quarta-feira, 27 de março de 2019

Falta de água. Cristas acusa Governo de não ter soluções


Presidente do CDS diz que o executivo liderado por António Costa só vai "resolver situações quando elas já acontecem" em vez de tratar dos problemas de forma estrutural

22 Março 2019 — 20:07

Seca mantém-se apesar da chuva e já há a gado a "lamber a lama"
A líder do CDS-PP acusou esta sexta-feira o Governo de não ter soluções para resolver o problema estrutural da falta de água em diversas regiões do país, apesar dos sucessivos avisos do partido no parlamento para a urgência do problema.

"O ano passado assistimos Viseu a ser abastecida com camiões-cisterna. Este ano, perante esta dificuldade, o que vemos é o Governo também dizer que já tem esses camiões preparados. O Governo vai sempre a reboque", disse Assunção Cristas durante uma visita à barragem do Pego do Altar, em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, para assinalar o Dia Mundial da Água.

Segundo a presidente do CDS-PP, o executivo, liderado pelo socialista António Costa, "vai sempre resolver situações quando elas já acontecem".

"Não vemos o Governo empenhado em tratar estes problemas de forma estrutural, com uma visão a médio e longo prazos. O CDS tem-se empenhado, muitas vezes, no parlamento, a trazer essa visão, instando o Governo a que faça estudos sobre a armazenagem de água", acrescentou.

Manifestando grande preocupação com o problema da falta de água, Assunção Cristas afirmou que se tivesse de elencar dois assuntos estruturais da maior relevância para o país, provavelmente, um deles seria a água (o outro seria a demografia, realçando que "uma boa parte do território já está em seca moderada, uma parte pequena em seca severa".

Confrontar o ministro da agricultura
"A água é, de facto, uma questão estrutural, não apenas aqui para Alcácer do Sal, onde estamos, na barragem do Pego do Altar", declarou, após ouvir alguns agricultores da região defenderem a necessidade de se construírem pequenas barragens que iriam reforçar a capacidade de armazenamento de água para a produção de arroz, única cultura que é possível fazer naquela região alentejana, devido à salinidade dos solos.

Convicta de que o executivo não tem dado a devida atenção ao problema da falta de água, Assunção Cristas promete voltar a questionar o ministro da Agricultura, que acusa de ter perdido a oportunidade de resolver alguns destes problemas nos últimos quatro anos.

"O senhor ministro da Agricultura, há quatro anos, já podia ter preparado os planos para desenvolver, a sério, o regadio em várias zonas do país. E não só isso. Em conjunto com o ministro do Ambiente, poderia também ter escolhido as zonas do país onde precisamos de investimentos para barragens de dimensões diferentes, umas maiores, de fins múltiplos, outras mais pequenas", acrescentou.

Para Assunção Cristas, o Governo, "que está refém das esquerdas, o que tem é um acordo que lhe permite governar, mas onde a palavra barragem é simplesmente riscada e postergada de qualquer hipótese de desenvolvimento e de investimento", reiterando que o executivo "já vai atrasado muitos anos no estudo e no planeamento dos investimentos necessários um pouco por todo o país" e não apenas para o setor da agricultura.


Observatório diz que recuperação da produção agrícola levará anos


MOÇAMBIQUE 21-03-2019 19:00

Lusa
O diretor-executivo do Observatório do Meio Rural, João Mosca, admitiu hoje que a recuperação da produção agrícola do centro de Moçambique poderá levar vários anos, pelo que o país precisará de apoio internacional. O responsável daquela organização da sociedade civil moçambicana falava hoje à agência Lusa, em Maputo, sobre as consequências da passagem do ciclone Idai pelo centro de Moçambique.

«As populações perderam património pessoal e familiar e vai levar muitos anos para a economia repor essa capacidade», afirmou João Mosca. 

Apesar de ainda ser cedo para ter a dimensão dos prejuízos, a devastação causada pelo ciclone Idai é maior e a capacidade de produção e padrão de vida das populações foram destruídos, acrescentou João Mosca.

O diretor-executivo do Observatório do Meio Rural assinalou que as inundações e os ventos fortes destruíram grandes superfícies de produção agrícola e pecuária, atingindo empresas e famílias que se dedicam ao setor. «A situação é gravíssima, abrange uma superfície muito grande, com muita população, numa zona de produção, agrícola e pecuária», frisou.

A região centro de Moçambique é um importante centro de produção de cereais, açúcar, fruta e hortícolas e a destruição causada pelo ciclone Idai poderá encarecer os produtos.

«O que é importante é o que acontece depois das cheias, será preciso ver como é que aquele potencial produtivo pode ser recomposto e isso vai exigir muita concentração de meios», assinalou.

Mosca enfatizou que também será necessária capacidade institucional para a recuperação da capacidade produtiva do centro de Moçambique, principalmente na província de Sofala, para ajudar as populações a recuperarem o poder de geração de alimentos.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alertou hoje para o impacto negativo no abastecimento de cereais no país, devido ao Idai, assinalando que a região centro contribui com 40% a 50% de cereais produzidos em Moçambique.

«Apesar de os resultados da avaliação dos prejuízos não estarem ainda disponíveis, espera-se que a perda de culturas seja extensa nas áreas afetadas pelo ciclone Ida«", lê-se numa avaliação preliminar da FAO divulgada hoje em Maputo.

A produção de cereais no centro do país, prossegue o documento, poderá ficar abaixo da média dos últimos anos, refere aquela organização.

A FAO assegura que é esperado um agravamento do preço de produtos como milho, confirmando uma tendência que se já se verifica desde o início do ano.

terça-feira, 26 de março de 2019

Regantes de Campilhas e Alto Sado no Alentejo preveem “ano de calamidade”


25/3/2019, 15:35109

Com os níveis "tão baixos" nas bacias hidrográficas e "mais de 3.700 hectares sem água para cultivo", na campanha primavera/verão, os agricultores anteveem "o ano mais difícil de todos".

As barragens de Campilhas e Fonte Serne, no concelho de Santiago do Cacém apresentam um armazenamento de água de 16,3% e 33,8%, respetivamente
EDUARDO COSTA/LUSA

A Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS) prevê "um ano de calamidade" na zona, em termos agrícolas, devido à falta de água em albufeiras de Santiago do Cacém e Ourique, no Alentejo.

As barragens de Campilhas e Fonte Serne, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, apresentam um armazenamento de água de 16,3% e 33,8%, respetivamente, enquanto a de Monte da Rocha, em Ourique, no distrito de Beja, o armazenamento está nos 11,8 por cento.

Não temos qualquer reserva de água nas barragens de Campilhas, Fonte Serne e Monte da Rocha e apenas contamos com água proveniente de Alqueva, que vai regar uma pequena parte", afirmou esta segunda-feira à agência Lusa o vice-presidente da ARBCAS, Ilídio Martins.

Com os níveis "tão baixos" nas bacias hidrográficas e "mais de 3.700 hectares sem água para cultivo", na campanha primavera/verão, os agricultores anteveem "o ano mais difícil de todos".

Este vai ser mais um ano difícil, talvez o ano mais difícil de todos, porque temos água para regar 2.800 hectares, mas ficam 3.700 hectares de fora, sem qualquer acesso à água. Portanto, se não houver uma alteração de última hora, como no ano passado, estamos a ver que vai ser mesmo um ano de calamidade para muitos agricultores", alertou.


A chuva que caiu em março do ano passado permitiu "fazer uma campanha a 90 por cento" e apenas "uma pequena área" dos dois aproveitamentos hidroagrícolas de Campilhas e Fonte Serne, que fornecem o Vale de Campilhas e o Vale Diogo, no concelho de Santiago do Cacém, no litoral alentejano, "foi afetada".

"Este ano não é possível fazer qualquer área nestes dois aproveitamentos, não havendo perspetiva de qualquer tipo de produção, porque a única área que temos garantida, se não houver imprevistos no fornecimento de água da EDIA [Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva] será a zona do Alto Sado", acrescentou.

A albufeira do Monte da Rocha, que serve o aproveitamento agrícola do Alto Sado, nos concelhos de Santiago do Cacém e Ourique, "vai servir apenas 200 hectares de culturas permanentes e o abastecimento público".

"A restante área do Alto Sado, servida pela ligação a Alqueva, permitirá regar 2.800 hectares para as culturas de milho, olival e outras", disse.

Com um total de 6.500 hectares de área de cultivo, o responsável da associação de regantes disse manter "a esperança de que venha a ocorrer alguma precipitação" e, assim, alterar o atual cenário de seca, "que poderá comprometer as culturas de tomate e de arroz".

Esta semana, adiantou, a ARBCAS vai elaborar o plano de utilização da água referente à campanha primavera/verão para apresentar em assembleia geral, onde serão aprovadas as dotações e a sua distribuição por culturas e aproveitamentos, assim como os custos de cada operação.

"Ainda não decidimos que culturas vão ser feitas, ainda vamos atribuir dotações. Há um tarifário e as pessoas vão ser, de certa forma, livres de o fazer naquela zona onde existe água, mas atendendo ao tarifário não sei se haverá cultura do arroz", explicou.

"Nas zonas "onde não há água, não faremos nada. Naquelas em que há água ainda estamos a analisar a melhor forma de distribuição", referiu.

"Vamos começar a fazer o nosso trabalho que é gerir a pouca água que temos e vamos alertar e pedir ajuda ao Ministério [da Agricultura] para ter uma atenção com os nossos agricultores e ver o que se pode fazer para que não sejam desativadas as explorações agrícolas".

Água no Solo 25 Março

Traders recorrem a aplicações de streaming para negociar milho chinês


Os operadores de mercado estão a recorrer a aplicações de streaming para tentarem perceber como vão evoluir as reservas de milho e arroz, de forma a anteciparem a evolução dos preços no mercado bolsista.

17 de março de 2019 às 11:00
As aplicações de streaming conquistaram a China com vídeos curtos de adolescentes a dançar e a fazer brincadeiras estranhas. Agora, os operadores estão a usá-las para prever o futuro dos preços dos cereais.

Por exemplo, um agricultor da zona rural no nordeste do país usa o seu telefone para filmar caminhões em fila, prontos para carregar montes de milho dourado. A cerca de 3.200 quilómetros de distância, no seu escritório em Shenzhen, Honda Wei observa atentamente, examinando os comentários entusiasmados do produtor e as imagens dos campos à procura de pistas sobre a oferta e a procura.
 
"Isso dá-nos informações intuitivas sobre os mercados", disse Wei, de 33 anos, sobre a sua experiência na aplicação Kuaishou, uma plataforma de vídeos curtos financiada pela gigante da tecnologia Tencent Holdings. "Os traders estão à procura de correlações entre o sentimento dos agricultores e a flutuação dos preços futuros."

Com mais de 700 milhões de utilizadores combinados, as aplicações Kuaishou e Douyin, da Bytedance, oferecem uma enorme fonte potencial de informações no pouco transparente mercado chinês, onde os dados do governo nem sempre são os mais confiáveis ou eficientes. Recorrendo também a redes sociais, como a Weibo, os traders recolhem informações sobre plantações de safras, colheitas, reservas e vendas em tempo real, em vez de passarem horas a fazer pesquisas por telefone ou visitas presenciais, como era necessário antigamente.

Redes sociais

"A comunidade dos traders monitoriza os agricultores, que partilham o seu sentimento nas redes sociais", disse Zhang Yan, analista da Shanghai JC Intelligence, que acompanha utilizadores no Kuaishou.

Embora internacionalmente os operadores tenham usado o Twitter para rastrear oportunidades, reagindo a tudo, desde incêndios em refinarias e encalhamentos de navios até o sentimento do mercado acionista, isso não é uma opção na China, país onde a rede social com sede nos EUA está bloqueada.

Na sua avidez por dados, muitos operadores na China recorreram às aplicações de streaming, porque os agricultores começaram a filmar-se para estar em contato com outros e ajudar a melhorar a produtividade, gerir custos e maximizar os lucros. Mudanças no mercado interno de commodities contribuíram para esta tendência.

Em 2016, o país aboliu o seu programa de armazenamento de milho na região nordeste para deixar que o mercado definisse os preços. Em vez de comprar a produção, o governo agora concede subsídios aos agricultores para os incentivar a plantar. Os rendimentos na China são contidos pela restrição de variedades geneticamente modificadas e por limites às transferências de terras, o que contribui para a sensibilidade do mercado interno.

Os mistérios da produção e das reservas no principal comprador de "commodities" têm confundido operadores e analistas, agitando os mercados globais. O milho oscilou acentuadamente em novembro, quando o Departamento de Agricultura dos EUA revelou grandes mudanças nos números das reservas mundiais depois de a China ter ajustado as estatísticas da última década.

Isso tornou a disseminação e a coleta de informações nas redes sociais uma prática comum.

Em novembro, quando os preços de referência do milho na China atingiram o patamar mais alto em mais de três anos, traders com gigantes do setor - como Archer-Daniels-Midland, Cargill e Cofco - começaram a partilhar vídeos. Houve uma correlação entre os vídeos que mostravam os stocks dos agricultores e os movimentos reais dos preços, e isto bastou para estimular os operadores a instalar as aplicações. No mês passado, o contrato de futuros mais ativo da Dalian Commodity Exchange caiu 10% em relação ao pico e atingiu o ponto mais baixo desde julho.

Agricultores muito preocupados com a seca. Chuva nem vê-la


20 DE MARÇO DE 2019 - 07:12

A Comissão Permanente da Seca reúne-se esta quarta-feira para avaliar o problema, mas os agricultores dizem que não basta fazer balanços e que são precisas medidas urgentes a longo prazo para enfrentar o impacto das alterações climáticas.

Sem previsão de chuva até ao fim do mês e com as reservas de água em baixo, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) está preocupada com os efeitos na agricultura. Ouvido pela TSF, o presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, admite que a situação é muito complicada: "Estamos muito apreensivos. Vislumbra-se outra vez, infelizmente, um ano difícil. O país está outra vez a entrar num período de carência de água, não só nas barragens, mas também no solo."

Eduardo Oliveira e Sousa explica que o tempo seco e a falta de água estão a comprometer as culturas em todo o país, principalmente as plantas para a alimentação animal e as culturas de inverno, como o trigo e a cevada, mas também a campanha de primavera/ verão no que diz respeito a frutas, vinhas e culturas regadas, como o milho ou tomate.

Ouça a peça da jornalista Maria Miguel Cabo
O presidente da CAP lamenta que o problema se repita quase todos os anos e considera que é preciso encarar as alterações climáticas com um plano a longo prazo: "Há medidas que têm de ser estudadas para enfrentarmos estas alterações como sendo um padrão novo da meteorologia no nosso território, que vai obrigar a mudanças de culturas e calendários, para que o futuro não seja sempre esta agonia: 'Como é que vai ser o este ano? Vai ser bom? Vai ser mau?'", nota Eduardo Oliveira e Sousa.

A Confederação considera ainda que o Plano Nacional de Regadios, criado pelo Governo no ano passado, é insuficiente e sugere, por exemplo, a criação de instrumentos financeiros de ajuda e estudos aprofundados sobre o impacto da seca e a adoção de novas culturas.

A Comissão Permanente da Seca, que envolve diversos ministérios, vai reunir-se, esta quarta-feira, no Ministério da Agricultura. As previsões apontam para um abril seco e com pouca chuva.

Costa defende equilíbrio entre capacidade de produção e preservação do território


O primeiro-ministro, António Costa, considerou hoje que a agricultura intensiva nas zonas de Odemira e Aljezur é "um bom exemplo" do equilíbrio necessário entre a valorização da capacidade de produção e a preservação do território.


Lusa
19 Março 2019 — 19:09

A quetsão da agricultura intensiva foi levado ao debate quinzenal, que decorreu esta tarde na Assembleia da República, em Lisboa, pelo deputado único do PAN.

André Silva falou num "processo de destruição em curso do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina", provocado por um modelo agrícola que "recorre à utilização massiva de fertilizantes químicos e pesticidas", cujos "impactos na água, ar, solo e na biodiversidade são avassaladores".

"A zona de Odemira e de Aljezur é já conhecida como a Almería do Alentejo, tal é a quantidade de plástico das estufas que cobre esta região", notou o parlamentar, salientando que "o descontrolo é a norma", uma vez que "as autoridades não conseguem controlar a proliferação de estufas".

André Silva salientou que "a pressão na comunidade é crescente e os municípios não estão a conseguir dar respostas dignas à vaga de milhares de imigrantes", referindo a existência de "graves problemas no acesso aos cuidados médicos" e o facto de que "muitas pessoas vivem em condições desumanas e chocantes e sem que haja acompanhamento por parte das entidades competentes".

Apontando que "este é um problema nacional" e "um desafio ambiental e humanitário que carece de respostas por parte do Governo", o PAN propôs que o executivo "decrete uma moratória na instalação de novos abrigos e estufas nesta região até que se proceda ao aperfeiçoamento dos instrumentos de ordenamento e gestão ambiental e se garantam no território condições habitacionais e de infraestruturas de saúde e de ensino".

Em resposta, o primeiro-ministro considerou que este é "um bom exemplo" da necessidade de conjugar o "aumento da capacidade de produção nacional, da rentabilização e valorização" das capacidades de produção, com a "necessidade de preservar os equilíbrios sociais, ambientais, de ordenamento do território que a exploração intensiva do território" coloca.

É necessário "por um lado não desperdiçar o potencial de produção que o país tem, em segundo lugar assegurar a qualidade do ordenamento do território e preservar a qualidade ambiental, em terceiro lugar a proteção social de quem trabalha naquelas estufas, designadamente assegurando condições de habitação condigna e, finalmente, assegurar que aquele ecossistema produtivo é compatível com o conjunto de serviços sociais e equipamentos existentes no território, de forma a que haja um desenvolvimento harmonioso e não seja um desenvolvimento de uma destas vertentes, a vertente produtiva com sacrifício insuportável de todas as outras", referiu.

António Costa lembrou ainda que "foi constituído, em 2018, um grupo de trabalho sobre o rio Mira, para juntar as diferentes entidades da administração central com as da administração local por uma abordagem integrada aos desafios e oportunidades que se colocam no perímetro de rega".

Segundo o governante, "em dezembro foi apresentado o relatório final desse grupo de trabalho e, até ao final deste mês de março, serão tomadas as decisões para pôr em prática as conclusões do grupo de trabalho, tendo em vista responder à diversidade das necessidades".

Restrições de água no Alqueva travam novas plantações de olival


EDIA denuncia "utilização abusiva de recursos hídricos" e "sem a devida autorização". Crescem os riscos de culturas superintensivas num país com um clima cada vez mais quente e mais seco, alerta especialista


A gestão dos recursos hídricos na bacia do Guadiana e do Tejo conheceu, nas últimas semanas, uma alteração no paradigma que estava a ser seguido. Até então, a água era distribuída sem controlo rigoroso em Portugal e em Espanha. Cerca de sete mil agricultores beneficiam do sistema de regadio do Alqueva.

As restrições no acesso à água começaram em Fevereiro. A Empresa de Desenvolvimento e Infra-estruturas do Alqueva (EDIA) está a notificar "todos os beneficiários e potenciais interessados" no fornecimento de água para rega "a título precário" (todos os agricultores que têm as suas explorações fora dos blocos de rega do empreendimento), que só serão aceites as propostas para a "instalação de culturas anuais", como é o caso das culturas de melão, trigo, feijão e batata. Ou seja, fica de fora a autorização de fornecimento de água a novas culturas permanentes que são de alto rendimento como o olival, amendoal, vinha e árvores de fruto.

Barragens vazias já obrigam a abastecimentos com auto-tanques no Alentejo

Foi para acautelar a garantia de água no futuro que a EDIA tomou esta decisão. O projecto do Alqueva tem área para regar 120 mil hectares, mas as plantações e o seu fornecimento continuavam a aumentar sem controlo. Qualquer interessado que pretenda investir em áreas localizadas fora das manchas de rega deverá sempre e previamente "obter autorização da EDIA".

Supremo espanhol anula plano
Em Espanha, o Supremo Tribunal, numa decisão tomada no passado dia 15 de Março, anulou "parcialmente" o Plano Hidrológico do Tejo, por "não cumprir os caudais mínimos" nos débitos transportados do Tejo para a barragem do rio Segura, calculados em cerca de 400 milhões de metros cúbicos anuais.

Na base deste modelo de regadio estão as culturas intensivas como acontece na bacia do Guadalquivir e na bacia do Guadiana, em território espanhol e português, onde os "olivais superintensivos são muito lucrativos", refere o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CNADS), Filipe Duarte Santos, advertindo para o problema da salinização do solo. Na região espanhola da Extremadura, prossegue o investigador na área das alterações climáticas, "há imensa actividade agrícola que debita para o Alqueva muitos fertilizantes e os solos deixarão, no futuro, de ter a produção de agora".

A decisão tomada pela entidade gestora do sistema de rega do Alqueva vem reconhecer que existe, neste momento, "uma utilização abusiva de recursos hídricos" e "sem a devida autorização" fora dos blocos de rega.


A EDIA refere que o grau de optimização do sistema de rega atingiu uma dimensão (neste momento a taxa de adesão ao regadio atinge mais de 80% da área do empreendimento) que só era esperada "em fase mais madura da exploração das infra-estruturas" do projecto.


Filipe Duarte Santos defende uma "maior coordenação" entre Espanha e Portugal no que respeita aos recursos hídricos. Mas acima de tudo importa aferir em que medida a agricultura que "estamos a ter é compatível com a precipitação que temos" num contexto que exige uma "adaptação" a um clima que "é não só mais quente, mas também mais seco", frisa o presidente do CNADS.

As barragens erguidas nas bacias espanholas dos rios Tejo e Guadiana concentram no final do Inverno cerca de metade da sua capacidade máxima de armazenamento, enquanto na barragem do Alqueva, a sua reserva de água chega aos 80% da sua capacidade máxima, o que representa cerca de metade do volume que as 60 albufeiras públicas de norte a sul do país no final de Fevereiro.

quarta-feira, 20 de março de 2019

Incêndios, abandono dos campos e cultivo intensivo provocaram a praga de javalis


Caçadores estão a recorrer a soluções mais drásticas como a "caça clandestina". Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo diz que prejuízos nas culturas já ultrapassam 1 milhão de euros pelo menos.

Carlos Dias 18 de Março de 2019, 7:00 Partilhar notícia

A acção do homem está a forçar os javalis a aproximarem-se dos espaços dominados pelo ser humano. Já vão à praia e frequentam a vizinhança das aldeias à procura de alimento que desapareceu dos seus habitats tradicionais.

As queixas e os protestos dos agricultores contra o aumento desmesurado das populações de javalis, multiplicam-se à medida que os estragos nas explorações agrícolas, sobretudo nas culturas de milho, se avolumam.  

A pressão que um número crescente de animais desta espécie cinegética causa no mundo rural, está a "empurrar" os agricultores para a aplicação de soluções "mais drásticas como o abate e a caça clandestina", adiantou ao PÚBLICO João Diniz, dirigente da Confederação Nacional de Agricultores (CNA).

O grande afluxo destes predadores para regiões longe do seu habitat tradicional deve-se, em primeiro lugar, às "consequências dos incêndios" que nos últimos anos flagelaram sobretudo a zona interior do centro e norte do país, "reduzindo substancialmente as áreas de alimento dos animais". Este constrangimento força a deslocação dos javalis para locais onde nunca foram observados, "junto a vilas e aldeias", assinala o dirigente da CNA.

Um levantamento feito durante uma semana pela Associação Nacional de Produtores de Milho e Sorgo (Anpromis), destaca que os estragos provocados pelos javalis, em 2018, em todo o território nacional, permitiu apurar que os prejuízos já ultrapassam 1 milhão de euros, em mais de 8000 hectares de cultura de milho.


Para além da destruição causada "em culturas, vinhas e pastagens", a Anpromis regista ainda a que se estendeu a "jardins e logradouros privados e públicos" e até áreas arrelvadas que foram "literalmente eliminados em poucas horas".

Situação de "descontrole"
A associação pede que as entidades governamentais actuem de forma "firme, célere e concertada", para debelar a actual situação de "descontrole que se vive em certas regiões do país, que penaliza muito seriamente os agricultores locais".

O aumento das populações desta espécie cinegética está igualmente associado ao abandono do interior do país. "Vejo cada vez menos gente nos campos ao mesmo tempo que aumentam as populações de javalis, raposas, texugos, saca-rabos, ginetas que atacam e aterrorizam os rebanhos de ovelhas" destaca José da Luz, dirigente da Associação de Agricultores do Campo Branco, que abrange os concelhos de Castro Verde, Mértola, Aljustrel e Ourique.

Perante ao aumento do número de javalis que algumas organizações admitem poder já ter ultrapassado os 100 mil animais, tem multiplicado a realização de montarias em todo o país. E a quantidade de exemplares abatidos surpreende os caçadores. Numa montaria realizada no Campo Branco foram mortos 25 animais, um número que José da Luz considera " muito elevado" comparando com abates anteriores e noutras montarias.

Em Arraiolos, numa montaria que decorreu recentemente, abateram-se 140 javalis, quando os seus organizadores não estavam à espera de metade. E no Ciborro, em Montemor-o-Novo,  foram abatidos cerca de 40 javalis, números "impressionantes que nunca estiveram nas contas de ninguém", adiantou ao PÚBLICO Jacinto Amaro, presidente da Federação Nacional de Caça (Fencaça).

A fuga deste tipo de predador em busca de alimento provocou a transumância da espécie das regiões de Trás-os-Montes, da zona centro e da Raia em direcção ao Ribatejo, Alto e Baixo Alentejo, fenómeno que explica "o aumento exponencial de animais" nestas regiões, esclarece Jacinto Amaro. Nos últimos dias tem sido relatada a presença de javalis nas praias do Portinho da Arrábida e dos Galapinhos, no concelho de Setúbal.

Não é a primeira vez que tal acontece. Em 2017, os banhistas foram surpreendidos pela presença deste predador em pleno areal das praias, banhando-se nas águas do oceano ou revolvendo a areia e os caixotes do lixo à procura de alimentos deixados pelas pessoas. Nos últimos quatro anos, foram abatidos, na serra da Arrábida, mais de 1600 javalis, por caçadores e moradores que viram as suas explorações agrícolas ameaçadas pelo excessivo número de animais. Mais de 2000 permanecerão no interior do parque natural.


"Estamos perante uma praga" refere Francisco Palma, presidente da Associação de Agricultores do Baixo Alentejo (AABA), salientando que o aumento no número de javalis está a ser exponenciado "pelo crescimento das áreas regadas" típicas do cultivo intensivo.

Nos campos de sequeiro "os bichos não se aguentam muito tempo". E o instinto leva-os a procurar territórios onde há água e comida como Francisco Palma constatou, há poucas semanas: "Quando ceifava uma seara de milho vi saírem para aí duas dezenas de javalis". O presidente da AABA salienta um outro pormenor que estará a potenciar o aumento e a concentração de javalis: sobretudo no Alentejo e nas zonas regadas por Alqueva, um número crescente de "zonas de caça foram ocupadas por culturas permanentes (olival, amendoal, vinha) e deixou de haver caça" potenciando desta forma o aumento da população de uma espécie cinegética. 

Com a nova agricultura regada "os javalis passaram a ter uma dieta alimentar melhorada o que lhes permite mais saúde e um aumento das crias. Enquanto há 20 anos uma fêmea alimentava duas crias, agora o seu número sobe para as seis ou sete. Qualquer seara de milho, trigo ou cevada, pode concentrar javalis dada a disponibilidade de alimento", realça Jacinto Amaro.

O PÚBLICO solicitou esclarecimentos ao Ministério da Agricultura e ao Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas mas até ao fecho da nossa edição não obtivemos resposta.

Açores e Madeira assinam texto sobre Política Agrícola Comum no pós-2020


AGÊNCIA LUSA / AÇORES / 19 MAR 2019 / 14:14 H.

 Açores e Madeira assinam texto sobre Política Agrícola Comum no pós-2020

Os Governos dos Açores e da Madeira assinarão "em breve" uma declaração conjunta com "propostas concretas para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC)" no pós-2020, com o intuito de "responder aos desafios da agricultura nas Regiões Ultraperiféricas".

De acordo com uma nota enviada à imprensa pelo executivo açoriano, o texto será também assinado pelo executivo das Canárias e surgirá após "contactos estreitos e muito produtivos para articular e definir uma posição comum sobre a reforma da PAC, tanto mais que estão em causa matérias com implicações comuns nas três Regiões Ultraperiféricas (RUP)".

Os secretários regionais da Agricultura dos executivos dos Açores e da Madeira, João Ponte e Humberto Vasconcelos, estiveram hoje reunidos em Lisboa com o vice-conselheiro do setor primário do Governo das Canárias, Abel Morales, e todos pedem que a dotação orçamental do programa POSEI "se mantenha ao nível atual" e possa, inclusivamente, "ser ajustada para responder a desafios atuais e futuros das produções agrícolas nas RUP".

"Quando a Comissão Europeia prevê um corte de 3,9% nos fundos do POSEI não tem em consideração as especificidades das RUP. Diminuir o financiamento implicará reduzir as produções, com o perigo acrescido de promover o abandono das explorações, dada a dificuldade de os produtores alcançarem um nível de competitividade similar ao da agricultura continental", frisou o governante açoriano, citado em nota de imprensa do seu gabinete.

Quanto ao corte de 15% no segundo pilar da PAC, proposto pela Comissão Europeia, João Ponte diz que se trata de "algo preocupante", dada a importância deste financiamento para a implementação de medidas de caráter ambiental e de investimento, que contribuem para a melhoria da competitividade do setor e para a proteção do ambiente.

As RUP, precisou ainda, devem ter planos estratégicos próprios e distintos dos nacionais, que proporcionem programas de desenvolvimento rural específicos para as regiões, "contemplando um conjunto de medidas que vão ao encontro das reais necessidades e das suas especificidades".

Depois de um Sobreiro Assobiador, uma azinheira secular do Monte Barbeiro: a corrida à árvore europeia do ano


19.03.2019 às 18h40
 
A copa desta azinheira com mais de 150 anos estende-se por 487 metros quadrados e 23 metros de diâmetro

D.R.

A azinheira secular do Monte Barbeiro concorreu com 15 outras espécies de árvores da Europa à oitava edição do concurso Árvore Europeia do Ano, organizado pela Associação Europeia para a Parceria Ambiental. O vencedor do ano passado foi o Sobreiro Assobiador de águas de Mouro, em Palmela. O deste ano será revelado depois das 20 horas em Bruxelas


À sombra de uma azinheira dá sempre vontade de estar, sobretudo numa tarde quente de verão no coração do Alentejo. E sob a copa da "Azinheira Secular do Monte Barbeiro" o prazer é ainda maior. Debaixo dos seus ramos e folhas, que formam uma majestosa copa de 487 metros quadrados e 23 metros de diâmetro, "contempla-se a vastidão da planície envolvente e respira-se a sua tranquilidade", descrevem. E pelos seus braços longos e resilientes, a poucos metros do chão, dá vontade de ser criança e trepar.

Classificada como a Árvore Portuguesa do Ano, pelas suas "características invulgares", este 'Quercus Rotundifolia Lam' disputava esta terça-feira o prémio de Árvore Europeia de 2019 com 15 exemplares de diferentes espécies com as idades e formas mais variadas e erguidas nos locais mais diversos de 15 países europeus. A vencedora é a que tiver a melhor história para contar. E esta majestosa azinheira terá muitas ao longo dos seus mais de 150 anos.

Odemira já mal respira sob o plástico das estufas


A ocupação do concelho por culturas intensivas está a exercer pressão, não só sobre os recursos naturais, mas também sobre as infra-estruturas, incapazes de dar resposta a tantos migrantes.

Carlos Dias  17 de Março de 2019, 7:51

Passados que estão 30 anos do início da implantação do modelo agrícola projectado pelo empresário francês Thierry Roussel, o debate sobre o impacto ambiental e social das culturas em estufa, no concelho de Odemira, mantém-se. Movimentos cívicos, associações de defesa do ambiente, o cidadão comum e a autarquia persistem em manifestar publicamente a sua preocupação pelas consequências que são manifestas na preservação da biodiversidade no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) e na comunidade local. A pressão é crescente e o concelho não está a conseguir dar resposta à vaga de imigrantes, assim como receia as consequências deste modelo agrícola na água, ar, solo e biodiversidade.

Entre 1988 e 1994, Thierry Roussel cobriu de plástico 550 hectares para a produção em estufa de frutos vermelhos e de outras hortícolas, recorrendo à utilização maciça de fertilizantes químicos e pesticidas. O resultado final deste modelo agrícola, que foi apresentado como inovador e que prometia trazer trabalho e riqueza à população local, acabou por deixar um passivo ambiental que foi difícil de superar. Além disso, foram despedidos cerca de 600 trabalhadores quando a empresa faliu e ficou por cobrar uma dívida de milhões de euros ao erário público. O fantasma desta experiência agrícola, instalada no Perímetro de Rega do Mira (PRM), prevalece no presente, mas com outros protagonistas.

Nos dias de hoje, o receio de ver o concelho de Odemira transformado na Almería (zona espanhola de agricultura intensiva) do Alentejo permanece, como ficou patente na reunião da Assembleia Municipal (AM) extraordinária de Odemira, realizada no final do ano, para debater um ponto único na ordem de trabalhos: "Actividade agrícola na área do perímetro de rega do Mira e no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.


A acta desta reunião, recentemente aprovada e a que o PÚBLICO teve acesso, é um extenso repositório de preocupações quanto aos impactos que a ocupação do território de Odemira com base na produção em estufa causa no ambiente do PNSACV e na qualidade de vida das pessoas que ali residem.

O presidente da Câmara de Odemira, José Alberto Guerreiro (PS), começou o debate enumerando os constrangimentos que mais se acentuam na comunidade: "O território não tem capacidade para acompanhar as exigências da nova agricultura na oferta de habitação aos imigrantes, de infra-estruturas, de desenvolvimento social, de articulação cultural, de aumento populacional em tão curto espaço temporal."

ICNF não sabe qual a área ocupada por estufas e túneis no Sudoeste Alentejano
ICNF não sabe qual a área ocupada por estufas e túneis no Sudoeste Alentejano
E destacou que a situação pode descambar para o insustentável se os agricultores continuarem a pretender trazer para o território "mais pessoas" sem que sejam "criadas condições para que possam permanecer". Referindo-se aos problemas relacionados com a saúde, lembrou que o acesso aos cuidados médicos "já se torna difícil para a população residente". E, no actual quadro de dificuldades, o aumento no fluxo de migrantes "irá agudizar o problema", adverte o autarca, dando como exemplo o elevado número de "processos de aborto no Centro de Saúde de Odemira, maioritariamente de cidadãs migrantes".

A pressão sobre as infra-estruturas potenciada pela cada vez maior população migrante estende-se à educação. As escolas do concelho "não estão adaptadas para receber tantas crianças e jovens, com outras nacionalidades, línguas, culturas e currículos diferentes", sublinhou o autarca, realçando as "dificuldades de integração" de milhares de pessoas, o que coloca a nu um "claro problema social que urge resolver". No Plano Municipal para a Integração de Imigrantes no Município de Odemira reconhece-se um outro problema: "Pouco se conhece sobre a imigração a nível local. Sabemos que existe, mas não a conseguimos quantificar."

Na faixa do território de Odemira onde incidem as culturas intensivas em estufas, abrigos, estufins ou túneis elevados e ao ar livre, "já existem cerca de 16.000 habitantes", alertou José Alberto Guerreiro, preocupado com a pressão das empresas agrícolas para contratar mais imigrantes, superando "os limites actuais de residentes."

As preocupações expressas pelo presidente da Câmara de Odemira foram corroboradas por Francisco Lampreia, presidente da Junta de Freguesia de Vila Nova de Milfontes que manifestou na AM a sua discordância em relação à posição da Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur (AHSA) por pretender alargar a área de produção "de 1600 hectares para 3600 hectares". Se vier a consumar-se um tal propósito, "aumentará quase para o triplo também a necessidade de mão-de-obra". As consequências do descontrolo populacional já se revelam em Milfontes, onde "é impossível encontrar habitações para alugar" porque as casas encontram-se "ocupadas por migrantes", em condições por vezes chocantes, e sem que haja "fiscalização por parte das entidades" competentes, critica o autarca.

Pressão sobre o ambiente
Também o Relatório do Grupo de Trabalho do Mira (GTM), constituído em Agosto de 2018, para avaliar a compatibilização da actividade agrícola no Perímetro de Rega do Mira com a biodiversidade, os recursos hídricos, a gestão do território e o ordenamento do PNSACV, revela o mesmo tipo de preocupações.

Plásticos das estufas e químicos cobrem o Sudoeste e não há nada que o impeça
Plásticos das estufas e químicos cobrem o Sudoeste e não há nada que o impeça
Essa avaliação conclui que ocupação actual, com todo o tipo de culturas cobertas no PRM, foi "estimada" em cerca de 1200 hectares, cerca de um terço face à potencial área de 30% daquele perímetro de rega que está destinada às culturas intensivas — 3600 hectares nos 12.000 que ocupa a zona agrícola do Mira.

Esta realidade, prossegue o relatório, "representa hoje a existência entre 6000 a 8000 trabalhadores agrícolas no concelho de Odemira", na sua esmagadora maioria imigrantes. Tomando em linha de conta a pretensão da AHSA, o GTM adverte para a necessidade de "estabilizar regras, que salvaguardem a compatibilização dos valores naturais com a actividade agrícola", frisando que os "efeitos territoriais e sociológicos não podem ser ignorados".

Colocando como eventual limiar teórico de 10 trabalhadores agrícolas por hectare, para assegurar a actividade agrícola em 3600 hectares de área coberta terão de ir para Odemira um total de 36.000 imigrantes, "número que manifestamente o território não comporta", conclui o relatório do GTM. 

Nuno Simões, presidente da AHSA, reagiu a estas chamadas de atenção, com uma pergunta: "Fará sentido limitar, directa ou indirectamente, o acesso de pessoas que venham para o território realizar trabalho, contribuir para o desenvolvimento e para a criação de riqueza, bem como para a qualidade de vida das pessoas que cá estão?". E comentando as conclusões do grupo de trabalho e o teor das intervenções críticas que iam sendo feitas no decorrer da assembleia municipal, o presidente da AHSA assumiu que os associados da organização a que preside, "não concordam com os limites que venham a ser impostos" à contratação de imigrantes, considerando que as entidades públicas "tinham de ser mais ambiciosas" na promoção e desenvolvimento das culturas baseadas dos frutos vermelhos (framboesas, mirtilos e amoras).

Referiu ainda que tinha consciência de que não se devia transformar o concelho de Odemira "numa Almería", mas também "não concorda que se restrinja a actividade agrícola numa zona onde existem os melhores valores agrícolas do mundo para a prática de culturas modernas".


Na resposta, o presidente da câmara disse que os representantes da AHSA se "contradizem" quando referem que não pretendem transformar o concelho numa "Almería" mas "solicitam o alargamento da área de ocupação da actividade agrícola."

Receios com a poluição
Outra das críticas feitas por José Alberto Guerreiro visava as preocupações da autarquia pela ausência de monitorização da água, do solo e do ar, conforme estabelece o Plano de Ordenamento do PNSACV. Valentina Calixto directora de departamento do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) reconheceu ter havido "um conjunto de obrigações que não foram cumpridas por parte de várias entidades, incluindo o ICNF". E acrescentou um outro dado: Não entendia o porquê "de ainda não se ter efectuado a cartografia necessária dos habitats e das espécies a salvaguardar quando esta deveria ter sido concluída há vinte e cinco anos". Relembrou ainda que os actuais produtores de culturas intensivas "estavam a fazer o que já tinha sido efectuado há muitos anos por Thierry Roussel", frisando que o ICNF constatou que a partir do ano de 2015 a "pressão da ocupação do território (no PNSACV) foi muito significativa".

O autarca de Odemira, em função do cenário descrito e do seu contacto diário como o modelo cultural que estava a ser questionado, disse ter "dúvidas" que aquele tipo de agricultura "fosse sustentável" no futuro, sublinhando que "a procura dos produtos variava muito". Daí que não concorde que no concelho de Odemira "venham a existir doze mil hectares de estufas" apesar de reconhecer que as condições do território são "as melhores do mundo" para a produção de berries (frutos vermelhos). Contudo, esta mais-valia não deveria implicar que fosse necessário "evacuar a população para se fazer apenas produção."


Empresa holandesa só emprega trabalhadores portugueses nas suas estufas em Odemira
Um estudo sobre os "Efeitos económicos da hortofruticultura no Perímetro de Rega do Mira", elaborado por João Confraria investigador do Centro de Estudos Aplicados da Universidade Católica, apresentado em 2017, refere que a produção em Odemira, com destaque para os pequenos frutos, ascendeu, em 2015, aos quase 100 milhões de euros. E que o efeito total, directo e indirecto, no Valor Acrescentado Bruto (VAB) nacional foi de 71 milhões de euros.

Com o esperado aumento das exportações, prevê-se que a produção hortofrutícola no PRM atinja, dentro de cinco anos, os cerca de 200 milhões de euros. No entanto, João Confraria reconhece que em Odemira "pode estar-se perante uma situação de incompatibilidade de objectivos" entre a política agrícola e a política ambiental, admitindo que o problema "não tem solução fácil."

Galinhas lavadas com cloro? Hormonas no gado? Não, obrigado, diz o Reino Unido


07.03.2019 às 23h46

 
PAULA BRONSTEIN/GETTY

Embaixador dos EUA no Reino Unido chama "museu da agricultura" aos métodos e padrões europeus na matéria
LUÍS M. FARIA
O embaixador dos EUA na capital britânica, Woody Johnson, voltou a defender os métodos agrícolas do seu país em relação aos da União Europeia e do Reino Unido. Perante a resistência a certas práticas americanas que tornam difícil consumir determinados produtos na Europa, Johnson insistiu, numa entrevista à BBC, que qualquer acordo comercial pós-Brexit entre os dois países tem de incluir as questões agrícolas.

Em causa estão práticas como a utilização de hormonas no gado e a lavagem de carcaças de galinha com produtos de cloro. O ex-ministro da Agricultura britânica, George Eustice (que se demitiu em protesto contra o curso que as negociações sobre o Brexit estão a tomar), explicou que, "se os americanos querem ter acesso privilegiado ao mercado britânico, têm de aprender a cumprir a lei britânica e os padrões britânicos. Ou então podem dizer adeus a qualquer acordo comercial e voltar para o fim da fila".

Devolvendo a Johnson as críticas sobre a incapacidade de adotar métodos modernos, o ex-ministro explicou que a agricultura norte-americana, em muitos aspetos, permanece retrógrada, e que as suas prioridades nem sempre correspondem às europeias.

"No tribunal da opinião pública, se a escolha é entre os interesses comerciais dos bancos ou o bem-estar das galinhas, as galinhas vencerão sempre", disse. Acrescentou que nos EUA "há uma resistência geral a reconhecer sequer a existência de sensibilidade nos animais das quintas, o que é extraordinário".

Pela sua parte, o embaixador garante que os agricultores do seu país se preocupam tanto com os animais como os seus congéneres no Reino Unido. Na semana passada, garantiu a superioridade da agricultura norte-americana no "Daily Telegraph", um dos maiores jornais britânicos.

"Nos Estamos Unidos, temos uma perspetiva mais ampla", justificou. "Não é sustentável que o mundo todo siga a abordagem 'museu da agricultura' da União Europeia. Temos de olhar para o futuro da agricultura, não para o passado". E sugeriu que a UE usava os seus padrões alegadamente mais exigentes com o objetivo real de criar barreiras aos produtos americanos.

O facto de ter acabado de se saber que o défice comercial americano atingiu o nível mais elevado dos últimos dez anos poderá enfraquecer a posição americana. Reduzir esse défice foi uma promessa central da campanha de Donald Trump. Se o efeito das guerras comerciais que o Presidente dos Estados Unidos lançou tem sido exatamente o oposto - ou, no mínimo, se Trump não conseguiu minorar esse efeito - a eficácia da estratégia parece ficar em causa. E, afinal, os agricultores são um dos principais blocos de apoiantes do atual Presidente.

terça-feira, 19 de março de 2019

Vários setores procuram especialistas

Calçado, têxteis, metalurgia, engenharias ou agricultura procuram colaboradores qualificados.

Organizações e empresas ficam a ganhar quando contratam mestres e pós-graduados, passando a dispor de técnicos e gestores melhor preparados profissionalmente. "Tendo em conta que uma grande maioria das empresas portuguesas (PME) ainda são geridas por quadros sem qualificação universitária, o recrutamento de um colaborador com níveis de formação superior tende a constituir um upgrade significativo", afirma Amândio da Fonseca, chairman do Grupo Egor, especialista em recrutamento, seleção, formação e muito mais, no mercado nacional.

As atividades que mais estão a apostar ou a procurar colaboradores mestres ou pós-graduados são os setores que, nos últimos anos, "ultrapassaram a crise" e, em muitos casos, se tornaram referências de desenvolvimento: calçado, têxteis, metalurgia, agricultura, sistemas de informação, retalho e não só. "São a demonstração clara de que a aposta na inovação se faz sobretudo através da qualificação das pessoas".

Maior fluidez

Por sua vez, Marisa Duarte, responsável da S&You, uma marca do Grupo Synergie Portugal, multinacional de recursos humanos, refere que, usualmente, ao contratar um profissional com determinado nível académico, "o encontro entre o know how técnico, académico, teórico e prático e as funções exigidas para determinada vaga não só será mais fácil como fluído". Ainda assim - acrescenta a coordenadora de Recrutamento Especializado da S&You - este tipo de conhecimento também poderá ser adquirido "através da experiência que não implica um nível de ensino superior mais avançado". "Contudo, considera-se o primeiro emprego e a especialização em determinadas matérias, cuja informação teórica continua a ser uma base de extrema importância no cumprimento de todos os processos e tarefas".

Sobre os setores de atividade que mais recrutam mestres ou pós-graduados, de forma transversal, indica as "engenharias que, pela sua especificidade, minuciosidade e pelo conhecimento singular de cada procedimento, exigem maior à vontade na matéria em conhecimento teórico por parte dos profissionais procurados".

Parlamento Europeu sem consenso sobre relações comerciais entre UE e EUA


O Parlamento Europeu rejeitou hoje uma recomendação que previa o início das negociações entre a União Europeia e os Estados Unidos para futuras trocas comerciais, sob "certas condições", não havendo um consenso entre os eurodeputados sobre o assunto.

14 Março 2019 — 17:08

Em causa estava um relatório da comissão parlamentar de Comércio Internacional, que vincava que o início das conversações era "do interesse dos cidadãos e das empresas europeias" por permitir "atenuar as atuais tensões nas relações comerciais entre a UE e os EUA", mas que apenas equacionava um acordo comercial se os Estados Unidos aceitassem algumas exigências.

O documento foi rejeitado na sessão plenária, que decorreu em Estrasburgo, França, com 223 votos contra, 198 a favor e 37 abstenções, não permitindo uma posição do Parlamento Europeu sobre o assunto.

No relatório, os eurodeputados daquela comissão parlamentar exigiam que "os EUA levantassem as tarifas sobre alumínio e aço", bem como que houvesse "um processo de consulta abrangente à sociedade civil e uma avaliação de impacto de sustentabilidade".

Pediam também "mais clareza sobre as regras de origem" dos produtos, observando que a União Europeia (UE) "insiste em incluir tarifas de carros e automóveis nas negociações e em excluir a agricultura".

Os eurodeputados alertavam ainda que "as negociações seriam suspensas se os EUA decidirem aplicar outra tarifa".

Esta era uma posição relativa ao anteprojeto apresentado pela Comissão Europeia em meados de janeiro passado e que irá ser proposto aos Estados Unidos, ainda sem data definida.

O documento de Bruxelas visa a eliminação das tarifas aplicadas aos produtos industriais, sem contar com a área agrícola, e a redução das barreiras, no que toca ao cumprimento de requisitos técnicos, para trocas comerciais entre os dois continentes.

Sem o consenso de hoje, a assembleia europeia terá de debater uma nova posição.

Também o Conselho da UE (onde estão representados os Estados-membros) terá de se pronunciar.

A Comissão Europeia só poderá avançar nas negociações com os EUA depois destes passos.

No final de julho do ano passado, reunidos em Washington, os presidentes da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e dos Estados Unidos, Donald Trump, divulgaram uma série de medidas na agricultura, indústria e energia, para apaziguar o conflito comercial, mas os respetivos anúncios foram globalmente vagos.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Prazo para limpeza dos terrenos termina esta sexta-feira


RTP
15 Mar, 2019, 13:39 / atualizado em 15 Mar, 2019, 13:39 | País

Prazo para limpeza dos terrenos termina esta sexta-feira
A ver: Prazo para limpeza dos terrenos termina esta sexta-feira
Termina hoje o prazo para que os proprietários florestais limpem os terrenos. Os municípios substituem-se aos privados em incumprimento até ao final de maio.
Em autarquias como a Lousã, com 70% de área florestal, a tarefa é complexa.

Os preços praticados pelas empresas aumentaram e os prazos são curtos

Brexit: Exportações agroalimentares e agroflorestais representam 575 ME anuais


O secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros de Vieira, referiu hoje no parlamento que as exportações portuguesas dos setores agroalimentar e agroflorestal para o Reino Unido representam anualmente cerca de 575 milhões de euros.

"As negociações do 'Brexit' constituem uma situação sem precedentes na União Europeia [...]. O Reino Unido é um mercado extremamente importante, o 5.º em termos de exportações, com 575 milhões de euros por ano", disse Luís Medeiros de Vieira, durante uma audição parlamentar com as comissões de Assuntos Europeus e Agricultura e Mar.

De acordo com o governante, cerca de 311 milhões de euros correspondem a exportações do setor agroalimentar, 225 milhões de euros do setor agroflorestal e o restante ligado ao setor da pesca.

Entre os produtos exportados encontram-se a pasta de papel, vinhos, tomate transformado, azeite e conservas.

No sentido inverso, Portugal importa do Reino Unido fundamentalmente bebidas alcoólicas, como whiskeys e trigo.

Luís Medeiros Vieira indicou ainda que, no caso de uma saída brusca, ou seja, sem acordo, "há que ter em conta um conjunto de implicações", inerentes ao facto do Reino Unido se tornar um país terceiro.

"Temos que ter em conta a pauta aduaneira do Reino Unido, o que significa que alguns produtos vão ficar mais expostos que outros, como o Vinho do Porto e, eventualmente, o concentrado de tomate", explicou.

No entanto, o secretário de Estado da Agricultura e Alimentação ressalvou que, no caso do Vinho do Porto, não devem verificar-se problemas de maior, tendo em conta que os ingleses se identificam com este produto.

Na quarta-feira o parlamento britânico rejeitou uma saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo. Hoje a Câmara dos Comuns deverá votar a prorrogação do processo para depois de 29 de março.

Mais de 200 especialistas mundiais em águas agrícolas vão reunir-se em Cabo Verde


Mais de 200 especialistas em gestão de águas agrícolas de todo o mundo vão estar reunidos no primeiro Fórum Internacional sobre Escassez de Água na Agricultura que decorre na cidade da Praia, em Cabo Verde, a partir de terça-feira.

Trata-se de um evento organizado no contexto do Quadro Global para a Água na Agricultura (WASAG) sob o patrocínio do Governo de Cabo Verde, em colaboração com a Organização para a Alimentação e a Agricultura (FAO), agência especializada das Nações Unidas, o Ministério das Políticas Agrícolas, Alimentares e Florestais da Itália e o Serviço Federal de Agricultura da Suíça (FOAG).

O primeiro dia do encontro decorre na terça-feira, Dia Mundial da Água, este ano com o tema "Não deixar ninguém para trás".

Uma nota da FAO Cabo Verde refere que a iniciativa visa "obter acordos relativamente às ações prioritárias para enfrentar a crescente pressão dos impactos das mudanças globais na escassez de água na agricultura".

A diretora-geral adjunta da FAO, Maria Helena Semedo, disse esperar que os participantes atuem sob os compromissos assumidos durante o fórum, inspirados "pelo exemplo de Cabo Verde, que está a adotar tecnologias inovadoras de gestão da água para lidar com a seca que o país está a atravessar".

Com foco em Cabo Verde, Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e países da África Ocidental, os participantes do fórum, que termina no dia 22, irão analisar e discutir "como a escassez da água na agricultura pode ser abordada e transformada numa oportunidade para o desenvolvimento sustentável e para a segurança alimentar e nutricional", segundo a FAO Cabo Verde.

O WASAG foi criado em 2017 pela FAO e reúne mais de 60 parceiros, incluindo governos e organizações intergovernamentais, agências da ONU, instituições académicas e de pesquisa, e organizações da sociedade civil e do setor privado de todo o mundo.

Todos estão "comprometidos em identificar e implementar respostas concretas para abordar em conjunto a escassez de água na agricultura, num mundo onde as alterações climáticas são uma preocupação".

Cereja do Fundão classificada como produto de "Indicação Geográfica"


A "Cereja do Fundão" foi classificada, a nível nacional, como produto de Indicação Geográfica (IG), certificação que a organização de produtores e a autarquia local esperam que venha a contribuir para a valorização da produção de cereja desta região.

No despacho publicado no Diário da República na sexta-feira, a Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural determina que "seja conferida, a nível nacional, proteção à denominação 'Cereja do Fundão' como Indicação Geográfica".

"O uso desta denominação fica reservado aos produtos que obedeçam às disposições constantes no respetivo caderno de especificações depositado na Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR)", acrescenta o despacho.

A decisão visa proteger a cereja produzida nesta região do distrito de Castelo Branco e é vista como uma "mais-valia" para a valorização da marca "Cereja do Fundão", referiu à agência Lusa José Pinto Castello Branco, presidente da Cerfundão, organização de produtores que apresentou o pedido de registo e que será a entidade gestora.

"É uma notícia fantástica por vários motivos, desde logo porque temos o reconhecimento oficial de um produto regional por excelência. Depois, também é uma ótima notícia para o mercado e, sobretudo, para o consumidores, que vão passar a ter a garantia de que aquilo que estão a comprar é realmente 'Cereja do Fundão'", afirmou.

Sublinhando que o facto de haver agentes de mercado que pensam que a cereja é toda igual e que o mais importante é o preço, este responsável refere que o selo IG distingue a "Cereja do Fundão", certificando diferenças, características, qualidade e autenticidade.

A Câmara Municipal do Fundão também considera que este reconhecimento é "muito importante" e acredita que deverá desempenhar um papel relevante na estratégia que o município tem desenvolvido nos últimos anos ao nível da valorização e promoção da marca "Cereja do Fundão".

"Isto não só é muito importante no processo de qualidade e de garantias ao consumidor, como também poderá ser um empurrão para a internacionalização", disse à agência Lusa o presidente da Câmara, Paulo Fernandes.

Para o autarca, esta certificação tem ainda "a vantagem de representar uma geografia mais ampla, porque apanha também algumas freguesias produtoras dos concelhos vizinhos da Covilhã e de Castelo Branco".

Exportações de vinho com novo recorde em 2018



Ilídia Pinto 28.02.2019 / 18:23 

Portugal exportou, em 2018, mais de 803 milhões de euros em vinhos, um aumento de 3% face ao ano anterior. Isto apesar de uma ligeira redução das vendas em volume, que se ficaram pelos 2,966 milhões de hectolitros. O preço médio cresceu 4% para 2,71 euros por litro. Uma performance que fica um pouco aquém das expectativas, mas que "está em linha" com os valores dos principais exportadores mundiais de vinho, diz o presidente da ViniPortugal, Jorge Monteiro, apontando o crescimento de 2,4% da França, os 4,2% da África do Sul ou os 3% da Austrália. Em termos de mercados, destaque para o crescimento de 5,6% das exportações para França, que se mantém como o principal destino dos vinhos portugueses, de 2,4% para os Estados Unidos e de 16,4% para o Brasil. A Alemanha cresceu 7,8%, a Bélgica 7,9% e o Canadá 5,5%. Em contrapartida, Angola caiu 13,4%, Macau caiu 7,2% e Hong Kong 34,3%. A China continental cresceu, apenas, 1,3%, mas com o preço médio do vinho exportado a subir 23,8% para 2,76 euros o litro. Significativa é a diferença de performance dos vários produtos: os vinhos licorosos Madeira e do Porto caíram 5,9% e 1,9%, respetivamente, enquanto os vinhos ditos tranquilos registaram um acréscimo de 6%. Os espumantes e espumosos crescem 40,8%, mas a partir de uma base que é muito pequena: valem menos de 12 milhões de euros. "O desempenho do vinho de mesa tem vindo a mascarar a ligeira queda continuada dos fortificados, mas tem a vantagem de aumentar a variedade da nossa oferta", diz Jorge Monteiro.

Vários setores procuram especialistas


Calçado, têxteis, metalurgia, engenharias ou agricultura procuram colaboradores qualificados.
Vários setores procuram especialistas

Organizações e empresas ficam a ganhar quando contratam mestres e pós-graduados, passando a dispor de técnicos e gestores melhor preparados profissionalmente. "Tendo em conta que uma grande maioria das empresas portuguesas (PME) ainda são geridas por quadros sem qualificação universitária, o recrutamento de um colaborador com níveis de formação superior tende a constituir um upgrade significativo", afirma Amândio da Fonseca, chairman do Grupo Egor, especialista em recrutamento, seleção, formação e muito mais, no mercado nacional.

As atividades que mais estão a apostar ou a procurar colaboradores mestres ou pós-graduados são os setores que, nos últimos anos, "ultrapassaram a crise" e, em muitos casos, se tornaram referências de desenvolvimento: calçado, têxteis, metalurgia, agricultura, sistemas de informação, retalho e não só. "São a demonstração clara de que a aposta na inovação se faz sobretudo através da qualificação das pessoas".

Maior fluidez

Por sua vez, Marisa Duarte, responsável da S&You, uma marca do Grupo Synergie Portugal, multinacional de recursos humanos, refere que, usualmente, ao contratar um profissional com determinado nível académico, "o encontro entre o know how técnico, académico, teórico e prático e as funções exigidas para determinada vaga não só será mais fácil como fluído". Ainda assim - acrescenta a coordenadora de Recrutamento Especializado da S&You - este tipo de conhecimento também poderá ser adquirido "através da experiência que não implica um nível de ensino superior mais avançado". "Contudo, considera-se o primeiro emprego e a especialização em determinadas matérias, cuja informação teórica continua a ser uma base de extrema importância no cumprimento de todos os processos e tarefas".

Sobre os setores de atividade que mais recrutam mestres ou pós-graduados, de forma transversal, indica as "engenharias que, pela sua especificidade, minuciosidade e pelo conhecimento singular de cada procedimento, exigem maior à vontade na matéria em conhecimento teórico por parte dos profissionais procurados".

Governo dos Açores com nova proposta para levar cerca de 300 agricultores à reforma


O Governo dos Açores vai avançar com uma nova proposta de cessação da atividade agrícola que deve abranger cerca de 300 agricultores ligados à pecuária e à fileira do leite, anunciou hoje o secretário da Agricultura.

João Ponte referiu que esta é a perspetiva face ao histórico das reformas antecipadas nos anos anteriores, mas ressalvou que a meta depende das "expectativas do setor, de cada exploração e agricultor".

O secretário regional da Agricultura e Florestas apresentou hoje, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, a proposta de cessação da atividade agrícola ao presidente da Federação Agrícola dos Açores (FAA), tendo sublinhado no final do encontro, aos jornalistas, que era "importante dar este sinal na perspetiva de reestruturação da própria fileira do leite".

O titular da pasta da Agricultura está convicto de que a adesão à cessação de atividade será mais expressiva nas ilhas com mais explorações agrícolas, como São Miguel, Terceira, São Jorge e Graciosa.

João Ponte referiu que recorreram ao atual regime de cessação da atividade agrícola 12 candidatos, admitindo que o atual diploma é "pouco atrativo".

Com base nas alterações que serão introduzidas através da submissão de uma nova proposta de decreto legislativo regional ao parlamento dos Açores, esta modalidade "será mais interessante", no seu entender.

As dificuldades com que a fileira do leite nos Açores está a ser confrontada deverão potenciar também uma "maior adesão" por parte dos agricultores, de acordo com o responsável.

João Ponte adiantou que o Governo dos Açores vai, entretanto, reforçar a dotação financeira do programa Prorural+, para 20 milhões de euros, sendo a despesa pública de 12 milhões.

O objetivo é dar resposta a todos os 219 projetos apresentados, e que estão em análise, 57 dos quais relativos a candidaturas para primeira instalação agrícola e para jovens agricultores.

Neste pacote, serão abrangidos 30 agricultores numa outra modalidade que não está associada a projetos de modernização do setor, segundo João Ponte, que destacou o contributo que é dado desta forma para a qualificação das explorações agrícolas açorianas.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, também em declarações aos jornalistas, subscreveu a nova proposta de cessação da atividade agrícola, considerando-a "uma boa medida": "Vai de encontro aos agricultores, que neste momento enfrentam dificuldades para saírem do setor".

Sobre o reforço financeiro do programa Prorural+, Jorge Rita disse que não havia dotação orçamental para mais de 240 projetos "em condições de serem aprovados", estando em falta 12 milhões, valor agora assegurado pelo Governo Regional.

Governo altera regime de apoio do programa de regadios para garantir "segurança jurídica"


O Governo procedeu hoje à alteração do regime de apoio no âmbito do Programa Nacional de Regadios (PNRegadios), de modo a garantir "clareza" e "segurança jurídica", definindo que a abertura dos avisos depende de despacho do executivo.

"A portaria n.º 38/2019 de 11 de janeiro estabelece o regime de apoio a conceder aos projetos previstos no Programa Nacional de Regadios [...]. A fim de assegurar uma maior clareza e segurança jurídica na sua aplicação e afastar eventuais dúvidas interpretativas pelos seus destinatários, importa proceder à sua alteração", lê-se numa portaria publicada hoje em Diário da República.

Neste sentido, a abertura dos avisos passa a depender "de despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das Finanças e da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural".

Por outro lado, os "procedimentos e os contratos-programa a celebrar com os municípios são precedidos, nos termos legais em vigor, do cumprimento das regras e dos princípios vigentes em matéria de despesa pública".

O diploma, assinado pelo ministro das Finanças, Mário Centeno, e pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, entra em vigor na quarta-feira e produz efeitos à data da entrada em vigor da portaria de 11 de janeiro.

Já em 29 de janeiro, o Governo regulou o regime de apoio a conceder aos projetos no âmbito do PNRegadios, definindo que as operações podem ser apoiadas até 100% do valor de investimento elegível.

"O apoio previsto [...] tem como objetivo promover o uso eficiente da água e da energia e o desenvolvimento do regadio eficiente", lê-se numa portaria publicada, na altura, em Diário da República.

De acordo com o diploma, pretende-se que estes objetivos sejam alcançados através da disponibilização de água aos prédios rústicos abrangidos por áreas a beneficiar com regadio, da promoção de melhores acessibilidades nas áreas beneficiadas, da dotação de energia elétrica às infraestruturas coletivas nas áreas de regadio, bem como do incentivo à utilização de novas tecnologias e promoção da adaptação dos sistemas de produção ao ambiente.

As operações previstas podem ser apoiadas até 100% do valor de investimento elegível.

Consideram-se como beneficiários deste apoio a Empresa de Desenvolvimento e Infraestrutura do Alqueva (EDIA), a Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e as Direções Regionais de Agricultura e Pescas (DRAP).

Os candidatos devem "ter a situação regularizada em matéria de reposições" no âmbito do financiamento do Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER) e do Fundo Europeu de Garantia Agrícola (FEAGA) ou terem constituído garantia a favor do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP).

Por outro lado, têm que apresentar, entre outros pontos, um contrato de parceria "onde estejam expressas as obrigações, os deveres e as responsabilidades de todos os intervenientes, bem como a designação da entidade gestora da parceria".

Já no que se refere ao desenvolvimento do regadio eficiente, podem beneficiar deste apoio as operações que apresentem um plano de investimento, que cumpram as disposições legais aplicáveis aos investimentos propostos, que tenham um plano de gestão da região hidrográfica e equipamento de medição de consumo da água.

As despesas elegíveis incluem a "elaboração ou revisão de estudos e projetos e de ações de consultoria, designadamente jurídica, económica, arqueológica e ambiental, desde 01 de janeiro de 2014, bem como o acompanhamento, assistência técnica e fiscalização das obras, até ao limite de 5% da despesa elegível total da operação".

A apresentação de candidaturas efetua-se através de um formulário eletrónico disponível na página da internet do IFAP.

Cabe igualmente ao IFAP a validação e decisão dos pedidos de pagamento.

O Programa Nacional de Regadios, apresentado pelo Governo em março de 2018, tem como objetivos aumentar, reabilitar e modernizar os regadios existentes e criar novas áreas, com uma dotação de 560 milhões de euros até 2023.

quinta-feira, 14 de março de 2019

Agricultores e produtores contra metas do Governo para atingir neutralidade carbónica


12/3/2019, 19:54

Agricultores e produtores manifestaram a sua insatisfação, no parlamento, sublinhando que as metas propostas são superiores às definidas pelos restantes Estados-membros.

Agricultores e produtores manifestaram esta terça-feira a sua insatisfação, no parlamento, contra as metas do executivo no âmbito do roteiro para a neutralidade carbónica, sublinhando que estas são superiores às definidas pelos restantes Estados-membros.

Em causa estão as medidas previstas no roteiro que pretendem tornar o país neutro nas emissões de dióxido de carbono até 2050, tendo sido a redução da produção de bovinos proposta pelo ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes.

O roteiro, que esteve em consulta pública até fevereiro, incide também em áreas como a energia, a indústria e os transportes.

"O conjunto de medidas que constam no compromisso só serão eficazes se todos os Estados colaborarem porque o problema é global. É certo que a redução destas emissões não pode ser feita à custa da importação de produtos de outros países", defendeu Elisabete Guincho da Federação Nacional das Associações de Raças Autóctones (FERA), durante uma audição parlamentar na Comissão de Agricultura e Mar.

Para a responsável, "mais do que propor a diminuição das emissões é necessária uma política focada nas boas práticas alimentares".

Opinião semelhante foi veiculada, na mesma audição, pelo secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, que afirmou que o roteiro para a neutralidade carbónica tem como objetivo suportar tecnicamente o compromisso de Portugal no âmbito do acordo de Paris, trazendo "implicações para toda a economia" até 2050.

"Este compromisso só terá efeito prático se a globalidade das nações seguirem o mesmo. O Governo decidiu ir mais além. A trajetória que Portugal [delineou] não está alinhada com os objetivos definidos à escala europeia e mundial", referiu.

Por sua vez, o dirigente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), João Dinis, disse que "é mais do que tempo de travar a corrida à emissão de gases com efeito de estufa", porém, sublinhou que Portugal não pode ser ingénuo ao ponto de acreditar que os "sistemas dominantes", onde, de acordo com o mesmo, se inclui a administração norte-americana, vão seguir o mesmo caminho.

"O núcleo duro das propostas apresentadas configura a velha aspiração de governos e governantes a serem bons alunos do sistema e mais papistas que o papa. Não temos condições socioeconómicas para eliminar este setor produtivo", considerou.

Já o administrador da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal (Confagri), Idalino Leão, notou que as associações do setor deveriam ter sido chamadas ao parlamento antes da elaboração da proposta do Governo.

"Não sei porque Portugal teve que por a fasquia lá em cima, quando todos os países da União Europeia não o fizeram", acrescentou.

Pedro Espadinha da Federação Nacional das Associações de Bovinos (FEPABO), por seu turno, frisou que o gado bovino está a ser culpado, de forma "errónea, falsa e mentirosa", por todas as emissões de carbono.

"Não temos de olhar para a vaca, mas para o sistema em que ela está inserida […]. Se deixar de haver animais para comer as pastagens, a captação de carbono deixa de existir", realçou.

Do lado dos partidos, João Dias do PCP lamentou que ainda não tenham sido criadas medidas de apoio à produção, em vez de se proceder a um ataque aos agricultores.

António Lima e Costa do PSD considerou que o roteiro para a neutralidade carbónica introduz "um problema sério" para a produção nacional, sublinhando que na definição de políticas públicas o mundo rural fica sempre para trás.

O deputado socialista Pedro do Carmo afirmou que o Governo "nunca deixa a agricultura para trás" e mostrou-se de acordo com as preocupações das entidades presentes na audição.

Por sua vez, Pedro Soares do BE afirmou que as alterações climáticas são, atualmente, "o assunto mais importante no mundo" e, por isso, deve ser olhado do ponto de vista dos "interesses da humanidade e dos setores económicos".

Por último, a deputada Patrícia Fonseca do CDS-PP garantiu que este processo "foi mal conduzido desde o início", acrescentando que "Portugal é dos países, na Europa, que menos contribui para as emissões".

IVA da relva e dos tapetes de relva baixa para a taxa reduzida de 6%


A transmissão de relva e de tapetes de relva natural passou a estar sujeita à taxa reduzida do IVA, de 6%, deixando de suportar a taxa normal que lhe era aplicada desde 2010.


Lusa
12 Março 2019 — 18:08

"A produção de relva natural, ainda que em tapete, constitui indubitavelmente uma atividade de produção agrícola, tal como refere a categoria 5 da Lista I anexa ao Código do IVA, pelo que a sua transmissão é passível de IVA à taxa reduzida", precisa um ofício circulado da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) datado de 06 de março, recentemente divulgado.

Este ofício revoga um que tinha sido publicado em 2010, assim como todas as "orientações anteriores que contrariem as presentes instruções administrativas".

Em outubro de 2010, um ofício circulado da Área de Gestão Tributária do IVA dava seguimento a um despacho do então secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que concluía que, apesar de as "plantas ornamentais" estarem sujeitas à taxa intermédia do IVA (que nesse ano subiu de 12% para 13%), a relva e os tapetes de relva não tinham cabimento naquela categoria pelo facto de a função decorativa ser apenas uma das "variadas utilizações" daqueles produtos.

"Embora estes produtos sejam constituídos por plantas ou aglomerados de plantas, não podem obter a qualificação de 'plantas ornamentais' para efeitos de IVA", pelo que a sua transmissão teria de ser sujeita à taxa normal do IVA, ou seja, 21% naquele ano e 23% de 2011 em diante.

Recorde-se que, em 01 de julho de 2010, as taxas reduzida, intermédia e normal do IVA sofreram um aumento de 1 ponto percentual, passando a estar balizadas nos 6%, 13% e 21%, respetivamente.

No ano seguinte, o governo optaria por aumentar para 23% a taxa normal, sendo esta uma das medidas de austeridade então tomadas.

Aquele entendimento gerou, na altura, fortes críticas por parte dos produtores de relva e de tapetes de relva que temiam perder competitividade para os produtores de outros países.

Perante o ofício circulado agora divulgado, aqueles produtos (que podem ser usados em jardins, estádios de futebol ou campos de golfe, por exemplo) passam a estar sujeitos à taxa reduzida de 6%.

Esta alteração tem por base a reorganização da lista dos produtos com taxas reduzida e intermédia do IVA, introduzidas pelo Orçamento do Estado para 2013.

Nessa reorganização várias verbas ligadas à produção agricultura - como a agricultura em geral, incluindo a viticultura, a fruticultura e horticultura floral e ornamental e a produção de cogumelos, de especiarias e de material de propagação vegetativa -- passaram para a taxa mais baixa do IVA.

terça-feira, 12 de março de 2019

Governo aprova contrato de investimento de 10,7 milhões para projeto de microalgas


O Governo aprovou a minuta do contrato de investimento para o projeto Algavalor para a aplicação de microalgas para alimentação, cosmética, alimentação animal e biofertilizantes. O valor de investimento do projeto é de 10,7 milhões de euros.

Governo aprova contrato de investimento de 10,7 milhões para projeto de microalgas

O Governo aprovou a minuta do contrato de investimento para o projeto Algavalor para a aplicação de microalgas para alimentação, cosmética, alimentação animal e biofertilizantes. O despacho conjunto dos ministérios da Economia e dos Negócios Estrangeiros foi publicado esta segunda-feira em Diário da República.


O projeto envolve um investimento que "ronda os 10,7 milhões de euros" e envolve um consórcio formado por numerosas empresas e instituições, sendo liderado pela CMP- Cimentos Maceira e Patais, da Secil.

O despacho sublinha que "embora o foco se situe na região Centro, onde se localiza a CMP, bem como algumas das outras empresas e entidades não empresariais do sistema de investigação e inovação que integram o consórcio, o projeto tem uma abrangência nacional, com investimentos previstos em todas as NUTS II de Portugal continental, no Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve".

O Algavalor "contribui diretamente para o aumento do volume de despesas em I&DT (inovação e desenvolvimento tecnológico) do setor empresarial, prevendo-se, por parte das empresas que integram o consórcio, um investimento em I&D (investigação e desenvolvimento) de 4,8 milhões de euros no ano pós-projeto, com particular destaque para a CMP que tem desenvolvido um esforço de I&D na ordem dos 3,2 milhões de euros, em valores médios anuais e antecipa um aumento gradual destes valores, esperando atingir um valor de 3,8 milhões de euros de investimento em I&DT no ano pós-projeto", assinala o documento.

O projeto deverá contribuir para reforçar a competitividade internacional das empresas que o integram e permitir-lhes entrar em novos mercados.

"Quanto à CMP, especificamente, o aumento significativo da sua capacidade produtiva permitir-lhe-á comercializar biomassa a preços muito mais competitivos, mantendo a qualidade premium que a diferencia e possibilitando o aumento significativo da sua quota nos mercados e segmentos em que está presente e o acesso a novos mercados", indica o texto.

O projeto deverá contar com 137 postos de trabalho, incluindo 36 novos colaboradores qualificados.

Integram o consórcio para além da CMP, a Necton, Companhia Portuguesa de Culturas Marinhas S. A., a Valorgado - Agricultura e Pecuária, Lda., a Castelbel - Artigos de Beleza, S. A., a Ernesto Morgado, S. A., a Empresa Figueirense de Pesca, Lda., a Allmicroalgae - Natural Products, S. A., a Vaisa - Agricultura Intensiva, S. A., a Narciso Dias & Filhos, Lda., o LIPOR - Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto, o CIIMAR - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, I. P., o Instituto Politécnico de Leiria, o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, I. P., o Instituto Superior de Agronomia, a Universidade do Porto, a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade do Minho, a Universidade de Aveiro e a Universidade do Algarve.


segunda-feira, 11 de março de 2019

Glifosato. Eurodeputada aponta o dedo a câmaras municipais por "má utilização" de herbicidas


A eurodeputada social-democrata, Sofia Ribeiro alerta para a utilização de químicos agrícolas, por "várias entidades", nomeadamente "as câmaras municipais".

João Francisco Guerreiro, em Bruxelas
07 Março 2019 — 16:43


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Em Entrevista à TSF, a deputada Sofia Ribeiro, do PSD, afirma que a agricultura não pode ser a única a ser responsabilizada pela impacto ambiental da utilização de herbicidas e pesticidas, tendo em conta que a utilização destes químicos não é exclusiva daquele setor.

Muito recentemente, na sessão plenária de fevereiro, em Estrasburgo, Sofia Ribeiro lamentou o "tom geral" refletido no relatório da Comissão do Ambiente, em que se responsabilizam os agricultores pela "má utilização" de químicos. Sem concretizar, a eurodeputada denunciou o "uso generalizado por profissionais e não profissionais, deste e de outros setores".

Em entrevista à TSF, a deputada esclarece que entre os utilizadores desses químicos estão, nomeadamente, "as câmaras municipais".

"É preciso termos em atenção que há várias entidades que fazem a utilização desses produtos, inclusivamente as câmaras municipais", afirma a deputada, apontando os glifosatos como um dos produtos que "também" está entre os químicos utilizados pelas autarquias.

"Quando nós vemos os trabalhadores camarários a fazerem pulverização dos nossos passeios, em muitos casos existe também a utilização de pesticidas, que podem ser com glifosatos ou outros", disse a eurodeputada.


Contaminação por glifosato está espalhada por todo o País
"A utilização do glifosato, compete aos Estados membros. Portanto, é um a decisão que é própria dos governos nacionais de decidirem se permitem ou não a utilização deste composto", lembrou a deputada, frisando que a decisão sobre uso ou não deste químico "é própria dos governo nacionais", devendo por isso ser imputada aos Estados e não à União Europeia.

Na sua intervenção em Estrasburgo, considerou "óbvia" a possibilidade de "utilizarmos os pesticidas de uma forma mais sustentável e também é óbvio que os agricultores são os principais interessados em manter um ambiente limpo e sustentável", pois "a sua subsistência depende disto".

"Por isto, lamento o tom geral deste documento", afirmou, referindo-se ao relatório da Comissão do Ambiente, "que atribui à agricultura, a principal causa da má utilização destes produtos".

A nível europeu, neste momento, está em curso uma moratória, até 2022, durante a qual serão realizados mais estudos, "para podermos ter uma fundamentação científica, para podermos depois efetivamente ter uma escolha mais concertada", sublinha a eurodeputada.


SAÚDE
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"Contudo, quando falamos de pesticidas, de uma forma global, não nos podemos esquecer das várias componentes", disse Sofia Ribeiro, pois considera que "é preciso haver uma utilização que seja mais sustentada, com maior formação dos vários profissionais que fazem a utilização desses pesticidas e apostar em sistemas que possam contribuir para a diminuição da sua utilização, como por exemplo o sistema de proteção integrada".

A eurodeputada social-democrata foi entrevistada no âmbito do programa a Hora da Europa. No Parlamento Europeu, Sofia Ribeiro integra a comissão do Emprego e dos Assuntos Sociais, a Delegação para as Relações com os Estados Unidos. É Membro suplente da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural e da Delegação para as Relações com o Canadá.

Ao longo as próximas semanas vamos procurar respostas a questões como as alterações climáticas, crescimento e emprego, direitos humanos, eleições europeias, futuro da Europa, migrantes, proteção dos consumidores, proteção social? Estes são alguns dos pontos de partida para a conversa com os eurodeputados, em direto, de Bruxelas ou Estrasburgo.