quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Agricultores estão preocupados com a falta de chuva

Segundo o IPMA, mais de metade do país está classificado como "seca fraca"


Confederação dos Agricultores de Portugal
A falta de chuva que se registou no inverno deste ano está a preocupar a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). Os agricultores recordam que por esta altura no ano passado enfrentavam uma situação de "seca extrema" e pedem ao governo que crie um grupo de trabalho para estudar as alterações climáticas.

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente pela CAP, voltou a apelar à criação de um grupo de trabalho "permanente e multidisciplinar" recordando que "no ano passado, por esta altura, estávamos autenticamente com a corda na garganta, com o país todo em seca extrema".

Foi precisamente por essa razão que a CAP fez o pedido de criação de um grupo de trabalho no ano passado. "Na altura, a CAP dizia que precisamos de ter um grupo de trabalho permanente, não é depois de chover dissolver o grupo de trabalho. Precisamos de ter um grupo de trabalho permanente e multidisciplinar que vá percebendo o que é este fenómeno das alterações climáticas e como é que nós aprendemos a viver e a combater os fenómenos que estão ligados às alterações climáticas", disse o presidente aos jornalistas.

Oliveira e Sousa reconheceu que o grupo chegou a ser constituído e que realizou "algum trabalho" durante a seca de 2018, tendo depois disso sido dissolvido. "É fundamental que o Governo se capacite que as alterações climáticas na região interior do país, onde a agricultura é uma atividade importante, têm relevância e impacto na economia e na estabilidade das pessoas. Isso tem de ser feito com base numa equipa que esteja permanentemente a olhar para estes problemas", acrescentou.

Desde o final de 2018 que Portugal está em seca meteorológica fraca na região a sul do Tejo, causada pelos baixos níveis de precipitação registados durante o mês de dezembro. Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o último mês do ano foi considerado quente e muito seco.

Segundo o índice meteorológico de seca (PDSI), a 31 de dezembro 53,3% do território português estava classificado como "seca fraca", 13,7% como "normal" e 33% como "chuva fraca". As classificações atribuídas pelo IPMA têm nove classes e variam entre "chuva extrema" e "seca extrema".

Moçambique. Banco Africano de Desenvolvimento apoia projetos de agricultura


21/1/2019, 12:43

BAD diz que o projeto "concentra-se na construção de infraestruturas hidráulicas para regular o escoamento de água e controlar inundações" e as ações já "beneficiaram 240 mil pessoas".

"Há novas culturas, como o arroz, outrora impensável em áreas semiáridas", afirma BAD
JON HRUSA/EPA

O Governo moçambicano canalizou, na última década, o equivalente a cerca de 105 milhões de euros do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) para projetos de agricultura e desenvolvimento rural, anunciou esta segunda-feira a instituição financeira.

As ações "beneficiaram 240 mil pessoas e resultaram num aumento de produção, terras enriquecidas e novas oportunidades económicas", refere o BAD em comunicado.

O BAD aponta como exemplo o Projeto de Gestão de Recursos Hídricos e de Terra Sustentável (SLWRMP) no distrito de Massangena, província de Gaza, sul do país.

"O projeto concentra-se na construção de infraestruturas hidráulicas para regular o escoamento de água e controlar inundações", resolvendo uma crise de abastecimento e permitindo aos agricultores diversificar o seu cultivo.

"Há novas culturas, como o arroz, outrora impensável em áreas semiáridas", conclui o BAD.

Para este e o próximo ano, o Banco estima uma expansão do PIB de Moçambique em 3,5% e 5%, "impulsionada pela agricultura, que continua a recuperar da seca de 2015-2016, e pelas indústrias extrativas, com as exportações de carvão a continuarem a expandir-se".

CAP avisa que bactéria ‘Xylella fastidiosa’ pode ser “problema muito grave” para a agricultura


21 jan 2019 14:20

A 'Xylella fastidiosa' "é perigosa, porque ataca um conjunto vastíssimo de culturas agrícolas permanentes muito importantes", como "oliveiras, videiras, amendoeiras e até o próprio sobreiro", disse à agência Lusa Eduardo Oliveira e Sousa, em Beja, após uma reunião do Conselho Consultivo do Baixo Alentejo e Algarve da CAP.

"Se não houver uma particular atenção no sentido de tentarmos conter o espalhar da bactéria, ela pode transformar-se num problema muito grave e, por isso, há que alertar as pessoas para a gravidade do assunto", afirmou, defendendo que "é fundamental que os agricultores assumam uma postura de completa transparência".

Ou seja, sublinhou, "é necessário que os agricultores, na desconfiança de qualquer sintoma que possa porventura estar relacionado com a bactéria 'Xylella fastidiosa', imediatamente lancem o alerta às entidades competentes", nomeadamente as respetivas associações de agricultores e direções regionais de Agricultura ou a Direção-geral de Alimentação e Veterinária.

"Há um plano que o Governo está a implementar para tentar que a 'Xylella fastidiosa' não se transforme num problema grave no país, mas, para isso, é preciso que todos tenhamos consciência de que ela não pode ser escondida", alertou.

Eduardo Oliveira e Sousa lembrou que o problema da 'Xylella fastidiosa' "agravou-se em Itália, porque os agricultores que a descobriram nas suas oliveiras a tentaram esconder".

"Em vez de irem imediatamente dizer que tinham o problema, tentaram passar despercebidos e isso deu origem a um espalhar da bactéria, que depois se tornou incontrolável", disse.

Em Portugal, a bactéria foi descoberta numa planta ornamental, a lavanda, que "já tinha vários anos", estava num canteiro e "foi imediatamente destruída, queimada", contou.

"Será esse o processo que virá a acontecer noutras situações que possam ocorrer, mas é preferível isso acontecer [de forma] pontual, localizada, do que corremos o risco de a 'Xylella fastidiosa' se alastrar", alertou.

Portugal informou oficialmente a Comissão Europeia da presença da bactéria em 41 plantas de lavanda no jardim do Zoo de Santo Inácio, no concelho de Vila Nova de Gaia, no distrito do Porto, segundo disse à Lusa na sexta-feira fonte comunitária.

Já um ofício do Ministério da Agricultura, ao qual a Lusa teve acesso, refere que a presença da bactéria foi confirmada no dia 3 deste mês "numa sebe ornamental de Lavandula dentata" no jardim do zoo.

A bactéria foi detetada "num único canteiro" e o Ministério da Agricultura tirou amostras e "a planta foi destruída quando acusou positivo e imediatamente após a comunicação do ministério", disse na sexta-feira à Lusa fonte do zoo.

O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, assegurou, no mesmo dia, que o Governo tem um plano de contingência para fazer face à bactéria 'Xylella fastidiosa' e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas.

Desde 2015, têm sido detetadas diferentes subespécies da bactéria 'Xylella fastidiosa' em França, Espanha e Itália em espécies ornamentais e também agrícolas.

Incêndios: Diplomas sobre defesa da floresta entram em vigor na terça-feira


Os diplomas que alteram o regime dos planos de ordenamento florestal, o regime de ações de arborização e rearborização de espécies florestais, e as normas de produção e comercialização de materiais florestais foram hoje publicados em Diário da República.

Lusa
21 Janeiro 2019 — 14:38

No quadro da defesa da floresta e valorização do território, estes três decretos-lei do Governo, aprovados em Conselho de Ministros, em 06 de dezembro, e promulgados, depois, pelo Presidente da República, vão entrar em vigor na terça-feira para "complementar as medidas em vigor no domínio do ordenamento florestal".

O diploma que "altera o regime jurídico dos planos de ordenamento, de gestão e de intervenção de âmbito florestal" visa clarificar o regime de vinculação dos Programas Regionais de Ordenamento Florestal (PROF), em conformidade com o disposto na Lei de Bases Gerais da Política Pública de Solos, de Ordenamento do Território e de Urbanismo.

Neste âmbito, o decreto-lei do Governo esclarece "como se opera a revogação dos PROF, atualmente em vigor, em função da degradação da respetiva forma jurídica", com uma norma revogatória que determina a anulação de 21 PROF.

Na definição de PROF, o diploma acrescenta que, além de todas as entidades públicas, "os PROF vinculam ainda, direta e imediatamente, os particulares relativamente: à elaboração dos planos de gestão florestal; às normas de intervenção nos espaços florestais; e aos limites de área a ocupar por eucalipto", excluindo as normas com incidência territorial urbanística.

Relativamente à norma transitória, o decreto-lei determina que "os PROF atualmente em vigor mantêm a sua vigência até à aprovação dos novos PROF que os venham substituir", alterando assim a anterior redação que referia que "os PROF atualmente em vigor mantêm a sua vigência até ao final do prazo neles previsto".

Outro dos decretos-lei publicados hoje em Diário da República é o que "altera o regime jurídico a que estão sujeitas, no território continental, as ações de arborização e rearborização com recurso a espécies florestais".

"Considerando a experiência já existente com a aplicação deste regime jurídico, verifica-se a necessidade de reforçar o seu caráter dissuasor no que respeita à prossecução de ações ilegais de arborização ou rearborização, clarificando igualmente as responsabilidades do agente executante da ação, independentemente do seu título", sustentou o Executivo, prevendo, ainda, a possibilidade do arranque e remoção de plantas que não cumpram as exigências agora estabelecidas.

Sobre arborizações e rearborizações com espécies do género 'eucalyptus', o diploma indica que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) tem que fazer uma gestão nacional da área global destas espécies florestais, "de forma a aproximar-se progressivamente dos valores fixados na versão atual da Estratégia Nacional para as Florestas".

Para a defesa da floresta e valorização do território foi, também, publicado o decreto-lei do Governo que "altera as normas gerais aplicáveis à produção e comercialização de materiais florestais de reprodução utilizados para fins florestais".

"Pretende-se igualmente contribuir para a redução das rearborizações e arborizações ilegais, aumentando o nível de exigência para a comercialização de plantas ao utilizador final através da necessidade de ser verificado o cumprimento da regulamentação nacional relativa ao regime jurídico das ações de arborização e rearborização", lê-se no diploma.

Na perspetiva de agilizar processos e facilitar o controlo da aplicação da legislação, o executivo defendeu que é necessário "desmaterializar os procedimentos inerentes, nomeadamente o licenciamento de fornecedor de material florestal de reprodução, a submissão de materiais de base ao Catálogo Nacional de Materiais de Base, e a emissão dos certificados principal e de qualidade externa, com recurso a uma plataforma eletrónica específica a ser criada".

Publicados hoje em Diário da República, estes três decretos-lei do Governo entram "em vigor no dia seguinte ao da sua publicação", ou seja, na terça-feira.

CAP diz ser "urgente" construção da Barragem do Pisão no Alto Alentejo


22 jan 2019 15:23

"É urgente andar para a frente com a Barragem do Pisão. Creio que já está pelo próprio Ministério do Ambiente aceite que será um investimento prioritário para os próximos tempos, mas queremos mais", declarou o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, em declarações aos jornalistas, em Portalegre.

Falando após uma reunião do Conselho Consultivo do Alto Alentejo da CAP, o responsável defendeu que a "vontade" do Governo em relação aos investimentos associados à criação de reservas estratégias de água tem também de ser "prolongada" a outras regiões do país.

"Se queremos trazer pessoas para o interior, temos de lhes proporcionar condições para desenvolver a economia. Não é a paisagem simplesmente que vai atrair pessoas", afirmou.

Eduardo Oliveira e Sousa alertou que, caso não seja feita uma "aposta séria" na construção de barragens no interior, em particular a do Pisão, "não há alternativa" à "fraca" economia que está presente nesses territórios.

"Numa região com esta [Portalegre], em que a indústria é escassa e a economia está fortemente afetada pelas consequências das alterações climáticas, se não houver uma aposta séria em barragens não há alternativa à fraca economia que está presente no território", disse.

Como consequência, alertou, há "maior desertificação, mais abandono e atrás veem outros problemas, como sejam os fogos florestais e uma maior libertação de carbono para a atmosfera".

Por isso, o presidente da CAP insistiu que a construção da Barragem do Pisão poderia ser uma "lufada de ar fresco" e uma "alternativa" ao desenvolvimento do Alto Alentejo.

O projeto hidroagrícola de fins múltiplos, que prevê à submersão da pequena aldeia do Pisão, com 60 habitantes, foi recentemente alvo de um estudo da Associação de Produtores Agrícolas de Precisão e que foi apresentado ao Governo.

Segundo o estudo, a que a Lusa teve acesso, a obra deverá ter um custo total de 100 milhões de euros, cinco milhões dos quais para o projeto de execução e 10 milhões para o realojamento dos habitantes da aldeia de Pisão.

O estudo prevê ainda 35 milhões de euros para a construção da barragem e 50 milhões para a rede de rega.

Já a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) prevê que a barragem possa ter uma capacidade para 114 milhões de metros cúbicos de água, podendo, além de reforçar a Barragem de Póvoa e Meadas, garantir o subsistema do Caia, que abastece os concelhos de Arronches, Elvas, Campo Maior e Monforte.

Os 9.500 hectares de regadio serviriam os campos agrícolas dos concelhos de Alter do Chão, Avis, Crato e Fronteira, podendo, neste setor, serem criados "500 postos de trabalho" diretos, segundo os autarcas.

A Barragem do Pisão já foi anunciada por três primeiros-ministros, Mário Soares, António Guterres e Durão Barroso, mas continua por construir, sendo considerada por diferentes entidades da região como um projeto "estruturante" para o desenvolvimento do distrito de Portalegre.

Laranjas importadas da África do Sul têm mais de 50 substâncias proibidas pela UE. Mas estão à venda em Portugal


22/1/2019

Principal fornecedor de hortícolas de fora da União Europeia, a África do Sul exporta mais de 600 milhões de euros em citrinos, que estão nos supermercados nacionais. Estudo pede suspensão das vendas.

As laranjas da África do Sul têm mais de 50 substâncias ativas de produtos fitofarmacêuticos proibidos na União Europeia, de acordo com um estudo feito por uma instituição espanhola e noticiado esta terça-feira pelo jornal La Vanguardia. O estudo, realizado pela Unió de Llauradors — organização que reúne agricultores da Comunidade Valenciana —, identificou nas laranjas importadas daquele país substância ativas de mais de 50 produtos utilizados para eliminar pragas e doenças nas plantas, como inseticidas.

As normas da União Europeia mandam que os produtos utilizados nas plantas sejam comprovadamente seguros para a saúde humana, havendo dezenas de substâncias ativas consideradas inseguras e por isso proibidas.


Um dos produtos encontrados foi o paraquat, herbicida que afeta os intestinos, os rins e o coração. Também foram descobertos vestígios de azinfos-metilo, uma substância proibida pela União Europeia por ser um inseticida tóxico para os animais, como explica o jornal catalão.

A organização agrária que realizou o estudo apela a que seja suspensa a venda das laranjas importadas da África do Sul, por colocarem em risco a segurança alimentar e representarem "um possível risco para os consumidores".


De acordo com o Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agro-Alimentares, a África do Sul é o principal fornecedor extracomunitário de frutas e hortícolas frescas da União Europeia, tendo essas importações representado em 2016 1,63 milhões de euros.

"As frutas representaram 99 por cento do valor da importação da União Europeia procedente de África do Sul", segundo explica o mesmo organismo, acrescentando que os citrinos lideram essa lista de produtos, representando 601 milhões de euros.

De acordo com a base de dados europeia de relações económicas, em 2017 Portugal importou da África do Sul 66,3 mil toneladas de laranjas, o que representa um gasto de 51,5 milhões de euros.

Em Portugal, uma pesquisa pelas páginas dos principais hipermercados mostra que as laranjas com origem na África do Sul são vendidas na maioria das superfícies do país.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Vale do Sado quer água do Alqueva para arroz e outras culturas

Resposta às alterações climáticas exige plano do Ministério do Ambiente, mas grupo de trabalho está quase há um ano para sair do papel.

A produção de arroz no Vale do Sado, a segunda região do país nesta cultura, está em risco a prazo, por causa das alterações climáticas, se a água do Alqueva não chegar em quantidade suficiente e a preços que os produtores possam pagar.

Os períodos de seca são cada vez mais frequentes — nos últimos cinco anos, três foram de seca — e atingem a bacia do Sado de forma particularmente dura, com as reservas hidrográficas mais baixas do território nacional.

O ano de 2017 foi de seca extrema e este ano começa com números preocupantes. Não tem chovido e a reserva de água nas seis albufeiras da região atingia em 31 de Dezembro apenas 37% da capacidade, repartindo-se por Pego do Altar (que está a 54%), Vale de Gaio (48%), Odivelas (45%), Campilhas (10%), Monte da Rocha (11%) e Roxo (38%).

A evolução da situação e a falta de resposta por parte do Governo, está a deixar cada vez mais preocupados os produtores e as organizações ligadas à rega e à agricultura na região.

A criação do maior lago artificial da Europa, a Barragem do Alqueva, pode ter impacto no clima da zona do Vale do Sado mesmo até Setúbal.

A hipótese é levantada por Gonçalo Faria, da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Tejo.

"É notório que há alteração climática em toda esta região e era importante um estudo sobre esse impacto", diz Gonçalo Faria ao PÚBLICO. "No inverno temos temperaturas mais baixas em Alcácer do Sal, inferiores ao Torrão ou a Alcáçovas, registamos menos pluviosidade, no Verão há temperaturas mais quentes", acrescenta o responsável que defende a necessidade de um estudo da Universidade de Évora e ou do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

A Associação de Agricultores de Alcácer do Sal, a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Sado e a Aparroz — Agrupamento de Produtores de Arroz do Vale do Sado, com a colaboração da Câmara de Alcácer, tem vindo a alertar o ministro do Ambiente para a necessidade de um plano mas sem sucesso prático.

O grupo de trabalho prometido pelo ministro João Pedro Matos Fernandes em Abril do ano passado ainda não saiu do papel e a demora levou já o autarca Vítor Proença a criticar a "passividade" do ministro.

As dez albufeiras da bacia do Sado apresentam reservas de água inferiores a 40%
"A questão é séria e muito grave e é uma falta de respeito não haver qualquer reunião passado quase um ano", disse Vítor Proença ao PÚBLICO, na quinta-feira, depois de na reunião pública de câmara ter informado que dias antes enviou uma carta ao ministro porque, o município "tentou várias vezes contactar a APA [Agência Portuguesa do Ambiente], sem nunca obter qualquer resposta".

Após esta insistência do autarca junto do Ministério do Ambiente, os produtores e a autarquia receberam, no mesmo dia, à tarde, um email da APA para agendamento do encontro em falta há quase um ano.

"Água a preços exorbitantes"
O perímetro de rega de Vale do Sado, com quase seis mil hectares agrícolas, tem duas albufeiras principais, e cuja capacidade está quase exclusivamente dedicada à rega do arroz e, apesar de uma das barragens, a de Vale de Guizo, já receber água do Alqueva, o problema da seca no futuro não está resolvido.

Barragens: 17 estão a menos de 40% da capacidade. Sado é caso mais preocupante
Barragens: 17 estão a menos de 40% da capacidade. Sado é caso mais preocupante
Primeiro pelo volume de abastecimento que é insuficiente, com um caudal muito diminuto e depois porque o valor cobrado pela EDIA — Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, é muito elevado.

"O que chega do Alqueva a Vale de Gaio é um fiozinho de água e a um preço exorbitante", diz ao PÚBLICO João Reis Mendes, da Aparroz. Segundo este responsável, o custo da água do Alqueva é de "pelo menos três vezes mais do que o que temos nas outras duas albufeiras".

Um custo que a Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Tejo tem de repercutir no valor cobrado aos produtores, mas que o sector não pode pagar.

"Não basta a solução técnica de a água chegar às albufeiras, está em causa também o preço. O Arroz consome muita água e não tem rentabilidade para pagar o preço que outras culturas pagam, no Alentejo", explica Gonçalo Faria da associação que gere o sistema de rega à agricultura.

O preço da água é uma decisão "claramente política", de tal forma que a fixação do tarifário da EDIA envolve os ministros da Agricultura, Ambiente e Finanças, e este responsável diz que a solução poderia passar por um regime especial para os campos de arroz.

"Talvez uma bonificação para o arroz, à imagem da redução de 90% na taxa de recursos hídricos, porque o arroz não consome toda a água que é necessária", sugere Gonçalo Faria, argumentando com a função ambiental desta cultura. "A cultura de arroz impede o avanço do mar. Naquela zona da Comporta, se não houvesse campos de arroz, o mar ia avançando pelos campos agrícolas", sustenta.

A associação de regantes está a preparar o arranque, provavelmente em Julho, de importantes obras de reparação dos canais de rega, que tem mais de 70 anos, num investimento superior a 40 milhões de euros. A reabilitação da rede deverá estar concluída em 2020 mas de pouco servirá se a água faltar nas albufeiras de Pego do altar e Vale de Gaio, que abastecem o sistema.

A Associação de Agricultores de Alcácer do Sal, que, após a seca extrema de 2017, liderou a mobilização dos demais interessados na procura de soluções para a rega no Vale do Sado, queixa-se de discriminação no acesso à água.

"O concelho de Alcácer do Sal está a ser altamente desfavorecido relativamente ao uso da água do Alqueva que nos chega através da barragem de Vale de Gaio. A conduta é diminuta, leva dez ou 11 meses a encher e, depois, se chove, temos de a jogar fora, de deitar a água ao Sado", afirma Francisco Vacas. Um desperdício que os regantes acabam por ter de pagar porque o abastecimento a partir do Alqueva tem custos.

"A EDIA neste momento a única coisa que quer é vender água, assim o custo para a agricultura é completamente insuportável e inviabiliza a cultura do arroz", diz Francisco Vacas.

Os agricultores solicitam um aumento da conduta, a ligação do Alqueva também ao Pego do Altar e a revisão dos preços cobrados pela EDIA.

No panorama nacional de produção de arroz, o Vale Sado, representa cerca de 32%, o Ribatejo um pouco mais 46%, e o Mondego os restantes 21%.

Aparecimento de mais plantas com bactéria Xylella fastidiosa aumenta área infectada


Insecto vector alargou a área contaminada afectando apenas plantas ornamentais, mas os receios da sua propagação a culturas de grande impacto económico aumentam.

Carlos Dias 19 de Janeiro de 2019, 19:42 Partilhar notícia

Durante a realização de uma nova prospecção efectuada pelos serviços da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte (DRAPN) no jardim do Zoo de Santo Inácio, em Vila Nova de Gaia – onde foi detectada no dia 3 de Janeiro, a bactéria Xylella fastidiosa – foram identificadas mais plantas infectadas.

A informação foi prestada, através de comunicado, pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) com a indicação de ter sido determinada "uma nova demarcação da zona infectada".

As caras que o plástico da costa açoriana tem
Recorde-se que o Zoo de Santo Inácio, esclareceu, no início do ano, quando foram feitas análises às plantas do jardim da instituição, que a bactéria fora detectada "numa sebe ornamental de Lavandula dentata" e a única planta contaminada foi, de imediato, destruída.  

A DGAV refere que "de acordo com o previsto no Plano de Contingência em curso", a prospecção que está a ser efectuada pela DRAPN na zona infectada (100 metros em redor das plantas contaminadas) para determinação da extensão do foco, permitiu confirmar a "presença da bactéria noutras plantas de Lavandula dentata, plantadas no mesmo jardim." 

A subespécie da bactéria "foi entretanto identificada", refere a DGAV. Trata-se da X. fastidiosa subsp. Multiplex e está associada a 58 espécies/géneros de plantas, entre eles, a amendoeira, a cerejeira, a ameixeira, a oliveira, o sobreiro, a figueira e muitas plantas ornamentais e da flora espontânea.

Na sexta-feira, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, garantiu, durante a visita que efectuou à Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda que o Governo "tem um plano de contingência para fazer face à bactéria Xylella fastidiosa e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas".

Este plano de contingência, acrescentou o ministro, faz com que haja "prospecções simultâneas por todo o território" nacional e "foi isso que permitiu detectar a presença da bactéria, pela primeira vez, numa planta que não é uma planta que tenha utilização económica".

Face aos prejuízos "potencialmente" causados pela Xylella fastidiosa num vastíssimo leque de plantas hospedeiras, a DGAV lembra que a bactéria pode destruir "culturas de grande importância económica para o nosso país". E apela "a todos, particulares ou profissionais, a colaborarem com os esforços oficiais que estão a ser feitos no sentido da erradicação do foco agora detectado", advertindo para a necessidade do "escrupuloso cumprimento das restrições ao movimento de plantas susceptíveis à doença."   

Bruxelas propõe aos EUA a eliminação de tarifas sobre produtos industriais


Jornal Económico com Lusa 18 Janeiro 2019, 18:54

Em conferência de imprensa na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, a comissária da área do Comércio, Cecilia Malmström, salientou que a proposta hoje divulgada, e que vem no seguimento das negociações com os Estados Unidos iniciadas em julho passado, é "limitada, mas ainda assim importante, e será boa para ambos".

A Comissão Europeia divulgou hoje que vai propor aos Estados Unidos, no âmbito da negociação sobre comércio, a eliminação das tarifas sobre produtos industriais, bem como a facilitação das trocas comerciais, classificando a proposta como "boa para ambos".

Em conferência de imprensa na sede da Comissão Europeia, em Bruxelas, a comissária da área do Comércio, Cecilia Malmström, salientou que a proposta hoje divulgada, e que vem no seguimento das negociações com os Estados Unidos iniciadas em julho passado, é "limitada, mas ainda assim importante, e será boa para ambos".

"Demos este passo hoje para mostrar que estamos preparados para negociar", acrescentou a responsável.

Em causa está o anteprojeto que Bruxelas apresentará a Washington, ainda prazo previsto, e que se foca na eliminação das tarifas aplicadas aos produtos industriais, excluindo a área agrícola, bem como na redução das barreiras, no que toca ao cumprimento de requisitos técnicos, para trocas comerciais entre os dois continentes.

Cecilia Malmström notou que a eliminação das tarifas pode abranger "todos os setores" dentro do industrial, dependendo da resposta dos Estados Unidos, como "o das pescas e o dos veículos", sendo que, neste último, "produtos como [carrinhas] 'pick-up'" poderão ser abrangidos se houver "sensibilidade para tal".

Para a comissária, "eliminar estas tarifas terá impactos positivos nos consumidores e nas empresas, particularmente as mais pequenas, mais afetadas por custos com burocracia".

No final de julho do ano passado, reunidos em Washington, os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgaram uma série de medidas na agricultura, indústria e energia, para apaziguar o seu conflito comercial, mas os respetivos anúncios foram globalmente vagos.

A primeira área, da agricultura, não está para já abrangida porque além de não fazer parte da industrial, assim como noutras, "será difícil chegar a acordo", assinalou Cecilia Malmström.

"É claro que há divergências, mas apresentamos estas propostas, como previsto, para mostrar que a curto prazo podemos avançar [nas negociações] e isso é benéfico para todos", adiantou a comissária europeia.

E vincou: "Queremos evitar uma escalada nas tensões comerciais".

Aquando da reunião, em julho passado, Donald Trump destacou a vontade comum de avançar, a prazo, para "zero tarifas alfandegárias" nas suas trocas industriais, com exceção do setor automóvel.

O titular da Casa Branca prometeu "resolver" a questão das tarifas alfandegárias norte-americanas aplicadas sobre o aço (25%) e o alumínio (10%) de proveniência europeia, taxas essas aplicadas desde 01 de junho do ano passado e que deterioraram as relações comerciais entre Washington e Bruxelas.

Falando na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, também hoje em Bruxelas, o porta-voz da área do Comércio, Daniel Rosário, disse que, relativamente à eliminação das tarifas sobre produtos industriais, "os dois lados estão a dar passos para iniciar as negociações", sendo que só aí serão acordados os artigos abrangidos.

Já quanto à outra parte da proposta, a da "cooperação regulatória", o responsável explicou que "a ideia é tornar mais fácil para as companhias que os produtos cumpram requisitos técnicos em ambos os continentes", em áreas como a dos medicamentos e da cibersegurança.

Questionado quanto a prazos, Daniel Rosário escusou-se a apontar uma data, indicando que agora "está do lado do Conselho da União Europeia", que terá de dar aval à proposta.

Portugal tem plano de contingência para bactéria 'Xylella fastidiosa'


Ministro da Agricultura, Capoulas Santos, afirmou que é necessário estar atento aos sintomas da bactéria nas plantas

2019-01-19 00:09 / JFP

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, assegurou hoje que o Governo tem um plano de contingência para fazer face à bactéria 'Xylella fastidiosa' e que é necessário estar atento aos seus sintomas nas plantas.

Temos um plano de contingência. Estamos a fazer prospeções simultâneas por todo o território e foi isso que nos permitiu detetar pela primeira vez numa planta que não é uma planta que tenha utilização económica", disse hoje o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural aos jornalistas, à margem de uma visita à Adega Cooperativa de Figueira de Castelo Rodrigo, no distrito da Guarda, onde acompanhou o primeiro-ministro António Costa.

Portugal informou oficialmente a Comissão Europeia da presença da bactéria 'Xylella fastidiosa' em plantas de lavanda no jardim de um 'zoo' em Vila Nova de Gaia, Porto, disse hoje à agência Lusa fonte comunitária.

A presença da bactéria, que ataca espécies como oliveiras e amendoeiras e para a qual não há cura, foi detetada "em 41 plantas de lavanda num jardim de um 'zoo' - ou seja, não numa zona agrícola - em Vila Nova de Gaia".

O ministro da Agricultura referiu que após a deteção da bactéria foram aplicadas as medidas corretivas, como "o imediato isolamento do local e a destruição de todas as plantas infetadas".

Temos de estar atentos aos sinais. Os sintomas são conhecidos. A Direção Geral de Alimentação e Veterinária tem vindo a divulgá-los junto dos produtores. Naturalmente que a preocupação é muito grande, mas se estivermos todos atentos e atuarmos prontamente temos de coexistir com este problema, como coexistem os outros países que estão com ele confrontados".

Assegurou que o Governo estará à altura de controlar a bactéria 'Xylella fastidiosa' que "se teme muito que possa vir a afetar, sobretudo, os olivais".


A planta onde foi detetada a presença da bactéria 'Xylella fastidiosa' foi "destruída imediatamente depois de comunicação" da tutela, indicou hoje à Lusa fonte do Zoo de Santo Inácio, concelho de Vila Nova de Gaia.

Fonte deste equipamento confirmou que "no início do ano foram feitas análises às plantas" e que "a bactéria citada foi detetada num único canteiro".

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural disse que no país "não há mais casos conhecidos".

Desde 2015, têm sido detetadas diferentes subespécies da bactéria ?Xylella fastidiosa' em França, Espanha e Itália em espécies ornamentais e também agrícolas.

A subespécie multíplex está associada a 58 espécies/géneros de plantas, entre eles, a amendoeira, a cerejeira, a ameixeira, a oliveira, o sobreiro, a figueira e muitas plantas ornamentais e da flora espontânea.

Brexit: Confederação dos Agricultores de Portugal revela preocupação


18 jan 2019 14:33

"Estamos preocupados, porque não é de todo desejável que o 'Brexit' seja um processo litigioso. A agricultura tem uma forte componente exportadora hoje em dia e o Reino Unido é um dos principais mercados para o qual nos exportamos", afirmou Eduardo Oliveira e Sousa.

O presidente da CAP, que falava aos jornalistas em Castelo Branco, onde esteve reunido com agricultores e associações do setor, explica que há produtos que poderão não sofrer um grande impacto com um 'Brexit' menos feliz, como os vinhos.

"Mas, para os produtos frescos, se não houver uma espécie de via verde, se o Reino Unido se transformar num país terceiro, daqueles em que é preciso parar na fronteira, fazer uma inspeção sanitária, esperar pelo veterinário, tudo vai ser impossível e isso é um enorme problema", sustenta.

Eduardo Oliveira e Sousa diz que, quer a União Europeia, quer o Reino Unido, estão conscientes deste problema, mas adianta que não se sabe o que é que vai acontecer.

O Reino Unido planeia retirar-se da UE a 29 de março, embora ainda não esteja claro em que termos, após o Parlamento britânico ter rejeitado o acordo negociado entre o Governo de Theresa May e o bloco europeu.

Agricultores defendem que é preciso olhar para a questão da água de uma forma estratégica

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) defendeu também hoje que é preciso olhar para a questão da água de uma forma estratégica, de forma a fomentar o desenvolvimento e manutenção da atividade agrícola.

"Para colmatar e minimizar os efeitos negativos dessas alterações climáticas, a única certeza que temos neste momento é que precisamos de ter maior capacidade de retenção e de aproveitamento das águas. A única maneira que temos de poder manter a atividade agrícola nas regiões onde a chuva vai ser mais irregular é termos água armazenada para podermos regar culturas que até agora não eram regadas", explicou Eduardo Oliveira e Sousa.

Este responsável, que falava aos jornalistas em Castelo Branco, onde esteve reunido com agricultores e associações do setor, disse que culturas que eram tradicionais, como o olival ou o amendoal, atualmente, sobretudo nos novos projetos, é impensável fazê-los se não estiver associada água disponível.

"Isso obriga o Estado a ter que pensar em mais barragens, não obrigatoriamente gigantes. Mas, se não houver rega, não é possível pensar que as pessoas se vêm fixar" no interior, frisou.

O presidente da CAP sublinhou que "há um défice em termos de visão", mas adiantou que o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, também entende a situação da mesma forma que a CAP.

"Mas, ainda não conseguiu fazer valer este ponto de vista nos grandes objetivos do Governo, por exemplo, em termos de investimentos. Se for a ver o Programa Nacional de Investimentos 2030, onde estão os investimentos na rodovia, hospitais, entre outros, não está lá nada em termos de barragens para assegurar o desenvolvimento da atividade agrícola. Há, na nossa opinião necessidade de olhar para a questão da água de uma forma estratégica para o desenvolvimento e para a manutenção e da atividade agrícola", concluiu.

Estatuto de Jovem Empresário Rural prevê benefícios fiscais


Diploma que tinha suscitado dúvidas ao Presidente da República foi publicado nesta sexta-feira.

Lusa 18 de Janeiro de 2019, 12:59 Partilhar notícia

O estatuto de Jovem Empresário Rural (JER) prevê uma série de apoios e medidas "de carácter facilitador", incluindo um regime de benefícios fiscais, segundo um diploma publicado nesta sexta-feira em Diário da República.

De acordo com o documento, "a atribuição do título de reconhecimento de JER permite o acesso a medidas de discriminação positiva, medidas de carácter facilitador e outras iniciativas específicas, disponibilizadas pelos vários instrumentos de política de apoio", com acesso a benefícios fiscais, que não foram detalhados.

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Além disso, os jovens que conseguirem ter acesso a este estatuto contarão "com a abertura de concursos e/ou de apoios específicos", com uma "majoração na atribuição de apoios", a criação de "dotações financeiras específicas" na área do desenvolvimento territorial, destinadas ao apoio ao investimento dos JER, e com a "criação de linhas de crédito específicas".

O estatuto prevê ainda "a priorização na selecção e na consequente hierarquização de candidaturas para os JER em geral e, em particular, para os JER pertencentes a agregados familiares com actividade em exploração agrícola familiar cujo responsável detenha o Estatuto de Agricultura Familiar".

O diploma estabelece também outras medidas facilitadoras, incluindo a acesso a entidades e estruturas existentes como "as iniciativas existentes de redes de estímulo e apoio ao empreendedorismo e capacitação de iniciativas empresariais e concretização de novas empresas; as estruturas de suporte ao empreendedorismo, nomeadamente os centros de incubação e aceleração de empresas, e iniciativas de mentoria para apoio a ideias inovadoras; o acesso prioritário a formação profissional específica e a consultoria técnica; o apoio, monitorização e avaliação da presença do JER nas actividades da Rede Rural Nacional e da Rede das Dinâmicas Regionais".

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No caso das pessoas colectivas, os JER devem enquadrar-se como micro ou pequena empresa, sendo que a maioria do capital social ou direitos de voto têm que estar na posse de alguém que cumpra os requisitos etários definidos.

Este último ponto causou dúvidas ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que, mesmo assim, promulgou o estatuto. Em Dezembro, o Presidente referiu, no entanto, que tinha "dúvidas sobre a amplitude do conceito" de JER "que vai até aos 40 anos de idade e engloba pessoas colectivas, que podem ter no seu capital entidades muito diversas das que cabem no conceito – ainda que minoritárias".

Nem toda a agricultura familiar é segura. Estudo alerta para presença de pesticidas


18 DE JANEIRO DE 2019 - 09:37
Pesticidas ameaçam produção. Passagem para o modo biológico ajuda na saúde e aumenta rendimentos

São mais de 200 mil os agricultores familiares existentes em Portugal, homens e mulheres que produzem em propriedades de pequena dimensão e que se socorrem dos mais próximos nas colheitas. Estes profissionais, que normalmente estão fora dos radares da investigação, estão agora a ser alvo de um estudo do Instituto Politécnico de Viseu, no âmbito do projeto "Pontes entre agricultura familiar e agricultura biológica".

Segundo a coordenadora da investigação, Cristina Amaro da Costa, os agricultores familiares representam 90% do setor agrícola no nosso país, assegurando quase metade do que os portugueses comem - no entanto, nem todos os produtos que vendem têm qualidade ao contrário do que muita gente pensa.

"Temos a sensação que estes agricultores produzem tradicionalmente, como os nossos avós, que os alimentos são de qualidade, mas nem sempre o são, porque eles têm algumas práticas de grande risco, nomeadamente o uso de pesticidas", alerta.

O estudo, que inquiriu perto de 300 agricultores do Norte e Centro do país, não aprofundou muito o tema, mas constatou que há provas "evidentes que quem contacta muito com estes produtos (pesticidas) têm mais problemas de saúde", ao nível dos olhos, pele e doenças respiratórias.

O jornalista José Ricardo Ferreira ouviu a coordenadora do estudo do Instituto Politécnico de Viseu sobre agricultura familiar
A investigação está na reta final. Depois de concluída, alguns dos resultados vão ser encaminhados ao Governo.

"As recomendações passarão seguramente pela necessidade de capacitação deste agricultores, de apoio técnico, de apoio à comercialização, de formas simplificadas de reconhecimento da qualidade destes produtos e de regulamentação fiscal destes agricultores, sem que a vida lhes seja complicada, porque não estamos a falar de grandes negócios", defende Cristina Amaro da Costa.

Para além destas ajudas do poder central, a também professora na Escola Superior Agrária de Viseu considera que este grupo de agricultores pode melhorar os rendimentos se decidirem converter-se à agricultura biológica.

"É uma técnica bastante inovadora, que usa práticas agrícolas inovadoras, que as pessoas gostam e, se acreditam que o produto é de melhor qualidade, estão dispostas a pagar mais por estes alimentos. Isto está a acontecer no mundo inteiro e em Portugal também", sustenta, acrescentando que "para estes pequenos agricultores [esta transição] pode ser uma mais-valia, porque eles não têm outro tipo de mais-valias, não têm grandes áreas, não têm grande capacidade de investimento e esta pequenina mudança pode dar-lhes maior sustentabilidade e melhor qualidade de vida".

Na opinião da investigadora, a agricultura em modo biológico pode também contribuir para o desenvolvimento dos territórios.

"Agricultura familiar, agricultura biológica e desenvolvimento rural" é o tema de um ciclo de seminários que o projeto "Pontes entre agricultura familiar e agricultura biológica" promove esta sexta-feira na Guarda. As conferências, que prosseguem nos próximos dias 24 e 25 em Viseu e Vairão, vão juntar especialistas de diferentes áreas e setores, mas também agricultores.

sábado, 19 de janeiro de 2019

Maioria das espécies de café está em risco de extinção a


Até 2088, a produção de café poderá diminuir em pelo menos 50%


Dos 124 tipos de café existentes no planeta, 60% está em vias de extinção, revela um estudo publicado na revista Science Advances.Isto significa que, até 2088, a produção de café poderá diminuir em pelo menos 50%.

O estudo, levado a cabo pelo Royal Botanic Gardens de Kew, no Reino Unido, revela que a desflorestação, a propagação de doenças e as alterações climáticas são as principais causas deste problema. Os investigadores defendem que as medidas preventivas implementadas até agora são "inadequadas", pois 28% das espécies de café silvestre crescem fora das áreas protegidas e só 50% estão nos bancos de sementes para preservação.

"Se não fosse pelas espécies selvagens, hoje não teríamos tanto café no mundo para beber. Se olharmos para a história do cultivo de café, nós usamos as espécies silvestres para tornar a recolha do café mais sustentável", disse à BBC, Aaron Davis, um dos responsáveis pelo estudo.

De acordo com a mesma publicação, esta é a primeira vez que o café entra no ranking oficial da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Mas o que é o café silvestre? Será que o usamos no dia-a-dia? A maioria não sabe, mas a verdade é que só consumimos duas espécies de café – Arabica e Robusta – das centenas disponíveis. Tendo em conta o consumo mundial de café, os investigadores acreditam que, a longo prazo, teremos de recorrer às espécies selvagens. A maioria destes tipos de café encontra-se nas florestas remotas de África e na ilha de Madagáscar, mas também pode ser encontrado em climas tropicais como a Índia, o Sri Lanka e a Austrália.

Ministério diz que execução de apoios ao desenvolvimento rural termina em 2023

17 jan 2019 19:33

O Ministério da Agricultura respondeu hoje às críticas da CAP – Confederação de Agricultores de Portugal sobre atrasos na execução do Programa de Desenvolvimento Rural, esclarecendo que o período para utilização dos apoios termina em 2023 e não 2020.
 Ministério diz que execução de apoios ao desenvolvimento rural termina em 2023
Inforpress

"A CAP está a criticar neste momento a execução de um programa cujo encerramento terá lugar apenas em 2023", reage o Ministério de Capoulas Santos em comunicado.

"Contrariamente ao que a CAP afirma, o período para utilizar as verbas do Programa de Desenvolvimento Rural [PDR 2020] termina em 2023 e não em 2020", uma vez que este último é referente ao limite para contratação de projetos, cuja execução poderá estender-se até 2023, acrescenta a tutela.

A resposta surge depois de o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, ter reafirmado hoje, em Vila Flor, Trás-os-Montes, que Portugal poderá ter de devolver dinheiro à União Europeia (UE) por falta de execução das ajudas comunitárias.

Segundo o Ministério da Agricultura, "quem devolveu dinheiro a Bruxelas por não utilização (mais de 20 milhões de euros) foi o anterior governo, situação que mereceu, nessa altura, o elogio da CAP, que se esqueceu de alertar os agricultores para o problema no momento adequado".

O ministério de Capoulas Santos salienta ainda que a taxa de execução do PDR 2020 "apresenta um avanço de oito meses comparativamente a igual período de execução do programa gerido pelo anterior governo".

"Portugal está, neste momento, entre os Estados-membros da União Europeia com melhor nível de execução do Programa de Desenvolvimento Rural, tendo já ultrapassado a fasquia dos 50% de execução (51,3%)", reafirma a tutela.

Segundo avança, estão já "contratados e pagos, ou a pagamento, mais de 29 mil projetos, a que corresponde um apoio público superior a 2 mil milhões de euros para um investimento total que ultrapassa os 3,2 mil milhões de euros".

Depois de "Casados à Primeira Vista", vem aí "Quem Quer Namorar com o Agricultor?"


17 JAN 2019 15:43

"Quem Quer Namorar com o Agricultor?" deverá ser a nova aposta da SIC.
 Depois de 
Depois de "Casados à Primeira Vista" e de "O Carro do Amor", a SIC já está a preparar um novo reality show. O canal de Carnaxide vai apostar em "Quem Quer Namorar com o Agricultor?" (nome provisório), uma versão do programa britânico "The Farmer Wants a Wife".

As inscrições já se encontram abertas. Para já, o programa não tem data de estreia prevista.

No formato, as concorrentes têm de se submeter a provas ligadas com o mundo da agricultura e conquistar o coração de um agricultor. No Reino Unido, "The Farmer Wants a Wife" conta com nove temporadas.

Portugal pode ter de devolver verbas para a agricultura


Em causa a falta de execução. Só executou ainda metade (50%) das verbas disponíveis no chamado segundo pilar da política Agrícola Comum (PAC), destinadas a novos projetos e jovens agricultores

2019-01-17 13:36 / ALM com Lusa

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Eduardo Oliveira e Sousa, alertou hoje que Portugal pode ter de devolver dinheiro à União Europeia por falta de execução das ajudas a projetos agrícolas.

Segundo o dirigente, a dois anos do fim do Quadro Comunitário de Apoio, Portugal só executou ainda metade (50%) das verbas disponíveis no chamado segundo pilar da política Agrícola Comum (PAC), destinadas a novos projetos e jovens agricultores.

O presidente da CAP falava em Trás-os-Montes, numa sessão de esclarecimento com os agricultores, em Vila Flor, em que ressalvou que o setor aproveita "bem as verbas, o problema às vezes está no segundo pilar onde estão os investimentos".

Segundo disse, "há um programa específico, o Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) que tem uma carga administrativa muito grande e está a provocar atrasos no pagamento dessas ajudas aos agricultores, nomeadamente na instalação dos jovens, o pagamento às ajudas aos investimentos, os projetos como lhe chamam".

"Aí há alguma apreensão porque já estamos apenas a dois anos do final e ainda não temos 50% dos valores pagos aos agricultores", vincou.

A Confederação está a pedir aos agricultores que lhes forneçam "informações detalhadas sobre quem tem projetos nessa condição, pediu o pagamento e não veio, pediu a aprovação do seu projeto e não veio", acrescentou Eduardo Oliveira e Sousa.

Queremos saber porquê para podermos montar um dossier para levar ao senhor ministro da Agricultura e de uma forma muito objetiva dizer: nesta região há tantos projetos e os problemas que estão identificados são estes", especificou.


O presidente da CAP sublinhou que "há ministérios distintos" nestes processos de candidaturas "que dificultam" o seu desenvolvimento e deu o exemplo de "um licenciamento para uma situação hidráulica que obriga a um parecer ou a uma autorização do Ministério do Ambiente (que) pode emperrar o processo".

O dirigente alertou que, se Portugal chegar "ao fim do programa e o dinheiro não tiver sido utilizado em prol dos agricultores, é devolvido".

Se nós devolvermos dinheiro a Bruxelas, Bruxelas diz assim; então porque é que querem mais para a próxima, vocês não foram capazes de utilizar aquilo que havia?", enfatizou.

Esta questão, de acordo com o presidente da CAP, pode influenciar o resultado das negociações em curso para as verbas destinadas ao segundo pilar no próximo quadro comunitário.

Há uma redução prevista do orçamento da União Europeia e um aumento da componente que tem de ser assegurada pelo país, o que significa, como explicou, que Portugal tem de duplicar a comparticipação nacional de 730 milhões de euros para o dobro.

Há neste momento uma certa expectativa sobre se o pacote financeiro se mantém ou se não. Estamos em crer que sim, mas mesmo assim vai haver algumas alterações dos valores e é preciso as pessoas começarem a ter ideia do que é que isso significará nas suas explorações", declarou Eduardo Oliveira e Sousa.

Já no primeiro pilar da PAC, relacionado com as ajudas diretas aos produtos e animais, o dinheiro é totalmente da União Europeia e Portugal até vai receber mais, no âmbito da convergência, como indicou.


A ação de hoje em Vila Flor insere-se num conjunto de reuniões anuais que a Confederação realiza com os agricultores por todo o país para dar esclarecimento e receber informações das realidades locais.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Bactéria que destrói oliveiras está em Portugal e não há tratamento


Apesar de Portugal manter desde 2014 um programa nacional de prospecção da bactéria, Xylella fastidiosa surge ano e meio depois de ter aparecido num amendoal na província espanhola de Alicante.

Carlos Dias 17 de Janeiro de 2019, 6:15 Partilhar notícia

No modelo superintensivo de olival, extremamente concentrado, as árvores distam apenas 70 centímetros umas das outras NUNO FERREIRA SANTOS
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A notícia correu célere. A perigosa bactéria Xylella fastidiosa chegou a Portugal, mais precisamente a um viveiro de Vila Nova de Gaia. É temida em toda a Europa desde que foi detectada, pela primeira, na região da Apúlia (Itália), província de Lecce, em 2013, onde afectou uma vasta área de olival. Já rondava Portugal há algum tempo, mas agora chegou, "à boleia" de plantas do género Lavandula, planta ornamental vulgarmente conhecida por "lavanda", mas que não apresentam sintomatologia da doença. Porém, a sua presença em território nacional é o suficiente para deixar muitos produtores assustados.

Maria do Rosário Félix, responsável pelo laboratório de micologia do ICAAM — Instituto de Ciências Agrárias e Ambientais Mediterrânicas da Universidade de Évora, já recebeu a informação que tinha previsto receber, há um ano, quando reconheceu que "há a consciência de que a curto prazo a doença vai chegar a Portugal". Chegou a Vila Nova de Gaia, mas a investigadora não acredita que fique configurada: "A bactéria vai espalhar-se ou até já estará disseminada." Frisa que, quando o insecto vector é infectado pela Xylella, mantém a bactéria, enquanto estiver vivo.


O vento e as correntes de ar farão o resto, arrastando a propagação de "Gaia para Évora ou até mais além" admite a investigadora. E como as plantas infectadas pela bactéria não têm tratamento, nem se pode recorrer aos antibióticos, que não devem ser usados em produtos agrícolas, o caminho passa pela prevenção. As consequências irão reflectir-se nas plantas mediterrânicas — oliveiras, amendoeiras, vinha, citrinos — que se destacam pelo seu grande peso e importância económica. Nos trabalhos de campo que tem realizado, a investigadora do ICAAM diz já ter sido detectado o insecto vector no interior alentejano, sobretudo na raia com Espanha. "Mas não está infectado", vinca Maria do Rosário, admitindo que não é difícil o contágio.



O trabalho que tem desenvolvido na busca de um antídoto para a Xylella fastidiosa vai no sentido de obter algo que seja como que uma espécie de vacina, mas que nunca vai poder funcionar em árvores adultas infectadas. A sua expectativa leva-a a reservar uma secreta esperança na capacidade de tolerância das nossas culturas à bactéria, sobretudo nos novos olivais, por serem bem tratados e estarem assentes em tecnologia de ponta. 

Mas tem consciência que muitas espécies vegetais que fazem parte da flora mediterrânica que são hospedeiras desta bactéria podem servir de repositório à bactéria que foi detectada pelos serviços da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV). A amostra foi colhida pelos serviços da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte no âmbito do Programa Nacional de Prospecção de X. fastidiosa, referem os serviços em comunicado.

A análise positiva foi obtida pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e confirmada pelo Laboratório Europeu de Referência (ANSES), aguardando-se informação relativamente à estirpe da bactéria. A DG Sante (Direcção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia) foi já informada da situação e a DGAV está a preparar a respectiva notificação fitossanitária Europhyt. As autoridades nacionais desencadearam já todas as acções recomendadas, tendo em vista a identificação e contenção da situação, asseguram.

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Bactéria que destrói oliveiras já chegou a Madrid. Falta pouco para alcançar Portugal
Bactéria que destrói oliveiras já chegou a Madrid. Falta pouco para alcançar Portugal
O local de colheita da amostra foi já inspeccionado por uma brigada mista de técnicos da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, que "procederam ao levantamento da situação e à colheita de amostras, tendo sido determinada a destruição das plantas".

O comunicado publicado na página da DGAV salienta que os trabalhos de levantamento de plantas sensíveis num raio de 100 metros (denominada "zona infectada") e a respectiva colheita de amostras "vão prosseguir ao longo dos próximos dias". Em paralelo com esta operação vai ter início o processo de identificação da flora sensível ao agente bacteriano num raio de cinco quilómetros (considerada a zona tampão), que será levado a cabo em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e com as câmaras de Vila Nova de Gaia e de Gondomar. Será também divulgado um edital referente à zona demarcada, constituída pela zona infectada e pela zona tampão, identificando a área em causa.

Face à evolução da situação, foi entretanto aprovada e publicada a Decisão de Execução (EU) 2015/2417 da Comissão Europeia, uma lista de géneros e espécies hospedeiras identificadas como susceptíveis às subespécies da bactéria Xylella fastidiosa. Estas espécies "só podem circular na União Europeia desde que acompanhadas de passaporte fitossanitário, quer tenham sido ou não provenientes de zonas demarcadas". Resta saber de onde e de que forma as plantas de lavanda, portadoras da perigosa bactéria, entraram em Portugal e se vinham acompanhadas de passaporte fitossanitário.

A DGAV define a Xylella fastidiosa como uma bactéria que "ataca uma vasta gama de espécies vegetais", como plantas ornamentais e árvores, como oliveiras, videiras, amendoeiras e até o sobreiro, classificando-a como "um dos principais problemas fitossanitários emergentes das últimas décadas".

Alentejo apreensivo

As consequências mais dramáticas da chegada da bactéria a Portugal podem concentrar-se sobretudo no Alentejo, onde foram plantadas ao longo dos últimos 15 anos muitas dezenas de milhões de oliveiras, amendoeiras e outras árvores de fruto que são o habitat ideal para a propagação de uma praga que já preocupa os olivicultores alentejanos, sobretudo os que exploram grandes áreas de olival intensivo e superintensivo.


A consternação e o receio das incalculáveis consequências alertaram a Olivum — Associação de Olivicultores do Sul para a necessidade de realizar as suas IV Jornadas, em Setembro de 2017, com o objectivo de debater os impactos da doença no novo modelo de olival intensivo. Ficou patente o grau de desconhecimento dos efeitos da bactéria em olivais que estão extremamente concentrados, com árvores distanciadas apenas 70 centímetros umas das outras. O facto de se tratar de culturas tecnologicamente avançadas, com um nível de tratamento fitossanitário muito elevado, não garantia que pudessem escapar às investidas da Xylella fastidiosa.


João Cortez de Lobão, na altura presidente da Olivum, não tinha dúvidas de que, com o alastramento da doença a países da Europa (Itália, França e Espanha), "chegará, mais tarde ou mais cedo a Portugal". "Portanto, temos de estar [alerta], para poder travar o avanço dessa bactéria." Prevendo um cenário que já considerava como muito provável, Cortez Lobão, proprietário de uma exploração de olival superintensivo com mais de mil hectares de área no concelho de Serpa, deixava um aviso: "É necessário que sejam implementadas medidas que obriguem os olivicultores a informar, assim que desconfiarem que uma árvore está infectada, para que as autoridades possam controlar a zona e travar o contágio." O que então se estava a passar em Itália era esclarecedor: as oliveiras tinham de ser arrancadas e queimadas, exigência que levou muitos agricultores, em desespero, a esconderem a propagação do surto da doença às suas explorações.

Só quando a bactéria chegar ao Alentejo é que se saberá como se irão comportar as oliveiras, as amendoeiras, as vinhas, os citrinos e até os sobreiros quando o insecto vector as procurar para deixar a Xylella fastidiosa, ano e meio depois de ter contaminado amendoeiras na província espanhola de Alicante. 

Governo divulga mapa das freguesias prioritárias para a limpeza de combustível



O Governo divulgou hoje o mapa (em anexo) das freguesias de 1ª e 2ª prioridade para limpeza no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios (SNDFCI). Trata-se de um Despacho conjunto do Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, e do Secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves, que define igualmente os prazos para a realização das ações de fiscalização que devem incidir sobre as áreas prioritárias.
O Despacho determina que a fiscalização da limpeza de terrenos confinantes a edificações (numa faixa 50 metros); aglomerados populacionais e áreas industriais (numa faixa de 100 metros) se efetue entre os dias 01 de abril e 31 de maio. O Despacho determina igualmente que a fiscalização da limpeza das faixas de proteção das redes viária e ferroviária e das linhas de transporte e distribuição de energia elétrica seja efetuada entre os dias 01 e 30 de junho.
Considerando que as alterações climáticas e os fenómenos atmosféricos extremos obrigam ao cumprimento firme das normas do SNDFCI, o Despacho define orientações no domínio da fiscalização, respondendo, em especial, aos prazos mais exigentes para a execução da limpeza dos terrenos previstos na Lei do Orçamento de Estado para 2019.
O documento sublinha ainda que a definição das prioridades não isenta os agentes fiscalizadores do cumprimento de todas as disposições previstas no SNDFCI, não limitando a fiscalização às áreas e períodos referidos.
O diploma considera como áreas prioritárias para efeitos de fiscalização de gestão de combustível as freguesias de 1º e 2º prioridade, de acordo com a classificação feita pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (em anexo), as áreas confinantes a edificações, os aglomerados populacionais, as áreas industriais, as redes viária e ferroviária e as linhas de transporte e distribuição de energia elétrica.
Lisboa, 16 de janeiro de 2019

VER LISTA DAS FREGUESIAS: https://dre.pt/application/conteudo/117928012

Limpeza de terrenos florestais tem de estar concluída até 31 de março


16 jan, 2019 - 10:43 • André Rodrigues

A limpeza tem de ser feita numa faixa entre 10 e 50 metros, estendendo-se aos 100 perto de habitações e zonas industriais. Numa segunda fase, avança a fiscalização da limpeza nas redes viária, ferroviária e linhas de energia elétrica.
Foto: Arménio Belo/Lusa

O Governo dá até 31 de março para que os proprietários procedam à limpeza dos terrenos florestais. O prazo é revelado à Renascença pelo secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas, nesta quarta-feira, dia em que é conhecido o mapa das freguesias prioritárias para a limpeza de combustível.

Passada esta fase de remoção dos resíduos florestais, o despacho, assinado em conjunto com o secretário de Estado da Proteção Civil, determina a limpeza numa faixa de 10 a 50 metros, "sendo obrigatoriamente de pelo menos 50 metros no caso de terrenos ocupados com floresta" e de "100 metros", perto de habitações e zonas industriais, que são áreas consideradas de intervenção prioritária.

Numa segunda fase, entre 1 e 30 de junho, avança "a fiscalização da limpeza das faixas de proteção da rede viária, ferroviária e das linhas de transporte e distribuição de energia elétrica".

No entanto, o secretário de Estado das Florestas lembra que "as populações devem limpar os seus terrenos até 31 de março", momento a partir do qual tem início "um período de fiscalização que visa essencialmente os pontos críticos".

Miguel Freitas mostra-se confiante quanto ao cumprimento e à eficácia deste calendário, sublinhando que "no ano passado, dos 55 mil hectares que foram limpos pelos municípios - que tiveram de se substituir aos proprietários - 83% (cerca de 1.100 freguesias) correspondiam a zonas de intervenção prioritária".

Questionado sobre a aplicação de coimas a proprietários por incumprimento dos prazos estipulados para a limpeza de terrenos, o secretário de Estado das Florestas lembra que "a ideia-chave é sensibilizar as populações das zonas de risco para que limpem os seus terrenos" e não fazer as contas às multas cobradas, tanto mais que "essa é uma matéria da competência do ministério da Administração Interna".

Alimentar planeta exige dieta com menos carne e mais verduras e fruta

17.01.2019 às 8h38

A mudança, para o consumo de alimentos mais saudáveis, também vai evitar a morte prematura de 11 milhões de pessoas em cada ano, reduzindo a morte de adultos entre 19% e 23,6%

Lusa

Alimentar os 10 mil milhões de pessoas do planeta em 2050 só será possível com uma dieta sustentável, reduzindo para metade o consumo de carne vermelha e açucares e duplicando o uso de frutos secos, legumes e fruta.

O diagnóstico, divulgado esta quinta-feira, faz parte de um relatório de uma comissão de especialistas da revista científica Lancet, segundo o qual o planeta não terá capacidade de alimentar tantas pessoas sem uma transformação dos hábitos alimentares, uma melhoria na produção e uma redução do desperdício.

E essa mudança, para o consumo de alimentos mais saudáveis, também vai evitar a morte prematura de 11 milhões de pessoas em cada ano, reduzindo a morte de adultos entre 19% e 23,6%.

Segundo os especialistas, uma dieta-padrão saudável e planetária consistirá em aproximadamente 35% das calorias provenientes de grãos integrais e tubérculos, em ter nas plantas a principal origem da proteína (incluindo-se apenas cerca de 14 gramas de carne vermelha por dia), e no consumo de 500 gramas de vegetais e frutas por dia.

É esta mudança nos hábitos alimentares que levará à diminuição em 50% do consumo de carne vermelha e açúcar e a um aumento de 50% de consumo de frutos secos, verduras, legumes e fruta.

Esta mudança, diz-se no relatório, garante um sistema alimentar mundial e não põe em causa os limites do planeta na produção de alimentos, tendo em conta por exemplo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o uso da terra e da água e o ciclo dos nutrientes.

TRÊS MILHÕES SOFREM DE DESNUTRIÇÃO
E essa mudança, segundo o documento, é "urgentemente necessária", já que mais de três mil milhões de pessoas sofrem de desnutrição e a produção de alimentos está a exceder a capacidade do planeta, impulsionando as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e o aumento da poluição pelo uso excessivo de fertilizantes.

O relatório da Comissão EAT, da Lancet, propõe uma dieta baseada em alimentos à base de plantas e com pouca quantidade de alimentos de origem animal, de grãos refinados, comida altamente processada e açucares.

"As dietas atuais estão a levar a Terra além dos seus limites ao mesmo tempo que causam problemas de saúde. Tal coloca ambos, pessoas e planeta, em risco", diz o documento.

Tim Lang, da Universidade de Londres, um dos membros da comissão, diz que "os alimentos que comemos e a forma como os produzimos determinam a saúde das pessoas e do planeta, e atualmente estamos a fazer isto de forma muito errada".

A Comissão EAT é um projeto a três anos que reúne 37 especialistas de 16 países, com experiência em saúde, nutrição, sustentabilidade ambiental, sistemas alimentares, economia e governança política.

No relatório, os responsáveis salientam que o aumento da produção alimentar nos últimos 50 anos contribuiu para o aumento da esperança de vida, e para a redução da fome, da mortalidade infantil e da pobreza global, mas notam que esses benefícios estão agora a desviar-se para dietas pouco saudáveis, altas em calorias, açucares, amidos refinados e excesso de carne, e baixo teor de frutas, legumes, grãos integrais, frutos secos, sementes e peixe.

Atualmente, diz-se no documento, os países da América do Norte comem quase 6,5 vezes mais carne do que o recomendado, enquanto no sul da Ásia se come metade do que era suposto. Todos os países estão a comer mais vegetais ricos em amido, como a batata e a mandioca, do que o recomendado, 1,5 vezes mais no sul da Ásia ou 7,5 vezes mais na África subsaariana.

No modelo proposto aumenta-se o consumo de ácidos polinsaturados saudáveis e reduz-se o consumo de gorduras saturadas, e aumenta-se também a ingestão de micronutrientes essenciais como o ferro, o zinco, o ácido fólico, a vitamina A e o cálcio. A falta de vitamina B12 (muito presente em alimentos de origem animal) poderá ter de ser compensada.

DESPERDÍCIO ALIMENTAR REDUZIDO PARA METADE
Os autores notam ainda que é necessário descarbonizar mais rápido do que o previsto o sistema energético, para permitir alimentar 10 mil milhões de pessoas em 2050 sem produzir mais gases com efeito de estufa. E que é preciso reduzir a perda de biodiversidade e o uso de fósforo (fertilizantes) e não aumentar o uso de azoto (em fertilizantes também).

E propõem que sejam criadas políticas para encorajar as pessoas a escolher dietas saudáveis, restrições de publicidade e campanhas de educação. Depois os preços dos alimentos devem refletir os custos de produção, mas também os custos ambientais, pelo que pode haver aumento dos custos para consumidores, podendo ser necessárias políticas de proteção social.

E o desperdício alimentar deve ser reduzido pelo menos a metade. Notam os responsáveis que esse desperdício acontece em países pobres durante a produção, devido a mau planeamento, falta de acesso a mercados e falta de estruturas de armazenamento e processamento.

Nos países ricos o desperdício é causado sobretudo pelos consumidores e pode ser resolvido com campanhas que melhorem hábitos de compra, o entendimento dos rótulos, e o armazenamento, preparação, proporções e uso de sobras.

A Lancet lançará este ano vários relatórios, o próximo, no final do mês, será sobre obesidade, desnutrição e alterações climáticas.

Depois da Internet das Coisas eis-nos perante a Internet das Vacas


05.01.2019 às 18h00


São vacas totalmente tecnológicas que emitem informação em tempo real para o dono da manada. Estão ligadas via wi-fi à base de dados do agricultor, que fica imediatamente a saber se estão satisfeitas ou agitadas, doentes ou robustas, se saltaram a cerca ou, simplesmente, se estão prontas para dar à luz. Chegou a era da agricultura de precisão, com as vacas a produzirem mais e com mais qualidade
Vítor Andrade
VÍTOR ANDRADE
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Deambulam pelos pastos verdejantes munidas de sensores nas orelhas, à volta do pescoço, nas patas e também na cauda. As 'vacas tecnológicas' enviam informação em tempo real para a aplicação que o agricultor tem no seu smartphone sobre a temperatura do corpo, sobre os tempos de ruminação, as horas que passam a comer, os passos que dão, os trajetos que fazem e ainda sobre as vezes que levantam a cauda para expelir fezes, o que significa emissões de gás metano.

O que é que isto tem a ver connosco? Muito, especialmente se pensarmos que a informação enviada pelas vacas para a base de dados da exploração agrícola pode ajudar a ter animais mais saudáveis, mais robustos, mais eficientes e mais produtivos, o que, no fim do dia, pode significar leite ou carne de melhor qualidade à mesa do consumidor, com a certeza de que esses produtos vieram de uma exploração mais amiga do ambiente.

O NEGÓCIO FLORESCENTE DAS VACAS TECNOLÓGICAS
Por outro lado, a internet das vacas, que nasce do conceito da internet das coisas – vulgarizado pela expressão em inglês Internet of Things (IoT) - está a fazer despontar uma nova e florescente área de negócios: a venda de dispositivos eletrónicos e sistemas de informação para as grandes explorações agrícolas.

A IoT fornece dados sobre objetos e a internet das vacas envia dados sobre as manadas, permitindo a análise pormenorizada sobre o estado de saúde e sobre o comportamento de cada animal.

Os fornecedores tradicionais de fertilizantes e sementes, hoje já vendem também uma vasta gama de aparelhos para aplicar nas vacas e nas maquinarias agrícolas em geral, o que está também a contribuir para o surgimento de novas profissões tecnológicas ligadas à agricultura

"Estamos claramente na era da agricultura de precisão, com a chegada em força da digitalização ao mundo rural", frisa Ricardo Braga, professor do Instituto Superior da Agronomia e especialista em agricultura de precisão.

Explica que, como o agricultor está sempre a tomar decisões, com o manancial de informação que todos os dispositivos colocados nos animais lhe enviam em tempo real, "a sua intervenção no processo produtivo passa a ser feita com muito mais precisão e eficácia".

SE ESTÁ AGITADA, OU ESTÁ COM O CIO OU QUER PARIR
Por exemplo, se uma vaca emite sinais de alterações significativas na temperatura do seu corpo, o agricultor sabe de imediato que aquele animal em concreto pode estar doente e, assim sendo, será tratado de imediato.

Imagine-se, por outro lado, que uma vaca está mais agitada que de costume, dando indicações de trajetórias erráticas ou de que dá mais passos que o habitual, "provavelmente está com o cio ou, se já está prenha, pode ser um sinal de que está prestes a parir".

Ricardo Braga nota que a partir de agora o produtor de gado passa a dispor de um manancial 'brutal' de informação sobre os seus animais como nunca teve no passado. Resta agora saber tratar toda essa informação e, dessa forma, obter melhores níveis de conforto para os animais, mais produtividade por cabeça e mais rentabilidade por exploração.

Em Portugal já há algumas experiências em curso no Alentejo, na zona de Évora, com algumas manadas de animais. São casos isolados mas, em termos de agricultura de precisão, atualmente haverá, segundo o professor do ISA, perto de 40 grandes empresários do sector a utilizar já algumas tecnologias.

AGRICULTURA DE PRECISÃO JÁ VALE €3 MIL MILHÕES
A nível global os investimentos em agricultura de precisão representaram, em 2016, quase €3 mil milhões, segundo uma empresa de dados sedeada na Califórnia (Estados Unidos). Alguns analistas do sector, estimam que dentro de cinco anos, este conceito poderá valer qualquer coisa como €7 mil milhões e com tendência para continuar a aumentar.

Afinal de contas, e ainda de acordo com Ricardo Braga, a digitalização dos processos produtivos da agricultura vai de encontro às recomendações da FAO (organismo das Nações Unidas para a alimentação): com a população mundial a aumentar e a procura de alimentos a subir – e menos pessoas a produzir -, só uma gestão mais eficiente e mais inteligente poderá dar uma resposta adequada a esta nova realidade.

"Uma coisa é certa: com tantas vantagens associadas à agricultura de precisão, quem não souber tirar partido das tecnologias que já estão disponíveis em termos de digitalização da atividade produtiva dos campos vai ficar, seguramente, a perder".

O problema é que a maioria dos agricultores, tanto em Portugal, como no resto da Europa, têm explorações de pequena dimensão e, regra geral, não dispõem de recursos financeiros suficientes para se equiparem do ponto de vista tecnológico. "Por isso mesmo, é importante que o futuro pacote de Política Agrícola Comum (PAC) já inclua apoios específicos para este efeito, dirigidos aos pequenos agricultores", acrescenta Ricardo Braga.

GANHOS DE 30% NAS PRODUÇÕES AGRÍCOLAS
Este professor do ISA, que também faz parte do grupo de peritos da PAC, está ciente de que não há volta a dar em matéria de agricultura de precisão. "A digitalização do processo produtivo na agricultura disparou, à escala mundial, nos últimos quatro/cinco anos, depois de muito ceticismo. Mas os produtores já perceberam que só têm a ganhar pois, com a gestão minuciosa das suas explorações, conseguem identificar problemas atempadamente, isolá-los e solucioná-los de imediato, ganhando com isso tempo e dinheiro, reduzindo simultaneamente os custos ambientais".

Há relatos de casos internacionais que apontam para ganhos de produtividade – com a aplicação de suportes digitais na agricultura – da ordem dos 30%.

Ricardo Braga diz mesmo que o avanço tecnológico é tão rápido, neste domínio, que chega a ultrapassar a própria investigação. "Há tecnologias que alguns agricultores já adquiriram, que ainda nem sequer são utilizadas a 100% por ninguém estar ainda devidamente preparado para as utilizar em pleno", remata o professor.

A coisa mais importante que temos de fazer em 2019? Comer menos carne, diz o Guardian

A industrialização da agricultura tem tido um grande peso no ambiente

Joana Marques Alves


Usar menos automóveis, reciclar os materiais, evitar o uso de plástico. Tudo isto são princípios que devemos adotar. Mas, segundo o jornal britânico Guardian, com a chegada do novo ano existe uma regra que todos devemos, a partir de agora, aplicar: comer menos carne.

"Vários estudos revelados durante o ano passado põem a nu o impacto do consumo de carne, principalmente carne de vaca e porco, no ambiente, enquanto fatores relevantes para as alterações climáticas e para a poluição da terra e da água", lê-se num artigo publicado no início deste ano.

Numa altura em que estamos perto de sofrer uma das maiores crises de extinção de espécies desde o tempo dos dinossauros – uma "aniquilação biológica", dizem os cientistas -, os animais de criação e os seres humanos perfazem 96% de todos os mamíferos. Esta criação 'desmesurada' traz graves consequências para o planeta: a desflorestação e as emissões de gases têm um impacto na formação do efeito de estufa semelhante à totalidade dos gases emitidos por todos os carros, autocarros e aviões do mundo, revela a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Além disso, a industrialização da agricultura implica o uso de fertilizantes e outros químicos, por forma a satisfazer as necessidades da população mundial. Isso leva a um aumento da poluição dos solos, dos rios e, em ultima instância, dos oceanos.

Recorde-se que, em outubro, uma equipa de cientistas já tinha publicado na revista Nature que era obrigatório diminuir o consumo de carne o quanto antes. O especialistas defendiam que era necessário reduzir 90% do consumo de carne nos países ocidentais. "Estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. Se estamos interessados em que as pessoas consigam comer e produzir, temos mesmo de reduzir o consumo de carne", referiam os autores da investigação.

E o que pode ser feito? Já na altura, os autores do estudo defendiam que a solução passavam pela imposição de novas políticas de educação e taxas para controlar o uso de químicos, a criação de animais e o consumo de carne em si.

"Alimentar uma população mundial de dez mil milhões de pessoas é possível, mas só se mudarmos a forma como comemos e produzimos os nossos alimentos", afirmou na altura o professor do Instituto Potsdam para o Estudo do Impacto Ambiental (Alemanha), Johan Rockström, um dos autores da investigação.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Bactéria que destrói oliveiras chegou a Portugal através de plantas ornamentais


Apesar de Portugal manter desde 2014 um programa nacional de prospecção da bactéria, ela surge ano e meio depois de ter aparecido num olival na província espanhola de Alicante.

Carlos Dias 16 de Janeiro de 2019, 13:23 Partilhar notícia

A bactéria Xylella fastidiosa, que ataca oliveiras e amendoeiras, era há muito temida. Já rondava Portugal há algum tempo mas agora chegou, concretamente a Vila Nova de Gaia, à "boleia" de plantas do género Lavandula, planta ornamental vulgarmente conhecida por lavanda, mas que não apresentam sintomatologia da doença. Porém, a sua presença em território nacional é o suficiente para deixar muitos produtores assustados.

Desde que a bactéria foi detectada, pela primeira na Europa, na região da Apúlia (Itália), Província de Lecce, afectando uma vasta área de olival, que a sua presença nos olivais portugueses, era esperada com grande apreensão.

<i>Drones</i> e aviões são solução para prevenir doença bacteriana que arrasa olivais
Drones e aviões são solução para prevenir doença bacteriana que arrasa olivais



A sua chegada a Portugal foi detectada pelos serviços da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que identificaram na cidade nortenha "plantas portadoras da bactéria Xylella fastidiosa". A amostra foi colhida pelos serviços da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte no âmbito do "Programa Nacional de Prospecção de X. fastidiosa", referem aqueles serviços através de comunicado.



A análise positiva foi obtida pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e confirmada pelo Laboratório Europeu de Referência (ANSES), aguardando-se informação relativamente à estirpe da bactéria. A DG Sante (Direcção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia) foi já informada da situação e a DGAV está a preparar a respectiva notificação fitosanitária Europhyt. As autoridades nacionais desencadearam já todas as acções recomendadas tendo em vista a identificação e contenção da situação, asseguram em comunicado.

O local de colheita da amostra foi já inspeccionado por uma brigada mista de técnicos da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte e da Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária, que "procederam ao levantamento da situação e à colheita de amostras, tendo sido determinada a destruição das plantas."

O comunicado publicado na página da DGAV salienta que os trabalhos de levantamento de plantas sensíveis num raio de 100 metros (denominada zona infectada) e a respectiva colheita de amostras "vão prosseguir ao longo dos próximos dias". Em paralelo com esta operação, vai ter início o processo de identificação da flora sensível ao agente bacteriano num raio de cinco quilómetros (considerada a zona tampão), que será levado a cabo em colaboração com o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e com as Câmaras Municipais de Vila Nova de Gaia e de Gondomar. Será também divulgado um edital referente à Zona Demarcada, constituída pela zona infectada e pela zona tampão, identificando a área em causa.

Recorde-se que face à evolução da situação, foi entretanto aprovada e publicada a Decisão de Execução (EU) 2015/2417 da Comissão Europeia que lista géneros e espécies hospedeiras identificadas como susceptíveis às subespécies da bactéria detectada no território da União Europeia. Estas espécies "só podem circular na União Europeia desde que acompanhadas de passaporte fitossanitário, quer tenham sido ou não provenientes de zonas demarcadas."

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Resta agora apurar, se as plantas de lavanda, portadoras da bactéria Xylella fastidiosa, entraram em Portugal com ou sem passaporte fitossanitário.

Alentejo apreensivo
As consequências mais dramáticas da chegada da bactéria Xylella Fastidiosa a Portugal podem concentrar-se sobretudo no Alentejo, onde estão concentradas dezenas de milhões de oliveiras, amendoeiras e outras árvores de fruto que são o habitat ideal para a propagação de uma praga que já preocupa os olivicultores alentejanos, sobretudo os que exploram grandes áreas de olival intensivo e superintensivo.


Portugal implementou, desde 2014, um programa nacional de prospecção anual desta bactéria, que até há poucos dias não tinha sido assinalada em território nacional.

O género Xylella, identificado por Wells et al. (1987), é composto por uma única espécie, a Xylella fastidiosa. A espécie inclui várias estirpes, e caracteriza-se por um crescimento lento em meios de cultura.

As colónias crescem em meios artificiais, a 26-28°C, a pH entre 6, 5-6, 9, podem ser lisas ou rugosas, opalescentes e circulares. É uma bactéria vascular que vive no xilema das plantas, sendo transmitida por insectos.

De acordo com trabalhos de sorologia e tipagem genética, as suas estirpes foram divididas em cinco subespécies: Xylella fastidiosa subsp. piercei (que escolhe estirpes de videira), Xylella fastidiosa subsp. sandyi (loendro), Xylella fastidiosa subsp. multiplex (vários hospedeiros), Xylella fastidiosa subsp. pauca (que inclui ameixeira, cafeeiro e citrinos) e a Xylella fastidiosa subsp. tashke, que foi identificada na Chitalpa (Chitalpa tashkentensis) uma árvore ornamental.

Entretanto, os deputados do CDS emitiram um comunicado onde questionam o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, sobre a informação que já foi recolhida sobre a estirpe da bactéria encontrada em Vila Nova de Gaia e qual o plano de contenção da doença previsto pelo Ministério da Agricultura face ao desenrolar da situação.

Os centristas recordam, através de comunicado, que "a 6 de Julho de 2017, o partido já tinha questionado o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural a propósito de um primeiro surto de Xylella fastidiosa numa plantação de amendoeiras, em Guadalest. Este foi o primeiro foco da bactéria detectado na Península Ibérica, depois da sua presença ter sido registada nas ilhas Baleares, em 2016".


Em resposta às questões então colocadas pelos deputados do CDS-PP, o gabinete do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural deu então conta das medidas tomadas para a identificação da perigosa bactéria, e fez referência à elaboração e publicação do "Plano de Contingência da Xylella fastidiosa e seus vectores." O processo foi iniciado em Junho de 2016 e para 2017 foram programadas 625 inspecções e a colheita de 500 amostras, frisando que o programa das acções de monitorização "poderia vir a sofrer alterações em função de eventuais desenvolvimentos que entretanto ocorressem."

Contactada pelo PÚBLICO, a porta-voz do Ministério da Agricultora confirmou a presença de "plantas portadoras da bactéria Xylella fastidiosa" em Vila Nova de Gaia "mas sem sintomatologia da doença", acrescentando que Portugal iniciou em 2014 um "programa nacional de prospecção anual" desta bactéria.