sexta-feira, 22 de junho de 2018

Exportações de frutas e produtos hortícolas aumentaram 26% em 2017


20/6/2018, 16:10
Segundo os dados revelados pela Informa D&B, Espanha é o primeiro país de destino das exportações de frutas e produtos hortícolas, assumindo uma quota que rondou os 40% em 2017.


O setor de frutas e produtos hortícolas apresentou uma tendência de crescente abertura ao exterior, o que originou um aumento de 26% das exportações em 2017, com um valor de cerca de 771 milhões de euros.

Segundo dados publicados pela Informa D&B, Espanha é o primeiro país de destino das exportações, assumindo uma quota que rondou os 40% em 2017. Também se destacam a Polónia, a França, a Holanda, o Reino Unido e a Alemanha.


Em 2017, as importações também aumentaram, até aos 853 milhões de euros, mais 11% do que em 2016, exercício no qual cresceram 22%. Relativamente à produção global portuguesa de frutas e produtos hortícolas, esta gerou um crescimento de cerca de 1,6%, situando-se em cerca de 2.250 milhões de euros.

A estrutura de oferta neste setor em Portugal integra cerca de 18.300 empresas.

Governo lamenta morte de Fernando Lobo Guedes



O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, lamentou, esta quinta-feira, a morte do presidente da empresa vinícola Sogrape, Fernando Lobo Guedes, que considerou ser uma "grande perda para o país e para um setor da maior relevância".

Em comunicado, a tutela informa que "o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Luís Capoulas Santos, enviou hoje uma nota de condolências à família de Fernando Guedes, lamentando o seu desaparecimento".

Citado na nota, Capoulas Santos considera "a sua partida uma enorme perda familiar, mas também uma grande perda para o país e para um setor da maior relevância económica e social, através do qual deu um contributo inestimável para a promoção da imagem de Portugal no exterior".

O presidente do Conselho de Administração da Sogrape e filho do fundador da empresa sediada em Avintes (Vila Nova de Gaia), Fernando Lobo Guedes, morreu na quarta-feira aos 87 anos, disse à agência Lusa fonte da empresa.

Nascido a 29 de dezembro de 1930 em Penafiel, Fernando Lobo Guedes ingressou na Sogrape (então Sociedade Comercial dos Vinhos de Mesa de Portugal, fundada pelo seu pai) em 1952, tendo exercido os cargos de diretor técnico de produção e, mais recentemente, de presidente do Conselho de Administração, função que mantinha.

Entre as várias distinções que o empresário recebeu está a condecoração, em 2017, com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Grupo de trabalho sobre gestão florestal deve apresentar relatório até ao fim de julho


O Governo criou um grupo de trabalho para elaboração de propostas sobre gestão florestal que deverá apresentar um relatório até 31 de julho, de acordo com um diploma publicado hoje no Diário da República (DR).

O grupo de trabalho "tem como missão promover uma análise do enquadramento e apoios à valorização do território florestal e à gestão florestal ativa atualmente existentes, e à elaboração de propostas de medidas complementares à recente reforma florestal", é explicado no diploma.

O diploma prevê a apresentação de "um relatório de diagnóstico e propostas de medidas de atuação até 31 de julho de 2018".

"Em particular, o grupo de trabalho deverá proceder à elaboração de propostas que estabeleçam regras e critérios para dimensionamento dos prédios rústicos, de benefícios e incentivos fiscais ao investimento no setor florestal", salientou o Governo.

Entre as medidas deverão estar "a criação de um sistema de contribuição sobre a limpeza das florestas, com o objetivo de incentivar a gestão de carga de combustíveis nos terrenos florestais, e a aprovação de um programa para estímulo ao financiamento da floresta e de fomento à criação de organismos de investimento florestal coletivos, visando a mobilização de meios financeiros".

De acordo com o diploma, o grupo é constituído por dois representantes do Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro, um dos quais coordena, um representante do ministro das Finanças, um outro do ministro do Ambiente e dois do ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

A escolha de uma formação superior


Fontainhas Fernandes
19 Junho 2018 às 00:00


Os jovens que pretendem frequentar a Universidade estão em fase de preparação dos exames nacionais e, em breve, terão de escolher o curso e a instituição onde irão obter formação superior. Os indicadores comprovam que os diplomados pelas universidades têm maior capacidade de inserção no mercado de trabalho, pelo que a empregabilidade tem vindo a ganhar maior relevância como critério de escolha.

Nos últimos anos, temos assistido a conhecidas mudanças e a novas tendências na escolha do curso. Vejamos o caso particular do setor agroalimentar, cuja procura de formação superior deverá aumentar nos próximos anos.

A agricultura era considerada uma atividade económica pouco relevante e sem futuro, fruto de políticas públicas erradas. No presente, o posicionamento é diferente e o setor agroalimentar e florestal tem revelado dinamismo, propulsor de novas tecnologias, estratégico e com futuro sustentável.

As projeções sobre o mercado de trabalho na União Europeia até 2025 confirmam também novas oportunidades de emprego em Portugal no setor da agricultura. Segundo os dados da FAO, a população mundial deverá atingir 8 biliões em 2025 e 9,6 biliões em 2050, o que irá exigir um aumento significativo da produção alimentar.

Por outro lado, Portugal traçou como meta atingir o equilíbrio da balança agroalimentar, em valor, o que exige aumentar a competitividade e a sustentabilidade do setor. O aumento das exportações portuguesas neste setor sugere que há mais produção, mais gente a trabalhar, a inovar, a acrescentar valor e, acima de tudo, tende a ser competitivo numa economia cada vez mais global e aberta.

O alcance desta ambição exige uma nova visão para a agricultura, com mais incorporação de conhecimento, recorrendo a tecnologias inovadoras, novos serviços de informação e a sistemas de decisão que recorram a tecnologias de comunicação. Indubitavelmente, esta agenda exige recursos humanos qualificados com competências em soluções tecnológicas, envolvendo a robótica, a imagem assistida por computador, a sensorização e a monitorização ambiental, na linha da chamada agricultura de precisão.

Em suma, a decisão de escolher uma formação superior obriga a uma reflexão prospetiva sobre as tendências do mercado de trabalho e os desafios da sociedade.

REITOR DA UTAD

Já há massa 100% nacional com cereais de Beringel, Brinches, Beja, Ferreira e Elvas


20.06.2018 às 10h48


Fernando Carpinteiro Albino, dos Cereais do Alentejo, Capoulas Santos, ministro da Agricultura e Rui Amorim de Sousa, presidente executivo da Cerealis, juntos no lançamento das massas 100% alentejanas, ontem à noite, em Lisboa

No ano em que a cultura de cereais atingiu o mínimo histórico, os produtores uniram-se e convenceram a indústria de que o que se faz em Portugal pode ser pouco, mas é de elevada qualidade. A marca Nacional, que já tem 165 anos, acreditou e fez massa com cereais do Alentejo

Está já no mercado a primeira marca de massas alimentícias 100% nacionais, feitas à base de cereais exclusivamente alentejanos.

Uma edição limitada da Nacional que foi buscar trigo duro especialmente selecionado às searas de Brinches, Beja, Beringel, Ferreira do Alentejo e Elvas.

Na verdade, os pacotes de massas linguine e gemelli, em que a Nacional colocou a sub-marca 'Alentejo', são o resultado de 20 de investigação e organização de produtores, em estreita colaboação com o Politécnico de Beja e com o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

"Começámos a pensar nisto ainda durante o primeiro governo de Cavaco Silva. Estamos a falar dos anos oitenta. Mas a organização mais sistematizada deste trabalho começou há 20 anos. É verdade que os alentejanos são lentos, mas isto também era nada fácil, pois nós, os produtores de cereais, não temos o hábito de nos juntarmos para trabalhar", explica Fernando Carpinteiro Albino, promotor da marca Cereais do Alentejo.

UM PASSO EM FRENTE EM ANO DE QUEBRAS HISTÓRICAS
Este passo em frente, na ligação entre a produção e a indústria, surge num momento em que a produção de cereais em Portugal bateu no fundo. Os últimos números do Instituto Nacional de Estatística revelam que este é já o quinto ano consecutivo de diminuição da área semeada, prevendo-se que nesta campanha se atinja um mínimo histórico de 121 mil hectares, a menor área dos últimos cem anos (desde que existem registos sistemáticos).

"Mas o lançamento destas massas, com cereais alentejanos, podem ser o ponto de viragem. Este é um dia muito importante para a produção", enfatizou ainda Carpinteiro Albino, no evento ontem realizado ao final da tarde no Convento do Beato, em Lisboa.

Capoulas Santos, ministro da Agricultura, também marcou presença para lembrar que está para breve a aprovação da Estratégia Nacional para os Cereais, em Conselho de Ministros. Um documento que não é mais que a cobertura institucional e política a um dos sectores que tem vindo a perder relevância no panorama agrícola nacional.

Carpinteiro Albino lembrou ao ministro que a adesão de Portugal à União Europeia (na altura ainda CEE) teve efeitos muito maus nos cereais. "Aliás, até a última reforma da Política Agrícola Comum (PAC) foi altamente prejudicial para nós".

É 'REVOLTANTE' TER DE IMPORTAR PÃO
O representante da marca Cereais do Alentejo – que é também um dos maiores produtores nacionais – lamenta que "isto de viver num país que tem de andar a importar pão e massas revolta-me profundamente, mas isto a que agora estamos a assistir é um sinal de esperança".

Rui Amorim de Sousa, presidente executivo da Cerealis – empresa que detém a marca Nacional – disse que há uma recetividade extraordinária do mercado e dos clientes a este novo produto 100% alentejano. Lembra que "a cadeia de distribuição reconheceu o simbolismo e o valor acrescentado, garantindo assim a presença destas duas variedades de massas Nacional Alentejo na maioria das lojas do retalho alimentar em Portugal".

CEREALIS VENDE ALIMENTOS NOS CINCO CONTINENTES
O mesmo responsável acrescenta ainda que, "ninguém melhor do que a Nacional poderia dar corpo a este ambicioso e simbólico projeto. Uma marca Portuguesa com uma longa e riquíssima história que, uma vez mais, promove o que de melhor se faz no nosso país."

A Cerealis tem um volume de negócios anual da ordem dos 200 milhões de euros. Processa 440 mil toneladas de cereais todos os anos, para fazer mais de 160 produtos que distribui por 3000 clientes nos cinco continentes. Aliás, 25% da sua produção segue para o estrangeiro. Emprega 700 pessoas em cinco unidades de produção. A empresa não só transforma como, depois, comercializa os seus produtos alimentares à base de cereais.

Neste momento, e ainda segundo o seu presidente, a Cerealis tem em curso um investimento na República Checa que, assegura, "pode ser o embrião da nossa estratégia de internacionalização em termos de atividade transformadora".

Pinhal de Leiria vai ter mais 35 assistentes operacionais



Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas

Foto: Rui Manuel Ferreira / Global Imagens


19 Junho 2018 às 00:02

O Pinhal de Leiria, grande parte destruído pelos incêndios de outubro de 2017, vai ter mais 35 assistentes operacionais, disse, esta segunda-feira, o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas.

"Abrimos já concurso para mais 35 assistentes operacionais para o Pinhal de Leiria. Significa um primeiro grande sinal de que vamos ter cá mais gente para trabalhar", declarou à agência Lusa Miguel Freitas, após uma reunião do Observatório Local do Pinhal do Rei e da Comissão Científica do Programa de Recuperação das Matas Litorais, na Marinha Grande, distrito de Leiria.

Atualmente, o Pinhal de Leiria tem cerca de dez operacionais.

Reiterando que "as matas nacionais são uma prioridade do Governo", daí o reforço dos recursos humanos, o secretário de Estado reafirmou que "a receita que virá da venda da madeira" destas matas "será para ser aplicada nas matas públicas", ao referir-se ao financiamento.

"É esse o compromisso que foi assumido pelo Governo, é esse o compromisso que nós esperamos vir a cumprir", garantiu.

Sobre a reunião, Miguel Freitas destacou que esta abriu "um canal entre comissão científica e a população local", admitindo que esta "está com uma forte expectativa no trabalho que está a ser desenvolvido".

Segundo Miguel Freitas, o Executivo tem procurado neste âmbito "três ideias-chave" para o que está a ser desenvolvido no Pinhal de Leiria, exemplificando com a transparência.

"Tudo aquilo o que é feito é do conhecimento público, vamos ter um site onde vamos divulgar toda a informação que está a ser produzida permanentemente", referiu, acrescentando o conhecimento como outra ideia.

Neste âmbito, referiu-se à comissão científica, cujo trabalho "credibiliza as soluções a executar".

"O terceiro elemento é a avaliação", explicou, precisando que a execução do plano "requer meios financeiros e humanos para os pôr em prática e uma avaliação permanente por parte do observatório local".

O acordo de cooperação para a criação da Comissão Científica do Programa de Recuperação das Matas Litorais e o protocolo de criação do Observatório Local do Pinhal do Rei foram assinados em 22 de janeiro último, na presença do primeiro-ministro, António Costa.

O primeiro tem, entre outros objetivos, a recolha e sistematização da informação técnica e científica relativa à gestão das matas litorais, e a avaliação do procedimento atual de elaboração e implementação de Planos de Gestão Florestal e de estabilização de emergência, reabilitação e recuperação de longo prazo, apresentando propostas para o seu melhoramento.

Já o observatório visa, por exemplo, avaliar o plano de recuperação do Pinhal do Rei ou apresentar propostas de ordenamento para usos, atividades e serviços que possam ser nesta mata.

O Pinhal de Leiria, também conhecido por Mata Nacional de Leiria ou Pinhal do Rei, é propriedade do Estado. Tem 11.062 hectares e ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande. A principal espécie é o pinheiro bravo.

Nos incêndios de outubro de 2017 ardeu 80 por cento da sua área.

Gestor dos Cereais do Alentejo queixa-se. “Para fazer um ‘penico’ é preciso um estudo de impacto ambiental”


20.06.2018 às 15h54
 
ALBERTO FRIAS

"O ano até acabou por ser de chuva, mas o problema da falta de água é estrutural". Se nada for feito, vamos ter repetidamente problemas na agricultura. O gestor da marca Cereais do Alentejo, Fernando Carpinteiro Albino, deixa o alerta e diz que a burocracia esgota a paciência

Já se pode considerar 2018 como um ano de chuva mas, na verdade, continua a haver falta de água em algumas zonas do país – nomeadamente na região de Beja e Elvas - e Fernando Carpinteiro Albino, gestor da marca Cereais do Alentejo, diz que não se pode dormir sobre o assunto, pois é demasiado grave para ser ignorado.

"Precisamos de mais água nas barragens e de construir mais, muitas mais, pequenas barragens e charcas. Caso contrário vamos ser confrontados com graves problemas para a produção de alimentos", sublinha aquele gestor, que é também um dos maiores produtores de cereais do país, com mais de 1000 hectares cultivados.

ASSIM "NÃO VAMOS A LADO NENHUM"
O problema, porém, segundo o mesmo responsável, é que, "para se fazer um 'penico' é preciso um estudo de impacto ambiental e, senhor ministro, não há paciência para isto. Esta espécie de burocracia arrogante ou ignorante tem de acabar, pois assim não vamos a lado nenhum".

O gestor e empresário Carpinteiro Albino falava ontem ao início da noite, em Lisboa, perante uma plateia onde estava Capoulas Santos, ministro da Agricultura – num evento dedicado ao lançamento de massas alimentícias 100% nacionais, à base de cereais alentejanos.

"Eu sei que esta mensagem é mais para o seu colega do Ambiente mas, como não está aqui, por favor transmita-lhe o recado", pede o responsável da marca Cereais do Alentejo.

MINISTRO DIZ QUE OS JIPES COMPRADOS COM SUBSÍDIOS FORAM 'UM MITO'
Capoulas Santos ouviu, acenou que sim com a cabeça, e depois subiu ao palanque para discursar. Elogiou a atitude de luta e persistência dos produtores de cereais alentejanos, destacou a importância do produto 100% nacional que ali estava a ser lançado mas, sobre a questão da burocracia, nem uma palavra. Falou de água na agricultura, mas para dizer que vai continuar a haver apoios ao regadio – e que vêm aí mais de 500 milhões de euros para o efeito.

O ministro infletiu depois o discurso no sentido do que está a correr bem na agricultura em Portugal, que agora conhece níveis de investimento nunca vistos, com os pedidos de acesso aos fundos comunitários a ultrapassarem largamente as verbas disponíveis.

Regou abundantemente de números as frases que lhe foram saindo de forma solta mas enfática e recordou que, afinal, "o mito dos jipes que se compravam com os fundos comunitários e de que os apoios eram mal aplicados" não colhe. É que, "tendo em conta o que hoje se está a passar na agricultura – a crescer mais que o resto da economia – então é porque os fundos foram bem aplicados em Portugal".

Morreu Fernando Guedes, o histórico líder da Sogrape


20/6/2018, 19:381.419
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Começou como aprendiz de tanoeiro e ascendeu a presidente de uma das maiores empresas portuguesas de vinhos. Fernando Guedes faleceu esta manhã. Tinha 87 anos.

Fernando Guedes, um dos homens responsáveis pelo sucesso da Sogrape, morreu esta quarta-feira de manhã, aos 87 anos.

Fernando Guedes era o mais velho dos sete filhos de Fernando van Zeller Guedes e de D. Maria Amália Cabral Lopo de Vasconcelos van Zeller Guedes. Nasceu a 29 de dezembro de 1930, na Quinta da Aveleda, na região dos vinhos Verdes. O nascimento, segundo disse à Notícias Magazine em 2012, ter-se-á precipitado depois de a mãe ver "um ratito". Do susto veio um filho que, anos mais tarde, até viria a passar pela Faculdade de Economia de Lisboa. Longe dos números, foi no vinho que encontrou uma profissão e uma carreira para a vida.


A entrada na Sogrape acontece em 1952, já a empresa era conhecida por produzir o famoso vinho Mateus Rosé. O futuro presidente começou como aprendiz de tanoeiro. Lavava, apertava e pintava barris, tal era a vontade do pai. Um ano depois rumava para territórios franceses para tirar o curso de Enologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Dijon. Regressado, em 1956, assumia a direção técnica da empresa — coube-lhe a responsabilidade sobre novas tecnologias, compra de vinhos e desenvolvimento de infra-estruturas, incluindo a construção e o equipamento de novas adegas. "O curso em Dijon rasgou-me perspetivas", recordou em vida, para depois assegurar que fora com a ajuda do pai, juntamente com "alguns homens extraordinários", que aprendera a servir a empresa. Os elogios ao pai, fundador da empresa que Fernando serviu durante toda a vida, eram constantes. Repetidos com orgulho.



Fernando Guedes reformou-se aos 70 anos, tranquilo com a decisão de pôr o futuro da empresa nas mãos dos filhos — Salvador, Manuel Pedro e Fernando, atual CEO do grupo. Achou, então, que os filhos estavam à altura do desafio e melhor preparados tecnicamente. Uma década depois, somando 80 anos no BI e oficialmente afastado da empresa, fazia por manter a rotina de trabalho e, todos os dias pela manhã, marcava presença no escritório. As visitas às quintas e às adegas da empresa mantinham-se regulares, não só aquelas em território nacional, mas também as que ajudou a construir e a equipar no Chile e na Argentina. Fernando Guedes gostava de estar "por dentro das coisas", como ressalva uma nota biográfica enviada pela Sogrape à redação — empresa que não fará qualquer comunicado.

Em vida foi colecionador de títulos — em 2010, foi eleito "Produtor Europeu do Ano" pela revista norte-americana Wine Enthusiast; mais recentemente, foi considerado o "Sr. Vinho" pela revista Grandes Escolhas e recebeu o "Prémio Homenagem" da Revista de Vinhos. A Associação Empresarial de Portugal, que já lamentou a morte de Guedes, descreve-o como "um dos maiores empresários portugueses das últimas décadas".

Além do percurso já descrito, Fernando Guedes foi um dos três primeiros enólogos portugueses diplomado. Diploma esse que o permitiu, nas décadas de 60 e 70, contribuir para o crescimento "exponencial" das vendas em todo o mundo do Mateus Rosé. Foi o sucesso comercial deste vinho diferente, por vezes criticado, que permitiu à empresa liberdade financeira para criar e adquirir outros rótulos — incluindo o duriense Barca Velha, tido como o vinho português mais caro (valor que varia consoante o ano de colheita).



A revista Grande Escolhas, dedicada em exclusivo ao universo do vinho, assegura que Fernando Guedes, que assumiu a presidência da Sogrape em 1987, é um dos arquitetos daquela que é uma das maiores empresas de vinhos no país. Entre os muitos rótulos que facilmente se identificam no vasto espólio da empresa está o Legado, que resulta precisamente do desafio que o próprio incutiu à equipa de enologia em 2008. O vinho nascido nos socalcos do Douro — cuja colheita mais recente data de 2013 — pretende simbolizar a obra que o pai de Fernando Guedes, o fundador da Sogrape, iniciou em 1942. "Este vinho retrata tudo aquilo que aprendi e recebi de meu Pai", reforçou em tempos.

Ministério da Agricultura avalia estragos do granizo que caiu quarta-feira no norte


21/6/2018, 6:55

A queda de granizo nos concelhos de Lamego, Armamar e Resende provocou vários estragos na quarta-feira, pelo que o Ministério da Agricultura enviou técnicos para o terreno por forma a avaliar os danos

O Ministério da Agricultura anunciou que está a avaliar os estragos provocados pela queda de granizo na quarta-feira em vários concelhos da região norte. Vila Real, Armamar, Lamego e Resende são os locais onde os técnicos do ministério já estão no terreno, lê-se num comunicado da tutela, enviado à agência Lusa.

O Ministério acrescenta que "a queda de granizo e chuva são riscos cobertos pelos seguros agrícolas, que o Estado financia a 60%, o que significa que há mais de 11 milhões de euros para esses estragos".


Uma "precipitação anormal, sob a forma de granizo de grande calibre", registada às 15h00 de quarta-feira, provocou perto de 50 ocorrências no concelho de Lamego, metade das quais já estavam resolvidas às 17h45, anunciou a autarquia.

Segundo a mesma fonte, esta situação provocou "diversas inundações e infiltrações pelos telhados das habitações, bem como a queda de árvores e cortes de abastecimento elétrico". Segundo o Comando Distrital de Operações de Socorro de Viseu, além de Lamego, foram também afetados pelo mau tempo os concelhos de Armamar e Resende.

Só os Estados-membros podem resolver cortes no orçamento da UE para a agricultura


O comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, disse este sábado que só os Estados-membros podem aligeirar os cortes previstos nas verbas para o segundo pilar da política agrícola comum no próximo orçamento da União Europeia (2021-2027).
Só os Estados-membros podem resolver cortes no orçamento da UE para a agricultura
Miguel Baltazar

16 de junho de 2018 às 18:51

A saída do Reino Unido deixa um "buraco" de 12 mil milhões de euros no orçamento da União Europeia que afecta as verbas para a agricultura, sendo Portugal abrangido com cortes no segundo pilar da política agrícola comum (PAC), que apoia o desenvolvimento rural em co-financiamento.

Para o comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan, há agora três hipóteses e todas dependem dos Estados-membros.

A primeira passa por "um reforço das transferências nacionais para o orçamento, sendo a agricultura um dos sectores que podem beneficiar com isso", mas o responsável lembrou que há seis países que se recusam a pagar mais.

As outras duas hipóteses levantadas por Hogan são o reforço, também pelos Estados-membros, das verbas para o segundo pilar ou ainda a transferência de verbas do primeiro pilar (os pagamentos directos aos agricultores) para o segundo (desenvolvimento regional).

"A nossa preocupação foi manter as verbas para Portugal no primeiro pilar, o dos pagamentos directos aos agricultores, que não terá cortes", adiantou, falando aos jornalistas na inauguração da sexta edição do evento "O melhor de Portugal", organizado em Bruxelas pela Confederação dos Agricultores de Portugal, com o apoio do eurodeputado Nuno Melo (CDS-PP).

 "Há seis anos, nas melhores e nas piores alturas, que por dois dias Bruxelas vê o que de melhor há em Portugal", acrescentou Hogan, referindo-se ao evento que reúne hoje e domingo cerca de 60 empresas do sector agro-alimentar.

No dia 1, a Comissão Europeia propôs uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no quadro financeiro plurianual (QFP) 2021-2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos directos e cortes no desenvolvimento rural.

A preços correntes, para o QFP 2021-2027, está prevista uma verba de 4,2 mil milhões de euros no primeiro pilar e de 3,4 mil milhões no segundo.

No arranque da PAC 2014-2020, Portugal recebeu 4,1 mil milhões de euros no âmbito do primeiro pilar e 4,082 mil milhões no segundo pilar.

terça-feira, 19 de junho de 2018

PAC. Alemanha apoia países que exigem mais dinheiro para a agricultura


18.06.2018 às 19h08


 
Julia Klöckner, ministra alemã da Agricultura, considera que o orçamento da Política Agrícola Comum (até 2027) está aquém das necessidades. Um apoio de peso aos países que exigem um reforço das verbas propostas por Bruxelas

ADAM BERRY

Portugal pode perder 500 milhões de euros no financiamento da Política Agrícola Comum até 2027. O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, formou um grupo de pressão para exigir mais dinheiro a Bruxelas e hoje ganhou uma aliada de peso: a sua colega alemã Julia Klöckner

A Alemanha considera que o orçamento da Política Agrícola Comum (PAC) está aquém das necessidades. O Expresso sabe que Julia Klöckner, ministra da Agricultura alemã, está solidária com o grupo de países que hoje se juntaram no Luxemburgo para fazer pressão sobre a Comissão, quanto às verbas a atribuir ao sector, para o período 2021/2027.

No que diz respeito a Portugal, Bruxelas propõe-se efetuar cortes nos apoios que implicam uma perda de 500 milhões de euros, face ao Quadro Comunitário ainda em vigor. Ou seja €7,6 mil milhões contra €8,1 mil milhões, com uma ligeira subida nos pagamentos diretos aos agricultores mas incluindo cortes nos subsídios ao investimento.

Capoulas Santos, ministro da Agricultura, disse ao Expresso que ainda decorre no Luxemburgo (em conselho de ministros da Agricultura) a discussão de um documento que hoje foi apresentado por um conjunto de 15 Estados-membros, incluindo Portugal, em que é exigido uma maior dotação orçamental para o sector.

ALEMANHA DEFENDE "POSIÇÃO MAIS CONSTRUTIVA"
O ministro português insiste que é necessário encontrar um ponto de equilíbrio entre os países que são contribuintes líquidos e os beneficiários líquidos – da PAC – que seja satisfatório para todos.

Explica que o grupo de 15 países (que arrancou com Portugal, Espanha e França) ganhou hoje mais cinco aliados e, para além destes, contou hoje com o apoio de peso da Alemanha, com a ministra Julia Klöckner a assumir publicamente que é necessário mais dinheiro para a PAC.

Para além disso, a responsável alemã defende que é necessária uma "posição mais construtiva" nas negociações que agora decorrem entre os vários países e a Comissão Europeia.

Recorde-se que até maio de 2019 – altura das eleições para o Parlamento Europeu - terão de ficar fechadas as negociações no que respeita ao próximo orçamento da Política Agrícola Comum (PAC).

Segue-se mais um ano de negociação das regras de aplicação da PAC, "que irão ser decisivas", nota Capoulas Santos. O ministro admite que ao longo de todo o período negocial vai ter de haver cedências de parte a parte, mas com a certeza de que, a longo prazo, os apoios serão encaminhados para os agricultores "cada vez mais para os serviços ambientais que acabam por prestar à comunidade em geral".

Internamente, o Governo tem sido acusado por quase todos os partidos da oposição de estar a ter uma posição frouxa na negociação das verbas da PAC com Bruxelas.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Incêndios: Cristas critica tratamento diferenciado de setor agroindustrial


A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, lamentou hoje que o setor agroindustrial pague impostos como se fosse indústria, mas receba os mesmos apoios da agricultura, concretamente no que respeita à reconstrução após os incêndios do ano passado.

Assunção Cristas visitou hoje duas empresas da zona industrial de Oliveira de Frades que foram afetadas pelos incêndios florestais de outubro, nomeadamente a Sopil - Sociedade Produtora de Pintos SA e a Revilaf - Construção Civil e Revestimentos, Lda.

"Não é compreensível o tratamento diferenciado entre uma empresa do setor da construção, que tem um apoio de 85%, e uma empresa do setor primário, da produção de galinhas, que só tem um apoio de 50%", afirmou aos jornalistas.

A líder do CDS-PP considerou que a situação ainda é pior quando se sabe que a Sopil "paga o mesmo tipo de IMI [Imposto Municipal sobre Imóveis] que os outros pavilhões industriais".

"Para uns casos, este setor paga como se fosse indústria, para outros, para ter apoios do Estado, já vale como agricultura, e aqui por opção exclusiva deste Governo, porque poderia ter aprovado outro tipo de apoios", criticou.

As chamas destruíram seis pavilhões da Sopil, tendo já sido recuperados dois deles.

Assunção Cristas frisou que "as pessoas perderam tudo com os incêndios" e "tiveram que começar a reconstruir com os seus recursos e com algum dinheiro que tinham de seguros".

"O Governo, quando tem oportunidade de apoiar mais, escolhe não apoiar e nós achamos que isso é inadmissível", lamentou, lembrando que o CDS-PP levou esta questão da desigualdade de apoios ao Parlamento, mas que a recomendação que foi aprovada "não foi seguida pelo Ministério da Agricultura".

Nas visitas que tem feito às áreas ardidas, a líder do CDS-PP tem constatado que "há muita reconstrução em marcha, nomeadamente na área industrial, há muitas coisas que poderiam andar mais rápido se os apoios também viessem mais rápido e há outras questões que são de grande injustiça, como esta de tratar de maneira diferente o setor primário, a produção de aves".

Assunção Cristas lembrou que esta atividade foi a base do tecido produtivo da região "e que permitiu que outro tipo de atividade económica se desenvolvesse", lamentando que, neste momento, esteja "a ser tão pouco acarinhada" pelo Governo.

sábado, 16 de junho de 2018

A fenotipagem de plantas de alto débito: um contributo para segurança alimentar


Ocupados com resolução das crises financeiras, concentrados na busca de cura para as doenças que nos afligem, esquecemos frequentemente aquele que é, porventura, o mais importante desafio para as próximas décadas: como alimentar uma população mundial que, atualmente com 7.2 biliões de habitantes, deverá atingir os 10 biliões em 2050. Um desafio que se afigura particularmente difícil, tendo em conta que as condições climáticas se tornarão progressivamente mais adversas para a atividade agrícola. Ao longo do século 20 observou-se já um significativo aumento da população mundial. Não obstante, foi possível evitar a escalada de crises alimentares graças a um aumento acentuado da produção agrícola. E esta aumentou, sobretudo, devido à introdução de inovações tecnológicas na agricultura: novas variedades de plantas agrícolas, mais produtivas e resistentes a doenças e stresses ambientais, além de produtos de síntese química (fertilizantes, herbicidas e pesticidas), aliados à mecanização da agricultura. Isto constituiu a chamada revolução verde, personificada no cientista norte-americano Norman Borlaug, que viria a ser prémio Nobel da Paz em 1970.

O efeito da revolução verde, porém, foi-se progressivamente esgotando. Hoje, os ganhos anuais de produtividade de algumas das principais culturas agrícolas (por exemplo, da soja e da cana de açúcar) estão substancialmente abaixo dos necessários para fazer face à procura crescente. Reconhece-se que é necessário um novo salto tecnológico na agricultura, em particular no que respeita à produção de novas variedades agrícolas. A engenharia genética de plantas cumpriu apenas parcialmente aquilo que prometia. Se é certo que produziu variedades eficazes na resolução de alguns problemas (por exemplo, na resistência aos insetos que atacam as culturas), tem-se revelado pouco eficaz na produção de variedades mais eficientes no uso da água, ou resistentes a stresses ambientais como as ondas de calor ou a salinização dos solos. A razão compreende-se: a adaptação a estes stresses exige um conjunto de respostas coordenadas, envolvendo muitos genes, que são difíceis de intervencionar por meio das técnicas de engenharia genética.

É certo que se estão a explorar vias alternativas promissoras, por exemplo, alteração de genes reguladores, que podem afetar simultaneamente múltiplos aspetos do metabolismo, ou a alteração de genes dos sistemas antioxidantes, que mitigam os danos causados por stress oxidativo, um stress secundário que decorre da maioria dos stresses ambientais. Mas é ainda do melhoramento convencional, agora apoiado por técnicas de genética molecular, que têm surgido as melhores soluções. É este tipo de melhoramento que importa, e muito, acelerar. As técnicas de sequenciação genética evoluíram grandemente nas últimas décadas, sendo possível, hoje, sequenciar genomas a uma velocidade muitíssimo mais alta, e a custos muito mais baixos. Ou seja, a capacidade que temos para conhecer o genótipo de uma planta - isto é, a informação que consta de um conjunto dos seus genes - está hoje muito facilitada. Porém, a capacidade de conhecermos o seu fenótipo - as caraterísticas do corpo da planta (número de folhas, dimensão das espigas, etc.), determinadas pela interação da informação existente nos seus genes com as condições ambientais de crescimento - evoluiu muito menos, e permanece largamente dependente de medições manuais morosas e dispendiosas, pela quantidade de mão-de-obra que envolvem.

Ora, nos processos de melhoramento genético das plantas, é necessário analisar um grande número de exemplares (milhares, frequentemente) à procura daqueles que melhor exprimem as características que nos interessam, de modo a selecioná-los para serem usados em cruzamentos subsequentes. A dificuldade na fenotipagem constitui hoje, portanto, o principal obstáculo ao aceleramento da produção de novas variedades de plantas agrícolas. Consequentemente, a comunidade científica internacional concentrou-se em desenvolver novas tecnologias capazes de acelerarem o processo de fenotipagem de plantas: as designadas tecnologias de fenotipagem de alto débito. Estas tecnologias assentam, principalmente, na captação de imagens digitais das plantas e no seu processamento informático automatizado, permitindo o cálculo preciso de parâmetros como as taxas de crescimento ou a biomassa produzida, de um grande número de plantas, num curto espaço de tempo. Adicionalmente, alguns dos equipamentos já construídos permitem obter informação espectral sobre as plantas, em diversas gamas do espetro eletromagnético, que fornece indicações, por exemplo, sobre a quantidade de água presente nas folhas, sobre a taxa de transpiração ou sobre a quantidade de clorofila. Outros, mais sofisticados, incorporam câmaras capazes de detetar a fluorescência emitida pelas moléculas de clorofila nas folhas, o que dá uma indicação da fotossíntese que estas estão a fazer. Este conjunto de sensores capta uma enorme quantidade de dados da planta, que têm que ser processados informaticamente (recorrendo a técnicas de inteligência artificial e / ou a análise estatística multivariada) e armazenados em segurança.

O desenvolvimento de sistemas de fenotipagem de alto débito é um esforço marcadamente interdisciplinar, envolvendo especialistas em ciências das plantas (biólogos, sobretudo fisiologistas vegetais, e agrónomos), em instrumentação e em robótica (físicos e engenheiros eletrotécnicos) e em processamento de informação (engenheiros informáticos). Envolve, portanto, investimentos avultados, que têm sido acompanhados por processos cooperativos a diversos níveis. A ação COST "Phenomen-ALL - The quest for tolerant varieties", prestes a terminar, desempenhou um papel extremamente importante neste contexto, tendo permitido a consolidação de uma comunidade científica europeia empenhada no desenvolvimento da fenotipagem de plantas. É de saudar o facto de a comunidade científica portuguesa ter sobressaído pelo número de investigadores - sobretudo jovens - que fizeram uso dos recursos disponibilizados, para participarem em encontros científicos, cursos de verão e missões científicas de curto prazo. Infelizmente, até ao momento, não dispomos em Portugal de nenhuma plataforma de fenotipagem de plantas de alto débito.

Os investigadores portugueses, se quiserem utilizar esta tecnologia, podem recorrer à European Plant Phenotyping Network 2020, que reúne um conjunto de equipamentos (plataformas) de diversos países, disponibilizadas a outros países com o apoio do Programa Horizonte 2020. Trata-se, portanto, de uma iniciativa temporalmente delimitada, que deverá tornar-se permanente através da iniciativa EMPHASIS.

A possibilidade de podermos aceder a esta tecnologia constitui, naturalmente, uma mais valia. Mas temos que nos questionar se nos desejamos remeter, numa tecnologia emergente com esta importância, ao papel de utilizadores, ou queremos ter um papel ativo no seu desenvolvimento. Sabemos bem que, no atual paradigma tecnocientífico, a liderança científica está fortemente associada à liderança tecnológica. E o desenvolvimento de uma tecnologia tão marcadamente interdisciplinar tem o potencial para transbordar para outras áreas, criando oportunidades difíceis de caraterizar a priori.

O facto de o mercado agrícola português ser de pequena dimensão - e, portanto, da procura interna de sementes melhoradas estar correspondentemente limitada -, não nos deve inibir: se o País optou por uma economia aberta, deve fazê-lo também na área da investigação e desenvolvimento agrícola. Existe um potencial mercado privilegiado: o da CPLP. Os países que a integram, em particular os africanos, têm necessidades crescente de novas sementes melhoradas, o sector de I&D agrícola português - dispondo de plataformas de fenotipagem de alto débito - pode contribuir para supri-la. Na Faculdade de Ciências da ULisboa, o Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas (BioISI) tem, desde há 3 anos, reunidos biólogos, físicos e informáticos em torno de projetos exploratórios de fenotipagem de plantas. O recente financiamento, pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, do projeto INTERPHENO, que visa construir um protótipo de plataforma de fenotipagem de alto débito (semi-automatizada), coordenado pelo BioISI/FCUL e envolvendo o Instituto Superior de Agronomia, o ITQB-NOVA e o INESC-Inovação, pode constituir a porta de entrada da comunidade científica portuguesa para esta tecnologia.

Universidade de Lisboa, Faculdade de Ciências, Instituto de Biossistemas e Ciências Integrativas - BioISI

Massa de ar quente eleva temperaturas e traz noites tropicais a Portugal

Uma massa de ar quente vai chegar a Portugal no fim de semana e fazer subir as temperaturas, que se podem aproximar dos 40 graus no interior do Alentejo, e trazer noites tropicais.

Segundo a meteorologista Maria João Frada, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no sábado o dia ainda terá temperaturas amenas, mas no domingo os termómetros vão começar a subir, sobretudo por causa de uma massa de ar quente, que vai entrar no território e fazer subir as temperaturas entre três a seis graus.

"Teremos no sábado ainda um dia com temperaturas amenas, em especial no litoral oeste, por causa do vento, que durante a tarde será de noroeste moderado e a soprar por vezes forte, com rajadas que podem chegar aos 65 quilómetros por hora", disse a meteorologista.

Nas regiões do interior, a partir do final de dia de sábado, vai chegar uma massa de ar quente, com temperaturas a atingirem os 30 a 34 graus em alguns locais, à exceção da Serra da Estrela, que terá valores mais baixos.

"No domingo e segunda-feira há uma mudança de cenário, com o vento a rodar para leste/nordeste (...) a trazer uma massa de ar tropical, ou mesmo equatorial modificada, e o que vai trazer é uma subida generalizada da temperatura a todo o território, mas que se vai fazer sentir essencialmente nas regiões do litoral oeste", explicou Maria João Frada.

A meteorologista sublinhou que as subidas de temperaturas no domingo "serão na ordem dos três a cinco ou seis graus no litoral oeste, em particular na região da Grande Lisboa" e, na segunda-feira, "a corrente de leste vai ser reforçada e as temperaturas máximas tendem a subir mais".

"Vamos chegar a segunda-feira e na generalidade do território as temperaturas máximas vão variar entre os 30 e os 35 graus, com exceção da zona da Serra da Estrela, onde serão ligeiramente mais baixas. No interior do Alentejo vão variar entre os 35 e os 39 graus, assim como no Vale do Tejo e Santarém. Serão estas as regiões mais quentes"

Na Grande Lisboa, a temperatura vai subir também de forma significativa na segunda-feira, podendo atingir valores próximos dos 35 graus, acrescentou.

Segundo a especialista do IPMA, também no fim de semana, "sobretudo a partir de domingo, vai subir a temperatura mínima e em alguns locais do território "poderá haver valores compatíveis com noites tropicais, com temperaturas mínimas na casa dos 20 graus, em particular no Algarve, no interior do Alentejo, na Grande Lisboa e Vale do Tejo".

A Direção-Geral da Saúde (DGS) alertou, esta sexta-feira, para a previsão de temperaturas elevadas nos próximos dias e recorda que o calor pode ter efeitos negativos na saúde e que a população se deve hidratar e manter as casas frescas.

FIM DE SEMANA VAI SER QUENTE E A DGS ALERTA PARA OS CUIDADOS A TER

Numa informação colocada no seu 'site', a DGS sublinha que a exposição ao calor intenso pode ter efeitos negativos na saúde, como a desidratação e outras complicações que podem ser evitadas e que "a reação de cada pessoa à temperatura e os seus efeitos na saúde podem ser diferentes".

Para proteger a saúde, a DGS recomenda que, durante os dias mais quentes, a população se mantenha hidratada, se proteja do calor, mantenha a casa fresca e fique em contacto e atento aos outros.

Recomenda ainda especial atenção, entre outros grupos, aos doentes crónicos, crianças, idosos e pessoas com mobilidade reduzida e aconselha a população a evitar zonas de poluição elevada, lembrando que "as temperaturas elevadas e a poluição do ar estão muitas vezes associadas".

Aconselha ainda a que se evite a exposição direta ao sol, especialmente entre as 11:00 e as 17:00, e as atividades físicas no exterior, principalmente nos horários mais quentes.

No exterior, recomenda à população que procure locais à sombra e frescos, use roupas leves, claras e soltas, chapéu e óculos com proteção contra a radiação UVA e UVB.

Aconselha ainda o uso de protetor solar com índice de proteção igual ou superior a 30 sempre que se estiver ao ar livre, renovando a aplicação a cada duas horas.

Uso da canábis para fins medicinais aprovado no Parlamento

O diploma aprovado hoje resulta de projetos do BE e do PAN, com ajudas do PS. O autocultivo fica proibido

O Parlamento aprovou hoje, em votação final e global, com os votos favoráveis de todos os partidos menos o CDS (que se absteve), um projeto-lei pelo qual passará a ser legal o uso da canábis para efeitos medicinais.

Inicialmente, previa-se a possibilidade de doentes a quem fosse receitado o uso da canábis - um poderoso analgésico - pudessem obter a substância por via do autocultivo da plantas.

Contudo, a oposição do PSD, CDS e PCP fez cair essa hipótese, tendo em vista a aprovação de uma lei que passasse a permitir o uso terapêutico da canábis. Se os autores insistissem em permitir a possibilidade do autocultivo o projeto seria chumbado.

Assim, só poderá ser consumida de forma medicinal com receita médica e comprada em farmácias. Os medicamentos comercializáveis terão de ter autorização prévia do Infarmed. O Estado poderá ele próprio produzir medicamentos, através do Laboratório Militar. O diploma também diz que o Estado deve "estimular" a investigação científica neste campo.

A lei vai entrar em vigor no dia 1 de julho e o Governo terá 60 dias para a regulamentar.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Governo quer batata a contribuir para equilibrar balança comercial agroalimentar


O ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, afirmou hoje que a campanha de promoção da batata produzida em Portugal quer sensibilizar os portugueses para o consumo e assim ajudar a equilibrar a balança agroalimentar nacional.

"Trata-se de uma campanha de promoção, que felizmente vem a par de outras que estão em curso para outros produtos [agrícolas], cujo objetivo é promover a produção nacional. É preocupação do Governo equilibrar no horizonte de uma legislatura a balança agroalimentar nacional", disse à agência Lusa o governante, que falava à margem do lançamento, em Lisboa, da campanha de incentivo ao consumo de batata portuguesa, cujo mote é "Batata Portuguesa -- Nasce à Sua Porta".

A Porbatata - Associação da Batata de Portugal e a APED - Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição apresentaram hoje, em Lisboa, a campanha de incentivo ao consumo de batata nacional que vai estar em cerca de 700 lojas do país, com o propósito incentivar o consumo.

O presidente da Porbatata, António Gomes, defendeu que os portugueses devem comer batata nacional, justificando que "chega mais rápido ao prato, porque é produzida próxima do local de consumo. É [ainda] fresca, tem muito boas características nutritivas e organoléticas e implica menos horas de transporte e menos gastos em energia de conservação que a batata importada".

E prosseguiu: "Não tem um grama de gordura, tem boa quantidade de vitaminas, com a vitamina C, e minerais, como o potássio. Sacia, graças ao amido que contém, um hidrato complexo e é também de fácil digestão. E é um alimento que faz parte da dieta Mediterrânea".

A campanha tem ainda como parceiro a Associação Portuguesa de Nutrição e conta com o apoio do Ministério da Agricultura e, segundo disse à Lusa António Gomes, "tem um impacto positivo para o ambiente, em comparação com a batata de outras origens".

Já a diretora-geral adjunta da APED, Mónica Ventura, explicou que o apoio à produção nacional tem sido "um dos focos do trabalho" da associação, pelo que realçou a importância deste tipo de iniciativas de cooperação.

"O objetivo é valorizar a batata nacional que se destaca pela sua qualidade e pela relevância no contexto da economia agrícola do país", disse.

Capoulas Santos referiu ainda à Lusa que se tem assistido a "um aumento crescente" das exportações portuguesas, e que o setor agrícola "tem vindo a contribuir para esse objetivo, se bem que nem sempre seja fácil de alcançar, porque quando melhora o rendimento das famílias aumentam também as importações".

Apesar disso, o ministro garantiu que "a agricultura portuguesa está a responder bem", e que existem "muitas e boas iniciativas" das diferentes fileiras do setor e, neste caso, com esta campanha, da fileira da batata.

"Existe em Portugal uma produção [de batata] de excelente qualidade que e necessário levar aos consumidores desde que devidamente identificada quanto à origem. E uma vez que muitos dos produtores são produtores de pequena escala, interessa que se estabeleçam circuitos comerciais curtos, porque os pequenos agricultores têm alguma dificuldade em ter volume de produção que garanta com regularidade o escoamento para as grandes superfícies", lembrou Capoulas Santos.

Portugal produz cerca de 45% a 50% da batata consumida, sendo que das 500.000 toneladas produzidas exporta anualmente cerca de 100.000 e no total consome cerca 900.000 toneladas por ano.

CAP alerta para "armadilha" da redução do orçamento europeu para a agricultura


O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alertou hoje, em Santarém, para a "armadilha" escondida na "linha descendente" do orçamento da Política Agrícola Comum (PAC), que poderá passar a representar 28% do orçamento comunitário.

Eduardo Oliveira e Sousa, que falava na conferência internacional "Os Grandes Desafios para a Agricultura do Futuro", no âmbito do Congresso Mundial do Azeite, hoje em destaque na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, sublinhou a preocupação pela acentuada descida do financiamento para a agricultura, desde a primeira revisão da PAC, quando representava "60% ou mais do orçamento da União Europeia", e corre o risco de passar a ser de "apenas 28%" se vingar a proposta feita na revisão em curso (a sexta).

"Sempre que há uma revisão, há uma diminuição do orçamento", afirmou, alertando que "esta linha descendente esconde uma armadilha que a sociedade urbana não vislumbra, mas que encerra um enorme risco".

Para o líder da CAP, "no dia em que a PAC se torne 'desinteressante' para os agricultores", pela pouca expressão financeira, nomeadamente no apoio ao investimento, ou "por excesso de burocracia, controlos ameaçadores ou desajustados e complexos regulamentos", a viragem para o "mercado puro e duro" pode acarretar riscos.

Em particular, apontou a "menor qualidade dos produtos, menor segurança fitossanitária e dos alimentos, maior dependência de importações de países menos cuidadosos nas práticas culturais, perda de biodiversidade, abandono agrícola e mais desertificação, eventualmente mais fogos florestais, mais desemprego e maior concorrência com a sociedade urbana e metropolitana, maior pegada carbónica".

Falando para uma mesa de oradores que incluiu o primeiro-ministro, António Costa, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e os comissários europeus da Agricultura, Phil Hogan, e da Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas, o presidente da CAP afirmou que a presença na sala, com 1.200 lugares, de agricultores vindos de todo o país é demonstrativa do "peso e da importância" da PAC "na vida e na continuidade" das explorações portuguesas.

Na sua intervenção, António Costa afirmou que os programas para o desenvolvimento rural -- vertente em que a proposta da Comissão Europeia aponta para um corte de 15% que passa para a responsabilidade dos orçamentos nacionais -- são "absolutamente essenciais" para o interior do país.

Na defesa da alteração da proposta da Comissão, que prevê um reforço no primeiro pilar da PAC (ajudas diretas) e o corte na ajuda ao investimento (segundo pilar), o primeiro-ministro reafirmou o argumento de que "não é por acaso que o peso que a PAC tem em Portugal entre o primeiro e o segundo pilar não é idêntico ao de outros países da União Europeia".

"Não é por acaso que 50% dos nossos recursos financiados pela PAC se centram precisamente no segundo pilar. Centram-se aí, porque o esforço de desenvolvimento rural que o país tem que fazer é um esforço enorme", disse.

Sublinhando que a repartição entre os dois pilares é de 50%/50% no caso de Portugal, ao contrário de outros Estados membros em que a relação é de 80% no primeiro pilar e 20% no segundo, António Costa frisou que cortar 15% no segundo pilar "não é igual" para todos.

Phil Hogan reafirmou que a proposta que está em cima da mesa foi "a melhor" dada a circunstância da saída do Reino Unido e a necessidade de responder à exigência "de muitos líderes europeus" de mais dinheiro para segurança, defesa e imigração, deixando a agricultura "sob pressão".

O comissário comprometeu-se a "trabalhar construtivamente para encontrar uma boa solução para a agricultura, particularmente para Portugal".

A 55.ª edição da Feira Nacional da Agricultura/65.ª Feira do Ribatejo, que tem por tema o olival e o azeite, decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), que tem a CAP como acionista maioritário.

Agricultura está mais profissional, o que agrada aos bancos


A agricultura representa 4% do financiamento nacional, tendo o Santander um pouco mais do que a média nacional na carteira de crédito. Por que as empresas agrícolas estão mais profissionais, o que dá mais segurança aos bancos

Agricultura está mais profissional, o que agrada aos bancos
Carlos Santos Lima considera que a agricultura é uma aposta do Banco Santander no financiamento às empresasDavid Cabral Santos

06 de junho de 2018 às 12:14

"A imagem da agricultura é cada vez melhor. A agricultura representa 4% do financiamento nacional, tendo o Santander um pouco mais do que a média nacional na carteira de crédito. O que tem a ver com a profissionalização registada na agricultura", referiu Carlos Santos Lima, Director Coordenador Negócios do Banco Santander.

Acrescentou que, "hoje existe um agricultor empresário, que se profissionalizou e que apostou muito na eficiência das suas culturas. O que é importante num país pequeno como Portugal em que ou somos eficientes ou não conseguimos mercado".

Em 2015 a rendibilidade dos capitais próprios do sector agrícola, foi superior à registada pelo total das empresas.

Na região do Oeste sente-se a diferença e os bancos perceberam isso, como disse Domingos dos Santos, presidente da Frutoeste. Na sua opinião, "há dez anos atrás, quando se submetia qualquer pedido de crédito à banca olhavam para os agricultores de uma forma enviesada. Hoje, de facto, o sector agrícola é o que tem menos risco e menos incobráveis, e que tem dado uma rentabilidade interessante à banca"

O Santander cresceu, entre 2016 e 2017, 45% no apoio às empresas, porque, como explicou Carlos Santos Lima, "o Santander gosta de estar junto das boas empresas e isso vê-se ao nível da gestão, da qualidade. E isto está cada vez mais presente na agricultura".

Novas gerações

"Há muito factores novos na agricultura e a forma de as instituições financeiras olharem para a agricultura é completamente diferente", resumiu Carlos Santos Lima. A rede de universidades e politécnicos permite que a gestão nas empresas agrícolas esteja mais disseminada, tanto nos recursos humanos como financeiros. 

O gestor do banco Santander considera que hoje a actividade agrícola deve muito pouco ao passado. Relembrou que basta contrastar o que era uma feira agrícola no passado e no que é hoje, "em que está presente uma panóplia de soluções técnicas e tecnológicas".

Carlos Santos Lima salientou ainda que o banco valoriza a transformação geracional das empresas agrícolas, pois os jovens são factor de inovação. Referiu ainda que "o Santander valoriza também muito o associativismo, porque dá uma segurança no escoamento do produto" e que na análise bancária, também são importantes os subsídios, pois têm um peso importante na conta de exploração de um empresário agrícola.

PONTOS-CHAVE
O projecto de investimento 
1) O histórico do investidor. 
2) A aposta na eficiência das culturas e no escoamento dos produtos. 
3) A profissionalização.


A formação e a internacionalização

"Na oferta que o Santander tem, há um factor que a distingue da concorrência. É a formação para os gestores das empresas, e que passa por cursos de formação gratuita feita com as principais universidades", explicou Carlos Santos Lima. Disse ainda que existe "formação online para os empregados das empresas, que é muito específica . Estes cursos estão na nossa plataforma e são disponibilizados aos clientes".

O Santander tem um programa de estágios profissionais, em que suporta os salários dos primeiros três meses, e está disponível para qualquer empresa que se candidate. "O cliente é que diz qual é a sua necessidade e nós escolhemos o perfil. Cerca de 50% dos estagiários ficam a trabalhar, o que mostra a qualidade dos estagiários e da formação, e que estamos a suprir uma necessidade", contou Carlos Santos Lima.

Francisco Fragoso, do grupo Luís Vicente, disse que "novos negócios no grupo nasceram de estagiários licenciados, que ficaram na empresa". A Frubis, snacks de fruta desidratada, nasceu com uma universidade. "Trazer conhecimento para a empresa fez a diferença", concluiu.

Kamov vão ser substituídos entre julho e outubro



ARQUIVO GLOBAL IMAGENS

Os três helicópteros Kamov do Estado, que estão parados, vão ser substituídos, entre julho e outubro, por outros helicópteros pesados de combate a incêndios, tendo sido feito um "contrato alternativo"

O secretário de Estado da Proteção Civil disse na comissão parlamentar de Agricultura e Mar que na sexta-feira vai ser adjudicada a prestação de serviços que vai permitir ter helicópteros pesados entre 01 de julho e 31 de outubro.

O dispositivo de combate a incêndios rurais estabelece para este ano um total de 55 aeronaves, sendo 50 alugadas e seis da frota do Estado.

No entanto, da frota do Estado, os três helicópteros pesados Kamov estão inoperacionais e apenas estão a funcionar os três helicópteros ligeiros.

"Este ano tivemos mesmo que fazer esta contratação alternativa para garantir os 55 meios aéreos que temos no dispositivo especial", disse José Neves, sustentando que os três Kamov estão parados por "mau cumprimento do contrato" por parte da empresa responsável pela manutenção e operação.

O secretário de Estado referiu que os meios aéreos foram contratualizados a uma empresa que "não cumpriu com o contrato" ao não realizar a revisão dos 10 anos, pelo que a Autoridade Nacional de Proteção Civil rescindiu o contrato.

"Por conta desse contrato, abrimos um procedimento concursal para termos máquinas alternativas para esses três helicópteros pesados de combate a incêndios em situação de ataque ampliado", disse, sublinhando que resolvida "a litigância" com a empresa será também solucionado o problema "numa perspetiva futura".

Em declarações à agência Lusa, o secretário de Estado afirmou que esse concurso foi feito por ajuste direto com consulta previa a empresas.

O governante apresentou na comissão de Agricultura e Mar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) deste ano.

Costa quer dólares na agricultura: "Temos muita área por explorar no Alqueva"


António Costa esteve na fábrica da Corticeira Amorim, nos EUA  |  NUNO VEIGA /LUSA

Primeiro-ministro tenta seduzir investimento norte-americano no setor agroalimentar e para a reforma da floresta

António Costa quer mais investimento norte-americano no setor agroalimentar e lembrou, em Napa Valley, no estado norte-americano da California, que com o novo plano nacional de regadios, o país vai, até 2020, "alargar significativamente as áreas de exploração onde é importante atrair investimento", com mais 75 mil hectares de regadio, metade dos quais no Alqueva.

As declarações do primeiro-ministro foram feitas no decorrer de uma visita à fábrica da corticeira Amorim (líder mundial na produção de rolhas de cortiça) nos Estados Unidos, e Costa pegou nesse exemplo para dizer que o caso da cortiça "é exemplar, porque somos os maiores produtores de cortiça, mas há outras áreas onde podemos e devemos procurar exportar para os Estados Unidos da América".

"As nossas relações económicas com os Estados Unidos", sustentou, "podem ser nos dois sentidos, e a indústria agroalimentar pode ter um papel muito importante, e é importante atrair investimento americano para as novas oportunidades que existem em Portugal".

Salientando que "grande parte do investimento que tem aumentado no setor agroalimentar tem sido investimento direto estrangeiro e algum dele norte-americano", Costa quer atrair dólares também "para o desafio da reforma da floresta, onde precisamos de novos investidores que tenham uma visão empresarial da floresta e da sua exploração"

E, por isso, enfatizou que "É útil que os investidores estrangeiros conheçam essas oportunidades e, quando tiverem que decidir onde investir, tenham Portugal no mapa e invistam em Portugal".

Amorim: rolhas para dar seis voltas à terra. E algumas são de Coppola

A corticeira Amorim, fundada em 1870, é líder mundial na produção de rolhas: vende 5400 milhões de unidades por ano, tendo 28% da quota mundial. 94% das vendas anuais de 700 milhões de euros são feitas fora de Portugal, para 82 países.

Presente desde 1989 nos Estados Unidos, a Amorim construiu uma nova fábrica em 2011, dedicada à personalização de rolhas (importadas de Portugal), através de tinta e também usando a tecnologia mais recente, que usa laser para queimar a superfície, formando os desenhos ou mensagens pretendidos pelos clientes, que incluem Francis Ford Coppola: o cineasta, também produtor de vinhos, encomenda à Amorim rolhas para o espumante "Sofia", inspirado no nome da filha, também ela realizadora.

Cabo Verde pediu inclusão na lista da FAO de países a precisarem de assistência alimentar


14/6/2018, 17:11

O ministro da Agricultura cabo-verdiano disse esta quinta-feira que foi o Governo que pediu a inclusão de Cabo Verde na lista da FAO de países a necessitar de assistência alimentar


O ministro da Agricultura cabo-verdiano disse esta quinta-feira que foi o Governo que pediu a inclusão de Cabo Verde na lista da FAO de países a necessitar de assistência alimentar, para poder mobilizar recursos em ano de seca.

"Solicitamos da parte da FAO a clara declaração da situação no país para que o país possa mobilizar recursos junto dos nossos parceiros para termos a devida assistência e executarmos o programa de emergência para mitigação da seca e do mau ano agrícola", avançou Gilberto Silva.


Na semana passada, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) incluiu Cabo Verde na lista de países a necessitar de assistência alimentar externa. De acordo com o mais recente relatório da organização sobre colheitas e situação alimentar no mundo, o agravamento de conflitos e as condições climáticas adversas aumentaram para 39 o número de países a necessitar de ajuda alimentar externa.

Cabo Verde é colocado entre os com "quebra excecional de produção de alimentos", apontando o relatório o fraco ano agrícola de 2017 e a "significativa perda" de cabeças de gado. A FAO estima em 192 mil (35% da população), o número de pessoas a necessitar de assistência alimentar entre março e maio, sobretudo devido aos défices de produção agrícola e pecuária, mas prevê que, entre junho e agosto, com a habitual época das chuvas, esse número possa descer para as 80 mil pessoas.

Na altura, o primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, referiu que o país não está a atravessar uma crise alimentar, considerando que a integração na referida lista resulta "do impacto da produção agrícola e pecuária e o efeito direto nas pessoas que vivem dessas atividades, devido, principalmente, ao mau ano agrícola de 2017".

Cabo Verde atravessa uma das piores secas das últimas décadas, tendo em aplicação um programa de emergência para o qual mobilizou 10 milhões de euros junto dos parceiros internacionais.

No final de uma vista a silos e grandes armazéns na cidade da Praia, o ministro Gilberto Silva avançou que foi o Governo que solicitou a inclusão na lista da FAO, para poder mobilizar recursos junto dos parceiros para mitigar os efeitos da seca e do mau ano agrícola.

"Temos que ser coerentes, se somos um país que está a beneficiar de assistência para mitigar os feitos da seca, é evidente que temos que constar dos relatórios que justamente dizem que somos um país neste momento em emergência neste domínio", sustentou o governante.

Na terça-feira, a líder do maior partido da oposição cabo-verdiana (PAICV), Janira Hopffer Almada, considerou "um grande recuo" a inclusão de Cabo Verde na lista e quer saber o destino dos fundos mobilizados para resposta à seca e ao mau ano agrícola.

Para Gilberto Silva, "não se deve politizar este assunto", mas sim passar uma "mensagem de coesão, de tranquilidade" para os cabo-verdianos.

Não está em causa o abastecimento do nosso país em matéria de alimentos", afirmou o ministro, dizendo que o mau ano agrícola põe em causa a produção de hortícolas, frutas e pecuária, produtos que o país normalmente não importa. O ministro disse que as afirmações da líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde são "completamente irresponsáveis e sem sentido de Estado", notando que o país "sempre foi" objeto de ajuda alimentar.

"É um programa técnico, são dados técnicos, é um relatório técnico, que não merece ser politizado desta forma. Cabo Verde, como todos sabemos, é um país que vive situações de seca e quando há situações de seca os relatórios da FAO reportam isso", prosseguiu.

Gilberto Silva disse que os recursos são suficientes para implementar todas as ações planificadas e que, em função do novo ano agrícola, o Governo vai ver se serão necessários mais recursos.

O programa de emergência tem como medidas prioritárias o salvamento de gado, mobilização de água, acesso a financiamento e criação de emprego no meio rural, mas têm surgido queixas de agricultores e criadores de gado de que as medidas são insuficientes.

Estatuto da Agricultura Familiar aprovado. Abrange 100 mil agricultores

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos  |  MÁRIO CRUZ /LUSA

Com esta medida, os agricultores vão ter "acesso prioritário aos fundos comunitários", disse o ministro da Agricultura, Capoulas Santos

O Governo aprovou hoje em Conselho de Ministros o Estatuto da Pequena Agricultura Familiar, que deverá abranger cerca de 100 mil pessoas, 40% dos agricultores portugueses, de acordo com o ministro Capoulas Santos.

Os agricultores que sejam abrangidos por este estatuto terão "acesso prioritário aos fundos comunitários, um regime simplificado em matéria de licenciamento das unidades de produção ao nível da higiene e segurança alimentar"
"É uma medida da maior relevância através da qual esperamos atingir cerca de 40% do universo total dos agricultores portugueses, isto é, cerca de 100 mil agricultores", afirmou o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do Conselho de Ministros.

Os agricultores que sejam abrangidos por este estatuto terão "acesso prioritário aos fundos comunitários, um regime simplificado em matéria de licenciamento das unidades de produção ao nível da higiene e segurança alimentar", bem como um "acesso privilegiado aos mercados de proximidade, a um regime específico de contratação pública de proximidade, para escolas, hospitais, Forças Armadas".

As medidas contemplam também um regime de reconhecimento mais fácil das associações de produtores, linhas de crédito adaptadas, medidas específicas de apoio às atividades nas explorações agrícolas, entre outras, que foram elencadas pelo ministro da Agricultura.

O diploma hoje aprovado define os critérios de "chefe de exploração agrícola familiar", disse Capoulas Santos.

A criação deste estatuto dá cumprimento a "medidas do programa de Governo para discriminar positivamente este segmento da agricultura"
"Terá de ser alguém que tenha mais de 18 anos, que tenha um rendimento inferior ao quarto escalão do IRS (entre 20 e 25 mil euros), não pode receber mais do que cinco mil euros anuais de ajudas da PAC, tem de ser detentor de uma exploração agrícola, seja enquanto proprietário, rendeiro, usuário, e é obrigatório que nesta exploração a mão-de-obra assalariada não seja superior à mão de obra familiar", revelou.

Capoulas Santos salientou que a criação deste estatuto é uma "velha reivindicação de muitas décadas dos agricultores portugueses" e dá cumprimento a "medidas do programa de Governo para discriminar positivamente este segmento da agricultura".

O regime prevê a constituição de um grupo acompanhamento, onde estão representantes dos vários ministérios que têm a ver com as medidas, as organizações de agricultores, a Associação Nacional de Municípios, e a Associação Nacional de Freguesias, que tem como objetivo acompanhar a implementação das medidas e proceder a uma avaliação anual, acrescentou Capoulas Santos.

https://www.dn.pt/portugal/interior/estatuto-da-agricultura-familiar-hoje-aprovado-abrange-100-mil-agricultores----capoulas-santos-9419099.html

domingo, 10 de junho de 2018

Rio defende reforço da posição negocial portuguesa para aumentar fundos comunitários


O presidente do PSD disse esta quinta-feira, numa visita à Feira da Agricultura, em Santarém, que é preciso reforçar a posição negocial portuguesa para que o país veja aumentados os fundos comunitários a que vai ter direito até 2027.

Rio defende reforço da posição negocial portuguesa para aumentar fundos comunitários

07 de junho de 2018 às 21:08

Rui Rio sublinhou a "qualidade e a quantidade da produção agrícola nacional" patentes no certame que decorre em Santarém até domingo, mostrando um sector que se tem afirmado "cada vez mais importante".

Por isso, disse, "é preocupante" que os cortes nos fundos comunitários atinjam particularmente o segundo pilar da Política Agrícola Comum (PAC), que se destina ao investimento e ao desenvolvimento rural, obrigando a um "esforço adicional" nos orçamentos nacionais, que poderá não ser possível nos países "com mais dificuldades".

Declarando esperar que nas negociações complementares que se vão seguir na União Europeia seja possível "melhorar francamente esta situação", Rio afirmou que o Governo "pode fazer mais".

"No fim, cá estaremos para fazer uma avaliação. Neste momento, o que impõe o interesse nacional é ajudarmos os representantes de Portugal, neste caso o Governo, a terem em Bruxelas a força necessária para Portugal ganhar. Não estou na política para Portugal perder, estou na política para Portugal ganhar e quero que os cortes nos fundos comunitários, designadamente na PAC, que é onde há os maiores cortes, sejam corrigidos", declarou.

Para Rui Rio, o corte de 15% nos fundos para o desenvolvimento rural decorreu da saída do Reino Unido ('Brexit'), escusando-se a atribuir culpas ao Governo nesta matéria.

"O orçamento comunitário baixou e aquilo que Portugal e os países do sul procuraram foi que o orçamento comunitário subisse e os do norte não querem que suba", disse, sublinhando que o PSD deu "todo o apoio ao Governo para ter uma posição forte na negociação em Bruxelas", posição que vai manter nesta fase negocial.

"O que nos interessa é que Portugal tenha uma melhor situação. Não estou preocupado neste momento em atribuir responsabilidades, estou sim preocupado em ajudar os agricultores e em ajudar a economia portuguesa. E, nesse sentido, é preciso reforçar a posição negocial portuguesa para que possamos sair, no fim, com os fundos a que vamos ter direito até 2027 reforçados".

Segundo a proposta de orçamento da PAC apresentada sexta-feira passada em Bruxelas, a Comissão Europeia propôs uma verba de cerca de 7,6 mil milhões de euros no Quadro Financeiro Plurianual (QFP) 2021/2027, a preços correntes, abaixo dos 8,1 mil milhões do orçamento anterior, com uma ligeira subida nos pagamentos directos e cortes no desenvolvimento rural, a serem compensados pelos orçamentos nacionais.

O Governo considerou esta proposta inicial da Comissão boa para os agricultores portugueses, sublinhando que ela contempla um reforço global de verbas da ordem dos 280 milhões de euros para o sector nacional no próximo Quadro Comunitário, mas frisou que é "má" para o Orçamento do Estado.

"O Ministério da Agricultura vai bater-se por consolidar e, se possível, ampliar os ganhos no I Pilar (ajudas directas) e tudo fará no sentido de reduzir o esforço financeiro nacional, mantendo o nível de apoio aos agricultores alcançado na proposta inicial", refere um comunicado emitido na sexta-feira.

O comissário europeu da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, que considerou a posição de Portugal "muito benéfica" relativamente aos outros Estados-membros, será um dos participantes na conferência internacional sobre o futuro da agricultura que se realiza sexta-feira no âmbito da Feira Nacional da Agricultura e que contará com as presenças do primeiro-ministro, António Costa, do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e do comissário europeu para a Ciência e a Inovação, Carlos Moedas.

Contratos verbais até 35 dias chegam a lojas e cafés



Café passam a poder contratar por 35 dias sem contrato escrito  |  JOÃO MANUEL RIBEIRO 

O governo quer alargar os contratos de muita curta duração, que não têm de ser escritos, além da área do turismo e da agricultura.

Indústria dos gelados, as lavandarias dos hotéis, ou outras atividades que tenham "irregularidades" no seu ciclo de produção poderão ser abrangidas por esta proposta que o governo já apresentou ao Parlamento, segundo o Jornal de Negócios.

Atualmente, o contrato de muita duração, que apenas exige uma comunicação à Segurança Social, está limitado a empresas do setor do turismo ou da agricultura. Na sua proposta, o governo alarga esses contratos a todos os setores e aumenta o seu prazo: dos 15 dias agora previsto passam a 35 dias, mantendo-se o limite de 70 dias por ano com o mesmo empregador.

A expectativa, segundo o mesmo jornal, é que numa altura em que a economia é puxada pelo turismo, a medida possa ter impacto em múltiplas atividades O facto de só ser aplicado às que tenham "irregularidades" na produção acautela para o governo a questão da precariedade e permitirá absorver situações de trabalho temporário ou que atualmente nem eram declarados à Segurança Social.

CAP alerta para "armadilha" da redução do orçamento europeu para a agricultura


O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alertou hoje, em Santarém, para a "armadilha" escondida na "linha descendente" do orçamento da Política Agrícola Comum (PAC), que poderá passar a representar 28% do orçamento comunitário.

Eduardo Oliveira e Sousa, que falava na conferência internacional "Os Grandes Desafios para a Agricultura do Futuro", no âmbito do Congresso Mundial do Azeite, hoje em destaque na Feira Nacional da Agricultura, em Santarém, sublinhou a preocupação pela acentuada descida do financiamento para a agricultura, desde a primeira revisão da PAC, quando representava "60% ou mais do orçamento da União Europeia", e corre o risco de passar a ser de "apenas 28%" se vingar a proposta feita na revisão em curso (a sexta).

"Sempre que há uma revisão, há uma diminuição do orçamento", afirmou, alertando que "esta linha descendente esconde uma armadilha que a sociedade urbana não vislumbra, mas que encerra um enorme risco".

Para o líder da CAP, "no dia em que a PAC se torne 'desinteressante' para os agricultores", pela pouca expressão financeira, nomeadamente no apoio ao investimento, ou "por excesso de burocracia, controlos ameaçadores ou desajustados e complexos regulamentos", a viragem para o "mercado puro e duro" pode acarretar riscos.

Em particular, apontou a "menor qualidade dos produtos, menor segurança fitossanitária e dos alimentos, maior dependência de importações de países menos cuidadosos nas práticas culturais, perda de biodiversidade, abandono agrícola e mais desertificação, eventualmente mais fogos florestais, mais desemprego e maior concorrência com a sociedade urbana e metropolitana, maior pegada carbónica".

Falando para uma mesa de oradores que incluiu o primeiro-ministro, António Costa, o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e os comissários europeus da Agricultura, Phil Hogan, e da Ciência, Investigação e Inovação, Carlos Moedas, o presidente da CAP afirmou que a presença na sala, com 1.200 lugares, de agricultores vindos de todo o país é demonstrativa do "peso e da importância" da PAC "na vida e na continuidade" das explorações portuguesas.

Na sua intervenção, António Costa afirmou que os programas para o desenvolvimento rural -- vertente em que a proposta da Comissão Europeia aponta para um corte de 15% que passa para a responsabilidade dos orçamentos nacionais -- são "absolutamente essenciais" para o interior do país.

Na defesa da alteração da proposta da Comissão, que prevê um reforço no primeiro pilar da PAC (ajudas diretas) e o corte na ajuda ao investimento (segundo pilar), o primeiro-ministro reafirmou o argumento de que "não é por acaso que o peso que a PAC tem em Portugal entre o primeiro e o segundo pilar não é idêntico ao de outros países da União Europeia".

"Não é por acaso que 50% dos nossos recursos financiados pela PAC se centram precisamente no segundo pilar. Centram-se aí, porque o esforço de desenvolvimento rural que o país tem que fazer é um esforço enorme", disse.

Sublinhando que a repartição entre os dois pilares é de 50%/50% no caso de Portugal, ao contrário de outros Estados membros em que a relação é de 80% no primeiro pilar e 20% no segundo, António Costa frisou que cortar 15% no segundo pilar "não é igual" para todos.

Phil Hogan reafirmou que a proposta que está em cima da mesa foi "a melhor" dada a circunstância da saída do Reino Unido e a necessidade de responder à exigência "de muitos líderes europeus" de mais dinheiro para segurança, defesa e imigração, deixando a agricultura "sob pressão".

O comissário comprometeu-se a "trabalhar construtivamente para encontrar uma boa solução para a agricultura, particularmente para Portugal".

A 55.ª edição da Feira Nacional da Agricultura/65.ª Feira do Ribatejo, que tem por tema o olival e o azeite, decorre até domingo no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), que tem a CAP como acionista maioritário.

Investigadores e criadores unem-se para preservar galinhas portuguesas


Investigadores da Estação Zootécnica Nacional, polo de Santarém do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, estão, com uma associação de criadores, a tentar recuperar as quatro raças autóctones de galinhas existentes em Portugal, retirando-as do risco de extinção.

Virgínia Ribeiro, da Associação de Criadores de Bovinos de Raça Barrosã (AMIBA), entidade detentora dos quatro livros genealógicos das raças de galinhas portuguesas, disse à Lusa que, atualmente, não chegam aos 5.000 os animais com as características exemplares destas raças, o que leva a que se encontrem em risco de extinção.

Esta situação levou a que, em 2012, a AMIBA estabelecesse um protocolo de colaboração com a Estação Zootécnica Nacional (EZN), entidade do INIAV responsável pela investigação e desenvolvimento experimental em produção animal, detentora do Banco Português de Germoplasma Animal, para a constituição de um núcleo, na Fonte Boa, no Vale de Santarém, para garantir a preservação das quatro raças.

Uma das investigadoras da EZN envolvida no projeto, Inês Carolino, disse à Lusa que, além da criação do núcleo, esta parceria permitiu a realização de vários estudos, nomeadamente, para registo de dados biométricos e a caracterização genética das quatro raças, percebendo as diferenças entre elas.

Das quatro raças existentes -- Amarela, Branca, Pedrês Portuguesa e Preta Lusitânica -, a Branca é a que apresenta um menor número de efetivos (com apenas 900 reprodutoras em todo o país), afirmou Virgínia Ribeiro.

Inês Carolino referiu a dificuldade em "manter as raças em linha pura" por frequentemente se encontrarem misturadas, cruzando-se na reprodução, realçando o papel do Estado na conservação das raças autóctones.

O trabalho das duas entidades tem passado ainda pela sensibilização dos criadores para colaborarem nesse esforço, nomeadamente separando os animais nas explorações, de forma a evitar que as raças se cruzem.

Uma das ações de sensibilização aconteceu esta semana na Feira Nacional da Agricultura, que decorre em Santarém até domingo, com uma adesão de produtores que surpreendeu as responsáveis.

"Estas galinhas estão muito ligadas à agricultura sustentável" e à agricultura familiar, disse à Lusa Inês Carolino, realçando o "valor acrescentado" que representam, nomeadamente pela produção de carne e ovos "a muito baixo custo".

"Muitas vezes estas galinhas são produzidas quase com o excedentário da exploração, com o que vai sobrando e com o que se vai alimentar na natureza. Não dependem muito de rações, nem de água e não poluem", disse, salientando que estão "muito associadas a uma agricultura do tipo biológico" e que são "cada vez mais procuradas".

Virgínia Ribeiro referiu o trabalho que tem sido feito para a introdução destes animais na agricultura sustentável, "porque, pela sua rusticidade, pela sua resistência considerável a doenças, pelo baixo investimento nas instalações, pelo fácil maneio, são animais completamente integrados, sendo um rendimento acrescentado às outras atividades da exploração".

A técnica da AMIBA referiu ainda o aumento da procura por parte de consumidores cada vez mais "preocupados com novas doenças e com uma alimentação saudável" e que "querem ver de onde vêm e como são criados" os produtos que consomem.

Por outro lado, apontou o interesse turístico gerado pelas raças autóctones, criadas no seu meio natural, já que há uma procura crescente pelo que "é original".

Virgínia Ribeiro salientou a existência em Portugal de 50 raças autóctones, o que representa "uma diversidade imensa" num país "tão pequeno" a que se tem que "dar valor".

FAO coloca Cabo Verde na lista de países a precisarem de assistência alimentar


A organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) incluiu Cabo Verde na lista de países a necessitar de assistência alimentar externa, mas as autoridades cabo-verdianas asseguram que a situação não é de crise alimentar.

De acordo com o mais recente relatório da organização sobre colheitas e situação alimentar no mundo, o agravamento de conflitos e as condições climáticas adversas aumentaram para 39 o número de países a necessitar de ajuda alimentar externa.

"A lista inclui agora 39 países, mais dois do que em março, com a entrada de Cabo Verde e Senegal", adianta a FAO.

Cabo Verde é colocado entre os países com "quebra excecional de produção de alimentos", apontando o relatório o fraco ano agrícola de 2017 e a "significativa perda" de cabeças de gado.

A FAO estima em 192 mil (35% da população), o número de pessoas a necessitar de assistência alimentar entre março e maio, sobretudo devido aos défices de produção agrícola e pecuária.

A FAO prevê que, entre junho e agosto, a habitual época das chuvas, esse número possa descer para as 80 mil pessoas.

De visita a São Tomé e Príncipe, o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva assegurou que o país não está a atravessar uma crise alimentar.

"Não há um problema de emergência alimentar, quer dizer de crise de alimentos para os cabo-verdianos, isto não existe", disse Correia e Silva em declarações à Televisão de Cabo Verde (TCV).

Para Ulisses Correia e Silva, a integração na referida lista resulta "do impacto da produção agrícola e pecuária e o efeito direto nas pessoas que vivem dessas atividades, devido, principalmente, ao mau ano agrícola de 2017".

Dos 39 países da lista, 31 localizam-se em África e, entre os países lusófonos, além de Cabo Verde consta também Moçambique.

Os conflitos persistentes e a queda irregular de chuva originaram uma quebra recorde de 1,5% na produção anual de cereais a nível mundial.

Cabo Verde atravessa uma das piores secas das últimas décadas, tendo em aplicação um programa de emergência para o qual mobilizou 10 milhões de euros junto dos parceiros internacionais.

A maior fatia foi disponibilizada pela União Europeia, que deu um apoio de 7 milhões de euros para o programa, que inclui ainda contribuições do Banco Africano de Desenvolvimento a título individual e em parceria com a FAO (2,2 milhões de euros), Luxemburgo (500 mil euros), Itália (300 mil euros) e Bélgica (170 mil euros), Espanha (50 mil euros) e Estados Unidos (42 mil euros). A estes valores juntam-se mais 100 milhões de escudos (906 mil euros) do Orçamento do Estado para 2018.

O programa de emergência tem como medidas prioritárias o salvamento de gado, mobilização de água, acesso a financiamento e criação de emprego no meio rural, mas têm surgido queixas de agricultores e criadores de gado de que as medidas são insuficientes.