sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Comissão Técnica culpa Proteção Civil pelas mortes de Pedrógão

Os responsáveis pelo comando do ataque ao incêndio de Pedrógão Grande - que, a 17 de junho, matou pelo menos 64 pessoas - tiveram culpa na dimensão que as chamas tomaram. E, algumas das escolhas feitas por quem estava a mandar no teatro de operações podem ter contribuído para o desfecho trágico do fogo. As conclusões são da Comissão Técnica nomeada pelo Parlamento e pelo Conselho de Reitores para averiguar o que correu mal em Pedrógão Grande, cujo relatório final foi entregue na manhã desta quinta-feira na Assembleia da República.

As consequências catastróficas do incêndio não são alheias às opções táticas e estratégicas que foram tomadas", acusa o documento de 296 páginas. E tudo falhou, segundo os especialistas. A começar pelo preposicionando de meios de combate na região, que não foi o adequado apesar dos avisos meteorológicos. "Era possível que na região ocorressem fogos simultâneos, causados direta ou indiretamente por trovoada seca", recorda o relatório. Mesmo assim, os postos de vigia da região não estava ativos e "a vigilância móvel" limitava-se à presença de Sapadores Florestais.

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Ainda assim, e apesar destas falhas, os especialistas reconhecem que o incêndio teve características "excecionais" devido à seca e à grande acumulação de combustíveis - uma vez que aquela zona não ardia há 20 anos.

SIRESP assenta em "tecnologia ultrapassada"
Por outro lado, o SIRESP também dificultou as operações. O sistema, avisam os especialistas, assenta em "tecnologia ultrapassada".

O presidente da Comissão Técnica - que na tarde desta quinta-feira tem um encontro marcado com o primeiro-ministro - falou aos jornalistas a seguir à entrega do relatório ao presidente da Assembleia da República. "Se houvesse um sistema de sensibilização e informação, se o comando na altura, entre as 15 horas e as 16 horas tivesse dado instruções à população [designadamente que se mantivessem em casa], provavelmente muitas das mortes não teriam ocorrido", afirmou João Guerreiro, acrescentando que o atual sistema de escolha dos comandantes da Proteção Civil não é o mais adequado, uma vez que as nomeações são "recorrentes". João Guerreiro defende a criação de uma carreira de Proteção Civil e que os responsáveis sejam escolhidos por concurso público.

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