segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Leiria vai ter um “pinhal tão descontínuo quanto possível"


22 jan, 2018 - 11:15

Ministro da Agricultura explicou, na Manhã da Renascença, os planos do Governo para aquela mata nacional que viu arder mais 80% da área em Outubro.

No dia em que o Governo apresenta o plano de reflorestação para o Pinhal de Leiria, o ministro da Agricultura garante que o pinheiro vai ser a árvore dominante nesta mata pública, mas de forma descontinuada.

"Será fundamentalmente um pinhal, porque ali a mata tem de ter uma função de fixação das dunas, que esteve aliás na sua génese, mas iremos procurar que seja um pinhal tão descontínuo quanto possível, intercalando folhosas e espécies resistentes ao fogo", começou por explicar.

Capoulas Santos diz que poderá haver "espaços agrícolas intermédios para garantir a sua descontinuidade", sendo a "formatação final aquela que a comissão científica e o ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e Florestas], na sequência do trabalho que estão a desenvolver, nos apresentarem até ao final de Junho, como está previsto".

Os incêndios de 15 e 16 de Outubro devastaram mais de 80% do Pinhal de Leiria, mandado construir por D. Afonso III no sec. XIII para travar o avanço e degradação das dunas.

Para reflorestar toda a área afectada nas matas nacionais, o Estado vai precisar de cinco anos, no máximo. São 18 mil hectares. No terreno, já começou o corte de árvores queimadas.

"A primeira preocupação é naturalmente retirar o material lenhoso: o nobre em primeiro lugar, e propomos fazer essa operação nos próximos quatro meses. O material lenhoso que não tem interesse para a indústria será retirado nos próximos 18 meses", avançou o ministro na Manhã da Renascença, esta segunda-feira.

"Entretanto, já iniciámos a elaboração do plano de reflorestação das matas nacionais – está neste momento em curso e é um projecto que ficará concluído até finais de Junho, por forma a que no próximo Outono possam iniciar-se já em grande escala as operações de reflorestação, que entretanto, pontualmente, vão já começar nesta Primavera, num ou outro talhão", adiantou ainda.

Capoulas Santos anunciou também a criação de 30 parques para receber a madeira queimada nos incêndios do ano passado. O principal objectivo "é garantir que os preços não se aviltam e que nos próximos dois, três, quatro anos a indústria nacional não necessita de recorrer a qualquer tipo de importação".

"O Ministério da Agricultura está neste momento a concluir negociações com as organizações de produtores florestais, as organizações da indústria, as autarquias, para criar cerca de 30 parques onde essa madeira será recepcionada. O Estado irá apoiar os produtores florestais e as e as entidades que vão gerir estes parques", avançou o ministro da Agricultura.

Esta segunda-feira à tarde, Capoulas Santos acompanha o primeiro-ministro, António Costa, na visita ao Pinhal de Leiria e assiste à apresentação do plano de reflorestação do "Pinhal do Rei", na Marinha Grande.

Madeira queimada pode render 1,5 milhões de euros ao Estado


22 jan, 2018 - 08:00

Em causa estão vários lotes de pinheiro bravo à venda pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas.

Fotogaleria. "Devastador": 80% do Pinhal de Leiria virou manto negro
O Estado deverá encaixar um milhão e meio de euros com a madeira queimada proveniente dos incêndios do Verão passado. O valor é avançado na edição desta segunda-feira do "Jornal de Notícias", que cita fonte do Ministério da Agricultura.

A madeira em causa é proveniente vários lotes de pinheiro bravo provenientes dos distritos de Leiria, Coimbra, Guarda, Viseu e Castelo Branco e que estarão à venda.

Diz o jornal que, ao todo, já foram vendidos 61 lotes em hasta pública – o correspondente a mais de 1700 hectares e quase meio milhão de árvores. No Pinhal de Leiria (que perdeu mais de 80% para o fogo em Outubro), conta ainda o diário, "a azáfama é grande" para cortar a madeira a ser vendida.

Esta terça-feira, é apresentado na Marinha Grande o plano de reflorestação do pinhal de Leiria. A apresentação está a cargo do presidente do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), Rogério Rodrigues.

Segundo o "Correio da Manhã", o plano deverá estar concluído em Julho e estabelece um prazo de implementação de cinco anos. O Governo diz-se disponível para investir 10 milhões de euros neste processo, que começa com a remoção da madeira queimada e melhorar a segurança ao nível das comunicações.

O primeiro-ministro, António Costa, e o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, também estarão presentes na cerimónia e irão deslocar-se ao Observatório Local do Pinhal de Leiria.

Na Internet, corre uma petição a pedir que o dinheiro da madeira queimada nesta histórica mata pública seja todo aplicado na sua reflorestação.

domingo, 21 de janeiro de 2018

Alentejo ainda precisa do dobro da chuva para sair da seca severa

Um dos braços do Alqueva, junto a Juromenha (Alandroal)

Especialista do IPMA dizem que a situação é de tal forma crítica que a precipitação teria de ser intensa durante várias semanas

Será necessário chover o dobro de um ano normal para que as barragens e os aquíferos do Alentejo possam recuperar recursos e atinjam a capacidade de armazenamento satisfatória. Quem é o diz é Vanda Pires, da divisão de clima do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), relembrando que a chuva que este inverno caiu no sul do país foi insuficiente para a região sair do estado de seca severa. E se o abastecimento de água para o consumo doméstico não está ameaçado, no campo os agricultores já estão a procurar alternativas viáveis às culturas de regadio, assumindo as limitações ao milho e arroz.

O impacto que a seca severa e extrema acarreta para o Alentejo mostra-se até ao nível de Alqueva. O maior lago artificial da Europa estaria, num ano normal, nos 80% de armazenamento, mas revela hoje 67%, chegando, ainda assim para abastecer represas vizinhas. Um dos braços da albufeira, junto a Juromenha (Alandroal) mostra as fragilidades. Já por ali se pescou, mas há dois meses que são as ovelhas de Maria Leonor que lá pastam, tentando comer o pouco musgo que vai nascendo. "A esta altura devia haver bom pasto para estarem gordas, mas continuam magrinhas. Parece verão", lamenta.

Já as barragens da bacia do Sado não vão além da média de 23.4% da capacidade de armazenamento, quando num ano normal estariam acima dos 55. O Monte da Rocha e o Pego do Altar (a barragem onde a seca destapou uma antiga ponte) são as reservas que atingiram os valores mais baixos, com 8.1 e 8.3, respetivamente.


"Os valores médios de chuva em Beja, em janeiro, são 70 milímetros por dia. Hoje eram precisos 140. Em fevereiro chovem 60 milímetros num ano normal, mas para minimizar a seca eram precisos 120", quantifica Vanda Pires, ressalvando que a situação é de tal forma crítica que a precipitação teria de ser intensa durante várias semanas. "Já não basta que chova durante dois ou três dias e depois pare uma semana ou duas para voltar a chover ao fim de mais um tempo. Isso não vai acabar com o problema", diz.

Carla Graça, da associação ambientalista Zero, que fez estudos sobre aquíferos no país, reconhece que o problema tem "dimensões preocupantes", alertando para a descida dos níveis de água subterrânea, que poderão estar secos em várias zonas. "Nas bacias a sul do Tejo não choveu praticamente nada e já no final do ano estava tudo muito crítico", refere, alertando para a "elevada quantidade" de habitantes de meios rurais que ainda usam água subterrânea para consumo direto, com recurso a furos. Dados que levam Carla Graça a aconselhar os produtores de arroz da bacia do Sado a reduzirem a produção drasticamente - na última campanha a redução já foi de 50% - para ajustarem a eficiência da rega.

Uma medida que já está prevista, segundo garante ao DN Joaquim Manuel Lopes, técnico agrícola da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal, avançando que a campanha de arroz deste verão só não vai ser "zero" porque na Comporta (Alcácer do Sal) continua a haver várias nascentes que garantem água em abundância à produção.

"O resto é paisagem negra. Haverá alguém que conseguirá bombar água do rio Sado, se for autorizado, mas este ano vai ser sempre mau", vaticina, recordando que Portugal é praticamente autossuficiente em arroz, mas esta campanha "não deverá atingir 40%", alegando que, tal como o Sado, também o Sorraia e o Caia (zona de Elvas) estão sem água.
Aristides Chinita, representante da Associação de Regantes da barragem do Caia, confirma os tempos de crise. Em 2017 houve a necessidade de antecipar o final da campanha de rega aos 250 associados, distribuídos por uma área de 7500 hectares. Nunca tal tinha acontecido. A albufeira tinha apenas 19% da sua capacidade de armazenamento, pelo que o fim do fornecimento de água para a agricultura visou assegurar que o abastecimento doméstico a Elvas, Campo Maior, Arronches e Monforte ficava garantido para, pelo menos, três anos.

"Entre 15 de outubro de 2017 e até há 15 dias, a barragem baixou 2 milhões de metros cúbicos com o fornecimento de água às populações, enquanto em dois períodos de chuva entraram cerca de 500 mil metros cúbicos, reduzindo as perdas para milhão e meio", revela o dirigente, assumindo a perspetiva de que o fornecimento de água para rega "é nula".

E que alternativas existem? Joaquim Manuel Lopes tem dificuldade em arranjar culturas que compensem a produção de arroz, rejeitando uma recente sugestão "pouco atrativa" do feijão-frade, preferindo reivindicar o transporte de água de Alqueva para a barragem de Vale do Gaio (Alcácer do Sal) através de condutas.

Já o agrónomo Rui Amante, que anualmente dá apoio técnico aos proprietário de cerca de 5 mil hectares de campos de milho do Ribatejo e Alentejo, tem ocupado as últimas semanas a planificar a campanha de primavera para tentar minimizar os prejuízos da perda de área de milho associados à seca. No ano passado o Ribatejo e o Alentejo alcançaram uma produção de 34 mil hectares, mas esta campanha deverá sofrer uma redução de 30%, segundo estima, uma vez que o Alentejo Central e Litoral estão impedidos de produzir milho. Apenas as margens de Alqueva e o Ribatejo têm disponibilidade de água para o fazer.

Este agrónomo está a fazer o levantamento das disponibilidades hídricas, a fim de tentar enquadrar espécies com baixo consumo, como girassol e sorgo, exibindo ao DN um dos campos nas imediações de Évora que durante anos a fio privilegiou a produção de milho, mas onde hoje já cresce trigo junto ao pivô. "É o exemplo de uma cultura flexível que precisa de pouca água, tal como a cevada, mas que agora ocupa uma zona de regadio para garantir que terá sucesso", diz, tendo ainda em equação a possibilidade de instalar noutros campos de regadio culturas como a ervilha que permitem fazer "segundas produções no mesmo ano.

Agricultura Digital: a revolução do ‘Big Data’ e da ‘Internet of Things’


Pedro Menezes Leitão, Senior Manager Advisory, EY Portugal

19 Jan 2018

A digitalização vai transformar radicalmente cada elemento da cadeia de valor da Agricultura, desafiando os papéis tradicionais das empresas.

A Digitalização da economia, em particular nas vertentes Big Data e Internet of Things, está a revolucionar várias indústrias – a Agricultura não irá ser uma exceção.

A maior parte das pessoas pensa que a Agricultura é um setor de baixa intensidade tecnológica. No entanto, muitos ficarão surpreendidos por saber que o primeiro drone comercial nos EUA foi licenciado para uma aplicação agrícola. A Agricultura moderna é um negócio sofisticado e em processo de digitalização – a recolha manual e análise e empírica da informação está a dar lugar à captura e processamento automático de dados pelos equipamentos, sensores e drones.

A utilização de dados e algoritmos avançados na Agricultura permite já a geração de instrumentos de apoio à decisão de elevada qualidade que permitem eficazmente otimizar a produtividade, sustentabilidade, fiabilidade, e até o custo da produção. Entramos numa era de agricultura de "precisão", na qual sabemos, para cada metro quadrado de terreno, qual a melhor semente, quantidade de fertilizante, nível de rega, e até qual é a distância ótima entre árvores, de forma a otimizar os mais variados parâmetros. Da mesma forma, a introdução de tecnologia blockchain introduziu a capacidade de certificação da origem dos produtos a um nível antes inimaginável.

Neste contexto, a digitalização vai transformar radicalmente cada elemento da cadeia de valor da Agricultura, desafiando os papéis tradicionais das empresas, as relações entre elas, os sistemas de definição de preço e contratos e, potencialmente, modelos de negócio completos. À medida que os dados da agricultura digital se vão tornando disponíveis, iremos observar grandes movimentos de concentração no setor. Tanto concentração horizontal – nos casos em que um produtor detém algoritmos mais "potentes", – seja vertical, por exemplo quando um operador agroindustrial necessitar de assegurar o acesso a matéria-prima com as especificações certas e a preços competitivos.
Investimentos massivos estão a ser feitos na Agricultura Digital, seguindo vários tipos de estratégia. Algumas empresas estão a investir intensamente na captura de dados e desenvolvimento de algoritmos proprietários. Outras têm seguido a via do outsourcing e licenciamento de software. A digitalização tem revolucionado indústrias inteiras, e a Agricultura não irá ser uma exceção. Os que "esperam para ver" correm o risco de ser irremediavelmente ultrapassados.

Fogo no Pinhal de Leiria foi criminoso

20.01.2018 às 22h00
 
NUNO BOTELHO

Engenho explosivo foi encontrado no pinhal que ardeu a 15 de outubro

A Polícia Judiciária de Leiria já identificou as causas dos dois incêndios que consumiram 86% do Pinhal de Leiria a 15 de outubro de 2017. "Ambos tiveram mão criminosa. Num deles foi usado um engenho artesanal para atear o fogo", avançou ao Expresso fonte da PJ. Contudo, os investigadores não conseguiram ainda identificar os autores.

Desse dia, o pior do ano em incêndios, em que morreram 45 pessoas, há já mais ocorrências com causa identificada. A PJ da Guarda confirma que os dois principais fogos registados no distrito foram iniciados por dois pastores locais que realizaram queimadas (proibidas naquela altura) para a renovação das pastagens. "Há vários pastores na região, são um grupo que se isola, fechado sobre si, e está a ser difícil identificar os autores concretos", avança fonte do processo.

A PJ de Coimbra também já determinou a causa de um dos mais graves incêndios de 15 de outubro, o da Lousã, que atingiu uma área de 43.941 hectares. "Uma árvore de grande porte caiu na linha de média tensão", garante um investigador, e projetou fagulhas em várias direções, com ajuda do vento forte.


Os sonhos de três jovens holandeses ganham raízes na serra da Estrela


Deirdre tem 25 anos. Jesse e Siegert, 24. Há um ano, trocaram os Países Baixos pela serra da Estrela, onde fundaram uma cooperativa agrícola. Na Faia Collective, o futuro rural constrói-se num equilíbrio entre o campo e as artes.

MARA GONÇALVES (Texto) e RICARDO LOPES (Fotografia) 20 de Janeiro de 2018, 6:32 

O que leva três holandeses de 24 e 25 anos a deixar o país natal para criar uma cooperativa agrícola (e não só) numa encosta remota da serra da Estrela? Sonhos. Muitos. Diferentes para cada um deles, mas próximos o suficiente para se unirem numa quinta em Faia, freguesia da Guarda com pouco mais de 200 habitantes, segundo os Censos de 2011.


Na lista de ambições de Deirdre Meursing, Jesse Schlechtriem e Siegert van den Berg não existia propriamente um futuro agarrado à enxada, como aquele que afugentou tantos daqui, mas antes desejos simples, quase universais. Como ser "o próprio patrão" e "ter uma empresa", com "liberdade" e "independência" para "construir alguma coisa sem a pressão de mais eficiência e produção". Ou o "bom tempo" e a "qualidade de vida" que acreditam existir em Portugal. E a vontade de pôr em prática, localmente e em pequena escala, as teorias demasiado abstractas que os tinham desiludido na universidade, em Utrecht, onde estudaram Filosofia (Deirdre), Políticas Ambientais (Siegert) e Psicologia Aplicada (Jesse).

Para Deirdre e Jesse, a criação do projecto Faia Collective marca também o regresso a um lugar que conhecem desde a adolescência. Em 2007, a mãe e o padrasto de Deirdre trocaram uma "comunidade artística" nos arredores de Amesterdão pela quinta isolada sobre o vale do Mondego. Deirdre e a irmã mais nova vieram com eles, tinham então 14 e 15 anos. "Foi uma mudança grande, mas senti uma enorme liberdade aqui e tinha os meus cavalos, por isso, na verdade, até fiquei muito feliz", ri-se. Foram Karen e Eelco que iniciaram grande parte do trabalho que a nova cooperativa quer agora continuar e ampliar. Recuperaram a maioria dos edifícios, mudaram a produção para agricultura biológica e criaram um festival de Verão ligado às artes performativas. Para a família de Jesse, há muito que Portugal era destino de férias. "Quando soubemos que eles também eram holandeses e que tinham acabado de abrir uma área de campismo [ao público], decidimos vir", recorda. A partir daí, voltaram todos os anos.

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Nos últimos tempos, no entanto, os pais de Deirdre começaram a dar sinais de querer passar o testemunho à geração seguinte. "O trabalho é muito árduo numa quinta e eles estão a ficar mais velhos e com vontade de fazer outras coisas", conta. Foi assim que Deirdre, Jesse e Siegert "entraram em cena". "É estranho porque não houve um momento em que dissemos: 'Agora vamos morar aqui com três ou quatro pessoas e fazer isto'. Mas todos nós acabámos por chegar aqui de uma forma natural, ficámos e fizemos um plano de negócios para três anos", recorda Deirdre. "É nisso que estamos empenhados agora."

Cânhamo, azeite e cultura
Não é fácil encontrar a quinta. O GPS indica estradas que não existem, levou-nos por caminhos empinados sem saída. Chegámos à terceira tentativa. Na fachada do edifício principal, ainda se lê o antigo nome da propriedade, Domínio Vale do Mondego. Mas desde Janeiro do ano passado que a cooperativa agrícola fundada por Deirdre, Jesse, Siegert e Jasper (que entretanto regressou aos Países Baixos) gere os desígnios da herdade. O objectivo é reforçar a parte agrícola e organizar mais eventos ao longo do Verão, agora "mais focados nos jovens". São tantos os planos que o cartão-de-visita da Faia Collective poderia cair em fole, numa lista de actividades. "Dava para desdobrar e ficava uma página de negócios com tipo meio metro", atira Siegert para gargalhada geral. "Jardim, azeite, festival, cultura, …", enumera, sentado num dos sofás gastos da sala, entre gatos dengosos.

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Uma das novidades que introduziram foi a plantação de cânhamo, para produzir óleo à base de canabidiol (CBD). A substância, embalada em pequenos frascos com conta-gotas, traz alegados benefícios para a saúde, nomeadamente no combate à insónia e à ansiedade. Além disso, estão a plantar mais cerejeiras e amendoeiras. E a mudar a marca de azeite, feito com as azeitonas que acabam de apanhar com a ajuda de voluntários e prensado na cooperativa local de olivicultores, na outra margem do Mondego. "Queremos focar-nos em produtos de grande valor [comercial] e tentar ter aqui toda a linha de produção ou perto", indica Jesse. No final, exportam tudo para os Países Baixos, onde "existe mercado para produtos biodinâmicos". Só assim, acreditam, é possível viver da agricultura. Num pedaço de terreno, cultivam ainda boa parte dos produtos hortícolas que consomem e fazem multiplicação de sementes biológicas para uma empresa sediada em Idanha-a-Nova.

Para Siegert, a mudança de vida não podia ter sido mais radical. "Sempre vivi na cidade. Nunca tinha estado numa quinta", confessa. "Quando vim, uma das coisas que tinha mais curiosidade era ver o que de facto acontecia na natureza quando as estações mudam." Quando estava a terminar o curso, a vinda para Portugal já se desenhava no horizonte. "Escrevi a minha tese sobre a serra da Estrela", conta. Um estudo teórico sobre como atrair jovens agricultores à região e, dessa forma indirecta, contribuir para diminuir a propagação dos fogos florestais.

"Agora que trabalho aqui, sei o quanto custa produzir um litro de azeite e, por isso, dou-lhe muito mais valor", exemplifica, para a seguir falar sobre um dos sonhos que o trouxe até Faia. "Não quero aprender tudo isto só por mim, mas também para ensiná-lo a quem vem cá." É essa a ideia por trás dos eventos que organizam durante o Verão (festivais, semanas temáticas, campanhas de apanha de produtos, eventos privados). Além da programação artística — que continua a ser assegurada pela mãe de Deirdre —, querem reforçar a componente educacional, promovendo debates sobre temas como sustentabilidade, liderança ou comércio justo.

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Na origem das diferentes actividades está sempre o mesmo "fundo ideológico". "A quinta é biodinâmica, todos os nossos produtos são certificados e, no caso dos eventos, tentamos que tenham conteúdo, para que as pessoas aprendam alguma coisa enquanto cá estão", enumera Jesse. "Fazemos sempre uma visita guiada pela quinta, para falar de agricultura e desta região", acrescenta Siegert. "Queremos mostrar que é possível manter estas tradições e lugares." Essa é uma das razões por que deixaram de abrir a quinta a estadias curtas, como estava inicialmente previsto. "As pessoas só passavam aqui a noite, por isso sentíamos que não nos conseguíamos relacionar verdadeiramente com elas e contar-lhes a nossa história", resume.

Foi um primeiro ano duro. Muitas mudanças e um Verão extremamente longo, quente e seco, que tratou de lhes recordar que a vida no campo não é fácil. A equipa perdeu entretanto um elemento, mas Deirdre, Jesse e Siegert não pensam em desistir. "Somos jovens e inexperientes, por isso há uma grande possibilidade de mudarmos muita coisa nos próximos anos, mas vejo um bom futuro", analisa Jesse. A longo prazo, os sonhos alargam-se. Querem encontrar "um equilíbrio entre a ligação à terra", contribuindo para a biodiversidade e para a conservação da flora original, e "tornar um sítio como este vivo outra vez", incentivando outros a escolher o mesmo caminho. Avança Deirdre: "Podemos ser um exemplo em Portugal de jovens que regressaram ao interior, com motivação e ambição de criar um negócio e viver numa região destinada a ser esquecida".

Venda de leite caiu 11% em 2016. Indústria fala em “demonização” do leite


Este mês deverá arrancar uma campanha com folhetos informativos nos supermercados.

PÚBLICO 19 de Janeiro de 2018, 8:41 Partilhar notícia


Na última década, o consumo de leite em Portugal baixou consideravelmente, tendo registado a maior queda em 2016. A tendência regista-se em toda a Europa, mas é em Portugal que a queda é mais acentuada, apontam os números da Associação Nacional da Indústria dos Lacticínios, citada esta sexta-feira pelo Jornal de Notícias.

Mostram os números apresentados, que, até 2003, o consumo de produtos lácteos aumentou todos os anos. No entanto, em 2008, o cenário alterou-se. Entre 2008 e 2012 o consumo caiu 4%. Depois disso, a queda foi ainda maior. Entre 2012 e 2016 o consumo destes produtos caiu 9,3%.

Industriais de lacticínios em "completa impotência" para resolver crise do sector


Em termos financeiros, a quebra de consumo representa uma perda nas vendas 11%, só de 2015 para 2016 (de 287,9 milhões de euros para 256,3 milhões de euros).

Paralelamente, o número de bebidas vegetais de soja, aveia, arroz, amêndoa, espelta e coco tem aumentado. Num só ano, a subida foi de 19%. De acordo com o Jornal de Notícias, a indústria dos lacticínios não quer que estes produtos vegetais estejam à venda na zona dos leites.

Além disso, a indústria pretende ainda avançar com uma campanha de alerta "para as campanhas de difamação do leite sem fundamentação científica". "Queremos recordar os consumidores de que o leite é um alimento rico em proteína, cálcio e vitaminas e que está a ser estigmatizado por causa das contradições que existem quanto ao seu consumo e que não devem alinhar em dietas alimentares que excluam os lacticínios", argumenta Paulo Leite, director da Associação Nacional da Indústria dos Lacticínios. "Há também várias modas que, talvez por uma questão de marketing, estão a demonizar os lacticínios", avalia Leite.

O argumento da "demonização dos lacticínios" é uma das objecções mais repetidas pela indústria dos lacticínios, e são frequentes as vezes em que, dos dois lados da discussão, são apresentados argumentos pouco fundamentados, como relata o documentário Leite: Factos, Números e Crenças.


Ao seu lado no combate à diminuição do consumo, a indústria dos produtos lácteos tem o apoio do Presidente da República, que em Agosto, em visita AgroSemana — Feira Agrícola do Norte, na Póvoa de Varzim, anunciou que iria participar numa "grande campanha" de apoio ao leite produzido em Portugal. A campanha deve arrancar este mês, com uma nova rotulagem que permite identificar o leite português.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Olival e azeite dominam edição deste ano da Feira Nacional da Agricultura


17.01.2018 / 12:09 

O certame, em Santarém, vai receber o "World Olive Oil Summit", com a presença de especialistas nacionais e internacionais da fileira do azeite. 

O olival e o azeite são os temas escolhidos para a 55.ª Feira Nacional de Agricultura/65.ª Feira do Ribatejo, que se vai realizar de 02 a 10 de junho no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, anunciou esta quarta-feira a organização. 

Em comunicado, o Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA) afirma que, em torno da temática do olival e do azeite, o certame vai receber o "World Olive Oil Summit", que contará com a presença de especialistas nacionais e internacionais da fileira do azeite. Nesse âmbito, vai realizar-se, ainda, o Concurso Nacional de Azeites, o Congresso Nacional de Azeite, o Simpósio Nacional de Olivicultura, uma exposição de Azeites Premiados, exposições de pintura e fotografia, ações de 'show cooking' para adultos e crianças e ainda a exibição de filmes alusivos ao tema, afirma a nota. 

Como tem sido tradição, nos dias úteis, a Feira Nacional de Agricultura volta a ser palco de um ciclo de seminários e colóquios para debate e discussão dos principais temas agrícolas, mantendo-se a zona para promoção e demonstração de maquinaria agrícola. O certame contém ainda áreas destinadas a equipamentos, às associações e cooperativas agrícolas, ao artesanato, à venda comercial diversa e a zona gastronómica, procurando "agradar aos vários tipos de público que visita a Feira". 

Os melhores produtos agroalimentares nacionais estarão em destaque no Salão Prazer de Provar, iniciativa que voltará a privilegiar ações dirigidas a produtores, consumidores e profissionais, com relevo para a área dedicada aos vencedores dos Concursos Nacionais de produtos portugueses, acrescenta. Paralelamente, decorrerá mais uma edição da Fersant — Feira Empresarial da Região de Santarém, promovida pela Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant).

Valsabor e Euroeste juntam forças para entrar no mercado asiático

A Valsabor vai comprar 50% da Euroeste. O objectivo é partirem juntas para a conquista das grandes praças de exportação do sector agro-pecuário, caso do mercado asiático.
Valsabor e Euroeste juntam forças para entrar no mercado asiático

Negócios jng@negocios.pt
19 de janeiro de 2018 às 10:08

A Valsabor e a Euroeste arrancaram com um processo de junção de sinergias para os mercados externos que permitirá aos dois grupos do sector agropecuário  tornarem-se num dos "players" de referência no espaço ibérico e no mercado europeu.


Esta união de forças vai materializar-se através da aquisição de 50% do capital da Euroeste por parte da Valsabor, empresa do Valgrupo.


Um dos objectivos desta parceria passa por entrar nas grandes praças de exportação deste sector, em particular na Ásia e em mercados como a China, Coreia do Sul, Filipinas e Vietname, assim como em países da América do Sul e América Central.

"Esta parceira que vai permitir uma redução dos custos resulta do aprofundamento das relações de ambos os grupos que se iniciaram há quatro anos com a criação de sociedades mistas, nomeadamente a Socampestre e Soclab", explicam as empresas em comunicado.


A Valsabor facturou em 2016 cerca de 57 milhões de euros e conta com 143 colaboradores. A Euroeste facturou em 2016 cerca de 85 milhões de euros e conta com cerca de 99 colaboradores.


Fernando Vicente, presidente do Valgrupo, refere no mesmo comunicado que "esta operação veio consolidar uma actuação conjunta nomeadamente onde já eramos sócios nas empresas Socampestre e Soclave, permitindo esta aliança uma significativa optimização de custos de ambos os grupos, sem redução de postos de trabalho".


Já Pedro Garcia de Matos, presidente da Euroeste, sublinha que "esta operação permite aos dois operadores portugueses uma nova visão e aumentar a nossa escala para entrar em desafiantes mercados internacionais, onde passaremos a deter uma maior capacidade de crescimento".

Combate a incêndios extremos "é impossível". A chave está na organização do território


18 jan, 2018 - 16:40 • Olímpia Mairos

Especialistas de vários países reuniram-se na UTAD para um debate sobre os incêndios extremos e os seus factores.
Foto: Nuno André Ferreira/Lusa

"Não é possível controlar incêndios extremos". Esta é uma opinião consensual, entre os investigadores de vários países que se reuniram esta quinta-feira na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), em Vila Real, para um debate sobre os incêndios extremos, os seus factores e casos de estudo recentes.

A iniciativa no âmbito do Firext, que visa "prevenir e preparar a sociedade para eventos extremos de fogo", desafia a "ver a floresta e não somente as árvores", serviu para fazer um ponto da situação do projecto que arrancou em 2016, antes dos grandes incêndios que devastaram Portugal, em 2017, e vitimaram mais de uma centena de pessoas.

Perante a impossibilidade de controlar incêndios extremos, os especialistas destacam a "necessidade de organizar o território para que não ocorram" e, caso, ainda assim, se verifiquem, defendem que a sociedade deve estar "devidamente preparada para enfrentar o incêndio e evitar a ocorrência de vítimas", explica a coordenadora do projecto, Fantina Tedim.

A investigadora da Universidade do Porto entende que "não se pode querer fazer tudo ao mesmo tempo", mas que é importante "perceber que o território nacional tem uma grande diversidade" e que "é necessário que toda a política tem de ser adaptada às realidades dos territórios locais".

Depois, é fundamental "dar um maior papel às populações, colocar as populações no centro da questão porque elas têm conhecimento, têm recursos que podem auxiliar no sentido de evitar as tragédias", defende a investigadora, concluindo que "os incêndios extremos podem ocorrer, mas isso não significa que esses incêndios se transformem em tragédias".

Espaço florestal menos contínuo, com menos combustível e com vegetação menos inflamável

Paulo Fernandes, investigador da UTAD que integrou a comissão técnica independente aos fogos de Pedrogão e de Outubro, considera que "a única forma de evitar" grandes tragédias "é criar condições para que os incêndios não ganhem essa envergadura", desde logo "evitar as ignições" e, depois, dar "uma resposta inicial o mais rápida e eficiente possível".

"Para estes fogos não há combate que valha, meios que valham. Portanto, se não for naqueles minutos iniciais, naquela meia hora inicial, tudo o que se possa fazer depois é simplesmente para defender pessoas e estruturas", enfatiza.

O especialista Paulo Fernandes, investigador da UTAD, defende que "é preciso que o espaço florestal seja menos contínuo, que tenha menos quantidade de combustível e tenha uma composição de vegetação menos inflamável", justificando que "depois de estarem em movimento, estes fogos entram facilmente em povoações. Por exemplo, chegaram ao centro de Mira, de Oliveira de Frades e de Oliveira do Hospital, porque aproveitam qualquer vegetação que exista".

Segundo Mário Pereira, investigador do Departamento de Física da UTAD, os "eventos extremos estão a ocorrer com maior frequência e com dimensões cada vez maiores, também".

"Há estas duas tendências crescentes, quer do número de incêndios, quer também dos seus impactos e consequências", diz, explicando que resultam de uma "combinação complexa de um conjunto de factores".

"É uma combinação de clima e de vegetação, dos combustíveis para o fogo e, depois, a forma como as populações estão organizadas. Tudo isto, traduz-se num cenário que pode ser bastante complicado, nomeadamente para o futuro, neste contexto em que estamos a viver de alterações climáticas", conclui.

Os investigadores falaram com os jornalistas à margem da conferência "Incêndios extremos: factores e casos de estudo recentes" no âmbito do projecto Firextr.

A ideia chave do projecto, que envolve oito instituições de Portugal, da Austrália, Canadá, França, Itália e EUA e deverá estar concluído até 2019, assenta no conceito 'fire smart territories' (território inteligente ao fogo), através de uma abordagem social-ecológica em todas as etapas da gestão dos incêndios, principalmente as de prevenção e preparação.

Portugueses consumiram menos açúcar. Governo prepara novo acordo com indústria


RTP19 Jan, 2018, 09:15

Portugueses consumiram menos açúcar. Governo prepara novo acordo com indústria | Albert Gea - Reuters

Os portugueses consumiram menos 5.500 toneladas de açúcar em 2017 devido à taxa das bebidas açucaradas. O governo prepara-se para acordar com a indústria a reformulação de alguns produtos como cereais, tostas ou batatas fritas.

Em entrevista à agência Lusa, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo, faz um balanço positivo da introdução da taxa das bebidas açucaradas, com a indústria a produzir bebidas com menos açúcar. 

Segundo Fernando Araújo, os resultados desta medida superaram as melhores expectativas do Governo, levando a uma redução do consumo calculada em 5.500 toneladas de açúcar. 

O secretário de Estado sublinhou que o consumo das bebidas mais açucaradas (com mais de oito gramas por 100 mililitros) diminuiu para metade.

Esta redução deveu-se à redução do consumo em si, mas também à "reformulação dos produtos", adiantou.

No próximo orçamento do Estado, a medida vai ser novamente analisada e poderá levar em conta uma das pretensões da indústria de serem criados escalões mais baixos da taxa.
Acordo com a indústria

O próximo passo da tutela passa por um acordo que o Ministério da Saúde está a preparar com a indústria agroalimentar, com vista à reformulação de produtos. 

"Vamos com eles (indústria) discutir objetivos concretos para determinado conjunto de gamas de produtos, ao longo de vários anos. A nossa proposta é de três anos com metas anuais de redução de sal e de açúcar nos produtos que consideramos mais importantes para ver se conseguimos por esta via melhorar a qualidade da alimentação dos portugueses", afirmou Fernando Araújo.
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Na mira do governo estão três áreas: o açúcar, o sal e as gorduras, nomeadamente as 'trans' (gorduras artificiais criadas pela indústria de alimentos).

"Vamos colocar objetivos de redução anuais, de modo a que estejam alinhados com as boas práticas europeias", disse.

Alimentos como cereais, refrigerantes, batatas fritas, sopas prontas a consumir, bolachas, iogurtes, leite com chocolate ou tostas deverão ser reformulados no seguimento deste acordo, explicou Fernando Araújo. 

No acordo ficarão definidas as responsabilidades das partes que, no caso da indústria, será produzir alimentos com menos quantidades de sal e açúcar.

"Vamos propor que seja elaborado um cabaz dos (alimentos) mais representativos. Nos cereais, por exemplo, vamos tentar perceber quais os que 80 % da população consome e depois, anualmente, iremos medir o açúcar (...) de modo a saber se estamos a conseguir reduzir a quantidade de sal e açúcar que ficar definido com acordo com a indústria", referiu.

A ideia é "chegar a acordo" e não criar mais taxas. Ainda assim, Fernando Araújo garante que se a redução de sal e açúcar não se registar, segundo o acordado entre as partes, "há outros instrumentos".

"Há condições para que a indústria portuguesa e europeia faça essa alteração de conteúdo", acrescentou.
Encaixe financeiro de 80 milhões de euros

A verba resultante da aplicar da taxa a bebidas açucaradas resultou num encaixe financeiro superior a 80 milhões de euros, destinados ao pagamento das dívidas do Serviço Nacional de Saúde. 

Para o próximo Orçamento do Estado, poderá haver uma mudança no destino a dar a essa verba. A tutela vê com bons olhos a possibilidade de usá-la na área da prevenção. 

Esse seria, aliás, o destino da taxa do sal, chumbada na Assembleia da República, e que resultaria em 30 milhões de euros anuais para a área da promoção da saúde.

"O objetivo não era angariar verbas, mas pressionar (a indústria) para reformular os produtos" e produzi-los com menos sal, explicou Fernando Araújo


Bombeiros condenam uso de designação "cabras sapadoras" em projeto do Governo


19 DE JANEIRO DE 2018 - 19:59
Designação é "abusiva, infeliz e desrespeitosa", dizem bombeiros.

A Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP) lamentou a designação "cabras sapadoras" dada ao projeto do Governo para gestão de combustível florestal, considerando abusiva a utilização do termo sapadores.

"A ANBP considera abusiva a utilização do termo 'sapadoras', uma vez que o mesmo reporta a uma classe profissional que conta com mais de 600 anos de história em Portugal e que merece o respeito de todos e sobretudo dos órgãos de soberania", precisa a associação que representa os bombeiros profissionais, em comunicado.

A reação da ANPB surge após o Governo ter anunciado, esta semana, que vai avançar este ano com projetos-piloto de "cabras sapadoras" com rebanhos dedicados à gestão de combustível florestal na rede primária.


A ANBP, que não contesta a importância do projeto, adianta que a designação é "infeliz e desrespeitosa para com uma classe que este ano foi tão sacrificada na defesa do seu país".

"Nunca na história, nem no tempo em que o Rei D.João I criou os bombeiros profissionais, nem no tempo do Salazar, os bombeiros foram alvo de um tratamento tão pouco digno", sustenta a associação, sublinhando que a atribuição desta designação ao projeto "mostra uma manifesta falta de sensibilidade para com a classe profissional, que luta há anos para que todos os bombeiros profissionais do país (sapadores, municipais e profissionais das associações humanitárias) sejam designados de bombeiros sapadores".

A ANPB refere que a recetividade dos sucessivos governos para esta questão "tem sido nula, recusando-se inclusivamente a aprovar o estatuto do bombeiro profissional".

No comunicado, a ANBP questiona também "o que aconteceria se o Governo designasse outras forças de segurança como 'cabras PSP' ou 'cabras GNR' ou 'cabras técnicos de proteção civil'.

A ANPC considera ainda que os bombeiros estão a ser "desconsiderados por quem, no tempo dos trágicos incêndios que assolaram o país em 2017, lhes prometeu mais dignidade e melhorias das suas condições de trabalho e carreira profissional".

"Não contestando a importância dos caprinos, consideramos que comparar as funções de um animal a um ser humano é desrespeitoso por parte de um Estado de Direito", concluiu.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Arranca a "Operação Floresta Segura"

15 jan, 2018 - 08:43

Em 2017, segundo a GNR, arderam mais de 527 mil hectares de mato e floresta, mais 367 mil hectares do que em 2016.
Foto: Joana Bourgard/RR

A Guarda Nacional Republicana (GNR) inicia, esta segunda-feira, em todo o território a "Operação Floresta Segura" reforçando as acções de patrulhamento, vigilância e fiscalização das zonas florestais no âmbito da prevenção e detecção de incêndios.

Em comunicado, a GNR adianta que as acções de sensibilização junto das populações sobre a problemática dos incêndios florestais arrancam hoje e terminam a 15 de Março e serão levadas a cabo pelo Serviço de Protecção da Natureza e Ambiente (SEPNA) e pelo Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro (GIPS).

Estas acções de sensibilização visam alertar para a importância dos procedimentos preventivos a adoptar nesta altura do ano, nomeadamente sobre o uso do fogo, a limpeza e remoção de matos e a manutenção das faixas de gestão de combustível, tendo em vista a redução do número de ocorrências e a minimização dos riscos de incêndio florestal.

Em 2017, segundo a GNR arderam mais de 527 mil hectares de mato e floresta, mais 367 mil hectares do que em 2016.

No comunicado, a GNR indica ainda que foram registadas 21.952 ocorrências, 9.864 crimes, 65 detidos por incêndio florestal, 919 pessoas identificadas e 4.578 contra-ordenações.

"A GNR, para além das acções de sensibilização, numa fase subsequente, irá realizar ações de fiscalização com o objetivo de corrigir as situações de incumprimento face à obrigatoriedade da manutenção das faixas de gestão de combustível", é ainda referido na nota.

“Ver a floresta e não somente as árvores”. Universidade debate incêndios extremos

17 jan, 2018 - 16:39 • Olímpia Mairos

Especialistas de vários países vão abordar, em várias vertentes, o grande incêndio de Pedrogão que, em Junho, vitimou 66 pessoas. Em análise estarão áreas como a meteorologia, o clima, o comportamento do fogo e a sua severidade e o impacto na comunidade. Debate decorre na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) vai reunir esta quinta-feira vários especialistas, para debaterem os incêndios extremos, os seus factores e casos de estudo recentes.
A conferência surge no âmbito do projecto Firext, que visa "prevenir e preparar a sociedade para eventos extremos de fogo" e desafia a "ver a floresta e não somente as árvores".

O projecto arrancou em Julho de 2016 e deverá estar concluído até Junho de 2019. É coordenado pela Universidade do Porto e envolve instituições de diversos países, tais como Portugal, Austrália, Canadá, França, Itália e EUA.

O Firextr tem como grande desafio "compreender os processos biofísicos e humanos que explicam a ocorrência de incêndios extremos", com vista a desenvolver "estratégias mais eficientes de prevenção, preparação do risco de incêndio e criar sociedades e ecossistemas mais resilientes".

O projecto parte do pressuposto de que os "incêndios extremos não são uma inevitabilidade" e defende, por isso, que "as comunidades e as sociedades têm que se prevenir e se preparar, atempadamente, para este tipo de eventos".

Em síntese o Firext assenta no conceito "fire smart territories" (território inteligente ao fogo), através de uma abordagem social-ecológica em todas as etapas da gestão dos incêndios, principalmente as de prevenção e preparação.

De acordo com o programa divulgado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, os especialistas vão também fazer uma abordagem ao grande incêndio de Pedrogão que, em Junho, vitimou 66 pessoas.

A tragédia de Pedrogão Grande vai ser analisada e debatida em várias vertentes, desde a meteorologia, o clima, o comportamento do fogo e a sua severidade e o impacto na comunidade.

A conferência, que terá lugar no auditório da Biblioteca Central da UTAD, conta com a participação de investigadores das universidades de Vila Real, Porto, Coimbra e Geórgia (Estados Unidos da América).


Arganil prepara um modelo de reflorestação que olha para a floresta no seu todo


14.01.2018 às 10h29


Modelo está a ser desenvolvido em várias componentes numa parceria com a Escola Agrária de Coimbra, o Instituto Superior de Agronomia (ISA) e uma docente da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Sílvia Benedito. É uma resposta aos incêndios de outubro

A Câmara de Arganil está a preparar um "modelo equilibrado de reflorestação do território", criado com a ajuda de instituições de ensino superior e em que não se esquece o património paisagístico da floresta.

"Logo após o incêndio percebemos que esta circunstância nos obrigava a ser ativos e a apontar caminhos. Foi nesse sentido que decidimos começar a trabalhar com instituições do ensino superior para definir um modelo equilibrado de reflorestação do território", disse à agência Lusa o presidente da Câmara, Luís Paulo Costa.

Neste concelho do distrito de Coimbra, onde está uma parte significativa da serra do Açor, a autarquia quer uma mudança na floresta, depois de o incêndio de outubro ter consumido grande parte da mancha florestal.

O modelo está a ser desenvolvido em várias componentes numa parceria com a Escola Agrária de Coimbra, o Instituto Superior de Agronomia (ISA) e uma docente da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, Sílvia Benedito.

Segundo Luís Paulo Costa, a intervenção divide-se em três vetores: a proteção das aldeias (contributo da Agrária de Coimbra), a reflorestação do território (com ajuda do ISA) e a floresta como património paisagístico (contributo de Sílvia Benedito).

Para o autarca, é necessária uma perspetiva integrada da floresta, que não olhe apenas para a economia, mas para a paisagem e para a proteção das populações.

Luís Paulo Costa dá o exemplo da aldeia de Soito da Ruiva, onde foi possível identificar "um conjunto de socalcos que estavam escondidos pela floresta", bem como "doze moinhos".

"Tem de se considerar a paisagem. Não é só floresta. Há que assumir que algumas áreas na proximidade das aldeias possam ter outras coisas que não floresta. Por exemplo, introduzindo-se a pastorícia, permite-nos ter os socalcos com vegetação controlada", fundamentou, acrescentando que a paisagem fica mais aprazível.

Já na área da proteção das aldeias, o município pretende que o modelo estimule a organização de cada uma das aldeias e crie perímetros de proteção.

Segundo Luís Paulo Costa, há a perspetiva de ter o modelo finalizado até ao final de janeiro para poder depois ser discutido com parceiros, como juntas de freguesia ou comissões de melhoramentos das aldeias.

"Há que envolver as pessoas", defendeu.

O autarca sublinha ainda que olha com "alguma apreensão" para o reordenamento florestal, considerando que o mesmo tem que avançar o mais rapidamente possível.

"Há propriedades florestais com dois ou três mil metros quadrados. Isso não permite fazer uma gestão planificada e profissional da floresta", notou.

Relativamente à reconstrução das casas de primeira habitação, há 118 destruídas, sendo que 18 processos já foram submetidos à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC), seis dos quais já validados.

Além disso, já está a ser executada a obra "em nove habitações", acrescentou.

Grande parte da Mata Nacional da Margaraça deverá recuperar do fogo de outubro de 2017, já que houve uma regeneração "na ordem dos 80% da área ardida", explicou.

"Na mata, foi um fogo rasteiro que ardeu de forma lenta, enquanto na floresta de pinheiro e eucalipto foi um fogo com altura superior a dez metros e uma violência muito maior", frisou.

Os fogos de outubro em vários concelhos do país, que surgiram em zonas florestais e atingiram sobretudo a região Centro, fizeram 45 mortos e dois desaparecidos, além de cerca de 70 feridos.

Ainda existem 57 municípios sem planos de defesa da floresta

Há 57 municípios sem planos de defesa da floresta


Foto: MANUEL DE ALMEIDA / LUSA



O secretário de Estado das Florestas disse esta quarta-feira que "ainda existem 57 municípios que não têm Planos Municipais de Defesa da Floresta Contra Incêndios aprovados".

"Lançámos um alerta, fizemos um contacto com cada um dos municípios e disponibilizámos uma equipa do ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas] para acompanhar a preparação do processo para aprovação dos planos [PMDFCI], que se não forem concretizados terão um impacto negativo no orçamento dos municípios", afirmou o governante Miguel Freitas.

No âmbito de uma audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar, requerida pelo BE, o secretário de Estado das Florestas explicou que a regulamentação dos PMDFCI integra a reforma da floresta, acrescentando que o Governo está focado "na necessidade de, rapidamente, operacionalizar um conjunto de medidas [...],todas aquelas que são necessárias para que o ano de 2017 não se repita".

"O país não está satisfeito com a floresta que tem. Temos que mudar, temos que fazer aquilo que é preciso para que a floresta se ajuste melhor àquilo que são as novas condições que se vivem nos territórios rurais", defendeu o governante, considerando que o último ano foi "trágico" em termos de incêndios florestais, pelo que é preciso tirar "algumas lições" e "pensar o futuro".


Dos 308 municípios portugueses, "ainda existem 57 municípios que não têm PMDFCI aprovados", avançou Miguel Freitas.

Sobre o trabalho do atual executivo após os fogos de 2017, o secretário do Estado das Florestas destacou três prioridades - a preservação dos recursos do solo e da água, os parques de madeira ardida e a proteção das matas públicas.

"A floresta portuguesa está quase toda assente em solos de fraca qualidade e quando ocorrem incêndios o que acontece é que, como não fazemos o trabalho bem feito, perdemos ainda mais solo e perdemos ainda mais qualidade dos solos que temos", advogou o governante.

Neste sentido, Miguel Freitas considerou "essencial" a questão da estabilização de emergência dos solos ardidos, revelando que "existem ainda muros burocráticos" que impedem uma resposta rápida neste âmbito.

Pela primeira vez em Portugal houve ações de estabilização no ano em que os incêndios ocorreram

"Não podemos deixar de transmitir ao país e transmitir àqueles que têm responsabilidade em executar as tarefas de estabilização de emergência, o sentido de urgência", declarou o secretário do Estado, lembrando que foram disponibilizados 50 milhões de euros para intervenções neste âmbito e, "além disso, o ICNF e a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), com as autarquias, têm executado ações de estabilização de emergência".

De acordo com o governante, "foram feitas 12 estabilizações de emergência no último ano".

"Pela primeira vez em Portugal houve ações de estabilização no ano em que os incêndios ocorreram", reforçou Miguel Freitas, admitindo que, ainda assim, "é evidente que o que está a ser feito não é o suficiente".

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, acabou também por morrer. Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

Já as centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e dezenas de feridos. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Governo aprova criação da Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais


HÁ 2 HORAS

O Conselho de Ministros aprovou dois diplomas da estratégia de defesa da floresta e prevenção e combate a incêndios, que visam reforçar a "proteção de pessoas e bens e a resiliência do território".


O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira dois diplomas da estratégia de defesa da floresta e prevenção e combate a incêndios, nomeadamente a Diretiva Única de Prevenção e Combate e a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais.

Na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministros, o ministro da Administração Interna disse que a aprovação destes dois diplomas visa o "reforço do nível de proteção de pessoas e bens e a resiliência do território face à ocorrência de fogos rurais".

Sobre a Diretiva Única de Prevenção e Combate, o ministro Eduardo Cabrita disse que o diploma vai, "pela primeira vez e de forma integrada", aprovar as responsabilidades dos vários participantes no sistema, "melhorando a flexibilidade e coordenação entre eles, desde a fase de planeamento, passando pela prevenção até à supressão dos fogos rurais".


Já a Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), que "só funcionará em 2019", vai ter como competências "a análise integrada, o planeamento e a coordenação estratégica do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), incluindo o apoio qualificado à intervenção em eventos de elevado risco".

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, acabou também por morrer.

Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

Já as centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e dezenas de feridos. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande.

Tendo em conta outros incêndios no ano passado, registaram-se pelo menos 116 vítimas mortais em fogos de origem florestal.

Os últimos três anos foram os mais quentes desde que há registo


HÁ 2 HORAS

A temperatura baixou ligeiramente de 2016 para 2017, mas a tendência continua a ser para temperaturas altas. Dos 18 anos mais quentes desde que há registo, 17 foram neste século.

"O aquecimento do Ártico tem sido especialmente alto e isto vai ter repercussões profundas e duradouras no nível média de água do mar", disse o secretário-geral da OMM
Mosvold Larsen/AFP/Getty Images

A temperatura do planeta Terra continua em valores recorde. Segundo a NASA e Organização Mundial de Meteorologia (OMM), 2017 foi o segundo ano mais quente desde 1880, quando começaram a ser feitos os registos.

A conclusão da NASA e da OMM vem confirmar que os últimos três anos foram os mais quentes desde que há registo.

Segundo a OMM, a temperatura média à superfície de 2017 foi 1,1 graus Celsius acima dos níveis da era pré-industrial — tal como já tinha acontecido em 2015. Em 2016, o ano mais quente desde que há registo, a temperatura média excedeu os valores de 1880 em 1,2 graus Celsius.

Temperatura média desde 1950, em relação ao ano de 1880. A vermelho, os anos em que houve El Niño. A azul, os anos em que houve La Niña. A cinzento, os anos em que não houve nenhum. (Fonte: Organização Mundial de Meteorologia)

Porém, 2017 foi o ano mais quente desde que há registo se forem tido em contas apenas os anos em que não houve El Niño, fenómeno meteorológico que pode aumentar as temperaturas.

Apesar de a temperatura média ter descido 0,1 graus Celsius de 2017 para 2016, o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, aponta para a tendência geral de aquecimento. "A tendência de [subida de] temperatura a longo prazo é mais importante do que a classificação de cada ano, e essa tendência é de subida", disse o responsável num comunicado de imprensa da OMM. "17 dos 18 anos mais quentes desde que há registo foram todos neste século e o grau de aquecimento durante os últimos três anos foi excecional."

O secretário-geral da OMM disse ainda que "o aquecimento do Ártico tem sido especialmente alto e isto vai ter repercussões profundas e duradouras no nível média de água do mar e nos padrões meteorológicos noutras partes do mundo".

Governo assume como “prioridade absoluta” limpeza do mato até maio


HÁ 2 HORAS

O ministro da Administração Interna assumiu como "prioridade absoluta" a limpeza do mato até maio, destacando o reforço no domínio da prevenção de incêndios florestais.

O ministro da Administração Interna assumiu esta quinta-feira como "prioridade absoluta" a limpeza do mato até maio. Eduardo Cabrita considerou que a responsabilidade deve ser "de todos" os cidadãos e destacou o reforço no domínio da prevenção de incêndios florestais.

"Não deixaremos de fazer tudo para que, no domínio da prevenção, no domínio da preparação para um melhor combate, se faça este ano – como tem dito o senhor primeiro-ministro — tudo aquilo para que nada seja como antes nesta matéria", declarou Eduardo Cabrita.

Na conferência de imprensa no final do Conselho de Ministro, o governante disse que estão identificadas 19 áreas de maior risco de incêndios florestais, numa lista "que será subsequentemente divulgada a todos", assim como os municípios, as freguesias e as aldeias em que se verifica um maior risco.


"Para todos os cidadãos, a maior prioridade agora é a sensibilização para a prevenção", defendeu o tutelar da pasta da Administração Interna, indicando que deve existir um "esforço nacional" neste domínio para que, "com meios reforçados, previstos no Orçamento do Estado, se programe o combate e se prepare a transição para um modelo diferente, um modelo que permitirá sobretudo uma intervenção acrescida na área florestal".

Os incêndios que deflagraram na zona de Pedrógão Grande, distrito de Leiria, e Góis, distrito de Coimbra, a 17 de junho, provocaram 66 mortos: a contabilização oficial assinalou 64 vítimas mortais, mas houve ainda registo de uma mulher que morreu atropelada ao fugir das chamas e uma outra que estava internada desde então, em Coimbra, acabou também por morrer.

Do incêndio resultaram ainda mais de 250 feridos.

Já as centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e dezenas de feridos. Esta foi a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande.

Tendo em conta outros incêndios no ano passado, registaram-se pelo menos 116 vítimas mortais em fogos de origem florestal.

Produtores de pera rocha pretendem atingir 100 milhões em exportações em 2019

17/1/2018, 12:22

Os produtores de pera rocha esperam atingir os 100 milhões de euros em exportações em 2019. Entre janeiro e novembro de 2017, as exportações de pera rocha ultrapassaram os 82 milhões de euros.


A Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha (ANP) disse esta quarta-feira que espera atingir 100 milhões de euros de exportações em 2019, sustentando o aumento em ações de promoção internacional.

"Entre janeiro e novembro de 2017, as exportações de pera rocha ultrapassaram os 82,4 milhões de euros, um aumento de 19% em comparação com 2016. Com as ações de promoção e divulgação previstas, a ANP espera alcançar os 100 milhões de euros de exportações em 2019, o que equivale a um crescimento de 21% face ao valor atual das vendas internacionais deste fruto", referiu, em comunicado, a associação.


De acordo com os dados disponibilizados pela ANP, Brasil, Reino Unido, França, Alemanha e Marrocos são os principais destinos de pera rocha, absorvendo 81% do valor total das exportações nacionais.

O projeto de promoção global da pera rocha nos mercados externos é cofinanciado pelo Compete 2020, no âmbito do Programa Operacional de Competitividade e Internacionalização. No total, está previsto um investimento global de 430.902 euros, sendo que cerca de 85% do valor é financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

Entre as ações de promoção internacional previstas, encontra-se a presença na feira de produtos hortofrutícolas 'Green Week' (Semana Verde), que vai decorrer em Berlim entre os dias 19 e 28 de janeiro.

Seca e incêndios causam mais emissões e agravamento da qualidade do ar em 2017


HÁ 6 MINUTOS

A seca e os incêndios tiveram reflexo nas emissões de dióxido de carbono, que terão aumentado, levando a um agravamento da qualidade do ar em 2017.

A seca e os incêndios tiveram reflexo nas emissões de dióxido de carbono, que terão aumentado, levando a um agravamento da qualidade do ar, em 2017 relativamente a 2016, disse esta quinta-feira o secretário de Estado do Ambiente.

"Em 2017, vamos ter um agravamento das emissões, com isso a influenciar algum agravamento da qualidade do ar", avançou Carlos Martins, falando aos jornalistas, em Lisboa, à margem da apresentação do Relatório do Estado do Ambiente 2017 (REA), referente a dados de 2016.


O governante explicou que a qualidade do ar em 2016 "tinha sido a melhor algum dia registada com muito menos dias sem a classificação de bom", ou seja, com menos de bom.

O ano passado "não trará, com certeza, essa trajetória porque, infelizmente, houve ocorrências em algumas zonas do país que habitualmente" apresentam uma boa qualidade do ar, e agora "terão tido períodos ou dias afetados", especificou.

Durante a sessão de apresentação do REA, o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, referiu que as 69 milhões de toneladas de dióxido de carbono atingidas representaram uma descida relativamente a anos anteriores, mas que "em 2017, devido à seca e aos fogos florestais, os números vão elevar-se para próximo daqueles atingidos em 2005", devendo atingir "cerca de 80 milhões de toneladas".

Os incêndios florestais de 2017, que causaram 116 mortos e uma das maiores áreas ardidas de sempre, exigiram uma mudança do 'mix energético', com alterações no desempenho das renováveis, nomeadamente das barragens.

"Limitamos a partir de maio a produção de energia elétrica a partir das soluções hídricas para garantir, por um lado, a rega e, por outro, o abastecimento público de água às populações, como prioridades máximas", referiu o secretário de Estado do Ambiente.

Os produtores de energia tiveram de encontrar outras fontes alternativas para que a eletricidade não faltasse na casa dos consumidores, nomeadamente o carvão e o gás natural que, sobretudo o primeiro "agrava a qualidade do ar", acrescentou.

Quando estiverem disponíveis os dados sobre 2017, resumiu o responsável, "trarão uma trajetória, um valor que será penalizante".

O REA 2017 reporta "uma fotografia de 31 de dezembro de 2016 e ainda não reflete as implicações da seca e dos incêndios florestais", fez questão de referir o secretário de Estado, recordando que estão a ser feitos esforços para que as estatísticas relacionadas com o Ambiente passem a disponibilizar dados mais atuais.

Aquele documento, disponibilizado no 'site' na internet da APA na semana passada, abrange dados sobre economia e ambiente, energia e clima, transportes, ar e ruído, água, solo e biodiversidade, resíduos e riscos ambientais.

Ministério da agricultura garante que levou questão da seca a Bruxelas em junho


17 DE JANEIRO DE 2018 - 18:21
Comissão Europeia diz que, até dezembro, as autoridades portuguesas "não solicitaram qualquer apoio em relação às secas".


O ministério da agricultura garante que levou a questão da seca a Bruxelas em junho, contrariamente ao que afirma a comissária europeia para a Política Regional, Corina Cretu.

Em resposta à questão do eurodeputado Fernando Ruas sobre possíveis apoios a Portugal no combate aos efeitos da seca, a comissária escreveu, numa carta datada de 8 de dezembro de 2017, que "até ao presente, as autoridades portuguesas ainda não solicitaram qualquer apoio em relação às secas".

Fernando Ruas admite que não esperava essa resposta.

Contactado pela TSF, o ministério da agricultura assegura que em junho do ano passado o Governo levou o tema da seca à reunião do Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia, que teve como objetivo, precisamente, aprovar medidas de apoio aos agricultores afetados pela situação de seca.

Na carta enviada a Fernando Ruas, a comissária europeia também recomenda que Portugal avalie a vulnerabilidade e os riscos climáticos das barragens e aposte noutras fontes de energia.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Governo diz que há “cerca de 100 mil hectares abandonados de eucalipto” em Portugal


17/1/2018, 19:10

A área florestal portuguesa tem "cerca de 100 mil hectares abandonados de eucalipto", afirmou o secretário de Estado das Florestas, que defendeu a reconversão destas plantações.

A área florestal portuguesa tem "cerca de 100 mil hectares abandonados de eucalipto", afirmou esta quarta-feira o secretário de Estado das Florestas, defendendo a reconversão destas plantações quando estão em áreas inadequadas em termos de produtividade.

"É fundamental olhar para esses 100 mil hectares abandonados, mantendo eucalipto naquelas áreas onde a produtividade assim o permite e reconvertendo as áreas que não são as mais adequadas para a plantação de eucalipto", declarou Miguel Freitas.


No âmbito de uma audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar, requerida pelo BE, o governante anunciou a abertura de uma medida agroflorestal direcionada à zona piloto do Pinhal Interior para que se inicie o processo de substituição de áreas de eucalipto e de pinheiro por folhosas de crescimento lento.

"Em Pedrógão Grande, vamos abrir um primeiro anúncio, muito rapidamente, para fazer a substituição de áreas de eucalipto e de áreas de pinheiro por folhosas de crescimento lento", avançou o secretário de Estado das Florestas, explicando que o objetivo é "criar descontinuidade e diversificação do mosaico da floresta portuguesa".

Neste âmbito, o Governo pretende ainda adotar medidas para atrair o investimento dos proprietários florestais nas espécies de crescimento lento.

Respondendo às criticas do deputado do PSD Maurício Marques de que "nem as matas nacionais foram poupadas" nos fogos do último ano, Miguel Freitas afirmou que "nenhum fogo em matas públicas se iniciou dentro de uma mata pública".

"Nenhum fogo numa mata pública deu-se antes de quatro horas daquilo que foi o início do incêndio. Quando os fogos chegaram às matas públicas já iam de tal forma que era muito difícil pará-los", frisou o governante, defendendo que "as matas públicas estão muito melhor geridas do que a maioria da floresta portuguesa".

Segundo o titular da pasta das Florestas, "até ao dia 14 de outubro havia 20 hectares ardidos nas matas públicas", pelo que a maior área ardida nas matas públicas se deveu à "excecionalidade" do dia 15 de outubro, particularmente no litoral centro do país.

"Evidentemente, é preciso mais recursos, é preciso fazer melhor", reconheceu Miguel Freitas.

Na audição parlamentar, o secretário de Estado das Florestas disse ainda que está a preparar "uma reforma profunda do ICNF [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], no sentido da territorialização".

"Temos dois meses para conhecer, exatamente, aquilo que será o futuro ICNF", adiantou.

Relativamente à madeira ardida nos fogos do último ano, o governante referiu que "há cerca de dois milhões de toneladas de madeira boa ainda no terreno", indicando que "ainda esta semana" serão constituídos "parques de madeira, cuja grande prioridade é a madeira de serração".

"Toda a madeira de qualidade deve ser tirada e deve ser parqueada", defendeu Miguel Freitas, explicando que se trata de madeira de pinho, em que das duas toneladas existentes, uma tonelada é de madeira pública e a outra tonelada é de madeira privada.

De acordo com o secretário de Estado das Florestas, a ideia do parqueamento visa "evitar aumentar as importações de madeira de pinho" até 2020.

Além destes parques, o Governo pretende criar "um parque de madeira do ICNF para armazenar 100 mil toneladas de madeira", de forma a "agir sempre que necessário nas matas públicas".

"Há um preço mínimo para a madeira de serração de 25 euros ao produtor mais quatro euros que o Estado vai dar ao produtor, portanto o produtor receberá sempre no mínimo 29 euros por tonelada de madeira de serração", afirmou Miguel Freitas, explicando que a madeira será entregue a 46 euros no parque para garantir o custo da operação ao madeireiro.

Relativamente aos resineiros, o Governo está a preparar um programa para apoiar, "ainda este ano", estes profissionais da área florestal.

"Vamos ter um trabalho com os resineiros, no sentido de os manter 12 meses na floresta", informou o governante, precisando que a ideia é que estes profissionais desenvolvam "uma atividade a favor da floresta", prestada como um serviço público, quando não estiverem a desenvolver a sua atividade económica.

"Portugal não pode dar-se ao luxo de perder mais qualidade de solo"


16 DE JANEIRO DE 2018 - 19:45

Portugal tem de "andar depressa" em matéria de estabilização da emergência, alerta Miguel Freitas.


O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, disse que "Portugal não pode dar-se ao luxo de perder mais qualidade de solo".

O secretário de Estado, que discursava na sessão de encerramento da conferência "Reinventar a Floresta, Reconstruir Oportunidades", descreveu as várias políticas que estão a ser implementadas, frisando e apelando ao "empenhamento de todos".

"Tivemos cerca de 500.000 hectares ardidos em Portugal e a nossa preocupação foi a ideia de que a estabilização de emergência é uma ideia essencial para o país, isto é preservar recursos. Não nos podemos dar ao luxo de perder mais qualidade de solo. Temos de andar depressa. Não podemos continuar a permitir que o mundo da burocracia não permita agir no tempo certo em matéria de estabilização da emergência", disse Miguel Freitas.

O governante contou que no próximo dia 23 será dado "o primeiro passo para construir os contratos com as organizações de produtores florestais" e falou em "alteração profunda na relação entre o Estado e os baldios".,

"Não nos conformamos com a ideia de que o Estado deve sair da gestão dos baldios. Queremos apoiar uma gestão profissional dos baldios", disse.

Quanto à fileira do pinho que está, disse, "a viver momentos muito difíceis", também durante esta semana será lançado o anúncio para a abertura dos parques de madeira que permitirão, garantir preço justo aos produtores.

Segundo Miguel Freitas, o objetivo é evitar aumentar o 'gap' em termos de importação de pinho em Portugal.

"Temos de dar respostas às questões mais importantes da floresta. Está a ser criada a diretiva sobre proteção da floresta. Pela primeira vez não haverá fronteira entre prevenção e combate. E pela primeira vez haverá tanto dinheiro para prevenção como para o combate", descreveu.

O governante também explicou que a criação de gabinetes técnicos intermunicipais será anunciada quarta-feira, sendo que esta medida obedecerá a uma "coerência territorial", sendo objetivo "coordenar os gabinetes municipais e eleva-los à escala intermunicipal".

Por fim, Miguel Freitas apontou que a tutela vai abrir concurso para que as comunidades intermunicipais criarem Brigadas de Sapadores Florestais e enumerou outras medidas como os programas de fogo controlado ou os apoios à silvopastorícia.

Antes, o secretário de Estado ouviu o novo presidente da Forestis -- Associação Florestal de Portugal, que foi quem organizou a conferência no Porto, pedir-lhe que fosse cumprido um despacho datado de 2009 que instituía o premio nacional José Moreira da Silva.

Braga da Cruz, presidente da Forestis que tomou posse esta tarde, apelou a que Portugal tenha níveis mais elevados de floresta certificada e prometeu que a entidade que representa apostará em medidas de prevenção de incêndios e redução do material combustível, entre outros aspetos.

"A sua [dirigindo-se ao secretário de Estado] presença pode ser interpretado como de expectativa em relação ao trabalho da Forestis, mas também afirmo que saberemos denunciar aquilo que nos parecer disfuncional e prejudicial para as associações florestais", referiu Braga da Cruz.

Já o antecessor, agora ex-presidente, Francisco Carvalho Guerra, pediu mais apoios para a Forestis, apontando que só por uma vez esta associação recebeu uma verba estatal.

Governo vai criar "cabras sapadoras" para gestão de combustível florestal


"Pela primeira vez em Portugal, vamos ter uma directiva operacional que mostra bem aquilo que se vai fazer quer em combate quer em prevenção", diz secretário de Estado das Florestas.
LUSA 17 de Janeiro de 2018, 17:51 Partilhar notícia

O Governo vai avançar este ano com projectos-piloto de "cabras sapadoras" com rebanhos dedicados à gestão de combustível florestal na rede primária, anunciou o secretário de Estado das Florestas, destacando o reforço na prevenção de incêndios.

"A questão silvo-pastoril é essencial, por isso vamos fazer projectos-piloto este ano de chamadas 'cabras sapadoras'", declarou Miguel Freitas, explicando que o Governo vai intervir na rede primária através da componente mecânica com o fogo controlado e através da componente biológica com silvo-pastorícia.

Grandes incêndios de 2017 afectaram mais de dez mil postos de trabalho


Segundo o governante, as organizações de produtores florestais são "os parceiros privilegiados" para a defesa da floresta contra incêndios.

No âmbito de uma audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar, requerida pelo BE, o secretário de Estado das Florestas lembrou que já foram disponibilizados 17 milhões de euros para executar acções de defesa da floresta contra incêndios, destinados essencialmente à rede primária.

"Temos 130 mil hectares para executar", referiu o governante, acrescentando que "estão feitos apenas 40 mil hectares" e a expectativa é "nos próximos três anos poder executar a totalidade da rede primária da defesa da floresta contra incêndios".

Aos 17 milhões disponíveis neste âmbito "serão somados 15 milhões para executar este ano cerca de mil quilómetros de rede primária de defesa da floresta contra incêndios e manter 20 mil hectares da rede primária que está executada", indicou Miguel Freitas.

De acordo com o titular da pasta das Florestas, o país vai ter, "pela primeira", um equilíbrio orçamental entre a prevenção e o combate aos incêndios florestais.

Provedora da Justiça endereçou ao Governo 16 pedidos de pagamento de indemnizações a vítimas dos incêndios

O governante referiu ainda que o país vai ter igualmente uma directiva única de prevenção e combate aos fogos. "Pela primeira vez em Portugal, vamos ter uma directiva operacional que mostra bem aquilo que se vai fazer quer em combate quer em prevenção. Até agora, a directiva operacional era apenas de combate", declarou o secretário de Estado das Florestas.

Questionado pelos deputados do PSD sobre como é que o Governo vai garantir que a Infraestruturas de Portugal cumpre a lei para a limpeza das faixas de gestão de combustível florestal, Miguel Freitas disse que a empresa pública já abriu um concurso, no valor de 18 milhões de euros, para fazer a limpeza da rede viária, considerando que "há uma grande determinação para avançar com a limpeza".

Agricultores e produtores florestais protestam por novas medidas de apoio

16.01.2018 18:39 por Lusa 0

Organizações anunciaram que os lesados pelos incêndios irão "protestar publicamente" se o Governo não responder às suas reclamações.

MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Agricultores afectados pelos incêndios de 2017 exigiram hoje novas medidas e a correcção das ajudas em vigor, tendo três organizações anunciado que os lesados irão "protestar publicamente" se o Governo não responder às suas reclamações.

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a Associação Distrital dos Agricultores de Coimbra (ADACO) e o Movimento Associativo de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM) enviaram hoje um documento com várias exigências ao ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, e à Comissão de Agricultura e Mar da Assembleia da República.

Num comunicado conjunto, as três estruturas pedem "a reabertura urgente das candidaturas simplificadas durante um mês, no mínimo com os apoios anteriores, de maneira a que quem não se candidatou tenha a possibilidade de o fazer", defendendo ainda que "quem não se candidatou" à medida 6.2.2. do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR 2020), para "reposição do potencial produtivo das explorações", o possa igualmente fazer "pelo menos até Julho".

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Segurança Social prestou 7.400 atendimentos às vítimas dos incêndios Nalguns casos, os titulares das explorações "só na altura das férias se podem dedicar à tarefa mais complexa que comporta esse tipo de candidaturas", justificam.

Outra das exigências é a "correcção dos critérios e valores desadequados impostos pelo Ministério da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento Rural (MAFDR) e pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP)", para as candidaturas simplificadas até 5.000 euros e para as candidaturas ao PDR 2020 acima deste valor.

A CNA, a ADACO e o MAAVIM, este com sede no concelho de Tábua, querem "medidas urgentes de apoio para florestação e replantação, incluindo áreas comunitárias, no sentido de repor o material produtivo com prioridade para a floresta multi-funcional".

Já os apoios financeiros para os produtores florestais e os "parqueadores da madeira salvada" (queimada) devem ser "completados pelo pagamento" por parte do MAFDR e do IFAP "dos diferenciais entre os preços reais e os preços agora definidos ao alto na mata e à entrada dos parques, tendo também em conta os preços de compra a praticar no escoamento da madeira pelas fábricas de serração ou de trituração".

É igualmente preconizada "a criação e gestão pelo Governo, em colaboração com autarquias e os produtores florestais, de numerosos parques de recepção e comercialização das madeiras salvadas dos incêndios", a fim de garantir "rendimento reparador aos pequenos e médios produtores florestais afectados e assegurar o escoamento controlado da madeira queimada, bem como a limpeza dos terrenos e linhas de água".

"Nos projectos em que se esteja a recuperar plantações ou investimentos" ainda em fase de execução, "o Governo deve assegurar 100% da sua execução (...), alargando o prazo para cumprimento das metas ou, se assim não for, deixar terminar a sua operação sem qualquer penalização", reclamam os representantes dos produtores.

Na sua opinião, "todas estas medidas devem ser colocadas no terreno com urgência", caso contrário "não restará alternativa senão a de protestar publicamente e a curto prazo", anunciam a CNA, a ADACO e o MAAVIM. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Portugal defende apoio às regiões ultraperiféricas fora da PAC

Dinheiro Vivo/Lusa 15.01.2018 / 18:52 

O ministro da Agricultura reuniu-se hoje, em Tenerife, com os seus homólogos de Espanha e França. 

O ministro da Agricultura reuniu-se hoje, em Tenerife, com os seus homólogos de Espanha e França, onde acordaram que os apoios à agricultura das Regiões Ultraperiféricas (RUP) deve ser realizado fora da Política Agrícola Comum (PAC). 

"É estratégia destes três países que a negociação sobre o envelope financeiro das regiões ultraperiféricas seja acordado fora do pacote da Política Agrícola Comum", afirmou à Lusa Capoulas Santos, salientando que este é um objetivo a atingir num contexto "muito difícil e onde somos confrontados com as consequências do 'Brexit', que certamente, irão ter um impacto financeiro negativo no futuro orçamento da União Europeia". 

De acordo com o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, trata-se de uma matéria que apenas afeta três Estados-membros e, por isso, é importante que exista "um canal de comunicação" entre os interessados, de modo a ir ao encontro dos objetivos do tratado fundador da União Europeia, que consagra um apoio específico às regiões insulares ou com dupla insularidade, como é o caso da Madeira e dos Açores.


 "Tratou-se de delinear estratégias […] para que os países que têm interesses comuns nestas matérias possam influenciar as políticas europeias […] que, no caso das regiões ultraperiféricas, têm como objetivo principal, garantir os meios financeiros para depois de 2020", sublinhou. De acordo com Capoulas Santos, houve ainda uma reunião da comissão mista, designada "Amigos da Banana", formada por representantes dos Governos das RUP dos três países. 

"Nos últimos anos, a União Europeia tem vindo a proceder a uma abertura de mercado, especialmente da América latina e de África, que tem vindo a provocar uma pressão em baixa sobre os preços da banana europeia, que tem requisitos de qualidade e custos de produção mais elevados e, portanto, essa compensação tem que ser garantida no futuro e daí desde já a importância de manter uma troca de informações entre os países e a Comissão Europeia", considerou.

App chinesa que vende vegetais vale quase 3 mil milhões de dólares


12/1/2018, 23:52

A aplicação para smartphone, Meicai, está agora avaliada em 2,8 mil milhões de dólares. Esta app chinesa permite a venda de vegetais a restaurantes, diretamente dos produtores.


Uma aplicação chinesa que ajuda os agricultores a vender vegetais aos restaurantes vale quase três mil milhões de dólares. Chama-se Meicai e foi fundada em 2014 com o objetivo de ser a fonte de vegetais de cerca de 10 milhões de pequenos e médios restaurantes.

A startup, sediada em Pequim, já arrecadou 450 milhões de dólares em financiamentos por parte da Tiger Global Management e da China Media Capital. A empresa, que procura expandir-se no mercado dos vegetais frescos, está agora avaliada em 2,8 mil milhões de dólares. Segundo a Bloomberg Technology, a Genesis Capital é também uma das empresas investidoras.


A app, cujo nome significa "vegetal bonito", permite que os proprietários dos restaurantes solicitem certos vegetais, como beringela ou repolho-chinês — bok choy, no seu nome original –, diretamente das quintas.

Meicai é a única aplicação que tem como principal objetivo terminar com o método tradicional de venda destes produtos, que incluem sempre a existência de intermediários.

As empresas chinesas constituem uma enorme potência no mercado: no ano passado, cinco dos maiores 10 negócios a nível mundial foram em empresas chinesas, enquanto nos EUA foram apenas dois. De acordo com o centro de pesquisa e base de dados Preqin, foram investidos na China um total de 65 mil milhões de dólares em comparação com os 77 mil milhões investidos na América do Norte.

Área de produção de milho geneticamente modificado caiu 12% em 2016


12/1/2018, 15:58
"Portugal viu a sua área de produção de milho geneticamente modificado diminuir, em 2016". O Alentejo foi a região que apresentou a maior área de cultivo de milho geneticamente modificado.


A área de produção de milho geneticamente modificado desceu 12% em 2016, na comparação com o ano anterior, para sete mil hectares, mantendo-se o Alentejo com a maior superfície, revela a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

O Relatório do Estado do Ambiente 2017 (REA), disponível no 'site' da APA, refere que "Portugal viu a sua área de produção de milho geneticamente modificado diminuir, em 2016, cerca de 12% relativamente a 2015".

Tal como nos anos anteriores, em 2016, o Alentejo foi a região que apresentou a maior área de cultivo com milho geneticamente modificado, ao atingir 3.345,9 hectares, seguindo-se Lisboa e Vale do Tejo, com 2.124,9 hectares.

A produção deste organismo geneticamente modificado (OGM) teve um pico em 2012, apresentando desde essa data uma tendência decrescente, com exceção para 2014.

Na União Europeia, em 2016, a área de cultivo de milho geneticamente modificado aumentou cerca de 16,7% relativamente ao ano anterior, abrangendo 136.350,8 hectares.

Ministro da Agricultura diz que capacidade de reprodução da vespa asiática tem sido “impressionante”


13/1/2018, 16:30402

O ministro da Agricultura considerou "impressionante" a capacidade de reprodução da vespa asiática, apesar dos esforços das autoridades em localizar e destruir ninhos.


O ministro da Agricultura Capoulas Santos considerou este sábado "impressionante" a capacidade de reprodução da vespa asiática em Portugal, reconhecendo que tem havido uma expansão daquela espécie apesar dos esforços das autoridades em localizar e destruir ninhos.

"Efetivamente tem havido uma expansão, apesar de todo o esforço que tem vindo a ser feito para identificar e destruir os ninhos de vespa asiática. A sua capacidade de reprodução, pela ausência de predadores, tem sido de facto impressionante", disse Capoulas Santos à agência Lusa em Vila Nova de Poiares, distrito de Coimbra.


Em declarações à margem da sessão comemorativa do 120º aniversário da restauração definitiva do concelho de Vila Nova de Poiares, o titular da pasta da Agricultura lembrou que o Governo está a "reequacionar" o programa de combate à vespa asiática com base numa comissão de acompanhamento que vai avaliar a estratégia para fazer face a esta espécie invasora, avistada já em 12 distritos, apesar das tentativas de controlo dos últimos dois anos.

A vespa velutina é uma espécie asiática com uma área de distribuição natural pelas regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia ao leste da China, Indochina e ao arquipélago da Indonésia, sendo a sua existência reportada desde 2011 na região norte de Portugal.

Os principais efeitos da presença desta espécie não indígena manifestam-se não só na apicultura, por se tratar de uma espécie carnívora e predadora das abelhas, mas também para a saúde pública, porque, embora não sendo mais agressivas do que a espécie europeia, reagem de modo muito agressivo se sentirem os ninhos ameaçados, podendo fazer perseguições até algumas centenas de metros.

"É uma ameaça à nossa biodiversidade, em particular para as abelhas melíferas, que têm um papel importantíssimo na polinização. Teremos de levar mais longe o esforço, juntamente com a Proteção Civil e as autarquias, para identificar e destruir esta praga que infelizmente nos atingiu", frisou Capoulas Santos.

O ministro da Agricultura avisou, no entanto, que a identificação e destruição de ninhos da vespa asiática "é uma atividade perigosa", não só pelas características da espécie, como pelos ninhos estarem localizados, "muitas vezes, em árvores de grande altura".

"E a sua manipulação e destruição implica meios, muitas vezes dispendiosos, para os quais é necessário dar resposta. Temos de nos mobilizar, ministério da Agricultura, autarquias, organizações da sociedade civil, Proteção Civil por forma a tentar suster esta praga que nos atingiu há seis ou sete anos atrás e que não tem parado de progredir no nosso território", argumentou Capoulas Santos.

Um despacho publicado em Diário da república a 06 de outubro de 2017 criou a comissão de acompanhamento da vespa asiática refletindo o objetivo do Ministério da Agricultura, liderado por Luís Capoulas Santos, de obter uma avaliação da estratégia de combate a esta espécie invasora.

A comissão é presidida em conjunto por representantes da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) e do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), integrando elementos das várias direções regionais de agricultura, do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Direção-Geral de Saúde, Serviço de Proteção da Natureza e Ambiente (GNR-SEPNA), Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) e associações dos municípios (ANMP) e das Freguesias (ANAFRE).