segunda-feira, 16 de maio de 2016

Recorde: durante quatro dias, Portugal só consumiu energia renovável



Consumo de eletricidade foi "assegurado integralmente" por fontes renováveis, entre as 06:45 do dia 07 de maio e as 17:45 da passada quarta-feira, correspondendo a um total de 107 horas seguidas.
O consumo de eletricidade em Portugal foi totalmente assegurado durante mais de quatro dias seguidos por fontes renováveis, atingindo um "recorde nacional" neste século, anunciou neste domingo a associação ambientalista Zero.

A ZERO – Associação Sistema Terrestre Sustentável, em colaboração com a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), analisou os dados da Rede Elétrica Nacional (REN), tendo concluído que na última semana "se atingiu um recorde muito importante neste século".

Segundo os ambientalistas, o consumo de eletricidade foi "assegurado integralmente" por fontes renováveis, entre as 06:45 do dia 07 de maio e as 17:45 da passada quarta-feira, correspondendo a um total de 107 horas seguidas.

Durante este período, explicam em comunicado, "não foi preciso recorrer a nenhuma fonte de produção de eletricidade não renovável, em particular à produção em centrais térmicas a carvão ou a gás natural".

A Zero adianta que as fontes de produção de eletricidade renovável e a capacidade de gestão da rede elétrica portuguesa "ultrapassaram uma difícil prova num contexto de diminutas interligações, principalmente entre Espanha e França", conseguindo que as necessidades do consumo do país tivessem sido asseguradas a 100% a partir de fontes de produção de origem renovável.

Conseguiram ainda exportar uma percentagem significativa de eletricidade, quer de origem exclusivamente renovável, quer complementada nalguns casos por fontes não renováveis.

"Se chuva e vento permitem estes recordes na primavera, torna-se imperioso fomentar e avaliar as mais-valias do aproveitamento da energia do sol e, assim, assegurar que no verão também venhamos a ter contribuições significativas de fontes de energia não emissoras de gases poluentes", defendem os ambientalistas.

Para a associação, estes dados mostram que "Portugal pode ser mais ambicioso" numa transição para um consumo líquido de energia elétrica 100% renovável, com enormes reduções das emissões de gases com efeito de estufa, causadoras do aquecimento global e consequentes alterações climáticas.

Um maior uso da eletricidade como energia final, tendo por base um incentivo que deve ser dado à mobilidade elétrica (o setor dos transportes é o principal setores responsável pelas emissões portuguesas), é igualmente uma variável fundamental na descarbonização da economia, salienta.

Vinho de talha do Alentejo é "mina de ouro" que Portugal deve aproveitar - especialista


Lusa 05 Mai, 2016, 19:40 | Economia

Um especialista norte-americano de vinhos incentivou hoje Portugal a aproveitar a "mina de ouro" que é o vinho de talha do Alentejo, produzido em grandes vasilhas de barro e que só tem tradição nesta região portuguesa e na Geórgia.

"O vinho de talha tem um grande potencial. É uma mina de ouro, Portugal e o Alentejo têm de aproveitá-la", defendeu à agência Lusa o especialista Paul White, à margem do 10.º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, em Évora.

Em "muitas partes do `novo mundo`, as pessoas amadureceram o seu consumo de vinhos, entraram numa fase mais adulta, e estão agora mais recetivas a este tipo de vinhos, diferentes dos tradicionais", afirmou o também crítico de vinhos e que escreve em revistas do setor.

"Há 10 ou 12 anos, toda a gente queria vinhos frutados, mas, agora, a audiência global para os vinhos alterou-se. Querem vinhos como os de talha, que acompanhem melhor a comida e que tenham um sabor mais mineral e vegetal, mais complexo, sem tanta fruta ou notas de carvalho", argumentou.

Paul White, que falou hoje no simpósio, precisamente, sobre o vinho de talha e as novas tendências do mercado mundial de vinhos, realçou à Lusa que Portugal deve apostar neste antigo método de produção vinícola, no Alentejo usado sobretudo para vinhos brancos, antes que outros países "corram" nessa direção.

"Na zona onde vivo, na Nova Zelândia, há duas pequenas adegas e já têm duas talhas. E a maior empresa de vinhos do país também já tem algumas talhas. A minha previsão é que, dentro de 10 anos, quase todas as adegas por todo o mundo tenham talhas e comecem a produzir estes vinhos", alertou.

Em Portugal, segundo a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), o "grande guardião" dos vinhos de talha tem sido o Alentejo, que soube "preservar até aos dias de hoje este processo de vinificação desenvolvido pelos romanos" e que terá chegado à região há dois mil anos.

A CVRA explicou hoje à Lusa que, neste processo, as uvas esmagadas são colocadas dentro das talhas de barro e ficam a fermentar, durante vários meses, em cima das massas formadas pelas películas do fruto, saindo depois o líquido para o exterior, através de uma torneira, límpido e puro.

"O contacto do líquido com essas massas que ficam no fundo, obviamente, vai conferir-lhe características diferentes", além de que o vinho ganha "outros aspetos também diferenciadores" por a fermentação acontecer num recipiente em que "o material, o barro, apesar de revestido, tem porosidade", disse o presidente da CVRA, Francisco Mateus.

Este conjunto de características "não é possível replicar num ambiente de produção mais massiva", disse, referindo que, na talha, "fica-se com um vinho antigo, que marca a diferença nos tipos de vinhos que existem hoje em dia".

A CVRA, em 2011, reconheceu este método de produção e incluiu o vinho de talha na Denominação de Origem Alentejo, passando a assegurar o seu controlo de origem, ou seja, que é feito com uvas da região, e a certificar a qualidade do mesmo.

"Este era um método que, se calhar, não era tão conhecido no passado, era mais conhecido só em termos locais, mas começa, hoje em dia, a ganhar alguma expressão", destacou Francisco Mateus.

De acordo com dados da CVRA fornecidos à Lusa, no primeiro ano de certificação, foram produzidos 3.200 litros de vinho de talha. Esse número "tem aumentado gradualmente" e, no ano passado, a CVRA já certificou "quase 44 mil litros", ou seja, "12 vezes mais do que em 2011".

No ano passado, acrescentou o organismo, 20% do volume de vinho de talha "Alentejo" comercializado teve como destino a exportação, para países como os Estados Unidos, o Brasil, Angola e Suíça.

"Ainda são quantidades pequenas de um vinho de nicho de mercado, mas já vemos produtores de maior dimensão a produzirem vinho de talha, que antes era apenas um produto tradicional ou familiar, feito por pequenos produtores", pelo que "isso é bom" e pode contribuir para, nos mercados internacionais, "o Alentejo mostrar a sua diferenciação", argumentou o presidente da CVRA.

O 10.º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, que arrancou na quarta-feira, termina na sexta-feira, sendo coorganizado pela CVRA, Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo (ATEVA), Universidade de Évora, Direção Regional de Agricultura e Pescas e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo.

Eduardo Diniz é Oficial da Ordem de Mérito Agrícola francesa


Mai 13, 2016Notícias0Like

O director-geral do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral  (GPP) do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural recebeu a distinção de Oficial da Ordem de Mérito Agrícola da República Francesa a 12 de Maio, na Embaixada de França em Portugal. A distinção foi entregue pelo embaixador de França em Portugal, Jean-François Blarel.

A insígnia foi entregue a Eduardo Diniz em «reconhecimento pelo trabalho desenvolvido, em particular no âmbito da negociação da política agrícola, e pelo seu contributo no âmbito das relações franco-portuguesas», diz o GPP em comunicado.

O responsável pelo GPP sublinhou que, no futuro, as políticas agrícolas devem centrar-se «nos principais desafios societais». Eduardo Diniz chamou ainda a atenção para «as responsabilidades das restantes políticas perante a agricultura e a responsabilidade dos agricultores perante consumidores, contribuintes e sociedade em geral».

Director-geral do GPP desde 2012, Eduardo Diniz já exerceu os cargos de subdirector-geral, de director de serviços e de chefe de divisão nas áreas da Política Agrícola Comum e mercados agrícolas. O responsável integra o GPP desde 1999.

INIAV discute valor das leguminosas


por Ana Rita Costa- 10 Maio, 2016


O INIAV vai promover no próximo dia 23 de maio, em maio, um programa totalmente dedicado ao Dia do Agricultor. A iniciativa, que contará com a presença de Capoulas Santos, ministro da Agricultura, e irá focar-se nas culturas arvenses, como os cereais, as oleaginosas e leguminosas, já que 2016 é o Ano Internacional das Leguminosas.

De acordo com a organização do evento, a "forte dependência" de Portugal face ao exterior no que diz respeito a culturas arvenses, "obriga-nos a enfrentar o desafio de alcançar, para o setor das culturas arvenses, um crescimento sustentado, sobretudo baseado na substituição das importações".

Nas últimas décadas a superfície agrícola cultivada sofreu uma redução de cerca de 1,3 milhões de hectares, valor que representa mais de 1/3 da Superfície Agrícola Útil (SAL). "Essa redução resulta basicamente da redução da conversão das áreas ocupadas por sistemas de culturas arvenses de sequeiro para prados e pastagens permanentes pobres", revela a organização.

O programa do evento contará com a participação de profissionais do setor como Nuno Canada, Presidente do INIAV, Pedro Teixeira, Diretor-Geral da DGADR, Benvindo Maçãs, Diretor da UEIS- BRG, INIAV, e Eduardo Diniz, Diretor-Geral do GPP, precisamente para discutir os desafios que se colocam ao setor na produção de culturas arvenses.

O dia termina com uma visita de campo a campos de ensaio na Herdade da Comenda.

Confederação alerta Belém para problemas da agricultura familiar


A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) voltou hoje a defender a valorização da agricultura familiar e a criação de um estatuto específico, na primeira audiência com Marcelo Rebelo de Sousa na qualidade de Presidente da República.

Lisboa, 10 mai - A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) voltou hoje a defender a valorização da agricultura familiar e a criação de um estatuto específico, na primeira audiência com Marcelo Rebelo de Sousa na qualidade de Presidente da República.

"Viemos aqui alertar principalmente para os problemas da agricultura familiar e aquilo que é mais premente, nomeadamente o reconhecimento da multifuncionalidade e da importância que este tipo de agricultura tem nos territórios rurais, na preservação da biodiversidade, na fixação das populações e na produção de alimentos de qualidade inegável", declarou aos jornalistas o dirigente da CNA, Pedro Santos.

O mesmo responsável considerou que é necessário valorizar este tipo de agricultura, que representa a maioria dos agricultores nacionais, defendendo a criação de um estatuto específico para a agricultura familiar.

Na audiência foram abordados outras preocupações da CNA como o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (mais conhecido pela sigla inglesa TTIP), que está a ser negociado entre os Estados Unidos e a União Europeia, "nas costas de todos os cidadãos europeus", e que pode pôr em causa "a soberania alimentar dos povos".

Também a crise do setor do leite e da suinicultura foi discutida com o Presidente da República, com a CNA a defender a necessidade de regressar aos mecanismos de regulação de mercado.

"É necessário que Portugal se bata ferozmente pela instauração de um novo regime de quotas leiteiras. Só um controlo da produção por parte da União Europeia poderá atenuar estes problemas", afirmou Pedro Santos.

RCR // MSF

Presidente Marcelo volta a Santarém para a Feira Nacional de Agricultura



by João Baptista on 10 de Maio de 2016

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai estar de volta a Santarém, no dia 4 de junho, para inaugurar a 53.ª Feira Nacional de Agricultura / 63ª Feira do Ribatejo. A presença do Presidente no certame foi anunciada esta segunda-feira, na apresentação do programa da Feira. O administrador do Cnema, Luís Mira, anunciou a programação "mais completa e ambiciosa de sempre, prevendo-se uma adesão de cerca de 180 mil visitantes e 40 mil profissionais".

A 53ª Feira Nacional de Agricultura / 63ª Feira do Ribatejo vai realizar-se no Cnema – Centro Nacional de Exposições em Santarém, entre os dias 4 e 12 de junho de 2016, e este ano tem como tema a "Fruta Portuguesa".

O palco da festa da Agricultura será, uma vez mais, o CNEMA – Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas, que irá receber, durante nove dias, a maior e mais antiga feira do setor agrícola, inaugurada, logo no primeiro dia (4 de junho), pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

Ocupando uma área útil de 33.115 m2, a FNA – Feira Nacional de Agricultura oferece inúmeros motivos para uma visita de lazer ou de negócio: para as famílias que procuram descontração e animação o evento pontua pela qualidade da gastronomia e do artesanato, pela oportunidade de contacto direto com animais e pelos variados espetáculos ao vivo, sendo também uma excelente local para os visitantes adquirirem produtos alimentares de todas as regiões do país; para os profissionais que pretendem estabelecer negócios e parcerias a Feira é o mais importante ponto de encontro do setor agrícola nacional, indispensável a quem pretende trocar experiências, debater problemas ou refletir sobre o futuro.

Colóquios

Sendo o tema central da Feira a "Fruta Portuguesa", o CNEMA organizou um conjunto de seminários e colóquios técnicos, denominados "Conversas de Agricultura", que irá reunir no mesmo espaço profissionais e oradores de prestígio nacional e internacional.

Inserido neste ciclo de encontros, no dia 9, as "Conversas de Agricultura" vão ser palco de um momento único, juntando à mesma mesa João Machado, Presidente da CAP, Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, Martin Merrild, Presidente do COPA – Comité de Organizações Profissionais Agrícolas, Jean Charles Bouquet, Diretor geral da ECPA – Associação Europeia da Indústria Fitofarmacêutica, Carlos Moedas, Comissário para a Investigação, Ciência e Inovação, José Graziano da Silva, Diretor geral da FAO – Food and Agriculture Organization, e Phil Hogan, Comissário da Agricultura e Desenvolvimento Rural.

domingo, 15 de maio de 2016

Feira Nacional de Agricultura terá programação «mais completa e ambiciosa de sempre»


Mai 09, 2016

Colóquios, seminários, concursos, degustações, concertos… São algumas das actividades incluídas no programa da 53.ª Feira Nacional de Agricultura. No âmbito profissional, a feira é «indispensável a quem pretende trocar experiências, debater problemas ou reflectir sobre o futuro», diz a organização.

A fruta portuguesa é o tema central do certame. Nesse sentido, serão organizados as " Conversas de Agricultura",  onde vários profissionais do sector serão convidados a discutir temas como o papel da fruticultura no território, a importância das leguminosas, o uso eficiente da água e a agricultura biológica.  Na última edição, cerca de 6.000 pessoas assistiram aos colóquios. Este ano, a organização pretende «ultrapassar» esse número.

Phil Hogan, Comissário Europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural, José Graziano da Silva, director-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, Martin Merrild, presidente do COPA – Comité de Organizações Profissionais Agrícolas, Jean Charles Bouquet, director-geral da Associação Europeia da Indústria Fitofarmacêutica, João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Capoulas Santos, ministro da Agricultura, e Carlos Moedas, Comissário Europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, compõem o elenco da conferência internacional sobre "Os grande desafios para a inovação na agricultura", a 9 de Junho.

A quarta edição das Tertúlias Agronómicas organizada pela Frutas, Legumes e Flores, irá debater a "Fruta portuguesa: caminhos e desafios do século XXI". A sessão, que tem lugar a 4 de Junho, pelas 18h,  também  está inserida nas "Conversas de Agricultura".

Luís Mira, responsável pela organização da feira, conta que, nesta edição, haverá uma maior área dedicada à exposição de maquinaria, bem como um aumento do número de expositores. O objectivo é «marcar a diferença em relação ao ano anterior», conta o responsável.

Para a 53.ª Feira Nacional de Agricultura, são esperados 40.000 visitantes profissionais. O certame terá lugar entre 4 e 12 de Junho, no Cnema. Em paralelo, realiza-se a Lusoflora de Verão, uma exposição e venda de flores organizada pela Associação de Produtores de Plantas e Flores Naturais, e a Fersant – Feira Empresarial da Região de Santarém.

Prós e contra da chuva de maio. Mais pastagens mas pior produção


Precipitação forte chegou com um mês de atraso e estragou cereja, tomate, milho e arroz. Temperaturas começam a subir hoje

O adágio falhou neste ano e abril não foi de águas mil. A chuva chegou em força apenas na primeira quinzena de maio sem dar tréguas ao longo de duas semanas, deixando os agricultores à beira de um ataque de nervos. Que o digam os produtores de cereja do Fundão, a braços com a fruta rachada ainda nas árvores, ou os colegas do vale do Tejo que já tinham lançado à terra as sementeiras de tomate, milho e arroz, assistindo agora à morte das plantas por asfixia, enquanto a uva de Santarém é atacada pelo míldio. E a chuva está ainda longe de responder às necessidades das barragens. As boas notícias do ano agrícola centram-se nas pastagens e cereais de sequeiro.

De um atraso de três semanas na campanha já a cereja do Fundão não se livra, mas o pior para os produtores são os prejuízos. "O fruto rachou por causa deste frio e da chuva intensa dos últimos dias", explica José Branco, produtor e presidente da Cerfundão, empresa de embalamento e comercialização de cereja, que neste ano até fez novos investimentos, estando longe de imaginar que não iria ter cerejas para tanta encomenda oriunda do Brasil, França, Inglaterra ou Emirados Árabes.

"Há variedades - sobretudo, as mais precoces - em que as perdas poderão ser totais. Depois há quebras na ordem dos 80%", segundo o mesmo dirigente. A produção de cereja na região atinge uma média anual de seis mil toneladas, representando cerca de 20 milhões de euros para economia do Fundão, segundo estima a própria autarquia

Já as vinhas do Ribatejo debatem-se com o ataque do míldio, o temido fungo que surge à boleia da conjugação entre a chuva e as temperaturas relativamente altas, capaz de causar grandes prejuízos nas culturas. "Temos os nossos produtores num ataque constante ao fungo e esperamos que não chova nos próximos dias", diz João Silvestre, diretor-geral da Comissão Vitivinícola Regional do Tejo, revelando que, afinal, ainda não há prejuízos para a uva da região.

Para hoje, espera-se o regresso do bom tempo, com a uma subida da temperatura até 25 graus Celsius no Algarve e no Alentejo. O sol vai brilhar no país até terça-feira, mas na quarta-feira podem regressar os aguaceiros.

Barragens ainda não estão cheias

Temeu-se o pior nesta semana, perante as cheias no Tejo e ameaças de descargas das barragens. "Estamos em alerta, mas se não chover nesta semana penso que podemos pensar numa produção normal", avança João Silvestre.

No vale do Tejo há agricultores que tentam salvar culturas com recurso a bombas para retirar água das sementeiras de tomate, milho e arroz. "A chuva atrasou um mês e deu cabo de tudo", diz Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, denunciando que as plantas morrem por asfixia radicular e "já estão a boiar", enquanto no Alentejo há atrasos na plantação de tomate e milho, segundo o agricultor de Elvas Miguel Mendes.

Mas a chuva também levou boas notícias às pastagens desta região, com "mais erva verde durante alguns dias, que irá beneficiar a pecuária", sublinha o produtor, admitindo que os cereais de outono-inverno, como trigo e cevada, beneficiaram com o enchimento do grão, embora algumas searas "já tenham caído devido ao excesso de água".

Luís Mira não exclui a possibilidade de os agricultores alentejanos ainda virem a ser afetados pela seca neste verão, avisando que a chuva dos últimos dias não se traduziu em recuperação das barragens mais a sul. "Houve zonas em que a chuva caiu mais 200% do que o normal, mas há locais do Alentejo em que ficou a 30%, deixando as albufeiras com pouca água", diz.

A Agência Portuguesa do Ambiente (APA) confirma a existência de barragens abaixo dos 50% da capacidade de armazenamento, como Beliche (43%), Monte Novo (46,6%) e Vigia (48%), enquanto o otimismo é maior em torno de Abrilongo (53,1%), Alqueva (78,3%), Caia (62%) e Odeleite (50,9%). Por bacia hidrográfica os valores de final de abril apresentavam-se superiores às médias de armazenamento de abril (1990-91 a 2014-15), exceto para as bacias das ribeiras do Oeste, Sado, Guadiana, Mira, ribeiros do Algarve e Arade.

Pedido único: prazo limite de candidaturas prolongado


Mai 10, 2016

O Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) prolongou o prazo de entrega das candidaturas ao Pedido Único de Ajuda de 16 para 31 de Maio. A decisão foi tomada «ao abrigo de uma disposição comunitária que permite, excepcionalmente, a derrogação do prazo pelos Estados-Membros», diz o Ministério da Agricultura em comunicado.

O Ministério assegura que «este alargamento de prazos não coloca em causa o início dos controlos (que deverão estar concluídos até 31 de Julho), pelo que também o início dos pagamentos não sofrerá alterações».

Em 2015, foram apresentadas ao IFAP 180.134 candidaturas ao Pedido Único de Ajuda, que representaram um apoio global de 851,3 milhões de euros à actividade agrícola. A 5 de Maio o IFAP já tinha recebido 131.491 candidaturas. Este ano, os apoios no âmbito do Pedido Único deverão atingir o mesmo valor.

15 DE MAIO – “DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA” Em defesa da Agricultura Familiar !




A 15 de Maio, assinala-se o 9º Aniversário do "Dia Internacional da Família", assim proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
CNA associa-se à efeméride mas deseja destacar que mais importante do que comemorar  é promover o aumento dos rendimentos e proporcionar mais bem-estar às Famílias Portuguesas (de entre todas as outras), designadamente aos Agricultores, às Agricultoras e seus Familiares.
Portanto, é necessário melhorar – sobretudo através de políticas públicas – as condições de trabalho e de vida a todas e a todos os que trabalham e produzem na Agricultura Familiar.

EM  DEFESA  DA  AGRICULTURA  FAMILIAR
PELO  "ESTATUTO"  DA  AGRICULTURA  FAMILIAR  PORTUGUESA !

CNA reafirma as suas principais propostas e reclamações (saídas do seu VII Congresso, em Novembro de 2014), onde aprovou a "Carta" e a proposta-base do "Estatuto" da Agricultura Familiar Portuguesa, "Estatuto" a levar a debate público e aos Órgãos de Soberania.
Um "Estatuto" da Agricultura Familiar Portuguesa que reconheça a multifuncionalidade da Agricultura Familiar nas suas vertentes, económica, social, ambiental e cultural. 
Um "Estatuto" que valorize, em conteúdos práticos, o reconhecimento da importância da Agricultura Familiar para a sustentabilidade da vida, a melhoria da alimentação das populações, o combate à desertificação, a protecção da Natureza, da biodiversidade e das culturas tradicionais. Também para a coesão territorial, a preservação da nossa cultura popular e artesanato e para a garantia da Soberania Alimentar de Portugal.
CNA reclama que o Estado assuma as políticas públicas adequadas às especificidades da Agricultura Familiar por forma a travar a sua destruição e para o nosso bem colectivo.

Por um "Estatuto" da Agricultura Familiar Portuguesa que confira o direito ao reconhecimento, pelo Estado, de uma consideração específica, nomeadamente:
O direito a um regime de Segurança Social e um regime fiscal próprios, que tenham em conta o rendimento efectivo da actividade agrícola e em que sejam valorizados os serviços públicos prestados;
O direito a aceder, prioritariamente, a terras para redimensionamento e melhoria da viabilidade económica e do rendimento da Exploração Agrícola;
O direito prioritário ao acesso a mercados de proximidade;
O direito ao abastecimento prioritário de todas as instituições públicas e da economia social da região onde se insere a Exploração Agrícola.
Com esta proposta a CNA pretende abrir uma discussão que é necessária e que noutros países já foi ou está a ser feita.

De entre outras, estas são pois propostas que a CNA continua a divulgar junto dos Agricultores, dos Órgãos de Soberania e da Opinião Pública, para obter consensos alargados e potenciar a divulgação de uma "Carta", com o enquadramento mais geral da temática, e para a consagração de um "Estatuto", com conteúdos práticos, da Agricultura Familiar Portuguesa.

Coimbra, 13 de Maio de 2016
A Direcção da CNA

Agricultura Biológica em Serpa

No âmbito do Dia Internacional da Biodiversidade, que se celebra no dia 22 de maio, o município de Serpa vai realizar um workshop sobre agricultura biológica no dia 21, entre as 9h30 e as 12h30, nas Eco-hortas das Carapuças e no CADES. 

A iniciativa vai abordar noções básicas de agricultura biológica, preparação do solo, consociações de culturas e controlo de pragas e infestantes. 

O workshop está aberto a todos os interessados, sendo as inscrições gratuitas mas obrigatórias até ao dia 19 de maio no CADES, presencialmente, através do telefone 284 549 840 ou do email cades@cm-serpa.pt.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

«O azeite é uma cultura que tem sempre mercado»


Mai 11, 2016

Luís Mira Coroa foi o produtor convidado para falar sobre a cultura do olival, no contexto da segunda sessão das "Conversas sobre agricultura: algumas culturas relevantes para Portugal", realizada a 10 de Maio, no Instituto Superior de Agronomia (ISA). Durante a sessão, declarou que «bom ou mau, o azeite está sempre vendido. É uma cultura que tem sempre mercado».

O geógrafo e produtor de azeite, com produção no Baixo Alentejo, contou que «a beterraba desapareceu, o milho era muito consumidor de água», pelo que optou por dar preferência ao "ouro líquido". Porque a «oliveira define o clima mediterrânico, não se fala de adaptar uma cultura». Além disso, é «ambientalmente correcta, saudável e adaptada à paisagem».

Para conseguir bons resultados há que escolher «uma variedade produtiva». Para o produtor, são a Arbequina, a Picual e a Cobrançosa.

Durante a sua intervenção, Luís Mira Coroa defendeu que «sem água não há agricultura» e que esta representa 6% da conta da cultura do olival.

Mariana Matos, secretária-geral da Casa do Azeite, também integrou o painel de oradores do evento. A responsável recordou que «o Alentejo tem condições extraordinárias para a produção do azeite». É na região que se concentram 76% da produção nacional.

Em termos de preferências do consumidor, o azeite virgem extra «tem ganho quota de mercado» e tem aumentado o consumo de azeite através dos supermercados (63%), notou Mariana Matos.

O ciclo de conferências foi promovido por alunos do ISA em parceria com a Agroges e termina a 17 de Maio, com uma sessão dedicada à cultura do amendoal.

Como alcançar a intensificação sustentável da agricultura?


Mai 11, 2016

Foi esta a pergunta a que agricultores, investigadores e responsáveis do sector agrícola tentaram responder durante a primeira sessão dos "Roteiros Visão 2020: intensificação sustentável e eficiência na utilização dos recursos na agricultura portuguesa". O evento, promovido pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), realizou-se a 11 de Maio, na Fundação Calouste Gulbenkian.

José Manuel Lima Santos, investigador do Instituto Superior de Agronomia (ISA), alertou para o impacto do crescimento da população mundial até 2050 e a necessidade de produzir mais alimentos. Para tal, não será sustentável aumentar as áreas de produção, mas enveredar pela intensificação sustentável.

Nesse sentido, as tecnologias de informação e o conhecimento ecológico serão as duas ferramentas necessárias para o sucesso.

O investigador salientou que a agricultura intensiva em Portugal tem uma «grande dependência do regadio» e da energia, cujo «aumento do preço, também provoca acréscimo ao preço dos inputs».

Com a acentuação das alterações climáticas «temos de nos preparar para ser mais eficientes com a água, porque é um dos elementos que vai escassear». «A única hipótese que temos de continuar a produzir o mesmo ou mais é resolvendo estes problemas», afiançou.

Durante a sessão, representantes de associações ligadas à produção de milho, olival e vinho apresentaram várias explorações, onde se utilizam práticas de intensificação sustentável.

O evento contou ainda com a presença de Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República, que salientou que a agricultura portuguesa tem pela frente vários desafios, entre eles: a capacidade de iniciativa, a antecipação, a estratégia, a sustentabilidade e a resiliência.

Parca reúne para discutir relações na cadeia agro-alimentar


Mai 11, 2016

Após um ano de interregno, a Plataforma de Acompanhamento de Relações na Cadeia Agro-alimentar voltou a reunir. O encontro teve lugar na sede do Ministério da Agricultura, a 10 de Maio, e foi promovido pelo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira.

Durante a sessão, debateu-se o Código Nacional de Boas Práticas, «enquanto instrumento de auto-regulação» e o relatório sobre as Práticas Individuais Restritivas do Comércio (PIRC) e apresentou-se a metodologia para o estudo sobre a "Transparência na cadeia de valor agro-alimentar", elaborado pela Universidade Nova.

O secretário de Estado relembrou que «a PARCA visa promover uma cultura de diálogo e de cooperação entre os operadores, facilitando a resolução de problemas e reduzindo as tensões que, por vezes, surgem nas relações comerciais».

A Parca voltará a reunir em Setembro.

EPA diz que glifosato “não tem potencial cancerígeno”


por Ana Rita Costa- 10 Maio, 2016

McDonalds lança programa de incentivo ao empreendedorismo na agricultura

A EPA (United States Environmental Protection Agency) publicou recentemente os resultados da sua avaliação oficial ao glifosato. De acordo com a Anipla, o relatório inclui a classificação do glifosato como "não tendo potencial cancerígeno para os seres humanos".

Este parecer surge depois da EFSA – European Food Safety Authority e das autoridades reguladoras do Canadá, da Austrália e do Japão terem, também elas, indicado que o agroquímico não tem potencial cancerígeno para o ser humano.

O relatório publicado agora pela EPA menciona também as "falhas existentes" na avaliação efetuada pelo IARC – International Agency for Research on Cancer. Numa nota enviada às redações, a Anipla refere que se congratula "com os resultados dos inúmeros estudos efetuados em diversos cantos do mundo, cujos resultados confirmam o que indústria fitofarmacêutica defende desde o início do processo de avaliação desta substância ativa, que o glifosato não é cancerígeno e como tal, deverá ser reautorizado."

Recentemente, o glifosato voltou a estar na agenda mediática portuguesa, depois de ter sido emitida uma reportagem na RTP que revelava os resultados de uma investigação da Plataforma Transgénicos Fora, que realizou análises à urina de 26 portugueses e que encontrou a presença de glifosato em valores superiores aos verificados nos restantes países europeus. De acordo com a investigação, estes resultados podem ser fruto da elevada utilização do glifosato nas autarquias portuguesas para combater as ervas na via pública.

Depois da emissão da reportagem, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, revelou em entrevista à RTP que o glifosato poderá vir a ser proibido nos centros urbanos em Portugal.

A decisão de proibição do glifosato será tomada no próximo dia 18 de maio, no Comité de Peritos da União Europeia. O Parlamento Europeu, por sua vez, já aprovou a utilização do agroquímico por um período de mais sete anos.

Bloco de Esquerda quer “proteger uma agricultura de proximidade”


por Ana Rita Costa- 10 Maio, 2016

O Bloco de Esquerda apresentou esta segunda-feira (9 de maio), no arranque das suas jornadas parlamentares, três projetos de lei que se focam na produção agrícola nacional. De acordo com o partido, é preciso "proteger uma agricultura de proximidade" e combater o "trabalho forçado" de imigrantes nos campos agrícolas.

De acordo com o Expresso, durante as jornadas do partido, que arrancaram no Alentejo, onde está concentrada grande parte da produção agrícola nacional, Catarina Martins defendeu que a desigualdade que ainda existe no território nacional é fruto "da opção que tem sido imposta na política agrícola" e da "obediência cega a medidas que têm retirado capacidade produtiva ao país".

Catarina Martins defende que "Portugal não pode ficar à espera da Europa para resolver os seus problemas" e, por isso, já deu entrada no Parlamento a duas propostas que têm como objetivo alterar alguns aspetos da agricultura nacional.

Um desses projetos de lei quer combater "o trabalho forçado" e "outras formas de abuso laboral", atraindo, assim, mão-de-obra para o setor. O outro quer mais condições para os produtores locais, com uma proposta que visa tornar obrigatória a utilização de produção agrícola local nas cantinas públicas, nomeadamente escolas, autarquias, hospitais e estabelecimentos prisionais.

O objetivo, diz o Bloco, é "proteger o valor que é criado em cada região" e "proteger uma agricultura de proximidade".

Confederação alerta Belém para problemas da agricultura familiar


A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) voltou hoje a defender a valorização da agricultura familiar e a criação de um estatuto específico, na primeira audiência com Marcelo Rebelo de Sousa na qualidade de Presidente da República.
   
Lisboa, 10 mai - A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) voltou hoje a defender a valorização da agricultura familiar e a criação de um estatuto específico, na primeira audiência com Marcelo Rebelo de Sousa na qualidade de Presidente da República.

"Viemos aqui alertar principalmente para os problemas da agricultura familiar e aquilo que é mais premente, nomeadamente o reconhecimento da multifuncionalidade e da importância que este tipo de agricultura tem nos territórios rurais, na preservação da biodiversidade, na fixação das populações e na produção de alimentos de qualidade inegável", declarou aos jornalistas o dirigente da CNA, Pedro Santos.

O mesmo responsável considerou que é necessário valorizar este tipo de agricultura, que representa a maioria dos agricultores nacionais, defendendo a criação de um estatuto específico para a agricultura familiar.

Na audiência foram abordados outras preocupações da CNA como o Tratado Transatlântico de Comércio e Investimento (mais conhecido pela sigla inglesa TTIP), que está a ser negociado entre os Estados Unidos e a União Europeia, "nas costas de todos os cidadãos europeus", e que pode pôr em causa "a soberania alimentar dos povos".

Também a crise do setor do leite e da suinicultura foi discutida com o Presidente da República, com a CNA a defender a necessidade de regressar aos mecanismos de regulação de mercado.

"É necessário que Portugal se bata ferozmente pela instauração de um novo regime de quotas leiteiras. Só um controlo da produção por parte da União Europeia poderá atenuar estes problemas", afirmou Pedro Santos.

RCR // MSF

Noticias Ao Minuto/Lusa

Agricultura portuguesa resiste a conjuntura internacional desfavorável

O embargo russo e as dificuldades económicas de países como Angola, e Brasil estão a fazer "alguma mossa" ao setor agrícola, mas as exportações continuam a crescer, segundo o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).
   
"O desempenho do agroalimentar não é tão negativo como o global da economia", sublinhou João Machado, à margem da primeira conferência do 1.º Roteiro 2020 para a Agricultura Portuguesa, que decorre na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Na terça-feira, o Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que, no primeiro trimestre do ano, a balança comercial registou um agravamento de 133 milhões de euros e as exportações caíram 3,9%, mas a agricultura continua a substituir importações.

"Estou convencido de que a agricultura este ano, mesmo prescindindo de parte das exportações para estes mercados, vai conseguir chegar ao fim do ano com um saldo positivo. Globalmente, as exportações estão a crescer, mesmo para fora da União Europeia", considerou o responsável da CAP, salientando também o progresso no mercado interno.

Exemplo disto são os hortícolas que têm crescido "imenso nos últimos anos" e, segundo João Machado, representam, juntamente com as frutas, a maior fatia das exportações portuguesas do setor, ultrapassando os mil milhões de euros.

"O que se come em cru em Portugal está a ser cada vez mais produzido em Portugal", adiantou, explicando que houve melhorias tecnológicas que permitiram aumentar a produção de frescos como rúcula, cenouras ou beringelas, e promover os chamados produtos de quarta gama (embalados e prontos a consumir).

Portugal tem vindo também a aumentar a produção de batatas e cebolas, por exemplo na região do Alqueva, e de arroz, um campo onde houve "grandes investimentos" e em que o país se destaca como produtor, mas sobretudo consumidor, com os maiores consumos 'per capita' na Europa.

Quanto à busca de novos mercados, tem sido "incessante", realçou o presidente da CAP, notando, no entanto, que quando se deixa de exportar para um determinado mercado, as alternativas não são imediatas.

"Isso não existe. (...) Obviamente, quando se deixa de exportar, sobra, ponto final. Criar novos mercados é aquilo que os empresários agrícolas estão a fazer há anos, mas não é uma opção estratégica, não é 'acabou um mercado e temos ali outro à espera'", enfatizou.

A Rússia, um mercado emergente, onde a agricultura portuguesa estava a dar os primeiros passos é um caso paradigmático que se fechou depois de "uma década a investir".

"No dia em que foi feito o embargo já exportávamos seis mil toneladas de pera-rocha para a Rússia. Hoje exportamos zero e a pera que é consumida na Rússia vem da América do Sul. Quando acabar o embargo vamos levar outra década para voltar a introduzir a pera-rocha", exemplificou o presidente da CAP.

João Machado salientou a importância de mercados como o Médio Oriente e algumas regiões asiáticas, mas notou igualmente que a dificuldade dos licenciamentos e o trabalho burocrático implicam que os 'dossiers' se arrastem ao longo de vários anos, travando a comercialização.

Marcelo usa a Agricultura para (não) falar de Educação

ECONOMIA
11 DE MAIO DE 2016 - 12:53

O Presidente da República considera que a convergência na Agricultura tem sido fundamental para o sucesso do setor. Marcelo Rebelo de Sousa mostra-se ainda preocupado com queda das exportações.

Marcelo Rebelo de Sousa

A jornalista Raquel de Melo dá conta dos elogios do Presidente da República aos entendimentos alcançados na Agricultura em nome de um bem maior
Numa iniciativa promovida pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa insistiu hoje que os entendimentos que englobem parceiros, instituições e sociedade civil são essenciais e encontrou motivo, dessa forma, para falar do setor da Educação.

O Presidente da República sempre defendeu consensos e não apresenta qualquer exceção. Na Agricultura ou na Educação, Marcelo bate-se por entendimentos.

"Porquê estar a inventar questões menores que devem ser subalternizadas perante os fins maiores. Porquê? Ainda há dois dias me perguntei porquê no domínio da Educação, felizmente no domínio da Agricultura pode dizer-se que há uma convergência", afirmou.

Sobre a recente polémica na Educação, Marcelo ainda não se compromete e reitera que só se vai pronunciar "em devida altura".

Sobre os dados das exportações, o Presidente da República defendeu que a queda no primeiro trimestre não se deve à política económica do Governo, mas a uma conjuntura mundial desfavorável que considerou preocupante.

Marcelo Rebelo de Sousa comenta a queda das exportações portuguesas no primeiro trimestre
"Felizmente, não se pode dizer que isso seja resultado da instabilidade ou que seja resultado de uma política globalmente errada, porque há crescimento nas exportações europeias", declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas.

O chefe de Estado referiu que "há economias fora da Europa que estão a ter problemas" que condicionam as exportações portuguesas para esses mercados. "É um momento de preocupação, não é um momento de alarmismo", concluiu.

Fazer uma formação de 29 horas para poder matar ervas daninhas



CARLOS SANTOS / GLOBAL IMAGENS

Novas regras, aplicadas desde 1 de maio, obrigam agricultores a ter um certificado para comprar e aplicar herbicidas. Já há 184 mil profissionais agrícolas credenciados

Frequentar um curso com 29 horas de formação - um primeiro módulo de quatro horas a que se seguirão outras 25 até 2018 - passou a ser obrigatório para que os agricultores possam comprar e aplicar herbicidas nas suas culturas. Desde o dia 1 que só com o certificado na mão e fazendo prova de que estão inscritos no curso para concluir até final do mês podem ter acesso ao cartão de aplicador passado pelos serviços do Ministério da Agricultura.

Não admira que nesta altura os agricultores "corram" atrás das novas regras que os habilitam a comprar e aplicar herbicidas, como o glifosato, o pesticida potencialmente cancerígeno mais utilizado quer pelas autarquias para matar ervas daninhas quer nos terrenos de cultivo, como os de arroz, mas que continua à venda nos supermercados. É que sem o cartão de aplicador os estabelecimentos não poderão vender os produtos, pelo que já são 184 938 os profissionais certificados em todo o país, segundo o Ministério da Agricultura, mas, ainda de acordo com a tutela, nem todos pagaram o mesmo preço pelo curso. Houve juntas de freguesia que cobraram apenas 15 euros, mas alguns centros formação terão chegado aos 400.

Os dados do ministério reportam a 31 de março, quando 150 417 agricultores já tinham frequentado o curso, através de 1719 ações, e outros 34 251 se encontravam inscritos em formações básicas de quatro horas, que deverão estar concluídas até 31 deste mês. O facto de estarem a frequentar os cursos já lhes permite ter acesso ao certificado, mas ainda haverá perto de 120 mil profissionais - num universo de 300 mil agricultores - que não frequentam as formações, segundo a estimativa da tutela, estando impossibilitados de comprar fitofármacos. "Se não exibem o certificado de aplicador, os estabelecimentos comerciais ficam impedidos de vender qualquer produto. Muita gente vai ter surpresas com multas", avisa José Manuel Lopes, técnico da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal (AADS).

Esta entidade já formou mais de 1300 profissionais, à ordem de 50 euros por pessoa num primeiro módulo de quatro horas, contemplando a atribuição do cartão de aplicador, que custa cinco euros se for adquirido nos serviços do Ministério da Agricultura, podendo a requisição ser feita apenas perante a exibição do certificado que comprova a frequência do curso.

Joaquim Cassuete, proprietário de três hectares de vinha em Palmela, foi um dos agricultores que já frequentaram o curso. Assume que ainda mantinha práticas utilizadas pelo pai e pelo avô quando aplicava pesticidas, sem grandes cuidados ao nível do manuseamento. "Usava óculos e raramente a máscara e luvas. Vestia calças de ganga e camisa que iam para lavar", admite. Hoje tem à mão o novo kit com proteção total. Do fato aos ósculos, da máscara às luvas e até um saco próprio para as embalagens vazias que, após a lavagem, são encaminhadas para reciclagem. Mostra ainda a ficha onde a compra dos produtos fica registada com nome comercial, autorização de venda, nome do vendedor, data e local, dose ou concentração, quantidade de calda, área protegida, cultura ou espécie florestal, além da praga ou doença.

"Dantes, as embalagens eram queimadas, até aparecerem os ecopontos", recorda Joaquim Cassuete, enquanto Luís Mira, secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal, recorre a um célebre anúncio televisivo onde a família Prudêncio aconselhava a queimar e enterrar as embalagens dos fitofármacos. "Isso era há cerca de 30 anos. Hoje a família Prudêncio estaria a cometer um crime ambiental, porque a investigação está sempre a avançar e muda regras", sublinha o dirigente, avisando que, contra os equívocos ainda instalados, "a formação é apenas para aplicadores profissionais", apesar de qualquer pessoa a poder fazer.

É uma questão polémica a imiscuir-se no processo, tendo o Ministério da Agricultura conhecimento de que foram muitas as pessoas detentoras de pequenos terrenos que fizeram o curso sem necessidade, impulsionadas por centros de formação profissional. A tutela revela que o cartão de aplicador apenas deve ser solicitado a proprietários com uma área superior a 500 metros quadrados. Abaixo já não é considerado profissional, desde que seja para autoconsumo.

Também por isto o ministro Capoulas Santos avançou com uma moratória no final do ano, já que desde 26 de novembro os agricultores tinham ficado impedidos de aplicar ou adquirir pesticidas se não tivessem a certificação.

Acordo comercial entre UE e EUA divide maioria governamental


PAULO PENA 08/05/2016 - 07:38

Bloco e PCP rejeitam o TTIP que está a ser negociado entre a Comissão Europeia e os EUA. O PS apoia a negociação em curso. Antigo responsável pela pasta, do PSD, diz que um falhanço das negociações "custará caro à Europa"
 
No ano passado, em Berlim, protestos contra o TTIP AFP PHOTO / DPA / GREGOR FISCHER

Transatlantic Trade and Investment Partnership. Este é um daqueles temas em que a maioria de esquerda concordou em discordar. As posições são claras. O Bloco tem já um rascunho de resolução para rejeitar o acordo no Parlamento, caso este venha a ser alcançado nas reuniões entre a Comissão Europeia e os EUA, que já vão na 13ª e inconclusiva ronda. A deputada Carla Cruz, do PCP, afirma ao PÚBLICO que, "obviamente", o partido "votará contra a ratificação por parte de Portugal".

Em nome do Governo, a secretária de Estado dos Assuntos Europeus, que é a responsável pelo acompanhamento deste assunto, e representa Portugal no Conselho do Comércio, lembra que "o programa de governo é claro": "Deve ser apoiada a negociação do TTIP (… ) respeitando os valores constitutivos do modelo económico e social europeu e garantindo-se a defesa dos interesses nacionais no quadro da negociação". Margarida Marques acrescenta, ao PÚBLICO, que "o TTIP não faz parte dos acordos assinados entre o PS, o BE, o PCP ou o PEV".

Ainda é cedo para antecipar se esta vai ser, como no passado aconteceu com as normas orçamentais que garantiam a participação portuguesa nos mecanismos internacionais de financiamento dos programas da troika na Grécia, uma matéria para um jogo de nervos em que o PSD e o CDS serão chamados a fazer de "bombeiros" de serviço para aprovar medidas que dividem a maioria parlamentar que apoia o Governo. Mas essa parece ser a única solução possível, havendo acordo.

Para já, os sinais desta divisão na maioria de esquerda são visíveis na actividade parlamentar. "O TTIP provocará danos ao nível do ambiente, alimentar, trabalho e emprego, serviços públicos, colocando em causa um modelo social e económico equitativo e justo, que salvaguarde as pessoas em detrimento dos interesses das multinacionais", lê-se no preâmbulo de um requerimento enviado ao Governo pelos deputados do BE Pedro Filipe Soares e Isabel Pires. A resposta do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que chegou no dia 29, procura desmontar os argumentos do Bloco. 

Na mesma linha, Margarida Marques garante ao PÚBLICO que "há uma garantia suficiente de que os padrões da UE em matéria de protecção das pessoas e do ambiente serão preservados, assim como o direito de cada uma das partes de regular no interesse público". Essa é, continua a governante, a "linha que Portugal tem apoiado na negociação da generalidade dos acordos de comércio livre com outros parceiros". "Nenhuma outra solução seria, aliás, aceitável para Portugal nem para os restantes Estados-membros."

No entanto, essas garantias não convencem os parceiros do PS no Parlamento. Carla Cruz acusa o TTIP de, "a concretizar-se", encerrar "sérias ameaças para os direitos sociais e laborais, diversos sectores da economia nacional, para a saúde pública, a qualidade ambiental e as condições naturais, para a democracia e a soberania nacional".

Em Portugal existem, além do BE e do PCP, conhecidas reservas em várias ONG. A Quercus e a Oikos encabeçaram um movimento que expressou a sua oposição ao TTIP, um acordo que, na opinião destas organizações, "reduzirá substancialmente os padrões europeus de defesa do consumidor, de defesa do ambiente e da natureza, da segurança e soberania alimentares, dos direitos laborais e sindicais, e dos direitos à privacidade e liberdade de utilização da internet".

Negociação em risco?
Mas nem todas a críticas vão no mesmo sentido. Bruno Maçães, que foi o anterior responsável pela pasta dos Assuntos Europeus, aponta ao actual Executivo uma falha diferente: "Noto que o Governo não tem qualquer interesse no tema." Respondendo ao PÚBLICO da China, onde se encontra, o ex-governante refere que é ali, na China, que se vê "bem o contraste com a falta de ambição europeia", e lembra que Portugal estava entre os países da UE que mais se batiam pela conclusão das negociações. "Éramos um dos líderes do processo, perdemos isso", lamenta Maçães.

O lançamento das negociações do TTIP foi um dos pontos de que Durão Barroso mais se orgulha do seu mandato de Presidente da Comissão Europeia. "Tive a honra de ter lançado o TTIP", afirmou, recentemente, numa conferência em Lisboa. Mas o seu sucessor, Jean-Claude Juncker, optou por uma estratégia mais dura nas negociações com os EUA.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Drones em Portugal: regras para a sua utilização em consulta pública



 05 Maio 2016, quinta-feira  TecnologiaAgriculturaAgroflorestal

Está em consulta pública a proposta de regulamento que vai definir regras para a utilização de drones em Portugal.
drone
No documento definem-se multas e limites e à utilização destes dispositivos não tripulados, que só vão poder voar durante o dia.
A Autoridade Nacional de Aviação Civil também propõe que os drones voem a uma altitude máxima de 120 metros e que os operadores sejam obrigados a manter contacto visual com os aparelhos enquanto estes estão no ar. 
São definidas duas categorias de drones, com características diferentes. Os aeromodelos e as aeronaves brinquedo. Os primeiros compreendem as aeronaves não tripuladas que podem pesar até 25 quilos, voar até 120 metros de altitude e que são usados apenas para lazer. As aeronaves brinquedo devem ter menos de um quilo de peso, não estão equipadas com motor de combustão e não podem voar a mais de 30 metros de altitude.   
Nenhum destes tipos de drones poderá sobrevoar concentrações de pessoas ao ar livre, instalações de órgãos de soberania, forças de segurança, militares ou embaixadas, nem prisões ou zonas de sinistros onde esteja a ser prestado socorro.  
O regulamento também prevê exceções, como os voos noturnos, mas condiciona a sua realização a uma autorização especial da ANAC e acontece o mesmo sempre que haja necessidade de realizar voos a uma altitude superior aos 120 metros. 
A proposta de regulamento estará em consulta pública até 23 de maio. No texto não estão definidas sanções para quem não cumprir estas regras, mas remete-se para o regime aplicável às contra-ordenações aeronáuticas, onde estão definidas multas que podem ascender aos 250 mil euros.
Recorde-se que os drones são cada vez mais utilizados na Agricultura. A tecnologia - sejam computadores, sistemas de geolocalização (GPS), tecnologias de controlo, redes de informação e, agora, cada vez mais, os drones – está cada vez mais presente no setor agrícola.
No caso dos drones, as pequenas aeronaves controladas à distância estão a tomar conta do espaço aéreo das plantações um pouco por todo o mundo. Releia o trabalho sobre o tema publicado em dezembro de 2015 no Agronegócios. Fomos saber qual a importância que os drones têm para os agricultores portugueses e de que forma o setor está a aproveitar esta tecnologia.
Fonte: Sapo TEK

“Estamos a viver mais uma revolução”



23.04.2016 às 16h092
 
As exportações de cortiça aproximam-se do recorde histórico e passaram a ter nos EUA o seu maior mercado. A palavra de ordem é "criar valor para a cortiça"
RUI DUARTE SILVA
O único sector em que Portugal é líder mundial está a recuperar da crise vivida em 2008 e 2009, quando fecharam mais de 200 empresas e a cortiça perdeu 1/5 da sua força exportadora. O objetivo, agora, é exportar mil milhões de euros em 2018. "A cortiça está na moda e é para ficar", garante o presidente da APCOR (Associação Portuguesa da Cortiça), João Rui Ferreira

Margarida Cardoso
MARGARIDA CARDOSO
A cortiça vive um ciclo de crescimento. Espera um recorde na exportação?


Claramente. Em 2015, crescemos 6,3% em valor. Foi o nosso segundo melhor ano desde a entrada na zona euro (o melhor foi 2002, com €903 milhões). 2016 mantém a trajetória. Desde 2009 aumentámos as exportações em 20% e esperamos atingir os mil milhões em 2018, mas isso só é possível com valor acrescentado.

E como se consegue isso?

Com uma floresta produtiva saudável para ter mais matéria-prima de qualidade, com uma indústria capaz de inovar nas rolhas, mas também em novas aplicações que venham criar valor, e gerando procura, criando novos mercados, reconquistando a confiança dos líderes de opinião no sector dos vinhos, garantindo a preferência dos consumidores.

Querem pôr a cortiça na moda...

A cortiça está na moda para ficar. Queremos garantir a preferência do consumidor ao longo dos anos, de forma sustentada. Nas rolhas, que são mais de 70% das vendas, há indicadores de confiança como a monitorização das 100 principais marcas de vinho nos EUA. Mostram que nos últimos cinco anos as vendas dos vinhos com rolha de cortiça estão a crescer mais, a ganhar quota de mercado, e os preços médios estão nos 13,29 dólares, 46% acima dos vinhos com vedantes sintéticos. Há produtores que estão a voltar à rolha de cortiça e temos cada vez mais designers, arquitetos, engenheiros, pessoas de diferentes sectores interessadas na cortiça Da construção aos transportes há cada vez mais soluções que usam cortiça invisível, em que a matéria-prima está lá pelas suas características funcionais.


Câmara de Matosinhos deixa de usar herbicida «potencialmente cancerígeno»


A Câmara de Matosinhos decidiu hoje, por unanimidade, deixar de usar o herbicida glifosato, classificado como «potencialmente cancerígeno» pela Organização Mundial de Saúde, na limpeza dos espaços públicos.
«Não faz sentido utilizar algo que parece tão suscetível e, até se confirmar ou desmentir essa implicação para a saúde pública, é melhorar acabar com a sua utilização», avançou hoje à Lusa o presidente da câmara, Guilherme Pinto, no final da reunião privada do executivo.
O pesticida é muito utilizado na agricultura para preparar os terrenos para cultivo, mas também na eliminação de ervas daninhas nos passeios, estradas, cemitérios ou jardins.
Diário Digital / Lusa

Abril de chuva não chega para salvaguardar níveis de água das barragens a Sul


09 DE MAIO DE 2016 - 12:48
O mês passado foi o terceiro mais chuvoso dos últimos 16 anos, mas muitas barragens a Sul continuam com níveis inferiores a 50% do total da sua capacidade de armazenamento.


No Norte, muitas barragens estão quase com 100% de armazenamento. Mas a Sul, a situação é diferente. Na Bacia do Guadiana, por exemplo, só o Alqueva está com pouco mais de 78% do seu volume total. Todas as outras albufeiras estão no limiar ou abaixo dos 50%.

A jornalista Maria Augusta Casaca falou com António Parreira, da Associação de Regantes do Roxo
É o caso das barragens do Beliche, Odeleite, Monte Novo e Vigia. Quanto à Bacia do Sado, que integra muitas barragens alentejanas, a que está com melhores níveis de água é a de Monte Gato com 85%, mas quatro registam níveis inferiores a 50%, sendo o caso mais grave a Barragem do Roxo, com cerca de 26% da sua capacidade de armazenamento.

António Parreira, da Associação de Regantes do Roxo, garante que o que choveu em abril não chega para conseguir atingir os níveis desejáveis. "As terras estavam muito secas e a água infiltrou-se toda", acrescenta. Nesta altura, a barragem tem mesmo menos água do que no final do verão do ano passado.

No entanto, a Associação tem estado em conversações com a secretaria de Estado da Agricultura e espera que em breve o Alqueva seja a salvação. Caso contrário "se fosse outro ano, diríamos aos agricultores que teria de haver rateio de água", diz o presidente da Associação. Arroz ou milho são culturas que os agricultores não poderiam fazer. No entanto, a Associação de Regantes espera que na próxima semana se possa comemorar "o momento histórico de ver a água do Alqueva entrar na barragem do Roxo", e ser a solução para salvar muitas culturas no Alentejo.

Programa Copérnico dará informações em tempo real sobre alterações climáticas


O programa europeu Copérnico de observação da Terra vai facultar, em tempo real, informações sobre aquecimento global, evolução da temperatura, nível do mar e extensão da camada de gelo ou salinidade do oceano, foi hoje anunciado.
Citado pela agência EFE, o diretor do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF na sigla em inglês), Juan Garcés, explicou que as informações em tempo real se apoiam em entre 20 e 30 variáveis.
Juan Garcés adiantou que esta base de dados relacionada com as alterações climáticas vai estar disponível no final do ano e vai permitir ao cidadão comparar dados de há um século, conhecer o presente e saber qual é a previsão para os próximos cem anos.
Parte dos dados vai ser facultada pelo satélite Sentinel-1B, que vai tirar fotografias de qualquer situação climática, de dia ou de noite, para estudar a superfície da Terra e dos oceanos.
O objetivo, segundo o diretor do ECMWF, é "facultar informação gratuitamente e de livre acesso e processá-la em produtos acessíveis" aos cidadãos, empresas ou instituições.
Garcés considerou que as previsões sobre as alterações climáticas proporcionadas pelo programa Copérnico podem revolucionar os setores da agricultura, dos transportes ou da gestão costeira.
Diário Digital / Lusa

BE semeia no Alentejo apoios à agricultura



09.05.2016 às 14h3913
 
NUNO VEIGA/LUSA
Impedir o "trabalho forçado" nos campos, nomeadamente de imigrantes, e proteger a agricultura local (obrigando cantinas públicas a abastecer-se nas respetivas regiões) são duas propostas do Bloco de Esquerda, lançadas esta segunda-feira à terra no Alentejo, na abertura das jornadas parlamentares

O Bloco de Esquerda realiza pelas primeira vez as suas jornadas parlamentares no Alentejo, com o objetivo promover a valorização do território, proteger o ambiente e combater as desigualdades.

Em Évora, no Teatro Garcia de Resende, ao final da manhã, a porta-voz do BE, Catarina Martins, justificou o local escolhido para as jornadas (os deputados bloquistas andarão pelos três distritos alentejanos): "Quem vive no Alentejo sabe muito bem o que é a a desigualdade territorial".

Uma das razões dessa desigualdade é a opção que tem sido imposta na política agrícola, "a obediência cega a medidas que têm retirado capacidade produtiva ao país", salientou Catarina Martins.

Para a líder do BE, "Portugal não pode ficar à espera da Europa para resolver os seus problemas", e por isso, para alterar o estado de coisas na agricultura, os bloquistas apostam agora na aprovação de duas propostas, já entradas no Parlamento.

O primeiro projeto-lei visa "o combate ao trabalho forçado" e a outras formas de "abuso laboral". Uma forma de atrair mão de obra para a agricultura, mas respeitando os direitos dos trabalhadores. "A imigração é bem vinda, mas queremos gente que venha trabalhar em condições de cidadania e com respeito pelos seus direitos", disse Catarina Martins.

A segunda iniciativa legislativa do Bloco visa dar mais condições aos produtores locais, e também aos assalariados que vivem da agricultura. Lembrando que no sector as desigualdades cresceram grandemente ("a produtividade aumentou 30%, mas os custos do trabalho desceram 11%"), Catarina Martins quer "obrigar as cantinas públicas (de escolas, autarquias, hospitais ou estabelecimentos prisionais) a utilizar a produção agrícola local".

Tal medida, para o BE, permite "proteger o valor que é criado em cada região" e, ao mesmo tempo, tem "ganhos ambientais", ao "proteger uma agricultura de proximidade".

As jornadas parlamentares do Bloco, que pela primeira vez se realizam no Alentejo, percorrem na tarde desta segunda-feira os três distritos da região. Distribuídos por vários grupos, os deputados partido visitam hospitais e estabelecimentos de ensino superior, contactam com movimentos de cidadãos e têm uma audiência com o Presidente da Câmara de Évora, o comunista Pinto de Sá, entre outras iniciativas.

Um dos pontos altos da tarde é a visita à barragem de Alqueva.

Capoulas Santos quer organização interprofissional no setor da carne suína



O Ministro da Agricultura considera fundamental a criação de uma organização interprofissional no setor da carne suína e adiantou que as linhas de crédito de apoio a este setor e ao do leite deverão ser aprovadas na próxima semana.

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, falava após uma reunião que hoje decorreu no ministério com a Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores (FPAS), liderada por Vítor Menino.
Capoulas Santos afirmou que o Governo está disposto «a estimular, apoiar e até a facultar gratuitamente instalações» para uma organização interprofissional entre indústria e produção.
Dinheiro Digital / Lusa

IFAP comunica novo seguro vitícola de colheitas


por Ana Rita Costa- 3 Maio, 2016

O IFAP – Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas está a comunicar um novo seguro vitícola de colheitas, uma medida criada pela Portaria nº42/2012, de 10 de fevereiro, e que pretende contribuir para proteger os rendimentos dos produtores de uva para vinho quando forem afetados por acontecimentos climáticos adversos. A iniciativa será financiada pelo orçamento da União Europeia.

De acordo com o IFAP, poderão beneficiar deste apoio os produtores de uva de vinho proveniente de vinhas instaladas no território continental, com situação atualizada no registo central vitícola e que celebrem um contrato de seguro individual ou de grupo.

Para além disso, serão elegíveis para apoio do seguro vitícola os seguintes riscos:

Fenómenos climáticos adversos equiparados a catástrofes naturais, considerando-se como tal condições climáticas que destroem mais de 30% da produção anual média de um dado produtor, calculada com base em três dos cinco anos anteriores, excluídos os valores superior e inferior;
Fenómenos climáticos adversos, incluindo as condições climáticas referidas na alínea anterior desde que os níveis de perda da produção sejam iguais ou inferiores a 30% da produção de uvas efetivamente esperada na campanha vitivinícola;
Pragas e doenças da vinha, desde que as condições climáticas sejam adversas à cultura e tecnicamente não seja possível controlar o seu aparecimento ou desenvolvimento, conduzindo a perdas médias, ao nível do concelho de implantação da parcela segura, superiores a 20% da produção de uvas efetivamente esperada na campanha vitivinícola, desde que devidamente atestados pelos serviços do MAMAOT.
O IFAP refere ainda que os apoios serão pagos "por intermédio das companhias de seguros" que procederão ao desconto do valor da bonificação no ato de pagamento do prémio de seguro.

Madeira integra grupo de trabalho para combater vespa do castanheiro


por Ana Rita Costa- 3 Maio, 2016

A Secretaria Regional de Agricultura e Pescas da região autónoma da Madeira integrou o grupo de trabalho nacional que está a aplicar o Plano Nacional de Controlo para combater esta praga.

De acordo com o Diário de Notícias da Madeira, no âmbito desta iniciativa, a Secretaria Regional de Agricultura e Pescas "já adquiriu os parasitóides (20 conjuntos de 190 insetos: 120 fêmeas e 70 machos) em Itália, através da RefCast, e convidou três dos melhores especialistas a nível nacional na matéria, para se deslocarem à Madeira, com a finalidade de orientarem as largadas nos soutos madeirenses".

A visita dos especialistas vai incluir ações de esclarecimento a técnicos da Direção Regional de Agricultura e a produtores de castanha.

A vespa do castanheiro, também conhecida por Dryocosmus kuriphilus, é originária da China e chegou à Europa em 2002, com a primeira deteção referenciada em Itália, tendo passado mais tarde para países como França, Eslovénia, República Checa, Hungria, Croácia, Espanha e mais recentemente para Portugal.

Bruxelas atualiza lista de substâncias permitidas em produção biológica



 05 Maio 2016, quinta-feira  Agricultura Biológica

A Comissão Europeia atualizou a lista de substâncias que podem ser utilizadas na agricultura biológica na União Europeia (UE), adicionando mais 39 produtos à lista, para diferentes propósitos, tais como substâncias básicas, como o vinagre, para serem utilizadas como produtos fitossanitários. 
agricultura biologica
Em paralelo, o Regulamento permite uma maior clarificação e simplificação da legislação em vigor na agricultura biológica, na produção de algas e vinho biológico e simplifica as normas de aprovação das substâncias para no futuro facilitar um processo mais eficiente e transparente de possíveis ajustes. 
O setor da produção biológica cresceu 400 mil hectares por ano na última década. 
Em 2014, 5,9% da superfície agrícola da UE estava certificada como biológica. O valor da produção aumentou também entre 5 a 10% ao ano nos últimos 10 anos.
Fonte: Agrodigital

Luta contra a praga da vespa do castanheiro está em curso em 30 municípios



 08 Maio 2016, domingo  AgroflorestalAgricultura

O combate à vespa das galhas do castanheiro está ser feito em cerca de 30 municípios através da largada de parasitas que podem eliminar a praga que afeta a produção de castanha, segundo a associação do setor.
praga
A luta biológica está a ser concretizada pela Associação Nacional da Castanha – RefCast, com sede em Vila Real, direções regionais de agricultura do Norte e Centro e municípios onde estão a ser feitas as largadas.
José Gomes Laranjo, presidente da Refcast e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), disse que este processo começou na última semana de abril e vai-se prolongar até meados de maio, porque as largadas têm de ser feitas quando as galhas dos castanheiros já estão formadas.
A luta biológica consiste na largada dos parasitóides "Torymus sinensis", insetos que se alimentam das larvas que estão nas árvores e são capazes de exterminar a vespa.
Ao todo, segundo o responsável, vão ser feitas cerca de 100 largadas nesta primavera, cada uma das quais inclui 120 fêmeas e 70 machos e custa 280 euros.
Este processo estende-se do Minho, Douro e Trás-os-Montes, às Beiras e até à Madeira.
José Gomes Laranjo referiu que a luta biológica tem sido a única que se tem revelado eficaz no combate a esta praga, referindo que foi também o método adotado em Itália e em Espanha.
Após a implementação destas medidas serão necessários três a quatro anos para que seja atingido um novo equilíbrio entre praga e parasita. «À medida que o parasita vai crescendo a praga vai diminuindo o seu nível de ataque», salientou José Gomes Laranjo.
O responsável referiu que a luta biológica vai decorrer num total de 180 freguesias, dos municípios que aderiram ao protocolo de parceria "Biovespa", assinado entre a RefCast e as autarquias, as quais se comprometeram a assegurar financiamento para os parasitóides, que são adquiridos em Itália.
O investigador referiu que há outros concelhos onde foi detetada a vespa mas que não aderiram ao "Biovespa", e onde infelizmente a «luta teve que ser travada e estão a descoberto», designadamente em Ponte de Lima, Barcelos, Fafe, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. 
O primeiro foco de infestação desta praga, que afeta a produção de castanha, foi detetado no final de abril de 2015 na região transmontana, um ano depois de ter sido encontrada primeira vez em Portugal, no Minho.
Devido à importância que a produção de castanha representa para a economia transmontana, tem-se assistido a uma grande mobilização na luta contra a vespa que, à semelhança do que já aconteceu em outros países europeus e se não for travada, pode eliminar até 80% da produção nos próximos anos.
O investigador salientou que é preciso também continuar a vistoriar os soutos com o objetivo de retirar o material contaminado dos castanheiros e impedir a sua propagação, um processo que deverá decorrer até meados de junho, altura em que a vespa começa a sair das galhas.
Em Trás-os-Montes, os focos foram detetados em novas plantações, onde foram destruídas as galhas infestadas, e não em castanheiros adultos. «Estamos extremamente receosos que possam aparecer focos em castanheiros adultos, porque é uma situação tremendamente preocupante», salientou.
Fonte: Sapo.pt