terça-feira, 25 de novembro de 2014

Aumento do limite comunitário de exportações de açúcar branco fora da quota

24-11-2014 
  
A Comissão Europeia decidiu aumentar para 1.350 mil toneladas do equivalente a açúcar branco, o limite quantitativo das exportações de açúcar fora da quota para a campanha de comercialização 2014/2015, Regulamento nº1248/2014.

De início, a Comissão calculou que a procura de mercado teria resposta sem o limite quantitativo das exportações de açúcar fora da quita, fixada em 650 mil toneladas equivalente a açúcar branco.

Contudo, segundo as estimativas mais recentes, espera-se que a produção de açúcar fora da quita alcance 6.200.000 toneladas. Tendo em conta que o limite máximo da Organização Mundial do Comércio (OMC) para as exportações na campanha de comercialização 2014/2015 não foram utilizados na sua totalidade, o limite quantitativo foi aumentado em 700 mil toneladas de forma a oferecer novas oportunidades comerciais aos produtos de açúcar da União Europeia.

Fonte: Agrodigital

José de Sousa 2011 considerado 3º melhor vinho do ano pela Wine Enthusiast



A prestigiada revista norte-americana Wine Enthusiast publicou, na edição de Dezembro, o TOP 100 dos melhores vinhos de 2014, distinguindo o José de Sousa 2011 como o 3º melhor vinho do ano, classificado com 93 pontos e considerando-o "Editor's Choice".

"É com enorme orgulho que vimos uma vez mais o nosso trabalho elogiado além-fronteiras, numa das principais publicações de vinhos a nível mundial. Estar em terceiro lugar no Top 100 da Wine Enthusiast é o reconhecimento do trabalho feito pela nossa equipa de enologia e um prémio muito importante não só para a empresa como para a região do Alentejo e também para os vinhos portugueses. É a forma ideal de terminarmos as comemorações do nosso 180º aniversário", refere António Soares Franco, Presidente da José Maria da Fonseca.

O José de Sousa proveniente da adega com o mesmo nome em Reguengos de Monsaraz tem a particularidade de ser produzido parcialmente em talhas de barro, técnica milenar de produção de vinho já utilizada pelos romanos. O vinho adquire características de aroma de sabor únicas.

A história desta adega remonta ao séc. XIX, onde os primeiros registos de produção de vinho datam de 1878, sendo uma das adegas mais antigas no Alentejo. A Casa Agrícola José de Sousa Rosado Fernandes foi adquirida pela empresa José Maria da Fonseca em 1986, tendo a partir dessa data a empresa feito importantes investimentos na vinha e na recuperação dos potes de barro, tão emblemáticos na produção deste vinho.

Hoje em dia, a adega José de Sousa é única na dimensão da utilização desta técnica de vinificação, possuindo 114 ânforas de barro para a produção dos vinhos José de Sousa, José de Sousa Mayor e J de José de Sousa. A recuperação desta arte de produção milenar tem tido efeitos muito positivos no mercado.

A Wine Enthusiast é uma prestigiada revista de vinhos norte-americana. Fundada em 1988 por Adam M. Strum, chega actualmente a 800,000 subscritores de todo o mundo.

Fonte:  JMF

Será que vamos finalmente ter autorização para utilizar as farinhas de carne?

Novembro 24
09:42
2014

Desde 2001 que o uso de proteína animal, vulgarmente chamado farinha de carne e osso, é proibida na incorporação em rações animais. Esta proibição veio no seguimento do surto de BSE nos bovinos, vulgarmente chamado de doença das vacas loucas.

As associações de produtores de porcos e aves, há mais de dez anos, vêem lutando para conseguir a reintrodução desse produto nas rações, que não só pode baixar o custo da proteína nas mesmas, como também valoriza os subprodutos de matadores.

Depois de muitas reticências políticas, a DG-SANCO resolveu avançar com o projecto, se bem que, devido a uma decisão do Parlamento, a utilização, a ser autorizada, tem de ser sempre cruzada, ou seja, a farinha de carne dos porcos utilizada pelas aves e vice-versa.

Neste momento, a DG-SANCO fez um ponto da situação e o estado em que estamos é o seguinte:

O Laboratório de Referência Europeu já desenvolveu um método para detecção da farinha de carne proveniente de suínos e vai propor a sua validação no primeiro trimestre de 2015, devendo estar concluída em Abril ou Maio de 2015.

A validação pelos 28 estados membros deve acontecer antes do Verão e a DG-SANCO deve avançar com uma proposta legislativa em Setembro ou Outubro de 2015.

Caso seja aprovada, a proposta será enviada ao Parlamento Europeu, que tem três meses para aprovar, seguindo-se a publicação no jornal oficial após mais ou menos seis meses, pelo que a autorização deve chegar no Verão de 2016.

No caso das farinhas de carne de frango, o laboratório ainda não conseguiu desenvolver um método expedito de detecção, pelo que o processo continua em stand by.

A Comissão decidiu claramente avançar com as farinhas derivadas de porcos, pelo que, neste momento, temos só o período burocrático, que, na nossa Europa, é de dois anos, como atrás descrevemos.

A Comissão também pediu um parecer científico à EFSA sobre a possibilidade do uso de farinha de insectos nas rações e, caso o parecer seja favorável, pensa avançar com uma proposta legislativa para permitir o uso da farinha de insectos nas rações.

Cresce a pressão em Bruxelas para impedir práticas comerciais desleais

Novembro 24
09:42
2014

Cresce o movimento em Bruxelas contra as práticas comerciais desleais das grandes superfícies, com exigências à Comissão de que tome medidas concretas, para evitar abuso de poder dominante.

Num estudo publicado por várias ONG's, intitulado ""Who's got the power: Tackling imbalances in agricultural supply chains", exige-se à Comissão que tome medidas concretas para combater este problema e a criação de um organismo europeu para diminuir os diferendos existentes. Neste estudo, é dado destaque à posição dominante de algumas grandes cadeias de distribuição, que provocam uma diminuição do rendimento dos produtores e, também, às condições de trabalho que impõem aos seus funcionários.

Neste campo, o COPA-COGECA tem vindo a insistir que a Comissão tem de publicar legislação para acabar com estas práticas desleais, não chegando cartas de boas intenções.

O pacto voluntário, que foi assinado em Setembro de 2013, acabou por não ter qualquer resultado prático.

Agroportal cessa a actividade


Após 15 anos de actividade ininterrupta, o Agroportal vai cessar a actividade no fim do corrente mês, ou seja, deixa de ser actualizado, mantendo-se os conteúdos existentes à data disponíveis "on line" até meados de Fevereiro de 2015.

Esta decisão, tomada após longa ponderação, prende-se com o facto de terem deixado de estar reunidas as condições mínimas para assegurar a continuidade do Agroportal com uma qualidade aceitável.

Recorde-se que o Agroportal foi criado como projecto privado, pessoal, não tendo beneficiado de qualquer apoio ou financiamento público.

Estamos seguros de ter cumprido largamente os objectivos a que nos propusemos quando, em 1999, apresentámos o projecto.

Por fim, queremos agradecer publicamente toda a colaboração que nos foi prestada ao longo dos anos por diversas personalidades, de forma graciosa, o que muito contribuiu para o prestígio que o Agroportal atingiu.

O Editor,
Carlos Mattamouros Resende

Publicado em 25/11/2014

Oportunidades e oportunismos

Carlos Neves

Ao falarmos de crise, é costume lembrar uma citação de Jonh Kennedy segundo a qual "a palavra crise, em chinês, é composta por dois caracteres: um significa perigo e o outro oportunidade". Nós últimos anos, o fim das quotas leiteiras foi apresentado aos produtores europeus como uma oportunidade face à procura de leite no mercado internacional. As quotas ainda não acabaram, mas efetivamente indústrias e produtores de alguns países do norte da Europa aproveitaram essa oportunidade nos últimos anos: produziram, exportaram e ganharam dinheiro, com preços do leite acima dos 40 cêntimos. Aqui no Sul, mais concretamente na Península Ibérica, apesar da nossa vizinha Espanha ser deficitária na produção face ao consumo e Portugal estar equilibrado, os oportunismos de importação superam as oportunidades de exportação.

Com efeito, estamos há 4 anos com preço do leite ao produtor abaixo da média comunitária. Em Julho passado, a diferença foi de 4 cêntimos. Agora o preço recuperou um cêntimo em Portugal e começou a cair na europa, em consequência do embargo russo, mas mesmo assim a evolução é diferente consoante o país. Na Holanda o preço caiu 5 cêntimos, de 43 para 38; A Holanda é um país fortemente exportador, logo dependente do mercado externo internacional que está em queda neste ano, mesmo assim as cooperativas holandesas conseguem pagar melhor aos produtores que as indústrias espanholas e portuguesas. Na Holanda, Dinamarca e Irlanda, 90% do leite é recolhido por cooperativas enquanto na Espanha essa recolha é de apenas 30%; Mas se em Portugal essa percentagem passa a 70%, porque não conseguimos em Portugal preço melhor que Espanha?

Na Espanha e, pontualmente, também em Portugal, começam a surgir sinais preocupantes para os próximos meses, com ameaças de abandono de recolha por parte de alguns compradores que até há pouco tempo prometiam mundos e fundos. Em alguns casos desconheço a justificação, noutras situações a justificação é absurda, caso do "Leite Rio" que ameaçou parar a recolha por causa do alto teor de lactose (?) ou da ultrapassagem da quota. Terão essas empresas previsão de quebra de vendas ou (mais provável) garantia de poder comprar leite importado a baixo preço, vindo direta ou indiretamente da Europa de Leste? Com a Rússia fechada, diz-se que a Polónia exporta para Alemanha, esta para França que injeta leite para Espanha e influencia Portugal. Resta saber se essas ameaças se concretizam ou são apenas truques para pressionar a revisão do preço em baixa aos produtores. Tudo o que disse para a indústria é válido para os grandes oportunismos da grande distribuição.

É nestes momentos de crise que poderemos ver a diferença entre os industriais oportunistas que abandonam os produtores na primeira oportunidade ou as empresas sólidas, com visão e com valores que assumem uma parceria responsável de partilha de lucro nas fases boas e partilha de esforço nos tempos difíceis.

Esta crise pode / deve ser também uma oportunidade para as cooperativas, Uniões de Cooperativas ou empresas detidas por cooperativas mostrarem que são diferentes. Por princípio, as cooperativas asseguram o escoamento de toda a produção dos associados, resta saber se conseguem pagar um preço que compense o custo de produção.

Esta é também uma oportunidade para reforçar o papel da rotulagem da origem dos produtos agrícolas. Em circunstâncias iguais ou aproximadas, os consumidores preferem produtos nacionais, porque sabem que o valor pago ficará na economia do país. Num inquérito recente no Reino Unido os consumidores mostraram-se dispostos a pagar um pouco mais pelo leite se tivessem a garantia que esse suplemento chegaria ao produtor.

Poderá ser necessário, como já foi no passado, apelar aos consumidores e denunciar os abusos da distribuição, mas isso apenas será possível com uma boa mobilização dos produtores e para que os produtores estejam disponíveis para serem mobilizados, é necessário que as cooperativas e empresas associadas sejam geridas de forma transparente e democrática, sem salários desproporcionados. Poderemos vencer as crises do fim das quotas se aproveitarmos as oportunidades e enfrentarmos os oportunismos.

Carlos Neves

PS – Aproveito esta oportunidade para agradecer publicamente ao Agroportal o espaço que me permitiu, ao longo dos últimos anos, partilhar a minha opinião com o mundo agrícola português, de forma livre, sem qualquer tipo de censura, condicionamento ou favor, bem como divulgar todos os comunicados das organizações agrícolas em que estive envolvido. Foi um serviço público que valorizou a agricultura e Portugal.

Publicado em 24/11/2014

Foco de brucelose em Baião deixa pelo menos 13 pessoas doentes


ANTÓNIO ORLANDO E DORA MOTA | 24.11.2014 - 14:43 , atualizado 24.11.2014 - 17:14
Há pelo menos 13 pessoas doentes com brucelose, em Baião, e quatro delas foram internadas nos dois hospitais centrais do Porto - o Santo António e o S. João. A infeção teve origem no consumo de queijo produzido de forma artesanal num local não autorizado.
 

IMPRIMIR(22) ENVIAR(3)(14379)
Os primeiros casos foram identificados em agosto, segundo soube o JN, tendo pelo menos treze pessoas manifestado sintomas de brucelose. O caso mais recente foi diagnosticado este mês.

LEIA TAMBÉM
Autoridade de Saúde diz que origem de brucelose em Baião está controlada
De acordo com a Administração Regional de Saúde do Norte, há 13 casos confirmados e, desses, quatro pessoas internadas no Porto. O JN apurou, contudo, que haverá pelo menos mais uma pessoa internada com sintomas no Hospital de Amarante.

A Administração Regional de Saúde do Norte anunciou que os quatro doentes internados em hospitais do Porto com sintomas de brucelose apresentam uma evolução clínica favorável.

A doença tem origem na bactéria brucella, que é transmissível ao ser humano através do consumo de produtos de origem animal contaminados.

Cogumelos cultivados, um negócio em expansão


     
Sónia Balasteiro Sónia Balasteiro | 24/11/2014 19:45:52 857 Visitas   
O senhor António regressa a casa, após descobrir um 'frade' no campo. «Assado é muito bom», garante
Fotos de: José Sérgio
Cogumelos cultivados, um negócio em expansão
Todos os anos, Albano Carvalhinho abdica das férias da fábrica de águas onde trabalha para colher cogumelos. É assim desde "há muito", conta o apanhador de boletos (boletus edulis, segundo a classificação de Lineu) e de míscaros amarelos (os tricholoma equestre), as duas espécies que abundam no pinhal contíguo a Manteigas, em plena Serra da Estrela.

Em França e Itália existem os cães trufeiros, especialmente treinados para encontrar as famosas e raras trufas. São tão raras que um quilo chega a render 10 mil euros
Entre Setembro e Novembro, época alta para apanhar estes 'fungos' que gostam da humidade do Outono na serra, Albano, homem rústico e alegre, sai de casa antes do amanhecer, pelas 6h da matina e regressa já a noite vai adiantada, "às vezes à meia-noite". 

Vale a pena: "Em anos bons", conta o apanhador de 37 primaveras a sorrir, chega a "fazer 400 euros por dia com os míscaros amarelos". E não são os mais rentáveis: "Se forem boletos, posso chegar aos 700 [euros]". Mas esses são dias excepcionais. E este ano houve muitos cogumelos nos u campos, por isso, os preços pagos aos produtores são mais baixos.

Não é, portanto, de estranhar que o 'tartulho', nome por que também é conhecido o boletus edulis na Estrela, seja a espécie que o apanhador prefere, embora também apanhe 'sanchas' (lactarius deliciosus) para vender. 

No mercado dos cogumelos silvestres, o boleto é a espécie dos solos portugueses mais apreciada – e também a mais cara.

Duarte Marques, da Profungi – Associação Portuguesa de Produtores e Recolectores de Cogumelos, dá conta de vários preços. No Norte, conta, esta espécie atinge em média os 10 euros o quilo ao produtor, mas pode chegar aos 15 no centro do país. A disparidade de valores deve-se, explica o responsável ao SOL, ao facto de este ainda ser um mercado desregulado em Portugal, onde existe toda uma economia paralela. Lá iremos.

Albano Carvalhinho que acaba de trazer cerca de 30 quilos de cogumelos ao Míscaros, o Festival do Cogumelo que há seis anos leva turistas a Alcaide para conhecer uma das mais antigas tradições desta pequena aldeia beirã no concelho do Fundão, é um dos milhares de pessoas que, nas aldeias do interior de Portugal, se dedicam sazonalmente à apanha de cogumelos silvestres para vender. Este é sempre um trabalho temporário e incerto, dependendo do clima, explica Duarte Marques, por isso, a apanha serve sempre de "complemento ao rendimento".



(Albano Carvalhinho mostra um dos míscaros amarelos que trouxe para o festival)

Cogumelos certificados

A comercialização dos cogumelos é, depois, assegurada por intermediários que, na maioria das vezes, entregam estes frutos em mercados espanhóis ou em empresas de transformação, que os congelam e expedem para a indústria e para os mercados de França e de Itália, sobretudo, continua o responsável, estimando que cada intermediário tenha "entre 20 a 50 apanhadores".

Paulo da Fonseca, um dos financiadores do festival de Alcaide, onde marca presença anual, é um dos poucos comercializadores de cogumelos silvestres em Portugal (não haverá mais de três ou quatro, segundo a Profungi) que também os transforma. 

Na Naturafunghi, a sua empresa sedeada em Vila do Touro, no Sabugal, vende cogumelos frescos, secos e congelados, além de subprodutos deste fruto, como azeites, compotas e patés. Tem, conta, "dezenas de apanhadores, de norte a sul do país" a quem compra cogumelos. "Há-os todo o ano, dependendo da zona e das condições climatéricas", refere o empresário, explicando que chega a comprar 400 toneladas de cogumelos num ano, para expedir depois para o mercado interno, mas sobretudo para grossistas em Espanha, França e Itália. "Para o mercado interno, será aí uma tonelada. Ainda se comem poucos cogumelos silvestres no país". 

Homem bem-disposto e de gargalhada fácil, explica que decidiu investir "a sério" neste negócio, ao qual já se dedicava "de forma intermitente" antes, "há cerca de quatro anos". 

E nada é deixado ao acaso na Naturafunghi. "Depois da triagem dos cogumelos que os apanhadores me entregam, mando-os para um laboratório em Castelo Branco para análise", explica. Todos os seus produtos são certificados.
A Naturafunghi é uma excepção, nota o responsável da associação do sector, Duarte Marques. "A falta de controlo sobre o comércio de cogumelos silvestres é um dos problemas com que os produtores se deparam", diz o responsável – a Profungi foi criada, precisamente, para orgnizar toda a fileira.



(O Cãogumelo é o primeiro dos passeios do Míscaro - Festival do Cogumelo de Alcaide )

Uma troca perfeita

A necessidade de regulamentar a apanha e comercialização de cogumelos vai muito para além de uma uma questão económica. 

Num país em que dezenas de milhares de pessoas dos meios rurais apanha cogumelos no campo, sobretudo na floresta, uma vez que os fungos que 'dão' os cogumelos estabelecem muitas vezes uma relação de troca com determinadas árvores, como pinheiros, carvalhos, castanheiros, sobreiros e azinheiras, "manter o equilíbrio dos ecossistemas a que estão associados é fundamental", alerta José Matos, apaixonado por cogumelos, que serve de guia a dois dos passeios micológicos do primeiro dia do Míscaros. 

O primeiro, o Cãogumelo, que serve para ensinar os cães e seus donos a distinguir as diferentes espécies silvestres – em França e Itália, por exemplo, existem os cães trufeiros, treinados especialmente para encontrarem as valiosas trufas que podem atingir dez mil euros por quilo no mercado –, percorre um caminho no pinhal da Serra da Gardunha conhecido pelas gentes de Alcaide, que "quase diariamente" vão apanhar cogumelos, sobretudo míscaros amarelos, a espécie típica de Alcaide. Não para vender, mas para consumo próprio. 

Um objectivo que, sublinha o especialista que começou a estudar a biodiversidade dos fungos da zona há cerca de dez anos, quando reparou na multiplicidade de cogumelos que existiam na sua quinta requer saber. "Saber e muita, muita experiência de campo para conseguir distinguir uma espécie de cogumelo comestível de outra  que pode ser muito parecida e perigosa para a saúde". 

Durante o passeio no pinhal, onde a Natureza adoptou tons dourados por estes dias, repetem-se os exemplos da diversidade desta espécie que teve direito a um reino próprio, por ter características que a diferenciavam dos outros seres vivos, como os seres do reino animal ou do vegetal – o reino dos fungos. 

Ainda antes de entrar no pinhal, o senhor Zé, como é conhecido por aqui, detecta um trametis, uma das espécies mais comuns do mundo (e que não é comestível). "Antigamente, era utilizado para decorar os chapéus das senhoras", conta o guia. Ao longo do passeio, muitas outras espécies darão conta da diversidade micológica da Gardunha, serra em que, aponta o senhor Zé, "estão identificadas 400 espécies de cogumelos diferentes": logo a seguir, vê-se o hypholoma capnoides, que está sempre em grupo; a rússula atropurpurea, que assume tonalidades entre o vermelho e o negro e que pode ser tóxica; e, finalmente, imerso sob a ramagem que despiu os pinheiros, o primeiro cogumelo comestível, a amanita caesarea, assim chamada porque no tempo dos romanos era servida aos césares.

Segue-se o boletus colossus, gigante, como o próprio nome indica. José Matos aproveita para falar do vazio legal na protecção dos cogumelos em Portugal: "Em França e em Itália, a população de boletus colossus diminuiu e as autoridades proibiram a apanha. Cá ninguém sabe quantos há ou quantos são apanhados, porque ninguém controla a informação", lamenta o especialista. É por isso, acrescenta, que defende que "todos os apanhadores tenham uma licença". 

Há, afinal, cuidados a respeitar, como o transporte dos cogumelos em cestos ao invés de sacos de plástico, que impedem que os poros caiam e semeiem novos cogumelos, e a utilização de um canivete francês com o pincel de javali, para 'limpar' o cogumelo. E é necessário deixar por colher os cogumelos que não são comestíveis: "Bons ou maus, fazem falta à floresta", avisa o senhor Zé já durante o regresso a Alcaide, onde fará um show cooking de cogumelos.

Uma surpresa e uma história 

Alcaide não é a única aldeia da zona onde se comem cogumelos há décadas. A meia-dúzia de quilómetros, António Primo mantém a surpresa pelo tamanho do míscaro que encontrou no seu terreno no lugar de Chão da Cruz. "Ainda não tinha visto nenhum tão grande este ano", conta o homem, acabado de chegar do campo e visivelmente feliz pela descoberta. "Isto assado é muito bom, vou levá-lo para a minha netinha". Em Fatela, conta o octogenário, as gentes comem míscaros "desde sempre". Por isso, tem o saber de gerações que os especialistas começaram recentemente a validar: "Corto os cogumelos com a navalha, para deixar lá a semente".



(O 1.º  exportador de cogumelos, Albano Nunes)

Noutra serra próxima, a de Penha Garcia, mais precisamente em Aranhas (Penamacor), a época alta dos cogumelos "já terminou", avisa logo Albano Nunes, dono de um comércio de aldeia que é café e supermercado. E ele sabe-o bem: é a pessoa que compra os cogumelos aos apanhadores para os vender para Espanha. "Fui a primeira pessoa a comprar em Portugal, já lá vão 29 anos", afiança o sexagenário. Chegou a estar preso no Sabugal "por contrabando" destes fungos, que deixava perto do 'rio', nome por que é conhecida a fronteira com Espanha por aqui, "para os espanhóis virem buscar". Hoje já não são necessários tais cuidados. Para comprar o míscaro vermelho, próprio destas terras, Albano Nunes só tem de definir o preço em função da qualidade e da quantidade da oferta. "Este ano, os bons já acabaram", lamenta. Por causa da mosca que os atacou, pagou apenas 1,5 euros o quilo, expedindo-os para os mercados espanhóis no próprio dia. "Carregam-se os camiões pelas 19h e seguem directamente para Madrid". Onde os cogumelos 'cozinhados pela Natureza' se transformam em requintados pratos europeus. 

Em Alcaide, esse requinte faz parte do saber gastronómico há décadas, repara a dona Ermelinda, dona de um restaurante na aldeia. 


segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Só os moradores podem matar javalis que destruam agricultura na Arrábida

por Roberto DoresHoje2 comentários

Javalis atravessam a estrada na Arrábida
A autorização para poder matar javalis a tiro na Arrábida até consta de um processo simples. Mas é exclusivo a moradores.
O processo para poder abater legalmente javalis que andam à solta na zona da Arrábida é até relativamente simples. Basta ter licença de caçador e ser dono de uma parcela de terreno agrícola, que possa estar ameaçada pela praga de suínos que há três anos prolifera na serra.
Nestas circunstâncias, o Instituto de Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF) emite credenciais a autorizar o abate dos animais, como revelou hoje aquele organismo ao DN. Mas o Clube da Arrábida (CA), formado por moradores, coloca reservas na exceção introduzida há cerca de um ano, justificando que "é perigosa", porque alguma pessoa pode ser atingida.
Recorde-se que a Federação Nacional da Caça (Fencaça) se ofereceu para colocar caçadores na Arrábida, promovendo frequentes montarias que permitissem controlar a espécie - há exemplares que se passeiam regularmente por zonas frequentadas por pessoas - mas o ICNF não permite. Alega que a caça é uma "atividade interdita" em grande parte da área do Parque Natural, pelo que só os proprietários rurais e florestais da encosta norte da serra têm acesso às licenças que permitem "corrigir o excesso de densidade de javali", diz fonte oficial do ICNF, reconhecendo o aumento desta espécie na serra, causadora de "danos nas produções agrícolas".
A mesma fonte avança ainda que em zonas mais naturais da serra, onde existem espécies de flora prioritárias para a conservação, já estão a ser detetados problemas idênticos de destruição destes "importantes habitats", alertando que uma zona crítica em termos de presença de javalis está situada na zona do Portinho da Arrábida, Creiro e Alportuche. É uma franja da serra onde existem caixotes do lixo, pelo que os animais procuram por ali alimento.
Mas Pedro Vieira, presidente do CA e caçador há mais de 30 anos, alerta para o perigo que pode encerrar a caça ao javali feita por moradores com pouca experiência, uma vez que "dia e noite, há sempre pessoas a percorrer a serra por várias razões". E afirma ter contactado o parque há um ano sobre o assunto. "Eles mostraram-se favoráveis a emitir as licenças para desbaste da espécie, mas sempre achámos que são necessários outros meios", insiste, justificando que perante um "terreno tão atípico por ser muito fechado" é necessária a conjugação de vários agentes, como GNR, SEPNA, guardas do próprio parque natural e uma associação de caçadores que saiba organizar montarias. "Eu, por exemplo, não aceitei a credencial", assume o dirigente e morador em Alportuche.

Reguengos de Monsaraz escolhida para Cidade Europeia do Vinho 2015


LUSA24 de Novembro de 2014, às 17:29
Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, foi hoje escolhida como Cidade Europeia do Vinho para 2015, pela Rede Europeia das Cidades do Vinho (RECEVIN), revelou o município alentejano.
Fonte da Câmara de Reguengos de Monsaraz disse à agência Lusa que a decisão foi tomada pelo júri reunido na assembleia-geral da RECEVIN, realizada hoje em Jerez de La Frontera (Espanha).

Além de Reguengos de Monsaraz, existiam, este ano, outras duas candidaturas portuguesas a esta distinção: uma da Bairrada, envolvendo os municípios de Cantanhede, Anadia, Mealhada, Águeda e Oliveira do Bairro, e outra das câmaras de Monção e Melgaço.

Autoridade de Saúde diz que origem de brucelose em Baião está controlada


LUSA24 de Novembro de 2014, às 19:36
A Autoridade Local de Saúde de Baião disse hoje à Lusa estar "identificada e controlada" a origem dos 13 casos de brucelose detetados naquele concelho do distrito do Porto.
"Está identificado e todas as entidades com responsabilidade na área de saúde animal estão a tratar do caso. Está tudo controlado", afirmou Gabriela Saldanha, confirmando que a infeção foi provocada pela ingestão de queijo fresco produzido de forma artesanal.

Segundo a autoridade de saúde, o queijo foi vendido, porta a porta, por um particular, entre maio e julho.

ICNF investiga projecto de agricultura intensiva na Rede Natura 2000

CARLOS DIAS 24/11/2014 - 10:05

Empresa quer instalar 560 hectares de hortícolas em paisagem protegida e já desmatou uma vasta área. Instituto da Conservação da Natureza levantou auto de notícia e exige avaliação de impacte ambiental.

 
No extenso terreno desmatado, destaca-se apenas a maquinaria usada para fazer os furos de água BRUNO SIMÕES CASTANHEIRA
 
A Cropinvest – Agrícola Lda, empresa sediada em Almeirim, destruiu o coberto vegetal, através de gradagem do solo, numa área superior a 500 hectares que tomou por arrendamento na herdade de Monte Novo do Sul. A propriedade tem uma superfície total de 1.070 hectares, que está afecta à Rede Natura 2000 e se situa no concelho de Alcácer do Sal.

A desmatação afectou espécies vegetais consideradas prioritárias pela Directiva Habitats, documento aprovada pela União Europeia em 1992, para salvaguardar a preservação dos habitats naturais, da fauna e flora selvagens. Na herdade de Monte Novo do Sul estão identificadas entre outras espécies consideradas prioritárias da flora natural, a Armeria rouyana, um endemismo português, e o Thymus capitatus, uma variedade de tomilho selvagem.  

O Instituto de Conservação da Natureza e Floresta (ICNF) confirmou ao PÚBLICO a situação descrita, frisando que tomou conhecimento dos factos "no decurso de uma acção de vistoria técnica" efectuada no início de Novembro. A intervenção da Cropinvest, acrescentou o ICNF, determinou o levantamento de um "auto de notícia".

O ICNF explica que a empresa de Almeirim pretende instalar um "projecto agrícola para uma área de cerca de 560 hectares" e que o respectivo processo já "deu entrada" no ICNF através da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Entretanto, esta última entidade "já licenciou a abertura de furos" na herdade de Monte Novo do Sul para posterior captação de água com vista ao regadio de hortícolas. 

Os furos já estão a ser abertos e numa extensão a perder de vista, da qual desapareceu toda a vegetação, deixando exposto o solo arenoso, destaca-se a maquinaria usada na abertura dos furos.

Contudo, na análise efectuada pelo ICNF ao projecto apresentado pela Cropinvest confirmou-se a "obrigatoriedade" de Avaliação de Impacte Ambiental da exploração, no termo da qual será tomada uma decisão sobre a viabilidade ou não da actividade agrícola prevista para o local.

Tiago Evaristo, gestor da Cropinvest, diz que o arrendamento da herdade em Alcácer do Sal se deve à "falta de terrenos no Ribatejo, onde todo o espaço agrícola é muito procurado e está muito retalhado". Acresce ainda, afirma, que o litoral alentejano "não é afectado por grandes geadas e as ribeiras no concelho de Alcácer do Sal têm água em abundância".

"Temos dois meses para apurar as potencialidades da reserva de água subterrânea e apurar a aptidão agrícola da área" adianta Tiago Evaristo, frisando que se "houver água com abundância" irá apresentar um projecto para culturas regadas para cerca de 500 hectares.  

Problemas também na Comporta
A experiência que a empresa de Almeirim pretende iniciar em Alcácer do Sal surge na sequência das que já foram concretizadas na Herdade da Comporta, naquele concelho, por uma empresa integrada na Rioforte, a holding do Grupo Espírito Santo que gere os activos não financeiros do grupo. 

Em 2013, a empresa anunciou um investimento de quase 15 milhões de euros, que seria efectuado até 2016 e visava a instalação de 1000 hectares de hortícolas, o aumento da área de plantação de arroz e a reflorestação de extensas áreas na Herdade da Comporta.

O Relatório de Actividades da Rioforte de 2013, refere que a Herdade da Comporta já tem cerca de 500 hectares preenchidos com hortícolas, milho e relva, frisando que o projecto baseado em culturas regadas está a desenvolver-se em "terras improdutivas e abandonadas". 

O objectivo principal deste plano de expansão, lê-se no relatório da Rioforte, passa pela exploração directa, mas também por arrendamento de parcelas onde serão introduzidas novas culturas, batata, cenoura, brócolo, batata-doce, saladas, amendoim, pimento, milho e outras, destinadas à exportação.

O PÚBLICO apurou que já foram accionados, quatro "autos de notícia", por irregularidades cometidas na Herdade da Comporta, com a instalação de culturas hortícolas e de pivots de rega em paisagem protegida. O INCF não respondeu às perguntas que lhe foram dirigidas sobre as infracções detectadas. A Herdade da Comporta, Actividades Agro-silvícolas e Turísticas, S.A. a empresa que gere a herdade,também  não respondeu às perguntas feitas.

Dário Cardador, delegado da Quercus no Litoral Alentejano, questiona as opções agrícolas que "passam pela destruição de áreas afectas à Rede Natura 2000", garantindo que a lei "está a ser violada". O dirigente ambientalista adianta que os pivots de rega existentes nestas áreas da Herdade da Comporta "foram instalados sem autorização ou licenciamento".

Campanha de Cortiça 2014

COMUNICADO DE CAMPANHA

Concluída a campanha de extração da cortiça de 2014, vem a FILCORK- Associação Interprofissional da Fileira da Cortiça, informar os operadores económicos dos resultados obtidos e principais conclusões com relevo para os mercados e agentes do sector:

Pelo segundo ano consecutivo, as condições climáticas de 2014 registaram fortes e rolongados ciclos de pluviosidade o que gerou alguma irregularidade da campanha de extração e, em algumas regiões do país, algum atraso no arranque e finalização da campanha.

Os fenómenos ocorridos não afetaram a disponibilidade global de cortiça, tendo resultado em deslocações pontuais da oferta e regularização dos stocks industriais de certos tipos de cortiça.

A cortiça disponível para venda foi extraída quase na totalidade, tendo atingido um valor estimado de 75.000 toneladas (5M arrobas).

Estima-se que a campanha entre Portugal e Espanha tenha atingido as 105 mil toneladas (7M arrobas).

A campanha de 2014 registou um aumento médio do preço da cortiça na ordem dos 10%.

Os preços de extração não revelaram alterações significativas relativamente a campanhas anteriores.

O furto de cortiças, sendo um fenómeno registado nos últimos anos, intensificou-se em 2014 e com registo em diversas regiões do país, sendo registado quer em cortiças empilhadas quer na própria árvore, situação que contribui para o aumento da insegurança nos espaços rurais.

À imagem dos últimos anos, o mercado do vinho apresenta uma tendência de crescimento, sustentado principalmente por países emergentes como é o caso da China e Brasil e por mercados como o norte- americano.

As novas aplicações de cortiça têm permitido potenciar a imagem desta matériaprima, natural, sustentável e suporte de ecossistemas de grande valia ambiental e paisagística. Igualmente, têm permitido ampliar o leque de produtos com que a indústria pode contar para diversificar os seus mercados.

A criação do CCSC – Centro de Competências do Sobreiro e da Cortiça, iniciativa que envolve, os agentes da Fileira da Cortiça e os agentes do sistema científico e tecnológico nacional e o Ministério da Agricultura e do Mar, é um marco importante para a fileira e pode assumir um papel fundamental na definição e na implementação de uma agenda de prioridades de I&D para o sobreiro e a cortiça.

A fileira mantém elevados padrões de exigência qualitativa, como resposta a um mercado marcadamente concorrencial e exigente, como é o mercado da rolha natural.

A extração de cortiça na campanha de 2014 permitiu assegurar as necessidades da indústria, face à procura de mercado e aos stocks existentes.

A fileira continua a apostar no investimento na gestão, na inovação e na promoção da qualidade, com reflexos no produto final e na posição que detém nos mercados.

Fonte:  apcor

Chocolate proveniente de Espanha preocupa empresas portuguesas

Produtos são vendidos a preços mais baixos

Chocolate espanhol é vendido a preços mais baixos.
Carlos Manuel Martins/GI
23/11/2014 | 15:21 |  Dinheiro Vivo
As empresas de chocolate estão preocupadas com a concorrência dos produtos provenientes de Espanha e que são vendidos em Portugal a preços mais baixos, indicou o secretário-geral da ACHOC, associação do setor, em entrevista à Lusa.
"O que prejudica hoje em dia os operadores que estão no mercado português é que há uma natural tendência para alguns pequenos distribuidores irem nos seus carros a Espanha e carregarem uma ou duas toneladas de chocolate para procurarem vender cá", referiu Manuel Barata Simões, que representa a ACHOC-Associação dos Industriais de Chocolates e Confeitaria.
De acordo com este responsável, na origem desta prática está a diferença na fiscalidade entre os dois países, uma vez que em Portugal o chocolate é taxado com IVA a 23%, quando em Espanha o mesmo imposto é de 10%.
A ACHOC acredita que os produtos de chocolate deveriam ser taxados com um IVA mais reduzido, pois assim pagam "a mesma taxa que os produtos de luxo", apesar de serem "um produto alimentar".
"Deveriam ser reduzidos para a escala intermédia, como acontece em Espanha", defendeu.
Por outro lado, atualmente o Estado não aufere de quaisquer receitas fiscais do chocolate proveniente do mercado espanhol, uma vez que "esses pequenos retalhos acabam por não incluir nada nas suas contabilidades", disse Manuel Barata Simões.

Quintas biológicas atraem estrangeiros aos Açores


Recebem alimentação e estadia em espaços rurais.
Cidadãos de todo o mundo, sobretudo da Europa e oriundos de grandes centros urbanos, estão a procurar os Açores para fazerem voluntariado em quintas de agricultura biológica, em troca de alimentação e estadia.


Trata-se de uma iniciativa da associação ambiental Gê Questa, da ilha Terceira, que se inspirou no WWOOF (World Wide Oportunities on Organic Farms), um programa global de intercâmbio ao abrigo do qual, em troca da prestação de serviços, em regime de voluntariado, os envolvidos são alimentados e alojados em espaços rurais e têm a oportunidade de aprender algo sobre estilos de vida biológica.


"Este atual projeto que a Gê Questa desenvolve, inspirado no WWOFF e na nossa edição anterior, teve de se adaptar à realidade que vivemos hoje em dia, ou seja, a falta de financiamento, o que fez com que este seja um projeto mais pequeno mas, simultaneamente, mais abrangente", disse à Lusa Dário Silva, da Gê Questa.

domingo, 23 de novembro de 2014

Paul Symington. O luso-britânico que fez o melhor vinho do mundo

ENTREVISTA

Paul Symington. Foto: Symington
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Portugal atingiu o olimpo vinícola, à boleia da revista mais consagrada do sector, a "Wine Spectator". O Douro tem o melhor e o terceiro melhor vinho do planeta. A Renascença falou com o líder da família Symington, Paul, que tornou isto possível. Um homem que gere um império no Douro com uma extensão de mais de mil campos de futebol em vinhas. 21-11-2014 19:36 por João Carlos Malta
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SAIBA MAIS
O melhor vinho do ano é português e vem do Douro
Bater italianos, franceses, chilenos, ou norte-americanos, autênticos craques quando a hora é de engarrafar néctares deliciosos em garrafas, não é para todos. Portugal conseguiu-o. Com estrondo e alguma surpresa. O topo da lista foi do Dow's de 2011, um Porto "vintage", e o terceiro lugar com um DOC (vinho de mesa com denominação de origem controlada). Ambos extraídos a partir das castas das 27 quintas de que os Symington detém no Douro. 

Em entrevista à Renascença, Paul Symington, que há dois anos foi considerado a personalidade mais relevante do sector dos vinhos, fala do passado, do presente e do futuro do Douro. Diz que este prémio vai levar a que Paris, Berlim e Nova Iorque olhem mais para os vinhos portugueses. Mas está preocupado com a sustentabilidade do negócio do Douro. 

Este homem com nome bem inglês, mas que nasceu na ribeirinha freguesia portuense de Massarelos há 67 anos, o seu irmão e três primos valem um quinto das vendas totais de vinho do Porto e controla uma empresa que factura mais de 80 milhões de euros. 

O Dow's de 2011 é o melhor vinho do mundo entre 18 mil em concurso, segundo a "Wine Spectator". Sente-se no topo do mundo? 
Sim. Sem dúvida foi uma enorme surpresa e um grande orgulho. Trabalho aqui com o meu irmão e três primos e dedicamos tudo ao Douro e ao Vinho do Porto durante o ano e é, obviamente, um momento de muita felicidade. E também é um grande orgulho para a região. 

Diria que este é o vosso melhor vinho de sempre? 
[risos] Isso é difícil de dizer porque o vinho está a iniciar uma longa viagem e só daqui a 20 anos é que posso dar uma resposta. Só nessa altura é que se pode afirmar que um grande "vintage" chegou ao nível do de 45 ou de um 63 [anos de produção]. São picos que aparecem de vez em quando na história do Douro e do Vinho do Porto. O meu primo Charles fez este vinho e só fizemos seis mil caixas – uma produção muitíssimo pequena. Correu tudo na perfeição em 2011 e achamos que temos um belo vinho. Quem me dera ter um pouco mais porque está tudo vendido. Com este prémio toda a gente o quer e nós não temos. Mas penso que há uma grande probabilidade de este Dow's 2011 chegar àqueles picos [de qualidade] que raramente aparecem, os de 70, de 63 e de 45, que são lendas no vinho. 

A procura para este Dow's já é muito superior aos pedidos. Quantas garrafas produziram? 
Foram 72 mil. Mas este vinho foi comercializado na Primavera do ano passado. E é tradição no Porto "vintage" oferecer o vinho antes de ele ser engarrafado, depois as encomendas vão chegando. Este vinho até Setembro de 2013 estava totalmente vendido. Não havia mais nas nossas caves. 

Já não têm mais para vender? 
Não, não temos. Apenas temos umas caixas para provas, para jantares, para termos na cave em Gaia. 

E quem queira comprar hoje em lojas o vinho premiado já não pode? 
As garrafeiras ficaram vazias até sábado à noite. O prémio foi anunciado às quatro da tarde na sexta-feira [dia 14 de Novembro] e tenho amigos de garrafeiras que me disseram: "Já não há nenhuma garrafa". Vendemos centenas de caixas em Portugal, o que é bom para nós. Quem comprou deve estar muito satisfeito e o valor que podem ganhar, se venderem, já duplicou em relação ao preço que pagaram. Isso é muito bom para nós. Da próxima vez que houver um "vintage", e isso só ocorre duas ou três vezes por década, vamos ser mais procurados por coleccionadores e compradores. 

Disse que o valor para os que compraram o vinho premiado já duplicou. Quanto valerá daqui a 20 anos? 
Vai subindo, já deve ter ultrapassado os 100 euros, mas daqui a uns anos, havendo só seis mil caixas, valerá 150 euros ou 200 euros. É assim quando há um grande vinho e pouca produção. Em Bordéus, com o Grand Chateau, é assim – e há lá vinhos que valem mil euros a garrafa. Na minha opinião é um pouco exagerado ou muito exagerado. 

Uma especialista norte-americana, no "LA Times", num artigo sobre o prémio que ganharam dizia: "Este ano não é um Bordeaux, um California Cabernet, um Spanish Rioja ou um Italian Barolo. Choque-se, é um vinho de Portugal – um Porto. Porto? Foi difícil encontrar entre os meus amigos quem o bebesse." Este relato é exemplificativo da imagem de desconhecimento que os vinhos portugueses ainda têm? 
É verdade que França é muito mais conhecida e que há regiões de Itália muito mais conhecidas do que as nossas, mas este é mais um passo de afirmação dos nossos vinhos no estrangeiro. Esta jornalista pode dizer isto, mas São Francisco ou Los Angeles são muito longe daqui. Eles têm vinhos do Chile, da Argentina ou da África do Sul. Temos de constantemente afirmar os nossos vinhos lá fora. E é precisamente por prémios desta natureza que vamos reforçando a nossa imagem no estrangeiro. 

Este contexto ainda dá ainda mais valor ao prémio? Os lóbis são fortes na entrega destes prémios? 
Acho que quem vai criando uma imagem de uma região de vinhos são os produtores. Toda a ajuda estatal é bem-vinda, mas nunca vi nenhuma região, nem da Nova Zelândia, nem da Espanha, nem de qualquer outra área, que tenha ganhado notoriedade por uma entidade estatal. Normalmente corre mal e é um desperdício de dinheiro. O que é importante é ter produtores em número suficiente e fazer coisas realmente boas. No Douro há agora pequenos, médios e grandes produtores a fazer coisas absolutamente excelentes e aquela gente está a meter-se nos aviões e viaja para Lisboa, Paris, Londres, Nova Iorque e é assim que vamos ganhando a imagem. As ajudas são sempre bem-vindas e poderíamos ainda fazer mais, agora o lóbi tem de ser nosso. Estes prémios não caem do céu. Temos de ir para fora contar a nossa história e mostrar a beleza do Douro. 

Dedicou quase uma vida inteira ao Vinho do Porto. Olhando para a região e para o que nela se produz e como ela se vende, estamos agora melhor do que há dez ou 15 anos? 
Houve uma revolução que começou nos anos de 1970, com o João Miguel de Almeida e o Miguel Corte Real. Começaram a inovar no trabalho na vinha, com a selecção de castas. Antes era tudo à moda antiga e essa nova forma de tratar a vinha foi-se espalhando. Agora temos vinhas plantadas nos anos de 1980 que hoje têm 30 anos, mas já com castas muito seleccionadas. A UTAD [Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro] teve um papel central neste trabalho de formação de pessoas em vitivinicultura e enologia e estamos a tirar proveito disso. Temos uma série de estudantes a trabalhar nas nossas adegas, o que é excelente para nós. Temos pessoas dedicadas e apaixonadas e que aqui ganham experiência. Tudo é muito mais profissional. 

Mas, quando se chega lá fora, a Paris ou a Berlim, e se fala com os compradores e importadores, nota esse maior reconhecimento? 
Há um respeito enorme para com esta geração de produtores em Portugal. Muitos dos nossos enólogos já fizeram vindimas na Nova Zelândia ou na África do Sul, mas há 20 anos não era assim. Estávamos um pouco perdidos e ficávamos para trás. Também vejo os jornalistas do nosso ramo a aparecer. Vêm cá e percebem que os portugueses têm pessoas de qualidade ao nível dos melhores do mundo. 


O Dow's 2011: o melhor vinho do mundo. Foto: Symington

Já ganharam outros prémios. Como é que eles se traduzem em aumentos de vendas? 
Há outras revistas, porém, a "Wine Spectator" é de longe a mais importante e a que mais influência tem no Japão, em Hong Kong, na América do Sul e na África do Sul. Portanto, a "Wine Spectator" premiar o Vinho do Porto e os Douro DOC é muito importante para a região. Eles não dão esta distinção por acaso e não vão escolher um vinho que aparece como um foguete, em que houve um ano espectacular, mas que teve outros anos não tão espectaculares. A equipa da "Wine Spectator" sabe que há coisas muito boas que estão a ser feitas no Douro: Vale Meão, Van Zeller, Crasto, Alves de Sousa. Há massa crítica no Douro, e esta revista diz agora ao mercado que deve olhar para o Douro com outros olhos. Não posso dizer que os ganhos sejam para a semana ou para o próximo mês, mas estamos a mostrar que, além de termos vinhos generosos, sabemos fazer vinhos DOC. 

No entanto, temos de reconhecer a verdade, um Douro quase não tem expressão nas cartas de vinhos dos melhores restaurantes em Paris. Isso também não acontece em Londres ou em Moscovo. Vão aparecendo aos poucos. Os clientes nesses países têm como primeira inclinação pedir um vinho de Bordéus. São excelentes e têm muita fama. Todavia, este prémio quer dizer que o Douro se vai afirmar progressivamente. Esses restaurantes terão de olhar para nós com mais atenção. 

Mas em termos de retorno financeiro... 
Espero que o preço médio das nossas garrafas e dos nossos concorrentes subam, mas quantificar é muito difícil. 

A divulgação dos nossos vinhos é bem feita fora de Portugal? Muitos produtores queixam-se de falta de coordenação… 
Há dificuldades porque Portugal é um país pequeno. França e a Itália são muito maiores. Têm muito poder e muita tradição. A nossa luta é maior, contudo, temos de utilizar o que nos faz diferentes, que são as nossas castas, o nosso "terroir". Temos de continuar esta luta. Não é fácil e às vezes há falta de coordenação. Todavia, não conto com o Estado para me ajudar e às vezes o Estado complica com impostos exagerados. Não devemos a queixarmo-nos de que ninguém nos ajuda. Somos nós que temos de nos levantar, viajar e contar histórias. O vinho tem de ser excelente, mas depois é preciso contar a nossa história em Berlim, em Londres e dizer coisas boas sobre a nossa região. No Douro, a sustentabilidade da lavoura em termos financeiros está muito má em geral e também para as empresas. Em mais de 30 anos já vi 'n' empresas a desaparecerem. Desapareceram porque há falta de rendimento para a lavoura e para as empresas. 

O negócio dos vinhos é actualmente um exclusivo de grandes empresas? Os pequenos produtores estão condenados a desaparecer depois de meia dúzia de anos de trabalho? 
Não, de maneira nenhuma. Nós somos grandes no Vinho do Porto, mas muito pequenos à escala mundial, e o Douro é feito por empresas pequenas, médias e grandes. Os grandes impulsionadores dos vinhos Douro DOC são empresas que há 20 anos nem existiam. Há marcas absolutamente excelentes Douro DOC com vendas muito pequenas e quintas muito pequenas. Mas, claro que há necessidade de modernizar a área vitivinícola do Douro, porém, não estou minimamente de acordo que este negócio seja só para os grandes. 

Faz sentido haver um mercado de vinhos tão espartilhado, com tantas marcas? Isso ajuda a vender a imagem lá fora? 
Acho que há muitas marcas devido a um efeito natural do mercado, mas obviamente que nem todas vão sobreviver. Há muitas empresas que se lançaram no mercado dos vinhos e depois perceberam que não era assim tão fácil. O mercado vai funcionar. Não tenho medo disso. 

Mas há uma moda que faz com que qualquer um que tenha um hectare queira fazer vinho? 
Existiu essa moda e se calhar ainda existe. Às vezes, é preciso um balde de água fria, mas é o mercado que manda. Entre os que vão aparecendo há também uns que são excelentes. E conseguem ultrapassar os desafios. É natural acontecer no nosso sector. 

A Symington consegue pagar aos seus quadros médios e altos ao mesmo nível das suas concorrentes internacionais? Não correm o risco de perder os vossos melhores valores por essa via? 
Para fora do país começa a ser um problema. Os impostos sobre os rendimentos dos nossos salários obviamente que começam a ser preocupantes. Tenho muitas pessoas a trabalharem comigo com muitas capacidades, que podem ir a qualquer momento para outros países da União Europeia, ou para o Brasil, ou para os Estados Unidos. Durante dois ou três anos, num período de emergência, as pessoas compreendem, mas isto não pode continuar a ser lema de vida, algo de permanente. Perdi uma pessoa excelente, um português de 29 anos, um tipo absolutamente brilhante, que foi para uma empresa inglesa de outro ramo de actividade, que tem uma carga fiscal muito mais favorável do que a nossa. Tenho medo de que, se isto continuar assim, os mais novos vão escolher outros países que não o nosso. Isso seria muito triste para Portugal. 

Há dois anos disse que o Vinho do Porto estava muito associado à formalidade, que não rejuvenesceu e que, por isso, era preciso pôr o Porto no dia-a-dia das pessoas. Houve algum avanço ou o Vinho do Porto corre o risco de ser cada vez mais um nicho incapaz de lutar contra as bebidas da moda como o gin e o vodka? 
Acho que o Vinho do Porto está a dar uma viragem bastante grande. No passado, o crescimento sustentado foi para os mercados belga, francês e holandês, os quais eram quase dois terços das vendas mundiais. Todavia, agora estamos a perder mercado porque somos "bebidos" como aperitivos e as pessoas estão a beber outros aperitivos. O Vinho do Porto está agora a ter sucesso não nessa área, mas sim nas categorias especiais: os 10, 20, 30, 40 anos, as reservas. As empresas estão a reconhecer que o futuro é não vender mais volume, mas menos e com margens melhores. Não podemos fazer um vinho barato no Douro. Aí é que está o nosso futuro. 

Mas as experiências que têm sido feitas com o Porto tónico são para esquecer? 
A geografia do Douro fala por si. Não podemos produzir um aperitivo barato. Um "cocktail" é feito de vinhos baratos. Há um grande perigo de ir atrás dos volumes. O rendimento da vinha é muito baixo. Antes havia mão-de-obra barata no Douro, mas isso era outro tempo e ninguém quer voltar aí. Era uma tragédia para a região. Temos de continuar a fazer bem o nosso trabalho e provar que é possível fazer bem dois grandes vinhos, o DOP e o do Vinho do Porto. A prova é que tivemos uma marca de cada um entre as melhores dez marcas do mundo. Havia quem não acreditasse. 

Referiu que não queriam voltar aos tempos em que se pagava mal à lavoura no Douro. Costuma queixar-se frequentemente de que é cada vez mais difícil contratar pessoas para as vindimas. Mantêm-se o problema ou com o aumento do desemprego resolveu-se? 
Continua a ser um problema. Nesta altura, estamos a fazer a poda e é preciso pessoal com formação. Depois, temos um período no Inverno com menos trabalho, mas na vindima precisamos de muita gente. É um trabalho muito sazonal. É por isso que é difícil fixar as pessoas na região. Outras regiões resolveram isto pela mecanização e nós não podemos fazer isso pela estrutura da vinha. Continua a ser um problema complicado, e vai ser cada vez mais. 

Mas isso tem que ver com a sazonalidade ou com o que é pago? 
O que é pago na vindima é bastante bom. É o preço do mercado, em que as pessoas vão oferecendo mais para tentar conseguir ter o número suficiente de pessoas. Esta última vindima foi complicada, a chuva foi aparecendo e tivemos de apanhar a uva com urgência. Muita gente que conheço não conseguiu apanhar toda a que queria. Este será cada vez mais o desafio para o Douro, conseguir fixar pessoas no Douro.

Entre a fome extrema e a obesidade, FAO e OMS dizem que "alguma coisa não está a correr bem”

JOÃO MANUEL ROCHA 19/11/2014 - 17:24
Quando importar alimentos produzidos industrialmente fica mais barato do que cultivar localmente, "alguma coisa não está a correr bem", disse a directora-geral da Organização Mundial de Saúde.

 
Os números da fome diminuiram 21% desde 1992 BARRY MALONE/REUTERS
 
 Uma em cada nove pessoas no mundo passa fome
 Portugueses desafiados a cumprir 20 metas até 2020 para melhorar a sua saúde alimentar
 OMS avisa que Portugal é dos países europeus com mais excesso de peso infantil
Ministros e altos funcionários de mais de 170 países comprometeram-se nesta quarta-feira a lutar contra a malnutrição e aprovaram recomendações para combater a escassez de alimentos, a falta de nutrientes e a obesidade. "Uma parte do nosso mundo desequilibrado ainda morre de fome. A outra come até ficar obesa, de tal forma que a esperança de vida recua de novo", disse, sintetizando os problemas, a directora-geral da OMS, Margaret Chan, na abertura da II Conferência Internacional sobre a Nutrição (CIN2), em Roma.

A "Declaração de Roma sobre Nutrição" e o "Quadro de Acção" culminaram um ano de intensas negociações e foram aprovados logo no primeiro dos três dias da conferência organizada pela FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e pela OMS (Organização Mundial de Saúde).

Mas o director-geral da FAO, José Graziano da Silva, afirmou que "não podemos ficar por aqui". "É nossa responsabilidade transformar estes compromissos em resultados concretos. Espero que, durante esta conferência, os vossos ministros anunciem objectivos que vão além do que já aqui foi fixado", disse. "Temos os conhecimentos, competência e recursos para acabar com todas as formas de malnutrição. Há comida suficiente para que todos se alimentem correctamente."

Margaret Chan chamou a atenção para os problemas e riscos da agricultura industrializada. "O sistema alimentar mundial não está a funcionar, por causa da dependência de uma produção industrializada de alimentos cada vez mais baratos e piores para a saúde", disse. Um exemplo dado pela directora-geral da OMS foi o de cidades da África e da Ásia para as quais fica mais barato importar alimentos produzidos de forma industrial do que comprar alimentos frescos cultivados em zonas rurais próximas.

"Devemos perguntar-nos, porquê? Alguma coisa não está a correr bem", disse, apelando aos governantes para serem criativos e aos cientistas, sociedade civil e sector privado para que encontrem soluções para fazer chegar alimentos a quem não os tem e corrigir os erros de uma alimentação incorrecta que favorecem patologias como a diabetes, a obesidade e as doenças cardiovasculares.

Ainda que os números da fome tenham diminuído 21% desde 1992, mais de 800 milhões de pessoas ainda não têm comida. Em 2013, a falta de nutrientes provocava atrasos no crescimento a 161 milhões de crianças com menos de cinco anos e a falta de peso afectava 51 milhões. A subnutrição está associada a quase metade da mortalidade infantil – cerca de 2,8 milhões de crianças por ano.

Ao contrário, os dados internacionais indicam que a obesidade afecta 500 milhões de pessoas e que 1,5 milhões têm peso a mais, sendo 42 milhões destes menores de cinco anos.

Entre as 60 recomendações constantes do "quadro de acção" aprovado em Roma incluem-se o investimento no acesso universal a água potável, o apoio à produção local e a diversificação de culturas.

A conferência prolonga-se até sexta-feira, na sede da FAO. O Papa Francisco é esperado na manhã desta quinta-feira.

Bancos alimentares prestes a esgotar capacidade de armazenamento


Ana Rute Silva 23/11/2014 - 08:58 

Algumas delegações nunca tinham distribuído fruta no âmbito da sua actividade.
 
Embargo favoreceu a solidariedade Enric Vives-Rubio 


queda drástica dos preços agrícolas em Portugal

Os bancos alimentares (BA) nunca tiveram tanta fruta e cenoura para distribuir em todo o país. O embargo russo acabou por ajudar as delegações da instituição a fazer chegar alimentos perecíveis aos mais pobres e, desde que Bruxelas começou a financiar aos agricultores as retiradas de produtos, o movimento de camiões e entregas não tem parado.

 "O embargo acabou, indirectamente, por beneficiar os mais necessitados. Começou por ser uma medida de apoio aos agricultores, que têm algumas vantagens e escoamento garantido, mas é evidente que as instituições e os beneficiários finais tiveram fruta nestes meses como nunca tiveram antes", disse ao PÚBLICO Manuel Paisana, secretário-geral da Federação dos Bancos Alimentares.

Por esta altura, as delegações mais activas (13 das 21 que existem em Portugal) têm "quase a capacidade esgotada e comprometida". Cerca de 80 a 90% da quota atribuída por Bruxelas a Portugal para retirar fruta e legumes do mercado deverá ser escoada através dos BA, apesar de a segunda fase de ajudas comunitárias ter alargado o tipo de instituições para onde os produtores podem encaminhar os seus excedentes.

De acordo com dados do Ministério da Agricultura facultados ao PÚBLICO, até 12 de Novembro as organizações de produtores já retiraram do mercado 3249 toneladas de produtos que serão entregues a instituições de solidariedade social, creches, escolas ou prisões. Os agricultores poderão receber um total de 1,4 milhões de euros de ajudas comunitárias. A estes números, juntam-se as autorizações mais recentes para retirar mais 1130 toneladas de produtos, nomeadamente maçã, pêra, tomate, cenouras, ameixas e couves.

Na segunda fase de ajudas, Portugal pode obter financiamento para 4120 toneladas de pêras e maçãs, 225 toneladas de kiwis, ameixas e uvas de mesa. Está prevista uma quantidade adicional de três mil toneladas por Estado membro para aplicar nas categorias de produtos definidas. É ao Banco Alimentar que têm chegado os excedentes de produção.

No Porto e em Braga, pela primeira vez, foi preciso alugar câmaras frigoríficas para conservar os produtos, despesa paga pelas próprias instituições. Algumas das delegações "nunca tinham distribuído fruta". "A reacção teve de ser imediata e houve grande mobilização. Pela primeira vez, a delegação de Braga foi levar a Vila Real e a Bragança 20 toneladas. São locais onde não há banco alimentar, mas as instituições mobilizaram-se com o apoio das autarquias e da Cruz Vermelha", conta Manuel Paisana.

Na Frutoeste, Domingos dos Santos mostra as caixas de pêra rocha destinadas ao Banco Alimentar. São de madeira, para se diferenciarem das de cartão, que seguem para os clientes comerciais. A solução agrada aos produtores, mas tem um reverso da medalha. O presidente desta organização de produtores (OP), lembra que "parte da fruta vai conflituar com o mercado". "Há muitas famílias que até iam comprar fruta, mas agora recebem através do BA", afirma.

A Hortapronta foi das primeiras a conseguir ajudas de Bruxelas para escoar cenouras. Na Autoguia da Baleia, há sacos de dez quilos em preparação, que serão entregues em todo o país. Só esta OP conseguiu apoios para entregar ao BA mais de um milhão de quilos na primeira tranche de ajudas comunitárias. Na segunda fase de apoios, até 12 de Novembro teve ajudas para perto de 644 mil quilos de cenoura e outros hortícolas, mas a perspectiva é aumentar.

Quase 80% das reservas de emergência de 2015 já se esgotaram

Ana Rute Silva 23/11/2014 - 09:04 
 

Para ajudar os produtores a conter os estragos do embargo russo, Bruxelas anunciou um primeiro pacote de ajudas de 125 milhões de euros em Agosto, que se esgotou em tempo record graças à ágil movimentação da Polónia. Portugal conseguiu 707.575 euros de ajudas, dos 1,16 milhões de euros solicitados. Já em Outubro, a comissão criou uma nova tranche de 165 milhões de euros, com regras mais rígidas e equilibradas.

 A estes montantes juntam-se apoios para o sector do leite. Contas feitas, são 344 milhões de euros, que equivalem a 79% da reserva de emergência prevista pela Política Agrícola Comum (PAC) para 2015, onde Bruxelas quer ir buscar as verbas.

Contudo, a alocação destes fundos já foi contestada por 21 Estados-membros, Portugal incluído. "A reserva de crise deve ser preservada para manter a nossa capacidade de resposta a qualquer dificuldade em 2015", defenderam. Ao usar o fundo de emergência, sobram apenas 89 milhões de euros para fazer face a qualquer imprevisto no sector no próximo ano.

Polónia, Holanda, Espanha, Alemanha, Dinamarca, França e Finlândia são os países mais afectados pelo embargo. Contudo, os produtores têm tentado vender para a Rússia através de outros países. Ainda recentemente, a autoridade de segurança alimentar russa travou a importação de 21 toneladas de maçãs polacas, vindas do Cazaquistão e sem etiquetas. A fruta acabou por ser devolvida. Também foi detectada a venda de 7500 toneladas de carne de porco da Lituânia.

Concorrência no mercado de resíduos de embalagens: vinho novo em odre velho?

PEDRO AMARAL E ALMEIDA 23/11/2014 - 01:04
Se se quer promover uma efectiva concorrência sem pôr em causa o bom funcionamento do sistema, não se deveria antes proceder primeiro à alteração do desfasado quadro legal de 1997 e actualizá-lo?


O processo de atribuição de licenças no âmbito do mercado de resíduos de embalagens vem-se arrastando desde 2010, ainda sob a égide do anterior executivo. De um lado, dois operadores económicos: um, já instalado no mercado e que pretende obter uma licença para prosseguir a sua actividade; outro, um novo player e que pretende obter uma licença para, pela primeira vez, ingressar nesse mesmo mercado. Do outro lado, a administração licenciadora, que tarda a decidir.

Quais as razões que justificam a complexidade da decisão? A nosso ver, há pelo menos três variáveis presentes neste processo cuja articulação não deve deixar de ser devidamente ponderada: o mercado, a concorrência e a legislação aplicável, que data de 1997.

Em primeiro lugar, é preciso não perder de vista que estamos perante um mercado atípico, o qual não visa a satisfação de necessidades naturais dos agentes económicos, mas sim o cumprimento de objectivos e de obrigações fixados pelo legislador. Com efeito, por detrás da criação e do funcionamento do "mercado" de resíduos de embalagens em Portugal está, desde logo, a obrigação do Estado Português de cumprir os objectivos de valorização e reciclagem de resíduos de embalagens impostos pelas directivas comunitárias. Para o cumprimento desses objectivos, apostou-se fortemente na criação de circuitos de recolha selectiva e triagem (de que os ecopontos de rua são a face mais visível), obrigando os municípios portugueses – que detêm o monopólio da recolha de resíduos sólidos urbanos – a acrescidos encargos na criação e no funcionamento das respectivas estruturas. O suporte financeiro do sistema provém, por seu turno, das contribuições pagas pelos embaladores e impostas por lei, numa aplicação prática do princípio ambiental da responsabilidade alargada do produtor.

Como se observa, é bastante intenso o interesse público que está subjacente ao funcionamento do "mercado" de resíduos de embalagens, bastando ter presente que a parte mais significativa das receitas do sistema serve para custear os encargos dos municípios com a recolha e a triagem dos resíduos de embalagens, sendo o respectivo "preço" fixado por via administrativa.

Podendo a gestão deste sistema ser feita por entidades públicas ou por privados, optou o legislador de 1997 pela iniciativa privada, num modelo de licenciamento bastante sui generis: são as entidades candidatas à obtenção de licença para a gestão do sistema quem propõe as regras reguladoras do mesmo, as quais, por seu turno, são negociadas com as administrações e vertidas no texto da licença. E o sistema tem até agora funcionado, dado que, desde o início, houve apenas uma única entidade gestora licenciada, tendo a administração podido conformar com maior facilidade as regras da licença, dada a existência de um único interlocutor.

Com a entrada de um novo player, o paradigma do "mercado" altera-se e a realidade que agora se afigura passará pela coexistência de duas entidades gestoras, actuando em concorrência. Não querendo entrar no debate sobre as vantagens e desvantagens de um modelo concorrencial no "mercado" atípico dos resíduos de embalagens, há, todavia, que centrar a discussão sobre a apetência do actual quadro legal em matéria de licenciamento das entidades gestoras para acomodar candidaturas concorrentes.

Ora, é esse quadro legal que se encontra totalmente desadequado face à realidade concorrencial que se pretende promover. Isto é, está-se a procurar pôr o vinho novo da concorrência no sector dos resíduos de embalagens no odre velho da legislação ainda em vigor.

Com efeito, a concorrência, quer neste, quer em qualquer outro mercado, pressupõe que os agentes económicos actuem em igualdades de circunstâncias, com permissões e obrigações da mesma natureza e quantidade. Ora, no actual modelo de licenciamento, em que são as próprias entidades candidatas a definir as regras que regerão a sua actividade, duas candidaturas ditarão necessariamente o estabelecimento de regras diferentes quanto ao modo de actuação, estando a administração legalmente impossibilitada de proceder, por imposição, à sua uniformização.

É certamente esta encruzilhada jurídica e a consequente difícil composição dos interesses em presença que representa o maior obstáculo à concretização do processo de atribuição de licenças no âmbito do mercado de resíduos de embalagens.

Qualquer decisão que agora se adopte sem a adequada cobertura legal poderá ditar uma intensa disputa jurídica, com óbvios reflexos negativos na satisfação dos diversos interesses públicos prosseguidos com a gestão do sistema

Alimentos saudáveis cada vez mais caros!


Fonte Aumentar Letra Diminuir Letra
Na hora de comprar comida muitos fatores contam, mas o preço é, sem dúvida, um dos mais importantes. 
Por essa razão, a aplicação de impostos é por vezes apontada como uma boa medida para desincentivar o consumo de alimentos menos saudáveis, visto que podem passar a ser taxados com valores mais altos e assim ficariam mais caros.
Um grupo de cientistas ingleses, comparou o preço de 90 alimentos entre 2002 e 2012, tendo verificado que, infelizmente, os alimentos saudáveis eram sempre mais caros do que os seus equivalentes não saudáveis. 
Verificaram ainda que, o preço dos alimentos aumentou durante a década em estudo, tendo aumentado em maior proporção nos alimentos saudáveis. Isso significa que a diferença de preços entre os dois grupos de alimentos se tinha tornado ainda mais desfavorável em 2012.
No cenário atual, é inaceitável que os alimentos menos saudáveis tenham um preço cada vez mais convidativo relativamente aos alimentos saudáveis, mas no entanto, é precisamente essa a tendência em curso. 
Esta realidade exige medidas políticas urgentes e deve merecer a atenção dos decisores em saúde pública.
*Autoria da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto.
"Faça-nos perguntas!" aqui questoesbiotecnologia@porto.ucp.pt


Vendas de chocolate remam contra crise


     
23/11/2014 11:05:00 0 Visitas   
As vendas em Portugal representam cerca de 200 milhões de euros

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Vendas de chocolate remam contra crise

As vendas de chocolate deverão crescer 4% em 2014 face ao ano anterior, repetindo a tendência de 2013, apesar do efeito negativo da crise sobre outros produtos, prevê a ACHOC, associação do sector.

Em Espanha, o consumo é de 3,5 quilos por pessoa, chegando aos nove quilos na Alemanha, por exemplo
"Vemos que há uma retracção generalizada do consumo, mas nas vendas de chocolate tem havido até um crescimento", notou o secretário-geral da ACHOC-Associação de Industriais de Chocolates e Confeitaria, Manuel Barata Simões, em entrevista à Lusa. 

As vendas em Portugal representam cerca de 200 milhões de euros.

Quanto ao Natal deste ano, o mesmo responsável prevê que "os números serão interessantes", até por causa do efeito da crise sobre os hábitos de compras para a época: "O chocolate já é uma boa alternativa a outras prendas de Natal mais sofisticadas e mais caras", referiu.

A época natalícia é também a mais importante para o sector, uma vez que só por si representa entre 35 a 40% do consumo anual deste produto, calcula a ACHOC. 

Em conjunto, Natal e Páscoa têm um peso de 60% para a quantidade de chocolate que é consumido durante o ano todo.

Além das compras natalícias, o secretário-geral da associação aponta a mudança nos hábitos alimentares como outra causa para este comportamento positivo do sector: "Acreditamos que haja famílias que, em vez de dar dinheiro às crianças para comerem no intervalo das aulas, preferem dar-lhes uma pequena barra de chocolate para a meio da manhã ou da tarde complementarem o seu lanche", exemplificou.

Aliás, a associação tem apostado em promover o chocolate como um "produto alimentar" e "um bom complemento de refeição", que tem benefícios para a saúde quando consumido de forma moderada, acrescentou o representante da ACHOC.

As mudanças no mercado português estendem-se ainda ao lado dos fabricantes. Nos últimos anos assiste-se ao fabrico de produtos mais elaborados, ao aparecimento de pequenas lojas especializadas em chocolates, como já sucedia noutros países europeus, e também à renovação de marcas tradicionais, referiu.

Manuel Barata Simões sublinhou que, no entanto, os portugueses continuam a ser o povo que menos chocolate consome 'per capita' dentro da Europa, cerca de 1,5 quilos por pessoa ou talvez um pouco mais, tendo em conta as pequenas lojas cujos dados não estão contabilizados pela associação. 

Em Espanha, o consumo é de 3,5 quilos por pessoa, chegando aos nove quilos na Alemanha, por exemplo.

Fora da Europa, é na China e na Índia que actualmente se concentram as atenções do sector, uma vez que o número de consumidores nestes países está a aumentar, afirmou.

"O consumo da China é cerca de 5% do consumo europeu. Se compararmos em termos de população, está a ver o potencial de crescimento incrível que temos pela frente. Isto leva a pensar que temos de aumentar também a produção de matérias-primas, neste caso do cacau", disse.

Manuel Barata Simões admite também que têm ocorrido "alguns problemas com a produção", a nível mundial, o que poderá ter efeitos no preço do cacau, mas acredita que tudo irá resolver-se. 

Em causa estão problemas com pragas, instabilidade política na Costa do Marfim, um dos maiores produtores, e também agricultores que optaram por outras colheitas. 

"Os preços mais altos vão levar a que os produtores que passaram para outros produtos voltem à produção de cacau", assegura, acrescentando: "Isto vai tender a estabilizar".

Lusa/SOL

Mirtilos que promovem o Ambiente


     
Maria Teresa Oliveira Maria Teresa Oliveira | 14/11/2014 14:46:02 1817 Visitas   
O Campo Experimental de Pequenos Frutos
DR
Mirtilos que promovem o Ambiente
O êxodo das áreas rurais e a concentração populacional nas zonas urbanas é uma das grandes causas dos problemas ambientais da actualidade. Porque contribuem para a desertificação e negligência das primeiras e geram uma sobrecarga nas segundas. 

O concelho de Sever do Vouga está a ser transformado pela cultura do mirtilo. Com bons resultados em várias áreas
Neste contexto são fundamentais projectos como o de Sever do Vouga - Capital do Mirtilo, o vencedor na categoria Ambiente da iniciativa Melhores Municípios para Viver 2014, do qual o SOL é parceiro.

Promove a fixação de população em zonas rurais através da criação de negócios sustentáveis do ponto de vista económico, social e ambiental. Mais do que isso: conjuga um espectro alargado de actividades que confere ao projecto uma dimensão ambiental significativa.

O município implementou uma Bolsa de Terras, reaproveitando terrenos semiabandonados ou abandonados, dando-lhes um destino para quem pretende explorar a agricultura e torná-la num negócio, associando ao mesmo tempo a previsão de que o mirtilo é uma boa fonte de rendimento para as famílias. 

Além de combater a desertificação, o uso de terras abandonadas previne outros riscos, como o de incêndio de terras abandonadas. Numa primeira fase, a Bolsa de Terras foi constituída por 30 hectares, divididos em 22 unidades de terreno correspondentes à criação de 22 postos de trabalho permanentes e cerca de 400 sazonais por ocasião da apanha do mirtilo. E aos jovens agricultores a quem foram entregues parcelas de terreno foi garantido acompanhamento técnico.

Estudar para promover a biodiversidade

Outro ponto focal do projecto é o Campo Experimental de Pequenos Frutos, onde se trabalha para que este acompanhamento técnico seja um elemento crítico da promoção ambiental e biodiversidade. 

Entre outros temas, aqui se desenvolve um estudo das fenologias (saber como fenómenos sazonais e cíclicos, como a floração, podem ser afectados pelo clima e outros factores do meio ambiente) e produtividade relacionadas com os dados climáticos do local. Também se trabalha para saber escolher as cultivares que melhor se adaptam a cada região, para obter soluções para o controlo de pragas e doenças respeitando o meio ambiente ou para melhorar as práticas e optimizar recursos energéticos, dando o privilégio às energias renováveis.

Neste sentido, procura-se encontrar soluções e respostas para alguns dos problemas do cultivo  dos pequenos frutos, além de ajudar técnicos e produtores nas suas tomadas de decisão quanto à eleição das cultivares que promovam a manutenção de uma biodiversidade alargada – em vez de uma filosofia meramente económica de custo de produção/rentabilidade da colheita. 

O Campo resulta de uma parceria com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e com um conjunto de empresas do sector. A médio prazo, e a partir deste trabalho de investigação e aposta na qualidade, poderá vir a ser criada uma marca de referência nacional e internacional dos pequenos frutos portugueses, que será símbolo de qualidade nos mercados interno e externo. Neste momento, o Campo Experimental é constituído por 19 espécies de plantas de mirtilo, existindo ainda uma secção onde estão plantadas groselhas e morangos. 

A aproximação dos cidadãos é outro elemento importante. Aposta-se no reforço da componente técnica na Feira do Mirtilo – habitualmente realizada entre o final de Junho e o início de Julho –, para promover a aproximação dos cidadãos ao meio ambiente e às boas práticas ambientais no sector agrícola. Outra inovação desta feira é a apanha do mirtilo: os visitantes têm a oportunidade de colher o fruto num pomar e, no final, levar a colheita para casa. 

Nos próximos cinco anos, perspectiva-se que a produção de mirtilos aumente exponencialmente em Portugal, o que se traduzirá numa produção mínima de 10.000 toneladas anuais. O que torna crucial a componente ambiental.


Embargo russo gerou queda drástica dos preços agrícolas em Portugal

Ana Rute Silva 23/11/2014 - 07:59 

Com o mercado inundado de pêras, maçãs ou cenouras, os preços estão a cair desde que, em Agosto, foi anunciada a proibição de venda para a Rússia. No caso da pêra-rocha, as reduções ultrapassam os 40% e os produtores nacionais fazem contas à vida.
 
Produtores de pera rocha vivem situação dramática Paulo Ricca/Arquivo 


No dia 8 de Agosto, Domingos dos Santos começou logo a receber telefonemas dos clientes. A actual campanha da pêra rocha tinha tudo para dar certo. A fruta tem bom tamanho e as perspectivas estavam em alta depois de dois anos pouco favoráveis, com a pêra a crescer pequena nas árvores e a render menos aos agricultores. Mas o embargo russo, anunciado a 7 de Agosto, deitou por terra todas as contas.

 "Os nossos clientes começaram-nos a contactar logo no dia seguinte a dizer que os preços estavam a sofrer uma pressão muito grande de produtores de outros países, como a Holanda, França, ou Espanha. O problema é geral: se há excesso de oferta o consumidor vai optar sempre pelo produto mais barato, deixando de comprar os outros", afirma.

Na Frutoeste, organização de produtores de pêra rocha, limões e maçã, a exportação pesa 70% do negócio (sobretudo pêra), mas o impacto do embargo russo está a ter consequência indirectas, que vão muito além do fim das vendas para aquele mercado. A Rússia é o segundo maior comprador de produtos agrícolas da União Europeia e 73% dos bens embargados são fornecidos pelos Estados-membros da UE. A resposta política de Moscovo às sanções económicas e financeiras impostas pela União Europeia, Noruega, Estados Unidos, Austrália e Canadá (na sequência do conflito na Ucrânia) já está a provocar uma descida de preços na fruta, vegetais, carne de porco ou leite e, num mercado globalizado, o que afecta uns, afecta todos.

No início do mês, 300 agricultores polacos protestaram em Varsóvia a exigir mais ajudas a Bruxelas. A Polónia é o maior exportador de maçãs do mundo, produz anualmente três milhões de toneladas e vende cerca de um terço à Rússia. O fim do comércio com o seu principal cliente deixou os produtores desesperados. As maçãs polacas entraram, assim, noutros países, aumentando a oferta de um dia para o outro, fazendo, por isso, descer os preços.

Domingos dos Santos, que também é presidente da Federação Nacional das Organizações de Produtores de Frutas e Hortícolas (Fnop), sublinha que "o problema não são as oito mil toneladas de exportações da fileira em Portugal". "Na mais recente feira do sector em Madrid, a Polónia tinha um stand enorme para promover as suas maçãs. Vêm do norte da Europa, para o Sul, estão a tentar vender em todo o lado e a preços muito mais baixos", conta. No caso da pêra rocha, as descidas de preços são na ordem dos 40 a 50%, face ao valor normal de campanha, adianta.

Os valores são semelhantes ao que se passa noutros países europeus. Há pouco mais de uma semana, Pekka Pesonen, secretário-geral da Copa Cogeca, que representa os agricultores na União Europeia, alertava para uma descida abrupta dos preços de 50% em alguns sectores. Este era, aliás, um dos receios de Bruxelas quando avançou com as medidas de apoio extraordinárias que, no total, totalizam 290 milhões de euros (ver caixa).

João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, diz que no caso da pêra rocha, característica da região do Oeste, a influência do embargo "é brutal". "Há muita concorrência no mercado da fruta e no caso da pêra rocha os preços à produção baixaram, por vezes, abaixo do preço de custo, o que é preocupante", afirma. Este movimento de descida afecta outros produtos e João Machado admite que à CAP têm chegado queixas. "Há os produtores que estão abrangidos pelo embargo [ou seja, que vendiam para a Rússia] e os que estão a sofrer com a baixa de preço por via do aumento de concorrência. Mas ainda não é um problema global e em Portugal está bastante mais minimizado do que noutros Estados membros", desdramatiza.

Carlos Marques também esteve na mesma feira em Madrid e viu o investimento em promoção externa feito pela Polónia. A Hortapronta foi das primeiras organizações de produtores (OP) a conseguir apoios de Bruxelas à retirada de produtos. Os seus 140 produtores entregam couve coração, couve lombarda, alho francês, cenouras e batatas na central hortofrutícola instalada na Atouguia da Baleia, às portas de Peniche. As ajudas incidiram apenas sobre a cenoura, agora destinada ao Banco Alimentar contra a Fome - a instituição que está a receber e distribuir os excedentes (ver texto ao lado).

"Neste momento, como não estamos a exportar, estamos a ficar com stocks de batata nas câmaras frigoríficas. A maior dificuldade será quando estivermos em plena produção", diz. Esta OP tem três mil toneladas de batata armazenadas e Carlos Marques diz que, em tempo útil, "é muito difícil encontrar mercados alternativos". "Em África temos a concorrência directa dos holandeses e dos belgas", ilustra, acrescentando que o esforço de venda está a ser feito no mercado nacional. Talvez por isso - e de acordo com uma recolha feita pelo PÚBLICO numa das maiores cadeias de distribuição - o preço da cenoura desceu de 0,65 cêntimos na primeira semana de Abril para 0,39 cêntimos na passada sexta-feira. Ou seja, 33% menos.

Nos restantes produtos, colhidos diariamente pelos produtores associados da Hortapronta, é mais fácil "equilibrar as quantidades". "Ainda assim, os preços caíram 50 a 60%", garante Carlos Marques. A queda de valores na produção não é explicada apenas pelo embargo russo. Os portugueses travaram nos gastos em todas as categorias de alimentos e isso também afectou o negócio dos agricultores. Os dois ingredientes juntos (quebra de consumo e embargo russo) são uma mistura explosiva. "Ou a União Europeia responde com outras medidas excepcionais ou a agricultura não vai aguentar. Neste momento, os agricultores já não têm dinheiro para produzir. É sempre a perder dinheiro", diz.

Em respostas enviadas ao PÚBLICO, fonte oficial do Ministério da Agricultura cita as cotações de preços e diz que os preços da maçã royal gala desceram 25% na última semana disponível. No caso da pêra, os valores em Leiria são 24% inferiores ao ano passado e 22% abaixo da média do triénio de 2010-2012. No leite, subiram ligeiramente em Setembro, mas são 5% inferiores face ao ano passado. E na carne de porco, outro dos produtos afectados, o preço caiu 22% desde o início de Setembro, ao mesmo tempo que se registou um aumento da produção (de 1,6% face ao ano anterior).

O ministério estima que o impacto directo do embargo russo nas exportações nacionais seja de 15 milhões de euros, uma pequena fatia dos 50 milhões anuais, já que sectores como o vinho ou o azeite não estão abrangidos. A busca de mercados alternativos tem sido apontada como uma solução, mas não terá efeitos práticos imediatos. Além do tempo necessário para encontrar clientes, há países onde não está autorizada a venda de produtos como a pêra rocha (África do Sul, por exemplo).

Em tempos conturbados, os agricultores estão a tentar unir esforços. Domingos dos Santos conta que para acelerar a exportação em novos países, seis empresas (Campotec, Ecofrutas, Ferreira da Silva, Frutoeste, Granfer e Lusopêra) juntaram-se para criar a Unifarmers, que tem como missão identificar, promover e vender frutas e legumes de Portugal em países com potencial de consumo.

Autoridades holandesas ordenam morte de 8.000 patos para evitar propagação de gripe das aves


As autoridades holandesas ordenaram hoje a morte de 8.000 patos numa quinta da localidade holandesa de Barneveld (centro do país) para evitar a propagação do terceiro surto de gripe das aves detetado no país na sexta-feira.
As aves não apresentavam sintomas de contágio, mas estiveram em contacto com um camião que tinha estado na quinta de Kamperveen, no noroeste Holanda, onde na sexta-feira surgiu o último surto de gripe das aves, segundo o Ministério dos Assuntos Económicos holandês.
A região de Barneveld é um ponto central da rede de distribuição de aves na Holanda, motivo pelo qual as autoridades preferiram tomar todas as previdências para evitar uma possível propagação, salientaram em comunicado.
Diário Digital / Lusa

DAI. De onde vem o açúcar?

A península ibérica é o mercado onde a empresa efetua a maior parte das suas vendas.


12/11/2014 | 00:00 |  Dinheiro Vivo
A DAI - Sociedade de Desenvolvimento Agro-Industrial, S.A. foi fundada em 1993. No entanto, a atividade desta empresa sediada em Coruche, no distrito de Santarém só foi iniciada em 1997 e até 2008. Durante estes primeiros anos, a DAI dedicou-se ao fabrico de açúcar a partir de beterraba. Manuel Amaral, diretor administrativo e financeiro da empresa, explica que "em 2006, na sequência de uma decisão da Comissão Europeia, de reduzir a quota de produção das empresas do sector, a DAI adaptou a sua unidade fabril e passou a refinar exclusivamente açúcar bruto de cana.
"Atualmente, as principais atividades da DAI englobam a refinação e a comercialização de açúcar e a venda de energia em cogeração quando a fabrica está em laboração", explica.
A península ibérica é o mercado onde a empresa efetua a maior parte das suas vendas, tradicionalmente com um peso relevante no mercado espanhol.
"Dentro da União Europeia, a península ibérica assume um papel relevante, fora da União Europeia, pontualmente existem outros destinos, como a Tunísia".
Manuel Amaral explica que " o açúcar branco refinado pela DAI é produzido a partir de açúcar bruto importado das melhores origens". O produto fabricado em Coruche "cumpre com as principais certificações e homologações incluindo a Certificação de Segurança Alimentar (FSSC 22000)".
O açúcar branco chega ao mercado de diversas formas. O diretor financeiro da DAI sublinha que o produto "pode ser fornecido em vários tipos de embalagens.
"Em pacotes de um kg, em sacos de vinte e cinquenta kgs, em big bags de 1000 e 1200 kgs e a granel, transportado em camiões cisterna", destaca.
A relação com a Caixa remonta ao início da laboração da DAI e que sempre se assumiu como um forte parceiro financeiro de negócio. Manuel Amaral afirma que o relacionamento entre as duas instituições é feito "com operações de financiamento, operações bancárias correntes, garantias bancárias necessárias para as entidades públicas ou em aplicações financeiras".
"Desde logo no financiamento de médio longo prazo onde teve um papel importante no suporte ao investimento inicial", confessa o diretor financeiro da DAI enquanto explica que "a atividade da empresa é caracterizada por fortes necessidades de fundo de maneio". Manuel Amaral prossegue explicando que como "produzir ou refinar é feito continuamente 24/7, em grandes blocos, isso implica fortes necessidades de tesouraria."
"Depois de pagar a matéria-prima, o ciclo é longo, depois de refinar, armazenar, vender. No final, receber dos clientes e então reduzir o nível de endividamento", exemplifica.
A Caixa tem sido uma instituição fulcral no financiamento de curto prazo para apoio às necessidades de fundo de maneio.
Com a acessibilidade informática da Caixa e-banking, existe uma grande facilidade em proceder a todas as operações bancárias desde pagamentos, às antecipações de reembolsos de IVA, ainda que sempre com um acompanhamento muito próximo do relacionamento Caixa-DAI.4