sexta-feira, 9 de junho de 2017

Secretário de estado da agricultura defende pac sustentável

COMUNICADO 


O Secretário de Estado da Agricultura e Alimentação, Luís Medeiros Vieira, deu hoje nota das principais preocupações de Portugal relativamente ao proceso de revisão da PAC – Política Agrícola Comum, no que toca à produção animal. Ambiente, clima, saúde, nutrição e bem-estar animal são os temas que Portugal considera prioritários neste capítulo, defendendo "uma definição de instrumentos que privilegiem modos de produção ambientalmente sustentáveis, que deverão constituir uma componente forte de uma Política Agrícola Comum moderna e altamente simplificada". O Secretário de Estado da Agricultura lembrou que "os agricultures têm uma posição privilegiada no que respeita à produção de bens públicos", pelo que estes instrumentos "são fundamentais para que no futuro esteja assegurada a sustentabilidade ambiental e a segurança alimentar".

Luís Medeiros Vieira lembrou ainda "o grande desafio da competitividade que os agricultores enfrentam, num contexto de alterações climáticas e de instabilidade dos mercados", sublinhando a necessidade de "encontrar na resiliência uma vantagem competitiva, que poderá ser alcançada através da inovação e do conhecimento. Nomeadamente", explicou, "apostando na economia digital e na agricultura de precisão como modo de utilização eficiente dos recursos".

O Secretário de Estado lembrou também que "é necessário implementar circuitos de economia circular que promovam o aproveitamento de novas fontes de alimentação para os animais, designadamente subprodutos da indústria agroalimentar, reduzindo, dessa forma, o desperdício na cadeia alimentar".

Luís Medeiros Vieira, que está a participar no V Congresso de Alimentação Animal, em Córdova, Espanha, aproveitou ainda para colocar na agenda a questão do "rendimento económico ao longo da cadeia de valor", apelando "aos diferentes operadores para que estabeleçam relações equilibradas, que a própria PAC, enquanto instrumento político, pode estimular e aprofundar".

Para os pequenos agricultores e para os jovens agricultores ficou também uma palavra de estímulo, salientando a importância da "ocupação dos espaços rurais e da renovação geracional que é necessária neste setor, cada vez mais qualificado e mais voltado para o futuro".

Córdova, 08 de junho de 2017

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Orçamento Participativo de Portugal: Propostas Agrícolas


Orçamento Participativo de Portugal: Propostas Agrícolas: https://opp.gov.pt/propostas/todas (seleccionar AGRICULTURA)


SECA: GOVERNO QUER ANTECIPAR E AGIR, PARA PREVENIR

Comunicado


Foi hoje publicada a Resolução do Conselho de Ministros que cria a Comissão Interministerial de Acompanhamento da Seca, uma estrutura que integrará os Ministros do Ambiente e Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural (que coordenam), das Finanças, da Administração Interna, da Administração Local, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, da Saúde, da Economia e do Mar. Fica em aberto a possibilidade de alargar esta estrutura a outras áreas governativas, ou mesmo à participação de municípios, caso a situação assim justifique.

Para o Governo, trata-se de criar uma plataforma de articulação ao nível político que permita antecipar medidas no âmbito do combate aos efeitos da seca, fenómeno que afeta o país e a população a diversos níveis, mas que tem repercussões específicas no setor da Agricultura.

Capoulas Santos aposta numa monitorização mais específica, que permita antecipar situações de carência de água e mitigar os problemas com que os agricultores se debatem, a diversos níveis: "tratando-se de falta de água e não sendo possível decretar que chova, o Governo deve dispor de instrumentos que lhe permitam planear e tomar medidas ajustadas às circunstâncias, mas deve fazê-lo de forma integrada, porque a dimensão e o alcance do problema extravasam, em muito, o âmbito de uma ou duas áreas de governação e vão muito para além da agricultura enquanto atividade económica, embora as suas primeiras consequências sejam sentidas por este setor".

A Comissão Interministerial terá como tarefas principais a aprovação e o acompanhamento da implementação do Plano de Prevenção, Monitorização e Contingência para Situações de Seca e a definição de orientações de caráter político no âmbito do fenómeno climático adverso da seca.

Lisboa, 07 de junho de 2017

terça-feira, 6 de junho de 2017

Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica: relatório final da consulta pública

Entre 29 de março e 12 de abril de 2017 foi colocada em consulta pública a proposta de Estratégia Nacional para a Agricultura Biológica (ENAB) que resultou do Grupo de Trabalho criado através do Despacho n.º 7665/2016, de 9 de junho, do Secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. O relatório final pode ser obtido aqui: http://www.dgadr.pt/images/docs/val/mpb/Relat_Consulta_Pub_ENAB_2017.pdf

Condutores e operadores de veículos agrícolas


A Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), através da publicação da Nota Técnica N.º 6 de 22 de dezembro de 2016, atualizada em 28 de abril de 2017; exige que a operação de máquinas e equipamentos de trabalho, com riscos específicos para a segurança e saúde dos trabalhadores (o caso de veículos agrícolas), seja efetuada somente por operadores especificamente habilitados para o efeito.

Além da habilitação legal exigida pelo Código da Estrada (Carta de condução ou Licença de condução), a ACT exige que os condutores e operadores de veículos agrícolas sejam detentores de formação habilitante, podendo esta assumir a forma de:

Licença de condução (Categoria I e Categoria II ou III, em função da tipologia do veículo agrícola); ou
Carta de condução, complementada com formação adequada para a operação com veículos agrícolas.
Assim, os detentores de Carta de condução, devem complementar a habilitação que detêm com o curso "Conduzir e operar com o trator em segurança".

O referido curso é realizado por entidades formadoras certificadas sectorialmente pelo MAFDR e reconhecido nos termos determinados na regulamentação a aplicar para a área da Mecanização agrícola e condução de veículos agrícolas, disponível no sítio da DGADR.

Cristas exige a Governo medidas de apoio devido à seca

A presidente do CDS-PP foi ministra da Agricultura no anterior Governo. 

05.06.17PARTILHE 0 0 1 / 2 

Assunção Cristas, presidente do CDS/PP

A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, exigiu esta segunda-feira que o ministro da Agricultura esclareça que medidas tem preparadas para apoiar os agricultores pela situação de seca, sublinhando que os centristas pedem a sua presença no parlamento. "É muito importante que o Ministério ponha cá fora um pacote de medidas que já vêm atrasadas, que estavam pré-preparadas, porque já há muito tempo que existe um grupo de trabalho em permanência para monitorizar as situações de seca", afirmou Assunção Cristas. 

Numa visita a uma feira do setor alimentar, em Lisboa, a líder centrista disse não entender "a ausência do ministro da Agricultura", argumentando que as queixas se sucedem por parte do setor e têm impacto, por exemplo, nas sementeiras que poderão não se fazer por escassez de água. "Há medidas estudadas do passado", insistiu a ex-ministra da Agricultura, apontando para a isenção da taxa de recursos hídricos, isenções de contribuições à segurança social, apoios ao investimento, entre outras. A presidente do CDS-PP, que foi ministra da Agricultura no anterior Governo, afirmou que "em 2011, na sequência da seca grande desse inverno e primavera, foram aplicados só do Orçamento do Estado 45 milhões de euros de medidas de apoios aos agricultores". 

Foram também "usadas todas as verbas e apoios europeus, nomeadamente antecipações de pagamentos, para ajudar à tesouraria das empresas que estavam muito aflitas pela escassez de água", sublinhou. A líder do CDS lamentou que "há um mês que o CDS no parlamento pediu a vinda urgente do ministro para explicar o que é que está a fazer em matéria de seca e neste momento o ministro ainda não foi ouvido no parlamento". 

Assunção Cristas considerou que o setor agroalimentar continua a melhorar a sua presença "no mercado interno, mas também a apostar no mercado internacional". "As empresas deste setor estão de parabéns, a fazer um trabalho extraordinário, é pena que o Governo não as ajude a abrir mais mercados", declarou.

Feira Nacional de Agricultura destaca a relevância do setor cerealífero em Portugal



Os "Cereais de Portugal" são o tema central da 54ª edição da Feira Nacional de Agricultura (FNA) /64ª Feira do Ribatejo, que decorre entre os dias 10 e 18 de junho, no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (CNEMA), em Santarém.

A escolha do tema para a edição de 2017 prende-se com a necessidade de alertar a opinião pública para um setor que é essencial à alimentação humana. Os cereais, nas suas várias formas (pão, farinhas, massas, arroz e milho), estão intrinsecamente ligados à dieta alimentar dos portugueses há muitos séculos. A sua versatilidade associada às qualidades dietéticas e nutritivas, justificam um maior esforço e empenhamento do setor agrícola nacional no sentido de divulgar os cereais de Portugal.

Para esta edição, a FNA preparou um programa para captar o público mais jovem e, também por isso, o tema dos cereais assume particular relevo. A saúde, a forma física e os cuidados com a alimentação estão no topo da lista das preocupações dos jovens e os cereais são uma das matérias-primas que melhor contribui para alcançar esses objetivos

No dia 14 de junho as organizações de produtores de cereais prepararam um programa especial dedicado a este tema, que pretende discutir "A importância da produção nacional de cereais", num seminário que conta com a presença de Luís Capoulas Santos, Ministro da Agricultura, Eduardo Oliveira Santos, Presidente da CAP.

Consulte a programação detalhada da FNA 2017: www.feiranacionalagricultura.pt

Palavras de Cristas sobre a seca são "lamentáveis e oportunistas"


O ministro da Agricultura deixou clara a sua opinião sobre as declarações de Assunção Cristas.

  
Capoulas Santos, ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, considera "lamentáveis e absolutamente oportunistas" as palavras de Assunção Cristas sobre a "situação de seca em Portugal".

Em comunicado enviado às redações, o responsável pela pasta da Agricultura recordou a antiga ministra sobre apoios dados pelo Estados. "Como a senhora bem sabe, ou deveria saber, já em outubro de 2016 foi adotado um conjunto de medidas de apoio, no montante de três milhões de euros, que beneficiaram os concelhos de Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Beja, Castro Verde, Mértola, Moura, Ourique e Serpa", disse Capoulas Santos em palavras dirigidas à candidata do CDS à Câmara Municipal de Lisboa.

Mais ainda, "o Conselho de Ministros aprovou, em 11 de maio, 'a criação de uma comissão permanente para prevenir, monitorizar e acompanhar os efeitos da seca e para elaborar um plano de contingência e estabelecer eventuais medidas preventivas'", acrescenta a mesma nota.

O Ministério da Agricultura frisou ainda que "está a monitorizar o território agrícola quinzenalmente e a realizar um levantamento exaustivo desta matéria, que está em permanente atualização", com o ministro a garantir que "no momento próprio, com rigor e seriedade, irá adotar as medidas que a situação for progressivamente justificando".

Deste modo, Capoulas Santos lamentou "a postura da deputada centrista" e acusou-a de estar a "utilizar a ansiedade e a preocupação dos agricultores para fazer um exercício de prova de vida, e até como argumento de campanha eleitoral, o que é a todos os títulos uma forma de fazer política que eu recuso e que este Governo jamais fará".

domingo, 4 de junho de 2017

País está mais urbano, mais florestal e menos agrícola

Estudo da Direcção-Geral do Território foi à procura das "dinâmicas territoriais" entre 1995 e 2010. Mais de um milhão de hectares do território nacional mudou de ocupação.
 Manuel Carvalho

MANUEL CARVALHO 31 de Maio de 2017, 7:23 Partilhar notícia

Direcção-Geral do Território concluiu que mais de 1,1 milhões de hectares mudaram de ocupação DANIEL ROCHA

Uma equipa da Direcção-Geral do Território (DGT) revisitou os estudos cartográficos sobre a ocupação do solo em Portugal entre 1995 e 2010 e acabou por produzir o retrato das mudanças que apontam para um país mais urbano, mais florestal e menos agrícola. Em termos gerais, a equipa composta por Mário Caetano, Cristina Igreja, Filipe Marcelino e Hugo Costa constatou que, entre os anos de forte crescimento económico da segunda metade dos anos de 1990 e as proximidades da crise financeira de 2011, mais de 1,1 milhões de hectares do território nacional mudaram de ocupação, o que dá uma média próxima de 75 mil hectares por ano. Mas a velocidade da mudança foi desigual no período: entre 1995 e 2007 a transformação no território ocorreu a uma velocidade quatro vezes superior ao ritmo registado entre 2007 e 2010.

Nesta mudança constatada pela análise das cartografias sobre o uso e ocupação dos solos, os especialistas constataram que a floresta portuguesa, que domina 39% do território nacional, reforçou o seu peso, com um alargamento da sua área próximo dos 200 mil hectares. Boa parte desta expansão fez-se à custa das pastagens e, principalmente, da agricultura, cuja ocupação do solo regrediu 188 mil hectares. E entre outras mudanças menos relevantes, os especialistas notaram que no espaço de um quarto de século as áreas dedicadas aos territórios artificializados, onde entram as habitações, os espaços industriais, as estradas, as ferrovias ou os aeroportos, registaram um crescimento na ordem dos 108 mil hectares. Em 2010, estes territórios representavam já 5% da área total do país.


"A área reservada ao eucalipto não pode aumentar mais", apela associação Zero
Floresta está sob a ameaça das pragas, do calor e da incúria
Eucaliptos atraem quase 90% dos investimentos privados na floresta
A análise da equipa da DGT não se ateve apenas às grandes mudanças. Nas suas análises baseadas na interpretação de fotografias aéreas, os autores procuraram avaliar a dinâmica e a natureza das mudanças à escala regional e municipal. Foi por isso possível concluir que, no total, os campos de golfe ocupavam há sete anos mais área do que os parques e jardins (3927 hectares contra 3000). Ou notar que se o Porto é o município do país com uma maior percentagem da sua área artificializada (85%), Barrancos é o concelho que menos espaço concede a essa tipologia de ocupação (0,6%). No capítulo das singularidades, Golegã é o município com maior percentagem dos solos dedicados à agricultura (79%) e Góis é o concelho mais florestal do país (a floresta ocupa 86% da sua área).

O estudo, que foi concluído este mês, apresenta ainda conclusões que contradizem o retrato da floresta produzido pelo Inventário Florestal Nacional (IFN) de 2010. Ao contrário do IFN, o estudo indica que a espécie dominante da floresta nacional é o pinheiro-bravo e não o eucalipto (1,1 milhões de hectares contra 848 mil, quando o IFN indica que o eucalipto ocupa uma área de 811 mil hectares contra 714 do pinheiro). Mas estas discrepâncias são explicadas pela metodologia usada por um e outro estudo. Os autores advertem aliás que "os objetivos dos dois programas, as especificações técnicas, a base metodológica, a nomenclatura e os conceitos utilizados são substancialmente diferentes", pelo que é "compreensível que as áreas dos usos do solo e das espécies florestais derivadas destes processos sejam diferentes". No domínio da discussão técnica ou política sobre a floresta, o que prevalece são os dados do IFN, de acordo com fontes contactadas pelo PÚBLICO.

Em Oeiras, a agricultura é porta de entrada no mercado de trabalho



Para seis utentes da associação BIPP – Inclusão para a Deficiência, a formação em agricultura terminou com uma oferta de emprego. Hoje cultivam 12 hectares, em Oeiras, e o projecto está pronto para crescer.

MARGARIDA DAVID CARDOSO 1 de Junho de 2017, 20:28 Partilhar notícia

Antes da agricultura, estas pessoas estavam "a léguas de entrarem no mercado de trabalho". Tinham capacidades para desenvolver competências mas não estavam a potenciá-las, foi o diagnóstico de Joana Santiago, presidente da associação BIPP – Inclusão para a Deficiência, que as acompanha desde 2014 no projecto de capacitação de pessoas portadoras de deficiência intelectual e de desenvolvimento - Programa Semear. Hoje, seis homens entre os 25 e 45 anos trabalham numa exploração agrícola em Oeiras. O que cultivam começou a ser vendido num mercado local. No futuro, apontam para mercados e supermercados nacionais.

Tiveram formação, ao abrigo do programa, e no final foi-lhes oferecido um posto de trabalho: 12 hectares de cultivo e dois agrónomos na chefia. Desde Dezembro, cumprem um horário das 8h às 17h, recebem o salário mínimo.

Cultivar a terra para pertencer à terra

Tomás Coimbra, um dos agrónomos, regressa à quinta depois de levar os últimos produtos para o mercado Semear, no parque empresarial Lagoas Park, em Oeiras. Lá, quatro dos trabalhadores acabavam de montar a banca de venda de fruta e legumes e compotas produzidas por um outro projecto da BIPP, o Mercado Gourmet. É assim há três semanas, sempre à quinta-feira, entre as 11h e as 19h, e a intenção é que continue.

A criação do mercado acontece quando a produção "já está encaminhada", contextualiza Tomás Coimbra. Começaram a produzir no início do ano, num terreno de 12 hectares cedido pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), na Quinta do Marquês de Pombal. Acabam de colher as primeiras culturas e começaram a plantar as que se seguem. A rúcula e os espinafres já acabaram por este ano, a abóbora está a ser plantada. Não tarda colhem-se os tomates, couve portuguesa e cenouras, melões e melancias.

Ainda não se pode dizer que a produção é biológica – "porque este solo, habituado ao pasto, implica alguns químicos autorizados nos primeiros anos" – mas é para lá que querem caminhar, explica Tomás Coimbra.

Das hortas do Semear, levaram brócolos, couve lombarda, favas e cebolas, o que ainda não chega para abastecer o mercado por completo - os outros produtos são comprados a produtores locais. Importa agora aumentar a produção e obter a certificação da Global Gap, de forma a "garantir a qualidade e segurança dos produtos", acrescentou o agrónomo. Abastecer outros mercados e supermercados e explorar culturas tradicionais são as metas que se seguem.


A escolha de culturas curtas (que duram parte do ano) não é por acaso: "Queremos habituar os clientes a uma oferta diversa". É uma questão de negócio, diz Tomás Coimbra. Joana Santiago reforça: isto "não é angariação de fundos. É trabalho, não é por caridade. Isto é uma empresa com um modelo de negócio". Apenas diferente das outras, dizem, por ser inclusiva. Já ali foram investidos 300 mil euros.

"Isto mostra à sociedade que estas pessoas são capazes de desempenhar, e bem, as suas funções", prosseguiu a presidente da BIPP. É também uma forma de empoderamento de quem "cresceu a achar que não tinha capacidade para sair de um ciclo de pobreza e exclusão social", expões Joana Santiago.

Através do Semear, a BIPP formou 36 pessoas, desde 2014, o primeiro ano do programa. 20 estão empregadas, expõe Raquel Monteiro, técnica superior da BIPP. A maioria era beneficiário do Rendimento Social de Inserção (RSI) ou do subsídio de desemprego.

A luta da Monsanto para defender o glifosato


Investigação do jornal Le Monde denuncia práticas de pressão sobre os investigadores da agência da Organização Mundial de Saúde que alertou para os possíveis efeitos cancerígenos do glifosato.

PÚBLICO 2 de Junho de 2017, 0:05 Partilhar notícia

PLATIAU/REUTERS

A empresa Monsanto tem feito vários esforços para conseguir ver prolongado o uso da substância que está na base do seu famoso herbicida Roundup: o glifosato – que tem vindo a ser associado em vários estudos a possíveis efeitos cancerígenos. Uma investigação que o Le Monde começou a publicar nesta quinta-feira, com o nome Monsanto Papers, indica que a empresa tem tentado destruir a credibilidade da Agência Internacional para a Investigação do Cancro da Organização Mundial de Saúde.

O director desta agência internacional, com sede em Paris, admitiu ao Le Monde que já tinham sido "atacados no passado com campanhas de difamação", mas nunca tinham enfrentado uma "campanha orquestrada com esta magnitude". Christopher Wild explicou que este problema arrasta-se já há dois anos, com impacto na credibilidade e integridade da instituição e dos especialistas que ali trabalham que, segundo este responsável, são "denegridos" e "assediados" por advogados. As consequências têm-se feito sentir no próprio orçamento que a agência recebe.

Comissão Europeia quer renovar a licença do glifosato por mais dez anos
Comissão Europeia quer renovar a licença do glifosato por mais dez anos
O Le Monde avança que tudo começou numa data certa: 20 de Março de 2015. Nesse dia, a agência de Christopher Wild publicou as conclusões de um estudo que conduziu sobre os efeitos do glifosato, deixando o mundo atordoado: este pesticida, dos mais célebres do mundo, foi considerado genotóxico, com efeitos ao nível do ADN, efeitos cancerígenos nos animais e "provavelmente cancerígenos" nos humanos.

A partir desse momento, advogados com ligações à Monsanto enviaram aos vários cientistas e investigadores envolvidos no trabalho cartas intimidatórias a pedir todos os documentos utilizados para chegar às conclusões publicadas. Caso decidissem não o fazer, eram ameaçados com uma acção judicial. Houve também o caso de um jornalista supostamente chamado Christopher Watts e com um mail ligado à The Economist que tentou obter informações junto dos investigadores e que fez perguntas mais intimidatórias. Na revista, ninguém sabe quem é.

Ao mesmo tempo, o Conselho Americano de Química, que defende a indústria dos Estados Unidos, terá promovido alguma influência junto de jornalistas para que publicassem histórias que comprometessem a independência da agência da OMS. O mesmo foi feito nas redes sociais. A situação, diz o Le Monde, piorou com a chegada da Administração de Donald Trump.

De acordo com dados publicados pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, em 2010 o glifosato estava registado em cerca de 130 países e é um dos herbicidas mais usados do mundo. O Le Monde estima que a sua utilização tenha aumentado de 3200 toneladas por ano, quando surgiu em 1974, para 825.000 toneladas em 2014. Se o glifosato for proibido na Europa, os analistas estimam que a Monsanto possa perder à volta de 90 milhões de euros em vendas.

O caso controverso do glifosato

Apesar destes resultados da agência da OMS, em Maio, a Comissão Europeia propôs o alargamento por mais dez anos da autorização de uso do glifosato. A contenda transatlântica sobre os possíveis riscos para a saúde humana do glifosato motivou investigações de comités do Congresso dos Estados Unidos, e a Europa tem sido forçada a atrasar a reautorização de um dos produtos que a Monsanto mais vende, o herbicida Roundup.

A decisão da comissão tem como base um outro estudo, publicado em Março pela Agência Europeia de Produtos Químicos (Echa), que preparou o caminho para a decisão da Comissão Europeia recomeçar as negociações com os Estados-membros sobre a reautorização da licença do glifosato, apesar da oposição dos grupos ambientalistas. Aquele organismo da Comissão Europeia, que regula as substâncias químicas e biocidas, disse que o glifosato, o ingrediente principal do Roundup, não era uma substância cancerígena. Também a Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar, uma agência independente financiada pela União Europeia, considerou "pouco provável que [o glifosato] tenha perigo carcinogénico para os humanos".

Ambientalistas querem banir herbicida mais utilizado em Portugal
De acordo com dados publicadas pela Agência Internacional para a Investigação do Cancro, em 2010 o glifosato estava registado em cerca de 130 países e é um dos herbicidas mais usados do mundo.

A Monsanto, que teve em 2015 receitas de 15 mil milhões de dólares, actua em vários mercados e é conhecida sobretudo pelas sementes geneticamente modificadas, que têm suscitado críticas por parte de ambientalistas e de alguns grupos de defesa do consumidor. O recurso a estas sementes é muito mais frequente nos EUA do que na Europa, mas a Monsanto vende sementes de milho geneticamente modificado dentro da União Europeia.

Governo duplica apoios à reestruturação da vinha

26/5/2017, 13:08

O Governo vai duplicar o apoio à reestruturação e reconversão da vinha permitindo que sejam contempladas, em 2017, candidaturas até cerca de 80 milhões de euros, disse o ministro da Agricultura.

O ministro da Agricultura disse que a medida VITIS, Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha, foi, "provavelmente, o programa europeu que melhor sucesso teve em Portugal"

TIAGO PETINGA/LUSA


O Governo decidiu duplicar o apoio à reestruturação e reconversão da vinha permitindo que sejam contempladas, em 2017, candidaturas até cerca de 80 milhões de euros, disse à Lusa o ministro da Agricultura.

Luís Capoulas Santos afirmou que este valor, que duplica o concurso já aberto, no montante de 40 milhões de euros, anunciado no parlamento, irá contemplar praticamente todas as mais de 2.800 candidaturas apresentadas, abrangendo cerca de 5.100 hectares de vinhas.

Iremos assim dar um contributo muito importante para que a reestruturação da vinha em Portugal acelere, para que os excelentes vinhos portugueses, que todos os dias ganham prémios em mercados internacionais, se afirmem cada vez mais", o que é uma "boa notícia para os viticultores portugueses", referiu.
Capoulas Santos adiantou que a medida VITIS, Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha, foi, "provavelmente, o programa europeu que melhor sucesso teve em Portugal", salientando o "orgulho" por ter estado ligado ao seu lançamento, há 15 ou 16 anos.

"É um programa que fez muito por aquilo que é o setor da vinha em Portugal, porque permite, de uma forma muito simples e com apoios financeiros muito generosos, reestruturar as antigas vinhas por novas, bem localizadas, com as castas mais adequadas, enfim, com todos os requisitos técnicos que a nova vitivinicultura exige", declarou.

Cereja do Fundão dá 20 milhões por ano à economia local Fundão tem 300 produtores de cereja.

22.05.15

Paulo Fernandes, presidente da Câmara Municipal do Fundão

A cereja do Fundão e os produtos criados com esta matéria-prima representam mais de 20 milhões de euros por ano na economia local, revelou esta sexta-feira o presidente da autarquia, defendendo a necessidade de valorização dos produtores agrícolas. 

Na apresentação da campanha de promoção da cereja para 2015, em Lisboa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, afirmou que o maior desafio é "dar o máximo de valor aos produtores", referindo que em 2014 o preço que lhes foi pago bateu "o recorde absoluto". "No ano passado, estivemos muito perto de pagar dois euros em média ao produtor por quilo de cereja", disse o autarca, acrescentando que o trabalho de promoção deste produto local está a potenciar o valor pago para a economia local. 

Fundão tem 300 produtores de cereja  Existem cerca de 300 produtores de cereja no Fundão, distrito de Castelo Branco, que dão emprego direto, durante a época da cereja, a perto de duas mil pessoas, disse o presidente Paulo Fernandes. Por ano, o concelho colhe "perto de seis mil toneladas de cereja", o que equivale a mais de 50% da cereja nacional. 

"A economia da cereja é já muito mais do que vender quilos de cereja", frisou o autarca, esclarecendo que "vale mais de 20 milhões por ano". Num concelho com perto de 28 mil pessoas, "é um valor muito significativo", admitiu o presidente da Câmara do Fundão.

PSD questiona Governo sobre abate de sobreiros centenários na Tapada de Mafra


3/6/2017, 15:08
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PSD questionou Governo sobre abate de sobreiros centenários na Tapada de Mafra, violações do Plano de Gestão Florestal e Plano Diretor Municipal e morte de crias de Açor pelo uso de maquinaria pesada.

O PSD questionou o Governo sobre o abate de sobreiros centenários na Tapada de Mafra, violações do Plano de Gestão Florestal e Plano Diretor Municipal (PDM) e a morte de crias da ave Açor pelo uso de maquinaria pesada.

O arranque de sobreiros centenários por parte da direção da Tapada Nacional de Mafra foi noticiado pelo jornal Público em maio, levando a posições públicas da associação ambientalista Quercus, que disse que o derrube das árvores não teve "a prévia e obrigatória" autorização do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF).

Numa pergunta dirigida ao Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, os deputados sociais-democratas Carlos Silva, Duarte Pacheco, Joana Barata Lopes e Sandra Pereira questionam se, de facto, o abate ocorreu, qual o seu alcance e os atos administrativos envolvidos.

A alegada morte de crias de Açor – uma ave protegida -, devido à utilização de maquinaria pesada, é outra das questões colocadas, assim como a abertura de caminhos, identificados pela Quercus como violando o PDM e o Plano de Gestão Florestal.

O PSD coloca ainda questões sobre a orgânica do Tapada Nacional de Mafra, gerida por uma Cooperativa de Interesse Público de Responsabilidade Limitada desde 1998, designadamente a exoneração daquela estrutura de representantes do ICNF e do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), e "o racional" destas decisões com a manutenção da diretora no cargo.

"Qual o Plano Estratégico que o Governo tem para a Tapada Nacional de Mafra? Quais os prazos e os parceiros essenciais para a sua implementação", questionam.

Cimeira inédita sobre futuro do vinho reúne mais de 100 empresas de 14 países em Cascais

3/6/2017, 13:26

Mais de 100 empresas de 14 países vão participar, na próxima semana, em Cascais, na primeira edição do Wine Summit, que tem como mote debater o futuro nas várias vertentes do vinho.


Mais de 100 empresas de 14 países, sobretudo da Europa, vão participar, na próxima semana, em Cascais, na primeira edição do Wine Summit, que tem como mote debater o futuro nas várias vertentes do vinho.

Em declarações à agência Lusa, Rui Falcão, um dos promotores, enumerou os dois principais motivos para os participantes pagarem mais de 700 euros para esta cimeira de três dias, de 7 a 9 de junho: "o networking (rede de contactos), tendo em conta que os inscritos são sobretudo decisores, mas sobretudo pela parte cientifica".

"O propósito do Wine Summit é pensar no futuro, naquilo que são as grandes tendências para o mundo do vinho, numa forma global. O que é decisivo para quem tem de tomar decisões", comentou.

O promotor referiu que esta é uma conferência dirigida a profissionais e onde estarão "algumas das pessoas mais influentes do mundo do vinho, nos seus vários aspetos", num investimento de cerca de 600 mil euros.

Com o objetivo de se tornar no evento anual "mais procurado e esperado" no setor, a cimeira do vinho vai tornar-se pela primeira vez uma realidade graças ao seu "caráter inédito, ao juntar o mundo do vinho numa abordagem transversal", pela "ideia de discutir o futuro e pela credibilidade da organização", segundo Rui Falcão.

O promotor também acrescentou à lista de justificações o "facto de ser em Portugal, que é um país que está em ascensão mediática, e que ao mesmo tempo, apesar de ser muito importante no mundo do vinho, acaba por ser um grande desconhecido internacionalmente".

O responsável perspetiva que a primeira edição seja a "primeira de muitas, seguramente".

"E o nosso objetivo, que não é nada modesto, é transformar o Wine Summit num dos eventos mais marcantes do ano internacional e que se torne no evento mais procurado e esperado do ano internacionalmente no mundo do vinho", admitiu.

Da lista de sessões, no Centro de Congressos do Estoril, constam temas como produção de vinho em altitude, 'marketing', turismo, identidades regionais, tendências de consumo, a eventual influência asiática na redefinição de paladares ou as variedades desconhecidas de vinhas.

Segundo a organização, a cimeira reúne 20 oradores de 10 países e a lotação é limitada a 500 pessoas.

Portugal é o 11.º produtor mundial de vinho e o 5.º maior europeu, com as exportações a atingirem 727 milhões de euros em 2016.

sábado, 3 de junho de 2017

Já se prefigura seca “terrível” para a agricultura no Alto Alentejo

Há 20 anos, a água potável que existia no planeta, por habitante, era "quatro vezes mais do que a que temos hoje" alertou, em Beja, o comissário europeu Carlos Moedas.

CARLOS DIAS 2 de Junho de 2017, 19:07 Partilhar notícia

O que se previa há pouco mais de um mês, está a confirmar-se no Alto Alentejo. A região enfrenta um período de "seca terrível", reconheceu ao PÚBLICO, Fermelinda Carvalho, presidente da Associação Agricultores do Distrito de Portalegre (AADP).

No último Inverno, a precipitação foi diminuta e as culturas arvenses de Outono/Inverno foram irremediavelmente afectadas. "Os agricultores semearam na expectativa de que chovesse". Mas a precipitação acabou por ser muito escassa e agora "as searas estão muito curtas e por isso não vai haver palha nem grão". Já se antecipa uma produção cerealífera "muito baixa" descreve a presidente da AAPD, dando ainda conta do que está a suceder ao pasto que resta: no período estival, o aumento do calor vai deixar nos prados um alimento "sem qualidade" para o gado.

Nestas circunstâncias, a realidade, a curto prazo, pode ser dramática. A possibilidade de alimentar os animais à mão com forragens e palhas é tida como muito provável, dada a escassez de alimento na região, mas a sua aquisição pode atingir valores proibitivos.

Os produtores pecuários temem ainda que a falta de água, que já é patente, venha a colocar em causa o abeberamento do gado. No campo das opções e colocados perante situações extremas, os agricultores "preferem não cultivar as terras adeixar o gado sem água", vinca Fermelinda Carvalho, igualmente preocupada com a falta de humidade no solo, circunstância que "potencia a deflagração de incêndios", impedindo os agricultores de fazer as searas de Primavera/Verão.

As consequências da ausência de chuva, no norte alentejano, vão além do cenário já descrito: "as barragens e charcas particulares estão sem água e os furos artesianos "não rebentam" ou seja, estão secos", observa a dirigente associativa.

Nas circunstâncias actuais salvaguardam-se, até ver, as explorações agrícolas que recebem água das barragens públicas, como a do Caia, por armazenar alguma água. No entanto, as barragens do Xévora e Abrilongo apresentam baixos níveis de armazenamento, obrigando a limitar o fornecimento de água para os regadios.

Fermelinda Carvalho constata que "há 20 anos havia um ano mau de tempos a tempos" mas, ao longo da última década, "a maioria dos anos foram maus" em termos de escassez de água e de temperaturas

Ao contrário do que se possa pensar, a água do Alqueva "não chega ao Alto Alentejo", lamenta a presidente da associação de agricultores, advogando a construção de mais reservas de água na região para contrariar os efeitos "dramáticos" associados às alterações climáticas que, na sua opinião, "são um facto incontornável".

Na sua mais recente deslocação a Beja, em meados de Maio, o comissário europeu Carlos Moedas, responsável pelas pastas da Investigação, Ciência e Inovação, destacou dois temas "importantes para o futuro": Alimentação e água. "Como vamos resolver o problema da água, que é dos mais complexos que temos à nossa frente" é o desafio que a União Europeu vai enfrentar, sobretudo nos países mediterrânicos, realçou Carlos Moedas, explicando que "há 20 anos, a água potável que existia no planeta, por habitante, era quatro vezes mais da que existe hoje".

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Assim, os Governos de Portugal e Espanha vão dar corpo ao projecto PRIMA que envolve um investimento de 400 milhões de euros (a União Europeia vai disponibilizar 220 milhões de euros), para desenvolver tecnologia e inovação nas áreas da produção agro-alimentar e da água.

"Se não resolvermos os temas da água e da alimentação no futuro vamos ter um dos maiores problemas que a humanidade pode enfrentar, ou então como diz Stephen Hawking, vamos ter que descobrir outros planetas para viver, dentro de 100 anos" alertou o comissário europeu.

A AADP já enviou um ofício ao ministro da Agricultura, Capoulas Santos, a inteirá-lo do que se passa no distrito de Portalegre. "Não pretendemos a concessão de subsídios", sublinha Fermelinda Carvalho, frisando que os agricultores pretendem apenas a abertura de programas no PDR 2020, que possibilitem a "abertura de furos e a aquisição de equipamentos para assegurar o abeberamento do gado". E, sobretudo, que a comissão de seca já anunciada por Capoulas Santos "dê resposta rápida aos problemas que já existem", apela a presidente da AADP, uma associação de que fazem parte 3800 agricultores do distrito de Portalegre e ainda dos concelhos de Vila Velha de Ródão, Idanha-a-Nova e Penamacor, no distrito de Castelo Branco.

terça-feira, 30 de maio de 2017

Primeira fábrica de farinha de trigo de Angola quer potenciar agricultura

Primeira fábrica de farinha de trigo de Angola quer potenciar agricultura

A primeira fábrica de farinha de trigo angolana, inaugurada esta sexta-feira em Luanda após um investimento de 90 milhões de euros, vai permitir incentivar a produção nacional de milho, ainda reduzida, perspectivaram hoje os promotores.


26 de maio de 2017 às 15:51

Instalada no porto de Luanda, numa área de aproximadamente 30.000 metros quadrados, a unidade da Grandes Moagens de Angola (GMA) vai produzir 1.200 toneladas de farinha de trigo por dia, das quais 260 toneladas em farelo para complemento de ração animal, trabalhando 24 horas por dia, todo o ano.
 
"É uma indústria com tecnologia de ponta destinada a satisfazer a procura local", explicou o administrador da GMA, César Rasgado, acrescentando que a fábrica vai permitir satisfazer 60% da farinha de trigo que é consumida em Angola, avaliada anualmente em cerca de 500.000 toneladas.
 
"Estamos a falar já com as entidades para incentivar e promover os produtores de trigo localmente e com a disponibilização de farinha de trigo no mercado vamos permitir que o seu acesso por indústrias de massas, biscoitos e de panificação industrializada", acrescentou o responsável.
 
Diminuir a importação de farinha de trigo em Angola e promover a produção de farinha de trigo e dor próprio trigo localmente é o objectivo dos promotores, que numa primeira fase terão de importar matéria-prima diretamente na Europa, América e Ásia.
 
Na inauguração da fábrica, que garante 150 postos de trabalho directos, o ministro da Economia de Angola, Abraão Gourgel, considerou que com a nova indústria de farinha de trigo no país o preço do pão no mercado será mais estável.
 
"Garantir uma certa estabilidade de fornecimento de farinha de trigo aos panificadores, por isso o preço do pão, vai, não diria reduzir, mas vai certamente ser mais estável", disse.
 
Com a fábrica a funcionar em pleno, o Governo angolano prevê cortar em 60% nas importações de farinha de trigo, estimando uma poupança anual de 100 milhões de dólares (90 milhões de euros).
 
"Acho que é uma grande redução e é uma grande contribuição para a diminuição das importações", disse, por seu turno, a ministra da Indústria, Bernarda Martins. "É evidente que não vamos cobrir a importação de farinha de trigo na sua totalidade mas na velocidade do cruzeiro nós vamos conseguir ter um mercado coberto", apontou ainda.
 
A governante defende que esta fábrica vai fomentar o surgimento de pequenos produtores de trigo a nível do país. "Temos a certeza que este projecto não vai ficar por aqui, ele vai continuar a trabalhar sendo que é um projeto que depende neste momento de matéria-prima e vai fomentar outras iniciativas, essencialmente com os pequenos produtores de trigo no país", realçou Bernarda Martins.

Floresta não é um problema e “tem de ser uma oportunidade”


LUSA / COIMBRA / 27 MAI 2017 / 17:55 H.

Foto Lusa

O primeiro-ministro, António Costa, realçou hoje que o país não pode só ouvir falar de floresta quando se chega ao verão e começam os incêndios, sublinhando que esta tem de ser encarada como uma oportunidade.

"O país só ouve falar de floresta quando chegamos ao verão e começam os incêndios. A floresta não é um problema. A floresta tem de ser uma oportunidade de criação de valor", disse o primeiro-ministro, que falava na inauguração do BLC3, campus de tecnologia e inovação de Oliveira do Hospital, no distrito de Coimbra, que se foca na conversão de mato inculto e resíduos agroflorestais em substitutos de petróleo.

Para o líder do Governo, "há que reconstruir uma economia com base na floresta".

Se hoje a população já não usa "os gravetos", pequenos pedaços de madeira das matas para cozinhar, há que encontrar "novas formas de aproveitar" esses gravetos, "toda essa biomassa", notou.

Exemplo disso é o BLC3, que trabalha em desenvolvimento de tecnologia que possa transformar a biomassa "em combustível", apontou António Costa.

Essa transformação "permite dar um novo valor económico", ao mesmo tempo que assegura a limpeza das florestas e poupa "ao país muito dinheiro", que gasta na importação de combustível, vincou o primeiro-ministro.

"É um excelente exemplo de como podemos casar tudo: investimento com conhecimento, a valorização desse conhecimento do ponto de vista económico - desenvolvendo o que está por desenvolver - e ainda conseguir com isto um melhor equilíbrio energético" e tornar o país "menos dependente da importação de combustível fóssil, afirmou.

Durante o discurso na cerimónia de inauguração, António Costa voltou a repetir várias das ideias que já tinha espelhado em Góis e Tábua, falando da necessidade de emprego qualificado, da importância do investimento em infraestruturas rodoviárias e da necessidade de uma economia forte.

Também neste discurso, e pela terceira vez hoje, António Costa pediu emprestadas as palavras ditas por Jorge Sampaio em 2003, na cerimónia do 25 de Abril, realçando que também o BLC3 é uma prova de que "há bastante mais vida para além do orçamento".

"Em vez de dizermos para [os jovens] irem para fora procurar o vosso futuro, é essencial criar condições para ficarem e construírem o vosso futuro, o nosso futuro, o futuro do país aqui, em Portugal", frisou, considerando que tal "é possível e é possível em territórios que podiam ser considerados mais frágeis".

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Neste supermercado a comida é gratuita


25.05.2017 18:07 por Nuno Paixão Louro 265

A ideia é oferecer alimentos que estão em condições para ser consumidos, mas que estão fora, a acabar, o prazo de validade, em vez de acabarem na lixeira
 
Baseado na filosofia 'leve o que precisar, dê o que puder' foi criado em Sidney, na Austrália, um supermercado em que não há etiquetas de preços, nem promoções, simplesmente porque os clientes deste serviço não têm de pagar nada.

A ideia é combater o desperdício, evitando que comida de qualidade acabe no lixo em vez de ir parar às mãos de quem precisa. O pagamento pode até ser feito em abraços, porque, como garante a organização, "o amor não tem prazo de validade".

A OzHarvest, que idealizou a iniciativa pop-up, é uma organização australiana de solidariedade que recolhe comida em boas condições para ser consumida, mas que iria para o lixo, devido aos prazos de validade, e faz a ponte entre supermercados, restaurantes, hotéis, mercados e produtores, e as associações que a entregam a quem necessita. 



Governo quer Estatuto para Pequena Agricultura Familiar


24 DE MAIO DE 2017 - 17:34

O anúncio foi feito durante a interpelação do PCP sobre a necessidade de promover a Produção Nacional, depois de "mais de uma década perdida".


O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou que o Governo vai preparar o Estatuto para a Pequena Agricultura Familiar.

"Numa lógica horizontal, envolvendo vários ministérios para concentrar o conjunto das ajudas possíveis para defender e revitalizar este importante setor, não só económico mas também social", disse o ministro.

Antes, na interpelação agendada pelo PCP, Francisco Lopes tinha lamentado " mais de uma década perdida" na defesa da produção nacional.

"Por muito importante que seja o crescimento económico neste ou naquele trimestre, tal não pode servir para ocultar a necessidade de medidas que assegurem um desenvolvimento sólido e consistente", avisou Francisco Lopes.

Do lado do Governo, na abertura do debate, Manuel Caldeira Cabral, titular da Economia, citou os dados positivos da economia.

"Há um ano, a economia estava a crescer 0,9%, hoje está a crescer três vezes mais. Apanhámos um comboio a desacelerar e o comboio está hoje a acelerar e a crescer 2,8%", sublinhou Caldeira Cabral.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Prevenir fogo florestal combatendo a negligência


Foto: Artur Machado/Global Imagens


EDUARDO PINTO
20 Maio 2017 às 15:13


No rescaldo de cada época de incêndios florestais em Portugal nunca falta a discussão sobre a prevenção. Ou a falta dela. A verdade é que, apesar do reforço de meios e das medidas tomadas, o país arde todos os anos. E este ano a tragédia até começou cedo, com mais de 13 mil hectares já queimados, na sequência de quase cinco mil ignições.

Rogério Rodrigues, presidente do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), adianta, ao JN, que "é um erro dizer que no país não se faz prevenção estrutural", pois "gastam-se milhões de euros durante todo o ano". Reconhecendo a dificuldade em fazer repercutir esse investimento no balanço final de cada época, salienta que "há que apostar mais no homem". É que "quase todos os incêndios ocorrem por ação humana" e, "retirando a fatia ligada ao crime, a maior parte das ocorrências está relacionada com negligência".

Ora, bastou um mês de abril de "terrível secura, quase comparável a qualquer mês de verão", para se ter um cenário de "queimadas e queimas como se estivéssemos num normal período de primavera ou inverno". Isto gerou naquele mês deste ano um número de incêndios que consumiram uma área superior a 11 mil hectares. "Isto não pode acontecer num país com o nível de civilização que temos", vinca Rogério Rodrigues, reiterando que "é preciso apostar mais nas pessoas para retirar esse nível de negligência".

Não se pode limpar tudo

Sobre a limpeza de matas e florestas, o presidente do ICNF realça que "é um mito dizer-se que todo o centímetro quadrado tem de estar absolutamente limpo". Justifica que "é impraticável, é utópico e é contra a natureza". Sublinha que "esta precisa de todas as espécies e a biodiversidade também".

O presidente da associação ambientalista Quercus, João Branco, concorda que limpar tudo é uma tarefa difícil de concretizar, até porque é muito dispendiosa, pelo que "a solução global passa pelo cumprimento da legislação e da efetiva elaboração e execução dos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios. Não era preciso mais nada".

De acordo com João Branco, "as campanhas de sensibilização são importantes, mas são claramente insuficientes". É que "quando muito influenciam o número de incêndios que são causados por negligência". Porém, grande parte deles são intencionais e, quanto a esses, "a prevenção nada consegue", uma vez que "quem anda a atear fogos não é sensível aos argumentos usados nas campanhas. Muitas vezes, até há interesses por trás".

O mesmo responsável defende ainda que têm de ser implementadas medidas como "a silvicultura preventiva". Passam pela "limpeza e bom estado dos caminhos florestais e de aceiros", bem como a "criação de faixas de descontinuidade de combustível", e estão previstas na lei e nos planos municipais de defesa da floresta contra incêndios.

ASAE apreendeu 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas


22/5/2017, 15:55

A ASAE instaurou seis processos de contraordenação e apreendeu cerca de 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas, numa fiscalização a matérias fertilizantes que decorreu em todo o país.


MARIO CRUZ/LUSA


A ASAE instaurou seis processos de contraordenação e apreendeu cerca de 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas, numa fiscalização a matérias fertilizantes que decorreu em todo o país, indicou esta segunda-feira fonte daquele organismo.

Em comunicado, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) adianta que foram fiscalizados 53 operadores económicos, tendo resultado da operação a instauração de seis processos de contraordenação e apreensão de cerca de 800 unidades de adubos e corretivos agrícolas, no valor aproximado de 1.700 euros.

Como principais infrações detetadas, a ASAE salienta o incumprimento dos requisitos respeitantes aos adubos, a falta de inscrição prévia no registo nacional de matérias fertilizantes não harmonizadas, a aposição indevida da marcação CE, o incumprimento dos requisitos obrigatórios de rotulagem e a falta de mera comunicação prévia.

Segundo a ASAE, a fiscalização decorreu em todo o país e teve como principal objetivo a verificação dos requisitos obrigatórios de comercialização das matérias fertilizantes.

Seca já afeta agricultura


23 DE MAIO DE 2017 - 23:09

O problema da falta de água na bacia do Sado já se fez sentir na produção agrícola de inverno mas vai ser mais grave nas culturas de primavera e verão, denuncia a Federação Nacional de Regantes.


Milhares de pessoas numa vigília de homenagem às vítimas


O presidente da Federação Nacional de Regantes, José Núncio, revelou à TSF que os agricultores já não estão a instalar muitas das áreas de terrenos com culturas de verão "porque não haverá água suficiente para as regar".

Milho e arroz vão ser as culturas mais afetadas e a alimentação dos animais pode vir a ser um problema.

"Não haverá pasto suficiente para armazenar para o verão e por isso vai ter que se recorrer a rações", explica José Núncio.

domingo, 14 de maio de 2017

Madeira: Miguel Albuquerque recusa a exploração dos produtores de banana


Económico Madeira
 31 Jan 2017


Presidente do Governo Regional afirmou em Câmara de Lobos, Madeira, que o seu executivo não permitirá a exploração dos produtores de banana regional.


Durante a visita efetuada ao Centro de Horticultura das Preces, Miguel Albuquerque acrescentou que a banana da Madeira "é a mais bem paga da Europa e aquela que está organizada no sentido de conseguir o melhor rendimento para os produtores".

"Enquanto eu for Presidente do Governo, a comercialização e o processamento da banana será feito pela GESBA (empresa regional responsável pela recolha e comercialização da banana regional). Há quem queira entrar para baixar os preços, desregular o mercado e ganhar dinheiro à custa dos produtores. Mas não vou permitir que isso aconteça", disse.

Durante a visita, e interpelado pelos jornalistas sobre alegados descontentamentos relacionados também com o pastoreio de gado na serra, Miguel Albuquerque reafirmou que o Governo não está contra o pastoreio.

"Já passamos mais de 100 licenças para pastoreio ordenado. Com regras. Não podemos é abandonar o gado livremente na serra, para causar erosão e depois termos consequências graves", argumentou.

O Centro de Horticultura das Preces, em Câmara de Lobos, sofreu diversas obras de beneficiação por forma a poder ajudar de forma mais eficaz os agricultores regionais e revitalizar o setor. Nesta infraestrutura são produzidas para fornecimento aos agricultores 1.275.000 plantas. O Centro de Horticultura dedica-se fundamentalmente ao desenvolvimento de sementes para posterior entrega aos agricultores.

Líder da CAP: "Se não houver regadio não há agricultura empresarial"

O presidente da CAP, Eduardo Oliveira e Sousa, defende que a agricultura em Portugal, para ter interesse económico, tem que ter regadio.

Celso  Filipe Rosário Lira Celso Filipe cfilipe@negocios.pt 

13 de maio de 2017 às 21:00

A agricultura em Portugal, para ter interesse económico, tem que ter regadio. "Se não houver regadio não há agricultura empresarial em Portugal" afirma Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da CAP (Confederação de Agricultores de Portugal).
 
Eduardo Oliveira e Sousa, que tomou posse a 19 de Abril, substituindo no cargo João Machado, que durante 18 anos liderou a CAP, diz que é preciso fazer uma aposta no armazenamento de água, replicando o modelo do Alqueva.
 
"A seca veio para ficar e ficou" afirma Eduardo Oliveira e Sousa, na Conversa Capital, uma entrevista conjunta entre o Negócios e a Antena 1, que pode ler na íntegra na edição impressa de segunda-feira, 15 de Maio.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Agricultura ainda é feita à mão em 98% dos terrenos de cultivo em Angola



O trabalho manual das terras agrícolas, com recurso a enxadas, ainda é utilizado em 98% dos terrenos em Angola, em contraponto com o reduzido recurso à mecanização nos cerca de cinco milhões de hectares de cultivo.

A informação foi avançada hoje pelo ministro da Agricultura de Angola, Marcos Alexandre Nhunga, durante uma reunião com agentes económicos ligados à banca comercial, empresas do setor do agrícola, seguradoras e outros, tendo afirmado que apenas 2% dos hectares de cultivo do país são preparados com "recurso a mecanização e tração animal".

"A atividade de produção agrícola no país debate-se com o problema do baixo uso de mecanização na preparação de terras", admitiu.

Angola vive desde finais de 2014 uma profunda crise económica, financeira e cambial devido à queda do preço do barril de petróleo no mercado internacional, com o ministro angolano a admitir consequências negativas no setor, como a falta de meios de apoio à produção agrícola.

"Com a retração da atividade económica, vários meios e equipamentos de trabalho detidos pelas empresas de construção civil, tais como tratores, camiões e outros, incluindo a mão-de-obra, ficaram praticamente inativos. Estando muitos deles parqueados nos estaleiros", observou.

Neste encontro, que juntou empresários angolanos e estrangeiros do agronegócio para apresentação de oportunidades de investimentos no setor, o governante admitiu que os meios "ociosos" de mecanização agrícola "podem ser, facilmente, reconvertidos para a realização de atividades agrícolas".

"Diante da realidade que algumas empresas atravessam, imposta pela conjuntura económica, uma alternativa segura para as vossas empresas hoje seria o aproveitamento das oportunidades existentes no setor agrário investindo no agronegócio", alertou, dirigindo-se aos empresários.

Marcos Alexandre Nhunga referiu ainda que apesar de Angola dispor de "solos de elevada aptidão agrária, abundantes recursos hídricos e uma expressiva faixa da população dedicada às atividades do campo", atualmente "a produção interna ainda, em muitas culturas, não satisfaz as necessidades de consumo".

"A realização plena do potencial do setor agrário nacional, como motor da segurança alimentar e promotor do desenvolvimento socioeconómico do país, depende, em grande medida, da eficiência e eficácia com que decorrem as atividades produtivas dentro de cada um dos seus subsetores", concluiu.

Astronautas da NASA vão ter estufa agrícola em Marte

Para estabelecer uma colónia humana em Marte, como é objetivo da NASA, os astronautas vão precisar de comer. Mas Marte é um planeta que já não é capaz de suportar vida, e idas ao supermercado estão fora de questão. A solução é tentar aproveitar qualquer nutriente que esteja no solo, ao mesmo tempo que se tenta simular o ambiente terrestre. E essa já foi providenciada pela Universidade do Arizona.

A sua Faculdade de Agricultura e Ciências de Vida (CALS) criou o protótipo do que se espera ser uma estufa para produção agrícola, que vai poder ser utilizada em planetas que não podem suportar vida humana. Chamada Estufa Lunar/Marciana, vai poder permitir a qualquer missão humana de longo prazo criar os seus próprios vegetais. Estes não vão só providenciar comida, mas também reciclar oxigénio.

O conceito foi chamado de "sistema de suporte de vida bio-regenerativo. A ideia é providenciar alimento para os astronautas, restaurar o ar respirável e fazer filtração e reciclagem da água e de todos os dejetos produzidos. Desta forma, este ambiente vai poder estar sempre em circuito fechado, sem perdas de matéria e energia. Sendo especializada em agricultura, a CALS Arizona está a analisar quais são as plantas e sementes mais apropriadas para a missão da NASA.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Prevê-se período de seca, diz ministro da Agricultura



O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, disse esta terça-feira que há indícios que apontam para a previsão de um período de seca.

"Neste momento, estamos apenas numa situação em que há indícios claros de que poderemos vir a ter um período de seca, não há neste momento ainda prejuízos imediatos e evidentes" na agricultura, declarou Luís Capoulas Santos aos jornalistas.

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, falava esta terça-feira na conferência internacional "A Herança Cultural da Dieta Mediterrânica", que se realiza até quarta-feira na Universidade do Algarve.

SECA PODE PÔR EM RISCO 30 MIL HECTARES DE CULTURAS NO ALENTEJO

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) indicou no início de maio que 96% do território de Portugal continental estava em abril em situação de seca fraca a moderada, o que representa um aumento de 20% em relação a março.

De acordo com o IPMA, as regiões do Norte e Centro foram as mais afetadas no último mês, com um aumento significativo da área em situação de seca, com a região do Algarve a ser a única a não se encontrar nessa situação.

Lembrando que o fenómeno é característico do Mediterrâneo e que ocorre em Portugal, habitualmente, de dez em dez anos, Capoulas Santos frisou que a seca é um "risco" para a atividade económica, nomeadamente, a agricultura, sendo possível mitigar os seus efeitos.

"A água nas barragens, estando em níveis mais baixos, não é suscetível de comprometer a campanha do regadio, mas é um assunto que o Governo, naturalmente, acompanha dia a dia e a cada momento e, sempre que se justifique, não deixará de acionar as medidas adequadas", referiu.

Produção de azeite quadruplicou na última década, com as exportações a triplicarem
O ministro da Agricultura lembrou que adotou em novembro um conjunto de medidas de apoio financeiro no baixo Alentejo para que os agricultores pudessem abrir furos ou adquirir equipamentos para transportar a água.

Relativamente à exportação de produtos alimentares relacionados com a dieta mediterrânica, o governante apontou um crescimento das exportações de fruta em 15%, nos meses de janeiro e fevereiro.

A produção de azeite quadruplicou na última década, com as exportações a triplicarem no mesmo período.

Em crescimento, encontra-se também a exportação de frutos secos, que sofreu uma "grande evolução", concluiu.

Governo defende e promove a dieta mediterrânica

COMUNICADO

O Ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural presidiu esta manhã à Sessão de Abertura da Conferência Internacional "A Herança Cultural da Dieta Mediterrânica", uma iniciativa organizada pelo Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural em parceria com a Universidade do Algarve e a Câmara Municipal de Tavira.

Esta conferência marca o ponto alto da presidência rotativa da Dieta Mediterrânica (DM), que é exercida neste momento por Portugal. Além do nosso país, o grupo dos países da DM integra o Chipre, a Croácia, Espanha, Grécia, Itália e Marrocos.

Capoulas Santos explicou que "o Governo procura traduzir nas suas políticas ações e medidas concretas que contribuam para a produção, a comercialização e o consumo de produtos integrantes da DM", dando nota de que é intenção do Governo "no âmbito da estratégia e do plano de ação para a agricultura biológica, que serão brevemente submetidos a Conselho de Ministros, adotar um conjunto de medidas, contemplando muitas delas, produtos mediterrânicos, das quais destacaria a sua introdução nas ementas escolares".

O Ministro da Agricultura sublinhou que "o Governo tem em execução medidas que visam criar e estimular os circuitos curtos de comercialização e mercados de proximidade, por forma a escoar pequenas produções de qualidade, preferentemente associadas a denominações de origem, e, ao mesmo tempo defender a pequena agricultura familiar para a qual adotou já um conjunto de medidas de discriminação positiva". Capoulas Santos referia-se ao aumento em 20% dos pagamentos para o regime dos pequenos agricultores e à majoração de 50€/ha para os primeiros 5 hectares de todas as explorações, no âmbito do primeiro pilar da PAC, bem como à elevação para 40 mil euros do montante elegível para apoio ao primeiro investimento nas pequenas explorações, e ao apoio de 200 mil euros para as pequenas industrias transformadoras na ordem dos 50% a fundo perdido (PDR2020).

 
O Ministro referiu ainda que "a estratégia delineada no que diz respeito à aplicação do regadio, ao reforço da experimentação e da investigação agrárias, e à aposta no rejuvenescimento do tecido empresarial e da agricultura biológica, permite-nos ser responsavelmente otimistas quanto ao futuro", razão pela qual o Governo espera "alcançar as metas fixadas no sentido de, até 2020, garantir o equilíbrio, em valor, da nossa balança agroalimentar".

"No caso das frutas, só nos dois primeiros meses deste ano, a taxa de crescimento das exportações cresceu acima dos 15% face ao ano anterior e no caso do azeite, na última década quadruplicámos a produção e triplicámos as exportações, assistindo-se neste momento a um enorme dinamismo do setor dos frutos secos", anunciou Capoulas Santos.
Faro, 09 de maio de 2017

segunda-feira, 8 de maio de 2017

PEDIDO ÚNICO DE AJUDAS 2017 -PRAZO DE CANDIDATURAS PRORROGADO PARA 31 DE MAIO

Comunicado

No seguimento da decisão da Comissão Europeia, de permitir aos Estados Membros a prorrogação do prazo para aceitação de candidaturas ao Pedido Único 2017, o IFAP, em articulação com as Organizações protocoladas, decidiu prorrogar o prazo de receção, para o Continente e Região Autónoma da Madeira, até ao próximo dia 31 de maio.

Para além desta data, é possível a apresentação tardia do pedido de ajuda durante mais 25 dias (até 25 de junho) com penalização regulamentar de 1% por cada dia útil, acrescida, no caso do pedido de atribuição de direitos à reserva para pagamento RPB, de 3% por cada dia útil.

O prazo para submissão da Comunicação das Transferências acompanha o prazo do Pedido Único 2016.

Relativamente aos pedidos de pagamento dos Prémios à Manutenção e dos Prémios por Perda de Rendimento no âmbito da Medida da Florestação das Terras Agrícolas - RURIS, bem como os Projetos de Arborização instalados ao abrigo do Reg. (CEE) n.º 2080/92 e Reg. (CEE) n.º 2328/91 a entrega tardia não tem qualquer penalização.

O prazo para submissão da Comunicação das Transferências acompanha o prazo do Pedido Único 2017.

Apresente atempadamente a sua candidatura ao Pedido Único de Ajudas! Evite penalizações desnecessárias!

Ministro da Agricultura defende caça com ética e com regras


7 mai 2017 15:43

O ministro da Agricultura disse hoje, em Santarém, que estar contra a caça é um "contrassenso", lembrando que sem ela "a humanidade não existia", mas declarou-se também ele contra a caça selvagem, sem ética e sem regras.



Capoulas Santos falava no encerramento do 25.º Encontro Nacional de Caçadores, que hoje decorreu no Centro Nacional de Exposições, em Santarém, dominado pelo "ataque" às propostas sobre o setor apresentadas pelo PAN (Pessoas – Animais – Natureza) e pelo Bloco de Esquerda (BE) que serão discutidas na próxima terça-feira no parlamento.

"Rapaziada do PAN" criticada em Encontro de Caçadores por "atacar" mundo rural
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"Talvez há 30, 40, 50 anos fosse necessário explicar (…) como a caça devia ser conduzida a alguns caçadores. Felizmente, hoje, os caçadores estão em condições de explicar a outros concidadãos qual o papel da caça na nossa sociedade", afirmou.

Pedindo que a caça seja entendida "com serenidade, sem paixão", o ministro realçou o papel deste setor na proteção e reintrodução de espécies que os "excessos" praticados pela humanidade colocaram em causa.

Apontando os exemplos dos programas de reintrodução do lince ou do lobo ibérico, Capoulas Santos referiu o "papel importante" da caça na correção dos predadores.

O ministro citou, no caso português, a situação do coelho bravo, "na base do ecossistema rural", cujas populações, "de que dependem muitas outras", têm sido dizimadas por sucessivas doenças.

"Se nada se fizer, nomeadamente corrigindo predadores, desaparecerá", alertou, pedindo "serenidade" no debate sobre uma atividade importante "pelo seu papel ambiental, de equilíbrio da natureza", com "um papel cada vez maior na economia, no desenvolvimento das zonas rurais", com toda uma cadeia de atividades, e também pela parte "lúdica, desportiva, que permite pôr muitos cidadãos urbanos em contacto com a natureza".



Como exemplo do empenho do Governo na defesa da caça, Capoulas Santos afirmou que vai ser publicado na próxima semana um despacho que cria um grupo de trabalho que terá por função a apresentação, no prazo de três meses, de um plano para ajudar a acabar com a febre hemorrágica que está a dizimar coelhos e lebres.

Perante o aparecimento de uma nova estirpe que está a atacar animais juvenis, provocando a sua morte antes de se reproduzirem, o Governo decidiu avançar com um plano que terá várias componentes: um programa de investigação, a definição de boas prática de gestão e medidas adequadas de controlo sanitário, declarou.

O grupo, que tomará posse num prazo de dez dias, integra o Instituto Nacional de Investigação Veterinária, o Instituto de Conservação da Natureza, a Direção-geral de Veterinária, o Centro de Investigação da Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, o Instituto de Biologia Experimental e Tecnológica da Universidade Nova de Lisboa, a Federação Portuguesa de Caça (Fencaça), a Confederação Nacional de Caçadores e a Associação Nacional de Proprietários Rurais.

O ministro anunciou ainda uma longa lista de alterações legislativas que têm a ver com o setor, como as normas sobre a sinalização das zonas de caça, a facilitação da integração de terrenos das zonas de caça municipais nas zonas associativas, a afetação de 10% das receitas das licenças de caça para ações de melhoria de conhecimento dos 'habitats', entre muitas outras.

Anunciou ainda que será aberto um novo período de candidaturas a fundos comunitários para apoio financeiro aos investimentos nas zonas de caça, que corrigirá a dimensão mínima exigida no primeiro concurso, de 3.500 hectares, o que deixou zonas de caça de fora.

Nesse primeiro concurso, com uma dotação de dois milhões de euros, foram apresentadas 132 candidaturas, com um volume de investimento superior ao disponível, afirmou.

domingo, 7 de maio de 2017

Numa década, Portugal passou de importador de azeite a 4.º exportador mundial


Com a entrada em produção dos novos olivais, sobretudo em Alqueva, estima-se que a produção de azeite possa atingir, até 2020, as 120.000 toneladas.
CARLOS DIAS 6 de Maio de 2017, 1:58 Partilhar notícia

"O valor global da exportação de azeite em 2016 atingiu os 434 milhões de euros" anunciou em Valpaços, o secretário de Estado da Agricultura, Luís Vieira, na sessão de abertura do Congresso Nacional do Azeite.

Na última década, Portugal quadruplicou a produção de azeite e triplicou o volume de exportações. Estes dados representam "um excedente da balança comercial no valor de 170 milhões de euros em 2016", salientou o governante, acrescentando que o nosso país passou de "importador líquido, com um deficit de 50 milhões de euros em 2008, para um excedente da balança comercial".

Em 2016, Portugal passou a ser o sétimo produtor mundial de azeite e o quarto país exportador, "atingindo os 434 milhões de euros" realçou Luís Vieira, frisando que o caminho para alcançar a posição actual de deve "à conjugação de um conjunto de factores que mudaram o panorama do sector". E destaca as novas áreas de regadio, sobretudo na região de Alqueva, o investimento inovador e qualificado em pomares modernos, e o perfil tecnológico elevado, das estruturas produtivas.

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A nova realidade leva o secretário de Estado a acreditar que "a produção de azeite possa atingir, até 2020, as 120.000 toneladas, resultante, em larga medida, da entrada em produção de novos olivais".

Lembrou ainda que "os instrumentos de política de apoio ao investimento têm tido um papel relevante neste processo". Entre 2007 e 2014, o PRODER apoiou 4000 projectos de investimentos, que envolveram um montante global de 700 milhões, a que correspondeu um apoio público de 290 milhões de euros.

Os números descritos revelam a evidente de "transformação estrutural da agricultura portuguesa" observa o governante, destacando que, após um período de estagnação, "já foram aprovados 559 projectos de investimento na produção e transformação, que ascendem a 159 milhões de euros, a que corresponde um apoio público de 59 milhões de euros".