a conduzir a uma excessiva pressão negocial e consequente quebra de preços.


Preço-referência do leite “deve subir com regras restritas”


Ontem 23:07 Ana Petronilho
Portugal defende que o preço-referência deve ser um critério a ter em conta na distribuição das verbas entre os Estados-membro. Alemanha, França e Itália têm a mesma posição.

Preço-referência do leite "deve subir com regras restritas"
O preço-referência do leite "deve subir de uma forma temporária e com regras restritas" e deve ser um critério a ter em conta na hora de distribuir os 500 milhões de euros entre os vários países. Esta é, de acordo com a ministra da Agricultura e do Mar, a posição de Portugal no apoio urgente de Bruxelas aos produtores agrícolas. Assunção Cristas - que falou ao Diário Económico depois da reunião extraordinária entre os ministros da Agricultura europeus que decorreu ontem - explicou que esta é, aliás, a mesma posição da Alemanha, França e Itália. A ministra ainda não tem uma previsão do valor que vai caber a Portugal e para a data de desbloqueio das verbas, frisando que o plano está ainda numa fase "embrionária".

Do pacote de 500 milhões para apoiar a produção agrícola, qual é a fatia para Portugal?

A Comissão Europeia não detalhou dois aspectos que para nós são relevantes: um tem a ver com a forma como esses 500 milhões se vão repartir nas várias medidas. Estamos a falar de medidas de apoio directo aos agricultores, por um lado, da vantagem privada por outro, medidas de promoção dos produtos do leite e dos produtos lácteos, quer no mercado interno quer no mercado internacional. Isso não foi explicado. Tão pouco foi explicado como é que os 500 milhões se repartem os apoios directos agricultores entre os diferentes países. 

Embargo da Rússia e preço do leite arrastam agricultura europeia para a crise


MANUEL CARVALHO 07/09/2015 - 07:07
Milhares de agricultores protestam esta segunda-feira em Bruxelas às portas do conselho extraordinário de ministros do sector.

 
Franceses têm sido os mais activos na contestação AFP PHOTO / KENZO TRIBOUILLARD

 Pera rocha procura alternativas à Rússia e à dependência do Brasil
Milhares de agricultores de vários países europeus concentram-se hoje à porta da reunião do conselho extraordinário de ministros do sector para protestarem contra a falta de escoamento e a baixa de preços de alguns dos mais importantes produtos da economia agrária da União. Em causa estão as consequências do embargo da Rússia à produção europeia que estão na base de uma quebra de rendimentos de 1,7% no ano passado e no agravamento da situação dos mercados agrícolas. Além disso, há também a questão da quebra nos preços do leite pagos ao produtor, na sequência do fim das quotas de produção. Ontem, já havia uma centena de tractores a chegar às ruas de Bruxelas, e antecipa-se a presença de cerca de 5000 tractores de produtores de leite, onde estarão portugueses.

No caso do embargo russo, os impactos directos na produção portuguesa estão longe de causar as perdas registadas por países como a Polónia ou a França, mas as quebras dos preços em sectores sensíveis como o do leite, da carne bovina e suína ou da fruta, estão a deteriorar as margens de rentabilidade dos produtores e a afectar a recuperação que a agricultura portuguesa estava a registar nos últimos anos.

"Os agricultores estão a pagar o preço das políticas da UE em relação à Rússia", lê-se num documento do Copa e da Cogeca, que reúnem as principais associações de agricultores e cooperativas agrícolas da União. Para superar as dificuldades actuais, os agricultores mobilizaram-se para a manifestação de hoje com o objectivo de pressionar o Conselho Agrícola e a Comissão Europeia a avançar com novas medidas de intervenção nos mercados (que passam, por exemplo, pela compra de excedentes para fazer subir os preços), a antecipação e flexibilização dos pagamentos das ajudas directas pagas pela PAC (Política Agrícola Comum) e o aumento de incentivos para acções de promoção externa. Os ministros de Portugal, da Espanha, França e Itália vão pedir à Comissão o aumento do preço de referência do leite para efeitos de retirada de excedentes no mercado. A Comissão Europeia parece estar disposta a reforçar os meios financeiros para acudir a uma situação de excepção que ameaça sublevar a agricultura.

Os sectores mais afectados na actual conjuntura são o do leite, da carne bovina, da carne suína e da fruta e se em todos há um efeito directo do embargo russo, há problemas que são específicos do leite. Actualmente, "os produtores estão a vender leite por 20 ou 21 cêntimos o litro, quando os custos de produção se situam nos 30/32 cêntimos", diz João Machado, presidente da CAP, o que se explica com a perda do mercado russo, para onde os agricultores europeus exportavam 13% da sua produção, mas depende também da redução do consumo mundial. Até Abril deste ano, o sistema de quotas de produção ajudava de alguma forma a estabilizar o mercado, mas a sua extinção e a criação de um regime livre faz com que os produtores tentassem compensar as quebras de preços com o aumento da produção. Criou-se assim uma espiral de excedentes que ajuda a depreciar ainda mais os preços e ameaça varrer do mapa agrícola milhares de produtores.

Nas outras produções, a causa principal do mal-estar está associada ao bloqueio do mercado russo que, nas contas do Copa e da Cogeca, gera perdas na economia agrária na ordem dos 5,5 mil milhões de euros anuais. A Rússia é, recorde-se, o principal mercado de exportação da agricultura europeia.  

O caso da carne bovina é um bom exemplo das dificuldades. Das 7,7 milhões de toneladas produzidas por ano na União Europeia (é o terceiro maior produtor mundial, depois dos Estados Unidos e do Brasil), 233 mil toneladas são exportadas. E a Rússia era o mercado de destino de 29% dessa fatia. No caso da carne de porco, 10% da produção anual de 22,3 milhões de toneladas eram exportadas e, neste caso particular, para lá do embargo russo, que consumia anualmente 800 mil toneladas, a agricultura da União perdeu o acesso ao mercado bielorrusso (86 mil toneladas) e ucraniano (55 mil toneladas). Como consequência, o preço caiu entre 15 e 25 cêntimos em relação à média dos últimos cinco anos, estimam as organizações de agricultores.

Idêntica situação se verifica no sector dos hortofrutícolas. A Rússia era o destino de um terço das exportações europeias de fruta, que rendiam anualmente 1,2 mil milhões de euros, e de 26% dos hortícolas. Era nestes sectores que a produção portuguesa estava a conquistar quotas de mercado a um ritmo de dois dígitos nos últimos anos, com destaque para a pêra rocha. A barreira do embargo é mais preocupante por "destruir o trabalho de promoção dos últimos anos" do que pelas perdas imediatas nos rendimentos dos produtores, diz João Machado.

Em termos globais, "o embargo não é dramático para a agricultura portuguesa", nota João Machado – embora os seus custos indirectos na formação dos preços sejam "muito preocupantes". Em relação ao ano passado, as exportações agro-alimentares portuguesas para a Rússia nos primeiros quatro meses deste ano baixaram em relação ao período homólogo de 2014 de 13,6 milhões de euros para 7,6 milhões - o vinho e o azeite, os mais importantes da exportação nacional, ficaram de fora do embargo.

Ainda assim, "há um grande mal-estar na agricultura europeia que se reflecte em Portugal também", acrescenta João Machado. É por isso que uma delegação de agricultores portugueses estará hoje em Bruxelas numa manifestação que a Comissão Europeia tentará esvaziar com o anúncio de novas medidas de apoio à produção. com Ana Rute Silva

Ministra da Agricultura diz que resolveu problema de décadas na Casa do Douro



Assunção Cristas está de consciência tranquila e com o sentido de missão cumprida

6 de Setembro às 09:54 Redação Assunção Cristas [Foto: Lusa]


A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, afirmou este sábado que acaba esta legislatura de consciência tranquila e sentido de missão cumprida por este Governo ter resolvido o problema da Casa do Douro (CD) que já tinha décadas. 

"Este Governo resolveu o problema da CD, que era um problema que tinha décadas e que, na prática, estava a prejudicar os viticultores durienses, que há muito tempo não tinham maneira de fazer ouvir a sua voz de forma vigorosa, defendendo os seus interesses", disse à agência Lusa. 

A CD, com sede no Peso da Régua, foi extinta enquanto associação de direito público a 31 de dezembro de 2014, e no final de maio o Ministério da Agricultura anunciou a escolha da Federação Renovação do Douro como a associação de direito privado e inscrição voluntária que sucede à organização duriense.
"Houve uma reforma muito profunda naquilo que é a organização. Foi um processo que demorou muito tempo, que implicou oito grupos de trabalho, com vários ministérios envolvidos, com produção de legislação, com muito trabalho político, mas eu creio que a solução é boa".

Criada em 1932, a CD viveu durante anos asfixiada em problemas financeiros e possui uma dívida ao Estado na ordem dos 160 milhões de euros. 

O Governo vai agora nomear um administrador liquidatário que irá proceder à regularização das dívidas da extinta CD. 

Assunção Cristas disse que o nome do administrador, que terá um "perfil técnico", será anunciado em breve. 

"É um administrador liquidatário, tem uma missão muito específica que é resolver a questão da dívida e que demorará tempo, terá de ir traduzindo um determinado património por dinheiro que passará a ser alocado a abater a dívida ao Estado", frisou.

Ministra da Agricultura otimista quanto ao futuro do setor do leite em Portugal


Lusa 04 Set, 2015, 17:50 | País
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, mostrou-se otimista num resultado positivo para o setor leiteiro, em Portugal, na cimeira de ministros da Agricultura da União Europeia, que decorre na próxima segunda-feira, em Bruxelas.

A governante, que hoje visitou a AgroSemana, uma feira agrícola na Póvoa de Varzim, organizada pela Agro, uma união de cooperativas do setor, acredita que serão encontrados mecanismos alternativos ao fim das quotas leiteiras que possam proteger os produtores nacionais.

"Este não é um problema de Portugal, é também um problema da Europa e vamos discutir e pedir à Comissão Europeia medidas de suporte para este período difícil que os produtores estão a atravessar", garantiu Assunção Cristas.

"Tenho estado em contacto com os meus homólogos de outros países e conversado com o comissário europeu a debater soluções. Todos nós estamos a trabalhar para que na segunda-feira possa haver um bom resultado para os nossos produtores de leite", acrescentou a ministra.

Assunção Cristas não acredita que, por enquanto, o fim das quotas leiteiras na União Europeia possa ser invertido, mas garantiu que tem conseguido sensibilizar alguns países para que esse possa ser um caminho no futuro.

"Portugal, em 2003, no governo de Durão Barroso, votou contra o final das quotas, e nós sempre nos temos batido para que voltem a entrar em vigor. Comecei a falar disto sozinha, mas já tenho seis países, e de dimensão relevante, como a Espanha ou Polónia, do meu lado. Admito que outros países também já estejam a mudar de posição", afirmou.

Independentemente do desfecho da reunião desta segunda-feira, em Bruxelas, Assunção Cristas garantiu que serão tomadas mais medidas de apoio aos produtores, nomeadamente na valorização e promoção do consumo de leite.

Recorde-se que na passada sexta-feira, Portugal, Espanha, Itália e França acordaram pedir em Bruxelas, no Conselho de Ministros extraordinário de ministros da Agricultura, um aumento dos preços de referência, que permitirão retirar leite do mercado quando o produto está em excesso e, com isso, ajudar a regular o preço do leite.


Preço do leite em queda na UE exige medidas urgentes

Ministros da Agricultura reunem-se hoje em Bruxelas para encontrar soluções para o fim das quotas

Produtores de leite manifestam-se em Bruxelas

D.R.
07/09/2015 | 00:01 |  Dinheiro Vivo

Hoje é um dia decisivo para os produtores de leite da Europa. Depois do fim das quotas, a 1 de abril, o setor vive uma crise sem paralelo. Só em Portugal, desde o início do ano, abandonaram a atividade cerca de 200 produtores, de acordo com a Federação das Cooperativas de Leite, a FENALAC.
O problema agudizou-se com o fim das quotas leiteiras, que originou um grande excedente de produto no mercado, esmagando os preços. Em junho, o preço em Portugal era de 0,288 euros/quilo. Mas não era muito melhor em Espanha: 0,294euro, ou Itália: 0,347euro.
De acordo com os dados do do observatório do mercado do leite, em junho, o preço médio da tonelada de leite era de 30 euros, uma quebra de 20% face ao mesmo mês de 2014, de 1,8% face a maio último e de 9% em relação à média dos últimos cinco anos.
As estimativas do observatório apontam para que o preço do leite cru continue a recuar nos próximos meses e tudo aponta para que os produtores enfrentem dificuldades de tesouraria.
Por todas as razões, os ministros da Agricultura dos 28 reunem-se hoje em Bruxelas, com o objetivo de encontrar medidas, a nível europeu, para enfrentar a crise. Nas ruas já estão os produtores de leite, representados por associações de vários países, incluindo de Portugal, em manifestações promovidas pelo "European Milk Board".

"Não podemos vender leite mais barato do que água"


Os produtores de leite da zona do Minho e Douro Litoral alertaram hoje que a maioria das explorações leiteiras estão numa situação financeira insustentável, lembrando que se está "a vender leite mais barato do que água".

Lusa
ECONOMIA PRODUTORES
HÁ 10 HORAS
POR LUSA
   
Alguns produtores da região reuniram-se hoje numa exploração em Vila do Conde para deixar um apelo aos consumidores nacionais que bebam leite português, mas, também, para pedir maior colaboração por parte do Governo.

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"A mensagem para o nosso Governo, mas também para os setores da distribuição e da indústria, é que parte do problema resolve-se em Bruxelas, mas também tem de haver uma intervenção nacional", começou por dizer Carlos Alves, da Associação de Produtores de Leite de Portugal - APROLEP.

O empresário revelou "esperança moderada" nas negociações que hoje decorrerem em Bruxelas, na Comissão Europeia, para se fixar um novo preço de referência a partir do qual a União Europeia comprará os excedentes do mercado, e explicou o motivo da sua relutância.

"Já existe um preço em que a Europa intervém comprando os excedentes do mercado, mas é muito baixo. Resta saber se hoje vai ser negociado um aumento simbólico ou algo realmente significativo. Porque como está atualmente não compensa", disse o produtor.

"O preço de intervenção está entre 18 e 21 cêntimo por litro, mas o que precisávamos era de 34 cêntimos. E nem queremos estar sempre a trabalhar para a União Europeia, pois se, tal como em França, existisse um acordo com os sectores da indústria e distribuição para vendermos a esse preço, ficaríamos bem", completou Carlos Alves.

Para alcançar esse acordo, os produtores apelam à intervenção do Governo e do Presidente da República, mas pedem, também, para que se consuma mais leite nacional.

"Não queremos inflacionar o preço do leite, mas se a indústria e a distribuição colocarem à venda a um preço razoável e os consumidores preferirem leite nacional as coisas melhoravam. O que não podemos é estar vender leite mais barato do que água", afirmou o produtor, completando.

"Não gostaria que as manifestações muito violentas que aconteceram em França se pudessem repetir aqui em Portugal. Mas estamos a sentir-nos abandonados e ignorados por toda a cadeia do setor", concluiu.

Outro produtor, Manuel Azevedo, de 40 anos, que detém uma exploração familiar em Vila do Conde, partilhou os números da sua empresa para justificar a afirmação de que "a situação está insustentável.

"Tenho 230 vacas, que por mês produzem 85 mil litros de leite. O comprador está, de momento, a pagar-me 23 cêntimos por litro, mas isso representa um prejuízo de 10 cêntimos em cada litro que produzo", explicou.

Manuel Azevedo lembrou que em janeiro de 2014 recebia por litro de leite 39 cêntimos e que um ano depois o preço caiu para 29 cêntimos.

"Para podermos viver deste negócio precisamos de receber pelo menos 35 cêntimos por litro, porque só os custos de produção representam 33 cêntimos", apontou.

O produtor vila-condense lembra que o setor, que representa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que cria cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, e que concentra na zona de Minho e Douro Litoral 55% do leite produzido em Portugal Continental, poderá "não sobreviver se a situação continuar como está".

"Alguns produtores que conheço fecharam as explorações, outros estão prestes a fazê-lo. Eu não sei quanto tempo mais consigo aguentar, e felizmente não tenho empréstimos de investimentos senão seria impossível continuar", descreveu.

Crise do leite em imagens. UE decide desbloquear 500 milhões


7/9/2015, 16:49
Os produtores portugueses alertam que se está a vender "leite mais barato do que água", em dia de manifestações em Bruxelas. UE decidiu desbloquear 500 milhões imediatamente para ajudar o setor


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Os produtores de leite da zona do Minho e Douro Litoral alertam para o facto de que a maioria das explorações leiteiras estão numa situação financeira insustentável, lembrando que se está "a vender leite mais barato do que água". A Comissão Europeia já anunciou que vai desbloquear imediatamente um pacote de ajuda no valor de 500 milhões de euros, para apoiar os produtores agrícolas europeus, sobretudo do setor do leite, face às atuais dificuldades.

"Este pacote permitirá que 500 milhões de euros de fundos da UE sejam utilizados imediatamente em benefício dos agricultores. Esta é uma resposta robusta e demonstra que a Comissão assume de forma muito sérias as suas responsabilidades face aos agricultores", declarou Jyrki Katainen, vice-presidente do executivo comunitário.

O anúncio teve lugar durante uma reunião extraordinária de ministros da Agricultura da União Europeia, em Bruxelas ao mesmo tempo que milhares de agricultores, sobretudo produtores de leite se manifestaram.

Entre os manifestantes contavam-se cerca de duas dezenas de portugueses, tendo Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenelac (Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite), apontado que a crise que o setor do leite atualmente atravessa se deve em muito à "falta de políticas da UE", pois "o mercado nem sempre é eficiente, e neste momento não é eficiente", pelo que necessita de regulação.

"Há um grande desequilíbrio entre a oferta e a procura – há muito mais oferta que a procura – e o objetivo de uma política é exatamente (ser acionada) quando o mercado não responde às exigências", disse, comentando que um das razões para o desequilíbrio atual foi a decisão de por fim às quotas, "um instrumento que permite controlar a oferta de leite na UE sem custos para o contribuinte".

Em  Portugal, alguns produtores da região reuniram-se numa exploração em Vila do Conde para deixar um apelo aos consumidores nacionais que bebam leite português, mas, também, para pedir maior colaboração por parte do Governo.

"A mensagem para o nosso Governo, mas também para os setores da distribuição e da indústria, é que parte do problema resolve-se em Bruxelas, mas também tem de haver uma intervenção nacional", começou por dizer Carlos Alves, da Associação de Produtores de Leite de Portugal – APROLEP.

O empresário revelou "esperança moderada" nas negociações que decorrerem em Bruxelas, na Comissão Europeia, para se fixar um novo preço de referência a partir do qual a União Europeia comprará os excedentes do mercado, e explicou o motivo da sua relutância.

"Já existe um preço em que a Europa intervém comprando os excedentes do mercado, mas é muito baixo. Resta saber se hoje vai ser negociado um aumento simbólico ou algo realmente significativo. Porque como está atualmente não compensa", disse o produtor.

De acordo com a Comissão Europeia, o pacote de ajudas agora anunciado visa fazer face às dificuldades de liquidez que os agricultores estão a enfrentar, a estabilizar os mercados e a melhorar o funcionamento da cadeira de fornecimento, assegurando Bruxelas que, quando determinar a distribuição deste envelope, "será dada particular atenção aos Estados-membros e agricultores mais afetados pelos desenvolvimentos de mercado".

"O preço de intervenção está entre 18 e 21 cêntimo por litro, mas o que precisávamos era de 34 cêntimos. E nem queremos estar sempre a trabalhar para a União Europeia, pois se, tal como em França, existisse um acordo com os sectores da indústria e distribuição para vendermos a esse preço, ficaríamos bem", completou Carlos Alves.

Para alcançar esse acordo, os produtores apelam à intervenção do Governo e do Presidente da República, mas pedem, também, para que se consuma mais leite nacional.

"Não queremos inflacionar o preço do leite, mas se a indústria e a distribuição colocarem à venda a um preço razoável e os consumidores preferirem leite nacional as coisas melhoravam. O que não podemos é estar vender leite mais barato do que água", afirmou o produtor, completando.

"Não gostaria que as manifestações muito violentas que aconteceram em França se pudessem repetir aqui em Portugal. Mas estamos a sentir-nos abandonados e ignorados por toda a cadeia do setor", concluiu.

Outro produtor, Manuel Azevedo, de 40 anos, que detém uma exploração familiar em Vila do Conde, partilhou os números da sua empresa para justificar a afirmação de que "a situação está insustentável.

"Tenho 230 vacas, que por mês produzem 85 mil litros de leite. O comprador está, de momento, a pagar-me 23 cêntimos por litro, mas isso representa um prejuízo de 10 cêntimos em cada litro que produzo", explicou.

Manuel Azevedo lembrou que em janeiro de 2014 recebia por litro de leite 39 cêntimos e que um ano depois o preço caiu para 29 cêntimos.

"Para podermos viver deste negócio precisamos de receber pelo menos 35 cêntimos por litro, porque só os custos de produção representam 33 cêntimos", apontou.

O produtor vila-condense lembra que o setor, que representa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que cria cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, e que concentra na zona de Minho e Douro Litoral 55% do leite produzido em Portugal Continental, poderá "não sobreviver se a situação continuar como está".

"Alguns produtores que conheço fecharam as explorações, outros estão prestes a fazê-lo. Eu não sei quanto tempo mais consigo aguentar, e felizmente não tenho empréstimos de investimentos senão seria impossível continuar", descreveu.

Agricultura: A revolução tecnológica

 Drones com câmaras espectrais acompanham o crescimento das plantações 
Por João Ferreira, Marta Ribeiro da Silva 

Os campos agrícolas podem ser hoje campos tecnológicos com sondas a enviarem informação para os produtores. Estes equipamentos podem ser utilizados, por exemplo, em regadios para medir a humidade do solo ao nível das raízes. Determinam a quantidade de água e a forma como deve ser distribuída durante a semana. Podem medir até um metro de profundidade e fazem leituras de meia em meia hora. O aumento da eficiência da rega pode chegar aos 30%. Os drones, com câmaras multi-espectrais, permitem acompanhar o crescimento das plantações em campos agrícolas. Os equipamentos cruzam os dados recolhidos num software e o produtor tem acesso a informação num link da internet, protegido por password. As novas tecnologias modernizaram o setor. Primeiro, as máquinas agrícolas que fazem em horas o que manualmente levaria dias. Depois, as tecnologias de informação que revolucionaram a agricultura.  E é por isso que a ministra Assunção Cristas não tem dúvidas em garantir que a agricultura portuguesa tem futuro.


Taxa de desaparecimento de florestas regista queda desde 1990


A superfície florestal no mundo continua a cair, mas nos últimos 25 anos a taxa de desaparecimento de bosques registou uma queda pela metade, afirma um relatório divulgado pela FAO, a Agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura.
«Embora à escala mundial a extensão das florestas continue a diminuir, ao mesmo tempo que avançam o crescimento demográfico e a intensificação da procura de alimentos e terras, a taxa de perda líquida de bosques caiu mais de 50% entre 1990 e 2015», revela o documento da FAO.
O documento foi divulgado na 14ª edição do Congresso Florestal Mundial, que acontece até sexta-feira na cidade sul-africana de Durban.
Apesar da boa notícia do relatório, a superfície florestal no planeta diminuiu em 3,1% nos últimos 25 anos, passando de 4,128 mil milhões para 3.999 mil milhões de hectares.
Isto significa que desde 1990 o mundo perdeu 129 milhões de hectares de floresta, uma superfície equivalente ao território da África do Sul, segundo a organização.
No entanto, o ritmo de mudança registou uma desaceleração de mais de 50% entre 1990 e 2015. Concretamente, a taxa anual de perda líquida de florestas (que inclui as plantações de bosques novos) passou de 0,18% nos anos 1990 a 0,08% nos últimos cinco anos.
As principais perdas aconteceram nos trópicos, em particular na América do Sul e África, mas as taxas de desaparecimento registaram fortes quedas nos últimos cinco anos, destaca o relatório.
A FAO adverte que a superfície de bosques seguirá provavelmente em queda, em especial nos trópicos, sobretudo pela actividade agrícola.

Ministra da Agricultura otimista quanto ao futuro do setor do leite em Portugal



A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, mostrou-se otimista num resultado positivo para o setor leiteiro, em Portugal, na cimeira de ministros da Agricultura da União Europeia, que decorre na próxima segunda-feira, em Bruxelas.

A governante, que hoje visitou a AgroSemana, uma feira agrícola na Póvoa de Varzim, organizada pela Agro, uma união de cooperativas do setor, acredita que serão encontrados mecanismos alternativos ao fim das quotas leiteiras que possam proteger os produtores nacionais.
«Este não é um problema de Portugal, é também um problema da Europa e vamos discutir e pedir à Comissão Europeia medidas de suporte para este período difícil que os produtores estão a atravessar», garantiu Assunção Cristas.
Dinheiro Digital / Lusa

Stoock, um sensor e uma “app” para agricultores


A start-up Agroop desenvolveu um multi-sensor para monitorizar parâmetros físicos em terrenos cultivados. O Stoock é um dos semi-finalistas do Prémio EDP Inovação

Texto de P3 • 04/09/2015 - 13:35
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À primeira vista pode parecer uma placa de identificação de plantas, como aquelas que colocamos nos vasos de ervas aromáticas para não corrermos o risco de confundir salsa com coentros. Mas o Stoock é um multi-sensor desenvolvido por uma start-up portuguesa para rentabilizar a produção agrícola. Controlado por uma aplicação, o produto é um dos oito semi-finalistas do Prémio EDP Inovação.
 
A ideia é aproveitar conhecimentos de gestão operacional do dia-a-dia da agricultura, através de "funções de monitorização de parâmetros físicos no terreno", como a temperatura, em tempo real, de uma exploração, a velocidade do vento ou a humidade do solo. Quem o explica é Bruno Fonseca, da start-up Agroop.
 
A identificação destes parâmetros permite o cálculo de um "índice de evapotranspiração", ou seja, aquilo que uma determinada planta transpira. Ter este conhecimento é útil para definir as necessidades de rega de uma planta e, com isso, poupar água.
 
Segundo o designer de comunicação de 29 anos, já existe tecnologia semelhante ao Stoock no mercado. "O factor diferenciador é estarmos a tentar fazer um produto tão simples e intuitivo que o próprio utilizador consegue configurar", diz. O facto da instalação deste tipo de produtos ter, normalmente, que ser feita por uma equipa especializada "limita, à partida, a escala do negócio". A facilidade na configuração, acredita, pode ajudar na internacionalização da marca.
 
O Stoock inclui um painel fotovoltaico, responsável pela alimentação de toda a comunicação do sensor com a aplicação, disponível para "smartphones" e computadores. Esta "app" já estava em desenvolvimento na Agroop antes da participação no Prémio EDP Inovação e terá um custo adicional. Cara "stick" deverá ser vendido por 900 euros.
 
O Prémio EDP Inovação, já na 7.ª edição, distingue projectos na área da inovação tecnológica ou negócios ligados a tecnologias limpas no sector da energia. A concurso estão 50 mil euros, entregues em Novembro, a um dos três projectos que, entretanto, serão escolhidos como finalistas.

Agricultores portugueses também reclamam outras políticas à Europa



Produtores de leite e outros agricultores portugueses participam hoje em Bruxelas numa grande manifestação para convencer os ministros da Agricultura da União Europeia a «emendar a mão» e a apoiar o setor, que dizem estar a sofrer as consequências de «medidas tristes».

Num dia em que os ministros da Agricultura dos 28 debaterão, numa reunião extraordinária, a situação do mercado, milhares de agricultores, sobretudo produtores de leite e criadores de porcos, contestam nas ruas em redor do "bairro europeu" e da sede do Conselho Europeu as recentes medidas da União Europeia, ou a falta delas.
Segundo Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenelac (Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite), a crise que o setor do leite atualmente atravesse deve-se em muito à «falta de políticas da EU», pois «o mercado nem sempre é eficiente, e neste momento não é eficiente», pelo que necessita de regulação.
«Há um grande desequilíbrio entre a oferta e a procura -- há muito mais oferta que a procura -- e o objetivo de uma política é exatamente (ser acionada) quando o mercado não responde às exigências», disse, comentando que um das razões para o desequilíbrio atual foi a decisão de por fim às quotas, «um instrumento que permite controlar a oferta de leite na UE sem custos para o contribuinte».
«Nós sempre fomos a favor das quotas (...) mas inexplicavelmente os ministros da Agricultura da UE decidiram terminar com as quotas e estamos a ver o resultado neste momento. É uma medida triste, uma medida que foi errada, esperemos que agora deem a mão e voltem atrás, eventualmente não com quotas, mas algum tipo de medida equivalente às quotas», afirmou.
Para dar uma ideia do impacto da crise em Portugal, o responsável da Fenelac aponta «um número que é significativo: desde o início do ano, cerca de 250 produtores deixaram o sector», disse, considerando que «isto é muito grave» e mostra que «o setor está a caminhar numa depressão muito grave».
Já David Neves, da Federação dos Suinicultores, reclama sobretudo medidas que visem minimizar os efeitos do embargo russo a produtos agrícolas europeus, afirmando que se trata sobretudo de um protesto «contra o facto de se tomarem decisões políticas que não são acauteladas», sendo por isso necessárias «medidas ao nível europeu» para compensar os produtores.
Entre as mais de duas dezenas de portugueses que participam na manifestação, Maria Antónia Figueiredo, secretária geral-adjunta da Confagri (Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Portugal), comentou que «esta manifestação é uma resposta às medidas de política da UE, que nos últimos anos têm sido altamente prejudiciais para a agricultura», e para Portugal.
A responsável sublinhou que a grave crise atual se deve precisamente a uma conjugação de dois fatores, o embargo russo, que levou a que «os preços aos agricultores e cooperativas tivessem baixado muito», e a «novas medidas da Política Agrícola Comum, que desregularam completamente os mecanismos de mercado», com o fim das quotas leiteiras e abolição de mecanismos de intervenção.
Na reunião de ministros da Agricultura de hoje à tarde participa a ministra Assunção Cristas, que no passado sábado disse acreditar em «bons resultados» para os produtores de leite portugueses.
Diário Digital com Lusa

Apresentação Pública do Plano Nacional para os Recursos Genéticos - PNRGV


Decorre no próximo dia 9 de setembro, a Sessão Pública de apresentação do Plano Nacional para os Recursos Genéticos Vegetais - PNRGV, no Auditório Principal - INIAV, I.P. - Oeiras.


Já é conhecido o parecer europeu sobre as políticas climáticas na agricultura



 06 Setembro 2015, domingo  Política AgrícolaAgroflorestal
seca
Foi publicado a 4 de setembro de 2015 no jornal oficial da União Europeia (UE), o parecer do Comité Económico e Social Europeu (CESE) sobre as «Implicações das políticas de clima e de energia nos setores agrícola e silvícola».
Nas conclusões e recomendações do documento, o CESE frisa que «as alterações climáticas constituem um desafio mundial».
«Ao decidir sobre o contributo da UE para o acordo mundial sobre o clima, a UE e os Estados-membros devem ter em conta as diferenças entre as políticas levadas a cabo em todo o mundo e considerar os impactos das alterações climáticas e as possibilidades da sua atenuação. As políticas da UE devem responder ao desafio da salvaguarda da segurança alimentar, apesar da crescente procura, mantendo simultaneamente a competitividade dos setores da agricultura e da silvicultura da União e reforçando a atratividade dos produtores locais da UE, sem impor encargos desnecessários aos agricultores e proprietários florestais. A UE deve dar o exemplo no domínio da agricultura sustentável do ponto de vista económico, social e ambiental. O quadro político da UE deve ser coerente e consistente», lê-se no documento.
Além disso, sublinha-se a necessidade de «ter em conta o contexto global, a fim de evitar a deslocalização para outras partes do mundo das capacidades de produção com utilização intensiva de energia e níveis elevados de emissões, que poderia mesmo conduzir a um aumento das emissões totais a nível mundial, diminuindo simultaneamente a competitividade dos setores agrícola e silvícola europeus».
«A decisão de integrar a utilização dos solos, reafetação dos solos e silvicultura (Lulucf) no quadro político pós-2020 gera um elevado grau de incerteza para o setor agrícola e, em alguns casos, silvícola. Ainda não é claro se esta integração conduzirá a um efeito de sumidouro de carbono ou a um aumento das emissões em várias regiões. Qualquer decisão deve basear-se em dados científicos e deve ser tomada após uma adequada avaliação de impacto das diferentes opções a nível dos Estados-membros», sublinha o documento.
O CESE solicita que «se preveja flexibilidade aquando da tomada de decisões sobre os objetivos de redução das emissões de GEE após 2020 nos setores agrícola e silvícola, sobretudo nos Estados-membros que têm atualmente pegadas de carbono significativamente inferiores na agricultura ou na silvicultura».
Saiba mais sobre o Parecer do CESE.

Protestos contra quebra do preço do leite cortam acessos a Bruxelas



A polícia federal belga cortou hoje vários acessos a Bruxelas devido aos protestos dos agricultores contra a crise agroalimentar que fez cair o preço do leite, informou a agência espanhola EFE.

As manifestações acontecem na véspera do Conselho extraordinário dos ministros da Agricultura da União Europeia, que vai decorrer na capital belga.
Um dos túneis que liga a zona das instituições ao centro de Bruxelas permanece cortado e várias ruas dessa zona estão inacessíveis devido aos protestos organizados nas imediações da rotunda de Schuman e do Parque do Cinquentenário, próximos das instituições comunitárias.
Cerca de 150 tratores deviam chegar hoje a Bruxelas vindos da localidade de Battice, Liége, mas, segundo fontes policiais citadas pela EFE. ainda permanecem nessa região, e são apenas cerca de 15 veículos.
Durante o dia de segunda-feira, durante o qual vai decorrer o Conselho extraordinário, esperam-se cerca de cinco mil tratores nas ruas da capital belga.
Os agricultores iniciaram as suas marchas em direção a Bruxelas partindo de diferentes zonas da Bélgica, organizando-se em colunas de manifestantes que avançaram até confluírem para a frente do edifício Justus Lipsius, sede do Conselho da União Europeia, pelas 11:00 locais.
Antevendo fortes perturbações ao longo do dia de segunda-feira, a polícia federal belga já recomendou aos cidadãos que deixem o carro em casa.
No entanto, também se espera que várias linhas de autocarros sofram perturbações na circulação ao longo do dia, e a estação de metro de Schuman, a mais próxima das instituições comunitárias, vai estar encerrada todo o dia.
Os agricultores protestam pela queda do preço do leite, que em junho se pagava a 28,2 cêntimos por litro, 25% abaixo do que custava um ano antes.
Dinheiro Digital com Lusa

Isenções temporárias à Segurança Social em vigor em breve para ajudar setor do leite


A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, disse hoje, em Lamego, que "muito rapidamente" entrará em vigor a medida de isenção de contribuição para a Segurança Social temporária que visa ajudar os produtores de leite.

"Temos o plano nacional e, ainda ontem (sexta-feira), o senhor primeiro-ministro anunciou uma medida de isenção de contribuição para a Segurança Social temporariamente por parte dos produtores de leite para ajudar à liquidez", referiu a governante, que falava à agência Lusa à margem de uma lagarada numa quinta do Douro.
Pedro Passos Coelho disse na sexta-feira que o Governo vai avançar com medidas nacionais para ajudar os produtores de leite a ultrapassarem a crise no setor, nomeadamente um regime de pagamento à Segurança Social "mais favorável".
Questionada sobre esta medida, a ministra disse que ela entrará em vigor "muito rapidamente".
Já sobre a cimeira de ministros da Agricultura da União Europeia, que decorre na próxima segunda-feira, em Bruxelas, Assunção Cristas disse não ter mais nada a acrescentar ao que já tem dito nos últimos dias.
"Espero que possamos ter bons resultados para os nossos produtores de leite", afirmou apenas.
Na sexta-feira, durante uma visita à AgroSemana, uma feira agrícola na Póvoa de Varzim, organizada pela Agro, uma união de cooperativas do setor, a governante disse que acredita que serão encontrados mecanismos alternativos ao fim das quotas leiteiras que possam proteger os produtores nacionais.
"Este não é um problema de Portugal, é também um problema da Europa e vamos discutir e pedir à Comissão Europeia medidas de suporte para este período difícil que os produtores estão a atravessar", garantiu Assunção Cristas.
Independentemente do desfecho da reunião desta segunda-feira, em Bruxelas, Assunção Cristas garantiu que serão tomadas mais medidas de apoio aos produtores, nomeadamente na valorização e promoção do consumo de leite.
Na semana passada, Portugal, Espanha, Itália e França acordaram pedir em Bruxelas, no Conselho de Ministros extraordinário de ministros da Agricultura, um aumento dos preços de referência, que permitirão retirar leite do mercado quando o produto está em excesso e, com isso, ajudar a regular o preço do leite.
Dinheiro Digital com Lusa

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Concurso Queijos de Portugal 2015

A ANIL – Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios, anuncia a 7ª Edição do CONCURSO QUEIJOS DE PORTUGAL, em que se propõe manter a constância e determinação na persecução do seu compromisso inicial de promover e estimular o desenvolvimento da indústria e melhorar o conhecimento e posicionamento do produto junto do consumidor.

No presente ano, o concurso de queijo decorrerá nos dias 15 e 16 de Outubro de 2015, nas instalações da CONTROLVET / FULLSENSE em TONDELA.

O Concurso Queijos de Portugal é já uma referência nacional, premiando ano após ano o que se faz de melhor, tendo vindo a crescer sustentadamente desde a sua 1ª Edição. Para esta edição, o concurso prevê uma nova categoria: Queijos para Barrar.

Consulte a página da Anil, em http://queijosdeportugal.anilact.pt/documentos.html, para aceder aos documentos do concurso...

Vila Pouca de Aguiar acolhe debate internacional sobre a castanha

 04-09-2015 
 

 
O aumento da produção de castanha na Europa e o combate às doenças que afectam os soutos são temas em destaque num encontro internacional que decorre entre 09 e 12 de Setembro, em Vila Pouca de Aguiar.

Durante quatro dias, Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real, vai ser palco de três eventos dedicados à castanha, nomeadamente o II Simpósio Nacional da Castanha, o VI Encontro Europeu da Castanha e a I edição da Castanha Logística Europeia.

«O grande desafio neste momento para a Europa é o aumento da produção de castanha e o combate às doenças que estão a levar à quebra de produção, bem como algum abandono dos soutos que se verifica nas zonas rurais», afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional da Castanha – Refcast.

José Gomes Laranjo defendeu que a Europa precisa de aumentar a área de produção de castanha em cerca de «40 mil hectares» para conseguir dar resposta à procura não só dos consumidores em produto fresco mas também da indústria.

Há 50 anos o continente europeu liderava a produção deste fruto, no entanto atualmente produz apenas cerca de 200 mil toneladas contra os cerca de 1,8 milhões de toneladas do resto do mundo.

«Não há castanha e esta falta abre portas a castanhas de menor qualidade de outras proveniências e pode ser dramática esta abertura de portas, designadamente à asiática», salientou o também investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O responsável sublinhou a importância desta cultura para a economia nacional e frisou que, só no ano passado, foram exportados cerca de 60 milhões de euros de castanha.

Esta é também uma produção muito afectada pelas doenças e pragas, nomeadamente o cancro, a tinta e, mais recentemente, a vespa das galhas do castanheiro. O cancro é uma doença que aparece nos ramos e troncos das árvores, enquanto a tinta apodrece a raiz.

A vespa aloja os seus ovos nos gomos dos castanheiros. Só quando estes formam novos ramos é que se percebem as deformações e inchaços nas folhas. Depois de infectados, os ramos não conseguem dar mais fruto.

Estas doenças e pragas afectam a produção, pelo que José Gomes Laranjo defende uma maior investigação na área para combater estas patologias. O investigador salientou que, este ano, a tinta «está a provocar um problema dramático em Trás-os-Montes».

«Estão a morrer imensas árvores devido às condições de secura e de temperatura, que são condições propícias ao desenvolvimento desta doença e não há nenhum antídoto e produto eficaz para tratar, porque é uma cultura que não tem o grau de desenvolvimento de outras», sublinhou.

Enquanto no Encontro Europeu se vai falar mais da produção e dos apoios estatais e comunitários reivindicados para o sector, o Simpósio Nacional do Castanheiro vai destacar a investigação nacional e internacional que está a ser feita nesta fileira.

José Gomes Laranjo lamentou que candidatura apresentada à Fundação para a Ciência e Tecnologia para estudar a vespa em Portugal não tenha sido aprovada, considerando que «era fundamental» para travar a propagação desta praga no país.

Depois, em Simultâneo decorre a Castanha Logística, uma feira de atividades que vai contar com a participação de cerca de 30 empresas que vão mostrar equipamentos, serviços, investigação relacionada com o sector, mas onde vão marcar também presença viveiristas ou vendedores de produtos transformados.

O evento é promovido pela RefCast, em conjunto com as câmaras de Vila Pouca de Aguiar e Valpaços e a Sociedade de Ciências Agrárias de Portugal.

Fonte: Lusa

Congresso SafePork: especialistas mundiais reúnem-se no Porto



 04 Setembro 2015, sexta-feira  Feiras & Eventos
Realiza-se de 7 a 10 de setembro, na fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto, a 11ª edição do Congresso SafePork, numa organização conjunta da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e das Universidades do Porto, de Zaragoza e de Leon.
Investigadores, associações e técnicos do setor, representantes do governo, industriais e empresas farmacêuticas, num total de 200 participantes de 27 países de cinco continentes, vão "apresentar e discutir questões relacionadas com a gestão de zoonoses e segurança alimentar a nível dos suínos e da carne de porco, sempre numa perspetiva integrada "da exploração ao prato" e na lógica do conceito "Uma só Saúde", explica Madalena Vieira-Pinto, responsável da UTAD pela organização deste congresso e especialista em inspeção sanitária animal e segurança alimentar.
No programa, que inclui vários workshops especializados e comunicações várias, estarão em destaque as estratégias, custos e benefícios no controlo de perigos de origem alimentar e doenças zoonóticas a nível da exploração e no matadouro; a utilização de antibióticos na produção de suínos e eventuais implicações para a saúde humana; assim como alterações à regulação do setor, nomeadamente na inspeção sanitária de suínos.
"Atualmente a inspeção sanitária de carcaças é feita em matadouros por médicos veterinários oficiais através de diversos procedimentos. O novo regulamento da Comissão Europeia prevê que esta inspeção passe a ser apenas visual, o que tem levantado algumas dúvidas e preocupações ao setor", afirma Madalena Vieira-Pinto, autora da revista AGROTEC, com diversos artigos já publicados, tais como "Avaliação de Bem-Estar em Explorações de Perus para Produção de Carne", "Bem-Estar em Suínos Abatidos em Matadouros", entre outros. 
Este congresso visa, assim, a reunião dos diversos especialistas para discutir e analisar os procedimentos, agora propostos, e "confirmar ou propor eventuais alternativas no que respeita à inspeção sanitária destes animais, tendo em consideração as potenciais repercussões na proteção da saúde pública e animal", acrescenta.
A FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) é uma das entidades presentes neste evento, através da especialista Katinka DeBalogh, cuja comunicação será direcionada para a segurança alimentar na cadeia de produção da carne de suíno.
Dedicado à carne mais consumida em Portugal, este congresso terá uma mostra de produtos regionais, que inclui uma prova de degustação que visa demonstrar a qualidade da carne de suíno, castrado quimicamente.
"A castração química é um método inovador e necessário, devido às novas imposições legislativas europeias, que condiciona a tradicional castração dos suínos, mas que pode conferir cheiro e gosto desagradável à carne", adverte investigadora da UTAD.
Programa completo do congresso em http://www.safepork2015.com

Joaquim Bastinhas sofreu várias fraturas e rotura de bexiga. Mas está fora de perigo


por Roberto Dores04 setembro 20157 comentários

Joaquim Bastinhas sofreu várias fraturas e rotura de bexiga. Mas está fora de perigo
Fotografia © Fábio Roque / Arquivo
Diretor clínico do Hospital de Portalegre admitiu que o estado de saúde do toureiro é "grave".
O cavaleiro Joaquim Bastinhas foi esta tarde operado no Hospital de Portalegre, após ter sido vítima de um atropelamento esta manhã por uma máquina agrícola, mas segundo fonte médica está livre de perigo. Os exames realizados ao toureiro de Elvas confirmaram a fratura da bacia, como tinha avançado o DN, mas apuraram ainda a fratura de uma perna e de um pé. O cavaleiro sofreu ainda uma rotura na bexiga.
Foi o próprio diretor clínico do hospital portalegrense, Jorge Gomes, que admitiu ao início da tarde que o estado de Joaquim Bastinhas é "grave", em face das várias fraturas, embora o toureiro se encontrasse "estável", mantendo-se sempre consciente. Segundo previsão dos clínicos avançada aos familiares que aguardam no hospital, a cirurgia e terá estado a decorrer dentro de um quadro considerado "positivo" pelos médicos.
Joaquim Bastinhas foi atropelado esta manhã, pelas 08:00, por uma máquina agrícola, na herdade das Algramassas, propriedade do cavaleiro tauromáquico (próxima da Ajuda) em Elvas. Bastinhas foi conduzido ao hospital da cidade, tendo depois sido transferido para a unidade de saúde de Portalegre a fim de ser sujeito a várias exames médicos para serem apuradas as extensões das lesões.
De acordo com os bombeiros que socorreram Joaquim Bastinhas, de 59 anos, a vítima estaria a falar ao telemóvel quando foi abalroado por uma máquina telescópica que fazia marcha atrás. Nem o operador da viatura se apercebeu da presença de Joaquim Bastinhas na traseira do veículo, nem o cavaleiro viu a máquina avançar na sua direção. Bastinhas não exibia ferimentos visíveis, mas queixava-se de violentas dores na zona lombar.
O filho, Marcos Bastinhas (também cavaleiro) foi, para já, o único elemento da família a prestar declarações públicas sobre o acidente. Recorreu à sua página no Facebook para confirmar que o pai sofreu um acidente com uma máquina agrícola e que logo no hospital de Elvas os médicos terão verificado que "apesar do susto", o cavaleiro "está bem, dentro dos possíveis". Escreveu ainda Marcos que o pai seria encaminhado para Portalegre, a fim de realizar um exame específico (urologia), que não está disponível no hospital de Elvas.

Verdes à espera da "vindima do século"


ANA PEIXOTO FERNANDES | Hoje às 00:40
"A uva está perfeita. Agora a esperança está no tempo. É uma agonia. Estamos sempre a olhar para o céu".
 

A poucos dias do início da colheita das uvas, o enólogo e produtor de vinho Anselmo Mendes anda numa angústia permanente com a mais pequena possibilidade de vir a chover. É que, se não houver chuva, antecipa: 2015 ficará para a história como "a vindima do século".

Na Região Demarcada dos Vinhos Verdes o arranque das vindimas foi assinalado, de forma simbólica, ontem em Arcos de Valdevez, na Estação Vitivinícola Amândio Galhano, com a presença do embaixador dos Estados Unidos, Robert Sherman (ver caixa). E, tal como Mendes, o presidente da Comissão de Viticultura, Manuel Pinheiro, também está animado com os níveis de produção: "Esperamos ter aproximadamente 75 milhões de litros, o que representa um aumento de 15% em relação a 2014. Mais no verde branco e um bocadinho menos no tinto. Esperamos também uma melhor qualidade. O clima ajudou muito. Vai ser um grande ano de vinho verde".

A partir de segunda-feira, grande parte das adegas começa a receber uva dos cerca de 22 mil produtores da Região Demarcada e, segundo Manuel Pinheiro, é de prever que, na semana seguinte, todas estejam em atividade "até ao final de setembro".

Na Adega Cooperativa Regional de Monção, líder das cooperativas no território dos verdes, com uma produção anual de 5,5 milhões de garrafas/ano, a receção da colheita dos seus mais de 1600 cooperantes começará dia 11.

"Se não vier uma chuvada, vai ser um ano fantástico. Esperamos uma colheita de ótima qualidade. As maturações correram muito bem. Do ponto de vista de quantidades, esperamos ter um aumento da ordem dos 25% nos brancos. Os tintos estão mais fracos, vão manter os níveis de produção", preconiza Armando Fontainhas, presidente da adega.

"As nossas empresas são a céu aberto. Se chover durante a vindima, não vai ser tão bom. Mas com as condições que temos, digo que este vai ser um ano excelente para todo o país, seja no Norte, no Douro, Alentejo ou Lisboa. Dentro destes 15 anos que temos de vindimas, este há de ser o melhor", afirma Anselmo Mendes, prevendo, que para o Alvarinho "será mesmo o melhor".