quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Agricultores e produtores florestais protestam contra falta de apoios


Dezenas de agricultores e produtores florestais do distrito de Coimbra afetados pelos incêndios de 15 de outubro manifestaram-se hoje junto à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro contra as "insuficientes" medidas de apoio anunciadas pelo Governo.

 Agricultores e produtores florestais protestam contra falta de apoios

 
Convocado pela Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO), com o apoio da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Movimento de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), o protesto incluiu a entrega de um caderno de reivindicações, através do qual reclamam o aumento das ajudas simplificadas de 5.000 para 10.000 euros.

"Queremos manifestar o nosso desagrado pela insuficiência das medidas tomadas pelo Governo, que têm sido tomadas a conta-gotas e que não vêm ao encontro dos imensos prejuízos que afetaram muita gente", disse Isménio Oliveira, da ADACO.

Segundo o dirigente, o Governo começou por atribuir um "apoio ridículo de 1.053 euros" nas candidaturas simplificadas "e só porque as organizações e os agricultores contestaram é que passaram para 5.000 euros".

Valor que mesmo assim, refere Isménio Oliveira, "não é suficiente" para acudir aos agricultores que tenham perdido "um trator, umas oliveiras, um pequeno armazém ou animais para consumo familiar".

"Muitos dos pequenos agricultores têm prejuízos entre os 5.000 e os 10.000 euros, sendo da mais elementar justiça que, para enquadrar muitos dos afetados, a ajuda simplificada (pagamentos a 100%) deva ir até aos 10.000 euros", lê-se no caderno de reivindicações entregue na Direção Regional de Agricultura do Centro e que vai ser enviado ao primeiro-ministro, ministro da Agricultura e Comissão de Agricultura e Mar.

O documento defende também que os prejuízos entre 10.000 e 120.000 euros devem ter um apoio a fundo perdido de 85% e de 70% a partir de 120.000 euros.

O caderno reivindicativo propõe ainda que o prazo para a entrega das candidaturas simplificadas deve ser estendido até 15 de dezembro e não até ao final deste mês, conforme está estipulado pelo Governo.

Para João Dinis, da CNA, o Governo e o ministério da agricultura estão a esquecer-se da floresta.

"Dá a impressão que o ministério quer que a natureza venha resolver o problema de milhares e milhares de hectares de floresta queimada, que é um prejuízo brutal", sublinhou aos jornalistas.

"Nós estamos a reclamar, por exemplo, a criação e gestão pelo Governo, em colaboração com as autarquias, de numerosos parques de receção de madeira queimada, que garanta um preço minimamente reparador aos pequenos e médios produtores florestais", acrescentou.

O caderno reivindicativo defende ainda que o Governo deve financiar "a 100% qualquer proprietário que queira limpar as suas florestas ardidas, sob pena de em menos de quatro ou cinco anos os resíduos florestais serem em tamanha quantidade que poderão proporcionar a ignição de incêndios ainda de maior proporção".

Caso as suas reivindicações não sejam aceites, agricultores e produtores florestais prometem mobilizar o povo em ações de protesto de maior dimensão "onde for preciso".

Portuguesa Sugal bate recorde de produção de tomate e factura mais de 265 milhões

Portuguesa Sugal bate recorde de produção de tomate e factura mais de 265 milhões

O Sugal Group ultrapassou as 1,7 milhões de toneladas de tomate colhidas na campanha 2017, tendo consolidado a posição de segundo maior produtor mundial. O volume de facturação superou os 265 milhões de euros.

Sara Ribeiro Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt
28 de novembro de 2017 às 10:22

Este ano, o Sugal Group ultrapassou as 1,7 milhões de toneladas de tomate colhidas nos três países onde marca presença - Portugal, Espanha e Chile. Um passo que representa "a maior produção de sempre" e consolida a posição de "segundo maior produtor mundial de derivados de tomate", segundo o grupo português.

Com os resultados da campanha de 2017, a Sugal, que detém a fábrica da Guloso em Benavente por exemplo, ficou perto de alcançar os 5% da produção global de tomate, tendo superado os 265 milhões de euros em volume de facturação. Mas as perspectivas de crescimento não ficam por aqui.

A Sugal estima que em 2018 continue a bater recordes, ultrapassando as 1,8 milhões de toneladas transformadas de tomate fresco.

A empresa que nasceu no Ribatejo há 60 anos exporta mais de 90% da sua produção para 70 países. E é a única no mundo que produz em dois hemisférios, com duas campanhas por ano: entre Janeiro e Abril no hemisfério Sul e entre Junho e Outubro, no hemisfério Norte. "O que oferece maior flexibilidade e segurança na cadeia de abastecimento global", como explica o Sugal Group.

Em Portugal, além da fábrica em Benavente, o grupo detém outra unidade na Azambuja. Em Espanha, mercado que marcou os primeiros passos da internacionalização da empresa, tem uma fábrica em Sevilha, e no Chile detém duas unidades (Tilcoco e em Talca).

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Portugal manteve abstenção no glifosato


De
Euronews

Portugal foi o único país que voltou a optar pela abstenção na questão do glifosato.

Após duas rondas negociais inconclusivas, a Alemanha votou esta segunda-feira a favor da renovação por mais cinco anos da licença do controverso herbicida glifosato, decisão apoiada pela Polónia, Bulgária e Roménia que antes haviam optado pela abstenção.

O Ministério português da Agricultura justificou a abstenção dizendo que os estudos existentes são inconclusivos e que o herbicida em causa não tem aplicação direta sobre os alimentos.

Os 18 países que aprovaram a extensão da licença conseguem assim reunir os requisitos para uma maioria qualificada a qual requer o apoio de pelo menos 55% dos países da UE representando 65% da população.

Os dezoito países que apoiaram esta decisão representam 65,7% da população europeia.

Agricultores de Murça vão ser alertados para os perigos na condução de tratores


PUB
A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (CONFAGRI) alerta terça-feira, em Murça, para a sinistralidade com tratores e apresenta medidas de prevenção para travar a principal causa de morte no trabalho agrícola que, em 2016, vitimou 68 pessoas.

"É urgente sensibilizar e contribuir para a formação dos agricultores, promovendo as boas práticas no exercício da profissão, para melhorar a segurança na utilização das máquinas e veículos, especialmente nas regiões onde as condições do terreno tornam maior a exposição ao risco e, por via disso, a incidência da sinistralidade é mais elevada", afirmou, em comunicado, o secretário-geral da CONFAGRI, Francisco Silva.

Em 2016, de acordo com dados da GNR, morreram 68 pessoas vítimas de acidentes envolvendo tratores agrícolas.

Por causa destes valores de sinistralidade associados à utilização de máquinas e equipamentos de trabalho agrícola, a CONFAGRI decidiu realizar um conjunto de sessões de esclarecimento, próximas dos agricultores para "alertar para os perigos inerentes ao manuseio e condução destes veículos".

Em Murça, no distrito de Vila Real, profissionais e técnicos do setor agrícola vão chamar a atenção para os riscos inerentes à condução de tratores e máquinas agrícolas e aconselhar quanto à forma de prevenir os acidentes de trabalho que resultam dessa atividade.

De acordo com o programa da iniciativa, Aurora Sousa, da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), vai falar sobre a prevenção de acidentes na operação com tratores e máquinas agrícolas, bem como sobre as obrigações legais em matéria de segurança e saúde no trabalho.

Depois, Isabel Santana, da CONFAGRI, vai alertar para a importância e para a obrigatoriedade da formação para a condução de tratores.

Norberto Correia, da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) vai debruçar-se sobre o tema da Bolsa Nacional de Terras "como impulsionadora da redução do abandono das terras".

A CONFAGRI tem como missão contribuir para o crescimento e desenvolvimento do sector cooperativo e, em especial, da agricultura e da floresta portuguesas.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Bruxelas prolonga utilização do herbicida glifosato por cinco anos


27 DE NOVEMBRO DE 2017 - 16:31

Portugal absteve-se na votação do Comité de Recurso da União Europeia.

Foto: André Gouveia / Global Imagens

O Comité de Recurso da União Europeia decidiu prolongar por cinco anos a utilização do herbicida glifosato.

A medida foi aprovada com 18 votos a favor, nove contra, e uma abstenção, a de Portugal.

O ministério da agricultura confirmou à TSF que Portugal se absteve, mantendo a posição que assumiu desde o início deste processo.


A renovação da licença teve voto positivo da Alemanha, Bulgária, Dinamarca, Eslovénia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, Holanda, Hungria, Irlanda, Letónia, Lituânia, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia, que representam 65,71% da população dos 28.

Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo e Malta votaram contra, com o peso de 32,26% da população da UE.

No inicio do mês, a França tinha proposto uma renovação por apenas dois anos e nas ultimas semanas, Bruxelas falhou por duas vezes um acordo para a renovação da licença de utilização deste herbicida muito utilizado, mas potencialmente cancerígeno para o ser humano.

Para a porta-voz da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, a votação a favor do uso de glifosato é uma má notícia para a Europa em geral, mas para Portugal em particular.

Margarida Silva relembra que o nosso país apresenta os níveis de contaminação mais elevados entre os estados membros.

"Os solos portugueses são os mais contaminados da União Europeia".
Margarida Silva considera que o Governo não pode ficar indiferente e deve por assumir assumir medidas a nível interno.

A decisão deverá ser adotada pelo executivo comunitário depois de 15 de dezembro, data em que caduca a atual licença do glifosato.

A desconcertante invisibilidade do mundo rural


20-11-2017 por António Paula Soares 235

Será que as tragédias recentes ensinaram algo sobre o mundo rural?
 
 
1386
 
 
Vivemos tempos preocupantes. Tempos que muitos pensaríamos pertencerem a um estranho futuro. Algo proveniente de um imaginário de ficção, onde muito do que se passa nos nossos dias seria como um romance futurista. Mas o mundo hoje parece que roda a uma velocidade maior, a um ritmo desconcertante onde o simples ato de ver um qualquer telejornal nos parece transportar para o tal mundo imaginário que agora parece que veio para ficar. 

As alterações da sociedade são uma realidade, o que ontem era correto, parece que hoje nos tentam impingir de uma forma forçada que está errado, em forma de novas ideologias, em que o politicamente correto tende a toldar-nos de uma forma subversiva e enganadora sobre a realidade dos factos.

E essa forma estranha e hipócrita de tentar moldar as mentes não poderia ter melhor espelho do que a realidade da forma como a sociedade vê o panorama rural Português. Panorama que pouco ou nada interessa a quem apenas o usa como refugio turístico esporádico de uma escapadela da urbanidade confortável, ou como escape político para vazios ideológicos. De quem se regozija com uma previsão meteorológica que convida a visitas à praia em Outubro, ou a dias constantes de belo prazer em esplanadas em pleno Novembro, ao passo que no mundo rural os agricultores desesperam com a seca, com a falta da chuva que a cidade abomina, com a sede dos animais, do atraso dos pastos, e do pó que não assenta nem permite cultivar os alimentos cuja produção já está atrasada para a mesa dos Portugueses.

A triste realidade das tragédias que se iniciaram nos primeiros meses de verão com os fogos rurais trouxe para a ribalta um mundo esquecido, um mundo abandonado de gentes e de costumes, sem os pastores do antigamente, sem os agricultores do presente, sem os guardas florestais nem os cantoneiros, sem a economia local e tradicional. É um mundo pelo qual quase ninguém passa, ou se passa poucos entendem. É um mundo sem economia, sem forma de enraizar as populações nem de criar riqueza. É este mundo que ficou abandonado em troca do litoral, e com isso restringiu ao expoente máximo a capacidade de gestão e a capacidade económica de trabalhar a terra com um pensamento no futuro.

Para o mundo rural Português, o tal que foi assolado pelos fogos, pelas mortes de pessoas, pela perda da pouca economia que ainda existia, pela perda das florestas e animais, pela perda da natureza de uma forma devastadora, o futuro já quase que não existia, ou estava ali tão perto de acabar.

E com estas tragédias, esse futuro poderá mesmo ter acabado, isto porque mesmo com todo o tempo de antena, que correu mundo e se prolongou no tempo, mantém-se de uma forma desconcertante a invisibilidade do mundo rural Português. Invisibilidade essa patente em alguns dos nossos atores políticos, cuja recente disponibilidade para se dedicarem a temas do mundo rural foi muitas das vezes imposta por uma pressão social em que grande parte da população não percebeu, e ainda não percebe, como pôde tamanho cenário dantesco ter ocorrido e sem que nada tivesse sido feito para o travar.

Mas infelizmente é fácil de perceber, mas apenas alguns o parecem querer. É tudo uma questão de economia, de economia rural, daquela que não se analisa nas bolsas de valores, mas que é transversal para a grande maioria do território Português, que não à beira mar plantado. A agricultura, a pecuária, a floresta, a caça e o turismo são os pilares dessa transversalidade económica, que cria sustentabilidade a todos os que vivem ao seu redor. E aqui é que reside o erro político, pois são já várias décadas de governo focado para os únicos locais que elegem deputados, que formam governos, que formam impérios políticos, ou seja: as cidades e os grandes centros urbanos. Na altura de propor orçamentos, de definir estratégias, de planear o futuro, parece que quase todos se esquecem do tal mundo rural, aquele que arde desenfreadamente, que seca longe da vista, mas que tanto incomoda momentaneamente a muitos quando as imagens passam em horário nobre.

Não passaram muitos anos desde que a imagem do agricultor era uma imagem depreciativa e vista com desdém para quem se apresentasse como alguém do campo. A agricultura teve tempos de ouro, os jovens viram no campo a fuga para o desemprego que assolava as cidades, a floresta dinamizou-se por vários anos, a caça povoava o campo e alimentava aldeias, com emprego e turismo. E que se passa agora?

Nada, ou muito pouco que seja favorável. As alterações climáticas vieram mesmo para ficar, estamos em Novembro e grande parte do País está ardido, a restante parte sofre a pior seca de que há memória, a água desaparece das barragens e falta nas nascentes, os campos estão castanhos como em Agosto, os animais magros e sedentos, e o olhar dos homens e mulheres do campo procuram no horizonte as soluções que tardam em chegar e que se assemelham cada vez mais a miragens de um oásis que não existe.

Da realidade virtual dos gabinetes políticos da urbe surgem gritos de revolta e discursos inflamados com as magnânimas soluções para todos os males do mundo rural, sem sequer terem muito bem a perceção de onde o mesmo começa. Exceção feita aos verdadeiros deputados do mundo rural, esses com um trabalho redobrado para clarear as mentes mais distorcidas.

Os primeiros, são os políticos que diabolizam os eucaliptos sem perceberem o que está por detrás, que cerram punhos e os batem na mesa, quando os proclamados incautos e despropositados agentes do mundo rural os alertam que de nada adianta proibir os eucaliptos se tudo o resto não for feito. Se não se fixarem as pessoas na ruralidade, se não se criar a economia que tanto teima em aparecer. Os mesmos que proíbem atrás de proibições, que privam o estado do seu papel constitucional de ser igualitário para com todos, de fazer cumprir as leis vigentes, sendo agora tão mais simples proibir o que não se consegue controlar e fiscalizar.

Os mesmos que se deixam de ouvir quando afinal o que também desapareceu foi o Pinhal de Leiria, e tudo o que parecia ser a solução para todos os males da floresta afinal não era suficiente para prevenir e travar a infeliz morte de muitos outros num curto espaço de tempo e num futuro próximo. Os mesmos que querem sobreiros e azinheiras por todo o lado, mas que nem sabem, ou não querem saber, que essas mesmas árvores morrem a um ritmo galopante, sem que o estado se preocupe em tentar perceber e combater os porquês. Os mesmos que não querem nem saber a razão de ser de os pinheiros serem afetados por pragas e doenças. Os mesmos que se insurgem contra a passividade do estado na proliferação da tuberculose transportada por javalis, mas que depois viram as costas e exigem a proibição da caça. Os mesmos que mentem descaradamente ao dizer que os coelhos desaparecem por caça excessiva, quando apenas nas zonas de caça se encontram os coelhos que salvaguardam um sem número de outras espécies protegidas, os mesmos que nem sabem que os coelhos estão a ser dizimados por vírus incontroláveis. Os mesmos que empunham palavras de ordem contra a agricultura e a pecuária porque as mesmas não se regem pelos seus radicalismos ideológicos. Os mesmos que gritam de peito cheio sobre os males do mundo rural, mas no qual nada fazem, e do qual pouco ou nada sabem.

É uma hipocrisia politicamente hábil na sua vertente aproveitadora da ignorância de quem não sabe, mas que convence quem nunca nada fez pelo mundo rural que afinal tem as respostas para tudo. Mas na realidade tudo o que propõem é uma ideologia utópica de um mundo que não existe, nem pode existir.

Ouvimos recentemente um político dizer que o mundo rural tem que ser mais resiliente. Mas só quem nada conhece do mundo rural é que pode pôr em causa a resiliência das suas gentes. Pois essas são fortes e corajosas, e conseguem erguer-se dos mais provocadores infortúnios.

O que o mundo rural precisa não é de conselhos ou apenas de afetos. Precisa de apoio e de estratégias, precisa de fazer parte do plano estratégico nacional, precisa de ser lembrado não apenas quando as imagens dos fogos e da seca entram pelas televisões.

Precisamos deixar de ser invisíveis…

Família de Nelas investe dois milhões de euros em adega ambientalmente eficiente


25/11/2017, 11:44

Uma família de Nelas decidiu investiu dois milhões de euros numa adega "ambientalmente eficiente", onde poderão encontrar-se "vinhos tipicamente do Dão", feitos "numa perspetiva mais moderna".


Uma família natural do concelho de Nelas decidiu investir cerca de dois milhões de euros numa adega "ambientalmente eficiente", onde poderão encontrar-se "vinhos tipicamente do Dão", feitos "numa perspetiva mais moderna", disse Lígia Santos, da Caminhos Cruzados.

"Este é um projeto familiar, que nasceu à mesa de casa e da grande vontade que tínhamos enquanto família de criar um projeto profissional em Nelas. O investimento na nova adega foi de cerca de dois milhões de euros", revelou.

A inauguração da adega da Caminhos Cruzados, em Nelas, está agendada para segunda-feira, dia em que vai ser também possível provar em primeira mão o vinho tinto topo de gama da marca, o Teixuga, que ainda não saiu para o mercado.

Em declarações à agência Lusa, a responsável da Caminhos Cruzados, Lígia Santos, explicou que esta adega surge em Nelas fruto de "uma vontade da família investir num projeto profissional" onde têm raízes.

"É aqui que temos as nossas raízes, a nossa família e a nossa história", acrescentou.

De acordo com a responsável, nesta nova adega encontram-se condições para criar grandes vinhos.

"Não só temos ótimas condições de vinificação e de estágio, como temos uma sala de provas fantástica que nos permite receber a visita de clientes e mostrar-lhes um pouco mais do nosso dia-a-dia", informou.

Concebida pelo arquiteto Nuno Pinto Cardoso, esta adega tinha, entre várias preocupações, "a preocupação de ser ambientalmente eficiente".

É, por isso, construída em betão armado, que é um material térmico de grande capacidade de retenção de temperatura, o que faz com que absorva nas suas paredes a temperatura exterior, libertando-a lentamente para o interior, evitando gastos com energia. Também temos ao longo de todo o edifício luz natural através de janelas e claraboias, bem como circulação natural de ar em todo o espaço e ainda sistemas de aproveitamento de água da chuva", referiu.
Quanto aos vinhos, Lígia Santos informou que aqui serão encontrados vinhos tipicamente do Dão e que são "feitos a partir de uma perspetiva mais moderna".

"São vinhos feitos a partir das melhores castas da região, vinhos muito elegantes e com grande potencial de guarda", concluiu.

Hipsters e tradição

As tradições são aventuras que precisam de ser escolhidas para serem seguidas como deve ser.
26 de Novembro de 2017, 8:15 Partilhar notícia


É pena haver poucos hipsters em Portugal. Os hipsters são os salvadores das nossas tradições – e das tradições que não são nossas, não vá a nossa vida tornar-se monocordicamente nacionalista.

Os hipsters sabem que para se salvar uma tradição é preciso praticá-la de uma maneira comercialmente viável. O que é bom tem de ser pago – e
bem pago. A tradição, na cabecinha de muita gente, ainda é a velhinha que passa dez horas a fazer coscorões e depois vende-os a 2 euros a dúzia.

A Direcção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural tem mantido o seu monumental inventário de produtos tradicionais portugueses. Como
dono de dois grandes volumes de fotocópias da obra original é um alívio passear pelo site, descobrindo delícias e vendo vídeos sobre com se faz uvada e outros petiscos de que, para vergonha e surpresa minha, nunca ouvi falar.

O site, que é literalmente magnífico, está cheio de centenas de ideias para quem quer abrir um negócio, aprender umas coisas interessantes ou
simplesmente verificar a inegável riqueza gastronómica do nosso país, apesar de estar tão escondidinha e pouco ou nada apoiada.

Os ingredientes secretos, já se sabe, são o tempo, a paciência e o amor que faz com que se queira fazer as coisas como faziam os avós. Desafio quem quer que seja a ler a longa lista de especialidades da região onde vive e ter a lata de dizer que as conhece todas. É impossível, graças a Deus.

As tradições são aventuras que precisam de ser escolhidas para serem seguidas como deve ser.

ENTREVISTA: Governo espera converter "99% dos críticos" da reforma florestal


O sucesso da reforma da floresta vai depender da participação de todos os cidadãos, em especial dos produtores florestais, afirmou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, manifestando-se convicto da possibilidade de se "estabelecer um consenso amplo".

"Não tenho qualquer dúvida de que, muito antes de que decorram 20 anos, 99% dos atuais críticos da reforma da floresta se terão convertido", disse, em entrevista à agência Lusa, Luís Capoulas Santos, lembrando que o mesmo aconteceu com o projeto do Alqueva.

Para o governante, as críticas de que se fez uma reforma apressada são "completamente injustificadas e absurdas", já que as medidas para a floresta foram inscritas no programa do Governo, "aprovado na Assembleia da República faz precisamente dois anos".

"Para um Governo que tem quatro anos de vida [no total do mandato], que inscreveu no seu programa esta grande prioridade e que demora um ano e meio dos dois anos que o Governo tem em funções para executar, se a crítica é que somos apressados, só pode fazê-la quem gostaria que passássemos quatro anos sobre esta matéria a fazer o mesmo que o Governo anterior fez nos quatro anos precedentes, isto é, não fez nada", declarou o ministro da Agricultura.

De acordo com Capoulas Santos, esta reforma tem de ser "acarinhada" por todos para que "num horizonte temporal, que na floresta se mede não por dias, nem por semanas, mas por décadas", se possa tornar a atividade florestal mais rentável e, "sobretudo, que seja uma floresta que contribua para reduzir, tanto quanto possível, o risco de incêndio".

"Esta é uma reforma do país, é uma reforma nacional, não é uma reforma deste ou daquele Governo, deste ou daquele setor, e é nesse sentido que estou certo de que esse consenso se gerará", reforçou.

Por isso, acrescentou, a implementação do pacote legislativo para a reforma da floresta "não depende só do Governo", identificando-se como principais intervenientes os produtores florestais, uma vez que "sem eles a reforma nunca terá êxito", bem como as autarquias.

Capoulas Santos espera que a reforma comece a produzir efeitos "imediatamente", desde já na atitude dos proprietários em termos de práticas florestais.

A reforma da floresta do atual Governo incluía 12 diplomas, dos quais apenas um foi rejeitado - a proposta era criar o banco nacional de terras. Entre os principais diplomas aprovados estão a proibição de novas plantações da espécie 'eucalyptus', o cadastro simplificado e os benefícios fiscais para entidades de gestão florestal.

"Naturalmente que a legislação - aquela que existia, aquela que existe agora e aquela que falta ainda, certamente, concluir - não basta para resolver o problema, é necessário que as leis existam, mas que elas sejam aplicadas", apontou o ministro da Agricultura, referindo que "as leis, de um modo geral, carecem de algum défice de aplicação", mas a intenção do Governo é fazer cumprir toda a legislação.

Segundo o governante, "alguma dessa legislação depende muito da iniciativa privada", nomeadamente o diploma que atribui incentivos fiscais às empresas que se comprometam a gerir floresta em que uma parte é de propriedade de minifúndio, já que "não se trata de uma medida obrigatória, é uma medida voluntária".

"Esperamos que a resposta seja positiva, porque se não ocorrer, não será certamente responsabilidade do Governo não ter criado os mecanismos", indicou Capoulas Santos, apelando ao empenho da sociedade civil "numa matéria em que os próprios produtores florestais são os principais interessados".

Nem todas as expectativas arderam: produção de azeite dispara 45%



26.11.2017 às 20h00

A seca e os incêndios fizeram estragos, mas não impedem uma das melhores campanhas de sempre


O Alentejo continua 
a garantir entre 70% 
a 80% da produção nacional de azeite. 
A explicação 
é simples: a água 
de Alqueva, que transformou o sequeiro em extensos olivais de regadio, tornando Portugal autossuficiente 
em azeite

A campanha ainda vai a meio mas todas as estimativas apontam no sentido de um crescimento da ordem dos 45% na produção de azeite, face aos valores registados no ano passado. Isto num contexto particularmente adverso marcado por incêndios devastadores (que queimaram 8,8 mil hectares de olival) e num ano de seca extrema, com uma grande parte do território nacional a ficar sem água para a agricultura.

Olivicultores de norte a sul são unânimes em falar de acréscimos nas suas produções, com especial incidência no Baixo Alentejo, já responsável por 70% a 80% da produção nacional.

A Casa do Azeite, que representa a quase totalidade dos produtores, aponta para 100 mil toneladas de azeite, contra as 69 mil registadas na campanha de 2016/17. "Apesar de as zonas de produção tradicional de sequeiro estarem a ser negativamente afetadas na quantidade produzida, os rendimentos em azeite têm sido maiores do que o normal", nota Mariana Matos, secretária-geral daquela organização.

O cenário é considerado "excelente", por vários agentes do sector, mas podia ter sido muito melhor se a seca não se tivesse prolongado e se algumas produções não tivessem sido devoradas pelas chamas. No seu relatório mensal de setembro, o Internacional Olive Council estimava um crescimento de 58% para Portugal, com a produção a rondar as 110 mil toneladas de azeite.

As exportações deverão crescer entre 5% a 10% este ano, segundo a Casa do Azeite, podendo rondar os máximos vendidos ao exterior — e que se situaram acima das 140 mil toneladas (em 2014). Recorde-se que, embora Portugal seja já autossuficiente no que respeita ao consumo interno, não é ainda em termos de necessidades totais, se considerarmos as quantidades exigidas pelas exportações. Ou seja, Portugal vai produzir perto de 100 mil toneladas; consome 70 mil, mas exporta 123 mil toneladas. Logo, tem de comprar lá fora perto de 100 mil toneladas de azeite.

BRASIL E ANGOLA VOLTAM 
AO RADAR DOS EXPORTADORES
A Casa do Azeite estima que as vendas a terceiros deverão ser impulsionadas sobretudo pelo Brasil e por Angola, países que, após um período de quebras induzidas pelas crises nas respetivas economias, "estão agora em recuperação". Os outros destinos tradicionais — Espanha e Itália — deverão manter-se.

Francisco Pavão, da Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro, também confirma a tendência exportadora da região e sublinha o facto de o azeite ali produzido já estar a chegar aos quatro continentes. Confirma que a falta de água afetou o trabalho dos cerca de 37 mil produtores que representa, mas garante que, apesar da quebra ali registada, o azeite vai ser de excelente qualidade, com muito baixa acidez.

Aquele dirigente receia que o pior poderá estar para vir, já no próximo ano. "Como não choveu, as oliveiras não cresceram e isso poderá ter graves implicações na próxima colheita" que, por acréscimo, vai coincidir com um ano de contrassafra (naturalmente menos produtivo).

ÁGUA DE ALQUEVA 
FAZ TODA A DIFERENÇA
Mais a sul, no Baixo Alentejo, Henrique Herculano, do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, com sede em Moura, confirma um crescimento na produção da ordem dos 40%. O regadio de Alqueva faz toda a diferença pois leva água onde dantes só existiam culturas de sequeiro.

Por causa do excesso de calor, "os frutos não têm muito calibre, mas apresentam um bom rendimento", acrescenta aquele responsável. Além disso, e segundo Teresa Teixeira, da Olivum — Associação de Olivicultores do Sul, há muitos olivais novos que estão a produzir pela primeira vez. E, na verdade, ainda há muito espaço para novas plantações, o que permite antever aumentos na produção nos anos que se seguem.

OUTRAS CULTURAS
MILHO
Favorecido 
pela seca. De uma forma geral, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os dias quentes e secos favoreceram esta cultura e "foi possível garantir as necessidades hídricas das plantas, prevendo-se um aumento de produção de 5% face a 2016".

TOMATE
Atinge 
1,7 milhões de toneladas. A colheita do tomate 
para a indústria terminou 
na primeira semana 
de outubro, estimando-se 
que a produção alcance 
os 1,68 milhões de toneladas, 
o que corresponde 
a um acréscimo de 5% 
face ao ano passado.

PERA
Cresce 20%.As previsões oficiais apontam para um aumento de 20% na produção de pera-rocha. Devido ao excesso de calor, a colheita teve de ser abreviada para garantir as condições de conservação dos frutos. Contratos internacionais favorecem o crescimento do sector.

MAÇÃ
Não sofre 
com falta de chuva. Como 4/5 da área de pomares é regada, a falta de chuva não causou grandes estragos. O INE prevê um aumento de 25% na produção deste ano, subindo para as 300 mil toneladas. Só no interior norte é que a queda de granizo localizada causou prejuízos.

KIWI
Maior 
produção de sempre. O excesso de calor acabou 
por afetar a fruta, originando calibres inferiores 
ao habitual. Ainda assim, 
o INE estima que esta seja 
a campanha mais produtiva das últimas três décadas, ultrapassando as 30 mil toneladas.

AMÊNDOA
Com recorde 
do século. As previsões do INE apontam para uma produção superior a 20 mil toneladas (+255% face a 2016), uma "situação inédita neste século". O clima adverso não prejudicou os amendoais, que na sua maioria completaram o ciclo (de amadurecimento).

GIRASSOL
Em níveis de 2014. 18 mil toneladas produzidas, muito longe das 26 mil do ano passado e ao nível das 16 mil de há três anos.

VINHO
À beira de uma boa colheita. Prevê-se um aumento de 10% na produção vinícola. A falta de humidade nos solos e o excesso de calor pode ter condicionado algumas vinhas, mas globalmente esperam-se vinhos de qualidade superior.

ARROZ
Produção em queda. Diminuiu a superfície cultivada e a produção foi a mais baixa dos últimos cinco anos.

Agricultores dizem que preços vão subir devido à seca


22/11/2017, 15:49

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Sousa, disse que a perda de produção agrícola provocada pela seca que o país enfrenta vai provocar um aumento dos preços.


O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Sousa, disse esta quarta-feira que a perda de produção agrícola provocada pela seca que o país enfrenta vai provocar um aumento dos preços.

"Haverá com certeza subida de preços imediatos em alguns produtos e vai haver falta de rendimento para quem os produz", afirmou, em declarações aos jornalistas.

Falando a propósito do Conselho Consultivo de Entre Douro e Minho da CAP, que se realizou em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, o dirigente referiu que a situação de seca em Portugal é a mais grave de sempre e que isso tem sido muito complicado para a agricultura.


Na reunião de quarta-feira, realizada no auditório municipal, participaram dirigentes associativos regionais que debateram temas ligados a um setor da economia que enfrenta em 2017, nas culturas de outono/inverno, perdas médias de 25%, no conjunto do país. Segundo a CAP, nas regiões do Alentejo e interior norte, as perdas podem chegar aos 100%.

"O que existe é a certeza de que os custos de produção são completamente diferentes. A dúvida está instalada, a apreensão está instalada e isso é uma situação que não sabemos como se poderá resolver", admitiu Eduardo Sousa.

A situação, alertou ainda, poderá agravar-se em 2018, se a falta de chuva persistir até ao final de dezembro.

"Isto cruzado com as medidas da Política Agrícola Comum, já ao nível dos regulamentos comunitários, leva as pessoas a não saberem como lidar com esta situação", concluiu.

Produção agrícola recua 2,8% em 2016 na UE e 2,5% em Portugal


22/11/2017, 12:05
1
Em Portugal, a produção agrícola recuou 2,5%, de 2015 para 2016, para os 6,9 mil milhões de euros, segundo dados do Eurostat.

Partilhe

A quebra na produção agrícola deve-se à diminuição do valor da produção animal.
Alberto Frias/LUSA

A produção agrícola caiu 2,8% em 2016 na União Europeia, face ao ano anterior, para um valor de 405 mil milhões de euros, e 2,5% em Portugal, para os 6,9 mil milhões de euros, segundo dados do Eurostat.

De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, a quebra de 2,8% na produção agrícola dos 28 face a 2015 deve-se principalmente à diminuição de 3,3% do valor da produção animal.

Com uma avaliação de 70,3 mil milhões de euros (17% do total da UE) em 2016, a França é o maior produtor agrícola do conjunto dos Estados-membros, seguida da Itália (53,4 mil milhões de euros, 13% do total), da Alemanha (52,9 mil milhões, 13%), da Espanha (46,8 mil milhões, 12%), do Reino Unido (27,9 mil milhões, 7%), da Holanda (27,0 mil milhões, 7%), da Polónia (22,4 mil milhões, 6%) e da Roménia (15,4 mil milhões de euros, 4% do total da UE).


Face a 2015, a Eslováquia foi o país que mais aumentou a produção agrícola no ano passado (10,7%), seguida da Polónia (4,6%), da Hungria (4,1%), da República Checa (3,5%) e da Croácia (3,4%).

As maiores quebras foram assinaladas na Estónia (19,8%), na Letónia (8,3%), em França (6,5%), na Dinamarca (5,4%) e na Eslovénia (5,2%).

Em Portugal, a produção agrícola recuou 2,5% de 2015 para 2016, para um valor de 6,9 mil milhões de euros.

Confederação dos Agricultores considera salário mínimo de 600 euros “luta partidária alheia à concertação”


22/11/2017, 16:39

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal disse discordar do aumento do salário mínimo reclamado pela CGTP, considerando a proposta uma "luta partidária alheia à concertação social".

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Sousa, disse discordar do aumento do salário mínimo para os 600 euros, reclamado pela CGTP, considerando a proposta uma "luta partidária alheia à concertação social".

"Essa abordagem do salário mínimo por parte do PCP constitui, na nossa perspetiva, uma luta partidária até alheia à própria concertação social", disse aos jornalistas esta quarta-feira, quando lhe foi pedido um comentário à reivindicação da CGTP.


Falando em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, onde participou esta quarta-feira no Conselho Consultivo de Entre Douro e Minho da CAP, Eduardo Sousa acentuou: "A CAP não tem qualquer possibilidade de analisar sequer um aumento da massa salarial com base na passagem de um salário mínimo para um patamar de 600 euros".

Para o dirigente, "um salário de 600 euros não é um salário muito elevado, mas o país não tem a economia que gostava de ter".

"Para que possamos chegar a salários que tenham no seu patamar base um nível de 600 euros era necessário que houvesse uma ajuda à prossecução dos resultados das empresas que não está contemplada no Orçamento do Estado" para 2018, defendeu.

O responsável da CAP criticou o OE por ter sido "construído apenas a pensar na despesa e na reposição dos rendimentos de uma determinada camada da população", acrescentando: "veja-se o que se está a passar nas manifestações em Lisboa, em que uns atrás dos outros vêm reivindicar aquilo que os outros conseguiram e tem tudo a ver com os aumentos que foram previstos no orçamento para a função pública e outras organizações similares".

Eduardo Sousa lamentou, por outro lado, que "para o lado das empresas nem sequer esteja prevista uma medida de apoio ao nível do alívio da carga fiscal".

"Não havendo essa hipótese, não é possível encaixar um aumento do lado da despesa associado a um aumento do salário mínimo, e encaixá-lo numa rentabilidade que já está muito reduzida", insistiu.

Além disso, concluiu, no setor agrícola a situação ainda é mais complicada atualmente devido às consequências da seca e dos incêndios florestais.

Do Douro a Trás-os-Montes há reflexos nos abastecimentos de água e na agricultura


23/11/2017, 8:13

O país está a passar um período de seca como nunca antes visto: entre o Douro e Trás-os-Montes já são visíveis as consequências. A chuva é muito esperada mas também vai ser uma preocupação.

Entre o Douro e Trás-os-Montes, a seca reflete-se nos abastecimentos de água à população, nas explorações de gado que já estão a gastar as reservas do inverno e nas quebras de produção na agricultura. Não chove há meses e na região vão crescendo as preocupações. A face mais visível da falta de água é a agricultura mas também há necessidade de encher os reservatórios de várias aldeias.

Estamos a sentir algumas dificuldades e, entre junho e novembro, já transportámos dois milhões de litros de água para as freguesias onde o abastecimento de água é feito por captação própria", afirmou à agência Lusa o vice-presidente da Câmara de Murça, António Marques.

Desde 1 de janeiro, segundo dados da Proteção Civil, foram contabilizados 799 transportes de água em veículos de bombeiros em concelhos como Murça, Vila Pouca de Aguiar, Chaves, Ribeira de Pena, Montalegre e Santa Marta de Penaguião. Este número não inclui abastecimentos feitos diretamente pelas autarquias.

Em Murça, fazem-se transportes de água semanalmente, principalmente para a freguesia de Carva e Vilares. "Não faltou a água porque abastecem com os bombeiros. As nossas nascentes já não dão, está tudo seco", contou Adélia Escaleira, habitante de Vilares, que garantiu que já poupa com banhos rápidos e reutilização de água para rega. Neste município duriense a ordem é para "poupar" e "gerir bem".

A autarquia está tentar controlar as perdas da rede de abastecimento e a poupar nas regas e vai reequacionar os jardins e parques de lazer, onde quer introduzir espécies que exijam consumos menores de água. A barragem do Alvão, em Vila Real, está em níveis críticos e já deixou de abastecer há alguns meses. O abastecimento para este concelho está, atualmente, a ser feito a partir da barragem de Torre do Pinhão.

Em Soutelinho do Mezio, Vila Pouca de Aguiar, António Ferreira anda de trator a espalhar feno nos pastos para alimentar as cerca de 100 vacas de raça maronesa.

As reservas de alimento estão a ficar esgotadas. Não há pastos para os animais e estamos a usar os poucos fenos que produzimos. Já estamos a recorrer à reserva que tínhamos para o inverno", disse à Lusa.
O produtor contabilizou uma quebra de 30% na produção de feno e salientou que, se tiver que comprar alimento para as vacas, a exploração "torna-se inviável", por isso desabafa que é "preciso que chova para tudo voltar ao normal". Adélia Escaleira falou num ano para esquecer na agricultura, com reflexos a nível da produção de batata, da castanha e até em árvores de fruto que secaram.

Os produtores de castanha queixam-se de quebras de produção a rondar os 50%, mas na azeitona o cenário é, afinal, muito mais animador do que inicialmente se previa.

A perda que estamos a prever anda na ordem dos 10% em termos de quilos mas tivemos uma alegre surpresa porque em termos de rendimento da azeitona, de litros produzidos, acaba por estar 2 a 3% acima do ano anterior", afirmou o responsável pela Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça, Francisco Vilela.
Com cerca de mil sócios, esta cooperativa produz em média cerca de 350 mil litros de azeite por ano. Na floresta são também visíveis os efeitos da seca. Neste outono ainda não há cogumelos silvestres e já se verificou uma quebra no número de caçadores, porque as espécies cinegéticas não se reproduziram.

Relativamente à qualidade da água nas albufeiras do Douro, Rui Cortes, especialista em recursos hídricos e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), elencou uma "preocupação, especialmente nas mais próximas de Espanha".

É o caso de Miranda do Douro que apresenta já níveis de algas bastante consideráveis em resultado das baixas afluências de água que vêm de Espanha", referiu.
O especialista ressalvou, no entanto, que em termos gerais há pouca informação sobre o "estado ecológico das massas de água em Portugal" e adiantou que se vai fazer, até ao final do ano, um trabalho de monitorização a nível nacional para a Agência Portuguesa do Ambiente.

"Esta monitorização, que estava prevista, coincidiu com esta situação de seca e isso vai-nos dar um retrato a nível nacional do estado das nossas massas de água", frisou. A chuva é muito esperada mas vai trazer também uma preocupação acrescida, devido ao arrastamento de sedimentos das áreas ardidas para as linhas de água e à erosão.

Agricultores do nordeste algarvio defendem nova barragem



A ponte sobre o rio Mourinho junto a Santa Susana voltou a estar visível18 anos depois devido à seca e à descida do nível da água Alcácer do Sal 23 de novembro de 2017. Os agricultores do distrito de Setúbal acreditam que a solução para os períodos de seca no sul do país passa pela gestão da água em alta pelo Estado e pela construção da barragem do Pisão no distrito de Portalegre

08:51

Misericórdia investe cinco milhões na modernização do Hospital da Prelada
Os agricultores do nordeste algarvio, no distrito de Faro, defendem a construção de uma barragem para solucionar os longos períodos de seca que estão a afetar a agricultura e a condicionar novos investimentos em culturas de regadio.

"Estamos numa situação de seca severa, sem água para as culturas e sem pastagens para os animais, daí a necessidade da construção de uma barragem com ligação à de Odeleite e que, além de servir para o consumo humano, daria a possibilidade aos agricultores de fazerem regadio", disse à agência Lusa Valter Luz, vice-presidente da Cumeadas - Associação de Produtores do Nordeste Algarvio.

Nos concelhos de Alcoutim e de Castro Marim, os efeitos da seca são visíveis nas culturas e na alimentação para os animais. A ausência de vegetação estende-se por vários quilómetros.

"A construção de uma barragem é a melhor solução. As ribeiras e as pequenas charcas que foram feitas estão secas e, neste momento, as pessoas não têm alimento nem água para os animais e até as culturas de sequeiro estão em risco", alertou o representante da associação.

O MELHOR DO JORNAL DE NOTÍCIAS NO SEU EMAIL


Agora pode subscrever gratuitamente as nossas newsletters e receber o melhor da atualidade com a qualidade Jornal de Notícias.
SUBSCREVER
Para combater os impactos da seca, o Governo alargou aos dois concelhos as Medidas Seca 2017, que preveem apoios para o transporte, captação e armazenamento de água.

Segundo os agricultores, as medidas não resolvem o problema, "apenas minimizam uma situação que é recorrente há vários anos".

No entender de Valter Luz, o nordeste algarvio tem sido esquecido ao longo dos anos e é preciso mais "vontade política para olhar para o problema dos agricultores e mudar as coisas, sob pena de a zona se converter num deserto".

"Este ano, o problema atingiu o seu ponto mais grave, problema esse que se tem agravado desde 2013", frisou o representante, acrescentando que "os responsáveis políticos têm de olhar para a zona com perspetiva de futuro e dar garantias às pessoas de que podem fazer agricultura, com água".

Celso Teixeira, apicultor e detentor de cerca de 100 cabeças de gado, referiu que a seca atingiu este ano o seu ponto mais alto, "verificando-se uma grande dificuldade em encontrar alimentação para os animais, devido à ausência de vegetação para o gado e de floração para alimentar as abelhas".

"Devido à ausência de pastagens, o gado tem de ser alimentado com palha e ração, o que se torna muito mais dispendioso", referiu, acrescentando que a falta de água nos aquíferos "impede também de ter pequenas zonas de regadio" onde se possa manter o gado.

Celso Teixeira recordou que, noutros anos, a ribeira do Vascão, um dos maiores afluentes do rio Guadiana, já estaria a correr por si própria nesta altura, dando de beber aos animais. Porém, este ano está "completamente seca desde o verão".

Para o presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, a construção de uma barragem é a melhor solução para resolver o problema de falta de água, porque a seca deste ano tornou mais evidente as fragilidades agrícolas do concelho, com "vários os setores económicos da região" afetados.

"Até os exploradores de zonas turísticas de caça cinegética estão a dar água aos animais, alimentando as charcas com recurso a autotanques, à semelhança do que se está a fazer em Viseu", indicou o autarca.

Na sua opinião, o problema pode ser um mal que tenha vindo por bem, já que serviu para que o potencial da zona interior para combater a seca ficasse mais evidente.

"No fundo o interior tem uma área significativa, com bons afluentes com caudais de água significativos, nomeadamente as ribeiras do Vascão e da Foupana, e que servirão certamente para fazer obras de retenção de água e resolver o problema da seca no interior e algum perímetro de rega", destacou, referindo que "o nordeste é um contribuinte para a água que se gasta no Algarve e tem zero de perímetro de rega".

Seca: Governo rejeita subida de preços e prevê aumento das exportações



O ministro da Agricultura, Capoulas Santos  |  MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
PUB
"Estamos a sair de um ano agrícola onde houve excesso da oferta, portanto, não me parece que haja, no imediato, razões que justifiquem o aumento do preço dos produtos", defende o ministro da Agricultura

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, afirmou, em entrevista à Lusa, que a seca não vai interferir, de uma forma geral, nos preços dos produtos e apontou que as exportações tenderão a aumentar.

"Estamos a sair de um ano agrícola onde houve excesso da oferta, portanto, não me parece que haja, no imediato, razões que justifiquem o aumento do preço dos produtos. Poderá acontecer pontualmente, por exemplo no queijo da serra, [porque] houve [nos incêndios] uma mortalidade elevada das ovelhas que produzem o leite com o qual se faz o queijo", referiu.

Sustentando-se nas previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE) para outubro de 2017, o ministro acrescenta que "as exportações tenderão a aumentar porque houve mais produção do que aquilo do que era esperado", portanto, não haverá "grandes consequências na balança comercial".


Capoulas Santos referiu que, na pecuária, é provável que se verifique uma redução dos preços, tendo em conta que têm sido abatidos mais animais do que o "normal".

"Sobretudo se a chuva, como é normal, vier e os pastos começarem a brotar nos campos, creio que a situação, rapidamente, normalizará, sem que isso se traduza num aumento, substancial, dos preços", sublinha.

No entanto, o governante refere que o facto de Portugal integrar um mercado aberto, possibilitará que "em alguns produtos em que possa haver baixa de produção", possam ser importados, "sem que isso signifique o aumento dos preços".

Angola quer agricultura a crescer 5,9% em 2018 e seguro agrícola garantido


HÁ UMA HORA
O Governo angolano quer aumentar a produção não petrolífera, estimando um crescimento da agricultura numa taxa de 5,9%, durante o ano de 2018.


O Governo angolano está a estudar a possibilidade de introduzir a obrigatoriedade de as companhias seguradoras alocarem às respetivas carteiras uma percentagem mínima para o seguro agrícola, como forma de promover o crescimento do setor.

Trata-se de uma das medidas que visam o aumento da produção não petrolífera constantes do plano intercalar do Governo a seis meses, para melhorar a economia nacional, e cuja concretização deverá acontecer até ao primeiro trimestre de 2018.

No documento, o Governo estima um crescimento da Agricultura numa taxa de 5,9% durante o ano de 2018, prevendo "uma aposta forte nas principais fileiras", como cereais, leguminosas e oleaginosas, raízes e tubérculos, carne, café, palmar e mel. "Que, em grande parte, estão diretamente ligadas à dieta alimentar das populações do nosso país", lê-se, no plano do Governo a implementar até março.


O objetivo é potenciar os setores não petrolíferos, para aumentar a receita fiscal e o rendimento angolano, tendo a Agricultura como um dos pilares.

Para o efeito, além das medidas para massificar o acesso ao seguro agrícola, o Governo angolano assume o objetivo de "acelerar a implementação do Programa de Produção de Sementes", visando a utilização de sementes de "elevada qualidade", como forma de "melhorar a produtividade agrícola das culturas", mas também "rever todo o sistema de gestão e infraestrutura de irrigação", para "otimizar o seu rendimento".

Em 2018, o Governo quer dinamizar as culturas privadas do algodão, cana-de-açúcar, girassol, café, palmar e cacau, "promovendo a sua articulação com o setor industrial", bem como "rever o sistema de gestão e redimensionar as atividades produtivas das fazendas de média e grande escala". "O setor prevê também um maior dinamismo no ramo da agricultura empresarial, com o surgimento de novas explorações e fazendas de média e larga escala", aponta ainda o plano intercalar do Governo a seis meses.

Angola enfrenta uma profunda crise financeira, económica e cambial desde finais de 2014, decorrente da quebra na cotação internacional do barril de crude. Após 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, João Lourenço assumiu a 26 de setembro último o cargo de Presidente da República e chefe do Governo angolano.

Apetite global por chocolate reduz estimativa de excedente de cacau

O mundo não consegue saciar a sua fome de chocolate. E o cacau é um dos principais beneficiados, pois vê assim diminuir o actual excedente mundial da oferta.


26 de novembro de 2017 às 11:19

A "enorme" procura nos mercados emergentes deve prosseguir na actual temporada e o terceiro maior processador mundial de cacau estima uma forte redução do excedente global. Com efeito, de acordo com Gerry Manley, director do departamento de cacau da Olam International, o excedente desta matéria-prima agrícola, que atingiu um recorde na temporada passada, provavelmente cairá para cerca de 50.000 toneladas.
 
A procura aumentou particularmente na Ásia, onde países como Filipinas, Indonésia, Índia e China estão a consumir mais cacau em pó, usado em produtos como biscoitos e gelados, disse Manley. E embora os agricultores na África Ocidental talvez tenham safras excepcionais pelo segundo ano consecutivo, é pouco provável que o maior produtor, a Costa do Marfim, repita a safra recorde da temporada passada.
 
"Estamos muito optimistas em relação à procura", disse Manley, em entrevista no escritório da empresa, em Londres, na passada quinta-feira. "Estamos a observar uma boa procura por cacau em pó em todo o mundo, mas os mercados emergentes estão à frente".
 
Os futuros de referência do cacau em Londres caíram 23% no ano passado, o maior declínio desde 2011, porque a produção bateu um recorde na Costa do Marfim e porque o Gana, segundo maior produtor, também colheu uma safra volumosa. As safras abundantes em África contribuíram para aumentar o excedente global a 371.000 toneladas, segundo estimativas da International Cocoa Organization, com sede em Abidjan.
 
Nesta temporada, o processamento global de cacau provavelmente aumentará mais de 3%, afirmou Manley, acrescentando que esta projecção é conservadora. O processamento cresceu mais de 5% na temporada de 2016-2017. Cerca de 8.000 produtos novos foram lançados no mercado de confeitaria no ano passado, sublinhou Manley.
 
Os custos mais baixos estão a estimular a procura e o mercado global de doçaria com chocolate expandiu-se 2,3% no período de três meses terminado em Junho e 2,2% no trimestre seguinte, afirmou o maior processador de cacau do mundo, a Barry Callebaut, citando dados da empresa de análise Nielsen. A recuperação chegou após pelo menos seis trimestres consecutivos de contracção.
 
Especulação
 
O segundo ano consecutivo de excedente irá provavelmente manter o cacau dentro de uma faixa de preços, mas determinados eventos macroeconómicos poderão obrigar os especuladores a cobrirem as suas posições vendidas. Os especuladores têm vindo a apostar, no último ano, numa queda dos preços do cacau em Londres, segundo os dados da bolsa ICE Futures Europe.
 
"Desde o começo de 2017, observamos uma correlação muito mais forte entre as posições vendidas brutas no cacau e no complexo agrícola geral, especialmente nas commodities agrícolas", comentou Charles Leslie, trader da Olam em Londres, na mesma entrevista. "Há uma influência macroeconómica muito maior sobre o cacau, e ela é provavelmente o maior risco para a alta".

Bancos europeus aprovam financiamento de 260 milhões para regadios


O Governo vai assinar em Dezembro contratos de financiamento com dois bancos europeus que asseguram os 260 milhões de euros necessários à conclusão do programa nacional de regadios nos próximos anos, anunciou hoje o ministro da Agricultura.
Bancos europeus aprovam financiamento de 260 milhões para regadios

Miguel Baltazar/Negócios

25 de novembro de 2017 às 16:19

Luís Capoulas Santos disse aos jornalistas, em Soure, que o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (BDCE) aprovaram, na semana passada, os dois financiamentos, de 180 milhões e 80 milhões de euros, respectivamente.

"Os contratos de financiamento serão assinados nos primeiros dias de Dezembro", indicou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, à margem de uma sessão de apresentação do projecto Vale do Pranto 1, integrado na obra de regadio do Baixo Mondego, em que participaram algumas centenas de agricultores da região.

Nos últimos dias, o BEI e o BDCE "aprovaram o montante que faltava para garantir a completa execução" do plano de regadios, orçado em cerca de 540 milhões de euros, disse Capoulas Santos, informando que "a diferença será financiada através do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), no âmbito do Portugal 2020.

O Governo, segundo Capoulas Santos, pretende concluir o programa nacional de regadios até 2022.

Numa primeira fase, estes investimentos públicos irão beneficiar 90 mil hectares de áreas agrícolas, sendo 49 mil hectares irrigados na sequência do alargamento do projeto do Alqueva, no Alentejo.

"A outra metade dos 90 mil hectares é um conjunto de regadios dispersos", incluindo o Vale do Pranto e o perímetro de regadio do Lis, nos distritos de Coimbra e Leiria, respectivamente, entre outros projectos um pouco por todo o país.

Em termos financeiros, a intervenção no vale do rio Pranto, que corresponde ao bloco 5 da programação do Baixo Mondego, representa uma verba do PDR 2020 de 25 milhões de euros, ou seja, 16% dos apoios aprovados no âmbito da operação "Melhoria da eficiência dos regadios existentes".

"Soure situa-se em segundo lugar de entre os municípios mais beneficiados pelos apoios à reabilitação e modernização de regadios", segundo um documento que o gabinete do ministro da Agricultura distribuiu aos jornalistas.

domingo, 26 de novembro de 2017

Governo prevê contratar 1.000 sapadores florestais até 2019


O Governo pretende contratar 1.000 sapadores florestais até 2019, que se vão juntar aos cerca de 1.500 profissionais hoje existentes, afirmou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, indicando que a medida tem vários anos de atraso.

Governo prevê contratar 1.000 sapadores florestais até 2019

"Nos quatro anos anteriores a este Governo não foi criada nenhuma nova equipa de sapadores florestais, portanto estamos agora a recuperar praticamente uma década de estagnação nesta força, [para a qual se previa] que até 2003/2004 já tivesse efectivos que só em 2019 vai ter", afirmou Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.
 
Neste sentido, o Governo prevê "juntar aos cerca de 1.500 sapadores florestais que já existem mais 500 no ano de 2018 e outros 500 no ano de 2019", para que até ao final do mandato esta força destinada à prevenção dos incêndios disponha de um total de 2.500 profissionais.
 
O investimento em sapadores florestais vai ser realizado no âmbito do trabalho da Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, presidida por Tiago Martins de Oliveira.
 
Questionado sobre o trabalho já desenvolvido pela Estrutura de Missão, que funciona na dependência do primeiro-ministro, o ministro da Agricultura disse que haverá "um conjunto de decisões, em cascata, nos próximos meses" no âmbito da prevenção e combate a incêndios.
 
"Estamos a pretender fazer aquilo que é muito difícil, que é fazer depressa e bem, portanto temos de fazer com a velocidade possível, mas uma velocidade que seja compatível com soluções, que sejam soluções reflectidas e soluções que possam ter efeitos positivos", adiantou o governante, explicando que as medidas vão ter "várias consequências práticas" no âmbito do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Agricultura.
 
Criada após os grandes incêndios de Junho e de Outubro, a Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais tem um mandato até Dezembro de 2018.
 
"O que aconteceu neste ano de 2017 é algo que a História, os meios académicos, não deixaram de estudar exaustivamente, mas é algo que acho que não tinha ocorrido antes, portanto acho que houve um somatório de circunstâncias que tiveram a ver com situações específicas de clima, de período de seca prolongada, de conjugação de factores - ventos, temperaturas, humidades - que se reuniram num momento e que provocaram esta catástrofe", advogou Capoulas Santos.
 
Na perspectiva do tutelar da pasta da Agricultura, a lição a tirar do que aconteceu é: "se isso aconteceu, isso pode ser repetível". "Se estávamos não preparados ou não suficientemente alertados para que esse conjunto de factores se reunisse nas mesmas circunstâncias, agora pelo menos estamos despertos para isso e sabemos que temos de ter um dispositivo que responda a esse carácter de excepcionalidade", reforçou o ministro.
 
Para "dar o exemplo" de como é possível gerir bem e de forma rentável a floresta, o Governo decidiu criar uma empresa pública para a gestão da floresta, que funcionará como entidade para arrendar ou comprar terras.
 
Ainda não está definido quando é que esta empresa pública começa a funcionar, mas o ministro da Agricultura assegurou que será "tão rapidamente quanto possível", tendo as mesmas competências que uma entidade de gestão florestal (EGF).
 
Neste âmbito, o Governo pretende, "de alguma forma, antecipar-se à própria iniciativa privada" para demonstrar "como podem e devem ser constituídas as EGF".
 
As EGF podem ser constituídas por cooperativas, empresas públicas, empresas municipais ou associações de agricultores, que estejam disponíveis para gerir uma determinada área mínima, em que pelo menos 50% dessa área é composta por prédios rústicos do minifúndio com uma área inferior a cinco hectares, beneficiando assim de incentivos fiscais.

Imamat Ismaili doa 100 mil euros para rearborizar a mata de Leiria


Príncipe ismaelita, Amyn Aga Khan

23 Novembro 2017 às 20:45

MAIS VISTAS EM LEIRIA
30/11Acidente na A8 provoca um ferido grave e quatro ligeiros

O Imamat Ismaili, instituição liderada pelo príncipe Aga Khan, anunciou esta quinta-feira que vai oferecer 100 mil euros para a rearborização da Mata Nacional de Leiria, uma das zonas mais afetadas pelos incêndios do Verão em Portugal.

Segundo um comunicado enviado terça-feira, o donativo foi anunciado durante as comemorações do Dia do Imamat, que juntou centenas de pessoas na sede mundial da comunidade, em Lisboa, numa cerimónia presidida pelo príncipe Amyn Aga Khan, irmão do líder da comunidade Ismaili.

"Este projeto de rearborização foi organizado em colaboração com o Ministério da Agricultura, que irá agora concretizá-lo através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, entidade responsável por identificar a área que será abrangida pelo mesmo, devendo a totalidade do processo decorrer entre janeiro e março do próximo ano", pode ler-se na nota.

Em junho, o líder da comunidade ismaelita, Aga Khan, doou meio milhão de euros para apoiar as vítimas dos incêndios em Pedrógão Grande, verba que, segundo o comunicado, "já foi distribuída na sua quase totalidade".

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

A Mata Nacional de Leiria foi a maior superfície ardida, com quase 9476 hectares destruídos (86% do total).

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.

sábado, 25 de novembro de 2017

Câmara de Matosinhos desliga rega automática dos jardins


21/11/2017, 23:27191
Câmara Municipal de Matosinhos, no distrito do Porto, decidiu desligar a rega automática dos jardins para poupar água e fazer face à situação de seca que se vive no país, anunciou a presidente.

A Câmara Municipal de Matosinhos, no distrito do Porto, decidiu desligar a rega automática dos jardins para poupar água e fazer face à situação de seca que se vive no país, anunciou nesta terça-feira a presidente. Durante a reunião pública do executivo municipal, Luísa Salgueiro referiu que nos locais onde a rega é imprescindível essa está a ser feita com recurso à água de um riacho subterrâneo, ou seja, sem recurso ao abastecimento público.

Além disso, a autarca socialista adiantou que as fontes funcionam em circuito fechado, não consumindo água de consumo público. Luísa Salgueiro vincou que, "felizmente", o concelho não tem sentido os efeitos da seca, mas poupar água é uma tarefa de todos e é para o bem de todos, daí estas primeiras medidas.

"Apelo à população que faça poupança de água e que nos acompanhe nesta campanha", afirmou. De acordo com o índice meteorológico de seca do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a 15 de novembro, verificou-se um aumento da área em situação de seca extrema em todo o território de Portugal Continental. Segundo o IPMA, a 15 de novembro cerca de 6% do território estava em seca severa e 94% em seca extrema.

“É uma tolice achar que o problema da seca se resolve no dia em que começar a chover”, diz ministro do Ambiente


21/11/2017, 23:33

Ministro do Ambiente diz que são preciso dois ou três meses chuvosos para resolver parte do problema da seca. E diz que situação é "grave" e que no Alentejo há reservas para apenas dez meses.


O ministro do Ambiente avisa que a situação de seca "é grave" e alerta para a necessidade de "poupar água", quando os principais sistemas de abastecimentos do país já dão sinais alarmantes: a barragem de Fagilde está a ser abastecida por camiões-cisterna, tendo reservas para um mês e "em todos os outros sistemas abastecidos por águas superficiais, existe água mais ou menos para dez meses". Só os sistemas como o do Alqueva, Castelo do Bode e Douro e Paiva é que a situação "não é preocupante", apesar de já existirem alguns sinais de alerta, avisa João Pedro Matos Fernandes.


Numa entrevista à TVI24, o ministro do Ambiente disse que perante este quadro de seca, há "uma dupla tolice: achar que no dia em que começar a chover o problema da seca se resolve e, mesmo quando se resolver, continuará a ser uma tolice não se fazer um uso muito cuidadoso da água". A situação mais grave é em Fagilde, a barragem perto de Viseu, mas Matos Fernandes diz que há problemas noutros sistemas "abastecidos por águas superficiais — sobre águas subterrâneas existe informação menos fina e é só para abastecer pequenos aglomerados" — e faz um balanço, tendo em conta os níveis de chuva que existem até agora:

Em Fagilde há água para mais um mês;
Na Estação de Tratamento de "Água do Monte da Rocha, no Alentejo, existe para dez meses", exemplifica o ministro;
"Em sistemas como o Alqueva, Castelo do Bode ou Douro e Paiva, a situação não é preocupante, apesar de já começarem a aparecer azimutes", que comprometem a qualidade da água.
Estas reservas, admite Matos Fernandes, "podem ser prolongadas se se conseguir reduzir os consumos" e apesar de não querer "alarmar" — até porque "está a chegar o Inverno e vem aí uma semana de chuva" –, o ministro também diz que "o passo seguinte" para responder à situação de seca severa e a problemas específicos de abastecimento de água passar pela "sugestão muito concreta" às autarquias para que reduzam a pressão na rede: "Perde-se menos agua, o débito é menor, o consumo também é menor e a maior parte das pessoas não sente".



De manhã, o ministro tinha dito que o racionamento de água seria o "fim de linha" e na entrevista televisiva acabou por afirmar que acredita que o país "vai ultrapassar" a situação "sem alarme, nem racionamento", apontando "dois problemas" desta medida: "Provoca o encher de banheiras e só pode ser pensado pontualmente, para situações muito graves, em que se reduza o consumo durante alguma horas e em alguns sítios".

Quanto tem de chover para a situação ficar resolvida? "Se tivermos 2 ou 3 meses chuvosos a partir daqui, o problema fica sanado em boa parte", responde o ministro que logo a seguir diz que se chover uma semana "não se resolvem os problemas, mas a chuva é suficiente para imediatamente baixar os consumos, haver mais humidade e as pessoas gastarem menos água".

Para minimizar seca vão 100 litros de água por segundo de Alqueva à Vigia



21 nov, 2017 - 10:38 • Rosário Silva

Agricultores já reduziram os consumos e toneladas de peixes foram retirados de albufeiras.

No Alentejo, o reduzido volume de armazenamento de água na barragem da Vigia, concelho de Redondo (Évora), foi nos últimos meses uma das situações que mais preocupou as autoridades. No final de Setembro, estava preenchida, apenas, 10% da sua capacidade.

Foi a primeira a ser alvo de uma operação de remoção de 150 toneladas de peixe decidida para quatro albufeiras da região, no final do mês de Agosto, e os agricultores do perímetro de rega foram forçados a reduzir os consumos de água nas suas culturas, devido à seca, para acautelar o abastecimento público.

Em 2015, o Perímetro de Rega da Vigia ficou ligado ao Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva através da albufeira do Monte Novo (Évora), beneficiando várias centenas de parcelas agrícolas.

Em ano de seca extrema e severa, houve necessidade de salvaguardar o abastecimento público dos sete mil habitantes do concelho de Redondo e há dois meses que a água da "barragem mãe de todas as barragens" passa, também, pela Estação de Tratamento de Água (ETA) da Vigia.

"A solução que encontrámos para minimizar os efeitos da seca no abastecimento público, passou pela ligação directa de Alqueva à ETA da Vigia", conta à Renascença o presidente da Câmara de Redondo, numa intervenção que envolveu a empresa Águas de Lisboa e Vale do Tejo, a Associação de Beneficiários da Obra da Vigia e o próprio município.

"Estão a chegar à ETA 105 litros de água por segundo", revela António Recto. O autarca explica que a população consome "cerca de 60 a 70% dessa água", o excedente segue a céu aberto para a barragem. "Neste momento deve estar a armazenar ainda muito pouco, entre 10 a 12% da sua capacidade, que é, no total, de 15 milhões 725 metros cúbicos", acrescenta.

Mas se a questão do abastecimento público à população está resolvida, o mesmo não se pode dizer das incertezas que se colocam ao sector agrícola, motor da economia do concelho. António Recto alude, também, aos problemas que já se colocam ao abeberamento do gado: "É outra das dificuldades que estamos a ter, e a própria câmara já transporta água, que tira de alguns poços, para fazer chegar a algumas explorações pecuárias."

Desde Maio que o presidente da Câmara de Redondo tem a seca no topo da sua agenda. Garante que por parte de todas as entidades com quem tem trabalhado, Governo incluído, "tem existido um empenho total". Só falta mesmo, desabafa, "uma ajuda divina".

Foto: Rosário Silva/RR
Foto: Rosário Silva/RR
Produtores com despesas acrescidas

Na Herdade do Carapetal, a quatro quilómetros da vila de Redondo, há cerca de quatro centenas de bovinos que é preciso cuidar. O proprietário, Olaf Maat, holandês há 30 anos no Alentejo, gere a exploração pecuária de bovinos de leite, com 110 hectares.

"Já tivemos anos de seca, mas como este ano ainda não tínhamos tido", confessa à Renascença o empresário.

Juntamente com a mulher, Teresa, dedicam-se à actividade de produção leiteira e, paralelamente, à produção forrageira para alimentação do efectivo da exploração.

"Produzimos forragens que armazenamos sob a forma de silagem para alimentação das nossas vacas e, desse ponto de vista, não temos problemas este ano, mas se não chover, o próximo ano vai ser complicado", diz Olaf Maat.

Dar de beber aos animais torna-se, neste ano de seca, a maior preocupação do casal: "Habitualmente é através de furos e poços, mas por causa da seca, estamos a utilizar a água da rede pública, que é muito cara e encarece muito a nossa actividade."

São despesas acrescidas para os agricultores numa região à espera que chova. "Precisamos muito de chuva pois sem chuva não conseguimos fazer nada", murmura o empresário.

Maioria dos consumidores compra frequentemente produtos portugueses - estudo


PUB

 
A maioria dos consumidores (65,6%) compra produtos portugueses frequentemente e quase metade (48,4%) gasta entre 51% e 75% da sua despesa total mensal em produtos nacionais, segundo um estudo apresentado hoje.

A conclusão consta do "estudo de notoriedade da marca", elaborado pelo ISEG -- Lisbon School of Economics & Management (CEGE), apresentado hoje durante o II Fórum Portugal Sou Eu, no Centro de Congressos de Lisboa.

O estudo, realizado junto de 1.200 consumidores e apresentado por Helena Martins Gonçalves, do ISEG, revela que 84,5% dos consumidores procuram a origem do produto e, destes, 76% procuram a indicação da origem do produto ou um selo (42,8%).

"Os resultados são claros e apontam para um aumento, em comparação com o estudo feito em 2014, dos consumidores que compram produtos portugueses frequentemente (65,6% em 2017 e 62,4% em 2014) e dos que tentam comprar produtos portugueses sempre que existam (68,6% em 2017 e 58,7% em 2014", avança o estudo.

O melhor do Diário de Notícias no seu email

Agora pode subscrever gratuitamente as nossas newsletters e receber o melhor da atualidade com a qualidade Diário de Notícias.

SUBSCREVER
De acordo com o documento, a preocupação do consumidor em relação à origem continua a ser maior nos produtos alimentares, com 94,6% para os azeites e vinhos e mais de 80% nas frutas, legumes, pão, pastelaria, peixe, carne e derivados e queijos.

A satisfação com os produtos portugueses registou um aumento, com 92,8% dos consumidores inquiridos a manifestarem-se satisfeitos.

O estudo diz ainda que a qualidade prevalece sobre o preço em quase todas as categorias, com destaque para os bens alimentares.

Em relação aos gastos, 48,4% dos consumidores inquiridos afirma que gasta entre 51% a 75% da sua despesa mensal total em produtos portugueses, contra 41,6% em 2014.

Os motivos que conduzem à compra da produção nacional revelam que 89% acreditam que estão a criar emprego, 87% a ajudar Portugal a ser uma economia forte, 78% a apoiar as empresas nacionais e 77% a ajudar a melhorar o défice.

O programa "Portugal Sou Eu", lançado em 2012 pelo Governo, conta com a adesão de cerca de 1.700 empresas, que qualificaram mais de 5.700 produtos, representando um volume de negócios agregado superior a 6,5 mil milhões de euros e mais de 46 mil postos de trabalho.

Cerca de 68% dos produtos aos quais foi atribuído o selo "Portugal Sou Eu" pertencem aos setores da alimentação, bebidas, agricultura e pescas.

Pedrógão: Governo divulga pontos do capítulo 6 autorizados pela Comissão de Dados


Jornal Económico com Lusa
01:42

Apesar do veto, a Comissão Nacional de Proteção Dados autorizou a publicação de alguns pontos do capítulo 6, desde que previamente sejam colocados no anonimato "alguns elementos que podem permitir indiretamente a identificação dos intervenientes" e que "cada um dos intervenientes der o consentimento".


O governo divulgou hoje alguns pontos do capítulo 6 do relatório sobre os incêndios de Pedrógão Grande, que fazem uma análise detalhada a casos de sobrevivência, a vítimas mortais encontradas e a problemas nas comunicações.

Os pontos em causa no relatório elaborado pelo Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, analisam várias situações, entre elas casos de sobrevivência por as pessoas terem permanecido em casa ou em tanques de água, alguns feridos que foram socorridos, as pessoas que foram encontradas já sem vida, mas salvaguardam a identidade dos envolvidos, bem como alguns dos locais onde ocorreram as situações.

A Comissão Nacional de Proteção Dados (CNPD) vetou a publicação integral do capítulo 6 do relatório elaborado por Domingos Xavier Viegas sobre os incêndios de Pedrógão Grande, permitindo apenas que os familiares das vítimas tenham acesso à informação.

Apesar do veto, a Comissão Nacional de Proteção Dados autorizou a publicação de alguns pontos do capítulo 6, desde que previamente sejam colocados no anonimato "alguns elementos que podem permitir indiretamente a identificação dos intervenientes" e que "cada um dos intervenientes der o consentimento".

Especialista dos EUA que previu os grandes fogos avisa: “Pode haver mais duas a três temporadas de incêndios como este ano”


24 Novembro 2017885

Vera Novais
Em 2009, Mark Beighley previu que os incêndios de 2017 podiam acontecer. Agora volta a dizer que podem repetir-se. Critica os bombeiros, as leis contra incendiários e as políticas. E já avisou Costa.

Partilhe
Quando em maio deste ano, Mark Beighley veio de férias a Portugal, estava longe de imaginar o que estava para acontecer. Os incêndios graves de junho e outubro criaram as condições para o especialista em fogos florestais voltar ao país como consultor na área. Afinal, tinha sido ele a prever, em 2009, que um incêndio devastador podia acontecer em Portugal no prazo de dez anos.

A previsão tinha sido feita por Mark Beighley e o coautor A. C. Hyde no relatório pedido pelo grupo Portucel-Soporcel – Avaliação da Gestão e Capacidade de Resposta aos Incêndios Florestais. Os autores identificaram, com uma probabilidade de 5%, que num ano de seca extrema os fogos florestais em Portugal podiam queimar mais de 500 mil hectares. Era um cenário extremo, que muitas pessoas julgaram exagerado. Mas aconteceu. Aconteceu este ano e o especialista não descarta que possa voltar a acontecer nos próximos anos.

"Em muitas zonas de Portugal, encontram-se já reunidos os principais ingredientes de um incêndio devastador, exceto um: o próximo episódio provocado pelas condições meteorológicas", escreveram os autores do relatório em 2009.


Previsão de risco de incêndio para os dez anos depois da elaboração do relatório (2009). A verde, os anos benignos de incêndios (como tinha acontecido em 2007 e 2008); a amarelo, um cenário de incêndios extremos (como os de 2003 e 2005); a vermelho, um cenário que nunca tinha acontecido e cuja probabilidade era de 5% (aconteceu em 2017) – Beighley&Hyde (2009) Relatório Portucel-Soporcel

Afocelca

A Afocelca é um agrupamento complementar de empresas do grupo The Navigator Company e do grupo Altri que tem como missão apoiar o combate aos incêndios florestais nas propriedades das empresas agrupadas. A Afocelca trabalha em coordenação e colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Durante as férias, Mark Beighley ligou ao amigo Tiago Oliveira para combinarem um jantar, mas o resultado foi que o então Gestor da Proteção Florestal da empresa The Navigator Company (antiga Portucel-Soporcel) lhe pediu que atualizasse o relatório que tinha produzido em 2009. Tiago Oliveira considerava que tudo o que estava no relatório era ainda relevante, mas a data marcada na capa não ajudava. Além disso, era preciso juntar os dados dos incêndios até 2016 e voltar a avaliar o desempenho da Afocelca (uma empresa privada de combate a incêndios).

Antes mesmo de conseguirem acordar uma data para começarem a fazer o trabalho de campo, chegou junho e os incêndios de Pedrógão Grande e Góis. A extensão dos incêndios e a morte de 64 pessoas obrigaram a que a ideia ficasse suspensa até que o ambiente estivesse mais sereno para se tocar no assunto. Com os incêndios de outubro, Mark Beighley, que trabalhou nos Serviços Florestais dos Estados Unidos, sentiu que era imperativo o regresso a Portugal como consultor.

"Eu quero mesmo que isto funcione. Se pagarem as minhas despesas, volto de borla e fazemos isto", disse o especialista a Tiago Oliveira, agora presidente da recém-criada Estrutura de Missão para a Instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais.


Durante três semanas, Mark Beighley voltou a correr o país e tentou entrevistar muitas das pessoas com quem tinha falado para elaborar o relatório de 2009. A resposta foi comum a muitas delas: "Basta mudar esta data para 2017, porque está tudo na mesma". Mas o especialista norte-americano não concorda: "Não é bem verdade, porque na realidade está tudo um bocadinho pior".

Muito do que faltava em 2009 continua a faltar

Quando Mark Beighley esteve em Portugal em 2009, para elaborar o relatório para a Portucel-Soporcel, "a ideia era fazer uma revisão completa do sistema de combate a incêndios em Portugal". Uma questão particularmente importante para a empresa, que queria reduzir o dinheiro gasto com os serviços da Afocelca. Mas, para isso, precisava de ter garantias de que os meios disponibilizados pelo Estado para o combate a incêndios era suficiente.

Para conseguir uma imagem o mais abrangente possível, Mark Beighley percorreu o país e entrevistou quase 60 pessoas das áreas relacionadas com o assunto: das associações florestais aos professores universitários, dos bombeiros, à ANPC e à GNR. O que mais o irritou foi o facto de José Honório, o então presidente da Portucel-Soporcel, não ter facilitado a divulgação do documento. "As pessoas entrevistadas nunca tiveram oportunidade de ver este relatório — o que me deixou aborrecido. Sempre que fazemos um relatório queremos receber um feedback das pessoas."


No relatório de 2009, Mark Beighley, com mais de 40 anos de experiência em gestão de fogos florestais, apresentou os três pilares essenciais para lidar com este problema: a prevenção — especificamente, a redução ou eliminação das ignições (início dos incêndios); a redução de combustíveis (como ervas e matos secos, lenha e excesso de árvores); e o combate aos incêndios, propriamente dito.

"Tentei enfatizar que só quando os dois primeiros pilares falham é que é preciso recorrer ao último. Mas, em Portugal, tudo o que se tem feito é no último pilar." Um problema que, segundo o especialista, é típico dos países que têm problemas com incêndios. "É mais fácil investir em mais helicópteros e aviões de combate a incêndios, atirar dinheiro para o problema e ver se, com sorte, ele se resolve sozinho."

Foi isso que o Governo fez depois dos incêndios de 2003 e 2005. E quando Mark Beighley voltou, em 2009, o Governo reclamava sucesso, porque as épocas de incêndios de 2007 e 2008 não tinham sido muito graves. Para o especialista era cedo para cantar vitória: os verões desses dois anos tinham sido amenos e húmidos. Os anos críticos em termos de incêndios em 2013, 2016 e 2017, mostraram que tinha razão.

Portugal precisa de apostar na prevenção das ignições

Quando se encontrou com o primeiro-ministro António Costa, no dia 10 de novembro, Mark Beighley alertou que o foco devia estar na prevenção e no tratamento de combustíveis. Ideias que já estavam na proposta técnica do Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios que ajudou a elaborar. Ideias que têm sido repetidas e reforçadas por muitos engenheiros florestais e especialistas em incêndios em Portugal. Mas, como o próprio Mark Beighley lembrou, grande parte das propostas acabaram por não ser integradas no plano final de defesa da floresta.


"Não há soluções milagrosas. Não vão resolver este problema num ano ou dois ou mesmo dez. Precisam de uma solução sustentável de longo prazo." E uma solução que considere as múltiplas facetas do problema identificadas pelos autores do relatório. Uma delas é a desertificação do interior e, como resultado, terrenos agrícolas que não estão a ser tratados. Quando um terreno fica abandonado, as árvores estabelecem-se e formam-se áreas florestadas selvagens, que "contribuem para este oceano imenso de combustível".

O interior não está só a ficar sem pessoas, as pessoas que têm abandonado a região são as mais jovens. Quem fica não tem capacidade para fazer uma gestão adequada. Mais, os proprietários dos terrenos têm, normalmente, parcelas de terra muito pequenas que não justificam o investimento na gestão de combustíveis. A solução poderia ser a criação de Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) — a agregação de todas as pequenas propriedades num mesmo corpo de decisão —, mas, além do processo de constituição das ZIF ser moroso e burocrático, "os proprietários não estão disponíveis para abdicar da gestão do seu pequeno pedaço de terra".



"Poucas ou nenhumas ZIF realizam tratamentos de combustível que reduzam o risco de incêndio", referem os autores nas conclusões do relatório. "É preciso garantir mais especialização, apoio e incentivos aos proprietários, de forma a que concluam os tratamentos de combustível. O conceito das ZIF é inútil, se não obtiver resultados significativos de prevenção dos incêndios florestais."

"Há uma ocorrência anormalmente elevada de fogo posto em Portugal. Outros países implementaram sanções penais graves para este tipo de crime. Em junho deste ano [2009], a Califórnia condenou à morte uma pessoa que causou um incêndio, no qual faleceram cinco bombeiros, que tentavam salvar uma casa."
Outro problema é o número de ignições, que Mark Beighley atribui às pessoas, por negligência ou acidentes. "Disse ao primeiro-ministro: não é terrorismo, não são os aviões de combate a incêndios, são os seus vizinhos." As pessoas continuam a ter comportamentos de risco, a fazer queimadas quando a recomendação é para que não o façam. Depois vem uma rajada de vento e a pequena fogueira para queimar os restos da poda transforma-se num incêndio de grandes dimensões. E isto aconteceu este ano.

"Muitas destas pessoas fazem isto há décadas: chega o outono, cortam as folhas, podam as árvores e queimam tudo. Parece-me que não lhes faz muita diferença que esteja calor ou tempo seco ou vento. Vão fazê-lo na mesma", disse. "Depois ouvi comentários do tipo: vinha aí o furacão Ophelia, que iria fazer chover muito, como faz nos Estados Unidos, e que tinham de se despachar a queimar as coisas antes que chovesse." Muitas das queimadas foram feitas nos dias 13 e 14 de outubro. Depois vieram os ventos fortes. Sem falar que setembro e outubro foram dos meses mais quentes de que há registo.


E as outras pessoas permitem que isto aconteça. Quando visitou as zonas afetadas pelos incêndios de Oliveira do Hospital, Mark Beighley perguntou às pessoas se denunciariam à GNR um vizinho que estivesse a fazer uma queimada numa altura de risco elevado de incêndio. E a resposta que obteve foi que não, porque tinham de continuar a conviver com essa pessoa. "Esta é uma parte do problema, a tolerância para a quebra de regras, ou como me disseram: 'Não são leis, são meramente sugestões'."

Em Mortágua encontrou um exemplo diferente. Como a maioria das pessoas depende de alguma forma da indústria do papel, todos têm um papel de vigilante, as próprias equipas de futebol fazem patrulhas. E quando vêem algo suspeito, ou um estranho a rondar a área, ligam ao comandante dos bombeiros. "Eles consideram a floresta como um banco, é o seu investimento, e está a crescer."

Os autores do relatório mostraram-se surpresos com a "ocorrência anormalmente elevada de fogo posto em Portugal" e perceberam que muitos destes resultam de políticas públicas contraditórias e dos consequentes conflitos de interesse. "Outros países implementaram sanções penais graves para este tipo de crime", referem os autores. "Em junho deste ano [2009], a Califórnia condenou à morte uma pessoa que causou um incêndio, no qual faleceram cinco bombeiros, que tentavam salvar uma casa."

Criticam ainda a atuação das equipas de bombeiros por não protegerem os locais dos incêndios como uma potencial cena de crime até à chegada do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA), da GNR, ou dos agentes da Polícia Judiciária. "Na ansiedade de extinguirem os incêndios, destroem os indicadores da origem dos mesmos e as provas essenciais, tornando quase impossível determinar a origem do incêndio e instaurar uma ação penal."

"Na ansiedade de extinguirem os incêndios, destroem os indicadores da origem dos mesmos e as provas essenciais, tornando quase impossível determinar a origem do incêndio e instaurar uma ação penal."
Os reacendimentos são outro problema a considerar. "Este ano, alguns distritos tiveram uma taxa de reacendimento de 30%", disse o especialista, lembrando que é uma taxa muito alta. "Quando temos 500 fogos por dia, o que acontece é que a primeira força de intervenção fica assoberbada e não consegue extinguir completamente um fogo antes de ter de ir combater o próximo." A sugestão é que, depois de os bombeiros apagarem o fogo, entre outra equipa para garantir que todos os pontos quentes são eliminados.

Este trabalho pode ser feito pelo Exército. "Portugal tem muitos pelotões de militares que precisam de fazer exercícios de orientação e que não precisam de conhecimento sobre combate a incêndios para isso." Para Mark Beighley o exercício pode ser dar uma localização aos militares para treinarem essas competências e, quando chegarem ao local, podem detetar se existem pontos de calor. "O que é preciso é um processo de verificação dos incêndios em contínuo, precisam de alguém que tenha a responsabilidade de o fazer, porque agora é aleatório, na melhor das hipóteses: alguns fogos são verificados, outros não."

Os bombeiros precisam de usar mais ferramentas, defendeu o especialista. E não só na deteção dos pontos quentes, também no combate aos incêndios. "Uma das coisas que fazemos nos Estados Unidos é que criamos um trilho à volta de todos os incêndios, onde acabamos com os combustíveis e ficamos só com o solo mineral", explicou. "E vocês aqui não fazem isso. Esta é uma das críticas do relatório."

Para se conseguir criar este trilho é preciso resfriar o fogo primeiro. É para isso que servem os helicópteros e aviões de combate a incêndio. Estes meios não apagam incêndios, os bombeiros é que fazem esse trabalho, mas têm de conseguir lá chegar. Claro que quando as chamas estão muito altas, os bombeiros não conseguem lá chegar e as chamas saltam os trilhos como saltam as estradas. A solução para ter chamas mais baixas é fazer a gestão dos matos e arbustos juntos destes trilhos e estradas, que pode ser feita com corte ou com fogo controlado.

Mas, muitas vezes, na opinião de Mark Beighley, não haveria gestão de combustíveis, nem número de bombeiros ou de viaturas, que pudesse ter alterado o desfecho do incêndio. "O que podia alterar o desfecho? Não ter um incêndio à partida." E os reacendimentos são preveníveis, como reforçou o especialista várias vezes durante a entrevista. "São este tipo de incêndios que estão a queimar casas, que estão a matar pessoas."

É preciso uma unidade específica dedicada aos fogos florestais

Mark Beighley, que conhece vários comandantes e corporações de bombeiros em Portugal, defendeu que estes são parte da solução no combate aos incêndios, mas é preciso fazer mais. "Os bombeiros são muito bons em algumas coisas: fogos em habitações, em empresas ou em estruturas, mas precisam de mais conhecimentos em fogos rurais, em fogos florestais, em gestão de fogo florestal." O especialista defende que os comandantes das corporações maiores, assim como todos os líderes envolvidos no combate aos incêndios devem ter formação, competências e experiência na área. O relatório da comissão técnica independente, elaborado depois dos incêndios de Pedrógão Grande e Góis, defendia o mesmo.



Para o especialista, um fogo rural ou florestal não pode ser encarado como um fogo urbano. Além do equipamento necessário ser completamente diferente, as competências que devem ter os bombeiros também o são. O mesmo para a coordenação das equipas. Por isso, Mark Beighley defende que seja criada uma estrutura, paralela à Autoridade Nacional de Proteção Civil [ANPC], que se dedique aos fogos rurais. "Criar outra organização que não substitua [a ANPC], mas que certamente a suplementa e complementa."

"A estrutura existente é boa para fogos em habitações, para emergências, para as ambulâncias, mas não é boa para fogos florestais", disse o especialista norte-americano. "O que normalmente acontece [em fogos florestais] quando têm alguns arbustos a arder e têm uma casa que está ameaçada é pôr toda a água na casa para evitar que arda. O fogo [nos arbustos] pode avançar para outros locais e depois ameaça outra casa. E o que fazem? Vão proteger a outra casa e o fogo continua em movimento, a espalhar-se e a ameaçar mais casas. Ninguém está a combater os fogos, toda a gente está em modo defensivo, a defender as estruturas, não há ninguém em modo ofensivo."

"O que normalmente acontece [em fogos florestais] quando têm alguns arbustos a arder e têm uma casa que está ameaçada é pôr toda a água na casa para evitar que arda. O fogo [nos arbustos] pode avançar para outros locais e depois ameaça outra casa. E o que fazem? Vão proteger a outra casa e o fogo continua em movimento, a espalhar-se e a ameaçar mais casas. Ninguém está a combater os fogos, toda a gente está em modo defensivo, a defender as estruturas, não há ninguém em modo ofensivo."
O especialista, que também já foi bombeiro e comandante, criticou que não haja requisitos mínimos nas qualificações dos bombeiros em Portugal. "Estabelecer um padrão de competências para todas as pessoas com cargos de chefia na proteção civil, saúde pública, resposta de emergência, é do interesse público, tem a ver com segurança." Ainda assim, Mark Beighley referiu que se começam a ver muito bons profissionais, com boas competências técnicas, como o Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS), da GNR, ou a Força Especial de Bombeiros Canarinhos, mas falta a coordenação com os outros meios no terreno.

Outra das estruturas com potencial para ajudar a resolver o problema são os Gabinetes Técnicos Florestais (GTF). Mas, segundo Mark Beighley, estes técnicos queixam-se "que não podem fazer aquilo para que foram criados, tornaram-se escravos dos presidentes de Câmara e dos municípios". O objetivo dos GTF era "fazerem tratamento dos combustíveis ou fogo controlado ou mapeamento de risco". Em vez disso, "estão a podar as árvores e a garantir que as árvores do parque têm bom aspeto e esse tipo de coisas".

Um problema que Mark Beighley atribui, em parte, à extinção dos Governos Civis. Não existe um nível de governação intermédio entre o Governo central e as autarquias. "E os presidentes de Câmara tem mais poder do que deviam." Aqui, a solução pode ser a criação e organização de Comunidades Intermunicipais. Os GTF podem ser "libertados dos presidentes de Câmara, colocados neste outro patamar em que trabalham para três ou quatro municípios".

O que precisamos fazer mais?

Depois dos grandes incêndios de 2017, o Governo já criou nova legislação relacionada com os incêndios. Sem ter tido oportunidade de a ler, porque estava em português, e conhecendo apenas o que lhe contaram, Mark Beighley considera que não é suficiente. "Acho que a legislação que é criada imediatamente depois de uma emergência é provavelmente insuficiente, provavelmente não é bem pensada." O especialista sabe que os órgãos eleitos "têm de responder rápido e, muitas vezes, não é a melhor resposta".

Na reunião com o primeiro-ministro deixou-lhe dois conselhos. Em primeiro lugar, a mudança tem de ser significativa para que a população perceba que há algo a ser feito. "Tem de ser diferente do passado, não pode ser apenas mais helicópteros e aviões de combate a incêndio, precisam de concentrar-se nos outros componentes." Depois, é preciso gerir expectativas. "Se fizer promessas que não consiga cumprir, as pessoas vão perder a confiança em si. E se não tiver a confiança do público, não vai chegar a lado nenhum."

Nos próximos anos, o número de incêndios e a área ardida até podem ser menores, mas isso não será necessariamente resultado das políticas do Governo. No relatório de 2009, os autores perceberam que existe um ciclo de verões amenos e húmidos, com menos expressão dos fogos florestais, seguidos de um ou dois anos de verões secos e quentes, em que os incêndios podem tomar proporções catastróficas. E são estes "anos benignos" de incêndios que conduzem aos anos extremos. Porquê? "Primeiro, as zonas não ardidas nos anos amenos tornam-se mais propensas a arder nos anos seguintes com verões quentes e/ou secos. Segundo, nos verões amenos, há um aceleramento do crescimento vegetal, devido a um menor stress da humidade, que fornece mais combustível para a ocorrência futura de incêndios, em verões quentes e/ou secos", escreveram os autores no relatório.

Mas se acha que este ano ardeu tudo o que havia para arder, Mark Beighley desfaz a ilusão: "Ainda há muito para arder. Há combustível suficiente — em diferentes partes de Portugal — para termos mais duas ou três temporadas de incêndio como este ano".


O especialista deixa ainda uma crítica à calendarização da época dos incêndios (fases Bravo, Charlie e Delta). "O calendário é ótimo para a proteção civil, mas é péssimo para o combate aos fogos florestais." E dá o exemplo deste ano: "A fase Charlie, quando acontecem a maior parte dos incêndios, começa a 1 de julho e vai até 30 de setembro, mas os dois incêndios mais significativos deste ano aconteceram fora deste período, um antes e outro depois." Para Mark Beighley, a média faz pouco sentido quando o que se verifica são "temporadas de incêndios assimétricas". "Ou se tem uma época de incêndios muito severa ou muito branda."

A sugestão é que se crie um índice meteorológico com foco nos incêndios, que tenha em consideração, por exemplo, o clima presente, as previsões futuras, o nível de secura dos combustíveis ou o nível de aridez dos solos. Mais uma vez, o especialista disse que o país já tem capacidade para fazer isto e enalteceu o trabalho feito pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

"As nações e estados não podem controlar a meteorologia, as secas e ondas de calor. No entanto, podem controlar a quantidade de combustível pronto a arder e a sua distribuição no terreno." 
Mas os autores deixam claro que a prevenção é o mais importante. "As nações e estados não podem controlar a meteorologia, as secas e ondas de calor. No entanto, podem controlar a quantidade de combustível pronto a arder e a sua distribuição no terreno." Só reduzindo a quantidade de combustíveis se consegue reduzir a intensidade dos incêndios e, aí sim, os meios de combate serão eficazes. Os autores dão ainda o exemplo da Califórnia, que tem "o sistema de combate aos incêndios florestais mais sofisticado e caro do mundo", mas que mesmo assim tem dificuldade em combater incêndios extremos.

Correcção: Mark Beighley visitou as zonas afetadas pelos incêndios de outubro, nomeadamente a zona de Oliveira do Hospital