domingo, 1 de maio de 2016

Herbicida "provavelmente cancerígeno" é usado por um terço dos municípios


PEDRO GUERREIRO 01/05/2016 - 11:52
Valores de glifosato em amostras de urina de voluntários portugueses são vinte vezes maiores do que os registados noutros países europeus. Herbicida é utilizado na agricultura, mas também na eliminação de ervas daninhas nos passeios de zonas urbanas.

 
O glifosato foi desenvolvido pela multinacional norte-americana Monsanto, que também comercializa as culturas transgénicas que resistem a este herbicida PEDRO CUNHA/ARQUIVO

Ministério da Agricultura
O glifosato, um herbicida que a Organização Mundial de Saúde identificou como uma substância "provavelmente cancerígena", é utilizado pela esmagadora maioria das autarquias que responderam a um inquérito do Bloco de Esquerda, noticia este domingo o Diário de Notícias. Entre os 308 municípios contactados, 107 prestaram informações sobre o uso da substância e, destes, 89 confirmaram que utilizam o herbicida. Gondomar é a câmara que mais usa a substância (4000 litros), seguida de Matosinhos (2800) e Évora (2500).

Em Portugal, onde em 2014 foram comercializadas 1600 toneladas de glifosato, o herbicida é utilizado na agricultura mas também em espaços urbanos, sobretudo na eliminação de ervas daninhas nos passeios. A absorção pelo organismo humano está comprovada. Num estudo promovido pela Plataforma Transgénicos Fora e acompanhado pela RTP em que participaram 26 voluntários portugueses, uma universidade norte-americana analisou amostras de urina e detectou a presença do glifosato em todos os casos. O valor médio registado foi de 26,2 nanogramas por mililitro, muito superior ao valor máximo detectado num conjunto de 18 países europeus (1,8 nanogramas) e maior do valor máximo observado nos Estados Unidos (18,8 nanogramas).

Existe um enorme debate científico e político em torno do glifosato. Em Março de 2015, o braço de pesquisa oncológica da Organização Mundial de Saúde (OMS) atribuiu à substância o segundo grau mais grave de risco cancerígeno (o 2A, numa escala de 1, "cancerígeno para humanos", a 4, "provavelmente não cancerígeno para humanos"). No estudo publicado na Lancet, a Agência Internacional de Pesquisa de Cancro (IARC, na sigla inglesa) aponta "provas limitadas" de uma maior propensão para o linfoma de não-Hodgkin em trabalhadores expostos ao glifosato após análises conduzidas na Suécia, Estados Unidos e Canadá. A IARC cita ainda um outro estudo que indica a subida de marcadores tumorais em populações de regiões colombianas onde aquele herbicida é utilizado. Em ratos, foi identificada "prova suficiente" da relação entre a exposição ao glifosato e o desenvolvimento de tumores no sistema urinário, no pâncreas e na pele.

As conclusões da IARC não têm efeitos vinculativos sobre a capacidade das agências nacionais de decidirem sobre a utilização do herbicida. Em Portugal, e através de um comunicado divulgado no sábado, o Ministério da Agricultura sublinha que o risco em causa não está directamente associado ao glifosato, mas antes a uma substância presente em determinadas fórmulas que potenciará os possíveis efeitos do primeiro elemento. Trata-se da taloamina. A conclusão do Governo português é retirada após "exaustiva reanálise dos estudos e informações disponíveis pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos".

A nível local, no entanto, várias autarquias como a Câmara do Porto decidiram suspender o uso do herbicida.

A utilização do glifosato é debatida neste momento a nível europeu. A 18 de Maio, a Comissão Europeia vai decidir sobre a renovação da licença de uso do herbicida. Uma primeira proposta para a revalidação da autorização durante 15 anos foi rejeitada por Itália, França, Holanda e Suécia. Uma recomendação não vinculativa do Parlamento Europeu aponta agora para uma revalidação por sete anos e a proibição do uso do glifosato em zonas urbanas.

Citado pelo Diário de Notícias, o deputado bloquista Jorge Costa afirma que o Ministério da Agricultura era inicialmente "favorável à renovação", mas que "entretanto indicou aos peritos que assumam uma posição de abstenção".

"Esperamos que o Governo não alinhe na renovação", disse.

Em 2015, e após a divulgação do estudo da IARC, o Governo francês começou por fazer uma recomendação não vinculativa contra a venda ao público do glifosato. Há poucas semanas, porém, optou pela proibição total de produtos químicos que contenham glifosato e taloamina.

Fora do espaço europeu, países como o Sri Lanka e as Bermudas proibiram a importação e uso do herbicida. A Colômbia, por seu turno, deixou de utilizar nesse ano a substância nas campanhas de destruição da planta de coca.

O glifosato foi desenvolvido pela multinacional agroquímica Monsanto, que também comercializa as culturas transgénicas que resistem à substância. A empresa desvaloriza a toxicidade do herbicida, apontando que na mesma categoria em que a IARC coloca o produto também estão "o café, os telemóveis, o extracto de aloé vera e vegetais em conserva".

Ministério da Agricultura diz que potencial carcinogénico está num co-formulante do glifosato


Ontem 22:54 Lusa

A tutela refere que "foi determinada a pesquisa de glifosato em sementes de centeio".

Ministério da Agricultura diz que potencial carcinogénico está num co-formulante do glifosato
O Ministério da Agricultura esclareceu hoje que o potencial carcinogénico do herbicida glifosato está associado a um co-formulante (taloamina) e não ao produto, cuja utilização futura será decidida em maio.

Um trabalho da RTP, divulgado na sexta-feira, dizia que "há vários portugueses contaminados com glifosato, um herbicida que é potencialmente cancerígeno", e referia que "a sua presença foi detectada com valores elevados no norte e centro do país".

No seguimento de "dúvidas que a utilização da substância activa glifosato, como herbicida, têm suscitado na opinião pública", o Ministério da Agricultura divulgou um comunicado em que se lê que este herbicida "nunca fez parte da lista de substâncias a pesquisar, tendo sido determinada a sua introdução no Plano Nacional de Pesquisa de Resíduos (PNPR) em 2016".

A tutela refere que "foi determinada a pesquisa de glifosato em sementes de centeio".

"Na sequência das observações da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, que apontavam para possíveis efeitos cancerígenos da substância ativa, e da exaustiva reanálise dos estudos e informações disponíveis pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, foi concluído que o potencial carcinogénico identificado está associado não ao glifosato, mas sim à presença, em certos produtos fitofarmacêuticos contendo glifosato, de um co-formulante (taloamina)".

Este co-formulante "evidenciou um potencial genotóxico", prossegue o ministério.

No comunicado, indica-se que "o Comité de Peritos da União Europeia reunir-se-á a 18 de Maio para analisar e decidir sobre a utilização futura do glifosato a nível europeu".

Na sexta-feira, o partido Pessoas Animais Natureza (PAN) pediu a realização de análises à água e aos alimentos para detecção da presença do herbicida glifosato.

O PAN pede explicações ao ministro da Agricultura, através da Assembleia da República, e recorda que, em Junho, a Comissão Europeia vai tomar uma decisão acerca deste produto químico utilizado na produção agrícola e para erradicar ervas daninhas em jardins ou ruas das localidades, na maior parte dos concelhos portugueses.

Um comunicado da Plataforma Transgénicos Fora, divulgado na sexta-feira, insiste no alerta para este problema e salienta que "o Ministério da Agricultura tem de sair do estado de negação profunda em que se encontra e encarar finalmente o glifosato como o químico tóxico e omnipresente que de facto é".

Embora admita que "não se conhecem ao certo quais as principais vias de exposição", a plataforma, que reúne associações da agricultura e do ambiente, salienta que "a alimentação e a água são candidatos óbvios e devem começar a ser amplamente testadas e as fontes de contaminação eliminadas"

Empresa lança vinho que submergiu no Alqueva e já tem encomendas


11:52 - 13/04/16
POR LUSA

A empresa vitivinícola alentejana Ervideira vai lançar no mercado, a partir de sábado, o seu Vinho da Água, que esteve submerso nas águas do Alqueva, tendo já recebido encomendas de diversos mercados externos.

   
"Já tenho encomendas prontas a saírem, até segunda-feira, para a Bélgica, Luxemburgo, Alemanha e Suíça. E, depois, tenho mais algumas encomendas, em espera, da Finlândia, Hong-Kong e Brasil", revelou hoje à agência Lusa o diretor executivo da Ervideira, Duarte Leal da Costa.

Segundo o produtor vitivinícola do concelho de Évora, o Conde d'Ervideira Tinto Vinho da Água vai ser lançado no mercado, em Portugal e nos países para onde a Ervideira exporta, a partir de sábado, dia em que vai ser apresentado na Marina da Amieira, no concelho de Portel e junto da albufeira do Alqueva.

"Os nossos clientes estão curiosos, querem testar este vinho", afirmou Duarte Leal da Costa, realçando que, neste primeiro ano, vão ser lançadas no mercado "cerca de 32 mil garrafas" do Vinho da Água.

Este vinho tinto, produzido com um dos rótulos topo de gama da empresa, o Conde d'Ervideira, estagiou oito meses em barricas e, depois, foi submetido a novo estágio dentro de água, na albufeira do Alqueva, num processo iniciado a 20 de outubro do ano passado.

A iniciativa deste produtor alentejano consistiu na recuperação do chamado processo do "vinho da água", que tem "grande história", recriando-o nos tempos atuais, explicou a empresa.

Inspirada na qualidade dos vinhos "resgatados" de barcos naufragados, após estarem "perdidos" nas profundezas dos oceanos, a empresa submergiu mais de 30 mil garrafas no Alqueva para criar o Vinho da Água.

"O projeto é recuperar uma história antiga, em que barcos que se afundavam com vinhos revelaram, depois, ter vinhos extraordinários", relatou aos jornalistas o diretor executivo da empresa, em outubro, aquando da submersão de várias destas caixas recheadas de garrafas de vinho.

Seladas, lacradas e acondicionadas dentro de caixas de grande dimensão, as garrafas estagiaram vários meses neste "armazém debaixo de água", como lhe chama Duarte Leal da Costa, mesmo junto à Marina da Amieira.

As características que este processo fornece ao vinho não se conseguem obter no envelhecimento em cave, segundo a Ervideira, que realizou vários testes para verificar a evolução dos "néctares" submersos.

Agora, que já retirou do Alqueva cerca de 12 mil garrafas deste Vinho da Água, para as preparar e rotular para o lançamento no mercado, o diretor executivo mostrou-se plenamente satisfeito com os resultados do processo.

"Este processo está aprovado. O vinho que foi para dentro de água ganhou corpo, juventude e estrutura. Está muito mais aromático, com uma cor mais violácea e não tem oxidação nenhuma", congratulou-se o responsável.

No sábado, na apresentação oficial, além da retirada simbólica de caixas de dentro de água, a Ervideira vai lançar para as "profundezas" do Alqueva novas caixas de vinho.

"O objetivo, por ano, é termos 32 mil garrafas em rotação, de entrada e saída, estando permanentemente um 'armazém' lá em baixo de 15 mil garrafas, pelo menos", disse, revelando que a empresa também já está a testar o processo nos vinhos brancos: "Vamos já lançar três ou quatro mil garrafas lá para baixo".

Supermercado social abre na quinta-feira para os fregueses de Santo António, em Lisboa


Supermercado social abre na quinta-feira para os fregueses de Santo António, em Lisboa

A Junta de Freguesia de Santo António, em Lisboa, vai inaugurar na quinta-feira o supermercado social Valor Humano, um projeto que vai disponibilizar produtos alimentares, de higiene e vestuário às famílias com necessidades económicas.
 "A solidariedade tem que rimar com dignidade. Se isso acontecer temos um valor humano, porque as pessoas são o que mais contam", afirmou à Lusa o presidente da Junta de Freguesia de Santo António, Vasco Morgado, defendendo que a entrega de "um saquinho de comida" com uma fila de pessoas à espera para o receberem "não é pedagogicamente aceitável hoje em dia, no século XXI".
Neste sentido, o supermercado social visa "dar dignidade a quem recebe os apoios", disse o autarca, referindo tratar-se de um projeto inovador na cidade de Lisboa, por "conseguir dar poder de escolha a quem é apoiado".
No Valor Humano, os fregueses de Santo António podem encontrar "um bocadinho de tudo" à disposição, desde produtos alimentares não perecíveis a produtos de higiene. Carne e peixe não estão disponíveis por questões de segurança alimentar.
O supermercado social destina-se apenas aos residentes desta freguesia lisboeta, tendo em conta a condição social em que se encontram, e prevê-se que abranja "mais de 1.000 pessoas de 360 famílias", informou Vasco Morgado.
"As técnicas de apoio social, depois de receberem o pedido de inscrição, fazem a avaliação do rendimento per capita, através do IRS [Imposto sobre o Rendimento Singular], do Subsídio de Desemprego, do Rendimento Social de Inserção", esclareceu o autarca.
Dependendo do número de elementos do agregado familiar, são atribuído os créditos, chamados `Santos Antónios`, que funcionam como moeda de troca para fazer compras no supermercado.
Segundo o presidente da Junta, o supermercado vai funcionar com o mesmo sistema do jogo Monopólio, em que é atribuído um valor em créditos.
"Vamos supor que são atribuídos 100 créditos por mês, que são transformados em `Santos Antónios`. Dá para comprar, por exemplo, um pacote de massa por um `Santo António`, um pacote de fraldas por dois `Santos Antónios` ou uma escova de dentes por um `Santo António`", explicou Vasco Morgado, informando que na segunda fase do projeto vai ser implementado um cartão magnético que acumulará os créditos.
Os produtos que vão estar nas prateleiras do supermercado social resultam de doações dos comerciantes da freguesia de Santo António, frisou o autarca, lembrando que ainda hoje chegou de um hotel 200 latas de comida já confecionada.
A Junta de Freguesia investiu cerca de dois mil euros no projeto.
Em relação às expectativas, o autarca afirmou que preferia "não ter que inaugurar uma coisa destas - era sinal que não era necessário -", no entanto espera que "corra sem problemas e que tenha sempre `stock`".
"Melhor será quando eu precisar de fechar isto porque já não tenho clientes", reforçou.
Durante o decorrer dos trabalhos de montagem do supermercado, feito por voluntários, o autarca recebeu a visita da presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, com o objetivo de traçar futuras parcerias.
A inauguração do Valor Humano, localizado na Calçada Moinho de Vento, vai decorrer às 18:00, com a presença do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.
Ainda na freguesia de Santo António vai ser inaugurada a Loja Social da D. Ajuda, no dia 28 de abril, às 18:00, no Mercado do Rato, uma iniciativa do clube social Boa Vizinhança Santo António que disponibilizará à população carenciada roupa e outros objetos usados.
Diário Digital com Lusa

Cinema com Terra

A empresa secreta que produz quase tudo o que se come


A Cargill fabrica adoçantes para a Coca-Cola, chocolate para a Mars e hambúgueres, óleo e nuggets para a Mcdonald's

15 Fevereiro 2015 • SÁBADO

A cidade de Yefremov é tudo aquilo que se poderia esperar de uma localidade industrial soviética em decadência. Os edifícios estão a cair aos bocados e as estradas esburacadas. Matilhas de cães vadios perseguem velhos carros russos Lada. É um local inóspito e cinzento, embrenhado num odor permanente a fermento, por causa da fábrica de vodka das redondezas. A cidade nunca mais foi a mesma desde a queda da União Soviética, que arrastou consigo a principal empregadora da zona, uma fábrica estatal de borracha. "Metade da população foi-se embora quando a fábrica fechou", diz Nikolai, 70 anos, condutor de camiões reformado. Tem a boca cheia de dentes de ouro e caminha com as compras pela Rua do Exército Vermelho. "O desemprego ainda é muito elevado. E as nossas reformas são muito baixas."

Mas a cidade tem pelo menos uma coisa a seu favor: os McNuggets. No Verão de 2013 abriu em Yefremov uma fábrica que produz toda a carne de frango processada para os 300 restaurantes McDonald's na Rússia. É a mais recente novidade do complexo de produção alimentar que fica perdido entre Moscovo, a cerca de quatro horas para norte, e lado nenhum. Todos os dias, peitos de frango, importados na maioria do Brasil, são despejados para máquinas que cortam, panam, cozem a vapor, fritam, congelam, embalam a vácuo e empacotam os nuggets. A cada oito horas, esta linha produz um milhão de McNuggets. Poderíamos interrogar-nos sobre as razões que levaram a McDonald's a escolher um inferno industrial para a sua McNuggetgrado. Na verdade, não escolheu. A decisão foi da maior empresa privada da América, da qual provavelmente nunca ouviu falar, mas à qual certamente já deu dinheiro.

A Cargill é a maior produtora de ingredientes alimentares do mundo. Fabrica os adoçantes para a Coca-Cola e o malte para a cervejeira MillerCoors, frango para a Asda, chocolate para a Mars e hambúrgueres, óleo alimentar e os McNuggets para a McDonald's. É a terceira maior embaladora de carne do mundo e a maior distribuidora de cereais, que envia para qualquer ponto através de uma armada de navios cargueiros seis vezes maior que a frota da Marinha Real britânica.

Apesar do seu tamanho, este gigante, que vale 100 mil milhões de euros por ano, conseguiu manter um perfil incrivelmente discreto. A estrada que nos leva à sede global da Cargill, em Minnetonka, no estado do Minnesota, é um cenário suburbano digno de um postal. As casas são grandes e os relvados estão impecavelmente aparados, com sebes brancas à volta. O Lake Office, como é conhecido, fica numa mansão de estilo francês, no meio de uma lagoa espelhada, entre árvores verdejantes e canteiros de flores. Não é o que se esperaria do centro de um império que se estende por 67 países e emprega 142 mil pessoas. Gregory Page, alto, em forma, com ar de professor, sorri: "Chegamos a todo o mundo a partir desta planície isolada."
 
Aos 62 anos, page passou a vida inteira na Cargill – quase 40 anos –, e nos últimos seis foi presidente. A empresa não cultiva nada. Em vez disso, construiu uma vasta rede de fábricas, portos e navios, que recebe e vende cereais em estado bruto ou que os transforma em produtos que acabam nas prateleiras de supermercados e farmácias, no seu tanque de combustível ou no bar da sua cidade.

O modelo é o seguinte: se um agricultor no Brasil quer plantar soja, a Cargill faz-lhe um empréstimo, vende-lhe fertilizante e oferece-lhe um seguro para as colheitas. Depois, compra-lhe a colheita e coloca-a num navio com destino, por exemplo, à China. Aí será transformada em ração para galinhas, que vão ser mortas numa fábrica da Cargill e vendidas para saciar o apetite crescente por carne. A empresa está presente em todos os elos da cadeia.
Hoje, 90% da Cargill é detida por menos de 50 pessoas, pertencentes à sexta geração de Cargills e de MacMillans (os restantes 10% são detidos pelos empregados). São os Rockefellers da indústria alimentar e gerem este império há mais de um século. Page é o terceiro presidente que não faz parte da família e até Agosto de 2013 viu a empresa ter o seu segundo melhor ano de sempre – facturou 1,7 mil milhões de euros.

Mas isso não significa que não haja problema. Em 2011, a Cargill fez a maior recolha de carne de aves da história americana, depois de ter encontrado salmonelas em embalagens de peru picado. Foi o tipo de incidente que fez os amantes da comida orgânica e local afirmarem que a empresa representa tudo o que está errado na indústria alimentar. Page, no entanto, não tem dúvidas de como distribuir calorias aos 7,2 mil milhões de habitantes do planeta: aumentar a produção a partir das culturas existentes. "A linguagem que algumas pessoas mais cuidadosas começaram a usar menciona uma intensificação sustentável", explica. E nenhum lugar é tão intenso como o estado norte-americano do Iowa.
 
Bill Talsma, um homem corpulento com 1,92 metros de altura, abriga-se à sombra de um armazém do tamanho de um hangar de aviões, repleto de equipamento agrícola de grandes dimensões. Ainda estamos a meio da manhã em Colfax, uma cidade com 2.061 habitantes no coração da chamada Cintura do Milho do Iowa, e o calor já é suficiente para transformar o milho em pipocas.

Talsma, de 56 anos, e o seu irmão Dave, de 58, nunca fizeram outra coisa a não ser trabalhar na agricultura. "Este é o meu 34.º ano", diz Bill. "O meu pai era agricultor e o meu avô também. Não saberia fazer mais nada." Juntos, trabalham quase cinco mil hectares da terra mais produtiva do planeta – e com apenas "três pessoas a tempo inteiro". Usam todas as armas da agrícola alimentar moderna. Bill aponta para uma máquina gigante de ceifar. "Custou-me mais de 370 mil euros mas faz, num único dia, o que costumava demorar duas semanas. E tem GPS a bordo, pelo que até se guia sozinha." 
Os Talsma compram sementes modificadas geneticamente. Depois, são plantadas por semeadoras gigantes ao longo de vários quilómetros de filas direitas e espaçadas com uma precisão milimétrica. Quando o milho é colhido, a maior parte acaba a 90 quilómetros de distância, em Eddyville, onde está uma das maiores fábricas de moagem de milho da América.

A Cargill fundou esta fábrica em 1985, o ano em que a Coca-Cola resolveu substituir o açúcar por xarope de milho rico em frutose, uma alternativa mais barata. Hoje, Eddyville transforma a semente de milho em mais de uma dúzia de produtos, exportados para mais de 50 países – a fábrica vale 737 mil milhões de euros e produz quase um décimo do xarope de milho da América. É um produto potente: um único vagão consegue adoçar dois milhões de latas de Cola. Grande parte do xarope é enviada de comboio para a Califórnia, onde a Coca-Cola tem uma fábrica de engarrafamento. Muitas vezes, alguns dos vagões que carregam etanol ficam presos no fim da linha. "Chamamos-lhe o comboio do rum e cola", diz DeLange.

Os cérebros por detrás da máquina de fazer dinheiro da Cargill vivem no sonolento paraíso fiscal de Genebra. É aqui que fica a sede da sua World Trading Unit (WTU, Unidade de Comércio Mundial). As operações diárias da Cargill englobam uma extraordinária quantidade de informação – análises da produção de trigo britânico, preços de milho no Departamento de Comércio de Chicago, encomendas de ração dos criadores de porcos da China e relatórios meteorológicos do Norte do Atlântico.
 
Um grupo de 30 supertraders analisa este turbilhão de dados. São as mentes mais inteligentes da organização. O que a WTU faz, em grande parte, é gerir os riscos associados ao envio anual de 40 milhões de toneladas de cereais para todo o mundo. É a WTU que vai alugar um cargueiro de frango congelado para Yefremov e que envia tanques de xarope de milho de Eddyville para as Filipinas. E nunca perde uma viagem. Na verdade, as operações de envio transportam mais carvão e minério de ferro para outras empresas do que propriamente comida. Os mesmos navios que entregam soja brasileira transportam também carvão australiano.

Mas a WTU também recorre a um vasto e precioso arsenal de conhecimento, dados e tecnologia para fazer apostas puramente financeiras. "Genebra faz muito comércio especulativo", disse um antigo negociante da Cargill. "Nesse sentido, não há diferença nenhuma entre eles e a Glencore, ou qualquer outra corretora." A CarVal Investor, detida pela Cargill, vale 4 mil milhões de euros e especializou-se em empresas em dificuldades – já investiu no banco Lehman Brothers.

Os riscos são elevados. Em 2011, o principal negociante de açúcar da empresa saiu depois de a Cargill ter perdido 73 milhões de euros em negócios especulativos. O presidente da Cargill, David MacLennan, minimiza a ideia de que a empresa é um gigante voraz da distribuição. "Se vier até nós e quiser ficar muito, muito rico, somos a empresa errada para si. Não vai ver muitos Lamborghinis no nosso parque de estacionamento", afirma. "Há aqui uma boa herança escocesa. Não somos exibicionistas." Um antigo negociante da empresa discorda: "Isso é treta. Pode ser verdade no Minnetonka, mas não em Genebra."

Será que especular com os preços da comida combina bem com a missão de alimentar o mundo? Até a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura salienta que é "bastante claro" que a especulação exacerba os picos de preços verificados na indústria em 2008 e 2010. A Cargill argumenta que a sua operação faz mais para reduzir os custos da alimentação do que alguns dos seus negociantes fazem para os manterem elevados. Mas os críticos têm certamente alguma razão quando culpam a Cargill por nos ajudar a manter gordos, certo? A empresa também tem resposta para isso. E a resposta passa por colocar três copos de plástico, do tamanho de copos de shot, em cima da mesa. Cada um contém uma dose de chá gelado com sabor a pêssego, mas só um deles tem metade das calorias, graças a um substituto muito doce do açúcar que deriva da stevia, uma planta sul-americana. Tento adivinhar, sem sucesso, qual tem menos calorias. A minha falha é o sucesso da Cargill. A empresa conseguiu substituir 16 cubos de açúcar, a quantidade tradicional de uma lata de chá, por apenas uma pitada de pó mágico.
 
E não só a bebida sabe ao mesmo, como também se "sente" o mesmo. "Desenvolvemos uma combinação muito específica de texturizadores que recuperam a sensação na boca e a viscosidade que se esperaria [de uma bebida com açúcar]. Esta fórmula teve bastante sucesso entre dois dos nossos maiores clientes da indústria de bebidas", diz Reginald Bokkolen.

Bokkolen é um dos 150 cientistas alimentares que trabalham no laboratório europeu da Cargill, nos arredores de Bruxelas. É um dos cinco laboratórios da empresa. Chris Mallett, o químico britânico que dirige o departamento de pesquisa e desenvolvimento, é o homem a quem os gigantes da alimentação recorrem quando precisam de cortar gorduras saturadas ou encontrar uma forma de colocar a etiqueta "100% Natural" nos seus produtos. Está mais ocupado do que nunca.

Entre as fascinantes áreas em que os seus cientistas estão a trabalhar – ou entre as mais perturbadoras, consoante o ponto de vista – está uma nova classe de ingredientes que leva o corpo a pensar que está saciado. "Parece que as pessoas obesas têm micróbios diferentes dos que têm as pessoas magras nos intestinos", explica Douwina Bosscher, uma nutricionista da Cargill. "Por isso, se conseguirmos produzir alimentos que equilibrem melhor estes micróbios podemos ter uma forma eficiente de perder peso." No mundo alimentar, é o mais perto a que se chega da alquimia.

E se geríssemos o país como os compartes gerem os baldios de Tourencinho?

MARIA LOPES 11/04/2016 - 20:40

PCP vai propor alterações profundas ao regime dos baldios aprovado pela anterior maioria PSD/CDS e conta com o apoio do PS. Jornadas parlamentares terminam esta terça-feira em Bragança.

 
Nos últimos 16 anos, a pequena aldeia incrustada no sopé de uma encosta granítica junto ao rio Corgo, no concelho de Vila Pouca de Aguiar, mudou radicalmente. Tourencinho orgulha-se de ter agora uma capela nova, um cemitério arranjado, uma casa mortuária reconstruída a partir da antiga Capela de S. Domingos e S. Sebastião, um centro social e de convívio para 20 utentes que faz apoio domiciliário de lavandaria e cozinha a 40 famílias. Mas também um lar com capacidade para 23 camas com a avaliação máxima da Segurança Social, três capelas no monte reconstruídas, uma sede da Associação Cultural e Recreativa Tourencius dos Xudreiros (que junta o nome da aldeia actual ao de outra que perdeu a população há 500 anos); e de os pinhais em volta da aldeia estarem limpos, as ruas calcetadas de granito e impecavelmente asseadas, os caminhos de acesso às hortas com muros reconstruídos na traça antiga e pontões para ultrapassar os riachos.

De onde veio o dinheiro para todas estas obras? Da gestão dos baldios por cerca de 250 compartes, descreveu Licínio Costa, presidente da Assembleia Geral dos Compartes de Tourencinho, que guiou uma comitiva de três deputados comunistas em passo estugado pelas calçadas da aldeia mostrando as benfeitorias com rendimento dos baldios. São 1000 hectares de baldios dos quais apenas 290 – o máximo admissível para pastoreio – estão distribuídos pelos compartes consoante o número de animais. E há por ali rebanhos de ovelhas e manadas de vacas maronesas a pastar nos lameiros verdejantes numa tarde soalheira.

O resto da área dos baldios tem arvoredo (de que se aproveita a madeira), algumas pedreiras de granito real amarelo na serra (já foram uma dúzia, agora apenas quatro são exploradas), um parque eólico, uma zona para apiário, outra para os caçadores virem a fazer um centro de reprodução do coelho selvagem. E é destas parcelas que vem a receita para o orçamento médio de 100 mil euros anuais nos últimos 15 anos – só os aerogeradores dão 57.500 euros. Outro rendimento importante foi a indemnização da Estradas de Portugal pela construção da auto-estrada e da qual há ainda 350 mil euros para receber.

É por isso que, depois de terem pago mais de metade do lar de 1,3 milhões de euros, e de todas as obras de cariz cultural, associativo (há subsídios anuais), religioso e de apoio social que fizeram nos últimos anos (algumas com apoios comunitários), todos aprovados em assembleia de compartes, há mais apoios para tentar fixar a população. Como a comparticipação dos livros do pré-escolar à universidade, entre 150 e 300 euros por aluno para os compartes. Na verdade, todos os habitantes maiores de idade são compartes, assim como os emigrantes que ali tenham propriedades e até quem é de fora mas ali mantenha um negócio na agricultura ou pecuária.

"Criámos 36 postos de trabalho. Na aldeia não há desemprego", diz, orgulhoso, Licínio Costa, acrescentando, condescendente, que haverá "quem não trabalhe, mas é porque já não está para trabalhar – e são casos raros". Um truque para criar riqueza na aldeia é tentar que cada euro investido pelos baldios ali permaneça: são os empreiteiros da aldeia que fazem as obras, com orçamentos fechados e escrutinados.

"O segredo do sucesso é a cooperação, a colaboração de todos – compartes e entidades como a junta e a câmara – e o orgulho", vinca Licínio, mais a "gestão transparente". E isso é algo que impressiona Margarida Castela, de 37 anos, que sempre por ali morou e por isso tem direito de voto nas assembleias, onde tenta sempre ir para participar nas decisões e saber o que aí vem. Como a discussão que houve há pouco tempo sobre a criação de um subsídio anual para os casais jovens com filhos até uma certa idade – ainda que possa já não beneficiar, pois as duas filhas de 15 e 7 anos já ganharam asas para ir estudar em Vila Pouca –, depois de o plano de encerramento de escolas com menos de 50 alunos do Governo PS ter deixado Tourencinho apenas com jardim infantil.

Tourencinho foi escolhida para as jornadas parlamentares do PCP, dedicadas aos problemas do desenvolvimento regional, por ser um bom exemplo de como a lei dos baldios aprovada por PSD e CDS com votos contra de toda a esquerda pode prejudicar esta realidade característica do interior. Os compartes pedem alterações para que não percam os terrenos para as freguesias – porque não são propriedade pública mas comunitária, argumentam – e possam continuar a geri-los sem interferências.

Gabinete antifraude investiga fundos atribuídos a Portugal no âmbito do PDR


por Ana Rita Costa- 26 Abril, 2016

O Organismo Europeu de Luta Antifraude da União Europeia (OLAF) abriu recentemente dois inquéritos para investigar a atribuição de fundos comunitários a Portugal no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural entre 2007 e 2013. De acordo com a notícia avançada pelo jornal Público, ainda não são conhecidos detalhes sobre estas investigações, no entanto, este organismo costuma investigar "casos que lesam o orçamento da União Europeia, a corrupção e as faltas graves" no âmbito das instituições da UE.

Ao mesmo jornal, o Ministério da Agricultura diz ter conhecimento de três processos "que seguem os trâmites normais e sobre os quais não se conhecem ainda os relatórios finais". "Tendo em conta a dimensão da intervenção financiada pelos fundos destinados à agricultura e desenvolvimento rural, consideramos que este número de ocorrências não põe em causa a eficácia dos sistemas nacionais de gestão e controlo", referiu o Ministério da Agricultura ao Público.

Só depois de uma avaliação inicial é que será conhecido o parecer do OLAF, que decidirá então se abre ou não investigação em relação aos casos agora analisados.

Vinhos do Alentejo promovem simpósio internacional de Vitivinicultura


por Ana Rita Costa- 26 Abril, 2016

A Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), a CCDRA, a ATEVA, Universidade de Évora e a DRAPAL vão promover entre os dias 4 e 6 de maio, no auditório da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), em Évora, a 10ª edição do Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo.

O evento contará com a presença de Capoulas Santos, ministro da Agricultura, que fará a sessão de abertura da iniciativa, e contará com diversos oradores nacionais e internacionais para debater conhecimentos técnicos na área da vitivinicultura, enologia e marketing.

Em discussão estarão temas como:

As castas ancestrais ibéricas na génese da diversidade vitícola de Portugal;
Influência da variabilidade e alteração climática na fenologia da videira: caso de estudo na região de Lisboa;
Quantificação da variabilidade intravarietal da interação Genótipo x Ano e a sua repercussão na eficácia da seleção clonal;
Caracterização fenotípica e molecular de isolados de phaeomoniella chlamydospora obtidos na Região Demarcada do Dão;
Estratégias de Combate ao oídio da videira (Erysiphe necator) face aos fenómenos de resistência a fungicidas;
Expressão diferencial de genes ao abrolhamento em Touriga Nacional e em Cabernet Sauvignon infetadas com os vírus do urticado e do enrolamento foliar;
Fungicidas autorizados na proteção fitossanitária da videira ao oídio;
Agregação proteica em vinhos brancos – Novos resultados sobre o mecanismo químico de turvação e novas tecnologias de estabilização em teste.



Partido Comunista quer limitar uso de pesticidas na agricultura da Madeira


por Ana Rita Costa- 29 Abril, 2016

O Partido Comunista (PCP) entregou recentemente um diploma na Assembleia Legislativa Regional da Madeira que tem como objetivo reduzir a utilização de pesticidas na agricultura da região.

De acordo com o Diário de Notícias da Madeira, o objetivo do partido é criar um 'Programa Regional para o Uso Responsável de Pesticidas', uma questão que de acordo com os deputados do PCP é importante debater, porque "afeta, não só a saúde das populações, mas também o equilíbrio do meio ambiente."

Sílvia Vasconcelos, deputada que apresentou o diploma, aproveitou a ocasião para lembrar que em alguns casos a utilização de pesticidas pode contaminar os terrenos agrícolas e os produtos cultivados.

Segundo o Diário de Notícias da Madeira, o diploma pretende assim que sejam "implementados regimes de fiscalização da utilização destes produtos" e que se aposte na formação dos agricultores e dos vendedores de agroquímicos.

Plano Nacional de Pesquisa de Resíduos

COMUNICADO

Tendo em conta as dúvidas que a utilização da substância ativa glifosato, como herbicida, têm suscitado na opinião pública, o Ministério da Agricultura esclarece:

 O Ministério da Agricultura, através da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), realiza as análises constantes do Plano Nacional de Pesquisa de Resíduos (PNPR), que incidem sobre vegetais, produtos de origem animal e alimentos processados para lactentes e crianças.

 O PNPR é revisto anualmente em função das diretrizes comunitárias, que determinam a lista de substâncias a pesquisar e a lista de alimentos que devem ser controlados.

 A DGAV tem cumprido o PNPR realizando, sistematicamente, mais análises, aumentando o número de amostras recolhidas por tipo de alimento e alargando a lista de alimentos a controlar.

 Para 2016, o programa comunitário determinou a recolha e análise de 130 amostras, a retirar de 9 produtos vegetais. Em Portugal serão feitas análises adicionais a mais 10 produtos, estando prevista a recolha de mais 100 amostras.

 O glifosato nunca fez parte da lista de substâncias a pesquisar, tendo sido determinada a sua introdução no PNPR apenas em 2016. Foi determinada a pesquisa de glifosato em sementes de centeio.

 A recolha de amostras é programada anualmente em conjunto com as Direções Regionais de Agricultura e Pescas, decorrendo neste momento a fase de recolha.

 Desde novembro de 2015 que o uso profissional de produtos fitofarmacêuticos, incluindo o glifosato, está sujeita a formação específica para os aplicadores, incluindo as Câmaras Municipais.

 O Ministério da Agricultura acompanha, ao mais alto nível, os estudos e avaliação científica de substâncias utilizadas na agricultura e na pecuária suscetíveis de afetar a saúde humana.

 Na sequência das observações da Agência Internacional de Investigação para o Cancro, que apontavam para possíveis efeitos cancerígenos da substância ativa, e da exaustiva reanálise dos estudos e informações disponíveis pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, foi concluído que o potencial carcinogénico identificado está associado, não ao glifosato, mas sim à presença, em certos produtos fitofarmacêuticos contendo glifosato, de um co-formulante (taloamina) que, na sequência da avaliação adicional conduzida, evidenciou um potencial genotóxico.

 O Comité de Peritos da União Europeia reunirá a 18 de maio para analisar e decidir sobre a utilização futura do glifosato a nível europeu. Caso não haja consenso sobre a matéria, o processo transita para uma instância superior.

Lisboa, 30 de abril de 2016

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Pneus agrícolas: multinacional investe €60 milhões em fábrica em Portugal


 25 Abril 2016, segunda-feira  TecnologiaAgricultura

O Grupo Continental vai investir 60 milhões de euros numa nova unidade em Portugal, destinada à produção de pneus agrícolas, que deve entrar em funcionamento em 2017, anunciou o diretor geral da Continental Pneus Portugal.
pneus
Segundo Pedro Teixeira, a nova instalação, que já começou a ser construída, deve começar a produzir pneus agrícolas a partir do segundo semestre de 2017 e criar entre 120 a 125 postos de trabalho diretos.
A nova unidade situa-se ao lado da já existente fábrica de pneus Continental Mabor, em Lousado (Vila Nova de Famalicão), que está também em expansão.
«O projeto a longo prazo é produzir 20 milhões de pneus por ano até 2020, o que significa mais de 50 mil pneus por dia», adiantou o mesmo responsável numa conferência de imprensa.
O Grupo Continental, que emprega cerca de 2.200 pessoas em Portugal, conta com cinco empresas em território nacional: Continental Lemmertz (que fornece componentes automóveis à fábrica da Volkswagen em Palmela, a Autoeuropa), Continental Teves (sistemas de travões), Indústria Têxtil do Ave (telas têxteis para pneus), Continental Mabor (pneus) Continental Pneus Portugal (comercialização).
Entre 2012 e 2015, a facturação da Continental em Portugal cresceu cerca de 40%, atingindo os 71,8 milhões de euros no ano passado (+10,3% do que os 65,1 milhões registado em 2014).
Apesar do aumento das vendas, os lucros tiveram um decréscimo de quase 10%, passando de 1,041 milhões de euros em 2014 para 938 mil euros no ano passado, o que Pedro Teixeira justificou com fatores como uma provisão de cobranças duvidosas que não foi usada em 2014 e o início de um contrato quilométrico no ano passado, «que implica um nível de investimento que só é recuperado no fim».
O grupo tem planos para continuar a desenvolver-se em 2016, estimando «crescer em linha» com as estimativas de 2,6% para o mercado de pneus para ligeiros e acima do crescimento de 10% previsto para o mercado de pesados, de acordo com o diretor geral da Continental Pneus Portugal.
A estratégia passa também pelo alargamento da cobertura geográfica da rede de oficinas ContiService, que presta serviços de pneus e mecânica, e conta atualmente com 18 pontos de venda.
Pedro Teixeira salientou que, depois do investimento de 700 mil euros feito no ano passado, o objetivo é chegar a 2020 com uma rede de 100 agentes ContiService, de norte a sul do país.
Fonte: RR

Suinicultura: António Costa defende alteração ao embargo com a Rússia



 22 Abril 2016, sexta-feira  AgropecuáriaAgricultura

O primeiro-ministro, António Costa, defendeu esta quinta-feira, em Leiria, uma alteração ao embargo com a Rússia para resolver a «curto prazo» a situação de crise que o setor da suinicultura atravessa.

«Não creio que tenha solução de curto prazo que não passe por uma alteração de política da União Europeia, em matéria designadamente das relações e do embargo com a Rússia», afirmou António Costa, que falava num jantar em Leiria, que contou com a presença de vários empresários e autarcas da região.
A criação de exceções ao embargo com a Rússia seria «absolutamente essencial» para resolver a crise que a suinicultura nacional está a atravessar, sublinhou.
Segundo António Costa, o Governo também pode fazer «trabalho diplomático relativamente à abertura de mercados» e eliminação de barreiras para a importação da carne de porco portuguesa para outros países.
O governante recordou as linhas de crédito «que existem e que podem servir para satisfação de necessidades fundamentais», bem como a possibilidade de um «esforço diplomático» por parte do Governo «em mercados como a China».
No entanto, para António Costa, «a questão do embargo russo é uma questão crítica».
«Hoje, ao nível da União Europeia, nem todos temos a mesma sensibilidade relativamente à questão do relacionamento com a Rússia», disse, recordando que para alguns Estados-membro não há «uma grande abertura para que haja exceções», como «porventura» Portugal não teria se estivesse «na posição geográfica» desses países.
O governante sublinhou ainda que «há um esforço grande» por parte do Governo «junto das grandes superfícies, tendo em vista a alargar a aquisição de carne portuguesa».
Fonte: Lusa

Clima, castas e "terroir" em debate no Congresso Internacional de Vitivinicultura



 26 Abril 2016, terça-feira  Viticultura

Nos dias 19 e 20 de maio de 2016, o Teatro Municipal de Vila Real recebe a quinta edição do InfoWine.Forum – Congresso Internacional de Vitivinicultura.
vinhos
Em debate estarão temas como o solo, o clima, as castas, as técnicas, mas também o "terroir" e a criatividade.
O programa conta com diversos especialistas entres eles Laurent Dulau, especialista em vinhos e diretor geral da Sturia, uma das líderes mundiais na produção de caviar; Mário Santos, docente e investigador da UTAD na área da ecologia aplicada e que nos propõe novas formas de construir uma vinha; Vicente Ferreira investigador na área da química analítica da Universidade de Zaragoza e ainda Pedro Abrunhosa, que marca presença neste evento para falar da experiência emoção/vinhos.
A iniciativa conta com empresas, produtores, investigadores, jornalistas de vinho, enólogos e enófilos.
A edição deste ano do Congresso está associada à inauguração do Parque de Ciência e Tecnologia e conta com o seu apoio, assim como da UTAD e do município de Vila Real.
O infowine.forum é um congresso de caráter técnico-científico, nas áreas da Viticultura, Enologia e Mercados e, de acordo com os promorores, «tem como objetivo valorizar a investigação, pública e privada, salientando a sua função como motor de inovação e abertura ao serviço do setor vitivinícola».
Nos anos ímpares, o congresso tem lugar em Itália (enoforum), sendo o maior evento técnico a nível europeu, com cerca de 1000 participantes.
O evento é promovido pela VINIDEAs.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Resineiros regressam às florestas



 20 Abril 2016, quarta-feira  Agroflorestal

O setor da resinagem em Portugal, depois das fulgentes décadas de 60, 70 e 80, e posterior declínio, parece voltar a despertar interesse e já há resineiros nas florestas.
resina
Ainda são em pequeno número os que retomam a atividade, mas nas Terras do Demo já há pinheiros sangrados e uma certeza: a exploração da floresta é de novo rentável e já compensa mais plantar pinheiros, do que eucaliptos.
Tempos houve em que todos os pinheiros com porte suficiente para poderem ser sangrados, eram visitados pelos resineiros. Lata às costas, ferro e espátula na mão e toca a sangrar.
«Com o ferro dá-se um corte no pinheiro e coloca-se o caneco para aparar a resina», explica Gilberto Ramos, presidente dos Baldios terras de Aquilino. O púcaro leva três meses a encher, sendo que cada pinheiro dará entre 2 a quatro quilos de resina.
Nestes baldios são explorados 500 hectares de floresta entre Vila Nova de Paiva e Moimenta da Beira. O dirigente associativo garante que «o regresso dos resineiros já permite manter viva a floresta». Feitas as contas, diz, «já não compensa plantar eucaliptos».
O interesse nesta matéria-prima, da qual Portugal foi já o segundo maior exportador do mundo, está a levar os resineiros de volta aos pinhais. Dados do sector apontam para que a atividade cresça 10% ao ano. Longe das 140.000 toneladas em 1984, mas com o declínio quebrado a produção atinge hoje entre 6 a 8 mil toneladas ano.
A resinagem pode ocupar um operador florestal entre seis a nove meses por cada 30 hectares de floresta. Pedro Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Soutosa acredita que «a atividade pode ainda ajudar à fixação de pessoas nas terras do interior».
Depois de sangrado o pinheiro continua a crescer e a produzir resina. Cheio, cada púcaro é comprado a 40 cêntimos e depois é usado na medicina, farmacêutica, cosmética, borrachas e até na indústria alimentar.
Fonte: TSF

Vespa do castanheiro: autoridades lançam alerta



 25 Abril 2016, segunda-feira  AgroflorestalAgricultura

O Ministério da Agricultura em colaboração com a Associação Portuguesa da Castanha (RefCast) estão a alertar os agricultores para o perigo da existência da Vespa das Galhas do Castanheiro.
castanheiro
Para tal, aconselham todos os agricultores, no caso de detetarem sintomas desta praga, que reportem a situação aos Serviços Regionais de Agricultura mais próximos (Zona Agrária) ou, no caso do município de Moimenta da Beira o Gabinete Florestal da autarquia pelo e-mailgflorestal@cm-moimenta.pt ou pelo telefone 935 520 111.
A Vespa do Castanheiro, originário da China, ataca as plantas do género da Castanea, causando a formação de galhas nos gomos e nas folhas, provocando a diminuição do crescimento dos ramos e impedindo a frutificação, podendo conduzir ao declínio e morte dos castanheiros.
O inseto foi detetado na Europa (Itália) em 2002 e já se expandiu a outros países, sendo os mais recentes a Espanha (Catalunha) e Portugal (Entre Douro e Minho) em 2014.
É atualmente considerada uma das pragas mais prejudiciais aos castanheiros em todo o mundo, e na Europa pode constituir uma séria ameaça à sustentabilidade de soutos, pomares e castinçais.

HUSQVARNA: PROCURAMOS 60 AVALIADORES OFICIAIS DO AUTOMOWER(R)

Sogrape considerada a melhor produtora vitivinícola do mundo


por Ana Rita Costa- 22 Abril, 2016

A Sogrape Vinhos recebeu, pelo segundo ano consecutivo, a distinção de melhor produtora vitivinícola mundial em 2016, atribuída pela World Association od Writers and Journalists of Wines and Spirits (WAWWJ).

"A distinção do primeiro ano foi sem dúvida surpreendente e memorável, mas sermos distinguidos pela segunda vez consecutiva trouxe-nos uma alegria ainda maior! Sermos duas vezes eleitos a melhor empresa de vinhos do mundo veio consolidar uma prova do elevado reconhecimento internacional que o desempenho da Sogrape e qualidade dos seus vinhos tem merecido, o que lhe vale uma posição de grande destaque como referência ibérica de vinhos de qualidade", refere Fernando da Cunha Guedes, CEO da Sogrape.

A edição deste ano distinguiu também o Sandeman Porto Tawny 40 Years Old, o que de acordo com a Sogrape Vinhos o classifica como "o vinho português mais bem classificado no ranking".

O ranking das 100 melhores produtoras mundiais é elaborado anualmente pela organização mundial dos críticos e jornalistas especializados e baseia-se em diversos critérios de análise, nomeadamente a avaliação dos prémios conquistados por cada produtor num conjunto selecionado de concursos internacionais realizados ao longo do ano.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um dia para promover e valorizar a gastronomia nacional


Abr 19, 2016Destaque Home, Notícias0Like

A 29 de Maio assinala-se o primeiro Dia Nacional da Gastronomia (DNG). Nesta edição, Aveiro será a cidade onde decorrem a maioria das acções que visam a promoção e valorização da cultura gastronómica nacional. No entanto, todo o País é chamado a celebrar os produtos nacionais e as suas múltiplas formas de confecção.

A estação de comboios de Santa Apolónia, em Lisboa, foi o local escolhido, a 19 de Abril, para apresentação do programa desta efeméride, aprovada em Assembleia da República em Junho de 2015.  Olga Cavaleiro, presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas, alerta para a importância «económica» da gastronomia que é um atractivo turístico, mas também é potenciador dos produtos da agricultura e pescas.

cartaz gastronomia

Aveiro integra a Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal. Pedro Machado, presidente desta instituição afiança que o DNG visa «valorizar os produtos regionais e as confrarias». O mesmo responsável diz ainda que este dia «é um hino a um elemento importante da cultura nacional» e destaca o carácter identitário que gastronomia tem nos territórios.

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (Ahresp) é outras das entidades parceiras neste evento. Jorge Loureiro, vice-presidente, comenta que o DNG é uma forma de «dar visibilidade à gastronomia» e àqueles que trabalham a mesma, quer as confrarias, quer cozinheiros profissionais que lançam novas tendências.

O programa do Dia Nacional da Gastronomia é vasto e faz-se com ementas especiais nos restaurantes, exposições, mostras gastronómicas, histórias em torno da comida, demonstrações de culinária ao vivo.

A revista Frutas, Legumes e Flores é parceira na "Exposição que se come e se bebe", uma mostra de alimentos que ao final do dia podem ser provados. De salientar ainda acções como a dos CTT – Correios de Portugal, que vai fazer um selo do Dia Nacional de Gastronomia com um carimbo da cidade de Aveiro.

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Raul Moreira, director de Filatelia dos CTT – Correios de Portugal, comenta desta forma a importância da gastronomia: «Temos 50 milhões de selos sobre gastronomia e doçaria portuguesas espalhados pelo Mundo». O responsável adianta em, em 2017, poderão fazer uma edição de selos de base de expedição – aqueles que se usam normalmente na correspondência – sobre a doçaria tradicional portuguesa.

O Dia Nacional da Gastronomia será assinalado no último domingo de cada mês de Maio.

Governo quer criar 80 cooperativas agrícolas por ano


O objetivo da medida é apoiar os jovens "a criar 80 cooperativas agrícolas ou a promover a criação de emprego em cooperativas já existentes"

O Governo quer criar 80 cooperativas agrícolas por ano para promover o emprego, prevendo abranger 2.750 jovens, segundo o Plano Nacional de Reformas hoje aprovado no Conselho de Ministros.

O objetivo da medida é apoiar os jovens "a criar 80 cooperativas agrícolas ou a promover a criação de emprego líquido em cooperativas já existentes".

O programa, com um custo estimado de 13,9 milhões de euros e financiado através do Portugal 2020, será avaliado pela Comissão Permanente da Concertação Social 18 meses após entrar em vigor.

Cooperativas agrícolas e artesanato para jovens desempregados

Programas para que jovens desempregados criem produtos artesanais ou que promovam cooperativas agrícolas são algumas das medidas previstas no Programa Nacional de Reformas, hoje aprovado em Conselho de Ministros.

O Programa Nacional de Reformas (PNR) apresenta quinze medidas para a requalificação dos portugueses, avaliadas em cerca de seis mil milhões de euros.

A pensar nos jovens que não estão a trabalhar nem a estudar, os NEET ("Not in Education, Employment, or Training"), o PNR apresenta várias medidas, entre as quais conseguir fazer uma "identificação precoce de 55 mil NEET", até 2020.

Além da sinalização destes jovens, o PNR prevê ainda o desenvolvimento de estágios profissionais, o apoio à sua contratação e o incentivo para que voltem a estudar. No total, estas iniciativas destinadas a 625 mil jovens NEET terão um custo de 995 milhões de euros. Sem custos previstos, uma vez que a ideia é potenciar os recursos já existentes, cerca de três mil desempregados poderão participar em um programa relacionado com a produção de produtos artesanais.

Desenvolver a criação de 80 cooperativas agrícolas por jovens desempregados/NEET, em projetos que pretendem envolver 2.780 jovens, são outras das medidas avaliadas em quase 14 milhões de euros, segundo o documento hoje divulgado. Com o apoio do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) será ainda dada formação a 75 mil pessoas. Segundo o documento hoje divulgado, a formação dada pelo IEFP vai custar ao Estado cerca de seis milhões de euros, e destina-se a desempregados mas também a pessoas em atividade.

Outra medida, menos onerosa, prende-se com o aumento do número de pessoas com competências nas áreas das novas tecnologias: o PNR disponibiliza 55 milhões para formar 20 mil pessoas em competências digitais até 2020.

Sem custos previstos, o executivo tem por objetivo iniciar, dentro de dois meses, uma avaliação dos impactos das políticas ativas de emprego e concentrar num espaço único - que poderá ser físico ou virtual -- de todas as interações de desempregados nos processos de procura ativa de emprego, assim como dos empregadores nos processos de seleção e contratação de novos trabalhadores.

Governo quer lançar Programa Nacional de Regadios



GONÇALO VILLAVERDE / GLOBAL IMAGENS
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A "primeira preocupação" é "encontrar os meios financeiros para continuar a pagar aos empreiteiros

O Governo pretende lançar um Programa Nacional de Regadios com cerca de 90 mil hectares, metade dos quais para a expansão do Alqueva, que poderá ser financiada pelo Plano Juncker, revelou hoje o ministro da Agricultura.

O Programa Nacional de Regadios, "que corresponde a cerca de 90 mil hectares em todo o país, metade dos quais no Alqueva", está integrado no Programa Nacional de Reformas, aprovado hoje em Conselho de Ministros, explicou Luís Capoulas Santos, aos jornalistas, em Beja, após ter participado na sessão de abertura da feira de agropecuária Ovibeja.

Segundo o ministro, uma das fontes de financiamento previstas para o programa é o Plano Juncker, o Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos, com o qual o Governo está, atualmente, "a negociar o financiamento de cerca de 200 milhões de euros" necessário para expandir a área de regadio do Alqueva em mais 45 mil hectares, além dos 120 mil inicialmente previstos no projeto e que deverão ficar concluídos na atual campanha de rega.

Na sua intervenção na sessão de abertura da Ovibeja, Luís Capoulas Santos disse que "já foram iniciados contactos no sentido de se poder eventualmente vir a garantir o financiamento" da expansão do Alqueva através do Plano Juncker.

"O problema", sublinhou, "é que empréstimo implica endividamento, aumento da dívida do Estado, o que, naturalmente, terá de ser assumido pelas Finanças".

No entanto, "estamos a tentar negociar um empréstimo em termos de prazo e de um período de carência, que permita algum alívio nas contas", afirmou o ministro, considerando "impensável" parar o projeto Alqueva, devido ao "sucesso que tem tido", "por falta de financiamento" e "por mais difíceis que sejam as condições financeiras do Estado português".

Ainda em relação ao Alqueva, a situação que o Governo PS encontrou "foi que a fonte de financiamento" do projeto terminou em 31 de dezembro de 2015 e ainda com obras em curso, que decorrerão até julho e agosto deste ano sem que para elas tivesse sido garantido qualquer financiamento".

Portanto, a "primeira preocupação" é "encontrar os meios financeiros para continuar a pagar aos empreiteiros, cujas obras foram adjudicadas, estavam em curso e se espera que sejam concluídas nos prazos", referiu, indicando que "a solução para esse financiamento está praticamente encontrada".

"Mas temos agora o problema de maior dimensão", ou seja, encontrar financiamento para expandir a área de regadio do Alqueva em mais 45 mil hectares, "o que implica um investimento adicional de cerca de 200 milhões de euros, para o qual não estava, nem está ainda garantido qualquer financiamento", disse.

Isto porque estão "totalmente comprometidos" cerca de 300 milhões de euros dos 350 milhões de euros para o regadio previstos no novo Programa de Desenvolvimento Rural (PDR) 2014-2020, "onde inicialmente pensava que pudéssemos recorrer para concluir o Alqueva", explicou.

"Portanto, temos apenas no PDR cerca de 50 milhões de euros eventualmente disponíveis para uma necessidade de financiamento adicional de cerca de 200 milhões de euros", referiu.

Segundo Luís Capoulas Santos, o novo PDR "nasceu com alguns problemas" e o atual Governo, quando tomou posse, encontrou uma situação "de total bloqueio", que, atualmente, "está desbloqueada".

No âmbito do PDR, "estamos a aprovar cerca de 1.200 projetos por mês, dos 26.000 que entretanto se acumularam, o que quer dizer que teremos a situação normalizada daqui por um ano", disse.

Capoula inaugura a OVIBEJA



Numa sessão de abertura marcada por momentos de grande emotividade, o Ministro da Agricultura associou-se à homenagem que a ACOS prestou ao seu fundador, e fundador da Ovibeja, eng Castro e Brito, que faleceu há menos de um mês.

Capoulas Santos, que esteve presente em todas as edições da Ovibeja, sublinhou o caráter de Castro e Brito e lamentou o seu desaparecimento precoce, desejando agora "ao eng Rui Garrido, novo líder da ACOS, inspiração para continuar a obra".

O Ministro da Agricultura dedicou algumas palavras aos agricultores, afirmando: "sempre estive ao lado dos agricultores e da agricultura e assim continuarei a estar". O Ministro acrescentou: " há constrangimentos, estamos aqui para ajudar a ultrapassá-los" e deu como exemplo a situação do Plano de Desenvolvimento Rural, dizendo que "os bloqueios do PDR 2020 estão ultrapassados, estamos a contratar mil e 200 projetos por mês".

O titular da pasta da agricultura anunciou que "em maio apresentaremos reprogramação do PDR a Bruxelas".

Sobre o empreendimento do Alqueva, Capoulas Santos disse estar a procurar fontes de financiamento para o valor que ficou a descoberto a partir de 2015 e informou, a propósito do projecto de extensão do regadio, que "o PDR dispõe de uma ver a para financiar regadio, vamos tentar aproveitá-la para o Alqueva, em conjunto com outras soluções de financiamento que estamos a estudar".

O Ministro quis deixar uma "palavra de solidariedade com dois setores que estão a viver uma profunda crise (a suinicultura e a produção de leite) e congratulou-se "com aprovação, hoje mesmo, pelo Conselho de Ministros, das novas regras de rotulagem, uma iniciativa deste Governo que vai ao encontro de uma das principais reivindicações dos produtores de carne de porco e que, espero, possa ajudar os consumidores a identificarem melhor os nossos produtos e contribuírem para apoiar este setor, adquirindo carne de porco nacional".

GABINETE DE IMPRENSA
MINISTRO DA AGRICULTURA, FLORESTAS E DESENVOLVIMENTO RURAL

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Ovibeja homenageia Castro e Brito


QUARTA, 20 ABRIL 2016 15:31

A 33ª Ovibeja abre portas ao público na quinta-feira, 21 de abril, a partir das 11:00 horas. A sessão de abertura está agendada para as 16:00 horas, na presença do Ministro da Agricultura, Capoulas Santos. Esta edição da Ovibeja é marcada pela ausência física do seu mentor, Manuel de Castro e Brito, falecido recentemente, que vai ser evocado em dois momentos. O primeiro decorre durante a sessão inaugural, no Auditório do NERBE. O segundo momento de homenagem, a que se associa o Presidente da República, acontece no sábado, dia 23 de abril, numa acção a decorrer na Alameda Principal da Ovibeja.

Com mais de mil expositores, a 33ª Ovibeja mobiliza os mais diversos setores de actividade, com destaque para a nova realidade do mundo agrícola. "Terra Fértil" – Mostra de Inovação Agrícola e Agribusiness" é um dos temas principais que envolve apresentação, demonstração e colóquios sobre temáticas da ordem do dia. As raízes da terra e o engenho das gentes também vão estar em destaque no Pavilhão do Cante e Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais. Os produtos agro-alimentares, as provas e demonstrações com animais, os equipamentos e maquinaria agrícola de última geração, os restaurantes de raças certificadas, as inúmeras tasquinhas de comes e bebes são mais alguns dos muitos ingredientes de uma feira que é feita pelos seus participantes e visitantes.

Presidente da República no “Redescobrir a Terra”


QUARTA, 20 ABRIL 2016 16:09

O Presidente da República visitou no dia 18 de abril a Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa, no âmbito "Redescobrir a Terra" – uma iniciativa promovida pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e pelo Fórum Estudante, e desenvolvida em parceria com instituições de ensino no território nacional. O programa tem como objetivo central sensibilizar os jovens, prioritariamente entre os 6 e os 18 anos, para a importância estratégica da agricultura, do mundo rural, do ambiente e do desenvolvimento sustentável, para que, enquanto cidadãos, desenvolvam uma consciência cívica sobre a relevância destes setores e venham a apoiá-los ao longo da sua vida. Pretende-se também capacitar os jovens para que possam optar por carreiras profissionais na área da agricultura, fornecendo-lhes informação adequada sobre as potencialidades do setor, as necessidades de mão-de-obra e as caraterísticas da oferta formativa, promovendo deste forma o seu espírito empreendedor.

ACOS tem novo presidente



 19 Abril 2016, terça-feira  AgropecuáriaAgricultura

Rui Garrido é o novo presidente da associação promotora da Ovibeja, a ACOS - Agricultores do Sul.

O engenheiro agrónomo Rui Garrido foi eleito esta semana presidente da ACOS, sucedendo no cargo a Manuel Castro e Brito, que morreu recentemente.
«É um desafio suceder a Manuel Castro e Brito, que tinha uma personalidade muito forte e vincada e uma dedicação excecional à ACOS e aos seus projetos», como a Ovibeja, declarou Rui Garrido, de 61 anos, que era vice-presidente da anterior direção da associação.
Rui Garrido, que é sócio-gerente de uma empresa da área de consultoria, gestão e investimento agrícola e florestal com sede em Beja, foi eleito na assembleia-geral da ACOS, que decorreu esta segunda-feiraa e a três dias do início da edição deste ano da Ovibeja, a realizar entre quinta-feira e dia 25 deste mês.
Segundo o novo presidente da ACOS, Manuel Castro e Brito, que morreu no passado dia 29 de março, em casa, na aldeia de Baleizão, no concelho de Beja, vítima de doença súbita, vai ser homenageado duas vezes na edição deste ano da Ovibeja.
A primeira homenagem vai decorrer na sessão de abertura do certame de agropecuária, marcada para quinta-feira, às 16h00, com a presença do ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos.
A segunda homenagem, numa cerimónia aberta aos visitantes da feira, vai decorrer no sábado, às 15h00, e contar com a presença do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Natural de Baleizão, onde nasceu, a 25 de setembro de 1950, Manuel Castro e Brito era agricultor e presidente da ACOS e da comissão organizadora da Ovibeja desde 1989 e da Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo desde 2004.
Em 2005, durante a sessão de inauguração da Ovibeja, Manuel Castro e Brito foi condecorado pelo então presidente da República, Jorge Sampaio, com o grau de comendador da Ordem de Mérito Agrícola, Comercial e Industrial na Classe de Mérito Agrícola.
Em 2003, Manuel Castro e Brito foi condecorado pela Assembleia Municipal de Beja com a Medalha de Mérito Municipal (Grau Prata). 
Fonte: Lusa 

"Desafios da Agricultura e PDR2020" em debate na Ovibeja 2016



 19 Abril 2016, terça-feira  Política AgrícolaAgricultura

"Desafios da Agricultura e PDR2020". Assim se designa o colóquio que irá ter lugar, a 22 de abril de 2016, às 14h30, no auditório do Nerbe, na 33.ª edição da Ovibeja, que terá lugar de 21 a 25 de abril em Beja.
pdr2020
O seminário, promovido pela ACOS – Associação de Agricultores do Sul, conta com a presença do ministro da Agricultura, Capoulas Santos, e com outros oradores, a saber: Luís Souto Barreiros, presidente do conselho directivo do IFAP, Eduardo Dinis, diretor do GPP e Gabriela Freitas, gestora da Autoridade de Gestão do PDR2020.
Organizada pela ACOS, a Ovibeja realiza-se de 21 a 25 de abril de 2016, no Parque de Feiras e Exposições de Beja. Tem como tema na edição de 2016 "Terra Fértil – Mostra de Inovação Agrícola e Agribusiness", uma mostra de inovação agrícola e de agronegócios que reafirma o potencial agrícola da região e do país.
De acordo com dados da organização, o evento conta com mais de 1000 expositores dos mais diversos setores de atividade.
Irão decorrer inúmeros debates em torno da agricultura, projetos de investigação e empreendedorismo agrícola.

Suinicultores protestam em Rio Maior contra crise no setor

Abril 20
10:04
2016

Mais de uma centena de suinicultores concentraram-se, na zona da Benedita, Alcobaça, num plenário em protesto contra a situação do sector e decidiram rumar a Rio Maior para uma arruada.

João Correia, porta-voz dos manifestantes, diz que querem chamar a atenção para o que consideram um abuso das empresas distribuidoras, que continuam a colocar no mercado produto não português.

Considera que em causa está a dificuldade em escoar a carne de suíno, quando Portugal se mantém como um país importador, tratando-se de um logro em torno da marca Portugal.

De acordo com este empresário, o sector registou, nos últimos quatro meses, uma quebra de 30%, o que leva a temer o fecho de muitas empresas.

O sector é responsável por 200 mil empregos e o suinicultor estima que, a manter-se esta situação, 50 mil pessoas corram risco de desemprego.

Neste protesto um dos manifestantes ficou ferido, devido a confrontos com a GNR, mas não pensam desistir. O tratamento que tiveram pelas forças da ordem só vem dar ênfase para que as pessoas se manifestem, acrescentou João Correia.

LUSA

Festa do Alvarinho de Melgaço envolve universidades para melhorar produtos endógenos


Abril 20
10:04
2016

Melhorar a qualidade do vinho Alvarinho e dos enchidos e do fumeiro de Melgaço é o objectivo da Câmara Municipal que, este ano, decidiu envolver na festa dedicada àqueles produtos endógenos vários estabelecimentos de ensino superior do país.

O Presidente da Câmara Municipal, Manuel Batista, acredita que este território tem necessidade do acréscimo de conhecimento que as universidades e institutos politécnicos do país podem trazer para ajudar a apurar a qualidade dos nossos produtos.

Manoel Batista adiantou que após a cerimónia solene de abertura do certame, dia 22 de Abril, às 18:00, presidida pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, irá decorrer, na Câmara Municipal, uma reunião de trabalho, presidida pelo governante e com os responsáveis daqueles estabelecimentos de ensino superior, onde serão apresentados projectos inovadores ligados ao território, quer no que diz respeito ao Alvarinho quer ao fumeiro.

Este ano, com uma imagem renovada, a festa do Alvarinho e do Fumeiro vai contar um total de 72 expositores, distribuídos por uma área coberta, 31 dos quais de Alvarinho, da Sub-região de Monção e Melgaço, 18 de fumeiro e produtos locais, 16 de artesanato, instituições e associações, e ainda com oito tasquinhas.

A Festa do Alvarinho e do Fumeiro, organizada pela Câmara de Melgaço desde 1995.

LUSA

Diploma sobre rotulagem obrigatória da carne de porco será aprovado na quinta-feira


Abril 20
10:03
2016

O Ministro da Agricultura, Capoulas Santos, revelou que o diploma sobre a rotulagem obrigatória da carne de porco será aprovado em Conselho de Ministros, nesta quinta-feira, e vai aplicar-se também à carne de ovino, caprino e aves.

O Ministro da tutela, explicou que o diploma que será aprovado na quinta-feira, obriga a que o nome do país de origem seja escrito por extenso, para que os consumidores fiquem mais bem informados sobre a origem dos produtos que consomem. Também será obrigatória para carnes de outros países, cujo nome também terá de ser escrito por extenso.

Capoulas Santos acrescentou, que também já apelou à indústria de lacticínios para que, nos pacotes de leite, queijo e manteiga, seja claramente posta a identificação nacional, eventualmente até a bandeira nacional, uma ideia que o Ministro reforçou.

O Ministro reafirmou também que vai ser atribuído aos agricultores um prémio por cada vaca, estimando que poderá haver, para esse efeito, uma verba superior a oito milhões de euros, que poderá traduzir-se num apoio médio de 40 euros por vaca.

LUSA

Resineiros regressam às florestas



 20 Abril 2016, quarta-feira  Agroflorestal

O setor da resinagem em Portugal, depois das fulgentes décadas de 60, 70 e 80, e posterior declínio, parece voltar a despertar interesse e já há resineiros nas florestas.
resina
Ainda são em pequeno número os que retomam a atividade, mas nas Terras do Demo já há pinheiros sangrados e uma certeza: a exploração da floresta é de novo rentável e já compensa mais plantar pinheiros, do que eucaliptos.
Tempos houve em que todos os pinheiros com porte suficiente para poderem ser sangrados, eram visitados pelos resineiros. Lata às costas, ferro e espátula na mão e toca a sangrar.
«Com o ferro dá-se um corte no pinheiro e coloca-se o caneco para aparar a resina», explica Gilberto Ramos, presidente dos Baldios terras de Aquilino. O púcaro leva três meses a encher, sendo que cada pinheiro dará entre 2 a quatro quilos de resina.
Nestes baldios são explorados 500 hectares de floresta entre Vila Nova de Paiva e Moimenta da Beira. O dirigente associativo garante que «o regresso dos resineiros já permite manter viva a floresta». Feitas as contas, diz, «já não compensa plantar eucaliptos».
O interesse nesta matéria-prima, da qual Portugal foi já o segundo maior exportador do mundo, está a levar os resineiros de volta aos pinhais. Dados do sector apontam para que a atividade cresça 10% ao ano. Longe das 140.000 toneladas em 1984, mas com o declínio quebrado a produção atinge hoje entre 6 a 8 mil toneladas ano.
A resinagem pode ocupar um operador florestal entre seis a nove meses por cada 30 hectares de floresta. Pedro Sousa, presidente da Junta de Freguesia de Soutosa acredita que «a atividade pode ainda ajudar à fixação de pessoas nas terras do interior».
Depois de sangrado o pinheiro continua a crescer e a produzir resina. Cheio, cada púcaro é comprado a 40 cêntimos e depois é usado na medicina, farmacêutica, cosmética, borrachas e até na indústria alimentar.
Fonte: TSF

OGM’s: em 2015 registou-se uma redução de 1% nas superfícies mundiais



 20 Abril 2016, quarta-feira  Cerealicultura

Pela primeira vez, desde há vários anos, a área mundial cultivada com sementes OGM diminuiu 1%, sobretudo, devido à redução nos Estados Unidos.
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Esta diminuição é, no entanto, justificada com a baixa do preço mundial dos cereais e oleaginosas.
Em 2015, foram semeados 179,7 milhões de hectares de culturas OGM, contra os 181,5 milhões em 2014. As maiores reduções deram-se na cultura do milho (-4%) e do algodão (-5%).
Em 2013 e 2014, o aumento das áreas já tinha registado um pequeno crescimento de 3%, longe dos 8% registados em 2011 e os 6% de 2012.
Neste momento, 87% da área semeada situa-se no Continente Americano, sendo que os Estados Unidos são os recordistas, com 70,9 milhões de hectares, o que representa uma diminuição em relação a 2014, onde o valor foi de 73,1 milhões de hectares.
Em segundo lugar vem o Brasil, com 44,2 milhões de hectares (+2% que em 2014) e a Argentina com 24,5 milhões de hectares (+2% que em 2014). Estes três países representam mais de 75% das áreas totais a nível mundial. Segue-se a índia com 11,6 milhões de hectares de algodão, o Canadá 11 milhões, a China 3,7 milhões e o Paraguai 3,6 milhões. Na União Europeia registou-se uma forte baixa (-18%), sendo que a Espanha continua no primeiro lugar com 107.749 hectares.
A soja representa 50% das sementeiras OGM, seguida do milho com 30%, o algodão 13%.
Fonte: Agroinfo

Évora acolhe workshop sobre “Viticultura Inteligente”



 15 Abril 2016, sexta-feira  Viticultura

Irá decorrer no dia 29 de abril, em Évora, um workshop sobre "Viticultura Inteligente", cujo programa contempla várias palestras no âmbito da Viticultura de Precisão e uma demonstração de campo de um robô para estimativa e mapeamento da produção de uva: projeto europeu VINBOT (Autonomous cloud-computing vineyard robot to optimise yield management and wine quality), em que participam três parceiros portugueses: o ISA, a Agriciência e a Cooperativa Agrícola da Granja.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas aqui.http://viticultura.agriciencia.com/index.php/inscricoes


A Revista AGROTEC e Agrobótica são media partners do evento.

Fonte: Revista AGROTEC