sábado, 22 de abril de 2017

CAP tem novo Presidente



Confederacao Agricultores de Portugal - Eleicoes.29 Abril 2017 - Lisboa

Eduardo Oliveira e Sousa tomou esta semana posse como novo Presidente da Direção da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), sucedendo a João Machado, que depois de 18 anos deixa a presidência da associação. Esta nomeação surge na sequência da eleição dos órgãos sociais da organização para o triénio 2017-2020.

Eduardo Oliveira e Sousa é engenheiro agrónomo, empresário agrícola e florestal na região do Ribatejo e entre 2005 e 2008 foi Vice-Presidente da CAP.

O novo Presidente da CAP passou ainda pela direção da ANPC – Associação Nacional de Proprietários Rurais, Gestão Cinegética e Biodiversidade (1994 a 2014), sendo atualmente presidente da assembleia geral, diretor e atualmente secretário da assembleia geral do CPM – Clube Português de Monteiros / Associação Nacional de Caça Maior.

Governo assegura que quer aumentar a produção do eucalipto


Em resposta às críticas dos industriais de pasta e papel, contra a proibição de plantação de eucalipto, o Ministério da Agricultura garante que continuará a apoiar o sector, nomeadamente através da atribuição de fundos nacionais e comunitários destinados à exploração florestal.
Governo assegura que quer aumentar a produção do eucalipto
Correio da Manhã

21 de abril de 2017 às 17:55

O Governo garantiu esta sexta-feira, 21 de Abril, que pretende "aumentar a produção e a produtividade do eucalipto" e que continuará a apoiar o sector do celulose e do papel, em reposta às críticas feitas pela CELPA - Associação da Indústria Papeleira.

Em anúncios publicados na imprensa, a CELPA defendeu que a proibição de plantação de novas áreas de eucalipto é um "enorme prejuízo para a economia portuguesa", parte de uma "ideia errada e preconceituosa" e não tem fundamentação técnico-científica.

"Em primeiro lugar, o Governo não concorda, obviamente, com essa declaração. Contrariamente ao que é dito, o Governo pretende aumentar a produção e a produtividade do eucalipto, permitindo que se façam novas plantações de eucalipto em áreas de maior produtividade, por contrapartida à redução de áreas de fraca produtividade", disse à Lusa o Ministério da Agricultura, quando questionado sobre as críticas da associação às propostas do executivo em relação à floresta.

O gabinete de Luís Capoulas Santos acrescentou que a indústria da celulose e do papel é "fundamental para a economia nacional", pelo que apoia e "continuará a apoiar o sector, nomeadamente através da atribuição de fundos nacionais e comunitários destinados à exploração florestal, incluindo os povoamentos de eucalipto".

"O Governo pretende, simultaneamente, travar a expansão da área de eucalipto, que se tornou já a espécie dominante na nossa floresta, e aumentar a disponibilidade de matéria-prima para a indústria da celulose", acrescenta.

A Associação da Indústria Papeleira critica, nos anúncios publicados, a decisão governamental de proibir a plantação de novas áreas de eucalipto com base numa "ideia errada e preconceituosa", a qual considera que "pode pôr em causa o futuro da fileira florestal e dos cerca de 400 mil proprietários e produtores florestais portugueses".

"A fileira industrial baseada no eucalipto tem sabido aproveitar os recursos naturais de que o país dispõe [...] utilizando uma espécie bem adaptada, e tem-no feito de forma exemplar, responsável e com total respeito pelo ambiente", argumentou a CELPA, defendendo que a proibição "prejudica os produtores florestais, provoca perda de competitividade da indústria da pasta e papel e contrai a economia do país".
 
Em contrapartida, a associação garante que a proibição "reduz as áreas com gestão, promove o abandono e o crescimento de áreas de matos e incultos e aumentará o risco de incêndio (49% da área ardida nos últimos 15 anos são matos ou incultos e 13% são eucalipto)", "não se resolve o problema das demais espécies" e deverá fazer aumentar as importações de madeira.

Segundo refere, Portugal importa cerca de 150 a 200 milhões de euros por ano de madeira de eucalipto (valor que tenderá a aumentar), "riqueza que poderia ser distribuída pelos milhares de produtores e prestadores de serviços florestais a actuar no sector florestal" no país.

Dando cumprimento ao acordo com Os Verdes, o Governo avançou com uma proposta de lei que altera o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização, que põe um travão à expansão da área de eucalipto.

Granizo em Sever do Vouga destruiu pomares de mirtilo sem seguro

21/4/2017, 19:16

Mais de 50 produtores de pequenos frutos, afetados pela queda de granizo na quarta-feira, reuniram em Sever do Vouga, para reclamar apoio público para os prejuízos.

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Além dos mirtilos, foi perdida praticamente toda a produção de groselha
AMANDIO VILANCULO/Lusa


Mais de 50 produtores de pequenos frutos, afetados pela queda de granizo na quarta-feira, reuniram esta sexta-feira em Sever do Vouga, para reclamar apoio público para os prejuízos que, nalguns caos chegam aos 100 por cento.

O encontro, promovido pela Câmara de Sever do Vouga, Mirtilusa e Bagas de Portugal, contou com a presença do deputado Carlos Matias (BE), da Comissão Parlamentar de Agricultura, e teve em vista avaliar a situação e analisar as medidas a tomar, face à devastação das culturas, que não estão cobertas por qualquer seguro.

Na quarta-feira, ao final do dia, uma chuva de granizo caiu na zona de Sever do Vouga, destruindo os frutos de mirtilo que estavam à espera de completar a maturação para serem colhidos, bem como outras culturas. "Tivemos uma destruição maciça dos pomares, não só mas sobretudo de mirtilos e em alguns locais foi "a varrer". As zonas mais afetadas foram em Pessegueiro e Paradela do Vouga, mas ocorreu um pouco por todo o concelho, menos nas freguesias do norte", descreveu à Lusa o presidente da Câmara, António Coutinho.

A queda de granizo, que não demorou mais de 15 minutos, estragou o que se perspetivava como um ano de boa produção e temporã, com colheitas já em maio, o que daria aos produtores, alguns dos quais vivem quase exclusivamente do mirtilo, um preço superior.

"O volume da exportação deverá reduzir, pelo menos, 20%", estimou José Sousa, da Mirtilusa, enquanto Paulo Lúcio, da Bagas de Portugal, deu como exemplo uma encomenda de limas que estava para sair do país e o camião já não seguiu. Além dos mirtilos, foi perdida praticamente toda a produção de groselha e foram afetadas outras culturas como maracujá e citrinos, além de hortícolas.

A agravar a situação, as produções não estavam seguras, o que leva o presidente da Câmara a apelar ao governo para intervir com urgência. "A Câmara Municipal está a desenvolver contactos com as instituições ligadas ao Ministério da Agricultura, no sentido de ver que apoio é que é possível. Há aqui um problema que é a inexistência de seguros porque não há seguros específicos para aquele tipo de culturas e as pessoas não o conseguiram fazer. Esperamos que o Ministério da Agricultura seja sensível a isso", disse à Lusa António Coutinho.

O autarca apela aos produtores para fazerem chegar prova pormenorizada dos prejuízos sofridos, para completar o levantamento já iniciado, e sexta-feira mesmo estiveram no local técnicos da Direção Regional de Agricultura para verificar no terreno as consequências.

"O prejuízo é grande e esperamos ter rapidamente concluído o respetivo relatório, que será enviado ao ministro da Agricultura e ao Parlamento", deu conta o presidente da Câmara. António Coutinho refere que, em alguns casos, a próxima colheita pode também ser afetada, devido ao estado em que ficaram as plantas, pelo que está já a ser dado apoio técnico aos produtores, através da respetiva associação, a AGIM, para a recuperação dos pomares.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Parlamento discute na quinta-feira propostas para a reforma da floresta



19.04.2017 às 21h12

 
ANDRÉ KOSTERS/LUSA
Vem aí uma "reforma profunda" na floresta portuguesa, assegura o ministro da Agricultura

O parlamento discute esta quinta-feira cinco propostas de lei do Governo integradas na reforma das florestas, que a tutela pretende implementar até junho, disse à agência Lusa o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

A alteração do regime jurídico das ações de arborização e rearborização, a criação de um banco nacional de terras e um sistema de informação cadastral de propriedades são algumas das propostas em discussão no plenário, que irá também analisar dois projetos de lei do BE – um estabelece um "regime jurídico para as ações de arborização, rearborização ou adensamento florestal" e o outro visa criar também um banco público de terras agrícolas.

Em declarações à Lusa, o ministro da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural recordou que as cinco propostas de lei que vão à Assembleia da República inserem-se num conjunto de 12 diplomas destinados a levar a cabo uma "reforma profunda" na floresta portuguesa.

Destas 12 propostas, sublinhou Capoulas Santos, duas já estão em vigor, cinco aguardam promulgação do Presidente da República e as restantes cinco foram remetidas a apreciação parlamentar por "se tratar de matérias com competência reservada ao parlamento.

"Trata-se de uma reforma profunda que ataca aqueles que são os principais problemas que têm contribuído para o não-aproveitamento deste importante ativo de que o país dispõe, como têm contribuído para o aumento do risco de incêndio", sublinhou o governante.

Uma das propostas que irão ser discutidas no parlamento diz respeito à alteração do regime jurídico das ações de arborização e rearborização, para "reforçar os mecanismos de comunicação entre todas as entidades e criar regras para o cultivo do eucalipto".

Outra das propostas diz respeito à criação de um banco nacional de terras, no qual o Governo vai integrar todo o património agrícola e florestal do Estado.

Capoulas Santos explicou que o objetivo é que o património agrícola venha a ser distribuído por jovens agricultores e o florestal a entidades de gestão florestal.

Em março, após o Conselho de Ministros dedicado à floresta, o ministro indicou que o banco de terras integrará "todo o património rústico sem dono conhecido, que vier a ser identificado".

A gestão deste banco pode pertencer ao Estado, que a poderá ceder, provisoriamente, a entidades de gestão florestal "ou outras", mas sem poder ceder ou transacionar "de forma definitiva qualquer propriedade sem dono conhecido" por 15 anos. A terra poderá ser restituída ao "seu legítimo proprietário em qualquer momento, se entretanto for identificado".

Será ainda criado um fundo de mobilização de terras, com as receitas da venda e arrendamento das propriedades do banco das terras.

A discussão parlamentar irá também incluir uma proposta de lei que visa a criação de benefícios fiscais a entidades de gestão florestal e outra que introduz "inovações na defesa da floresta", nomeadamente a limpeza de combustíveis em torno das edificações.

A criação de um sistema de informação e cadastro de todas as propriedades nestas áreas é outro dos objetivos da tutela, que pretende isentar de custos até 31 de dezembro de 2019 todos os atos de registos.

O executivo tinha já explicado que caberá ao Ministério da Justiça criar um balcão único físico em todas as conservatórias do registo predial e um balcão virtual, sem custos ou emolumentos, para os interessados em registar as suas propriedades.

"Basicamente, pretendemos fazer em dois anos aquilo que o país pretendia fazer há décadas", sublinhou Capoulas Santos.

Relativamente aos diplomas que aguardam promulgação de Marcelo Rebelo de Sousa, dizem respeito ao aproveitamento dos desperdícios da floresta para produzir energia elétrica, à criação de regras de financiamento e uso do fogo controlado, e à simplificação da atribuição de zonas de intervenção florestal.

Em março, o Governo anunciou que até ao verão vão estar no terreno 20 novas equipas de sapadores florestais (operacionais antes do final de junho) e que no outono avança o processo para reequipar 44 equipas.

Capoulas Santos informou então que o concurso para aquisição de viaturas todo-o-terreno e equipamento especializado já recebeu visto do Tribunal de Contas.

No âmbito da reforma da floresta, pretende-se ainda facultar aos municípios um parecer vinculativo às autorizações de florestação e reflorestação.

Parlamento debate propostas para a reforma da floresta

O parlamento discute na quinta-feira cinco propostas de lei do Governo integradas na reforma das florestas, que a tutela pretende implementar até Junho, disse hoje à agência Lusa o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

19 de abril de 2017 às 20:53

A alteração do regime jurídico das acções de arborização e rearborização, a criação de um banco nacional de terras e um sistema de informação cadastral de propriedades são algumas das propostas em discussão no plenário, que irá também analisar dois projectos de lei do BE - um estabelece um "regime jurídico para as acções de arborização, rearborização ou adensamento florestal" e o outro visa criar também um banco público de terras agrícolas.
 
Em declarações à Lusa, o ministro da Agricultura, das Florestas e do Desenvolvimento Rural recordou que as cinco propostas de lei que vão à Assembleia da República se inserem num conjunto de 12 diplomas destinados a levar a cabo uma "reforma profunda" na floresta portuguesa.
 
Destas 12 propostas, sublinhou Capoulas Santos, duas já estão em vigor, cinco aguardam promulgação do Presidente da República e as restantes cinco foram remetidas a apreciação parlamentar por "se tratar de matérias com competência reservada ao parlamento.
 
"Trata-se de uma reforma profunda que ataca aqueles que são os principais problemas que têm contribuído para o não-aproveitamento deste importante activo de que o país dispõe, como têm contribuído para o aumento do risco de incêndio", sublinhou o governante.
 
Uma das propostas que irão ser discutidas no parlamento diz respeito à alteração do regime jurídico das acções de arborização e rearborização, para "reforçar os mecanismos de comunicação entre todas as entidades e criar regras para o cultivo do eucalipto".
 
Outra das propostas diz respeito à criação de um banco nacional de terras, no qual o Governo vai integrar todo o património agrícola e florestal do Estado. Capoulas Santos explicou que o objectivo é que o património agrícola venha a ser distribuído por jovens agricultores e o florestal a entidades de gestão florestal.
 
Em Março, após o Conselho de Ministros dedicado à floresta, o ministro indicou que o banco de terras integrará "todo o património rústico sem dono conhecido, que vier a ser identificado".
 
A gestão deste banco pode pertencer ao Estado, que a poderá ceder, provisoriamente, a entidades de gestão florestal "ou outras", mas sem poder ceder ou transaccionar "de forma definitiva qualquer propriedade sem dono conhecido" por 15 anos. A terra poderá ser restituída ao "seu legítimo proprietário em qualquer momento, se entretanto for identificado".
 
Será ainda criado um fundo de mobilização de terras, com as receitas da venda e arrendamento das propriedades do banco das terras.
 
A discussão parlamentar irá também incluir uma proposta de lei que visa a criação de benefícios fiscais a entidades de gestão florestal e outra que introduz "inovações na defesa da floresta", nomeadamente a limpeza de combustíveis em torno das edificações.
 
A criação de um sistema de informação e cadastro de todas as propriedades nestas áreas é outro dos objetivos da tutela, que pretende isentar de custos até 31 de Dezembro de 2019 todos os actos de registos.
 
O Executivo tinha já explicado que caberá ao Ministério da Justiça criar um balcão único físico em todas as conservatórias do registo predial e um balcão virtual, sem custos ou emolumentos, para os interessados em registar as suas propriedades.
 
"Basicamente, pretendemos fazer em dois anos aquilo que o país pretendia fazer há décadas", sublinhou Capoulas Santos.
 
Relativamente aos diplomas que aguardam promulgação de Marcelo Rebelo de Sousa, dizem respeito ao aproveitamento dos desperdícios da floresta para produzir energia eléctrica, à criação de regras de financiamento e uso do fogo controlado, e à simplificação da atribuição de zonas de intervenção florestal.
 
Em Março, o Governo anunciou que até ao Verão vão estar no terreno 20 novas equipas de sapadores florestais (operacionais antes do final de junho) e que no Outono avança o processo para reequipar 44 equipas.
 
Capoulas Santos informou então que o concurso para aquisição de viaturas todo-o-terreno e equipamento especializado já recebeu visto do Tribunal de Contas.
 
No âmbito da reforma da floresta, pretende-se ainda facultar aos municípios um parecer vinculativo às autorizações de florestação e reflorestação.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A Reforma da Floresta

A Reforma da Floresta

Apostar na gestão agrupada e na promoção da certificação florestal.

Com moderação a cargo de Francisco Carvalho Guerra, presidente da Forestis – Associação Florestal de Portugal, os oradores convidados debateram, na Grande Conferência 50.ª AGRO, as medidas prioritárias para repor a floresta e a necessidade de um maior investimento no que toca a políticas públicas nesta área, bem como no financiamento, uma vez que a floresta não faz parte da Política Agrícola Comum.
 
De acordo com João Ferreira do Amaral, professor e presidente da AIFF – Associação para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal, a aposta na gestão agrupada da floresta é uma das prioridades para o sector florestal e pode ser feita através das Sociedades de Gestão Florestal, mas também por intermédio das Entidades Gestoras de Zonas de Intervenção Florestal.
 
O presidente da AIFF considera também que os incentivos para a promoção da certificação florestal "poderiam ir mais longe", que é fundamental elaborar um cadastro predial rústico "capaz e suficiente" e ainda que "devem ser criadas condições" para que os programas de apoio público sejam adequados aos produtores florestais nacionais e "sem regras que dificultem desnecessariamente o acesso aos mesmos".
 
 
Responder às necessidades da sociedade e dos agentes socioeconómicos

 

No passado dia 21 de Março, dez diplomas da Reforma das Florestas foram levados a Conselho de Ministros. Mas estes representam apenas o início da Reforma das Florestas. Para Rosário Alves, directora executiva da Forestis – Associação Florestal de Portugal, cabe agora aos partidos políticos a responsabilidade de aperfeiçoar os diplomas que seguiram para a Assembleia da República. O processo da reforma, defende Rosário Alves, "deve sobretudo responder às necessidades da sociedade e dos agentes socioeconómicos, por via do aumento da eficiência da gestão, produtividade e sustentabilidade do investimento florestal".
 
Tendo em conta a importância das florestas para as alterações climáticas, as energias renováveis, a bioeconomia ou a protecção civil, a directora executiva da Forestis defende a necessidade de coordenação do primeiro-ministro e de financiamento repartido pelos Ministérios da Agricultura, Economia, Ambiente e da Administração Interna para viabilizar a concretização da reforma.
 
A vontade de profissionalizar a gestão da floresta e as medidas previstas no âmbito do cadastro simplificado e da regularização dos registos prediais, que devem ser acompanhadas de um regime fiscal adequado que promova a adesão dos proprietários florestais e que têm de contar com a forte participação de estruturas com capacidade técnica do terreno, designadamente as organizações de produtores florestais, são os aspectos da Reforma das Florestas apontados por Rosário Alves como positivos e "verdadeiramente reformistas".
 
 
Melhorar a Reforma da Floresta

 
Por sua vez, Tiago Oliveiro, do Centro de Estudos Florestais/Instituto Superior de Agronomia, mostra-se apreensivo pelo facto de a floresta e a silvicultura não serem mencionadas nas primeiras posições do Governo português sobre a reforma da Política Agrícola Comum. "A floresta não pode ser a terra que sobra da agricultura, uma vez que é o elemento estruturante do território e das populações que nele residem", defende.

Viticultura

Quanto ao futuro da viticultura esteve em destaque no terceiro painel. Moderados pelo jornalista Manuel Carvalho, do jornal Público, os oradores realçaram as potencialidades de algumas das principais regiões vinícolas do país.


Garantir financiamento

O financiamento desempenha um papel crucial para o desenvolvimento de novos produtos, negócios, tecnologias e para a internacionalização. Num painel moderado por José Diogo Albuquerque, ex-secretário de Estado da Agricultura, Carlos Oliveira, administrador executivo da Agrogarante, João Ferreira Lima, da Direcção de Risco de Crédito do Crédito Agrícola, e Rosário Gama, do IFAP – Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, reforçaram, na Grande Conferência 50.ª AGRO, a importância de se ter um bom plano de negócios, para conseguir garantir financiamento, bem como a viabilidade do projecto. Foi ainda destacada a necessidade de se ter algum capital próprio para investir e que esse mesmo capital não provenha de empréstimo bancário.

Agricultores defendem a criação de um estatuto da agricultura familiar

18/4/2017, 18:26

A Confederação Nacional da Agricultura defendeu a criação de um estatuto da agricultura familiar portuguesa.

No seu último congresso, em 2014, a CNA tinha já elaborado uma proposta de estatuto
NUNO VEIGA/LUSA


A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu esta segunda-feira a criação de um estatuto da agricultura familiar portuguesa, considerando que é necessário criar mecanismos que apoiem e promovam este tipo de produção.

"É necessário definir um estatuto que promova e apoie a agricultura familiar", afirmou o membro da direção da CNA Alfredo Campos, que falava numa conferência de imprensa na sede da confederação, em Coimbra. Segundo o dirigente, é essencial o reconhecimento jurídico da agricultura familiar, bem como a criação de vários mecanismos de apoio a esta produção.

Para Alfredo Campos, a definição de um estatuto seria um primeiro passo para se criarem medidas direcionadas para a agricultura familiar, seja na criação "de linhas específicas de apoio à agricultura familiar", seja na diferenciação deste tipo de negócio em matéria fiscal ou de Segurança Social. "Em vez de estrangular e eliminar [a agricultura familiar], é essencial que seja promovida e reconhecida", notou Alfredo Campos.

No seu último congresso, em 2014, a CNA tinha já elaborado uma proposta de estatuto que previa, entre outras medidas, o direito a linhas de crédito destinadas especificamente à agricultura familiar, a prioridade no acesso a mercados de proximidade e o direito "ao abastecimento prioritário de todas as instituições públicas e da economia social da região onde se insere a exploração agrícola".

Para aprofundar o debate em torno desse mesmo estatuto, a CNA promove em 23 e 24 de junho uma conferência nacional dedicada ao tema, na Escola Agrária de Coimbra, para a qual o primeiro-ministro e o ministro da Agricultura já foram convidados.

Segundo Alfredo Campos, os agricultores pretendem ver "o estatuto consagrado como lei", sublinhando que, na última reunião tida com o líder do executivo, em fevereiro, ficou com a informação de que o Governo "estará a trabalhar nesta área".

"É o momento de passar das palavras aos atos", frisou o dirigente da CNA, recordando que, num espaço de 24 anos, Portugal registou uma quebra de mais de metade das suas explorações agrícolas, passando de 598 mil em 1989 para 264 mil em 2013.

A conferência nacional, que vai decorrer em Coimbra, em junho, vai contar também com a participação de especialistas e académicos de diversas áreas, como a fiscalidade, economia, saúde pública, biologia, cultura, sustentabilidade de territórios ou climatologia.

Suecos reforçam produção de ervas aromáticas em Portugal

O grupo Spisa vai mais do que duplicar a produção da Aromáticas Vivas, dirigida pelo "deputado Limiano" Daniel Campelo em Viana do Castelo, e estuda terceira unidade em solo nacional para aumentar a quota em Espanha.

Suecos reforçam produção de ervas aromáticas em Portugal

18 de abril de 2017 às 22:00

O grupo sueco Spisa, que contratou Daniel Campelo para voltar "à terra" depois de despir o fato de governante, prepara-se para reforçar a produção de ervas aromáticas em Portugal, adiantou ao Negócios o histórico autarca de Ponte de Lima, que no início do século ficou conhecido como "deputado Limiano" por ter ajudado a aprovar dois orçamentos do Governo de Guterres.

Além da Aromáticas Vivas, a unidade de Viana do Castelo gerida pelo ex-dirigente do CDS, a maior empresa europeia de ervas aromáticas em vaso detém também a Fresh Cut, em Tavira. Depois de iniciar há três anos a operação algarvia, a mais recente e que abastece também o mercado inglês, os nórdicos têm uma terceira unidade "em estudo", para avançar em dois anos.

Com o objectivo de aumentar a quota no mercado espanhol, onde "há ainda muito para crescer", a nova estrutura vai produzir ervas aromáticas em vaso e cortadas. Daniel Campelo justificou que "em Portugal a escala não é atractiva para ter estas actividades completamente separadas e os clientes também querem as duas coisas".

A localização não está definida, mas o projecto avançará "sempre em complemento" com as unidades já existentes no país, pois há "grandes vantagens [para o grupo] em ter estratégias de Verão e Inverno". "No Algarve é difícil fazer ervas de Verão, não resistem a grandes temperaturas. Mas produz no Inverno com menos custos de energia. Temos de aproveitar a natureza para baixar custos de produção", frisou.

Produzir para expandir

No Alto Minho já está a avançar um investimento de dois milhões de euros para aumentar em cinco hectares a área de produção da Aromáticas Vivas, actualmente limitada a dois hectares na freguesia de Carreço. É ali que a Spisa tem a principal operação do país, com vendas de três milhões de euros e capacidade anual para cinco milhões de plantas em vaso e mais dois milhões de unidades em ervas cortadas. Espanha absorve 40% da produção. 

Com estes investimentos, o grupo, que está também na Polónia, Reino Unido e República Checa, prevê "disparar" a produção em Portugal, em particular nas ervas cortadas, admitindo passar a vender por grosso a embaladores na Europa, deficitária no segmento. Porém, avisa, para entrar nesses clientes é preciso investir em "áreas de produção adequadas".  

"Diferenciamo-nos por sermos produtores. Não somos nem queremos ser controlados por comerciantes de ervas. Temos de ponderar seriamente criar mais áreas próprias. Só depois podemos pensar em novos mercados", insistiu o homem que tutelou as áreas rurais entre 2011 e 2014. Há um ano e meio passou a liderar esta unidade, que tem como sócios locais uma organização de produtores da Póvoa de Varzim (PAM) e um sírio radicado em Portugal, Ziad Albarazi, que antes de 2009 produzia flores naquele mesmo espaço.

Insectos e ácaros já são negócio

É numa pequena arrecadação, junto às estufas onde crescem os vasos de ervas, que a Aromáticas Vivas produz os insectos e os ácaros que utiliza para prevenir as pragas e as doenças e que lhe permitem ter uma produção livre de pesticidas químicos e a certificação biológica. Apontando-o como "uma grande mais-valia para que o negócio não vá à ruína", Daniel Campelo calcula que a empresa gasta por mês cerca de 11 mil euros com este processo de controlo através de agentes biológicos, tendo a parceria de uma firma dinamarquesa com quem está a desenvolver novos projectos para expandir a produção e oferta destes pesticidas biológicos. 

Para a empresa minhota, que produz mais de 20 variedades de ervas aromáticas e emprega 42 pessoas, os insectos e ácaros "começam a ser negócio". Começou por produzi-los apenas para aplicar nos seus terrenos, mas já fornece para as outras unidades do grupo na Suécia, Inglaterra, República Checa e Polónia.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Vinho. Portugal é o país com maior consumo por habitante


16/4/2017, 20:421.060
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Em 2016, a procura de vinho aumentou apenas 0,4% a nível mundial e a produção caiu 3%. Portugal lidera a lista de países com o maior consumo por habitantes: 54 litros por pessoa, por ano.

A procura de vinho aumentou apenas 0,4% a nível mundial, em 2016, para os 242 milhões de hectolitros, em linha com a estagnação verificada desde a crise de 2008, sendo Portugal o país com maior consumo por habitante.

No seu relatório anual de conjuntura, a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) indica que as maiores taxas de progressão do consumo de vinho se registaram na China (um aumento de 6,9% para 17,3 milhões de hectolitros), em Itália (uma subida de 5,3% para os 22,5 milhões de hectolitros) e, nos Estados Unidos (um crescimento de 2,5% para os 31,8 milhões de hectolitros).

Olhando para o consumo por habitante, Portugal está no topo da lista, com um consumo de 54 litros por pessoa e por ano, seguindo-se França (51,8 litros), Itália (41,5 litros) Suécia (41 litros), Suíça (40,3 litros), Bélgica e Argentina (31,6 litros em cada país), Alemanha (29,3 litros) e Austrália (27 litros).

Espanha é o oitavo país com maior consumo por habitante (25,4 litros), seguida de dois países onde não se cultivam vinhas: a Holanda (24,5 litros) e o Reino Unido (24 litros).

A produção de vinho caiu 3% para os 267 milhões de hectolitros em 2016, devido sobretudo a condições climáticas pouco favoráveis em alguns dos principais países produtores, sobretudo no hemisfério sul, como no Chile, na Argentina ou no Brasil, segundo a OIV.

No relatório anual de conjuntura, a OIV refere que os três maiores produtores continuam a ser Itália (50,9 milhões de hectolitros, um aumento de 2%), França (43,5 milhões, uma queda de 7%) e Espanha (39,3 milhões, uma subida de 4%).

Os Estados Unidos reforçaram a sua posição, produzindo 23,9 milhões de hectolitros em 2016 (+10%), bem como a Austrália que produziu 13 milhões de hectolitros (+9%).

Por outro lado, a produção na China caiu 1% (para os 11,4 milhões de hectolitros), na África do Sul recuou 6% (para os 10,5 milhões de hectolitros), no Chile recuou 21% (10,1 milhões de hectolitros) e na Argentina caiu 29% (9,4 milhões de hectolitros).

O comércio internacional de vinho caiu 1,2% em 2016, situando-se nos 104 milhões de hectolitros, mas em valor subiu 2% para os 29 mil milhões de euros.

Espanha voltou a ser o maior exportador em quantidade, com 22,3 milhões de hectolitros, mas boa parte das suas vendas para o exterior são a granel e a baixo preço, tendo representado 2.644 milhões de euros, muito abaixo dos 8.255 milhões de euros que França arrecadou com as exportações de vinho, que atingiram os 14,1 milhões de hectolitros no ano passado.

Portugal foi o nono maior exportador de vinho, tendo vendido 2,8 milhões de hectolitros para o estrangeiro, o que totalizou os 734 milhões de euros, segundo a OIV.

A superfície de vinha em todo o mundo manteve-se estável em 2016, com 7,5 milhões de hectares, apesar de se terem verificado movimentos significativos em alguns países.

Na China, em particular, a área de vinha aumentou em 17 mil hectares em 2016, totalizando os 847 mil hectares, consolidando a sua segunda posição, atrás de Espanha, com 975 mil hectares.

Procura-se sangue novo na agro-pecuária


Ideias altamente competitivas e projectos de investigação e inovação são os ingredientes que vão colocar a fileira de produção animal num novo rumo competitivo.

Procura-se sangue novo na agro-pecuária
Fileira de Produção Animal
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Como associação dedicada à raça Mertolenga, a Associação de Criadores de Bovinos Mertolengos (ACBM) tem trabalhado com várias instituições de investigação e educação, nomeadamente com a Universidade de Évora e o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, no sentido de promover a inovação na fileira, nomeadamente ao nível de parâmetros de qualidade da carne.

"Associarmo-nos a iniciativas como o Prémio e os Ateliers de Inovação reforça o nosso trabalho e contribui para o aumento da competitividade na fileira", reconhece Eduardo Mira Cruz, presidente da ACBM e júri do Prémio.

Em tempo de desafios, este responsável diz que o principal repto que se coloca à fileira da produção animal é o de produzir a melhor carne, aproveitando sustentadamente os recursos que estão à disposição, sejam eles os das explorações ou tecnológicos. "Temos a obrigação de fazer o nosso melhor para o consumidor", assume o presidente da ACBM.

De acordo com este responsável, a população agrícola/pecuária do país está envelhecida e, nesse sentido estas iniciativas são importantes para captar gente nova. "Temos muitos jovens com formação na área que têm de ser aliciados a trabalhar no sector, por outro lado, o aparecimento destas iniciativas potencia a cultura de inovação que começa a surgir na fileira", sustenta Eduardo Mira Cruz. Segundo ele, a inseminação artificial para melhoramento genético, com vista ao aumento da produção de carne de qualidade, é apenas um dos exemplos de como a inovação pode ajudar a conduzir o sector por novos rumos de competitividade.

O presidente da ACBM defende que a inovação é "fundamental", especialmente para os projectos que contribuem para a eficiência das explorações. "Vivemos tempos exigentes. Os nossos animais têm de ser bem tratados para deles podermos exigir o melhor desempenho, não nos podemos dar ao luxo de ter pecuária pouco produtiva", afirma Eduardo Mira Cruz.

Cantinas e refeitórios públicos com opção vegetariana a partir de junho


Lei publicada esta segunda-feira em Diário da República

As cantinas e refeitórios públicos estão a partir de junho obrigados a oferecer todos os dias pelo menos uma opção de comida vegetariana nas suas ementas, segundo o Diário da República.

De acordo com a lei hoje publicada e que entra em vigor em junho, esta regra aplica-se às cantinas e refeitórios dos órgãos de soberania e dos serviços e organismos da Administração Pública, em especial aos que se encontrem instalados em unidades integradas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), lares e centros de dia, escolas de ensino básico e secundário, estabelecimentos de ensino superior, prisões e centros educativos e serviço sociais.

Para combater o desperdício alimentar, a legislação prevê dispensar escolas e unidades do SNS desta opção caso não haja procura. Se a procura for reduzida, admite que as entidades gestoras destas cantinas possam estabelecer um regime de inscrição prévia para a opção vegetariana.

"As ementas vegetarianas são programadas sob orientação de técnicos habilitados e têm em conta a composição da refeição, garantindo a sua diversidade e a disponibilização de nutrientes que proporcionem uma alimentação saudável", acrescenta o diploma.

A fiscalização do cumprimento deste diploma fica a cargo da Autoridade para a Segurança Alimentar e económica (ASAE).

O diploma define ainda um período de transição que pode ir até aos seis meses para as entidades gestoras que fazem administração direta das cantinas ou refeitórios.

"Nos demais casos, quando os contratos respeitantes ao fornecimento de refeições em execução na data de entrada em vigor da presente lei não prevejam a obrigação de o prestador fornecer refeições vegetarianas, a respetiva entidade gestora está dispensada do fornecimento dessa opção até ao final do período de execução do referido contrato", acrescenta.

A lei que define a obrigatoriedade de oferecer pelo menos uma opção de refeição vegetariana nas cantinas e refeitórios públicos foi aprovada em março na Assembleia da República.

Segundo a Direção Geral de Saúde (DGS), as dietas vegetarianas têm benefícios importantes, como a redução da prevalência de doença oncológica, obesidade, doença cardiovascular, hiperlipidemias (gorduras no sangue), hipertensão, diabetes.

Biológicos são mais caros, mas produção é mais barata



Alfredo Sendim criou o projeto Partilhar as Colheitas da Herdade do Freixo do Meio, em Montemor-o-Novo 

Estudo conclui que a produção agrícola biológica tem menores custos, apesar de ser vendida a preços mais elevados. Há quem fale em "oportunismo comercial"

A Direção Regional de Agricultura do Norte estudou, ao longo de quatro anos, o cultivo de cebola em dois modos de produção diferentes, numa área idêntica: pelos métodos convencionais e pelas regras da agricultura biológica. E concluiu que esta última tem custos de produção muito mais baixos e até garante maior quantidade de produção, mas chega ao mercado a um preço mais elevado.

A cultura biológica não teve custos com a fertilização do solo, enquanto a convencional registou uma despesa de 5,75euro euros. Para proteção da cultura contra pragas e doenças, na biológica gastou-se 1,84 euros, enquanto na convencional o custo subiu aos 3,19euro euros. No final, obtiveram-se 160,5 quilos de cebolas biológicas, mas apenas 92,3 quilos das que foram produzidas de forma tradicional.

No mercado, os preços dos dois tipos de cebola são bem díspares: uma consulta nos supermercados online mostra que a cebola biológica pode custar, neste momento, 1,99euro euros por quilo, enquanto a convencional se arranja por 32 cêntimos, ou seja, é quase seis vezes mais barata.

Para Rui Rosa Dias, docente do IPAM e especialista em marketing agroalimentar, "o que se passa quando o consumidor paga mais pelos produtos biológicos é apenas uma questão de oportunismo comercial, porque está na moda, e de um mau marketing".

Mas a análise não é consensual. António Lopes Dias, diretor executivo da Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas, faz uma leitura diferente, ao defender que "os custos de produção implicam diferentes variáveis". E, contrariando as conclusões do estudo da Direção Regional de Agricultura do Norte, considera que "a agricultura biológica tem uma produtividade menor do que a convencional e, por causa disso, os preços têm de ser mais elevados para compensar a diferença de produtividade". Reconhece, no entanto, que "a agricultura biológica tem vindo a crescer como uma resposta a um nicho de mercado".

O presidente da Confederação de Jovens Agricultores, Luís Miranda, é da mesma opinião, admitindo que os custos de produção sejam menores, mas sublinhando que "a produção também é", apontando essa como "uma das razões para os produtos serem mais caros". Por outro lado, lembra que "os custos de certificação são caros e o embalamento também encarece o produto". Luís Miranda sublinha que a agricultura biológica "é feita, normalmente, em áreas mais pequenas e, só em alguns casos, como nos frutos vermelhos, se consegue um grande rendimento, e até exportar".

Do lado dos produtores biológicos, Alfredo Sendim, responsável pela Herdade do Freixo do Meio, com 440 hectares, em Montemor--o-Novo, afirma que "a agricultura biológica produz 30% do que é consumido". Quanto aos custos, o agricultor biológico sustenta que "são mais baratos do que os industriais, pela não aquisição de químicos". Mas, acrescenta, pela mão-de-obra "é muito mais cara", uma vez que este modo de produção não está mecanizado. "A lógica é da ligação direta do homem à terra."

Mas nem tudo é perfeito no mundo da agricultura biológica. Alfredo Sendim explica que, "em termos mundiais, apenas 20% da produção é biológica e, destes, 80% são em monocultura, que tem os mesmos problemas do que a convencional. Portugal está próximo desta realidade, porque é difícil conviver com a pressão do mercado".

Já o especialista em marketing agroalimentar Rui Rosa Dias acredita que, "com uma estratégia séria, a agricultura biológica, mesmo em pequenos volumes, teria espaço para crescer e medir forças com os grandes operadores, que têm o poder de manipular os mercados".

sábado, 15 de abril de 2017

Utilização de água no Aproveitamento Hidroagrícola de Odivelas vai ter limites


por Ana Rita Costa- 13 Abril, 2017

Os regantes da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO) reuniram-se em Assembleia Geral e decidiram ratear a água disponível para rega dando a possibilidade de não recorrer à água de Alqueva, aos regantes que assim o entenderem.

Em comunicado, a associação explica que "esta situação decorre da aplicação do novo tarifário da água de Alqueva às Associações de Regantes confinantes com o EFMA, que implica um aumento muito significativo do preço da água nestes perímetros de rega, dado que ao preço do EFMA se tem de adicionar o preço das Associações, o que retira sustentabilidade económica a uma parte considerável das culturas, sobretudo nas condições de escassez de água que vivemos atualmente."

"Para cumprir o principal objetivo de Alqueva, nomeadamente o reforço as disponibilidades de água evitando situações de seca, é imprescindível que o valor da água seja compatível com a rentabilidade das culturas e seja equilibrado entre os vários utilizadores, o que no nosso entender não se verifica. Os preços definidos para os beneficiários dos blocos do EFMA, internalizam os custos associados à rede primária e rede secundária do empreendimento, 0,032€/m3, valor que consideramos justo, enquanto nos perímetros de rega confinantes (Associações de Regantes e Beneficiários) a água é fornecida em 'alta', isto é, apenas utiliza a rede primária, o preço é 0,030€/m3. Verifica-se assim uma diferença de apenas 0,002€, que resulta num desequilíbrio entre os dois preços, pois o preço da rede primária para as Associações – 0,030€/m3 – não está em linha com o preço para os agricultores dos blocos do EFMA, uma vez que não tem fundamento que a rede primária do EFMA valha 94% do preço total e a secundaria apenas 6%. Esta situação leva a que no caso da ABORO os regantes paguem 0,0514 €/m3 que compara com os 0,032€/m3 cobrados no EFMA", acrescenta.

A ABORO refere também que "não vislumbramos num quadro de igualdade de direitos e deveres, sustentação para este desequilíbrio nas condições oferecidas a uns e a outros agricultores", já que "quer os Aproveitamentos Hidroagrícolas geridos pelas Associações de Regantes quer os do EFMA são propriedade do Estado Português e estão localizados no mesmo território".

"Esta inexplicável desigualdade nas condições de fornecimento de água tende a agravar-se na medida em que a escassez deste recurso se tem vindo a intensificar em consequência dos sucessivos anos de seca, aumentando a necessidade de recorrer à água de Alqueva para fazer face às necessidades de rega nos Aproveitamentos Hidroagrícolas confinantes do EFMA, pondo em causa a viabilidade de uma área regada de cerda 30.000 hectares", conclui.

Aposta em produtos sem glúten já chegou às bolsas

Actualmente, há tão pouco dinheiro no negócio de compra e venda de trigo, milho e soja que alguns operadores estão a recorrer a mercados obscuros, de tomates cultivados no deserto e grão-de-bico, para conseguir lucros.

15 de abril de 2017 às 13:00

As margens para negociação das grandes colheitas de grãos caíram abruptamente porque os produtores cultivaram mais do que o mundo precisa durante quatro anos. Isso levou empresas como a alemã BayWa a procurar nichos como tomates e grãos orgânicos, nos quais os retornos são mais elevados. Outros recorreram a ingredientes de alimentos processados, mais caros, ou a produtos livres de glúten.
 
"O ambiente geral de negociação para as commodities agrícolas está bastante difícil", afirmou Jean-François Lambert, fundador e sócio-gerente da consultoria Lambert Commodities. "Tem sido assim nos últimos dois anos e parece que este ano poderá ser desafiador."
 
Este é um bom presságio para os operadores que ganharam nos anos de expansão da última década, quando os preços subiram com base na procura da população mundial em termos de dimensão e saúde.
 
As empresas maiores que negoceiam enormes volumes no mercado de grãos podem ver um efeito limitado nos seus resultados finais provenientes dos mercados de nicho, mas as operadoras de pequena e média dimensão podem beneficiar mais. Estas foram atrás de produtos menos conhecidos, como quinoa e safras orgânicas, com margens e procura melhores de consumidores preocupados com a saúde.
 
A Grain Services, uma corretora com sede em Reggio Emilia, Itália, recebe cerca de 30 por cento de sua receita com produtos livres de glúten, orgânicos ou de nicho, como quinoa, arroz, amaranto e lentilha, apesar de eles representarem apenas 7% do 1,5 milhão de toneladas dos cultivos com que a empresa lida, disse o director da corretora Andrea Cagnolati.
 
Livre de glúten
A procura dos consumidores está a transformar os alimentos livres de glúten e orgânicos numa das áreas de crescimento mais rápido do sector, segundo uma apresentação de Cagnolati na conferência Black Sea Grain, em Kiev, na semana passada. O sector de produtos livres de glúten deverá expandir-se cerca de 10% ao ano e as receitas anuais atingirão os sete mil milhões de dólares em todo o mundo até 2020.
 
"A quantidade é baixa, mas nós obtemos margens muito boas", disse Cagnolati, em entrevista. "As margens nos mercados tradicionais de grãos são muito baixas, ou até negativas, como é o caso dos EUA."
 
A BayWa, a empresa alemã do agronegócio que reforçou as suas operações de grãos e registrou prejuízos na sua unidade de 'trading' no ano passado, está a recorrer a uma produção orgânica e com estufa. A empresa entrou num empreendimento para cultivar e negociar tomates "premium" nos Emirados Árabes Unidos.
 
Até mesmo gigantes do sector como Glencore e Bunge entraram ou se expandiram em áreas menos negociadas nos últimos dois anos. A Bunge, que está no negócio de corretagem há 200 anos, adquiriu uma empresa turca de azeite e a Glencore está a operar o produto a partir do seu escritório de Madrid.
 
"As grandes corporações aumentarão o seu envolvimento nos mercados emergentes, onde ainda há espaço para gerar margens ou explorar uma vantagem competitiva", disse Miroslaw Marciniak, consultor da InfoGrain, com sede em Varsóvia, e ex-operador de grãos. "A escala é importante, por isso eles continuarão a negociar em quantidade." 

ASAE apreende 600 quilos de carne de cabrito e borrego


Foto: Artur Machado / Global Imagens

Como resultado destas ações, que decorreram em Torres Vedras, Barcelos, Ponte de Lima e São Pedro do Sul, foi detetado um armazém a ser utilizado como sala de desmancha ilegal de animais para consumo público sem a competente inspeção sanitária, adianta a ASAE em comunicado.

Foram ainda detetados três talhos que procediam à venda ilegal de carne proveniente de abate clandestino e um talho que vendia borrego como se fosse cabrito.

Na sequência das ações de fiscalização, foram instaurados quatro processos-crime por abate clandestino, tendo em consideração "o abate de animais fora das instalações licenciadas para o efeito suscetíveis de afetar a saúde dos seus consumidores".

Segundo a autoridade de segurança alimentar, foi ainda instaurado um processo-crime por fraude sobre mercadorias, tendo sido apreendidos cerca de 60 carcaças de animais (cabritos e borregos) num valor total aproximado de três mil euros.

No comunicado, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica garante que "manterá particular atenção ao fenómeno, face ao acréscimo de procura das carnes de caprino e ovino que se verifica no período pascal" e procurará "reprimir práticas suscetíveis de colocar em risco a saúde dos consumidores".

Cerveja. A grande prejudicada da crise em Angola



cervejas
Dinheiro Vivo/Lusa
14.04.2017 / 17:23

No terceiro trimestre de 2016, Angola praticamente deixou de importar cerveja

Novas obrigações para quem tem animais entram em vigor em maio. Saiba o que muda
A cerveja estrangeira foi das mais afetadas pela crise em Angola e, no terceiro trimestre de 2016, praticamente deixou de ser importada, não figurando entre os produtos mais comprados ao exterior.

Segundo o mais recente relatório do Conselho Nacional de Carregadores (CNC) – tutelado pelo Ministério dos Transportes e que coordena as operações de comércio e transporte marítimo internacionais -, entre julho e setembro de 2016, a quantidade de cerveja importada por Angola não foi suficiente para integrar a lista dos 100 tipos de produtos mais importados.

Só no terceiro trimestre de 2014, antes da crise gerada pela quebra na cotação do barril de crude, Angola importou, segundo o CNC, 63.727 toneladas de cerveja, sobretudo de Portugal. Desta forma, a importação de cerveja representou 2,24% de todas as compras feitas por Angola no exterior, naquele período de 2014, figurando na nona posição da lista dos produtos mais importados pelo país.

No primeiro trimestre de 2016, a importação de cervejas de malte já tinha descido para 8.101 toneladas (em três meses), acentuando as quebras nos meses seguintes, devido às dificuldades na obtenção de divisas pelos importadores.

Dificuldades compensadas pelo aumento na produção interna de cerveja, nomeadamente com novas marcas produzidas em Angola. É o caso da cerveja da marca Bela, produzida pela Lowenda Brewery Company, do grupo China International Fund (CIF), que aumentou em 2015 a produção nacional, reforçada já em 2016 com a marca Tigra, do grupo angolano Refriango, líder nacional no setor das bebidas.

No final de 2016, foi a vez de a portuguesa Sagres passar a ser produzida em Luanda, através da Sociedade de Distribuição de Bebidas de Angola (SODIBA), da empresária angolana Isabel dos Santos.

A importação de bebidas, segundo dados do executivo angolano, cifrava-se anualmente em cerca de 400 milhões de dólares (377 milhões de euros) antes da crise, mais de metade proveniente de exportações de empresas portuguesas, nomeadamente cerveja.

Contudo, tendo em conta a capacidade instalada das fábricas nacionais, que já então não estava a ser utilizada, e como forma de dinamizar a produção local, o Governo angolano anunciou para 2015 um sistema de quotas à importação de bebidas, o qual não chegou a ser implementado.

Entretanto, a crise generalizada e a falta de divisas acabaram por reduzir fortemente, e de forma natural, as compras ao exterior. No caso das cervejeiras portuguesas, ainda com as promessas de construção de fábricas próprias em Angola por concretizar.

No terceiro trimestre de 2016, Angola comprou 5.797 toneladas de vinho (38.º produto mais importado) ao exterior – em que Portugal é o maior fornecedor nacional -, o que compara com as 30.609 toneladas (16.ª posição) do terceiro trimestre de 2014, antes do início da crise petrolífera, também afetada nomeadamente pela dificuldade na obtenção de divisas.

O caminho para a agricultura 
em Portugal? Regar, regar, regar


15.04.2017 às 8h30
 
A área de regadio do Alqueva é uma das principais do país e estão-se a desenvolver esforços para a expandir


FOTO TIAGO MIRANDA

Aproveitamento das terras férteis, com foco no Alqueva, e autossuficiência produtiva e alimentar. Temas fortes dos "Encontros Fora da Caixa" que Expresso e CGD organizaram em Santarém

"Na natureza nunca eu descobriria um contorno feio ou repetido! Nunca duas folhas de hera que, na verdura ou recorte, se assemelhassem", escrevia Eça de Queirós no clássico "A Cidade e as Serras". As imagens bucólicas da vida no campo são aquelas que muitas vezes perduram no imaginário e não pintam a imagem completa de uma realidade vital para o fabrico da sociedade. Mas chega de divagações literárias. Do pequeno interlúdio do romantismo passamos para o panorama atual da agricultura, onde os atores principais procuram melhorar os mecanismos de aproveitamento das terras irrigáveis.

Tudo isto (e mais) esteve em discussão em Santarém, onde o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas foi palco da segunda sessão dos "Encontros Fora da Caixa", organizados por Expresso e Caixa Geral de Depósitos (CGD). "Devemo-nos colocar esta questão: o que vai acontecer aos nossos regadios no futuro?" A pergunta é de Filipe Ravara, diretor de agronegócio da CGD, que traçou um retrato extensivo do panorama português, país "cuja maior parte do território está sujeito a um défice hídrico superior a 30%" mas com "uma grande variedade de culturas e produtos." Em 2016, ficaram 71.400 hectares por irrigar, um dos verbos mais presente na boca dos intervenientes. Portugal tem ainda uma "estrutura pouco especializada", onde diferentes políticas coexistem ("e confundem") em prejuízo do aproveitamento das terras e produção. "Não chega a 25% das necessidades", atira o administrador da Raporal, Mário Guarda. Num país onde as associações de produtores ainda só representam 20 a 30% dos agricultores, exige-se "mais união entre todos" para fazer face "ao nosso reduzido tamanho".


quinta-feira, 13 de abril de 2017

Chineses introduzem em São Tomé cultivo de milho modificado para ração animal


10/4/2017, 18:33

Uma equipa de técnicos agrícolas chineses está a introduzir em São Tomé e Príncipe o cultivo de milho transgénico para ração animal, procurando diminuir a dependência alimentar do país.

Esses são os primeiros passos da cooperação sino-são-tomense no domínio da agricultura e pecuária
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Uma equipa de técnicos agrícolas chineses está a introduzir em São Tomé e Príncipe o cultivo de milho transgénico para ração animal, procurando diminuir a dependência alimentar do país em relação ao exterior.

Em declarações aos jornalistas, Hou Xiaoping, chefe da missão agrícola chinesa em São Tomé e Príncipe, explicou que, nesta primeira fase, a cultura está a ser feita no campo hortícola de Mesquita no centro da ilha de São Tomé, situada a pouco mais de cinco quilómetros da capital.

As sementes do milho híbrido para a produção de ração já germinaram. Os chineses estão a ensinar técnicos são-tomenses e alunos finalistas do curso de agronomia como se deve combater as pragas.

"Deve-se reforçar os trabalhos de controlo e prevenção. Devemos aplicar pesticida periodicamente", disse Hou Xiaoping.

Em junho os chineses esperam colher oito toneladas do milho híbrido numa área de seis hectares.

O chefe da missão agrícola chinesa sublinha que a produção de ração é fundamental na suinicultura.

"São Tomé e Príncipe tem boas condições para desenvolver a agricultura e pecuária e ração para animais", explicou.

A introdução da cultura de milho modificado inclui-se nos projetos-pilotos que os chineses estão a implementar em São Tomé e Príncipe depois de os dois países terem restabelecido relações diplomáticas em finais de dezembro, após um longo período de 19 anos sem laços diplomáticos.

Nos próximos dias, deverá juntar-se a essa equipa um médico veterinário e um produtor de biogás para reforçar a equipa que, durante um ano, vai trabalhar com técnicos são-tomenses no setor agropecuário.

Na comunidade de Água Izé, os chineses estão a experimentar o cruzamento de cerca de uma dezena de porcos nacionais com a raça "melori" da Inglaterra.

O objetivo é aumentar a produção de carne no mercado para garantir a segurança alimentar e nutricional da população.

"Os porcos de são Tomé pesam no máximo entre 40 e 50 quilos e isso faz com que haja uma baixa de produção de carne e um elevado preço da carne de porco a nível nacional", explicou o técnico chinês.

"Queremos utilizar as vantagens do cruzamento entre os porcos de são Tomé e Príncipe e da Inglaterra", acrescentou.

Esses são os primeiros passos da cooperação sino-são-tomense no domínio da agricultura e pecuária.

Costa: Explorações agrícolas ficam fora de atualização de IMI rural

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que a revisão do IMI rural que está a ser estudada pelo Governo destina-se a propriedades com mais de 50 hectares que não estejam afetas à produção agrícola.
   
"As produções agrícolas estão excluídas dessa atualização do IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis]", afirmou António Costa, insistindo que a atualização que o Governo está a estudar "tem simplesmente a ver com propriedade que não é afeta à exploração agrícola".

O chefe do executivo falava no debate quinzenal no parlamento, em que foi confrontado pela presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, com o IMI rural, dando a explicação de que não afetaria propriedades agrícolas quando a líder centrista já não dispunha de tempo para voltar a falar.

Assunção Cristas tinha criticado fortemente a medida depois do primeiro-ministro ter referido que a atualização afetaria apenas propriedades com mais de 50 hectares, mas sem esclarecer logo a questão da produção agrícola.

"Não ignorará que a política agrícola é comum, é europeia, há muito poucos instrumentos nas mãos dos Estados membros para garantir mais competitividade para sua agricultura, talvez um desses instrumentos seja precisamente a política fiscal", afirmou a líder do CDS-PP.

A presidente centrista acusou António Costa de querer "pegar na política fiscal para agravar seletivamente o IMI sobre propriedades com determinada dimensão, provavelmente ignorando que é nessas zonas de propriedades de maior dimensão onde está a maior força da competitividade da agricultura do país".

"É simplesmente deitar fora todo um trabalho que foi feito ao longo dos últimos anos, com muita resiliência, com muito empenho, de norte a sul do país, de agricultores e de propriedades de todas as dimensões, sem exceção", defendeu.

Investigação. Medronheiro em risco em Portugal


11/4/2017, 17:59414

Os medronheiros estão em risco em Portugal, conclui um estudo coordenado por uma investigadora do Instituto Superior de Agronomia, que recomenda uma estratégia de conservação.

Os medronheiros estão em risco em Portugal, conclui um estudo coordenado por uma investigadora do Instituto Superior de Agronomia, que recomenda uma estratégia de conservação baseada na diversidade genética e uma cuidadosa transferência de sementes.

Os autores do estudo, coordenado por uma investigadora do Centro de Estudos Florestais (CEF) do Instituto Superior de Agronomia (ISA), recomendam uma estratégia de conservação da espécie baseada na diversidade genética dos medronhais e uma "cuidadosa transferência de sementes dentro das regiões geneticamente homogéneas". No alerta deixado no artigo publicado na revista científica PLUS ONE, os autores dizem que foram detetadas em Portugal três zonas de medronheiro homogéneas do ponto de vista genético e distintas umas das outras [norte, centro e sul] e que foi encontrado um medronhal perto da Serra de São Mamede "muito diferente dos outros estudados".

Além de reconhecerem que os recursos genéticos do medronheiro estão em risco em Portugal, os autores deixam alguns alertas, nomeadamente aconselhando a que, para se constituírem novos povoamentos de medronheiro, a semente seja recolhida dentro das regiões homogéneas.

Não devem ser trazidas, por exemplo, sementes do sul para o centro do país. Foi o que aconteceu com o pinheiro bravo em Portugal", refere uma nota do CEF, lembrando que um estudo feito pela mesma investigadora demonstrou que" a florestação feita em larga escala com penisco de origem desconhecida apagou completamente a pegada genética nesta espécie".
"Não deve, por isso, ser usada semente de origem desconhecida", reforça. Os investigadores recomendam ainda que o uso de clones seja feito dentro das regiões homogéneas e que na população de melhoramento dos medronhais sejam introduzidos os exemplares com maior diversidade genética.

Já as populações que mais se diferenciam e as mais diversas, do ponto de vista genético, devem ser consideradas para conservação, "devido ao impacto do futuro aquecimento global, ao aumento previsto de fogos florestais, à fragmentação do coberto vegetal do território e ao processo de domesticação em curso", sublinha o ISA. O artigo publicado na PLUS ONE refere ainda que o medronheiro tem vindo a ter muita procura pelos produtores florestais devido à produção de fruto e às suas múltiplas aplicações, para além da produção de aguardente.

"No entanto, as florestas mediterrâneas são ecossistemas frágeis e vulneráveis ao recente aquecimento global, com consequências a médio e a longo-prazo de aumento da aridez e das áreas ardidas pelos fogos florestais", acrescenta.

Preço da água baixa em Alqueva - Novo tarifário entra hoje em vigor

Comunicado

Entrou hoje em vigor o novo tarifário para a água de Alqueva, que representam uma descida significativa para os seus utilizadores. Esta redução do preço final da água para os regantes de Alqueva só foi possível devido aos ganhos de eficiência e de economia de escala obtidos com a implementação de um modelo de gestão integrada entre os sistemas primários e secundários; à adoção de práticas de rega eficientes; à projetada beneficiação de uma área adicional de regadio e à implementação de uma estratégia integrada e global de otimização energética baseada em soluções assentes no aproveitamento da energia fotovoltaica.

Os novos valores representam uma descida no valor do tarifário que chega a atingir os 33%, nomeadamente na adução a perímetros de rega confinantes, onde a água de Alqueva é fundamental como garantia em anos de seca, permitindo a manutenção de todas as atividades agrícolas a jusante.

Assim, a tarifa a aplicar ao fornecimento de água para os regantes de Alqueva, concretamente os que estão nas áreas sob gestão da EDIA, o preço da água em alta pressão passa a ser de 5,9 cêntimos por metro cúbico, e de 3,2 cêntimos por metro cúbico para a baixa pressão. Para rega a partir da rede primária, será de 3 cêntimos por metro cúbico para entidades que tenham a seu cargo outros aproveitamentos hidroagrícolas. Os regantes precários, não incluídos nas áreas beneficiadas, mas que recebam água com pressão, pagarão 7,7 cêntimos por metro cúbico, enquanto na baixa pressão, e igualmente para os precários, o preço é de 3,8 cêntimos por metro cúbico consumido.

Foram também fixados os tarifários de água para abastecimento público em 4,5 cêntimos por metro cúbico e para abastecimento industrial em 6 cêntimos por metro cúbico.

Lisboa, 12 de abril de 2017

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Plantar eucalipto pode dar multas até 37 mil euros

A proposta de lei do Governo, que proíbe acções de arborização com eucalipto, prevê coimas e a possibilidade se serem aplicadas sanções acessórias aos infractores.

Plantar eucalipto pode dar multas até 37 mil euros 

11 de abril de 2017 às 22:00

A proposta de lei do Governo que altera o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização, pondo um travão à área de eucalipto, determina contra-ordenações que podem ultrapassar os 37 mil euros a quem utilize esta espécie sem um projecto de compensação.

O diploma, que já foi enviado ao Parlamento, determina que "não são permitidas as acções de arborização com espécies do género 'eucaliptus'", prevendo-se que a rearborização com esta espécie "só é permitida quando a ocupação anterior constitua um povoamento puro ou misto dominante". A legislação do Executivo possibilita acções de arborização com eucaliptos mas desde que, cumulativamente, se cumpram duas condições: se realizem em áreas não agrícolas, de aptidão florestal; e resultem de projectos de compensação, relativos à eliminação de povoamentos de eucalipto de igual área (...) com preparação do terreno que permita uso agrícola, pecuário e florestal com espécies que não o eucalipto.

"Para que uma nova plantação de eucalipto surja tem de ser diminuída área equivalente."
CAPOULAS SANTOS, MINISTRO DA AGRICULTURA

A proposta de lei determina que o incumprimento destas regras, a par de outras infracções previstas, constitua contra-ordenações puníveis com coimas entre 1.000 e 3.740,98 euros em caso de pessoas singulares. "Tratando-se de pessoas colectivas, os limites mínimos e máximos das coimas aplicáveis às contra-ordenações (...) são elevadas respectivamente ao triplo e do décuplo dos seus montantes". Ou seja, podem ultrapassar os 37 mil euros.

O diploma do Governo prevê ainda sanções acessórias para os incumpridores. Em função da gravidade da contra-ordenação e da culpa do agente, o conselho directivo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) pode, além da multas, determinar sanções como "a perda a favor do Estado dos objectos pertencentes ao agente e que se encontrem na causa ou na origem da infracção"; a "interdição de exercer a profissão ou actividades relacionadas com a contra-ordenação"; a "privação do direito a subsídio ou benefício"; ou a "suspensão de autorizações, licenças e alvarás".

Além de limitar a expansão do eucalipto, as alterações que o Governo introduziu naquele regime jurídico passam ainda pela simplificação de procedimentos de controlo prévio associados à arborização com espécies que não o eucalipto, reforça o papel dos municípios e introduz a figura do embargo, que permite "pôr cobro a situações de não conformidade legal".

"Queremos ter mais metros cúbicos de eucalipto para alimentar as celuloses, que são fundamentais para o país, mas na mesma área."
CAPOULAS SANTOS, MINISTRO DA AGRICULTURA

Em 41 idas às compras no supermercado, três são grátis



06.04.2017 às 12h15
 
Segundo um estudo encomendado pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), em cada 41 idas aos supermercados, com as campanhas de descontos e promoções da Grande Distribuição, os portugueses conseguem não pagar três

ANTÓNIO PEDRO FERREIRA

Em média, os consumidores portugueses usufruíram de uma poupança média de 32% nos produtos que a Distribuição colocou em promoção, em 2016. Estão também mais atentos aos benefícios de saúde dos produtos e procuram cada vez mais alimentos biológicos

Joana Madeira Pereira
JOANA MADEIRA PEREIRA

No ano passado, nas suas idas às compras, os portugueses conseguiram obter descontos médios de 32% no cabaz de produtos em promoção. Em 2014, esse valor tinha sido de 28%. O que significa, de acordo com um estudo da Deloitte encomendado pela Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA), que em cada 41 idas às compras, três são grátis, considerando os valores poupados com as promoções.

A estratégia de descontos das grandes superfícies, associadas a cartões de fidelização e a parcerias com outras empresas (nomeadamente de combustível) têm mudado a forma como os consumidores tendem a consumir e não admira, por isso, que, em 2015, 41% do total das vendas de produtos de grande consumo em Portugal tenham sido realizadas em promoção (o que denota o aumento de 20 pontos percentuais desde 2010).

A compra inteligente (smart shopping), ou seja, o planeamento, a escolha racional e o esforço por reduzir a compra por impulso, é a uma forma de estar cada vez mais comum dos consumidores portugueses, segundo o estudo "Have you met the new consumer? – Análise às tendências de consumo alimentar", apresentado esta semana no congresso que marcou os 30 anos da FIPA.

O relatório da Deloitte avança ainda que 75% dos portugueses consultam e comparam promoções antes de entrar num supermercado.

Segundo as previsões da FIPA, a indústria alimentar e das bebidas terá atingido, no final de 2016, um volume de negócios de 15,4 mil milhões de euros e um volume acrescentado bruto (VAB) de perto de 2,9 mil milhões de euros.

A pressão exercida pela Grande Distribuição tem sido criticada publicamente por vários operadores da indústria agroalimentar, dos mais pequenos aos maiores, que se veem obrigados a baixar os preços para continuarem nas prateleiras das cadeias de distribuição. Jorge Henriques, presidente da FIPA, explica ao Expresso que "na relação entre agentes económicos, existe a obrigação da fixação individual de tabelas de preços e condições de venda.

Quando se passa para a venda ao consumidor final, a decisão sobre a fixação do preço na prateleira compete ao retalhista. O que é importante assegurar é que não haja recurso a práticas negociais abusivas, tais como imposições unilaterais, nem situações de venda com prejuízo. Tudo o resto passa pela negociação comercial e cada empresa conhecerá os seus limites".


Jorge Henriques prefere, antes, apontar para a forma como a indústria agroalimentar portuguesa se tem adaptado às novas formas de consumo. "Os consumidores estão, acima de tudo, a mudar. São hoje mais informados, exigentes e atentos durante os atos de compra e de consumo", reflete o responsável. Por exemplo, estão mais atentos aos benefícios de saúde dos produtos e procuram não só evitar alimentos de menor valor nutricional, como também preferem alimentos biológicos.

Na Europa, o consumo de produtos biológicos cresceu 110% entre 2005 e 2014 e Portugal segue na mesma linha: num inquérito realizado em 2016, 60% dos consumidores afirmaram refletir a sua preocupação com a saúde e bem-estar nas escolhas que fazem (mais 19 pontos percentuais do que em 2012). Além disso, 68% dos inquiridos declararam estar dispostos a pagar mais por produtos que não contêm ingredientes indesejáveis (um crescimento de 26% face ao ano anterior.

CONSUMIDORES MAIS PREOCUPADOS COM SAÚDE QUEREM MAIS CONVENIÊNCIA E FLEXIBILIDADE
Por outro lado, os portugueses também estão mais preocupados com a sustentabilidade e, por isso, 45% dos consumidores afirmam estar dispostos a pagar mais por produtos e serviços prestados por empresas comprometidas em ter um impacto social e ambiental positivo.

Da mesma forma, procuram maior conveniência e flexibilidade nos produtos que adquirem (assim como no ato de compra). Procuram formatos mais pequenos, ajustados às suas necessidades, flexíveis e transportáveis (como os snacks), e produtos de preparação rápida (como alimentos congelados).

À escala global, estima-se que 58% das encomendas de refeições sejam feitam online através de plataformas específicas. Na Europa, entre 2010 e 2015, o mercado de entrega em casa e takeaway cresceu 2,2% enquanto o consumo da restauração caiu.

Além disso, complementam as compras realizadas em grandes superfícies comprando também em estabelecimentos mais pequenos (como lojas de bairro e supermercados pequenos). Entre 2014 e 2015, enquanto se registou o crescimento de 2% no número de hipers e supers de grande dimensão, os supermercados de pequena dimensão cresceram 5%, enquanto as lojas tradicionais aumentaram 4%.

De certa forma, os consumidores, um pouco por todo o mundo, sobretudo as gerações mais jovens, estão a dar mais importância à experiência de consumo do que propriamente ao bem físico que adquirem.

O novo perfil do consumidor traz grandes desafios à indústria agroalimentar, que tem "procurado entender a evolução, o estilo de vida e as preferências dos consumidores", diz Jorge Henriques. E as empresas do sector estão a adaptar diferentes estratégias: umas são mais pragmáticas, apostando no acompanhamento dos atributos essenciais exigidos pelo consumidor (sobretudo o preço); outras mais especializadas em nichos de mercado e apostando em produtos com benefícios específicos e cada vez mais segmentados; há também aquelas que apostam na flexibilidade e em formatos práticos e flexíveis; outras que assumem posições ativistas e mostram total transparência nas suas práticas e outras ainda que apostam tudo na sua marca, o principal ativo, e constroem narrativas à sua volta, para surpreender os consumidores e oferecerem-lhe experiências positivas.

"A indústria portuguesa agroalimentar tem vindo a desenvolver uma capacidade exemplar de investigar e inovar", assume o presidente da FIPA. A indústria alimentar e a das bebidas conta com mais de 11 mil empresas, na sua maioria familiares e de pequena dimensão, dando emprego a mais de 108 mil postos de trabalho diretos. "As exportações cifraram-se em 4,6 mil milhões de euros, um aumento de 3,7% face a 2015. Este sector representou ainda, no mesmo período, 9,2% do total das exportações da indústria transformadora nacional", avança Jorge Henriques.

Symington saem do Douro e compram Altas Quintas no Alentejo

Grupo passa pela primeira vez a explorar vinhas fora da sua região de origem. O projecto Altas Quintas vai ser completamente reformulado
 Manuel Carvalho

O grupo empresarial da família Symington concluiu esta segunda-feira a operação de aquisição da Quinta da Queijeirinha, uma propriedade com 207 hectares, dos quais 43 são de vinha, na zona da serra de São Mamede, Portalegre. Depois de, em 1989, ter adquirido uma participação maioritária na Madeira Wine Company, a aquisição da empresa que produz os vinhos da marca Altas Quintas é um passo em frente na estratégia de diversificação do grupo familiar que no ano passado gerou um volume de negócios na ordem dos 90 milhões de euros. O valor do investimento não foi revelado por acordo do comprador e o vendedor, a família de João Lourenço.

A quinta da Queijeirinha estende-se a uma altitude entre os 490 e os 550 metros, numa zona mais temperada do Norte alentejano onde há disponibilidade de água. Nas suas vinhas estão plantadas castas tradicionais, com predominância para as tintas, em vinhas com uma idade situada entre os 15 e os 20 anos. Num ano normal, a empresa é capaz de produzir 140 mil garrafas. A exploração dos recursos da propriedade pela mão dos Symington vai iniciar-se já nesta vindima e implica uma reformulação total do projecto. "Queremos fazer tudo de novo", diz António Filipe, director-geral da Symington Family Estates. "Vamos encontrar uma equipa nova" para a viticultura e para a enologia "e vamos mudar a marca", nota este responsável.

Esta opção implica que a Queijeirinha permaneça como uma empresa autónoma, fora do chapéu onde se encontram hoje as marcas consagradas da família no sector do vinho do Porto, como a Dow's, a Warre ou a Graham's, ou nos vinhos no Douro, onde os Symington estão presentes com os Altano, os Quinta do Vesúvio ou, mais recentemente, com os Quinta do Ataíde. Mas, "em última análise", o controlo técnico e a gestão comercial contarão com a participação das equipas que trabalham nas vinhas do Douro.

Depois de se consolidar como líder no comércio das categorias especiais do vinho do Porto e de acumular uma área de vinha no Douro na ordem dos mil hectares, os Symington olham para o investimento no Alentejo como uma oportunidade de crescer por via da diversificação. "Depois de 135 anos no Douro, a família entendeu que era o momento indicado para produzir vinho noutra grande região vinícola de Portugal", diz Rupert Symington. A serra de São Mamede é uma zona de baixas produtividades que produz vinhos conceituados pela sua frescura e complexidade.

Para lá da área agrícola, a Queijeirinha dispõe de um edifício de meados do século XIX classificado como monumento de interesse municipal e uma série de construções que podem ser mais tarde utilizadas numa operação turística. "Vamos considerar essa possibilidade depois de consolidarmos a nossa aposta na produção de vinho", diz António Filipe. Os Symington fizeram uma aposta forte nos últimos anos no turismo, quer nas suas caves de Vila Nova de Gaia, quer na sua Quinta do Bonfim, no Pinhão.


Grupo angolano e empresário português investem 11,2 milhões em matadouro


Um consórcio formado por um grupo angolano e um empresário português vai investir 12 milhões de dólares (11,2 milhões de euros) na instalação, na província do Cuanza Norte, de um matadouro com mais de 100 trabalhadores.

Segundo o contrato de investimento entre o consórcio, formado pela empresa angolana Lusounu Internacional (90%) e o empresário português Ivo Cruz Marques (10%), residente em Angola, e a Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP), a que a Lusa teve acesso, o projeto "Matadouro Unicarnes" será instalado num prazo de um ano no município angolano do Dondo.

Consiste na construção de uma unidade de abate, processamento e comercialização de gado bovino e caprino, além de armazenamento de carne refrigerada e congelada, respetiva embalagem e expedição, mas também com o fabrico de farinha de carne e gorduras.

Contará com 110 postos de trabalho, essencialmente angolanos, e a "alavancagem da atividade de criação de gado bovino" é um dos impactos do projeto previstos pelos investidores, no respetivo contrato, bem como o "aumento da oferta de um produto cujas importações anuais andam à volta dos 600 milhões de dólares".

O consórcio promotor do investimento estima que 25% da produção anual desta unidade será para exportar.

Em contrapartida, ao abrigo do contrato de investimento com a estatal UTIP, os investidores vão beneficiar de isenções fiscais, como a redução de 70% no pagamento de imposto Industrial, sobre Aplicação de Capitais e de Sisa, na aquisição de terrenos e imóveis, durante oito anos.

O Governo angolano aprovou no final de janeiro um plano para importar já este ano 10.500 cabeças de gado para repovoar o planalto de Camabatela, no interior norte do país, cortando desta forma nos 328 milhões de euros de carne importada anualmente.

O plano foi aprovado em reunião conjunta das comissões Económica e para a Economia Real do Conselho de Ministros e visa o objetivo de tornar o planalto de Camabatela, que abrange as províncias do Cuanza Norte, Malanje e do Uíge, "autossuficiente", até 2025, na produção de bovinos para o abate e repovoamento, conforme explicou o ministro Agricultura.

Marcos Alexandre Nhunga adiantou, em declarações aos jornalistas no final daquela reunião, tratar-se de um investimento superior a 206 milhões de dólares (193 milhões de euros), a realizar pelos empresários nacionais, permitindo poupar nas importações de carne para consumo, que custam anualmente mais de 350 milhões de dólares (328 milhões de euros).

O setor da agricultura, segundo o Governo, importar este ano 8.000 cabeças de gado bovino para confinamento e 2.500 para a reprodução, no quadro do programa de repovoamento da região do país.

"Há toda uma necessidade para se fazer um esforço para que esse planalto seja repovoado", enfatizou o governante.

Só este investimento, para o qual ainda será necessário garantir financiamento e disponibilização de divisas, pelo Estado, permitirá garantir no futuro dez mil toneladas de carne por ano, "correspondente a 60% das necessidades de consumo do país", explicou Marcos Alexandre Nhunga.

O planalto de Camabatela ocupa uma área de 12 mil quilómetros quadrados e é descrito como reunindo condições climatéricas propícias para o desenvolvimento agropecuário, nomeadamente a criação de gado.


domingo, 9 de abril de 2017

Presidente moçambicano defende que país precisa melhorar estratégia de comercialização agrícola

24/3/2017, 15:48

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu que Moçambique precisa de melhorar a estratégia de comercialização agrícola, considerando que o modelo vigente é "essencialmente reativo".

A falta de vias de acesso e a chuva que está a cair fortemente em alguns pontos do país são normalmente pontadas como as principais dificuldades no âmbito da produção agrícola
LUSA

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, defendeu esta sexta-feira que Moçambique precisa de melhorar a estratégia de comercialização agrícola, considerando que o modelo vigente é "essencialmente reativo".

"Não é segredo que ainda não conseguimos alcançar as bases estruturantes que possam elevar a nossa agricultura e respetivo comércio a níveis que Moçambique realmente merece", avançou o chefe de Estado moçambicano, falando durante a abertura no Primeiro Fórum de Comercialização Agrícola, que decorre esta sexta-feira na província da Zambézia, centro de Moçambique.

Embora destaque "alguns sucessos", Filipe Nyusi entende que as estratégias de comercialização agrícola de Moçambique devem procurar espaço no mercado internacional, garantindo que o país aproveite no máximo o seu potencial.

Ao destacar os benefícios de um bom plano comercialização agrícola, o chefe de Estado moçambicano sublinhou que a estratégia do país deve valorizar o mercado interno também e garantir que não haja casos de perdas de produção por falta de compradores ou por ineficiência de conservação.

Para o chefe de Estado moçambicano, o plano operacional da comercialização agrícola tem a obrigação de criar um sistema transparente entre os produtores e os grandes compradores, bem como garantir a ligação entre o mercado e as zonas rurais.

"É um imperativo nacional o investimento de todos para remover os pedregulhos que dificultam o fluxo normal do comércio agrícola", afirmou Filipe Nyusi, que reitera que há necessidade de um maior investimento para a exportação.

"É necessário que se reconheça que se o modelo de comercialização que temos vindo a seguir é essencialmente reativa e sem capacidade para responder de forma proactiva aos desafios e expetativas das nossas populações", observou.

Para 2017, Moçambique prevê produzir mais de 17 milhões de toneladas de produtos agrícolas diversos.

As províncias do Zambézia, Tete, Sofala e Manica, no centro de Moçambique, e Niassa, no norte, são as que mais contribuíram na produção, principalmente de cereais, como consequência da chuva que está a cair nestas regiões, depois de uma campanha agrícola devastada por uma seca severa que deixou no ano passado 1,5 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar em todo país.

A falta de vias de acesso e a chuva que está a cair fortemente em alguns pontos do país são normalmente pontadas como as principais dificuldades no âmbito da produção agrícola, que ainda maioritariamente de subsistência.

‘Know-how’ português leva primeiro centro de produção por hidroponia a Angola

22/3/2017, 18:19

O Governo angolano saudou o primeiro projeto de produção agrícola à base de água, de 'know-how' português, numa altura em que Angola está sem divisas para a importação de insumos agrícolas.

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O projeto implicou um investimento de 176 milhões de kwanzas (94,5 mil euros)
LUÍS FORRA/LUSA

O Governo angolano saudou esta quarta-feira o primeiro projeto de produção agrícola à base de água, de 'know-how' português, numa altura em que Angola está sem divisas para a importação de insumos agrícolas devido à crise financeira que enfrenta.

O projeto, um investimento de 176 milhões de kwanzas (94,5 mil euros), localizado em Luanda, na zona do Kikuxi, foi esta quarta-feira inaugurado pelo secretário de Estado da Agricultura para o setor empresarial, Carlos Pinto. A hidroponia é uma técnica de produção agrícola que consiste no cultivo sem necessidade de solo, já que as raízes – mergulhadas em água – recebem dessa forma uma solução nutritiva balanceada que todos os nutrientes necessários. O investimento luso-angolano denominado Hidrobem, a mais recente empresa do grupo Kibabo, um conceito de negócios criado em Portugal e presente em Angola há mais de cinco anos, permitiu criar, para já, 25 postos de trabalho diretos.

Em declarações à imprensa, a diretora da Hidrobem, Carla Paulino, referiu que é utilizado o sistema "NTF" (Nutrient Film Technique) e "Sacos Gota-a-Gota", para a produção, nesta primeira fase, de alfaces, tomate, salsa, manjericão, hortelã, cebolinho, coentro e agrião. A unidade tem ainda capacidade para produzir rúcula, poejo, orégãos, pimento, pepino e fisálias. "Todas as semanas tiramos meia tonelada de alface e meia tonelada de ervas aromáticas e uma tonelada de tomate para salada", disse Carla Paulino, referindo-se à produção implantada numa propriedade de dois hectares, com uma exploração de 2.000 metros quadrados de estufas.

Segundo a responsável, a empresa tem capacidade técnica para avançar com este projeto para qualquer parte do país, sendo este que esta quarta-feira arrancou uma espécie de "boutique". O retorno do investimento por agora feito deverá acontecer em três anos, segundo Carla Paulino, salientando que a segunda fase arrancará no fim do primeiro semestre deste ano, com mais 6000 metros quadrados de estufas, uma escola de formação e um polo de água indústria de processamento de quarta gama, onde se pretende proporcionar ao cliente produtos frescos prontos a confecionar.

Na sua intervenção, o secretário de Estado da Agricultura para o setor empresarial disse que o desenvolvimento do setor agrícola define-se esta quarta-feira como uma aposta principal para a diversificação da economia angolana, a geração de emprego, o combate à fome e à pobreza no seio familiar. Para o governante, Iniciativas desta natureza representam uma mais-valia para o processo produtivo que Angola tem vindo a implementar.

"O Ministério da Agricultura garante o seu incondicional apoio às iniciativas do grupo Kibabo, através da empresa Hidrobem, numa fase de crise económica bastante acentuada, na obtenção de recursos financeiros em divisas para a importação dos insumos agrícolas e outras matérias-primas para a dinamização da nossa produção agrícola", frisou. Carlos Pinto sublinhou a importância do projeto pela sua técnica, que não está dependente da qualidade e correção de solo, nem de fertilizantes e pesticidas, proporcionando uma produção durante o ano e em contraciclo, por não depender do clima.

MIT vê na plantação digital o futuro da agricultura

Por Ana Marta Ferreira 14:30 7 de Abril, 2017

O MIT Media Lab está a desenvolver computadores que permitem a produção de alimentos em qualquer ambiente do planeta.


FOTO: OPEN AGRICULTURE INICIATIVE

Com o avançar dos séculos, a crescente urbanização acentua a falta de áreas produtivas para agricultura. O facto emerge como um problema real para a alimentação do futuro.

No MIT Media Lab, Caleb Harper e a sua equipa acreditam que vai ser possível todos sermos agricultores, mesmo em ambientes totalmente urbanos. Harper é o principal investigador da Iniciativa Open Agriculture (OpenAG) e diretor do CitiFARM, no MIT Media Lab, e quer mudar o sistema de alimentação através da ligação entre os produtores e o mundo digital. Em conjunto com a sua equipa, desenvolveu um computador que pode recriar um ambiente específico em que as plantas crescem sem necessidade de solo.


O Food Computer permite cultivar plantas em qualquer parte do mundo, adaptando as condições climáticas necessárias. Fonte: Open Agriculture Iniciative
O Food Computer é uma espécie de centro de controlo de uma estufa digital. De dimensões semelhantes a um computador pessoal, o Food Computer utiliza tecnologias agrícolas sem terra, como a hidroponia (técnica de cultivar plantas em alternativas ao solo, como líquidos ou areia) e a aeroponia (manter as plantas suspensas no ar), para controlar as condições climáticas dentro de uma câmara de crescimento para as plantas. Permite regular variáveis como o dióxido de carbono, a temperatura do ar, a humidade, o oxigénio dissolvido ou o pH.


Caleb Harper é o principal investigador do projeto OpenAg, no MIT Media Lab Fonte: Open Agriculture Iniciative
Ao Huffington Post, Caleb Harper explica que "quando dizemos que gostamos dos morangos do México, estamos na verdade a dizer que gostamos das condições em que os morangos foram cultivados". Por isso, questiona: "Porquê importar alimentos a milhares de quilómetros, quando se pode importar o clima onde o alimento é cultivado?". Harper acredita que as mudanças climáticas produzidas em computadores conectados em rede e com um sistema agrícola informatizado são o futuro da alimentação. Ainda de acordo com os engenheiros do MIT, a câmara de produção pode ser utilizada até em ambientes extremos, como em um deserto ou na Antártida.

Qualquer pessoa pode construir um Food Computer e o MIT ensina como

A Iniciativa OpenAg é um projeto de plataforma aberta ("open-source"), o que significa que assenta num software informático cujo autor fornece, a custo zero, o direito de estudar, modificar e distribuir o software, para qualquer um e para qualquer finalidade.

Sobre a decisão de abrir a licença do software a qualquer pessoa, Caleb Harper argumentou, em entrevista ao "IEEE Spetrum", que o futuro da agricultura deve passar por um sistema partilhado por todos: "Toda a gente projeta o seu próprio pequeno centro de dados para as estufas de armazém ou para as estufas verticais. Dizem que é super especial e tentam criar uma propriedade intelectual a partir dela. E não deixam as pessoas entrarem ou usarem os seus mecanismos, porque não querem que roubem as suas ideias brilhantes. Esse é o problema na minha indústria neste momento. As pessoas ainda não perceberam que há um sistema subjacente a isso. E não vai escalar até que haja uma plataforma comum."

Outra inovação neste projeto do MIT é a inclusão nos Food Computers da luz azul de LED de alta eficiência que deu a três investigadores japoneses o Prémio Nobel da Física em 2014.

No separador do site "Build a Food Computer",  os cientistas envolvidos no projeto oferecem listas de materiais necessários, tutoriais em vídeo e um fórum onde a comunidade mundial contribui com as suas experiências. Ainda na página oficial da iniciativa, os investigadores explicam que o investimento financeiro tornou-se "bastante atrativo" para quem deseja construir um Food Computer, já que o tempo de retorno de lucro, que se estimava em 10 ou 12 anos, reduziu para seis a oito anos graças ao aparecimento de novas tecnologias.

Artigo editado por Filipa Silva