segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Portugal defende manutenção de verbas na PAC pós-2020


11/12/2017, 16:21

Capoulas Santos anunciou que Portugal se vai bater pela manutenção das verbas que recebe de Bruxelas para a agricultura e ver o cofinanciamento nos pagamentos diretos aos agricultores.

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, anunciou que Portugal se vai bater pela manutenção das verbas que recebe de Bruxelas para a agricultura e ver com atenção a proposta de introduzir cofinanciamento nos pagamentos diretos aos agricultores.

"Queremos que a nova política agrícola comum (PAC) tenha um orçamento tão próximo quanto possível do atual e, a haver reduções, estas não podem incidir no segundo pilar (desenvolvimento rural)", esclareceu o ministro, defendendo que haja "um equilíbrio".


"O Governo vê com um misto de expectativa positiva e apreensão" a proposta de reforma da PAC para o pós 2020, disse, ressalvando que se está ainda a discutir o documento de reflexão apresentado pelo comissário europeu da tutela, Phil Hogan, em 29 de novembro.

Para Luís Capoulas Santos a introdução de um limite aos pagamentos diretos é uma questão que não o preocupa, dado que já vigora em Portugal.

Por outro lado, o ministro considerou que a introdução do cofinanciamento no primeiro pilar da PAC, atualmente pago a 100% pela União Europeia (UE) poderá ser compensado com "uma maior convergência" nos valores.

Atualmente, a UE financia Portugal a 200 euros por hectare, abaixo da média de 260 da média da UE.

"Portugal está numa posição de equilíbrio entre os Estados-membros que recusam alterações ao regime dos apoios diretos — como França e Espanha — e os que querem mudanças", esclareceu.

Também a proposta de transmitir maior poder de decisão e de controlo (subsidiariedade) para os Estados-membros.

No âmbito do quadro financeiro plurianual 2014-2020, Portugal recebeu da PAC 8,1 mil milhões de euros (3,6 mil milhões para o desenvolvimento rural e 4,5 mil milhões de euros para pagamentos diretos aos agricultores).

Os pagamentos diretos são financiados na íntegra pela UE e o desenvolvimento rural a 85% porque Portugal é um país da coesão.

A comunicação publicada em 29 de novembro apresenta orientações para concretizar para uma reforma da PAC e para fazer face aos desafios emergentes, nomeadamente através de uma maior subsidiariedade a nível dos Estados-membros, a fim de a tornar mais próxima de todos aqueles que a põe em prática no terreno.

Uma das diferenças propostas em relação à PAC em vigor é o abandono do princípio de que um modelo serve para todos, introduzindo flexibilidade nas opções dos Estados-membros para chegarem aos objetivos traçados.

Assim, cada Estado-membro deverá estabelecer um "plano estratégico da PAC", que abranja intervenções do primeiro (apoio à produção agrícola) e do segundo pilares (desenvolvimento rural).

Pesca e agricultura em destaque na reunião da OMC

Euronews

Últimas notícias: 11/12/2017

 Pesca e agricultura em destaque na reunião da OMC

Em Buenos Aires, a reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio vai procurar o consenso na redução dos subsídios à pesca e à agricultura. No entanto, e por causa da falta de vontade dos Estados Unidos em chegar a acordos, os especialistas não esperam grandes avanços no encontro.

Este domingo, na abertura dos trabalhos, o presidente da Argentina lembrou o atual tempo de profunda transformação global e defendeu que é uma responsabilidade de todos enfrentar os desafios do século 21, transformando-os em oportunidades para um futuro mais inclusivo.

Como é habitual, esta reunião da OMC atraiu protestos de grupos anti-globalização. 

Centenas de manifestantes desfilaram pelas principais avenidas de Buenos Aires, criticando as políticas da organização e este encontro na Argentina.

A reunião da OMC acontece no meio de uma grande operação de segurança.

IPMA: Intensidade de Precipitação mm/h a 11 Dez

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Autarquias vão poder substituir proprietários incumpridores na limpeza da floresta

Primeiro-ministro anunciou que há uma verba de mais de 50 milhões de euros no próximo Orçamento do Estado para as câmaras municipais promoverem a criação de faixas de proteção de estradas e localidades.

09 de dezembro de 2017 às 18:30

Autarquias vão poder substituir proprietários incumpridores na limpeza da floresta
O primeiro-ministro desafiou as câmaras municipais a substituírem-se às empresas e aos proprietários que não cumprem a lei para limparem as faixas de combustível em torno de casas, estradas e cabos de eletricidade.

Durante a intervenção no XXIII Congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses, que decorre este sábado no Portimão Arena, António Costa anunciou que o Orçamento do Estado para 2018 prevê uma dotação de mais de 50 milhões de euros para promover a limpeza de faixas de proteção às vias e às localidades, podendo o Estado substituir-se aos proprietários que não cumpram e imputando-lhes, depois, os custos.

O primeiro-ministro adiantou que os proprietários privados, os concessionários de estradas e de infraestruturas têm até 15 de março para cumprirem com a lei e criarem as faixas de combustível nas zonas florestais, a partir daí e nas situações de incumprimento "os municípios estão habilitados a intervir". 

António Costa destacou ainda que o atual mandato autárquico, saído das eleições de 01 de outubro, ?será marcado por três desafios essenciais?: a descentralização, a preparação do Portugal 2030, o próximo quadro de fundos comunitários, e uma questão ?estrutural?, na sequência dos incêndios florestais, a revitalização do interior, reordenamento da floresta e reorganização do combate aos fogos.

Clima: mais de 50 dirigentes mundiais reúnem-se em Paris


Emmanuel Macron recebe, terça-feira, na capital francesa mais de 50 dirigentes políticos para procurar impulsionar a aplicação do acordo de Paris. Os Estados Unidos estarão ausentes.
Clima: mais de 50 dirigentes mundiais reúnem-se em Paris 
Reuters

10 de dezembro de 2017 às 09:57

Mais de 50 chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro português, participam na terça-feira em Paris numa cimeira sobre o clima promovida pelo Presidente francês, marcada pela "ausência" dos Estados Unidos.

No encontro, que o chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, pretende que sirva para impulsionar a aplicação do Acordo de Paris sobre redução de emissões de gases com efeito de estufa (assinado há dois anos e ao qual o Presidente norte-americano, Donald Trump, renunciou) vai estar também o secretário-geral da ONU, o português António Guterres.

Segundo a presidência francesa, vão estar na cimeira "One Planet Summit" mais de 2.000 "atores-chave", do setor público e privado, desde os chefes de governo de Espanha e Reino Unido, Mariano Rajoy e Theresa May, ao ator Leonardo DiCaprio ou ao multimilionário Bill Gates.

A "One Planet Summit" junta ainda outros norte-americanos "envolvidos" na questão das alterações climáticas, como o ex-governador do estado da Califórnia Arnold Schwarzenegger ou o antigo presidente da Câmara de Nova Iorque Michael Bloomberg.

Os Estados Unidos trocaram uma presença de alto nível por uma representação pelo encarregado de negócios da embaixada em Paris, por decisão da Casa Branca, segundo a presidência francesa.

Em contrapartida, estarão presentes chefes de Estado africanos, dirigentes de países afetados pelas alterações climáticas (como o Bangladesh e ilhas do Pacífico e Haiti), Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial, e responsáveis de grandes cidades, empresas e organizações não governamentais, empenhados no combate às alterações climáticas.

O objetivo é, segundo o Palácio do Eliseu, impulsionar os "atores envolvidos" e os projetos ligados à luta contra as alterações climáticas "de uma forma muito concreta".

A cimeira foi anunciada em julho por Emmanuel Macron como uma forma de retomar a questão da luta contra as alterações climáticas e a redução da emissão dos gases com efeito de estufa, após o anúncio, em junho, da intenção de Donald Trump de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris.

A reunião vai decorrer num novo local cultural perto de Paris, na cidade da música da ilha de Seguin (a oeste de Paris), após um almoço dos chefes de Estado e de Governo no Palácio do Eliseu (presidência francesa). Com eventos paralelos a decorrer dois dias antes, a presidência francesa disse que são esperados "uma dezena de grandes anúncios" após a reunião, que "se insere na agenda internacional sobre o clima", nomeadamente no ciclo das COP (Conferências das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas).

Organizada pelo Eliseu, ONU e Banco Mundial, a cimeira acontece pouco depois da 23.ª COP que decorreu em Bona, na Alemanha, em novembro. Organizações não governamentais consideraram na altura que no encontro de Bona não ficaram estabelecidas formas concretas de conseguir que as temperaturas não aumentem mais de dois graus em relação aos valores pré-industriais, uma das metas do Acordo de Paris.

Paris espera agora, segundo declarações de fontes oficiais no mês passado, um reforço do financiamento da luta contra as alterações climáticas ou a apresentação de projetos efetivos em setores como os transportes, agricultura ou energias renováveis.

Portugal tem defendido a aposta nas energias renováveis. No passado dia 05 em Rabat, após a 13.ª Cimeira Luso-Marroquina, António Costa garantiu que o país manterá a aposta no desenvolvimento das energias renováveis para atingir as metas do Acordo de Paris em matéria de descarbonização da economia.

Perante os jornalistas, António Costa prometeu que Portugal "continuará a desenvolver as energias renováveis e a baixar a fatura energética".

Concluído em 12 de dezembro de 2015 durante a conferência das Nações Unidas sobre o clima (COP21) em Paris, assinado por quase todos os países do mundo, o Acordo de Paris entrou em vigor a 04 de novembro de 2016. Visa limitar a subida da temperatura mundial reduzindo as emissões de gases com efeito de estufa.

Vila Galé investe mais 4 milhões em novo projecto de agroturismo no Alentejo


O Vila Galé vai investir mais quatro milhões de euros num novo projecto de agroturismo com 80 camas, adjacente ao Clube de Campo, em Beja, Alentejo, onde já produz um milhão de garrafas de vinho, disse o presidente do grupo.

Vila Galé investe mais 4 milhões em novo projecto de agroturismo no Alentejo

10 de dezembro de 2017 às 12:56

O grupo hoteleiro, que já detém o Clube de Campo há quase 20 anos, tem vários planos de expansão para a unidade de Beja, nomeadamente a plantação de mais olival e o alargamento do lagar, mas mais ao lado - a três quilómetros (km) deste hotel - pretende investir "cerca de quatro milhões de euros" num novo hotel "com 80 camas" para um segmento diferente de clientes.

"Este projecto de agroturismo [para o novo hotel adjacente ao Vila Galé Clube de Campo] não está aprovado ainda [pela Câmara de Beja]. Não se trata, neste caso, de ampliar o Clube de Campo. É fazer um outro hotel, que fica a três km daquele. É dentro da propriedade, mas como esta é muito grande [são mais de 1.600 hectares], são cerca de três km. É um projecto autónomo", afirmou Jorge Rebelo de Almeida em entrevista à Lusa.

O responsável diz que a nova unidade deverá ter 80 camas, mas que ainda "depende da aprovação" do projecto.

"Será um hotel mais sofisticado e mais direccionado para casais", ao contrário do Clube de Campo - do qual muito se orgulha, por ter sido pioneiro a aliar o turismo à agricultura - que está muito direccionado para famílias, explicou Jorge Rebelo de Almeida.

Ainda assim, o grupo também tem planos para o Vila Galé Clube de Campo, onde produzem vinho, azeite e fruta, e que tem, "em números redondos, 200 quartos".

"Queremos plantar mais olival", acrescentar mais "100 hectares" aos 160 que detém, e construir um lagar, por exemplo, afirma Jorge Rebelo de Almeida, que não consegue, no entanto, avançar uma data para a sua concretização.

"Tem a ver com o momento de aprovação. Candidatámo-nos a um programa de apoio para a plantação de mais olival e para o lagar. Assim que esteja desbloqueado, avançamos. Mas não dependendo de nós, não posso dizer uma data. Da nossa parte temos tudo preparado", garante apenas.

Actualmente, o que é produzido no Clube de Campo, vinho, azeite e fruta, não só abastece, e é vendido, nas unidades do grupo como também é exportado. Caso também da fruta para a qual dispõem de cerca de 95 hectares, que produz para além de pêra rocha, pêssegos, damascos, e outras.

"Fazemos as duas coisas (abastecer o grupo e exportar). Os vinhos são vendidos nos nossos hotéis em Portugal e no Brasil. Exportamos para vários países. Começou por ser uma coisa relativamente pequena e hoje já é uma actividade. Fazemos um milhão de garrafas de vinho e, por isso, já temos alguma dimensão", explicou Rebelo de Almeida.

Além deste um milhão de garrafas que produzem para o grupo, o responsável acrescenta que fazem "quase outro tanto para outros produtores" daquela região.

Hoje em dia, o grupo exporta cerca de "30% para o Brasil", o que, admite, "ainda são quantidades pequenas".

"Estávamos a exportar para Angola e Moçambique, mas está em redução face às dificuldades que aqueles países estão a atravessar novamente. Mas exportamos para a Suíça, Luxemburgo, França. Mas com maior expressão é mesmo o Brasil", afirmou.

Ainda assim, a aposta "é mesmo manter" as vendas para estes mercados.

Quanto à actividade do Vila Galé Clube de Campo, Rebelo de Almeida refere que não é uma unidade hoteleira que faça "taxas de ocupação muito elevadas", apesar de já ter chegado aos 70% de ocupação.

Ultimamente "tem andado abaixo disso, nos 55%, o que é pouco, porque está cheio aos fins de semanas, mas como é um hotel muito de famílias - e durante a semana as crianças estão na escola - a ocupação cai nos dias úteis. Nas férias das crianças, Julho e Agosto, estamos completamente cheios, por exemplo. Depois há quebras", afirma.

Questionado sobre a promoção que fazem desta unidade hoteleira, com particularidades diferentes das unidades de cidade, Jorge Rebelo de Almeida esclarece que o grupo 'vende' este hotel "junto com os outros".

"Desenvolvemos várias acções. Até curiosamente, no Brasil, para Évora captamos imensos brasileiros, mas para este não. Évora tem muito nome. O turista desloca-se porque tem alguma ideia do que vai ver. Évora tem muita notoriedade no Brasil. Até o facto de estar lá a Embraer é uma referência para eles", acrescenta.

Estranho, refere, é o facto de não terem "muito êxito com os espanhóis", um mercado que era natural. "O mercado espanhol vai para Lisboa, para o Porto, para o Algarve. Aqui para o Alentejo vem pouco. Temos que o empurrar para cá", conclui.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Política Agrícola Comum pós-2020 não pode significar menos verbas

Dinheiro Vivo/Lusa 09.12.2017 / 14:25 

O Governo dos Açores sublinhou que a "flexibilização" da Política Agrícola Comum pós-2020 não pode representar uma "redução de verbas" para a região. 

O Governo dos Açores sublinhou hoje que a anunciada "flexibilização" da Política Agrícola Comum (PAC) no período pós-2020 não pode representar uma "redução de verbas" para a região autónoma e para outras regiões ultraperiféricas. "Queremos uma PAC forte, que responda aos desafios da agricultura dos Açores no futuro. 

Uma PAC forte implica que não haja uma redução das verbas que neste momento estão alocadas à agricultura", afirmou hoje o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, que se reuniu em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, com o eurodeputado açoriano do PS Ricardo Serrão Santos. O secretário regional do executivo açoriano apelou ainda para que não seja reduzido o orçamento da PAC em detrimento de outras prioridades que emergem no seio da Comissão Europeia e da União, casos da segurança, as migrações ou ainda o 'Brexit' (saída do Reino Unido da UE). 

"Produzir nos Açores significa um acréscimo de custos significativos. A nossa situação arquipelágica, o clima e a distância dos mercados, tudo isso se traduz em sobrecustos na produção", sublinhou ainda João Ponte. A proposta da Comissão Europeia, apresentada no fim de novembro, em Bruxelas, prevê uma maior subsidiariedade a nível dos Estados-membros e mais flexibilidade nas opções de cada país para alcançar os objetivos traçados. Assim, cada Estado-membro deverá estabelecer um "plano estratégico da PAC", que abranja intervenções do primeiro e do segundo pilares, nomeadamente de apoio à produção agrícola e de desenvolvimento rural.

Incêndios: como a Inteligência Artificial salvou um negócio de milhões


José Varela Rodrigues

Ontem 20:00
Uma vinha em Napa, EUA, foi salva dos funestos incêndios que assolaram o estado da Califórnia, em outubro, através de um computador. 


Christian Palmaz, um vitivinicultor norte-americano, terá passado os piores momentos da sua vida quando a vinha da família, localizada em Atlas Peek, Napa, ficou cercada por aquele que ficou descrito como o pior incêndio em toda a história da Califónia.

Enquanto, helicópteros resgatavam pessoas e animais, Palmaz estava sozinho na sua vinha, a percorrer os hectares, carregado de uvas por vindimar, condenados às chamas, onde a adega familiar guardava 90% do vinho, sendo que parte dele ainda estava em tanques de fermentação. De acordo com a Bloomberg, aquela quinta vinhateira estava avaliada em mais 10 milhões de dólares.

Por norma, uma vinha daquela dimensão precisa de monitorização para que os tanques de fermentação mantenham as temperaturas ideais para o vinho ter boa qualidade. Era Christian Palmaz que fazia esse trabalho e, certamente, terá pensado que as chamas, que cercavam a vinha iriam consumir mais de dez milhões de dólares de trabalho familiar.

O improvável aconteceu, quando Palmaz, através verificou que os geradores da vinha, estavam a 'correr' devidamente o backup dos aparelhos e, por isso, os tanques conseguiam manter as condições adequadas para a fermentação do mosto do vinho. Ainda assim, Palmaz nunca pensou que conseguiria salvar aquele vinho jovem sem a experiência do enólogo da quinta, retido do outro lado das chamas. A aparente inevitabilidade da voracidade das chamas em queimar aquela terra, só não se concretizou porque Paamaz tinha a inteligência artificial do seu lado.

Recorrendo ao Felix, o nome do Fermentation Intelligence Logic Control System, que é um software programado para analisar e, eventualmente, apoiar na gestão de até 36 tanques de fermentação, Palmaz conseguiu salvar a vinha.

Com o Felix, desenvolvido pela indústria petrolífera, foi possível ajustar a temperatura dos tanques e manter o devido equilíbrio na fermentação do mosto. Segundo a Bloomberg, Palmaz usou o Felix com "agressividade", prevendo, com dez segundos de antecipação face ao aumento da temperatura provocada pelas chamas, possíveis problemas.

À agência de notícias, Christian Palmaz contou que o Felix "não foi concebido para salvar uma vinha, mas salvou".

Da vinha da família Palmaz saem pouco mais de dez mil garrafas de vinho, por ano, e o recurso ao Felix corresponde a um investimento de milhões daquela família. A história de Palmaz com o Felix rapidamente se tornou célebre, principalmente por todas as decisões terem sido tomadas sob constante pressão. Dezenas de companhias vinhateiras já foram à quinta para comprovar o sucedido, segundo a Bloomberg.

IPMA coloca oito distritos do norte e centro em alerta vermelho


Lusa09 Dez, 2017, 22:02 / atualizado em 09 Dez, 2017, 22:12 | País

IPMA coloca oito distritos do norte e centro em alerta vermelho | Miguel Vidal - Lusa
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu um alerta em que coloca oito distritos do norte e centro do país sob aviso vermelho, no domingo, devido a "situação meteorológica de risco extremo".

Com alerta vermelho estão os distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Vila Real, Aveiro, Coimbra, Viseu e Guarda, os restantes distritos estão em alerta laranja, e nos arquipélagos dos Açores e da Madeira, "não se prevê nenhuma situação meteorológica de risco".

Nos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro e Coimbra, prevê-se vento forte, que pode atingir os 120 quilómetros por hora, aguaceiros, com períodos de chuva forte, possibilidade de queda de neve acima dos 800 metros de altitude e, na costa, ondas de "altura significativa", podendo atingir os 10 metros.

Nos distritos de Vila Real, Viseu e Guarda, previsões idênticas, com vento forte, que pode atingir os 130 quilómetros por hora, aguaceiros, com períodos de chuva forte, e possibilidade de queda de neve acima dos 800 metros de altitude.

Nestes oito distritos está também prevista neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais.

No restante território continental, o IPMA mantém o alerta laranja, com previsão de chuva e vento fortes, queda de neve e agitação marítima.

O aviso laranja, o segundo mais grave de uma escala de quatro, indica uma situação meteorológica de risco moderado a elevado. De acordo com a informação disponibilizada no `site` do IPMA, os avisos entram em vigor durante a manhã avançando ao longo do dia até à madrugada de segunda-feira.

O IPMA prevê para domingo nos distritos Bragança, Castelo Branco, Portalegre, Évora, Beja, Faro, Setúbal, Lisboa, Santarém e Leiria, "céu em geral muito nublado com períodos de chuva, o vento deverá soprar fraco a moderado aumentando gradualmente para forte com rajadas até 100 quilómetros por hora".

Nestes distritos prevê-se neblina ou nevoeiro matinal em alguns locais.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Marcelo promulga diploma sobre benefícios para entidades de gestão florestal


O Presidente da República promulgou o diploma da Assembleia da República que cria benefícios fiscais para as entidades de gestão florestal.

De acordo com a página da Presidência na internet, o diploma altera o Estatuto dos Benefícios Fiscais e o Regulamento Emolumentar dos Registos e Notariado.

A maioria dos artigos do diploma sobre a criação de benefícios fiscais para entidades de gestão florestal foi aprovada a 24 de outubro na comissão parlamentar de Agricultura, com a introdução de alterações propostas pelo BE, PS, PSD e CDS-PP.

O diploma entrará em vigor em janeiro de 2018.

Em relação ao Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF), o diploma propõe a isenção de IRC [Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas] aos rendimentos obtidos no âmbito da gestão de recursos florestais por Entidades de Gestão Florestal (EGF) reconhecidas, a isenção de imposto do selo às aquisições onerosas de prédios rústicos destinados à exploração florestal, a isenção de imposto municipal sobre as transmissões onerosas de imóveis, quando os municípios assim o deliberem, entre outros apoios.

Além destes benefícios fiscais, é defendida "uma majoração dos custos suportados com despesas com operações de defesa da floresta contra incêndios, ou com a elaboração de planos de gestão florestal", de forma a incentivar os comportamentos dos proprietários florestais no que respeita à prevenção dos incêndios e à realização de uma gestão florestal sustentável.

Angola tenta “reforço da cooperação bilateral” com o Brasil


7/12/2017, 12:34
Esta é uma das medidas que visam o aumento da produção não petrolífera constantes do plano intercalar do Governo a seis meses.

O ministro da Agricultura e Florestas de Angola inicia esta quinta-feira uma visita de trabalho de cinco dias a Brasília, durante a qual pretende analisar a possibilidade de negociação de linhas de financiamento do Brasil para investimentos na área agropecuária angolana.

De acordo com informação disponibilizada à Lusa pelo gabinete do ministro Marcos Alexandre Nhunga, a visita de trabalho que realiza ao Brasil, no quadro do "reforço da cooperação bilateral" no domínio da Agricultura e da Pecuária entre os dois países, iniciou-se terça-feira, em São Paulo.

"Com o objetivo de analisar e discutir com as autoridades brasileiras a cooperação bilateral nas áreas de agricultura e pecuária empresarial e possíveis linhas de financiamento para o setor", explica aquele ministério.

Além do ministro, de acordo com informação do gabinete de Marcos Alexandre Nhunga, a comitiva angolana integra ainda os governadores das províncias da Lunda Norte, Ernesto Muangala, da Lunda Sul, Fernando Kiteculo, e do Moxico, Manuel Gonçalves Muandumba.

No distrito federal de Brasília está prevista uma reunião entre o governante e o presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado Federal, Fernando Collor de Melo, e reuniões com representantes de empresários brasileiros do setor.

A passagem por São Paulo envolveu visitas a várias empresas brasileiras produtoras de alimentos, além de uma reunião com representantes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul, que financia a aquisição de máquinas e equipamentos de produção brasileiros para o exterior, bem como com o homólogo brasileiro Blairo Maggi, ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

A Lusa noticiou em novembro que o Governo angolano está a estudar a possibilidade de introduzir a obrigatoriedade de as companhias seguradoras alocarem às respetivas carteiras uma percentagem mínima para o seguro agrícola, como forma de promover o desenvolvimento do setor.

Trata-se de uma das medidas que visam o aumento da produção não petrolífera constantes do plano intercalar do Governo a seis meses, para melhorar a economia nacional, e cuja concretização deverá acontecer até ao primeiro trimestre de 2018.

No documento, o Governo estima um crescimento da Agricultura numa taxa de 5,9% durante o ano de 2018, prevendo "uma aposta forte nas principais fileiras", como cereais, leguminosas e oleaginosas, raízes e tubérculos, carne, café, palmar e mel.

"Que, em grande parte, estão diretamente ligadas à dieta alimentar das populações do nosso país", lê-se, no plano do Governo a implementar até março.

O objetivo é potenciar os setores não petrolíferos, para aumentar a receita fiscal e o rendimento angolano, tendo a Agricultura como um dos pilares.

Para o efeito, além das medidas para massificar o acesso ao seguro agrícola, o Governo angolano assume o objetivo de "acelerar a implementação do Programa de Produção de Sementes", visando a utilização de sementes de "elevada qualidade", como forma de "melhorar a produtividade agrícola das culturas", mas também "rever todo o sistema de gestão e infraestrutura de irrigação", para "otimizar o seu rendimento".

Em 2018, o Governo quer dinamizar as culturas privadas do algodão, cana-de-açúcar, girassol, café, palma e cacau, "promovendo a sua articulação com o setor industrial", bem como "rever o sistema de gestão e redimensionar as atividades produtivas das fazendas de média e grande escala".

"O setor prevê também um maior dinamismo no ramo da agricultura empresarial, com o surgimento de novas explorações e fazendas de média e larga escala", aponta ainda o plano intercalar do Governo a seis meses.

Angola enfrenta uma profunda crise financeira, económica e cambial desde finais de 2014, decorrente da quebra na cotação internacional do barril de crude.

Itália vende milhares de hectares a jovens

 06/12/2017

Ao todo, são 20 mil hectares. A primeira tranche à venda consiste em 8 mil.

Não deixar pedaço de terra por cultivar - é a estratégia do Ministério da Agricultura italiano, que pretende criar mais 100 mil novos postos de trabalho nos próximos três anos.

Como? Vendendo terrenos aráveis que não estão a ser utilizados a empreendedores com menos de 40 anos e com acesso prioritário a linhas de crédito.

Ao todo, estamos a falar de 20 mil hectares. A primeira tranche à venda consiste em 8 mil.

Assim que foi divulgado o mapa com as terras disponíveis, surgiram mais de 16 mil utilizadores na plataforma online criada para o efeito. As áreas situam-se sobretudo no sul do país, onde a taxa de desemprego entre os jovens ultrapassa os 42%.


Reclusos em regime aberto vão trabalhar nas florestas e agricultura nos Açores



06 dez, 2017 - 07:24

Ao abrigo do protocolo, os reclusos vão integrar as equipas de colaboradores dos departamentos da agricultura e florestas na região, recebendo formação e competências nestas áreas.

Reclusos em regime aberto vão poder desempenhar tarefas ligadas às florestas e agricultura nos Açores, ao abrigo de um protocolo assinado entre a secretaria regional da Agricultura e Florestas e a Direcção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais.

O director-geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), Celso Manata, disse que o protocolo "está desenhado para a ilha de São Miguel", mas "não quer dizer que não possa abranger reclusos que estão noutros estabelecimentos prisionais.

Ao abrigo do protocolo, os reclusos em regime aberto vão integrar as equipas de colaboradores dos departamentos da agricultura e florestas na região, recebendo formação e competências nestas áreas.

O documento tem validade de um ano, podendo ser prorrogado, e cada recluso receberá uma bolsa mensal como compensação pelas tarefas realizadas.

Celso Manata frisou que o acordo é também o retomar de uma iniciativa idêntica que ocorreu no passado e que se "revelou positiva", tendo por objectivo a reinserção de reclusos.

"O que vamos fazer é colocar um conjunto de pessoas que já cumpriram uma parte da pena. Que nós já conhecemos e que já tiveram algumas experiências bem sucedidas e que vão ter a oportunidade de trabalhar fora do estabelecimento prisional, exercendo uma actividade útil para a comunidade e dando provas que estão em condições de regressar a vida livre", salientou.

À margem da assinatura do protocolo, o director-geral de Reinserção e Serviços Prisionais destacou as medidas implementadas pelo Governo para diminuir a população prisional em Portugal, acrescentando que também no estabelecimento de Ponta Delgada, em São Miguel, "a ocupação tem baixado".

"Actualmente tem cerca de 170 reclusos o que é um abaixamento significativo tendo em conta que chegou a ter 210. É uma diferença grande que tem acompanhado a tendência a nível nacional", referiu.

Questionado sobre o ponto de situação da construção da nova cadeia de Ponta Delgada, lembrou que já foi encontrado o terreno para o novo estabelecimento prisional, indicando que, a nível dos serviços prisionais, já foi feita a definição do que se pretende construir. "A ideia que temos nos serviços é uma lotação de 400 indivíduos", adiantou, acrescentando que a nova cadeia de Ponta Delgada terá algumas celas para mulheres.

João Ponte disse que "actualmente o sector agrícola necessita ainda de mão-de-obra", considerando também que o governo tem que "estar disponível para este tipo de colaboração para a reinserção dos reclusos e capacitar as pessoas para o futuro".

Seca: PCP exige construção de barragens “há muito tempo previstas” no Alentejo


07.12.2017 às 12h32

Comunistas insistem na reivindicação de "medidas de carácter estrutural e urgente, com impacto na rede hidráulica existente e a criar", nomeadamente a construção de barragens como a do Pisão (Crato, Portalegre) e a concretização da ligação para levar água do Alqueva à barragem do Monte da Rocha, em Ourique (Beja)

O PCP defende a construção de barragens "há muito tempo previstas" no Alentejo, como a do Pisão (Portalegre), e da ligação para levar água do Alqueva à albufeira do Monte da Rocha (Beja).

Num comunicado enviado à agência Lusa esta quinta-feira, a Direção Regional do Alentejo (DRA) do PCP "manifesta a sua mais profunda preocupação pelos efeitos da seca" na agricultura, orizicultura, pecuária e no abastecimento de água à população numa "parte substancial" da região e exige ao Governo PS, "além de palavras, medidas concretas de apoio".

"A atual situação [de seca] requer medidas que o PCP tem insistentemente reivindicado, de carácter estrutural e urgente, com impacto na rede hidráulica existente e a criar", intervindo na melhoria de atuais infraestruturas e no aumento de capacidades, afirmam os comunistas.

Nesta lógica, o PCP defende a construção de barragens "há muito tempo previstas", como a do Pisão, no concelho do Crato, distrito de Portalegre, e a concretização da ligação para levar água do Alqueva à barragem do Monte da Rocha, em Ourique (Beja).

Trata-se da ligação da albufeira do Roxo, em Aljustrel e que está ligada ao Alqueva e, se necessário, recebe água do projeto, à do Monte da Rocha, que é fonte para abastecimento público dos concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Ourique e parte dos de Odemira e Mértola, no distrito de Beja, e para rega no aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.

Segundo o PCP, o Alqueva, como reserva estratégica de água, "é um importante meio de abastecimento" para a agricultura e para a população de "uma faixa abrangente dos distritos de Beja e Évora", mas "não tem condições para resolver todos os problemas existentes no Alentejo".

Por construir continua a barragem do Pisão, no concelho do Crato, um projeto hidroagrícola reivindicado há dezenas anos como forma de resolver os problemas de falta de água no Alto Alentejo.

O último projeto, realizado em 2013, segundo a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), previa que a albufeira abrangesse uma área de 3.200 hectares, com as componentes de abastecimento público de água e de regadio.

O projeto apontava para uma capacidade de armazenamento de 100 milhões de metros cúbicos de água e o perímetro de rega poderia beneficiar cerca de nove mil hectares dos concelhos do Crato, Alter do Chão, Fronteira, Portalegre e Avis.

No mesmo comunicado, o PCP mostra-se também preocupado com a "tendência para o aumento dos períodos de seca e pela opção por uma agricultura assente quase em exclusivo no regadio" e alerta para as consequências no sobreiro e na azinheira, frisando que, atualmente, há "milhares" de exemplares destas duas árvores tradicionais no Alentejo que "estão a secar, com elevados prejuízos para o setor".

Os comunistas exigem ainda que a aplicação dos fundos comunitários para a melhoria da eficiência hídrica, a renovação e a qualificação de infraestruturas da rede de distribuição de água em baixa à população seja feita "sem pressões, sem chantagens e sem discriminações, permitindo a concretização dos investimentos necessários" e que "a atual situação de escassez torna ainda mais prementes".

No Alentejo, devido à seca, há seis pequenas aldeias, num total de cerca de 1500 habitantes, onde o abastecimento público está a ser assegurado com recurso a água transportada através de autotanques.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), no final de novembro, 3% do território de Portugal continental estava em seca moderada, 46% em seca severa e 51% em seca extrema.

IPMA: Temperatura não justifica tudo nos incêndios de 15 de Outubro

06.12.2017 10:34 por Alexandra Pedro 3

Paulo Pinto diz que nunca viu imagens como aquelas que surgiram no radar a 15 de Outubro. Meteorologista diz que há dúvidas pendentes.
 
 
Para o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) ainda há dúvidas respeitantes aos incêndios de 15 de Outubro, depois de ter feito uma primeira análise ao que aconteceu. Paulo Pinto, especialista da Divisão de Previsão Meteorológica, Vigilância e Serviços Espaciais do IPMA, diz à TSF que apesar da sua experiência ainda não conseguiu entender o que aconteceu nos últimos incêndios. 

"Já olhei algumas horas para estes dados e não há nenhuma evidência observacional que me sugira algo do tipo de Pedrógão [Grande]. Pelo contrário, não vejo aqui nada desse tipo de fenómenos, como downburst. Nem sequer consigo perceber ainda muito bem porque se assistiu a esta intensificação", afirmou Paulo Pinto, referindo-se às dezenas de incêndios que surgiram ao início da tarde.

O especialista do IPMA acrescenta ainda que perto da meia-noite de domingo há uma pluma com "quatro, cinco metros de altura" e que "por razões desconhecidas" há uma intensificação da mesma e "na sequência dessa intensificação é que se gerou o pirocumulonimbo" (tempestade provocada pelo próprio incêndio).  

Paulo Pinto esclarece também que o calor, a seca e a secura da massa de ar, bem como o vento do furacão Ophelia, podem ajudar a explicar o que aconteceu naquele dia, mas que não explicam tudo. "Foi uma situação muito invulgar", disse, acrescentando: "as condições meteorológicas podem servir para explicar parte daquilo que ocorre, mas não são tudo". 

Recorde-se que os incêndios de 15 de Outubro, que atingiram 27 concelhos da região Centro, vitimaram mortalmente 45 pessoas e provocaram cerca de 70 feridos.

EDP e Ascendi podem ser desresponsabilizadas no caso de Pedrógão


07.12.2017 11:06 por Diogo Barreto 24
Parecer jurídico diz que a empresa que geria N-236 não tinha de garantir a limpeza como diz a lei devido a certas circunstâncias atenuantes.
 

Um parecer jurídico do incêndio que esteve na origem do desastre de Pedrógão Grande desresponsabiliza a Ascendi e a EDP. O documento afirma que nem a empresa que geria a estrada nem a EDP tinham de garantir a limpeza à volta da mesma já que o plano municipal estava caducado. Este foco de incêndio alastrou-se a vários concelhos vizinhos e acabou por vitimar mortalmente 47 pessoas na Estrada Nacional 236, entre elas crianças.

No parecer jurídico, a que a TSF teve acesso, o plano municipal de defesa da floresta contra incêndios no concelho de Pedrógão Grande caducou em 2011. Isto implica que há seis anos que não estavam "identificados administrativamente de forma prévia, válida e eficaz os espaços florestais relevantes" que deviam ser limpos pelas várias entidades presentes no terreno.


Autarca de Pedrógão garante que plano municipal de defesa da floresta está em vigor A professora de Direito Administrativo da Universidade de Coimbra Fernanda Paula Oliveira, a quem a Ascendi pediu um parecer sobre as obrigações que tinha ou não de limpeza da floresta à volta da Estrada Nacional 236, explicou: "Estas entidades não tinham efectivamente os deveres previstos na lei". Este parecer iliba igualmente EDP que está sujeita às mesmas condições legais: sem plano aprovado, as obrigações de limpeza não se aplicam. 

Fernanda Oliveira explica ainda que se tratou de "um problema de legislação" e administrativo, tendo em conta que os planos municipais obrigam a "procedimentos muito burocráticos e articulação entre o município e o Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF)".

Segundo explicou a jurista à TSF, a Ascendi poderá não ter problemas em tribunal já que, devido à falta de existência de um plano definido, poderia não proceder à limpeza a que estava obrigada.

O relatório elaborado pela equipa coordenada pelo professor Xavier Viegas culpabilizava a EDP Distribuição, já que terá sido um cabo de média tensão e a falta de limpeza na área que esteve na origem do incêndio. No entanto, esse mesmo documento admitia que seria difícil responsabilizar quem não limpou a floresta em Pedrógão Grande sublinhando-se, já na altura, como razão, a falta do Plano Municipal de Defesa da Floresta.

A jurista conclui ainda: "Foi preciso acontecer uma desgraça destas para a lei mudar".

Autarca de Pedrógão garante que plano municipal de defesa da floresta está em vigor


07.12.2017 21:06 por Lusa 0
Valdemar Alves nega que o Plano tenha caducado há seis anos.

O presidente da Câmara de Pedrógão Grande garantiu hoje à agência Lusa que o plano municipal de defesa da floresta contra incêndios está em vigor desde 2007.

"O nosso plano está em vigor desde 2007. Nós resolvemos fazer um [novo] em 2014. Está ainda para ser aprovado pelo Instituto da Conservação da natureza e das Florestas (ICNF) e o outro [de 2007] foi reconhecido pela própria comissão independente", afirmou o autarca.


Associação de Vítimas de Pedrógão exige que todo o país saiba o que aconteceu Valdemar Alves reagiu assim às notícias que dão como caducado o plano municipal de defesa da floresta contra incêndios deste concelho do distrito de Leiria.

"O plano só deixa de estar em vigor quando o outro for aprovado pelo ICNF. A lei é mesmo assim. Estou surpreendido. Que arranjem outros argumentos para não assumirem as responsabilidades de cada um. Eu assumo as minhas. É ridículo", frisou.

O autarca adiantou ainda que há tribunais e magistrados competentes para saber separar "o trigo do joio".

"É uma mentira, redondamente uma mentira aquilo que disseram", concluiu.

A rádio TSF avançou hoje que o plano municipal de Pedrógão Grande de Defesa da Floresta Contra Incêndios caducou há seis anos, segundo um parecer encomendado pela Ascendi, responsável pela operação e manutenção de infraestruturas rodoviárias, que iliba a empresa de responsabilidades na limpeza da estrada onde morreram mais pessoas. 

Xavier Viegas volta a defender que demora do socorro matou em Pedrógão


07.12.2017 18:08

Investigador da Universidade de Coimbra defendeu em seminário que país não está preparado.

Em Pedrógão Grande, houve pessoas que morreram devido ao atraso dos meios de socorro. Foi o que voltou a defender o investigador Xavier Viegas, coordenador do relatório sobre os incêndios de Junho encomendado pelo Governo. 

No seminário "As lições de Pedrógão Grande", em Coimbra, Viegas afirmou que existiu "demora no socorro e no tratamento médico". "Creio que algumas vítimas que acabaram por falecer talvez sobrevivessem" caso os meios tivessem chegado mais cedo, sustentou. 

O professor catedrático não compreende "que existam autarquias que não respeitam a lei e não fazem o seu trabalho". "Um plano pode ter o valor que tem, mas pelo menos representa que alguém se dedicou a pensar no problema e a colocar algumas linhas para ver como esse problema se pode minimizar ou resolver", explica. 

Quanto às condições climáticas verificadas durante os incêndios de 15 de Junho e 17 de Outubro, Domingos Xavier Viegas acredita que se podem repetir com frequência. "Neste momento, o nosso país ainda não está preparado. Se hoje ou amanhã tivermos as mesmas circunstâncias que tivemos em Junho e Outubro, que foram circunstâncias excepcionais, tenho receio de que continuemos a ter muitas casas não devidamente salvaguardadas, muitas aldeias não devidamente preparadas e muitas comunidades que não estão ainda defendidas para eventos destes", clarificou. 

Hoje, o Ministério da Administração Interna (MAI) enviou para o Parlamento o relatório de Xavier Viegas, acompanhado pela deliberação da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), sobre as regras de divulgação do capítulo seis. 

Esta parte tem os pormenores das mortes das 64 vítimas de Pedrógão Grande. O documento que está no Parlamento é a segunda versão, em que Viegas substituiu o nome das vítimas por números e letras.

Quintas de experimentação vão ligar tecnologia à agricultura


Portugal vai ter a partir do próximo ano um centro de investigação no uso de satélites, robôs e tecnologia digital na agricultura, disse hoje o ministro da Ciência, adiantando que serão instaladas "quintas de experimentação" em universidades e politécnicos.

Em declarações a jornalistas à margem da assinatura de um acordo com a sociedade de investigação internacional Fraunhofer, Manuel Heitor destacou que nos primeiros três meses de 2018 serão definidos os "sítios, pessoas e plano de negócios" para um prazo de cinco anos.

"Há muito trabalho de laboratório feito e há que aplicá-lo nos campos", afirmou, acrescentando que as quintas de experimentação deverão ser instaladas na rede de quintas agrárias que há nos politécnicos e as que a Universidade de Évora mantêm no Alentejo e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro na região do Douro.

A agricultura de precisão que se pretende ensaiar na prática pode ser uma resposta às alterações climáticas e às condições de seca, permitindo "um controlo mais rigoroso de regas" e das culturas mais adequadas às condições de água.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sensibilização a agricultores. “Tractor não é para andar em corridas nem fazer rali”



06 dez, 2017 - 12:18 • Olímpia Mairos

Portugal é o terceiro país da União Europeia com mais vítimas em acidentes com tractores agrícolas: 123 mortos na soma de 2015 e 2016. A CONFAGRI, Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas, está a fazer campanhas de sensibilização.
A maioria dos acidentes com tractores ocorre em propriedades agrícolas, sendo em tudo semelhantes: o veículo despista-se, capota e o condutor é esmagando. Foto: DR
A maioria dos acidentes com tractores ocorre em propriedades agrícolas, sendo em tudo semelhantes: o veículo despista-se, capota e o condutor é esmagando. Foto: DR
Portugal está em terceiro lugar na estatística da sinistralidade com tractores na União Europeia, logo a seguir à Grécia e à Polónia. Os acidentes com tractores são, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), a principal causa de morte no trabalho agrícola a nível nacional. Em 2016, foram registadas 68 vítimas mortais, depois de 55 no ano antecedente, 2015.

Para alertar os agricultores para este "cenário preocupante", e num "esforço para inverter o elevado número de vítimas mortais e de feridos graves resultantes de acidentes com máquinas agrícolas e florestais", a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (CONFAGRI) está a realizar sessões de esclarecimento junto dos agricultores.

É que, segundo Isabel Santana, da CONFAGRI, "todas as semanas ou morre uma pessoa ou fica ferida e com incapacidade para exercer a actividade". Daí, a necessidade de "sensibilizar, alertar e aconselhar os agricultores para os riscos e perigos com o uso dos tractores".

A maioria dos acidentes com tractores ocorre em propriedades agrícolas, sendo em tudo semelhantes: o veículo despista-se, capota e apanha o condutor, esmagando-o.

Aurora Sousa, da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) de Vila Real, considera que "muitas vezes, as pessoas que manobram ou operam estas máquinas não estão preparadas para segurarem uma máquina com a quantidade de cavalos que tem".

"As máquinas são cada vez mais potentes, os trabalhos mais exigentes e as pessoas não se formam suficientemente bem para poderem, de alguma forma, contrariarem este perigo intrínseco da máquina", sublinha Aurora Sousa, frisando que "a gestão da segurança passa, em primeiro lugar, pelo conhecimento do ambiente em que se vai operar, dos terrenos".

"Lavrar num terreno plano é diferente de lavrar num terreno com socalcos; lavrar num terreno onde a terra está fácil é muito diferente de lavrar num terreno onde existem troncos, árvores e pedras", exemplifica Aurora Sousa, da ACT de Vila Real.

"Comprar altas máquinas e não conhecer o equipamento, de nada vale"

Segundo Aurora Sousa, da ACT de Vila Real, é fundamental que os agricultores conheçam bem as máquinas que vão operar, porque "comprar altas máquinas e não conhecer o equipamento que lhe vem associado e para que serve, de nada vale, em caso de acidente".

Manuel da Silva, habitante em Palheiros, Murça, tem 79 anos e opera um tractor há "uma dúzia de anos", sempre com a consciência que "é preciso ser cuidadoso".

O "tractor não é para andar em corridas nem fazer rali", diz o agricultor que nunca teve acidentes.

Também Manuel Costa, de 73 anos e residente na aldeia de Jou, refere que "é preciso fazer atenção, fazer as revisões com o tractor e andar com cuidadinho nos terrenos".

Isabel Santana da CONFAGRI alerta também para a "importância e para a obrigatoriedade da formação para a condução de tractores", referindo que o risco de morte dos condutores de tractores agrícolas "é oito vezes superior ao dos que conduzem automóveis ligeiros ou pesados".

De acordo com esta responsável, entre 2004 e 2013, morreram em acidentes de tractores 305 pessoas.

As autoridades acreditam que, se fosse utilizado o arco protector ou se a máquina tivesse cabina, muitas vidas seriam poupadas. Como o uso do arco de Santo António não é obrigatório, apenas recomendado, os condutores dispensam-no, referindo que os prejudica nas tarefas agrícolas.

Avião "ataca" com sementes zonas destruídas pelos incêndios

06 DE DEZEMBRO DE 2017 - 06:45

O projeto "Semear Portugal por Via Aérea" arranca esta segunda-feira.

Um avião Dromader M-18 que é utilizado no combate aos incêndios florestais, mas também na agricultura vai estar envolvido nos próximos dois dias numa "operação" que pretende evitar a erosão dos solos dos espaços que foram dizimados pelas chamas.

O aparelho vai descarregar numa área de cerca de 50 hectares nos concelhos de Gouveia, Mangualde, Nelas, Oliveira do Hospital, Seia e Tondela centenas de sementes de gramíneas e leguminosas que foram oferecidas por duas empresas.

O repórter José Ricardo Ferreira ouviu Sílvia Alves Ferreira, do movimento cívico "Replantar Portugal".

É sobretudo nas encostas, os sítios de menor acesso e onde existe maior risco de derrocadas, que serão largadas estas autênticas "bombas de sementes". Os locais foram escolhidos pelos municípios envolvidos.

A sementeira não é uma técnica nova em Portugal. Já foi utilizada em Braga e S. Pedro do Sul, com sucesso. A iniciativa vai continuar no próximo ano e poderá ser alargada a outros territórios.

O projeto "Semear Portugal por Via Aérea" é uma ação conjunta do movimento cívico "Replantar Portugal", da Take C'Air Crew Volunteers, da Quercus e da empresa de serviços aéreos Avitrata.

Alternativas à proteína animal? Estudo aponta carne de laboratório ou insectos


"Pela saúde humana e pelo ambiente, os padrões de consumo alimentar terão que mudar", aponta-se no documento.

LUSA 5 de Dezembro de 2017


A criação de animais para consumo humano significa menos saúde e pior ambiente, alertam investigadores num estudo internacional divulgado nesta terça-feira, em que se sugere peixe, carne criada em laboratório e insectos como fontes alternativas de proteína animal.

"Pela saúde humana e pelo ambiente, os padrões de consumo alimentar terão que mudar", aponta-se no documento elaborado por um conselho que reúne as academias de ciências dos países da União Europeia, Noruega e Suíça.

Quando os grilos são transformados em farinha, isso é... pão finlandês


A redução do consumo de proteína animal seria um dos passos a dar, argumentam os investigadores, que defendem que se deve investigar até que ponto os consumidores estariam disponíveis para aceitar alternativas inovadoras.

Oportunidades não faltam nos oceanos mas é preciso dominar mais as técnicas de criação de recursos para consumo humano, enquanto a cultura de carne in vitro "pode ter um impacto ambiental mais baixo do que a criação de gado e isto também tem que ser investigado".

"As alternativas às formas tradicionais de proteína animal que a Europa poderia admitir incluem alimentos dos oceanos, carne criada em laboratório e insectos", refere-se.

Os investigadores apelam aos decisores para que se acabe com "os perversos incentivos no preço das dietas calóricas e se introduzam incentivos à alimentação nutritiva a preço razoável".

Os países da União Europeia devem saber mais sobre o desperdício nos ciclos alimentares para o poder reduzir e cumprir os objectivos da economia circular. Pela via da genética, os investigadores salientam que "a Europa não deve abrandar nas oportunidades oferecidas pela engenharia genética e agricultura de precisão". Aos decisores políticos, recomenda-se que tenham em conta as descobertas nesses campos para ganhar em "saúde animal e produtividade e para a agricultura".

"As alterações climáticas vão ter impactos negativos na alimentação, exigindo-se a prática de agricultura adequada ao clima e adopção de inovações na criação de plantas para enfrentar as secas", salienta-se no documento. Os investigadores destacam ainda que todos os países têm problemas de nutrição para resolver, seja a subnutrição e falta de micronutrientes ou o excesso de peso e obesidade.

Agricultura e Produção Sustentável? "Considere os Factos!"



O contacto direto com a população é uma das vertentes principais da campanha


O setor agrícola foi daqueles que registaram um desenvolvimento mais dinâmico nos últimos anos. Mas, apesar de todo este sucesso, que é crucial para a sustentabilidade do nosso país, é necessário não esquecer alguns factos que são de grande importância para este setor.

A atividade agrícola é hoje muito mais atrativa e a prova disso é que muitos jovens apostam cada vez mais num projeto de vida no mundo rural. O agricultor de hoje tem mais formação, as explorações agrícolas ganharam dimensão, organização e capacidade empresarial. Pela importância deste setor, existem diversas entidades preocupadas com o futuro do mesmo e dispostas a ajudar na sua evolução, que vai continuar a trazer muitos dividendos para Portugal.

A Anipla, Associação Nacional da Indústria para a Proteção das Plantas, é uma delas com o apoio da Associação Europeia de Proteção das Plantas (ECPA) e a participação de diversas associações nacionais de produtores, esta associação está a desenvolver uma campanha que pretende informar a população portuguesa para os temas da agricultura, evidenciando os desafios inerentes ao setor e apresentando factos relacionados com a ciência e tecnologia para a proteção das culturas. "Considere os Factos" para a promoção do conhecimento nacional em torno dos temas da sustentabilidade e segurança alimentar agrícola é o mote da mesma.

António Lopes Dias, diretor executivo da ANIPLA, explicou que "nos últimos anos temos assistido ao crescimento do número de movimentos e apelos públicos, baseados em factos pouco claros e com base em perceções vagas, que questionam os métodos e práticas da agricultura, e subestimam a realidade do trabalho e ciência em prole da proteção das culturas agrícolas".


As mensagens da campanha apresentam factos que visam informar e esclarecer um crescente número de consumidores que pretende, cada vez mais, ser e estar informado sobre a realidade por detrás da produção de produtos alimentares. Informação essencial no momento em que a FAO, a organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, apela à importância do controlo das pragas, doenças e infestantes das culturas, e alerta para as crescentes necessidades de alimentação de uma população mundial que continuará a aumentar até 2050.

Para esta Campanha, que a nível europeu está a ser desenvolvida pela Associação Europeia de proteção de plantas (ECPA) o lema: "With or Without" - o produtor nacional José Palha foi selecionado para integrar uma série de documentários breves sobre a produção agrícola europeia e os desafios na proteção das plantas.


Lançado este ano, o "FitoSíntese" é um espaço de informação aberto ao diálogo, pensado para ser uma "fonte" de conhecimento para todos aqueles que pensam (n)a agricultura.

O FitoSíntese nasce com o objetivo de incentivar a partilha e reflexão que faz falta à agricultura, explorando os mais diversos temas relacionados com a agricultura moderna e sustentável.


Já a Smart Farm é uma quinta de demonstração que nasceu de uma parceria entre a Anipla e a Companhia das Lezírias e apresenta uma proposta de uma exploração agrícola segura e eficiente. Esta quinta-modelo tem como pressuposto a promoção de uma agricultura sustentável, assente em explorações agrícolas que sejam, em todos os momentos, seguras e eficientes. Seguras para o Homem e para o ambiente e eficientes do ponto de vista económico. O agricultor recebe um conjunto de boas práticas que deve aplicar na sua exploração para evitar fontes de poluição difusa ou pontual para a água.


No caso do Cultivar a Segurança, este tem como objetivo promover boas práticas que protegem o agricultor na sua atividade agrícola, a sua vizinhança e terceiros, promovendo assim a saúde de quem permanece e de quem interage com produtos fitofarmacêuticos a exploração agrícola.

Pão alentejano "ambiciona" ser certificado com Indicação Geográfica Protegida

O pão alentejano, produto identitário e património do Alentejo, pode vir a ser certificado com Indicação Geográfica Protegida, no próximo ano, fruto de um projecto que junta produtores, uma associação e a entidade regional de turismo.

Pão alentejano "ambiciona" ser certificado com Indicação Geográfica Protegida

05 de dezembro de 2017 às 09:49

O projecto "Qualificação do Pão Alentejano", que pretende alcançar a certificação, é promovido pela Terras Dentro - Associação para o Desenvolvimento Integrado, sediada em Alcáçovas, no concelho de Viana do Alentejo (Évora), e pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo.

"O pão alentejano é património desta região. É um produto com uma forte história e tradição, tem um valor incalculável e considerámos que tinha de ser protegido e continuar a ser fiel à sua génese", explicou hoje à agência Lusa Francisca Valério, da Terras Dentro.

O trabalho, explicou, resulta de uma candidatura ao programa Alentejo 2020, aprovada em 2015, com financiamento comunitário, e já permitiu "criar instrumentos que podem servir de base" a "um processo de registo de protecção do produto", a apresentar pelos produtores.

"Estamos na fase de constituição do agrupamento de produtores" e "há muitos padeiros e padeiras interessados em integrar o agrupamento e em avançar com o registo", destacou.

Segundo Francisca Valério, a intenção passa por pedir a criação da Indicação Geográfica Protegida (IGP): "Se todos os factores forem convergentes, acreditamos que, muito brevemente, talvez para o ano, esta possa vir a ser uma realidade".

"Será uma mais-valia para os produtores e para o próprio consumidor", porque a IGP fornece "uma garantia de qualidade", e pode contribuir para "agregar os produtores em prol de uma causa, a do pão alentejano e da preservação da sua qualidade e da sua génese", frisou.

De acordo com a Terras Dentro, o objectivo é "valorizar e proteger um produto com forte impacto económico na região", contribuindo "para o aumento da competitividade das micro e pequenas empresas do setor e de outras atividades a montante e a jusante da fileira do pão".

O diagnóstico da fileira do pão (desde a análise do trigo à caracterização das moagens do Alentejo e à qualidade das farinhas) já foi efectuado e decorreram acções de informação e sensibilização junto das 350 padarias em atividade em todo o Alentejo (Portalegre, Évora, Beja e litoral alentejano), das quais "318 disponibilizaram-se para colaborar com o projecto", assinalou Francisca Valério.

A elaboração de um caderno de especificações descritivo do processo de confecção e a criação de um painel de provadores, em parceria com a Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Beja, foram outros dos passos dados.

Segundo Francisca Valério, ao longo deste trabalho, foi possível constatar que, mesmo que haja "um ou outro elemento diferenciador" de padaria para padaria, o fabrico do pão tradicional do Alentejo é marcado por "uma grande uniformidade", que é "o que se pretende preservar", frisou.

O pão típico da região, precisou, "tem durabilidade e é um pão dobrado e com cabeça, feito com farinha de trigo", com um miolo "compacto, de cor marfim acinzentado", e uma crosta "baça e estaladiça", devendo a base ter "pelo menos três milímetros de espessura".

"E tem um sabor acidulado indiscutível, que provém do uso de um fermento natural, denominado 'massa-mãe' ou 'massa velha' ou 'isco', que é uma porção de massa retirada da amassadura anterior e que fica a fermentar para as amassaduras seguintes", assinalou.

Tem, igualmente, uma confecção própria, assente em "dois processos de fermentação, um longo, para levedar e ganhar todas estas características, e um curto", o que, tudo combinado, origina "um pão diferente, com um sabor e texturas diferentes", sublinhou.

O projecto vai ser abordado num seminário, na quarta-feira, no auditório do Instituto Politécnico de Beja, para fazer o balanço das actividades desenvolvidas e traçar estratégias para o futuro, nomeadamente a da criação do agrupamento de produtores de pão alentejano.

Comissão técnica: SIRESP é “sistema atrasado” e com potencial “não aproveitado ao longo dos anos”



05.12.2017 às 19h21

 
Se a compra do SIRESP for inferior a €5 milhões, Tribunal de Contas não terá de a aprovar
Potencial do sistema "não foi suficientemente aproveitado" ao longo dos anos "devido às restrições orçamentais", sublinhou João Guerreiro, presidente da Comissão Técnica Independente responsável por analisar o incêndio em Pedrógão Grande


O presidente da Comissão Técnica Independente que analisou o incêndio de junho em Pedrógão Grande considerou esta terça-feira a rede de comunicações SIRESP um "sistema atrasado", mas com um potencial que "não foi suficientemente aproveitado ao longo dos anos".

"O SIRESP é um sistema atrasado. É um sistema 2G, não é um sistema nem 3, nem 4, nem 5 G, como atualmente nós temos. Não dá imagens, não dá vídeos, não tem um potencial que os nossos telemóveis hoje em dia têm. Há aqui dificuldades futuras no que respeita à utilização do SIRESP", disse João Guerreiro.

Quatro dos 12 membros da Comissão Técnica Independente (CTI) que elaborou o relatório sobre os incêndios que ocorreram em Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Ansião, Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, Arganil, Góis, Penela, Pampilhosa da Serra, Oleiros e Sertã entre 17 e 24 de junho estão hoje a ser ouvidos numa audição conjunta das comissões parlamentares de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias e de Agricultura e Mar, a pedido do PSD.

Respondendo a uma questão do deputado social-democrata Duarte Marques sobre o funcionamento do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), o presidente da CTI adiantou que esta rede "tem um potencial que não foi suficientemente aproveitado ao longo dos anos" devido às restrições orçamentais.

"A maior parte dos países europeus ainda utiliza o sistema SIRESP, ainda que estejam a tentar encontrar e a estudar soluções alternativas para o substituir, mas o SIRESP tem potencialidades que não foram utilizadas", sublinhou.

Para João Guerreiro, "a grande origem dessa ausência de exploração do potencial do SIRESP foi sobretudo questões operacionais".

Em relação às falhas do sistema de comunicações no incêndio de Pedrógão Grande, João Guerreiro explicou que no dia 17 de junho o SIRESP funcionou, tendo os problemas surgido nos dois dias seguintes.

"O sistema SIRESP teve as suas debilidades no domingo e na segunda-feira quando estavam no teatro operações um número enorme de operacionais que utilizam todos eles o sistema, aí houve um congestionamento da rede SIRESP", disse.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Eucalipto, a árvore que reina sobre a floresta nacional


O eucalipto é a espécie que mais área ocupa na floresta portuguesa. E os números confirmam que tem vindo a aumentar continuamente, pelo seu rendimento económico a curto prazo. Se para uns continua a ser vista como um perigo, que está a degradar a floresta portuguesa, há investigadores que defendem o seu aproveitamento no fabrico de produtos de madeira ou com utilidade farmacêutica.

Sandra Salvado (Jornalista); Nuno Patrício, Pedro A. Pina (Imagem) 30 Out, 2015, 16:20 / atualizado em 11 Nov, 2015, 15:47 | Incêndios 2015

Riscos de elevado consumo de água, erosão dos solos, aposta numa monocultura florestal com pouco potencial em termos de biodiversidade, incêndios mais difíceis de controlar, muitos têm sido os fatores negativos apontados ao eucalipto, nos últimos anos.

O certo é que segundo os últimos resultados preliminares do Inventário Florestal Nacional, os eucaliptos tiveram um crescimento de 13 por cento entre 1995 e 2010 e são hoje a espécie dominante na floresta portuguesa, com 812 mil hectares plantados.

A floresta portuguesa ocupa 3,2 milhões de hectares, o que corresponde a 35,4 por cento do território nacional, registando entre 2005 e 2010 um decréscimo de 57 mil hectares. Matos e pastagens ocupam 32 por cento e as áreas agrícolas 24 por cento.

A propriedade florestal é maioritariamente privada, com 2,8 milhões de hectares, ou seja, 84,2 por cento da área total detida por pequenos proprietários de cariz familiar, dos quais 6,5 por cento são pertencentes a empresas industriais. 

As áreas públicas correspondem a 15,8 por cento do total, dos quais apenas dois por cento (a menor percentagem da Europa) são do domínio privado do Estado.

De acordo com Helena Pereira, coordenadora do Centro de Estudos Florestais (CEF), do Instituto Superior de Agronomia (ISA), apesar de ter havido erros no passado, o eucalipto foi um caso de sucesso e pode ser ainda explorado noutras vertentes.



Portugal utiliza essencialmente o eucalipto para produção de pasta de papel, mas esta investigadora defendeu a aposta em outros aproveitamentos, como o fabrico de produtos de madeira ou outros com utilidade farmacêutica. 

A coordenadora do CEF realçou a possibilidade de extrair compostos químicos com potencial bioatividade, por exemplo, antioxidantes ou produtos com utilidades farmacêuticas, e extrair esses compostos não só da madeira mas também da casca.

Uma utilização apontada por esta especialista é a energética, através da produção de biomassa. Um conceito de aproveitamento integral do recurso, neste caso do eucalipto, que se divide em várias espécies, evitando desperdícios.

Este e outros temas estiveram em debate no ISA, num seminário sobre "Eucalipto - Produção e Ambiente", uma iniciativa integrada no ciclo "Da Investigação à Aplicação", com o objetivo de apresentar o trabalho do CEF, conhecer melhor as espécies florestais e encontrar formas de aproveitar as suas características.
Quercus apreensiva

Já para a Quercus o panorama não é tão animador como possa parecer. Domingos Patacho, coordenador do Grupo de Trabalho das Florestas da associação ambientalista, considera preocupante que o eucalipto se tenha tornado na espécie que mais espaço ocupa na floresta nacional.

A Quercus está apreensiva com "a falta de resposta do ICNF, que viabiliza autorizações tácitas de projetos de arborização com eucalipto convertendo pinhais e outros povoamentos com espécies da nossa floresta autóctone, sem respeitar condicionantes como a Reserva Ecológica Nacional".

Ao fim de dois anos da entrada em vigor do novo regime de arborização, a associação ambientalista alerta para a existência de problemas na implementação, com degradação da floresta nacional.



"O sistema de informação para gestão dos projetos de arborização do ICNF ainda não está operacional, dificultando a pretensão dos proprietários e favorecendo o deferimento tácito, o qual contraria o correto ordenamento florestal. A última nota informativa do ICNF revela que 94% da área das rearborizações autorizadas ou validadas foram plantadas com eucalipto", diz a Quercus. 

"Nas áreas inferiores a 50 hectares eram os municípios que tinham que autorizar as plantações de eucaliptos, mais de 50 hectares eram os serviços do ICNF. A nível local, a Câmara tinha algum poder. Neste momento, os municípios não têm nenhuma posição sobre o que é que se faz no seu concelho em termos de arborização. A paisagem pode mudar porque a administração, em Lisboa, fez uma lei à medida de alguns interesses", salientou Domingos Patacho ao site da RTP.

Como a plantação de eucaliptos "ocorre em monocultura, com vastas áreas sem terem terrenos agrícolas, sem terem aceiros, faixas de descontinuidade que permitam conter os incêndios, torna uma situação bastante preocupante, principalmente no verão, quando o risco de incêndio é elevado e, portanto, nessa situação, deveria haver um maior ordenamento que não existe", disse o responsável da Quercus.
ICNF está a rever planos

Já João Pinho, vice-presidente do ICNF disse ao site da RTP que a nova lei é "muito mais rigorosa em muitos aspetos do que era a lei anterior. Isso foi uma ideia feita, um mito que se criou porque essa lei teve muita discussão pública. O grande caminho, aquilo que deve ser discutido é o ordenamento florestal à escala regional e nós estamos neste momento a rever os planos regionais de ordenamento florestal".

No entanto, este responsável disse ser "provável que muitas das orientações que neste momento existem nesses planos regionais, que são vinculativas para os proprietários particulares, possam ter uma revisão tendo em consideração aquilo que tem sido o histórico recente de evolução da floresta e dos próprios pedidos de autorização e licenciamento de arborização e os planos de gestão florestal. Portanto, uma floresta com um acompanhamento técnico mais cuidado, mais próximo e ela própria também prioritária depois nos apoios públicos".


 

"Este novo regime alargou o período de autorização por diferimento tácito, isto é, o anterior regime previa 30 dias para os serviços públicos analisarem e decidirem e se nesses 30 dias não houvesse aprovação, uma decisão definitiva do projeto, o projeto era aprovado tacitamente", disse o responsável do ICNF.

E acrescentou: "Neste momento, esse período alargou-se de 30 para 45 dias. Portanto, há mais margem para a administração pública ter mais tempo para analisar os projetos. Agora, é óbvio que instalou-se na opinião pública a ideia de que este sistema seria mais permissivo do que era o anterior, quando na prática é exatamente ao contrário".
Mais de 500 processos de contraordenação

João Pinho referiu à RTP que, a partir da entrada em vigor da nova lei, há cerca de dois anos, mais de 500 processos de contraordenação foram decididos.

"Nunca tivemos tantas contraordenações, tantos autos de notícia por projetos mal executados ou executados sem autorização como tínhamos antigamente. Portanto, há uma explosão de situações ilegais que, neste momento, nós conseguimos atuar perante elas porque sabemos que temos um sistema de informação que nos permite saber se aquilo já foi ou não autorizado. Há um salto qualitativo que é da noite para o dia", salientou o responsável do ICNF.

Distribuição dos processos autorizados e validados, segundo ocupação florestal em área - Período 2013 a 2014

Fonte: ICNF

De acordo com os principais indicadores do ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas), no período de 2013 a 2014, as áreas totais autorizadas para (re)arborização atingem 24.483 hectares, das quais 44 por cento respeitam a eucalipto, 31 por cento a sobreiro e 12 por cento a pinheiro-manso. 


Ambientalistas exigem embargo

Atualmente e segundo a Quercus, "um dos casos mais graves refere-se ao corte de pinhal bravo prematuro na Quinta do Carregal, em Ourém. Esta Quinta foi adquirida pelo Município de Ourém há 14 anos, o qual posteriormente transferiu a propriedade para a empresa MaisOurém. Contudo, outros que também se arrogam proprietários, sem que a titularidade fosse confirmada, iniciaram neste local a mobilização do terreno com escavadora giratória para plantação de 10 hectares de eucalipto, convertendo o pinhal autóctone associado às más práticas florestais", disse a Associação ambientalista.



"Dado que parte do terreno está em Reserva Agrícola Nacional (RAN) e Reserva Ecológica Nacional (REN) e que as condições do projecto ao ICNF não estão a ser cumpridas (sem parecer obrigatório da CCDR-LVT e do Município), a Quercus solicitou a pronta intervenção dos serviços do ICNF para identificação dos responsáveis, com instauração de processo de contraordenação, sem contudo existir até agora resposta para impedir o avanço desta intervenção ilegal".

A Quercus diz ainda que "existe uma reincidência, dado que no início do ano o mesmo requerente já tinha efetuado o corte integral da vegetação natural dominada pelo pinhal-bravo e salgueiral, numa área adjacente de cerca de cinco hectares, tendo mobilizado o terreno em REN e RAN e plantado eucaliptos até à margem das linhas de água em domínio hídrico, sem autorização".

Dada a gravidade da situação, a Quercus exige embargo e reconstituição da situação.
ISA usa modelos

A floresta de produção - e em particular as plantações de eucalyptus globulus - ganharam relevância económica ao longo das últimas décadas. 

O aumento da capacidade instalada da indústria da pasta e do papel em Portugal e a crescente procura de madeira para fins energéticos, combinados com uma elevada incidência de incêndios florestais, vieram pôr em causa a sustentabilidade das florestas de eucalipto. 

Face à situação atual, o uso de modelos de base fisiológica para fazer projeções da evolução da floresta está a ganhar relevância sobre os modelos tradicionais. 

Tais modelos fazem uma descrição mecanicista das interações entre as plantas e o ambiente, avaliando os balanços de energia, água, carbono e nutrientes dentro de um determinado ecossistema. 

O modelo 3PG, apresentado pela investigadora Margarida Tomé, do CEF, é um modelo simples baseado na simulação dos principais processos fisiológicos e que não é muito exigente em termos da caracterização da estação e já foi parametrizado para a simulação do crescimento das plantações de eucalipto em Portugal. 

Há trabalhos em curso no ISA que estão a explorar os dados de cinco ensaios de adubação estabelecidos em diferentes regiões de Portugal.



Os atuais cenários das alterações climáticas indicam que a temperatura irá aumentar substancialmente e muitas das áreas, atualmente afetadas pela seca, região Mediterrânica incluída, vão tornar-se mais áridas. 

Espera-se também que a precipitação se torne mais variável, havendo eventos extremos mais frequentes e intensos, como sejam as secas severas ou as vagas de calor.
Causas de mortalidade por esclarecer

"Em relação ao eucalipto, vimos que o aumento da temperatura estimula o crescimento sim, mas também aumenta a vulnerabilidade das plantas", disse ao site da RTP Raquel Lobo do Vale, do CEF.

Dependendo da severidade das alterações climáticas, poderá ocorrer mortalidade. Contudo, as causas da mortalidade das árvores ainda não estão completamente esclarecidas.



"A nossa investigação tem-se focado principalmente nas respostas de árvores à disponibilidade de água. Os nossos resultados destacam a resiliência dos ecossistemas mediterrânicos à variabilidade interanual de precipitação, mas também uma elevada sensibilidade para quantidade e época de precipitação".

Os resultados preliminares indicam que os efeitos negativos da seca se sobrepõem aos efeitos positivos da temperatura.
Simuladores podem reduzir risco de incêndios

As alterações climáticas apontam para um potencial aumento do número de fogos e da área queimada. De acordo com Ana Sá, investigadora no CEF, pretende-se minimizar os impactos dos grandes incêndios no futuro, gerando informação que permita não só reduzir o risco de incêndio mas também apoiar decisões num contexto operacional de combate.



"Nesta matéria específica das simulações em que nós integramos dados de satélite ainda nada foi feito em Portugal. Em 2014 começou uma colaboração com a proteção civil e, neste sentido, nós tentámos criar um sistema em que a Proteção Civil nos dá num determinado momento, em tempo real, uma ocorrência, e em cerca de 15 minutos nós conseguimos providenciar a qualquer utilizador informação com mapa de probabilidade onde é que o fogo se vai encontrar nas próximas horas, para que eles possam utilizar esta informação em termos de recursos".



"A informação que está a ser gerada pelos simuladores não está a ser utilizada num contexto operacional, está apenas a ser testada. Em 2015 continuamos esta colaboração com a proteção civil. No entanto, queríamos testar em grandes incêndios", salienta a investigadora.
A caixa de Pandora

As plantações de eucalipto representam atualmente a maior área de floresta plantada do país, mas as suas produtividade e sustentabilidade têm vindo a ser ameaçadas por um crescente número de espécies invasoras.

Nos últimos anos, a taxa de entrada, em Portugal, de novas espécies de pragas de eucaliptos aproxima-se de uma nova espécie por ano. A nível global, a taxa atual de novas introduções é cinco vezes superior à dos anos 80. 

Ao examinar-se os padrões de distribuição temporal e espacial das invasões biológicas associadas aos eucaliptos, verifica-se que a maioria das espécies estabelecidas na Península Ibérica tem provavelmente uma origem secundária, sobretudo da América do Sul e norte de África.

"As medidas de quarentena atuais parecem ser ineficazes para evitar novas entradas, sendo necessário desenvolver estratégias de deteção de pragas invasoras. Por outro lado, são necessárias estratégias de gestão florestal que permitam minimizar os impactes das novas pragas", salientou Manuela Branco, investigadora do CEF.



"Neste momento, em Portugal, já temos 11 pragas invasoras: duas são insetos que vivem no tronco e se alimentam na madeira, um desfolhador que é talvez o problema principal dos nossos produtores de eucalipto, quatro sugadores que se alimentam das folhas, um ácaro que também é sugador e temos três insetos que causam galhas nas folhas. Destes onze, mais de metade chegaram nos últimos dez anos, quase ao ritmo de um por ano", disse esta investigadora.
Fonte de riqueza

Ainda assim, desde há muito que a floresta se transformou num negócio. É vista por muitos como uma indústria, que o diga Nuno Coimbra, produtor florestal na Chamusca, que vê a plantação de eucaliptos como uma fonte de riqueza.



Com uma área de 600 hectares e cerca de um milhão de euros de investimento, este produtor florestal disse ao site da RTP que em dez, 12 anos, consegue ter os primeiros resultados.

Além disso, "a parte agrícola tem muitas zonas que estão a ser abandonadas porque o agricultor não tem rendimento e esses terrenos podem ser para plantações de eucalipto, vendo aqui uma cultura de rentabilidade".

Situação das Albufeiras em Novembro de 2017

No último dia do mês de Novembro de 2017 e comparativamente ao último dia do mês anterior verificou-se um aumento do volume armazenado em 2 bacias hidrográficas e uma descida em 10. 

Das 60 albufeiras monitorizadas, 4 apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% do volume total e 31 têm disponibilidades inferiores a 40% do volume total.

Os armazenamentos de Novembro de 2017 por bacia hidrográfica apresentam-se inferiores às médias de armazenamento de Novembro (1990/91 a 2016/17), excepto para a bacia do ARADE.




Barragens acabaram novembro mais vazias que em outubro


05 DE DEZEMBRO DE 2017 - 00:01

Chuva que caiu foi pouca e não evitou que no último mês quase todas as barragens perdessem mais água do que aquela que ganharam.


"Buenas noites, Cataluña". Jesus admite mais facilidades em Camp Nou sem Messi

Apenas duas bacias hidrográficas acabaram o mês de novembro com mais água que no fim de outubro. Pelo contrário, dez fecharam o último mês com menos água.

A média não ponderada diz-nos que as barragens portuguesas acabaram novembro, o primeiro mês completo do outono, com apenas 46,4% da sua capacidade preenchida, menos -1,8 pontos percentuais que em outubro e bem menos que em novembro do ano passado quando esse número chegava aos 53,4%.

Das 12 bacias hidrográficas do país, apenas uma, o Arade (no Algarve), tem hoje mais água que a média das últimas três décadas (1990 a 2017). Todas as outras têm menos água que o normal para esta época do ano e algumas muito menos.


As barragens do Sado continuam a ser as que apresentam uma situação mais preocupante, 21,6% da sua capacidade ocupada, mas existiu, no entanto, uma ligeira subida em relação a outubro.

O jornalista Nuno Guedes resume os dados sobre a água nas barragens
Das 60 barragens acompanhadas pelo Ministério do Ambiente no país, apenas quatro acabaram novembro com disponibilidades hídricas superiores a 80% do seu volume total. Do outro lado, mais de metade, 31, têm menos de 40% do volume total ocupado, quando há um ano eram apenas 19. Depois do Sado, os números mais baixos encontram-se nas bacias do Lima (28%), Oeste (39,3%) e Ave (39%).

Nos grandes rios, o Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos revela que as barragens da bacia do Tejo têm 52,6% da sua capacidade ocupada, bem menos que os 68% de há um ano.

No Guadiana a água também desceu bastante, mas ainda continua a perto de dois terços (65,2%), tal como no Douro onde esse número chega aos 60,3%.

Se compararmos com o que acontecia em novembro de 2016 o Mondego, a região Oeste, o Lima e o Tejo são as zonas hidrográficas onde a disponibilidade de água mais caiu no último ano.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Bruxelas prepara Política Agrícola sem Reino Unido

Dinheiro Vivo 04.12.2017 / 08:40 A 

Comissão Europeia defende uma redistribuição de fundos a favor dos pequenos produtores europeus. 

A saída do Reino Unido da União Europeia também terá impacto na Política Agrícola Comum (PAC), e a Comissão Europeia já prepara a sua reforma sem as contribuições do Reino Unido. Das propostas, para entrarem em vigor a partir de 2020, o foco principal é a necessidade de introduzir mudanças na distribuição de fundos para que haja um maior equilíbrio na sua distribuição em benefício dos pequenos e médios agricultores, uma questão sempre em aberto, como retratam os números. Atualmente 20% dos sete milhões de agricultores recebem 80% dos fundos. 

A PAC, que completa 55 anos de existência, tem vindo a perder importância no orçamento europeu, se há uns anos representava 75% do orçamento, hoje não ultrapassa os 40%. No período de 2014 a 2020, os pagamentos diretos da PAC em toda a UE são de 298.000 milhões de euros, e as contribuições do Reino Unido, que vão desaparecer ascendiam a 3.400 milhões de euros por ano. Atualmente, cada país já tem a possibilidade de limitar o auxílio que cada exploração pode receber em 150.000 euros. E Bruxelas já levantou a possibilidade de fixar um limite máximo entre 60.000 e 100.000 euros, mas optou por não fixar tetos e apenas indica uma mudança na distribuição em benefício dos mais agricultores mais pequenos. 

Além disso, a Comissão não define a figura do agricultor ativo como destinatário prioritário da ajuda, e não aborda a questão do cofinanciamento da ajuda por cada país, algo que a própria Comissão se opôs a um projeto anterior. Na nova proposta, pode ainda ler-se que Bruxelas se compromete a condicionar o pagamento de fundos para respeitar o meio ambiente, criar um maior investimento para novas tecnologias, promover a mudança das infraestruturas como forma de melhorar os rendimentos agrícolas. E ainda, criar novos instrumentos financeiros, novos mecanismos de gestão de riscos e, sobretudo, mais apoio para incorporar jovens no setor – apenas 6% dos agricultores europeus têm menos de 35 anos.