quinta-feira, 13 de junho de 2013

Vida de Caracol

O lento percurso dos gastrópodes de um dos maiores importadores
nacionais - do armazém à travessa

Por Sandra Pinto
9:24 Sábado, 1 de Junho de 2013 |


Francisco Caetano, 60 anos, é um empresário otimista, coisa rara nos
tempos que correm. Proprietário da empresa de importação e exportação
Francisco conde, acredita que este é um ano particularmente bom. Para
os caracóis, pelo menos. "As previsões são altas, espero vender cerca
de 2 mil toneladas", diz, confiante. Na época forte de consumo de
caracóis, entre abril e finais de agosto, os camiões chegam ao seu
armazém, em Brejos de Azeitão, na Margem Sul, a um ritmo quase diário.
Todas as madrugadas é preciso descarregar o material - isto é, os
caracóis, que vêm de Marrocos - e, nas horas seguintes, pô-los a
repousar na arca frigorífica.

O turno da manhã começa às nove horas. E desde logo começa a seleção
minuciosa das três espécies: teba pisana(os tradicionais caracóis),
otalla latia (riscada, mais pequena e utilizada para cozer) e hélix
aspersa (a caracoleta maior para grelhar e a mais cara das três
espécies). Após esta "lupa" humana, que serve para detetar as cascas
partidas, também se separam as caracoletas grandes das pequenas. Por
fim, vão para a máquina, a fim de serem embaladas em sacos de um
quilograma. Esta é a última tarefa que aqui se executa, antes de os
caracóis seguirem para os clientes que, segundo diz Francisco Caetano,
são de todo o País, de Vila do Bispo a Viana do Castelo. Em Lisboa, um
dos clientes mais conhecidos é o Júlio dos Caracóis, na Rua Vale
Formoso, número 140 B, chefiado por Vasco Rodrigues, filho do Júlio
dos Caracóis. Há mais de 50 anos que são especialistas em caracóis,
mantendo o segredo da confeção e as quantidades servidas. Sem
reservas, Vasco Rodrigues diz que prefere os caracóis marroquinos aos
nacionais: "Têm o dobro do tamanho", justifica.

Francisco possui dois armazéns: o de Brejos de Azeitão e o de
Marrocos, em Belksiri, na zona de Gharb, liderado pelo filho mais novo
de Francisco Caetano. A empresa tem, ainda, sete lojas de take-away (a
primeira foi aberta em 1998, em Setúbal), três restaurantes e uma box
no interior do Mercado.

Abastecedor da Região de Lisboa. Um "império" dedicado ao gastrópode
que chega de longe porque, como explica o empresário, "não produzimos
caracóis suficientes, em Portugal". Mas, revela, a melhor região para
os apanhar é a de Santarém". A loja recordista desta empresa familiar
fica no Barreiro, na Avenida Calouste Gulbenkian. No ano passado, só
numa tarde, serviu 63 tachos com 20 quilos cada um. A média de um dia
bom ronda os 45 ou 50 tachos. Aqui, em duas filas separadas, vendem-se
caracóis ao quilo (vivos ou cozidos) e caracoleta grelhada. Quando se
entra na cozinha, mais parece que se está numa pequena fábrica.
Primeiro, os caracóis são lavados numa máquina que foi "inventada" por
Nuno Caetano (o filho mais velho de Francisco Caetano, que se
encarrega da gestão da cadeia de lojas) e, depois, vão ao lume, em
tachos grandes. Falta a receita: juntam-se os ingredientes (sal,
cebola, alho, knorr, malagueta e orégãos, não utilizam bacon) e,
depois de levantar fervura, espera-se entre seis e dez minutos pela
sua cozedura. Os tachos que saem dos 17 fogões (e que se enchem com 20
quilos cada um) estão, agora, prontos a serem servidos.

Fotos: José Caria

FRANCISCO CONDE

Pontos de venda: Pingo Doce, Jumbo e Makro; lojas take-away Casa dos
Caracóis: Barreiro, Montijo, Foros de Amora, Brejos de Azeitão e
Lagoinha

Preços: €5 (750 ml), €8,50 (1200 ml), €13 (1,650 ml), €21 (2,50l), €29 (5l)


http://visao.sapo.pt/vida-de-caracol=f732969

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