segunda-feira, 25 de novembro de 2013

IVA na restauração a 23% teve impacto positivo de 180 milhões

Publicado às 12.57


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O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, afirmou,
esta segunda-feira, no parlamento, que a taxa de 23% no IVA da
restauração teve um impacto financeiro positivo de cerca de 180
milhões de euros.


foto DIANA QUINTELA / GLOBAL IMAGENS
Paulo Núncio


Paulo Núncio, que falava no último dia do debate na especialidade do
Orçamento do Estado para 2014 (OE2014) na Assembleia da República,
acusou o PS de se basear em "números errados" e de estar em "completo
confronto com a realidade" quando afirma que a taxa de IVA (Imposto
sobre o Valor Acrescentado) de 23% sobre o setor da restauração custou
850 milhões ao Estado.

"Ao contrário do que o PS continua a dizer, em completo confronto com
a realidade, o impacto financeiro desta medida [IVA a 23%] não foi
negativo para o Estado, mas foi positivo. O PS diz, baseado nas
estimativas erradas veiculadas nos últimos dois anos, que o impacto
financeiro para o Estado seria negativo - imagine-se - em 850 milhões
de euros", afirmou o governante.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais afirmou que "os dados
oficiais desmentem esta realidade" e que "o impacto financeiro para o
Estado no seu todo foi um impacto positivo de cerca de 180 milhões de
euros".

Por isso, defendeu Paulo Núncio, "os objetivos de consolidação
orçamental foram atingidos, por mais que os partidos de esquerda
continuem a apregoar dados que não são verdadeiros".

O IVA no setor da restauração aumentou de 13% para 23% no Orçamento do
Estado para 2012.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3552119

Portugal autorizado a exportar produtos cárneos de bovinos e aves de origem nacional, concluindo o procedimento de habilitação que estava a ser negociado entre Portugal e os Emirados Árabes Unidos

MAM

Da reunião entre o Secretário de Estado da Alimentação e da
Investigação Agroalimentar, Nuno Vieira e Brito, e o seu homólogo,
Saif Mohammed Al Shara, Subsecretário dos Recursos Aquáticos e dos
Assuntos de Conservação em Natureza, resultou a autorização de
exportação de produtos cárneos de bovinos e aves de origem portuguesa,
concluindo assim da melhor maneira o procedimento de habilitação que
estava a ser negociado entre Portugal e os Emirados Árabes Unidos.

Esta abertura de mercado será certamente mais uma oportunidade de
crescimento e inovação para as empresas nacionais, atendendo às
especificidades do mercado e do tipo de certificação em causa.
Destaca-se igualmente o enorme potencial que os Emirados Árabes Unidos
representam pela situação estratégica deste mercado como plataforma
regional.

Ficou ainda a promessa de uma visita, em breve, do Subsecretário dos
Recursos Aquáticos e dos Assuntos de Conservação em Natureza ao nosso
País e procurando assim novas oportunidades para as nossas
exportações.

Este entendimento entre os dois países resulta da deslocação do
Secretário de Estado da Alimentação a Abu Dhabi com o objectivo de
apoiar e promover as 15 empresas nacionais do setor Agroalimentar que
participam na SIAL Middle East. Para além do registo de mais empresas
presentes neste certame, destaca-se a seleção de 7 produtos nacionais
considerados inovadores e propostos para o prémio da categoria de
inovação.

http://www.agroportal.pt/x/agronoticias/2013/11/25c.htm

Temperaturas baixas vão manter-se nos próximos dias mas com céu pouco nublado

LUSA

24/11/2013 - 18:19

Nas zonas do interior norte e do centro, os termómetros poderão descer
até aos três graus negativos.

Temperaturas são normais para esta altura do ano NUNO FERREIRA SANTOS

Meteorologia

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) adiantou neste
domingo que os próximos dias serão de céu pouco nublado, mas com as
temperaturas baixas a manterem-se, pelo menos, até quinta-feira.

"Nos próximos dias prevê-se céu geralmente limpo, vento de nordeste
fraco a moderado, soprando com mais intensidade nas terras altas, com
rajadas que podem atingir os 70 quilómetros por hora", disse à Lusa a
meteorologista Madalena Rodrigues.

Por outro lado, adiantou que "prevê-se acentuado arrefecimento
nocturno com formação de geada em especial nas zonas do interior".
Segundo Madalena Rodrigues, esse arrefecimento poderá provocar nas
zonas do interior norte e centro temperaturas mínimas entre os dois
graus negativos e os três graus negativos.

"Aqui, para Lisboa está previsto nos próximos dias mínimas a oscilar
entre os cinco e os seis graus e a máxima entre os 13 e 14", disse a
meteorologista, acrescentando que são temperaturas normais para esta
altura do ano.

Quanto à possibilidade de aguaceiros, Madalena Rodrigues adiantou que
as previsões apontam para a possibilidade de chuva no Algarve no dia
28 de Novembro, mas acrescentou que ainda falta algum tempo e que esse
será um dado para acompanhar.

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/temperaturas-baixas-vao-manterse-nos-proximos-dias-mas-com-ceu-pouco-nublado-1613780

O mundo também se descobre a cavalo

Por Andreia Marques Pereira

31.10.2013

É pouco comum entre nós, mas lá fora há muito que se galopa entre os
amantes da natureza. O turismo equestre move paixões e Portugal espera
mover-se com elas. Afinal, diz quem sabe, tem argumentos de peso:
cultura equestre, raças autóctones, enquadramento natural. Fomos ao
Gerês, ao Ribatejo e Alentejo descobrir os trilhos dos cavalos
nacionais.

Quando chegamos, somos os únicos que não sabemos o que fazer. Elas
saem do carro e os passos levam-nas seguras: umas entram no estábulo,
outras dirigem-se ao campo onde pastam garranos. Carmen Nagel, sorriso
largo, faz festas ao Trovão, castanho-escuro, bem delineado. Em pouco
vai começar o ritual: a atribuição de cavalos, o aparelhamento — só
Susan Metz, mãe de Carmen, monta sempre o mesmo cavalo, o lusitano
Jojó, Joy chama-lhe ela, porque é a única que lhe tem despertado
simpatia. "Tem andado cansado e rezingão", explicam-nos. Parece não
haver pressas por aqui, ainda que a manhã tenha começado atrasada.
Está relaxado, o grupo — o milagre deste cantinho do Norte português,
"longe do turismo de massas e em paisagens deslumbrantes", dizem-nos.
Foi por eles que vieram: pelo prazer de o usufruir a cavalo.

É o quinto dia destas férias equestres. Para todas uma estreia em
Portugal. Karen Kristan explica a opção: "É Outubro e está quente.
Onde mais poderia montar nestas condições?" Em Portugal, Castro
Laboreiro conquistou-a "pelos cavalos, lobos e natureza". Este é o
triunvirato que todas apontam como motivo para a escolha de Portugal
para o turismo equestre, a "actividade turística oferecida
comercialmente em que o equino ou muar representa o meio de transporte
e um dos principais atractivos", lê-se no estudo elaborado pela
TURIHAB para o Turismo de Portugal (TP), que o colocou como um dos
objectivos para o Plano Estratégico Nacional de Turismo 2015 (PENT
2015) como "um segmento do turismo de natureza particularmente
relevante para a qualificação da oferta turística ao permitir
diversificar os serviços de animação disponíveis, assim como dinamizar
iniciativas regionais em territórios com recursos naturais e
patrimoniais relevantes". Aqui estamos no Parque Nacional da
Peneda-Gerês, que é o cartão-de-visita português para todo o grupo —
nunca nenhuma havia estado no país; para três uma estreia no turismo
equestre, para duas, uma paragem mais num hábito já enraizado. Para
Portugal, um pequeno passo neste nicho do mercado turístico que começa
a ganhar alguma visibilidade.

A curiosidade pelos garranos (raça autóctone) é assumida pelas alemãs
— notavelmente por Susan, que esteve para comprar um, acabando por
optar por um cavalo islandês, que "tem basicamente as mesmas
características" (não muito alto, forte). Louvam-lhes as qualidades (a
tranquilidade, a segurança, a força que escondem na baixa estatura) e
gostam de os ver "em estado selvagem", o que é proporcionado pela
região eleita para as férias; assim como os lobos (dois dias antes,
todos se aventuraram na noite para ouvi-los uivar), que constituem
ainda um interesse muito particular de Pedro Alarcão e Anabela Moedas,
o casal que fundou a Ecotura depois de sete anos a trabalhar sobre
(com) eles – primeiro para um livro, depois para documentários. Ele é
fotojornalista, ela jornalista. Quando o trabalho terminou já não
quiseram regressar a Lisboa: trouxeram as filhas e fixaram-se em
Castro Laboreiro, montando a Ecotura em 2006. "A Ecotura – Ecoturismo
e Turismo Equestre no Parque Nacional Peneda Gerês dedica-se à
organização/realização de passeios, equestres e pedestres, em
território do lobo", lê-se na declaração de actividade da empresa.

Se o turismo equestre implica, ainda de acordo com fonte do TP, "a
realização de percursos a cavalo [que] permite a fruição turística do
meio natural e dos atractivos culturais da região", este grupo da
Ecotura é toda uma síntese programática. Não estamos com iniciantes.
No grupo que esta semana calcorreia trilhos pelo Gerês, todas
(curiosamente todos os participantes são mulheres, o que vai, aliás,
ao encontro do perfil do público deste tipo de turismo) têm
experiência q.b. com cavalos: basta de dizer que apenas Karen não
possui cavalo; Cordola Schneider-Dücker trabalha na área e a filha
participa em competições — a filha não veio com ela, veio a amiga
Andrea Brück, cúmplice nestas andanças, de férias e de rotinas. "Ela
monta os meus cavalos, eu os dela." Não sendo iniciantes, os dias
passam-se mergulhados na paisagem, seja no planalto, seja nos vales de
carvalhais, em dias que alternam entre o que chamam "curtos" e
"longos".

Apanhamos um "curto" e isto significa que só se monta de manhã, a
tarde é reservada a outras actividades — hoje é um percurso pedestre.
"Temos um máximo de cinco horas de sela por dia", explica Anabela, "e
vamos adaptando os passeios aos grupos". Nunca há misturas entre
experientes e iniciantes — estes, nos dias curtos, por exemplo, têm
aulas: vão aprendendo o passo, o trote e o galope, sempre "em
situações controladas". Não que agora se organizem muitas férias de
iniciantes, habitualmente procuradas por portugueses. "Tivemos sorte,
quando a crise se começou a notar já estávamos a dar o salto para o
estrangeiro." E este é um mercado mais experiente. O grupo é todo
alemão, por coincidência, mas também por tendência. "O nosso público é
sobretudo da Alemanha e Reino Unido", aponta Pedro Alarcão — não só da
Ecotura, é um facto atestado por dados do estudo do TURIHAB. Na
verdade, actualmente, 90% dos clientes da Ecotura são estrangeiros; os
portugueses vêm menos e quando o fazem é para experiências breves. "Os
programas de um dia foram encurtados: uma manhã com a tarde opcional",
conta Pedro, para permitir apresentar preços mais baixos e tentar
contrariar a queda da procura. São quase sempre aulas.

Altar dos lusitanos

Um dos factores que o TP aponta como vantagem na atracção deste tipo
de turistas é o facto de Portugal ser um país "com cultura equestre
com projecção no estrangeiro graças ao cavalo lusitano". É, de entre
as três raças autóctones (com o garrano e o sorraia), o cavalo mais
reconhecido internacionalmente e exibe-se por cá em "destinos
tradicionais associados ao cavalo", como a Golegã, Ponte de Lima ou
Alter do Chão. E aqui permite-se fazer uma distinção dentro do turismo
equestre: por um lado, o turismo a cavalo, "quando se desenvolve a
prática da equitação ou as deslocações implicam o transporte a
cavalo"; por outro, o turismo do cavalo, que "engloba todas as
actividades ligadas ao mundo equestre sem que se desenvolva a prática
da equitação". As feiras do cavalo de Ponte de Lima e da Golegã (1 a
11 de Novembro: será a XVIII Feira Nacional do Cavalo e a XV Feira
Internacional do Cavalo Lusitano) oferecem provas equestres, exibição
e compra e venda de cavalos — para um público especializado, aquele
que percorre "rotas que permitem aumentar o conhecimento em relação ao
cavalo", explica o TP.

Este é o tipo de público que frequenta em maioria a Coudelaria de
Alter. "Procuram algo específico", aponta Francisco Beja, o
responsável, "aulas para melhorar determinados aspectos ou o know how
para desbastar e ensinar cavalos". É um segmento muito particular no
turismo equestre, que "não é", sublinha Francisco Beja, "a principal
vocação da coudelaria". "Pode vir a ser…". Neste momento de transição,
em que foi extinta a Fundação Alter Real e a gestão da coudelaria
passou para a Companhia das Lezírias, o futuro está em aberto. Porém,
o PENT faz-lhe referência na sua avaliação do turismo equestre no
Alentejo, constatando que se verifica "a necessidade de desenvolver
serviços e sua disponibilização ao turista, em particular no que diz
respeito à Coudelaria de Alter". Há passos a dar, admite Francisco
Beja, assumindo a limitação da oferta no turismo equestre, sobretudo
no que ao turismo a cavalo diz respeito: a equitação não faz parte das
visitas guiadas (sempre diferentes: a ideia é acompanhar o dia-a-dia
da coudelaria e aqui anda-se ao ritmo das estações do ano e suas
vicissitudes — tanto pode ver-se uma sonografia na época da reprodução
como desmame e os primeiros passos dos poldros), embora exista a opção
de montar a cavalo, apenas em picadeiro, com marcação prévia; não há,
por exemplo, o (cada vez mais) popular randonné que permite visitar a
paisagem a cavalo. "Não somos centro hípico", nota. São uma coudelaria
e isto significa que se dedica à criação, protecção e desenvolvimento
de cavalos — lusitanos, com ferro Alter Real. É essa a sua missão
desde a sua fundação, em 1748, no seguimento da política coudélica
idealizada por D. João V, que impôs a produção nacional de cavalos de
sela, de Alta Escola, lê-se no site.

Na Coudelaria de Alter parece respirar-se tradição, que se reflecte no
conjunto de edifícios, imponentes, brancos com lista amarela, que se
desvendam em pátios e se seguem em labirinto — "é uma espécie de
cidade dos cavalos", refere Francisco Beja. Chegamos a tempo de ver o
início de uma aula de equitação da Escola Profissional de
Desenvolvimento Rural de Alter do Chão — os alunos, com traje de
montar da escola, levam os cavalos pelas rédeas até ao picadeiro Gomes
da Silva, um dos muitos que aqui existem, cobertos e descobertos. Quem
vem não pode deixar de reparar nas Casas Altas, o edifício mais antigo
e mais emblemático da coudelaria (visto de lado tem algo de fortaleza,
parede branca altíssima com as janelas a espreitarem só em cima), que
era a cavalariça original e é agora a recepção e centro de
interpretação, espaço nevrálgico para perceber a organização e as
valências da coudelaria.

O grand carrier é a grande sala de festas da coudelaria, onde se
organizam provas diversas e onde Duarte Nogueira treina — compete em
dressage. Acabamos por não nos cruzar com ele, que orienta o trabalho
dos três monitores e dá aulas mais avançadas. Acabamos também por não
nos cruzar com nenhum turista — nem para as visitas guiadas, nem os
que vêm para os estágios com os tais objectivos muito específicos.
"Normalmente têm uma hora de aulas e o resto do tempo participam nos
trabalhos da coudelaria", explica Francisco Beja. São aulas altamente
especializadas, muitas vezes na vertente da competição — é aí que
entra Duarte Nogueira, que "mostra a tecnicidade, a arte".

Quase três séculos depois da fundação, o ferro Alter Real é famoso e
há vários campeões saídos daqui — outros na forja, como o Vieheste,
que está no Brasil a ser preparado para os jogos olímpicos de 2016,
onde vai ser montado pelo cavaleiro brasileiro Manuel Tavares Almeida.
Há cerca de 500 cavalos na coudelaria — "efectivos, não à manjedoura,
e da Coudelaria de Alter e Coudelaria Nacional" —, dos quais 20 a 25
são todos os anos colocados à venda em leilão; outros são
seleccionados para competição (reprodutores), para a Escola Portuguesa
de Arte Equestre e para as eguadas. Os animais podem ser vendidos a
partir de qualquer idade, mas o valor sobe quando têm performance
testada e confirmada — aqui, tenta-se assegurar isso.

Tudo começa pelo desbaste dos animais (um trabalho para suavizar os
movimentos do cavalo, habituá-los ao contacto com o homem, a aceitar o
seu peso nos andamentos), a partir dos três anos, altura em que são
recolhidos dos campos. No Pátio D. João VI encontra-se o maior centro
de desbaste da coudelaria, com 70 boxes e um picadeiro coberto. É aqui
que encontramos os três equitadores que, quando não têm aulas para
monitorar, se dedicam ao desbaste e ensino dos cavalos — há alguns
espelhos colocados estrategicamente nas paredes, para os cavaleiros
avaliarem a postura dos animais. Aos campos (são 800 hectares no
total), vamos em busca da eguada. Percorremos trilhos quase
invisíveis, passamos cancelas — o ritual é habitual: abrir e fechar a
cancela, sempre —, observamos a erva parda e a natureza vestida de
Outono. "Há veados, gamos, javalis, lebres", enumera Francisco Beja,
mas não vemos nenhum. Nesta manhã, até as éguas também parecem
esquivas, mas apenas nos trocaram as voltas e acabamos por
encontrá-las junto à entrada — junto às manjedouras, onde se acumulam
fardos de feno. "Ouviram o barulho do carro e vieram para aqui",
explica Francisco. São dezenas, todas castanhas, e ele conhece-as pelo
nome (atribuído pelo ano de nascimento e o nome do pai, a primeira
letra da primeira e segunda sílabas, respectivamente). "Sou eu que as
selecciono, vejo crescer, oriento a inseminação", justifica.
Enjeitada, Claque, Babilónia, Donjela, Beringela, "filha do Rubi, que
foi aos jogos olímpicos, um dos melhores lusitanos de sempre, ferro de
Alter"… — estão aqui as mães de todos os cavalos que saem de Alter.

Em terra de campinos

A Tapada de Braço de Prata está quase sonolenta nesta tarde soalheira
de Outono e a pequena alameda de altas palmeiras que nos conduz até às
cavalariças transporta-nos para outras geografias. Este é centro
nevrálgico do turismo equestre na Companhia das Lezírias (CL), uma
empresa quase mítica, com a sua evocação de milhares de hectares de
terrenos devotados à agricultura e natureza mais selvagem. À porta dos
estábulos brincam, irrequietos dois Jack Russel, a Tonicha e o Oscar.
"São os cães de cavalariça", explica André Machado Faria, o
responsável pela área do turismo equestre da CL (uma das prioridades
do PENT 2015), "estão sempre a apanhar ratos". Ruben Peniche (que para
o ano vai estrear-se no toureio a cavalo, depois de ter andado pelos
forcados) monta o Baiuco, que, perceberemos mais tarde, é a estrela
entre os 12 cavalos (no futuro terão todos ferro da CL) disponíveis
para os visitantes — primeiro no picadeiro, sob o olhar atento de
André; depois, pela propriedade. "Está redondo", ouviremos —
explicação: está harmonioso nos movimentos.

É necessário que assim estejam todos os cavalos para poderem servir a
todo o tipo de cavaleiros. Podem ser iniciantes ou experientes. Aqui,
na CL, a oferta é variada, ainda que recente — desde actividades de
aprendizagem a passeios em carro de cavalos ou a passeios a cavalo,
com guia, de algumas horas ou dias. Os portugueses, explica André, vêm
muito para passeios em carro e iniciação a cavalos, "normalmente
casais que querem ter a experiência"; os estrangeiros procuram
passeios de vários dias, já têm experiência de montar. Podem chegar a
ficar seis dias com a CL – não na CL: os programas mais longos
dividem-se habitualmente entre a CL e os parques de Sintra, com
possíveis "desvios" até à Tapada Nacional de Mafra e ao palácio de
Queluz, onde funciona a Escola Portuguesa de Arte Equestre. Tivéssemos
vindo duas semanas mais cedo e ter-nos-íamos cruzado com chineses, que
parecem ter descoberto a CL para as suas férias equestres: não só tem
direito a referências em revistas da China, como de lá chegam
regularmente turistas. "É o nosso melhor mercado, neste momento",
assume André.

Com milhares de hectares à disposição dos cavaleiros, os passeios que
se confinam à CL nunca são monótonos: aqui, na charneca (em oposição à
zona de lezíria), onde se localiza o centro de turismo equestre, as
paisagens variam entre os arrozais (por estes dias amarelados,
transformando a paisagem num quadro de Van Gogh), montado de sobro,
mato (pinheiros mansos e bravos, sobretudo), vinhas e uma das maiores
barragens privadas do país (Alcobrão). Quem fica um dia tem direito a
um "almoço de campo", com toalha de pano, garfo e faca, vinho e
especialidades locais — o "bacalhau à campino" é o mais requisitado. E
em terras de campinos, de enraizadas tradições equestres, quem fica
mais tempo tem sempre a oportunidade de se envolver na cultura da
lezíria: quando é possível, uma incursão a uma tourada; e, sempre que
se quer, uma "iniciação" às lides do toureio a cavalo ou um passeio
entre manadas de vacas.

Campo de desportos equestres, com sobreiros a salpicá-lo, o cercado de
poldros, a pista de obstáculos de atrelagem — vamos atrás dos cavalos.
No regresso, o pátio entre o picadeiro e o estábulo torna-se o
balneário dos cavalos. "Eles adoram." As mangueiras refrescam-nos, a
escova retira a água. Se os turistas querem, podem fazê-lo; "tudo
depende da sua vontade".

Sem cavalgadas

Em Castro Laboreiro essa é quase uma exigência dos turistas
estrangeiros — não tanto dos portugueses. "Eles querem limpar os
cavalos e os estábulos, querem ver o tractor…", refere Pedro Alarcão.
Antes de montar, querem aparelhar os cavalos. É um ritual importante,
afirmam as visitantes: "Para conhecer o cavalo e para ele nos
conhecer". Vão falando com os animais enquanto os escovam, limpam os
cascos, colocam a manta e a sela, os estribos e os arreios. Quando é
hora de partir, a comitiva vai rodeada pelos cães da casa que
acompanham o percurso — gatos e burros (para burricadas) completam a
família Ecotura. Vão lusitanos e garranos. Uma mistura desde sempre
assumida pelos proprietários, que procuram ter uma representatividade
boa das duas raças. As cavaleiras aprovam e ressalvam o carácter
especial dos cavalos daqui — "são muito diferentes", dizem, "na
Alemanha nunca poderíamos montar um garanhão, por exemplo".

Vegetação rasteira, pedras, montes rapados e, ao longe, cumes
multiplicando-se entre a luz diáfana — é o planalto que se abre. Vão a
passo com alguns momentos de trote e galope, quando se proporciona. "A
nossa filosofia é: os cavalos não passam o dia a galopar", explica
Pedro Alarcão, "tem de se ter em conta o bem-estar deles". Deixamos de
avistar o grupo quando este sobe para o Sítio do Cavalo Morto;
voltamos a encontrá-lo em Rodeiro, antiga branda, situada na margem do
rio Laboreiro — atravessam o casario tradicional de pedra, espreitam
um antigo forno comunitário e avistam os moinhos de água no vale.

De regresso, o ritual de tratamento de cavalo repete-se. Cada uma
trata do seu — como o passeio foi curto, o banho de mangueira é
substituído por banho de esponja; limpam-se os arreios; escovam-se
crinas e caudas; fazem-se mimos. Depois, é altura da liberdade:
Anabela abre e fecha cercas, os cavalos são distribuídos pelos campos
em redor. Vão sozinhos, saltam os muros de pedra e desaparecem na
paisagem. À noite voltam, sozinhos, também — sabem que é aqui que
jantam.



Ecotura
Portelinha - Castro Laboreiro
4960 Melgaço
Tel: 967442217
E-mail: ecotura@ecotura.com
www.ecotura.com

Na Ecotura, os programas de férias equestres incluem caminhadas
regulares de descoberta das paisagens e tradições da serra da Peneda
e, permita o tempo, mergulhos em piscinas naturais ou banhos em águas
termais. A observação de animais selvagens não é garantida, mas as
tentativas sim (inclusive à noite), e a gastronomia regional faz parte
da experiência — ao pequeno-almoço e almoço (este normalmente
piquenique com produtos regionais) incluída no pacote oferecido. Para
o ano está previsto o início da realização de trilhos contínuos.
"Ainda não os fazemos porque não há sítios para os cavalos dormirem",
lamenta Pedro Alarcão. "Em França, as casas de turismo rural têm boxes
ou campos vedados já a contar com cavalos", compara.

Preços: Férias equestres: 800€ (sem jantar, alojamento em casas de
turismo de habitação); manhã com cavalos: 35€.

Companhia das Lezírias
Monte de Braço de Prata, ?Porto Alto
2135-318 Samora Correia
Tel.: 263 650 600
926 729 180/ 961 523 119
E-mail: andre.mfaria@cl.pt; pequena.companhia@cl.pt
www.cl.pt

A cerca de 40 quilómetros de Lisboa, a CL é por vezes chamada de
"pulmão" da capital: são 18 mil hectares de terreno que se dividem em
duas áreas distintas. De um lado, a lezíria, terreno plano, sem
vegetação, à beira-Tejo e Sorraia, ocupada por arrozais e gado bovino
— e, desde recentemente, casa do EVOA – Espaço de Visitação e
Observação de Aves, que traz o birdwatching à zona húmida mais
importante do país. Do outro, a charneca, onde se encontram o centro
de turismo equestre, a coudelaria e os bungalows (com quarto, sala,
cozinha, WC e um apetecível alpendre), implantados entre sobreiros em
torno de uma piscina. As visitas à CL só estão abertas a grupos e com
marcação prévia, centrando-se nos seus locais mais emblemáticos —
quase todos na charneca, onde além de paisagens variadas se localizam
a coudelaria, as adegas (com provas) e o restaurante. É aqui que
decorrem os passeios a cavalo e em carro de cavalos — a iniciação fica
reservada ao picadeiro. Outra actividade possível na CL é a caça:
patos, javalis, coelhos são algumas das espécies que abundam.

Preços: Passeios a cavalo: 40€ (meio-dia), 75€ (um dia com
piquenique); 125€ (dois dias, sem estadia); 300€ (fim-de-semana, uma
noite incluída, para duas pessoas); 1450€, mais IVA ("Por Caminhos de
Reis", 7 dias/6 noites, refeições, dormidas, transporte incluído).
Aulas de Equitação (mínimo 4 aulas): 10€ (4x). Passeio em carro de
cavalos: a partir de 30€ (1/2h, máximo seis pessoas). Bungalows: 50€
para duas pessoas; 80€ para quatro pessoas (por noite).

Coudelaria de Alter
Tapada do Arneiro
Apartado 80
7441-909 Alter do Chão
Tel: 245 610 060
E-mail: geral@alterreal.pt
www.alterreal.com

Se a equitação fosse religião, Alter do Chão seria o altar português.
Aqui, respira-se a história e o presente da arte equestre e da raça
mais representativa do país, o cavalo lusitano, animal especialmente
dotado para estas. Se vivemos o presente nas visitas guiadas à
coudelaria (7,50€, com vários descontos), com a imersão possível no
seu quotidiano ao montar (em picadeiro: desde 25€, com ou sem
equitador) no Museu do Cavalo (com peças que testemunham a evolução da
arte equestre em vários contextos) e na Casa dos Trens (com vários
carros do século XIX) tem-se um relance ao passado.

Fazemos um parêntesis nos cavalos para falar de outra arte que na
coudelaria "voa" à solta, a da falcoaria, Património Imaterial da
Humanidade desde 2010. Em determinados dias está incluída na visita
guiada à coudelaria; nada de descabido sabendo que a falcoaria e os
cavalos sempre tiveram uma relação próxima — esta modalidade de caça,
das mais antigas, sempre foi acompanhada a cavalo e era uma das
predilectas da realeza. Em Portugal teve o seu auge na Idade Média e,
mais tarde, na segunda metade do século XVIII, altura em que a
coudelaria, criada para fornecer cavalos à picaria real, começava a
dar os primeiros passos. As exibições de falcoaria acontecem em dias
específicos e são da responsabilidade da Caçamonte, concessionária da
coudelaria. Nós assistimos ao voo livre de uma águia (JB) e um falcão
(Lua).

Preços: Montar em picadeiro (14h30-16h30): 25€ (30m), 50€ (1h), se
souber montar; 25€ (20m), 50€ (40m), aula de volteio com equitador;
atrelagem desde 2,50€; visitas guiadas: 7,50€ (com vários descontos).

Um nicho de mercado à procura do seu lugar
Há algo que parece querer mudar no turismo português e se calhar a
organização do workshop Turismo Equestre em Portugal - Oportunidades
de Desenvolvimento é disso sintomático. É mais um passo para
desenvolver o que o TP considera um "nicho de mercado", mas cujo
potencial em Portugal está avaliado em mais de 500 milhões de euros e
que tem nos 6,4 milhões de praticantes de passeios a cavalo na Europa
um mercado em potência, segundo dados de um estudo da THR citado pelo
TP. O próprio TP "desafiou" a TURIHAB (Associação do Turismo de
Habitação de Portugal) e o Turismo do Porto e do Norte a desenvolver o
projecto-piloto Itinerários de Turismo Equestre, desenvolvido pela
TURIHAB (Associação do Turismo de Habitação de Portugal), "que
pretendeu desenvolver uma metodologia e requisitos aplicáveis ao
desenvolvimento desta actividade e um guia de boas práticas para os
agentes turísticos", descreve Maria do Céu Sá Lima, da TURIHAB. Apesar
de o estudo se ter debruçado sobre a região Minho-Lima, "a
caracterização e os requisitos necessários para implementar um
circuito é aplicável a todo o país", sublinha.

O levantamento feito sobre o turismo equestre revelou o perfil europeu
do turista como sendo adulto, entre os 25 e os 50 anos, sem filhos,
que permanece entre quatro e sete noites no destino e tem um gasto
médio a rondar os 1500 euros — facto "marcante", assinala Maria do Céu
Sá Lima: 60 por cento são mulheres. É um turista que "procura férias
com esta motivação ao longo de todo o ano, embora com incidência entre
Maio e Agosto, escolhendo deslocar-se em modalidade pacote de férias
uma a duas vezes por ano. Escolhe o seu programa e destino através da
Internet, catálogos e revistas especializadas".

O turismo equestre enquadra-se no âmbito do turismo de natureza, um
segmento de mercado onde domina a procura da "tranquilidade, repouso e
autenticidade" e a realização de "múltiplas actividades no destino". O
"enquadramento natural, paisagístico e de recursos, muito atractivo e
variado, com um clima ameno, alojamento, restauração, serviços e
equipamentos de apoio com grande qualidade e de referência", enumera
fonte do TP, aliado à "cultura equestre, patente nos vários eventos e
competições internacionais que recebe todos os anos, e raças
autóctones" tornam Portugal num competidor credível frente aos
principais pólos europeus deste tipo de turismo, como a França,
Itália, Irlanda e Espanha. Se a isto somarmos "a maior consciência
ambiental dos turistas, a preferência por destinos não massificados e
por experiências diferentes e autênticas", constata-se que há em
Portugal "oportunidades de desenvolvimento deste produto", através de
"uma rede de centros hípicos e de rotas e itinerários adaptados, que
permitam, em conjunto com outras valências, apresentar e vender uma
oferta integrada".

Neste momento, e de acordo com os dados disponíveis, existem cerca de
40 empresas que se dedicam à actividade de animação equestre em
Portugal. "O grande objectivo [do projecto-piloto] é pôr todos os
empresários do turismo equestre em contacto para poderem lançar em
conjunto itinerários que serão depois comercializados, inclusive nos
circuitos internacionais", refere Maria do Céu Sá Lima. Este é um
mercado importante, uma vez que os "portugueses participam em eventos
e praticam em espaços fechados", nota, "ainda não há motivação para
fazer itinerários". Talvez pela pouca tradição de hipismo entre nós
(segundos dados da Federação Portuguesa Equestre, há 5597 cavaleiros
registados): "É uma prática cara". De qualquer forma, assinala, se os
programas podem ter um preço elevado (no mínimo 150€ por dia), os
"preços são muito mais acessíveis para a prática pontual, com várias
soluções, como ensinar a montar".

A cavalo ou de cavalo, este nicho turístico vai muito além do animal,
"movimentando muitos recursos" e "desenvolvendo localmente outras
dinâmicas", sublinha Maria do Céu Sá Lima. Ambientais, turísticas e
económicas: "ferradores, tratadores de cavalos, guias, limpeza de
caminhos, restaurantes, alojamento… Pode transformar economias
locais". Ao mesmo tempo, defende o TP, "este segmento tem potencial
para ser associado não só ao turismo de natureza, como a outros
produtos turísticos estratégicos, como os circuitos turísticos
religiosos e culturais, o golfe ou o turismo residencial".

http://fugas.publico.pt/Viagens/326620_turismo-equestre-o-mundo-tambem-se-descobre-a-cavalo?pagina=-1

Uma região na encruzilhada

Por João Portugal Ramos

23.11.2013

A Fugas convidou João Portugal Ramos a projectar ideias sobre o futuro
do Alentejo. O enólogo e gestor aceitou o desafio e neste texto revela
o contributo da região para a nova vaga do vinho nacional e deixa no
ar as ameaças que "a dificuldade de equilibrar a oferta à procura" lhe
colocam

Falar do Alentejo é para mim muito gratificante, pois mesmo muito
antes de chegar à região e dar os meus primeiros passos como enólogo e
gerente da Adega Cooperativa da Vidigueira em 1981, era esta a minha
região de eleição.

Havia uma série de atributos da região que, de facto, eram especiais,
e ainda por cima sendo para mim a caça uma paixão, foi também aqui que
dei os primeiros passos nessa actividade, desde muito novo
acompanhando o meu pai.

Foi também aqui que, a determinada altura, resolvi iniciar a minha
actividade de produtor-engarrafador, é no Alentejo que vivo há 25 anos
e foi aqui que os meus filhos cresceram.

Por outro lado, falar nesta altura sobre a região do ponto de vista
vitivinícola não é uma tarefa fácil, pois tive a felicidade de estar
aqui quando o Alentejo passou a ser a região de referência do país no
que a vinhos diz respeito.

E neste contexto, tão exigente e difícil em quase todas as
actividades, o Alentejo, que continua a ser a região de referência e
de preferência da esmagadora maioria dos consumidores portugueses, tem
rapidamente que resolver uma série de problemas se não quiser perder
essa liderança.

Quando em 1981 fui convidado para enólogo e gerente da Adega
Cooperativa da Vidigueira, Cuba e Alvito, a região detinha apenas 2%
da quota de mercado mas com uma qualidade média dos vinhos muito boa.
Em cerca de duas décadas passou a ter mais de 40% do consumo de vinhos
de qualidade em Portugal!

O Alentejo nessa época tinha uma produção de cerca de 25hl/hectare
(mais ou menos ao nível dos grandes vinhos da Borgonha), as vinhas
eram velhas e os solos onde as vinhas estavam implantadas eram
relativamente pobres, perfeitamente adequados à cultura da vinha, pois
os mais férteis eram normalmente utilizados para outro tipo de
culturas.

Havia de facto uma enorme qualidade média de uvas. Para além das
excepções da Tapada de Chaves, Mouchão, Quinta do Carmo, Montes Claros
e José de Sousa Rosado Fernandes, que produziam e engarrafavam
pequenas quantidades de vinhos, a esmagadora maioria era destinada às
seis Adegas Cooperativas existentes na região que as vinificavam,
engarrafavam e promoviam os vinhos e a região.

O primeiro produtor-engarrafador, para além dos atrás mencionados, foi
a Sociedade dos Azeites de Moura, com a marca Paço dos Infantes,
pertencente à família Almodôvar, com a colheita de 1982. Foi portanto
uma época em que a região produzia pouco e bem, e para além disso
havia uma grande harmonia ao nível dos preços, pois também me lembro
muito bem da tradição de se realizar um almoço pós-vindima com as
direcções das Adegas Cooperativas a trocarem impressões sobre a
vindima que terminara e quais as políticas a adoptar.

Na segunda metade da década de 80, quando surgem os primeiros Q.C.A.
(Quadros Comunitários de Apoio) os investimentos apontaram para vinhas
e adegas, e todos ou quase todos se candidataram, investindo em vinhas
e tecnologias de produção ao nível das adegas. Aqui, e não foi só no
Alentejo, ficou de fora um apoio tão ou mais importante: a área
comercial para dar suporte ao aumento que já se perspectivava de mais
vinhas e adegas. Hoje, como bem sabemos, todos os apoios e projectos
em curso apontam em especial para o investimento na promoção dos
vinhos.

Na década de 90 começa a haver um aumento exponencial da área de vinha
na região, com as Adegas Cooperativas a iniciarem uma corrida, com o
intuito de serem as que pagam melhor as uvas aos seus associados.

Para dar uma ideia real de preços praticados, dou um exemplo dos
preços então em vigor:

- 1996: cerca de 140$00 (0,70 €)

- 1997: cerca de 250$00 (1,25 €)

- 1998: cerca de 400$00 (2,00 €)

Hoje, 17 anos mais tarde, transaccionam-se uvas a cerca de 0,35 €!

Se o Alentejo tivesse investido apenas cerca de 20% do preço das uvas
a desenvolver novos mercados, hoje provavelmente estaria a valorizar
as uvas pelo dobro do preço agora praticado. Para melhor ilustrar,
esse valor não andaria muito longe do valor que hoje dispõe a
ViniPortugal para a promoção genérica do vinho português.

Quando entrámos no novo século, começa a dificuldade de equilibrar a
oferta à procura, com a proliferação da oferta a atingir proporções
inusitadas, com a inerente quebra acentuada dos preços dos vinhos, e,
por consequência, do preço das uvas.

As Adegas Cooperativas não conseguiram manter uma política comum de
sustentação dos preços e o trade acabou por tirar partido da situação.
Por outro lado, também não fazem reflectir a diminuição do preço dos
vinhos no preço das uvas e, como tal, começam a surgir graves
problemas de sustentabilidade do negócio.

Os novos produtores, que tinham pensado que iriam rentabilizar as suas
explorações com a venda de uvas, resolvem adiar ou aumentar o
problema, investindo em adegas próprias. Como têm dificuldades em
afirmar-se no mercado, começam a vender uvas e vinho a preços mais
baixos, pondo obviamente em risco a sua exploração.

As raras excepções são normalmente aqueles que conseguiram imprimir um
carácter diferenciador aos seus vinhos.

Depois desta minha visão sobre como vi o Alentejo quando cheguei e
como está agora a região, resta falar de como vejo o futuro.

Quando se fala em qualidade de vinho produzido numa determinada
região, deve ter-se em consideração a verdadeira qualidade média dos
vinhos produzidos por essa mesma região. No Alentejo, e até à data,
tem sido fácil, pois é a qualidade tangível da região que está dentro
das garrafas, pois todo o vinho é engarrafado.


A crença no Alentejo

Como sempre tenho afirmado, não conheço nenhuma região em Portugal
onde não se possam produzir bons vinhos. Julgo mesmo que Portugal vai
acabar por ver o seu valor reconhecido, enquanto produtor de vinhos de
enorme qualidade e invulgar especificidade. Assisti durante o meu
percurso de enólogo e produtor no Alentejo ao enorme sucesso da região
e à extraordinária apetência dos consumidores pelos seus vinhos.

O Alentejo funcionou, do meu ponto de vista, como o caminho que se
deveria percorrer para ser uma região de eleição. Os seus vinhos,
jovens, com ênfase de fruta bem madura e com taninos presentes mas
amáveis, vieram mostrar ao consumidor que o estilo de vinho cansado,
oxidado, sem fruta, com taninos duros e secos estava definitivamente
ultrapassado. A este facto deve o Alentejo e Portugal ao
extraordinário desempenho das Adegas Cooperativas da região. As Adegas
Cooperativas do Alentejo vieram dar aos consumidores um selo de
garantia, que veio de alguma forma terminar com a época dos
armazenistas, a maior parte dos quais nem um pé de vinha tinha. Os
vinhos passaram a ter "berço", para além da evidente melhoria do
perfil e da qualidade.

Hoje, graças ao caminho apontado pela região do Alentejo, fala-se
muito da qualidade de várias outras regiões do país, podendo mesmo
afirmar-se que se discute muito se será no Alentejo ou no Douro que se
produzem os melhores vinhos.

Julgo que o carácter de ambas as regiões é bem diferente e ainda bem.
Gostaria de apenas lembrar que, enquanto no Alentejo, como há pouco
referi, se engarrafa a totalidade da produção, no Douro apenas se
engarrafa como DO (denominação de origem) cerca de 60% da totalidade
do vinho produzido – como todos saberão, também estamos presentes na
fantástica região do Douro com um projecto ambicioso e julgo que
estamos numa das regiões portuguesas com maior potencial, mas que
também tem os seus problemas, que terá que resolver, para melhor
evidenciar esse seu extraordinário potencial

Neste sector existe uma frase que ilustra bem o que pretendo referir:
"Só vêem o vinho que um homem bebe, mas não vêem os tombos que ele
dá".

Continuo a acreditar que é no Alentejo que Portugal pode ser mais
competitivo e é no Alentejo que os vinhos apresentam uma maior
consistência vindima após vindima, e que provavelmente apresenta
vinhos com a relação qualidade preço mais favorável. Também creio que
é na região do Alentejo que se pode ser mais versátil, pois se, por um
lado, é relativamente fácil produzir vinhos maduros com taninos
redondos e acessíveis, com ênfase de fruta madura e com extraordinária
aptidão para consumo enquanto jovens. Por outro lado, como está
amplamente provado e reconhecido, é também possível fazer grandes
vinhos com boa aptidão para envelhecer.

Julgo urgente para o Alentejo acreditar e trabalhar no sentido do seu
futuro não passar por altas produções a preço barato. Hoje, as
produções situam-se à volta dos 45 a 50 hl/hectare. Qual a razão para
se aprovarem rendimentos na ordem dos 100 hl/hectare? Para beneficiar
quem? A região não é com certeza.

Penso ser assim necessário adaptar a legislação em vigor à realidade do mercado:

- Reduzir os limites de produção, com evidente ganho qualitativo e com
o consequente aumento dos preços médios, que iriam inevitavelmente
decorrer da diminuição da oferta;

- Redefinição da DO Alentejo, das seis sub-regiões e do vinho regional
alentejano;

- Repensar os limites da DO actual adaptando à produção de uvas de
qualidade da região.

Atingido a região o seu equilíbrio, e com a ajuda da maturidade das
vinhas, estou profundamente convicto que escolhi para trabalhar e
viver uma das melhores regiões do Mundo.

http://fugas.publico.pt/Vinhos/327795_opiniao-o-futuro-do-alentejo-segundo-joao-portugal-ramos

Cinco nomes que puxam pelo que o Dão tem de melhor

Por Rui Falcão

23.11.2013

O Dão é lugar potencial para a criação de vinhos de classe superior.
Mas o abandono de vinhas, o esquecimento de castas e uma certa modorra
impedem a região de cumprir esse potencial. Há, no entanto, quem
aponte caminhos. E mostre um futuro para essa região extraordinária.

A região do Dão insiste em manter-se num estado de entorpecimento
geral, apagada num exercício voluntário e derrotista que se repete ao
longo do tempo. O Dão, apesar de todos os elogios que a imprensa vai
soltando, mantém-se numa modorra e apatia que a conduzirá, se a
tendência não for invertida, a um voto de esquecimento a médio ou
longo prazo. Como vão longe os tempos áureos das décadas de sessenta e
setenta do século passado quando o nome Dão era respeitado e
valorizado, reconhecido como um sinal identidade e qualidade.

O Dão, convém não esquecer, é uma das raras denominações de origem
portuguesas que ultrapassou a linha divisória do primeiro século de
idade. Chegou mesmo a afirmar-se como uma das referências dos vinhos
portugueses, transformando-se na região de origem de alguns dos vinhos
mais afamados do país. Chegou a dizer-se que o Dão era a Borgonha de
Portugal, a denominação onde nasciam os vinhos mais finos e delicados,
a região de origem dos vinhos mais elegantes, viçosos e capazes de
viver durante anos em garrafa.

Não é fácil explicar a inércia da região e o lento ocaso a que a
região do Dão se tem prostrado. O Dão, diz-se muitas vezes com
reiterada convicção, é uma das regiões mais abençoadas de Portugal,
aquela que é capaz de proporcionar os vinhos mais elegantes,
assumindo-se como a denominação naturalmente mais habilitada a
produzir vinhos frescos e com maior capacidade de envelhecimento.
Argumentos sólidos e efectivos mas que carecem de contraponto.

É verdade que o Dão goza das vantagens naturais apontadas mas também é
verdade que sofre de alguns contratempos que dificultam a sua
afirmação. Por um lado o forte emparcelamento da terra que
frequentemente impede a viabilidade económica da vinha. Mas também o
clima volúvel capaz de apadrinhar o melhor e o pior intercalando
colheitas extraordinárias com anos sofríveis anuindo inconsistência de
colheitas que afasta alguns consumidores. O envelhecimento da
população e a desertificação do interior tem como consequência o
abandono das vinhas e a consequente perda progressiva de material
genético.

O arranque mais ou menos indiscriminado de muitas das vinhas mais
velhas, a aposta quase única nas cinco castas dilectas, a Touriga
Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro, Encruzado e Malvasia Fina,
desprezando as restantes castas tradicionais da região e sem qualquer
estudo aprofundado sobre os méritos e deméritos de cada variedade,
força a um estreitamento genético que a próxima geração irá pagar
caro. A falência do sector cooperativo na região contribui igualmente
para o abandono das vinhas e do vinho do Dão.

Mas a condição mais importante é o factor humano, a falta de uma visão
regional e de um sentido histórico da denominação do Dão. Uma carência
de identidade que condiciona alguns produtores a querer reproduzir
estilos de outras paragens e regiões, nomeadamente do Douro,
insistindo em propor vinhos carregados de cor, espessos e pujantes,
carnudos e pesados, numa antítese formal do que a região do Dão sempre
produziu… e onde se transcende! Nenhuma região do mundo se impõe por
copiar modelos alheios. Nenhum dos grandes produtores do Dão, das
grandes referências nacionais da região, se afirmou por pretender
imitar vinhos de outras denominações, apostando na autenticidade,
identidade, na genuinidade de uma região que para o bem e para o mal
se diferencia de todas as outras.

E é isso que alguns produtores da região têm feito, uma aposta na
originalidade, seja pela manutenção dos vinhos clássicos do passado,
seja pela apresentação de castas da região menos habituais nos
rótulos, seja pela afirmação de um estilo próprio e inimitável. Entre
os muitos produtores da região assinalei cinco que se revelam
singulares por razões diversas, nomes tão descoincidentes como Quinta
da Falorca, Quinta da Fata, Quinta das Maias, Quinta das Marias e
Vinha Paz, tendo seleccionado um vinho de cada produtor como exemplo
clássico dessa diferença.

A Quinta da Falorca distingue-se pelo apelo do classicismo dos seus
Garrafeira, vinhos enormes e coincidentes com a grande tradição do
Dão, mas também pela irreverência do T-Nac, um Touriga Nacional sem
madeira que exalta sem pudor os aromas primários inebriantes da casta.
A Quinta da Fata mostra o lado mais clássico e tradicionalista do Dão
estampado em vinhos sólidos, austeros, duros mas frescos, secos e
finos, profundamente elegantes e com décadas de vida pela frente.

A Quinta das Maias reverbera pela defesa apaixonada de uma das castas
mais emblemáticas do Dão, o Jaen, apresentando-se como um dos
defensores maiores desta variedade que a região parece querer insistir
em menosprezar. E ainda teve tempo no passado para engarrafar castas
tão enigmáticas como o Barcelo, exemplo raro de uma das castas
perdidas da região. A Quinta das Marias conseguiu fazer a quadratura
do círculo no Dão, juntando a elegância, austeridade e frescura
acídula inata ao Dão com uma energia telúrica, uma robustez e audácia
que raramente vemos na região.

Apesar de discretos, graves e sisudos os vinhos de Vinha Paz
representam a súmula de todos os predicados do Dão, vinhos, profundos
e intelectuais, nobres e supinamente bem-educados, clássicos mas
cerebrais, cultos e com um leve toque de asperezas que lhe assentam
tão bem.

Cinco produtores do Dão distintos no estilo e nos objectivos,
diferentes no passado, nos propósitos e na abordagem mas comparáveis
na procura de qualidade, identidade e empenho, na promessa de
continuação e renovação da região. Cinco produtores importantes para o
Dão pela autenticidade e dignidade que impõem ao nome da denominação.


Quinta da Falorca
A história da Falorca começou há mais de cinco gerações quando a
família Figueiredo adquiriu um conjunto de propriedades dispersas em
redor da vila de Silgueiros. Hoje, os vinhos da Quinta da Falorca
nascem de três parcelas de vinha separadas por três áreas, a Falorca,
a maior com sete hectares, o vale das Escadinhas, de quatro hectares e
a Esmoitada de pouco mais de um hectare onde sobrevivem as vinhas mais
velhas da casa. Entre os vinhos mais representativos da casa
encontra-se o Quinta da Falorca Garrafeira Old Vines, um vinho sério,
vivo e tenso, largo nos horizontes e duro na métrica e na rítmica,
preciso e intenso. Por vezes surge quase brutal, por vezes mais dócil,
mas sempre vigoroso e entusiasta na entrega. Preço: 35 euros (Colheita
de 2007)

Quinta da Fata
A Quinta da Fata é uma propriedade com pouco mais de seis hectares de
vinha e cujo primeiro proprietário, Bernardo Loureiro e Amaral foi um
dos impulsionadores da criação da região do Dão. Hoje é capitaneada
por Eurico Amaral, neto do fundador da casa. Entre os vinhos mais
representativos da casa encontra-se o Quinta da Fata Touriga Nacional,
um vinho austero mas preciso, levemente floral mas contido na
exuberância aromática. As suas verdadeiras virtudes encontram-se de
forma mais inequívoca na boca, num equilíbrio notável entre taninos e
acidez, entre estrutura e delicadeza, entre potência e cortesia, tudo
isto com um potencial de guarda extraordinário. Preço: 17.50 euros
(Colheita de 2009)

Quinta das Maias
A Quinta das Maias vive escondida pela sombra da Quinta dos Roques,
irmão maior e mais conhecido junto da maioria dos enófilos, o que é
uma injustiça porque os vinhos têm uma identidade particular, um
estilo original, castas únicas e uma expressão muito própria que
merece reconhecimento e valorização mais atenta. Entre os vinhos mais
representativos da casa encontra-se o Quinta das Maias Jaen de aromas
florais e frutados quase desconcertantes mostrando-se intenso e
vigoroso, alegre, comunicativo e inebriante na sensação de frescura
que transmite. A boca confirma por inteiro as sugestões oferecidas
pelo nariz, repleta de fruta, temperada por uma belíssima acidez, com
um final de boca fresco, assertivo e uma alegria contagiante. Preço:
19 euros (Colheita de 2011)

Quinta das Marias
Capturado por uma paixão intensa pelos vinhos e pela região o suíço
Peter Viktor Eckert não resistiu a resgatar uma quinta no Dão onde
decidiu fazer o seu vinho. Rodeou-se das melhores pessoas e conseguiu
criar vinhos originais e seguros, gigantes na dimensão mas sem nunca
perder de vista os fundamentos de elegância e austeridade do Dão. O
Quinta das Marias Encruzado Fermentado em Barrica apresenta-se, tal
como é apanágio da casta, discreto e austero no nariz, sisudo e
ponderado, oferecendo o protagonismo à boca onde este Encruzado revela
a sua verdadeira dimensão. Cheio, citrino, levemente abaunilhado pela
presença suave da madeira, fino e elegante, é um belíssimo vinho
branco, profundo e amplo, capaz de viver um bom par de anos em
garrafa. Preço: 12 euros (Colheita de 2011)

Vinha Paz
A casa de família, na Quinta da Leira, é a base de toda a produção
vitícola assente numa adega sóbria e modesta na dimensão e tecnologia,
uma adega de lagares com recurso da pisa a pé, adega centenária
resumida ao essencial que reúne num só espaço lagares e cave de
estágio. O cuidado com a vinha é notório e percebe-se de imediato o
amor pela terra dos antepassados. Entre os vinhos mais representativos
da casa encontra-se o Vinha Paz Reserva circunspecto na exposição
aromática, contido na boca, enorme na estrutura mas sem nunca ser
esmagador. Fresco e viperino na acidez, firme nos taninos, um vinho
sério para ser bebido com atenção para lhe conseguir descobrir a
profundidade da boca. Preço: 15 euros (Colheita 2009)

http://fugas.publico.pt/Vinhos/327804_cinco-nomes-que-puxam-pelo-que-o-dao-tem-de-melhor

Portugal, o santuário mundial da biodiversidade da vinha

Por Abel Coentrão

23.11.2013

Um conjunto de factores favoreceu a manutenção, em Portugal, de
centenas de castas de vinha autóctones, cada uma delas com um grau de
variabilidade bem acima do que acontece nos países que foram apostando
em clones de meia dúzia de castas na moda e muito produtivas. Um grupo
de cientistas vem estudando o potencial desse património genético,
que, diz o rosto deste projecto, pode tornar o país numa Meca da
viticultura.

Chegámos atrasados a quase tudo. Às Luzes, à Industrialização, à
Democracia. Portugal, um pequeno país teimosamente agarrado à cauda da
Europa tem um pequeno segredo mal guardado que o anda a pôr nas bocas
do mundo que tem boca para um bom vinho como um país de vanguarda, a
anos-luz dos restantes países vinícolas do planeta. Na revista World
of Fine Wine já lhe chamaram Arca de Noé da biodiversidade da vinha.
Antero Martins, sumidade na área da genética quantitativa aplicada ao
melhoramento de plantas, ou mais simplesmente um dos "Noés" desta
história, prefere pensar que estamos a caminho de nos tornarmos uma
espécie de "Meca do Vinho". Mas porquê tanta excitação?

A culpa é do tal atraso. Em parte, pelo menos, concede o responsável
pela Investigação da Sogrape, António Graça, outro dos envolvidos na
recém-criada Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira
(Porvid), que desde 2009 prossegue, agora de uma forma institucional,
os esforços de identificação e preservação da biodiversidade destas
plantas iniciados há 35 anos por um trio de "carolas", o já referido
Antero Martins, do Instituto Superior de Agronomia, da Universidade de
Lisboa, Nuno Crespo, da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e
Luís Carneiro, da Estação Agronómica Nacional. O seu esforço permitiu
identificar, no nosso país, 250 castas autóctones (no território que
pode ser o da península), muito para lá das dezenas utilizadas, pelos
produtores. E o número já peca por defeito porque, nas análises
genéticas mais recentes, se percebeu que plantas que se pensavam ser
apenas uma variante (genótipo) dentro da casta, são afinal castas
diferentes. O que vai, de certeza, engrossar a lista deste património.

Quando o mundo se rendia a vinhos estremes, feitos a partir de meia
dúzia de castas francesas, plantadas nos quatro cantos do globo;
quando viveiristas e agricultores de outros países seleccionavam
eugenisticamente, por elimininação, castas, e plantas (genótipos)
dentro das castas com as melhores características para responder ao
mercado, cada vez mais global mas, em contraponto, a estreitar o
gosto, Portugal estava ainda a acordar do longo sono salazarista, que
o manteve fechado, e não apenas à Coca-Cola. Por cá mantinham-se
tradições como as dos vinhos de lote, com mistura de castas, muita
vinha velha por arrancar – alguma até pré-filoxérica, como os
mortórios do Douro – e técnicas culturais que favoreciam o acaso em
vez da selecção e, que, por isso, mantiveram uma parte importante da
biodiversidade do país, o único que tem cem por cento do território
numa qualquer região demarcada, lembra António Graça.

Pode parecer contraditório, mas este atraso acertou o nosso relógio
com o do planeta, que já reconhecia a importância da biodiversidade
nesses finais de 70, em que, gastando horas fora das aulas e
fins-de-semana, Martins e seus pares puseram pés ao caminho. Numa
abnegação que ainda hoje os mantém, apesar de jubililados, ainda
ligados ao projecto, conseguiram, em pouco tempo, criar uma rede
informal: com as direcções regionais de agricultura e algumas
empresas, que perceberam desde logo a importância de participar nesta
missão de recolha, estudo, selecção e – note-se a diferença –
preservação das variedades genéticas da vinha portuguesa. Em poucos
anos, dezenas de quintas por esse país fora acolheram campos
experimentais e viveiros onde esse património foi mantido.

Agora, depois de o Estado ter cedido em 2009 à Porvid parte de uma
herdade em Pegões, na Península de Setúbal, nada longe de propriedades
e da adega de sócios como a José Maria da Fonseca ou a Cooperativa de
Santo Isidro de Pegões, entre outros, as plantas estão todas a caminho
de uma nova casa. Milhares delas já foram instaladas (em vasos) e
vai-se preparar mais terreno para guardar 50 mil genótipos das tais
250, ou mais, castas portuguesas, mesmo ao lado de uma área de 80 a
100 hectares onde uma parte importante dessa variabilidade vai ser
enxertada e posta a produzir, para análise comparativa.

A necessidade de guardar um tão elevado número de espécimes é
facilmente percebida se soubermos que, nas mais de 60 castas já bem
estudadas ao longo destes anos, há exemplos de uma diversidade
intra-casta impensável noutros países, que andaram a deitar essa
variabilidade ao lixo. Se o Riesling alemão se faz praticamente só de
um clone, do Alvarinho, há 530 genótipos diferentes conhecidos, com
diferentes consequências na produção, compara Antero Martins. Aliás,
foi depois de estudada a variabilidade interna da Touriga Nacional, um
dos primeiros alvos da atenção do projecto, que o sector conseguiu
descobrir e seleccionar genótipos que, com ganhos superiores a 30%,
resolveram o problema da baixa produtividade e da desconfiança com que
esta grande casta portuguesa era encarada, na década de 70, pelos
produtores do Douro.

O estudo aprofundado da variabilidade dentro de cada casta foi um dos
grandes avanços do projecto e Antero Martins insiste sempre em
associá-lo à entrada em cena de uma sua assistente, Elsa Gonçalves,
que o ultrapassou – e ele di-lo com o gosto de quem não quer ficar com
o conhecimento só para si – na capacidade de pôr a estatística, e a
informática, ao serviço da genética quantitativa. Graças a este
aporte, já reconhecido no meio científico internacional, a equipa
conseguiu, para mais de seis dezenas de castas, identificar as suas
variantes internas e o comportamento de cada uma, independentemente de
factores ambientais, em parâmetros como a produção, a acidez, o açucar
(importante para o teor alcoólico) e as antocianas (pigmentos
responsáveis pela cor escura do vinho tinto).

Não é difícil imaginar a utilidade deste conhecimento para a
vitivinicultura portuguesa. E há casos concretos em que ele já
resolveu problemas, explica António Graça. Já se percebeu por exemplo
que a tinta-roriz, muito apreciada, entre outros aspectos, pela cor
que imprime aos vinhos, perde, precisamente nesse aspecto, a partir de
um determinado patamar de produção, potenciado por condições
ambientais favoráveis. Perante isto, tem sido feito um esforço de
enxertar as novas vinhas com genótipos menos "produtivos", mas que
garantem a qualidade máxima pretendida. António Graça, tal como Antero
Martins, antevêem o que isto, multiplicado por todo o nosso parque de
castas, significa, em termos de competitividade, para o país, numa
altura em que são visíveis os efeitos das alterações climáticas.

Antevendo o risco, é o homem das empresas, António Graça, quem mais
toca, na conversa com a FUGAS, na questão ambiental. Mas Portugal está
a construir, com o projecto da Porvid, a capacidade de escolher, a
cada momento, as vinhas que melhor se adaptam, por exemplo, à subida
da temperatura ambiente, rejubila. Já Antero Martins foge da sua
genética quantitativa para fazer notar que estaremos preparados para
responder a outro tipo de desafios, como o das modas, o gosto. Se hoje
se produzem vinhos com teores de álcool bem acima dos 12,5 graus que
eram habituais há umas décadas, nada nos diz que os vinhos de baixo
teor alcoólico, para os quais hoje já há algum mercado, não se
tornarão um trend. E, se for necessário, nós saberemos dar resposta a
essa demanda, vinca.

Apesar de ir dizendo que gostava de ser mais reformado do que é – e
desconfiamos que não conseguiria manter-se muito longe do campo
experimental de Pegões, que nos mostrou com orgulho – Antero Martins
não esconde a satisfação pelo reconhecimento que o projecto vem tendo
por esse mundo fora, nas revistas especializadas e em congressos do
sector. As grandes nações do vinho já começam a replicar o modelo
português, mas levam um atraso de décadas na recolha de dados. E "o
projecto de Pegões é para mais 50 anos", nota António Graça. O seu
sucesso pleno está no entanto dependente da entrada de mais dinheiro –
por via das quotas de mais associados, mecenas, apoios estatais e
fundos europeus – que garantam uma estabilidade financeira que esta
luta pela biodiversidade no sector ainda não teve.

Se nunca houve muito dinheiro, o esforço valeu-lhes, pelo menos,
alguns "brindes". Com o estudo aprofundado da variabilidade dentro de
cada casta, os portugueses começaram a ter dados concretos sobre o
caminho que cada uma delas seguiu, desde um ponto de origem. Esse
ponto, como noutras espécies vegetais, é aquele em que a variabilidade
da planta é maior (porque foi necessário mais tempo para a conseguir).
É o contributo luso para a história desta cultura milenar. Que não
traz boas notícias para todos. Rioja ficou a saber, pela Porvid, que o
seu Tempranillo (a nossa Tinta Roriz ou Castelão, no sul) não surgiu
por ali, como pensavam, mas na zona de Valdepenãs, a sul de Madrid. Já
a casta forte da Bairrada, a Baga, terá afinal surgido no Dão. E a
Jaen, famosa nesta região, tem aqui tão pouca variedade que o mais
certo é ser muito recente nesta zona do país, indiciando outra origem.

Depois, ao longo destes anos, ao calcorrear o país, os investigadores
foram percebendo também que Portugal é um santuário da Vitis
silvestrys, a planta silvestre que há milhares de anos foi domesticada
pelo homem para se tornar nas videiras que hoje conhecemos. Há mais de
150 núcleos destas vinhas e, assinala António Graça, só nos faltará
encontrar algum vínculo arqueológico para podermos, quem sabe, pôr em
causa a teoria que coloca no médio Oriente o nascimento da cultura do
vinho. Já há na Europa quem defenda a tese da origem múltipla, e
Portugal está muito atento a esse debate, que, como a questão da
biodiversidade, do uso de castas raras e desconhecidas, pode gerar
dividendos económicos se, como insiste António Graça, formos capazes
de "comunicar, comunicar, comunicar isto lá fora".

Já este ano, a Porvid associou-se a um projecto, com origem em França
e ambições globais, a Wine Mosaic, que luta pela promoção das castas
antigas do mediterrâneo, como aquela, quase extinta, que é cultivada
por um italiano na Toscana e que, se não vende nada no seu país, teve
sucesso em Hong Kong e no Japão, segundo a Wine Spectator. "É que,
sabe, eu acho que no vinho, mais do que o que está lá dentro, muito do
que se vende é cultura, é a sua história, o trabalho que implicou",
acrescenta o presidente da Porvid, Antero Martins, convicto de que
Portugal terá muito a ganhar com as dezenas de hectares de vinha,
amostra complexa, e completa da nossa biodiversidade, que ele espera
ver plantados, e continuamente estudados, em Pegões. Numa herdade
prestes a tornar-se o novo santuário da viticultura portuguesa.

http://fugas.publico.pt/Vinhos/327806_portugal-o-santuario-mundial-da-biodiversidade-da-vinha?pagina=-1

Aumento da área cultiva impulsiona produção de milho

por Ana Rita Costa22 de Novembro - 2013

A produtividade do milho deverá manter-se ao nível de 2012, o que
levará a um aumento da produção em cerca de 10% devido ao aumento da
área semeada. Nos milhos de sequeiro, a produção deverá registar um
aumento de 5% face a 2012, refere o INE nas previsões agrícolas
recentemente divulgadas.

A colheita do milho de regadio iniciou-se com atraso face ao normal e
tem decorrido com algumas dificuldades, resultantes sobretudo do
estado de encharcamento dos terrenos onde se encontram instalados,
obrigando em muitos casos à utilização de rastos nas
ceifeiras-debulhadoras.

De acordo com os dados do INE, a produção total de milho prevista (932
mil toneladas) é uma das maiores das últimas décadas, apenas superada
pela produção de 1998 (981 mil toneladas, mas com uma área 2/3
superior à atualmente cultivada).

Em termos de comercialização, a atenção do sector mantém-se centrada
na volatilidade do preço deste cereal nos mercados internacionais, que
no período de um ano baixou cerca de 45%.

http://www.vidarural.pt/news.aspx?menuid=8&eid=7748&bl=1

Portugal ganha 8,1 mil milhões na reforma da política agrícola

Nova PAC, para 2014-2020, aprovada no Parlamento Europeu, traz mais
ambiente e mais justiça e equidade



Luís Capoulas Santos, deputado europeu
D.R.
21/11/2013 | 00:00 | Dinheiro Vivo

O Parlamento Europeu aprovou ontem a reforma da Política Agrícola
Comum (PAC), que introduz novas regras para o período 2014--2020. Do
bolo total de 362,8 mil milhões de euros afetos à agricultura europeia
nos próximos sete anos, Portugal receberá 8,1 mil milhões. Foram
quatro as propostas legislativas aprovadas e referem-se aos pagamentos
diretos aos agricultores, à organização comum dos mercados, ao
desenvolvimento rural e a um regulamento horizontal sobre o
financiamento, a gestão e o acompanhamento da PAC.

Leia aqui a entrevista a Capoulas Santos

Capoulas Santos, eurodeputado socialista, foi o relator de duas das
propostas e destacou, entre os aspetos mais positivos para Portugal, o
aumento do pagamento médio por hectare, a inclusão de sectores como a
viticultura nas ajudas diretas, o aumento dos apoios para novos e
jovens agricultores e o financiamento de novas infraestruturas de
regadio até 2020 (ver entrevista na última página).

Portugal perde cerca de 500 milhões de euros, essencialmente afetos ao
segundo pilar, o do desenvolvimento rural, para o qual estão
destinados 3,6 mil milhões de euros. Em contrapartida, o primeiro
pilar, o das ajudas diretas, é "ligeiramente reforçado", diz Capoulas
Santos, o que permite aumentar o pagamento médio por hectare, que
atualmente está nos 186 euros, bem abaixo da média europeia (250
euros) para cerca de 200 euros.

Alterada foi também a taxa máxima de cofinanciamento comunitário para
o desenvolvimento rural das regiões menos desenvolvidas e
ultraperiféricas em Portugal, que passa de 85% para 95%, pelo menos
até 2016. Isto permitirá ao Estado poupar cerca de 250 milhões de
euros.

Sendo esta a primeira reforma que resulta da codecisão do Parlamento
Europeu em pé de igualdade com o Conselho de Ministros da UE, e que
levou três anos a negociar, Capoulas Santos destaca que a nova PAC
terá a marca do Parlamento: "Será uma política mais 'verde', com a
componente ecológica a comprometer quase um terço do orçamento global,
com mais justiça e equidade, ao introduzir mecanismos de convergência
entre agricultores e entre Estados membros, e mais simples na medida
em que 80% dos agricultores, aqueles que têm menos de 10 hectares,
estão dispensados de uma série de medidas burocráticas."

Já a ministra da Agricultura, em declarações aos jornalistas, em Beja,
considerou que a "nova PAC é muito positiva", referindo que "Portugal
conseguiu ficar mais bem posicionado, quer nas ajudas diretas do
primeiro pilar quer no desenvolvimento rural no segundo pilar,
relativamente aos outros países". O corte no orçamento português "é
inferior ao corte que outros países sofrem", diz, o que "é positivo".

Questionada sobre a hipótese de Portugal ter de devolver a Bruxelas
"centenas de milhões de euros" não utilizados de fundos relativos a
2007-2013, admitida hoje pelo eurodeputado Capoulas Santos (ver
caixa), a ministra disse: "Da PAC que está em vigor não vamos perder
nenhum milhão de euros."

http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO295156.html?page=0

domingo, 24 de novembro de 2013

Seminário "Corknow-how: Conhecimento Suberícola em Rede"

por Ana Rita Costa22 de Novembro - 2013

A UNAC – União da Floresta Mediterrânica vai realizar no dia 6 de
dezembro, no Observatório do Sobreiro e da Cortiça, em Coruche, o
seminário de encerramento do "Corknow-how: Conhecimento Suberícola em
Rede", uma iniciativa comunitária promovida pelo Ministério da
Agricultura cofinanciada pelo Fundo Europeu Agrícola de
Desenvolvimento Rural.

Este seminário servirá para apresentar os principais resultados do
projeto e para fazer o balanço das campanhas de cortiça de 2012 e
2013.

Será ainda apresentado o Guia de Comercialização de Cortiça, o Modelo
Base da Conta de Cultura para o Sobreiro (Conta SB 1.0) e o "Estudo de
Determinação dos Pontos de Valor Acrescentado da Fileira da Cortiça",
elaborado para a UNAC pela AGRO.GES.

http://www.vidarural.pt/news.aspx?menuid=8&eid=7749&bl=1

Utilização sustentável de pesticidas vai estar em discussão

por Ana Rita Costa19 de Novembro - 2013

"Que futuro para o uso sustentável de pesticidas em Portugal?" é o
tema do colóquio que se realiza no dia 6 de dezembro no auditório da
Escola Superior Agrária de Santarém.

Este colóquio tem como objetivo promover o debate em torno da temática
do uso sustentável de pesticidas.

O programa do evento conta com o debate dos temas "Plano de Ação
Nacional", "Investigação, Inovação e Transferência Tecnológica" e
"Formação, Sensibilização e Informação" e com a mesa redonda "Uso
Sustentável dos Pesticidas em Portugal: Prioridades e dificuldades",
que promoverá o debate entre representantes da produção, dos produtos
fitofarmacêuticos e da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar.

http://www.vidarural.pt/news.aspx?menuid=8&eid=7737&bl=1

Reforma da PAC vai trazer várias mudanças para o setor da agricultura

Foto: Wu Hong/EPA


Olívia Santos, enviada especial a Estrasburgo20 Nov, 2013, 08:59 /
atualizado em 20 Nov, 2013, 09:45

O Parlamento Europeu deverá aprovar esta quarta-feira a reforma da
Política Agrícola Comum (PAC), que vai trazer diversas mudanças para o
setor da agricultura. Até 2020, Portugal vai receber 8 mil 100 milhões
de euros.

A partir de agora vão passar a ser pagos cerca de 200 euros por
hectare contra os atuais 186 euros. Ainda assim, este valor está
abaixo da média comunitária.

O eurodeputado socialista Capoulas Santos, que liderou o grupo do
Parlamento Europeu que conseguiu o acordo para a votação da PAC,
afirma que Portugal vai "perder no conjunto 500 milhões de euros". O
orçamento comunitário foi reduzido e as maiores perdas são para os
países que até agora mais beneficiaram com a PAC, como a França e a
Alemanha.

Alguns setores que estavam excluídos das ajudas passarão a ter apoios
por hectare, como é o caso da vinha, do olival, ou da fruticultura.
Outros aspetos atrativos para Portugal passam pela garantia de
cofinanciamento de seguros agrícolas, e o financiamento do regadio,
que permite o fim do projeto Alqueva. A partir de 2016 há um novo
sistema de autorização de plantações de vinha.

(com Sandra Henriques)

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=697061&tm=6&layout=123&visual=61

Governo defende que nova PAC assegura atual dinamismo da agricultura

Publicado em 2013-11-20

Portugal conseguiu, com a nova Política Agrícola Comum 2014-2020,
assegurar as condições necessárias para a agricultura portuguesa
manter o atual dinamismo e o ritmo de crescimento, afirma o Governo
português em comunicado.


foto STEVEN GOVERNO / GLOBAL IMAGENS
Ministra da Agricultura, Assunção Cristas


Num comunicado sobre a reforma da Política Agrícola Comum (PAC)
2014-2020, aprovada esta quarta-feira, pelo Parlamento Europeu (PE), o
Ministério da Agricultura e do Mar (MAM) refere que "no que diz
respeito ao Quadro Financeiro Plurianual, Portugal consegue pela
primeira vez (...) nas ajudas diretas uma aproximação parcial aos
restantes Estados Membros passando dos atuais 186 euros/ha para os
cerca de 200 euros/ha até 2020".

Em relação ao Desenvolvimento Rural, o ministério considera que com a
reforma da PAC "Portugal terá em preços correntes 4,057 mil milhões de
euros (inclui um envelope de 500 milhões de euros isento de
cofinanciamento)".

A nova PAC, aprovada pelo PE em Estrasburgo, será aprovada formalmente
a 16 de dezembro em Bruxelas pelo Conselho de Ministros da Agricultura
da União Europeia.

O ministério recorda ainda que nas negociações, "Portugal conseguiu um
maior equilíbrio na convergência interna dos apoios aos agricultores,
evitando as perdas temidas inicialmente para alguns setores,
nomeadamente através da possibilidade de introdução de um mecanismo de
travão às perdas de 30% ao nível de cada agricultor e garantindo que
todos os agricultores recebem um pagamento mínimo indicativo de 60% da
média nacional por hectare".

"No Desenvolvimento Rural destacamos o apoio ao regadio, fundamental
para Portugal, abrindo a possibilidade de apoio a novos regadios, a
existência clara de incentivos aos investimentos das Organizações de
Produtores no caso de aumento de escala e fusões e a criação de um
sistema de seguros de colheita com financiamento comunitário, mais
universal, mais abrangente e financeiramente sustentável", refere
ainda a tutela no comunicado.

A aprovação formal da nova PAC a 16 de dezembro, bem como a das
medidas de transição, irá permitir a Portugal, "pela primeira vez na
história, começar em 2014 com um novo quadro comunitário e um novo
Programa de Desenvolvimento Rural sem hiatos entre quadros", afirma o
o secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque no
comunicado.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=3543131&page=-1

Anadia: produtor avalia perdas em 12 500 euros

Furto de ovelhas rende milhares

Ladrões cortaram as cercas e carregaram 90 animais, a maior parte
deles prenhe. Noutra exploração, mataram os cães de guarda para levar
o rebanho.

20 de Novembro 2013, 19h11

Por:Francisco Manuel

É uma grande desilusão, que se traduz num prejuízo superior a 12 500
euros, difícil de recuperar e que abala até os mais fortes." É assim
que reage Manuel Cardoso, vítima do furto de 90 ovelhas e borregos na
exploração animal de que é proprietário, no lugar de Casal em
Sangalhos, em Anadia. Este é o segundo grande furto de gado ovino na
região. No mês passado, em Boialvo, os ladrões mataram os cães de
guarda de uma propriedade e furtaram 30 animais. Leitões e porcos
também estão na mira dos ladrões. A GNR está a investigar.

O furto ocorreu na madrugada de anteontem, nas imediações da povoação.
"A maior parte era ovelhas prenhes, outras já grandes, e outras ainda
com borregos pequeninos. Um prejuízo enorme", lamentou Manuel Cardoso.

Os assaltantes abriram a vegetação alta e entraram por um caminho
paralelo à propriedade do produtor. Os animais terão sido carregados
em, pelo menos, duas viaturas, após os assaltantes cortarem a vedação
de arame que cerca o terreno.

Na passada semana, o mesmo produtor já tinha sido alvo de furto, desta
vez numa pocilga, junto ao terreno onde pastavam as ovelhas. "Levaram
cinco leitões. Os furtos são cada vez mais frequentes e os prejuízos
começam a ficar insuportáveis", acrescentou Manuel Cardoso.

No passado fim de semana, um grupo de populares conseguiu 'encurralar'
uma carrinha com três homens que furtavam gado nos pastos de
Estarreja, porém, os ladrões conseguiram escapar a pé.

http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/ultima-hora/furto-de-ovelhas-rende-milhares

Reforma da PAC vai reduzir as ajudas aos grandes beneficiários

JOSÉ MANUEL ROCHA (Estrasburgo)

20/11/2013 - 17:12

Reforma da Política Agrícola Comum exige esforço de convergência
interna aos estados-membros da União Europeia.

RUI SOARES

O actual quadro das ajudas directas concedidas ao sector agrícola terá
de ser reconfigurado em Portugal, de forma a que, até 2019, nenhuma
exploração receba uma ajuda por hectare inferior a 60% do valor médio
pago na sua zona ou no seu sector de actividade. Como não há acréscimo
do envelope financeiro, este esforço será suportado pelos grandes
beneficiários.

Na situação presente, há casos de produtores que recebem 10 euros por
hectare e outros cujo cheque se aproxima dos 2000 euros. O esforço
interno de convergência é uma determinação da nova Política Agrícola
Comum, aprovada esta quarta-feira pelo Parlamento Europeu, em
Estrasburgo.

Trata-se, no fundo, de estender para o perímetro interno dos
estados-membros a mesma lógica de redução das disparidades nas ajudas
que foi concebida para o espaço da União Europeia - embora de uma
forma que muitos governos consideram muito tímida.

Esta alteração na chave de repartição fará com que Portugal, por
exemplo, passe dos 186 euros por hectare actuais para 200 euros, em
2020. Este é, mesmo assim, um valor irrisório face ao que recebe a
Bélgica (435), embora seja praticamente o dobro do que é pago a um
agricultor lituano.

A nova PAC determina que este esforço de convergência será suportado
pelos agricultores que recebem acima da média. O Governo terá, agora,
de decidir se o modelo será à escala do país, da região ou dos vários
sectores de actividade.

Se o modelo a seguir for o da escala nacional, isso significa que
nenhum agricultor poderá receber menos de 120 euros por hectare, uma
vez que a ajuda média é de 200 euros. Se o Governo decidir optar por
um modelo regionalizado ou sectorial, terá de se apurar a média de
ajuda de cada um deles, a partir da qual se determina a apoio mínimo
por agricultor (60%).

Em declarações a jornalistas portugueses, o comissário europeu da
agricultura, Dacian Ciolos, reconheceu que o facto de não haver um
modelo comum para esta convergência interna gerou controvérsia durante
as negociações da nova PAC, mas rejeitou que esta decisão possa gerar
novas injustiças. "O modelo anterior era pior, com seis quadros
distintos de cálculo das ajudas em aplicação. Agora, reduzimos a
possibilidade de haver modelos diferentes e tornamos o processo mais
transparente", defendeu Ciolos pouco antes da votação da reforma.

Alqueva pode seguir
O acordo obtido esta quarta-feira foi o primeiro em que o Parlamento
Europeu teve um papel de co-decisor. Capoulas Santos, eurodeputado do
PS que foi o relator de dois dos quatro capítulos da reforma, defendeu
esta quarta-feira que esta posição foi muito importante na negociação.
E citou o facto de ter conseguido evitar que avançasse uma proposta da
comissão que tornava inelegíveis, em termos de ajudas, os projectos de
regadio dos estados que aderiram à UE antes de 2004.

A partir do Parlamento, foi possível contornar esta proposta, que
colocava fora dos apoios financeiros europeus o projecto de conclusão
do regadio do Alqueva (cerca de 500 milhões de euros).

Com a nova reforma, Portugal deverá receber, até ao final de 2020,
cerca de 8000 milhões de euros em apoios para o sector agrícola. O que
significará uma redução de cerca de 500 milhões de euros face ao
anterior quadro comunitário de apoio.

O aumento do apoio destinado à instalação de jovens agricultores, para
70 mil euros, a concessão de ajuda directas aos sectores das frutas,
das flores e dos legumes, bem como o regresso das autorizações para
plantação de vinha, embora de uma forma limitada, são aspectos
positivos da reforma para Portugal.

Capoulas Santos reconhece que o objectivo era ir mais longe, mas "esta
acabou por ser a reforma possível, num quadro de graves limitações
financeiras, que fizeram baixar o orçamento comunitário para o período
em causa".

Comissário fala em bom acordo para Portugal
O comissário europeu da Agricultura, Dacian Ciolos, afirmou esta
quarta-feira que o acordo político para a reforma da Política Agrícola
Comum (PAC) foi bom para os países que estão sob assistência
financeira, uma vez que lhes garante melhores condições no acesso aos
fundos comunitários.

O responsável pela agricultura na Comissão Europeia, falando a um
grupo de jornalistas portugueses em Estrasburgo, lembrou que, já numa
fase final da negociação, foi possível integrar um princípio segundo o
qual o financiamento comunitário para projectos de investimento será
majorado em 10% face ao que se aplica aos restantes Estados-membros
que não foram objecto de intervenção externa.

Assim, uma candidatura de uma exploração que tenha direito, por
exemplo, a 70% de financiamento comunitário, receberá 80% se for
oriunda de um país sob intervenção, Portugal ou Grécia, no caso. Para
o caso português, há projectos específicos de investimento que
poderão, neste cenário, chegar aos 95% de financiamento de Bruxelas,
nomeadamente os das regiões periféricas, como os Açores.

O PÚBLICO viajou a convite do Parlamento Europeu

http://www.publico.pt/economia/noticia/reforma-da-pac-vai-reduzir-as-ajudas-aos-grandes-beneficiarios-1613252

Portugal ganha "um pouco" com a nova PAC

O Parlamento Europeu (PE) aprovou hoje a reforma da Política Agrícola
Comum (PAC), colocando assim um ponto final nas negociações que
decorreram ao longo dos últimos dois anos para rever aquela que é a
mais cara e a mais antiga política comunitária.

As novas regras vão agora ser formalmente aprovadas pelos ministros
agricultura dos 28, em dezembro, entram em vigor em 2014 e enquadrarão
o desenvolvimento do sector até 2020.

"Portugal é um dos países que ganha, um pouco, mas que ganha" com a as
regras para as ajudas diretas previstas nesta reforma, declarou Dacian
Ciolos, o comissário responsável pela agricultura, hoje, em
Estrasburgo, à margem da sessão do PE.

O Governo português, em comunicado, reagiu à decisão dos eurodeputados
destacando que Portugal consegue "consegue pela primeira vez no 1º
pilar (ajudas directas) uma aproximação parcial aos restantes
Estados-Membros", com um aumento médio das ajudas de 186 para 200
euros por hectare. Apesar desta aproximação, a nova PAC conta com um
orçamento mais reduzido que penalizará todos os países. Portugal vê as
transferências diminuírem em cerca de 600 milhões de euros em relação
ao período financeiro actual (2007-2013).

O socialista Capoulas Santos foi o responsável pela negociação do lado
do PE e salienta que "o resultado final é muito melhor do que a
proposta inicial" da Comissão Europeia, que constituiu a base do
processo negocial. O ex-ministro da agricultura sublinha que este
resultado é um "compromisso" que envolveu centenas de parlamantares,
os governos de 28 países diferentes e a Comissão Europeia: "não é a
solução ideal para nenhuma das partes, mas é uma solução na qual todas
se podem reconhecer".


http://expresso.sapo.pt/portugal-ganha-um-pouco-com-a-nova-pac=f842017