quinta-feira, 2 de julho de 2015

Paulo Portas destaca peso do agro-alimentar no crescimento das exportações

  01-07-2015 
 

 
O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, destacou o peso do sector agro-alimentar no crescimento do volume das exportações, assinalando que as empresas portuguesas conseguiram exportar uma média anual de 1.800 milhões de euros, nos últimos quatro anos.

«O contributo do sector agro acelera o crescimento das exportações. Não é só um contributo, uma vez que é um contributo superior à média e, portanto, acelera o crescimento das exportações», afirmou Paulo Portas na apresentação dos resultados da "Estratégia de internacionalização do Agro-alimentar - novos rumos, novos mercados", no Ministério da Agricultura e do Mar, em Lisboa.

O vice-primeiro ministro assinalou que «a economia agrícola portuguesa continua a ser responsável por aumentos de exportação, tanto para mercados tradicionais, como para mercados emergentes, acima da média das exportações e do seu crescimento», cuja média anual duplicou nos últimos quatro anos.

«Tínhamos uma média anual de exportações agro-alimentares na casa dos 950 milhões de euros e, nos últimos anos, duplicámos esse valor. As empresas portuguesas conseguiram exportar uma média anual de 1.800 milhões de euros neste sector. No espaço de quatro anos duplicámos as exportações agro-alimentares para países terceiros», sublinhou o membro do Governo.

Durante a apresentação, Paulo Portas indicou ainda que, durante a actual legislatura, foram conseguidos «264 certificados novos de exportação entre produtos agro-alimentares (207) e animais com carácter comercial […] para 75 mercados diferentes», um resultado que o responsável atribui à «política».

Fonte: Lusa

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Prémio Intermarché: Prazo Prolongado


SEGUNDA, 29 JUNHO 2015 14:29
O prazo para a submissão de candidaturas ao Prémio Intermarché Produção Nacional foi alargado até ao dia 12 de julho. Os produtores podem continuar a candidatar-se às categorias de projeto a concurso: Carnes, Produtos da Pesca, Frutas, Legumes, Produtos Biológicos e Produtos Processados, através das subcategorias de Vinhos, Pão, Queijos e Charcutaria.

Aos melhores projectos em cada uma das categorias representadas será assegurado o escoamento dos produtos durante um ano com a margem repartida entre o produtor e o Intermarché. Paraalém disso, será também garantida a visibilidade dos projectos e produtos vencedores em diversos meios, incluindo em loja.
 
A segunda edição do Prémio Intermarché Produção Nacional conta com o Apoio Institucional do Ministério da Agricultura e do Mar e do Ministério do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, e tem como parceiros associados a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, a Confederação dos Agricultores de Portugal, a Faculdade de Medicina Veterinária, o Instituto Superior de Agronomia e a Quercus. A EY Portugal é o auditor do projecto e a SIC Notícias e o Expresso os parceiros de media.

As candidaturas devem ser submetidas em www.premiointermarche.pt

3500 agricultores já aderiram ao IVA forfetário



 30 Junho 2015, terça-feira  Hortofruticultura & FloriculturaAgricultura

Ao todo, garante a ministra Assunção Cristas, cerca de 3500 agricultores já aderiram ao IVA forfetário. Declarações da ministra da Agricultura e do Mar, esta terça-feira, no Parlamento.
A governante referiu que os pequenos produtores agrícolas que faturam até 10 mil euros por ano e se encontram isentos do regime de IVA devem entregar, em julho de 2015, as faturas das despesas que tiveram com a produção para serem reembolsados do IVA.
Assunção Cristas, que respondia às questões colocadas durante uma de audição da Comissão de Agricultura e Mar, sublinhou que se trata de um bom resultado, tendo em conta que a medida introduzida no Orçamento do Estado para 2015 só entrou em vigor este ano.
A compensação forfetária deve ser solicitada à Autoridade Tributária até 20 de julho e 20 de janeiro de cada ano, por via eletrónica ou presencialmente junto de um Serviço de Finanças, através de um pedido no qual conste o valor das transmissões de bens e prestações de serviços realizadas no semestre anterior e os números de identificação fiscal dos respetivos compradores.
Esta compensação destina-se a atenuar o impacto do IVA suportado nas aquisições de bens e serviços necessários à atividade do produtor agrícola que se encontre isento do imposto, as quais não conferem o direito à dedução.
Fonte: Lusa

Sitevi volta em novembro com nova identidade gráfica


por Ana Rita Costa
30 de Junho - 2015
 
A 27ª edição do Sitevi volta entre os dias 24 e 26 de novembro ao Parque de Exposições de Montpellier. Com uma nova identidade gráfica preparada e a cinco meses da abertura, a organização conta já com 85% da sua área de expositores reservada, um crescimento face ao mesmo período de 2013.

"O Sitevi é atualmente considerado pelos profissionais como o salão internacional de referência. A sua edição de 2015 é a prova e encarna mais do que nunca a vitalidade das três fileiras", explica Martine Dégremont, Diretora do salão.

Para além de uma nova identidade visual, a edição deste ano conta também com novidades como três novas temáticas para o polo R&D, cultura varietal, preservação dos recursos e exploração conectada, um pavilhão dedicado a castas de França e do mundo, um espaço de aconselhamento para produtores e uma zona exterior de demonstração para apresentações de materiais.

De acordo com a organização do evento, Portugal é já o sexto maior visitante do Sitevi e o 5º em número de empresas expositoras. No geral, a edição de 2015 deverá contar com um total de 1000 expositores provenientes de 25 países, com estreantes como Austrália e China, e com 50 000 visitantes de mais de 60 países.

Há novos apoios para a promoção de vinhos


por Ana Rita Costa
30 de Junho - 2015
 
Há novos apoios para a promoção de vinhos fora da União Europeia. Acaba de ser publicada a portaria nº 190/2015 que torna a Medida de Promoção "mais simples, menos burocrática e mais funcional para os produtores de vinho". De acordo com um comunicado do Ministério da Agricultura enviado às redações, esta medida faz parte do Programa Nacional de Apoio ao Setor do Vinho da UE e apoia os produtores de vinho portugueses a promover os seus vinhos em mercados de países terceiros.

Com um orçamento anual de 10 milhões de euros de financiamento comunitário, esta medida financia 50% dos custos de ações de promoção dos produtores (ex. participação em feiras, campanhas de publicidade, etc…).

Segundo José Diogo Albuquerque, Secretário de Estado da Agricultura, "a revisão desta medida vem facilitar o acesso à mesma por parte dos produtores de vinho, que a partir de hoje se podem candidatar a uma medida mais fluída e simplificada. Estas alterações agora efetuadas vão permitir que os projetos candidatos possam ser analisados e pagos de uma forma mais célere e descomplicada. Trata-se de uma medida fundamental para ajudar os produtores Portugueses a vender os seus produtos lá fora. O sector vitivinícola tem demonstrado uma enorme dinâmica na promoção dos vinhos portugueses no exterior. É graças a esse trabalho persistente dos nossos produtores que Portugal aumentou as suas exportações de 650 milhões de euros há quatro anos atrás para 730 milhões de euros. Estou convicto que esta medida ajudará o sector a atingir o seu objetivo de chegar a 2020 com 900 milhões de euros em exportações."

De acordo com o Ministério da Agricultura, esta medida de promoção em mercados de países terceiros "contribui, decisivamente, para a visibilidade e o reconhecimento do caráter diferenciador dos vinhos portugueses naqueles mercados e para o aumento das exportações, pelo que era muito importante fazer esta revisão."

As principais alterações agora realizadas vão ter efeito também ao nível das candidaturas, que passam a ser anuais em vez de plurianuais, e ao nível dos pagamentos, que passam a ser "mais rápidos", uma vez que existe agora "uma redução dos critérios de classificação na avaliação do mérito do projeto".

Évora recebe simpósio internacional sobre novas tecnologias e gestão de estufas


por Ana Rita Costa
30 de Junho - 2015
 
A Universidade de Évora vai acolher entre os dias 19 e 23 de julho o GreenSys 2015 – International Symposium of New Technologies and Management for Greenhouses.

O programa científico do evento inclui a participação de oradores como Murat Kacira, Professor Associado da Univerisdade de Arizona, nos EUA, Qichang Yang, cientista do Ministério da Agricultura chinês e Gene A. Giacomelli , Professor da Universidade de Arizona, nos EUA e Diretor do Centro de Agricultura em Ambiente Controlado da mesma instituição.

Para mais informações visite o site http://www.greensys2015.uevora.pt/

Desafios da Biomassa para 2020 vão estar em discussão


por Ana Rita Costa
30 de Junho - 2015
 
É já no próximo dia 22 de setembro, na Feira de Valladolid, que se realiza a 10ª edição do Congresso Internacional de Bioenergia, cujo objetivo será discutir os desafios da biomassa para 2020.

"No quadro de atuação da UE, em matéria de clima e energia até ao ano 2030, estabeleceram-se três objetivos: reduzir as emissões de gases de efeito estufa, pelo menos 40%; aumentar a quota de energias renováveis à escala da UE em, pelo menos, 27% e aumentar a eficiência energética em 27%", explica a AVEBIOM, organizadora do evento.

Nesse sentido, durante a iniciativa estarão em discussão questões como o quadro geral europeu de atuação em matéria de Clima e Energia para 2030 e, em particular, o papel da bioenergia a nível europeu para alcançar os objetivos estabelecidos para 2020.

2º núcleo de produtores PROVE do Ribatejo Interior abre portas da exploração agrícola aos consumidores


por Ana Rita Costa
30 de Junho - 2015
 
É já no próximo dia 11 de julho que o 2º núcleo de produtores PROVE do Ribatejo Interior vai abrir as portas da sua exploração agrícola aos seus consumidores. O objetivo é assinalar o segundo ano de existência do núcleo.

"Para sensibilizar os consumidores dos cabazes hortofrutícolas para os ciclos das culturas agrícolas, a família Brazão, produtora deste núcleo PROVE, irá fazer uma visita à sua horta, seguida por uma pequena oficina temática que explicará aos participantes como poderá semear coentros", explica o núcleo em comunicado.

Este núcleo de produtores resulta da aplicação da metodologia PROVE – Promover e Vender, que junta pequenos produtores hortofrutícolas para prepararem cabazes de produtos que são vendidos diretamente aos consumidores inscritos. As frutas e legumes que compõem os cabazes variam semanalmente e consoante a época do ano.

No Ribatejo Interior, este projeto, apoiado pela abordagem LEADER do Programa de Desenvolvimento Rural (ProDeR), existe há quase cinco anos, implementado pela TAGUS – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, com a criação do 1º núcleo em 2010. 

Comissão Europeia reconhece o “Arroz Carolino do Baixo Mondego”


A Comissão Europeia reconheceu a denominação "Arroz Carolino do Baixo Mondego" como Indicação Geográfica Protegida (IGP).

acbmA Comissão Europeia reconheceu a denominação "Arroz Carolino do Baixo Mondego" como Indicação Geográfica Protegida (IGP) tendo sido registada ao abrigo do Regulamento (UE) 2015/888 da Comissão de 29 de maio de 2015, relativo à inscrição de uma denominação no Registo das denominações de origem protegidas e das indicações geográficas protegidas, publicado em JOUE L 146/1 de 11/06/2015, concedendo proteção do nome em todo o território europeu.

Designa-se por Arroz Carolino do Baixo Mondego a cariopse desencasulada da espécie Oryza L, subespécie Japónica, de diversas variedades como Aríete, EuroSis, Augusto, Vasco e Luna, cultivada na região do Baixo Mondego. Para as mesmas variedades de arroz do tipo longo A cultivadas no país, o Arroz Carolino do Baixo Mondego manifesta uma tendência para maiores teores de amilose, apresentando o grão cor branca com aspeto vítreo e cristalino.

Criação do Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Produções Artesanais Tradicionais


Decreto-Lei n.º 121/2015 , de 30 de junho https://dre.pt/application/conteudo/67641480
Cria o Sistema Nacional de Qualificação e Certificação de Produções Artesanais Tradicionais

Oposição acusa ministra da Agricultura de fazer propaganda à custa do PRODER

30-06-2015 
 

Fonte: Lusa

O PRODER foi novamente foco da discussão entre a ministra da Agricultura e os deputados da oposição, que acusaram Assunção Cristas de fazer propaganda à custa do programa de fundos comunitários.

Na última audição regimental de Assunção Cristas na atual legislatura, a ministra voltou a insistir no sucesso do PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural), que atingiu os 100% de execução no dia 08 de junho, mas foi confrontada com as dúvidas do deputado do PS Miguel Freitas.

"Como é que está encerrado e executado a 100% se ainda na segunda-feira passada havia técnicos a validar pagamentos para o PRODER", questionou o deputado.

Na resposta, Assunção Cristas disse que o deputado "não compreende como funcionam os fundos comunitários, nem o PRODER", e salientou que o regulamento de transição entre quadros comunitários permitiu aceitar candidaturas ao abrigo do PRODER usando verbas do programa que lhe sucedeu, o novo PDR2020.

O deputado do PCP João Ramos lamentou "a ação de propaganda ao PRODER onde foi usado o estado-maior do CDS", referindo-se ao jantar comemorativo das metas que juntou, em Santarém, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, a ministra da Agricultura e cerca de três centenas de membros de organizações agrícolas e organismos tutelados pelo Estado, lembrando que "esta ação custou 20 mil euros".

João Ramos quis saber de que forma a verba usada para pagar esta iniciativa se enquadra na rubrica de assistência técnica do PRODER, tendo a ministra garantido que estas rubricas "servem exatamente para isso e não poderiam ser usadas noutro tipo de ações".

Também os números das exportações, que têm sido uma das bandeiras do Governo, foram contestados pelo socialista Miguel Freitas, que afirmou que as exportações têm crescido nos últimos 15 anos, mas sobem agora a metade do ritmo que cresciam em 2010.

Assunção Cristas destacou que as exportações agroalimentares estão a crescer 8%, permitindo desagravar o défice alimentar, apesar do aumento das importações e salientou que, no ano passado, foram exportados mais de 6 mil milhões de euros de produtos agroalimentares, tendo sido a média do atual Governo superior à dos governos socialistas.

Congratulou-se ainda com o aumento do número de mercados abertos aos produtos portugueses, sublinhando que foi ultrapassada "a barreira dos 200".

No setor das pescas, avançou que a execução do PROMAR (Programa Operacional Pesca 2007-2013) ronda atualmente os 72% estando ainda aguardar os comentários do Bruxelas quanto ao seu sucessor, o Mar2020.

O PS fez um balanço negativo da tutela de Assunção Cristas nas pescas, com o deputado Jorge Fão a notar que as capturas diminuíram 20%.

"Para quê aumentar quotas se baixamos as capturas. Esse tipo de negociação não tem efeito nenhum", frisou o parlamentar, considerando que a aquacultura foi uma aposta perdida, apesar de Assunção Cristas dizer que os investimentos apontam para 50 mil toneladas neste setor.

terça-feira, 30 de junho de 2015

Copa-Cogeca pede medias de apoio aos agricultores


Jun 29, 2015Destaque Home, Notícias0Like

A União Europeia decidiu a 22 de Junho prolongar por seis meses, até ao final de Janeiro de 2016, as sanções à Rússia por este país continuar com acções militares na Ucrânia. Dois dias depois, o presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que vai prolongar por um ano o embargo aos alimentos perecíveis com origem na União Europeia.

Preocupada com este cenário a Copa-Cogeca, a organização que representa os agricultores e cooperativas agrícolas europeias, enviou uma carta à Comissão Europeia pedindo medidas de apoio para os agricultores europeus de frutas e legumes devido ao embargo russo.

O secretário-geral da Copa-Cogeca, Pekka Pesonen, alertou que «a época de verão da fruta está a começar e este anúncio do presidente Putin pode provocar uma grande queda nos preços pagos aos produtores a não ser que sejam tomadas medidas».

Na missiva enviada para Bruxelas, a Copa-Cogeca exemplificou que há medidas que podem ser tomadas no imediato antes de os preços entrarem em colapso, tais como colheita em verde, distribuição em instituições e uso não alimentares. Pekka Pesonen relembrou que «o artigo 219 do número 1308/2013 da Regulação da União Europeia prevê a tomada de medidas excepcionais quando o mercado está em risco, como é o caso, para prevenir crises».

Pekka Pesonen concluiu que «os produtores estão muito preocupados com esta situação que é resultado de disputas políticas em que eles são as vítimas. Os produtores não devem pagar pelas consequências das decisões políticas. São urgentes medidas que ajudem a estabilizar o mercado e evitem rupturas».

Primeiro vinho angolano já está à venda e chega a Portugal em breve


29 Jun 2015 < Início < Notícias

Chama-se Serras da Xxila e já é considerado o primeiro vinho "made in Angola" a chegar ao mercado local.
Chama-se Serras da Xxila e já é considerado o primeiro vinho "made in Angola" a chegar ao mercado local. E a Portugal "num pouco espaço de tempo", segundo avançou ao DN/Dinheiro Vivo, Carlos Carneiro, do Rancho de Santa Maria. Vinho angolano em Portugal? "Porque não? O nosso vinho tem qualidade", responde o responsável, que destaca as críticas positivas de especialistas franceses e italianos, que já provaram e gostaram.
Mas até lá, há ainda um longo caminho a percorrer no mercado angolano, onde o Serras da Xxila começou a ser vendido. Da produção de 2013 resultaram 70 mil garrafas, estando disponíveis no mercado cerca de 60 mil. "Primeiro temos de ver como vai ser recebido para depois decidir o que devemos melhorar no produto. E é o cliente que o diz", explica Carlos Carneiro, frisando que "é da crítica que vem a auto-crítica."
Produzido e engarrafado na propriedade de Higino Carneiro, coronel do exército angolano e atual governador da província do Cuando Cubango, o Serras da Xxila é feito a partir da casta angolana Muzondo Menga Ixi, do Cuanza Sul. "É sobre esta base que estamos a produzir", diz Carlos Carneiro. E como está no início, "é difícil estabelecer uma comparação com outros vinhos", nomeadamente com o português, um dos mais exportados para Angola.
Segundo dados da ViniPortugal, em 2014, Portugal vendeu para Angola 62,6 milhões de litros, no valor de 95,1 milhões de euros, sendo o segundo mercado mais importante de exportação, a seguir a França.
Na nota de prova de Serras da Xxila consta que é um vinho com uma acidez de 4,19 e com um teor alcoólico de 15%. Fez o estágio em barrica de carvalho francês e americano durante um ano e é frutado com notas de framboesa, amoras e especiarias.
Em breve, será lançado um vinho tinto reserva 2013, em estágio há três anos, produzido a partir de castas europeias como a Touriga Nacional, Malvechet, Alicante Bouchet, Pinot Noir e Cevenet Bavignon.
"É com imensa satisfação que vemos o nosso vinho chegar ao mercado", diz Carlos Carneiro, lembrando experiências anteriores de lançamento de vinhos que não tiveram sucesso. O clima e o solo são fatores extremamente importantes. "O projeto começou em 2007 justamente com a prospeção, que inclui estudos de solo e clima", diz o responsável.
E assim surgiu o rancho de Santa Maria com 17 mil hectares, dos quais 50 hectares são para vinhos e uva de mesa. Para o vinho a área anda entre os 17 e 22 hectares, com possiblidade de aumentar. E aí está-se a fazer nova replantação, com a casta angolana e com novas castas.
O projeto, que tem a assssoria técnica brasileira e a industrial portuguesa, conta com um investimento total de 16 milhões de dólares desde 2008, valor que inclui a produção de outros produtos, nomeadamente o azeite, para o qual foram plantadas oliveiras, e ainda a pecuária, sobretudo gado bovino e caprino, instalados em 5 mil hectares.
Mas do rancho de Santa Maria, está prevista, além de um vinho branco de 2014, a produção de aguardentes e licores de laranja, limão, café e maracujá. Tudo para o mercado interno, para já.
Entretanto, no rótulo da garrafa de Serras da Xxila, Francisco Higino Carneiro assume que a produção de um vinho de qualidade em Angola é a realização de um sonho seu e da família. Nesste sentido, escreve: "Espero que tenham tanto prazer em bebê-lo como tivemos em produzi-lo."
 
Fonte: Dinheiro Vivo

Açores: I Congresso de Jovens Agricultores dedicado à Inovação e Internacionalização



 29 Junho 2015, segunda-feira  AgroflorestalAgricultura
congressojovensagricultores

O Royal Garden Hotel, em Ponta Delgada, São Miguel, Açores, irá ser palco nos dias 2 e 3 de julho, do I Congresso Nacional de Jovens Agricultores.
O evento, organizado pela Associação de Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) irá debater temas relevantes para o setor agrícola, nomeadamente, o investimento e desenvolvimento rural, inovação e internacionalização, do ponto de vista da realidade ultraperiférica.
A iniciativa conta com as intervenções da ministra da Agricultura e Mar, Assunção Cristas, do presidente do Governo regional dos Açores, dos secretários regionais de Agricultura da Madeira e dos Açores, entre outros.
SITE DO CONGRESSO  


Yonest lança iogurte de cereja do Fundão


por Ana Rita Costa
29 de Junho - 2015
 
A Yonest uniu-se à Cereja do Fundão para lançar um iogurte com selo de qualidade. O novo iogurte será lançado no próximo dia 3 de julho, no El Corte Inglés de Lisboa, e contará com uma intervenção do Presidente da Câmara Municipal do Fundão, Paulo Fernandes.

A Yonest produz iogurte grego "à moda antiga" que está disponível para venda no Caffe Yogurtman, em Lisboa, e em vários revendedores.

A marca conta já com iogurtes de Maçã Assada à Portuguesa, de Laranja, de Banana da Madeira e de Ananás Coco.

Formação da Academia de Formação do Centro de Frutologia Compal prestes a terminar


por Ana Rita Costa
29 de Junho - 2015
 
Está a terminar a formação da Academia do Centro de Frutologia Compal que, este ano, integra um total de 60 horas, distribuídas entre 20 horas em sala e 40 horas em sessões práticas no terreno.

Os 12 formandos reuniram-se pela primeira vez em Lisboa, em três dias de formação intensiva durante os quais as bases teóricas que sustentam as melhores práticas agrícolas, alguns exercícios em sala e exemplos de casos práticos reais foram abordados num conjunto de módulos teóricos.

Fruticultura, gestão agrícola, associativismo e instrumentos de financiamento foram os temas abordados nestas sessões, além dos novos módulos "Soluções de Eficiência Energética para Explorações Agrícolas" e "Novas Tecnologias ao Serviço da Sustentabilidade Agrícola", que têm importância acrescida no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020.

Estas sessões estiveram a cargo da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), da Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (CONFAGRI) e do Instituto Superior de Agronomia (ISA) contando com a participação de diversas empresas com forte atuação junto do setor agrícola.

Depois dos módulos em sala, a Academia prosseguiu com a formação prática, que inclui sessões no terreno com Organizações de Produtores, visitas a explorações agrícolas modelo e uma sessão na fábrica Compal.

"A Academia do Centro de Frutologia Compal pretende reforçar os conhecimentos de gestão dos fruticultores nacionais, ao mesmo tempo que possibilita o contacto próximo e o estabelecimento de relação com algumas das principais entidades no setor agrícola nacional com o intuito de promover o trabalho em colaboração e parceria. Esta iniciativa foi criada com o objetivo de estimular a inovação na fruticultura nacional, levando os empreendedores do sector a ver o pomar e o negócio com os olhos dos gestores agrícolas do futuro. Terminado o período de formação, os empreendedores frutícolas participantes irão submeter os seus projetos de negócio à avaliação de um júri e os três melhores receberão uma bolsa de 20 000 euros de apoio à sua instalação", explica a Academia do Centro de Frutologia Compal em comunicado.

Guarda tem horta comunitária com vertente de formação profissional

29-06-2015 
 

Fonte: Lusa

A Junta de Freguesia da Guarda está a desenvolver um projeto de horta comunitária, no centro da cidade, que tem uma vertente social e outra de formação profissional, disse à agência Lusa o seu presidente.

Segundo o autarca João Prata, a horta urbana, com um total de quatro parcelas, contempla a cedência de frações de terreno para cultivo a famílias daquela cidade e também para formação na área agrícola, ministrada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

"Conseguimos ter a adesão de cerca de 40 cidadãos que livremente se inscreveram na horta comunitária e, destes 40 cidadãos, cerca de 18 frequentam mesmo uma ação de formação em articulação com o IEFP" em resultado de uma parceria entre as duas entidades, explicou o presidente da junta.

João Prata referiu à agência Lusa que os frequentadores do curso de operador agrícola "têm o seu talhão na horta comunitária e estão também a desenvolver um processo de formação que os vai habilitar com o título de operário agrícola, o que significa que estão preparados para continuarem este trabalho".

O curso, com uma carga horária total de 225 horas e com uma vertente teórica e outra prática, começou em maio e termina na terça-feira.

É frequentado por homens e mulheres, que foram indicados pelo IEFP e pela Junta de Freguesia, que adquirem competências para tratarem das terras desde a preparação do solo até aos tratamentos fitossanitários e à época de cultivo de cada cultura.

"O balanço que fazemos do projeto da horta comunitária é um balanço muito positivo. E esta ideia da horta urbana melhora a paisagem urbana e dá a possibilidade às pessoas que têm algumas dificuldades de terem ali o seu meio de sustento", disse João Prata.

Segundo o autarca, permite ainda que "um conjunto de cidadãos, que não têm necessidades económicas", passem algum do seu tempo livre no cultivo de produtos hortícolas para consumo próprio.

Neste primeiro ano do projeto, a procura de frações de terreno foi de tal ordem que a Freguesia da Guarda tem pessoas em lista de espera.

"Estamos a providenciar de modo a arranjarmos mais terreno para darmos vazão ao conjunto das pessoas que estão, neste momento, interessadas em participar", referiu João Prata.

O responsável adiantou que é intenção da autarquia manter o projeto da horta urbana durante todo o ano, incluindo a vertente da formação profissional.

"Se conseguirmos manter essa vertente, é muito importante. Aliás, temos um protocolo com o IEFP para alargar a outras áreas de formação, nomeadamente à panificação, porque nós temos fornos comunitários e queremos dar-lhe ainda mais uso do que aquilo que alguns estão a ter", referiu.

A horta urbana está instalada num terreno localizado no centro da cidade, junto do complexo do Teatro Municipal da Guarda, que foi cedido gratuitamente pelos proprietários à Junta de Freguesia.

No terreno, que anteriormente estava ao abandono, crescem agora culturas agrícolas, como batatas, feijões, couves, cebolas e pimentos, entre outras.

domingo, 28 de junho de 2015

Tratores assassinos

Este ano já morreram oitenta homens vítimas de acidentes com tratores. 

Francisco Moita Flores

28.06.2015 00:30 

Quem vive nas cidades não entende esta crónica. São muitas as crianças que nunca viram um frango vivo, uma vaca a ruminar ou a lavra de uma vinha. Vivemos a cultura do 'fast-food', da internet, dos centros comerciais, onde a política discute a agricultura e a pecuária como entidades abstratas que ganham corpo nesta ou naquela feira promovida por agricultores que trazem, uma vez por ano, os campos às cidades. Porém, há um outro Portugal para lá do 'homem urbano', expressão que remete para a cultura citadina e para níveis de educação que afastam a ideia de campo e de vida vivida noutros padrões a que não estamos habituados. Um outro país que não conhece a internet. Homens e mulheres com a vida endurecida pela rijeza do trabalho, com o coração repartido entre a esperança de uma boa colheita e o vendaval que pode, por acidente, destruir um ano de trabalho. Aqui utiliza-se uma máquina que não circula nas grandes cidades. O trator. Máquina que chegou tardiamente com a mecanização agrícola, nos anos sessenta e, muitos deles, têm quase essa idade, continuando a lavrar, a carregar azeitona e uvas, que nós conhecemos através das latas e frascos que a cidade nos oferece. Instrumento tão útil para aumentar a produtividade e amaciar o trabalho braçal. Este ano já morreram oitenta homens do campo, vítimas de acidentes com tratores. Nos últimos dois anos morreram cerca de duzentos. São demasiados mortos para que se passe por eles com a indiferença com que as políticas agrícolas e a inspeção do trabalho passam pelos campos do País. A maioria dos mortos por capotamento. Muitos deles por excesso de carga ou, mais grave, devido ao excesso de horas de trabalho de quem os conduz. É um mundo esquecido, ignorado pelos discursos políticos dominantes. Nem Portas, que na sua linguagem imagética e retórica, falava das suas preocupações com a 'lavoura' em vez de falar em agricultura. São os pobres dos campos que morrem assim debaixo dos seus velhos tratores, sem dinheiro para comprar proteções, sem tempo para a reparação, sem tempo para o descanso recuperador de energias. Agora, os sinistrados, por uns dias, foram notícia. Só voltarão aos noticiários quando mais mortos acontecerem. De resto, são os eternos esquecidos e o perpétuo sofrimento para arrancar as colheitas do chão que amam e que tratam como seu. E pelo qual morrem.

sábado, 27 de junho de 2015

Ovelha com gene «luminoso» de água-viva entra na cadeia alimentar


Uma ovelha geneticamente modificada com uma proteína de água-viva, utilizada em pesquisas científicas na área de cardiologia em França, acabou por ser enviada para um matadouro do país e vendida para consumo, lançando novos debates sobre a segurança alimentar.
O caso envolve o Instituto Nacional de Pesquisa Agronómica (Inra) de França, que, entre outras actividades, desenvolve programas científicos na área médica utilizando animais.
«O primeiro erro foi colocar a ovelha geneticamente modificada num lote com animais normais, de criação. Em seguida, esses animais foram transferidos para o matadouro. Dessa forma, a ovelha, que não deveria estar nesse rebanho, entrou na cadeia alimentar», declarou o presidente do Inra, Benoît Malpaux.
O ministro da Agricultura, Stéphane Le Foll, disse que o incidente «é inaceitável» e pediu ao Inra para realizar, até ao final do mês, um relatório sobre o problema.
A ovelha Rubi, que com grande probabilidade foi parar na mesa de um consumidor, tinha uma proteína extraída da medusa, a GFP (sigla em inglês para Proteína Verde Fluorescente), que torna as células fluorescentes e deixa a pele translúcida.
Essa proteína é usada em experiências científicas; confere luminosidade a outras proteínas ou genes e permite que cientistas acompanhem os movimentos e comportamento destes.
A ovelha fazia parte de uma pesquisa do Inra para estudar o transplante de células utilizadas para restaurar a função cardíaca após um enfarte do miocárdio.

Moçambique atingiu objetivo de redução da fome, que ainda afeta um quarto da população


Moçambique atingiu o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milénio de redução da fome, mas um quarto da população continua afetada, anunciou hoje a FAO em Maputo.
"A proporção de pessoas que sofrem de fome em Moçambique baixou de cerca de 56%, na década 90, para cerca de 24% na atualidade", disse Castro Camarada, representante da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) em Moçambique, durante a cerimónia de atribuição de um prémio ao Governo moçambicano de reconhecimento dos progressos nesta área nos últimos 15 anos.
Além de se destacar entre os 72 países que atingiram o primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milénio, os dados da FAO indicam que Moçambique registou também progressos na meta assumida na Cimeira Mundial de Alimentação, em Roma em 1996, prevendo a redução para metade do número de pessoas subnutridas no país.
"Estes dados não significam que não existam problemas de alimentação no país, pelo contrário, os atuais níveis de pobreza significam que ainda temos indicadores de insegurança alimentar e, sobretudo, de desnutrição crónica, principalmente em crianças", afirmou Castro Camarada, lembrando que o país ainda possui muito trabalho pela frente.
Dados oficiais indicam que mais de 40% das crianças sofrem de desnutrição crónica em Moçambique e, pelo menos, 80 mil morrem anualmente em todo país, um fenómeno que afeta principalmente as zonas rurais, onde o acesso aos serviços de saúde ainda é deficitário.
"Estamos todos conscientes de que existem desafios, é preciso melhorar os indicadores, tanto da segurança alimentar como da desnutrição crónica, através de ações multissetoriais concertadas", declarou o representante da FAO em Moçambique, lembrando que, em breve, os objetivos do programa serão substituídos por outros mais ambiciosos.
De acordo com o Secretariado Técnico de Segurança Alimentar em Moçambique, em oito anos, a desnutrição crónica de menores de cinco anos reduziu apenas em 3% para os atuais 43%.
O ministro moçambicano da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, falando durante a cerimónia, admitiu que, 40 anos após a independência de Moçambique, a desnutrição crónica constitui um desafio para o Governo, apontando, entretanto, a guerra civil como um dos fatores que contribuiu para o agravamento dos índices da pobreza.
"Eu manifesto a minha satisfação pelos avanços, mas, ao mesmo tempo, tenho ainda uma inquietação por saber que 24% dos meus concidadãos ainda enfrentam o problema de insegurança alimentar e, deste grupo, a maioria são crianças", lamentou José Pacheco.
O titular da pasta da Agricultura e Segurança Alimentar anunciou a adoção de estratégias de intervenção direta para redução de índices de pobreza que ainda prevalecem no país, destacando o incentivo à atividade agrária como forma de dinamizar o desenvolvimento, principalmente nas zonas rurais.
"Em Moçambique, nós temos comunidades altamente produtivas, mas, durante os processos de avaliação da segurança alimentar, encontramos resultados que não condizem com aquilo que essas populações produzem", afirmou o governante, que destaca a baixa inflação anual nos preços dos alimentos em Moçambique como um dos fatores que contribuíram para a redução da insegurança alimentar nos anos.
Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística, discutidos recentemente durante um seminário sobre a metodologia de avaliação multidimensional de pobreza e bem-estar em Maputo, indicam que, entre 2003 e 2008, a pobreza no país estava estagnada, continuando nos 54%.
Cerca de 695 milhões de pessoas ainda sofrem de fome em todo mundo e uma em cada nove pessoas sofre de insegurança alimentar, segundo um relatório da FAO apresentado recentemente.
Diário Digital com Lusa

Fidelidade compra posição em empresa agrícola alemã


26 Junho 2015, 10:38 por Nuno Carregueiro | nc@negocios.pt

A seguradora portuguesa Fidelidade, controlada pelos chineses da Fosun, chegou a acordo para comprar 9,03% do capital da KTG Agrar, uma empresa agrícola alemã com uma capitalização bolsista inferior a 100 milhões de euros.

A companhia de seguros portuguesa Fidelidade, controlada a 85% pelos chineses da Fosun, vai comprar 620 mil acções da KTG Agrar, uma companhia agrícola alemã.

"O envolvimento da Fosun será de longo prazo e irá apoiar o KTG Group a explorar o mercado chinês", refere o comunicado da KTG Agrar e da Fosun, assinalando que os "alimentos alemães estão a ter uma crescente procura por parte da classe média chinesa".

 
A empresa alemã recorda vários dos investimentos já realizados pela Fosun, como o Club Med em França, a Folli Follie na Grécia e a Tom Tailor na Alemanha, sendo que um dos objectivos passa sempre pelo reforço destas empresas no mercado chinês.

Um dos primeiros investimentos da Fosun na Europa passou pela aquisição da Fidelidade à Caixa Geral de Depósitos. Foi através da seguradora que a Fosun comprou a Espírito Santo Saúde (Luz Saúde), sendo que a compra da posição na KTG Agrar será a primeira em que a Fosun realiza através da empresa portuguesa.

A KTG Group tem 45 mil hectares em terrenos para cultivo, intitulando-se como uma das maiores produtoras agrícolas da Europa. Produz cereais, batatas e soja, tendo fechado 2014 com receitas de 297,7 milhões de euros e mais de mil trabalhadores.

Cotada na bolsa alemã, a empresa apresenta uma capitalização bolsista de 99,1 milhões de euros. O valor do negócio não foi revelado. 

O papel da agricultura familiar na sustentabilidade dos territórios

OPINIÃO

Ricardo Vicente


A PAC tem um historial desfavorável às agriculturas do sul da Europa. Apesar desta desadequação crónica existe margem de manobra para os países do sul concretizarem algumas adaptações e minimizarem as consequências negativas.

19 de Novembro, 2014 - 00:04h

A Política Agrícola Comum, os mercados locais e a importância das agriculturas familiares na sustentabilidade dos territórios:

2014 é o primeiro ano do novo quadro comunitário que se prevê durar até 2020. Já estão definidos os valores que subsidiarão os vários países da comunidade europeia e estão desenhadas as regras comunitárias para a Política Agrícola Comum (PAC). Caberá a Portugal um orçamento de 8,5 mil milhões de euros, a distribuir entre 2 pilares distintos: Pagamentos Diretos e o Programa de Desenvolvimento Rural.

Pensar a sustentabilidade dos diferentes sistemas agrários em Portugal e, a uma escala diferente, os seus papéis na sustentabilidade territorial, obriga a uma interpretação das consequências da aplicação da PAC nesses territórios. As agriculturas familiares representam a quase totalidade da agricultura nacional e até mesmo europeia e são muito diversas, em função das culturas praticadas e das especificidades locais. No contexto português, o agricultor médio tem 63 anos de idade e apenas o 1º ciclo de escolaridade, 1/3 da população agrícola tem outra atividade económica complementar e apenas 1/5 dos agricultores trabalha a tempo inteiro na exploração agrícola (RA2009). Esta realidade é bastante distinta do centro e norte da Europa, onde a profissionalização e os níveis de capitalização das explorações agrícolas são muito superiores.

A PAC tem um historial desfavorável às agriculturas do sul da Europa, desde a sua origem é uma ferramenta que cria desigualdades produtivas entre países e que gera dependências alimentares internacionais através da destruição do potencial produtivo dos países menos favorecidos. Foi e continua a ser estruturada para os modelos de produção agrícola e societais do centro e norte da Europa, não considerando as especificidades do sul, onde as culturas, os modos de produção e as dinâmicas das atividades agrícolas são muito distintas. Apesar desta desadequação crónica existe margem de manobra para os países do sul concretizarem algumas adaptações e minimizarem as consequências negativas, no entanto os diversos Governos que implementaram as PAC em Portugal nunca demonstraram tal interesse.

1º Pilar da PAC - Pagamentos Diretos

Em Portugal, nos quadros comunitários anteriores, mais de 50% dos apoios foram aplicados no 1º pilar, Pagamentos Diretos, e na sua maioria distribuídos pelos agricultores de forma desvinculada da produção e do emprego, com base em históricos de atividade muito distantes da realidade no momento dos pagamentos e em atividades agrícolas típicas do centro e norte da Europa mas menos importantes no panorama nacional. Assim, o principal fator que determinava a atribuição e a distribuição de uma grande fatia dos apoios comunitários era a posse da terra, quanto maior o proprietário maior o apoio atribuído. Os grandes proprietários nacionais cresceram e especializaram-se na captação de subsídios, ganharam hegemonia sobre uma vasta área do território e impediram a instalação e o desenvolvimento de outras atividades. Fizeram-no por duas vias: os apoios por eles captados não foram aplicados noutros investimentos; e o espaço e os recursos naturais por eles dominados deixaram de estar disponíveis. Esta realidade não mudou com mais uma nova reformulação da PAC. O anterior Regime de Pagamento Único (RPU), que distribuía mais de 70% do valor do 1º pilar, passou a designar-se Pagamento Base, funcionando da mesma forma, isto é, com base num histórico de produção desatualizado e desvinculado da produção real e do emprego, e distribui 48% do volume financeiro do primeiro pilar. Só quem tem histórico de RPU se poderá candidatar ao Pagamento Base.

Para perfazer o valor total do anterior RPU, 30% do volume do 1º pilar da nova PAC está anexado à medida Greening, sendo o seu pagamento proporcional ao pagamento base. Mais uma vez, o acesso ao apoio depende do histórico de RPU no quadro comunitário anterior. Esta medida é supostamente uma mais valia do ponto de vista ecológico e ambiental, obrigando à prática de rotações, à existência de pastagens permanentes e a um mínimo de áreas ecológicas, no entanto, foi tão desvirtuada que se transformou numa mera ferramenta de distribuição de fundos e perdeu a sua utilidade. Recentemente saiu um estudo que comprova que mais de 80% das explorações agrícolas nacionais não são obrigadas a aplicar dois terços das suas obrigações nesta medida.

A sustentabilidade dos territórios e a criação de dinâmicas socioeconómicas capazes de envolver a população local e os seus visitantes, possibilitando a criação de emprego e a fixação da população com melhorias das condições de vida, não podem ser bloqueadas por um sistema estático de financiamento que gera tensões contrárias às dinâmicas de desenvolvimento local e permitem a perpetuação de práticas que expropriam os atores locais e a população do seu próprio território e recursos naturais. Não só as agriculturas familiares mas também as restantes actividades socioeconómicas são prejudicadas nesta situação.

2º Pilar - Programa de Desenvolvimento Rural

Ao nível do 2º Pilar, Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), tem-se cometido de forma permanente a injustiça de assumir que o desenvolvimento rural coincide com o desenvolvimento agrícola, mesmo quando a maioria da população rural não tem atividade agrícola. Mais uma vez a quase totalidade do PDR corresponde a agricultura, apesar de estar dividido em quatro componentes distintas: conhecimento (2,3%), produção (44%), ambiente (46,8%) e desenvolvimento local (5%). É fácil tirar esta constatação analisando as medidas de cada componente, até uma boa parte do desenvolvimento local corresponderá a agricultura. Para além de dificultar o desenvolvimento rural, na sua multiplicidade de atividades socioeconómicas, esta estruturação do PDR dificulta também o desenvolvimento da componente multifuncional que hoje reconhecemos na agricultura, pois a sua valorização depende também do desenvolvimento territorial não agrícola. A agricultura familiar é especialmente lesada por esta situação.

Nas medidas de apoio à produção, onde se incluem quase todas as ajudas para a melhoria das condições de produção e de escoamento dos produtos agrícolas, destaca-se no atual PDR o diferenciamento dos níveis e tipos de apoio disponíveis para agricultores membros de Organizações de Produtores (OP) e para as próprias OP. A canalização de fundos para as OP tem sido justificada pela necessidade de concentração da oferta e de organização da produção e escoamento do produto, de forma a procurar maior capacidade negocial e a valorizar a produção, em especial num momento em que muitos agricultores vendem produtos a preços inferiores aos custos de produção. Podendo a justificação ser válida, é importante perceber em que condições se estão a tomar estas medidas, pois atualmente são poucas as entidades oficialmente reconhecidas como organizações de produtores que realmente o são e a maioria dos agricultores nacionais não está integrado em nenhuma OP. O PDR prevê a distribuição de apoios para Organizações de Produtores mas não se criam mecanismos para promover a construção dessas organizações, partindo-se do princípio que elas já existem. Pode estar em marcha um plano de financiamento direto das estruturas empresariais de comercialização de produtos agrícolas e de criação acelerada de dependências entre os agricultores e estas empresas, destruindo as ligações diretas entre a produção e o mercado em vez de as fortalecer.

Agricultura familiar: construtora e fator de sustentabilidade do património paisagístico da Região Demarcada do Douro

18% da área total da Região Demarcada do Douro (RDD) é vinha, sendo a sub-região Baixo Corgo o local onde a área de vinha assume um maior domínio do território, com 32,4%. Na RDD existiam em 2008 quase 40 mil proprietários de vinha, dos quais 61% possuía menos de meio hectare e os proprietários com mais de 10ha representavam apenas 30% da área. Numa região onde a área de vinha é fator fundamental para a valorização da sua paisagem e quase 80% da área da cultura não é mecanizável, devido aos declives elevados e à sistematização das vinhas implementadas, as necessidades de mão-de-obra para a manutenção do sistema cultural e da paisagem são muito elevadas. A agricultura familiar assume neste contexto um papel preponderante na sustentabilidade deste território, pois possibilita a manutenção da paisagem através do acompanhamento das explorações agrícolas familiares, mas também porque são fonte de mão-de-obra assalariada que opera nas restantes explorações agrícolas. Com a tendência de abandono da atividade agrícola por parte dos filhos dos pequenos proprietários e perante a impossibilidade de mecanizar as operações na maioria das vinhas implementadas, corre-se o risco de haver o abandono de uma área de vinha substancial da RDD, com consequências negativas para a valorização do património paisagístico e histórico da região e para a sustentabilidade deste território. A situação atual da RDD é um exemplo que demonstra a importância da agricultura familiar na sustentabilidade de um território, mas também um exemplo de como a atividade agrícola necessita de encontrar formas de quantificar e valorizar a sua multifuncionalidade quando esta se traduz efetivamente num serviço prestado e necessário para a sociedade.

Promover os mercados locais

Um dos maiores dramas atualmente experienciados pelos agricultores é a dificuldade de valorizar os seus produtos no mercado, é muito frequente a prática de preços inferiores aos custos de produção para todo o sector agrícola. Esta situação é consequente da combinação de dois fatores: 1) a liberalização dos mercados de bens alimentares internacionais; 2) a destruição dos mercados locais pelo crescimento das grandes cadeias de distribuição – com destaque para a Jerónimo Martins e a Sonae, representa cerca de 75% do mercado nacional de bens alimentares. O crescimento destas cadeias alterou as relações de forças comerciais entre a produção e a distribuição, com esmagamento dos preços pagos aos produtores, pois estes não têm mercado alternativo. Sempre que a grande distribuição é confrontada com uma subida de preços recorre à importação de produtos provenientes de países onde os custos de produção são mais baixos, provocando a descida de preços. Do pondo de vista ambiental as consequências desta situação são desastrosas, devido aos danos acrescidos pelo transporte de longa distância, mas também pelo impacto gerado ao nível da exploração e gestão dos recursos locais – ex: os agricultores tentam reduzir custos de produção à custa de sobreexploração de recursos para se manterem no mercado.

Em consequência das elevadas margens aplicadas pela distribuição a baixa de preços ao agricultor não se tem feito sentir com a mesma intensidade ao nível do consumidor, que muitas vezes é confrontado com preços demasiado altos, limitando o consumo.

A promoção e o crescimento dos mercados locais possibilitaria uma maior capacidade de negociação por parte da produção, com subida de preços pagos ao agricultor e uma maior fragmentação da cadeia de abastecimento, beneficiando os meios de distribuição com maior proximidade entre a produção e o consumo, resultando assim numa maior integração dos agricultores no mercado. Também as centrais agrícolas e organizações de produtores que concentrem maiores quantidades de produto beneficiariam com esta alteração. Possibilitaria ainda uma maior participação da população local na cadeia de valor, com ganhos quantitativos e qualitativos ao nível do emprego.

Intervenção realizada no II Fórum do interior (7/8 de novembro de 2014)

Sobre o/a autor(a)

Ricardo Vicente
Engenheiro agrónomo

Os agricultores e as organizações de produtores

OPINIÃO

Ricardo Vicente

Para a maioria dos agricultores nacionais torna-se impossível constituir uma organização de produtores, a hipótese que lhes sobra é juntarem-se às dominadas pelos grandes produtores e distribuidores.

15 de Junho, 2015 - 11:00h

Segundo dados do INE, em 2013 existiam 264,4 mil explorações agrícolas em Portugal, com uma dimensão média de 13,8ha e com um Valor de Produção Padrão (VPP) total por exploração de 17,1 mil euros. A população agrícola familiar representava 6,5% da população residente. Apenas 6,2% dos produtores agrícolas viviam exclusivamente da agricultura. Entre os produtores singulares (253 mil), setor que tinha uma idade média de 64 anos, 95% pretendiam continuar atividade, mais de metade por motivos económicos.

Em 2013, segundo o relatório do GPP de Dez. 2014, 21 mil explorações agrícolas constituíam 135 Organizações de Produtores (OP) com áreas de atividade diversas, representando estas 0,08% das explorações do país e 8,64% do Valor de Produção Comercializada (VPC). 62% das OP atuavam no setor Frutas e Produtos Hortícolas, dominando 24% do valor de comercialização nacional deste setor, e 48% estavam localizadas na Região de Lisboa e Vale do Tejo. Para o quinquénio 2005-2009, o VPP das explorações agrícolas do Ribatejo e Oeste, para os setores Hortícolas Frescos (ar livre), Vinha e Frutos de Climas Temperados, foram 9.740€, 1.967€ e 11.134€, respetivamente.

Os parágrafos anteriores descrevem resumidamente o tecido agrícola e a fraca importância das OP a nível nacional. Sobre esta realidade desenham-se as políticas agrícolas nacionais e aplica-se a Política Agrícola Comum (PAC) com a reduzida margem de manobra que a cada Estado membro é possibilitada. O atual Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), 2º pilar da PAC, prevê um conjunto de novas medidas que favorecem os membros das OP de forma significativa: majoração de 10pp sobre o apoio ao investimento; acréscimo de 5 mil euros ao prémio de instalação de jovens agricultores; e prioridade na aprovação de projetos de investimento, entre outras vantagens. As OP beneficiam ainda de ajudas comunitárias e nacionais para a constituição de um fundo financeiro denominado Fundo Operacional, que é destinado ao investimento tecnológico e funcional de toda a estrutura (membros e OP) e cujo valor máximo anual, que depende do VPC total da OP, é constituído, grosso modo, por: contribuição dos membros + ajuda comunitária (4,1 a 4,6% do VPC) + ajuda nacional (máx. 80% da contribuição dos membros). O modo de constituição do Fundo Operacional não se alterou com o novo quadro.

Para constituição e reconhecimento de novas OP para cada setor é necessário cumprir com um conjunto de critérios, destacando-se claramente o VPC mínimo e o número de produtores necessários como principais fatores limitantes. Para os setores do Vinho e para as Frutas e Hortícolas, é exigido um VPC mínimo de 3,5 e de 3 milhões de euros anuais, com um mínimo de 12 e 7 produtores membros, respetivamente. O VPC mínimo duplicou comparativamente com o quadro anterior. Em ambos os quadros, o VPC mínimo passa a metade, caso o número de membros seja 3 vezes superior ao mínimo. Estatutariamente é permitido que os direitos de voto e o capital social estejam concentrados 49% em apenas um membro da OP, até mesmo em situações em que esse membro não é produtor.

Perante este cenário, torna-se impossível para a maioria dos agricultores nacionais constituir uma OP, a hipótese que lhes sobra é juntarem-se às OP dominadas pelos grandes produtores e distribuidores, onde não têm qualquer capacidade para determinar o seu futuro ou regras de funcionamento. Façamos as contas, com base no VPP do Ribatejo e Oeste, no mínimo seriam necessários: 135 produtores para as frutas; 154 para as hortícolas e 890 para o vinho. O atual Governo poderia ter feito de forma diferente, mas fez a escolha do costume: prejudicar a maioria dos agricultores e beneficiar entidades de maior dimensão, possibilitando a concentração de subsídios em forma de renda.

A pressão para aderir às OP será grande, pois todos os apoios direcionados para a agricultura estão em parte dependentes desta adesão, no entanto, usufruir desta "vantagem" significa uma vinculação de exclusividade por parte do agricultor à OP durante pelo menos 5 anos com a venda da sua produção. Trata-se de passar um cheque em branco, pois o agricultor perde a sua capacidade de negociação de preços.

Este caminho leva à desarticulação dos pequenos agricultores do mercado e ao bloqueamento da sua organização e desenvolvimento. Os seus defensores argumentam que é necessário que as Organizações de Produtores cresçam na sua dimensão, mais do que no seu número, de forma a ganharem capacidade de negociação com a grande distribuição. Se esta fosse a sua verdadeira motivação, por que motivo manteriam a possibilidade estatutária de haver concentrações de capital social e de direitos de voto em 49%? Por que motivo reduziriam o número mínimo de membros necessários para formar uma OP? Uma boa parte das OP atualmente reconhecidas, antes de o serem já eram entidades distribuidoras intermédias e autónomas implementadas no mercado e assim pretendem continuar sê-lo. A forma mais rápida e eficiente de aumentar a capacidade de negociação, por via da concentração, com a grande distribuição (Jerónimo Martins, Sonae,…) seria estas entidades fundirem-se, mas ninguém parece estar disponível a abdicar da sua autonomia, no entanto, defendem que os outros, os pequenos produtores sem direito de voto, o devem fazer juntando-se eles.

A constituição de OP para os diversos setores agrícolas pode efetivamente ser um fator capaz de impulsionar o desenvolvimento socioeconómico da agricultura mas esta ferramenta tem de ser disponibilizada aos agricultores, com regras e dimensionamentos adequados às condições concretas de cada setor e de cada região, possibilitando a constituição e a agregação dos pequenos e médios agricultores, que representam o tipo de agricultura dominante em Portugal. Trata-se também de discutir a boa aplicabilidade de dinheiros públicos, nacionais e comunitários. É necessário ainda impor regras estatutárias que permitam a democratização das OP, impossibilitando a hegemonia dos membros de maior dimensão. Para tal é urgente revogar a Portaria 169/2015, de 4 de Junho.



Sobre o/a autor(a)

Ricardo Vicente
Engenheiro agrónomo

A criação e a distribuição de valor na agricultura

OPINIÃO

Artigo de Ricardo Vicente

Atualmente, entre os agricultores, a principal dificuldade identificada e de permanente indignação prende-se com a valorização da produção no mercado. Por Ricardo Vicente

27 de Junho, 2015 - 16:50hRicardo Vicente

Tomate fresco: Ao longo dos anos 90, mas em especial durante a última década, as transformações foram muito grandes e contínuas: a área de culturas em estufa cresceu bastante - Foto de Sarmale / Olga/flickr

A questão da quantidade e da qualidade da produção parece ser secundária aos olhos de quem vive e constrói a agricultura. Assim sugerem os agricultores com quem diariamente contacto na Região Oeste.

Consideremos dois exemplos: a produção de tomate para consumo em fresco e a produção de abóboras, culturas cuja produção nacional se concentra em cerca de 80% na Região Oeste, com áreas aproximadas de 400ha de tomate (em estufa) e 1.500ha de abóboras, com um valor total de produto comercializado, à saída das centrais hortícolas, de 50 milhões de euros, aproximadamente. Ambas as culturas têm uma história de sucesso produtivo na região:

- Abóboras: No final da década de 90 a importância da cultura era residual, poucos agricultores a praticavam e aqueles que o faziam cultivavam áreas muito pequenas, num sistema de cultivo em sequeiro. Durante a última década tudo se transformou: surgiram novos produtores e armazenistas que criaram redes de comercialização; a área cultivada aumentou brutalmente; melhoraram as técnicas de produção, com surgimento de novas variedades, mecanização de práticas culturais, implementação de regadio e de equipamentos de adubação localizada; duplicou-se a produção por hectare; surgiram alguns produtos processados; e a cultura iniciou expansão para outras regiões do país.

- Tomate fresco: na década de 90 a produção era muito baixa e quase exclusivamente dedicada ao mercado nacional. Ao longo dos anos 90, mas em especial durante a última década, as transformações foram muito grandes e contínuas: a área de culturas em estufa cresceu bastante e a cultura do tomate ganhou hegemonia; implementaram-se sistemas de fertirrega automatizados em quase toda a área cultivada; em 1997 surgiu a primeira área de cultivo sem solo (1.500m2); após uma intempérie que destruiu a quase totalidade das estufas da região em 2009, a reconstrução possibilitou a modernização, com implementação de estufas metálicas com sistemas de ventilação automatizados por toda a região; a produção / ha disparou; em 2015 existem cerca de 200ha de cultura sem solo; algumas práticas de Proteção Integrada como a largada de auxiliares tornaram-se vulgares; e estão a surgir os primeiros ensaios de implementação de sistemas de climatização.

Apesar dos elevados níveis de produção e da razoável qualidade do produto obtido, a viabilidade económica destes sistemas de produção, tal como os conhecemos, pode estar em causa. Se por um lado os custos de produção são muito elevados, com os consumos intermédios a representar em média 50%, mão-de-obra 26% e amortizações 20%, por outro o valor de comercialização da produção é frequentemente demasiado baixo. As dificuldades com que estas duas culturas se confrontam são comuns a muitas outras localizadas em todo o país. Assim, é urgente intervir sobre a cadeia de valor, gerando novas formas de valorização e uma mais justa repartição ao longo da cadeia, mas também ao nível da otimização do consumo de fatores de produção. Segue-se uma breve análise ao que considero serem as duas principais limitações para prosseguir este caminho.

Investimentos desproporcionais
Nos últimos anos a linha de pensamento dominante sobre a evolução da agricultura e sobre a sua capacidade para responder aos desafios do futuro, nomeadamente às necessidades alimentares da crescente população mundial e na resposta às alterações climáticas e preservação de recursos naturais, aponta para a evolução e aplicação tecnológica como a principal solução. Cresce a ideia de uma agricultura de precisão. Numa análise ao nível das explorações agrícolas, é fácil perceber que a tecnologia tem um papel relevante, mas também claramente insuficiente, mesmo em condições em que o acesso seja garantido.

Por facilidade, imaginemos um esquema em que a maximização do valor gerado por uma exploração agrícola ou conjunto de explorações, corresponde à área de um triângulo, em que os seus lados representam os investimentos: tecnologia pós-colheita; tecnologia de produção e conhecimento técnico-científico. A maximização do valor gerado pela atividade exigirá assim a proporcionalidade dos investimentos realizados.



Se aplicarmos este modo de visualização aos dois casos de estudo anteriormente abordados encontraremos triângulos com configurações bastante diferentes, decorrentes da desproporcionalidade dos investimentos realizados:

- Tomate fresco: é vulgar encontrar explorações agrícolas com investimentos tecnológicos superiores a 200 mil euros por hectare, tenham elas dimensões inferiores a 1ha ou superiores a 5ha. A maioria das explorações, talvez a totalidade, tem um acompanhamento técnico insuficiente ou inexistente e, em consequência, não conseguem a rentabilização do investimento tecnológico realizado (ex: instalaram-se sistemas de fertirrega capazes de realizar monitorizações ajustadas ao ciclo cultural e época do ano, mas não são devidamente utilizados). Nesta situação, por mais que a tecnologia possa evoluir, os seus benefícios estão altamente limitados por um fator humano e a otimização do sistema depende essencialmente da incorporação de conhecimento.



- Abóboras: houve um investimento razoável em tecnologias de produção, tendo-se alcançado produções médias de 30 a 40 toneladas em muitas explorações agrícolas, mas o fraco investimento ao nível das tecnologias pós-colheita e do conhecimento técnico-científico tem como consequência perdas anuais de 30% a 60% da totalidade da produção durante o período de armazenamento. Nesta situação, a otimização do sistema e a maximização do valor gerado depende do investimento combinado em tecnologia pós-colheita e conhecimento técnico-científico.



Concentração de valor na cadeia de distribuição
O diferencial entre os preços pagos ao produtor e os preços pagos pelo consumidor é bastante elevado como se pode verificar na tabela seguinte. A margem aplicada para três tipos de couves variou entre 231% e 888%, no dia 9 de Junho de 2015. Quanto à cultura do tomate fresco (rama), a margem era de 198%. Durante o mês de Junho a quantidade de abóbora nacional presente no mercado é residual. Esta situação é possibilitada pelo elevado domínio da grande distribuição no mercado de bens alimentares e pela ausência de qualquer regulamentação de preços. As consequências são gravosas para todos os agricultores mas também para os consumidores, limitando a produção e o consumo. Tratando-se de produtos não transformados, o acréscimo de valor real gerado ao logo da cadeia é muito reduzido, pelo que não há justificação para este diferencial (ver esquema abaixo). Aparentemente, o valor de mercado concentra-se tendencialmente no nível da cadeia de valor mais distante do momento de criação original da mercadoria em causa. Assim, a retribuição da atividade distribuição supera a produtiva, condicionando o desenvolvimento da produção e, consequentemente, a criação de valor.

Sobre possíveis soluções
A otimização dos sistemas de produção agrários e a procura pela sua sustentabilidade exigem uma grande incorporação de conhecimento. O tecido agrícola nacional está longe de estar preparado para esse caminho, independentemente da dimensão das explorações agrícolas em análise. Existem, grosso modo, duas visões muito distintas e incompatíveis sobre o caminho que devem seguir as políticas agrícolas, sendo a segunda dominante: 1) garantir a integração dos agricultores de pequena e média dimensão nos mercados e a continuidade da atividade agrícola da maioria dos agricultores, que é de alguma forma complementar a outras atividades económicas, mas que apesar disso tem margem para se desenvolver; 2) obrigar à especialização na atividade agrícola, com favorecimento das unidades de grande dimensão e marginalização da maioria dos atuais agricultores. A opção 2 parece já estar em marcha e terá custos sociais e económicos elevadíssimos para o país se prosseguir, no entanto, ambas as vias necessitam da criação de uma rede que seja capaz de capitalizar as explorações agrícolas com conhecimento técnico-científico. Esta resposta poderá passar pela recuperação e modernização da ideia de extensão rural.

A justa valorização no mercado ao longo da cadeia depende mais da intervenção política, através da criação de mecanismos de regulamentação de mercados a nível nacional e internacional, do que de qualquer ação inovadora que os agricultores possam desencadear. No entanto, existem experiências pontais que apesar da impossibilidade de se tornarem uma alternativa global, demonstraram ser capazes de atenuar o problema, através da criação de produtos diferenciados ou de redes alternativas de comercialização.

Artigo de Ricardo Vicente

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Ricardo Vicente
Engenheiro agrónomo

Madeira e cortiça impulsionam VAB da silvicultura, segundo INE


Os setores de madeira e cortiça impulsionaram o VAB da silvicultura em 2013, revelam dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

O Valor Acrescentado Bruto (VAB) da silvicultura aumentou 6,0% em volume e 8,7% em valor, em 2013 comparativamente com o ano anterior, mantendo a tendência de crescimento observada desde 2009.

«Para esta evolução foram determinantes os acréscimos na produção de Madeira (+6,7%) e de Cortiça (+6,0%), decorrentes de variações positivas, quer em volume, quer em preço», refere a síntese do relatório de 'Contas Económicas da Silvicultura -2013' .
Em 2013, a madeira para triturar «registou o valor de produção mais elevado da série. Neste ano, destaca-se ainda o aumento em volume da florestação e reflorestação de rendimento regular (+14,9%), devido, sobretudo, a replantações de eucalipto, refere a mesma fonte.

Homem morre em acidente com trator no concelho da Mêda


Escrito por  Centro TV - BKN 26 junho 2015 Sê o primeiro a comentar
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 Homem morre em acidente com trator no concelho da Mêda Foto: Arquivo
Mais um acidente com trator a matar o seu condutor, desta vez no concelho de Mêda.

O acidente aconteceu, hoje, na aldeia de Relva, e a vítima foi um homem de 75 anos.

O idoso esta a lavrar um campo agrícola com um trator que não tinha arco de segurança, tendo capotado e ficado esmagado pelo veículo.

Os bombeiros e os técnicos do INEM já não conseguiram salva-lo e acabou por falecer no local do sinistro.

Esta já é a 27 vítima mortal em acidentes de tratores este ano em Portugal.

Projecto português considerado o melhor em sustentabilidade em espaço rural na Europa


22 de Junho de 2015 às 12:29 por Publituris

Duorum_1O projecto Duorum Vinhos S.A. foi o vencedor europeu do prestigiado prémio ANDERS WALL, que é atribuído ao melhor projecto de gestão da biodiversidade e paisagem em espaço rural.

Este prémio com 13 anos de existência é promovido por diversas entidades, entre elas "Anders Wall Foundation", "Friends of the Countryside", "DG Environment European Comission" a e "Swedish Royal Forestry and Agriculture Academy", galardoando anualmente o projecto europeu que melhor tenha contribuído de uma forma positiva para o desenvolvimento rural sustentável, preservação da paisagem, promoção da biodiversidade e que potencie a economia rural da comunidade europeia.

O prémio é atribuído a modelos de gestão empresarial com impacto a nível local, nacional e europeu.

Depois de em 2008 receber o Prémio Empreendedorismo e Inovação pelo Ministério da Agricultura, em 2012 e 2013 ter recebido os galardões Empresa do Ano e Viticultura do Ano pela Revista de Vinhos, e o prémio Empreendouro pela UTAD, este é o primeiro reconhecimento internacional do Projecto, atribuído por entidades Europeias. Mais um destacado prémio arrecadado pelo sector vinícola e por empresários portugueses.

Ministra em modo amazona para promover cavalo Lusitano



Foto: Arménio Belo/Lusa

"Correu bem no passo e no trote, correu mal na passagem a galope", admitiu Assunção Cristas, na Feira do Cavalo de Ponte de Lima. 25-06-2015 21:25
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A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, montou esta quinta-feira, em Ponte de Lima, um cavalo Lusitano para realçar o potencial e a importância da espécie, reconhecendo-a como um dos produtos de excelência do país.
"Correu bem no passo e no trote, correu mal na passagem a galope. Não montando há 20 anos, o que isto quer dizer é que é preciso treinar muito para se poder fazer alguma coisa melhorar", afirmou Assunção Cristas depois de ter montado o "Tufo", um puro-sangue Lusitano de três anos na abertura IX Feira do Cavalo de Ponte de Lima.
A ministra da Agricultura e do Mar afirmou que se trata de "um sinal do compromisso com o cavalo, um sinal da importância que é preciso dar ao Lusitano". "É um dos produtos de excelência da produção animal que pode fazer brilhar Portugal no mundo, mais do que já brilha", sustentou.
Assunção Cristas adiantou que o sector "está a trabalhar muito, cada vez mais virado para a exportação, para a valorização do cavalo para os diferentes usos".
A polivalência do cavalo Lusitano e do investimento nas diferentes fileiras a ele associadas estão, segundo a governante, "bem visíveis em Ponte de Lima", numa feira com "dimensão não só nacional, mas cada vez mais internacional.
A ministra realçou "toda a dinâmica" já criada em torno do cavalo, como o vestuário, apontando como exemplo a roupa inovadora que envergou para montar em Ponte de Lima com "aromoterapia para acalmar o cavalo".
Questionada pelos jornalistas, Assunção Cristas disse ainda que a aposta no turismo equestre em Ponte de Lima "vai ao encontro da estratégia nacional que o Governo está a traçar", com o apoio Associação do Turismo Equestre. "Temos fundos comunitários para apoiar [mas] precisamos que todos se mobilizem", afirmou.
A IX Feira do Cavalo decorre até domingo, em Ponte de Lima, município que assume uma aposta crescente nas actividades equestres, tendo inaugurado recentemente o Espaço para a Equitação Espontânea.
O evento, que conta com coudelarias nacionais e criadores de Espanha, Bélgica, França e Inglaterra, mantém uma forte incidência na vertente desportiva e do cartaz fazem parte as Olimpíadas de Equitação Adaptada, a taça de Portugal de `dressage`, um campeonato de horseball e o tradicional desfile de coudelarias.
Além das actividades equestres - que, segundo o município, integram o concelho no circuito mundial -, o programa inclui animação musical.

A agricultura portuguesa pode ser competitiva?


Programa "A Caminho das Legislativas" debateu o tema. Da fase da depressão passou-se para a euforia, mas ainda falta uma mudança de atitude. Veja o retrato que os especialistas fazem do setor

Por:  Vanessa Cruz  Vanessa Cruz    |   25 de Junho às 22:50
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Uma moda ou uma tendência? A agricultura sorri mais como marca, atualmente, com ramificações cada vez mais ecológicas, negócios de nicho e caras mais jovens. Pode ser a agricultura portuguesa verdadeiramente competitiva? No programa "A Caminho das Legislativas", que todas as quintas-feiras, na TVI24, debate temas relevantes para uma melhor decisão dos eleitores nas próximas legislativas, constatou-se que da fase da "depressão" passou-se para a "euforia", mas ainda falta bastante para Portugal capitalizar o setor e, sobretudo, ainda falta uma mudança de atitude. 

"Há uma melhoria significativa, institucional e de autoestima dos agricultores, mas quero alertar para o perigo de sermos demasiadamente otimistas. Tenho um bocadinho medo [disso]. Estamos longe de poder considerar que temos um crescimento sustentável em alguns aspetos. Há é sobretudo atitude diferente, por um lado da importância que o setor tem e, por outro, do papel que os agricultores sentem que a sociedade lhes atribuiu", afirmou Francisco Avillez, professor de economia e política agrícola. 

Alfredo Cunhal Sendim, por sua vez, é empresário agrícola há 25 anos. Concorda que "o grande desafio é a mudança de atitude". No sentido em como se faz agricultura em Portugal e em "como trabalhamos no nosso planeta".
"Ainda falta uma mudança por completo. O modelo agrícola está absolutamente ultrapassado e é pouco responsável. Tem que claramente evoluir para outro paradigma. Agora só vê o imediato. Não produzimos um litro de combustível, um quilo de adubo. Quer em termos de economia, quer de alimentação e soberania alimentar não faz sentido"

Para este engenheiro, a aposta deve passar por pensar a médio e longo prazo e que todos devem reter uma palavra e aplicá-la: a agroecologia, "uma ciência que une a capacidade do homem de entender a natureza, domesticar e cultivar, com a ecologia, que não é mais do que a forma como este planeta vive". 

Não dá lucro, atualmente, e isso é um problema, mas "porque a economia está apenas centrada nas atividades humanas e esqueceu-se da forma como mundo funciona. A economia deve ser georreferenciada", defendeu. 

Diogo da Silveira, presidente da Portucel, analisou depois o seu setor, o florestal, dizendo que em cada 100 euros que exportamos, cerca de 10 vêm da floresta. "Estando bem pode vir a estar melhor", admitindo, dizendo que no setor agrícola a mudança vem sempre, sobretudo, a partir da iniciativa das pessoas.  

Um punhado de sementes de melancia, nem sabe o bem que lhe fazia


26/6/2015, 13:33583 PARTILHAS

Minerais, proteínas, gorduras saudáveis. Esta é a composição das sementes de melancia. O conselho dos nutricionistas é comê-las. E não só engoli-las.


Ao invés de retirar as sementes da melancia ou engoli-las, experimente mastigá-las
Getty Images

É fresca, doce e muito hidratante devido ao alto teor de água. A melancia é dos melhores amigos do Homem nos dias de calor. Menos as sementes, claro, que são sempre renegadas para o canto do prato. E se lhe dissermos que as sementes da melancia têm uma elevada quantidade de fibras, minerais, proteínas e gorduras saudáveis para a sua alimentação?

Num artigo publicado na Alimmenta, a dietista e nutricionista Cristina Lafuente Gómez explica que nunca devem ser deitadas fora. Nem sequer vale engolir algumas, sobretudo as sementes brancas. Há que mordê-las e processá-las para que possamos beneficiar do enorme conteúdo nutricional.

Ora, vejamos: no International Journal for Natural Sciences, a especialista esclareceu que comer as sementes das melancias é uma forma natural e saudável de incluir proteínas na alimentação. E além de ajudar a manter a massa muscular, possuem "gorduras saudáveis que têm a capacidade de regular o colesterol no sangue".

E as vantagens não acabam aqui, garante o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, numa tabela onde explicita as quantidades de nutrientes presentes na melancia. Os minerais e magnésio são os compostos que mais se destacam: 108 gramas de sementes de melancia permitem-nos beneficiar de mais de 550 miligramas de minerais.

Mas ao El País, a nutricionista Cristina Lafuente Gómez deixa um alerta: apesar de todas estas vantagens, as sementes de melancia não são de fácil digestão. Por isso não deve comê-las ao pequeno-almoço nem antes de ir dormir: um punhado por semana é o ideal, aconselha a especialista. E de preferência secas no forno ou picadas.

Morcegos são "aliados" da Herdade do Esporão contra pragas na vinha


LUSA27 de Junho de 2015, às 07:00
*** Rita Ranhola (texto) e Nuno Veiga (fotos), da agência Lusa ***
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Reguengos de Monsaraz, Évora, 27 jun (Lusa) -- Os morcegos costumam ser associados a mitos ou lendas, como dos vampiros, mas são "amigos" do agricultor na Herdade do Esporão, no Alentejo, para ajudar a combater pragas de insetos nas vinhas, num projeto inovador em Portugal.

Pela vasta área de vinha deste produtor de vinhos, localizado no concelho de Reguengos de Monsaraz, é possível ver, aqui e ali, pequenas caixas de madeira pregadas no alto de postes.

São, nada mais, nada menos, do que as "casas" dos morcegos que "habitam" na herdade. Cerca de 100 exemplares, distribuídos por um total de 20 caixas.

A iniciativa, que arrancou em 2011, vai ser alargada este ano, com a instalação de 20 novas caixas, estando previstas novas ampliações, nos próximos anos, disse à agência Lusa o gestor agrícola da Herdade do Esporão, Rui Flores.

O projeto, no âmbito da conservação da biodiversidade da herdade, não demorou muito a atrair morcegos-de-kuhl e arborícolas, duas das 27 espécies em Portugal, contou à Lusa Mário Carmo, biólogo do Esporão.

"São muitos pequeninos" e, por noite, "comem metade do seu peso em insetos", disse, insistindo que, em Portugal, "os morcegos não são tão grandes" como os que aparecem nos documentários.

A ideia, lembrou o biólogo, "germinou" após uma amostragem dos morcegos da zona, que constatou que "viviam fora e vinham comer à herdade, porque existe bastante alimento".

E por alimento entenda-se insetos, o que comem, não só estes "moradores" da herdade, mas todos os morcegos nacionais (só três espécies no mundo se alimentam de sangue, geralmente de gado).

As caixas serviram "para criar um lar" para os morcegos, relatou Mário Carmo. Havia "uma forte probabilidade" de não serem ocupadas, mas, no primeiro ano, uma teve logo "residentes" e, agora, todos os abrigos estão preenchidos.

"Acho que funcionou muito bem e que eles estão a gostar do sítio", congratulou-se o biólogo, realçando que, em agricultura, há "alguns exemplos" deste tipo de projetos na Europa, mas em Portugal "é quase pioneiro".

E porque decidiu, então, o Esporão atrair morcegos e usá-los como "aliados" no controlo de pragas na vinha? A opção deve-se ao tipo de agricultura praticada na propriedade.

Dos 450 hectares de vinha, quase 138 são agricultura biológica, vedada a pesticidas e adubos químicos. Nos outros, em produção integrada, apesar de alguns produtos serem permitidos, a empresa evita usá-los, "sempre que possível", frisou Rui Flores.

"Em termos de doenças, temos tudo mais ou menos controlado", mas as pragas de insetos "são a nossa maior preocupação" e "temos de arranjar outras formas" para as controlar, através de medidas que favoreçam "o equilíbrio nos ecossistemas", argumentou.

O recurso aos morcegos e às caixas é uma dessas alternativas, a par de outras medidas de agricultura biológica.

O seu efeito no combate às pragas "não se consegue perceber" a "olho nu", nem no imediato, disse Mário Carmo, explicando, contudo, que o contributo destes pequenos "aliados" vai ser agora aferido, com análises genéticas ao guano (dejetos).

Desta forma, frisou, vai ser possível "perceber de que espécies de insetos se alimentam" e cruzar os dados com a lista de pragas na herdade: "Mesmo que comam os bons e os maus, desde que haja o equilíbrio, funciona".

"Ao princípio, toda a gente achava que era estranho" e que os morcegos não iam "entrar nessas caixas", mas "estamos a ter sucesso" e "acreditamos que, a médio e longo prazo, vamos ter resultados", afirmou Rui Flores.

// MLM

Lusa/Fim

Marcham de tratores para apelar à regulação urgente da produção de leite e carne

AGRICULTURA
26/6/2015, 14:51

Pequenos e médios exploradores agrícolas de Aveiro promovem uma marcha lenta de tratores para apelar à regulação urgente da produção de leite e carne e evitar o fim da "soberania alimentar" no país.


Organizado pela ALDA - Associação de Lavoura do Distrito de Aveiro, o protesto teve início em Ovar com cerca de 20 veículos e terminou com perto de 40 em Aveiro
Getty Images

Proprietários de pequenas e médias explorações agrícolas do distrito de Aveiro promoveram esta sexta-feira uma marcha lenta de tratores, apelando à regulação urgente da produção de leite e carne para evitar o fim da "soberania alimentar portuguesa".

Organizado pela ALDA – Associação de Lavoura do Distrito de Aveiro, o protesto teve início em Ovar com cerca de 20 veículos e terminou com perto de 40 em Aveiro, onde os manifestantes entregaram à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro uma carta-aberta alertando para as consequências negativas do fim das quotas leiteiras.

"Na marcha do ano passado o preço do lei estava a uns 37 cêntimos por litro e agora já está a 27″, realçou Albino Silva, presidente da ALDA. "Ao consumidor final o preço até aumentou, mas para nós, descontados os custos de produção, este preço já começa é a dar prejuízo", afirmou.

Lembrando que desde a adesão à União Europeia, Portugal passou de 35.000 explorações leiteiras para as atuais 1.500, Albino Silva realçou que o que está em causa atualmente é assim "a própria soberania alimentar portuguesa".

Contestando que a reforma da Política Agrícola Comum tenha sido um sucesso, este responsável defendeu que o programa "foi é uma desgraça que visou a liquidação de milhares de explorações leiteiras".

"Como é que podem dizer que correu bem quando, ao preço a que nos pagam, o leite está mais barato do que a água?", questionou o agricultor Domingo Dias. "Está mais barato do que a água com a diferença de que não sai das fontes", ironizou.

O eurodeputado da CDU Miguel Viegas, que integra a Comissão da Agricultura do Parlamento Europeu, acompanhou o protesto e notou que ao problema do fim das quotas acresce o do embargo da Rússia aos produtos europeus, o que vem diminuindo as exportações de leite.

"O embargo russo foi uma medida política e os agricultores não têm que pagar por isso", explicou. "A situação já era difícil o suficiente com o fim das quotas leiteiras, que, ao liberalizar a produção, vai esmagar ainda mais os pequenos e médios produtores, portanto é preciso adotar medidas imediatas para compensação do embargo russo e pensar em mecanismos alternativos de regulação da oferta", declarou.

No mesmo contexto, Albino Silva argumentou que a falha das políticas europeias foi "não terem acautelado a realidade de cada país". E acrescentou: "A própria Comissão Europeia veio dar-nos razão, ao dizer que não tinham sido acautelados os interesses de todos os produtores e que não se podia permitir preços abaixo do custo de produção".

José Lobato, presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Leite e Carne, também aderiu ao protesto da ALDA, anunciando o lançamento de uma campanha de sensibilização do consumidor final, que diariamente adquire leite sem o devido conhecimento das dificuldades associadas ao seu processo de produção e comercialização.

"A situação vai ser para piorar", antecipou. "Começaram por arrasar a produção no interior do país, depois acabaram as pequenas explorações e agora são as médias. A seguir vão desaparecer as grandes, que até eram viáveis, mas vão ser 'comidas' pelas grandes empresas de outros países", concluiu.

Na carta que a ALDA dirigiu à Direção Regional de Agricultura e também à Presidência da República, ao Ministério da Agricultura e ao Parlamento, os agricultores reivindicam "a regulação pública urgente da produção do leite, o fim da especulação relativa ao preço dos fatores de produção, mais apoio na sanidade animal (…) e o fim da ditadura comercial dos hipermercados, para mais segurança e melhores preços no escoamento dos produtos".