domingo, 4 de junho de 2017

A luta da Monsanto para defender o glifosato


Investigação do jornal Le Monde denuncia práticas de pressão sobre os investigadores da agência da Organização Mundial de Saúde que alertou para os possíveis efeitos cancerígenos do glifosato.

PÚBLICO 2 de Junho de 2017, 0:05 Partilhar notícia

PLATIAU/REUTERS

A empresa Monsanto tem feito vários esforços para conseguir ver prolongado o uso da substância que está na base do seu famoso herbicida Roundup: o glifosato – que tem vindo a ser associado em vários estudos a possíveis efeitos cancerígenos. Uma investigação que o Le Monde começou a publicar nesta quinta-feira, com o nome Monsanto Papers, indica que a empresa tem tentado destruir a credibilidade da Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde.

O director desta agência internacional, com sede em Paris, admitiu ao Le Monde que já tinham sido "atacados no passado com campanhas de difamação", mas nunca tinham enfrentado uma "campanha orquestrada com esta magnitude". Christopher Wild explicou que este problema arrasta-se já há dois anos, com impacto na credibilidade e integridade da instituição e dos especialistas que ali trabalham que, segundo este responsável, são "denegridos" e "assediados" por advogados. As consequências têm-se feito sentir no próprio orçamento que a agência recebe.

Comissão Europeia quer renovar a licença do glifosato por mais dez anos
Comissão Europeia quer renovar a licença do glifosato por mais dez anos
O Le Monde avança que tudo começou numa data certa: 20 de Março de 2015. Nesse dia, a agência de Christopher Wild publicou as conclusões de um estudo que conduziu sobre os efeitos do glifosato, deixando o mundo atordoado: este pesticida, dos mais célebres do mundo, foi considerado genotóxico, com efeitos ao nível do ADN, efeitos cancerígenos nos animais e "provavelmente cancerígenos" nos humanos.

A partir desse momento, advogados com ligações à Monsanto enviaram aos vários cientistas e investigadores envolvidos no trabalho cartas intimidatórias a pedir todos os documentos utilizados para chegar às conclusões publicadas. Caso decidissem não o fazer, eram ameaçados com uma acção judicial. Houve também o caso de um jornalista supostamente chamado Christopher Watts e com um mail ligado à The Economist que tentou obter informações junto dos investigadores e que fez perguntas mais intimidatórias. Na revista, ninguém sabe quem é.

Ao mesmo tempo, o Conselho Americano de Química, que defende a indústria dos Estados Unidos, terá promovido alguma influência junto de jornalistas para que publicassem histórias que comprometessem a independência da agência da OMS. O mesmo foi feito nas redes sociais. A situação, diz o Le Monde, piorou com a chegada da Administração de Donald Trump.

De acordo com dados publicados pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, em 2010 o glifosato estava registado em cerca de 130 países e é um dos herbicidas mais usados do mundo. O Le Monde estima que a sua utilização tenha aumentado de 3200 toneladas por ano, quando surgiu em 1974, para 825.000 toneladas em 2014. Se o glifosato for proibido na Europa, os analistas estimam que a Monsanto possa perder à volta de 90 milhões de euros em vendas.

O caso controverso do glifosato

Apesar destes resultados da agência da OMS, em Maio, a Comissão Europeia propôs o alargamento por mais dez anos da autorização de uso do glifosato. A contenda transatlântica sobre os possíveis riscos para a saúde humana do glifosato motivou investigações de comités do Congresso dos Estados Unidos, e a Europa tem sido forçada a atrasar a reautorização de um dos produtos que a Monsanto mais vende, o herbicida Roundup.

A decisão da comissão tem como base um outro estudo, publicado em Março pela Agência Europeia de Produtos Químicos (Echa), que preparou o caminho para a decisão da Comissão Europeia recomeçar as negociações com os Estados-membros sobre a reautorização da licença do glifosato, apesar da oposição dos grupos ambientalistas. Aquele organismo da Comissão Europeia, que regula as substâncias químicas e biocidas, disse que o glifosato, o ingrediente principal do Roundup, não era uma substância cancerígena. Também a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, uma agência independente financiada pela União Europeia, considerou "pouco provável que [o glifosato] tenha perigo carcinogénico para os humanos".

Ambientalistas querem banir herbicida mais utilizado em Portugal
De acordo com dados publicadas pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, em 2010 o glifosato estava registado em cerca de 130 países e é um dos herbicidas mais usados do mundo.

A Monsanto, que teve em 2015 receitas de 15 mil milhões de dólares, actua em vários mercados e é conhecida sobretudo pelas sementes geneticamente modificadas, que têm suscitado críticas por parte de ambientalistas e de alguns grupos de defesa do consumidor. O recurso a estas sementes é muito mais frequente nos EUA do que na Europa, mas a Monsanto vende sementes de milho geneticamente modificado dentro da União Europeia.

Governo duplica apoios à reestruturação da vinha

26/5/2017, 13:08

O Governo vai duplicar o apoio à reestruturação e reconversão da vinha permitindo que sejam contempladas, em 2017, candidaturas até cerca de 80 milhões de euros, disse o ministro da Agricultura.

O ministro da Agricultura disse que a medida VITIS, Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha, foi, "provavelmente, o programa europeu que melhor sucesso teve em Portugal"

TIAGO PETINGA/LUSA


O Governo decidiu duplicar o apoio à reestruturação e reconversão da vinha permitindo que sejam contempladas, em 2017, candidaturas até cerca de 80 milhões de euros, disse à Lusa o ministro da Agricultura.

Luís Capoulas Santos afirmou que este valor, que duplica o concurso já aberto, no montante de 40 milhões de euros, anunciado no parlamento, irá contemplar praticamente todas as mais de 2.800 candidaturas apresentadas, abrangendo cerca de 5.100 hectares de vinhas.

Iremos assim dar um contributo muito importante para que a reestruturação da vinha em Portugal acelere, para que os excelentes vinhos portugueses, que todos os dias ganham prémios em mercados internacionais, se afirmem cada vez mais", o que é uma "boa notícia para os viticultores portugueses", referiu.
Capoulas Santos adiantou que a medida VITIS, Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha, foi, "provavelmente, o programa europeu que melhor sucesso teve em Portugal", salientando o "orgulho" por ter estado ligado ao seu lançamento, há 15 ou 16 anos.

"É um programa que fez muito por aquilo que é o setor da vinha em Portugal, porque permite, de uma forma muito simples e com apoios financeiros muito generosos, reestruturar as antigas vinhas por novas, bem localizadas, com as castas mais adequadas, enfim, com todos os requisitos técnicos que a nova vitivinicultura exige", declarou.

Cereja do Fundão dá 20 milhões por ano à economia local Fundão tem 300 produtores de cereja.

22.05.15

Paulo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Fundão

A cereja do Fundão e os produtos criados com esta matéria-prima representam mais de 20 milhões de euros por ano na economia local, revelou esta sexta-feira o presidente da autarquia, defendendo a necessidade de valorização dos produtores agrícolas. 

Na apresentação da campanha de promoção da cereja para 2015, em Lisboa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, afirmou que o maior desafio é "dar o máximo de valor aos produtores", referindo que em 2014 o preço que lhes foi pago bateu "o recorde absoluto". "No ano passado, estivemos muito perto de pagar dois euros em média ao produtor por quilo de cereja", disse o autarca, acrescentando que o trabalho de promoção deste produto local está a potenciar o valor pago para a economia local. 

Fundão tem 300 produtores de cereja  Existem cerca de 300 produtores de cereja no Fundão, distrito de Castelo Branco, que dão emprego direto, durante a época da cereja, a perto de duas mil pessoas, disse o presidente Paulo Fernandes. Por ano, o concelho colhe "perto de seis mil toneladas de cereja", o que equivale a mais de 50% da cereja nacional. 

"A economia da cereja é já muito mais do que vender quilos de cereja", frisou o autarca, esclarecendo que "vale mais de 20 milhões por ano". Num concelho com perto de 28 mil pessoas, "é um valor muito significativo", admitiu o presidente da Câmara do Fundão.

PSD questiona Governo sobre abate de sobreiros centenários na Tapada de Mafra


3/6/2017, 15:08
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PSD questionou Governo sobre abate de sobreiros centenários na Tapada de Mafra, violações do Plano de Gestão Florestal e Plano Diretor Municipal e morte de crias de Açor pelo uso de maquinaria pesada.

O PSD questionou o Governo sobre o abate de sobreiros centenários na Tapada de Mafra, violações do Plano de Gestão Florestal e Plano Diretor Municipal (PDM) e a morte de crias da ave Açor pelo uso de maquinaria pesada.

O arranque de sobreiros centenários por parte da direção da Tapada Nacional de Mafra foi noticiado pelo jornal Público em maio, levando a posições públicas da associação ambientalista Quercus, que disse que o derrube das árvores não teve "a prévia e obrigatória" autorização do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Numa pergunta dirigida ao Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, os deputados sociais-democratas Carlos Silva, Duarte Pacheco, Joana Barata Lopes e Sandra Pereira questionam se, de facto, o abate ocorreu, qual o seu alcance e os atos administrativos envolvidos.

A alegada morte de crias de Açor – uma ave protegida -, devido à utilização de maquinaria pesada, é outra das questões colocadas, assim como a abertura de caminhos, identificados pela Quercus como violando o PDM e o Plano de Gestão Florestal.

O PSD coloca ainda questões sobre a orgânica do Tapada Nacional de Mafra, gerida por uma Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada desde 1998, designadamente a exoneração daquela estrutura de representantes do ICNF e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), e "o racional" destas decisões com a manutenção da diretora no cargo.

"Qual o Plano Estratégico que o Governo tem para a Tapada Nacional de Mafra? Quais os prazos e os parceiros essenciais para a sua implementação", questionam.

Cimeira inédita sobre futuro do vinho reúne mais de 100 empresas de 14 países em Cascais

3/6/2017, 13:26

Mais de 100 empresas de 14 países vão participar, na próxima semana, em Cascais, na primeira edição do Wine Summit, que tem como mote debater o futuro nas várias vertentes do vinho.


Mais de 100 empresas de 14 países, sobretudo da Europa, vão participar, na próxima semana, em Cascais, na primeira edição do Wine Summit, que tem como mote debater o futuro nas várias vertentes do vinho.

Em declarações à agência Lusa, Rui Falcão, um dos promotores, enumerou os dois principais motivos para os participantes pagarem mais de 700 euros para esta cimeira de três dias, de 7 a 9 de junho: "o networking (rede de contactos), tendo em conta que os inscritos são sobretudo decisores, mas sobretudo pela parte cientifica".

"O propósito do Wine Summit é pensar no futuro, naquilo que são as grandes tendências para o mundo do vinho, numa forma global. O que é decisivo para quem tem de tomar decisões", comentou.

O promotor referiu que esta é uma conferência dirigida a profissionais e onde estarão "algumas das pessoas mais influentes do mundo do vinho, nos seus vários aspetos", num investimento de cerca de 600 mil euros.

Com o objetivo de se tornar no evento anual "mais procurado e esperado" no setor, a cimeira do vinho vai tornar-se pela primeira vez uma realidade graças ao seu "caráter inédito, ao juntar o mundo do vinho numa abordagem transversal", pela "ideia de discutir o futuro e pela credibilidade da organização", segundo Rui Falcão.

O promotor também acrescentou à lista de justificações o "facto de ser em Portugal, que é um país que está em ascensão mediática, e que ao mesmo tempo, apesar de ser muito importante no mundo do vinho, acaba por ser um grande desconhecido internacionalmente".

O responsável perspetiva que a primeira edição seja a "primeira de muitas, seguramente".

"E o nosso objetivo, que não é nada modesto, é transformar o Wine Summit num dos eventos mais marcantes do ano internacional e que se torne no evento mais procurado e esperado do ano internacionalmente no mundo do vinho", admitiu.

Da lista de sessões, no Centro de Congressos do Estoril, constam temas como produção de vinho em altitude, 'marketing', turismo, identidades regionais, tendências de consumo, a eventual influência asiática na redefinição de paladares ou as variedades desconhecidas de vinhas.

Segundo a organização, a cimeira reúne 20 oradores de 10 países e a lotação é limitada a 500 pessoas.

Portugal é o 11.º produtor mundial de vinho e o 5.º maior europeu, com as exportações a atingirem 727 milhões de euros em 2016.

sábado, 3 de junho de 2017

Já se prefigura seca “terrível” para a agricultura no Alto Alentejo

Há 20 anos, a água potável que existia no planeta, por habitante, era "quatro vezes mais do que a que temos hoje" alertou, em Beja, o comissário europeu Carlos Moedas.

CARLOS DIAS 2 de Junho de 2017, 19:07 Partilhar notícia

O que se previa há pouco mais de um mês, está a confirmar-se no Alto Alentejo. A região enfrenta um período de "seca terrível", reconheceu ao PÚBLICO, Fermelinda Carvalho, presidente da Associação Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP).

No último Inverno, a precipitação foi diminuta e as culturas arvenses de Outono/Inverno foram irremediavelmente afectadas. "Os agricultores semearam na expectativa de que chovesse". Mas a precipitação acabou por ser muito escassa e agora "as searas estão muito curtas e por isso não vai haver palha nem grão". Já se antecipa uma produção cerealífera "muito baixa" descreve a presidente da AAPD, dando ainda conta do que está a suceder ao pasto que resta: no período estival, o aumento do calor vai deixar nos prados um alimento "sem qualidade" para o gado.

Nestas circunstâncias, a realidade, a curto prazo, pode ser dramática. A possibilidade de alimentar os animais à mão com forragens e palhas é tida como muito provável, dada a escassez de alimento na região, mas a sua aquisição pode atingir valores proibitivos.

Os produtores pecuários temem ainda que a falta de água, que já é patente, venha a colocar em causa o abeberamento do gado. No campo das opções e colocados perante situações extremas, os agricultores "preferem não cultivar as terras adeixar o gado sem água", vinca Fermelinda Carvalho, igualmente preocupada com a falta de humidade no solo, circunstância que "potencia a deflagração de incêndios", impedindo os agricultores de fazer as searas de Primavera/Verão.

As consequências da ausência de chuva, no norte alentejano, vão além do cenário já descrito: "as barragens e charcas particulares estão sem água e os furos artesianos "não rebentam" ou seja, estão secos", observa a dirigente associativa.

Nas circunstâncias actuais salvaguardam-se, até ver, as explorações agrícolas que recebem água das barragens públicas, como a do Caia, por armazenar alguma água. No entanto, as barragens do Xévora e Abrilongo apresentam baixos níveis de armazenamento, obrigando a limitar o fornecimento de água para os regadios.

Fermelinda Carvalho constata que "há 20 anos havia um ano mau de tempos a tempos" mas, ao longo da última década, "a maioria dos anos foram maus" em termos de escassez de água e de temperaturas

Ao contrário do que se possa pensar, a água do Alqueva "não chega ao Alto Alentejo", lamenta a presidente da associação de agricultores, advogando a construção de mais reservas de água na região para contrariar os efeitos "dramáticos" associados às alterações climáticas que, na sua opinião, "são um facto incontornável".

Na sua mais recente deslocação a Beja, em meados de Maio, o comissário europeu Carlos Moedas, responsável pelas pastas da Investigação, Ciência e Inovação, destacou dois temas "importantes para o futuro": Alimentação e água. "Como vamos resolver o problema da água, que é dos mais complexos que temos à nossa frente" é o desafio que a União Europeu vai enfrentar, sobretudo nos países mediterrânicos, realçou Carlos Moedas, explicando que "há 20 anos, a água potável que existia no planeta, por habitante, era quatro vezes mais da que existe hoje".

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Assim, os Governos de Portugal e Espanha vão dar corpo ao projecto PRIMA que envolve um investimento de 400 milhões de euros (a União Europeia vai disponibilizar 220 milhões de euros), para desenvolver tecnologia e inovação nas áreas da produção agro-alimentar e da água.

"Se não resolvermos os temas da água e da alimentação no futuro vamos ter um dos maiores problemas que a humanidade pode enfrentar, ou então como diz Stephen Hawking, vamos ter que descobrir outros planetas para viver, dentro de 100 anos" alertou o comissário europeu.

A AADP já enviou um ofício ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, a inteirá-lo do que se passa no distrito de Portalegre. "Não pretendemos a concessão de subsídios", sublinha Fermelinda Carvalho, frisando que os agricultores pretendem apenas a abertura de programas no PDR 2020, que possibilitem a "abertura de furos e a aquisição de equipamentos para assegurar o abeberamento do gado". E, sobretudo, que a comissão de seca já anunciada por Capoulas Santos "dê resposta rápida aos problemas que já existem", apela a presidente da AADP, uma associação de que fazem parte 3800 agricultores do distrito de Portalegre e ainda dos concelhos de Vila Velha de Ródão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Primeira fábrica de farinha de trigo de Angola quer potenciar agricultura

Primeira fábrica de farinha de trigo de Angola quer potenciar agricultura

A primeira fábrica de farinha de trigo angolana, inaugurada esta sexta-feira em Luanda após um investimento de 90 milhões de euros, vai permitir incentivar a produção nacional de milho, ainda reduzida, perspectivaram hoje os promotores.


26 de maio de 2017 às 15:51

Instalada no porto de Luanda, numa área de aproximadamente 30.000 metros quadrados, a unidade da Grandes Moagens de Angola (GMA) vai produzir 1.200 toneladas de farinha de trigo por dia, das quais 260 toneladas em farelo para complemento de ração animal, trabalhando 24 horas por dia, todo o ano.
 
"É uma indústria com tecnologia de ponta destinada a satisfazer a procura local", explicou o administrador da GMA, César Rasgado, acrescentando que a fábrica vai permitir satisfazer 60% da farinha de trigo que é consumida em Angola, avaliada anualmente em cerca de 500.000 toneladas.
 
"Estamos a falar já com as entidades para incentivar e promover os produtores de trigo localmente e com a disponibilização de farinha de trigo no mercado vamos permitir que o seu acesso por indústrias de massas, biscoitos e de panificação industrializada", acrescentou o responsável.
 
Diminuir a importação de farinha de trigo em Angola e promover a produção de farinha de trigo e dor próprio trigo localmente é o objectivo dos promotores, que numa primeira fase terão de importar matéria-prima diretamente na Europa, América e Ásia.
 
Na inauguração da fábrica, que garante 150 postos de trabalho directos, o ministro da Economia de Angola, Abraão Gourgel, considerou que com a nova indústria de farinha de trigo no país o preço do pão no mercado será mais estável.
 
"Garantir uma certa estabilidade de fornecimento de farinha de trigo aos panificadores, por isso o preço do pão, vai, não diria reduzir, mas vai certamente ser mais estável", disse.
 
Com a fábrica a funcionar em pleno, o Governo angolano prevê cortar em 60% nas importações de farinha de trigo, estimando uma poupança anual de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros).
 
"Acho que é uma grande redução e é uma grande contribuição para a diminuição das importações", disse, por seu turno, a ministra da Indústria, Bernarda Martins. "É evidente que não vamos cobrir a importação de farinha de trigo na sua totalidade mas na velocidade do cruzeiro nós vamos conseguir ter um mercado coberto", apontou ainda.
 
A governante defende que esta fábrica vai fomentar o surgimento de pequenos produtores de trigo a nível do país. "Temos a certeza que este projecto não vai ficar por aqui, ele vai continuar a trabalhar sendo que é um projeto que depende neste momento de matéria-prima e vai fomentar outras iniciativas, essencialmente com os pequenos produtores de trigo no país", realçou Bernarda Martins.

Floresta não é um problema e “tem de ser uma oportunidade”


LUSA / COIMBRA / 27 MAI 2017 / 17:55 H.

Foto Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, realçou hoje que o país não pode só ouvir falar de floresta quando se chega ao verão e começam os incêndios, sublinhando que esta tem de ser encarada como uma oportunidade.

"O país só ouve falar de floresta quando chegamos ao verão e começam os incêndios. A floresta não é um problema. A floresta tem de ser uma oportunidade de criação de valor", disse o primeiro-ministro, que falava na inauguração do BLC3, campus de tecnologia e inovação de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, que se foca na conversão de mato inculto e resíduos agroflorestais em substitutos de petróleo.

Para o líder do Governo, "há que reconstruir uma economia com base na floresta".

Se hoje a população já não usa "os gravetos", pequenos pedaços de madeira das matas para cozinhar, há que encontrar "novas formas de aproveitar" esses gravetos, "toda essa biomassa", notou.

Exemplo disso é o BLC3, que trabalha em desenvolvimento de tecnologia que possa transformar a biomassa "em combustível", apontou António Costa.

Essa transformação "permite dar um novo valor económico", ao mesmo tempo que assegura a limpeza das florestas e poupa "ao país muito dinheiro", que gasta na importação de combustível, vincou o primeiro-ministro.

"É um excelente exemplo de como podemos casar tudo: investimento com conhecimento, a valorização desse conhecimento do ponto de vista económico - desenvolvendo o que está por desenvolver - e ainda conseguir com isto um melhor equilíbrio energético" e tornar o país "menos dependente da importação de combustível fóssil, afirmou.

Durante o discurso na cerimónia de inauguração, António Costa voltou a repetir várias das ideias que já tinha espelhado em Góis e Tábua, falando da necessidade de emprego qualificado, da importância do investimento em infraestruturas rodoviárias e da necessidade de uma economia forte.

Também neste discurso, e pela terceira vez hoje, António Costa pediu emprestadas as palavras ditas por Jorge Sampaio em 2003, na cerimónia do 25 de Abril, realçando que também o BLC3 é uma prova de que "há bastante mais vida para além do orçamento".

"Em vez de dizermos para [os jovens] irem para fora procurar o vosso futuro, é essencial criar condições para ficarem e construírem o vosso futuro, o nosso futuro, o futuro do país aqui, em Portugal", frisou, considerando que tal "é possível e é possível em territórios que podiam ser considerados mais frágeis".

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Neste supermercado a comida é gratuita


25.05.2017 18:07 por Nuno Paixão Louro 265

A ideia é oferecer alimentos que estão em condições para ser consumidos, mas que estão fora, a acabar, o prazo de validade, em vez de acabarem na lixeira
 
Baseado na filosofia 'leve o que precisar, dê o que puder' foi criado em Sidney, na Austrália, um supermercado em que não há etiquetas de preços, nem promoções, simplesmente porque os clientes deste serviço não têm de pagar nada.

A ideia é combater o desperdício, evitando que comida de qualidade acabe no lixo em vez de ir parar às mãos de quem precisa. O pagamento pode até ser feito em abraços, porque, como garante a organização, "o amor não tem prazo de validade".

A OzHarvest, que idealizou a iniciativa pop-up, é uma organização australiana de solidariedade que recolhe comida em boas condições para ser consumida, mas que iria para o lixo, devido aos prazos de validade, e faz a ponte entre supermercados, restaurantes, hotéis, mercados e produtores, e as associações que a entregam a quem necessita. 



Governo quer Estatuto para Pequena Agricultura Familiar


24 DE MAIO DE 2017 - 17:34

O anúncio foi feito durante a interpelação do PCP sobre a necessidade de promover a Produção Nacional, depois de "mais de uma década perdida".


O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou que o Governo vai preparar o Estatuto para a Pequena Agricultura Familiar.

"Numa lógica horizontal, envolvendo vários ministérios para concentrar o conjunto das ajudas possíveis para defender e revitalizar este importante setor, não só económico mas também social", disse o ministro.

Antes, na interpelação agendada pelo PCP, Francisco Lopes tinha lamentado " mais de uma década perdida" na defesa da produção nacional.

"Por muito importante que seja o crescimento económico neste ou naquele trimestre, tal não pode servir para ocultar a necessidade de medidas que assegurem um desenvolvimento sólido e consistente", avisou Francisco Lopes.

Do lado do Governo, na abertura do debate, Manuel Caldeira Cabral, titular da Economia, citou os dados positivos da economia.

"Há um ano, a economia estava a crescer 0,9%, hoje está a crescer três vezes mais. Apanhámos um comboio a desacelerar e o comboio está hoje a acelerar e a crescer 2,8%", sublinhou Caldeira Cabral.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Prevenir fogo florestal combatendo a negligência


Foto: Artur Machado/Global Imagens


EDUARDO PINTO
20 Maio 2017 às 15:13


No rescaldo de cada época de incêndios florestais em Portugal nunca falta a discussão sobre a prevenção. Ou a falta dela. A verdade é que, apesar do reforço de meios e das medidas tomadas, o país arde todos os anos. E este ano a tragédia até começou cedo, com mais de 13 mil hectares já queimados, na sequência de quase cinco mil ignições.

Rogério Rodrigues, presidente do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), adianta, ao JN, que "é um erro dizer que no país não se faz prevenção estrutural", pois "gastam-se milhões de euros durante todo o ano". Reconhecendo a dificuldade em fazer repercutir esse investimento no balanço final de cada época, salienta que "há que apostar mais no homem". É que "quase todos os incêndios ocorrem por ação humana" e, "retirando a fatia ligada ao crime, a maior parte das ocorrências está relacionada com negligência".

Ora, bastou um mês de abril de "terrível secura, quase comparável a qualquer mês de verão", para se ter um cenário de "queimadas e queimas como se estivéssemos num normal período de primavera ou inverno". Isto gerou naquele mês deste ano um número de incêndios que consumiram uma área superior a 11 mil hectares. "Isto não pode acontecer num país com o nível de civilização que temos", vinca Rogério Rodrigues, reiterando que "é preciso apostar mais nas pessoas para retirar esse nível de negligência".

Não se pode limpar tudo

Sobre a limpeza de matas e florestas, o presidente do ICNF realça que "é um mito dizer-se que todo o centímetro quadrado tem de estar absolutamente limpo". Justifica que "é impraticável, é utópico e é contra a natureza". Sublinha que "esta precisa de todas as espécies e a biodiversidade também".

O presidente da associação ambientalista Quercus, João Branco, concorda que limpar tudo é uma tarefa difícil de concretizar, até porque é muito dispendiosa, pelo que "a solução global passa pelo cumprimento da legislação e da efetiva elaboração e execução dos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios. Não era preciso mais nada".

De acordo com João Branco, "as campanhas de sensibilização são importantes, mas são claramente insuficientes". É que "quando muito influenciam o número de incêndios que são causados por negligência". Porém, grande parte deles são intencionais e, quanto a esses, "a prevenção nada consegue", uma vez que "quem anda a atear fogos não é sensível aos argumentos usados nas campanhas. Muitas vezes, até há interesses por trás".

O mesmo responsável defende ainda que têm de ser implementadas medidas como "a silvicultura preventiva". Passam pela "limpeza e bom estado dos caminhos florestais e de aceiros", bem como a "criação de faixas de descontinuidade de combustível", e estão previstas na lei e nos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios.

ASAE apreendeu 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas


22/5/2017, 15:55

A ASAE instaurou seis processos de contraordenação e apreendeu cerca de 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas, numa fiscalização a matérias fertilizantes que decorreu em todo o país.


MARIO CRUZ/LUSA


A ASAE instaurou seis processos de contraordenação e apreendeu cerca de 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas, numa fiscalização a matérias fertilizantes que decorreu em todo o país, indicou esta segunda-feira fonte daquele organismo.

Em comunicado, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) adianta que foram fiscalizados 53 operadores económicos, tendo resultado da operação a instauração de seis processos de contraordenação e apreensão de cerca de 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas, no valor aproximado de 1.700 euros.

Como principais infrações detetadas, a ASAE salienta o incumprimento dos requisitos respeitantes aos adubos, a falta de inscrição prévia no registo nacional de matérias fertilizantes não harmonizadas, a aposição indevida da marcação CE, o incumprimento dos requisitos obrigatórios de rotulagem e a falta de mera comunicação prévia.

Segundo a ASAE, a fiscalização decorreu em todo o país e teve como principal objetivo a verificação dos requisitos obrigatórios de comercialização das matérias fertilizantes.

Seca já afeta agricultura


23 DE MAIO DE 2017 - 23:09

O problema da falta de água na bacia do Sado já se fez sentir na produção agrícola de inverno mas vai ser mais grave nas culturas de primavera e verão, denuncia a Federação Nacional de Regantes.


Milhares de pessoas numa vigília de homenagem às vítimas


O presidente da Federação Nacional de Regantes, José Núncio, revelou à TSF que os agricultores já não estão a instalar muitas das áreas de terrenos com culturas de verão "porque não haverá água suficiente para as regar".

Milho e arroz vão ser as culturas mais afetadas e a alimentação dos animais pode vir a ser um problema.

"Não haverá pasto suficiente para armazenar para o verão e por isso vai ter que se recorrer a rações", explica José Núncio.

domingo, 14 de maio de 2017

Madeira: Miguel Albuquerque recusa a exploração dos produtores de banana


Económico Madeira
 31 Jan 2017


Presidente do Governo Regional afirmou em Câmara de Lobos, Madeira, que o seu executivo não permitirá a exploração dos produtores de banana regional.


Durante a visita efetuada ao Centro de Horticultura das Preces, Miguel Albuquerque acrescentou que a banana da Madeira "é a mais bem paga da Europa e aquela que está organizada no sentido de conseguir o melhor rendimento para os produtores".

"Enquanto eu for Presidente do Governo, a comercialização e o processamento da banana será feito pela GESBA (empresa regional responsável pela recolha e comercialização da banana regional). Há quem queira entrar para baixar os preços, desregular o mercado e ganhar dinheiro à custa dos produtores. Mas não vou permitir que isso aconteça", disse.

Durante a visita, e interpelado pelos jornalistas sobre alegados descontentamentos relacionados também com o pastoreio de gado na serra, Miguel Albuquerque reafirmou que o Governo não está contra o pastoreio.

"Já passamos mais de 100 licenças para pastoreio ordenado. Com regras. Não podemos é abandonar o gado livremente na serra, para causar erosão e depois termos consequências graves", argumentou.

O Centro de Horticultura das Preces, em Câmara de Lobos, sofreu diversas obras de beneficiação por forma a poder ajudar de forma mais eficaz os agricultores regionais e revitalizar o setor. Nesta infraestrutura são produzidas para fornecimento aos agricultores 1.275.000 plantas. O Centro de Horticultura dedica-se fundamentalmente ao desenvolvimento de sementes para posterior entrega aos agricultores.

Líder da CAP: "Se não houver regadio não há agricultura empresarial"

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, defende que a agricultura em Portugal, para ter interesse económico, tem que ter regadio.

Celso  Filipe Rosário Lira Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 

13 de maio de 2017 às 21:00

A agricultura em Portugal, para ter interesse económico, tem que ter regadio. "Se não houver regadio não há agricultura empresarial em Portugal" afirma Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP (Confederação de Agricultores de Portugal).
 
Eduardo Oliveira e Sousa, que tomou posse a 19 de Abril, substituindo no cargo João Machado, que durante 18 anos liderou a CAP, diz que é preciso fazer uma aposta no armazenamento de água, replicando o modelo do Alqueva.
 
"A seca veio para ficar e ficou" afirma Eduardo Oliveira e Sousa, na Conversa Capital, uma entrevista conjunta entre o Negócios e a Antena 1, que pode ler na íntegra na edição impressa de segunda-feira, 15 de Maio.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Agricultura ainda é feita à mão em 98% dos terrenos de cultivo em Angola



O trabalho manual das terras agrícolas, com recurso a enxadas, ainda é utilizado em 98% dos terrenos em Angola, em contraponto com o reduzido recurso à mecanização nos cerca de cinco milhões de hectares de cultivo.

A informação foi avançada hoje pelo ministro da Agricultura de Angola, Marcos Alexandre Nhunga, durante uma reunião com agentes económicos ligados à banca comercial, empresas do setor do agrícola, seguradoras e outros, tendo afirmado que apenas 2% dos hectares de cultivo do país são preparados com "recurso a mecanização e tração animal".

"A atividade de produção agrícola no país debate-se com o problema do baixo uso de mecanização na preparação de terras", admitiu.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial devido à queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, com o ministro angolano a admitir consequências negativas no setor, como a falta de meios de apoio à produção agrícola.

"Com a retração da atividade económica, vários meios e equipamentos de trabalho detidos pelas empresas de construção civil, tais como tratores, camiões e outros, incluindo a mão-de-obra, ficaram praticamente inativos. Estando muitos deles parqueados nos estaleiros", observou.

Neste encontro, que juntou empresários angolanos e estrangeiros do agronegócio para apresentação de oportunidades de investimentos no setor, o governante admitiu que os meios "ociosos" de mecanização agrícola "podem ser, facilmente, reconvertidos para a realização de atividades agrícolas".

"Diante da realidade que algumas empresas atravessam, imposta pela conjuntura económica, uma alternativa segura para as vossas empresas hoje seria o aproveitamento das oportunidades existentes no setor agrário investindo no agronegócio", alertou, dirigindo-se aos empresários.

Marcos Alexandre Nhunga referiu ainda que apesar de Angola dispor de "solos de elevada aptidão agrária, abundantes recursos hídricos e uma expressiva faixa da população dedicada às atividades do campo", atualmente "a produção interna ainda, em muitas culturas, não satisfaz as necessidades de consumo".

"A realização plena do potencial do setor agrário nacional, como motor da segurança alimentar e promotor do desenvolvimento socioeconómico do país, depende, em grande medida, da eficiência e eficácia com que decorrem as atividades produtivas dentro de cada um dos seus subsetores", concluiu.

Astronautas da NASA vão ter estufa agrícola em Marte

Para estabelecer uma colónia humana em Marte, como é objetivo da NASA, os astronautas vão precisar de comer. Mas Marte é um planeta que já não é capaz de suportar vida, e idas ao supermercado estão fora de questão. A solução é tentar aproveitar qualquer nutriente que esteja no solo, ao mesmo tempo que se tenta simular o ambiente terrestre. E essa já foi providenciada pela Universidade do Arizona.

A sua Faculdade de Agricultura e Ciências de Vida (CALS) criou o protótipo do que se espera ser uma estufa para produção agrícola, que vai poder ser utilizada em planetas que não podem suportar vida humana. Chamada Estufa Lunar/Marciana, vai poder permitir a qualquer missão humana de longo prazo criar os seus próprios vegetais. Estes não vão só providenciar comida, mas também reciclar oxigénio.

O conceito foi chamado de "sistema de suporte de vida bio-regenerativo. A ideia é providenciar alimento para os astronautas, restaurar o ar respirável e fazer filtração e reciclagem da água e de todos os dejetos produzidos. Desta forma, este ambiente vai poder estar sempre em circuito fechado, sem perdas de matéria e energia. Sendo especializada em agricultura, a CALS Arizona está a analisar quais são as plantas e sementes mais apropriadas para a missão da NASA.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Prevê-se período de seca, diz ministro da Agricultura



O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, disse esta terça-feira que há indícios que apontam para a previsão de um período de seca.

"Neste momento, estamos apenas numa situação em que há indícios claros de que poderemos vir a ter um período de seca, não há neste momento ainda prejuízos imediatos e evidentes" na agricultura, declarou Luís Capoulas Santos aos jornalistas.

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, falava esta terça-feira na conferência internacional "A Herança Cultural da Dieta Mediterrânica", que se realiza até quarta-feira na Universidade do Algarve.

SECA PODE PÔR EM RISCO 30 MIL HECTARES DE CULTURAS NO ALENTEJO

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indicou no início de maio que 96% do território de Portugal continental estava em abril em situação de seca fraca a moderada, o que representa um aumento de 20% em relação a março.

De acordo com o IPMA, as regiões do Norte e Centro foram as mais afetadas no último mês, com um aumento significativo da área em situação de seca, com a região do Algarve a ser a única a não se encontrar nessa situação.

Lembrando que o fenómeno é característico do Mediterrâneo e que ocorre em Portugal, habitualmente, de dez em dez anos, Capoulas Santos frisou que a seca é um "risco" para a atividade económica, nomeadamente, a agricultura, sendo possível mitigar os seus efeitos.

"A água nas barragens, estando em níveis mais baixos, não é suscetível de comprometer a campanha do regadio, mas é um assunto que o Governo, naturalmente, acompanha dia a dia e a cada momento e, sempre que se justifique, não deixará de acionar as medidas adequadas", referiu.

Produção de azeite quadruplicou na última década, com as exportações a triplicarem
O ministro da Agricultura lembrou que adotou em novembro um conjunto de medidas de apoio financeiro no baixo Alentejo para que os agricultores pudessem abrir furos ou adquirir equipamentos para transportar a água.

Relativamente à exportação de produtos alimentares relacionados com a dieta mediterrânica, o governante apontou um crescimento das exportações de fruta em 15%, nos meses de janeiro e fevereiro.

A produção de azeite quadruplicou na última década, com as exportações a triplicarem no mesmo período.

Em crescimento, encontra-se também a exportação de frutos secos, que sofreu uma "grande evolução", concluiu.

Governo defende e promove a dieta mediterrânica

COMUNICADO

O Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural presidiu esta manhã à Sessão de Abertura da Conferência Internacional "A Herança Cultural da Dieta Mediterrânica", uma iniciativa organizada pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural em parceria com a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de Tavira.

Esta conferência marca o ponto alto da presidência rotativa da Dieta Mediterrânica (DM), que é exercida neste momento por Portugal. Além do nosso país, o grupo dos países da DM integra o Chipre, a Croácia, Espanha, Grécia, Itália e Marrocos.

Capoulas Santos explicou que "o Governo procura traduzir nas suas políticas ações e medidas concretas que contribuam para a produção, a comercialização e o consumo de produtos integrantes da DM", dando nota de que é intenção do Governo "no âmbito da estratégia e do plano de ação para a agricultura biológica, que serão brevemente submetidos a Conselho de Ministros, adotar um conjunto de medidas, contemplando muitas delas, produtos mediterrânicos, das quais destacaria a sua introdução nas ementas escolares".

O Ministro da Agricultura sublinhou que "o Governo tem em execução medidas que visam criar e estimular os circuitos curtos de comercialização e mercados de proximidade, por forma a escoar pequenas produções de qualidade, preferentemente associadas a denominações de origem, e, ao mesmo tempo defender a pequena agricultura familiar para a qual adotou já um conjunto de medidas de discriminação positiva". Capoulas Santos referia-se ao aumento em 20% dos pagamentos para o regime dos pequenos agricultores e à majoração de 50€/ha para os primeiros 5 hectares de todas as explorações, no âmbito do primeiro pilar da PAC, bem como à elevação para 40 mil euros do montante elegível para apoio ao primeiro investimento nas pequenas explorações, e ao apoio de 200 mil euros para as pequenas industrias transformadoras na ordem dos 50% a fundo perdido (PDR2020).

 
O Ministro referiu ainda que "a estratégia delineada no que diz respeito à aplicação do regadio, ao reforço da experimentação e da investigação agrárias, e à aposta no rejuvenescimento do tecido empresarial e da agricultura biológica, permite-nos ser responsavelmente otimistas quanto ao futuro", razão pela qual o Governo espera "alcançar as metas fixadas no sentido de, até 2020, garantir o equilíbrio, em valor, da nossa balança agroalimentar".

"No caso das frutas, só nos dois primeiros meses deste ano, a taxa de crescimento das exportações cresceu acima dos 15% face ao ano anterior e no caso do azeite, na última década quadruplicámos a produção e triplicámos as exportações, assistindo-se neste momento a um enorme dinamismo do setor dos frutos secos", anunciou Capoulas Santos.
Faro, 09 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

PEDIDO ÚNICO DE AJUDAS 2017 -PRAZO DE CANDIDATURAS PRORROGADO PARA 31 DE MAIO

Comunicado

No seguimento da decisão da Comissão Europeia, de permitir aos Estados Membros a prorrogação do prazo para aceitação de candidaturas ao Pedido Único 2017, o IFAP, em articulação com as Organizações protocoladas, decidiu prorrogar o prazo de receção, para o Continente e Região Autónoma da Madeira, até ao próximo dia 31 de maio.

Para além desta data, é possível a apresentação tardia do pedido de ajuda durante mais 25 dias (até 25 de junho) com penalização regulamentar de 1% por cada dia útil, acrescida, no caso do pedido de atribuição de direitos à reserva para pagamento RPB, de 3% por cada dia útil.

O prazo para submissão da Comunicação das Transferências acompanha o prazo do Pedido Único 2016.

Relativamente aos pedidos de pagamento dos Prémios à Manutenção e dos Prémios por Perda de Rendimento no âmbito da Medida da Florestação das Terras Agrícolas - RURIS, bem como os Projetos de Arborização instalados ao abrigo do Reg. (CEE) n.º 2080/92 e Reg. (CEE) n.º 2328/91 a entrega tardia não tem qualquer penalização.

O prazo para submissão da Comunicação das Transferências acompanha o prazo do Pedido Único 2017.

Apresente atempadamente a sua candidatura ao Pedido Único de Ajudas! Evite penalizações desnecessárias!

Ministro da Agricultura defende caça com ética e com regras


7 mai 2017 15:43

O ministro da Agricultura disse hoje, em Santarém, que estar contra a caça é um "contrassenso", lembrando que sem ela "a humanidade não existia", mas declarou-se também ele contra a caça selvagem, sem ética e sem regras.



Capoulas Santos falava no encerramento do 25.º Encontro Nacional de Caçadores, que hoje decorreu no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, dominado pelo "ataque" às propostas sobre o setor apresentadas pelo PAN (Pessoas – Animais – Natureza) e pelo Bloco de Esquerda (BE) que serão discutidas na próxima terça-feira no parlamento.

"Rapaziada do PAN" criticada em Encontro de Caçadores por "atacar" mundo rural
"Rapaziada do PAN" criticada em Encontro de Caçadores por "atacar" mundo rural
Ver artigo
"Talvez há 30, 40, 50 anos fosse necessário explicar (…) como a caça devia ser conduzida a alguns caçadores. Felizmente, hoje, os caçadores estão em condições de explicar a outros concidadãos qual o papel da caça na nossa sociedade", afirmou.

Pedindo que a caça seja entendida "com serenidade, sem paixão", o ministro realçou o papel deste setor na proteção e reintrodução de espécies que os "excessos" praticados pela humanidade colocaram em causa.

Apontando os exemplos dos programas de reintrodução do lince ou do lobo ibérico, Capoulas Santos referiu o "papel importante" da caça na correção dos predadores.

O ministro citou, no caso português, a situação do coelho bravo, "na base do ecossistema rural", cujas populações, "de que dependem muitas outras", têm sido dizimadas por sucessivas doenças.

"Se nada se fizer, nomeadamente corrigindo predadores, desaparecerá", alertou, pedindo "serenidade" no debate sobre uma atividade importante "pelo seu papel ambiental, de equilíbrio da natureza", com "um papel cada vez maior na economia, no desenvolvimento das zonas rurais", com toda uma cadeia de atividades, e também pela parte "lúdica, desportiva, que permite pôr muitos cidadãos urbanos em contacto com a natureza".



Como exemplo do empenho do Governo na defesa da caça, Capoulas Santos afirmou que vai ser publicado na próxima semana um despacho que cria um grupo de trabalho que terá por função a apresentação, no prazo de três meses, de um plano para ajudar a acabar com a febre hemorrágica que está a dizimar coelhos e lebres.

Perante o aparecimento de uma nova estirpe que está a atacar animais juvenis, provocando a sua morte antes de se reproduzirem, o Governo decidiu avançar com um plano que terá várias componentes: um programa de investigação, a definição de boas prática de gestão e medidas adequadas de controlo sanitário, declarou.

O grupo, que tomará posse num prazo de dez dias, integra o Instituto Nacional de Investigação Veterinária, o Instituto de Conservação da Natureza, a Direção-geral de Veterinária, o Centro de Investigação da Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica da Universidade Nova de Lisboa, a Federação Portuguesa de Caça (Fencaça), a Confederação Nacional de Caçadores e a Associação Nacional de Proprietários Rurais.

O ministro anunciou ainda uma longa lista de alterações legislativas que têm a ver com o setor, como as normas sobre a sinalização das zonas de caça, a facilitação da integração de terrenos das zonas de caça municipais nas zonas associativas, a afetação de 10% das receitas das licenças de caça para ações de melhoria de conhecimento dos 'habitats', entre muitas outras.

Anunciou ainda que será aberto um novo período de candidaturas a fundos comunitários para apoio financeiro aos investimentos nas zonas de caça, que corrigirá a dimensão mínima exigida no primeiro concurso, de 3.500 hectares, o que deixou zonas de caça de fora.

Nesse primeiro concurso, com uma dotação de dois milhões de euros, foram apresentadas 132 candidaturas, com um volume de investimento superior ao disponível, afirmou.

domingo, 7 de maio de 2017

Numa década, Portugal passou de importador de azeite a 4.º exportador mundial


Com a entrada em produção dos novos olivais, sobretudo em Alqueva, estima-se que a produção de azeite possa atingir, até 2020, as 120.000 toneladas.
CARLOS DIAS 6 de Maio de 2017, 1:58 Partilhar notícia

"O valor global da exportação de azeite em 2016 atingiu os 434 milhões de euros" anunciou em Valpaços, o secretário de Estado da Agricultura, Luís Vieira, na sessão de abertura do Congresso Nacional do Azeite.

Na última década, Portugal quadruplicou a produção de azeite e triplicou o volume de exportações. Estes dados representam "um excedente da balança comercial no valor de 170 milhões de euros em 2016", salientou o governante, acrescentando que o nosso país passou de "importador líquido, com um deficit de 50 milhões de euros em 2008, para um excedente da balança comercial".

Em 2016, Portugal passou a ser o sétimo produtor mundial de azeite e o quarto país exportador, "atingindo os 434 milhões de euros" realçou Luís Vieira, frisando que o caminho para alcançar a posição actual de deve "à conjugação de um conjunto de factores que mudaram o panorama do sector". E destaca as novas áreas de regadio, sobretudo na região de Alqueva, o investimento inovador e qualificado em pomares modernos, e o perfil tecnológico elevado, das estruturas produtivas.

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A nova realidade leva o secretário de Estado a acreditar que "a produção de azeite possa atingir, até 2020, as 120.000 toneladas, resultante, em larga medida, da entrada em produção de novos olivais".

Lembrou ainda que "os instrumentos de política de apoio ao investimento têm tido um papel relevante neste processo". Entre 2007 e 2014, o PRODER apoiou 4000 projectos de investimentos, que envolveram um montante global de 700 milhões, a que correspondeu um apoio público de 290 milhões de euros.

Os números descritos revelam a evidente de "transformação estrutural da agricultura portuguesa" observa o governante, destacando que, após um período de estagnação, "já foram aprovados 559 projectos de investimento na produção e transformação, que ascendem a 159 milhões de euros, a que corresponde um apoio público de 59 milhões de euros".

sábado, 6 de maio de 2017

Balança Comercial do azeite Atinge os 170 Milhões de euros de excedente

Comunicado


Luís Vieira, Secretário de Estado da Agricultura, presidiu hoje à Sessão de Abertura do Congresso Nacional do Azeite, em Valpaços, onde destacou a performance notável do setor do azeite em Portugal nos últimos 10 anos: "Na última década, Portugal quadruplicou a produção de azeite e triplicou o volume de exportações, com um excedente da balança comercial no valor de 170 milhões de euros em 2016", sublinhou Luís Vieira, acrescentando que "passámos de importadores líquidos, com um défice de 50 milhões de euros em 2008, para um excedente da balança comercial, o que é notável".

Portugal é agora o 7.º produtor mundial de azeite, ocupando o 4.º lugar entre os países exportadores. "O valor global da exportação de azeite atingiu os 434 milhões de euros em 2016", anunciou o Secretário de Estado. Luís Vieira destacou que "o setor do azeite, que muitos consideravam não ter futuro, demonstrou - pela resiliência dos nossos olivicultores e empresários - que é possível inverter uma tendência de declínio, colocando-se na última década num patamar de reconhecida notoriedade".

Luís Vieira, considera que "este percurso deve-se à conjugação de um conjunto de fatores que mudaram o panorama do setor: novas áreas de regadio, sobretudo na região de Alqueva, investimento inovador e qualificado em pomares modernos, mais produtivos e com um perfil tecnológico elevado. Neste cenário, estima-se que a produção de azeite possa atingir, até 2020, as 120.000 toneladas, resultante, em larga medida, da entrada em produção de novos olivais", acrescentou o Secretário de Estado.

Luís Vieira lembrou ainda que "os instrumentos de política de apoio ao investimento têm tido um papel relevante neste processo". Entre 2007 e 2014, o PRODER apoiou 4.000 projetos de investimentos, que envolveram um montante global de 700 milhões, a que correspondeu um apoio público de 290 milhões de euros. Nestes valores, Luís Vieira "destaca os projetos promovidos por 1500 jovens agricultores, com um investimento associado de 130 milhões de euros e apoios públicos da ordem dos 95 milhões de euros. Um sinal evidente de transformação estrutural da agricultura portuguesa".

Esta tendência mantem-se no PDR 2020 que, após um período de estagnação, já aprovou 559 projetos de investimento na produção e transformação, que ascendem a 159 milhões de euros, a que corresponde um apoio público de 59 milhões de euros.
Luís Vieira instou o setor a continuar este caminho de sucesso, investindo na inovação e na qualidade diferenciada, tirando partido das condições únicas existentes nas novas áreas de regadio e aproveitando as oportunidades de um mercado mundial em crescimento, expressão do reconhecimento generalizado do contributo do azeite para uma alimentação saudável.

Lisboa, 05 de maio de 2017

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Andamos a temperar a comida com sal que tem microplásticosa


Estudo analisou 17 amostras de sal de mesa vendido em oito países (incluindo Portugal) e confirmou contaminação com microplásticos. Uma das três amostras portuguesas testadas atingiu o máximo observado com dez microplásticos por quilo de sal.

ANDREA CUNHA FREITAS 5 de Maio de 2017, 6:45 Partilhar notícia

 Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são actualmente comercializadas Foto
Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são actualmente comercializadas NELSON GARRIDO
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Sim, é verdade, andamos a temperar a nossa comida com microplásticos. Mas, calma, não é (ainda) caso para alarme. Uma equipa de cientistas procurou minúsculas partículas de plástico em 17 marcas de sal vendidas em oito países, incluindo Portugal. A maioria estava contaminada mas com doses baixas, que dificilmente têm qualquer efeito imediato na saúde dos consumidores. O problema é que estas "microbombas" estarão em muitos outros produtos que vêm do mar (e não só).

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"Os plásticos são o lobo mau do século XXI", avisa Ali Karami, investigador na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde da Universidade Putra, na Malásia, e principal autor do artigo publicado na revista Scientific Reports, do mesmo grupo da revista Nature. O processo é simples. Todos os anos despejamos entre cinco e 13 milhões de toneladas de plásticos para os oceanos. A luz solar e a água desfazem este lixo até às mais minúsculas partículas. Quando têm menos de cinco milímetros são chamados "microplásticos". Fazem, por isso, parte da dieta de muitas espécies marinhas, desde o zooplâncton (que serve de alimento a outros animais) até às baleias. A este ingrediente que envenena o mar, o homem conseguiu juntar ainda outros como as microesferas plásticas, que estão em muitos produtos de higiene e cosmética (pasta de dentes, champô, gel de banho ou detergentes) e que, depois do esgoto, também acabam nos oceanos. Mas, tal como na história do feitiço que se volta contra o feiticeiro, há uma parte do plástico que despejamos no mar que estará a voltar para nós, em pedacinhos minúsculos, em tudo o que retiramos de lá. Incluindo, como prova este estudo, o sal.

Um oceano de plástico

E, aparentemente, o plástico que regressa será ainda pior do que o que deitamos ao lixo. "Os plásticos funcionam como esponjas e, por isso, conseguem absorver um elevado volume de contaminantes da água onde estão. Como normalmente ficam na água durante bastante tempo, existe a oportunidade para absorverem uma quantidade significativa de poluentes", explica Ali Karami.

O cientista fala em "microbombas". "Os microplásticos podem libertar poluentes no nosso organismo que, a longo prazo, podem provocar problemas de saúde. Por isso, dizemos que são microbombas", explica o investigador, em resposta ao PÚBLICO, sublinhando que o perigo não será muito elevado tendo em conta o reduzido tamanho destas partículas. Assim, conclui, "apenas o consumo contínuo e a longo prazo de produtos com microplásticos será motivo para preocupação". Infelizmente, presume-se, que seja precisamente isso que esteja a acontecer. "Estamos a consumir microplásticos em vários produtos, incluindo marisco, mel e até cerveja. Assim, o sal não é o único culpado", avisa Ali Karami. 

O que o estudo liderado por investigadores na Malásia, com a colaboração de cientistas em França e no Reino Unido, fez foi, precisamente, confirmar que o sal é um das boleias que o plástico apanha para fazer a viagem de regresso até nós. Como? Procuraram microplásticos em 17 marcas de sal à venda na Austrália, França, Irão, Japão, Malásia, Nova Zelândia e África do Sul. "Os microplásticos só estavam ausentes numa das marcas, enquanto as outras continham entre um a dez microplásticos por quilo de sal", referem no artigo. Três das amostras analisadas eram portuguesas e são marcas que são actualmente comercializadas.

A análise foi particularmente cuidadosa se tivermos em conta que os cientistas só procuraram microplásticos até um milímetro de tamanho (a regra mais comum e geral é considerar as partículas com menos de cinco milímetros). Além de microplásticos, foram encontradas outras coisas no sal. Assim, das 72 partículas extraídas de todas as amostras, 41,6% eram polímeros plásticos, 23,6% eram pigmentos (associados muitas vezes a aditivos colocados nos plásticos), 5,5% eram carbono livre e 29,1% ficaram por identificar.


Num dos gráficos do artigo, encontra-se informação mais detalhada sobre as análises às diferentes amostras. Uma das três marcas portuguesas analisadas destaca-se pelos piores motivos, alcançando o máximo registado de dez partículas de microplásticos (nylon, polipropileno, polietileno, entre outros) por quilo de sal. As outras duas marcas não continham qualquer partícula de polímeros plásticos mas, em compensação, tinham partículas de diversos pigmentos.

Em resposta ao PÚBLICO, Ali Karami refere ainda que a possibilidade de contaminação das amostras pelas embalagens (algumas delas eram de plástico) foi tida em conta e descartada. "Assegurámos que a fonte dos microplásticos na amostra do sal não era a embalagem", confirma. No artigo, os cientistas acrescentam que o facto de alguns dos fragmentos encontrados estarem já bastante degradados indica que já se encontravam há muito tempo no ambiente.

"Estão em todo o lado"
"É preocupante saber que o sal, um ingrediente que se usa com muita frequência na alimentação, pode estar contaminado com microplásticos. Mas se estou surpreendida com isso? Não, não estou nada surpreendida com isso. Tenho a certeza que encontraremos o mesmo tipo de compostos e partículas noutros produtos alimentares que nunca foram analisados", reage Paula Sobral, professora na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa que coordenou o projecto Poizon, dedicado à investigação sobre microplásticos nos oceanos. "Este estudo confirma que os microplásticos estão em todo o lado. São coisas que não vemos mas existem", diz, juntando ainda a esta fotografia "todas as fibras sintéticas que se desprendem todos os dias para o meio aquático e não só". "Basta olhar para um raio de sol a entrar por uma janela para ver uma data de partículas suspensa, muitas são microfibras sintéticas", acrescenta.

A investigadora nota, no entanto, que sobre a investigação científica nesta área está ainda numa fase inicial e com muitas incertezas e que falta, por exemplo, fazer uma cuidadosa análise de risco sobre os microplásticos. "Não temos nenhuma bitola. Não sabemos até que ponto é que há um risco ou não", afirma ao PÚBLICO, defendendo que o que podemos dizer, para já, é que "existe um perigo potencial".

Por outro lado, acrescenta, há muito plástico no mar mas também em terra. "O plástico afirmou-se com algo de imprescindível e essencial no nosso quotidiano e, para nós, ainda representa mais uma conveniência do que um perigo", diz, esclarecendo que não existe qualquer legislação específica sobre os microplásticos.

Os autores do estudo defendem que as quantidades de microplásticos encontradas no sal (de Portugal e dos outros países) não são suficientes para ter qualquer tipo de impacto na saúde. Até porque, adiantam, o consumo máximo de partículas antropogénicas (que resultam da actividade do homem) para um indivíduo estará em 37 partículas por ano. Porém, a verdade é que ainda não se sabe muito sobre os microplásticos. Nem sobre as possíveis fontes, as quantidades que "entram" em alguns produtos ou o mal que nos podem fazer à saúde.


"Os estudos em microplásticos estão numa fase muito inicial", concorda Ali Karami, que acrescenta: "Ainda não sabemos quantos outros produtos estão contaminados com microplásticos, mas acreditamos que a maioria dos produtos que vêm do mar provavelmente tem. Por isso, os microplásticos no sal serão apenas uma minúscula parte da orquestra." Antes deste estudo apenas tinha sido publicado (em 2015) um outro trabalho por investigadores na China, mas que apenas dizia respeito às análises de sal da China, comprovando a sua contaminação com microplásticos. Agora, foi analisado sal de várias partes do mundo que confirma um efeito a nível global.

Portanto, o investigador revela que encontraram microplásticos no sal, ao mesmo tempo diz-nos que isso (por si só) não nos fará mal mas logo a seguir acrescenta que o mais provável é que os microplásticos estejam em muitos outros produtos. O que, no final das contas e ao fim de algum tempo, nos poderá fazer mal. Perante isto, o que fazer?

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É preciso saber mais sobre este problema para conseguir uma imagem mais completa, acredita Ali Karami. "Estamos a fazer vários estudos, cujos resultados ainda não foram publicados, e encontrámos microplásticos noutros produtos que vêm do mar. Infelizmente, a maioria dos produtos que testámos também está contaminada", adianta ao PÚBLICO, concluindo que "o nosso planeta está a ser silenciosamente conquistado por estas microbombas". Mais: "Se os microplásticos estão nestes produtos, isso significa que é impossível removê-los porque são tão minúsculos e tão numerosos." Então, mais uma vez, o que fazer? "As autoridades de saúde devem começar a monitorizar regularmente a presença destas microbombas. E, além disso, devem ser estabelecidas novas regras para garantir a segurança dos consumidores, assegurando que os produtos não contêm microplásticos." Isso quer dizer que, nesse futuro com regras, a amostra portuguesa que continha dez partículas de microplásticos por quilo de sal deveria ser retirada do mercado? "Possivelmente, sim", responde o investigador.

A maioria das pessoas não sabe que pode estar a ingerir plástico na comida, admite Ali Karami que também acredita que os próprios produtores de sal, neste caso, desconhecem esta realidade. E, insiste o cientista, é preciso frisar que o sal não será seguramente a única fonte de microplásticos na nossa dieta.

A verdade é que a culpa não é do sal, nem de qualquer outra boleia que o plástico poderá estar a aproveitar para entrar nos nossos organismos e, potencialmente, prejudicar a nossa saúde. A culpa é mesmo toda nossa. Afinal, quem é que levou o plástico para os nossos oceanos?

Candidaturas a apoios agrícolas da UE ainda duram mais um mês



Agricultores têm até 15 de junho para se candidatarem
2017-05-04 13:08 / VC


 A Comissão Europeia decidiu prolongar por um mês, e até 15 de junho, o prazo para os agricultores se candidatarem às ajudas diretas da União Europeia, no âmbito da Política Agrícola Comum.

Pelo terceiro ano consecutivo, os Estados-membros que o desejarem podem prolongar a data limite de apresentação das candidaturas – que terminava no dia 15 – até 15 de junho.

Esta margem de flexibilidade deverá poder permitir a todos os agricultores da UE a apresentação do seu pedido para receberem, tal como têm direito, as ajudas ao rendimento da PAC".

 A informação foi prestada pelo comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan.

Anualmente, os agricultores da UE apresentam os pedidos para receber ajudas diretas da PAC. Os processos tratados pelas autoridades nacionais que procedem, depois de feitos os controlos necessários, ao pagamento das ajudas e que a Comissão Europeia reembolsa.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Só chuva de maio é capaz de salvar a agricultura



GONÇALO VILLAVERDE/GLOBAL IMAGENS


O abril mais quente em 86 anos. Campos agrícolas estão secos e há produções em risco. Chuva é urgente para encher as barragens

As pastagens estão secas e o gado vai começar a ser alimentado à mão já em maio, enquanto a tiragem de cortiça terá de ser antecipada e concluída um mês antes. Já os cereais de sequeiro, tanto de outono/inverno como de primavera/verão, têm quebra anunciada para este ano faltando apurar a extensão do prejuízo, pendente da chuva que possa cair nas próximas duas a três semanas. Eis o resultado do terceiro ano consecutivo de seca generalizada, agravado com o abril mais quente dos últimos 86 anos e a onda de calor. O que faz com que o País esteja com 96% do território em "seca meteorológica".

"O girassol será dos mais afetados. Ainda não choveu nada e isso é fatal para esta produção", alerta Francisco Palma, da Associação de Agricultores de Beja, acrescentando que as pequenas barragens e charcas que não são abrangidas pelos 120 mil hectares de rega do perímetro de Alqueva estão à míngua. "Há 200 mil hectares de sequeiro que estão afetados no Alentejo onde se inclui cevada, trigo, girassol e aveia", contabiliza, alertando que uma boa parte do milhão e seiscentos mil hectares destinados à pastagem também já começam a sentir o efeito da falta de chuva, ficando os produtores de gado condicionados a comprarem alimento para os animais.

António Gonçalves Ferreira, presidente da União da Floresta Mediterrânica, alarga o problema às zonas do interior de Norte a Sul. "O solo é o primeiro a secar e os campos estão completamente secos como se já fosse final de junho. As árvores estão a adaptar-se à falta de água, pelo que se não chover em maio antecipam a paragem vegetativa", explica o dirigente.

Quer isto dizer que, no caso do montado, a tiragem de cortiça terá que começar mais cedo - pelo menos uma semana - mas terminar um mês antes do normal. Seria em agosto, mas terá de ser em julho. As serras de Grândola, Portel e Algarve são as "zonas mais críticas, por exibirem solos com condições mais extremas", justifica, admitindo que os produtores serão prejudicados pelo impacto que uma operação mais célere implica ao nível do stress da árvore. "Demora mais a recuperar. Em lugar de voltar a dar cortiça em nove anos, pode demorar dez", exemplifica o dirigente, que não augura melhorias perante a previsão do tempo para os próximos dias.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê alguma chuva apenas para amanhã, tratando-se de uma precipitação que deverá representar "muito pouco" face à escassez de água que percorre o país. Fátima Espírito Santo, do IPMA, admite que o cenário é preocupante, apesar de Portugal ainda se encontrar apenas em "seca meteorológica fraca a moderada" em 96% do território. O problema é que este índice serve apenas para medir o que chove e não as necessidades agrícolas ou a falta de água nas barragens e aquíferos. "Se houvesse boas reservas nas barragens hoje não haveria seca, mas como os recursos hídricos são finitos acaba por falta água. O grave é que estamos em maio e depois vem o verão que vai agravar tudo isto", aponta a técnica do IPMA, alertando que o vento que se juntou às temperaturas altas de abril "acelerou a evaporação".

terça-feira, 2 de maio de 2017

Luís Sottomayor: “Nem o Barca Velha é um vinho perfeito”


02.05.2017 às 14h06

O enólogo, responsável pelos vinhos da Sogrape no Douro, acaba de mudar a história do Barca Velha. Declara legítimo o rótulo de 1955, reconhecendo que, afinal, existem 19 colheitas do mítico vinho. A última recebeu agora a mais importante pontuação alguma vez atribuída a um tinto português

ANA SOFIA FONSECA

D.R.
A história do Barca Velha mudou esta semana?
Mudou. Há uns tempos que sabíamos de uma garrafa de 1955, um ano de que nunca tínhamos ouvido falar. Com a confirmação que a tal garrafa mistério é verdadeira, reconhecemos que há mais uma colheita de Barca Velha. Em 65 anos de vida, o vinho tem afinal 19 edições.

Está então resolvido o mistério da garrafa de 55?
A existência desse ano está, mas continuamos a pesquisa. Apareceram algumas saídas de garrafas, não percebemos como é que não entrou no circuito comercial.

Como é que se explica não ter sido declarado Barca Velha?
Não há explicação, continuamos a pesquisar. Suponho que o senhor Fernando Nicolau de Almeida [criador do Barca Velha] não o tenha feito por se tratar de uma quantidade muito pequena.

Há duas semanas achava que 1955 não era Barca Velha. O que é que o fez mudar de ideias?
Nessa altura, tinham aparecido alguns registos de saída de vinho de 1955, mas com uma característica — nenhuma venda, só ofertas para amigos e administradores da empresa. Um registo para o embaixador António Pinto Mesquita, na Noruega; outro para um jantar de beneficência na Granja; outro para o engenheiro Jorge Ferreira e um para D. Jaime Olazabal. O facto de não haver vendas fez-me pensar que ele engarrafara e pusera rótulo, mas que à última hora verificara que não estava no patamar de excelência do Barca Velha. Parecia ser um predecessor do Reserva Especial [designação criada em 1960 para o vinho feito para Barca Velha mas que não atinge a qualidade exigida]. Agora, apareceram vendas, ainda que poucas, e isso muda tudo.

A colheita de 1955 faz lembrar o filho desconhecido que acaba registado.
Sim, aqueles filhos que aparecem à hora da morte e recebem o nome. É estranho nunca se ter ouvido falar deste vinho e agora aparecerem garrafas. Devíamos ter começado a procurar quando apareceram as primeiras, mas pensou-se que era impossível, só quando surgiram mais é que iniciámos uma pesquisa exaustiva. São tantas folhas, tantos documentos...

Em 65 anos há mesmo 19 colheitas?
Sim, passam a 19. São surpresas que vão aparecendo...

E podem aparecer mais?
Espero que não, mas depois desta saga com 1955, já não digo nada. Para nós, foi uma surpresa enorme.

Terá a qualidade dos restantes, dos declarados?
Para ser Barca Velha tinha de ter qualidade. O mais antigo que provei foi o 57. Bebi-o há 10 anos e estava extraordinário. As garrafas que encontrámos de 55 estavam muito em falta, não dão para prova. Mas conhecendo o senhor Nicolau de Almeida, não acredito que fosse brincar com o Barca Velha.

Cem pontos. Como é que recebeu a notícia da classificação atribuída pela "Wine Enthusiast", uma das mais prestigiadas revistas da especialidade?
É ótimo! Mas, sinceramente, depois do Barca Velha 2004 ter recebido 99 pontos, tinha a secreta esperança de que fosse possível. O 2008 é ainda mais completo.

Porque é que o considera o mais misterioso?
Não é um vinho para toda a gente, mas um provador que se demore a olhá-lo e a apreciá-lo vai perceber a qualidade. O Roger Ross recebeu uma garrafa e, ao invés de a classificar, pediu outra. Isso deu-me mais esperança, é um vinho que precisa que fiquemos a conversar com ele.

É o único enólogo português com um vinho não fortificado classificado com 100 pontos na "Wine Enthusiast".
Mas não é para isso que vivo.

Vive para quê?
Até há uns anos, era facílimo o Barca Velha ser espetacular. Hoje não é, há milhares de vinhos do Douro espantosos. O meu maior desafio é manter o perfil do Barca Velha e conseguir que esteja ao nível dos melhores do mundo.

Como é que soube dos 100 pontos?
Recebi uma mensagem do Fernando Guedes [CEO da Sogrape], que estava na Nova Zelândia, a dizer parabéns. Ao princípio não percebi, ninguém fazia anos...

A quem contou primeiro?
Ia a caminho do trabalho, contei às pessoas com quem trabalho que são quem se empenha no vinho, os que estão comigo na sala de provas e aos que tratam da viticultura. Ainda estava sob embargo, por isso não pude fazer a festa que gostaria.

O que é que representa esta classificação?
É mais uma preocupação! O anterior teve 99 pontos, ainda havia margem para melhorar. E agora? Vamos ter de ser mais exigentes com o vinho e com a declaração. Vai haver mais medo, a responsabilidade é enorme. Se o próximo tiver 98, não ficaremos contentes...

O que é um vinho perfeito?
Felizmente, ainda não existe. Nem o Barca Velha que teve 100 pontos é um vinho perfeito. Ainda bem, senão fechávamos a porta.

Tem esperança de conseguir 100 pontos noutras publicações?
Ainda não saíram as pontuações, vamos ver.

Anda há 28 anos a fazer vinhos. Qual foi o pior e o melhor momento?
O pior foi a vindima de 93.

Para toda a gente que andava no Douro.
Nem Esteva fizemos! A única coisa boa desse ano foi o nascimento do meu filho mais velho.

E o melhor?
Há tantos marcos importantes... O Papa Figos ultrapassar um milhão de garrafas foi fortíssimo, por exemplo.

Como é que vê o futuro do vinho português?
Depois destes 100 pontos, acredito que é ainda mais promissor. Sou suspeito, mas acho que o Barca Velha continua a ser o grande vinho português, mas há vinhos que estão muito próximos dessa qualidade em diferentes regiões, por isso, o futuro só pode ser bom. Em qualidade e nunca em quantidade, claro.

E o seu futuro?
Tenho mais 15 anos até à reforma, espero ainda fazer muitos vinhos.

Qual é o vinho que lhe falta fazer?
No Douro, ainda podemos fazer um Barca Velha dos brancos. Também falta um colheita tardia e um espumante.

A maior parte das pessoas nunca provou Barca Velha. Como é que lhes apresentaria o vinho?
Pensem numa pessoa por quem tenham respeito e consideração. Alguém a quem reconheçam carácter, personalidade e, ao mesmo tempo, sentimentos. É assim o Barca Velha.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Ameaça de seca extrema põe em risco milhões na agricultura


"Está o ambiente perfeito para uma seca aguda", diz um agricultor de Castro Verde. Especialistas em ciências agrárias admitem que "tudo pode correr mal" se não chover abundantemente nas próximas semanas.
CARLOS DIAS 29 de Abril de 2017, 6:21

O mundo agrícola aguardava com expectativa que as previsões de chuva feitas em Abril trouxessem alguma precipitação para atenuar os efeitos do tempo seco e dos ventos fortes que se mantêm há várias semanas por todo o país. Mas o clima persiste em manter-se adverso e ameaça assim continuar durante Maio, aumentando a probabilidade de uma estação seca "sem precedentes, com seis meses de calor, baixa humidade relativa e precipitação zero", admitiu ao PÚBLICO Carlos Aguiar, docente na Escola Superior Agrária de Bragança. A análise que faz diz-lhe que em grande parte do país "há um risco real de se perder tudo", sobretudo nas regiões de solos muito delgados, onde os cereais plantados dificilmente serão recuperados.

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No Sul, após "três anos consecutivos de seca", a maioria das albufeiras da região registam "valores críticos de armazenamento" reconhece a Federação Nacional de Rega (Fenareg).

Num comunicado divulgado nesta sexta-feira, a federação alerta para as dificuldades que as associações de regantes estão a viver, precisamente "num momento-chave para a campanha de rega" das culturas Primavera/Verão. "Os volumes armazenados nas albufeiras não poderão dar resposta às necessidades" em quase todo o país. Mas é no Alentejo, a suportar o "terceiro ano consecutivo de fraca precipitação" e quando as previsões meteorológicas não são positivas, que a "preocupação é máxima" pelo que possa vir a acontecer nos próximos meses.

Os regantes já questionaram a Agência Portuguesa do Ambiente sobre a activação da Comissão de Gestão de Albufeiras e da Comissão de Acompanhamento da Seca. E vão solicitar ao Ministério da Agricultura a aplicação de "medidas excepcionais" para viabilizar o reforço de água nas albufeiras que têm ligação a Alqueva para "minimizar os efeitos da seca" nesses perímetros de rega.

É na região do Campo Branco, território que se estende pelos concelhos de Castro Verde, Mértola, Almodôvar e Aljustrel, que os efeitos do tempo seco e escassez de chuva mais se fazem sentir. "Estamos a ser confrontados com altas temperaturas do ar e vento seco e forte", salientou ao PÚBLICO José da Luz, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), situando a maior debilidade nas culturas de forragens e pastagens que "serão afectadas se entretanto não houver precipitação". O agricultor que já suportou as contrariedades de sucessivas secas ao longo das últimas três décadas, admite que "está o ambiente perfeito para uma seca aguda".

Falta de água
As consequências são imediatas. "Receamos estar confrontados com falta de água a do final deste mês, precisamente numa altura em que os animais consomem muito mais líquidos", disse, sublinhando que até o abastecimento de água às populações de Castro Verde, Ourique e Almodôvar está posto em causa. "É muito grave o panorama a curto prazo", assegura, referindo-se "à má qualidade e pouca quantidade da água" na albufeira do Monte da Rocha, que "já deveria ter sido contemplado como uma extensão a partir do Alqueva ou da barragem de Santa Clara", advoga.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) já veio confirmar que no período de 17 de Abril a 14 de Maio estão previstos, para todo o território nacional, valores de precipitação "abaixo do normal". E as temperaturas também têm andado muito acima do normal. 

A primeira quinzena de Abril também se caracterizou por "valores altos de temperatura máxima, muito superiores aos valores normais para este mês". Nos dias 10 e 11 de Abril os valores de temperatura máxima superiores a 25ºC (dias de verão) observaram-se em cerca de "85% do território nacional", acentua o IPMA. Os maiores valores diários da temperatura máxima do ar foram registados no dia 11 de Abril em Mora como 32,5 ºC e Rio Maior 32,3ºC. 

E até "as gotinhas de chuva que caíram há uns dias não significaram nada", observa Carlos Aguiar. O vento que entretanto se fez sentir depressa anulou o grau de humidade que a fraca precipitação possa ter gerado. Para que as reservas de água de superfície fossem minimamente recuperadas, teria de chover abundantemente durante, pelo menos, uma semana.

Referindo-se ao estado do tempo actual e ao dos próximos meses, o docente acredita que se está "num momento-chave em que tudo pode ocorrer francamente mal". E mesmo que haja precipitação em Maio "não vem resolver o problema dos cereais por estes já se encontrarem em stress hídrico". Carlos Aguiar adverte que "até nos solos de maior profundidade, se não chover, abundantemente, nos próximos 10 dias, as culturas que ali ocorram serão inevitavelmente afectadas".

Perda de rendimento
E o que é que pode acontecer se a escassez ou ausência de precipitação se mantiver? Segundo Francisco Mondragão Rodrigues, professor na Escola Superior Agrária de Elvas, "dá-se o encolhimento da espiga, os grãos não enchem e temos trigos de má qualidade que irão para lotes destinados à produção forrageira, que são mais mal pagos".

Os lotes de cereais de melhor qualidade são destinados à panificação e vendidos a 220 euros a tonelada, enquanto o cereal forrageiro não passa dos 120 euros a tonelada. Por outro lado, como o grão de trigo de menor qualidade tem menos volume, pesa menos e esta condição acaba por se reflectir no resultado final. O que leva a que os agricultores tenham pela frente um ano de penúria. As consequências da falta de água "são extensivas ao milho, e a outras culturas hortícolas como o melão, o pimento, o tomate, etc", assinala Mondragão Rodrigues, referindo-se àquelas que dependem de barragens com volumes de armazenamento abaixo do normal, o que poderá obrigar ao rateio de água.

Muitas das albufeiras que servem de suporte aos perímetros de rega também abastecem as populações mas quando se verificam situações de escassez, a prioridade é o abastecimento público, elucida o docente de Elvas, corroborando o que diz o seu colega de Bragança: "O cenário não é nada tranquilizador. Se não chover em Maio, as culturas de cereais, as oleaginosas, o olival e o amendoal de sequeiro, serão afectadas, mesmo aquelas que são abastecidas a partir de furos ou poços".

"E custa-me a crer que chova nesta altura do ano o que deveria ter chovido antes. Duvido que tal aconteça", vaticina Mondragão Rodrigues, deixando um alerta: A escassez de humidade no solo tem ainda reflexo na criação de condições ideais para a ocorrência de incêndios. A vegetação está seca e não há humidade no ar "e ainda por cima há vento forte que retira do solo e da vegetação a pouca humidade que ainda possa ter".

Carlos Aguiar descreve o momento crítico: "Nos solos mais delgados, o centeio já está a secar sem espigar e o trevo subterrâneo sem produzir sementes. No ano passado, as árvores dos bosques, os castanheiros e as amendoeiras de sequeiro terminaram o ciclo vegetativo em stress (a queda da folha foi antecipada) porque esgotaram a água das camadas mais profundas do solo que as sustenta na estação seca. Esta água não foi reposta. Para rega, será pouca e racionada, insuficiente para abeberar milhões de turistas, vacas e alfaces. Estão em risco milhões de árvores, milhões de euros em plantações, milhões de euros de exportações. Há planos de contingência? Esperemos que chova..."

Governo vai criar comissão
O ministro da Agricultura Capoulas Santos já reagiu às preocupações dos agricultores. Na quinta-feira, na cerimónia inaugural da Ovibeja, reconheceu que o país atravessa "um contexto algo paradoxal": por um lado realça-se a vitalidade do sector agrícola que atravessa "um bom momento" mas, em simultâneo, subsiste "grande apreensão face aos sinais que se avolumam de uma seca".

Capoulas recordou os "terríveis" anos de seca que são cíclicos no Alentejo, cujos consequências a memória dos mais velhos recorda, mas "faltava o Alqueva para resolver o problema". Agora, "o Alqueva, felizmente, existe e os problemas estão muito atenuados face àquilo que era a realidade anterior", salientou.

Mesmo assim, anunciou que o Governo está atento e vai criar a "muito curto prazo" uma equipa interministerial para acompanhar a evolução da situação de seca em Portugal e equacionar medidas que se revelarem necessárias tomar.

As preocupações evidenciadas pelo ministro da Agricultura também estiveram patentes na intervenção de Rui Garrido, presidente da Associação de Criadores de Ovinos do Sul, que organiza a Ovibeja. "Começam a ficar comprometidas as pastagens e as culturas arvenses de sequeiro", alertou o dirigente, chamando a atenção para os baixos níveis de armazenamento de águas "nas barragens públicas e privadas fora do perímetro do Alqueva". Rui Garrido disse que os agricultores, sobretudo aqueles que se dedicam à pecuária, estão apreensivos sobre o que vai acontecer relativamente "às reservas hídricas para abeberamento dos efectivos pecuários".

Quando a água é pouca, rateia-se

Apesar da capacidade de armazenamento da barragem do Alqueva garantir o fornecimento de água para rega durante quatro anos de seca sucessiva, as associações de regantes que não foram abrangidas pela concessão da rede secundária de rega que o Governo atribuiu à EDIA em 2013 evitaram sempre requisitá-la alegando que o seu custo era incomportável.
A precipitação sempre ia deixando o volume de água adequado às necessidades dos agricultores até que o tempo seco e a fraca pluviosidade foram esvaziando as albufeiras que dão suporte ao regadio nos blocos de rega do Roxo, Odivelas, Campilhas e Alto Sado, Veiros, Fonte Serne, Monte da Rocha, Vigia, Pego do Altar e Vale do Gaio. A única alternativa está, agora, nos caudais a partir do Alqueva.
Mesmo assim, há quem resista em requisitar água à EDIA, como é o caso da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO) sedeada em Ferreira do Alentejo. Nem a publicação do novo tarifário que oficializa uma baixa nos preços da água entre os 20 e os 33 cêntimos tornou o acesso aos débitos do Alqueva mais atractivos.
Na última assembleia geral da ABORO, os agricultores da associação decidiram ratear a água disponível para não recorrer a fornecimentos vindos do Alqueva. "Temos um volume de 4 milhões de água disponível na albufeira de Odivelas e 25 milhões na albufeira do Alvito", adiantou ao PÚBLICO Manuel Canilhas Reis, presidente da associação. Ficam a faltar cerca de 11 milhões de metros cúbicos para perfazer os 40 milhões necessários para suprir as necessidades de rega. 
Esta situação decorre da aplicação do novo tarifário de água para rega que implica um aumento "muito significativo" da que é vendida pela EDIA às associações de regantes. Ao preço definido no novo tarifário tem de se adicionar o preço que as associações têm de cobrar aos associados pelos encargos na gestão do sistema de rega. No caso da ABORO, os agricultores ficariam a pagar 5,14 cêntimos por metro cúbico de água, muito superior ao praticado pela EDIA que é de 3,2 cêntimos.
Uma situação confirmada também por António Parreira, presidente da Associação de Beneficiários de Rega do Roxo (ABROXO). Neste caso, a água é vendida a 2,8 cêntimos o metro cúbico. "Se acrescermos os 3 cêntimos que temos de pagar pela água do Alqueva, então a água chega ao agricultor a 5,8 cêntimos o metro cúbico".
O problema é que 7 milhões de metros cúbicos actualmente disponíveis no Roxo não dá para o ano agrícola, que consome uma média de 30 milhões. "Há aqui uma desigualdade entre agricultores", refere António Parreira, defendendo um preço de água "compatível" com as culturas.
Considerando que, quer os aproveitamentos hidroagrícolas geridos pelas associações de regantes quer os que estão concessionados à EDIA, são propriedade do Estado e estão no mesmo território, "não se vislumbra igualdade nas condições oferecidas a uns e a outros agricultores". Um problema se tem vindo a intensificar "em consequência dos sucessivos anos de seca", concluiu o presidente da Aboro.

Bacia do Sado continua a apresentar níveis críticos 
Nas 61 barragens que integram a rede nacional dos recursos hídricos, do Instituto da Água (INAG), apenas 6 apresentavam no início de Abril, cota máxima (100%). Contudo as suas albufeiras têm baixos volumes de armazenamento, que, no seu conjunto não chegam aos 50 mil metros cúbicos.

A norte do rio Tejo, 17 albufeiras tinham um volume de água superior aos 80%, 9 armazenam entre 50% e 80% da sua capacidade máxima e apenas 4 tinham uma reserva inferior a 50%.

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A sul do Tejo, 11 albufeiras apresentavam um nível de armazenamento superior a 80%, em 9 encontrava-se entre os 50 e os 80% e 11 tinham uma reserva de água abaixo dos 50%.

Cinco barragens - todas na bacia do Sado – estão com níveis críticos de armazenamento: Pego do Altar 34,2%, Odivelas 32%, Divor 28,4%, Monte da Rocha 20% e Roxo 16,6%. A barragem do Alqueva está com cerca de 80% da sua capacidade máxima de enchimento (3.322 hectómetros cúbicos).

No final de Março as 61 barragens sob gestão do INAG, tinham 7.995 mil hectómetros cúbicos armazenados, quando a sua capacidade máxima é de 10.937 mil hectómetros cúbicos.

CDS-PP pede presença urgente do ministro da Agricultura no Parlamento


30 DE ABRIL DE 2017 - 19:28

O CDS-PP anunciou que requereu a presença urgente do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, no Parlamento para esclarecer as medidas de mitigação dos impactos da seca na agricultura.


Num requerimento entregue na Assembleia da República, o grupo parlamentar do CDS-PP pede uma audição de Capoulas Santos na Comissão de Agricultura e Mar, uma vez que considera "urgente a implementação de medidas de apoio aos agricultores".

O ministro da Agricultura anunciou, na semana passada, que iria constituir uma comissão interministerial para "acompanhar a evolução da situação de seca em Portugal e equacionar medidas que se revelem necessárias tomar".

Nesse sentido, o CDS-PP sublinha que "é de todo o interesse perceber quais as atribuições da nova comissão", uma vez que, na sequência da seca de 2012, foi constituído um grupo de trabalho para acompanhamento e avaliação dos impactos da seca e criada uma comissão interministerial de prevenção, monitorização e acompanhamento dos efeitos da seca e das alterações climáticas para aprovar medidas urgentes.

No entanto, "não é conhecida nenhuma atuação recente desta comissão interministerial ou eventuais medidas que esteja a prever para minimizar os efeitos da seca que se avizinha", adianta.

No requerimento, o CDS-PP refere que "a fraca pluviosidade ocorrida neste outono/inverno, cujo nível se mantém abaixo do normal, está a provocar sérios prejuízos na atividade dos agricultores, quer ao nível da alimentação animal (prados, pastagens e culturas forrageiras), quer do desenvolvimento vegetativo de diversas outras culturas".

O partido indica ainda que as barragens estão com níveis de armazenamento baixo ou mesmo críticos em alguns casos e os dados disponíveis apontam para uma manutenção de ausência de precipitação significativa, o que leva à previsão do agravamento da situação, além de várias organizações já terem manifestado "enorme preocupação, nomeadamente com a falta de água para garantir a realização das culturas e com consequências ao nível da produção de pastagens suficientes para a alimentação animal.

Morreu Manuel Évora


Mai 01, 2017

Manuel Évora, presidente da Direcção da Portugal Fresh – Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores de Portugal morreu no dia 30 de Abril. Manuel Évora presidia a associação do sector desde 2015.

Formado em engeharia agrícola pela Universidade de Évora, desde 2005 que era administrador Executivo do Grupo Luís Vicente.

O velório tem lugar a 1 de Maio na Basílica da Estrela, em Lisboa, a partir das 17h. No dia 2 de Maio, realiza-se o funeral em Longra, Tomar, pelas 15h.

A direcção da Frutas, Legumes e Flores manifesta o seu de pesar pelo desaparecimento desta figura emblemática do sector.