terça-feira, 24 de novembro de 2015

A apanha da azeitona

 22 Novembro 2015, domingo 

A oliveira está na moda e faz parte do embelezamento arquitetónico de espaços públicos, em jardins, casas ou edifícios. É uma árvore secular no nosso país, de grande implementação nos meios rurais, onde é uma importante fonte de rendimento.

Por estes dias, são muitas as pessoas que se reúnem para a apanha da azeitona, como é o caso de Proença-a-Nova.
No olival, começa-se de manhã e é até ao anoitecer. Chegam em carrinhas ou tratores, muitas vezes com o farnel para bucha, tiram-se sacas e panos para estender no solo, onde há-de cair a azeitona.
Preparado o terreiro, aqui não há descriminação, homens e mulheres cercam a oliveira e dão início ao movimento de mãos na ramagem, que pode também ser brejada com uma vara, muitas já elétricas que são uma preciosa ajuda.
É assim de oliveira em oliveira. Já em casa a azeitona é colocada no limpador, para retirar pequenos cavacos e folhas, para ser depois ensacada.
Proença-a-Nova é um dos concelhos com mais lagares em funcionamento. Apesar de muitos já terem fechado, ainda assim este ano são 26 os que estão a moer, um dos quais fica no Malhadal.
É um lagar à moda antiga, onde a mó principal é movida pela força da corrente da água da Ribeira da Isna. Nuno Fernandes está no exterior do lagar a descarregar azeitona, o início do processo de moagem começa com a lavagem.
Pelo meio, depois da moagem, fica uma massa pastosa que passa por uma batedeira para controlo da temperatura. Depois é encerado e prensado e dá o desejado líquido dourado, num processo que demora cerca de 1h15m. Depois é avaliado o grau de pureza.
Ana Domingos, da APABI- Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior, explica-nos que estes são por normas azeites biológicos e a classificação de virgem e virgem extra «depende das análises químicas e orgânicas», mas os sinais de um mau azeite são facilmente detetados.
Uma boa colheita requer alguns cuidados no olival ao longo do ano, como a poda em fevereiro/março e «ter cuidado com a traça na primavera», e colher azeitona no tempo certo. São assuntos que esta técnica vai abordar amanhã à tarde em Proença-a-Nova, numa iniciativa promovida pelo município, «para dar a conhecer as potencialidades do azeite» destaca o autarca, Paulo Catarino.
Para além disso haverá provas de degustação, e quem quiser pode começar o dia com uma caminhada pelos olivais onde pode observar a apanha da azeitona e participar.
Fonte: TSF

Ovibeja 2016: novas ferramentas de “Business to Business” em destaque



 20 Novembro 2015, sexta-feira  AgriculturaNegócios

A 33ª Ovibeja, que se realiza de 21 a 25 de abril de 2016, volta a investir na temática "Terra Fértil", uma mostra de inovação agrícola e de agronegócios que, transversal a toda a feira, potencia a partilha de experiências e revela as mais-valias dos investimentos na agricultura alentejana e do País.
Em comunicado, os promotores salientam que na edição de 2016 estarão em destaque «fatores diferenciadores da agricultura nacional com base em novos paradigmas e ferramentas inovadoras de B2B – Business to Business».
A programação vai dar prioridade a encontros diretos e a sessões de esclarecimento entre empresários e agricultores fomentando a criação de negócios. 

Produção mundial de leite reduz de forma significativa


  19-11-2015 
 

 
As principais regiões exportadoras de lacticínios, nomeadamente, União Europeia, Nova Zelândia, Austrália e Argentina, reduziram a sua produção de leite de forma significativa, pela primeira vez, em dois anos e meio.

Também como consequência da situação de mercado, a maior redução registou-se na Nova Zelândia, me Setembro, quando a produção caiu 7,5 por cento em comparação com o mesmo período de 2014. Para além disso, a Nova Zelândia prevê que esta campanha, de Junho de 2015 a Maio de 2016, a produção diminua cerca de cinco por cento.

No final de 2014 e durante o primeiro trimestre de 2015 também verifica-se uma quebra na produção de leite, mas devido, sobretudo, à União Europeia e à necessidade dos pecuários em reduzir a sua produção para ajustar as quotas leiteiras.

No início de Abril, já sem quotas, a produção voltou a aumentar de forma imediata e o crescimento disparou até um atingir um pico em Julho. A partir desta data, a produção mundial voltou a descer, primeiro devido à queda na Nova Zelândia, seguida pelas restantes regiões.  

Fonte: Agrodigital

PSD/Açores convida comissário europeu da Agricultura a conhecer produção leiteira

19-11-2015 
 

 
O líder do PSD/Açores convidou o comissário europeu da Agricultura e Desenvolvimento Rural a visitar o arquipélago em 2016 para conhecer a produção leiteira, uma visita que será antecedida por um grupo de peritos.

«Convidei o senhor comissário europeu a ir aos Açores para ver a realidade "in loco"», afirmou Duarte Freitas aos jornalistas após uma reunião, em Bruxelas, com Phil Hogan, acrescentando que esta visita vai ser precedida por um grupo de peritos da Comissão Europeia.

Duarte Freitas, que esteve acompanhado pela eurodeputada açoriana Sofia Ribeiro, referiu ter confirmado «a sensibilidade daquele responsável pelas matérias que preocupam o arquipélago, nomeadamente no sector do leite, que vive dias de muita aflição nos Açores». A quota leiteira na União Europeia foi abolida em Abril.

O líder social-democrata realçou a garantia recebida de que a União Europeia «já está a trabalhar numa nova forma de compensação aos produtores de leite, findo que está o sistema de quotas leiteiras, exatamente uma solução que o PSD/Açores já propôs em Abril», explicou.

«Trata-se de um mecanismo de protecção aos produtores de leite, que os possa apoiar quando os preços baixarem para além de um determinado nível. Pudemos igualmente confirmar uma grande convergência de pontos de vista sobre os problemas que a lavoura açoriana atravessa», acrescentou Duarte Freitas.

Em Julho deste ano, o líder do PSD/Açores afirmou ser preciso «acudir» às dificuldades geradas pela queda do preço do leite, considerando incompreensível que continuem por tomar na região medidas que todos defendem há anos, como a criação de um observatório regional do leite, um «lóbi em Bruxelas» e uma associação interprofissional do sector.

Em Bruxelas, Duarte Freitas referiu que «a revisão em curso do POSEI, programa destinado às regiões ultraperiféricas, poderá atenuar, de facto, alguns desses problemas, pelo que «a compensação face aos avultados investimentos que os produtores têm feito poderá acontecer a breve trecho».

Fonte: Lusa

Courgette – a cultura da moda


Novembro 12
10:06
2015

A courgette era até há alguns anos um legume praticamente desconhecido em Portugal. Neste momento, com as dietas alimentares, passou a estar na moda e é indicada por muitos nutricionistas como um bom substituto da batata, sobretudo para perder peso, aquando da elaboração das sopas.

Este súbito aumento do consumo motivou um aumento das importações, estando neste momento a agricultura portuguesa a responder a esta situação de mercado.

Neste momento existe um grande incremento da cultura na zona Oeste, sendo a cultura já considerada como a cultura da moda.

Esta cultura é fácil de fazer e é pouco dispendiosa, o que também a torna muito atractiva para os agricultores.

A cultura em Portugal só começou a ter expressão em 2011 e hoje situa-se ao nível das 20.000 toneladas em 655 hectares de cultura.

A resposta ao aumento do consumo foi de tal maneira rápida por parte dos agricultores, que, em 2014, já exportámos cerca de 11.800 toneladas, tendo sido importadas apenas 8.000 toneladas.

O Oeste tem óptimas condições para esta cultura, pois tem um clima muito ameno ao longo do ano, com pouco frio e poucas geadas no Inverno e sem temperaturas muito elevadas no Verão.

Parece, por isso, uma cultura com um bom potencial para desenvolvimento futuro na região.

COPA-COGECA quer mais investigação e investimento no uso da biomassa


Novembro 20
13:19
2015

O COPA-COGECA apoia a necessidade de desenvolver a utilização de biomassa, proveniente do sector agrícola e florestal.

Num comunicado de imprensa, o COPA-COGECA explica que é necessário acelerar a investigação e investir nas novas tecnologias, assim como, melhorar a cooperação e comunicação para desenvolver o potencial do sector.

Segundo o Secretário-geral do COPA-COGECA a biomassa proveniente da floresta e da agricultura tem um potencial que ainda não está explorado. Deve-se, assim, encontrar soluções para um melhor uso dos recursos existentes, envolvendo mais os agricultores e produtores florestais, aconselhando-os e promovendo a transferência de conhecimentos e da inovação, investindo nas novas tecnologias, desenvolvendo novos modelos económicos.

Reforço do combate às fraudes do sector alimentar na UE


Novembro 20
13:13
2015

A Comissão Europeia anunciou que foi recentemente lançado um instrumento informático que vai permitir um controlo mais fácil entre países, no sentido de melhorar o sistema transaccional europeu de luta contra as fraudes alimentares.

Com este sistema, está muito facilitada a troca de informações entre as autoridades dos diferentes Estados Membros que se dedicam à luta contra as fraudes alimentares.

Este programa vem no sentido das acções levadas a cabo pela Comissão desde o escândalo da carne de cavalo de 2013, que levou à criação de uma rede europeia de controlo dos produtos alimentares.

Eurodeputados querem legislação para controlar as práticas comerciais desleais


Novembro 20
13:07
2015

No dia 12 de Novembro, o Comité de Agricultura do Parlamento Europeu (Comagri) votou, por 29 votos a favor, 9 contra e 2 abstenções, uma proposta da eurodeputada irlandesa Mairead McGuinness, que exige uma legislação europeia que acabe com as práticas comerciais desleais e abusivas, que exercem uma pressão enorme sobre os produtores, e que haja uma maior coordenação entre países nesta área.

Nesta proposta, lembra-se o acordo voluntário feito no âmbito do Fórum da Cadeia Alimentar em 2013, que foi assinado pela grande distribuição, mas que não teve qualquer efeito prático, pois era voluntário e nunca foi cumprido.

O COPA-COGECA regozijou-se com esta decisão, pois há muito tempo que vem denunciando as medidas comerciais abusivas e o poder opressivo que a grande distribuição exerce sobre os produtores.

Fica claro, de uma vez por todas, que medidas voluntárias não têm qualquer resultado e que é preciso legislação concreta que resolva este problema.

Vamos agora ver como reage a Comissão, uma vez que a medida que anunciou foi a da criação de mais um Fórum de Alto Nível da Cadeia Alimentar que, se for igual ao primeiro, só serve para a grande distribuição enrolar e atrasar decisões que venham a pôr fim a esta situação.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Prologamento das medidas de apoio ao sector do leite, fruta e legumes

Novembro 20
12:39
2015

As medidas de apoio aos sectores do leite, das frutas e legumes vão ser prolongados para 2016, estando a Comissão a tratar dos últimos detalhes, no sentido de oficializar o processo.

As medidas para o leite já entraram em vigor em 1 de Outubro enquanto que, para as frutas e legumes, devem avançar na próxima semana.

No que diz respeito ao sector do leite, a intervenção pública foi prorrogada até 29 de Fevereiro de 2016 enquanto que, as ajudas à stockagem privada também tiveram igual decisão.

No que diz respeito às frutas e legumes, as medidas que terminaram em 30 de Junho de 2015 foram prorrogadas até 30 de Junho de 2016, cobrindo a maior parte dos produtos e onde estão incluídos os pêssegos e as nectarinas.

Estas medidas constam do apoio à retirada de produtos do mercado para distribuição gratuita em instituições, apoio à não-colheita, ou seja, receber para deixar a fruta na árvore e aquisição para outros fins que não sejam alimentação humana.

As quantidades vão ser distribuídas pelos Estados Membros face ao impacto que o embargo russo teve nas suas produções.

Imagem -briskpost.com 

Phil Hogan quer acabar com os receios que pairam no sector agrícola

Novembro 19
13:08
2015

O Comissário Phil Hogan afirmou, recentemente, que quer acabar com os receios que pairam no seio dos agricultores, face a eventuais penalizações nas ajudas directas, devido aos condicionalismos do greening.

Assim, defendendo o dinheiro público, considera que pode haver um equilíbrio para amenizar algumas possíveis multas que os agricultores venham a ser obrigados a pagar.

Desta forma, o sistema de controlos vai ser modificado para o próximo ano, permitindo às autoridades locais escolherem os sectores onde estes são mais eficazes, aliviando a pressão global sobre os agricultores.

Com o novo sistema, deixa de haver o sistema de múltiplas inspecções, que têm vindo a criar receios junto dos agricultores.

O sistema de penalizações também vai ser alterado, no sentido de serem melhor proporcionadas, defendendo, assim, as pequenas explorações.

Este sistema vai, no entanto, começar a ser aplicado progressivamente e não de um dia para o outro.

Sempre com a defesa dos dinheiros públicos, pretende-se ir de encontro aos agricultores, simplificando a sua vida.

Gigantes do agro-alimentar querem chegar a 100% de energias renováveis

Novembro 19
13:05
2015

Os colossos do agro-alimentar, tais como a Unilever e a Mars, anunciaram que o seu objectivo é chegarem a utilizar 100% de energia renovável no seu processo de fabrico.

Este objectivo é, também, partilhado por outros grupos do agro-alimentar, apesar das opções para atingirem este objectivo serem diferentes. Alguns estão apostados na biomassa, que começa a ser controverso, devido à sua concorrência com as culturas.

Os fabricantes de bebidas, por seu lado, têm vindo a fazer um esforço desde 1990, procurando fontes de energia alternativas, mais limpas, o que os levou a reduzir, até 2012, cerca de 22% na emissão de carbono.

A redução de emissões de carbono no sector agro-alimentar também tem sido possível devido aos investimentos feitos  numa melhor eficiência energética.

Neste momento, a grande aposta vem na produção de energia a partir de resíduos e lixo e algumas empresas já estão a produzir bio gás a partir destes produtos.

Não existe, no entanto, uma solução mágica e, hoje em dia, cresce o movimento que põe em causa os biocombustíveis, pois não aceita que se estejam a usar alimentos, que fazem falta para resolver o problema da fome no mundo, para os produzir.

Uma coisa é certa, todos estão apostados no desenvolvimento de combustíveis limpos de última geração, obtidos a partir de resíduos e desperdícios.

Itália reabre a autorização de plantio de oliveiras

Novembro 19
13:02
2015

O plantio de oliveiras está proibido em Itália, depois do aparecimento da bactéria Xylella fastidiosa, que dizimou milhões de oliveiras no sul do país.

O governo italiano está a trabalhar num programa para voltar a autorizar a plantação de novas oliveiras, cujos pedidos têm de ser apresentados ao Ministério, procurando, no entanto, aliviar a burocracia.

Pretende-se, assim, plantar variedades que estão testadas como resistentes à bactéria e estas plantações não estão limitadas às universidades que desenvolvem esta investigação, mas também aos agricultores.

A Comissão Europeia está a contribuir financeiramente para os programas de investigação, visando obter espécies resistentes.

Com o aparecimento desta doença, a produção de azeite em Itália teve um retrocesso, levando à importação de azeite, para fazer face aos compromissos internacionais, sendo que, também, a qualidade tem vindo a ser posta em causa.

Tratando-se de um sector muito importante para a agricultura italiana, este programa pretende vir a repor a produção aos níveis normais.

Egipto exige reabertura do mercado europeu aos seus cavalos

Novembro 17
15:04
2015

As autoridades egípcias exigem o levantamento do embargo europeu aos cavalos do seu país, situação que já se verifica há cinco anos.

A indústria de cavalos no Egipto tem registado um grande desenvolvimento nos últimos anos, com recurso aos melhores técnicos mundiais, sendo o país, neste momento, detentor dos melhores cavalos de puro sangue árabe do mundo.

A reabertura do mercado pode trazer um volume de exportação de 3 mil milhões de libras egípcias por ano.

Esta situação do embargo tem levado os maiores criadores a desenvolverem núcleos de produção fora do Egipto, por exemplo, na Europa, para poderem ter acesso aos mercados.

Neste momento, existem 650 explorações, com um efectivo total de 9.000 animais registados de puro sangue árabe.

O Egipto organizou recentemente o Campeonato Internacional de Puro Sangue Árabe, que contou com a presença de vários países, tais como Arábia Saudita, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Itália, Alemanha e Bélgica.

Duas pessoas internadas com botulismo alimentar em Lisboa


Ontem
Duas pessoas foram internadas, esta sexta-feira, num hospital de Lisboa, com botulismo alimentar, havendo ainda um terceiro caso suspeito.
 

ANDRÉ GOUVEIA/GLOBAL IMAGENS

Segundo a Direção-Geral de Saúde, a origem da doença estará no consumo de presunto preparado de forma artesanal, no Fundão, por uma família que vive em Lisboa.

Todas as pessoas que consumiram o mesmo presunto estão a ser observadas.

A DGS esclarece que esta situação não está relacionada com os casos diagnosticados em Trás-os-Montes e mantém o alerta para o consumo deste tipo de produtos confecionados de forma artesanal.

FAO declara 2016 Ano Internacional das Leguminosas


Nov 13, 2015


Alertar a sociedade para os benefícios nutricionais das leguminosas é um dos objectivos do Ano Internacional das Leguminosas (AIL) que se assinala em 2016, segundo declarou a 12 de Novembro a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).

AnoInternacionaldasLeguminosas2016_LogoA iniciativa irá também alertar para a importância destas culturas na sustentabilidade agrícola e o seu contributo para uma segurança alimentar efectiva.

«O Ano Internacional das Leguminosas será uma oportunidade para potenciar o uso das leguminosas nas rotações agrícolas e discutir os desafios da comercialização», esclarece a FAO em comunicado.

Segundo a FAO, apesar dos seus grandes benefícios, o seu valor nutricional não é reconhecido e há centenas de variedades que podem ser cultivadas.

Os legumes são ricos em proteínas, contêm o dobro das encontradas no trigo e três vezes que as do arroz. Também são ricos em micronutrientes, aminoácidos e vitaminas do grupo B, elementos chave de uma dieta saudável.

Aprovados 33 novos programas de promoção


Novembro 16
15:15
2015

A Comissão Europeia aprovou, em 12 de Novembro, 33 novos programas de promoção para produtos agrícolas europeus.

Estes programas foram aprovados no quadro da regulamentação 2008, que será substituído a 1 de Dezembro e que previa uma parte das ajudas serem comunitárias e a outra dos Estados Membros. A partir de 1 de Dezembro o financiamento dos programas será totalmente comunitário e abrangerá uma maior linha de produtos, tendo, para 2016, um reforço de verbas, que irá totalizar 111 milhões de euros.

Vinte destes programas visam a promoção dos produtos agrícolas no mercado interno da União Europeia, enquanto 13 são para mercados externos, tais como a China, o Médio Oriente, a América do Norte, o Sudeste Asiático, o Japão, a Coreia do Sul, a África, a Rússia, o Cazaquistão, a Austrália, a Noruega e os Balcãs.

Grandes marcas de azeite italianas suspeitas de fraude


Novembro 16
15:14
2015

Foi aberto, no dia 10 de Novembro, pelas autoridades italianas, um inquérito de fraude contra várias marcas de azeite italianas, das quais algumas muito conceituadas, que são suspeitas de vender azeite de qualidade inferior por azeite extra-virgem.

Segundo o Ministro da Agricultura, Maurizio Martina, é importante clarificar o mais rapidamente possível esta situação, de modo a tranquilizar os consumidores e a manter a credibilidade do azeite italiano.

Sendo o segundo produtor mundial, a seguir à Espanha, a Itália é, também, o primeiro importador de azeites para misturar com o produto local, o que é uma situação que desagrada profundamente à Confederação dos Agricultores Italianos (COLDIRETTI), que afirma existirem cerca de duzentos e cinquenta milhões de oliveiras em Itália, que necessitam de 50 milhões de dias de trabalho.

Candidaturas ao regime de apoio à reestruturação e reconversão da vinha VITIS campanha 2016-2017

As candidaturas ao Regime de Apoio à Reestruturação e Reconversão da Vinha (VITIS), Campanha 2016-2017, decorrem entre 15 de novembro e 15 de dezembro de 2015, sendo submetidas on-line na Área Reservada do Portal do IFAP, em O Meu Processo > Candidaturas > VITIS > Campanha 2016-2017 > Entregar/Alterar/Consultar.

Chama-se a atenção que previamente à submissão das candidaturas os viticultores que pretendam candidatar-se devem:

Proceder à sua inscrição como beneficiários IFAP para obtenção de NIFAP, ou procederem à atualização de dados, nomeadamente do NIB e/ou endereço eletrónico;
Efetuar a inscrição ou atualização dos dados da exploração, no Sistema de Identificação do Parcelário (iSIP) do IFAP;
Providenciar a atualização do Registo Central Vitícola, o pedido de emissão de direitos de plantação e a georreferenciação das parcelas (nos casos de relocalização de vinhas);
Obter os pareceres relativos às vinhas em área classificada e vinhas no alto douro vinhateiro (se aplicável) ou outros documentos constantes das normas complementares, necessários à correta submissão das candidaturas.
Para mais informação poderá consultar a Portaria n.º 357/2013, alterada pela nº Portaria 67/2014, de 12 de março e pela Portaria nº 219/2015, de 23 de julho, bem como o Aviso de Abertura de Candidatura

Agricultura: Portugal recebe quase €6,5 milhões de Bruxelas



 22 Novembro 2015, domingo

Portugal vai receber quase 6,5 milhões de euros de ajudas no âmbito do fundo de reserva para crises no setor agrícola, que reverte para os agricultores se não for utilizado, segundo um regulamento hoje adotado. 
Com base nas declarações de despesas, Portugal vai receber 6.448.884 euros de um montante de reembolsos total de 409,8 milhões de euros «da disciplina financeira aplicada no exercício financeiro de 2015», segundo o regulamento, que deve ser aplicável a partir de 1 de dezembro. 
Os montantes têm que ser pagos aos agricultores até 16 de outubro de 2016. 
«Desde a reforma da Política Agrícola Comum [PAC] de 2013, tem sido deduzido anualmente um montante significativo aos pagamentos diretos aos agricultores, no sentido de constituir uma reserva anual para eventuais crises agrícolas», explica o comunicado de Bruxelas. 
«Se não for utilizado até ao final do ano, esta reserva é devolvida aos agricultores». O que aconteceu no ano financeiro de 2015. 
Mas de Bruxelas veio também na passada sexta-feira uma fatura: Portugal tem devolver 1,9 milhões de fundos por utilização incorreta dos fundos. 
Ao todo são 19 dos Estados-membros da União, um dos quais Portugal, utilizaram mal o financiamento disponibilizado, elegendo incorretamente despesas ao Fundo Europeu Agrícola de Garantia (FEAGA) e pelo Fundo Europeu Agrícola de desenvolvimento Rural (Feader). 
Bruxelas «reclama aos Estados-membros [visados] os fundos da PAC que foram gastos indevidamente», escrevem os serviços da Comissão, acrescentando que a medida «tem um impacto financeiro de 276 milhões de euros» no total. 
No caso português, a quantia ascende a 1.906.177,80 euros e remete para «irregularidade» na aplicação da regulamentação, questões associadas à certificação e a "«deficiências no Sistema de Identificação de Parcelas» - o parcelário agrícola é fundamental para a atribuição de verbas de ajuda direta - com pedidos efetuados ente 2009 e 2011, no anterior quadro comunitário de financiamento à agricultura (2007-2014). 
A decisão abrange, além de Portugal, a Bulgária, República Checa, Dinamarca, Alemanha, Espanha, França, Grécia, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Roménia, Eslovénia, Eslováquia, Suécia e Reino Unido. 
«A aplicação da decisão sobre a Grécia foi adiada até 2017», acrescenta a Comissão. 
Fonte: Lusa/Jornal de Negócios



Está aberta a submissão de Iniciativas na "Bolsa de Iniciativas para a constituição de grupos operacionais"

Publicado em segunda, 16 novembro 2015 23:09
 

Bolsa de Iniciativas para a constituição de grupos operacionais

A partir de hoje podem ser submetidas iniciativas por parcerias que pretendam desenvolver, em cooperação, um plano de ação para realizar projetos de inovação que respondam a problemas concretos ou oportunidades que se colocam à produção e que contribuam para atingir os objetivos e prioridades do Desenvolvimento Rural, nas áreas temáticas consideradas prioritárias pelo setor tendo em vista a produtividade e sustentabilidade agrícolas, conforme consideradas na PEI-AGRI.

A Bolsa de Iniciativas tem como objetivo:

Promover o encontro entre interessados em desenvolver iniciativas de inovação no sector, bem como a aglomeração destas iniciativas em torno de objetivos semelhantes; 
Preparar a constituição de Grupos Operacionais para o apoio previsto na ação 1.1., «Grupos Operacionais», do PDR 2020 e da Medida 16 – Cooperação, do PRORURAL+ e do PRODERAM 2020.

domingo, 22 de novembro de 2015

Jovens agricultores lideram procura de 15 mil hectares da Bolsa de Terras


20-11-2015 
 

 
A bolsa nacional de terras já integra quase 15 mil hectares de solos que são procurados especialmente por jovens agricultores, disse um responsável da entidade gestora nacional deste projecto criado há dois anos.

Realizado no ano passado, o primeiro concurso para conceder terrenos agrícolas e florestais, por compra ou arrendamento, «teve grande sucesso«»com a apresentação de 160 candidaturas, adiantou Norberto Correia à agência Lusa.

Este representante da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR), Entidade Gestora Nacional da Bolsa de Terras, falava a propósito de uma sessão de esclarecimento sobre esta matéria, que decorreu esta quinta-feira, na Lousã.

Criada pelo Ministério da Agricultura, em Maio de 2013, apenas para Portugal Continental, a bolsa «acaba por ser um bom repositório de terras» e revela «um crescimento consolidado», afirmou.

Após o concurso de 2014, a adesão teve «acréscimos significativos e consistentes» do lado da oferta, com o Alentejo a liderar as adesões, em número mais elevado «nas proximidades do Alqueva», sendo a abundância de água da barragem também determinante para um aumento da procura.

Nessa região, os interessados «são sobretudo espanhóis», com projectos nas áreas da olivicultura e da produção de frutos vermelhos, por exemplo, além de investidores oriundos da Holanda e do Reino Unido, entre outros países da União Europeia.

A adesão à Bolsa de Terras, que inclui propriedades do Estado, «é um processo voluntário para os privados» donos de campos de cultivo e terrenos com aptidão florestal que não estão a ser utilizados.

As terras podem ser compradas ou arrendadas por pessoas singulares ou colectivas, «sem qualquer restrição» quanto ao país de origem, desde que cumpram as exigências legais do Estado português, esclareceu Norberto Correia. «Entre Setembro e Outubro, houve um acréscimo de 100 hectares, na sequência das acções de sensibilização realizadas», salientou.

Em 31 de Outubro, a DGADR registou 14.800 hectares de terrenos disponibilizados por particulares e por organismos públicos, «dos quais 3.600 já foram transaccionados», o que equivale a uma taxa de cedência de 24 por cento. «Nos privados, 75 por cento das terras foram vendidas e as restantes arrendadas», informou.

O segundo concurso para atribuição de terrenos vai decorrer de 25 de Novembro a 10 de Dezembro, esperando a Entidade Gestora Nacional por «novas adesões e indicadores muito importantes» até ao final deste mês.

«Sabemos que há mais terras que não estão a ser utilizadas, incluindo as que pertencem a emigrantes», realçou. Até ao momento, segundo Norberto Correia, «não houve qualquer adesão» das assembleias de compartes dos baldios, situados sobretudo no Centro e no Norte.

Além das acções de sensibilização que está a promover de norte a sul do país, a DGADR vai contactar as embaixadas e consulados no sentido de divulgarem a Bolsa de Terras junto das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

A sessão de ontem foi organizada pela Associação de Desenvolvimento do Ceira e Dueça (Dueceira), na qualidade de Gestora Operacional da Bolsa de Terras, em colaboração com o Ministério da Agricultura.

Fonte: Lusa


Afinal o glifosato não é cancerígeno


Novembro 16
15:16
2015

A European Food Safety Agency (EFSA) publicou o tão esperado relatório sobre a probabilidade de o glifosato ser ou não cancerígeno, na sequência do anúncio, por parte da Organização Mundial de Saúde (OMS), que considerou que este produto tinha forte probabilidade de provocar cancro.

O relatório da EFSA, pelo contrário, considera improvável que o glifosato constitua um perigo cancerígeno para o homem.

Como se sabe, a autorização para a venda do glifosato termina a 31 de Dezembro, tendo sido prorrogada até 1 de Junho, aguardando a Comissão este relatório para tomar uma decisão.

O Centro Internacional de Investigação do Cancro da OMS (IARC) classificou o glifosato como cancerígeno provável para o homem, que é o último degrau antes da classificação de produto cancerígeno. A EFSA reuniu o parecer dos peritos de todos os Estados Membros, e à excepção de um, todos foram unânimes em dizer que nem os dados epidemiológicos, nem os elementos obtidos em estudos em animais, demonstraram uma ligação entre a exposição ao glifosato e o desenvolvimento do cancro nos homens.

Em Bordéus investigam-se novas cepagens para fazer face ao aquecimento global


Novembro 17
15:03
2015

Bordéus é uma das regiões de maior prestígio vitivinícola da Europa e do mundo, mas, neste momento, os responsáveis locais do sector começam a ficar muito preocupados com o eventual efeito negativo que o fenómeno de aquecimento global possa vir a ter nas uvas produzidas e, consequentemente, na qualidade do vinho.

Para fazer face a esta situação, já está em marcha um plano de investigação para adaptar as vinhas às novas realidades climatéricas, que passa, necessariamente, pela introdução de novas cepagens.

As variedades mais precoces vão ser as mais atingidas e, dentro delas, está o Merlot, que ocupa uma grande parte da superfície de vinhas.

A ideia é de desenvolver bacelos que levem a produção de uvas de ciclo mais longo e as variedades que melhor se podem adaptar são o Cabernet Sauvignon e o Petit Verdot.

É, no entanto, necessário ir mais longe na investigação e, hoje, a grande aposta está no bacelo português "Tinto Cão", que é um bacelo utilizado nas vinhas do Porto.

Neste momento, muitos viticultores querem autorização para fazer ensaios em 1% a 2% da sua área de vinha, mantendo a denominação de origem do vinho.

As medidas do greening vão ser alteradas


Novembro 19
13:06
2015

O Comissário Phil Hogan prometeu uma alteração das medidas do greening, mas avisou que essas alterações não seriam propostas antes de 2017.

Com esta posição, o Comissário tenta acalmar a voz de vários Estados Membros, que há meses vêm reclamando uma verdadeira revisão destas medidas.

Esta posição não agradou, no entanto, às organizações de produtores, que têm alertado para os problemas causados ao sector pelo sistema de greening e queriam propostas muito mais rápidas e não somente para 2017.

Continua a ser exigida uma simplificação dos controlos administrativos ao nível dos Estados Membros e uma maior flexibilidade na aplicação de eventuais penalizações.

Imagem - thejournal.ie

Campanha inglesa de incentivo à compra de produtos nacionais



Novembro 20
13:23
2015

O grupo de distribuição Fodder está a lançar uma campanha nas suas lojas, no sentido de incentivar o consumidor a comprar produtos ingleses.

Assim, no que diz respeito ao leite e produtos lácteos, todos são rotulados com o país de origem e, existem grandes cartazes promovendo o produto inglês.

A campanha tenta mostrar o quão importante é para a sobrevivência do sector inglês do leite a preferência do consumidor pelos seus produtos.

Pretende-se que outras lojas adiram, pondo em destaque nas suas prateleiras estes produtos.

Entretanto, os produtores querem uma maior clarificação na rotulagem, de modo a que a rotulagem, autorizada na Europa, não provoque confusão no consumidor.

Imagem - express.co.uk

Situação do mercado agrícola europeu permanece critica

 19-11-2015 
 

 
Os presidentes da COGECA e do COPA alertaram os ministros da Agricultura da União Europeia sobre a tendência para uma baixa dos mercados agrícolas devido ao impacto do embargo russo às exportações.

A situação do mercado agrícola europeu permanece crítica, pelo que os representantes das duas organizações consideram ser necessárias medidas para aliviar a pressão nos sectores do leite e da carne de porco já no próximo mês de Dezembro e também para a simplificação da Política Agrícola Comum (PAC).

Na reunião de alto nível com a presidência luxemburguesa da União Europeia (UE), O presidente da COGECA (Confederação Geral das Cooperativas Agrícolas da União Europeia), Christian Pèes, destacou a importância do exercício de simplificação da PAC lançado pelo comissário europeus da Agricultura, Phil Hogan. Segundo Pèes, os procedimentos administrativos travam a inovação, a competitividade e a qualidade de vida.

Por conseguinte, o COPA e a COGECA transmitiram à Comissão Europeia (CE) uma lista global de propostas para simplificação da PAC, entre outras, ligadas às medidas "Greening", a norma das três culturas padrão, a definição de pastagem permanente e temporária e a ajuda ligada voluntária. Todas cruciais, segundo Christian Pèes, «para reduzir a burocracia e permitir aos agricultores continuarem a gerir o seu negócio».

Pèes instou ainda os ministros a permanecerem atentos nas conversações sobre o comércio internacional, lamentando os aumentos das tarifas impostos pela administração americana às exportações europeias de manteiga, considerando que demonstra a falta de compromisso por parte dos negociadores norte-americanos para concluir o acordo de livre comércio com a União Europeia (UE).

O presidente da COGECA, organização da qual a CONFAGRI faz parte, destacou ainda os benefícios de um acordo comercial global na Ronda de Doha sobre as conversações de liberalização do comércio mundial, acrescentando que os resultados da Conferência ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Nairobi, entre 15 e 18 de Dezembro, serão decepcionantes.

O responsável pediu ainda à presidência da UE para fazer mais de forma a limitar as actividades de exportação das empresas estatais no Canadá e Austrália durante a Conferência ministerial.

Por seu lado, o presidente do COPA, Martin Merrild, declarou que é clara uma forte tendência em baixa no sector da carne de porco comunitário, em parte como consequência do veto russo às exportações e devido à falta de medidas a curto prazo para abordar a difícil situação do mercado, assinalando que o pacote de ajudas não basta para resolver os problemas no mercado da carne de porco.

Martin Merrild referiu também a sua preocupação em relação à situação do sector do leite europeu. Com a chegada do Inverno, o problema de liquidez agrava-se e os produtores estão sob pressão. O pacote de ajudas foi um passo na boa direcção para ajudar a melhorar a situação, pelo que se deve garantir que os Estados-membros aproveitem em pleno as medidas disponíveis, como por exemplo a possibilidade de antecipar os pagamentos directos aos agricultores, apelando a uma reflexão sobre o valor do nível do preço garantido pela rede de segurança da UE em tempos muito difíceis, concluiu o responsável.

Fonte: Copa-Cogeca

Portugal Agro: O melhor de Portugal na FIL a partir deste sábado

 18-11-2015 
 

 
Portugal Agro: O melhor de PORTUGAL

Inicia-se este Sábado na FIL

Feira Internacional das Regiões, da Agricultura e do Agro-alimentar

 
A 2ª edição do Portugal Agro, Feira Internacional das Regiões, da Agricultura e do Agro-alimentar, organizado pela FIL – Feira Internacional de Lisboa, é um evento que pretende, pelo segundo ano consecutivo, mostrar a agricultura portuguesa na sua diversidade e riqueza, mas também na sua forte vocação empresarial a que não é alheia a dimensão internacional.
 
 
 
É um projecto transversal a toda a fileira agro-alimentar, que promove a capacidade produtiva nacional, as suas regiões, características e raízes, a excelência e qualidade dos seus produtos e seus produtores.
 
A CONFAGRI, irá marcar presença no Portugal Agro com um stand próprio, onde informará e esclarecerá os agricultores sobre as questões mais importantes da actualidade do sector, para além de entregar aos visitantes do seu stand um conjunto de material informativo, incluindo a sua revista "Espaço Rural".
 
Associada à participação da CONFAGRI, destacamos ainda, a presença da Cooperativa Agrícola de Santo Isidro de Pegões, da Cooperativa Agrícola do Távora e da Adega Cooperativa do Cadaval.
 
Este ano, pela primeira vez, a Portugal Agro e a Alimentaria&Horexpo Lisboa - Salão Internacional da Alimentação, Hotelaria e Tecnologia para a Indústria Alimentar unem-se para dar maior expressão ao sector agroalimentar nacional.
 
A Portugal AGRO tem início a 21 de Novembro, terminando no dia 23 de Novembro (Sábado a Segunda-feira) e está aberto ao público e a profissionais.
 
A Alimentaria&Horexpo Lisboa realiza-se de 22 a 24 de Novembro (Domingo a Terça-feira), exclusivamente para profissionais.
 
Venha visitar!
 
Fonte: CONFAGRI

“A ironia trágica é ter 70% dos agricultores do mundo com fome”

ANA RUTE SILVA 16/11/2015 - 09:41

Eric Holt-Gimenez, presidente da Food First, organização não-governamental americana, defende que a forma como hoje a comida chega ao prato, num complexo percurso que vai do campo ao supermercado, tem de sofrer "reformas estruturais" e não ficar refém dos 1% mais ricos do planeta.

 
Eric Holt-Gimenez é presidente da ONG Food First RUI GAUDÊNCIO

O pretexto para a vinda de Eric Holt-Gimenez a Portugal era uma conferência sobre o polémico Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento que está a ser negociado entre os Estados Unidos e a União Europeia. O convite partiu do CIDAC (Centro de Intervenção para o Desenvolvimento Amílcar Cabral), e, em conversa com o PÚBLICO, o presidente da organização não-governamental Food First, defensora da soberania alimentar, traçou o seu retrato do que é hoje o sistema alimentar do mundo, ou seja, a forma como a comida nos chega ao prato: Agricultores com cada vez menos terra para cultivar (a maioria hipotecada e vendida nos mercados de crédito internacionais), que comercializam os seus produtos a preços cada vez mais reduzidos. Quando chegam às prateleiras, os alimentos são ultra-processados para que possam aguentar ciclos longos de distribuição, num mundo em que se come soja plantada no Brasil, processada nos EUA e consumida na China.

Defende que há um sistema alimentar capitalista a operar no mundo. O que é que isso significa?
Trata-se de um regime alimentar corporativo. Basicamente há uma série de instituições e regras que determinam a forma como cultivamos, processamos, vendemos e consumimos a nossa comida. Este é o terceiro de três sistemas. O primeiro foi o colonialista, no qual os países do Sul forneciam alimentos baratos e matérias-primas à indústria do Norte, para que o Norte se pudesse industrializar. A revolução industrial teve sucesso porque as matérias-primas e a comida eram muito baratas e não era preciso pagar muito aos agricultores. A cesta básica era muito barata. O segundo sistema nasce depois da II Guerra Mundial. Os Estados Unidos criaram uma capacidade industrial tremenda depois da guerra, que permaneceu intocável, assim como uma capacidade tremenda de produzir comida. Acumulou nitratos, que transformou em fertilizantes, e venenos que transformou em insecticidas. Estes produtos geram uma produção massiva de alimentos. Chegou à Europa, durante a reconstrução.

Até essa altura não se usavam fertilizantes e insecticidas?
Havia mas não eram baratos, e tornaram-se baratos depois da Guerra. Os Estados Unidos emprestaram dinheiro à Europa para que reconstruísse e a Europa comprou estes químicos e rapidamente começou a produzir em excesso. Foi, por isso, preciso exportar esta comida para o hemisfério Sul, que até agora tinha alimentado os Estados Unidos e a Europa. O Norte teve de tornar o Sul dependente no acesso a alimentos, tudo ajudado pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional. O regime alimentar corporativo nasce depois de meio século de produção alimentar excessiva. Há, agora, a globalização do controlo corporativo. Existem cadeias longas de abastecimento, mas concentradas em poucas mãos. Produz-se soja no Brasil, que é processada por uma empresa norte-americana e é enviada para a China onde é usada para alimentar para animais. Dá-se ainda a emergência das grandes cadeias de distribuição alimentar, como a Tesco, a Walmart ou a Carrefour, que controlam grande parte da cadeia de valor. São monopólios.

Os acordos de comércio "determinam o preço das sementes em todo o mundo e nada disto é democrático, não o votámos"

Algumas dessas empresas também estão a investir na produção alimentar. Em Portugal, por exemplo, um dos maiores operadores é dono de uma fábrica de transformação de leite. Não estão apenas a distribuir, estão a produzir.
Essa é uma tendência muito perigosa, porque a comida passa a ser controlada por muito poucas mãos. A comida não é uma commodity elástica, comemos até um certo ponto e tendemos a entrar em fases de produção excessiva. O que se faz com toda esta comida? O único mercado que está a crescer é o dos pobres. De repente torna-se muito importante alimentar os pobres. Isto é cíclico. De tempos a tempos, quando o mercado precisa de se expandir, preocupamo-nos muito com os pobres. Actualmente, a pobreza está a crescer 13% ao ano e não podemos vender-lhes iPads ou carros Tesla. Mas podemos vender-lhes comida, sementes e fertilizante. Há muitos monopólios hoje: o das sementes, o dos supermercados, as instituições como o Departamento da Agricultura dos Estados Unidos [USDA na sigla inglesa] que é global. As regras em vigor são as dos acordos de comércio livre, a da Política Agrícola Comum na União Europeia ou a do Farm Bill nos Estados Unidos [lei agrícola]. Determinam o preço das sementes em todo o mundo e nada disto é democrático, não o votámos. Nada disto é feito por necessidade e há [795 milhões] de pessoas com fome no mundo.

Ao mesmo tempo, temos um elevado desperdício alimentar.
Produzimos 1,5 vezes mais de comida do que o necessário por cada mulher e criança no planeta. Fazemos isso há meio século porque a comida não é distribuída com base na necessidade. É distribuída com base na procura. Há fome porque as pessoas não têm dinheiro para comprar alimentos, não por falta de comida.

Os consumidores das sociedades desenvolvidas abastecem-se nas grandes cadeias de distribuição. Estão também a contribuir para esta realidade?
Absolutamente. Os supermercados dependem dos clientes e mantêm os preços baixos. E isso faz com que tenham de esmagar os lucros dos produtores e, ao mesmo tempo, tirar vantagem de uma enorme economia de escala. Para garantir essa economia de escala têm de usar muitos conservantes nos alimentos, processam muita comida, o que faz com que contribuam de forma expressiva para o aparecimento de doenças relacionadas com a alimentação. Doenças cardíacas, obesidade, diabetes… Produzem comida em massa que está a ser cada vez mais consumida pelos pobres, que representam a maioria da população do planeta. São muito poucos os que podem pagar comida de qualidade…

Refere-se a comida biológica, produtos frescos…
Sim, comida produzida localmente, diversidade nos vegetais, na carne. Esse tipo de dieta está apenas disponível a uma classe média alta.

Não acho que o poder esteja nos consumidores. Penso que são os cidadãos que têm o poder. É um problema estrutural e não vamos poder votar com o nosso garfo porque a maioria das pessoas do mundo são demasiado pobres para o fazer. Não têm o poder de compra que pode fazer mudanças.

O acesso a terra não poderia mudar essa realidade? Numa lógica de produção para auto-sustento?
A ironia trágica é ter 70% dos agricultores do mundo com fome. E a maioria são mulheres. Podemos dizer que a maioria das pessoas que alimentam o mundo têm fome e são mulheres. Este é um problema de injustiça e de alocação de recursos. Porque hoje os produtores já não têm terra suficiente. Têm cada vez menos terra para cultivar, vendem os seus produtos mas não têm capacidade financeira para os comprar. As diferentes crises e as bolhas (a tecnológica, a imobiliária, a financeira) fazem com que a riqueza fique concentrada num número muito pequeno de pessoas. Perante a insegurança, já não há onde investir esse dinheiro e não é sensato, como capitalista, manter a riqueza em forma de dinheiro.

Por isso compram terra?
Exacto. Há aquisições de terra por todo o mundo, não necessariamente para produção. Há compras de terra para produzir, sobretudo, soja ou óleo de palma, mas parte é pura especulação. É um bom local para investir em tempos de grande volatilidade.

Quem lidera essas aquisições de terra?
Os 1% da população mais rica do mundo.

O TTIP "vai fazer descer os preços pagos à produção, vai fazer aumentar a volatilidade do preço dos alimentos, vamos assistir a uma concentração da posse de terra e a uma 'financeirização' da terra".

O consumidor não terá o poder de inverter essa lógica ao, por exemplo, escolher produtos produzidos de forma socialmente responsável, ou exigindo à indústria preços justos aos produtores?
Não acho que o poder esteja nos consumidores. Penso que são os cidadãos que têm o poder. É um problema estrutural e não vamos poder votar com o nosso garfo porque a maioria das pessoas do mundo são demasiado pobres para o fazer. Não têm o poder de compra que pode fazer mudanças. Não digo que não devemos comer de acordo com determinados valores, se tivermos essa capacidade financeira, mas isso não vai resolver o problema. O que vai resolver são reformas estruturais no sistema alimentar que vão afectar o sistema político e financeiro.

Que reformas são essas?
Primeiro que tudo, os agricultores devem receber um preço justo pelos seus produtos, o que não acontece hoje. Falamos muitos em subsídios para compensar, sobretudo, os maiores produtores, e isso tem como consequência o aumento do preço dos alimentos. Mas a verdade é que a maioria do valor de um alimento é gerado no processo de transformação e distribuição. Em segundo lugar, o poder político dos monopólios na alimentação deveria ser retirado. O que pode ser produzido localmente, deve ser produzido localmente. Isto deve ser incentivado e a melhor forma de o fazer é tornar o campo um bom local para viver. Por outras palavras, melhorar os salários, ter bons sistemas de saúde, água, saneamento, estradas no campo para que as pessoas não tenham de sair para ter uma vida boa. Em terceiro lugar, a comida não devia estar sob alçada da Organização Mundial do Comércio (OMC). Diria até para acabarmos com a OMC. Outra medida seria anular os acordos livres de comércio e imediatamente suspender as negociações do Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento [TTIP na sigla inglesa]. São muito perigosos para as economias locais, que podemos ajudar a reconstruir, reparando o sistema alimentar.

A negociação do TTIP tem gerado muita polémica. Qual é a leitura que faz do impacto deste acordo para os agricultores?
Vai fazer descer os preços pagos à produção, vai fazer aumentar a volatilidade do preço dos alimentos, vamos assistir a uma concentração da posse de terra e a uma "financeirização" da terra. O que se passa agora nos Estados Unidos é que a maior parte da terra agrícola é hipotecada. Essas hipotecas são vendidas nos mercados internacionais de crédito. São divididas, distribuídas e vendidas no mundo continuamente. Pequenos pedaços de terra são vendidos à volta do globo e é do interesse do sector financeiro fazer aumentar o seu preço. O valor da terra está, por isso, a aumentar. Contudo, devido à volatilidade do preço dos alimentos, o valor da produção (que é excessiva) é muito inferior ao da própria terra. Com o TTIP é de esperar a "financeirização" da terra na União Europeia, como aconteceu nos Estados Unidos.

O que se passa agora nos Estados Unidos é que a maior parte da terra agrícola é hipotecada. Essas hipotecas são vendidas nos mercados internacionais de crédito. São divididas, distribuídas e vendidas no mundo continuamente.

Os alimentos deveriam ser protegidos dessa volatilidade, tratando-se de bens essenciais à sobrevivência humana?
Mais importante do que isso, são os salários justos. Se as pessoas fossem remuneradas de forma justa não teriam de se preocupar com o preço da comida. O maior empregador privado do mundo é a Walmart. E sempre que esta cadeia de supermercados americana abre uma loja, a comunidade paga um milhão de dólares de subsídios. É dinheiro público. Quem trabalha no Walmart não ganha dinheiro suficiente para comprar coisas na loja e precisam de recorrer aos vales de refeições. Se o Walmart fosse forçado a pagar um salário mínimo, os cofres públicos não teriam de suportar esses vales. A questão do preço é, por isso, uma questão laboral.

Qual é a diferença de preço entre o que o produtor ganha e o que o consumidor paga?
Há 50 anos os produtores recebiam 80 cêntimos por cada dólar, ou seja, 80%. Agora recebem 10%. O restante fica nas mãos da indústria transformadora e da distribuição.

 

Notícia corrigida: Há 50 anos os produtores recebiam 80 cêntimos por cada dólar e não oito cêntimos como erradamente se escreveu

Sistema solar para secar plantas ganha EDP Inovação J

JOÃO PEDRO PEREIRA 19/11/2015 - 20:06 (actualizado às 11:14 de 20/11/2015)

O black.block nasceu para colmatar necessidades próprias, mas foi patenteado e começou a ser vendido no ano passado.

 
O Prémio EDP Inovação distingue ideias na área da energia NUNO FERREIRA SANTOS
 
Gonçalo Costa Martins, 48 anos, arquitecto paisagista, estava a gerir uma exploração de plantas aromáticas quando começou a pensar num sistema que lhe permitisse secar este tipo de plantas, mas que tivesse custos energéticos mais reduzidos. O que era inicialmente uma solução para um problema próprio acabou por se transformar num negócio.

Em parceria com Margarida Soromenho, engenheira agrícola, criou o black.block, um método que permite a secagem de produtos hortofrutícolas aproveitando energia solar e reduzindo os gastos de electricidade. O conceito, que já está no mercado e pensa agora internacionalizar-se, ganhou a edição deste ano do Prémio EDP Inovação, atribuído nesta quinta-feira à noite, em Lisboa, e que distingue ideias na área da energia. O premiado ganha 50 mil euros e um ano na incubadora EDP Starter.

O black.block é um sistema em que a secagem é feita em contentores, num processo controlado por um algoritmo que vai escolhendo um de três métodos, consoante aquele seja mais eficaz num dado momento. O processo pode ser monitorizado e ajustado através da Internet. Está a ser usado em explorações de plantas aromáticas e medicinais, e de frutos.

"Reciclamos contentores, colocamos-lhes chapas de policarbonato por fora e transformamo-los em câmara de secagem", explicou Gonçalo Martins ao PÚBLICO. Aquele material é responsável pelo aquecimento do ar. "No fundo é uma mini-estufa entre o painel de policarbonato e o contentor", resume o empresário.

Durante o dia, o sistema usa a luz solar para aquecer o ar, que é depois canalizado, através de ventoinhas de aspiração, para dentro do contentor, onde a humidade relativa se aproxima de zero.  Durante a noite, ou em dias sem Sol, são ligados desumidificadores (e, eventualmente, sistemas de aquecimento), que recorrem a electricidade. Contudo, o facto de estes equipamentos serem necessários sobretudo em períodos nocturnos permite o recurso a tarifas bi-horárias, com o objectivo de poupança de custos. O sistema recorre também ao método de diferencial térmico: quando a temperatura está demasiado alta, o ar é expelido e introduzido ar do exterior. O processo pode ser consultado num computador, smartphone ou tablet, e o método foi patenteado.

Para além da poupança energética, o sistema reduz a emissão de dióxido de carbono. "A emissão de CO2 é de cerca 9,5 quilos por 400 quilos de matéria verde a secar", indica a informação do projecto. "Face aos sistemas convencionais, a redução por ano ronda as duas toneladas, considerando oito meses de laboração, o que se traduz numa redução superior a 70% nas emissões".

A solução está a ser comercializada desde o ano passado. A dupla de criadores vendeu 12 contentores, a um preço médio de 14 mil euros. O sistema é modular, o que significa que o tamanho destas câmaras de secagem – tal como o preço – pode variar. 

"O prémio vai dar-nos uma exposição muito grande", refere Gonçalo Martins, acrescentando que os planos de expansão são os mesmos que tinham antes de vencerem o concurso, mas agora com "o selo de qualidade" e a possibilidade de contactos que é aberta pela distinção da EDP.

Em 2016, o objectivo é aumentar as vendas em Portugal, preparando a expansão internacional. Os planos passam por arrancar em 2017 para Espanha, seguindo-se, nos anos seguintes, França e Itália. São todos países com climas parecidos com os de Portugal e onde, explica Gonçalo Martins, existe procura para soluções de secagem.

Para além disto, o conceito poderá estender-se ao mercado doméstico. "Estamos a desenvolver estes sistemas para os aplicar a casas", diz o empresário. "Nesse caso, é o mesmo princípio de aquecimento de ar, mas não substitui por completo um sistema de aquecimento central".

Tomate de indústria e maçã com produções recorde até final de Outubro

JORNAL I
18/11/2015 13:40

O tomate para indústria e a maçã atingiram os níveis de produção mais altos de sempre até 31 de Outubro, ao contrário da pera que deve registar perdas em torno dos 30%, indicam as previsões agrícolas do INE.

O mês de Outubro chuvoso e quente obrigou a algumas interrupções pontuais, mas não causou grandes constrangimentos no desenrolar dos trabalhos agrícolas, permitindo ainda recuperar as reservas hídricas, destacou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

O tempo seco que se verificou ao longo do ciclo de desenvolvimento do tomate para indústria beneficiou esta cultura, que obteve uma produtividade próxima das 90 toneladas por hectare e deverá ultrapassar 1,7 milhões de toneladas.

Nos pomares de maçã, a escassez de precipitação foi ultrapassada por uma gestão adequada da rega, permitindo alcançar uma produção histórica superior a 300 mil toneladas.

No caso das peras, as previsões apontam para uma redução de 30% face a 2014, devido às condições climáticas adversas nos períodos de floração e vingamento e à presença de uma doença com o nome de estenfiliose, que impossibilita a comercialização dos frutos.

Já para os olivais as perspectivas são animadoras, prevendo-se um aumento de produtividade de 25% na azeitona para azeite e 15% na azeitona de mesa face a 2014.

As chuvas outonais foram também benéficas para o vinho, perspectivando-se um aumento de 10% da produção, e da castanha, que deve recuperar da fraca campanha de 2014, alcançando 24 mil toneladas (30% acima do ano passado).

A produção de girassol também aumentou, pelo quarto ano consecutivo (21 mil toneladas), ocupando muitas áreas antes ocupadas pelo milho, cuja produção voltou a cair (-21% face a 2014) e deve ficar pelas 713 mil toneladas, o nível mais baixo dos últimos quatro anos.

A produção de kiwi aumentou 5%, mas ficou, ainda assim, aquém das expectativas.

A falta de chuva não afectou a produção de amêndoa que deve atingir as nove mil toneladas.

sábado, 21 de novembro de 2015

A cortiça e o vinho

Publicado  no "Linhas  de Elvas" de 29 de Outubro de 2015



Miguel Mota

O número 148 da "Ingenium", a revista da Ordem dos Engenheiros, referente aos meses de julho e agosto de 2015, tem como tema os Clusters do vinho e da cortiça.
Além do Editorial, assinado pelo Bastonário, Eng.O Carlos Matias Ramos, um lote de excelentes artigos, da autoria de engenheiros agrónomos e outros técnicos, dá-nos um excelente panorama da situação actual desses dois sectores da economia em que Portugal está na linha da frente a nível mundial.
De cortiça, como já se aprendia na escola, somos o maior produtor mundial. Produzimos tanto como todos os outros países juntos. E a cortiça é a da melhor qualidade. De vinho, além do incomparável vinho do Porto, sempre tivemos bons vinhos, que nas últimas décadas, ainda sofreram notáveis melhorias.
Em termos económicos, o valor da cortiça exportada em 2014 foi de 840 milhões de euros. Desse total, 70% foi em rolhas que, apesar de variados ataques, continuam a ser um vedante imbatível.   De vinho exportámos 731 milhões de euros em 2014. E os nossos vinhos classificam-se entre os melhores, ganhando prémios em todo o mundo.
Em relação à cortiça, além do muito que tem sido feito ultimamente, admito ser possível melhoria. A maior parte dos nossos montados não é o que podia ser. No artigo "O montado português" (Linhas de Elvas de 25-3-2010), cito um vídeo, produzido poucos anos antes pela Fundação João Lopes Fernandes, em que se mostram imagens de um montado plantado em 1957 em Montargil por aquele agricultor, com aconselhamento de dois muito ilustres agrónomos, o Prof. Vieira Natividade e o Eng.º Sardinha de Oliveira. Do artigo transcrevo:
"Que diferença em relação à enorme maioria dos montados que vemos em Portugal! Árvores bem alinhadas e com o espaçamento certo. Cada uma com um tronco direito e alto, só então ramificado, ainda jovens (para a normal longevidade do sobreiro) mas já a darem longas e perfeitas pranchas de cortiça. Valia a pena que alguém medisse a produtividade de cada hectare daquele montado e a comparasse com a dum hectare de qualidade média, com árvores mais ou menos irregularmente implantadas, muitas delas de tronco tortuoso, ramificado a baixa altura e dando certamente menos e pior cortiça."
Não pode ignorar-se a magnífica actuação da grande empresa Corticeira Amorim, que tem tido uma notável actividade. Além de exportar para mais de 100 países, com um volume de negócios de mais de 500 milhões de euros, tem realizado investigação, com novas utilizações da cortiça e dando aconselhamento – gratuito – aos agricultores. Recentemente, promoveu a plantação de 2700 sobreiros na Serra da Peneda.
É consolador, no país em estado miserável, ver que há sectores em que estamos entre os melhores, no caso da cortiça o melhor – e  a grande distância de todos os outros.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Edgar Silva denuncia “grosseira violação” da Constituição no apoio a agricultores


4/11/2015, 13:23
O candidato às eleições presidenciais de 2016, Edgar Silva, denunciou o que disse ser uma "grosseira violação" da Constituição na falta de apoio aos pequenos e médios agricultores, conforme decorre do texto constitucional.

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O candidato às eleições presidenciais de 2016, Edgar Silva, denunciou o que disse ser uma "grosseira violação" da Constituição na falta de apoio aos pequenos e médios agricultores, conforme decorre do texto constitucional.

Em declarações à agência Lusa, em Coimbra, no final de uma reunião de trabalho com a Confederação Nacional de Agricultura, o candidato apoiado pelo PCP frisou que o artigo 97.º da Constituição diz que o Estado "apoiará preferencialmente os pequenos e médios agricultores".

Edgar Silva sublinhou, a esse propósito, que a Constituição "não é neutra, não é neutral" na visão que tem sobre o investimento público em setores da economia como a agricultura, argumentando que 5% dos grandes produtores concentram 80% dos apoios, sendo a realidade "exatamente o oposto do que decorre da Constituição".

"Por erros de opção de Governo, por uma grosseira violação da Constituição, através de uma escandalosa deturpação do texto constitucional, chegamos a uma situação em que os órgãos de soberania que estavam obrigados a dar cumprimento a estas orientações da Constituição, estão a fazer exatamente o contrário", acusou.

Edgar Silva defendeu um Presidente da República que se constituía como um "primeiro provedor do povo da República, mais interventivo", na defesa do que disse ser a soberania alimentar e o interesse nacional.