sexta-feira, 11 de abril de 2014

Governo da Madeira contra "calvário burocrático" que afecta pequenos agricultores


O secretário regional do Ambiente e Recursos Naturais da Madeira afirmou hoje que os agricultores do arquipélago “não merecem o calvário burocrático imposto pelo actual sistema legislativo” em matéria de inscrição nas Finanças e pagamento de IVA.

“Na óptica do Governo Regional, a Madeira tem especificidades suficientes e particularidades que justificam um tratamento autónomo e diferenciado para a realidade regional, porque são pequenos agricultores que não merecem este calvário burocrático imposto pelo actual sistema legislativo”, disse Manuel António Correia, após uma audição parlamentar na comissão de Economia, Finanças e Turismo.

Nesta comissão está a ser discutido na especialidade o projecto de proposta de lei a enviar à Assembleia da República exigindo a “reposição do Regime do IVA na agricultura”.

Manuel António Correia destacou que o Governo Regional sempre foi contra a actual lei que obriga os pequenos agricultores a inscreverem-se nas Finanças, declarando que o executivo apoiará todas as iniciativas que visam a sua alteração.

O responsável adiantou que esta foi uma das questões colocados à ministra da Agricultura e do Mar, que visitou esta semana a Madeira, frisando que a posição do Governo da República é que esta é “uma exposição de directiva comunitária que impede uma alteração substancial”.

O secretário regional destacou que o “trabalho de pressão e entrega de documentação que prova as especificidades” dos agricultores da região “está a já a dar algum resultado”.

O presidente da comissão, Jaime Filipe Ramos (PSD), anunciou que vai ter lugar ma nova reunião na segunda-feira, com vista a “gerar consensos”, dada a “transversalidade” das matérias que dizem respeito ao estatuto do agricultor, que não versa só o IVA, para que a proposta de diploma seja viável na Assembleia da República.

Fonte:  Lusa

Academia do Centro de Frutologia já está no terreno

O Programa de Formação da Academia 2013/2014 do Centro de Frutologia Compal já arrancou, e os 12 empreendedores seleccionados para esta 2ª edição já estão no terreno, para aproximadamente 50 horas de formação, distribuídas entre sessões teóricas em sala e sessões no terreno, em explorações agrícolas modelo e centros de experimentação, com alguns dos principais responsáveis e maiores conhecedores do sector agrícola nacional.

Potenciar o desenvolvimento da fruticultura, valorizar a produção de fruta nacional ao longo de toda a cadeia de valor e estimular a inovação ao nível da produção da matéria-prima, através da qualificação dos recursos humanos são os principais objectivos da Academia do Centro de Frutologia Compal.

As sessões teóricas são frequentadas pelos 12 formandos em simultâneo e visam a aquisição dos conhecimentos que suportam a prática sustentável da fruticultura ao longo da cadeia de produção – desde a preparação do projecto e a instalação do pomar até à comercialização dos produtos, considerando sempre as diferentes exigências e especificidades por espécies, e são ministradas por responsáveis do ISA, AJAP, CONFAGRI e Crédito Agrícola.

Por outro lado, para as sessões no terreno os formandos são divididos em grupos mais pequenos, para uma visita mais pormenorizada e um trabalho mais personalizado, e têm como principal objectivo demonstrar no terreno a aplicação dos conhecimentos que suportam a prática sustentável da fruticultura ao longo da cadeia de produção e possibilitar o contacto e o intercâmbio de conhecimentos e experiências com produtores, técnicos e empresários agrícolas, de modo a que os formandos conheçam as características, constrangimentos e exigências do sector.

A Academia é uma iniciativa de Formação do Centro de Frutologia Compal e conta com parceiros de nome como a AJAP - Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, a Associação Nacional de Produtores de Pêra Rocha, a CONFAGRI - Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, a Cooperativa Agrícola dos Fruticultores da Cova da Beira, o Crédito Agrícola, a Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, a FELBA - Promoção de Frutas e Legumes da Beira Alta, a Fruteco - Fruticultura Integrada, a Hortas D’Idanha, o ISA - Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa e a Sociedade Agrícola de Quinta de Lamaçais.

A Academia 2013/2014 culmina com a atribuição de três bolsas de instalação no valor de €20 mil cada, aos três melhores projectos.

Temas sessões teóricas:

Fruticultura Geral
Inovação e criação de negócios na área agrícola
Horticultura geral de frutos
Agricultura de Precisão
Gestão Agrícola e Nova PAC
Associativismo agrícola e instrumentos de financiamento

Fonte:  GCI

UE: Conselho de Agricultura de Abril 2014



O Conselho de Agricultura da UE reúne-se no Luxemburgo na próxima segunda-feira 14 de Abril. O Conselho, que será presidido pelo Sr. Athanasios Tsaftaris, Ministro do Desenvolvimento Rural e Alimentos da Grécia, abordará apenas questões agrícolas.

O Conselho realizará uma troca de pontos de vista acerca do relatório sobre o funcionamento do sector das frutas e produtos hortícolas, desde a reforma de 2007. O relatório foi apresentado pela Comissão no último Conselho da Agricultura em Março (7312/14) .

O debate sobre este tema será organizado em torno das seguintes questões preparadas pela Presidência (8402/14):
a) Como é que o grau de organização do sector das frutas e produtos hortícolas pode ser melhor incentivado na UE?
Como poderia o desequilíbrio da organização no sector das frutas e produtos hortícolas entre Estados-membros e / ou regiões ser reduzido?

b) Podem as ferramentas ou instrumentos actuais ser melhorados para enfrentar os desafios identificados pela Comissão?
Se sim, quais modificações e / ou medidas adicionais poderiam fazer uma melhoria duradoura para a competitividade dos produtores da UE?

c) Como é que os recursos financeiros podem ser melhor alocados, mantendo a neutralidade orçamental?

d) Existe uma necessidade, já nesta fase, para melhorar ainda mais o uso de instrumentos de gestão e prevenção de crises?

Por fim, os ministros serão informados sobre o sistema de quotas leiteiras (a pedido da Áustria) e da situação provocada pela seca no Chipre.

Fonte:  Conselho UE

Vendas DOC Douro ultrapassam os 100 milhões de euros

Comercialização cresce em nove dos 10 principais mercados em 2013
 

 
Os vinhos DOC Douro fecharam 2013 com um valor de vendas superior a 100 milhões de euros (101, 8M€), mais 12,2 por cento do que no ano anterior. Nove dos dez principais mercados cresceram em volume de negócios, com Portugal na liderança seguido pelo Canadá e Angola. No total, a comercialização dos DOC Douro cresceu, além do valor, quer em quantidade, com um aumento de 9,7 por cento, quer ao nível do preço por litro, que registou uma subida de 2,3 por cento. A quota de exportação manteve-se acima dos 40 por cento (40,9% em valor e 40,1% em quantidade). Os DOC Douro tintos continuam a deter a maioria do mercado, com quase 80 por cento (79,2%).
 
No âmbito dos dez principais mercados, o francês, que ocupa a 9ª posição, foi o que mais cresceu na generalidade com um aumento do volume de negócios superior a 40 por cento (41,2%), mais 25 por cento de caixas vendidas (25,2%) e quase 13 por cento de aumento no preço por litro (12,8%).
 
Para o presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), “os vinhos da Região Demarcada do Douro estão a aumentar a sua quota de terreno internacional de uma forma muito interessante. Mais do que a quantidade, estes resultados demonstram que os DOC Douro estão a crescer em notoriedade e valor a um ritmo sustentável”, conclui Manuel de Novaes Cabral.

Fonte: IVDP

quinta-feira, 10 de abril de 2014

XXXV Reunião de Primavera da SPPF "Pastagens e Forragens na região do Ribatejo: sistemas de produção intensivos e extensivos"


PROGRAMA

28 de Abril 2014 – Segunda-feira

09h00 Entrega de documentação

09h30 Sessão de Abertura: Presidente da Câmara Municipal de Santarém; Diretora Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo; Presidente do INIAV; Presidente do IPS; Diretor da ESAS; Presidente da SPPF

Sessão 1: “Sistemas Intensivos de Pastagens e Forragens no Ribatejo.”
Moderador: Luís Vasconcelos e Sousa (AGROMAIS)

9h45 Conferência “Utilização da silagem de milho na alimentação de ruminantes. Aspetos nutricionais” - Manuel Cancela de Abreu (Universidade de Évora)

10h30 Discussão

10h45 Pausa para café e Visita aos Posters

11h15 Conferência “A nova PAC, uma oportunidade para Portugal.” - Luís M. Capoulas Santos (Deputado Europeu)

12h00 Discussão

12h15 Apresentação e discussão das comunicações por “Posters”

Moderador: Henrique Trindade (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

12h30 Discussão

12h45 Almoço

14h30 Visita técnica ao Mouchão do Esfola Vacas. Apresentação de trabalhos a decorrer no local e apresentação da AGROGLOBAL-2014

17h30 Assembleia-geral da SPPF (ESAS)

20h30 Jantar Anual da SPPF
ESAS, Santarém | 28 e 29 Abril 2014

29 de Abril de 2014 – Terça-feira

Sessão 2: “Sistemas Extensivos de Pastagens e Forragens da Charneca do Ribatejo”
Workshop: Serviços Ambientais no Montado

9h30 – Abertura e apresentação do Workshop.
José Mira Potes (IPS/ESA de Santarém)

10h00 – Abordagem aos cinco temas propostos através de apresentação e discussão
1. O papel da pastagem na recuperação do solo no Montado
Mário Carvalho (Universidade de Évora)
2. Redistribuição da água no perfil do solo do ecossistema Montado
Teresa Soares David (Instituto Nacional de Investigação Agraria e Veterinária)
3. O sequestro de Carbono e o equilíbrio dos estratos vegetais no Montado
Tiago Domingos (Instituto Superior Técnico)
4. Controlo do estrato arbustivo no Montado, uma prevenção de incêndios natural em ambientes mediterrânicos
Francisco Castro Rego (Instituto Superior de Agronomía)
5. Riqueza em Biodiversidade: evidência natural no ecossistema Montado
Artur Lagartinho

12h30 Integração das abordagens temáticas pelo relator Nuno Oliveira (Instituto Superior Técnico)

13h00 Almoço

14h30 Visitas técnicas à Sociedade Agrícola da LAGOALVA.

18h00 Visita à exploração agrícola e pecuária da Sociedade Agrícola Lezíria da Palmeira, Lda.

18h30 Sessão de Encerramento: Associação de Agricultores do Ribatejo; VALINVEST; ACHAR; CASAL BRANCO; LAGOALVA e Presidente da SPPF.

Agricultura: Parlamento Europeu confirma "Reforma Capoulas"

                     

Delegação Portuguesa 
Grupo dos Socialistas & Democratas no Parlamento Europeu                                                         

 Comunicado de imprensa

                                                                              Agricultura:  Parlamento Europeu confirma "Reforma Capoulas"

O Parlamento Europeu (PE) encerrou ontem, finalmente, o processo de aprovação da nova PAC de que foi Relator o deputado português Capoulas Santos, ao aprovar por larga maioria a posição defendida pelos socialistas europeus, os chamados "actos delegados" da PAC, cuja rejeição era defendida por deputados de diversos grupos políticos da direita europeia.

Tal significa que a totalidade dos textos da nova Política Agrícola Comum viram hoje a sua aprovação definitiva, só possível pela alteração do sentido de voto de muitos deputados  no último minuto, depois de perceberem que arriscavam ser responsabilizados pelo atraso da implementação da nova política agrícola europeia, colocando em causa os últimos 3 anos de trabalho e pondo em risco os pagamentos de acordo com as novas regras que beneficiam Portugal e outros Estados-membros, pelo menos por um ano.

No final da votação, Capoulas Santos declarou-se "muito satisfeito com o resultado, que confirma a justeza e o sentido de responsabilidade dos socialistas europeus, que sempre se manifestaram intransigentes quanto à necessidade de um voto favorável da Comissão de Agricultura quanto a esta matéria".

Capoulas Santos acrescentou que "aqueles que queriam ganhar na secretaria o que já tinham perdido em campo tiveram a merecida lição" e registou o facto do Coordenador Agrícola alemão, do PPE, o maior grupo politico, ter sido desautorizado e obrigado a votar contra a sua  própria bancada.

A nova PAC, que integra muitas das proposta de Capoulas Santos que favorecem os países do sul e leste europeu, irá permitir que Portugal receba, até 2020, mais de 8000 milhões de euros, mais de metade dos quais financiados a 100% pela UE. Graças ao PE, e contra a vontade inicial da Comissão Europeia, também o investimento para novos regadios voltou a ser elegível para Portugal, até 2020, com taxas de comparticipação que, nalguns casos, também por proposta de Capoulas Santos, poderão atingir os 90% de comparticipação financeira comunitária.

 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

CE: Mortalidade das abelhas na UE revela importantes diferenças regionais e sazonais

08-04-2014 
  
Na Conferência de Alto Nível sobre sanidade apícola, promovida pela Comissão Europeia, foram apresentados os resultados do estudo EPILOBEE, sobre as perdas de colónias de abelhas de mel, conduzido entre Outubro de 2012 e o Verão de 2013.  
 
Um dos principais resultados do estudo é a importante instabilidade da taxa de mortalidade de colónias no Inverno entre os países participantes, flutuando entre 3,5 a 33,6 por cento. Esta instabilidade tem um claro padrão geográfico norte/sul.
 
Os países nos quais a mortalidade média ficou abaixo dos 10 por cento, como a Grécia, Hungria, Itália, Lituânia, Eslováquia e a Espanha, representam a maioria, mais de 59 por cento das colmeias, 6.485.000 da população e 47,3 por cento de toda a população de abelhas da União Europeia (UE).
 
Nos países onde a taxa de mortalidade ficou entre os 10 e 15 por cento, nomeadamente, a Alemanha, França, Letónia, Polónia e Portugal, representam cerca de 34,6 por cento de toda a população respondente, ou 27,7 por cento do total de abelhas da UE, 3.793.170 colmeias.
 
Os Estados-membros onde a taxa ultrapassa os 20 por cento, como a Bélgica, Dinamarca, Estónia, Finlândia, Suécia e o Reino Unido, figuram 6,24 por cento da população e cinco por cento de toda a população da UE, com um total de 684.500 colmeias.
 
Outro factor importante é a sazonalidade da mortalidade, cujas taxas gerais das colónias durante a temporada apícola forma inferiores à mortalidade de Inverno e oscilou entre os 0,3 e 13,6 por cento.
 
No estudo participaram voluntariamente 17 Estados-membros e foram estudadas 32 mil colónias. Trata-se de uma iniciativa co-financiada pela Comissão Europeia, com 3,3 milhões de euros, os quais correspondentes a 70 por cento dos custos elegíveis.
 
Fonte: Agrodigital

Procuradoria-Geral da República diz que rendeiros da Herdade dos Machados mantêm terrenos


CARLOS DIAS 08/04/2014 - 07:19
Ministério da Agricultura pretendia ver aplicado o despacho que publicou em Agosto de 2003 em que se exigia aos rendeiros da exploração a devolução das terras que lhes tinham sido entregues por Sá Carneiro.

 
ENRIC VIVES-RUBIO (ARQUIVO)

Um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, publicado em Diário da República na segunda-feira, conclui que os rendeiros da Herdade dos Machados devem manter a exploração das terras que lhes foram concedidas por Sá Carneiro em 1980. O parecer surge a pedido do Ministério da Agricultura, que pretendia a devolução dos lotes aos proprietários da herdade, prevista num despacho de 2003 que entretanto foi anulado pelo Tribunal de Beja. A PGR é de opinião que a decisão do tribunal é válida.

O modelo alternativo de Reforma Agrária defendido por Sá Carneiro persiste em manter-se, pese embora as inúmeras tentativas para o alterar feitas pelos herdeiros de Ermelinda Neves Bernardino Santos Jorge, proprietários da Herdade dos Machados, com uma área superior a 6100 hectares, desde que foram expropriados em Dezembro de 1975 durante o VI Governo Provisório. Desde Setembro de 1979 que a administração da Casa Agrícola Santos Jorge pretende reaver a totalidade da área expropriada e posteriormente intervencionada. Neste sentido, a 25 de Julho de 1979, o Conselho de Ministros determinou "a cessação da intervenção do Estado na gestão da Casa Agrícola Santos Jorge, SARL, e a sua restituição aos respectivos titulares".

O problema complica-se no ano seguinte, quando Sá Carneiro manda retalhar cerca de 3000 hectares para os distribuir por 94 trabalhadores da exploração, que desde então se tornaram rendeiros do Estado. Este foi o modelo de Reforma Agrária defendido pelo antigo primeiro-ministro para o contrapor à solução defendida pelos comunistas. Só que a alternativa dita social-democrata veio a transformar-se numa persistente dor de cabeça tanto para a casa agrícola como para os rendeiros, que passaram a temer a sua expulsão das terras.

O seu receio tomou corpo em Agosto de 2003, quando o então ministro da Agricultura Sevinate Pinto, durante o Governo de Durão Barroso, publicou um despacho em que alegava estar em causa um direito de reserva de exploração, a atribuir à Casa Agrícola Santos Jorge, por dificuldades colocadas pelos rendeiros na "libertação dos lotes arrendados". A tutela defendia a "execução" do direito de reserva e a "denúncia" dos contratos de arrendamento. Os visados na decisão de Sevinate Pinto recorreram para o Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja (TAFB) e a instância judicial deu-lhes razão e anulou o despacho, recordou ao PÚBLICO Francisco Farinho, porta-voz dos rendeiros da Herdade dos Machados.

O agricultor explicou que não esteve envolvido em nenhuma ocupação da herdade, onde diz ter trabalhado 26 anos, e que Sá Carneiro lhe facultou os lotes de terra como forma de indemnização pelos anos que trabalhou na exploração. Francisco Farinho esclareceu que o tribunal não deu razão aos proprietários da casa agrícola porque estes se apresentaram como rendeiros e, assim sendo, "não era possível dar terras a um rendeiro que eram de outros rendeiros".

Em Novembro de 2011 deu entrada na Procuradoria-Geral da República uma solicitação apresentada pelo actual secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rura em que se pedia um parecer sobre o despacho ministerial de Agosto de 2003, assinado por Sevinate Pinto, sobre  a caducidade dos contratos de arrendamento e sobre a indemnização pela "privação de uso e fruição de reserva até à sua devolução final". O parecer votado na sessão do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República de 10 de Outubro de 2013 e agora publicado não reconheceu os argumentos apresentados pelo secretário de Estado e determinou que o "Estado/Administração está proibido de praticar qualquer acto incompatível com a sentença proferida pelo Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja".

O conselho consultivo classifica como "inadmissível a ratificação" pelo Ministério da Agricultura do despacho do ministro da Agricultura de Agosto de 2003, o qual foi anulado pelo TAF de Beja, e propõe que se faça uma "reavaliação integral" de uma eventual iniciativa de denúncia dos contratos de arrendamento rural. 

O PÚBLICO contactou Jorge Tavares, administrador da Casa Agrícola Santos Jorge, que não quis adiantar qualquer comentário ao parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República, sugerindo um contacto com o advogado da empresa, com quem não foi possível falar.

Filho de ferreiro fundou a herdade na segunda metade do séc. XIX
Tudo terá começado quando José Maria Santos, filho de um ferreiro de Lisboa, nascido em 1832, se deslocou a casa de Maria Cândida Ferreira Braga São Romão, baronesa e viúva do milionário Manuel José Gomes da Costa São Romão, para tratar da sua cadela que estava doente. A paixão terá surgido e José Maria Santos casou-se com a baronesa e passou a ser conhecido como o "Morgado da Canita".

"A Ovibeja não dorme na forma"

Entrevista a Manuel Castro e Brito, presidente da ACOS - Agricultores do Sul


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Manuel Castro e Brito, presidente da ACOS-Agricultores do Sul


Todos os anos a Ovibeja parece a mesma, mas todos os anos se renova.
Este ano o lema principal da feira tem a ver com a inovação agrícola e o aparecimento de novos produtos, a chamada “Terra Fértil”. É uma aposta em novos conteúdos?

É uma outra fase que estamos a passar aqui no Alentejo. Por um lado, é a modernização das explorações agrícolas, com novas culturas, mas muitas vezes voltando ao que era antigamente. As explorações que não têm água terão que fazer agora com a nova PAC uma gestão mais ecológica, responder a mais exigências de boas práticas ambientais. E é esta a abordagem que temos de fazer, seja com a presença da água, com o regadio, seja devido à nova PAC onde o bem-estar e o ambiente têm muito peso.

É a água de Alqueva que já está a permitir novas culturas?

Sem dúvida. Na área das horto-industriais, frutícolas, mas sobretudo na cultura do olival o que fez com que sejamos já auto-suficientes em azeite e com uma perspectiva, a muito curto prazo, de sermos grandes exportadores de azeite. Também a cultura do milho tem avançado muito nesta região.

As culturas ligadas à água requerem normalmente grandes investimentos. Tem havido essa disponibilidade?

O investimento é brutal. Mudar uma exploração de sequeiro para regadio é um investimento muito grande para o agricultor. Aliás, o grande investimento que se está a fazer aqui no regadio do Alqueva é o investimento privado, que é feito pelos agricultores. São investimentos muito grandes, numa altura em que os juros estão muito altos. 

Ainda sobre Alqueva, considera que a promessa do Governo de ter a obra concluída em 2015 se vai cumprir?

Os agricultores têm que acreditar naquilo que foi dito pelo primeiro-ministro aqui na Ovibeja há dois anos, de que em 2015 o projecto está concluído. Aliás, as obras neste momento estão com uma grande dinâmica nos dois blocos de rega Baleizão-Quintos e Cinco Reis-Trindade.

Existe falta de mão-de-obra

Este tipo de culturas exige sempre mais mão-de-obra, pelo menos sazonal. Há, por vezes, o recurso a trabalhadores estrangeiros, em condições precárias e em más condições de trabalho.
Como é que a ACOS vê esta situação?

Não estou de acordo que se diga que existem más condições de trabalho. De facto existe alguma comunicação social que gosta de especular e com a necessidade que têm de vender as notícias e os jornais arranjam problemas onde, de facto, não os há. Mas também é verdade que se existirem alguns problemas nesta área terão que ser encarados como problemas legais e casos de polícia, que devem ser resolvidos, pelas entidades competentes.

Mas existe falta de mão-de-obra?

A verdade é essa. Não temos mão-de-obra. Não é nenhum drama, mas os portugueses, pelo menos nesta região, não respondem à oferta que existe no mercado de trabalho na agricultura.

…uma oferta sazonal…

Sim, é uma oferta sazonal, seja para apanhar azeitona, para fazer a poda das oliveiras, da vinha, para trabalhar nas estufas, enfim, existe uma oferta de trabalho sazonal , deslocalizada, não é sempre no mesmo sítio, e arriscamo-nos a não ter mão-de-obra. Neste momento o país que mais emigra para trabalhar na agricultura em Portugal é a Roménia. Em 2014, a Roménia passou a ter acesso a toda a União Europeia, com base na livre circulação e, como tal, poderão optar por outros países que possam oferecer salários mais altos. Por outro lado, não tem havido da parte do Estado português uma preocupação com este assunto, nomeadamente ao nível do ministério dos negócios estrangeiros de forma a fazer-se um planeamento do pessoal que precisamos para a agricultura, e procedimentos legais.

E porque é que isso não tem acontecido?

Penso que toda a gente anda distraída no meio disto. Do que se fala é que Portugal exporta, Portugal está muito bem na agricultura, o que não é verdade, embora se esteja um pouco melhor, mas está a ser feito um grande esforço por parte dos agricultores que precisam destes apoios. Não é só o dinheiro, ou ajudas, ou subsídios que são importantes. Este tipo de apoios também o são e, mesmo na parte fiscal, há coisas que podem ser feitas relativamente a este tipo de trabalhadores. Os agricultores, nesta região, contactaram os serviços de finanças para serem responsáveis pelo IVA que é cobrado pelas empresas que vêm aqui fazer empreitadas na área agrícola. Não tivemos qualquer resposta. Há, de facto, uma alienação da parte da administração para estes problemas. 

Este tipo de trabalhadores são sempre contratados através de empresas especializadas e não em nome individual?

Geralmente são empresas que contratam esses trabalhadores e que depois fazem contratos com os agricultores que precisam dos serviços.

O Alentejo está a ter mais dinâmica

O Alentejo hoje está mais rico, está melhor, do que antes de Alqueva?

Vai estando. Há zonas em que se nota algum desenvolvimento. Primeiro, em virtude das obras que trazem empresas e trabalhadores para aqui e que vão dando dinâmica à região. Depois, há empresas ligadas ao regadio que também têm vindo para cá, com maquinaria agrícola, e, de facto, começam-se a ver nesta região do Alqueva outras perspectivas. Também há gente nova que vai ficando nestes novos sectores e isso é muito importante.

Mas falta ainda outro patamar: será o do aproveitamento agro-industrial?

Esses investimentos também estão a chegar a pouco e pouco. Os lagares também são indústria. Nós temos muitos e óptimos lagares e adegas. Outros tipos de agro-indústrias chegarão a toda a hora, mas de qualquer maneira eu penso que se não fosse o regadio esta região estaria muitíssimo pior do que está neste momento.

Tem sido anunciado, desde há um ano e tal, uma grande entrada de jovens na actividade agrícola.
Já é possível fazer um balanço sobre os resultados deste movimento?

Eu não o consigo fazer. Quem o pode fazer é quem recebe os projectos de investimento de jovens agricultores, seja o PRODER ou o Ministério da Agricultura. No entanto, o que noto é que houve uma grande especulação sobre este assunto. E penso que não é de bom gosto estar a embandeirar com frases como “a agricultura vai ser solução para o desemprego dos jovens”, ou “venham para a agricultura porque é um sector que compensa”. A agricultura é um negócio complicado, porque requer “know how”, requer capital como todos os negócios, mas está muito dependente do tempo e ninguém controla o clima. É preciso que haja bom senso, alguma prudência neste aspecto dos jovens na agricultura. Eles fazem falta, é bom que estejam, mas não é uma propaganda que se possa fazer de ânimo leve.

Já há pouco se referiu à reforma da PAC. A reforma da Politica Agrícola Comum vai trazer alterações à actividade dos agricultores?

Em 2015 ela estará no terreno e traz um novo modelo, numa lógica que junta a produção com as obrigações ambientais.

Mas é uma boa reforma?

Na nossa visão é a reforma possível, já que cada vez há mais países e o orçamento é o mesmo ou tende a diminuir.

A Ovibeja criou uma matriz para as feiras

Olhando agora para a Ovibeja, esta é já uma feira com o seu lugar bem definido no panorama nacional?

Sim, mas a Ovibeja não “dorme na forma”. Todos os anos temos mais desafios, todos os anos temos mais investimentos, todos os anos procuramos uma diferenciação comparando com o geral das feiras. Sem falsa modéstia, tenho muito orgulho em dizer que a Ovibeja criou uma matriz para as feiras de norte a sul do país. Não havia rocks’n’rolls nem espectáculos à noite em nenhuma feira. A Ovibeja pôs isso no terreno e hoje em dia há em todas. Não havia dj’s, a Ovibeja apareceu com dj’s, não havia exposições temáticas… De há 15 anos para cá a Ovibeja faz sempre exposições de vários temas, da produção, à água, ao ambiente, ao azeite e ao vinho, etc., numa atitude pedagógica para quem a visita, sejam novos ou velhos. De facto a Ovibeja presta um serviço não só à agricultura, mas sim à população, ao consumidor em geral, que aqui tem a possibilidade de aprender muita coisa e saber aquilo que come. Por outro lado, a Ovibeja continua a ser a maior concentração de gado exposto numa feira e vem muita gente de todo o lado para mostrar às crianças um animal vivo. É aqui que vêm ver os animais que vivem no campo.

A Ovibeja tem conseguido dar também outra imagem mais positiva, mais dinâmica do Alentejo?

Sem dúvida nenhuma. A Ovibeja, por si só, é um exercício de dinâmica, de coragem, de ir para a frente. A Ovibeja nunca teve um discurso lamechas. A Ovibeja tem sim reivindicado aquilo a que a agricultura, e as regiões do interior têm direito. É muito fácil dizer que o Estado vai deixar de investir em estradas porque já se construiu muito. Claro que é fácil para quem tem auto-estrada à porta e linha de caminho-de-ferro electrificada diga isso, porque já tem. Mas os que não têm nada disso, como é o nosso caso, não podem ficar calados. Estas coisas têm que ser abordadas pelo bom senso e não pelo lado da propaganda política. Estamos todos fartos disso.

Turismo também em alta

Mas a verdade é que quando se olha para o Alentejo há dois sectores que se estão a destacar pela positiva. Um é a agricultura, outro o turismo. E no campo turístico a Ovibeja também tem desempenhado um papel importante.

Isso é verdade, porque há muitos portugueses que descobriram agora a América, e a América aqui é o Alentejo. As pessoas não sabiam que de manhã quando comiam o papo-seco isso vinha de qualquer lado e que quando comiam as batatas elas não nasciam nas mercearias nem nos supermercados. Penso que as pessoas evoluíram, têm mais cultura e começam a atribuir mais valor às coisas simples, à génese das coisas. Com o turismo passa-se exactamente o mesmo, penso que já se ultrapassou aquela fase pacóvia dos casinos e dos grandes aglomerados nas praias superlotadas e começa a haver uma procura mais evoluída, mais jovem, para o interior do país e aqui para o Alentejo. Por outro lado, a especulação imobiliária que houve, com todos esses yuppies e com todos os negócios na área dos serviços, deu aquilo que deu e, finalmente, começa-se a olhar para o sector primário como um investimento e um trabalho sério, que não especula, até porque está assente na terra que, muitas vezes, vem já de há gerações na mesma família.

Na Ovibeja, este ano, vamos ter o espaço Terra Fértil, que é um espaço dedicado à inovação e aos novos produtos da terra, que outras novidades se podem encontrar?

As novidades são trazidas, a maior parte delas, pelos nossos expositores. Eu costumo dizer: a Ovibeja é sempre a mesma coisa, mas sempre também com novidades. Mas já há pouco por inventar, não há dúvida. Por isso fazemos um esforço, sempre com a ajuda dos nossos expositores. No ano passado demos já um salto com um novo espaço onde existe alguma experimentação de culturas, onde está a maquinaria agrícola, e a que chamámos o Campo da Feira. Este ano vamos melhorá-lo, já temos as culturas no terreno… Esta é uma feira muito grande e é preciso muito tempo para quem a quer visitar em pormenor.

A Ovibeja é também, em geral, uma feira que serve de palco para os vários discursos políticos se fazerem ouvir. Este ano a feira realiza-se pouco tempo antes das eleições europeias e essa característica vai manter-se, por certo…

Todos os políticos que aqui vierem são bem vindos. A Ovibeja faz-se sempre, com ou sem a classe política. Se a classe política vier, a organização fica muito satisfeita e muito agradecida porque é necessário que eles vejam o que se passa no Alentejo. E a Ovibeja, quer se queira ou não, é a montra do Alentejo. Temos tido a sorte de muitos políticos serem adeptos da Ovibeja, mas há também alguns que não gostam muito da Ovibeja.

Os 40 anos do 25 de Abril

Outra marca da Ovibeja são os concertos à noite, virados para um público mais jovem. Este ano o cartaz integra, entre outros, Gabriel, o pensador, e os Buraka Som Sistema…

Nós temos sempre uma grande afluência para os espectáculos da noite. São sempre bons grupos, bons artistas e a organização investe nessa área. A Ovibeja não fecha, funciona 24 horas por dia. Há aqui uma grande descontracção, mas também uma grande responsabilidade porque, felizmente, não têm acontecido problemas de monta.

E sentem que a noite e os concertos são um dos grandes momentos de atracção da feira?

Sem dúvida. Aliás nota-se que os mais jovens começam a invadir, no bom sentido, a feira a partir das 7 horas da tarde. Nota-se imediatamente a afluência, o que é também muito positivo para todos os expositores.

A realização desta Ovibeja é quase coincidente com as comemorações do 25 de Abril de 1974. Embora seja uma obra de uma associação de agricultores, uma feira deste género só pode existir num contexto de liberdade como o actual ou poderia ter existido noutro contexto político?

O 25 de Abril passou-se há 40 anos. Foi o que foi, é o que é, tem vertentes muito positivas e a principal é a liberdade, é o eu poder estar aqui a dizer coisas sem estar com problemas de que poderei ser perseguido pelo que estou a dizer. E essa foi uma grande conquista também da minha geração, porque eu sou exactamente da geração do 25 de Abril. Foi um movimento que os partidos políticos tentaram monopolizar, mas antes do mais foi um movimento das pessoas, dos cidadãos, principalmente dos jovens e também daqueles que passavam os melhores anos da sua vida na guerra, na chamada nessa altura guerra do ultramar e o movimento do 25 de Abril partiu daí. Eu fui um desses jovens, estive mais de dois anos em Angola. É inegável que o 25 de Abril trouxe mais justiça e melhores condições de vida para os mais pobres e também o acesso aos direitos primários como a alimentação, a saúde e a educação, houve um grande desenvolvimento e melhoria de vida que hoje é evidente nas gerações mais novas. Também houve injustiças tremendas e a destruição de muitas infra-estruturas, tanto da agricultura, como da indústria, como outras, e a pilhagem de várias pessoas e de várias empresas. Aconteceu, foi há 40 anos e felizmente foi uma revolução pacífica. Há várias efemérides que até já deixaram de ser feriado. O 25 de Abril, por enquanto, ainda é.

Fonte:  Ovibeja

terça-feira, 8 de abril de 2014

Na lavra de Abril semear de novo!

CNA

- MOÇÃO -

Este mês de Abril, completam-se os 40 anos do 25 de Abril, da Revolução dos Cravos!

A Revolução do 25 de Abril  e  o  processo que  se desenvolveu a partir daí trouxeram-nos importantes conquistas.

Trouxeram-nos a Liberdade e a Democracia. O fim da guerra colonial para onde os nossos jovens marchavam, tantas vezes para matar e morrer e, a seguir, trouxe a independência de outros Povos e Países.

O 25 de Abril abriu portas à Liberdade de Associação que as Agricultoras e os Agricultores Portugueses concretizaram ao formarem as suas Organizações livres e independentes.  A fundação da CNA, em 1978, também é um fruto bom do Associativismo Agrícola Nacional, saído do 25 de Abril.

O 25 de Abril trouxe para os Agricultores e para o Mundo Rural:- a Lei democrática do Arrendamento Rural; a entrega, às Populações Locais, das Cooperativas Agrícolas e das Casas do Povo. Trouxe a Lei dos Baldios com a devolução, aos Compartes, da propriedade comunitária e das riquezas desses Baldios. Trouxe a melhoria de salários, pensões e reformas.

A Constituição de Abril da República Portuguesa - cujo 38º Aniversário se assinalou ontem, 2 de Abril –  consagrou os direitos dos Portugueses em geral e dos pequenos e médios Agricultores em particular.

E, entre outros, a Constituição de Abril também consagrou o direito à Saúde, à Educação, ao Poder Local Democrático, portanto, a todo um vasto conjunto de direitos que trouxeram significativas melhorias ao nosso trabalho e à nossa vida.

O 25 de Abril trouxe-nos mais Felicidade !

Por isso mesmo, aqui nos congratulamos !

Mas, hoje, sopram ventos frios contra o 25 de Abril, contra a esperança numa vida melhor. Atravessamos tempos duros e difíceis !  Como todos sentimos e sofremos.

Sofremos em consequência das más políticas agrícolas e de mercados definidas e aplicadas, contra a nossa vontade, por sucessivos governos e pela União Europeia. Sofremos com a dificuldade de escoamento e a baixa dos preços à Produção assim como com os custos especulativos dos Combustíveis, da Electricidade, das Rações, dos Herbicidas, do Crédito Bancário.

Sofremos com as importações desnecessárias; com a falta de bons Mercados Locais para escoar a nossa Produção familiar de bens agro-alimentares.

Sofremos com esta PAC – Política Agrícola Comum, que está feita para os grandes proprietários absentistas e para o grande agro-negócio, e que sacrifica a nossa Soberania Alimentar.

O sistema vigente impõe-nos o pagamento de Contribuições caríssimas para a Segurança Social e está a obrigar-nos a irmos, todos, colectarmo-nos nas Finanças para pagar ainda mais contribuições e impostos, situação que não podemos suportar.

…

Por isso aqui estamos, hoje, 3 de Abril, uma vez mais nas ruas de Lisboa.

A protestar e a reclamar no uso dos nossos Direitos Constitucionais saídos do 25 de Abril !

Em defesa da Agricultura Familiar e do Mundo Rural !

Queremos melhores políticas Agro-Rurais e  queremos outro governo capaz de as promover !

Sim !  Sempre com os Agricultores !
Na lavra de Abril, vamos semear de novo !

Lisboa, 3 de Abril de 2014

-   Ano Internacional da Agricultura Familiar -

E se o sobreiro ajudasse a tratar as feridas ao matar bactérias?


NICOLAU FERREIRA 07/04/2014 - 07:30
Equipa liderada por cientistas portugueses extraiu da cortiça uma molécula complexa mantendo as suas propriedades iniciais. Os cientistas descobriram ainda que essa molécula é antibacteriana e antevêem uma série de aplicações, como uma nova geração de sacos de plástico.


A película de suberina é extraída do pó de cortiça DANIEL ROCHA (ARQUIVO)


O uso da cortiça para fabricar rolhas e placas isolantes é antigo. Entretanto, a indústria do vestuário já faz malas, chapéus ou sapatos com cortiça. Arquitectos e designers já construíram bancos, maçanetas e outras peças de mobiliário com este material. Agora, talvez seja a vez de a medicina aproveitar as propriedades da árvore que é símbolo nacional – o sobreiro (Quercus suber) – para ajudar a curar feridas.

Uma equipa de investigadores, liderada por portugueses, acaba de demonstrar que é possível extrair da cortiça uma película de suberina – uma molécula vegetal que se encontra em grande quantidade na casca do sobreiro. E provou ainda que esta película tem propriedades antibacterianas. A novidade foi publicada na revista Biomacromolecules.

A suberina é um poliéster, o nome de uma classe de polímeros em que entram vários tipos de moléculas, como os plásticos (estes provêm do petróleo). A suberina é naturalmente produzida em árvores como o sobreiro ou a bétula. É um importante constituinte da parede das células vegetais – uma estrutura que está à volta da membrana celular, dá rigidez aos tecidos e não existe nas células animais.

A suberina acumula-se na cortiça, onde pode chegar a constituir metade do seu peso. A casca do tronco da bétula também pode conter até 50% desta macromolécula.

Até agora, nunca se tinha conseguido extrair a suberina de modo a manter uma estrutura semelhante à que forma na parede celular. O que os investigadores químicos faziam era cortar as cadeias de moléculas de suberina. Ao estar organizada em grandes cadeias, a suberina cria um efeito de protecção, rigidez e isolamento no interior da parede celular vegetal (que é formada por outras moléculas). Mas estas propriedades perdiam-se quando as reacções químicas utilizadas antes pelos cientistas partiam as cadeias de moléculas de suberina nas suas unidades.

Este obstáculo foi ultrapassado com o trabalho liderado por Cristina Silva Pereira, chefe de um grupo do Instituto de Tecnologia Química e Biológica (ITQB), em Oeiras. “Não olhámos para o problema com a abordagem de um químico”, disse a investigadora ao PÚBLICO, referindo-se à ideia de que as moléculas podem ser partidas e reconstruídas dentro de um tubo de ensaio. “Olhámos para o polímero como um todo, tendo presente a função que desempenha na planta. Queríamos aceder a este material mantendo essas funções.”

A equipa começou a trabalhar com a suberina em 2008 e em 2010 conseguiu finalmente extraí-la da cortiça, mantendo parte da estrutura que a molécula forma na parede celular da planta. Para isso, os cientistas usaram um composto que apenas partia certas ligações, e não todas, entre as moléculas.

No artigo agora publicado, os cientistas demonstraram como se pode criar uma película de suberina com esse método. O trabalho teve ainda a colaboração de investigadores de outros grupos do ITQB, da Universidade de Aveiro, da Universidade de Coimbra e ainda da Universidade de Ratisbona, na Alemanha.

“A película tem um aspecto de uma mica”, diz Cristina Silva Pereira, referindo-se às capas de plástico, “com uma cor entre o amarelo-escuro e o acastanhado”. Depois, a equipa analisou as propriedades físicas desta película, como por exemplo o ponto de fusão e a permeabilidade à água. Além de ser impermeável, o material é liso.

Finalmente, os investigadores testaram os efeitos que a película de suberina tem na sobrevivência de duas espécies diferentes de bactérias que pertencem a dois grandes grupos bacterianos (as Gram-positivas e Gram-negativas): constataram que os pedaços de película de suberina matavam a grande maioria dessas bactérias.

Cristina Silva Pereira explica que há várias referências de medicina tradicional sobre o uso de plantas ricas em suberina que induzem a cicatrização de feridas. Por isso, a investigadora defende que esta película de origem biológica poderá vir a ser utilizada para tapar as feridas crónicas, como as que os diabéticos desenvolvem, promovendo a cicatrização e inibindo o desenvolvimento de bactérias. “Estamos a pedir muito a um biomaterial, mas acho que este desempenha todas estas funções.”

Para a produção da película, a equipa utilizou pó de cortiça, um produto que resulta da transformação da cortiça e apenas é aproveitado para produzir energia através da sua queima. Seria possível usar suberina para substituir os sacos de plástico que inundam o mundo? “O uso da cortiça para este fim é limitado”, responde a investigadora.

Mas a equipa está a tentar repetir o mesmo processo para extrair suberina e outros poliésteres naturais da bétula, das cascas do melão, da mandioca, da batata, da maça ou do tomate. “Se este processo for feito com outras fontes, poderá ter todo o tipo de usos, desde os mais mundanos aos mais sofisticados.”

Meio Rural


por José Pereira de Carvalho 
(Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Costa Azul) 

A Política Agrícola Comum

Retomando o tema abordado na crónica anterior, onde foi feito um resumido historial da evolução da Política Agrícola Comum desde os seus primórdios, deverão ser tidos em conta alguns aspetos.

A PAC atravessou três períodos marcantes, levando a Europa de escassez alimentar à abundância, à redução de custos, tendo sido criados novos desafios ligados à sustentabilidade do meio rural e à defesa do ambiente, à segurança alimentar entre outros, atribuindo o papel de guardião desses valores ao agricultor.
 
Se fizermos uma análise um pouco mais profunda, constata-se que os objetivos da PAC estão estritamente ligados com os objetivos dos países do Norte da Europa, com melhores condições naturais, mais avançados tecnologicamente e com uma Industria poderosa.
 
Senão vejamos. Na primeira fase da PAC, o foco situava-se em aumentar as produções, modernizar as exploração, criar infraestruturas, havendo até nos primeiros anos da integração de Portugal, ajudas ligadas à produção de cereais e à produção de carne, de que os produtores portugueses logicamente beneficiaram, mas em muito menor escala, dado que as nossas produções unitárias estão e estavam bastante abaixo das produções desses países.
 
Mais tarde foram fixadas produções por freguesias com base nos dados históricos das explorações agrícolas. Ora aqui, mais uma vez, os Países do Norte da Europa conseguiam produções unitárias muito superiores, o que lhes conferiu um valor de histórico bastante mais elevado nalguns casos. Só para ilustrar o que se passou, se em Portugal a nossa produção média de Trigo andaria nos 1800 Kg / hectare, esses Países teriam uma média de cerca de 6000 Kg / hectare.
 
Também nesta fase era necessário modernizar as explorações agrícolas, dado o atraso em que a nossa agricultura possuía relativamente ao exterior. Havia que apoiar o Investimento em máquinas, equipamentos, sistemas de rega, infraestruturas, etc. Muitos desses investimentos foram apoiados, mas o retorno dessas verbas foi diretamente para os Países que possuíam a industria fornecedora desses bens, melhorando assim os resultados económicos das empresas e os indicadores dos Países.
 
Mais tarde surgiram problemas ambientais. Também aqui e sem ser necessário fazer uma busca muito exaustiva, os problemas ambientais tinham lugar nos Países do Norte e não do Sul e havia que ter uma forma de os resolver. O mesmo se passou com algumas doenças animais, por exemplo a vulgarmente denominada Doença das Vacas Loucas – BSE – que esteve na base da criação do atual SNIRA, cujas virtudes são inequívocas como forma de garantir o controlo e a rastreabilidade da Carne. O não cumprimento destas regras é por si só, impeditivo do pagamento das ajudas ao Agricultor.
 
A pergunta que sempre se tem posto é se Portugal teria condições para negociar e alcançar objetivos mais vantajosos. A resposta penso que será não. Portugal é um País pequeno, com pouco peso na Europa, com uma Industria fraca, com pequena representatividade eleitoral, sem uma moeda de troca poderosa que conseguisse atribuir alguma mais valia nas negociações e portanto o que nos tem restado é quase sempre apanhar o comboio e conseguir algumas pequenas vantagens que não serão desejadas ou que não podem ser conseguidas por outros.
 
De qualquer forma e aquilo que deverá ser referido é que todas essas alterações – aumentar produção, reduzir produção, defender o ambiente, etc, têm sido sempre tomadas politicamente, nos corredores de Bruxelas, não tendo logicamente em conta o interesse da Agricultura e dos Agricultores portugueses. A pergunta que se pode fazer é se será possível qualquer agricultor definir uma estratégia para a sua exploração, nem que seja a médio prazo. Claro que não. Resta aos Agricultores irem gerindo as suas explorações ao sabor das "orientações" da PAC, tentando tirar o máximo partido das ajudas a que têm direito, sabendo que daí virá provavelmente a garantia da sua subsistência.
 
Esperemos que no futuro também não venham a ser responsabilizados por essas decisões…

José Pereira de Carvalho - 07-04-2014 09:59

Nike relança modelo clássico de ténis com opção de fabrico de cortiça


Filipa Alves (08-04-2014)

A Nike relançou recentemente o seu clássico modelo Air Force 1 com opções de personalização que incluem o fabrico em cortiça. O Nike Air Force 1 Premium apresenta versões para homem e mulher, em ténis e bota, que podem ser encomendadas online na loja virtual da marca por 190-200 euros.

O modelo original foi designado Air Force 1 em alusão ao avião do presidente dos EUA, tendo sido o primeiro da marca equipado com o sistema Nike Air, indicado para a prática de Basquetebol, e que foi usado com sucesso por jogadores da NBA como Moses Malone e Charles Barkley.

Depois do LeBron X ET, lançado no ano passado em homenagem ao basquetebolista da NBA LeBron James, este é o segundo modelo da Nike que usa cortiça em substituição de materiais convencionais como a malha de poliéster e o couro, sendo uma edição limitada.

As quatro versões dos ténis Nike Air Force 1 Premium (High-Homem, High-Mulher, Low-Homem e Low-Mulher) podem ser personalizadas de acordo com o gosto pessoal em 14 passos, o primeiro dos quais corresponde à selecção do material principal da forma, que pode ser couro ou cortiça de tom escuro/cortiça de tom claro.

Para além desta parte do sapato desportivo, o cliente pode optar por cortiça em vez de couro na “base”, na lingueta, no remate traseiro ao nível do tornozelo e na sola intermédia.

*Escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico

EDIA promove ação de sensibilização ambiental "Vamos aprender com as nossas ribeiras"



A EDIA promove amanhã, dia 08 de abril, uma ação de sensibilização ambiental sobre ecossistemas ribeirinhos no Açude do Monte de Bolor em Beringel.

Trata-se de uma iniciativa, que surge na sequência de uma solicitação da Junta de Freguesia de Beringel, dirigida às crianças dos ATL’s locais.

Sob o mote “Vamos aprender com as nossas ribeiras” serão desenvolvidas atividades que permitem a apreensão de conceitos como ecossistema ribeirinho, habitat, galeria ripícola, conservação da natureza e biodiversidade, a partir dos quais se pretende que sejam interiorizadas atitudes e comportamentos que contribuam para a preservação do ambiente.

Crítico de vinhos brasileiro Carlos Cabral apoia a cortiça

InterCork chega ao Brasil

O enófilo Carlos Ernesto Cabral de Mello será o embaixador da cortiça no InterCorkII – Promoção Internacional da Cortiça – no Brasil.

Para dar início a esta parceria, Carlos Cabral visitou durante uma semana Portugal e o sector da cortiça. O crítico de vinhos visitou o montado e a indústria da cortiça, de modo a poder vivenciar a história da fileira, assim como recolher informação mais técnica sobre as rolhas de cortiça e os outros sub-sectores. O enófilo será o porta-voz da cortiça em vários seminários a desenvolver no país, assim como noutros eventos de promoção da rolha de cortiça naquele mercado.

Carlos Cabral deu conta da sua visita nas redes sociais, onde conta com cerca de quatro mil seguidores. Após a visita, o enófilo deixou o seguinte comentário: “Simplesmente fantástico o mundo da cortiça! Do respeito total à natureza até à mesa do consumidor final, este material tem uma força activa e forte colaboração na preservação das qualidades de um vinho. Do montado à mesa, uma viagem onde todo o cuidado é perseguido e praticado, a cortiça é trabalhada de forma ecologicamente correcta além de ser cem por cento aproveitada. Agora é só passar a todos as maravilhas que vi com o objectivo de informar e instruir sobre a importância desta dádiva da natureza.”

Carlos Cabral estuda o universo dos vinhos desde 1969, ano em que recebeu das mãos de seu futuro sogro, Heinz Godau, uma garrafa de Porto Dom José. Em 1980, fundou a Sociedade Brasileira dos Amigos do Vinho (Sbav) e, actualmente, é consultor de vinhos do Grupo Pão de Açúcar e profundo conhecedor do Vinho do Porto. O enófilo define os rótulos das prateleiras dos supermercados e é responsável pela formação do grupo de promotores de vinhos especializados, que orientam os clientes nas suas compras.

Carlos Cabral é, ainda, um palestrante nato, quer no Brasil quer nos países produtores de vinhos que habitualmente visita, organizando, também, viagens às caves brasileiras e internacionais. A consultoria na área vinícola e a escrita (possui vários projectos literários) são outras das suas paixões.

Registe-se que esta campanha está inserida num projecto global de promoção da cortiça em nove mercados e que está orçada em 7,3 milhões de euros - financiada em 80 por cento pelo programa Compete (Programa Operacional Temático Factores de Competitividade) e 20 por cento pelos associados da Apcor.

Fonte:  Apcor

Concurso Nacional de Queijos Tradicionais Portugueses com Nomes Qualificados: Queijo de São Jorge é o "Melhor dos Melhores"

Concurso Nacional de Queijos Tradicionais

                            Portugueses com Nomes Qualificados

Queijo de São Jorge é o "Melhor dos Melhores"

O Queijo de São Jorge (7 meses de cura) produzido pela Lactaçores - União
das Cooperativas da Lacticínios dos Açores, Crl.
(andreia.santos@lactacores.pt) foi distinguido com o prémio "Melhor dos
Melhores" na 4ª edição do Concurso Nacional de Queijos Tradicionais
Portugueses que decorreu no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, no
passado dia 1 de Abril, e que foi organizado pelo CNEMA e pela Qualifica,
cujo júri avaliou em prova cega 46 amostras, em representação de várias
regiões do país. O Queijo de São Jorge (3 meses de cura), confecionado pela
mesma empresa, conquistou a Medalha de Prata.

Neste Concurso foram ainda premiados os seguintes produtores, nas
respectivas categorias:


- Queijo da Beira Baixa Amarelo: Medalha de Ouro - Beiralacte - Lacticínios
Artesanais da Beira Baixa, Lda. (bertag.beiralacte@gmail.com); Medalha de
Prata - Queijaria Lourenço & Filhos, Lda. (queijaria@queijarialourenco.com).
- Queijo da Beira Baixa Picante: Medalha de Ouro - Queijaria Almeida -
Indústria e Comércio de Queijos, Lda. (queijaria.almeida@gmail.com); Medalha
de Prata - Queijaria Lourenço & Filhos, Lda.
- Queijo da Beira Baixa Amarelo Velho: Medalha de Ouro - Queijaria Lourenço
& Filhos, Lda; Medalha de Prata - Queijaria Almeida - Indústria e Comércio
de Queijos, Lda.
- Queijo de Azeitão: Medalha de Ouro - José Fernando Xavier Simões
(josefernando.queijoazeitao@hotmail.com); Medalha de Prata - Fernando &
Simões - Queijaria Artesanal, Lda. (geral@fernandoesimoes.com).
- Queijo de Cabra Transmontano: Medalha de Ouro - Leicras - Cooperativa de
Produtores de Leite de Raça Serrana, Crl. (leicras@mail.telepac.pt).
- Queijo de Castelo Branco: Medalha de Ouro - Beiralacte - Lacticínios
Artesanais da Beira Baixa, Lda.; Medalha de Prata - Cooperativa de
Produtores de Queijos da Beira Baixa / Idanha-a-Nova, Crl.
(qualidade@saboresdaidanha.pt).
- Queijo de Castelo Branco Velho: Medalha de Ouro - Cooperativa de
Produtores de Queijos da Beira Baixa / Idanha-a-Nova, Crl.; Medalha de Prata
Queijaria Almeida - Indústria e Comércio de Queijos, Lda.
- Queijo de Évora: Medalha Prata - Monte do Ganhão, Lda.
(montedoganhao@gmail.com).
- Queijo de Serpa (Cunca e Merendeira): Medalha de Ouro - Queijaria
Guilherme, Unipessoal, Lda. (info@queijariaguilherme.com).
- Queijo de Serpa: Medalha de Prata - Produção de Queijos Francisco Pacheco
& Filhos, Lda. (filomenasoudo@gmail.com).
- Queijo de Serra da Estrela: Medalha de Ouro - Queijos São Gião
(pedro_freire@netcabo.pt); Medalha de Prata - Quinta de S. Cosme - Sociedade
Agro-industrial, Lda. (quintasaocosme@sapo.pt) e António F. L. Vaz Patto,
Lda. (dos-lobos@hotmail.com).
- Queijo de Serra da Estrela Velho: Medalha de Ouro - António F. L. Vaz
Patto, Lda.
- Queijo de Terrincho: Medalha de Prata - Quinta da Veiguinha - Queijaria
Artesanal, Lda. (telmo.ramos@tuacar.pt).
- Requeijão da Beira Baixa: Medalha de Ouro - Queijaria Almeida - Indústria
e Comércio de Queijos, Lda.; Medalha de Prata - Cooperativa de Produtores de
Queijos da Beira Baixa / Idanha-a-Nova, Crl.
- Requeijão da Serra da Estrela: Medalha de Ouro - Paulo Rogério Simões
Figueiredo (queijariaartesanalpaulorogerio@gmail.com).
- Travia da Beira Baixa: Medalha de Ouro - Cooperativa de Produtores de
Queijos da Beira Baixa / Idanha-a-Nova, Crl.; Medalha de Prata Queijaria
Almeida - Indústria e Comércio de Queijos, Lda.
- Queijo de Ovelha Fresco: Medalha de Ouro - Fernando & Simões - Queijaria
Artesanal, Lda.
- Queijo de Ovelha Curado: Medalha de Prata - Produção de Queijos Francisco
Pacheco & Filhos, Lda.
- Queijo de Ovelha Curado Velho: Medalha de Ouro - Monte do Ganhão, Lda. e
Beiralacte - Lacticínios Artesanais da Beira Baixa, Lda.
- Queijo de Cabra: Medalha de Ouro - Beiralacte - Lacticínios Artesanais da
Beira Baixa, Lda.
- Requeijão de Cabra Velho: Medalha de Ouro - Queijos Fortunato - Produção e
Comercialização de Queijos, Lda. (queijosfortunato@sapo.pt).
- Queijo de Ovelha e Cabra: Medalha de Prata - Cooperativa de Produtores de
Queijos da Beira Baixa / Idanha-a-Nova, Crl.

FONTE: CNEMA

Paté de insectos "cozinhado" por designer portuguesa faz sucesso no Luxemburgo


LUSA e PÚBLICO 06/04/2014 - 12:24
A exposição questiona o papel do design em tempo de crise e de esgotamento dos recursos naturais e foi pensada como “um intercâmbio entre os designers portugueses e luxemburgueses”.

 
Biscoitos cobertos com paté de insectos preparados pela designer portuguesa Susana Soares fizeram as delícias dos visitantes na abertura de uma exposição no Museu de Arte Moderna do Luxemburgo (Mudam), que reúne sete designers portugueses e seis luxemburgueses.

De luvas e avental, Susana Soares preparou várias “fornadas” de biscoitos cobertos com um paté à base de farinha de larvas de escaravelhos, gafanhotos e louva-a-deus “produzidos para consumo humano”, recorrendo a uma impressora 3D, uma tecnologia que a designer portuguesa desenvolve na London South Bank University.

A ideia do projecto, baptizado Insects au Gratin, é “encorajar as pessoas a comer insectos, uma alternativa ecológica à carne, utilizando uma nova tecnologia para os cozinhar e os tornar mais apelativos”, disse a designer portuguesa à Lusa enquanto preparava mais uma dose de aperitivos para a enorme fila de visitantes que aguardavam a sua vez de provar a exótica iguaria, frente à “cozinha” improvisada no museu luxemburguês. “O que estamos a ver é uma bolacha normal, e a impressora 3D está a imprimir por cima um paté de insectos com queijo-creme e pimenta caiena”, explicou a designer, frisando que o aperitivo teve boa aceitação entre as centenas de pessoas que visitaram a exposição com designers portugueses, sobre o impacto da crise e do esgotamento dos recursos no design.

“O que as pessoas dizem é que não sabe a insectos, mas também ninguém sabe muito bem o que é o sabor de insectos. As pessoas tentam sempre fazer uma comparação com o que conhecem, mas não há aqui um sabor muito forte: o sabor mais forte é o do queijo que foi usado como base”.

A ideia de produzir farinha de insectos a partir de animais desidratados, que depois pode ser misturada com água, manteiga ou até queijo-creme, surgiu-lhe quando assistiu a uma conferência TED Talk em 2010 com o entomologista Marcel Dicke, que propunha o seu consumo como forma de reduzir o impacto ecológico da criação de animais e combater a fome no mundo.

Consumidos em países asiáticos e considerados uma “proteína do futuro”, os insectos “têm um valor nutricional muito elevado”, não só em proteína, mas em nutrientes como o ferro, cálcio e magnésio, explicou a designer. “Há imensas directivas da Organização Mundial de Saúde para consumir menos carne, e os insectos têm o dobro da proteína que a mesma quantidade de carne. Quatro grilos têm o mesmo cálcio que um copo de leite, e são mais fáceis de produzir do que uma vaca, que consome muita água e imensos recursos”, disse Susana Soares.

Licenciada pela Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha, com um mestrado no Royal College of Art de Londres, a designer portuguesa, de 37 anos, está a desenvolver um projecto com engenheiros alimentares que poderá vir a ser comercializado em breve. “Estamos a criar barras de cereais e pão com insectos, e estamos neste momento a criar uma empresa para comercializar produtos com farinha de insecto”, disse à Lusa.

Cerca de 600 visitantes estiveram na quarta-feira na inauguração da exposição Never for Money, Always for Love, o que constitui “um recorde de afluência” no Mudam, disse à Lusa o responsável de comunicação do museu, Valerio D’Alimonte.
Integrada na bienal de design da cidade do Luxemburgo, a exposição, que questiona o papel do design em tempo de crise e de esgotamento dos recursos naturais, foi pensada como “um intercâmbio entre os designers portugueses e luxemburgueses”.

Os dois comissários da exposição, Bruno Carvalho e Anna Loporcaro, pediram aos designers que "a criatividade estivesse ao serviço da consciência social baseada em conceitos de sustentabilidade, interacção e participação", lê-se no dossier que acompanha a exposição. A peça de Ana Rita António, por exemplo, chama-se 14 Ways of Replacing a Table Leg e faz parte de um trabalho final para a escola integrado num trabalho mais vasto intitulado The Poetics of Miss Understanding. Reflecte sobre a missão do designer em encontrar uma estratégia criativa para resolver problemas que encontramos todos os dias: o que fazer quando uma mesa perde uma perna? Aqui, o defeito provoca "um processo de improvisação".

Entre os trabalhos apresentados no Luxemburgo, contam-se capas de cadeiras que permitem transformá-las num novo móvel de forma acessível (Rui Pereira), um serviço de chá da Vista Alegre feito a partir de um único molde, para reduzir os custos de produção (João Valente), e peças que recuperam materiais tradicionais portugueses como a cortiça (Bruno Carvalho) e o burel (Ane-Marie Herckhes).

A exposição, que conta com o apoio da Embaixada de Portugal no Luxemburgo e do Instituto Camões, pode ser vista até 15 de Junho, e vai incluir visitas guiadas em português ao sábado, nos dias 19 e 26 de Abril e 3 e 10 de Maio.

Fruta portuguesa obrigada a usar rótulos espanhóis para entrar na América Latina

JORGE TALIXA 06/04/2014 - 09:07
O administrador executivo do Grupo Luís Vicente, Manuel Évora, sublinha que o país não deu a devida atenção a exportação e que há grandes constrangimentos à venda dos produtos para fora da Europa.

 
JOÃO HENRIQUES

Portugal descurou, durante anos, as questões da promoção da sua agricultura e da exportação das suas produções. Como consequência as empresas portuguesas sentem, agora, dificuldades acrescidas na maior parte dos mercados externos.

Esta foi a principal ideia manifestada por Manuel Évora, administrador executivo do Grupo Luís Vicente, no painel de abertura do Supply Chain Meeting (encontro de operadores de transportes e logística), que se realizou em Vila Franca de Xira. O responsável daquele que é um dos maiores grupos portugueses no ramo da comercialização de produtos frutícolas disse mesmo que para exportar para o Brasil e para a maioria dos países da América-Latina a fruta “tem que ter rótulos espanhóis”.

Na sequência de questões colocadas pela representante do Mercado Abastecedor de Évora, Maria José Tropa, que quis saber quais são os maiores constrangimentos à exportação de produtos alimentares portugueses e até que ponto o Alqueva e o Porto de Sines podem ajudar a dinamizar este sector, o administrador do Grupo Luís Vicente defendeu uma grande aposta na qualidade e desafiou os investigadores universitários portugueses a dedicarem tempo às questões do bom acondicionamento das exportações alimentares nacionais. “Entre os constrangimentos à exportação de fruta nacional há, desde logo, uma história de terras abandonadas. Portugal achou que podia viver só de serviços, matando a agricultura e as pescas. Foi um erro histórico que, hoje, se paga caro”, vincou Manuel Évora, frisando que a agricultura portuguesa tem produtos de qualidade e produtos inovadores, mas debate-se com muitos problemas de “barreiras alfandegárias”.

É que, explicou, para países situados fora da União Europeia a exportação de fruta exige reuniões prévias entre o Ministério da Agricultura português e o ministério congénere dos países de destino. “A maior parte desse trabalho não foi feito. Para exportar para o Brasil temos que exportar fruta com rótulos espanhóis. Para qualquer país da América Latina nada está feito. E, mais uma vez, vamos por Espanha, porque Espanha fez o trabalho de casa e nunca abandonou as suas produções. Nós nunca fizemos este trabalho de casa. Estamos, agora, a tentar fazê-lo, mas esse é um dos grandes constrangimentos à exportação para esses países, porque ultrapassar uma barreira alfandegária destas pode demorar um, dois, três anos”, salientou.

Manuel Évora lembrou que a produção portuguesa de fruta é, essencialmente, sazonal, desenvolvendo-se no período de Verão. Na fase de Inverno, Portugal importa bastante fruta e nesse campo do abastecimento à Europa afirmaram-se países da América Latina como a  Argentina e o Chile. O “Grupo Luís Vicente tem aprendido a exportar fruta pelo Mundo e também somos o maior importador de fruta. A nossa produção é sazonal e exportamos no nosso Verão. No período de Verão do Chile e da Argentina, vamos importar esses produtos.

O responsável acrescenta que Portugal tem aprendido muito com os países com que se relaciona. "Foi estrutural para o Chile que as universidades se debruçassem sobre a forma como os seus produtos podiam ser colocados no Mundo inteiro. O que temos de saber é de que forma se deve colocar a fruta dentro dos contentores, de que forma é que devemos utilizar os transportes”, acrescentou o administrador do Grupo Luís Vicente, desafiando as universidades portuguesas a interessarem-se por este tema e a investigarem práticas de qualidade que as empresas possam, depois, aproveitar.

Mais exportações
Em 2013, as exportações de fruta cresceram apenas 0,7% em comparação com 2012, para perto de 329 milhões de euros, mas o sector tem vindo a conquistar terreno no mercado internacional desde 2009. Nesse ano, as vendas de fruta para o estrangeiro somavam cerca de 209 milhões de euros.

O ano de 2013 ficou marcado por uma subida expressiva das importações, que estavam em queda desde 2010. Os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), compilados pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), mostram que as compras de fruta  ao estrangeiro dispararam mais de 18% num ano (para quase 531 milhões de euros), tornando a balança comercial deficitária.

As importações continuam, aliás, a superar as exportações do total do sector agro-alimentar. As compras ao estrangeiro cifraram-se em mais de 8,9 mil milhões de euros o ano passado, um crescimento de 4,6% face a 2012. Ao mesmo tempo, as vendas de produtos nacionais para o exterior - que estão a crescer desde, pelo menos, 2009 – subiram de 4,8 mil milhões de euros para mais de 5,1 mil milhões de euros, ou seja, 6,6%.

No total do comércio internacional de Portugal, os bens agrícolas e alimentares pesam apenas 10,82%, valor que em 2009 era superior (11,38%).  Com Ana Rute Silva

Governo diz que está "a fazer tudo" para não devolver despesas da PAC a Bruxelas

O secretário de Estado da Agricultura afirmou ontem estar empenhado em acabar com as devoluções de dinheiros comunitários, desvalorizando o valor apurado pela Comissão Europeia face aos montantes atingidos noutros anos.

“Vou fazer tudo para que não haja correcções financeiras. Estou a fazer isso desde que chegámos [ao Governo] em articulação com a direcção geral de agricultura, assegurando que a legislação que implementámos tem a concordância da Comissão Europeia e acompanhando as auditorias”, adiantou José Diogo Albuquerque, à saída de uma audição na comissão parlamentar de Agricultura.

No âmbito do chamado procedimento de apuramento das contas, a Comissão Europeia reclamou hoje a Portugal a restituição de 16,56 milhões de euros de despesas da Política Agrícola Comum (PAC), relativas a correcções financeiras em 2008, 2009 e 2010.

“Isto reflecte os problemas operacionais que tivemos no passado (…) Foi isso que nos levou às multas do parcelário [um sistema de identificação das explorações agrícolas que visa controlar o pagamento das ajudas comunitárias], uma falta de preocupação que havia no passado, a nível político, pela forma como os apoios eram dados”, afirmou.

Quando são detectados erros nos controlos das ajudas são aplicadas as chamadas correcções financeiras e a Comissão Europeia retém uma determinada percentagem dos apoios. Quando os erros acontecem sucessivamente é aplicado um “castigo” e se o problema persistir pode até pôr em causa a atribuição dos pagamentos comunitários ao Estado-membro.

“Foi o que nos aconteceu em 2011”, salientou o governante.

O secretário de Estado garante que, em 2011, 2012 e 2013 “não vão haver, de certeza, correcções financeiras da ordem de grandeza de 10%, como as correcções financeiras do parcelário, que levaram a multas de 100/150 milhões de euros por campanha”.

José Diogo Albuquerque assinalou, no entanto que “tem havido correcções financeiras em todos os países” e que às vezes resultam de regulamentos mal compreendidos.

“Podem sempre acontecer”, mas implicam “montantes mais baixos” que não ultrapassam 0,5 a 1% das ajudas, considerou.

A Comissão Europeia anunciou hoje que vai recuperar cerca de 315 milhões de euros de fundos da PAC, aplicando correcções financeiras a 11 Estados-membros: Dinamarca, Alemanha, Grécia, Espanha, França, Itália, Portugal, Roménia, Eslovénia, Finlândia e Reino Unido.

No que respeita às correcções financeiras para Portugal, o montante mais elevado é relativo às regras de condicionalidade incluindo a não definição das boas condições agrícolas e ambientais, falta de controlo dos requisitos legais de gestão e falta de rigor do sistema de sanções (12,04 milhões de euros), seguindo-se as deficiências nos pagamentos relativos aos animais (3,90 milhões de euros) e restituições à exportação por deficiências nos controlos materiais, substituição e controlos de selagem (0,62 milhões).

Fonte:  Lusa

Santarém vai albergar cento de competências...do tomate


Criação do centro promovido pelo Ministério da Agricultura

Por: tvi24 / DC    |   2014-04-07 19:51
O Ministério da Agricultura vai promover a criação de um centro de competências para o tomate em parceria com a associação de industriais, com o objetivo de aumentar a produção e o valor nutricional deste fruto.

A criação do centro, que vai funcionar a partir de hoje em Santarém, foi hoje formalizada com a assinatura de um protocolo que junta no projeto os industriais do setor, a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), 
universidades, o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV) e outros institutos de pesquisa, bem como autarquias.

Segundo a ministra da tutela, Assunção Cristas, o centro de competências para o tomate tem como objetivos «reduzir em 10% os custos de produção por hectare, alargar em 10% o número de dias da campanha e reconquistar a segunda posição na produtividade agrícola do tomate a nível mundial, com uma diferença inferior a 10% face à Califórnia, nos Estados Unidos».

«Este modelo, que junta Estado, industriais, autarquias e investigadores é a receita que queremos replicar noutros domínios», afirmou a Ministra da Agricultura.

O Governo já tinha anunciado, em fevereiro, a intenção de criar centros de competências para vários setores, além do tomate, como o do mel e biodiversidade, fruticultura, horticultura em estufa, leite, carne e agroindústria.

Os Centros de Competência juntam na mesma entidade empresas, organismos de investigação, Universidades e Institutos Politécnicos, laboratórios, estações experimentais, associações de produtores e entidades locais, no sentido de criar massa crítica para o desenvolvimento de projetos que visem a criação de valor dentro da fileira e permitam dinamizar a investigação agrícola, agroalimentar, florestal e do mar, referiu Assunção Cristas.

Em 2012, o setor do tomate em Portugal conquistou o quarto lugar de maior exportador mundial de tomate transformado, ultrapassando a Espanha, e situando-se logo a seguir à China, Estados Unidos e Itália.

Taxa de mortalidade de abelhas no Inverno é de 14,8%

Em Portugal a taxa de mortalidade das abelhas no Inverno é de 14,8%, numa tabela que varia entre os 3,5% da Lituânia e os 33,6% da Bélgica, segundo um estudo hoje divulgado em Bruxelas.

O programa de vigilância europeu, que abrangeu 17 Estados-membros, revela ainda que os países do norte da Europa são os que apresentam maiores índices de mortalidade nas colónias de abelhas no Inverno (dados da estação recolhidos em 2012 e 2013). Para além da Bélgica, a Dinamarca, a Estónia, a Finlândia, a Suécia e o Reino Unido têm taxas superiores a 20%.

No grupo de Portugal, com taxas entre os 10 e os 15%, encontram-se a Alemanha, a França, a Letónia e a Polónia.

Com índices abaixo dos 10% estão a Grécia, Hungria, Itália, Lituânia, Eslováquia e Espanha.

Já as taxas de mortalidade sazonal (primavera e Verão de 2013) apresentam valores mais baixos do que as de Inverno, variando entre os 0,3% e os 13,6%, com Portugal a apresentar uma taxa de 6,9%.

O estudo aborda ainda as doenças com maior prevalência nas colmeias, mas sem quaisquer números sobre Portugal, por insuficiência de dados.

No total, foram vigiadas 31.832 colónias, 437 em Portugal, entre o Outono de 2012 e o Verão de 2013, e o programa conclui não haver risco de desaparecimento das abelhas.

Fonte:  Lusa

Projectos agrícolas à espera de fundos europeus podem ser aprovados este ano

Os projectos agrícolas açorianos candidatos a fundos comunitários que ficaram pendentes por se ter esgotado o orçamento do quadro plurianual 2007-2013 podem ser aprovados em 2014, segundo uma portaria do Governo Regional publicada esta segunda-feira.

Em causa estão projectos agrícolas candidatos a apoios europeus ao abrigo do Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores 2007-2013 que, apesar de terem sido apresentados dentro dos prazos legais, não obtiveram aprovação por terem sido já usadas todas as verbas alocadas a esse fim.

A portaria hoje publicada no Jornal Oficial da região determina que "os pedidos de apoio" apresentados às medidas “Instalação de Jovens Agricultores”, “Modernização das Explorações Agrícolas” e “Aumento do Valor dos Produtos Agrícolas e Florestais” do Programa de Desenvolvimento Rural da Região Autónoma dos Açores 2007-2013 "que ainda não foram aprovados, podem ser aprovados durante o ano de 2014", de acordo com as mesmas regras.

O texto da portaria explica que foi publicado um regulamento do Parlamento e do Conselho europeus "que estabelece certas disposições transitórias relativas ao apoio ao desenvolvimento rural pelo Fundo Europeu Agrícola de Desenvolvimento Rural (FEADER)".

"Este regulamento permite que se continue a assumir novos compromissos jurídicos para com os beneficiários, em 2014, de acordo com as regras definidas para o período 2007-2014, mesmo após a utilização integral dos recursos financeiros previstos para esse período", lê-se no texto.

O secretário regional que tutela a Agricultura nos Açores, Luís Neto Viveiros, já tinha assegurado, em Jneiro, que os projectos em causa iriam transitar para o próximo quadro comunitário de apoio, com "os mesmos regulamentos e as mesmas regras".

Neto Viveiros disse na ocasião que esta "não é uma situação anormal", lembrando que já no final do anterior quadro comunitário de apoio se colocou o mesmo problema, o que, em seu entender, representa "um sinal de que os agricultores investiram muito" na região.

"Estamos a falar de investimentos agrícolas, no actual quadro comunitário, de 80 milhões de euros, com uma comparticipação pública comunitária e regional de 54 milhões", destacou.

Segundo revelou o PSD no parlamento dos Açores, também em Janeiro, estão pendentes de aprovação 407 projectos agrícolas.

Fonte:  Lusa

Os contribuintes vão financiar novas plantações de eucalipto em Portugal?



A proposta do governo português, a apresentar à Comissão Europeia, para a atribuição de apoios da Política Agrícola Comum (PAC) às florestas em Portugal, pretende incluir o financiamento público a investimentos em plantações de eucalipto para a indústria papeleira.

Portugal dispunha em 2006 da quinta maior área de eucalipto do mundo, superior à da Austrália, país de origem desta espécie, e próxima da área existente em Espanha. De 2006 em diante esta área continuou a aumentar. E a gestão dos eucaliptais tem melhorado?

Nos últimos 30 anos, a área de eucalipto em Portugal decuplicou, todavia a produtividade média por hectare regista hoje valores já alcançados em 1928. A aposta do setor papeleiro tem sido desenvolvida em quantidade, na massificação de área, não em qualidade, na produtividade por hectare.

As áreas de eucalipto em Portugal são privadas, com significativa incidência nas regiões do Centro e do Norte, caracterizadas por propriedades com menos de 5 hectares e proprietários com fraco ou nulo poder negocial.

A par desta situação, o setor silvo-industrial da pasta celulósica e do papel é caraterizado por relações perdedor-ganhador, por uma concorrência imperfeita, com a imposição unilateral dos preços à produção.

As organizações de proprietários florestais têm-se caracterizado mais por uma atuação de difusão de políticas públicas e menos pela defesa dos interesses dos seus associados. A análise da evolução do rendimento empresarial líquido na silvicultura na última década parece disso ser elucidativa.

Por outro lado, as autoridades têm-se abstido de fazer um acompanhamento sistemático dos mercados, permitindo a livre atuação da indústria.

Quais os riscos então?

Os incêndios florestais em Portugal têm assumido contornos de catástrofe nacional. A sua progressão no terreno está reconhecidamente associada à ausência de adequadas práticas de gestão florestal. Esta ausência decorre essencialmente das fracas ou nulas perspetivas de negócio na floresta:

Colocada em causa a receita, reduz-se ao mínimo a despesa. Arboriza-se sem garantia de gestão (nas vertentes técnica, comercial e de sustentabilidade).

Incentivar o cultivo de mais área sem assegurar a viabilidade dos negócios florestais é uma aposta de crescente risco económico, mas também social e ambiental.

O que sabemos do passado?

Apesar dos milhares de milhões de euros despendidos nos últimos 27 anos, no âmbito da PAC, em investimento florestal em Portugal, a situação económica da silvicultura deteriorou-se significativamente, com impactos acessórios a nível ambiental, mas também social, por exemplo no emprego.

Atente-se a dois exemplos de 27 anos de apoios da PAC às florestas em Portugal:

- De acordo com informações da autoridade florestal nacional, a espécie florestal que mais beneficiou dos apoios públicos, o pinheiro bravo, registo neste período de tempo uma escandalosa regressão em área e em volume; e.

- A segunda espécie que beneficiou de mais apoios públicos, o sobreiro, registou praticamente uma manutenção de área, mas com perda de qualidade no produto obtido, a cortiça.

Para onde foi então o dinheiro coletado dos impostos dos contribuintes nacionais e europeus?

A aposta do atual governo português continua a colocar nos contribuintes o esforço do desempenho de negócios financeiros associados à transformação de produtos florestais. Desta vez, de acordo com a versão de 10 de março do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020, pretende alargar este esforço à atribuição de vantagens financeiras à indústria da pasta e do papel.

Lisboa, 7 de Abril de 2014

João Machado diz que nova Política Agrícola Comum privilegia zonas mais desfavorecidas


 Culturas que tinham mais ajudas não vão deixar de as ter. 04 de Abril 2014, 15h10Nº de votos (0) Comentários (0)   O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal disse esta sexta-feira, em Idanha-a-Nova, que a nova Política Agrícola Comum vai privilegiar as zonas mais desfavorecidas. "Em princípio, a próxima PAC vai privilegiar zonas mais desfavorecidas. As zonas em que não havia nenhuma ajuda por hectare ou que tinham uma ajuda muito baixa vão todas ser subidas para 60% da média nacional", disse à agência Lusa João Machado. O dirigente da CAP explicou ainda que as culturas que tinham mais ajudas não vão deixar de as ter.

domingo, 6 de abril de 2014

Relva do Maracanã tem sotaque português

Engenheira agrónoma portuguesa Ana Caldeira Cabral é 'a mãe' do relvado da final do Mundial

Adriano Nobre
12:24 Sábado, 5 de abril de 2014
Relva do Maracanã tem sotaque português Getty
 
O universo de telespectadores que acompanhou na TV, parcialmente ou na íntegra, a final do Mundial de futebol, em 2010, na África do Sul, foi de 3200 milhões de pessoas. Se este ano, no Brasil, a fasquia se mantiver, quase metade da população mundial estará de olhos postos na final que se disputa no estádio do Maracanã. Com presença portuguesa garantida: se não na disputa do troféu, pelo menos na génese do relvado, que centrará as atenções de meio mundo. 

Os números impressionam, mas não ao ponto de intimidar a portuguesa que já era titular nos preparativos do Mundial brasileiro antes sequer de Ronaldo ter confirmado a presença da seleção nacional na prova. "Sinto o peso da responsabilidade, mas não muito. A relva do Maracanã já está ótima e com o trabalho que ainda vai ser feito até ao Mundial, vai estar espetacular. Estou a acompanhar diariamente a evolução, recebo fotos, portanto não estou preocupada", diz Ana Caldeira Cabral. 


Níveis de produção elevados seguidos de explosão de pragas arrasam a cultura de pinhão


CARLOS DIAS 30/03/2014 - 10:12
O fruto do pinheiro-manso assegurou, em 2010, uma receita de 84 milhões de euros. Para 2014, espera-se que a fileira facture apenas entre oito a dez milhões de euros, devido aos ataques de insectos sugadores.

 
A mancha de pinheiro-manso é uma importante riqueza nacional DANIEL ROCHA

Os dados preliminares do último Inventário Florestal Nacional divulgados referem que os povoamentos de pinheiro-manso ocupam 175.742 hectares do território florestado em todo o país. E as árvores “estão melhor que nunca” realça Severino Lourenço, gerente da empresa A Preparadora de Pinhões, sediada em Pegões, concelho do Montijo, por terem beneficiado nos últimos anos de intensa pluviosidade. No entanto, não há bela sem senão. As árvores estão saudáveis, mas o fruto, a pinha, tem sido afectada por diversas pragas, a mais nefasta provocada pela acção de um insecto sugador (Leptoglossus occidentalis) que se alimenta de pinhas e flores de dezenas de hospedeiros, entre eles o pinheiro-manso.

O Leptoglossus occidentalis é oriundo dos Estados Unidos da América e Canadá e foi detectado, pela primeira vez, na Europa, no norte de Itália, em 1999, tendo-se aclimatado e disseminado rapidamente por vários países europeus. Em Portugal, a sua presença foi detectada em Outubro de 2010, quase em simultâneo na península de Troia e na região norte.

As consequências do insecto sugador fizeram-se sentir de imediato na produção. Em 2010, foram recolhidos 120 milhões de quilos de pinhas e extraídos quatro milhões de quilos de pinhão, que proporcionaram uma receita de 84 milhões de euros. Nos anos seguintes, a recolha de pinhas baixou de forma drástica e, em 2014, o valor global resultante da produção de pinhões não deverá ultrapassar os 10 milhões de euros.

Severino Lourenço admite que a produção de pinhas “já poderia estar entre os 150 e os 200 milhões de quilos se não fossem as pragas”, realçando o peso que a fileira já representa na economia do país, sobretudo pela mão-de-obra que é envolvida na apanha manual das pinhas e que recebe “cerca de metade do valor da produção”. Qualquer pessoa “pode ganhar 100 euros se apanhar uma tonelada de pinhas por dia”, refere.

Pedro Silveira, director-geral da União da Floresta Mediterrânica – UNAC, não revela excessiva apreensão pela situação anómala que está a afectar a produção de pinhão, alegando que apesar da “explosão de pragas” estas “já existiam antes” e surgiram depois de dois anos de grande produção, um fenómeno que classifica de contra-safra. A perspectiva deste técnica é que a produção seja retomada nos próximos anos, frisando que os pinhais portugueses têm um rendimento “muito superior” aos de Itália, Espanha e Marrocos. E isso leva-o a defender que Portugal é o habitat privilegiado para o pinheiro manso.

Talvez esta constatação explique por que é que, há 40 anos, Portugal “dominava o mercado mundial do pinhão que agora está nas mãos da Itália” como o principal ingrediente de um molho que acompanha o esparguete, observa Pedro Silveira, explicando que, antes do 25 Abril de 1974, o negócio do pinhão estava as mãos de cooperativas que faliram na sequência da revolução dos cravos e que o know-how se perdeu para os italianos e os espanhóis. Aliás, é neste dois países que, segundo dados fornecidos pela UNAC se concentra a quase totalidade do pinhão exportado (Espanha 72,1% e Itália 24,1%), depois vem Angola 2,1%, França com 1% e Luxemburgo com 0,1%.

O director-geral da UNAC lamenta que Portugal continue a ter que exportar mais pinha que pinhão, devido à baixa capacidade de processamento que continua a existir no país, sabendo-se que o valor do pinhão tratado é muito superior ao ganho obtido com a exportação da pinha. No âmbito da produção nacional de frutos secos, o pinhão é já o segundo principal produto exportado, mas passa a primeiro se foi incluído o valor da pinha.

A escassez na produção de pinhão que se tem registado desde 2010 acabou por reflectir-se no preço do produto, que aumentou exponencialmente. A procura é cada vez maior e, no mercado português, “começou a surgir pinhão chinês e paquistanês que custa menos de metade do que é produzido no nosso país” assinala Severino Lourenço.
O preço do pinhão à saída do produtor ronda os 17 euros por quilo e nas grandes superfícies é comercializado numa base que ronda os 90 euros por quilo.

A série especial "Portugal, Um País Sustentável" tem o apoio da Caixa Geral de Depósitos