terça-feira, 6 de março de 2018

Militares prontos para incêndios deixam Exército



Tropas saem do Exército por causa do combate aos fogos


Militares treinados ou já com experiência no combate aos fogos abandonaram o Exército, o que está a ser encarado com preocupação por este ramo das Forças Armadas, apurou o JN. Além da perda de pessoal especializado ou já com experiência nesta área prioritária, o Exército depara-se também com dificuldade em conseguir manter os jovens nas fileiras, numa altura em que, além das missões externas, aumentaram as exigências de empenhamento nas internas, em particular devido ao maior envolvimento nos incêndios florestais.

Quercus quer verbas para eucaliptos canalizadas para árvores autóctones em Bragança

A associação ambientalistas Quercus apelou hoje ao ministro da Agricultura para que canalize fundos comunitários destinados ao eucalipto para novas plantações de castanheiros e sobreiros em Bragança.

A posição da Quercus surge com a denúncia de que "dezenas de produtores florestais do Distrito de Bragança estão a receber comunicação de não aprovação de candidaturas que foram submetidas no início de 2016" para novas plantações de espécies típicas da região como sobreiro, castanheiro, pinheiro manso e freixo.

O presidente do Núcleo Regional de Bragança, Leonel Folhento, lamenta a falta de dotação financeira para esta medida de apoio à floresta autóctone, "ainda mais sendo público que, no verão de 2017, foram alocadas verbas no valor de nove milhões de euros para financiar rearborizações de eucaliptos".

"Os governantes continuam a esquecer os locais mais despovoados do interior. Temos de apostar forte no sobreiro no castanheiro", defendeu.

A Quercus sustenta que os produtores de Bragança "esperaram dois anos para saber que não há dinheiro para florestação com autóctones" e considera a decisão do Governo "arrasadora".

"A grande maioria destes proprietários, já com alguma idade, são detentores de mais terrenos arborizados com sobreiros e esta decisão arrasadora em nada anima quem tenta valorizar os terrenos no interior", reitera.

A associação ambientalista entende que "estes proprietários, com estes investimentos de longo prazo, estão a contribuir para a diminuição da desertificação dos solos e do abandono rural" e pede ao ministro da Agricultura e ao primeiro-ministro "que façam inverter esta situação".

A Quercus sugere que "retirem as verbas destinadas às rearborizações com eucaliptos, para que possam ser viabilizados os projetos com sobreiros e outras autóctones no Interior de Portugal".

"É incompreensível que vejamos o ministro da Agricultura a prometer milhões todos os dias para a floresta e depois vemos a realidade desmentir esta retórica", aponta.

A Quercus "lamenta ainda que, depois de intervenções de altos responsáveis políticos, de todos os quadrantes, prometendo políticas de apoio à economia do Interior, travão à desertificação e despovoamento, equilíbrio do território e aposta na floresta autóctone, os factos venham revelar que a aposta ao investimento continua a ser centrada no litoral".

"É inadmissível que os proprietários florestais de Bragança, que despenderam tempo, energia e dinheiro a submeter as suas candidaturas vejam agora as suas expectativas defraudadas", defendeu.

A associação considera ainda que "dois anos para obter uma resposta vão muito para além do que é aceitável", por entender que "este período demasiado longo gora as expectativas dos produtores e das organizações de produtores florestais que ficam, deste modo, de pé atrás em relação a futuras medidas de apoio".

Sapadores florestais já limparam “mais de mil hectares” nas matas públicas, diz Governo


4/3/2018, 12:15

As equipas de sapadores florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já limparam "mais de mil hectares" nas matas públicas propriedade do Estado.


As equipas de sapadores florestais do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) já limparam "mais de mil hectares" nas matas públicas propriedade do Estado, disse à Lusa o secretário de Estado das Florestas, Miguel Freitas.

Neste âmbito, o Governo vai apresentar na próxima semana "um programa robusto daquilo que é a atividade a desenvolver pelo ICNF, quer ao nível das matas públicas, quer ao nível dos perímetros florestais", indicou o responsável pela pasta das Florestas.

"Já iniciámos esse processo, em primeiro lugar, com as equipas de sapadores florestais. Neste momento, já estão limpos mais de mil hectares nas áreas públicas", avançou o governante.


O secretário de Estado das Florestas referiu ainda que foi lançado "um novo anúncio no Fundo Florestal Permanente de 1,5 milhões de euros para limpar mais 1.600 hectares" das áreas públicas, essencialmente no que diz respeito à proteção de pessoas e bens, com a limpeza a ser feita à volta das casas e nas faixas de 10 metros de caminhos.

Para assegurar as faixas de gestão de combustível florestal nas áreas públicas, o Governo vai fazer a limpeza de 1.400 quilómetros.

"Além disso, vamos também lançar um outro concurso para fazer a proteção florestal, isto é para fazermos a rede primária de defesa da floresta contra incêndios e a gestão do combustível, a gestão do mosaico à volta dessas grandes autoestradas de defesa da floresta contra incêndios, e vamos fazer beneficiação de caminhos", adiantou o governante, remetendo mais informações sobre o plano global de limpeza das matas públicas que "o ICNF está já a desenvolver e que concretizará até 31 de maio", para a apresentação do mesmo na próxima semana.

Inserido no Orçamento do Estado para 2018, o Regime Excecional das Redes Secundárias de Faixas de Gestão de Combustível, que introduz alterações à lei de 2006 do Sistema de Defesa da Floresta Contra Incêndios, indica que até 15 de março "os proprietários, arrendatários, usufrutuários ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obrigados a proceder à gestão de combustível".

Em caso de incumprimento do prazo, os proprietários (públicos e privados) ficam sujeitos a processos de contraordenação. Segundo a lei de 2006, as multas variam entre 140 euros e 5.000 euros, no caso de pessoa singular, e de 1.500 euros a 60.000 euros, no caso de pessoas coletivas, mas este ano "são aumentadas para o dobro", devido à aplicação do regime excecional que consta do Orçamento do Estado.

Assim, a multa mínima será de 280 euros.

"Até 31 de maio de 2018, as Câmaras Municipais garantem a realização de todos os trabalhos de gestão de combustível, devendo substituir-se aos proprietários e outros produtores florestais em incumprimento", lê-se na lei.

Neste âmbito, os proprietários são obrigados a permitir o acesso aos seus terrenos e a ressarcir a Câmara Municipal do valor gasto na limpeza.

“De nada serve termos um modelo de prevenção e combate se a paisagem não mudar”


Nas suas mãos está a reestruturação do todo o sistema de prevenção e combate no país, numa tentativa para que 2017 não se repita. Já há passos a serem dados para que a redução dos riscos deixe de ser o parente pobre nesta equação e para envolver todos os actores na resposta. Mas nada terá êxito se a paisagem não mudar, alerta.

ANA FERNANDES e CELSO PAIVA (Renascença) 5 de Março de 2018, 7:47

Tiago Oliveira é presidente da comissão instaladora da Agência de Gestão Integrada dos Fogos Rurais (AGIF) e está a preparar o Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, que irá coordenar e entrecruzar as estratégias de prevenção e combate. Quem combate, previne e quem previne, combate é uma das pedras de toque deste novo plano de ataque aos incêndios. Já estão a ser dados passos para a concretização desta estratégia mas só em 2019 se verão mudanças mais concretas. Na sua primeira entrevista, ao PÚBLICO e Renascença, diz acreditar que é desta que se vai mudar o paradigma mas não tem ilusões: Não é por haver uma melhor prevenção e melhor combate que se vai resolver o problema. Tem de se mudar a floresta. Como? Há pistas mas também não há ilusões: esqueçam a ideia romântica de recolonizar o país.

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Em Outubro, o primeiro-ministro anunciou uma reforma profunda do sistema de prevenção e combate a incêndios florestais. Nesta altura, que garantias é que pode dar que 2018 será diferente?
2018 será certamente um ano difícil, tanto por questões meteorológicas, mas essencialmente porque há uma pressão grande para que as coisas corram bem. Vamos estar mais bem preparados, o esforço que está a ser feito é nesse sentido. Há uma maior discussão em volta do tema da prevenção, da limpeza do mato, as pessoas estão mais preparadas e têm mais consciência que a Protecção Civil começa em si mesmos. As autarquias estão envolvidas e entusiasmadas em fazer um trabalho mais consistente. Estamos a começar um trabalho que devia ter sido feito no passado e que não foi e agora estamos todos a fazer um bocadinho à pressa. Mas há uma preparação grande por parte do dispositivo da prevenção, com o ICNF e o Ministério da Agricultura a fazer bastantes coisas em termos de planeamento e obra, e há um reforço grande na musculatura do ataque inicial com a participação da GNR e dos GIPS [Grupo de Intervenção de Protecção e Socorro] e também com o envolvimento dos bombeiros e de outros órgãos da Protecção Civil.

E como é que isso se pode avaliar na prática? A Comissão Técnica Independente que estudou os incêndios de Junho identificou várias falhas, que é suposto corrigir. Desde as telecomunicações até a gestão operacional dos meios. Em concreto, o que é que já está em curso, o que é que já está a mudar?
Uma fractura exposta não se resolve com um penso rápido. Há problemas profundos que são sistémicos, que vieram à luz do dia com o relatório da CTI. Isso implica uma alteração grande. O modelo futuro está a ser discutido e analisado e também em fase de alguma aplicação. Ele vai funcionar a partir de 2019.

A estrutura de missão a que eu presido - eu não presido à agência pois esse cargo vai ser nomeado por concurso através da CRESAP [Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública] – tem de apresentar e implementar as recomendações da Comissão Técnica Independente, isso implica desenvolver um modelo para 2019/2021 e depois, avançar sobre novos territórios. Ou seja, é necessário alterar também a paisagem mas isso é um processo de mais longo prazo e tem a ver com reforma florestal. No curto prazo, há uma preocupação de ensinar às pessoas como é que elas devem proceder num incêndio, quer os portugueses, quer os estrangeiros que nos visitam. Preparar as aldeias, as áreas industriais, as pequenas casas isoladas, responsabilizando o proprietário, que pode agir com o apoio do município. Depois, o ataque tem de ser pronto e musculado para que os grandes incêndios não ocorram. Quando esses ocorrerem, a AGIF vai participar já enquanto estrutura embrionária e, através de peritos nacionais e internacionais, ajudar e apoiar a decisão. O problema é muito complexo e só com conhecimento vamos ultrapassar isto.

Portanto, quanto a questões mais estruturais que foram anunciadas como tendo que mudar, como a gestão de meios aéreos na Força Aérea ou o profissionalismo de bombeiros, só serão respondidas lá para 2019, 2020. Não podemos esperar que isso aconteça já em 2018?
Há orçamentos aprovados que estão a ser implementados e que indicam que 70% do dinheiro vai ser envolvido na da prevenção, portanto, já se está a dar um sinal de que as coisas estão a mudar para o lado da prevenção. No presente ano temos que estancar a hemorragia enquanto vamos fazendo o processo de transição. A Força Aérea já está envolvida, há um grupo de trabalho que irá produzir um relatório e a 19 de Março vai surgir mais um relatório da CTI que vai trazer novas informações que vão enriquecer o trabalho para o desenho do modelo futuro, Mas é preciso ter a campanha de 2018 bem estruturada, bem organizada, bem comandada. O General Mourato Nunes, que foi comandante da GNR durante muitos anos, está a liderar o processo dentro da ANPC [Autoridade Nacional de Protecção Civil]. É uma tarefa que depende dele e ele tem tido os recursos para fazer. Em 2019 já vai haver a implementação em algumas áreas piloto do modelo futuro. Vamos aprender com o processo, ver como é que está a ser internalizado pelos actores e vamos avançando até 2021, altura em que pretendemos ter o futuro modelo em total implementação em todo o território.

Há depois aqui um aspecto muito importante: não é por haver uma melhor prevenção e melhor combate que vamos resolver o problema. Temos de mudar a floresta, o que implica ter uma floresta com mais pastorícia e mais gestão, isso vai demorar mais tempo.

O que nós podemos garantir é que o sistema montado para 2018 tem o apoio das competências que necessita, que os peritos nacionais e internacionais estarão a ajudar enquanto nós montamos o sistema futuro, com uma prevenção e um combate mais integrado, com outro modelo de prevenção do risco.



Se tudo isto é para arrancar mais a sério em 2019, tanto mais que até Dezembro de 2018 há apenas uma comissão instaladora da AGIF, como é que é até lá? Entidades como a Protecção Civil, a GNR, Forças Armadas, estão à espera de saber exactamente como é que fazem as suas directivas, como é que planeiam 2018. Que tipo de intervenção é que a estrutura de missão a que preside vai ter nestes processos específicos de cada uma destas entidades?
Enquanto Comissão Instaladora da Agência vamos apoiar, com peritos nacionais e internacionais, o processo de decisão, quer a nível estratégico e operacional, quer ajudando o ICNF a planear algumas obras em alguns sítios importantes e quer a ANPC, em que os especialistas vão estar à disposição do comando Coronel Paixão para serem colocados em operações onde são relevantes e em sítios críticos. Não estamos à espera que 2019 chegue. 2018 é um ano muito importante para consolidar um conjunto de ideias e perspectivas: vai haver uma unidade mecanizada, vai haver observação aérea e coordenação de combate aéreo. Vai haver mais gente no terreno, mais GNR, mais gente no ar a fazer um trabalho melhor para que os meios aéreos sejam geridos de uma forma mais eficaz.

A participação da comissão instaladora da futura agência faz-se através de instituições novas. Não está no nosso lado o comando e o controlo dos meios. É uma estrutura que injecta o conhecimento na operação. Saiu na quinta-feira em Diário da República a directiva operacional de prevenção e combate que estrutura e define claramente quem faz o quê e quando. Essas orientações estratégicas vão permitir que cada uma das organizações desenhe e implemente as suas directivas operacionais. A agência é um órgão de apoio, de facilitação, de coordenação, de avaliação e de melhoria contínua. É uma função que existe noutros países. Agora, é importante saber que, na nossa paisagem e com as alterações climáticas, ou mudamos o contexto ou qualquer modelo de prevenção e combate falhará havendo um ou dois incêndios de grande dimensão. O fogo é guloso pelo combustível e é isso que nós temos que mudar.

Habituámo-nos a ter um sistema assente em três pilares: a prevenção a cargo do Ministério da Agricultura, a vigilância a cargo da GNR e o combate também tutelado pelo Ministério da Administração Interna. Como será no futuro?
O modelo futuro, como já é enunciado na resolução do conselho de ministros de 21 de Outubro, vai assentar em duas prioridades. Essas duas prioridades são as pessoas, por um lado, e a floresta por outro. Isso implica que proteger pessoas e proteger a floresta implica meios, abordagens e técnicas diferentes. A ANPC ficará focada em proteger as pessoas, coordenando todas as entidades envolvidas na protecção da vida e dos bens, incluindo a limpeza da vegetação à volta das casas. Esse é o pilar da Protecção Civil.

O outro pilar é o da floresta, do mundo rural, em que, com técnicas diferentes, vão estar pessoas envolvidas a fazer a prevenção e combate, ou seja: quem previne, combate e quem combate, previne. É um sistema com segmentação de prioridades e com a especialização dos agentes, tudo submetido a um comando único, não há dois patrões para o mesmo problema, há um.

Que será quem?
A Protecção Civil vai sempre coordenar todo o processo, vai comandar e liderar as operações. O que temos de ter é uma segmentação da especialização, ou seja, vamos ter no futuro dois pilares - um que protege pessoas, outro que protege a floresta e o mundo rural - mas os incêndios vão ser combatidos pelos mesmos actores. Os bombeiros, a GNR, as Forças Armadas e as autarquias são sempre fundamentais, vão ser o suporte destes dois pilares. E como é que isto acontece? O ataque inicial é feito pela equipa que está mais próxima, em triangulação. Se está resolvido, passa a histórico. Se não está, os meios começam a agregar-se em volta daquele evento e este começa a escalar em termos de gestão das operações. Aí entra a ANPC, como entra hoje, com um sistema de comando único. Nesse comando único há sectorização das operações e há um afluxo de especialistas para cada um dos sectores, uns mais florestais, outros mais de Protecção Civil. Enquanto o incêndio florestal é um incêndio em que as técnicas ofensivas são importantes, aplicadas no momento certo, no local correto com base em conhecimento, a perspectiva da Protecção Civil ao defender uma aldeia é defensiva, são usadas outras ferramentas, outras soluções. Faz sentido separar. Não é nada que já não tenha acontecido no passado mas agora vai ficar mais institucionalizado, vai haver mais competências profissionais do lado da floresta mas também vai mais competências profissionais do lado dos bombeiros. O que é que é importante aqui? Credenciação. Combate o incêndio quem tem credenciais para o fazer, quem tem conhecimentos para o fazer, cumprindo os standards internacionais.

ICNF tem de ser reforçado

A Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais (AGIF), criada por decreto-Lei  12/2018 de 16 de Fevereiro, está ainda na sua fase embrionária. Tiago Oliveira lidera a comissão instaladora, tendo já definido alguns dos principais pilares do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, cujo planeamento, coordenação e avaliação é competência da AGIF. Esta estrutura responde apenas ao primeiro-ministro e as suas directivas condicionarão a actuação das estruturas que compõem o sistema, concretamente o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), a quem caberá a prevenção, e a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), responsável pelo combate.

Montar este novo sistema, que alia prevenção e combate tal como aconselhado pela Comissão Técnica que avaliou o incêndio de Pedrógão, custará 150 milhões de euros. A AGIF será uma estrutura eminentemente técnica que terá, quando entrar em velocidade cruzeiro em 2021, 26 funcionários, com um orçamento de 1,2 milhões de euros.

No terreno haverá um comando único que orientará a actuação das estruturas da ANPC e o ICNF. Este último serviço, que tem vindo a perder recursos humanos e capacidade de intervenção há já vários anos, terá de ser reforçado, a sua presença nos distritos tem de ser efectiva e terá de ser capaz de absorver um conjunto de peritos cujo concurso de recrutamento começará em breve.

Estes peritos, que podem ser bombeiros, militares, técnicos florestais ou sapadores, serão formados pela AGIF para as acções de prevenção e combate, passando para o ICNF em 2022.

Haverá uma distinção clara entre o combate a grandes incêndios e a protecção de pessoas e bens e primeira intervenção. No primeiro caso, que exige uma forte componente técnica, as chamas serão enfrentadas com maquinaria, meios aéreos e pessoal formado especificamente em fogos florestais.

Quer isto dizer que os bombeiros ficariam apenas com a defesa de pessoas e bens? Tiago Oliveira diz que não pois todos os que se mostrarem interessados poderão integrar a estrutura técnica de combate. Uma coisa é já dada como certa: a Escola Nacional de Bombeiros irá mudar e a formação irá integrar novas componentes.
No futuro, ambos os pilares vão estar totalmente comprometidos politicamente, ou seja, há um dono do programa da floresta e há um dono do programa da protecção civil . Em cada pilar vai haver prevenção, vigilância, combate, rescaldo e recuperação, ou seja, há um dono político para defender a floresta, há um dono político para defender as pessoas e os bens e isto vai percolar pelas organizações. Vai haver um dirigente, vai haver recursos, vai haver responsáveis, vai haver orçamentos balanceados. O que é que é importante nisto tudo? Informação, análise de dados, conhecimento de meteorologia, predictabilidade do apoio à decisão, coisa que tem sido uma pecha e que nós, lá está, mais uma vez este ano vamos tentar injectar no sistema. Teremos peritos internacionais a apoiar a decisão. Temos que ganhar esta batalha, não só este ano, mas nos próximos anos, porque o futuro do país, o interior, depende da nossa capacidade de gerir a paisagem e criar um território menos vulnerável ao fogo.

Indo ao problema de fundo: vivemos num clima mediterrâneo, onde o fogo sempre esteve presente, as espécies, aliás, até estavam adaptadas a isso. Com a intervenção humana houve desflorestação, houve alteração de espécies. Mas entretanto, o interior despovoou-se e a natureza ocupou espaços antes cultivados, os matos cobrem os terrenos, há monoculturas, enfim, há o problema que conhecemos. Dificilmente voltaremos atrás no repovoamento do interior, com a agravante que as alterações climáticas irão potenciar mais secas e, portanto, mais incêndios. Isto parece um problema irresolúvel, é verdade?
É um problema difícil, complexo, que vai exigir o empenho e o envolvimento de todos e o suporte de políticas públicas, integradas, inteligentes e focadas no longo prazo. Para tal é muito importante ter a ciência a apoiar estas decisões todas, porque a pressão é de curto prazo, as eleições são de quatro em quatro anos e os políticos têm uma lógica de curto prazo. Mas não nos podemos esquecer que Portugal está muito vulnerável a alterações climáticas e é preciso maturidade e independência para tomar decisões difíceis e elas vão ter de ser tomadas. O interior é uma delas e vai ser muito difícil implementar a ideia romântica de recolonizar o país.

Sem pessoas, como é que se vai fazer?
Um território abandonado não quer dizer um território não gerido. Mas temos de ser capazes de criar, através da floresta e da silvo-pastorícia, territórios que atraiam emprego qualificado, que atraiam pessoas, em particular, mulheres férteis que permitam a perpetuidade das famílias naqueles locais. Vai haver menos gente daqui a 10, 15 anos. Mas isso não significa paisagem não gerida. O que temos é de ter capacidade de atrair quadros qualificados, com lideranças locais para fazer mudar e para fazer acontecer alterações no território. Isso implica usar a floresta e a silvo pastorícia como âncoras, porque é da água, da sombra, do silêncio, da nossa memória, do oxigénio, da caça, de todos os outros produtos que a floresta gera que nós também dependemos. Temos de saber gerir o nosso território e confrontamo-nos com um desafio muito grande, que é: como é que isto se faz? Como é que conseguimos inventar uma nova paisagem que seja mais viável?

Mas o certo é que as políticas de revitalização do sector florestal não têm dado certo, aliás, há quem diga que são praticamente inexistentes. Não há um investimento sério em, por exemplo, as madeiras nobres, que seria importante neste caso, serrações, etc.
No modelo futuro, segmentamos e colocamos dentro da ANPC a protecção das pessoas e das vilas. O outro pilar irá colocar 60 a 70% do território sob administração do ICNF, tutelado pelos ministérios do Ambiente e da Agricultura.

Essa pressão vai fazer com que esses ministérios se envolvam mais no problema. Vão ter que resolver o problema das políticas públicas e de orçamentos associados à prevenção e também apoiar o combate, vão ter um dispositivo integrado nessa perspectiva.

Mas qual é a paisagem, qual é o território que queremos? Isso é outra unidade de missão. Vai haver mais pressão da opinião pública sobre as políticas públicas e a sua eficácia.

A agência vai ter uma espécie de técnicos especializados, que é uma incubadora que depois transita para dentro do ICNF, que vai ter de lidar com a questão estabelecendo uma relação diferente com os proprietários e com o movimento associativo. O nosso modelo assenta no associativismo, e isso implica uma maior partilha de responsabilidades, implica separar aquilo que é a totalidade dos prédios daquilo que são as necessidades da gestão. Na pastorícia, por exemplo, um rebanho com 100 ovelhas com um pastor não permite ter um quadro bem qualificado a tomar conta daquele rebanho. Mas para ter duas mil ovelhas, tem de intervir num espaço maior, ocupando outros territórios e isso implica alterar a titularidade, implica alterar o acesso à terra, implica uma reforma profunda.

Neste momento está em curso a obrigatoriedade da limpeza das faixas de combustível em volta da populações e das casas. As pessoas estão um pouco desinformadas sobre o assunto, não sabem muito bem o que têm que fazer. Além disso, não existem empresas suficientes para responder a tão grande procura. Não teria sido preferível, face à falta de meios humanos e financeiros, definir claramente quais são as faixas de combustível onde deveria haver uma intervenção para conseguir controlar um incêndio grande, em vez de estar a dispersar meios e os recursos pelo território, em locais que até podem nem ser cruciais?
A lei é igual para todos e todos têm que ser mobilizados a cumpri-la. A lei está aprovada e não me compete comentá-la. Pelo menos, o tema da prevenção aparece na agenda logo em Janeiro, coisa que nunca tinha visto, e está a haver um grande movimento por parte dos proprietários, dos municípios, das pessoas, que estão a fazer o máximo para fazer o melhor que podem.

Há 40 anos que não acontecia muita actividade nesta área. Este é um princípio. Podemos melhorar? Podemos e nesse sentido, em relação ao que queremos implementar nos anos que vêm, já envolvemos a Ordem dos Engenheiros para que haja mais conhecimento sobre que árvores cortam, que mato é que tem de sair. A intervenção será suportada por um guia de boas práticas.

França, Estados Unidos começaram essa experiência há mais anos. França tem um debate grande sobre o que limpar, o que não limpar, Barcelona também tem este conflito entre proprietários e Estado. Portanto, nós estamos a começar e como todos aqueles que começam a dar novos passos, nem sempre o fazem na cadência certa mas acho que a direcção é correta.

Há aldeias que pela sua circunstância geográfica, pelo seu histórico de incêndios, pela sua vegetação, são mais prioritárias para uma intervenção agressiva, quer pelas autoridades, quer pelos proprietários. Essa prioridade deve ser cumprida.

Mas a lei é a lei, importa mobilizar a sociedade neste sentido. Haveria formas diferentes de fazer a comunicação, mas acho que é importante que também se perceba que a situação é de risco, que o país está colocado perante uma urgência e todos somos parte da solução.

Estamos a falar muitas vezes, de populações idosas e sem meios e um problema que entronca é a pressão para que apostem em espécies autóctones ou mais resistentes ao fogo. Como é que se convence um proprietário a investir nestas espécies, cujo rendimento virá daqui a uma geração ou duas em vez de investirem em pinheiro ou eucalipto, que dará um retorno mais rápido?
Isso sai um bocadinho fora do âmbito da nossa estrutura de missão que é a prevenção e combate e se o sistema estiver organizado já é um contributo grande para que o proprietário perceba o risco de uma forma diferente e diga "eh pá, isto está a mudar e eu já posso investir na floresta!" No entanto, ele não o irá fazer no médio prazo e isso vai obrigar a que façamos as contas e consigamos influenciar, enquanto estrutura de missão, a elaboração e melhoria da reforma da floresta.

Enquanto estrutura de missão temos a função de criar uma agência que seja flexível e pequena, que contribua para ajudar o primeiro-ministro a pensar e a reflectir sobre estas matérias de operações de combate. Mas resolvendo isso, fica todo o resto – que é a parte mais importante - para resolver e como é que vamos mobilizar os proprietários num contexto de risco, numa economia descapitalizada? Tem de haver aqui um grande esforço da sociedade para pensar modelos mais eficazes. De nada serve termos um modelo de prevenção e combate se a paisagem não mudar. A paisagem tem de mudar em três perspectivas: floresta gerida, conservação da natureza e silvo-pastorícia

Se soubesse o que sabe hoje voltava a aceitar esta tarefa?
Eu sou uma parte da solução, eu não sou a solução. Por um lado, sou um porta-voz do conhecimento e contactos que estou a trazer: vem gente de todos os lados, da Austrália, África do Sul, do Canadá , que nos podem ajudar a fazer uma coisa mais bem-feita. Não vou conseguir fazer tudo, vou tentar fazer o meu melhor. Não tenho a certeza de tudo, ninguém tem a certeza de nada. Com humildade e perseverança, e muito conhecimento, eu acho que vamos chegar a um sítio melhor. Sim, voltava a aceitar.


segunda-feira, 5 de março de 2018

Grupo de trabalho vai rever plano de Uso Sustentável dos Produtos Fitofarmacêuticos


O Governo vai criar um grupo de trabalho para a revisão do Plano de Ação Nacional para o Uso Sustentável de Produtos Fitofarmacêuticos (PANUSPF), de acordo com o despacho hoje publicado em Diário da República (DR).

A criação do grupo de trabalho surge no âmbito de uma diretiva comunitária de 2009 que estabelece um quadro de ação a nível comunitário para uma utilização sustentável dos pesticidas e prevê que os Estados-membros aprovem planos de ação nacionais em que fixem objetivos quantitativos, metas, medidas e calendários para reduzir os riscos e efeitos da utilização de pesticidas na saúde humana e no ambiente.

Visa também fomentar o desenvolvimento e a introdução da proteção integrada e de abordagens ou técnicas alternativas destinadas a reduzir a dependência da utilização de pesticidas.

O PANUSPF tinha sido aprovado em 2013, mas, entretanto, uma nova diretiva determinou que estes fossem revistos, pelo menos, de cinco em cinco anos, levando à criação de um novo grupo de trabalho, por despacho dos membros do governo responsáveis pelas áreas da agricultura e do ambiente.

O prazo dos cinco anos termina em outubro de 2018.

"Tendo presente os objetivos do grupo de trabalho, este deve reunir diferentes competências específicas para que a pluridisciplinaridade dos seus membros assegure uma análise objetiva da execução do plano acima mencionado, assim como a identificação descomprometida das correções, melhorias e recomendações que importa introduzir na revisão do mesmo", refere o Governo do documento hoje publicado em DR.

O grupo incluirá assim representantes da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), que coordena, da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, das direções regionais de Agricultura e Pescas, do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, da Agência Portuguesa do Ambiente, do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

Também integrará representantes da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, das direções regionais de Agricultura das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, da Associação Nacional de Municípios Portugueses, da Associação Nacional de Freguesias, da Confederação dos Agricultores de Portugal, da Confederação Nacional da Agricultura, da Confederação das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal, da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal, entre outros.

O grupo de trabalho tem como missão preparar, até 01 de junho de 2018, um projeto de PANUSPF revisto que inclua as correções, melhorias e recomendações derivadas da análise objetiva da execução do plano decorrente da avaliação efetuada pela DGAV, na qualidade de entidade coordenadora dos PAN.

Também deverá, no prazo de um mês após o termo do prazo da consulta pública do projeto do PANUSPF revisto, entregar a versão final para aprovação pelos membros do governo responsáveis pelas áreas do ambiente e da agricultura.

Governo anuncia 534 milhões para aumentar regadio e reservas de água


Programa a desenvolver até 2022 prevê mais 54 mil hectares de regadio e 10 550 postos de trabalho.

JORGE TALIXA 3 de Março de 2018

Alargar e modernizar as áreas de regadio e criar novas de reservas de água são os principais objectivos do Programa Nacional de Regadio (PNR) apresentado, este sábado, na Lezíria Grande de Vila Franca de Xira. Com 534 milhões de euros financiados por fundos comunitários e pelo Banco Europeu de Investimentos, o PNR deverá permitir desenvolver 54 projectos, sobretudo na zona sul do País, capazes de beneficiar 95 mil hectares de terrenos agrícolas e de gerar 10 550 novos postos de trabalho.

Numa manhã de sábado marcada pela chuva persistente, animadora para os agricultores ribatejanos, o primeiro-ministro António Costa e o ministro da Agricultura Capoulas Santos estiveram no complexo-sede da Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira (ABLGVFX) para a cerimónia de consignação de uma empreitada que resultará num investimento de 30 milhões de euros na modernização do sistema de regadio desta região. Trata-se de um dos 54 investimentos englobados no Programa Nacional de Regadio, que o Governo apresentou agora e que pretende concretizar até final de 2022. Capoulas Santos admitiu que a negociação do PNR foi difícil com as autoridades europeias, mas vincou que esta é a primeira fase de um plano que deverá ter sequência já no âmbito do próximo quadro comunitário de apoio. Também António Costa apontou essas dificuldades, frisando que as negociações iniciaram-se há quase 2 anos. "Tivemos muitas dificuldades em financiar este programa, tendo em conta o que constava do Plano de Desenvolvimento Regional 2020. Foi difícil convencer muitas instituições internacionais, tivemos que fazer pedagogia, tendo em conta que o regadio é essencial para a nossa produção agrícola, não tem impactos ambientais e é fundamental para a preservação dos ecossistemas", observou o chefe do Governo.

Maior revolução da floresta desde D. Dinis foi feita pelo Governo, assume Capoulas Santos
Este PNR será, assim, financiado a 50 por cento por fundos comunitários, em cerca de 35 por cento pelo Banco Europeu de Investimentos e no valor restante pelo Banco do Conselho da Europa. Segundo Capoulas Santos já estão aprovados 22 projectos e outros 32 empreendimentos candidatados estão em fase de apreciação. Tudo deverá ficar totalmente definido até final deste ano, seguindo-se quatro anos de execução até final de 2022. Em causa estão projectos que deverão beneficiar 95 mil hectares de regadio – 54 mil em novas áreas de regadio e 41 mil de sistemas já existentes que vão ser modernizados. De acordo com as contas do Governo, todo este programa deverá gerar um valor acrescentado bruto anual de 280 milhões de euros e criar 10 550 novos postos de trabalho.

Dos 22 projectos já aprovados, cinco situam-se na zona do Algarve e Sudoeste Alentejano, sete no restante território alentejano, outros sete no Litoral Norte e Centro e três no Interior Norte e Centro. Capoulas Santos observou, no entanto, que também estão previstos investimentos de 50 milhões no distrito de Bragança, cerca de 10 por cento do total. "Damos hoje início a um programa estruturante para o país. O sector agrícola tem dado um importante contributo para o crescimento económico do país, tem crescido acima da média da nossa economia. Investir na água é criar melhores condições para um maior crescimento económico e para melhorar a nossa produção", salientou António Costa, frisando que, num quadro de alterações climáticas e de maiores períodos de seca, estes investimentos vão também gerar mais eficiência e reduzir consumos, contribuir para aumentar as capacidades de reserva de água e ajudar a criar novas respostas para questões fundamentais como o combate aos incêndios.

Indústria da cortiça quer plantar sobreiros na zona do pinhal interior


02.03.2018 às 16h44

O sobreiro de Águas de Moura, no concelho de Palmela, tem 234 anos e mais de 14 metros de altura

Para continuar a crescer, os industriais do sector querem mais 50 mil hectares de montado de sobro. Se não for possível no Alentejo pode ser nas zonas ardidas do interior. Mas são também as alterações climáticas que estão a 'empurrar' os sobreiros para norte

O presidente da Associação Portuguesa de Cortiça (APCOR), João Rui Ferreira, defendeu hoje que para continuar a crescer, a indústria da cortiça precisa de pelo menos mais 50 mil hectares de montado de sobro.

Em comunicado, João Rui Ferreira afirma ter solicitado "o compromisso do Estado numa reforma que aposte na proteção e adensamento dos montados existentes, com particular ênfase no alargamento a novas áreas geográficas".

Segundo alguns empresários agrícolas e climatologistas o Alentejo já não é o que era para o cultivo do montado de sobro. As temperaturas cada vez mais elevadas e os períodos de seca cada vez mais frequentes e prolongados estão a matar os sobreiros na planície alentejana.

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), diz que em muitos locais do Alentejo o montado de sobre está a tornar-se num 'cemitério plantado'. O excesso de calor está a matar os sobreiros e, ao contrário das oliveiras, não podem ser transplantados, pois não resistem a uma mudança em idade adulta.

SOBREIROS RESISTEM AOS FOGOS
A solução é semear ou plantar sobreiros cada vez mais para norte, a começar pelas zonas ardidas do pinhal interior. Os sobreiros resistem aos fogos, pois arde a cortiça mas não arde o tronco e a árvore mantem-se de pé.

O presidente da APCOR sublinha que o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, assumiu na quarta-feira, em Santa Maria da Feira, a intenção do Governo em apoiar a plantação de sobreiros em todo o território nacional, um desígnio que vai ao encontro das pretensões dos empresários do setor da cortiça.

Segundo o presidente da APCOR, o secretário de Estado, que visitou algumas empresas, considerou "fundamental que o setor industrial se envolva mais na produção florestal, e no setor da cortiça este é um cenário que devemos aprofundar".

Nesse sentido, João Rui Ferreira disse que irá realizar, já na próxima semana, "uma visita exploratória à zona do Pinhal Interior para perceber que áreas específicas poderão ser usadas para plantação de sobreiros, tendo já agendadas reuniões com várias autarquias da região".

EXPORTAÇÕES CRESCEM 4,5% AO ANO
"Estamos a viver um período único no setor da cortiça, a imagem nos mercados internacionais é muito positiva e a preferência de profissionais e consumidores é bastante clara, quer no mundo vinícola quer nas restantes aplicações. Tudo isto materializado com aumentos médios anuais das exportações na ordem dos 4,5%, durante os últimos 9 anos, sendo 2017 mais um ano recorde", afirma.

Em seu entender, "é tempo de, em conjunto, encontrar formas de aumentar a disponibilidade de matéria-prima, numa visão nacional para o sobreiro e num esforço que possibilite manter esta rota de crescimento".

"A indústria está consciente da sua responsabilidade e o sinal dado pelo Secretário de Estado deixa-nos confiantes", frisou João Rui Ferreira.

De acordo com a associação, Portugal é líder mundial em produção e área de montado, com cerca de 100 mil toneladas extraídas e 700 mil hectares de área plantada.

Fundada em 1956, a Associação Portuguesa da Cortiça está no mercado há 60 anos e é hoje a única associação patronal do setor em Portugal.

Sediada no coração da indústria da cortiça, no concelho de Santa Maria da Feira, a APCOR representa atualmente 278 empresas, responsáveis por 80% do volume total de negócios do setor e 85% das exportações portuguesas de Cortiça.

Finanças dão dados à GNR para identificar terrenos


GNR vai ter mês e meio para fiscalizar terrenos que ficaram por limpar em campanha inédita de prevenção de incêndios. Levantamento dos proprietários tem como base dados cedidos pela Autoridade Tributária.


A Autoridade Tributária (AT) está a disponibilizar à GNR dados sobre proprietários de terrenos. É com base nesta informação que a GNR tem já um cadastro dos terrenos que têm de ser limpos e será com os dados da AT que os militares irão a partir de dia 16 notificar e multar os proprietários que não limpem as suas terras, disse ao SOL o diretor do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR.

Para que isso aconteça, revela Vítor Caeiro, será assinado «muito em breve» um protocolo entre os ministérios das Finanças e da Administração Interna, para criar uma plataforma na internet através da qual a GNR poderá consultar os dados dos proprietários, para que, se for caso disso, os possa contactar e passar autos de contraordenação, que vão também ficar registados nesse banco de dados. Será com base neste registo que, posteriormente e caso as coimas não sejam pagas pelos proprietários, a AT vai ter informação para executar cobranças coercivas.

Na plataforma vão constar dados como nome e morada dos proprietários, além da descrição do terreno, explicou ainda Vítor Caeiro. No entanto, de acordo com o site da Comissão Nacional da Proteção de Dados, até ao fecho desta edição não foi emitido qualquer parecer sobre o envio de dados pessoais dos proprietários pela AT à GNR. Questionados pelo SOL, os ministérios das Finanças e da Administração Interna não responderam a perguntas sobre este assunto.

Recorde-se que, na semana passada, surgiram dúvidas quanto à legalidade do uso pela AT de dados pessoais dos contribuintes para enviar informação que não é do foro fiscal. Em causa um email enviado pelo Fisco a alertar para a limpeza dos terrenos, lembrando os valores das coimas que serão aplicadas.

A Comissão de Proteção de Dados, citada pela Lusa, considera mais seguro ser a Autoridade Tributária a enviar aos contribuintes a informação sobre a limpeza de terrenos do que fornecer os emails a outras entidades. No entanto, apesar de o uso de dados da AT estar previsto na lei 77/2017, a entidade fiscalizadora avisa que deveria ter sido consultada previamente.

Prazo está a acabar

A lei prevê que, até 15 de março, todos os proprietários, arrendatários ou exploradores de terrenos agrícolas limpem as terras numa faixa mínima de 50 metros à volta de edifícios inseridos em espaços rurais ou florestais. É o caso de habitações, parques de campismo, estaleiros, armazéns, oficinas ou fábricas.

No caso de aglomerados populacionais com dez ou mais casas, o limite da faixa de segurança (terreno que tem de estar limpo) sobe para os cem metros. No caso de habitações, a regra a aplicar é cortar pinheiros ou eucaliptos a menos de cinco metros das casas. Árvores destas espécies que estejam a 50 metros das casas têm de ter uma distância mínima de dez metros entre copas. No caso de outras espécies, a distância mínima entre copas é de quatro metros.

A exceção, de acordo com a lei, são árvores de fruto, que não precisam de ser cortadas, assim como pinhais cuidados ou árvores podadas e que cumpram as distâncias mínimas entre as copas.

Estas regras são para ser cumpridas por proprietários particulares, empresas, autarquias e até mesmo pelo Estado, sob pena de serem aplicadas multas que este ano sobem para o dobro. Desta forma, vão oscilar entre os 280 euros e os dez mil euros no caso de um proprietário singular e os três mil euros e 120 mil euros para pessoas coletivas.

Em Portugal não há muitas empresas que atuem na limpeza de mato e desde que o Governo impôs estas medidas os preços praticados dispararam para o dobro, de acordo com vários autarcas ouvidos pelo i. Em Viseu, por exemplo, a limpeza por cada hectare atinge valores entre os 1500 e os dois mil euros. Antes custava 900 euros, exemplifica o presidente da câmara de Viseu, Almeida Henriques. 

O que acontece depois de 15 de março?

Terminado o prazo para a limpeza de terrenos, a GNR vai andar no terreno a confirmar se as regras foram cumpridas ou não.  «A partir de 15 de março vamos ter de revisitar os terrenos identificados, ver o que foi feito e o que não foi feito», explicou o diretor da SEPNA. «Vamos aconselhar as pessoas e utilizar todo o bom senso mas também teremos de atuar» diz ainda Vítor Caeiro, lembrando que, «o que a lei nos impõe, é o levantamento de auto de contraordenação».

Antes de aplicar a coima, os proprietários são notificados pela GNR, tendo cinco dias para regularizar a situação. Ou seja é-lhes dada uma segunda hipótese para garantir a limpeza do terreno. Caso o incumprimento persista, é aplicada a coima que será  registada na futura plataforma. A partir da data da coima a GNR tem 48 horas para informar a autarquia da área do terreno que não foi limpo.

E a partir daí a responsabilidade passa a ser das 308 câmaras municipais, que têm até 31 de maio para limpar todos os terrenos que não foram limpos pelos proprietários, sob pena de, logo em junho, perderem 20% da verba mensal transferida do Fundo de Equilíbrio Financeiro.

Para o período de fiscalização da GNR foram definidos dois prazos: entre 16 de março e 30 de abril serão passados a pente fino terrenos em freguesias com maior risco de incêndio (classificadas como 1.ª prioridade). Dentro destes critérios estão 710 de 1049 freguesias onde há terrenos que ficam junto a linhas de transporte e de distribuição de energia elétrica em muito alta tensão e em alta tensão e da rede de gás natural. São ainda prioritários terrenos junto a parques de campismo e a parques industriais.

A partir de 1 de maio, e até ao final desse mês, a GNR vai verificar as condições dos terrenos que representam perigo de incêndio à escala municipal.

Estas regras e prazos estão a gerar alguma polémica: os municípios alegam a falta de meios humanos, de maquinaria e de tempo para limpar todos os terrenos. O presidente da  Associação Nacional dos Municípios, Manuel Machado, assim como vários autarcas, já avisou o Governo de que «vai ser impossível cumprir o prazo» e as câmaras admitem pedir apoio a militares e bombeiros. Repto que o presidente da Liga dos Bombeiros, Jaime Marta Soares rejeita, frisando não ser essa «a função dos bombeiros».

Cabe aos proprietários em incumprimento o pagamento da limpeza realizada pela autarquia. No caso de não terem como pagar, as câmaras podem vender a lenha que resulta da limpeza e arrecadar essa receita. Caso o valor não seja suficiente para cobrir a despesa, será realizada a cobrança coerciva – e o processo estará todo centralizado na plataforma.

Para que as câmaras avancem com a limpeza dos terrenos, o Governo criou uma linha de crédito de 50 milhões de euros disponíveis para as 308 autarquias, sobre os quais serão cobrados juros de mora sobre o valor do crédito. Também para agilizar o processo as câmaras podem contratar empresas de limpeza através de ajustes diretos. O objetivo de toda a estratégia foi deixado claro esta semana por António Costa: «Não quero voltar a passar um verão como o último que passei».

Reino Unido já tem agricultura feita por robôs



Foi em 2016 que engenheiros agrónomos da Universidade Harper Adams, em Newport, na Inglaterra, decidiram tentar cultivar um campo agrícola sem qualquer intervenção humana direta. Hoje, mais de um ano depois, o projeto Hands Free Hectare já plantou a sua segunda colheita de cereais, e tudo feito com aparelhos autónomos. Até aqui, apenas algumas funções estavam automatizadas na agricultura.

O grupo de trabalho, composto por três investigadores universitários, juntou-se à Precision Decision para criar os sistemas necessários para colocar os aparelhos necessários. O objetivo era cultivar um terreno de um hectare com cevada durante o inverno, usando ferramentas usadas tipicamente na agricultura mecanizada e modificadas para poderem trabalhar de forma autónoma.

O sistema autónomo foi testado num veículo todo-o-terreno, antes de ser adaptado a um trator e a uma ceifeira-debulhadora. O trator, que seguia um drone para navegação, teve que ser reconfigurado para trabalhar com um arado e com um pulverizador, conforme as necessidades, por isso teve alguns problemas para trabalhar de forma eficiente. Em setembro do ano passado, foram colhidas quatro toneladas e meia de cevada.

O Hands Free Hectare já colocou no solo a sementeira para trigo, que será colhido na primavera. O trabalho focou-se essencialmente em garantir que o trator conseguia trabalhar mais depressa e em linha reta. O objetivo final deste programa é demonstrar que os donos de terrenos agrícolas podem gerir um conjunto de máquinas sem necessidade de se exporem aos elementos.


Costa: "Temos a floresta pior porque toda a gente ignorou a lei"


28.02.2018 17:19 por A.R.M. 860

Costa diz que as obrigações da limpeza de matas é uma lei de 2006. E acusou Cristas de "nada fez para cumprir essa lei" quando era ministra da Agricultura.
 
A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, confrontou o Executivo sobre as obrigações dos proprietários privados na limpeza de matas. Naquela que foi uma das trocas de palavras mais agressivas deste debate quizenal, Costa lembra que esta lei não é recente - foi feita em 2006 - e diz que o Governo PSD/CDS-PP (onde Cristas foi ministra da Agricultura) "nada fez para cumprir essa lei".

"Há 12 anos que estas obrigações existem. Não vou perguntar o que fez nos quatro anos em que foi ministra fez para cumprir essa lei", disse Costa à líder centrista. "Se tivéssemos a floresta ordenada, teríamos menos floresta para ordenar", concluiu, manifestamente irritado com a bancada do CDS, arrancando aplausos à esquerda.
Além disso, ainda recordou que foi secretário de Estado da Protecção Civil e que sabe da poda: "Sim, é os privados que compete a limpeza" do espaço florestal privado.

Também o PCP abordou o tema. Jerónimo de Sousa diz que é preciso concretizar ao máximo a ordem da limpeza dos terrenos para impedir a repetição das tragédias do ano passado". Costa assegura que "não quer voltar a viver" o Verão de 2017. 

"Se deixarmos a floresta entregue à mini-micro-propriedade", continuaremos a ter uma floresta enfraquecida e pouco cuidada.

À questão sobre a forma como o Estado está a proteger e a cuidar da sua floresta, António Costa remete para o Orçamento do Estado (OE) para 2018. "Para as matas nacionais temos as metas definidas do OE para criar novos 500 quilómetros de rede primária..."

Ferro Rodrigues manda insistentemente calar Costa, porque o primeiro-ministro já esgotou o seu tempo, levando este a dizer: "O resto [das medidas] mando por escrito..."

"Se hoje temos a floresta, é porque ao longo de 12 anos. se tivessemos a floresta ordenada, teriamos menos floresta para ordenar"

e a "bondade" de colocar a fiscalização das empresas de telecomunicações numa entidade independente e remeteu as perguntas para aAnacom sobre o cumprimento das obrigações dessas empresas. 
Relativamente à limpeza das florestas, Costa lembrou que essa obrigação já existe em lei anterior a Cristas ter sido ministra da Agricultura.  "Há 12 anos que estas obrigações existem. Não vou perguntar o que fez nos quatro anos em que foi ministra fez para cumprir essa lei", afirmou, reiterando a intenção de cumprir a lei que está em vigor. 

Costa acabou por se irritar com os comentários (não audíveis) do deputado João Almeida: "A obrigação de limpeza é dos proprietários. Foi secretário de Estado da Protecção Civil, tem obrigação de saber isso".


Protesto dos Agricultores à porta dos “Prós e Contras” da RTP


Perante a demora do Governo em concluir o processo de apoio à recuperação das áreas agrícolas e florestais, alguns produtores fizeram ouvir a sua voz à entrada para o programa da RTP que se realizou no concelho.

Há três razões de base para que, de acordo com os agricultores, o Governo reabra o período de candidaturas a apoios às explorações afetadas pelos fogos de 15 e 16 de outubro.

Quem o diz é João Dinis, da Confederação Nacional de Agricultura (CNA). Primeiro há homens da terra que se candidataram em outubro – antes das alterações feitas pelo Governo em novembro, aumentando o valor da comparticipação para cinco mil euros – mas que não tiveram conhecimento desta mudança e falharam o segundo prazo de candidatura. Não terão recebido as notificações por SMS nesse sentido, pois as telecomunicações ainda não estavam restabelecidas nessa altura. Serão cerca de 300, estima a CNA.

Em segundo lugar, porque houve agricultores que ficaram afetados física ou psicologicamente naquela altura e não tiveram capacidade de reação para elaborarem as candidaturas.

Em terceiro lugar porque "milhares de agricultores dirigiram-se à Zona Agrária ou às juntas de freguesia, onde o Ministério da Agricultura colocou técnicos próprios para preencherem e submeterem as candidaturas ao subsídio de cinco mil euros, mas o apoio concedido veio com cortes de 20 e 30 por cento do total dos cinco mil euros, o que deverá ser engano", constata João Dinis.

sábado, 3 de março de 2018

Ministério da Agricultura vai apresentar plano de limpeza das matas do Estado


28 fev 2018 14:13

O Ministério da Agricultura vai apresentar na próxima semana o plano de limpeza das matas do Estado, que contempla uma intervenção em 500 quilómetros da rede primária que terá que estar concretizada nos prazos impostos pela lei.

 Ministério da Agricultura vai apresentar plano de limpeza das matas do Estado
O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, disse hoje, em Vila Real, que o plano de intervenção nas matas geridas pelo Estado vai ser apresentado na próxima semana, identificando com precisão os locais prioritários para esta ação de limpeza.

A intervenção, de acordo com o governante, vai incidir sobre as "áreas prioritárias" que já estão e vão continuar a ser objeto de limpeza.

"Propomos executar em todo o país cerca de 500 quilómetros da chamada rede primária, que é uma faixa com 120 metros de largo, que visa criar zonas de descontinuidade entre as manchas florestais para travar a progressão dos incêndios", explicou.

A estes 500 quilómetros, juntam-se mais 300 quilómetros que já existiam, mas que estão cheios de mato e que vão também ser recuperados.

Segundo o governante, "nestas áreas, os proprietários que ficam privados de rendimentos irão ser ressarcidos pelo Estado".

Em Vila Real, no decorrer de uma reunião com autarcas da região Norte, em que também esteve presente o ministro da Administração Interna, Capoulas Santos anunciou também outras medidas, "tais como o reforço dos sapadores florestais, em equipas e equipamentos, assim como novas regras para contratualizar com os pastores aquilo que tem vindo a ser chamado como as cabras sapadoras".

"Trata-se de atribuir uma compensação financeira aos efetivos pecuários, ovinos ou caprinos, que pastoreiem estas faixas primárias numa determinada área e durante um determinado tempo, compensando os donos dos animais pela prestação desse serviço", explicou.

Questionado sobre se as intervenções nas matas públicas terão de ser feitas até 15 de março, o ministro afirmou que o Estado terá de "respeitar a lei como todos os outros".

"E, até lá, fazer tudo o que é possível porque a partir dessa data começa o verão e muitas dessas operações tornam-se perigosas, porque se trata de equipamento mecânico que na fricção com pedras pode provocar faúlhas", ressalvou.

Apenas cerca de 3% da floresta em Portugal é pública. A esmagadora maioria, mais de 93%, da floresta em Portugal é privada.

Em todo o país, segundo o ministro, foram identificadas as zonas de maior risco, que correspondem a 189 municípios dos 308 do país, 1.049 freguesias e 1.400 aldeias.

"As zonas de maior risco são as que não arderam no ano passado e é aí que devemos concentrar os nossos esforços", frisou.

"Obviamente que não é possível, num curto espaço de tempo, limpar todo o país de lés a lés e é precisamente por isso que o Ministério da Agricultura definiu quais são as áreas de maior risco", salientou.

E continuou: "as dificuldades são conhecidas e mais do que estarmos agora a chorar sobre elas temos é de tentar ultrapassa-las com realismo e utilizando da melhor forma os recursos de que dispomos".

Sem querer alimentar a polémica por causa da declaração de que se for preciso, os municípios deveriam cortar nas festas, Capoulas Santos frisou apenas que todos têm que fazer um "grande esforço de priorização de utilização dos recursos".

"No caso do Ministério da Agricultara irei subsidiar menos a participação em feiras agrícolas", exemplificou.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Bayer admite vender mais activos para ter luz verde para comprar Monsanto


A farmacêutica alemã poderá vender mais activos para conseguir concretizar a compra da Monsanto, um negócio que foi anunciado em Setembro de 2016. Decisão da União Europeia é anunciada até 5 de Abril.

Bayer admite vender mais activos para ter luz verde para comprar Monsanto
Bloomberg

Ana Laranjeiro Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt

28 de fevereiro de 2018 às 08:35

A farmacêutica alemã Bayer está disponível para alienar mais activos, além da sua unidade de sementes, para conseguir ter luz verde das autoridades da concorrência europeias à compra da Monsanto.

Num comunicado emitido esta quarta-feira, 28 de Fevereiro, citado pela Bloomberg, a empresa revelou que pretende desinvestir no seu negócio de sementes vegetais. Em cima da mesa poderá estar também a possibilidade de licenciar alguns negócios. O objectivo é que consiga concluir a aquisição da Monsanto no segundo trimestre deste ano.

Até ao próximo dia 5 de Abril, as autoridades regulatórias da União Europeia devem pronunciar-se sobre a operação que foi, formalmente, anunciada a 14 de Setembro de 2016.

"Isto não afecta as nossas expectativas em torno de uma conclusão bem-sucedida do ponto de vista regulatório", disse o CEO, Werner Baumann, em comunicado citada pela agência de informação.

A empresa alemã que produz a aspirina mostrou-se ainda confiante de que conseguirá responder a todas as eventuais questões que os reguladores tiverem sobre a operação.

Em Agosto do ano passado, a Comissão Europeia iniciou uma investigação aprofundada à compra da Monsanto pela Bayer perante preocupações de que a operação afecte a concorrência nos mercados dos pesticidas e sementes e características, com potencial impacto na qualidade dos produtos e nos preços aos agricultores.

A abertura deste processo surge depois de a norte-americana e da alemã não terem sido convincentes nos compromissos apresentados para ultrapassar as "sérias dúvidas" manifestadas pela concorrência europeia de que a compra seja compatível com as regras europeias para as fusões.

Bayer e Monsanto: uma história antiga

A 14 Setembro de 2016, a Bayer anunciou que queria comprar a Monsanto, uma história que o mercado vinha já acompanhando e que foi marcada por alguns avanços e recuos. A empresa europeia disponibilizou-se para pagar 66 mil milhões de dólares pela Monsanto, de acordo com o comunicado da empresa germânica emitido na altura.

Na altura, era avançado que a junção das duas empresas pode representar mais de 30% do negócio da produção mundial de culturas agrícolas.

A história da aquisição da Monsanto pela Bayer começou vários meses antes. Em Maio de 2016, a Bayer lançou uma oferta pública de aquisição (OPA) sobre a Monsanto, com o objectivo de criar a maior fabricante mundial de produtos químicos para a agricultura e sementes geneticamente modificadas.

Oferecia 62 mil milhões de dólares. A oferta que não agradou à Monsanto. Mas não apenas dessa vez. No início de Setembro, foi revelado que a empresa alemã voltava a "subir a parada" - a Bayer ofereceu 127,50 dólares por acção para concretizar a compra da empresa agro-química norte-americana, o que avaliava a oferta em 56 mil milhões de dólares.

Mas qual é o interesse da Bayer na Monsanto? A Bloomberg escrevia na altura que esta operação permite à empresa alemã explorar a crescente procura dos agricultores por meios para aumentaram a sua produtividade no sentido de alimentar os estimados 10 mil milhões de pessoas em 2050. Com esta operação, a Bayer tem acesso, segundo veiculado à época, a cerca de duas mil variedades de sementes. Sendo que, a própria Bayer tem o seu próprio portefólio.

A Monsanto, fundada em 1901, foi pioneira nas últimas duas décadas na comercialização de organismos geneticamente modificados. No passado, esta empresa centenária produziu também químicos industriais e medicamentos.

A Bayer foi fundada em 1896 e é conhecida por ser a produtora da aspirina.

Suinicultores não querem "esgotos" dos porcos enviados para tratamento

28 DE FEVEREIRO DE 2018 - 07:28

Quatro milhões de porcos nascem em Portugal por ano. Produtores acusam governo de não se entender naquilo que pede aos suinicultores.


A Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores pede aos ministérios da Agricultura e do Ambiente que se entendam. Em causa o que fazer com os temidos afluentes dos dejetos dos 4 milhões de porcos que anualmente nascem em Portugal.

O presidente da Federação salienta que as críticas que o setor tem recebido do Ministro do Ambiente são completamente injustas e que têm feito tudo para tentar encontrar soluções para os resíduos das suiniculturas, apesar de alguns casos que garante serem pontuais de infratores.

O problema, salienta Vítor Menino, é que os suinicultores andam perdidos com as indicações diferentes de diferentes instituições do governo.

Vítor Menino explica as divergências do Estado.
Em resumo, a Direção Geral da Agricultura e Veterinária defende que os dejetos dos porcos devem ser usados nos solos como adubo travando o uso de químicos, enquanto a Agência Portuguesa do Ambiente aposta em Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR).

Os suinicultores estão contra as ETAR que dizem não ser eficazes e mais caras, preferindo que os dejetos dos porcos acabem na agricultura nas regiões onde isso seja possível.

Vítor Menino defende o "regresso à terra" dos dejectos dos porcos.
Baralhados, os suinicultores realizam esta quarta-feira um seminário sobre "Suinicultura e Ambiente". A meta é discutir o tema um evento que contará com a presença dos maiores peritos internacionais na área da tecnologia de gestão de efluentes pecuários, oriundos de Espanha, França e Dinamarca.

Se as ETAR avançarem, Vítor Menino teme que muitos suinicultores fechem portas.
Por ano nascem em Portugal 4 milhões de porcos para abate um negócio que movimenta 600 milhões de euros anualmente em 15 mil explorações, 2.500 delas industriais.

Ministro da Agricultura diz que aumento dos preços para limpar matas é “o mercado a funcionar”


27 fev, 2018 - 21:35

Capoulas Santos afirma que não são só os privados a serem afetados pela situação, também o Estado está a enfrentar a situação.

 
O ministro da Agricultura diz que o facto de os preços para a limpeza das matas estar a aumentar é "o mercado a funcionar". Capoulas Santos comentou desta forma a notícia de que há empresas de limpeza de matas que estão a aumentar os preços.

Em alguns casos, os valores pedidos estão a aumentar para o dobro.

"Se há um excesso de procura, estamos num mercado que funciona, e se há um bem que é mais raro, o preço tem que ser mais elevado. Não é preciso ser um estudante de economia para chegar a essa conclusão", afirmou o ministro da agricultura falava no final do seminário "Alterações Climáticas na Agricultura", promovido pela Confederação de Agricultores de Portugal.

"Tem que ser encontradas soluções em cada autarquia e no ministério da Agricultura porque temos o mesmo problema, temos áreas do Estado que temos de recorrer a empresa e o Estado não deixará de responder", acrescentou.

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, insistiu nas críticas à forma como o governo está a procurar garantir a limpeza das matas.

Brexit: Agricultores temem que saída do Reino Unido leve a cortes na PAC pós 2020



Os agricultores temem que a saída do Reino Unido da União Europeia ('brexit') potencie cortes na reforma da Política Agrícola Comum (PAC), segundo o presidente da CAP, que falava, em Lisboa, à margem de um seminário sobre alterações climáticas.

"Obviamente os agricultores temem cortes na PAC [pós 2020]. O senhor ministro da Agricultura já disse e com razão, que o Orçamento da União Europeia tem um ponto de interrogação associado à saída do Reino Unido", referiu Eduardo Oliveira e Sousa da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP).

Conforme indicou o responsável, os países que mais contribuem para o orçamento estão "renitentes" em aumentar os seus contributos.

"Se não for possível colmatar a saída do Reino Unido, os custos associados à nova forma da política da União Europeia, que vai ter acréscimos de defesa, no lado da proteção das fronteiras e dos imigrantes, pode significar alguma redução da Política Agrícola", considerou.

Para Eduardo Oliveira e Sousa, ao verificar-se a situação descrita, os agricultores vão sentir uma "redução nos rendimentos e nos investimentos para enfrentar o futuro".

Já em 19 de fevereiro, o ministro da Agricultura havia garantido que Portugal bater-se-á, até ao limite das suas forças, pela manutenção do orçamento da Política Agrícola Comum, quando se fala em cortes que podem chegar aos 30%.

"Tive oportunidade de dizer que de nada valem as boas propostas sem um orçamento adequado. E insisti na necessidade de manutenção do atual orçamento da PAC, isto porque, de acordo com a mais recente comunicação da Comissão Europeia sobre as perspetivas financeiras, apontam-se três cenários: a redução do orçamento da PAC em 30%, que teria um impacto enorme na redução dos apoios à agricultura como é evidente, um cenário dois que aponta para uma redução de 15% e um orçamento que aponta para a manutenção do orçamento atual", apontou Capoulas Santos, em declarações aos jornalistas à margem de uma reunião de ministros da Agricultura da União Europeia, que decorreu em Bruxelas.

Governo anuncia que México é novo mercado para exportação da pêra rocha


01.03.2018 22:43 por Lusa 0
Vão seguir esta semana cerca de 40 toneladas desta fruta para o México.
 
 
 Governo anuncia que México é novo mercado para exportação da pêra rocha
Foto: Carlos Barroso / Correio da Manhã
O Governo anunciou esta quinta-feira que o número de mercados abertos à exportação de pêra rocha aumentou para seis com o México, para onde vão seguir esta semana cerca de 40 toneladas da fruta. 

"O mercado mexicano constitui um dos mais importantes mercados do continente americano, com cerca de 128 milhões de consumidores para os produtores e empresas de fruticultura nacional", lê-se no comunicado da Secretaria de Estado da Agricultura e Alimentação. 

No documento, o secretário de Estado Luís Medeiros Vieira destaca o crescimento de 15% das exportações portuguesas de frutas e hortícolas registado em 2017 face a 2016, que representaram 1,5 mil milhões de euros no final do ano. 

Os dados revelam "um desempenho notável que mostra a pujança e o optimismo" dos empresários portugueses", sublinha o governante.

Parlamento Europeu propõe estratégia para proteger saúde das abelhas e apoiar apicultores


O Parlamento Europeu (PE) propôs hoje uma estratégia de grande escala e a longo prazo para proteger a saúde das abelhas e o seu repovoamento, apoiar os apicultores europeus e promover o mel e a sua utilização terapêutica.

Entre as medidas apresentadas pelos eurodeputados encontra-se a proibição de substâncias ativas dos pesticidas, como os neonicotinóides, e o recurso a produtos ou métodos agronómicos alternativos seguros.

Num relatório publicado na quarta-feira, a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) confirmou que o uso de três pesticidas neonicotinóides -- clotianidina, imidaclopride e tiametoxame -- é nocivo para as abelhas. A Comissão Europeia impôs restrições sobre a utilização destas substâncias em 2013, e, em 22 de março, vai votar a sua proibição total.

Os eurodeputados propõem também um plano de ação para combater a mortalidade das abelhas, o aumento do financiamento ao setor da apicultura e a introdução de um regime de compensação nos programas apícolas nacionais para a mortalidade das colónias de abelhas, resultante de catástrofes naturais, doenças ou predações.

A assembleia europeia recomenda ainda programas de criação de abelhas resilientes a espécies invasoras, como o Varroa destructor, a vespa asiática e a loque americana, e o desenvolvimento de medicamentos inovadores.

Os eurodeputados instam a Comissão e os Estados-membros a porem em prática medidas para aumentar a proteção e o apoio financeiro às populações locais de abelhas melíferas em toda a União Europeia (UE), incluindo através de zonas de conservação das abelhas endémicas legalmente protegidas.

O PE quer também que sejam reforçados os controlos veterinários fronteiriços e no mercado interno, e que sejam realizadas amostragens e testes oficiais ao mel proveniente de países terceiros nas fronteiras externas da UE, notando que as importações de baixa qualidade, as adulterações e os sucedâneos continuam a exercer pressão sobre os preços.

Os eurodeputados pedem ainda à Comissão que elabore um relatório sobre as diferentes práticas terapêuticas que utilizam mel, pólen, geleia real e veneno de abelha na UE, salientando a importância crescente da apiterapia como uma alternativa natural ao tratamento com medicamentos convencionais.

As abelhas prestam um serviço fundamental ao ecossistema e à agricultura na UE ao polinizarem as flores, segundo um relatório sobre as perspetivas e os desafios para o setor da apicultura na UE, aprovado por 560 votos a favor, 27 contra e 28 abstenções.

Em alguns Estados-membros, o número de colónias de abelhas diminuiu devido aos efeitos das alterações climáticas, de determinadas substâncias ativas dos pesticidas e de perturbações no mercado interno do mel.

A UE produz cerca de 250.000 toneladas de mel por ano, sendo o segundo maior produtor a nível mundial, depois da China.

Cerca de 84% das espécies vegetais e 76% da produção alimentar na Europa dependem da polinização efetuada pelas abelhas selvagens e domésticas.

Portugal executou quase metade do Plano de Desenvolvimento Rural


Portugal já executou quase metade do Plano de Desenvolvimento Rural (PDR), com pagamentos a mais de 16.000 projectos, num investimento de 1.800 milhões de euros, disse hoje o ministro da Agricultura, Capoulas Santos.

Portugal executou quase metade do Plano de Desenvolvimento Rural

01 de março de 2018 às 21:58

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural declarou à agência Lusa que a taxa de execução do PDR, que decorre no âmbito do Portugal 2020, tem uma taxa de execução de 41%.

"Em três anos de execução do programa, Portugal é o terceiro Estado-membro da União Europeia com melhores resultados na aplicação do Plano de Desenvolvimento Rural. Ao mesmo tempo que batemos o record de propostas pois em três anos recebemos 48.243 candidaturas, quando o anterior programa, o PRODER, teve 41.500 candidaturas em sete anos", salientou o governante.

Capoulas Santos lembrou que o PDR tem uma dotação global de 4.000 milhões de euros, para apoiar os agricultores até 2020.

Das candidaturas recebidas, já foram estabelecidos contratos para pagamento a 16.092 delas, num total de 1.800 milhões de euros.

"O PDR é o mais importante programa de apoio ao investimento agrícola em Portugal e, em termos de execução, só temos à nossa frente a Irlanda e a Finlândia", referiu o ministro.

Até ao final do ano deverão ser apresentadas novas candidaturas de agricultores para receberem apoio para projectos de investimento, num total de 250 mil euros.

O ministro da tutela estimou que, nesses concursos, sejam investidos 110 milhões de euros em apoios a projectos agrícolas, 90 milhões em medidas florestais e 50 milhões em projectos de regadio.

Os investimentos em projectos de regadio serão complementados com outros programas de apoio.

Ministro da Agricultura não teme problemas com chuvas nos locais afetados



RICARDO GRAÇA/LUSA

O governante fala sobre a precipitação prevista para esta semana dizendo que "as zonas mais problemáticas estão protegidas e creio que o risco será pequeno"

O Ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, mostrou-se hoje confiante nas intervenções feitas ou que ainda decorrem para minimizar o impacto das chuvas nos locais afetados pelos incêndios.

Em Porto de Mós, onde acompanhou ações de limpeza de terrenos para prevenção de incêndios, Capoulas Santos lembrou o investimento feito para intervir nas zonas mais problemáticas.

"O Ministério da Agricultura disponibilizou quase 50 milhões de euros para acudir às zonas de maior risco, de maior inclinação e, até, para proteção de vidas humanas, pelo risco de desmoronamento de estradas onde as pessoas circulam", sendo que alguns projetos estão ainda em execução.

O ministro confia que as chuvas que estão previstas cair nesta semana não vão causar problemas.

As zonas mais problemáticas estão protegidas e creio que o risco será pequeno, esperando que venha chuva, mas não que venha em quantidades tais que provoque outro tipo de tragédias

Capoulas Santos admite que havia "preocupação" que chuvas torrenciais repentinas no outono, "como muitas vezes acontece", arrastassem detritos, provocassem erosão e contaminassem linhas de água.

"Felizmente, para este caso da erosão, as chuvas não foram muito intensas e foram escassas, o que foi mau para agricultura. Sol na eira e chuva no nabal, não é possível...", concluiu o ministro da Agricultura.

O Ministro da Agricultura também negou hoje em Porto de Mós existir um diferendo com a Associação Nacional de Municípios Portugueses quanto à aplicação da lei de limpeza de terrenos, mas o presidente da autarquia reassumiu a incapacidade para substituir os privados.

Luís Capoulas Santos, que acompanhou naquele concelho ações de limpeza de terrenos do Estado e do município, disse no final da visita não haver "nenhum diferendo" com a Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que pede a revisão da lei responsabiliza as autarquias no caso de os proprietários não intervirem nas suas propriedades até 15 de março.

"Este é um esforço que, longe de ser fator de conflitualidade, é fator de preocupação. O que estamos a fazer está, há muitos anos, na legislação. Só que, infelizmente, por todas as vicissitudes que conhecemos, não era cumprido. Este ano acho que todos temos obrigação, depois da tragédia inimaginável que se abateu sobre nós no ano passado, de tentar cumprir ao máximo uma legislação muito difícil de cumprir", afirmou o ministro da Agricultura.

O governante admitiu que "não será possível ir a todos os metros quadrados, mas o objetivo é que seja cumprida a lei tão amplamente quanto possível num tempo que está pré-determinado no calendário".

Capoulas Santos frisou o "enorme esforço que o Ministério da Agricultura" está a fazer e "o mesmo acontece seguramente às câmaras municipais e aos rendimentos de cada um dos proprietários".

Tem de haver uma conjugação de esforços para que os recursos escassos que todos temos possam produzir os melhores efeitos possíveis, por forma a reduzir o risco de incêndios e a evitar outras tragédias

Reconhecendo as "limitações orçamentais" das autarquias, Luís Capoula Santos defende ser necessário "estabelecer prioridades".

"Porventura, levar mais longe essas tarefas implica cortar noutras despesas. No Ministério da Agricultura estamos a conferir essa prioridade. Estou convencido que os municípios não deixarão de fazê-lo: implicará sacrificar algumas festas? Não sei. Dentro dos recursos que cada um dispõe, esses terão de ser mobilizados e levar o esforço tão longe quanto possível".

Ao lado do ministro, o presidente da Câmara de Porto de Mós, Jorge Vala, preferiu não comentar a proposta de Capoulas Santos para reduzir nas festas. Mas reafirmou o que tem sido dito pela ANMP.

"Nós, municípios, não nos conseguimos de forma nenhuma substituir aos privados, nesta intervenção", disse o autarca, lembrando, "sobretudo", a falta de meios.

Na Bezerra, onde a autarquia avança com trabalhos de limpeza de 39 hectares, Jorge Vala sublinhou que a equipa teve de vir da Guarda.

Se os privados cumprirem por si, como nós estamos a cumprir, as coisas vão acontecer. Agora, se os privados se desligarem desta responsabilidade, nós é que não temos capacidade

Para Jorge Vala, os prazos são apertados e "foram muitos anos em que não se fez rigorosamente nada pela limpeza da floresta".

"Este projeto é de emergência nacional. No entanto, é um projeto de emergência nacional em que não deve toda a responsabilidade final recair sobre os municípios", concluiu.

Tenho de cortar as minhas árvores?


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Pois a Autoridade Tributária, o Ministério da Administração Interna e o Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (uf!) resolveram incomodar os cidadãos com um PDF a decretar que é obrigatório "limpar o mato e cortar árvores: 50 metros à volta das casas", bem como "cortar todas as árvores e arbustos a menos de cinco metros das casas". Quem não o fizer até 15 de março poderá pagar coimas de 140 a cinco mil euros. "E este ano as coimas são a dobrar", avisa o folheto da campanha Portugal sem Fogos Depende de Todos.

O facto de no verão passado terem morrido mais de cem pessoas por causa dos incêndios florestais leva-me a aceitar medidas draconianas para, rapidamente, reduzir a uma escala razoável este perigo mortal. Por isso, não tenho vontade de secundar protestos de autarquias e produtores florestais.

O pior, porém, é o PDF: mandam as autoridades cortar todas as árvores 50 metros à volta da minha casa... Todas? Só algumas? Então porque é que o texto também diz que tenho de cortar árvores a menos de cinco metros?... Se cortar as mais distantes não corto, também, as mais próximas?... Porque fazem esta distinção? Que confusão!...

"O melhor é ir ler a lei", pensei. Fui ver. O último decreto saiu há, apenas, 13 dias. É o 10/2018 e "clarifica os critérios aplicáveis à gestão de combustível no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios". Portanto, havia dúvidas suficientes para, agora, "clarificar".

No entanto, os seis artigos que se seguem parecem gozar connosco, são incompreensíveis, cheios de informação por consolidar e pedregulhos para o leitor: "O anexo ao decreto-lei n.º 124/2006, de 28 de junho, alterado pelos decretos-leis n.os 15/2009, de 14 de janeiro, 17/2009, de 14 de janeiro, 114/2011, de 30 de novembro, e 83/2014, de 23 de maio, e pela lei n.º 76/2017, de 17 de agosto, passa a ter a redação do anexo ao presente decreto-lei"...

Jesus!, como é possível no século XXI, com o facilidade do copy and paste, ainda se fazer este tipo de redação de leis, sem incorporar, no texto novo, as partes não alteradas dos articulados antigos?...

Fui ver o tal anexo. Diz que "a distância entre as copas das árvores deve ser no mínimo de dez metros nos povoamentos de pinheiro bravo e eucalipto" e de quatro metros para as outras espécies. Mais adiante explica que "as copas das árvores e dos arbustos devem estar distanciadas no mínimo cinco metros da edificação, evitando-se ainda a sua projeção sobre a cobertura do edifício". Parece razoável...

Mas de onde veio a ideia de que era preciso cortar todo o arvoredo a 50 metros à volta da casa? De onde veio o apelo a esta razia?

Fui ver o texto legal original que recebeu não sei quantas "clarificações" e "alterações": o decreto-lei 124/2006. Fiquei a saber que os 50 metros em causa são apenas a zona de responsabilidade de certos proprietários, que terão de cortar árvores nas distâncias, bem mais modestas, atrás descritas e, também, desbastar copas, reduzir arbustos e cortar matos. Parece-me aceitável.

Porém, como reportaram os jornais, graças ao zelo estúpido da Autoridade Tributária, do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (uf!), milhares de pessoas, com medo das coimas "a dobrar", esventram os seus quintais, perdem sombras, transformam em deserto pequenos oásis de verde, de fresco e de descanso...

A tradicional falta de clareza e o português opaco e aselha das nossas autoridades estão a provocar, novamente, um desastre ecológico. Que crime!...

... ou fui eu que percebi mal e tenho mesmo de cortar as minhas árvores?

Surto de gripe aviária detetado na Holanda obriga a abater 36.000 animais


Lusa26 Fev, 2018, 09:37 | Mundo

Um surto de gripe aviária suspeita de ser altamente patogénica foi detetado na Holanda, numa herdade avícola onde todos os 36 mil animais serão abatidos, revelou hoje o governo holandês.
"Um surto de gripe aviária de tipo H5 foi detetado numa herdade avícola em Oldekerk, província de Groningen (norte)", informou o Ministério da Agricultura, em comunicado.

"Esta é provavelmente uma variante altamente patogénica da gripe aviária", disse.

Para "prevenir a propagação do vírus, as 36 mil aves serão abatidas", afirmou o Ministério da Agricultura, que anunciou imediatamente a proibição do transporte de aves de capoeira, ovos, estrume e lodo numa zona de dez quilómetros ao redor da herdade.

O governo holandês já havia decidido o encerramento de todas as aves de capoeira no país, em dezembro, após um caso de gripe aviária de alta patogenicidade tipo H5 numa herdade de criação de patos, exigindo o abate de 16 mil animais.

Todas as medidas nacionais atuais, como o encerramento das aves, permanecem em vigor, acrescentou o ministério.

Um surto de gripe aviária de baixa patogenicidade também foi detetado em outubro numa quinta de crianças de galinhas. Todas as 42 mil aves de capoeira que lá estavam foram abatidas.

Um surto de gripe aviária seria outro golpe para o setor avícola holandês, depois da crise dos ovos contaminados com Fipronil que se espalharam na Europa no passado mês de agosto.

Governo moçambicano negoceia 80 milhões de dólares com Banco Mundial para irrigação agrícola


26/2/2018, 9:44

O Governo moçambicano está a negociar 80 milhões de dólares com o Banco Mundial para irrigação agrícola de pequena escala no centro do país.

O Governo moçambicano está a negociar com o Banco Mundial um financiamento de 80 milhões de dólares (64,9 milhões de euros) para irrigação agrícola de pequena escala no centro do país, anunciou esta segunda-feira fonte ligada ao projeto.

O empreendimento deverá abranger uma área de sete mil hectares nas províncias de Manica, Sofala e Zambézia, segundo António Tcheco, representante do Projeto de Irrigação e Acesso aos Mercados para os Agricultores (Irriga), citado esta segunda-feira pelo diário Notícias.

Além de expandir as áreas de irrigação, o plano tem como objetivo introduzir tecnologias no processo de produção, como forma de garantir maior produtividade.


Para António Tcheco, o projeto, com duração de cinco anos, deverá "contribuir de forma decisiva para o estabelecimento e fortalecimento das associações de pequenos agricultores".

Nas três províncias serão abrangidos quatro mil pequenos agricultores.

O Irriga é a continuação do projeto de Desenvolvimento de Irrigação Sustentável que foi também financiado pelo Banco Mundial e implementado pelo Ministério Agricultura nas mesmas províncias nos últimos cinco anos.

Jerónimo Martins reforça aposta no agroalimentar Jerónimo Martins reforça aposta no agroalimentar


Ana Marcela 25.02.2018 / 12:00 

Dona do Pingo Doce comprou herdade no Alentejo para a produção de carne bovina, e avança com nova fábrica de lacticínios em maio 

É terreno a perder de vista, centenas de cabeças de gado espalhadas pelos 1100 hectares de terreno na zona de Monte Trigo. A 30 quilómetros de Évora, a herdade alentejana é a mais recente aquisição da Jerónimo Martins Agroalimentar (JMA) para instalar a produção de bovinos da raça Angus, depois de Manhente (Barcelos) e do Cartaxo. "O projeto Angus nas três localizações tem um investimento à volta de 25 milhões de euros", dos quais "cerca de cinco milhões deverão ser realizados este ano" na construção de pavilhões para a engorda intensiva, adianta António Serrano, CEO da JMA. 

Em maio arranca a nova fábrica de laticínios em Portalegre e, até ao final do ano, o grupo quer ter fechada uma localização para instalar a terceira unidade de aquacultura. Objetivo para 2018? Aumentar a produção para suprir as necessidades dos seus dois únicos clientes: Pingo Doce e Recheio. "Em 2018 as áreas de crescimento de produção são a Angus (na ordem dos 25%) e a fábrica de leite onde devemos chegar ao final do ano com mais 30 a 40% de produção face aos 40 milhões de litros de leite por ano atuais. Em 2019 deveremos atingir a produção plena de 100 milhões de litros", diz o responsável. 

Há seis anos começaram com os primeiros estudos para a entrada na produção alimentar. O grupo de retalho pretendia assim garantir a proteção da sua cadeia de abastecimento, não só em termos de acesso aos alimentos, como ao nível de segurança alimentar. Prevê-se que a população mundial atinja os nove biliões em 2050 e que haja maior escassez de alimentos. "O peixe é um desses casos, com os stocks selvagens sob ameaça, e o consumo de peixe cada vez a aumentar mais. Daí que as empresas de retalho olhem para este produto com preocupação", explica António Serrano. 

O projeto Angus arrancou em outubro de 2015. Sete hectares de terreno em Manhente, Barcelos, com capacidade para 900 animais em engorda intensiva; seguiu-se, no ano passado, 79 hectares no Cartaxo com mil animais em permanência e, desde o início do ano, os mais de mil hectares em Monte Trigo, no Alentejo. "Uma propriedade onde podemos desenvolver várias atividades, desde a produção de Angus (que vamos iniciar de raiz), à produção de comida. Temos ainda uma vacaria de produção de leite, cerca de 30 mil litros por dia, que colocamos na nossa fábrica em Portalegre", descreve António Serrano. 

O objetivo para a herdade em Monte Trigo é a produção intensiva de carne Angus. Em breve vão começar a fazer as primeiras inseminações, para que nove meses depois nasçam os primeiros vitelos na herdade alentejana. Dependendo dos licenciamentos, começam ainda este ano a construir os pavilhões em Monte Trigo e Cartaxo para engorda intensiva dos animais, projetos que deverão exigir um investimento de cerca de cinco milhões de euros, elevando para 25 milhões em três anos a aposta do grupo no projeto. "O objetivo é termos no conjunto das três localizações em torno de 15 mil -animais num espaço de quatro a cinco anos", adianta. E com isso assegurar mais de 70% das vendas de carne Angus do Pingo Doce e do Recheio (que fornece restaurantes e hotéis)", diz. Hoje garantem apenas 25% das necessidades. 

Impacto no sector António Serrano mostra-se entusiasmado com o impacto que este projeto poderá ter no sector agropecuário. "Quando tivermos os três projetos em perfeitas condições de desenvolvimento, seremos o maior produtor de Portugal e, se calhar, o maior ibérico", diz. "Temos aqui também uma oportunidade de desenvolvimento do país e do sector, ajudando algumas redes de produtores que trabalham connosco, e aumentando a produção portuguesa, reduzindo importações: na carne de vaca importamos 50% do que consumimos. Tudo o que fizermos aqui tem impacto na nossa balança comercial", reforça. 

O impacto do projeto no sector sente-se a dois níveis. É que além de comprar vitelos aos produtores nacionais de Angus, para depois os engordar nas herdades durante 14 a 15 meses, a JMA também compra a sua alimentação localmente. 


É este efeito dinamizador que António Serrano acredita que a fábrica de leite em Portalegre possa vir a ter na região. A nova unidade, na qual o grupo injetou 40 milhões de euros, tem uma capacidade de transformação de 100 milhões de litros de leite e deverá começar com os primeiros testes em maio. O impacto na região poderá ser "outro tanto". "Com a necessidade de aumento de capacidade de produção, levando à renovação de algumas vacarias e até que apareçam outros produtores que vejam aqui a possibilidade de se ancorar num projeto industrial forte, não é difícil pensar que o projeto possa gerar outros 40 milhões na região", antecipa. 

É para a futura fábrica que será encaminhado o leite produzido na herdade em Monte Trigo, bem como o dos produtores da cooperativa Serraleite, para assegurar a produção de leite UHT, natas, "vários tipos de manteigas e leites especiais que não temos hoje, ou outro tipo de necessidade que o consumidor venha a ter", diz. Este ano a expectativa é que a produção aumente entre 30 a 40% face aos atuais 40 milhões. 

"Em 2019 deveremos atingir a produção plena." Nova unidade de aquacultura No verão começam a chegar à rede de lojas as primeiras douradas da unidade de aquacultura da Madeira, onde o grupo, em joint venture, investiu cerca de 2,5 milhões; as vendas de robalo vindo de Sines já começaram em 2017. Na Madeira preparam-se para aumentar de 500 para mil toneladas a capacidade de produção, mas as duas unidades estão longe de satisfazer as necessidades do grupo. "Entre robalo e dourada o grupo deve vender entre sete a oito mil toneladas/ano, o que significa que estes projetos têm pouca expressão face ao que precisamos", diz António Serrano. 


Por isso, procuram uma nova localização. "Gostaríamos de chegar ao final de 2018 já com uma alternativa devidamente estruturada para aumentar a produção. Estamos numa fase de estudo das regiões, Portugal e Espanha são as áreas onde estamos mais concentrados."