quinta-feira, 19 de julho de 2018

Californianos investem €150 milhões 4 mil hectares de Alqueva


14.07.2018 às 14h00

O fundo de investimento Route One Investment Company, que também tem participações na Google e na Microsoft já começou a plantar as primeiras amendoeiras, no final do ano passado, em Alvito e Aljustrel


Num espaço de três anos, de praticamente inexistente, a amêndoa passou a ser a segunda cultura mais importante em Alqueva, depois do olival


As negociações demoraram dois anos, num processo que envolveu reuniões nos dois lados do Atlântico, muitos prospetos e pedidos de informação técnica sobre características do solo, clima ou água. Até que deu frutos, e o fundo Route One Investment Company decidiu investir em Alqueva. As primeiras amendoeiras foram plantadas no final do ano passado, em Alvito e Aljustrel, mas agora que o ritmo de investimento, assim como a sua dimensão, acelerou é expectável que a pegada destes investidores sedeados em São Francisco, Califórnia, se espalhe para outras terras abastecidas pela água de Alqueva. Até 2020, o objetivo é ultrapassar os 3 mil hectares de amendoeiras, talvez chegar aos 4 mil. Entre aquisição de terra e os custos de plantação, o investimento total andará entre os €140 milhões e os €200 milhões.

A este valor acrescem mais €10 milhões, que estão a ser investidos na primeira de duas unidades de transformação de amêndoa que o fundo tem planeadas, perto de Évora. Quase concluída, a fábrica já vai poder receber as amêndoas que vão começar a ser colhidas naquela região no próximo mês de agosto, quando mais uma campanha arrancar. Além do descasque deste fruto seco, a unidade vai permitir a transformação em produtos alimentares, como snacks e leite de amêndoa, para mercados estrangeiros. Para o futuro, está a ser planeada a criação de uma marca própria. "Este investimento é de longo prazo, entre os 10 e os 20 anos", conta ao Expresso Bill Duhamel, o administrador da One Route. Por agora amêndoas, "mais tarde vegetais ou outros frutos secos, como os pistácios", acrescenta.

O fundo de investimento Route One, fundado em 2010, conta com participações em mais de uma dezena de empresas, do sector alimentar às tecnologias — incluindo a marca de nutrição Herbalife, a cadeia americana de lojas de material de construção Fastenal, o grupo de media Liberty Global ou a Post Holdings, uma das maiores companhias de produtos alimentares norte-americana. E, embora com participações mais modestas, está também presente em gigantes mundiais como a Alphabet (proprietária da Google) e a Microsoft. A carteira de ativos da empresa rondará os 2,3 mil milhões de dólares (€2 mil milhões).

O namoro entre Portugal e os norte-americanos, alheio à guerra comercial lançada por Donald Trump, tem primado pela rapidez, desde que a AICEP, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, fez o primeiro contacto com estes investidores, na Califórnia. "Já investi em dezenas de países e nunca vi um executivo tão amigo do investimento", garante Duhamel, que ainda no passado mês de junho jantou com o primeiro-ministro António Costa, aquando da sua visita aos Estados Unidos, em que 'vendeu' as potencialidades de Alqueva a vários empresários californianos. Esta semana, foi a vez de o norte-americano deslocar-se a Portugal, para se encontrar com o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, e apresentar o projeto de investimento. "Estamos a falar de um investimento 100% privado, que nem sequer concorreu a fundos", sublinha o governante. "Com a situação de seca pela qual a Califórnia, que é o maior produtor mundial de amêndoa, tem passado nos últimos anos, chegar a um sítio como Portugal com disponibilidade de terra fértil e a estabilidade de fornecimento de água garantida por Alqueva é um sonho para estes investidores. Para eles, o Alqueva é a nova Califórnia", realça.

DO ZERO AOS 7 MIL HECTARES
O investimento em Portugal foi intermediado por outro produtor de amêndoas em Alqueva, José Leal da Costa, que viveu mais de duas décadas na Califórnia e trouxe para aquela região alentejana variedades californianas deste fruto seco, com um travo mais doce e uma aparência mais dourada — mais apetecíveis, por isso, aos consumidores, numa altura em que a procura mundial de frutos secos continua a ser maior do que a oferta. Os preços dispararam há quatro anos (para perto de €9 cada quilo de miolo de amêndoa ao produtor) e, desde então, apesar da correção, os agricultores olham com apetite para esta cultura.

O Alqueva não escapou a esta onda de entusiasmo. Por isso, ao lado das oliveiras, que representam metade da área regada pela barragem de Alqueva, avistam-se agora filas e filas de amendoeiras — desenhadas a régua e esquadro, tal como o olival moderno, em regime intensivo e superintensivo. Em sequeiro, um hectare de amendoeiras não dá mais do que 120 quilos; em regadio e em sistema intensivo, a mesma área de terra pode produzir mais de duas toneladas de amêndoa.

Como lembra José Pedro Salema, presidente da EDIA, a empresa que gere as infraestruturas de Alqueva, "em 2015, apenas existiam mil hectares de amendoal inscritos nesta área. Em 2018, são já 6700 hectares, com tendência para aumentar". Por agora, as amendoeiras ainda não estão a substituir oliveiras, visto que a área de olival já chega aos 44 mil hectares, numa altura em que a área de Alqueva ocupada está nos 80%.

Grandes grupos agrícolas espanhóis, que entraram no Alentejo para plantar olival, estão agora a fazer amendoais, como o grupo De Prado, de Córdoba, a companhia catalã Borges International Group ou a valenciana Importaco Terra. E os produtores portugueses também entraram nesta onda. Em Ferreira do Alentejo, no início de 2017, foi inaugurada a primeira unidade de descasque de amêndoa rija do Alentejo, através da Migdalo, uma sociedade gerida pela família Sevinate Pinto.

Nos últimos anos, conta o responsável da EDIA, o perfil dos investidores em Alqueva tem-se vindo a alterar e começam a entrar em cena fundos de investimento, como a Route One Investment Company: "São investidores completamente diferentes, que procuram diversificar produtos e reduzir o risco através da aposta em bens físicos, como terra."

Agricultura recorre cada vez mais a imigrantes, alguns sem papéis

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras fiscalizou uma exploração agrícola em Santa Maria da Feira (Porto), em que 38, 4 % dos trabalhadores eram estrangeiros; dez estavam ilegais. E, numa operação em Odeceixe, identificaram 54 imigrantes, seis irregulares

16 Julho 2018 — 21:07


Nepaleses resgatados em propriedade agrícola podem ficar em Portugal
As duas ações de fiscalização tiveram lugar a semana passada e, segundo os dirigentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), "visam a prevenção e a deteção de situações de tráfico de pessoas para exploração laboral agrícola, através da disseminação e recolha de informação junto dos trabalhadores estrangeiros identificados".

O que os números também mostram é que, cada vez mais, o setor agrícola recorre à mão-de-obra estrangeira. São hindustânicos, imigrantes naturais do Paquistão, Bangladesh, Índia e Nepal, maioritariamente.

Coimas variam entre dez mil e 15 mil euros

Numa ação de fiscalização na sexta-feira à zona de Santa Maria da Feira detetaram dez cidadãos estrangeiros em situação irregular e que foram notificados para abandonar o país no prazo de 20 dias. Contou com operacionais das direções regionais do Centro e Norte do SEF, além da participação dos técnicos da Autoridade para as Condições do Trabalho.

Encontraram 25 imigrantes num total de 65 da mesma exploração. Quinze haviam já iniciado o processo para obter a autorização de residência em Portugal.

A entidade patronal dos cidadãos foi notificada e está sujeita a uma coima que pode ir até aos 15 mil euros.

Uma segunda ação de fiscalização na mesma semana, em Odeceixe, esta com a GNR, "intercetou várias viaturas de diferentes entidades empregadoras e identificaram 54 cidadãos estrangeiros, dos quais seis em situação irregular, que também foram notificados para abandonar o país",

Levantaram autos de contraordenação a duas empresas "por utilização de atividade de cidadão estrangeiro em situação ilegal, cujas coimas podem ir até aos 10 mil euros"

Clima "trocado": Suécia pede ajuda para combater incêndios e em Portugal pede-se calor


Enquanto Portugal se admira com o granizo no verão, no norte da Europa os incêndios já chegam ao Círculo Polar Ártico

18 Julho 2018 — 11:49


Mau tempo afeta ocupação de parques de campismo nos primeiros seis meses do ano
Em Portugal suspira-se por temperaturas mais elevadas - a temperatura média nos próximos dias rondará os 26 graus-, mas na Suécia só se deseja que essas baixem para que o país consiga controlar os incêndios que já chegam ao Circulo Polar Ártico, zona onde mesmo no verão o clima é frio.

As autoridades suecas já pediram aos parceiros da União Europeia para enviarem meios humanos e materiais para combaterem os fogos e ajudar na retirada das populações de quatro comunidades.

Centenas de pessoas tiveram de sair das suas casas e, segundo conta o diário inglês The Guardian as que vivem em zonas onde ainda não foi dada essa ordem têm de manter-se dentro das habitações e com as janelas fechadas para evitar a inalação de fumo. As ligações por comboio foram interrompidas.

A situação é muito complicada na região como comprovam as imagens transmitidas pelo satélite de observação Copernicus, responsável pela atualização diária dos fogos na Europa, que mostra mais de 60 incêndios na Suécia, mas também na Noruega, Finlândia e Rússia.


Imagem da NASA, com data de 11 de julho, que mostrava os focos de incêndios registados nesse diana Rússia© NASA
Uma situação que tem sido habitual no sul da Europa, mas que este ano está a surpreender o norte do continente, em mais uma demonstração do quanto atípico está a ser o clima.

Enquanto na Suécia e países vizinhos se vivem estas situações de fogos, em Portugal, os primeiros meses do ano ficam marcados pelo facto de a área ardida ser, de 1 de janeiro a 15 de julho, a segunda mais baixa da última década. E o número de fogos, de acordo com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, ser o quarto mais reduzido desse período. Segundo os dados oficiais, registaram nesse período 6035 fogos que consumiram 5327 hectares, quando em 2017 já tinham sido queimados 74 895.


METEOROLOGIA
Queda de granizo cobriu Serra da Estrela de branco no domingo
Perante a situação de emergência que está a ser vivida na Suécia, a Noruega já enviou seis helicópteros de combate a incêndios e a Itália dois Canadair CL-415s. Uma resposta que no ano passado foi dada a Portugal quando o país foi atingido pelos grandes fogos que atingiram a zona norte e centro do país e que fizeram mais de uma centena de vítimas mortais.

Ilustrando a situação de emergência, habitantes de Uppsala (um pouco a norte de Estocolmo) disseram ao The Guardian que foram proibidos os churrascos depois de se terem registado 18 dias consecutivos sem chover.

"Este é, definitivamente, o pior ano nos tempos mais recentes no que diz respeito a incêndios florestais. Temos fogos todos os anos, mas 2018 está a ser excessivo", adiantou ao diário inglês Mike Peacock, um investigador e residente na região.

Salientando que sempre têm existido incêndios, as autoridades reconhecem que nunca chegaram às proporções deste ano, nem às zonas que estão a ser atingidas: algumas regiões da Gronelândia, Alasca, Sibéria e Canadá.

As autoridades suecas reconhecem que o risco de haver novos incêndios nos próximos dias é "extremamente alto" até porque as temperaturas vão manter-se pelos 30 graus. O que já levou o Sistema de Informação Europeu para os Incêndios Florestais a alertar que nos próximos dias vão manter-se condições muito propícias ao surgimento de fogos.

Alteração global

"O que estamos a assistir é a uma alteração global das áreas suscetíveis de terem incêndios, como no nordeste da Inglaterra e agora estes na Suécia", comentou Vincent Gauci, professor universitário.

Responsáveis da União Europeia recordam que está a assistir-se cada vez mais a anos atípicos no que diz respeito aos incêndios que tradicionalmente atingiam a zona dos países do sul da Europa, mas que agora estão a surgir em zonas e em períodos inesperados. E lembram ao The Guardian o longo período de fogos registado no ano passado em que arderam centenas de hectares em Portugal, Espanha e Itália.

Nova redução de gramagem nos pacotes de açúcar



Pacotes de açúcar vão ter menor quantidade
Foto: Carlos Manique /Arquivo Global Imagens



A quantidade de açúcar nos pacotes vai voltar a baixar. Em janeiro de 2017, a quantidade máxima permitida passou de 8 para 5/6 gramas e, a partir de 1 de janeiro de 2020, os pacotes que acompanham o café nas grandes superfícies não poderão ter mais do que 4 gramas.

O protocolo que visa levar à prática esta nova redução é assinado amanhã, quinta-feira, entre a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), na presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

O AÇÚCAR QUE NÃO VÊ NESTES PRODUTOS ALIMENTARES

FOTOGALERIA
Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, admite ao JN que se trata de "um projeto ambicioso e mais restritivo para as empresas de distribuição alimentar". Revela que o objetivo da DGS é "modificar os hábitos alimentares dos portugueses através da educação, alertando para os riscos de saúde como as cáries e diabetes." Lembra que atualmente tomar um café é um ato que está mais facilitado, a maioria dos hipermercados tem o seu próprio espaço, e esse é também um dos motivos para esta redução na gramagem do açúcar avançar nas grandes superfícies, afirma Pedro Graça.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, os hábitos alimentares inadequados são o fator de risco que mais contribui para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa (19%) e um dos determinantes da doença crónica, que representa mais de 85% da carga de doença no sistema de saúde português

A redução do açúcar nos pacotes começou a ser aplicada em 2016, através de um compromisso de entendimento assinado entre o Ministério da Saúde e as Associações Representativas da Indústria Alimentar. Agora, a DGS vai ser mais ambiciosa e incentivar a grande distribuição a dar mais um passo em frente.

"O objetivo é que as pessoas que consomem um pacote de açúcar com o seu café o continuem a fazer, mas usando uma dose menor, contribuindo assim para a sua saúde", afirma Pedro Graça, acrescentando que se pretende também combater o desperdício alimentar, "pois há pessoas que não usam um pacote inteiro e o resto vai para o lixo".

Sobre a razão pela qual a medida só entrar em vigor a 31 de dezembro de 2019, o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável explica que se pretende dar oportunidade aos distribuidores de escoar os milhares de pacotes de 5/6 gramas produzidos.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Travar declínio do sobro custa (para já) 60 milhões


Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens


NUNO MIGUEL ROPIO
Ontem às 14:18

Cerca de 60 milhões de euros é quanto pode custar, para já, a implementação de medidas de proteção do sobrado a Sul do país e o início do seu alargamento. Estas são as contas do grupo de cidadãos que constitui a "Iniciativa Pró-Montado", que pretende do Governo medidas que possam combater o avanço do deserto do Saara, entre elas o aumento do número de sobreiros, dos atuais 60 por hectare para 80 a 100.

Segundo o grupo, formado por produtores de sobro e cortiça, autarcas de vários municípios alentejanos, associações ambientalistas e ainda investigadores, as áreas de montado abaixo do rio Tejo estão em risco, e não é de agora. O objetivo passa por sensibilizar as autoridades a canalizar para o setor parte de verbas de fundos europeus do Portugal 2020 para a agricultura, que ficaram por executar, e outros que ainda estão a ser desenhados, de modo a apostar na resistência climática dos sobreiros.

Pedro Sousa, um dos produtores de sobro que faz parte da "Iniciativa Pró-Montado", garante que não se pode continuar a passar ao lado das doenças, pragas e secas que vêm atingindo a floresta a Sul - que concentra 72% dos sobreiros e 92% de azinheiras do país.

"Não há só uma floresta em Portugal. Há várias. No Norte e Centro são florestas lenhosas. E esta [sobrado], além do seu enorme valor económico, pode e deve servir para travar a desertificação do ´Sul do país", sustenta sobre uma floresta que, no ano passado, permitiu a exportação de 966 milhões de euros em cortiça.

Montado em agonia

Daí que o grupo exija o lançamento de um concurso regional para o Alentejo de apoio à melhoria de resiliência e de valorização ambiental. Em causa poderão estar cerca de 60 milhões de euros, dos fundos europeus do Portugal 2020, que poderiam ser reafetados a esta estratégia, para fazer face a cerca de "duas décadas de deterioração do clima e de três anos de seca seguida".

A possibilidade de haver um forte investimento em sobro na reflorestação do Centro e Norte, afetados pelos incêndios de 2017, não é vista com bons olhos pelo grupo. O motivo deve-se à falta de "resultados práticos", quanto a rendimentos de produtores e à qualidade da cortiça, já que "demorarão cerca de 30 a 40 anos a aparecer".

O apelo é que que o montado de sobro e também o de azinho "passem a ter programas de defesa e apoio próprios", para que a densidade por hectare aumente: passando de cerca de 60 árvores por um hectare para 80 a 100.

Segundo o grupo, um dos apoios financeiros para tal estratégia pode vir do reforço em 133 milhões de euros do Programa de Desenvolvimento Rural Florestal, que conta neste momento com 530 milhões de euros.

Pedro Sousa alega que o Alentejo mantém-se, "de longe", como "repositório principal do fornecimento de cortiça ao país", já que o "montado de sobro é o seu povoamento florestal" pode servir de barreira para o avanço do deserto.

Durante o levantamento da realidade do montado no Alentejo, para elaborar tais pedidos ao Governo, este grupo admite que sofreu "um valente susto". Nas serras de Portel, Grândola ou Santiago do Cacém, foram encontradas árvores em agonia e em desfolhação - queda prematura de folhas.

Estes cenários do sobro no Sul, bem como as intenções do grupo para inverter o declínio do setor, já chegaram às mãos do primeiro-ministro e do ministro da Agricultura. Até agora, ainda não houve uma resposta.

Impactos das alterações climáticas na agricultura é tema da Ovibeja em 2019

Os impactos e consequências das alterações climáticas na agricultura e o papel dos agricultores como "guardiões da biodiversidade" vão ser o tema principal da próxima edição da feira agropecuária Ovibeja, em 2019, em Beja, foi hoje anunciado.


Lusa
17 Julho 2018 — 10:03

Segundo a organizadora da feira, a associação ACOS - Agricultores do Sul, o tema vai ser abordado através de várias iniciativas durante a 36.ª Ovibeja, entre os dias 24 e 28 de abril de 2019, no Parque de Feiras e Exposições de Beja - Manuel Castro e Brito.

Colóquios, seminários, sessões de esclarecimento, apresentações e análises de estudos e exposições são algumas das iniciativas previstas e que vão reunir contributos de agricultores, estudantes, técnicos e especialistas nacionais e estrangeiros, indicou hoje a associação.

"Com a certeza de que não há agricultura sem homens, nem homens sem agricultura", os agricultores "são o grupo profissional que está na linha da frente para a tomada de medidas que permitam continuar a produzir alimentos e a desenvolver e a dinamizar o espaço rural de forma sustentável", considera a ACOS.

Os agricultores, continua, são "peças-chave na construção da paisagem" e "responsáveis" pela produção de alimentos de origem vegetal e animal, mas também pela "proteção do espaço rural e pela criação de condições que salvaguardem o equilíbrio entre a atividade produtiva e a proteção do meio ambiente".

Por isso, frisa, os agricultores podem dar "contributos fundamentais para a mitigação e a reversão dos impactos causados pelas alterações climáticas".

A ACOS considera ainda que "o empenho e o esforço dos agricultores na manutenção e na salvaguarda do meio ambiente têm de necessariamente ser tidos em conta na nova Política Agrícola Comum".

Para tal, a associação, "com base em parcerias, sessões de esclarecimento e reuniões", está a reunir contributos para "trabalhar, reunir e veicular informação relevante sobre a matéria".

Quatro empresas angolanas do setor agrícola em risco


Quatro empresas estatais angolanas do setor agrícola estão em risco, por não gerarem lucros, e o futuro será avaliado em 30 dias por um grupo de trabalho nomeado pelos ministros das Finanças e da Agricultura e Florestas.


Lusa
16 Julho 2018 — 09:12

Em causa, segundo despacho conjunto de 10 de julho, consultado pela Lusa, estão a Sociedade de Desenvolvimento de Perímetros Irrigados (Sopir), Sociedade de Desenvolvimento do Polo Agro-industrial de Capanda (Sodepac), da Empresa Nacional de Mecanização Agrícola (Mecanagro), bem como a Empresa de Rebeneficiamento e Exportação de Café (Cafangol).

O despacho conjunto reconhece o "esforço que o Estado angolano tem empreendido na busca de soluções para recuperação e revitalização das empresas públicas e a necessidade de se desenvolver ações concretas" para "aferir a situação atual" das quatro empresas de capital público.

O documento acrescenta, além da criação do grupo de trabalho, a "necessidade de acompanhar e monitorizar" as quatro empresas, "visando apresentar propostas concretas sobre o futuro" das mesmas.

O grupo será liderado por Walter da Cruz Pacheco, da Unidade de Gestão da Dívida Pública, e entre as tarefas consta a identificação das "principais causas que estão na base da incapacidade" daquelas empresas "em desenvolver os planos de negócios pré-concebidos para rentabilização" das mesmas.

A Lusa noticiou a 10 de maio que o Governo angolano prevê privatizar 74 empresas públicas a médio prazo, sobretudo do setor industrial, processo que entre 2013 e 2017 permitiu um encaixe financeiro para o Estado de quase 20 milhões de euros.

A informação consta de um documento enviado aos investidores, no qual é referido que Angola privatizou entre 2013 e 2017 um total de 29 pequenas empresas.

"Angola pretende privatizar mais 74 empresas a médio prazo. Globalmente, o Governo pretende vender toda a sua participação nessas empresas, a maioria das quais opera no setor industrial", lê-se no documento. Recorda ainda que a política de longo prazo do Governo é que as empresas que não sejam obrigadas a permanecer na esfera pública, por questões políticas, "devem ser privatizadas".

Contudo, o documento não adianta quais as empresas a privatizar ou o montante que o Governo estima arrecadar com essas operações.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Todos desistiram da plantação de papoila branca no Alqueva


O objectivo que a cultura da planta dormideira produtora de ópio pretendia atingir, cerca de 6000 hectares até 2016, ficou pelo caminho. Em 2018 não foi plantado um único hectare.

CARLOS DIAS 16 de Julho de 2018, 8:50 Partilhar notícia



A cultura de papoila branca (Papaver somniferum L.), também conhecida por planta dormideira, destinada à produção de morfina, deixou os campos do Alqueva, cinco anos depois de ter sido iniciada a sua exploração. O excesso de oferta deste produto no mercado mundial ditou o fim do investimento em Portugal.

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À expectativa criada à volta da uma nova e exótica cultura, considerada "interessantíssima" pelos agricultores que aderiram ao projecto (cerca de meia centena) sob fortes medidas de segurança, seguiu-se o fracasso de uma iniciativa que chegou a ser considerada pelos autarcas de Beja um "investimento estratégico" para a região.

A Macfarlan Smith, empresa escocesa que foi pioneira na plantação de papoilas brancas nos campos do Alqueva, pretendia, para além da produção de matéria-prima, proceder numa fase posterior à sua transformação numa fábrica nos arredores de Beja. Seriam investidos, numa primeira fase, cerca de 4 milhões de euros e, posteriormente, o alargamento das instalações implicaria um investimento de 20 milhões de euros com a promessa de criação de 30 postos de trabalhos fixos. 

Neste sentido, a empresa escocesa iniciou em 2009 estudos e experiências para atestar o grau de adaptabilidade agronómica da cultura à região do Alentejo. O trabalho de investigação foi coordenado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e teve a colaboração do Ministério da Agricultura, da Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva (EDIA), do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) e do Instituto Politécnico de Beja (IPB).

As experiências efectuadas em cerca de 100 hectares abriram "excelentes perpectivas" pela qualidade dos terrenos, o sol persistente e a abundância de água debitada por Alqueva, ou seja, os ingredientes fundamentais para suporte da cultura de plantas dormideiras. A primeira campanha arranca em 2012 e ocupou 650 hectares. Vaticinavam-se resultados "muito promissores". As primeiras colheitas apresentaram valores de morfina "muito satisfatórios e encorajadores" e a Macfarlan Smith não poupou nos predicados para dar "continuidade ao investimento da cultura no país", assumia, na circunstância a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo (DRAPAL).

A EDIA passou a demonstrá-la como exemplo da diversidade cultural que Alqueva potenciava para contrariar a ideia da hegemonia da monocultura do olival e, rapidamente, se antecipou para 2014 a ocupação de 6 mil hectares no regadio do Alqueva. Os mais entusiastas admitiam que podia chegar aos 10 mil. A terra não era problema. Os menos optimistas ficavam-se pelos 3000 hectares.

"Bom rendimento"
Nos anuários agrícolas publicados pela EDIA, a cultura de papoila branca passou a ser descrita como "uma boa alternativa aos agricultores das novas áreas de regadio". Estava garantido "apoio técnico, por parte das empresas promotoras" (Macfarlan Smith e TPI Enterprises) e "um bom rendimento" aos agricultores que aderissem ao projecto.

A EDIA anunciou em 2016 que a área ocupada por papoilas já tinha "ultrapassado a barreira dos 1000 hectare". E com a presença de "dois player's no mercado, é previsível que a área continue a aumentar, contudo a um ritmo mais reduzido", dizia na altura. Foi o primeiro e subtil sinal de alerta a deixar dúvidas sobre a sustentabilidade da nova cultura. No seu anuário agrícola de 2017, a empresa gestora do regadio do Alqueva reconhece: "Contrariamente às previsões do último ano, a área de papoila não aumentou, tendo mesmo reduzido para cerca de metade". Com efeito, em 2017 foram inscritos 509 hectares nos perímetros de rega de Alqueva, quando em 2016 a área ocupada chegou aos 1070 hectares.

A empresa avança com uma possível causa: "Aparentemente existem duas razões para a redução da área de papoila. A primeira é a saída de uma das empresas responsáveis pela produção do mercado português, a outra a saturação do mercado mundial de substâncias opiáceas, com excesso de oferta deste produto". Leitura que está confirmada no Relatório do Comité Internacional de Controlo de Estupefacientes de 2016 ao referir que a área semeada com papoila rica em morfina nos principais países produtores "diminuiu aos níveis do ano anterior na Austrália, França, Hungria e Espanha". No país vizinho, a área real colhida de papoila "foi 66% menor que no ano anterior", enquanto na Turquia, outro país produtor, "mais que dobrou" em relação a 2015, refere o documento. E acrescenta: a produção global de matérias-primas de opiáceos, ricos em a morfina "excedeu a procura global de morfina". E em 2016, a produção de morfina continuou a exceder a procura.


Excesso de produção
O excesso de produção de papoila de ópio "é uma das causas que terão justificado o abandono da cultura no Alentejo", reforça Francisco Palma, presidente da Associação de Agricultores do Baixo Alentejo (AABA). É um produto específico que "sofreu as consequências de um mercado desajustado e as coisas começaram a correr mal", acentua o dirigente associativo, que disse ao PÚBLICO ter recebido indicações de que "este ano (2018) não se plantaram papoilas" na região. E deixa críticas às entidades públicas por terem aceitado "sem garantias" os projectos apresentados pela empresa escocesa (Macfarlan Smith) e australiana (TPI Enterprises). Esta última anunciou em 2017 a venda da sua subsidiária portuguesa, alegando que a aquisição de uma empresa na Noruega "tornou desnecessário o investimento na produção em Portugal". Recorde-se que esta também chegou a anunciar ter como objectivo alcançar 3000 hectares de cultura e a instalação de uma fábrica, onde iria investir cerca de 10 milhões de euros.

O PÚBLICO solicitou esclarecimentos à empresa mãe da Macfarlan Smith, a Johnson Matthey Fine Chemicals, sobre as razões que levaram a cessar a produção de papoila branca no Alentejo, mas até ao fecho da nossa edição não obtivemos qualquer resposta.


Questionado o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, entidade que assinou no anterior executivo um protocolo com a empresa escocesa para a instalação de uma fábrica para armazenamento e processamento inicial das papoilas, junto ao aeródromo de Beja, disse não saber "se haverá desenvolvimento desta actividade" admitindo que as actuais condições "não são favoráveis" à concretização do projecto.

Questionada a Johnson Matthey Fine Chemicals, a casa-mãe da empresa escocesa. Pranika Sivakumar, que se apresenta como gestor de conteúdos, confirma que devido "à maior disponibilidade de matérias-primas utilizadas na produção de opiáceos", a MacFarlan Smith "decidiu cessar as operações relacionadas com a cultura da papoila em Portugal" e já não irá avançar com o projecto de construção de uma fábrica em Beja para tratamento da produção que depois seria enviada para Edimburgo.

Governo vai pagar a proprietários que optem por floresta resiliente


Os proprietários e municípios que contribuam com serviços de ecossistemas, como biodiversidade, floresta, água ou solo, vão receber um pagamento do Estado. A intenção, aprovada este sábado em Conselho de Ministros, ainda está a ser estudada.

Governo vai pagar a proprietários que optem por floresta resiliente

14 de julho de 2018 às 17:03

O Governo vai pagar a proprietários que optem por uma floresta resiliente e aos municípios com territórios que prestem serviços de ecossistema, anunciou este sábado o ministro do Ambiente.

A medida, que ainda está a ser trabalhada juntamente com "a maior parte das universidades portuguesas" e que estará definida em Setembro, pretende pagar a proprietários e municípios que contribuam com serviços de ecossistemas (como biodiversidade, floresta, água ou solo), afirmou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

O objectivo é um dos dez compromissos para o território, inseridos no Programa Nacional da Política Ordenamento do Território (PNPOT), cuja revisão foi ontem aprovada em Conselho de Ministros Extraordinário, que decorreu na Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra.

Dando um exemplo sobre como é que poderá surgir essa remuneração, o ministro do Ambiente referiu que pode haver transferência directa de dinheiro para proprietários que optem por uma floresta resiliente, ao contribuírem para o capital natural do país.

Na dimensão dos municípios, serão transferidas e incorporadas "competências nos municípios", com factores "que privilegiem exactamente esses territórios com maior capital natural", vincou.

Segundo João Pedro Matos Fernandes, a ideia de pagar pelos serviços de ecossistema prestados vai arrancar com dois projectos piloto no país, na Serra do Açor e no Parque Natural do Tejo Internacional.

"É fundamental remunerar os serviços de ecossistemas que são prestados", realçou, considerando que a presença de pessoas é importante não apenas "para a noção primeira de abandono, mas para uma segunda, que é a perda do próprio capital natural, que justifica e sustenta um conjunto de actividades do país".

sábado, 14 de julho de 2018

"OS VINHOS DO PICO E O PERIGO DO GLIFOSATO” - DIREITO DE RESPOSTA

Ao abrigo dos artigos 24º, 25º e 26º da Lei de Imprensa os abaixo-assinados solicitaram à Editora do Suplemento Fugas do Jornal Público a publicação do seguinte texto ao abrigo do Direito de Resposta e de Retificação, na sequência do artigo de opinião assinado por Pedro Garcias, no suplemento "Fugas", do jornal Público no dia 07/07/2018 com o título: "Os vinhos do Pico e o perigo do glifosato".

DIREITO DE RESPOSTA PARA PUBLICAÇÃO:

"No seguimento do artigo intitulado "Os Vinhos do Pico e o Perigo do Glifosato" publicado no suplemento Fugas, de 7 de julho de 2018, da autoria de Pedro Garcias, vimos por este meio responder, mostrar a nossa indignação e exigir a reposição da verdade.
No vosso artigo, o título associa o "vinho do Pico" ao "Perigo do glifosato". Não existe qualquer investigação científica que estabeleça uma relação entre a utilização de glifosato e a contaminação do vinho. É falso o alarme despoletado pelo título do artigo e é grave enganar o consumidor transmitindo a ideia, errada, de que o consumo do "vinho do Pico" poderá, de alguma forma, ser prejudicial à saúde.
A ilha do Pico tem o maior parque natural dos Açores e 33% da sua área é protegida (156 km2). Na zona marítima, 79 km2 são de proteção marinha. A Paisagem da Cultura da Vinha do Pico é classificada pela UNESCO como Património da Humanidade. Estes factos são, por si só, determinantes na relação política e cultural que a ilha do Pico mantém com todas as temáticas relativas ao ambiente.
Relativamente ao vinho e à vinha, que ocupa uma pequena parcela do território, o Pico é uma Denominação de Origem controlada. O que significa que todos os vinhos aqui produzidos são avaliados e analisados para posterior certificação através de uma entidade técnica e cientificamente competente. Numa paisagem única em que as vinhas são plantadas nas fendas das rochas junto ao mar, as vinhas estão todas sob o regime de "proteção integrada de acordo a Lei n.º 26/2013 de 11 de abril. As Vinhas do Pico, como referimos, são classificadas como Património da Humanidade desde 2004. É uma das (apenas) 14 regiões do mundo com esta chancela da UNESCO.
Os mais de 300 viticultores representam um total de quase 1.000 hectares de vinhas (10 km2), dos quais cerca de 700 hectares foram recuperados nos últimos 4 anos, num esforço de recuperação de uma cultura e uma indústria com uma História de mais de 500 anos. As vinhas do Pico não são mecanizadas. Todo o trabalho é manual. As vinhas do Pico são, por esta razão, das que menos emissões poluentes fazem no planeta. São, também, umas das vinhas que, no mundo, requerem mais mão-de-obra, contribuindo para a fixação das populações rurais e distribuindo riqueza.
A associação feita pelo artigo entre o Vinho do Pico e o Perigo do Glifosato configura, para além de uma falsidade, uma difamação, pois associa, de forma exclusiva, aquele produto aos vinhos do Pico. Damos nota que, apesar do artigo referir que também existe glifosato noutras vinhas em território nacional, nunca faz associação ao vinho, nem nomeia outras regiões.
O dano causado pela associação exclusiva de "Vinho do Pico" a "Perigo do Glifosato", é incomensurável. A difamação contida nesta associação prejudica, de forma irreparável, toda a indústria dos vinhos do Pico e mancha a reputação de toda uma Região. A afirmação pode configurar, ainda, uma "viciação da concorrência". Por estes motivos, impõe-se a reposição imediata e cabal da verdade, esclarecendo os leitores sobre a realidade dos factos.
Existe perigo de saúde de Glifosato nos vinhos do Pico? Os vinhos do Pico têm mais perigo para a saúde do que outras regiões?
A resposta é, taxativamente, NÃO a ambas as questões! As vinhas do Pico estão todas sob o regime de "proteção integrada" e os vinhos do Pico são todos analisados e certificados pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores, não havendo qualquer risco para a saúde associado a glifosato ou a qualquer outro herbicida.
Os herbicidas são utilizados de forma consciente e controlada. Consciente porque os aplicadores frequentaram ações de formação específicas onde aprenderam os perigos que os herbicidas implicam para a saúde pública e a forma correta de os dosear e aplicar. Controlada porque a venda de produtos químicos está vedada ao público em geral e porque os agricultores têm de manter registo dos produtos utilizados.
Afirma ainda o artigo que "Não deve haver vinhas mais químicas que as do Pico". Entende-se que esta grave acusação é falsa e configura de novo uma difamação e "viciação da concorrência".
Note-se em primeiro lugar que as vinhas do Pico têm a particularidade de serem rasteiras, para proteção do vento, cobrindo o solo. Sabendo que todos os herbicidas são aplicados no chão, percebemos que não se pode aplicar glifosato praticamente todo o ano. Poder-se-ia eventualmente no Inverno quando não há folhas. Ora, no Inverno enquanto a maioria de Portugal continental está a aplicar glifosato, no Pico não se aplica porque é desaconselhado, porque não faz frio suficiente para a planta fazer uma verdadeira dormência (seria um risco muito elevado para a sobrevivência das plantas). Por esta razão, entre outras, a maioria dos produtores de vinho abandonaram o glifosato.
Acrescentamos que, nas vinhas do Pico, a impossibilidade de utilização de tratores obriga a que qualquer aplicação de produtos seja manual, de pulverizador às costas. Esta é uma aplicação muito mais precisa, apenas feita sobre o que se quer tratar e não sobre a totalidade do terreno, ao contrário do que acontece na generalidade das vinhas em território nacional, que são mecanizadas.
O artigo não refere qualquer dado comparativo entre países ou entre regiões portuguesas para sustentar as suas conclusões. Damos nota aqui de um dado comparativo importante: numa vinha em espaldar, que é a norma em Portugal continental, um trator consegue aplicar num dia herbicidas entre 7 a 10 hectares de vinha. No Pico, como tudo tem que ser aplicado por "alguém com um pulverizador às costas", um homem consegue tratar apenas 0,3 hectares de vinha por dia, isto é, um trator aplica cerca de 23 a 33 vezes mais do que o homem do Pico.
Pergunta-se então se se aplica mais glifosato nas vinhas do Pico que noutras regiões de Portugal?
Não! Aplica-se menos glifosato nas vinhas do Pico do que na generalidade das vinhas em Portugal. Em terceiro lugar, o artigo afirma que "Os Picarotos parecem viciados em herbicidas". Neste caso, configura efetivamente uma opinião, mas não deixamos de registar que procura apenas denegrir de forma generalizada a população de uma ilha. Ao contrário do que dá a entender a mensagem do artigo, o mais recente estudo da Universidade dos Açores, comprova que os Açores, de entre as ilhas da Macaronésia, são a Região que tem a menor utilização de produtos fitofarmacêuticos na agricultura.
O artigo refere ainda, em tom de conclusão, que "Haverá sempre quem beba sem se preocupar em saber o percurso do vinho até chegar ao copo, mas quem se dispõe a pagar um preço alto por uma garrafa de vinho — e os vinhos do Pico são obrigatoriamente caros — quer saber um pouco mais sobre o que vai beber. Esse consumidor não está apenas a comprar vinho, está também a comprar uma experiência, um bem cultural, um testemunho de uma paisagem e de um povo. Regar tudo isto com glifosato não é uma boa ideia."
O artigo conclui, portanto, que os vinhos do Pico, apesar da sua cultura e valor, são regados de herbicidas, colando de novo o vinho do Pico ao glifosato. São afirmações graves, infundadas que difamam toda uma região e que provocam danos incalculáveis a toda a indústria de vinhos dos Açores.
A utilização dos herbicidas em geral e do glifosato em particular só é nociva para a saúde humana quando se verifica a sua acumulação nos solos e nos lençóis de água em valores superiores aos parâmetros considerados aceitáveis e determinados pelas instituições científicas e legislativas. Segundo os últimos estudos científicos realizados, os solos dos Açores apresentam índices de contaminação mínimos quando comparados com a regulamentação, sendo inferiores a outras regiões. De acordo com os relatórios da ERSARA, a água fornecida à população dos Açores é de boa qualidade e, apesar das centenas de análise efetuadas anualmente, nunca o perigo de contaminação por herbicidas foi, sequer, referida. Acresce que todas as análises efetuadas às zonas balneares dos Açores indicam que a qualidade da água é excelente.
É caso para perguntar onde se meteram os glifosatos?
Concluímos afirmando, com orgulho, que as ilhas dos Açores são, realmente, certificadas pela Natureza!

Os Abaixo-Assinados:
CVR AÇORES / ADEGA A BURACA / AZORES WINE COMPANY / CANCELA DO PORCO/ COOPERATIVA VITIVINÍCOLA DA ILHA DO PICO / CURRAL ATLANTIS / VINHOS CZAR "

Os vinhos do Pico e o perigo do glifosato


São demasiados muros para tão poucas videiras. É demasiado trabalho para uma colheita tão incerta. Insistir em fazer vinho nos lajidos do Pico, por mais apoios que haja, tem algo de teimosia, heroísmo e aventura.

7 de Julho de 2018, 2:40 Partilhar notícia

Terceira semana de Junho, ilha do Pico, poucas nuvens no céu, muito calor e humidade alta. Vistas desde o avião, as vinhas parecem hieróglifos. Nunca tinha reparado. As várias formas das curraletas (os muros de pedra que protegem as videiras), umas mais rectilíneas, outras mais curvas, umas mais altas, outras mais pequenas, umas viradas a nascente, outras a poente, ganham a natureza de símbolos ou figuras. É uma "escrita" feita na lava, de uma extensão colossal, e cujo significado só se decifra em terra, quando se percorre aquele labirinto de curraletas e se vêem meia dúzia de videiras ou menos a reverdecer no interior de cada quadrícula de pedra negra.

São demasiados muros para tão poucas videiras. É demasiado trabalho para uma colheita tão incerta. Insistir em fazer vinho nos lajidos do Pico, por mais apoios que haja, tem algo de teimosia, heroísmo e aventura. No ano passado, a produção foi tão baixa que as uvas venderam-se a mais de quatro euros o quilo. Nem em Colares valem tanto. Em lugares assim, os vinhos têm que ser caros. Em lugares assim, tão extremos, também não devia haver vinhos banais, a cheirar e a saber ao mesmo de outros brancos de maior volume produzidos no continente — e há alguns, infelizmente. Quem os faz não merece aquelas vinhas, mesmo que as tenha comprado.

No Pico, cada litro de vinho implica um enfrentamento com a dureza da pedra, a inconstância do clima e a fúria do mar. Só por isso, mesmo a vinha mais modesta devia ser encarada como um lugar religioso, que não pode ser profanado, em respeito por todos os que ajudaram a erguer aquela extraordinária paisagem. Há muitos picarotos que tratam as suas vinhas como se fossem templos. Conheço alguns. Mesmo tendo outros afazeres, não passam um dia sem ir uma ou duas vezes à vinha. Diz o povo que "a vinha precisa de ver o dono". No Pico, o dono precisa mesmo de ver a vinha, sob pena de a perder em pouco tempo. As chuvas e a humidade obrigam a constantes tratamentos contra o míldio e o oídio e a resistência das ervas daninhas, das faias e dos incensos é um calvário. Estão sempre a despontar e a disputar a pouca terra fértil com as videiras. O resultado é uma tragédia.

Custa-me ter que escrever o que vou escrever. Na geografia portuguesa, há três lugares especiais para mim: o Douro, Trás-os-Montes e o Pico. Como podemos falar dos lugares de que mais gostamos e onde somos felizes, mesmo regressando lá uma e outra vez? Gostava de só ter palavras boas para falar deles, mas não é possível fechar os olhos à forma quase doentia como no Pico — não é só no Pico, infelizmente — se usam herbicidas, tanto nos espaços públicos como nas vinhas. Os picarotos parecem viciados em herbicidas. Estamos sempre a tropeçar em alguém com um pulverizador às costas a borrifar ervas.

Não deve haver vinhas mais químicas como as do Pico. Uma boa parte das novas vinhas da ilha foram plantadas em curraletas que haviam sido abandonadas e que, em poucos anos, viraram autênticas florestas de faias e incensos. Extirpar cada quadrícula de pedra destas árvores, muitas de grande porte, é uma tarefa dura e cara. As árvores são cortadas pelo fundo, mas as raízes permanecem lá, pelo que é necessário queimá-las com doses fortes de herbicidas. Mesmo assim, com o tempo, a maioria acaba por rebentar. De modo que os viticultores passam a vida a eliminar esses rebentos e todas as ervas que vão nascendo. Ao mesmo tempo, para salvarem a produção, vão fazendo tratamentos fúngicos quase todas as semanas.

Para terem as suas vinhas-templos como jardins e garantirem o vingamento das uvas, os viticultores do Pico gastam fortunas em químicos que vão contaminando os solos e as linhas de água. Mas como podemos criticá-los? O clima não permite ser negligente no combate às doenças da vinha e limpar as vinhas à mão é uma empreitada pesada e dispendiosa.

Então não há alternativa? Há sempre alternativa. Só depende do que se quer gastar e dos riscos que se está disposto a correr. Com algumas práticas mais orgânicas, consegue-se reduzir o uso de fungicidas; e, combinando o uso de mão-de-obra com a aplicação de alguns cobertos, tipo palha, seria possível reduzir ou mesmo eliminar os herbicidas.

Mas, para isso, é necessário mudar primeiro as mentes dos responsáveis regionais. Até agora, a estratégia tem privilegiado a atribuição de generosos (mas justificados) subsídios para a plantação de novas vinhas e a sua manutenção.

A área de vinha quase duplicou e dentro de dois anos é expectável que a produção de uvas satisfaça as necessidades de vinho actuais. No entanto, talvez esteja na hora de começar a indexar os apoios, melhorando-os se for caso disso, a práticas cada vez mais amigas do ambiente. Que adianta ter vinhas de uma beleza extraordinária e fazer vinhos singulares se o preço a pagar é o recurso massivo a produtos químicos? Haverá sempre quem beba sem se preocupar em saber o percurso do vinho até chegar ao copo, mas quem se dispõe a pagar um preço alto por uma garrafa de vinho — e os vinhos do Pico são obrigatoriamente caros — quer saber um pouco mais sobre o que vai beber. Esse consumidor não está apenas a comprar vinho, está também a comprar uma experiência, um bem cultural, um testemunho de uma paisagem e de um povo. Regar tudo isto com glifosato não é uma boa ideia.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Governo aprova estratégia nacional para promoção da produção cerealífera


12.07.2018 às 20h52

 
Na extensa área das propriedades do Grupo Ilídio Matos no Baixo Alentejo há olivais, vinhas, cereais, prados e pastagens

D.R.

O governo aprovou esta quinta-feira uma nova estratégia para a produção de cereais que quer "contribuir para um setor mais forte e mais eficiente, com maior capacidade de resistência à volatilidade dos mercados, lê-se no comunicado do Conselho de Ministros
Lusa
LUSA
O Governo aprovou esta quinta-feira a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção Cerealífera, com o objetivo de tornar o setor "mais forte e eficiente", segundo um comunicado do Conselho de Ministros.

A estratégia em causa, tem como objetivo atingir, em cinco anos, um grau de autoaprovisionamento em cereais de 38%, correspondendo 80% ao arroz, 50% ao milho e 20% aos cereais praganosos (como a aveia e o trigo, por exemplo).

"O Governo pretende, deste modo, contribuir para um setor mais forte e mais eficiente, com maior capacidade de resistência à volatilidade dos mercados, com maior capacidade de oferta de um produto de elevada qualidade e mais adaptado às alterações climáticas", lê-se no comunicado. 
A estratégia em causa foi elaborada pelo Grupo de Trabalho dos Cereais, que é coordenado pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

De acordo com os dados do grupo de trabalho, em 2016 a superfície ocupada com cereais correspondia a 257 mil hectares, uma diminuição face aos 900 mil hectares que ocupava nos anos 80.

"Este decréscimo decorreu, essencialmente, da discrepância de preços praticados ao longo deste período em Portugal e na União Europeia. Os níveis de auto aprovisionamento apresentam atualmente um valor na ordem os 23%", explicou, em comunicado, o Ministério da Agricultura.

Costa alerta PME nacionais para oportunidades em Moçambique na agricultura e energia

7/7/2018, 11:11

António Costa regressa este sábado a Lisboa depois de uma visita a Moçambique. O primeiro-ministro lembrou as Pequenas e Médias Empresas de que podem ganhar um papel importante no país.


O primeiro-ministro, António Costa, salientou que Moçambique representa "uma oportunidade" não só para grandes investimentos, mas também para as Pequenas e Médias Empresas (PME) nacionais, apontando como exemplo as áreas da agricultura e da energia.

António Costa regressa este sábado a Lisboa, depois de uma visita oficial de dois dias a Moçambique e que incluiu a realização da III Cimeira Luso-moçambicana, fazendo um "balanço muito positivo" desta deslocação a nível político e económico.

Do ponto de vista político, é muito clara a vontade dos dois governos, do Presidente da República de Moçambique, que têm uma grande motivação para estreitar o relacionamento com Portugal", destacou, em declarações à RTP e Lusa.


Também na perspetiva económica, o primeiro-ministro salientou as oportunidades abertas, quer pelos acordos assinados — uma dezena em áreas como segurança social, administração interna, mar e defesa — quer pela "reanimação das linhas de crédito e novos instrumentos financeiros de apoio ao investimento".

"Há também a vontade de Moçambique de lançar grande projetos de grande dimensão na área da energia, que pode interessar não só a grandes empresas, mas também às PME", alertou.

Segundo António Costa, uma das mensagens mais importantes que lhe foi transmitida pelo Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, foi que "é preciso olhar para Moçambique não só para os grandes investimentos, mas também para as inúmeras oportunidades que o país oferece, designadamente na agricultura".

"As PME portuguesas têm aqui um espaço e podem ganhar um papel muito importante, aproveitando diferenças de calendários de cultura e diferenciando o portfólio de produções", apontou. "Está aqui um pais com notáveis oportunidades e quando as oportunidades existem há que as agarrar", apelou.

Com a próxima cimeira bilateral já marcada para o próximo ano, desta vez em Portugal, o primeiro-ministro salientou a importância de manter "contactos regulares" entre os dois países para que qualquer problema que surja possa ser rapidamente ultrapassado. "Não vamos esperar quatro anos", assegurou. As anteriores cimeiras bilaterais entre Portugal e Moçambique realizaram-se em 2011, em Lisboa, e em 2014, em Maputo.

O segredo para ter laranjais mais saudáveis está nas goiabeiras

Numa visita a pequenos laranjais no Vietname, investigadores brasileiros concluíram que as laranjeiras plantadas junto de goiabeiras tinham uma menor incidência da doença conhecida como "greening".

Carla Pedro Carla Pedro cpedro@negocios.pt

07 de julho de 2018 às 19:00

O "greening", ou huanglongbing (HLB), é uma doença causada por bactérias que atacam os citrinos (laranjas, limões, toranjas, etc.), sendo considerado um dos mais sérios problemas da citricultura em todo o mundo, a par como o chamado "cancro cítrico". A ponto de haver já cães treinados para a farejarem.

Por alguma razão lhe chamam "o monstro da citricultura" – é que a palavra chinesa huanglongbing significa dragão amarelo [embora haja também quem traduza como "doença do ramo amarelo"].

Nos Estados Unidos, o governo treinou cães para detectarem as bactérias que matam árvores de citrinos há muitos anos, esperando que o seu olfacto ajude a combatê-la atempadamente – já que, ao ser identificada, pode reduzir-se o impacto através de uma desaceleração do contágio, como referiu a Agrotec.

Mas parece que há uma arma muito poderosa, descoberta por investigadores brasileiros há uns anos, quando visitaram laranjais no Vietname. O segredo está… nas goiabeiras.

Conta a Bloomberg que esta descoberta foi o alicerce para a criação, no Brasil, das primeiras laranjeiras geneticamente modificadas, resistentes ao "greening" – cujo agente infeccioso sistémico dificulta bastante o seu controlo, levando à queda da produtividade e qualidade da fruta.

Estas árvores estão praticamente prontas a sair do laboratório e das estufas para serem plantadas no Estado de São Paulo no âmbito dos testes no terreno.

Os investigadores descobriram que as goiabeiras expelem um aroma específico que parece repelir o insecto vector [o psilídeo, que possui grande capacidade de infestação e crescimento em pomares sem controlo químico] responsável pela transmissão do HLB.

As laranjeiras também produzem o mesmo aroma, mas numa quantidade muito menor, comentou à Bloomberg Nelson Arno Wulf, o coordenador da Fundecitrus – uma fundação de investigação financiada pela indústria do sumo de laranja no Brasil e que estuda e combate as doenças e pragas que atacam as laranjas.

Assim, em vez de plantarem goiabeiras perto dos laranjais, estes cientistas desenvolveram nas laranjeiras características semelhantes a essa árvore – precisando agora de autorização do regulador federal brasileiro para as plantarem em campos no exterior.

Outra solução possível, e que não implica o uso de insecticidas, está em recorrer a pequenas vespas produzidas em laboratório para combaterem o psilídeo, refere a Revista Pesquisa.

O Brasil, recorde-se, é o maior produtor mundial de laranjas, seguindo-se os EUA, China, México, Espanha, Egipto, Itália e Turquia. Portugal tem vindo também a aumentar fortemente a sua produção.

Em Portugal, a produção de laranja ocupa uma área de 20.361 hectares, que resulta numa produção anual superior a 200.000 toneladas.

As zonas de produção mais representativas em Portugal são o Algarve, a zona da Vidigueira e o Ribatejo, mas é no Algarve onde existem melhores condições para a produção deste fruto, sendo esta a região com maior produtividade, refere o Observatório dos Mercados Agrícolas e das Importações Agroalimentares

Depois da maçã, a laranja é o fruto mais produzido em Portugal continental.

Quase não chove nos Açores há meses. Produção de leite pode sofrer quebra de 40%

04 DE JULHO DE 2018 - 16:20

O Governo Regional dos Açores irá anunciar, já esta semana, medidas de apoio à agricultura, que está ser afetada pela seca na região.


Vizinhos passam a poder acabar com alojamento local. PS leva proposta a votos

João Ponte, secretário regional da Agricultura e Florestas, afirma que, "a cada dia que passa", a situação de seca na região "agrava-se", pelo que o Governo Regional dos Açores pede à população da ilha para poupar água.

A Ilha Terceira é das zonas do arquipélago mais afetadas pela falta de chuva, desde abril.

A Associação de Jovens Agricultores da Ilha Terceira prevê que a produção de leite possa sofrer uma quebra entre 30% a 40%, devido à fraca produção de milho e erva para alimentar os animais.

O secretário regional da Agricultura e Florestas admite preocupação quanto ao abastecimento de água às populações e quanto à agricultura. "O que há a fazer é gerir, da melhor forma possível, os recursos que estão disponíveis", afirmou.

O mundo pode deixar de ter bananas em breve


JORNAL I
05/07/2018 19:09

A variedade de bananas mais consumida pelo ser humano enfrenta o risco de desaparecer devido à "doença do Panamá"

A variedade de banana mais consumida pelo ser humano enfrenta o risco de desaparecer, devido à doença do Panamá.  Cientistas dizem que "é necessário preservar a planta, pois pode ser o segredo para manter a banana a salvo no futuro", lê-se na BBC.

A banana consumida por mais pessoas em todo o mundo é a banana Cavendish, plantada principalmente no continente asiático e americano. Agora, a 'doença do Panamá', um problema causado pela presença de um fungo na raiz das bananas, está a destruir grande parte das plantações na Ásia.

Para já, a doença ainda não passou para os outros continentes, mas os cientistas alertam para a facilidade com que se pode propagar: trata-se de "uma doença muito resistente, que pode perdurar dias na sola de um sapato" e assim chegar a outros pontos do planeta, explicou, em 2016, a bióloga especialista em plantações e investigadora na Universidade de Wageningen, Gert Kema. A especialista alerta ainda para o facto de não existir ainda uma forma de tratar este problema:  "assim que a doença chegar àquele território, não há como salvar uma plantação".

O artigo publicado esta quinta-feira pela BBC explica que estas bananas são todas geneticamente semelhantes. Isto faz com que se uma delas for 'atacada' pela doença, o fungopode rapidamente espalhar-se por uma plantação inteira.

Vários investigadores estão agora a trabalhar em novas espécies que possam substituir esta variedade de banana e que sejam também resistentes a condições da natureza adversas.

Indústria do pinheiro-bravo em risco se não tiver apoio


10/7/2018, 7:22120
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Associação ambientalista Zero alertou hoje para o perigo que corre a indústria ligada ao pinheiro-bravo, devido à destruição de plantações pelos incêndios, e exige apoio na regeneração da espécie.


A associação ambientalista Zero alertou hoje para o perigo que corre a indústria ligada ao pinheiro-bravo, devido à destruição de plantações pelos incêndios, e exige apoio na regeneração da espécie, garantindo empregos e retorno económico.

"É muito provável que a área ocupada por povoamentos de pinheiro-bravo ('Pinus pinaster') em Portugal após os incêndios do passado ano fique abaixo dos 500 mil hectares", o que "muito em breve irá colocar em risco" a indústria ligada à exploração do pinhal, principalmente as serrações, defende a Associação Sistema Terrestre Sustentável, Zero, em comunicado.

Os ambientalistas falam de um "cenário preocupante se a área ardida não diminuir rapidamente".


Para a Zero, é necessária uma nova geração de políticas públicas na gestão florestal do minifúndio, integrando aquela espécie, e "exige-se mesmo que, a muito curto prazo, seja desenhada uma linha de apoio específica para o aproveitamento da regeneração do pinheiro-bravo como parte integrante das medidas dirigidas à instalação de espécie autóctones", com reforço das verbas do Fundo Florestal Permanente.

A Zero considera que bastaria um apoio com fundos comunitários associados de 800 euros por hectare, ou seja, 24 milhões de euros por ano, durante cinco anos, para fossem conseguidas correções de densidade em áreas atualmente com regeneração natural, podendo chegar a 150 mil hectares, e "ficassem garantidos os postos de trabalho e o retorno económico da fileira".

Aquela medida, segundo a Zero, teria de ser complementada com a "redução drástica do elevado número de ignições (quase 6.000 ocorrências já em 2018) e com apoios efetivos e reforçados" à criação de sociedades e unidades de gestão florestal, assim como ao controlo periódico de vegetação herbácea e arbustiva por meios mecânicos e com recurso ao fogo controlado.

A associação aponta ainda que "a exploração do pinhal é mais sustentável a prazo que a aposta no eucalipto e existe uma desinformação generalizada junto dos proprietários rurais que urge corrigir".

Os discursos políticos em relação às populações das áreas rurais, principalmente residentes no interior, devem ser "coerentes com a política de investimentos públicos", com medidas integradas, de acordo com as características de cada região, acrescenta a associação ambientalista.

Com base em dados do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e do Centro Pinus, a Associação para a Valorização da Floresta de Pinho, os ambientalistas apontam que a atividade relacionada com a exploração do pinhal era responsável por 80% do emprego na indústria da floresta em 2016, com mais de 54 mil postos de trabalho em 8.458 empresas, representando 46% do volume de negócios.

O pinheiro-bravo, espécie autóctone, já foi a primeira espécie em área ocupada e em 2010 passou a ocupar o terceiro lugar, atrás do eucalipto e do sobreiro, com 714 mil hectares.

Chuva vai continuar e a culpa é do anticiclone dos Açores



 13.07.2018 08h03
A chuva vai continuar em Portugal continental pelo menos até ao início da próxima semana, uma situação que segundo a meteorologista Ângela Lourenço se deve à posição do anticiclone dos Açores.
Em declarações hoje à agência Lusa, a especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) explicou que "é normal chover no verão", mas o que é "menos comum" é a persistência de dias em que esta ocorre.


"Se pensarmos no dia isoladamente é uma situação normal. As pessoas falam muito das trovoadas e da chuva, mas é uma situação típica de verão. Aqui o que talvez possa não ser tão comum é a persistência, a sequência de dias em que estas condições meteorológicas se repetem poderá não ser tão comum acontecer", disse.


De acordo com a Ângela Lourenço, a situação está relacionada com o posicionamento do anticiclone dos Açores.


"Está relacionado com o facto de o anticiclone dos Açores se encontrar muito para oeste permitindo que as regiões depressionárias, aquelas que poderão dar ocorrência de precipitação, estejam mais nas latitudes de Portugal continental e na Península Ibérica. É uma situação que pode acontecer no verão e acontece com alguma frequência, mas a persistência é que não é tão comum", salientou.


A meteorologista adiantou que as condições meteorológicas previstas para hoje e para o fim de semana vão ser semelhantes ao que têm sido nos últimos dias.


"Vamos ter nebulosidade matinal, que atinge quase todo o litoral oeste e o interior do Alentejo que tem tendência a dissipar ao longo da manhã, embora possa persistir na faixa costeira ocidental", disse.


Durante a tarde de hoje, acrescentou a especialista do IPMA, está prevista a ocorrência de aguaceiros com possibilidade de ocorrência de trovoadas, granizo e rajadas fortes em particular nas regiões mais a norte.


"Por causa desta situação, o IPMA emitiu aviso amarelo para os distritos de Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança [até às 21:00 de hoje] . Nestes distritos e nas regiões interiores, mais montanhosas, mais nas serras e até junto à fronteira com Espanha podem desenvolver-se trovoadas mais severas", explicou.


No domingo, segundo Ângela Lourenço, está previsto um agravamento do estado do tempo mais generalizado em todo o território com ocorrência de aguaceiros e possibilidade de trovoadas, podendo ocorrer até na região sul.


No que diz respeito às temperaturas, a tendência é para baixarem, mas não de forma significativa.


"Para hoje e amanhã [sábado] vão registar-se valores próximos dos 30 graus ou mesmo superiores no interior (31/32 graus). No domingo, a tendência é para baixarem, registando-se valores entre os 25 e os 30 graus no interior e no litoral", disse.

Lusa

O mito do eucalipto e do pinheiro nos grandes fogos, segundo a WWF

 05.07.2018 12h12

A organização de conservação da natureza WWF defendeu hoje que "não se pode culpar o eucalipto ou o pinheiro" pelos últimos grandes incêndios, considerando ser este um dos "mitos" que refletem tentativas de fuga à responsabilidade política.
"Não se pode culpar o eucalipto ou o pinheiro pelo que tem acontecido, mas podemos acusar o modelo territorial e a ausência de políticas que promovam um planeamento paisagístico coerente", salienta a WWF num trabalho hoje apresentado em Lisboa e em Madrid.

O relatório intitulado "O barril de pólvora do noroeste" analisa as causas e as circunstâncias em que ocorreram os grandes incêndios florestais ibéricos de 2017, principalmente a norte do Tejo, em Portugal, e na Galiza e Astúrias, em Espanha, que causaram mais de uma centena de mortos e centenas de milhares de hectares ardidos.

Para a WWF, "é necessário desmistificar alguns dos tópicos constantemente associados aos grandes incêndios, como a existência de 'terrorismo incendiário', a 'culpabilização do eucalipto', a 'especulação urbana' ou a 'requalificação de terrenos'".

A organização, presente em Portugal e em Espanha, defende que "estes mitos não são mais do que uma tentativa de fuga à responsabilidade política perante um problema social e ambiental cuja solução requer mudanças profundas".

"OS SUPER INCÊNDIOS NÃO SE APAGAM COM MAIS HIDROAVIÕES"
A WWF insiste que os incêndios de 2017 têm de ser um ponto de viragem para os dois governos e apela à tomada de responsabilidade no sentido de mudar a abordagem na luta contra o fogo, pois "os super incêndios, consequências das alterações climáticas, não se apagam com mais hidroaviões".

No ano passado, em Espanha, o número de grandes incêndios aumentou quase 200%, ou seja, triplicou em relação à média dos últimos dez anos, enquanto em Portugal arderam cerca de 500.000 hectares, o que representa um acréscimo de 400%, ou seja, cinco vezes a área afetada por fogos na última década, segundo dados do Instituto da Conservação da natureza e Florestas (ICNF), citados pela WWF.

Para a organização, os incêndios estão relacionados com vários fatores e "repovoamentos de eucalipto ou pinho, abandono rural e clima são uma combinação decisiva".

O debate acerca desta questão deve alargar-se além das críticas ao eucalipto e focar-se em "onde vamos permitir que existam eucaliptos do ponto de vista social e biológico e como devem ser geridos para que não coloquem em risco ecossistemas ou populações", defendem os ambientalistas.

"É um absurdo económico e ambiental que existam plantações de eucalipto abandonadas, em parcelas que os próprios donos nem sequer sabem que são suas", realçam, alertando que aquela espécie "pode ter sentido em casos em que há um correto aproveitamento económico, bem gerido e ordenado".

De acordo com a associação de defesa do ambiente, o abandono das plantações de eucalipto na Galiza é de cerca de 40% e as administrações galega e portuguesa "devem urgentemente" identificar as parcelas abandonadas, intervir e atribuir novos usos para diversificar a paisagem.

Em Espanha, quase 65% dos incêndios ocorrem no noroeste peninsular e só na Galiza, que representa 50% do total dos fogos, ocorrem 6.000 ignições por ano. Em Portugal, em 2017, dos 16.981 pedidos de auxílio registados até 31 de outubro, 94% ocorreram a norte do Tejo.

Lusa

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Governo quer agricultores a produzir mais cereais e leva assunto a Conselho de Ministros



11.07.2018 às 12h30

 
ALBERTO FRIAS
Estratégia nacional para os cereais vai esta quinta-feira a Conselho de Ministros. Este ano Portugal bateu no fundo com a produção mais baixa de sempre. Mas o Governo quer ajudar a inverter a situação

Vítor Andrade
VÍTOR ANDRADE
O Governo vai aprovar esta quinta-feira em Conselho de Ministros a Estratégia Nacional para a Promoção da Produção de Cereais, recentemente apresentada pelo sector.

O Expresso sabe que o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, pretende, com a subida deste tema à mesa do Conselho de Ministros, colocar o assunto definitivamente na agenda política e dar também um sinal aos agricultores de que o Governo continua atento ao que se passa no sector e que o quer dinamizar.

"Temos a perfeita noção de que Portugal nunca será um grande produtor de cereais e que jamais se aproximará das quantidades necessárias para o consumo próprio (o que significa estar dependente das importações) mas também sabemos que é possível fazer muito mais", sublinha o ministro.

A SEMENTEIRA MAIS FRACA DOS ÚLTIMOS 100 ANOS
Note-se que, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, há já cinco anos consecutivos que Portugal regista uma diminuição da área semeada de cereais, prevendo-se que na campanha em curso se atinja um mínimo histórico de 121 mil hectares, a menor área dos últimos cem anos - desde que existem registos sistemáticos.

No caso do trigo, por exemplo, Portugal apenas produz 6% das suas necessidades anuais. A compra a terceiros é cada vez mais uma opção inevitável para conseguir alimentar o país.

Os dados que foram divulgados pelo INE, na verdade, e segundo alguns agentes do sector, apenas confirmam aquilo que já se temia: Portugal não é competitivo no mercado dos cereais.

É praticamente impossível concorrer, por exemplo, com países como a França, onde se produzem 10 toneladas de trigo panificável por cada hectare, quando nas melhores terras para cerreais do Alentejo não se consegue ir além das 4 toneladas. Quando se atingem 5 toneladas já é qualquer coisa de extraordinário.

AUMENTAR OS NÍVEIS DE AUTOAPROVISIONAMENTO
É neste contexto que surge a Estratégia Nacional para os Cereais, recentemente apresentada pelo Governo, em estreita colaboração com as principais associações de produtores. O objetivo, que sobressai das 95 páginas do documento, é óbvio: impulsionar a produção dos cereais em geral, mas dos chamados praganosos em particular, de onde sobressai o trigo. Passar do atual nível de autossuficiência – da ordem dos 6% - para mais de 20% em cinco anos é possível, dizem os responsáveis pela produção.

O grau de autoaprovisionamento nacional nos cereais em geral, que era de cerca de 60% em 1989, ronda atualmente os 23%, uma vez a produção não acompanhou o aumento do consumo interno, em particular para alimentação animal.

Governo atribui até quatro milhões para vacinação e controlo sanitário na pecuária

9/7/2018, 13:31

O montante definido pelo secretário refere-se à subvenção das organizações de produtores pecuários (OPP) que participam na lização dos programas sanitários aprovados em 2018.


O Governo limitou a quatro milhões de euros o total de subsídios a atribuir aos produtores de bovinos, ovinos e caprinos para apoiar o controlo sanitário e a vacinação nas pequenas explorações pecuárias, revela um despacho publicado esta segunda-feira.

O montante total definido pelo secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, refere-se à subvenção das organizações de produtores pecuários (OPP) que participam na realização dos programas sanitários aprovados em 2018 pela Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), no Plano Nacional de Saúde Animal.


"A subvenção a atribuir por bovino, ovino ou caprino é calculada tendo em consideração o número de animais elegíveis por exploração, sujeitos à totalidade dos controlos sanitários previstos para o ano de 2018", lê-se no despacho, incluindo a vacinação nos bovinos, ovinos e caprinos contra a brucelose.

O governante explica no despacho que, quando os animais elegíveis para esta ajuda não ultrapassarem os limites estabelecidos no escalão A (escalão de valor mais elevado), será o valor da subvenção acrescido de um valor base de cinco euros por exploração, de forma a compensar os custos base do controlo daquelas pequenas explorações. Mas estes valores, adianta o diploma, "não podem ultrapassar o valor máximo de subvenção de quatro milhões de euros, para o ano de 2018".

Presidente do IFAP admite erros nas candidaturas e pagamentos de fundos europeus

O presidente do conselho diretivo do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), Pedro Ribeiro, admitiu hoje, em Lisboa, a existência de erros nos processos de candidaturas a fundos comunitários.

Lusa
10 Julho 2018 — 18:34

"Os erros são verificados ao longo de toda a cadeia, desde a aprovação de projetos até aos pedidos de pagamento. Todas as pessoas cometem erros e é preciso não confundir erros com desonestidade e má-fé", disse Pedro Ribeiro, durante uma audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar.

De acordo com o responsável, "uma ínfima parte" diz respeito a situações de má-fé, contabilizando-se, até ao momento, 22 processos no Ministério Público.

O presidente do conselho diretivo do IFAP foi ouvido a pedido do CDS que, num requerimento aprovado em 04 de julho, dava conta de um conjunto de denúncias, por parte de várias empresas de consultoria, de situações de "desonestidade e má-fé aos beneficiários envolvidos nas candidaturas e respetivos pedidos de pagamento".

De acordo com o grupo parlamentar, as acusações foram realizadas durante ações de formação, no âmbito do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) e do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP).

Segundo Pedro Ribeiro, Portugal está há seis anos consecutivos com uma taxa de erro de materialidade acima dos 2% aceites pela Comissão Europeia, situação que, para o responsável, pode ser combatida através das ações de formação.

"Se todas as pessoas não se compreenderem nem entenderem as regras, há um sério risco de, numa das fases do processo, haver um problema e quem vai pagar são os beneficiários. Portanto, estamos ainda a fazer uma série de ações destinadas a todos os agentes", explicou.

No entanto, o presidente do instituto ressalvou que as ações não têm como objetivo "perseguir ou culpabilizar" beneficiários ou consultores.

"As acusações formuladas não encontram suporte em nenhum caso em concreto [...]. O texto divulgado foi construído pelas empresas, através da agregação de três tópicos distintos, [contidos] numa apresentação de 'PowerPoint'. Esta apresentação não suscitou quaisquer dúvidas ou reparos entre os 500 participantes", vincou.

Durante a primeira ronda de intervenções, a deputada do CDS Patrícia Fonseca defendeu que "não se pode tomar o todo pela parte" e acrescentou que o IFAP possui os dados de todos os consultores, podendo assim medir as taxas de erro de cada um, de modo a que os agricultores fiquem informados.

Por sua vez, o deputado do PSD Nuno Serra alegou estar "surpreso" por chegar à conclusão que a morosidade nos pagamentos se deve à falta de "transparência" nos processos.

Já o deputado do PS Pedro do Carmo considerou que as "falhas estão tipificadas" e que o instituto quer "assumir" esses problemas.

Por último, o deputado do PCP João Dias classificou a situação como "um tanto constrangedora", apesar de notar "boa-fé" por parte do IFAP, no que toca a resolver os problemas identificados.

O BE não esteve representado na audição.

Em resposta aos deputados, o presidente do IFAP reiterou que o instituto tem mais de 1.550 consultores a trabalhar com os agricultores, tendo como objetivo que as ações permitam que todas as pessoas tenham acesso "ao mesmo tipo de informação".

"Um consultor em Torre de Moncorvo não é pior ou melhor do que um que está numa grande empresa [...] e tomara a nós que os erros não existissem", concluiu.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Desesperadamente à procura de terra



07.07.2018 às 10h00

O consumo de saladas está em alta e a Vitacress quer triplicar a área de cultivo biológico no Alentejo

Quando uma empresa se vê obrigada a desacelerar o esforço de vendas para os mercados internacionais devido à falta de capacidade produtiva, algo de estranho se passa. Mas foi exatamente isso que aconteceu, no ano passado, com a empresa de produção de saladas Vitacress Portugal.

Na verdade, 2017 foi o melhor ano de sempre da empresa e, segundo Luís Mesquita Dias, diretor-geral, só não foi melhor porque, na verdade, a capacidade de produção não dava para crescer mais. "Estamos desesperadamente à procura de terra para cultivar, essa é que é a questão. Queremos crescer e precisamos de mais terra para as nossas plantações".

O gestor sublinha que esta semana a empresa assinou um contrato para mais 50 hectares de terra, em Odeceixe, para juntar aos 260 que já possui em Odemira (e aos 20 que tem no Algarve), mas que continua a precisar de mais área de cultivo, pois a produção não chega para as encomendas.

Metade das terras que a empresa cultiva são arrendadas e os outros 50% comprados. O ritmo de trabalho é tal que "todos os dias semeamos e todos os dias colhemos", enfatiza o diretor-geral da Vitacress.

O que se passa, segundo aquele responsável, é que não só o consumo de saladas no mercado nacional está a crescer como há cada vez mais apetência pelas saladas alentejanas nos países do norte da Europa, onde dantes era mais difícil penetrar, sobretudo devido à distância. Acontece que agora a empresa está a conseguir prolongar o prazo de validade (para consumo) das saladas embaladas e isso permite colocar os produtos nos países nórdicos quatro dias depois da colheita. Como o prazo de validade é de nove dias, ainda sobram cinco.

O próximo grande passo em termos de vendas para o exterior é a entrada no mercado dos Emirados, mais concretamente no Dubai.

Crescimento de 15%

Em 2017 a empresa — que pertence ao grupo RAR (da família Macedo Silva) — faturou €123 milhões nos cinco centros de produção que detêm em vários países europeus. Só na unidade que possui em Portugal o volume de negócios ascendeu aos €28,5 milhões, um crescimento de 15% face ao ano anterior. Do total da produção em Portugal, 35% seguem para os mercados internacionais.

As 400 pessoas que trabalham para a Vitacress em Portugal, produzem e embalam todos os dias 80 produtos diferentes, com especial destaque para as saldas de folhas bebé — de rúcula, agrião, vários tipo de alface, etc. A empresa de Odemira (onde também possui uma unidade fabril) produz por ano cinco mil toneladas de saladas, das quais embala 15,6 milhões de sacos, 3,3 milhões de molhos de ervas aromáticas e ainda 1200 toneladas de batatas.

Mas a principal aposta da Vitacress nos dias que correm vai para um segmento que está a ganhar terreno em todos os mercados: o da produção biológica. "Temos já 15 hectares neste regime de cultivo e o nosso objetivo é duplicar a área em apenas três anos". Mesquita Dias espera, só neste segmento, ver a sua faturação passar dos atuais €500 mil para €2 milhões com o aumento da área cultivada.

A empresa, segundo o gestor, é líder de mercado em Portugal, com uma quota de 40%, mas metade da sua produção é para marcas brancas de algumas das maiores cadeias de supermercados.

Mesquita Dias explica que, além da dificuldade em encontrar terra, também há dificuldade em encontrar pessoas para trabalhar, tanto na terra como na fábrica de Odemira.

Ainda assim, a empresa orgulha-se de dizer que consta da lista das 100 melhores empresas para trabalhar — da revista "Exame". O gestor sublinha que, tanto no campo como na fábrica os ordenados mensais podem rondar os €800 brutos (cerca de €700 líquido), mas acrescenta que todos os meses são atribuídos prémios de produtividade, até €100, mediante as escolhas dos responsáveis por cada secção.

A empresa fornece assistência médica e seguro de saúde aos trabalhadores e Mesquita Dias sublinha ainda a relevância que tem, para o negócio que gere, a interação permanente com as instituições de ensino e de investigação científica.

Praga da batata. O inseto que ameaça as plantações de Portugal


O Ministério da Agricultura desenvolveu um plano de contingência para combater a possível entrada do organismo em território português.

A propagação da Tecia Solanívora – conhecida como a praga da traça da Guatemala ou praga da batata – está descontrolada em Espanha e a situação é de extrema gravidade. Após terem sido destruídas inúmeras plantações do tubérculo nas Astúrias, o último foco do inseto foi identificado no município de Muxia, na Galiza. As autoridades espanholas registaram também, no município de Ourense – que se encontra a 60 quilómetros da região do Minho, em Portugal –, a presença do inseto.

Ao todo, foram afetados 33 municípios espanhóis, destruídas mais de 400 toneladas de batatas infetadas e o governo autónomo da Galiza – Xunta da Galicia – já ajudou 1.323 agricultores.

As autoridades galegas não estão a conseguir controlar o inseto, que facilmente pode atravessar a fronteira através  da exportação dos tubérculos e da semente. A Espanha alertou assim toda a União Europeia que a praga está a dominar as plantações da batata na região da Galiza.

Portugal é o país que se encontra mais próximo da zona infestada e, por isso, o risco de contaminação é maior. Apesar de – até à data – ainda não existirem casos confirmados, a agricultura portuguesa pode estar ameaçada pela propagação da praga.

O Plano de Contigência, ao que o i teve acesso, divulgado pela Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), foi feito com o objetivo de dar informações sobre o inseto nocivo e "aumentar a probabilidade de uma deteção precoce dos organismos prejudiciais".

O plano prevê ainda a instalação de uma rede de armadilhas com uma feromona sexual que atrai os insetos adultos, de modo a capturá-los.



A DGAV esclarece que em 2016 foi criado um programa nacional de análise aos terrenos agrícolas, coordenado pela DGAV, e que envolve as Direções Regionais de Agricultura e Pesca (DRAP) do continente e as Direções Regionais de Agricultura das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. "O objetivo é realizar inspeções fitossanitárias aos campos de cultivo de batata e respetivos armazéns do tubérculo".

Sintomas

O inseto que ataca a batata em cultura ou armazenada causa graves problemas nos tubérculos. Os sintomas externos são muito discretos quer no momento de lavrar a terra, quer no processo de cultura. Começam a ficar mais visíveis quando a praga ainda se encontra em forma de larva, quando esta sai pelo orifício de 2-3mm – perto da fase de colheita. O principais estragos são a destruição de folhas, perfuração dos novos rebentos e das batatas já desenvolvidas.
As batatas perfuradas, quando colhidas, apresentam no exterior "excrementos expulsos pelas larvas com coloração esbranquiçada que evoluem para cor enegrecida". Os casulos das larvas podem ser encontrados no solo, em caixas, sacos, nos cantos dos armazéns ou mesmo no interior dos tubérculos.

Vias de dispersão

A propagação natural  dos insetos por via aérea é limitada, uma vez que a praga não consegue percorrer grandes distâncias. No entanto, o movimento das batatas através da ação humana pode atingir proporções maiores, com a deslocação de batatas infetadas, ovos ou casulos nos sacos dos tubérculos.  

A praga da batata foi identificada pela primeira vez em 1956, na Guatemala. Posteriormente surgiu na Costa Rica (em 1971) e só depois é que se espalhou pela América Central, até chegar à América do Sul.

A Tecia Solanívora também foi detetada no México (em 2010), com suspeitas de batatas contaminadas com origem na Guatemala.

Na Europa, a primeira identificação foi nas Ilhas Canárias (em 1999), estando a sua introdução relacionada com batatas ilegalmente transportadas de países contaminados.

Outras pragas registadas em Portugal

Psila africana

Este inseto destrói as plantas dos citrinos como laranjeiras e limoeiros. Apareceu na Europa, em 1994, na ilha de Porto Santo (Madeira).



Nemátodo da madeira do pinheiro

O organismo afeta os pinheiros, prejudicando fortemente a floresta portuguesa, uma vez que causa a morte das árvores em apenas alguns meses.



Vespa das galhas do castanheiro

O crescimento dos ramos e da frutificação dos castanheiro é posta é causa, podendo diminuir drasticamente a produção e a qualidade da castanha.



Flavescência dourada

Apareceu na região do Douro em 1999, deixando as vinhas propícias à contaminação. O organismo afeta a videira e obriga ao arranque das cepas infetadas.



*Editado por Ana Sá Lopes

Como está Portugal na produção de trigo e cevada?


O Governo quer pôr o país a produzir mais cereais. A dependência face ao exterior é grande. Veja como evoluíram as produções e comércio do trigo e da cevada em Portugal.