quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Temos que reduzir a dependência externa de alimentos, admite ministro

Temos que reduzir a dependência externa de alimentos, admite ministro
Inserido em 17-02-2011 00:56

António Serrano sustenta que o combate ao aumento do preço dos
alimentos passa por uma maior capacidade de produção dos países.
Portugal deve produzir mais de forma a reduzir a dependência das
importações de produtos alimentares, defende o ministro da
Agricultura.
António Serrano sustenta que o combate ao aumento do preço dos
alimentos passa por uma maior capacidade de produção dos países.
Portugal depende em 40% das importações e António Serrano diz que é
necessário reduzir essa dependência alimentar.

"Ao reduzir a dependência externa nós estamos a ganhar mais autonomia,
sendo que nunca poderemos produzir tudo, nunca o fizemos. Em momento
algum da história tivemos capacidade de o fazer", sublinha.
O ministro diz que o Governo tem "incentivado a produção", que
aumentou 4,4% na última década, mas pode crescer mais e defende
parcerias dentro do sector produtivo, investimento, modernização das
explorações e apoios aos rendimentos dos agricultores.
No seu mais recente relatório, o Banco Mundial revela que o aumento do
preço dos alimentos – próximo dos níveis recorde de 2008 – colocou
mais 44 milhões de pessoas dos países em vias de desenvolvimento
próximos do limiar da Pobreza.
O ministro da Agricultura diz que pouco se aprendeu com a crise de
2008 e alude à necessidade da sociedade valorizar mais a agricultura.
Entre os alimentos que mais aumentaram de preço no último ano está o
trigo com mais de 100%, o milho 73% e o açúcar 20%.
Produtores de cereais queixam-se de falta de estratégia nacional
Bernardo Albino, presidente da Associação Portuguesa de Produtores de
Cereais, diz que a subida de preço decorre do aumento dos factores de
produção e é também resultado da redução da aposta no sector.
"Na Europa houve uma redução gigantesca da área de produção de
cereais, por exemplo, em Portugal então houve uma redução gigante. As
pessoas na terra não ganham dinheiro a produzir as coisas, deixam de
produzir e os mercados passam a dominar tudo".
Bernardo Albino afirma que Portugal "tem condições para produzir", mas
ressalva que a existência de um "défice de competitividade", mesmo que
pequeno, é o suficiente para as pessoas se desinteressarem da
produção.
"Se a acrescer a isto não existir uma estratégia pública, uma
estratégia nacional, como há para outros sectores que têm de ser
acarinhados, como o turismo ou as energias renováveis. Se isto não
existe para a área dos cereais, os produtores dedicam-se a outra
actividade, a outros produtos e a produção desaparece", alerta
presidente da Associação Portuguesa de Produtores de Cereais.
Por sua vez, o Professor Adriano Moreira diz que é necessário que os
países regressem ao conceito estratégico de reserva alimentar e alerta
que a fronteira da pobreza se aproxima dos territórios europeus.
O antigo ministro defende a necessidade de se rever a política
agrícola e sugere também que se ultrapassem as dificuldades impostas
pela integração europeia.

O Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, diz que é preciso inverter a
tendência da aglomeração de multidões nos grandes centros urbanos e
defende a necessidade de se voltar a apostar mais na agricultura.
http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=1128&did=142571

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