segunda-feira, 27 de maio de 2013

"Temos clientes em Angola que compram queijo fresco por avião"

21 Maio 2013, 09:33 por Isabel Aveiro | ia@negocios.pt
7
66
inShare
Em quatro anos, a Queijo Saloio passou a ter Angola como seu principal
destino de exportações. Uma parceria logística pode ser forjada em
breve

Fábrica de Torres Vedras | Quatro linhas produzem queijos até meio
quilo de peso. Em Abrantes fica a outra unidade.



"A exportação está com um crescimento bom. Neste momento, até ao dia
de hoje estamos com um crescimento de 41% desde o princípio do ano",
afirma Clara Moura Guedes enquanto examina os quadros nas folhas A4 à
sua frente.


A administradora-delegada da sociedade Queijo Saloio não disfarça
contudo a dimensão dos algarismo à sua frente: "Embora ainda
represente pouco, a nossa previsão é que até ao final do ano a
exportação represente 12% das vendas". Em 2012, recorda, as vendas
fora de Portugal pesaram 8% na facturação consolidada de 23 milhões de
euros. Com "crescimento muito diferenciado porque crescemos muito mais
fora da Europa", com Angola e Brasil a liderar o topo de destinos.


Como exportar mais então em 2013? "Estamos a começar com a Rússia -
temos um cliente, estamos em vias de começar com um segundo, de maior
dimensão - e com um cliente na Índia". Em ambos os países "o começo é
muito difícil - tanto na Rússia como na Índia demorámos dois anos para
começar. Com problemas burocráticos, sanitários. Isso foi bastante
moroso, mas finalmente lá se conseguiu".


Mas é em Angola que a administração da Queijo Saloio está "a prever um
crescimento muito forte". É lá que a Queijo Saloio tem "desde o final
do ano passado" um representante a gerir o negócio. "É o único país
onde temos um representante - era o que precisávamos de ter nos
outros. Porque é completamente diferente". Em quatro anos, o país
africano passou de residual para representativo de 15% das
exportações, ultrapassando a França na lista de destinos da Queijo
Saloio.


A empresa dona da marca Palhais está ainda a "alargar a distribuição"
local com "stockagem" e está a estudar "fazer uma parceria com alguém
que esteja lá com um entreposto de frio". É que "a logística é muito
mais cara" face aos destinos para os quais a empresa vende na Europa
(como Alemanha, França, Suíça, Luxemburgo, e Reino Unido).


O "transporte e a logística penalizam em termos de custo e de validade
dos produtos, de reacção, etc., porque fazemos vias marítimas e vias
aéreas com alguns clientes". Sim, reafirma Clara Moura Guedes, "temos
clientes que compram queijos frescos e requeijão para Angola por
avião".


A empresa, que há três anos acreditava poder vir mesmo a ter uma
fábrica em Angola, ainda mantêm o plano. Ou, pelo menos, a ideia.
"Continuamos com o nosso velho projecto, ainda não perdemos a
esperança", admite a gestora. "Ainda na semana passada tive acesso a
um programa de apoio à instalação de PME industriais lá que era
interessante. Até identificámos um parceiro na área da pecuária. Mas
nesta altura não podemos pensar nisso", reconhece.









Perguntas a Clara Moura Guedes
Administradora-delegada da Queijo Saloio





"Desejar um futuro interessante é uma maldição chinesa. O nosso está a
ficar interessante demais"



No mercado português, como está a crise a afectar as vendas?
O ano passado foi difícil. Desejar um futuro interessante é uma
maldição chinesa. Eu acho que o nosso, de Portugal, está a ficar
interessante demais.


Em 2012 qual é que foi a evolução das vendas?
Fechámos com 23 milhões de facturação em termos consolidados. Tivemos
uma quebra de aproximadamente 10% no total em vendas líquidas, que é o
drama. Este ano, em volume, estamos praticamente estáveis em relação
ao ano anterior, em que já tínhamos perdido, o que portanto não é
muito animador. Em valor estamos ligeiramente abaixo, cerca de 3%
abaixo.


Essa tendência irá manter-se para o final do ano?
Isso é bola de cristal, certo? Eu espero que não, mas não sei se
podemos acreditar nisso. Dependemos obviamente muito do consumo [no
mercado interno], mas somos uma empresa muito pequena - algumas coisas
que corram bem podem fazer a diferença. Mas evidentemente que se as
pessoas estão a consumir cada vez menos, é complicado do ponto de
vista das vendas. E do ponto de vista da rentabilidade é muito
complicado esta pressão comercial. Isto alguma vez terá de se
inverter, mas na questão da pressão, que haja algum bom senso e que
haja alguma regulamentação em breve.


Exportam 8% em valor ou em volume?
Em valor. E a vossa previsão para este ano é 12%.


De que forma é que isto está a afectar os resultados?
Muito. Porque temos uma dimensão pequenina. A questão da exportação de
certa forma contrabalança, mas não é tudo.









Ideias-chave



Estratégias que a Queijo Saloio tem seguido para combater a crise e a
queda do consumo em Portugal


1. Inovação
"A estratégia para sobreviver passa pela inovação. São produtos
diferentes e uma renovação de portefólio permanente. Tentar
exactamente que haja propostas pelas quais o consumidor esteja
disposto a atribuir-lhe algum valor acrescentado, quer seja
conveniência, sabor ou nutrição".


2. Exportação
"Por outro lado, a exportação, vender para fora". As vendas da Queijo
Saloio fora do território português ascenderam em 2012 a 8% da
facturação, de cerca de 23 milhões de euros em termos consolidados.
Este ano a meta é que a fasquia passe para os 12%.


3. Micronegócios
"Abrimos duas lojas de fábrica. Em cada fábrica, em Abrantes e Torres
Vedras, em conceito de 'outlet'. Abrimos as lojas há um ano e neste
momento as duas lojas são o nosso sétimo maior cliente". "Estamos a
tentar uma data de negócios deste tipo: distribuidores localizados de
outros produtos, para distribuírem dois ou três produtos nossos, e a
incorporação em cabazes".


4. "Refreshing" de produtos
Além de entregar a concepção de raiz do novo produto "Cool" a Ricardo
Mealha, a Queijo Saloio entregou ainda ao designer português o
"refreshing" da marca Palhais, que estará dentro de dois meses nas
lojas.

http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/detalhe/temos_clientes_em_angola_que_compram_queijo_fresco_por_aviao.html

Sem comentários:

Enviar um comentário