quarta-feira, 25 de julho de 2018

Procuram-se voluntários para testar contaminação por glifosato


Em Portugal é permitida a utilização do glifosato na agricultura


Zulay Costa
15 Julho 2018 às 14:37


A Plataforma Transgénicos Fora está a promover, até dia 21, a recolha de amostras de urina para testar o nível de contaminação por glifosato, um herbicida considerado potencialmente cancerígeno e utilizado em Portugal.

Análises realizadas em 2016, noutra ação daquela plataforma, revelaram "níveis de contaminação 20 vezes superiores à média de outros países da União Europeia (UE)", refere Margarida Silva, uma das coordenadoras do grupo.

As análises serão enviadas para um laboratório em Bremen, na Alemanha, e os resultados deverão ser conhecidos até final de setembro. Cada análise custa 73,20 euros, a que acrescem cinco euros para custos de envio. "É caro, mas a Plataforma não tem como suportar os custos", por isso, apela a que as pessoas façam um esforço ou se juntem em grupos, associações, bairros e comunidades, para suportar as despesas de mandar testar uma amostra de cada região. Para já estão inscritas 23 pessoas, mas a Plataforma Transgénicos Fora gostaria de chegar às 50, tocando todas as regiões do continente e arquipélagos.

A intenção é conseguir "um grupo alargado e o mais representativo possível do país, para termos uma espécie de mapa da contaminação em Portugal" e, dessa forma, a comprovarem-se elevados valores de contaminação, "exigir junto de autarquias e governo que o uso de glifosato seja drasticamente reduzido e progressivamente substituído por alternativas que não prejudiquem a saúde e o ambiente", explica Margarida Silva. Este será, diz, "o primeiro estudo científico sobre um problema invisível e silencioso de saúde pública".

Em 2016, a Plataforma Transgénicos Fora conseguiu reunir donativos para pagar as análises. Na ocasião foram analisados 26 voluntários (22 da região do Porto e quatro de Tomar). Os resultados acusaram uma contaminação 20 vezes superior à média de outros países da UE, mas não se encontraram explicações para os valores. "Ninguém sabe porque estamos tão contaminados, pode ser dos alimentos, da água ou outra coisa. Mas também não parece haver pressa e interesse em saber", estranha Margarida Silva.

Os interessados em participar devem preencher o formulário online. O resultado de cada análise será comunicado individualmente, juntamente com uma explicação e sugestões de descontaminação.

Pesticida para agricultura é legal

O glifosato é um pesticida que pode ser utilizado legalmente na agricultura e também para pulverizar passeios e arruamentos, se outras ações se revelarem infrutíferas para eliminar as ervas. Já foi, no entanto, proibido junto a escolas e outros espaços considerados sensíveis.

Em 2015 foi classificado como "carcinogéneo provável para o ser humano e carcinogéneo provado para animais de laboratório" pela International Agency for Research on Cancer, entidade que integra a Organização Mundial de Saúde. No entanto, há quem questione o estudo.

A discussão sobre o seu uso é longa. Em novembro de 2017, a licença do uso do glifosato foi renovada por mais cinco anos na União Europeia. Portugal absteve-se na discussão.

A Plataforma Transgénicos Fora e outros ambientalistas dizem que Portugal é o país europeu que mais utiliza glifosato. Um estudo realizado há poucos anos e publicado na revista académica "Science of the Total Environment" encontrou níveis elevados de glifosato em amostras de solos agrícolas em Portugal. 53% das 17 amostras tinham o herbicida, valores que ultrapassam largamente o segundo país mais contaminado (a França).

Os campos da morte

Maxwell Gomera | Edward Mabaya
15 de julho de 2018 às 14:00

Por todo o mundo em desenvolvimento, os agricultores estão a expandir áreas de cultivo numa busca interminável por solo fértil. Nesse processo, importantes habitats de vida selvagem estão a ser destruídos a um ritmo alarmante.


No passado dia 3 de Abril, o Reino Unido anunciou uma proibição de venda de marfim que se tornou "uma das mais rígidas do mundo". Ao restringir o comércio de marfim, o Reino Unido juntou-se a outros países – incluindo a China e os Estados Unidos – que recorrem a mecanismos de mercado dissuasores para desencorajar a caça furtiva e proteger uma espécie em vias de extinção. Tal como referiu o ministro britânico do Ambiente, Michael Gove, o objectivo é "proteger os elefantes para as gerações futuras".

Estes são, sem dúvida, gestos louváveis ao serviço de um objectivo nobre. Mas acabar com a venda de marfim, por si só, não irá reverter a diminuição nas populações de elefantes. Com efeito, a maior ameaça com que se deparam esta e muitas outras espécies reside numa actividade humana bastante mais comum: a agricultura.

Por todo o mundo em desenvolvimento, os agricultores estão a expandir áreas de cultivo numa busca interminável por solo fértil. Nesse processo, importantes habitats de vida selvagem estão a ser destruídos a um ritmo alarmante. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), se a actual tendência se mantiver, em 2050 o solo cultivável de todo o mundo terá aumentado em cerca de 70 milhões de hectares e grande parte das novas terras aráveis estará localizada em zonas que estão actualmente florestadas. O risco é maior na América do Sul e na África Subsaariana, onde o crescimento da população e a procura de alimentos afectarão mais intensamente as zonas de floresta tropical.

A pobreza está na raiz desta crise ecológica, mas as más práticas agrícolas perpetuam o ciclo da fome e da perda de habitats. Em África, por exemplo, o rendimento persistentemente baixo das culturas – muitas vezes correspondem a apenas 20% das médias globais – está relacionado com a fraca qualidade das sementes, a indisponibilidade de fertilizantes e a falta de irrigação. À medida que a saúde dos solos se vai deteriorando e a produção agrícola vai diminuindo, muitos agricultores não vêem outra alternativa a não ser procurar novos terrenos de cultivo.

Felizmente, existe uma forma de acabar com este ciclo vicioso. Estudos recentes revelam que a tecnologia e melhores práticas agrícolas podem aumentar a produtividade agrícola, ao mesmo tempo que reduzem a perda de habitats e protegem a vida selvagem. Esta abordagem, conhecida como "intensificação sustentável", visa impulsionar a produção das terras existentes recorrendo a técnicas como a gestão integrada de colheitas e o controlo avançado de pragas. Se aplicada amplamente, a intensificação sustentável pode até mesmo reduzir o a quantidade total de terras actualmente cultivadas.

Não se trata de um objectivo impossível. Nos últimos 25 anos, os agricultores de mais de 20 países de todo o mundo melhoraram a segurança alimentar, ao mesmo tempo que mantiveram ou aumentaram o coberto florestal. Segundo um estudo, entre 1965 e 2004 os agricultores dos países em desenvolvimento que plantaram sementes de elevada qualidade conseguiram reduzir os terrenos aráveis em perto de 30 milhões de hectares – uma área que é praticamente do tamanho de Itália. Estes ganhos poderiam ser ainda mais expressivos se os pequenos agricultores tivessem acesso a equipamento moderno, a uma melhor recolha e análise de dados, e a mais financiamento.

Os críticos argumentam que o aumento da produtividade das pequenas explorações agrícolas pode ser contraproducente, especialmente se isso incentivar os agricultores mais pobres a expandirem as suas áreas cultiváveis na esperança de aumentarem os lucros. Para evitar este cenário, as estratégias de intensificação devem fazer-se acompanhar por um sólido planeamento de conservação.

Ao mesmo tempo, contudo, não se pode simplesmente pedir aos agricultores dos países em desenvolvimento que deixem de usar os recursos não-agrícolas adjacentes aos seus terrenos. Muitas pessoas que vivem nas comunidades pobres dependem dos produtos florestais para terem combustível e materiais de construção, pelo que as políticas governamentais que proíbam o uso desses recursos sem oferecerem alternativas adequadas estarão provavelmente condenadas ao fracasso. Em vez disso, a abordagem ideal para a conservação nos países em desenvolvimento deverá associar o apoio agrícola e económico a limites rígidos à expansão das terras de cultivo.

Isso está longe de ser o que hoje acontece. Em todo o mundo, são investidos milhares de milhões de dólares anualmente na tentativa de resolução da degradação ambiental e da pobreza; muitos dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU estão de algum modo relacionados com estas duas preocupações. E, ainda assim, a maioria dos programas destinados a lidarem com estes problemas operam isoladamente. Isto é um erro: as soluções para a insegurança alimentar e para a perda de habitats devem estar mais bem integradas se quisermos que estes problemas sejam resolvidos.

Ninguém duvida que medidas bem intencionadas como a proibição do comércio de marfim possam reduzir o impacto ecológico da actividade humana. Mas, neste momento, a agricultura – a actividade com mais responsabilidade nos danos ao bem-estar de muitas espécies – não está a conseguir atrair a devida atenção dos decisores políticos. Enquanto isso não mudar, é bem provável que as estratégias governamentais de protecção da vida selvagem "para as gerações futuras" não sejam suficientes.

Maxwell Gomera é director do Departamento de Biodiversidade e Ecossistemas no Programa do Ambiente das Nações Unidas. Edward Mabaya é investigador senior na Universidade de Cornell.

Municípios têm de incorporar orientações regionais para a floresta até 2020

"A floresta não pode ser caótica, onde cada um planta o que quer sem nenhuma preocupação de ordenamento", defendeu o ministro da agricultura. 


Os municípios vão ter de incorporar as novas orientações para os Programas Regionais de Ordenamento Florestal (PROF) até ao final de 2020, afirmou este sábado o ministro da Agricultura, Capoulas Santos. O Governo aprovou este sábado a resolução do Conselho de Ministros que define uma nova orientação estratégica para os programas regionais, com a criação de uma segunda geração de PROF, que se traduz na passagem de 21 programas regionais para sete (Trás-os-Montes e Alto Douro, Entre Douro e Minho, Centro Litoral, Centro Interior, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve). Segundo o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, os municípios vão ter de integrar nos seus planos diretores municipais (PDM) as novas orientações contidas nos programas regionais, "até 31 de dezembro de 2020". Para o membro do executivo, esta medida é "uma peça fundamental na reforma da floresta", resultado de um trabalho que começou há dois anos, envolvendo consórcios com universidades e empresas. "São um instrumento fundamental, já que o pilar básico desta reforma da floresta que estamos a executar é o ordenamento - definir o mosaico desta nova floresta", sublinhou, referindo que os novos PROF estabelecem "uma projeção até 2050 sobre aquilo que deve ser" a floresta no território nacional. As regras, vincou, serão transpostas para os PDM "por forma a que se passe a suceder aos espaços florestais aquilo que acontece nos espaços urbanos".

Municípios vão passar a ter regras sobre o que plantam e onde plantam


14 jul, 2018 - 09:22 • Isabel Pacheco

Um passo "gigantesco" para a reforma da floresta, considera o ministro da Agricultura.

 
Os municípios vão passar ter regras sobre o que plantam e onde plantam. São os planos regionais de reordenamento florestal, com regras em tudo semelhantes às do urbanismo, mas para a floresta. A medida deverá ser aprovada pelo Conselho de Ministros extraordinário dedicado à revitalização do interior e à reforma da Floresta, que decorre este sábado, na Pampilhosa da Serra.

O objetivo é "redesenhar" o mapa das florestas em Portugal. "Ninguém poderá plantar o que quer, onde quer. Naturalmente as decisões sobre esta matéria nunca ficarão ao arbítrio de cada município", afirma à Renascença o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

Os planos regionais de reordenamento florestal são as "'macro-regras' que depois os municípios, no plano intermunicipal, vão aplicar. Vão determinar as regras de aplicação de cada espécie, onde deve ser plantada, quais as dimensões máximas, etc.", explica o ministro.

Um passo "gigantesco" para a reforma da floresta, sublinha Capoulas Santos, que terá de ser dado por todos os municípios até 2020. "Passaremos do desordenamento total ou quase total, que infelizmente existe há muitas décadas, para um ordenamento progressivo. O primeiro passo vai ser esta macro-orientação que o governo vai decidir. De seguida, até 31 dezembro de 2020, todos os municípios têm de ter integradas nos seus planos municipais regras consonantes com estas orientações".


Dos sete programas regionais de ordenamento florestal, cinco deverão entrar já em vigor - os restantes dois em outubro. "Foi necessário conceder mais algum tempo para a conclusão de dois deles, os da região centro litoral e centro interior, que ficarão concluídos depois da consulta pública, até ao final de setembro deste ano", explica o ministro da Agricultura.

A partir de outubro, ficam então definidas as regras, que os municípios deverão incorporar nos seus planos municipais. O prazo máximo que têm para o fazer é 31 de dezembro de 2020.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Agricultura: Presidente da CAP critica discurso redutor sobre uso da água

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) criticou hoje o "discurso redutor" do ministro do Ambiente relativamente ao uso da água na agricultura e pediu ao ministro da Agricultura uma "política agrícola para a água".

17:02 - 10/07/18 POR LUSA
 
Eduardo Oliveira e Sousa falava durante o Dia de Campo InovMilho, na Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, durante o qual foi inaugurado um Centro de Formação para produtores e técnicos e apresentada a Agenda de Inovação para as Culturas do Milho e Sorgo na presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

Realçando o facto de esta estação se encontrar no Vale do Sorraia, "no cerne do regadio", com elevado contributo para a economia do país e a fixação de populações, o presidente da CAP afirmou ter ouvido "com espanto" o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, afirmar que "se pretende diminuir os títulos de utilização, diminuir as suas autorizações, dando a entender que se está a usar água a mais".

"E sobre mais barragens? Nem pensar, governem-se com o que há. Foram as palavras que ouvi. Querem mais regadio? Reguem com menos água. Senhor ministro, este discurso redutor tem de ser contrariado, a começar pelo seu. O regadio, como aqui se vê, é a única forma de enfrentarmos as alterações climáticas e permanecermos nos campos", afirmou, dirigindo-se a Capoulas Santos.

O presidente da CAP referiu ainda que "já começaram os rumores, através do Ministério do Ambiente ou da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), de que o custo de utilização" de águas recicladas "será cobrado aos agricultores e que será até obrigatório o seu uso, caso ela seja uma alternativa mesmo que outra origem esteja disponível e a preço mais reduzido".

"Espero não ter ouvido bem. Mais não digo porque mais não sei", declarou.

Oliveira e Sousa pediu "ação" e que o Estado dê a conhecer a visão que tem para a água e a agricultura, quais as estratégias, por regiões e por culturas e para criação de mais reservas, considerando o plano nacional do regadio "curto".

"Precisamos de uma política agrícola interna, de uma política agrícola para a água, políticas que têm de vir de si", afirmou, dirigindo-se ao ministro da Agricultura.

Na resposta, Capoulas Santos comprometeu-se a "transmitir o recado" a Matos Fernandes e pediu que, a par da ambição de "desejar muito e mais", haja também o reconhecimento sobre o que tem sido feito.

Em concreto, apontou o financiamento adicional conseguido para o plano nacional de regadio, de 540 milhões de euros para projetos a concretizar até 2022, dos quais estão já aprovados 300 milhões de euros, em 95.000 hectares de regadio, "entre beneficiações e novos", com a criação de 10.000 postos de trabalho.

"Portanto, senhor presidente da CAP, estamos a fazer alguma coisa, certamente menos do que desejaríamos, mas não vislumbro qualquer outro momento da nossa história recente em que, em quatro anos, se tenham feito quase 100.000 hectares de regadio", afirmou.

"Nunca se executou tanta beneficiação de regadio e queremos ir mais longe", frisou, referindo as negociações em curso para o próximo quadro comunitário de apoio.

O InovMilho - Centro Nacional de Competências das Culturas do Milho e Sorgo, foi criado em 2015, envolvendo 34 entidades parceiras comprometidas em implementar uma estratégia de desenvolvimento e inovação destas culturas, depois de em 2013 ter sido assinado o protocolo de revitalização da Estação Experimental António Teixeira, pela Anpromis (Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo) e o INIAV (Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária).

O diretor do INIAV, Nuno Canada, afirmou que um dos objetivos da estratégia para o setor é aumentar o grau de autoaprovisonamento de cereais dos atuais 23% para 38% em cinco anos, sendo que, no milho, o objetivo é passar dos 35% para os 50%, reduzindo a dependência externa, criando valor na fileira e viabilizando a atividade agrícola em todo o território nacional.

Atrasos no pagamento do prémio para jovens agricultores devem-se a "imbróglio jurídico" - IFAP


O presidente do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) defendeu hoje que os atrasos verificados no pagamento do prémio para os jovens agricultores, no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural, se devem a um "imbróglio jurídico".

10 Julho 2018 — 18:50

"No PRODER [Programa de Desenvolvimento Rural em vigor até 2013] as regras e a burocracia levaram a um plano de ação específico [...] e foi criado um imbróglio jurídico, que levou a que a maioria dos jovens que chegavam ao fim dos processos, não os conseguissem concluir", disse Pedro Ribeiro, durante uma audição Parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar.

De acordo com o responsável, foi necessário retirar, no início deste ano, uma grelha específica para o prémio, que estava dependente do jovem agricultor cumprir ou não os investimentos a que se tinha proposto.

O jovem agricultor "não vai assumir compromissos de caráter económico que não estão na sua mão. Procedemos à alteração da portaria e tivemos de reformular o programa informático, o que levou a atrasos nos processos", explicou.

O presidente do conselho diretivo do IFAP disse ainda que, devido à complexidade dos processos, o instituto tem pedidos de pagamento do PRODER que já têm entre 300 e 500 dias.

"São processos burocráticos que demoram uma infinidade de tempo e que só não foram deitados ao chão, porque não seguimos os decretos e portarias [que definiam os prazos do processo]", concluiu.

Tempestade comercial atira índice agrícola para mínimo histórico

A escalada das tensões comerciais entre os EUA e a China, que atingem directamente muitas matérias-primas, está a penalizar este sector. O subíndice da Bloomberg para a agricultura está no nível mais baixo de sempre.

11 de julho de 2018 às 21:52

O anúncio, por parte dos EUA, de novas tarifas alfandegárias sobre produtos chineses que entrem no país – desta vez no equivalente a 200 mil milhões de dólares, valor que se junta aos primeiros 50 mil milhões anunciados em Junho – levou a que a China respondesse na mesma moeda.

Resultado: com muitas matérias-primas no meio desta guerra, alvo de tarifas comerciais de parte a parte, crescem os receios de que a procura dessas "commodities" diminua. É o caso do petróleo, que levou os preços do "ouro negro" a afundarem hoje nos principais mercados.

Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações europeias, segue a cair 5,92% para 74,19 dólares por barril, depois de já ter estado a afundar mais de 7%. No mercado nova-iorquino, o "benchmark" West Texas Intermediate recua 4,32% para 70,91 dólares, tendo estado já a perder mais de 5%.

Mas, no reino das matérias-primas, além do subsector da energia também o dos produtos agrícolas está a ser fortemente penalizado. A China, por exemplo, impôs tarifas adicionais sobre o principal produto agrícola que os EUA exportam para aquele país: a soja. Já a Administração Trump decidiu taxar adicionalmente produtos como aço e alumínio.

Assim, o "castigo" de Trump está a fazer ricochete, uma vez que muitas "commodities" que os EUA exportam para Pequim estão a ser apanhadas nesta guerra. Hoje, os preços do trigo caíram perto de 4%, ao passo que os do algodão, café, soja e milho recuam cerca de 2% e mais.

Com esta guerra, o subíndice da Bloomberg para a agricultura atingiu, também hoje, um mínimo histórico, sendo um sector que os investidores vão continuar a acompanhar de perto – e para o qual não se esperam dias felizes num futuro próximo.

Portugal vai duplicar produção de cereais


12 DE JULHO DE 2018 - 09:31

Governo acertou com produtores estratégia para país ficar menos dependente dos cereais vindos do estrangeiro.


O Ministério da Agricultura leva, esta quinta-feira, a Conselho de Ministros uma estratégia para aumentar a autossuficiência portuguesa de cereais, quase duplicando a produção nacional nos próximos cinco anos.

Nas últimas décadas, o país tem perdido capacidade de produção de cereais, estando altamente dependente do estrangeiro, algo que preocupa o Governo e vários especialistas.

A estratégia que vai agora ser aprovada pelo Conselho de Ministros foi acertada no último ano em reuniões com os produtores, num grupo de trabalho.

Fonte do ministério adianta à TSF que a meta é levar os níveis de produção atuais, que apenas chegam para cobrir 23% dos cereais que os portugueses consomem, para 40% de autossuficiência em cinco anos, ou seja, até 2023.

Recorde-se que, em fevereiro, o Instituto Nacional de Estatística (INE) avisou que Portugal devia ter, em 2018, pelo quinto ano consecutivo, uma diminuição de área cultivada de cereais, prevendo-se que seja mesmo a menor produção dos últimos 100 anos, ou seja, desde que existem registos históricos.

Em declarações à TSF, o ministro da Agricultura, Florestas e do Desenvolvimento, Luís Capoulas Santos, revelou que o Governo tem cerca de 20 medidas preparadas para aumentar a produção.

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, entrevistado pelo jornalista Miguel Videira
"Existe um apoio que é um pagamento por hectare que é igual para todas as culturas e para todos os agricultores. Uma das medidas que estamos a equacionar é introduzir um pagamento direcionado para os cereais e adequar os custos energéticos da produção", exemplifica Capoulas Santos.

Há uma “epidemia escondida” na carne de frango em todo o mundo


JORNAL I
23/07/2018 19:10


De acordo com um estudo norte-americano, há uma "epidemia escondida" na carne de frango há várias décadas. Ao que tudo indica, este tipo de carne tem sido contagiada por suplementos antibióticos que perdem efeito na proteção de bactérias que infetam o organismo.

O estudo revela que a utilização de antibióticos em demasia na produção de carnes que se destinam ao consumo humano retira as propriedades para combater, de forma eficaz, as bactérias que se tornam "resistentes".

Quem lançou o alerta foi a jornalista norte-americana Maryn McKenna no seu livro intitulado "Plucked! The Truth About Chicken", que foi publicado há cerca de um ano, sendo que o livro resulta de uma investigação sobre a utilização de antibióticos na indústria agro-alimentar. O estudo diz respeito ao frango que é produzido nos Estados Unidos e no Reino Unido, mas ainda assim o alerta serve para todo o mundo.

No livro, a autora explica que as bactérias se tornam resistentes ao tratamento antibiótico e continuam a multiplicar-se dentro do organismo do ser humano que consome este tipo de carne.

Em algumas partes do livro, publicadas no jornal britânico The Guardian, pode ler-se que em 2017, "quase todos os animais, em muitas partes do globo, são criados com recurso a doses diárias de antibióticos, num total de 63.151 toneladas de antibióticos por ano".

Portanto, em consequência disso, o preço dos frangos diminuiu drasticamente, tornando-se no tipo de carne mais consumido nos Estados Unidos.

Segundo vários dados investigados pela jornalista, a resistência a antibióticos é responsável por cerca de 700.000 mortes todos os anos em todo o mundo, uma vez que cerca de 25.000 europeus, 23.000 norte-americanos e cerca de 63.000 bebés na Índia morrem, todos os anos, devido a esta mesma "epidemia escondida".

Além disso, a autora do livro refere ainda na sua publicação que a resistência a antibióticos causa inúmeras doenças, que até 2050 poderão custar à economia mundial cerca de 100 biliões de dólares.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Governo atualiza zonas de intervenção prioritárias para controlo de doença na vinha


O Governo atualizou a lista de freguesias que fazem parte das zonas de intervenção prioritárias (ZIP) para a proteção e erradicação da doença flavescência dourada, que afeta a vinha, segundo um despacho publicado hoje em Diário da República.


Lusa
16 Julho 2018 — 14:40

"Em resultado dos trabalhos de prospeção entretanto desenvolvidos em 2017, de acordo com o plano nacional para o controlo da doença, verificou-se a necessidade de atualização das listas, pelo que se impõe proceder à publicação de novo despacho com a listagem das freguesias que constituem as zonas de intervenção prioritária", lê-se no diploma.

Desta forma, as ZIP da Região Norte abrangem freguesias que fazem parte dos municípios de Melgaço, Monção, Valença, Amarante, Amares, Arcos de Valdevez, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Baixo, Celorico de Baixo, Esposende, Fafe, Felgueiras, Guimarães, Lousada, Maia, Mondim de Baixo, Paços de Ferreira, Ponte da Barca, Ponte de Lima, Póvoa de Lanhoso, Ribeira da Pena e Santo Tirso.

Fazem ainda parte das ZIP da Região Norte freguesias dos municípios de Terras de Bouro, Valongo, Viana do Castelo, Vieira do Minho, Vila Nova de Famalicão, Via Verde, Vizela, Castelo de Paiva, Cinfães, Marco de Canaveses, Paredes, Penafiel, Vila Real, Santa Marta de Penaguião e São João da Pesqueira.

Por sua vez, fazem parte das ZIP da Região Centro freguesias dos municípios de Mealhada, Anadia e Cantanhede.

Da mesma forma, o Governo atualizou a listagem das freguesias onde foi detetada a presença do inseto 'Scaphoideus Titanus Ball', responsável pela flavescência dourada.

Na Região Norte, encontram-se freguesias dos concelhos de Alijó, Amarante, Amares, Armamar, Arcos de Valdevez, Arouca, Baião, Barcelos, Braga, Cabeceiras de Baixo, Caminha, Castelo de Paiva, Celorico de Basto, Chaves, Cinfães, Esposende, Fafe, Felgueiras, Gondomar, Guimarães, Lamego, Lousada, Maia, Marco de Canavezes, Matosinhos, Melgaço, Mesão Frio, Monção, Mondim de Bastos, Murça, Oliveira de Azeméis, Paços de Ferreira, Paredes, Paredes de Coura, Penafiel, Peso da Régua, Ponte da Barca e Ponte de Lima.

Fazem igualmente parte da listagem, na Região Norte, freguesias dos concelhos de Póvoa de Lanhoso, Póvoa de Varzim, Resende, Ribeira de Pena, Sabrosa, Santo Tirso, Santa Maria de Penaguião, Terras de Bouro, Trofa, Valença, Vale de Cambra, Valongo, Viana do Castelo, Vieira do Minho, Vila do Conde, Vila Nova de Cerdeira, Vila Nova de Famalicão, Vila Real, Vila Verde e Vizela.

Na Região Centro, verificou-se a presença do inseto em causa em freguesias dos concelhos de Anadia, Cantanhede, Coimbra, Mangualde, Mealhada, Nelas, Pinhel, São Pedro do Sul, Tondela, Viseu e Vizela.

Já na Região Autónoma da Madeira, encontram-se freguesias dos concelhos de Machico, Porto Moniz, Santana e São Vicente.

De acordo com o despacho, as zonas definidas correspondem a "áreas do território nacional constituídas pelas freguesias onde são detetas cepas contaminadas com o fitoplasma de quarentena 'Flavescence dorée phytoplasma' e pelas respetivas freguesias limítrofes e não limítrofes que foram abrangidas pelo perímetro definido em informação obtida através do sistema de informação da Vinha e do Vinho".

A listagem completa das freguesias afetadas pela doença ou onde foi detetada a presença do inseto está disponível na página do Diário da República Eletrónico (DRE).

Máximos históricos na produção de pomares e olival marcam campanha agrícola 2016/17

20/7/2018, 18:40

O Valor Acrescentado Bruto da agricultura cresceu 6,5%, em termos nominais, em 2017, após uma redução de 1,5% em 2016, com os pomares a apresentarem "excelentes produções".

O Valor Acrescentado Bruto (VAB) da agricultura cresceu 6,5%, em termos nominais, em 2017, após uma redução de 1,5% em 2016, com os pomares a apresentarem "excelentes produções", com registos recordes de maçã, cereja, kiwi, laranja e amêndoa.

De acordo com dados esta sexta-feira divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), os pomares de macieiras registaram um máximo histórico de produção, cerca de 330 mil toneladas (uma subida de 36,3% face a 2016), com os frutos a apresentarem "bons calibres".

A variação do VAB reflete fundamentalmente, segundo o instituto, o acréscimo de 4,4% na produção do ramo agrícola (contra uma descida de 2,4% em 2016), em resultado de um acréscimo em volume (de 3,8%) e da estabilização dos preços base (0,6%).

O consumo intermédio registou um acréscimo de 3,1%. As produções de cereja e laranja foram as maiores das últimas décadas, beneficiando das boas florações e de desenvolvimentos vegetativos adequados.

Também o kiwi, com uma produção de 35,4 mil toneladas (mais 68% face a 2016), alcançou a campanha mais produtiva de sempre, devido à entrada em plena produção de plantações recentes. Nos frutos secos destacam-se os amendoais com uma produção de 20 mil toneladas (mais 131,1% face a 2016), a maior deste século.

O INE destaca ainda a produção de azeite, que ultrapassou 1,47 milhões de hectolitros (mais 94,1% face a 2016), em grande parte justificada pelas condições meteorológicas favoráveis, correspondendo à campanha mais produtiva desde que há registos sistemáticos.

O ano agrícola 2016/2017 caracterizou-se meteorologicamente como muito quente (2017 foi o segundo ano mais quente desde 1931) e muito seco (2017 foi o terceiro ano mais seco), o que permitiu a realização dos trabalhos agrícolas da época.

A escassa pluviosidade manteve-se no inverno, encontrando-se no final de dezembro 78% do território em seca meteorológica fraca, agravando-se no final de janeiro para os 95%, com 3% do território já em seca moderada. Ainda assim as sementeiras dos cereais de inverno foram concluídas em condições agronomicamente aceitáveis, refere.

A primavera foi a terceira mais quente desde 1931, com valores de precipitação 25% abaixo da normal.

Este cenário permitiu a normal realização dos trabalhos agrícolas da época, mas condicionou o desenvolvimento das culturas de sequeiro e contribuiu para a diminuição do nível de armazenamento de água na maioria das bacias hidrográficas, o que obrigou ao ajustamento das áreas planeadas para as culturas de primavera/verão", indica.

O verão de 2017 foi o sexto mais quente e o terceiro mais seco desde 2000, sendo classificado meteorologicamente como quente e extremamente seco.

"Ao longo deste período foi frequente a secagem completa de charcas e a acentuada diminuição do nível dos lençóis freáticos dos furos e poços, com implicações na capacidade de satisfazer as necessidades hídricas das culturas e na disponibilidade de água para abeberamento dos efetivos", acrescenta.

Regantes criam Associação


18 Julho, 2018

Os regantes de Alqueva constituíram a Associação de Proprietários e Beneficiários do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva (APBA). A associação assume a missão de "representar os interesses legítimos dos proprietários e beneficiários do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva junto de todas as entidades oficiais".

De acordo com os promotores da Associação, "até hoje, os proprietários e beneficiários do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva não tinham nenhuma entidade juridicamente constituída que representasse os seus legítimos interesses, as suas expectativas" e as suas preocupações.

A APBA apresenta como objectivo da sua existência "colaborar e cooperar com o Governo, as autarquias, a administração pública, a EDIA, a EDP, as Infraestruturas de Portugal, as operadoras de telecomunicações, entre outras entidades, de forma a desenvolver uma estratégia e um plano de longo prazo que assegure a conservação, a manutenção, a sustentabilidade e a competitividade do Alqueva para as próximas gerações".

Campanha de azeite foi a mais produtiva desde que há registo


O ano agrícola 2016/2017 foi marcado por máximos históricos nas produções de olival e pomares, revelou esta sexta-feira o Instituto Nacional de Estatísticas. O Alentejo foi a região com melhores resultados. Pomares também com produções recorde.
Campanha de azeite foi a mais produtiva desde que há registo

20 de julho de 2018 às 12:32

A produção de azeite na campanha de 2016/2017 ultrapassou os 1,47 milhões de hectolitros, revelou esta sexta-feira, 20 de Julho, o Instituto Nacional de Estatísticas (INE). Trata-se de um aumento de 94,1% face ao ano agrícola anterior e o melhor resultado desde que se dispõe de registos sistemáticos. Além do azeite, também os pomares apresentaram excelentes produções, com registos recordes de maçã, cereja, kiwi, laranja e amêndoa.

No caso da azeitona, o aumento é explicado sobretudo "pelas condições meteorológicas favoráveis na fase da floração e vingamento, que originaram uma carga inicial de azeitona muito elevada", refere o INE, que sublinha igualmente "a gestão criteriosa das regas dos modernos olivais intensivos, que permitiram a maturação em boas condições de grande parte dos frutos".

O Alentejo foi a principal região produtora com quase três quartos da produção em 2017. Os números espelham o grande investimento que tem vindo a ser efectuado na zona pelo sector do olival, principalmente no perímetro de rega do Alqueva. Aliás, desde 2009 que o Alentejo passou a produzir mais de metade do azeite nacional.

Pomares de macieiras com máximos históricos

Também nos pomares de macieiras se registaram máximos históricos, com a produção a atingir cerca de 330 mil toneladas (+36,3% face a 2016) com frutos com bons calibres. As produções de cereja e laranja foram as maiores das últimas décadas, beneficiando das boas florações e de desenvolvimentos vegetativos adequados e também o kiwi, com uma produção de 35,4 mil toneladas (+68,0% face a 2016), alcançou a campanha mais produtiva de sempre, devido à entrada em plena produção de plantações recentes, revela o INE.

 

Nos frutos secos destacam-se os amendoais com uma produção de 20 mil toneladas (+131,1% face a 2016), a maior deste século.

O ano agrícola 2016/2017 foi muito quente e seco – 2017, lembra o INE, foi o segundo ano mais quente desde 1931 e o terceiro mais seco – e no final de 2017 78% do território estava em situação de seca meteorológica. Ainda assim, sublinha o INE,  as sementeiras dos cereais de inverno foram concluídas em condições agronomicamente aceitáveis.

Para a campanha de 2017/2018 o INE  antecipa um aumento generalizado da produtividade dos cereais de outono/inverno (5% no centeio, 15% no trigo e aveia e 20% no triticale e cevada).

Quanto às culturas de primavera/verão, que, devido à saturação dos solos, registaram atrasos nos trabalhos de instalação, estima-se uma superfície de milho semelhante à da campanha anterior, e rendimentos unitários próximos dos alcançados em 2017 no arroz, tomate para a indústria e girassol. Na batata de regadio, espera-se uma redução de 5% na produtividade.

Nas árvores de fruto, perspectiva-se uma boa campanha no pêssego, com frutos de boa qualidade. Na cereja, e após uma campanha de 2017 que foi historicamente elevada, antecipa-se uma redução de 10% na produção, com frutos de baixo calibre e reduzido teor de açúcar. Para as pomóideas, também se deverá registar uma diminuição de 10% no rendimento, para valores próximos da média do último quinquénio.

Angola diz estar empenhada na valorização da agricultura familiar

O ministro da Agricultura de Angola disse hoje, em Lisboa, que o seu país está empenhado em valorizar a agricultura familiar, nomeadamente através de créditos, da facilitação do escoamento da produção e da promoção da mecanização neste setor.

20 Julho 2018 — 16:00

"Temos que realçar que Angola está a fazer um intenso trabalho, principalmente, (...) a estruturar o crédito a nível dos camponeses, aumentar os fatores de produção, buscar esquemas de comercialização que facilitam a extração da produção. Essa é uma produção pequena e muitas vezes tem dificuldades para colocar a sua produção nas grandes superfícies", afirmou Marcos Alexandre Nhunga.

Para Nhunga, os governos têm a necessidade de estabelecer mecanismos para que esta produção possa ser extrativa e, no caso de Angola, "é muito importante porque (a agricultura familiar) são os responsáveis pela maior produção do nosso país".

O ministro da Agricultura e Florestas de Angola falou hoje à agência Lusa após um encontro como o seu homólogo português, Luís Capoulas Santos, ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural.

O responsável angolano esclareceu que o reforço do empenho no apoio à agricultura familiar no seu país está ligado à assinatura da "Carta de Lisboa".

O representante angolano assinou hoje a "Carta de Lisboa pelo Fortalecimento da Agricultura Familiar", um documento cuja cerimónia de assinatura teve lugar durante a Reunião de Alto Nível sobre a Agricultura Familiar que decorreu em Lisboa, em fevereiro, envolvendo todos os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), mas na qual Angola não participou naquela oportunidade.

A "Carta de Lisboa", que resultou da reunião ministerial da CPLP em fevereiro, é um conjunto de diretrizes políticas para a aplicação prática nos Estados-membros da pequena agricultura familiar.

"Tomado o conhecimento da Carta de Lisboa, volto a afirmar a posição do Executivo angolano e transmitir que, em Angola, a agricultura familiar é a nossa base, que é responsável pela produção de mais de 80% daquilo que se consome em Angola".

"O que nós vamos fazer é trabalhar no sentido de cumprir com os 17 compromissos assumidos (na Carta). O que estamos a fazer para cumprir estes compromissos? Estamos a fazer mais debates para relevar o papel da agricultura familiar a nível do nosso país e da CPLP", sublinhou ainda.

Para Nhunga, a agricultura familiar tem também um papel fundamental na agenda 2030 das Nações Unidas.

"Queremos trabalhar no sentido que, na base deste debate, se possa promover ações que possam criar uma agricultura muito mais sustentável a nível deste grupo importante na produção agrícola", adiantou o político angolano.

"Angola está muito empenhado nisso, introduzindo também alguma componente forte de mecanização na agricultura angolana, porque não podemos continuar a trabalhar e a pensar nas enxadas. Temos que introduzir a mecanização na agricultura familiar para aliviar o trabalho das mulheres, que são fundamentalmente as que trabalham (neste setor) e maior tempo para cuidar das suas crianças", indicou ainda o ministro angolano.

O ministro Capoulas Santos referiu que já existem "alguns projetos em fase adiantada de cooperação" neste âmbito entre Portugal e Angola e que "uma cooperação só é produtiva quando funcionam nos dois sentidos".

"Nós estamos interessados, naturalmente, que empresários portugueses possam instalar-se em Angola, como estamos interessados que empresários angolanos se instalem em Portugal, assim como estamos interessados em estimular o comércio agrícola nos dois sentidos", disse Capoulas Santos.

Para o ministro português, a curto prazo, Angola será um fornecedor de bens agrícolas para Portugal e os portugueses continuarão a ser fornecedores de Angola, pois o país africano já é um dos principais clientes de Portugal neste setor.

"É uma cooperação que temos vindo a estabelecer e que agora temos condições políticas fantásticas para expandir, porque penso que isso é do interesse dos dois países", sublinhou Capoulas Santos.

Verão atípico na Europa com aviões enviados para combater fogos na Escandinávia

Vários países do Norte têm registado temperaturas muito mais elevadas que as observadas em Portugal. Em resultado, a Escandinávia sofre uma rara vaga de incêndios.

LUSA 21 de Julho de 2018, 9:03 Partilhar notícia

A mobilização do mecanismo europeu de protecção civil para combater incêndios florestais na Escandinávia ilustra bem o verão atípico que a União Europeia tem conhecido este ano, com a "capital" Bruxelas a bater Lisboa em calor e seca.

Na sequência dos incêndios florestais de 2017 no sul da Europa, e em particular em Portugal, onde morreram mas de 100 pessoas, a Comissão Europeia apresentou propostas - actualmente a serem negociadas com o Conselho (Estados-membros) - para reforçar o mecanismo de protecção civil, de modo a melhorar a sua capacidade de resposta a catástrofes naturais como os fogos, e, já em pleno verão de 2018, os pedidos de ajuda vieram da improvável Suécia.

Já por duas vezes este verão a Suécia pediu assistência a Bruxelas para fazer face às dezenas de incêndios florestais que continuam activos no país, onde só nos últimos dias arderam mais de 20.000 hectares, tendo os primeiros aviões de combate às chamas (oriundos de Itália) começado a operar na passada quarta-feira.

Na sexta-feira, o Governo português também se disponibilizou para ajudar a Suécia a combater os incêndios florestais, tendo informado o Mecanismo Europeu de Protecção Civil dos meios prontos a enviar - dois aviões médios anfíbios e um módulo de combate a incêndios com capacidade de análise de comportamento de fogo e reconhecimento e avaliação, num total de 31 elementos e quatro veículos.

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Paralelamente, Bruxelas activou o sistema de emergência da UE de navegação por satélite "Copernicus", para auxiliar as autoridades de protecção civil suecas, o Estado-membro da UE que até agora tem tido mais problemas face à vaga de calor e seca que tem atingido os países escandinavos e bálticos - na Letónia e Lituânia, os agricultores queixam-se da seca mais grave das últimas décadas.

Na própria capital da União Europeia, os responsáveis europeus também têm sentido "na pele" os efeitos de um verão atípico, em que, desde meados de Junho, Bruxelas tem registado temperaturas mais altas e menos precipitação do que, por exemplo, Lisboa.

Até agora, o verão na Bélgica tem sido o terceiro mais quente e seco desde que há registos - superado apenas pelos verões de 1976 e 2010 -, com os termómetros desde meados de Junho a superarem quase diariamente os 25 graus e períodos de insolação invulgarmente longos (Bruxelas apenas tinha tido tantas horas de sol em 1987). Isto depois de um inverno invulgarmente rigoroso, com o mês de Dezembro (de 2017) mais escuro de que há memória, com apenas 10 horas e 31 minutos de sol para todo o mês.

Douro tenderá a deslocar vinha para zonas altas devido às alterações climáticas


19.07.2018 às 16h50

Na região já se notam alterações a nível do clima. No ano passado foi a seca extrema e, este ano, as chuvas fora de tempo em junho e julho estão a criar condições para a propagação de doenças que afetam a vinha

As alterações climáticas vão afetar o Douro, que tenderá a deslocar as vinhas para zonas mais elevadas e a apostar em castas mais resilientes à falta de água e ao aumento da temperatura, segundo o plano intermunicipal apresentado esta quinta-feira.

O Plano de Ação Intermunicipal para as Alterações Climáticas no Douro (PAIAC Douro) foi apresentado em Tabuaço, distrito de Viseu, quer contribuir para o aumento da resiliência e a mitigação dos riscos neste território da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), que junta 19 municípios.

Na região já se notam alterações a nível do clima. No ano passado foi a seca extrema e, este ano, as chuvas fora de tempo em junho e julho estão a criar condições para a propagação de doenças que afetam a vinha.

As projeções climáticas apontam para uma diminuição da precipitação média anual no final do século XXI nos países do Sul da Europa, para secas mais frequentes e intensas, para ondas de calor e o aumento de fenómenos extremos, em particular de precipitação muito intensa e, logo, mais episódios de cheias e inundações.

Os impactos futuros das alterações climáticas tenderão a afetar de forma transversal todo o Douro, realçando-se os prejuízos para as atividades económicas, como a agricultura, o aumento dos custos de produção de bens e de serviços e o aumento dos custos com seguros.
Por isso, a agricultura, nomeadamente a viticultura, que é a principal atividade económica da região, é destacada neste plano de ação, que aborda ainda outros setores importantes como o turismo, a segurança e a saúde das populações.

Na área da viticultura prevê-se que as alterações climáticas, por causa do aumento da temperatura e as secas mais intensas e frequentes, provoquem quebras na produção, o aparecimento de novas doenças e pragas e o aumento dos riscos com acidentes climáticos associados à frequência e intensidade das vagas de calor, como é o caso do escaldão das uvas.

Uma das medidas previstas no PAIAC é a elaboração de um plano de ação para as alterações climáticas do Alto Douro Vinhateiro.
De acordo com o já estipulado no plano de ação, as principais medidas de adaptação passam pela deslocalização das vinhas para latitudes mais elevadas, ou seja, para zonas mais altas e frescas, o que poderá transformar parte da atual paisagem classificada pela UNESCO.

O Douro terá ainda que apostar na seleção de materiais vegetais mais adaptados ao 'stress' térmico e hídrico, e na alteração de práticas culturais e de sistemas de condução, de forma a otimizar e reduzir o consumo de água pela cultura e, assim, aumentar a eficiência do uso da água.

O plano aponta ainda a diversificação da produção para tirar proveito da antecipação da fenologia (uva de mesa ou uva para passa), a instalação de porta enxertos mais resistentes à carência hídrica, pela adequação das estratégias de rega deficitária em vinha, e por um maior controlo das pragas e doenças.

Relativamente à olivicultura, uma produção também importante para o Douro, prevê-se uma antecipação do início do ciclo vegetativo e também perdas de produção, pelo que a alteração das práticas culturais como a rega, fertilização, controlo fitossanitário, pode ajudar a mitigar os efeitos das alterações climáticas.

Os impactos poderão também sentir-se a nível do turismo na região, na medida em que previsivelmente desencadearão algumas modificações, como a perda de biodiversidade ou a degradação da paisagem.

Apesar dos impactos negativos, o plano identifica também oportunidades que se traduzem no desenvolvimento de novas, ou complementares, ações que reduzam a sensibilidade e a exposição da região ao clima, que permitam tirar proveito de alterações nas condições climáticas, ou que possam passar por mudar de atividade ou alterar práticas.

Com o PAIAC pretende-se que a região seja "conhecedora dos potenciais impactos das alterações climáticas e "capaz de transformar os seus desafios em oportunidades para o desenvolvimento social, económico e ambiental do Douro".

ONG moçambicana critica falta de investimentos nos pequenos agricultores


O Observatório do Meio Rural (OMR), rganização não-governamental (ONG) moçambicana, criticou hoje a falta de investimento nos pequenos agricultores, defendendo a necessidade de reformulação de políticas no setor.

"Há uma necessidade de rever e repensar como atingir os pequenos produtores, que deve ser o objetivo principal das políticas na agricultura", afirmou o economista João Mosca, diretor-executivo da OMR, falando hoje em Maputo na Conferência: Políticas Públicas Do Agro-Negócios.

João Mosca criticou ainda o limitado investimento nas infraestruturas com impacto na agricultura, assinalando que os poucos que existem são deficientes.

"Há investimentos desequilibrados. Por exemplo, investe-se em tratores e não em regadios, quando há regadios, não há logística ou não há armazenamento em silos", afirmou Mosca.

O desenvolvimento do setor agrícola impõe uma maior coordenação de meios, para assegurar sinergias e distribuição de benefícios, acrescentou o diretor-executivo do OMR.

"É preciso compatibilizar os diferentes projetos para que, no terreno, em conjunto, se criem sinergias e cada um tire benefício", disse João Mosca, que é também investigador e docente universitário.

Mosca considera que a deficiente rede de infraestruturas impede a ligação entre os produtores e os mercados, resultando em desperdícios na produção agrícola.

Mudança de voto de última hora no PSD salva Governo nas indemnizações com faixas de gestão de combustível


18/7/2018, 22:06785

PSD esteve sempre ao lado do PCP na defesa de indemnizações para proprietários de terras onde fossem criadas faixas de gestão de combustível. À última recuou e ajudou Governo que era contra a medida.

Há uma semana, a comissão de agricultura aprovou um projeto do PCP que pretendia indemnizar proprietários pela limpeza de faixas de combustível e a revogação da passagem para as autarquias da responsabilidade pela limpeza destas faixas. Os comunistas tiveram o apoio social-democrata, numa coligação pouco habitual, que fez avançar os projeto para a votação final com segurança suficiente para passar. Era nisso que acreditava o PCP e os deputados do PSD na comissão de agricultura, que aprovaram os projetos comunistas na especialidade. Mas, mesmo antes da votação desta quarta-feira, o líder do PSD, Rui Rio, deu indicações noutro sentido. O PSD absteve-se e acabou por inviabilizar os projetos.

"A proposta do PCP contou com o apoio da bancada parlamentar do PSD deste o início do processo legislativo bem como nas votações na especialidade na Comissão de Agricultura e Mar". Quem o sublinhou, logo depois da votação, foi um grupo de deputados do próprio PSD que apresentou uma declaração de voto escrita, depois de ter assistido ao volte-face da direção da bancada. Duarte Marques, Nuno Serra (que faz parte da comissão de agricultura), Teresa Leal Coelho, Ulisses Pereira e Nilza Sena concordam com os comunistas e dizem que "esta iniciativa visava corrigir uma enorme injustiça criada pelo Governo" e que "não é de todo admissível que o Governo torne responsabilidade exclusiva dos proprietários e das autarquias uma missão que é de todos e na qual o Governo não cumpre a sua parte", referindo-se à limpeza das faixas.



A bancada do PSD mudou de posição à última hora, por indicação do líder do partido, Rui Rio. Ao Observador, a vice da bancada social-democrata e coordenadora do partido na comissão de agricultura explicou que a mudança do voto na votação final global se deveu "a um processo evolutivo. Nós abstivemo-nos, foi o PS que votou contra", frisou para atirar a responsabilidade do chumbo para os socialistas. Mas a mudança de voto a favor para a abstenção por parte do PSD é que deitou por terra o projeto comunista. Questionada sobre se foi a direção do partido que deu esta indicação para mudar o voto, Rubina Berardo respondeu que "estas questões são coordenadas com a direção do partido".

No PCP, o deputado João Dias falou no fim da maratona de votações para se insurgir, num registo muito irritado, contra o PSD que acusou de "falta de seriedade", de estar "comprometido com o PS" e de ter "cedido às exigências do PS e do Governo". O comunista diz que o chumbo das indemnizações "pode inviabilizar a produção aos proprietário florestais em minifúndio e vão contribuir para o abandono do mundo rural".

Durante o debate na especialidade sobre estes projetos — e concretamente sobre a questão das indemnizações — o PS colocou sempre o foco nos custos da medida, que estimava rondarem os 900 milhões de euros. Uma conta que o PCP contestava dizendo que diz que as indemnizações seriam só para casos em que há perda comprovada de potencial produtivo nas propriedades onde tenham de ser criadas estas faixas de gestão de combustível .

Questionada sobre se o PSD foi sensível a este argumento do PS e do Governo, Rubina Berardo preferiu atirar ao PCP que diz "não ter moral para falar, basta olhar para as mudanças de posição esta semana, como aconteceu com a posição sobre a alteração ao Imposto sobre Produtos Petrolíferos."

Descoberta de pão com mais de 14 mil anos pode obrigar-nos a rever os manuais de história


18/7/2018, 6:52484

Os vestígios de pão carbonizado encontrados na Jordânia têm cerca de 14.400 anos e antecedem em quatro mil anos o período no qual se acredita ter surgido a agricultura.

Escavação de Shubayqa 1 onde é visível uma das fogueiras (imagem retirada do artigo científico divulgado na PNAS)
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Uma equipa de arqueólogos descobriu vestígios de pão carbonizado num acampamento de caçadores recoletores natufianos que viveram há cerca de 14 400 anos. A descoberta prova que já se confecionava pão quatro mil anos antes do período em que se acredita ter surgido a agricultura.

Os vestígios são os indícios mais antigos da confeção de pão de que há conhecimento. As 24 amostras foram encontradas entre centenas de vestígios de comida em duas fogueiras numa escavação conhecida por Shubayqa 1, no nordeste do Deserto Negro da Jordânia.


"A descoberta de restos de comida carbonizada em Shubayqa 1 fornece dados empíricos diretos sobre a produção de alimentos semelhantes a pão quatro mil anos antes de a agricultura ter emergido no sudoeste da Ásia. As descobertas mostram que os habitantes tiravam partido de cereais selvagens, mas também consumiam tubérculos", avança o artigo divulgado na publicação científica PNAS. "A confeção de alimentos representa um importante avanço na subsistência e na nutrição humana, e aqui demonstramos que os caçadores recoletores natufianos já a praticavam", conclui o relatório.

"Os caçadores-coletores natufianos são de particular interesse para nós porque viveram um período de transição quando as pessoas se tornaram mais sedentárias e sua dieta começou a mudar", esclareceu à CNN o arqueólogo Tobias Richter, da Universidade de Copenhague, que liderou as escavações.

Amaia Arranz Otaegui destacou a importância desta descoberta para o estudo da alimentação desta sociedade. "A presença de centenas de restos de comida carbonizados nas lareiras de Shubayqa 1 é uma descoberta excecional, e deu-nos a oportunidade de caracterizar as práticas alimentares de há 14 mil anos", explicou a arqueóloga da  Universidade de Copenhaga e primeira autora do relatório à CNN.

Segundo o estudo, o pão pré-histórico era produzido a partir de cereais selvagens e tubérculos e teria uma forma achatada. A equipa de investigadores tentou reproduzir o processo seguido pelos caçadores recoletores há mais de 14 mil anos. Amaia Arranz Otaegui, que provou o produto final, afirma que o pão teria um sabor "ligeiramente doce e um pouco salgado e uma textura granulada".

As amostras são semelhantes aos vestígios que já tinham sido encontrados anteriormente em escavações na Turquia e Holanda. Contudo, os vestígios da Jordânia são os únicos anteriores ao surgimento da agricultura.

A equipa constituída por investigadores das universidades de Copenhada, College of London e Cambridge afirma que que são necessários mais estudos para aprofundar as conclusões desta descoberta. O relatório especula, no entanto, que apesar da descoberta anteceder a agricultura, a confeção deste tipo de alimentos só se terá banalizado posteriormente. "As refeições à base de cereais, como o pão, tornaram-se provavelmente essenciais quando os agricultores neolíticos passaram a depender do cultivo de espécies de cereais domesticadas para a sua subsistência."

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Californianos investem €150 milhões 4 mil hectares de Alqueva


14.07.2018 às 14h00

O fundo de investimento Route One Investment Company, que também tem participações na Google e na Microsoft já começou a plantar as primeiras amendoeiras, no final do ano passado, em Alvito e Aljustrel


Num espaço de três anos, de praticamente inexistente, a amêndoa passou a ser a segunda cultura mais importante em Alqueva, depois do olival


As negociações demoraram dois anos, num processo que envolveu reuniões nos dois lados do Atlântico, muitos prospetos e pedidos de informação técnica sobre características do solo, clima ou água. Até que deu frutos, e o fundo Route One Investment Company decidiu investir em Alqueva. As primeiras amendoeiras foram plantadas no final do ano passado, em Alvito e Aljustrel, mas agora que o ritmo de investimento, assim como a sua dimensão, acelerou é expectável que a pegada destes investidores sedeados em São Francisco, Califórnia, se espalhe para outras terras abastecidas pela água de Alqueva. Até 2020, o objetivo é ultrapassar os 3 mil hectares de amendoeiras, talvez chegar aos 4 mil. Entre aquisição de terra e os custos de plantação, o investimento total andará entre os €140 milhões e os €200 milhões.

A este valor acrescem mais €10 milhões, que estão a ser investidos na primeira de duas unidades de transformação de amêndoa que o fundo tem planeadas, perto de Évora. Quase concluída, a fábrica já vai poder receber as amêndoas que vão começar a ser colhidas naquela região no próximo mês de agosto, quando mais uma campanha arrancar. Além do descasque deste fruto seco, a unidade vai permitir a transformação em produtos alimentares, como snacks e leite de amêndoa, para mercados estrangeiros. Para o futuro, está a ser planeada a criação de uma marca própria. "Este investimento é de longo prazo, entre os 10 e os 20 anos", conta ao Expresso Bill Duhamel, o administrador da One Route. Por agora amêndoas, "mais tarde vegetais ou outros frutos secos, como os pistácios", acrescenta.

O fundo de investimento Route One, fundado em 2010, conta com participações em mais de uma dezena de empresas, do sector alimentar às tecnologias — incluindo a marca de nutrição Herbalife, a cadeia americana de lojas de material de construção Fastenal, o grupo de media Liberty Global ou a Post Holdings, uma das maiores companhias de produtos alimentares norte-americana. E, embora com participações mais modestas, está também presente em gigantes mundiais como a Alphabet (proprietária da Google) e a Microsoft. A carteira de ativos da empresa rondará os 2,3 mil milhões de dólares (€2 mil milhões).

O namoro entre Portugal e os norte-americanos, alheio à guerra comercial lançada por Donald Trump, tem primado pela rapidez, desde que a AICEP, a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, fez o primeiro contacto com estes investidores, na Califórnia. "Já investi em dezenas de países e nunca vi um executivo tão amigo do investimento", garante Duhamel, que ainda no passado mês de junho jantou com o primeiro-ministro António Costa, aquando da sua visita aos Estados Unidos, em que 'vendeu' as potencialidades de Alqueva a vários empresários californianos. Esta semana, foi a vez de o norte-americano deslocar-se a Portugal, para se encontrar com o ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, e apresentar o projeto de investimento. "Estamos a falar de um investimento 100% privado, que nem sequer concorreu a fundos", sublinha o governante. "Com a situação de seca pela qual a Califórnia, que é o maior produtor mundial de amêndoa, tem passado nos últimos anos, chegar a um sítio como Portugal com disponibilidade de terra fértil e a estabilidade de fornecimento de água garantida por Alqueva é um sonho para estes investidores. Para eles, o Alqueva é a nova Califórnia", realça.

DO ZERO AOS 7 MIL HECTARES
O investimento em Portugal foi intermediado por outro produtor de amêndoas em Alqueva, José Leal da Costa, que viveu mais de duas décadas na Califórnia e trouxe para aquela região alentejana variedades californianas deste fruto seco, com um travo mais doce e uma aparência mais dourada — mais apetecíveis, por isso, aos consumidores, numa altura em que a procura mundial de frutos secos continua a ser maior do que a oferta. Os preços dispararam há quatro anos (para perto de €9 cada quilo de miolo de amêndoa ao produtor) e, desde então, apesar da correção, os agricultores olham com apetite para esta cultura.

O Alqueva não escapou a esta onda de entusiasmo. Por isso, ao lado das oliveiras, que representam metade da área regada pela barragem de Alqueva, avistam-se agora filas e filas de amendoeiras — desenhadas a régua e esquadro, tal como o olival moderno, em regime intensivo e superintensivo. Em sequeiro, um hectare de amendoeiras não dá mais do que 120 quilos; em regadio e em sistema intensivo, a mesma área de terra pode produzir mais de duas toneladas de amêndoa.

Como lembra José Pedro Salema, presidente da EDIA, a empresa que gere as infraestruturas de Alqueva, "em 2015, apenas existiam mil hectares de amendoal inscritos nesta área. Em 2018, são já 6700 hectares, com tendência para aumentar". Por agora, as amendoeiras ainda não estão a substituir oliveiras, visto que a área de olival já chega aos 44 mil hectares, numa altura em que a área de Alqueva ocupada está nos 80%.

Grandes grupos agrícolas espanhóis, que entraram no Alentejo para plantar olival, estão agora a fazer amendoais, como o grupo De Prado, de Córdoba, a companhia catalã Borges International Group ou a valenciana Importaco Terra. E os produtores portugueses também entraram nesta onda. Em Ferreira do Alentejo, no início de 2017, foi inaugurada a primeira unidade de descasque de amêndoa rija do Alentejo, através da Migdalo, uma sociedade gerida pela família Sevinate Pinto.

Nos últimos anos, conta o responsável da EDIA, o perfil dos investidores em Alqueva tem-se vindo a alterar e começam a entrar em cena fundos de investimento, como a Route One Investment Company: "São investidores completamente diferentes, que procuram diversificar produtos e reduzir o risco através da aposta em bens físicos, como terra."

Agricultura recorre cada vez mais a imigrantes, alguns sem papéis

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras fiscalizou uma exploração agrícola em Santa Maria da Feira (Porto), em que 38, 4 % dos trabalhadores eram estrangeiros; dez estavam ilegais. E, numa operação em Odeceixe, identificaram 54 imigrantes, seis irregulares

16 Julho 2018 — 21:07


Nepaleses resgatados em propriedade agrícola podem ficar em Portugal
As duas ações de fiscalização tiveram lugar a semana passada e, segundo os dirigentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), "visam a prevenção e a deteção de situações de tráfico de pessoas para exploração laboral agrícola, através da disseminação e recolha de informação junto dos trabalhadores estrangeiros identificados".

O que os números também mostram é que, cada vez mais, o setor agrícola recorre à mão-de-obra estrangeira. São hindustânicos, imigrantes naturais do Paquistão, Bangladesh, Índia e Nepal, maioritariamente.

Coimas variam entre dez mil e 15 mil euros

Numa ação de fiscalização na sexta-feira à zona de Santa Maria da Feira detetaram dez cidadãos estrangeiros em situação irregular e que foram notificados para abandonar o país no prazo de 20 dias. Contou com operacionais das direções regionais do Centro e Norte do SEF, além da participação dos técnicos da Autoridade para as Condições do Trabalho.

Encontraram 25 imigrantes num total de 65 da mesma exploração. Quinze haviam já iniciado o processo para obter a autorização de residência em Portugal.

A entidade patronal dos cidadãos foi notificada e está sujeita a uma coima que pode ir até aos 15 mil euros.

Uma segunda ação de fiscalização na mesma semana, em Odeceixe, esta com a GNR, "intercetou várias viaturas de diferentes entidades empregadoras e identificaram 54 cidadãos estrangeiros, dos quais seis em situação irregular, que também foram notificados para abandonar o país",

Levantaram autos de contraordenação a duas empresas "por utilização de atividade de cidadão estrangeiro em situação ilegal, cujas coimas podem ir até aos 10 mil euros"

Clima "trocado": Suécia pede ajuda para combater incêndios e em Portugal pede-se calor


Enquanto Portugal se admira com o granizo no verão, no norte da Europa os incêndios já chegam ao Círculo Polar Ártico

18 Julho 2018 — 11:49


Mau tempo afeta ocupação de parques de campismo nos primeiros seis meses do ano
Em Portugal suspira-se por temperaturas mais elevadas - a temperatura média nos próximos dias rondará os 26 graus-, mas na Suécia só se deseja que essas baixem para que o país consiga controlar os incêndios que já chegam ao Circulo Polar Ártico, zona onde mesmo no verão o clima é frio.

As autoridades suecas já pediram aos parceiros da União Europeia para enviarem meios humanos e materiais para combaterem os fogos e ajudar na retirada das populações de quatro comunidades.

Centenas de pessoas tiveram de sair das suas casas e, segundo conta o diário inglês The Guardian as que vivem em zonas onde ainda não foi dada essa ordem têm de manter-se dentro das habitações e com as janelas fechadas para evitar a inalação de fumo. As ligações por comboio foram interrompidas.

A situação é muito complicada na região como comprovam as imagens transmitidas pelo satélite de observação Copernicus, responsável pela atualização diária dos fogos na Europa, que mostra mais de 60 incêndios na Suécia, mas também na Noruega, Finlândia e Rússia.


Imagem da NASA, com data de 11 de julho, que mostrava os focos de incêndios registados nesse diana Rússia© NASA
Uma situação que tem sido habitual no sul da Europa, mas que este ano está a surpreender o norte do continente, em mais uma demonstração do quanto atípico está a ser o clima.

Enquanto na Suécia e países vizinhos se vivem estas situações de fogos, em Portugal, os primeiros meses do ano ficam marcados pelo facto de a área ardida ser, de 1 de janeiro a 15 de julho, a segunda mais baixa da última década. E o número de fogos, de acordo com a Autoridade Nacional de Proteção Civil, ser o quarto mais reduzido desse período. Segundo os dados oficiais, registaram nesse período 6035 fogos que consumiram 5327 hectares, quando em 2017 já tinham sido queimados 74 895.


METEOROLOGIA
Queda de granizo cobriu Serra da Estrela de branco no domingo
Perante a situação de emergência que está a ser vivida na Suécia, a Noruega já enviou seis helicópteros de combate a incêndios e a Itália dois Canadair CL-415s. Uma resposta que no ano passado foi dada a Portugal quando o país foi atingido pelos grandes fogos que atingiram a zona norte e centro do país e que fizeram mais de uma centena de vítimas mortais.

Ilustrando a situação de emergência, habitantes de Uppsala (um pouco a norte de Estocolmo) disseram ao The Guardian que foram proibidos os churrascos depois de se terem registado 18 dias consecutivos sem chover.

"Este é, definitivamente, o pior ano nos tempos mais recentes no que diz respeito a incêndios florestais. Temos fogos todos os anos, mas 2018 está a ser excessivo", adiantou ao diário inglês Mike Peacock, um investigador e residente na região.

Salientando que sempre têm existido incêndios, as autoridades reconhecem que nunca chegaram às proporções deste ano, nem às zonas que estão a ser atingidas: algumas regiões da Gronelândia, Alasca, Sibéria e Canadá.

As autoridades suecas reconhecem que o risco de haver novos incêndios nos próximos dias é "extremamente alto" até porque as temperaturas vão manter-se pelos 30 graus. O que já levou o Sistema de Informação Europeu para os Incêndios Florestais a alertar que nos próximos dias vão manter-se condições muito propícias ao surgimento de fogos.

Alteração global

"O que estamos a assistir é a uma alteração global das áreas suscetíveis de terem incêndios, como no nordeste da Inglaterra e agora estes na Suécia", comentou Vincent Gauci, professor universitário.

Responsáveis da União Europeia recordam que está a assistir-se cada vez mais a anos atípicos no que diz respeito aos incêndios que tradicionalmente atingiam a zona dos países do sul da Europa, mas que agora estão a surgir em zonas e em períodos inesperados. E lembram ao The Guardian o longo período de fogos registado no ano passado em que arderam centenas de hectares em Portugal, Espanha e Itália.

Nova redução de gramagem nos pacotes de açúcar



Pacotes de açúcar vão ter menor quantidade
Foto: Carlos Manique /Arquivo Global Imagens



A quantidade de açúcar nos pacotes vai voltar a baixar. Em janeiro de 2017, a quantidade máxima permitida passou de 8 para 5/6 gramas e, a partir de 1 de janeiro de 2020, os pacotes que acompanham o café nas grandes superfícies não poderão ter mais do que 4 gramas.

O protocolo que visa levar à prática esta nova redução é assinado amanhã, quinta-feira, entre a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), na presença do secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Araújo.

O AÇÚCAR QUE NÃO VÊ NESTES PRODUTOS ALIMENTARES

FOTOGALERIA
Pedro Graça, diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, admite ao JN que se trata de "um projeto ambicioso e mais restritivo para as empresas de distribuição alimentar". Revela que o objetivo da DGS é "modificar os hábitos alimentares dos portugueses através da educação, alertando para os riscos de saúde como as cáries e diabetes." Lembra que atualmente tomar um café é um ato que está mais facilitado, a maioria dos hipermercados tem o seu próprio espaço, e esse é também um dos motivos para esta redução na gramagem do açúcar avançar nas grandes superfícies, afirma Pedro Graça.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, os hábitos alimentares inadequados são o fator de risco que mais contribui para o total de anos de vida saudável perdidos pela população portuguesa (19%) e um dos determinantes da doença crónica, que representa mais de 85% da carga de doença no sistema de saúde português

A redução do açúcar nos pacotes começou a ser aplicada em 2016, através de um compromisso de entendimento assinado entre o Ministério da Saúde e as Associações Representativas da Indústria Alimentar. Agora, a DGS vai ser mais ambiciosa e incentivar a grande distribuição a dar mais um passo em frente.

"O objetivo é que as pessoas que consomem um pacote de açúcar com o seu café o continuem a fazer, mas usando uma dose menor, contribuindo assim para a sua saúde", afirma Pedro Graça, acrescentando que se pretende também combater o desperdício alimentar, "pois há pessoas que não usam um pacote inteiro e o resto vai para o lixo".

Sobre a razão pela qual a medida só entrar em vigor a 31 de dezembro de 2019, o diretor do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável explica que se pretende dar oportunidade aos distribuidores de escoar os milhares de pacotes de 5/6 gramas produzidos.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Travar declínio do sobro custa (para já) 60 milhões


Foto: Reinaldo Rodrigues/Global Imagens


NUNO MIGUEL ROPIO
Ontem às 14:18

Cerca de 60 milhões de euros é quanto pode custar, para já, a implementação de medidas de proteção do sobrado a Sul do país e o início do seu alargamento. Estas são as contas do grupo de cidadãos que constitui a "Iniciativa Pró-Montado", que pretende do Governo medidas que possam combater o avanço do deserto do Saara, entre elas o aumento do número de sobreiros, dos atuais 60 por hectare para 80 a 100.

Segundo o grupo, formado por produtores de sobro e cortiça, autarcas de vários municípios alentejanos, associações ambientalistas e ainda investigadores, as áreas de montado abaixo do rio Tejo estão em risco, e não é de agora. O objetivo passa por sensibilizar as autoridades a canalizar para o setor parte de verbas de fundos europeus do Portugal 2020 para a agricultura, que ficaram por executar, e outros que ainda estão a ser desenhados, de modo a apostar na resistência climática dos sobreiros.

Pedro Sousa, um dos produtores de sobro que faz parte da "Iniciativa Pró-Montado", garante que não se pode continuar a passar ao lado das doenças, pragas e secas que vêm atingindo a floresta a Sul - que concentra 72% dos sobreiros e 92% de azinheiras do país.

"Não há só uma floresta em Portugal. Há várias. No Norte e Centro são florestas lenhosas. E esta [sobrado], além do seu enorme valor económico, pode e deve servir para travar a desertificação do ´Sul do país", sustenta sobre uma floresta que, no ano passado, permitiu a exportação de 966 milhões de euros em cortiça.

Montado em agonia

Daí que o grupo exija o lançamento de um concurso regional para o Alentejo de apoio à melhoria de resiliência e de valorização ambiental. Em causa poderão estar cerca de 60 milhões de euros, dos fundos europeus do Portugal 2020, que poderiam ser reafetados a esta estratégia, para fazer face a cerca de "duas décadas de deterioração do clima e de três anos de seca seguida".

A possibilidade de haver um forte investimento em sobro na reflorestação do Centro e Norte, afetados pelos incêndios de 2017, não é vista com bons olhos pelo grupo. O motivo deve-se à falta de "resultados práticos", quanto a rendimentos de produtores e à qualidade da cortiça, já que "demorarão cerca de 30 a 40 anos a aparecer".

O apelo é que que o montado de sobro e também o de azinho "passem a ter programas de defesa e apoio próprios", para que a densidade por hectare aumente: passando de cerca de 60 árvores por um hectare para 80 a 100.

Segundo o grupo, um dos apoios financeiros para tal estratégia pode vir do reforço em 133 milhões de euros do Programa de Desenvolvimento Rural Florestal, que conta neste momento com 530 milhões de euros.

Pedro Sousa alega que o Alentejo mantém-se, "de longe", como "repositório principal do fornecimento de cortiça ao país", já que o "montado de sobro é o seu povoamento florestal" pode servir de barreira para o avanço do deserto.

Durante o levantamento da realidade do montado no Alentejo, para elaborar tais pedidos ao Governo, este grupo admite que sofreu "um valente susto". Nas serras de Portel, Grândola ou Santiago do Cacém, foram encontradas árvores em agonia e em desfolhação - queda prematura de folhas.

Estes cenários do sobro no Sul, bem como as intenções do grupo para inverter o declínio do setor, já chegaram às mãos do primeiro-ministro e do ministro da Agricultura. Até agora, ainda não houve uma resposta.

Impactos das alterações climáticas na agricultura é tema da Ovibeja em 2019

Os impactos e consequências das alterações climáticas na agricultura e o papel dos agricultores como "guardiões da biodiversidade" vão ser o tema principal da próxima edição da feira agropecuária Ovibeja, em 2019, em Beja, foi hoje anunciado.


Lusa
17 Julho 2018 — 10:03

Segundo a organizadora da feira, a associação ACOS - Agricultores do Sul, o tema vai ser abordado através de várias iniciativas durante a 36.ª Ovibeja, entre os dias 24 e 28 de abril de 2019, no Parque de Feiras e Exposições de Beja - Manuel Castro e Brito.

Colóquios, seminários, sessões de esclarecimento, apresentações e análises de estudos e exposições são algumas das iniciativas previstas e que vão reunir contributos de agricultores, estudantes, técnicos e especialistas nacionais e estrangeiros, indicou hoje a associação.

"Com a certeza de que não há agricultura sem homens, nem homens sem agricultura", os agricultores "são o grupo profissional que está na linha da frente para a tomada de medidas que permitam continuar a produzir alimentos e a desenvolver e a dinamizar o espaço rural de forma sustentável", considera a ACOS.

Os agricultores, continua, são "peças-chave na construção da paisagem" e "responsáveis" pela produção de alimentos de origem vegetal e animal, mas também pela "proteção do espaço rural e pela criação de condições que salvaguardem o equilíbrio entre a atividade produtiva e a proteção do meio ambiente".

Por isso, frisa, os agricultores podem dar "contributos fundamentais para a mitigação e a reversão dos impactos causados pelas alterações climáticas".

A ACOS considera ainda que "o empenho e o esforço dos agricultores na manutenção e na salvaguarda do meio ambiente têm de necessariamente ser tidos em conta na nova Política Agrícola Comum".

Para tal, a associação, "com base em parcerias, sessões de esclarecimento e reuniões", está a reunir contributos para "trabalhar, reunir e veicular informação relevante sobre a matéria".

Quatro empresas angolanas do setor agrícola em risco


Quatro empresas estatais angolanas do setor agrícola estão em risco, por não gerarem lucros, e o futuro será avaliado em 30 dias por um grupo de trabalho nomeado pelos ministros das Finanças e da Agricultura e Florestas.


Lusa
16 Julho 2018 — 09:12

Em causa, segundo despacho conjunto de 10 de julho, consultado pela Lusa, estão a Sociedade de Desenvolvimento de Perímetros Irrigados (Sopir), Sociedade de Desenvolvimento do Polo Agro-industrial de Capanda (Sodepac), da Empresa Nacional de Mecanização Agrícola (Mecanagro), bem como a Empresa de Rebeneficiamento e Exportação de Café (Cafangol).

O despacho conjunto reconhece o "esforço que o Estado angolano tem empreendido na busca de soluções para recuperação e revitalização das empresas públicas e a necessidade de se desenvolver ações concretas" para "aferir a situação atual" das quatro empresas de capital público.

O documento acrescenta, além da criação do grupo de trabalho, a "necessidade de acompanhar e monitorizar" as quatro empresas, "visando apresentar propostas concretas sobre o futuro" das mesmas.

O grupo será liderado por Walter da Cruz Pacheco, da Unidade de Gestão da Dívida Pública, e entre as tarefas consta a identificação das "principais causas que estão na base da incapacidade" daquelas empresas "em desenvolver os planos de negócios pré-concebidos para rentabilização" das mesmas.

A Lusa noticiou a 10 de maio que o Governo angolano prevê privatizar 74 empresas públicas a médio prazo, sobretudo do setor industrial, processo que entre 2013 e 2017 permitiu um encaixe financeiro para o Estado de quase 20 milhões de euros.

A informação consta de um documento enviado aos investidores, no qual é referido que Angola privatizou entre 2013 e 2017 um total de 29 pequenas empresas.

"Angola pretende privatizar mais 74 empresas a médio prazo. Globalmente, o Governo pretende vender toda a sua participação nessas empresas, a maioria das quais opera no setor industrial", lê-se no documento. Recorda ainda que a política de longo prazo do Governo é que as empresas que não sejam obrigadas a permanecer na esfera pública, por questões políticas, "devem ser privatizadas".

Contudo, o documento não adianta quais as empresas a privatizar ou o montante que o Governo estima arrecadar com essas operações.

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Todos desistiram da plantação de papoila branca no Alqueva


O objectivo que a cultura da planta dormideira produtora de ópio pretendia atingir, cerca de 6000 hectares até 2016, ficou pelo caminho. Em 2018 não foi plantado um único hectare.

CARLOS DIAS 16 de Julho de 2018, 8:50 Partilhar notícia



A cultura de papoila branca (Papaver somniferum L.), também conhecida por planta dormideira, destinada à produção de morfina, deixou os campos do Alqueva, cinco anos depois de ter sido iniciada a sua exploração. O excesso de oferta deste produto no mercado mundial ditou o fim do investimento em Portugal.

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À expectativa criada à volta da uma nova e exótica cultura, considerada "interessantíssima" pelos agricultores que aderiram ao projecto (cerca de meia centena) sob fortes medidas de segurança, seguiu-se o fracasso de uma iniciativa que chegou a ser considerada pelos autarcas de Beja um "investimento estratégico" para a região.

A Macfarlan Smith, empresa escocesa que foi pioneira na plantação de papoilas brancas nos campos do Alqueva, pretendia, para além da produção de matéria-prima, proceder numa fase posterior à sua transformação numa fábrica nos arredores de Beja. Seriam investidos, numa primeira fase, cerca de 4 milhões de euros e, posteriormente, o alargamento das instalações implicaria um investimento de 20 milhões de euros com a promessa de criação de 30 postos de trabalhos fixos. 

Neste sentido, a empresa escocesa iniciou em 2009 estudos e experiências para atestar o grau de adaptabilidade agronómica da cultura à região do Alentejo. O trabalho de investigação foi coordenado pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e teve a colaboração do Ministério da Agricultura, da Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva (EDIA), do Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) e do Instituto Politécnico de Beja (IPB).

As experiências efectuadas em cerca de 100 hectares abriram "excelentes perpectivas" pela qualidade dos terrenos, o sol persistente e a abundância de água debitada por Alqueva, ou seja, os ingredientes fundamentais para suporte da cultura de plantas dormideiras. A primeira campanha arranca em 2012 e ocupou 650 hectares. Vaticinavam-se resultados "muito promissores". As primeiras colheitas apresentaram valores de morfina "muito satisfatórios e encorajadores" e a Macfarlan Smith não poupou nos predicados para dar "continuidade ao investimento da cultura no país", assumia, na circunstância a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Alentejo (DRAPAL).

A EDIA passou a demonstrá-la como exemplo da diversidade cultural que Alqueva potenciava para contrariar a ideia da hegemonia da monocultura do olival e, rapidamente, se antecipou para 2014 a ocupação de 6 mil hectares no regadio do Alqueva. Os mais entusiastas admitiam que podia chegar aos 10 mil. A terra não era problema. Os menos optimistas ficavam-se pelos 3000 hectares.

"Bom rendimento"
Nos anuários agrícolas publicados pela EDIA, a cultura de papoila branca passou a ser descrita como "uma boa alternativa aos agricultores das novas áreas de regadio". Estava garantido "apoio técnico, por parte das empresas promotoras" (Macfarlan Smith e TPI Enterprises) e "um bom rendimento" aos agricultores que aderissem ao projecto.

A EDIA anunciou em 2016 que a área ocupada por papoilas já tinha "ultrapassado a barreira dos 1000 hectare". E com a presença de "dois player's no mercado, é previsível que a área continue a aumentar, contudo a um ritmo mais reduzido", dizia na altura. Foi o primeiro e subtil sinal de alerta a deixar dúvidas sobre a sustentabilidade da nova cultura. No seu anuário agrícola de 2017, a empresa gestora do regadio do Alqueva reconhece: "Contrariamente às previsões do último ano, a área de papoila não aumentou, tendo mesmo reduzido para cerca de metade". Com efeito, em 2017 foram inscritos 509 hectares nos perímetros de rega de Alqueva, quando em 2016 a área ocupada chegou aos 1070 hectares.

A empresa avança com uma possível causa: "Aparentemente existem duas razões para a redução da área de papoila. A primeira é a saída de uma das empresas responsáveis pela produção do mercado português, a outra a saturação do mercado mundial de substâncias opiáceas, com excesso de oferta deste produto". Leitura que está confirmada no Relatório do Comité Internacional de Controlo de Estupefacientes de 2016 ao referir que a área semeada com papoila rica em morfina nos principais países produtores "diminuiu aos níveis do ano anterior na Austrália, França, Hungria e Espanha". No país vizinho, a área real colhida de papoila "foi 66% menor que no ano anterior", enquanto na Turquia, outro país produtor, "mais que dobrou" em relação a 2015, refere o documento. E acrescenta: a produção global de matérias-primas de opiáceos, ricos em a morfina "excedeu a procura global de morfina". E em 2016, a produção de morfina continuou a exceder a procura.


Excesso de produção
O excesso de produção de papoila de ópio "é uma das causas que terão justificado o abandono da cultura no Alentejo", reforça Francisco Palma, presidente da Associação de Agricultores do Baixo Alentejo (AABA). É um produto específico que "sofreu as consequências de um mercado desajustado e as coisas começaram a correr mal", acentua o dirigente associativo, que disse ao PÚBLICO ter recebido indicações de que "este ano (2018) não se plantaram papoilas" na região. E deixa críticas às entidades públicas por terem aceitado "sem garantias" os projectos apresentados pela empresa escocesa (Macfarlan Smith) e australiana (TPI Enterprises). Esta última anunciou em 2017 a venda da sua subsidiária portuguesa, alegando que a aquisição de uma empresa na Noruega "tornou desnecessário o investimento na produção em Portugal". Recorde-se que esta também chegou a anunciar ter como objectivo alcançar 3000 hectares de cultura e a instalação de uma fábrica, onde iria investir cerca de 10 milhões de euros.

O PÚBLICO solicitou esclarecimentos à empresa mãe da Macfarlan Smith, a Johnson Matthey Fine Chemicals, sobre as razões que levaram a cessar a produção de papoila branca no Alentejo, mas até ao fecho da nossa edição não obtivemos qualquer resposta.


Questionado o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio, entidade que assinou no anterior executivo um protocolo com a empresa escocesa para a instalação de uma fábrica para armazenamento e processamento inicial das papoilas, junto ao aeródromo de Beja, disse não saber "se haverá desenvolvimento desta actividade" admitindo que as actuais condições "não são favoráveis" à concretização do projecto.

Questionada a Johnson Matthey Fine Chemicals, a casa-mãe da empresa escocesa. Pranika Sivakumar, que se apresenta como gestor de conteúdos, confirma que devido "à maior disponibilidade de matérias-primas utilizadas na produção de opiáceos", a MacFarlan Smith "decidiu cessar as operações relacionadas com a cultura da papoila em Portugal" e já não irá avançar com o projecto de construção de uma fábrica em Beja para tratamento da produção que depois seria enviada para Edimburgo.

Governo vai pagar a proprietários que optem por floresta resiliente


Os proprietários e municípios que contribuam com serviços de ecossistemas, como biodiversidade, floresta, água ou solo, vão receber um pagamento do Estado. A intenção, aprovada este sábado em Conselho de Ministros, ainda está a ser estudada.

Governo vai pagar a proprietários que optem por floresta resiliente

14 de julho de 2018 às 17:03

O Governo vai pagar a proprietários que optem por uma floresta resiliente e aos municípios com territórios que prestem serviços de ecossistema, anunciou este sábado o ministro do Ambiente.

A medida, que ainda está a ser trabalhada juntamente com "a maior parte das universidades portuguesas" e que estará definida em Setembro, pretende pagar a proprietários e municípios que contribuam com serviços de ecossistemas (como biodiversidade, floresta, água ou solo), afirmou o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

O objectivo é um dos dez compromissos para o território, inseridos no Programa Nacional da Política Ordenamento do Território (PNPOT), cuja revisão foi ontem aprovada em Conselho de Ministros Extraordinário, que decorreu na Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra.

Dando um exemplo sobre como é que poderá surgir essa remuneração, o ministro do Ambiente referiu que pode haver transferência directa de dinheiro para proprietários que optem por uma floresta resiliente, ao contribuírem para o capital natural do país.

Na dimensão dos municípios, serão transferidas e incorporadas "competências nos municípios", com factores "que privilegiem exactamente esses territórios com maior capital natural", vincou.

Segundo João Pedro Matos Fernandes, a ideia de pagar pelos serviços de ecossistema prestados vai arrancar com dois projectos piloto no país, na Serra do Açor e no Parque Natural do Tejo Internacional.

"É fundamental remunerar os serviços de ecossistemas que são prestados", realçou, considerando que a presença de pessoas é importante não apenas "para a noção primeira de abandono, mas para uma segunda, que é a perda do próprio capital natural, que justifica e sustenta um conjunto de actividades do país".