quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Capoulas Santos estranhou manifestação de agricultores e produtores


Lusa29 Nov, 2017, 14:43 | Economia

O ministro da Agricultura disse hoje ter estranhado a manifestação feita na terça-feira, em Coimbra, por dezenas de agricultores e produtores florestais afetados pelos incêndios de outubro contra as "insuficientes" medidas de apoio anunciadas pelo Governo.

Convocado pela Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO), com o apoio da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Movimento de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), o protesto incluiu a entrega de um caderno de reivindicações, através do qual reclamam o aumento das ajudas simplificadas de 5.000 para 10.000 euros.

Em declarações aos jornalistas em Covelinhos, no concelho de Oliveira de Frades, Viseu, Capoulas Santos explicou que "as ajudas acima de cinco mil euros e que vão até aos 400 mil obedecem a toda a regulamentação comunitária, que é igual para todos os Estados membros da União Europeia".

"É uma ajuda que nos é dada cumpridos requisitos, que não são assim tão difíceis", afirmou, referindo que há que "indicar o agricultor, se o agricultor tem cabeças de gado tem de indicar o número de identificação de cada um dos animais que foram perdidos, tem de identificar as máquinas, os equipamentos".

O governante considerou que, para indemnizações mais elevadas, "não pode chegar alguém ao balcão e receber um envelope, tem naturalmente de cumprir um conjunto de requisitos".

"Introduzimos um sistema muito simplificado para as candidaturas até aos cinco mil euros que são pagas a 100% e que serão a esmagadora maioria. Agora, as candidaturas que vão até aos 200/300/400 mil, certamente não serão muitas dezenas de candidaturas, mas atingirão montantes muitíssimo mais elevados", frisou.

Capoulas Santos disse que o Governo está apenas a seguir a regulamentação comunitária que está em vigor.

"Podemos gostar ou não gostar dela, agora, não temos qualquer possibilidade de a alterar e não a respeitar significa perder os apoios. Portanto, causou-me alguma estranheza essa manifestação, porque os dirigentes associativos agrícolas sabem isso tão bem quanto eu", afirmou.

Caso as suas reivindicações não sejam aceites, agricultores e produtores florestais prometem mobilizar o povo em ações de protesto de maior dimensão "onde for preciso".

Incêndios: Apoios aos agricultores devem ser pagos até final do ano


Jornal Económico com Lusa

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, estimou hoje que sejam apresentadas 20 mil candidaturas para apoios aos agricultores que tiveram prejuízos devido aos incêndios de outubro, que pretende pagar até ao fim do ano.

Em declarações aos jornalistas em Covelinho, no concelho de Oliveira de Frades, Viseu, o governante disse que, até terça-feira, deram entrada "cerca de 16 mil candidaturas, a que está associada uma despesa que será suportada pelo Ministério da Agricultura na ordem dos 46 milhões de euros".

"É provável que, nos dois dias que faltam, apareçam ainda algumas candidaturas", acrescentou.

Capoulas Santos comparou estes números aos relativos aos dos incêndios de Pedrógão Grande, ocorridos em junho.

"No caso de Pedrógão, demos apoio a 2.126 agricultores, a que correspondeu um apoio de 4,3 milhões de euros. Estamos aqui perante uma situação que significa dez vezes aquilo que aconteceu em Pedrógão, o que nos permite ver a dimensão desta enorme tragédia que nos atingiu a 15 e 16 de outubro", frisou.

Segundo o ministro, "o objetivo é pagar todos estes apoios antes do fim do ano".

"Estamos a fazer um esforço sobre-humano para ver se conseguimos pagar até ao Natal", realçou.

ENTREVISTA: Seca: Governo investe 25 ME em projeto de regadio no baixo Mondego


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O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, vai hoje relançar o projeto de regadio no baixo Mondego, num investimento de 25 milhões de euros, que deverá estar concluído no final de 2021.

"Vou relançar o projeto no baixo Mondego [...] no âmbito do programa nacional do regadio. Trata-se de um novo bloco de rega, que irá contemplar cerca de 700 hectares e que está associado a uma vasta operação de emparcelamento agrícola e que orçará em cerca de 25 milhões de euros, com o objetivo de ter o projeto concluído até ao final de 2021", referiu, em entrevista à Lusa.

O ministro da Agricultura sublinhou que o programa dos novos regadios vai contar, a curto prazo, com um reforço financeiro, de modo a permitir, até 2023, dispor de mais de 93 mil hectares dedicados a estas culturas.

Capoulas Santos avançou ainda que o Governo irá alargar a linha de crédito, com um montante financiável de 140 euros por bovino e 40 euros por ovino, para as explorações agrícolas de maior dimensão, caso existam agricultores que tenham conseguido recorrer ao apoio.

"Avançou-se com uma linha de crédito de cinco milhões e, se ela for esgotada, o Governo não hesitará em alargar o seu montante, até que nenhum agricultor deixe de ter instrumentos para recorrer a esse instrumento de apoio", disse.

Já no que se refere à alimentação animal, que escasseia devido à seca que o país atravessa, o governante indicou que "o Ministério da Agricultura adquiriu cerca de cinco mil toneladas de alimentos, dos quais, até este momento, [aproximadamente] metade já foi distribuída".

Questionado sobre a possibilidade dos apoios terem surgido, numa altura em que as consequências provocadas pela seca já se avolumavam, Capoulas Santos vincou que as medidas tiveram início entre setembro e outubro de 2016, aplicadas, na altura, em nove municípios do distrito de Beja.

"Foi aberto, imediatamente, um concurso de um milhão de euros para apoiar os agricultores a adquirirem equipamentos para transporte e captação de água. A situação foi-se agravando ao longo do ano e fomos obrigados a alargar esta medida a todo o distrito de Beja e depois a Castelo Branco, Guarda, Bragança, Faro e a alguns municípios de Santarém".

De acordo com o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, com a passagem de seca fraca para severa ou extrema em algumas regiões, houve ainda a necessidade de recorrer a apoios europeus.

"Conseguimos ainda pedir à União Europeia antecipações de pagamentos e isso permitiu-nos avançar com cerca de 70% dos pagamentos do primeiro pilar da PAC (Política Agrícola Comum) e 75% dos pagamentos do segundo pilar que, no seu conjunto, permitiram antecipar pagamentos na ordem dos 500 milhões de euros, no mês de outubro", concluiu.

Ambientalistas avisam: seca está a fazer disparar recurso a energia não-renovável



27 nov, 2017 - 14:36 • André Rodrigues

Associação Zero quer o país a procurar formas mais limpas de energia e lembra que o que ficou dos incêndios deste Verão pode ser alternativa.

A associação ambientalista Zero alerta que a baixa disponibilidade de água nas grandes barragens está a fazer disparar o recurso a fontes de energia não renováveis para produção de electricidade.

De acordo com os dados da associação ambientalista, entre Janeiro e Setembro deste ano, a geração de energia a partir do carvão e do gás natural produziu 24 milhões de toneladas de dióxido de carbono, o que representa mais 31% do que em igual período do ano passado.

Em declarações à Renascença, a dirigente da Zero Carla Graça diz que, no mesmo período, "a produção de electricidade com origem hídrica diminuiu 58% e a produção com recurso a carvão aumentou 61%, com emissões de gases com efeito de estufa muito superiores do que aquilo que estaria previsto que Portugal emitisse".

O país precisa, por isso, "de se adaptar já" a cenários de secas prolongadas e extremas "que serão cada vez mais recorrentes e cada vez mais dramáticas nas próximas décadas".

O caminho, diz Carla Graça, passa por "mais energia renovável, mas não necessariamente hídrica: eólica, fotovoltaica, microgeração e biomassa".

No pior ano da década em número de incêndios e de área ardida, Carla Graça aponta dá especial destaque à produção de energia com recurso a biomassa como "uma forma rentável e inteligente de utilizar os resíduos que se acumulam nos territórios florestais - sobretudo no interior do país - e que, face à seca extrema, são responsáveis por incêndios de dimensões dramáticas".

A dirigente da Zero lembra, contudo, que "não se deve cair na perversidade de plantar para depois cortar e ter fonte de energia".

Produtores de leite exigem mecanismo de redução da produção em tempos de crise


28/11/2017, 15:30
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Os produtores europeus de leite exigem a criação imediata de um mecanismo no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) que permita reduzir a produção em momentos de crise.


Os produtores europeus de leite exigem a criação imediata de um mecanismo no âmbito da Política Agrícola Comum (PAC) que permita reduzir a produção em momentos de crise e assegurar um equilíbrio a longo prazo do mercado de laticínios.

Num comunicado emitido esta terça-feira na sequência da assembleia-geral do "European Milk Board" (EMB), que decorreu na semana passada em Hoznayo (Espanha), a Associação dos Produtores de Leite de Portugal (Aprolep) destaca que os produtores de leite de 14 associações europeias ali representadas consideram que a criação deste "instrumento legal dentro da PAC" é "uma obrigação", já que só assim será possível "prevenir futuras crises no setor através da redução de volume produção em momentos de crise".


"O 'Programa de Responsabilidade de Mercado' proposto pelo EMB, que prevê cortes voluntários de produção em tempos de crise, aliado aos limites de volume, deve ser um instrumento permanente e ancorado na Política Agrícola Comum", afirma o presidente daquele organismo, Romuald Schaber, citado no comunicado.

Para provar a eficácia de um mecanismo deste género, a EMB avança o "inegável efeito positivo sobre os rendimentos dos produtores" obtido pelo programa de redução de volume de leite lançado pela União Europeia no verão de 2016.

Segundo os produtores europeus, apesar da "imagem da recuperação" dos preços do leite que está a ser "difundida ao nível da comunicação social", a realidade das explorações leiteiras "é bem diferente" e "os produtores ainda não recebem um preço por litro de leite capaz de cobrir os custos de produção".

"Os maiores lucros realizados pelos produtos lácteos com a gordura do leite são anulados pelos preços extremamente baixos para a proteína do leite", sustentam.

Assegurando que "os retalhistas são os que mais beneficiam com a situação de escassez de gorduras lácteas no mercado", a Aprolep adverte que os consumidores "estão a pagar preços inflacionados pela manteiga", chegando a ser "confrontados com prateleiras vazias, como já acontece em França", enquanto "os produtores, por outro lado, não estão a ver nenhum dos ganhos".

Outro aspeto considerado "muito problemático no mercado dos laticínios" é o leite em pó "acumulado em armazenamento público", com a EMB a exigir "de forma inequívoca uma redução nos volumes de intervenção, atualmente de 109 mil toneladas por ano, e simultaneamente um aumento do preço de intervenção para um mínimo de 30 cêntimos/quilograma".

"A Comissão Europeia não pode continuar a usar um instrumento que custa dinheiro, mas que quase não traz nenhum resultado e, eventualmente, pode voltar a assombrar os produtores de leite", sustenta, defendendo que "maiores quantidades de leite devem ser intervencionadas apenas se a procura por produtos lácteos diminuir de forma inesperada, como aconteceu aquando do embargo russo", e que "o normal é a produção ser acomodada ao seu potencial de venda, através de um programa de redução de volume, assim que a quantidade fixa tiver sido alcançada".

Na assembleia-geral da EMB as associações de produtores presentes manifestaram-se também contra a venda de leite em pó desnatado "a preços predatórios ('dumping')", defendendo "possíveis usos alternativos para o leite em pó".

"Dada a urgência da situação no setor do leite, pedimos aos decisores políticos que implementem estas medidas o mais rapidamente possível. Caso contrário, os produtores de leite a nível europeu já preparam algumas manifestações para exigirem as suas revindicações", concluem.

Portugal é o 3º país da União Europeia com mais acidentes com tratores agrícolas


28/11/2017, 15:49

Portugal é o terceiro país da União Europeia que regista maior número de vítimas em acidentes com tratores agrícolas. Entre 2015 e 2016 o número de mortos foi superior a 100.

Portugal é o terceiro país da União Europeia que regista mais vítimas em acidentes com tratores agrícolas, contabilizando 123 mortos entre 2015 e 2016, um cenário preocupante para o qual foram alertados os agricultores de Murça, esta terça-feira.

Na estatística da sinistralidade com tratores na União Europeia, Portugal ocupa o terceiro lugar a seguir à Grécia e à Polónia. E esta é a principal causa de morte no trabalho agrícola a nível nacional, registando-se, segundo dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, 68 vítimas mortais em 2016 e 55 em 2015.

Para alertar os agricultores para este "cenário preocupante", a Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (CONFAGRI) promoveu neste dia, em Murça, distrito de Vila Real, uma sessão de esclarecimento.

"Todas as semanas ou morre uma pessoa ou fica ferida e com incapacidade para exercer a atividade. Cada vez mais acontecem este tipo de acidentes", alertou Isabel Santana, da CONFAGRI. Por isso mesmo, acrescentou, é preciso "sensibilizar, alertar e aconselhar os agricultores para os riscos e perigos com o uso dos tratores".

E os perigos estão relacionados com a insuficiente formação dos manobradores, a falta de manutenção dos veículos, a não utilização das estruturas de segurança como o arco de "Santo António" ou o cinto de segurança, a insuficiente avaliação dos riscos relacionados com a inclinação do terreno ou a carga transportada.

"O que temos vindo a verificar é que as pessoas, apesar de todos os alertas e todas as notícias de mortes, vêm descurando de alguma forma a segurança. Os trabalhos são exigentes, precisam de os fazer, a população que pega nos tratores é cada vez mais envelhecida e não está sensibilizada para estas questões de segurança", referiu Aurora Sousa, da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) de Vila Real.

A responsável disse que é preciso "fazer um esforço grande de sensibilização". "Já se sabe que temos que ter muito cuidado. É preciso fazer atenção, fazer as revisões com o trator. A gente aprende sempre alguma coisa com estas ações", afirmou Manuel Costa da Assunção, de 73 anos e residente na aldeia de Jou.

Manuel Silvestre da Silva, de 79 anos e habitante em Palheiros, referiu que o "trator não é para andar em corridas nem fazer rali", garantindo que é muito cuidadoso na condução e que nunca teve nenhum acidente. "Ando com cuidado, a gente já não tem 20 anos. Para uma viatura circular bem é preciso ter água, óleo e bons travões", frisou Manuel Morais, de 59 anos e natural de Noura.

Segundo Humberto Costa, do Centro de Gestão Murça, a partir do próximo ano todos os operadores terão que ter a carta de trator ou fazer uma formação habilitante de 35 ou 50 horas. Isabel Santana alertou para a "importância e para a obrigatoriedade da formação para a condução de tratores" e referiu que o risco de morte dos condutores de tratores agrícolas "é oito vezes superior ao dos que conduzem automóveis ligeiros ou pesados".

De acordo com esta responsável, entre 2004 e 2013, perderam a vida em acidentes de tratores 305 pessoas. No distrito de Vila Real, segundo dados fornecidos pela GNR, os acidentes com tratores provocaram cinco vítimas mortais em 2017, três em 2016 e quatro em 2015.

Produtores portugueses são os mais velhos da UE

De acordo com o Inquérito à Estrutura das Explorações Agrícolas, a média de idades dos produtores nacionais aumentou, passando dos 63 anos em 2009 para os 65 anos em 2016.

LUSA 28 de Novembro de 2017, 12:56 Partilhar notícia

Os produtores agrícolas portugueses sãoe, média, os mais velhos da União Europeia (UE) e a grande maioria deles (71,4%) apenas concluiu o ensino básico, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística.

De acordo com o Inquérito à Estrutura das Explorações Agrícolas, a média de idades dos produtores agrícolas portugueses passou de 63 anos em 2009 para os 65 anos em 2016. Cerca de dois terços são homens (66,2%).

Os dirigentes das explorações com mais de 65 anos geriam, aliás, em 2016, mais de metade das explorações, quando a média da UE era de 31,1% em 2013.

Do ponto de vista da educação formal, a grande maioria apenas concluiu o ensino básico (71,4%) e apenas 5,8% têm habilitações de nível superior.

Regionalmente, os produtores algarvios destacam-se como os mais velhos (com uma média de idades de 69 anos) e os açorianos como os mais novos (57 anos), referem os dados do INE. Que destaca, pela positiva, o aumento da dimensão das explorações agrícolas e um incremento na produtividade e na eficiência da mão de obra.

De acordo com os dados, de 2013 para 2016 a estrutura das explorações agrícolas alterou-se "significativamente": a dimensão média das explorações agrícolas aumentou 0,3 hectares de Superfície Agrícola Utilizada, cifrando-se em 14,1 hectares (2,1%); a Dimensão Económica por exploração cresceu 2800 euros em Valor de Produção Padrão Total, ascendendo a 19.900 euros (16,5%).

Há mais 1400 sociedades agrícolas, que são agora 11.400 no total, e os indicadores laborais relacionados com a produtividade e a eficiência do trabalho melhoraram.

Porém, e apesar da evolução positiva da agricultura nacional, a produtividade média da mão de obra agrícola foi de 16.200 euros de VPPT por Unidade de Trabalho-Ano (UTA) em 2016, menos de metade do valor na UE em 2013.

De igual modo, a eficiência da mão de obra agrícola, expressa na SAU por UTA, foi inferior à média europeia (-37,7%), refere o INE.

Voto da Alemanha que viabilizou glifosato abala Governo de Merkel


Sandra Salvado - RTP28 Nov, 2017, 16:17 | Ambiente

Voto da Alemanha que viabilizou glifosato abala Governo de Merkel | Virginia Mayo - Reuters

A chanceler alemã Angela Merkel criticou fortemente esta terça-feira o ministro da Agricultura Christian Schmidt (CSU) por ter dado um voto a favor do prolongamento, por mais cinco anos, do uso do glifosato na União Europeia. "O comportamento do ministro Schmidt não corresponde àquilo que foi combinado no Conselho de Ministros" e "não deve repetir-se", avisou a chanceler alemã esta terça-feira, em Berlim.

O ministro da Agricultura, Christian Schmidt, decidiu por si próprio votar a favor da renovação da licença do glifosato na União Europeia, desencadeando uma onda de indignação dos seus parceiros de coligação.

A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, já disse que lamenta a decisão do ministro da Agricultura, pelo facto de ter votado a favor de uma proposta da União Europeia para estender o uso do herbicida. E acrescentou que um incidente como este não pode acontecer novamente.

"Este não foi o procedimento combinado com o Governo, onde uma abstenção foi acordada. Um incidente assim não deve voltar a repetir-se", garantiu.

Merkel insistiu que "o combinado no Conselho de Ministros tem que ser respeitado, caso contrário não será possível um trabalho comum", avisou a chanceler alemã.
Ministro assume responsabilidade

Entretanto, em declarações à televisão pública ARD, o ministro da Agricultura assumiu a responsabilidade, acrescentando que tinha sido uma decisão por conta própria, da qual não informou anteriormente a chanceler.



A aprovação da licença para o uso de glifosato na União Europeia foi possível depois de alguns países - Bulgária, Polónia, Roménia e Alemanha - passarem da abstenção para um voto favorável, na última votação.

A mudança de voto da Alemanha permitira assim uma maioria qualificada de 55 por cento dos países da União Europeia, que representem, pelo menos, 65 por cento do total da sua população.

A renovação da licença mereceu o voto positivo da Alemanha, Bulgária, Dinamarca, Eslovénia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, Holanda, Hungria, Irlanda, Letónia, Lituânia, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia, que representam 65,71 por cento da população dos 28.

Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo e Malta votaram contra, com um peso que equivale a 32,26 por cento da população da UE. Portugal foi o único país que se absteve.
Ministra do Meio Ambiente indignada

A ministra alemã do Meio Ambiente, Barbara Hendricks, também mostrou a sua indignação pelo procedimento do ministro Schmidt e explicou que ela mesma tinha falado com o ministro da Agricultura para reiterar a sua votação, isto é, de que a Alemanha tinha que manter o seu voto de abstenção.

O ministro da Agricultura conservador, Christian Schmidt, irritou o Partido Social Democrata da Alemanha (SPD) ao tomar esta decisão unilateral para estender o uso do glifosato por mais cinco anos.

Esta terça-feira, o SPD pediu que Angela Merkel que censurasse o ministro conservador, que responsabilizam por iniciar uma disputa em torno de uma votação na União Europeia, prejudicando a confiança entre as duas forças que procuram formar uma coligação.O voto do ministro da CSU foi uma "violação uniforme da confiança" e também contradiz o Regulamento do Governo, disse o vice-presidente Ralf Stegner, do SPD.

A proposta de renovação por cinco anos do uso do glifosato teve uma maioria qualificada de 18 Estados-membros a favor e foi apresentada ao Comité de Recurso, uma instância destinada a apoiar a tomada de decisões "em casos sensíveis e problemáticos".

Isto porque no último mês, os representantes dos 28 Estados-membros da União Europeia já tinham falhado por duas vezes um acordo sobre a renovação da licença do glifosato.

Em junho de 2016, a Comissão Europeia propôs o prolongamento da licença de utilização do glifosato por quinze anos, o prazo máximo permitido pelo direito comunitário.

Em março de 2015, a Agência Internacional para a Investigação sobre o Cancro (IARC) da Organização Mundial de Saúde (OMS) classificou o herbicida como "provavelmente carcinogénico para humanos".

A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (AESA) fez uma recomendação considerando o glifosato seguro para utilização pública, mas alguns órgãos de comunicação como o The Guardian ou o Le Monde acusaram a agência de ter no relatório uma centena de páginas que parecem ter sido copiadas de um pedido de autorização de comercialização do produto, arquivado em 2012 pela Monsanto.

A controvérsia tem sido muita quanto à natureza carcinogénica do glifosato. É na agricultura que este herbicida é mais usado. Foi inventado nos anos 70, pela multinacional americana Monsanto.

Hoje em dia, só em Portugal, há mais de 20 marcas que comercializam glifosato. Na Europa, há mais de 300 herbicidas à base de glifosato de cerca de 40 empresas diferentes.

O executivo comunitário irá adoptar esta decisão depois do dia 15 de dezembro, data em que caduca a atual licença do glifosato.

Agricultores e produtores florestais protestam contra falta de apoios


Dezenas de agricultores e produtores florestais do distrito de Coimbra afetados pelos incêndios de 15 de outubro manifestaram-se hoje junto à Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro contra as "insuficientes" medidas de apoio anunciadas pelo Governo.

 Agricultores e produtores florestais protestam contra falta de apoios

 
Convocado pela Associação Distrital de Agricultores de Coimbra (ADACO), com o apoio da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Movimento de Apoio às Vítimas dos Incêndios de Midões (MAAVIM), o protesto incluiu a entrega de um caderno de reivindicações, através do qual reclamam o aumento das ajudas simplificadas de 5.000 para 10.000 euros.

"Queremos manifestar o nosso desagrado pela insuficiência das medidas tomadas pelo Governo, que têm sido tomadas a conta-gotas e que não vêm ao encontro dos imensos prejuízos que afetaram muita gente", disse Isménio Oliveira, da ADACO.

Segundo o dirigente, o Governo começou por atribuir um "apoio ridículo de 1.053 euros" nas candidaturas simplificadas "e só porque as organizações e os agricultores contestaram é que passaram para 5.000 euros".

Valor que mesmo assim, refere Isménio Oliveira, "não é suficiente" para acudir aos agricultores que tenham perdido "um trator, umas oliveiras, um pequeno armazém ou animais para consumo familiar".

"Muitos dos pequenos agricultores têm prejuízos entre os 5.000 e os 10.000 euros, sendo da mais elementar justiça que, para enquadrar muitos dos afetados, a ajuda simplificada (pagamentos a 100%) deva ir até aos 10.000 euros", lê-se no caderno de reivindicações entregue na Direção Regional de Agricultura do Centro e que vai ser enviado ao primeiro-ministro, ministro da Agricultura e Comissão de Agricultura e Mar.

O documento defende também que os prejuízos entre 10.000 e 120.000 euros devem ter um apoio a fundo perdido de 85% e de 70% a partir de 120.000 euros.

O caderno reivindicativo propõe ainda que o prazo para a entrega das candidaturas simplificadas deve ser estendido até 15 de dezembro e não até ao final deste mês, conforme está estipulado pelo Governo.

Para João Dinis, da CNA, o Governo e o ministério da agricultura estão a esquecer-se da floresta.

"Dá a impressão que o ministério quer que a natureza venha resolver o problema de milhares e milhares de hectares de floresta queimada, que é um prejuízo brutal", sublinhou aos jornalistas.

"Nós estamos a reclamar, por exemplo, a criação e gestão pelo Governo, em colaboração com as autarquias, de numerosos parques de receção de madeira queimada, que garanta um preço minimamente reparador aos pequenos e médios produtores florestais", acrescentou.

O caderno reivindicativo defende ainda que o Governo deve financiar "a 100% qualquer proprietário que queira limpar as suas florestas ardidas, sob pena de em menos de quatro ou cinco anos os resíduos florestais serem em tamanha quantidade que poderão proporcionar a ignição de incêndios ainda de maior proporção".

Caso as suas reivindicações não sejam aceites, agricultores e produtores florestais prometem mobilizar o povo em ações de protesto de maior dimensão "onde for preciso".

Portuguesa Sugal bate recorde de produção de tomate e factura mais de 265 milhões

Portuguesa Sugal bate recorde de produção de tomate e factura mais de 265 milhões

O Sugal Group ultrapassou as 1,7 milhões de toneladas de tomate colhidas na campanha 2017, tendo consolidado a posição de segundo maior produtor mundial. O volume de facturação superou os 265 milhões de euros.

Sara Ribeiro Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt
28 de novembro de 2017 às 10:22

Este ano, o Sugal Group ultrapassou as 1,7 milhões de toneladas de tomate colhidas nos três países onde marca presença - Portugal, Espanha e Chile. Um passo que representa "a maior produção de sempre" e consolida a posição de "segundo maior produtor mundial de derivados de tomate", segundo o grupo português.

Com os resultados da campanha de 2017, a Sugal, que detém a fábrica da Guloso em Benavente por exemplo, ficou perto de alcançar os 5% da produção global de tomate, tendo superado os 265 milhões de euros em volume de facturação. Mas as perspectivas de crescimento não ficam por aqui.

A Sugal estima que em 2018 continue a bater recordes, ultrapassando as 1,8 milhões de toneladas transformadas de tomate fresco.

A empresa que nasceu no Ribatejo há 60 anos exporta mais de 90% da sua produção para 70 países. E é a única no mundo que produz em dois hemisférios, com duas campanhas por ano: entre Janeiro e Abril no hemisfério Sul e entre Junho e Outubro, no hemisfério Norte. "O que oferece maior flexibilidade e segurança na cadeia de abastecimento global", como explica o Sugal Group.

Em Portugal, além da fábrica em Benavente, o grupo detém outra unidade na Azambuja. Em Espanha, mercado que marcou os primeiros passos da internacionalização da empresa, tem uma fábrica em Sevilha, e no Chile detém duas unidades (Tilcoco e em Talca).

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Portugal manteve abstenção no glifosato


De
Euronews

Portugal foi o único país que voltou a optar pela abstenção na questão do glifosato.

Após duas rondas negociais inconclusivas, a Alemanha votou esta segunda-feira a favor da renovação por mais cinco anos da licença do controverso herbicida glifosato, decisão apoiada pela Polónia, Bulgária e Roménia que antes haviam optado pela abstenção.

O Ministério português da Agricultura justificou a abstenção dizendo que os estudos existentes são inconclusivos e que o herbicida em causa não tem aplicação direta sobre os alimentos.

Os 18 países que aprovaram a extensão da licença conseguem assim reunir os requisitos para uma maioria qualificada a qual requer o apoio de pelo menos 55% dos países da UE representando 65% da população.

Os dezoito países que apoiaram esta decisão representam 65,7% da população europeia.

Agricultores de Murça vão ser alertados para os perigos na condução de tratores


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A Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas (CONFAGRI) alerta terça-feira, em Murça, para a sinistralidade com tratores e apresenta medidas de prevenção para travar a principal causa de morte no trabalho agrícola que, em 2016, vitimou 68 pessoas.

"É urgente sensibilizar e contribuir para a formação dos agricultores, promovendo as boas práticas no exercício da profissão, para melhorar a segurança na utilização das máquinas e veículos, especialmente nas regiões onde as condições do terreno tornam maior a exposição ao risco e, por via disso, a incidência da sinistralidade é mais elevada", afirmou, em comunicado, o secretário-geral da CONFAGRI, Francisco Silva.

Em 2016, de acordo com dados da GNR, morreram 68 pessoas vítimas de acidentes envolvendo tratores agrícolas.

Por causa destes valores de sinistralidade associados à utilização de máquinas e equipamentos de trabalho agrícola, a CONFAGRI decidiu realizar um conjunto de sessões de esclarecimento, próximas dos agricultores para "alertar para os perigos inerentes ao manuseio e condução destes veículos".

Em Murça, no distrito de Vila Real, profissionais e técnicos do setor agrícola vão chamar a atenção para os riscos inerentes à condução de tratores e máquinas agrícolas e aconselhar quanto à forma de prevenir os acidentes de trabalho que resultam dessa atividade.

De acordo com o programa da iniciativa, Aurora Sousa, da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), vai falar sobre a prevenção de acidentes na operação com tratores e máquinas agrícolas, bem como sobre as obrigações legais em matéria de segurança e saúde no trabalho.

Depois, Isabel Santana, da CONFAGRI, vai alertar para a importância e para a obrigatoriedade da formação para a condução de tratores.

Norberto Correia, da Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) vai debruçar-se sobre o tema da Bolsa Nacional de Terras "como impulsionadora da redução do abandono das terras".

A CONFAGRI tem como missão contribuir para o crescimento e desenvolvimento do sector cooperativo e, em especial, da agricultura e da floresta portuguesas.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Bruxelas prolonga utilização do herbicida glifosato por cinco anos


27 DE NOVEMBRO DE 2017 - 16:31

Portugal absteve-se na votação do Comité de Recurso da União Europeia.

Foto: André Gouveia / Global Imagens

O Comité de Recurso da União Europeia decidiu prolongar por cinco anos a utilização do herbicida glifosato.

A medida foi aprovada com 18 votos a favor, nove contra, e uma abstenção, a de Portugal.

O ministério da agricultura confirmou à TSF que Portugal se absteve, mantendo a posição que assumiu desde o início deste processo.


A renovação da licença teve voto positivo da Alemanha, Bulgária, Dinamarca, Eslovénia, Eslováquia, Espanha, Estónia, Finlândia, Holanda, Hungria, Irlanda, Letónia, Lituânia, Polónia, Reino Unido, República Checa, Roménia e Suécia, que representam 65,71% da população dos 28.

Áustria, Bélgica, Chipre, Croácia, França, Grécia, Itália, Luxemburgo e Malta votaram contra, com o peso de 32,26% da população da UE.

No inicio do mês, a França tinha proposto uma renovação por apenas dois anos e nas ultimas semanas, Bruxelas falhou por duas vezes um acordo para a renovação da licença de utilização deste herbicida muito utilizado, mas potencialmente cancerígeno para o ser humano.

Para a porta-voz da Plataforma Transgénicos Fora do Prato, a votação a favor do uso de glifosato é uma má notícia para a Europa em geral, mas para Portugal em particular.

Margarida Silva relembra que o nosso país apresenta os níveis de contaminação mais elevados entre os estados membros.

"Os solos portugueses são os mais contaminados da União Europeia".
Margarida Silva considera que o Governo não pode ficar indiferente e deve por assumir assumir medidas a nível interno.

A decisão deverá ser adotada pelo executivo comunitário depois de 15 de dezembro, data em que caduca a atual licença do glifosato.

A desconcertante invisibilidade do mundo rural


20-11-2017 por António Paula Soares 235

Será que as tragédias recentes ensinaram algo sobre o mundo rural?
 
 
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Vivemos tempos preocupantes. Tempos que muitos pensaríamos pertencerem a um estranho futuro. Algo proveniente de um imaginário de ficção, onde muito do que se passa nos nossos dias seria como um romance futurista. Mas o mundo hoje parece que roda a uma velocidade maior, a um ritmo desconcertante onde o simples ato de ver um qualquer telejornal nos parece transportar para o tal mundo imaginário que agora parece que veio para ficar. 

As alterações da sociedade são uma realidade, o que ontem era correto, parece que hoje nos tentam impingir de uma forma forçada que está errado, em forma de novas ideologias, em que o politicamente correto tende a toldar-nos de uma forma subversiva e enganadora sobre a realidade dos factos.

E essa forma estranha e hipócrita de tentar moldar as mentes não poderia ter melhor espelho do que a realidade da forma como a sociedade vê o panorama rural Português. Panorama que pouco ou nada interessa a quem apenas o usa como refugio turístico esporádico de uma escapadela da urbanidade confortável, ou como escape político para vazios ideológicos. De quem se regozija com uma previsão meteorológica que convida a visitas à praia em Outubro, ou a dias constantes de belo prazer em esplanadas em pleno Novembro, ao passo que no mundo rural os agricultores desesperam com a seca, com a falta da chuva que a cidade abomina, com a sede dos animais, do atraso dos pastos, e do pó que não assenta nem permite cultivar os alimentos cuja produção já está atrasada para a mesa dos Portugueses.

A triste realidade das tragédias que se iniciaram nos primeiros meses de verão com os fogos rurais trouxe para a ribalta um mundo esquecido, um mundo abandonado de gentes e de costumes, sem os pastores do antigamente, sem os agricultores do presente, sem os guardas florestais nem os cantoneiros, sem a economia local e tradicional. É um mundo pelo qual quase ninguém passa, ou se passa poucos entendem. É um mundo sem economia, sem forma de enraizar as populações nem de criar riqueza. É este mundo que ficou abandonado em troca do litoral, e com isso restringiu ao expoente máximo a capacidade de gestão e a capacidade económica de trabalhar a terra com um pensamento no futuro.

Para o mundo rural Português, o tal que foi assolado pelos fogos, pelas mortes de pessoas, pela perda da pouca economia que ainda existia, pela perda das florestas e animais, pela perda da natureza de uma forma devastadora, o futuro já quase que não existia, ou estava ali tão perto de acabar.

E com estas tragédias, esse futuro poderá mesmo ter acabado, isto porque mesmo com todo o tempo de antena, que correu mundo e se prolongou no tempo, mantém-se de uma forma desconcertante a invisibilidade do mundo rural Português. Invisibilidade essa patente em alguns dos nossos atores políticos, cuja recente disponibilidade para se dedicarem a temas do mundo rural foi muitas das vezes imposta por uma pressão social em que grande parte da população não percebeu, e ainda não percebe, como pôde tamanho cenário dantesco ter ocorrido e sem que nada tivesse sido feito para o travar.

Mas infelizmente é fácil de perceber, mas apenas alguns o parecem querer. É tudo uma questão de economia, de economia rural, daquela que não se analisa nas bolsas de valores, mas que é transversal para a grande maioria do território Português, que não à beira mar plantado. A agricultura, a pecuária, a floresta, a caça e o turismo são os pilares dessa transversalidade económica, que cria sustentabilidade a todos os que vivem ao seu redor. E aqui é que reside o erro político, pois são já várias décadas de governo focado para os únicos locais que elegem deputados, que formam governos, que formam impérios políticos, ou seja: as cidades e os grandes centros urbanos. Na altura de propor orçamentos, de definir estratégias, de planear o futuro, parece que quase todos se esquecem do tal mundo rural, aquele que arde desenfreadamente, que seca longe da vista, mas que tanto incomoda momentaneamente a muitos quando as imagens passam em horário nobre.

Não passaram muitos anos desde que a imagem do agricultor era uma imagem depreciativa e vista com desdém para quem se apresentasse como alguém do campo. A agricultura teve tempos de ouro, os jovens viram no campo a fuga para o desemprego que assolava as cidades, a floresta dinamizou-se por vários anos, a caça povoava o campo e alimentava aldeias, com emprego e turismo. E que se passa agora?

Nada, ou muito pouco que seja favorável. As alterações climáticas vieram mesmo para ficar, estamos em Novembro e grande parte do País está ardido, a restante parte sofre a pior seca de que há memória, a água desaparece das barragens e falta nas nascentes, os campos estão castanhos como em Agosto, os animais magros e sedentos, e o olhar dos homens e mulheres do campo procuram no horizonte as soluções que tardam em chegar e que se assemelham cada vez mais a miragens de um oásis que não existe.

Da realidade virtual dos gabinetes políticos da urbe surgem gritos de revolta e discursos inflamados com as magnânimas soluções para todos os males do mundo rural, sem sequer terem muito bem a perceção de onde o mesmo começa. Exceção feita aos verdadeiros deputados do mundo rural, esses com um trabalho redobrado para clarear as mentes mais distorcidas.

Os primeiros, são os políticos que diabolizam os eucaliptos sem perceberem o que está por detrás, que cerram punhos e os batem na mesa, quando os proclamados incautos e despropositados agentes do mundo rural os alertam que de nada adianta proibir os eucaliptos se tudo o resto não for feito. Se não se fixarem as pessoas na ruralidade, se não se criar a economia que tanto teima em aparecer. Os mesmos que proíbem atrás de proibições, que privam o estado do seu papel constitucional de ser igualitário para com todos, de fazer cumprir as leis vigentes, sendo agora tão mais simples proibir o que não se consegue controlar e fiscalizar.

Os mesmos que se deixam de ouvir quando afinal o que também desapareceu foi o Pinhal de Leiria, e tudo o que parecia ser a solução para todos os males da floresta afinal não era suficiente para prevenir e travar a infeliz morte de muitos outros num curto espaço de tempo e num futuro próximo. Os mesmos que querem sobreiros e azinheiras por todo o lado, mas que nem sabem, ou não querem saber, que essas mesmas árvores morrem a um ritmo galopante, sem que o estado se preocupe em tentar perceber e combater os porquês. Os mesmos que não querem nem saber a razão de ser de os pinheiros serem afetados por pragas e doenças. Os mesmos que se insurgem contra a passividade do estado na proliferação da tuberculose transportada por javalis, mas que depois viram as costas e exigem a proibição da caça. Os mesmos que mentem descaradamente ao dizer que os coelhos desaparecem por caça excessiva, quando apenas nas zonas de caça se encontram os coelhos que salvaguardam um sem número de outras espécies protegidas, os mesmos que nem sabem que os coelhos estão a ser dizimados por vírus incontroláveis. Os mesmos que empunham palavras de ordem contra a agricultura e a pecuária porque as mesmas não se regem pelos seus radicalismos ideológicos. Os mesmos que gritam de peito cheio sobre os males do mundo rural, mas no qual nada fazem, e do qual pouco ou nada sabem.

É uma hipocrisia politicamente hábil na sua vertente aproveitadora da ignorância de quem não sabe, mas que convence quem nunca nada fez pelo mundo rural que afinal tem as respostas para tudo. Mas na realidade tudo o que propõem é uma ideologia utópica de um mundo que não existe, nem pode existir.

Ouvimos recentemente um político dizer que o mundo rural tem que ser mais resiliente. Mas só quem nada conhece do mundo rural é que pode pôr em causa a resiliência das suas gentes. Pois essas são fortes e corajosas, e conseguem erguer-se dos mais provocadores infortúnios.

O que o mundo rural precisa não é de conselhos ou apenas de afetos. Precisa de apoio e de estratégias, precisa de fazer parte do plano estratégico nacional, precisa de ser lembrado não apenas quando as imagens dos fogos e da seca entram pelas televisões.

Precisamos deixar de ser invisíveis…

Família de Nelas investe dois milhões de euros em adega ambientalmente eficiente


25/11/2017, 11:44

Uma família de Nelas decidiu investiu dois milhões de euros numa adega "ambientalmente eficiente", onde poderão encontrar-se "vinhos tipicamente do Dão", feitos "numa perspetiva mais moderna".


Uma família natural do concelho de Nelas decidiu investir cerca de dois milhões de euros numa adega "ambientalmente eficiente", onde poderão encontrar-se "vinhos tipicamente do Dão", feitos "numa perspetiva mais moderna", disse Lígia Santos, da Caminhos Cruzados.

"Este é um projeto familiar, que nasceu à mesa de casa e da grande vontade que tínhamos enquanto família de criar um projeto profissional em Nelas. O investimento na nova adega foi de cerca de dois milhões de euros", revelou.

A inauguração da adega da Caminhos Cruzados, em Nelas, está agendada para segunda-feira, dia em que vai ser também possível provar em primeira mão o vinho tinto topo de gama da marca, o Teixuga, que ainda não saiu para o mercado.

Em declarações à agência Lusa, a responsável da Caminhos Cruzados, Lígia Santos, explicou que esta adega surge em Nelas fruto de "uma vontade da família investir num projeto profissional" onde têm raízes.

"É aqui que temos as nossas raízes, a nossa família e a nossa história", acrescentou.

De acordo com a responsável, nesta nova adega encontram-se condições para criar grandes vinhos.

"Não só temos ótimas condições de vinificação e de estágio, como temos uma sala de provas fantástica que nos permite receber a visita de clientes e mostrar-lhes um pouco mais do nosso dia-a-dia", informou.

Concebida pelo arquiteto Nuno Pinto Cardoso, esta adega tinha, entre várias preocupações, "a preocupação de ser ambientalmente eficiente".

É, por isso, construída em betão armado, que é um material térmico de grande capacidade de retenção de temperatura, o que faz com que absorva nas suas paredes a temperatura exterior, libertando-a lentamente para o interior, evitando gastos com energia. Também temos ao longo de todo o edifício luz natural através de janelas e claraboias, bem como circulação natural de ar em todo o espaço e ainda sistemas de aproveitamento de água da chuva", referiu.
Quanto aos vinhos, Lígia Santos informou que aqui serão encontrados vinhos tipicamente do Dão e que são "feitos a partir de uma perspetiva mais moderna".

"São vinhos feitos a partir das melhores castas da região, vinhos muito elegantes e com grande potencial de guarda", concluiu.

Hipsters e tradição

As tradições são aventuras que precisam de ser escolhidas para serem seguidas como deve ser.
26 de Novembro de 2017, 8:15 Partilhar notícia


É pena haver poucos hipsters em Portugal. Os hipsters são os salvadores das nossas tradições – e das tradições que não são nossas, não vá a nossa vida tornar-se monocordicamente nacionalista.

Os hipsters sabem que para se salvar uma tradição é preciso praticá-la de uma maneira comercialmente viável. O que é bom tem de ser pago – e
bem pago. A tradição, na cabecinha de muita gente, ainda é a velhinha que passa dez horas a fazer coscorões e depois vende-os a 2 euros a dúzia.

A Direcção-Geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural tem mantido o seu monumental inventário de produtos tradicionais portugueses. Como
dono de dois grandes volumes de fotocópias da obra original é um alívio passear pelo site, descobrindo delícias e vendo vídeos sobre com se faz uvada e outros petiscos de que, para vergonha e surpresa minha, nunca ouvi falar.

O site, que é literalmente magnífico, está cheio de centenas de ideias para quem quer abrir um negócio, aprender umas coisas interessantes ou
simplesmente verificar a inegável riqueza gastronómica do nosso país, apesar de estar tão escondidinha e pouco ou nada apoiada.

Os ingredientes secretos, já se sabe, são o tempo, a paciência e o amor que faz com que se queira fazer as coisas como faziam os avós. Desafio quem quer que seja a ler a longa lista de especialidades da região onde vive e ter a lata de dizer que as conhece todas. É impossível, graças a Deus.

As tradições são aventuras que precisam de ser escolhidas para serem seguidas como deve ser.

ENTREVISTA: Governo espera converter "99% dos críticos" da reforma florestal


O sucesso da reforma da floresta vai depender da participação de todos os cidadãos, em especial dos produtores florestais, afirmou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, manifestando-se convicto da possibilidade de se "estabelecer um consenso amplo".

"Não tenho qualquer dúvida de que, muito antes de que decorram 20 anos, 99% dos atuais críticos da reforma da floresta se terão convertido", disse, em entrevista à agência Lusa, Luís Capoulas Santos, lembrando que o mesmo aconteceu com o projeto do Alqueva.

Para o governante, as críticas de que se fez uma reforma apressada são "completamente injustificadas e absurdas", já que as medidas para a floresta foram inscritas no programa do Governo, "aprovado na Assembleia da República faz precisamente dois anos".

"Para um Governo que tem quatro anos de vida [no total do mandato], que inscreveu no seu programa esta grande prioridade e que demora um ano e meio dos dois anos que o Governo tem em funções para executar, se a crítica é que somos apressados, só pode fazê-la quem gostaria que passássemos quatro anos sobre esta matéria a fazer o mesmo que o Governo anterior fez nos quatro anos precedentes, isto é, não fez nada", declarou o ministro da Agricultura.

De acordo com Capoulas Santos, esta reforma tem de ser "acarinhada" por todos para que "num horizonte temporal, que na floresta se mede não por dias, nem por semanas, mas por décadas", se possa tornar a atividade florestal mais rentável e, "sobretudo, que seja uma floresta que contribua para reduzir, tanto quanto possível, o risco de incêndio".

"Esta é uma reforma do país, é uma reforma nacional, não é uma reforma deste ou daquele Governo, deste ou daquele setor, e é nesse sentido que estou certo de que esse consenso se gerará", reforçou.

Por isso, acrescentou, a implementação do pacote legislativo para a reforma da floresta "não depende só do Governo", identificando-se como principais intervenientes os produtores florestais, uma vez que "sem eles a reforma nunca terá êxito", bem como as autarquias.

Capoulas Santos espera que a reforma comece a produzir efeitos "imediatamente", desde já na atitude dos proprietários em termos de práticas florestais.

A reforma da floresta do atual Governo incluía 12 diplomas, dos quais apenas um foi rejeitado - a proposta era criar o banco nacional de terras. Entre os principais diplomas aprovados estão a proibição de novas plantações da espécie 'eucalyptus', o cadastro simplificado e os benefícios fiscais para entidades de gestão florestal.

"Naturalmente que a legislação - aquela que existia, aquela que existe agora e aquela que falta ainda, certamente, concluir - não basta para resolver o problema, é necessário que as leis existam, mas que elas sejam aplicadas", apontou o ministro da Agricultura, referindo que "as leis, de um modo geral, carecem de algum défice de aplicação", mas a intenção do Governo é fazer cumprir toda a legislação.

Segundo o governante, "alguma dessa legislação depende muito da iniciativa privada", nomeadamente o diploma que atribui incentivos fiscais às empresas que se comprometam a gerir floresta em que uma parte é de propriedade de minifúndio, já que "não se trata de uma medida obrigatória, é uma medida voluntária".

"Esperamos que a resposta seja positiva, porque se não ocorrer, não será certamente responsabilidade do Governo não ter criado os mecanismos", indicou Capoulas Santos, apelando ao empenho da sociedade civil "numa matéria em que os próprios produtores florestais são os principais interessados".

Nem todas as expectativas arderam: produção de azeite dispara 45%



26.11.2017 às 20h00

A seca e os incêndios fizeram estragos, mas não impedem uma das melhores campanhas de sempre


O Alentejo continua 
a garantir entre 70% 
a 80% da produção nacional de azeite. 
A explicação 
é simples: a água 
de Alqueva, que transformou o sequeiro em extensos olivais de regadio, tornando Portugal autossuficiente 
em azeite

A campanha ainda vai a meio mas todas as estimativas apontam no sentido de um crescimento da ordem dos 45% na produção de azeite, face aos valores registados no ano passado. Isto num contexto particularmente adverso marcado por incêndios devastadores (que queimaram 8,8 mil hectares de olival) e num ano de seca extrema, com uma grande parte do território nacional a ficar sem água para a agricultura.

Olivicultores de norte a sul são unânimes em falar de acréscimos nas suas produções, com especial incidência no Baixo Alentejo, já responsável por 70% a 80% da produção nacional.

A Casa do Azeite, que representa a quase totalidade dos produtores, aponta para 100 mil toneladas de azeite, contra as 69 mil registadas na campanha de 2016/17. "Apesar de as zonas de produção tradicional de sequeiro estarem a ser negativamente afetadas na quantidade produzida, os rendimentos em azeite têm sido maiores do que o normal", nota Mariana Matos, secretária-geral daquela organização.

O cenário é considerado "excelente", por vários agentes do sector, mas podia ter sido muito melhor se a seca não se tivesse prolongado e se algumas produções não tivessem sido devoradas pelas chamas. No seu relatório mensal de setembro, o Internacional Olive Council estimava um crescimento de 58% para Portugal, com a produção a rondar as 110 mil toneladas de azeite.

As exportações deverão crescer entre 5% a 10% este ano, segundo a Casa do Azeite, podendo rondar os máximos vendidos ao exterior — e que se situaram acima das 140 mil toneladas (em 2014). Recorde-se que, embora Portugal seja já autossuficiente no que respeita ao consumo interno, não é ainda em termos de necessidades totais, se considerarmos as quantidades exigidas pelas exportações. Ou seja, Portugal vai produzir perto de 100 mil toneladas; consome 70 mil, mas exporta 123 mil toneladas. Logo, tem de comprar lá fora perto de 100 mil toneladas de azeite.

BRASIL E ANGOLA VOLTAM 
AO RADAR DOS EXPORTADORES
A Casa do Azeite estima que as vendas a terceiros deverão ser impulsionadas sobretudo pelo Brasil e por Angola, países que, após um período de quebras induzidas pelas crises nas respetivas economias, "estão agora em recuperação". Os outros destinos tradicionais — Espanha e Itália — deverão manter-se.

Francisco Pavão, da Associação de Produtores em Proteção Integrada de Trás-os-Montes e Alto Douro, também confirma a tendência exportadora da região e sublinha o facto de o azeite ali produzido já estar a chegar aos quatro continentes. Confirma que a falta de água afetou o trabalho dos cerca de 37 mil produtores que representa, mas garante que, apesar da quebra ali registada, o azeite vai ser de excelente qualidade, com muito baixa acidez.

Aquele dirigente receia que o pior poderá estar para vir, já no próximo ano. "Como não choveu, as oliveiras não cresceram e isso poderá ter graves implicações na próxima colheita" que, por acréscimo, vai coincidir com um ano de contrassafra (naturalmente menos produtivo).

ÁGUA DE ALQUEVA 
FAZ TODA A DIFERENÇA
Mais a sul, no Baixo Alentejo, Henrique Herculano, do Centro de Estudos e Promoção do Azeite do Alentejo, com sede em Moura, confirma um crescimento na produção da ordem dos 40%. O regadio de Alqueva faz toda a diferença pois leva água onde dantes só existiam culturas de sequeiro.

Por causa do excesso de calor, "os frutos não têm muito calibre, mas apresentam um bom rendimento", acrescenta aquele responsável. Além disso, e segundo Teresa Teixeira, da Olivum — Associação de Olivicultores do Sul, há muitos olivais novos que estão a produzir pela primeira vez. E, na verdade, ainda há muito espaço para novas plantações, o que permite antever aumentos na produção nos anos que se seguem.

OUTRAS CULTURAS
MILHO
Favorecido 
pela seca. De uma forma geral, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), os dias quentes e secos favoreceram esta cultura e "foi possível garantir as necessidades hídricas das plantas, prevendo-se um aumento de produção de 5% face a 2016".

TOMATE
Atinge 
1,7 milhões de toneladas. A colheita do tomate 
para a indústria terminou 
na primeira semana 
de outubro, estimando-se 
que a produção alcance 
os 1,68 milhões de toneladas, 
o que corresponde 
a um acréscimo de 5% 
face ao ano passado.

PERA
Cresce 20%.As previsões oficiais apontam para um aumento de 20% na produção de pera-rocha. Devido ao excesso de calor, a colheita teve de ser abreviada para garantir as condições de conservação dos frutos. Contratos internacionais favorecem o crescimento do sector.

MAÇÃ
Não sofre 
com falta de chuva. Como 4/5 da área de pomares é regada, a falta de chuva não causou grandes estragos. O INE prevê um aumento de 25% na produção deste ano, subindo para as 300 mil toneladas. Só no interior norte é que a queda de granizo localizada causou prejuízos.

KIWI
Maior 
produção de sempre. O excesso de calor acabou 
por afetar a fruta, originando calibres inferiores 
ao habitual. Ainda assim, 
o INE estima que esta seja 
a campanha mais produtiva das últimas três décadas, ultrapassando as 30 mil toneladas.

AMÊNDOA
Com recorde 
do século. As previsões do INE apontam para uma produção superior a 20 mil toneladas (+255% face a 2016), uma "situação inédita neste século". O clima adverso não prejudicou os amendoais, que na sua maioria completaram o ciclo (de amadurecimento).

GIRASSOL
Em níveis de 2014. 18 mil toneladas produzidas, muito longe das 26 mil do ano passado e ao nível das 16 mil de há três anos.

VINHO
À beira de uma boa colheita. Prevê-se um aumento de 10% na produção vinícola. A falta de humidade nos solos e o excesso de calor pode ter condicionado algumas vinhas, mas globalmente esperam-se vinhos de qualidade superior.

ARROZ
Produção em queda. Diminuiu a superfície cultivada e a produção foi a mais baixa dos últimos cinco anos.

Agricultores dizem que preços vão subir devido à seca


22/11/2017, 15:49

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Sousa, disse que a perda de produção agrícola provocada pela seca que o país enfrenta vai provocar um aumento dos preços.


O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Sousa, disse esta quarta-feira que a perda de produção agrícola provocada pela seca que o país enfrenta vai provocar um aumento dos preços.

"Haverá com certeza subida de preços imediatos em alguns produtos e vai haver falta de rendimento para quem os produz", afirmou, em declarações aos jornalistas.

Falando a propósito do Conselho Consultivo de Entre Douro e Minho da CAP, que se realizou em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, o dirigente referiu que a situação de seca em Portugal é a mais grave de sempre e que isso tem sido muito complicado para a agricultura.


Na reunião de quarta-feira, realizada no auditório municipal, participaram dirigentes associativos regionais que debateram temas ligados a um setor da economia que enfrenta em 2017, nas culturas de outono/inverno, perdas médias de 25%, no conjunto do país. Segundo a CAP, nas regiões do Alentejo e interior norte, as perdas podem chegar aos 100%.

"O que existe é a certeza de que os custos de produção são completamente diferentes. A dúvida está instalada, a apreensão está instalada e isso é uma situação que não sabemos como se poderá resolver", admitiu Eduardo Sousa.

A situação, alertou ainda, poderá agravar-se em 2018, se a falta de chuva persistir até ao final de dezembro.

"Isto cruzado com as medidas da Política Agrícola Comum, já ao nível dos regulamentos comunitários, leva as pessoas a não saberem como lidar com esta situação", concluiu.

Produção agrícola recua 2,8% em 2016 na UE e 2,5% em Portugal


22/11/2017, 12:05
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Em Portugal, a produção agrícola recuou 2,5%, de 2015 para 2016, para os 6,9 mil milhões de euros, segundo dados do Eurostat.

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A quebra na produção agrícola deve-se à diminuição do valor da produção animal.
Alberto Frias/LUSA

A produção agrícola caiu 2,8% em 2016 na União Europeia, face ao ano anterior, para um valor de 405 mil milhões de euros, e 2,5% em Portugal, para os 6,9 mil milhões de euros, segundo dados do Eurostat.

De acordo com o gabinete de estatísticas da UE, a quebra de 2,8% na produção agrícola dos 28 face a 2015 deve-se principalmente à diminuição de 3,3% do valor da produção animal.

Com uma avaliação de 70,3 mil milhões de euros (17% do total da UE) em 2016, a França é o maior produtor agrícola do conjunto dos Estados-membros, seguida da Itália (53,4 mil milhões de euros, 13% do total), da Alemanha (52,9 mil milhões, 13%), da Espanha (46,8 mil milhões, 12%), do Reino Unido (27,9 mil milhões, 7%), da Holanda (27,0 mil milhões, 7%), da Polónia (22,4 mil milhões, 6%) e da Roménia (15,4 mil milhões de euros, 4% do total da UE).


Face a 2015, a Eslováquia foi o país que mais aumentou a produção agrícola no ano passado (10,7%), seguida da Polónia (4,6%), da Hungria (4,1%), da República Checa (3,5%) e da Croácia (3,4%).

As maiores quebras foram assinaladas na Estónia (19,8%), na Letónia (8,3%), em França (6,5%), na Dinamarca (5,4%) e na Eslovénia (5,2%).

Em Portugal, a produção agrícola recuou 2,5% de 2015 para 2016, para um valor de 6,9 mil milhões de euros.

Confederação dos Agricultores considera salário mínimo de 600 euros “luta partidária alheia à concertação”


22/11/2017, 16:39

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal disse discordar do aumento do salário mínimo reclamado pela CGTP, considerando a proposta uma "luta partidária alheia à concertação social".

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, Eduardo Sousa, disse discordar do aumento do salário mínimo para os 600 euros, reclamado pela CGTP, considerando a proposta uma "luta partidária alheia à concertação social".

"Essa abordagem do salário mínimo por parte do PCP constitui, na nossa perspetiva, uma luta partidária até alheia à própria concertação social", disse aos jornalistas esta quarta-feira, quando lhe foi pedido um comentário à reivindicação da CGTP.


Falando em Marco de Canaveses, no distrito do Porto, onde participou esta quarta-feira no Conselho Consultivo de Entre Douro e Minho da CAP, Eduardo Sousa acentuou: "A CAP não tem qualquer possibilidade de analisar sequer um aumento da massa salarial com base na passagem de um salário mínimo para um patamar de 600 euros".

Para o dirigente, "um salário de 600 euros não é um salário muito elevado, mas o país não tem a economia que gostava de ter".

"Para que possamos chegar a salários que tenham no seu patamar base um nível de 600 euros era necessário que houvesse uma ajuda à prossecução dos resultados das empresas que não está contemplada no Orçamento do Estado" para 2018, defendeu.

O responsável da CAP criticou o OE por ter sido "construído apenas a pensar na despesa e na reposição dos rendimentos de uma determinada camada da população", acrescentando: "veja-se o que se está a passar nas manifestações em Lisboa, em que uns atrás dos outros vêm reivindicar aquilo que os outros conseguiram e tem tudo a ver com os aumentos que foram previstos no orçamento para a função pública e outras organizações similares".

Eduardo Sousa lamentou, por outro lado, que "para o lado das empresas nem sequer esteja prevista uma medida de apoio ao nível do alívio da carga fiscal".

"Não havendo essa hipótese, não é possível encaixar um aumento do lado da despesa associado a um aumento do salário mínimo, e encaixá-lo numa rentabilidade que já está muito reduzida", insistiu.

Além disso, concluiu, no setor agrícola a situação ainda é mais complicada atualmente devido às consequências da seca e dos incêndios florestais.

Do Douro a Trás-os-Montes há reflexos nos abastecimentos de água e na agricultura


23/11/2017, 8:13

O país está a passar um período de seca como nunca antes visto: entre o Douro e Trás-os-Montes já são visíveis as consequências. A chuva é muito esperada mas também vai ser uma preocupação.

Entre o Douro e Trás-os-Montes, a seca reflete-se nos abastecimentos de água à população, nas explorações de gado que já estão a gastar as reservas do inverno e nas quebras de produção na agricultura. Não chove há meses e na região vão crescendo as preocupações. A face mais visível da falta de água é a agricultura mas também há necessidade de encher os reservatórios de várias aldeias.

Estamos a sentir algumas dificuldades e, entre junho e novembro, já transportámos dois milhões de litros de água para as freguesias onde o abastecimento de água é feito por captação própria", afirmou à agência Lusa o vice-presidente da Câmara de Murça, António Marques.

Desde 1 de janeiro, segundo dados da Proteção Civil, foram contabilizados 799 transportes de água em veículos de bombeiros em concelhos como Murça, Vila Pouca de Aguiar, Chaves, Ribeira de Pena, Montalegre e Santa Marta de Penaguião. Este número não inclui abastecimentos feitos diretamente pelas autarquias.

Em Murça, fazem-se transportes de água semanalmente, principalmente para a freguesia de Carva e Vilares. "Não faltou a água porque abastecem com os bombeiros. As nossas nascentes já não dão, está tudo seco", contou Adélia Escaleira, habitante de Vilares, que garantiu que já poupa com banhos rápidos e reutilização de água para rega. Neste município duriense a ordem é para "poupar" e "gerir bem".

A autarquia está tentar controlar as perdas da rede de abastecimento e a poupar nas regas e vai reequacionar os jardins e parques de lazer, onde quer introduzir espécies que exijam consumos menores de água. A barragem do Alvão, em Vila Real, está em níveis críticos e já deixou de abastecer há alguns meses. O abastecimento para este concelho está, atualmente, a ser feito a partir da barragem de Torre do Pinhão.

Em Soutelinho do Mezio, Vila Pouca de Aguiar, António Ferreira anda de trator a espalhar feno nos pastos para alimentar as cerca de 100 vacas de raça maronesa.

As reservas de alimento estão a ficar esgotadas. Não há pastos para os animais e estamos a usar os poucos fenos que produzimos. Já estamos a recorrer à reserva que tínhamos para o inverno", disse à Lusa.
O produtor contabilizou uma quebra de 30% na produção de feno e salientou que, se tiver que comprar alimento para as vacas, a exploração "torna-se inviável", por isso desabafa que é "preciso que chova para tudo voltar ao normal". Adélia Escaleira falou num ano para esquecer na agricultura, com reflexos a nível da produção de batata, da castanha e até em árvores de fruto que secaram.

Os produtores de castanha queixam-se de quebras de produção a rondar os 50%, mas na azeitona o cenário é, afinal, muito mais animador do que inicialmente se previa.

A perda que estamos a prever anda na ordem dos 10% em termos de quilos mas tivemos uma alegre surpresa porque em termos de rendimento da azeitona, de litros produzidos, acaba por estar 2 a 3% acima do ano anterior", afirmou o responsável pela Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça, Francisco Vilela.
Com cerca de mil sócios, esta cooperativa produz em média cerca de 350 mil litros de azeite por ano. Na floresta são também visíveis os efeitos da seca. Neste outono ainda não há cogumelos silvestres e já se verificou uma quebra no número de caçadores, porque as espécies cinegéticas não se reproduziram.

Relativamente à qualidade da água nas albufeiras do Douro, Rui Cortes, especialista em recursos hídricos e investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), elencou uma "preocupação, especialmente nas mais próximas de Espanha".

É o caso de Miranda do Douro que apresenta já níveis de algas bastante consideráveis em resultado das baixas afluências de água que vêm de Espanha", referiu.
O especialista ressalvou, no entanto, que em termos gerais há pouca informação sobre o "estado ecológico das massas de água em Portugal" e adiantou que se vai fazer, até ao final do ano, um trabalho de monitorização a nível nacional para a Agência Portuguesa do Ambiente.

"Esta monitorização, que estava prevista, coincidiu com esta situação de seca e isso vai-nos dar um retrato a nível nacional do estado das nossas massas de água", frisou. A chuva é muito esperada mas vai trazer também uma preocupação acrescida, devido ao arrastamento de sedimentos das áreas ardidas para as linhas de água e à erosão.

Agricultores do nordeste algarvio defendem nova barragem



A ponte sobre o rio Mourinho junto a Santa Susana voltou a estar visível18 anos depois devido à seca e à descida do nível da água Alcácer do Sal 23 de novembro de 2017. Os agricultores do distrito de Setúbal acreditam que a solução para os períodos de seca no sul do país passa pela gestão da água em alta pelo Estado e pela construção da barragem do Pisão no distrito de Portalegre

08:51

Misericórdia investe cinco milhões na modernização do Hospital da Prelada
Os agricultores do nordeste algarvio, no distrito de Faro, defendem a construção de uma barragem para solucionar os longos períodos de seca que estão a afetar a agricultura e a condicionar novos investimentos em culturas de regadio.

"Estamos numa situação de seca severa, sem água para as culturas e sem pastagens para os animais, daí a necessidade da construção de uma barragem com ligação à de Odeleite e que, além de servir para o consumo humano, daria a possibilidade aos agricultores de fazerem regadio", disse à agência Lusa Valter Luz, vice-presidente da Cumeadas - Associação de Produtores do Nordeste Algarvio.

Nos concelhos de Alcoutim e de Castro Marim, os efeitos da seca são visíveis nas culturas e na alimentação para os animais. A ausência de vegetação estende-se por vários quilómetros.

"A construção de uma barragem é a melhor solução. As ribeiras e as pequenas charcas que foram feitas estão secas e, neste momento, as pessoas não têm alimento nem água para os animais e até as culturas de sequeiro estão em risco", alertou o representante da associação.

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Para combater os impactos da seca, o Governo alargou aos dois concelhos as Medidas Seca 2017, que preveem apoios para o transporte, captação e armazenamento de água.

Segundo os agricultores, as medidas não resolvem o problema, "apenas minimizam uma situação que é recorrente há vários anos".

No entender de Valter Luz, o nordeste algarvio tem sido esquecido ao longo dos anos e é preciso mais "vontade política para olhar para o problema dos agricultores e mudar as coisas, sob pena de a zona se converter num deserto".

"Este ano, o problema atingiu o seu ponto mais grave, problema esse que se tem agravado desde 2013", frisou o representante, acrescentando que "os responsáveis políticos têm de olhar para a zona com perspetiva de futuro e dar garantias às pessoas de que podem fazer agricultura, com água".

Celso Teixeira, apicultor e detentor de cerca de 100 cabeças de gado, referiu que a seca atingiu este ano o seu ponto mais alto, "verificando-se uma grande dificuldade em encontrar alimentação para os animais, devido à ausência de vegetação para o gado e de floração para alimentar as abelhas".

"Devido à ausência de pastagens, o gado tem de ser alimentado com palha e ração, o que se torna muito mais dispendioso", referiu, acrescentando que a falta de água nos aquíferos "impede também de ter pequenas zonas de regadio" onde se possa manter o gado.

Celso Teixeira recordou que, noutros anos, a ribeira do Vascão, um dos maiores afluentes do rio Guadiana, já estaria a correr por si própria nesta altura, dando de beber aos animais. Porém, este ano está "completamente seca desde o verão".

Para o presidente da Câmara de Alcoutim, Osvaldo Gonçalves, a construção de uma barragem é a melhor solução para resolver o problema de falta de água, porque a seca deste ano tornou mais evidente as fragilidades agrícolas do concelho, com "vários os setores económicos da região" afetados.

"Até os exploradores de zonas turísticas de caça cinegética estão a dar água aos animais, alimentando as charcas com recurso a autotanques, à semelhança do que se está a fazer em Viseu", indicou o autarca.

Na sua opinião, o problema pode ser um mal que tenha vindo por bem, já que serviu para que o potencial da zona interior para combater a seca ficasse mais evidente.

"No fundo o interior tem uma área significativa, com bons afluentes com caudais de água significativos, nomeadamente as ribeiras do Vascão e da Foupana, e que servirão certamente para fazer obras de retenção de água e resolver o problema da seca no interior e algum perímetro de rega", destacou, referindo que "o nordeste é um contribuinte para a água que se gasta no Algarve e tem zero de perímetro de rega".

Seca: Governo rejeita subida de preços e prevê aumento das exportações



O ministro da Agricultura, Capoulas Santos  |  MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
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"Estamos a sair de um ano agrícola onde houve excesso da oferta, portanto, não me parece que haja, no imediato, razões que justifiquem o aumento do preço dos produtos", defende o ministro da Agricultura

O ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, afirmou, em entrevista à Lusa, que a seca não vai interferir, de uma forma geral, nos preços dos produtos e apontou que as exportações tenderão a aumentar.

"Estamos a sair de um ano agrícola onde houve excesso da oferta, portanto, não me parece que haja, no imediato, razões que justifiquem o aumento do preço dos produtos. Poderá acontecer pontualmente, por exemplo no queijo da serra, [porque] houve [nos incêndios] uma mortalidade elevada das ovelhas que produzem o leite com o qual se faz o queijo", referiu.

Sustentando-se nas previsões agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE) para outubro de 2017, o ministro acrescenta que "as exportações tenderão a aumentar porque houve mais produção do que aquilo do que era esperado", portanto, não haverá "grandes consequências na balança comercial".


Capoulas Santos referiu que, na pecuária, é provável que se verifique uma redução dos preços, tendo em conta que têm sido abatidos mais animais do que o "normal".

"Sobretudo se a chuva, como é normal, vier e os pastos começarem a brotar nos campos, creio que a situação, rapidamente, normalizará, sem que isso se traduza num aumento, substancial, dos preços", sublinha.

No entanto, o governante refere que o facto de Portugal integrar um mercado aberto, possibilitará que "em alguns produtos em que possa haver baixa de produção", possam ser importados, "sem que isso signifique o aumento dos preços".

Angola quer agricultura a crescer 5,9% em 2018 e seguro agrícola garantido


HÁ UMA HORA
O Governo angolano quer aumentar a produção não petrolífera, estimando um crescimento da agricultura numa taxa de 5,9%, durante o ano de 2018.


O Governo angolano está a estudar a possibilidade de introduzir a obrigatoriedade de as companhias seguradoras alocarem às respetivas carteiras uma percentagem mínima para o seguro agrícola, como forma de promover o crescimento do setor.

Trata-se de uma das medidas que visam o aumento da produção não petrolífera constantes do plano intercalar do Governo a seis meses, para melhorar a economia nacional, e cuja concretização deverá acontecer até ao primeiro trimestre de 2018.

No documento, o Governo estima um crescimento da Agricultura numa taxa de 5,9% durante o ano de 2018, prevendo "uma aposta forte nas principais fileiras", como cereais, leguminosas e oleaginosas, raízes e tubérculos, carne, café, palmar e mel. "Que, em grande parte, estão diretamente ligadas à dieta alimentar das populações do nosso país", lê-se, no plano do Governo a implementar até março.


O objetivo é potenciar os setores não petrolíferos, para aumentar a receita fiscal e o rendimento angolano, tendo a Agricultura como um dos pilares.

Para o efeito, além das medidas para massificar o acesso ao seguro agrícola, o Governo angolano assume o objetivo de "acelerar a implementação do Programa de Produção de Sementes", visando a utilização de sementes de "elevada qualidade", como forma de "melhorar a produtividade agrícola das culturas", mas também "rever todo o sistema de gestão e infraestrutura de irrigação", para "otimizar o seu rendimento".

Em 2018, o Governo quer dinamizar as culturas privadas do algodão, cana-de-açúcar, girassol, café, palmar e cacau, "promovendo a sua articulação com o setor industrial", bem como "rever o sistema de gestão e redimensionar as atividades produtivas das fazendas de média e grande escala". "O setor prevê também um maior dinamismo no ramo da agricultura empresarial, com o surgimento de novas explorações e fazendas de média e larga escala", aponta ainda o plano intercalar do Governo a seis meses.

Angola enfrenta uma profunda crise financeira, económica e cambial desde finais de 2014, decorrente da quebra na cotação internacional do barril de crude. Após 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos, João Lourenço assumiu a 26 de setembro último o cargo de Presidente da República e chefe do Governo angolano.

Apetite global por chocolate reduz estimativa de excedente de cacau

O mundo não consegue saciar a sua fome de chocolate. E o cacau é um dos principais beneficiados, pois vê assim diminuir o actual excedente mundial da oferta.


26 de novembro de 2017 às 11:19

A "enorme" procura nos mercados emergentes deve prosseguir na actual temporada e o terceiro maior processador mundial de cacau estima uma forte redução do excedente global. Com efeito, de acordo com Gerry Manley, director do departamento de cacau da Olam International, o excedente desta matéria-prima agrícola, que atingiu um recorde na temporada passada, provavelmente cairá para cerca de 50.000 toneladas.
 
A procura aumentou particularmente na Ásia, onde países como Filipinas, Indonésia, Índia e China estão a consumir mais cacau em pó, usado em produtos como biscoitos e gelados, disse Manley. E embora os agricultores na África Ocidental talvez tenham safras excepcionais pelo segundo ano consecutivo, é pouco provável que o maior produtor, a Costa do Marfim, repita a safra recorde da temporada passada.
 
"Estamos muito optimistas em relação à procura", disse Manley, em entrevista no escritório da empresa, em Londres, na passada quinta-feira. "Estamos a observar uma boa procura por cacau em pó em todo o mundo, mas os mercados emergentes estão à frente".
 
Os futuros de referência do cacau em Londres caíram 23% no ano passado, o maior declínio desde 2011, porque a produção bateu um recorde na Costa do Marfim e porque o Gana, segundo maior produtor, também colheu uma safra volumosa. As safras abundantes em África contribuíram para aumentar o excedente global a 371.000 toneladas, segundo estimativas da International Cocoa Organization, com sede em Abidjan.
 
Nesta temporada, o processamento global de cacau provavelmente aumentará mais de 3%, afirmou Manley, acrescentando que esta projecção é conservadora. O processamento cresceu mais de 5% na temporada de 2016-2017. Cerca de 8.000 produtos novos foram lançados no mercado de confeitaria no ano passado, sublinhou Manley.
 
Os custos mais baixos estão a estimular a procura e o mercado global de doçaria com chocolate expandiu-se 2,3% no período de três meses terminado em Junho e 2,2% no trimestre seguinte, afirmou o maior processador de cacau do mundo, a Barry Callebaut, citando dados da empresa de análise Nielsen. A recuperação chegou após pelo menos seis trimestres consecutivos de contracção.
 
Especulação
 
O segundo ano consecutivo de excedente irá provavelmente manter o cacau dentro de uma faixa de preços, mas determinados eventos macroeconómicos poderão obrigar os especuladores a cobrirem as suas posições vendidas. Os especuladores têm vindo a apostar, no último ano, numa queda dos preços do cacau em Londres, segundo os dados da bolsa ICE Futures Europe.
 
"Desde o começo de 2017, observamos uma correlação muito mais forte entre as posições vendidas brutas no cacau e no complexo agrícola geral, especialmente nas commodities agrícolas", comentou Charles Leslie, trader da Olam em Londres, na mesma entrevista. "Há uma influência macroeconómica muito maior sobre o cacau, e ela é provavelmente o maior risco para a alta".

Bancos europeus aprovam financiamento de 260 milhões para regadios


O Governo vai assinar em Dezembro contratos de financiamento com dois bancos europeus que asseguram os 260 milhões de euros necessários à conclusão do programa nacional de regadios nos próximos anos, anunciou hoje o ministro da Agricultura.
Bancos europeus aprovam financiamento de 260 milhões para regadios

Miguel Baltazar/Negócios

25 de novembro de 2017 às 16:19

Luís Capoulas Santos disse aos jornalistas, em Soure, que o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o Banco de Desenvolvimento do Conselho da Europa (BDCE) aprovaram, na semana passada, os dois financiamentos, de 180 milhões e 80 milhões de euros, respectivamente.

"Os contratos de financiamento serão assinados nos primeiros dias de Dezembro", indicou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, à margem de uma sessão de apresentação do projecto Vale do Pranto 1, integrado na obra de regadio do Baixo Mondego, em que participaram algumas centenas de agricultores da região.

Nos últimos dias, o BEI e o BDCE "aprovaram o montante que faltava para garantir a completa execução" do plano de regadios, orçado em cerca de 540 milhões de euros, disse Capoulas Santos, informando que "a diferença será financiada através do Programa de Desenvolvimento Rural (PDR), no âmbito do Portugal 2020.

O Governo, segundo Capoulas Santos, pretende concluir o programa nacional de regadios até 2022.

Numa primeira fase, estes investimentos públicos irão beneficiar 90 mil hectares de áreas agrícolas, sendo 49 mil hectares irrigados na sequência do alargamento do projeto do Alqueva, no Alentejo.

"A outra metade dos 90 mil hectares é um conjunto de regadios dispersos", incluindo o Vale do Pranto e o perímetro de regadio do Lis, nos distritos de Coimbra e Leiria, respectivamente, entre outros projectos um pouco por todo o país.

Em termos financeiros, a intervenção no vale do rio Pranto, que corresponde ao bloco 5 da programação do Baixo Mondego, representa uma verba do PDR 2020 de 25 milhões de euros, ou seja, 16% dos apoios aprovados no âmbito da operação "Melhoria da eficiência dos regadios existentes".

"Soure situa-se em segundo lugar de entre os municípios mais beneficiados pelos apoios à reabilitação e modernização de regadios", segundo um documento que o gabinete do ministro da Agricultura distribuiu aos jornalistas.

domingo, 26 de novembro de 2017

Governo prevê contratar 1.000 sapadores florestais até 2019


O Governo pretende contratar 1.000 sapadores florestais até 2019, que se vão juntar aos cerca de 1.500 profissionais hoje existentes, afirmou o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, indicando que a medida tem vários anos de atraso.

Governo prevê contratar 1.000 sapadores florestais até 2019

"Nos quatro anos anteriores a este Governo não foi criada nenhuma nova equipa de sapadores florestais, portanto estamos agora a recuperar praticamente uma década de estagnação nesta força, [para a qual se previa] que até 2003/2004 já tivesse efectivos que só em 2019 vai ter", afirmou Luís Capoulas Santos, em entrevista à agência Lusa.
 
Neste sentido, o Governo prevê "juntar aos cerca de 1.500 sapadores florestais que já existem mais 500 no ano de 2018 e outros 500 no ano de 2019", para que até ao final do mandato esta força destinada à prevenção dos incêndios disponha de um total de 2.500 profissionais.
 
O investimento em sapadores florestais vai ser realizado no âmbito do trabalho da Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais, presidida por Tiago Martins de Oliveira.
 
Questionado sobre o trabalho já desenvolvido pela Estrutura de Missão, que funciona na dependência do primeiro-ministro, o ministro da Agricultura disse que haverá "um conjunto de decisões, em cascata, nos próximos meses" no âmbito da prevenção e combate a incêndios.
 
"Estamos a pretender fazer aquilo que é muito difícil, que é fazer depressa e bem, portanto temos de fazer com a velocidade possível, mas uma velocidade que seja compatível com soluções, que sejam soluções reflectidas e soluções que possam ter efeitos positivos", adiantou o governante, explicando que as medidas vão ter "várias consequências práticas" no âmbito do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Agricultura.
 
Criada após os grandes incêndios de Junho e de Outubro, a Estrutura de Missão para a instalação do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais tem um mandato até Dezembro de 2018.
 
"O que aconteceu neste ano de 2017 é algo que a História, os meios académicos, não deixaram de estudar exaustivamente, mas é algo que acho que não tinha ocorrido antes, portanto acho que houve um somatório de circunstâncias que tiveram a ver com situações específicas de clima, de período de seca prolongada, de conjugação de factores - ventos, temperaturas, humidades - que se reuniram num momento e que provocaram esta catástrofe", advogou Capoulas Santos.
 
Na perspectiva do tutelar da pasta da Agricultura, a lição a tirar do que aconteceu é: "se isso aconteceu, isso pode ser repetível". "Se estávamos não preparados ou não suficientemente alertados para que esse conjunto de factores se reunisse nas mesmas circunstâncias, agora pelo menos estamos despertos para isso e sabemos que temos de ter um dispositivo que responda a esse carácter de excepcionalidade", reforçou o ministro.
 
Para "dar o exemplo" de como é possível gerir bem e de forma rentável a floresta, o Governo decidiu criar uma empresa pública para a gestão da floresta, que funcionará como entidade para arrendar ou comprar terras.
 
Ainda não está definido quando é que esta empresa pública começa a funcionar, mas o ministro da Agricultura assegurou que será "tão rapidamente quanto possível", tendo as mesmas competências que uma entidade de gestão florestal (EGF).
 
Neste âmbito, o Governo pretende, "de alguma forma, antecipar-se à própria iniciativa privada" para demonstrar "como podem e devem ser constituídas as EGF".
 
As EGF podem ser constituídas por cooperativas, empresas públicas, empresas municipais ou associações de agricultores, que estejam disponíveis para gerir uma determinada área mínima, em que pelo menos 50% dessa área é composta por prédios rústicos do minifúndio com uma área inferior a cinco hectares, beneficiando assim de incentivos fiscais.

Imamat Ismaili doa 100 mil euros para rearborizar a mata de Leiria


Príncipe ismaelita, Amyn Aga Khan

23 Novembro 2017 às 20:45

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O Imamat Ismaili, instituição liderada pelo príncipe Aga Khan, anunciou esta quinta-feira que vai oferecer 100 mil euros para a rearborização da Mata Nacional de Leiria, uma das zonas mais afetadas pelos incêndios do Verão em Portugal.

Segundo um comunicado enviado terça-feira, o donativo foi anunciado durante as comemorações do Dia do Imamat, que juntou centenas de pessoas na sede mundial da comunidade, em Lisboa, numa cerimónia presidida pelo príncipe Amyn Aga Khan, irmão do líder da comunidade Ismaili.

"Este projeto de rearborização foi organizado em colaboração com o Ministério da Agricultura, que irá agora concretizá-lo através do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, entidade responsável por identificar a área que será abrangida pelo mesmo, devendo a totalidade do processo decorrer entre janeiro e março do próximo ano", pode ler-se na nota.

Em junho, o líder da comunidade ismaelita, Aga Khan, doou meio milhão de euros para apoiar as vítimas dos incêndios em Pedrógão Grande, verba que, segundo o comunicado, "já foi distribuída na sua quase totalidade".

As centenas de incêndios que deflagraram no dia 15 de outubro, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram 45 mortos e cerca de 70 feridos, perto de uma dezena dos quais graves.

A Mata Nacional de Leiria foi a maior superfície ardida, com quase 9476 hectares destruídos (86% do total).

Os fogos obrigaram a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos em Portugal, depois de Pedrógão Grande, em junho deste ano, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou, segundo a contabilização oficial, 64 mortos e mais de 250 feridos. Registou-se ainda a morte de uma mulher que foi atropelada quando fugia deste fogo.