quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Produtores de Monção e Melgaço dizem que acordo de Alvarinho reforça competitividade

 14-01-2015 
 

Os representantes dos produtores de Monção e Melgaço no Grupo de Trabalho do Alvarinho (GTA) consideraram que acordo alcançado sobre a denominação do Alvarinho «valoriza» a sub-região composta pelos dois concelhos e «reforça a competitividade» daquele vinho.

Para a delegação de produtores de Monção e Melgaço no GTA, que representa cerca de 85 por cento dos viticultores dos dois concelhos e 90 por cento do volume de negócio gerado na sub-região, as medidas agora aprovadas «criam condições para o desenvolvimento do negócio do Alvarinho em Monção e Melgaço».

Em comunicado enviado à agência Lusa, no final da última reunião do GTA realizada nas instalações da CVRVV em Arcos de Valdevez, os produtores da sub-região adiantaram que o acordo vai permitir «gerar riqueza e postos de trabalho, e potenciar nomeadamente a exportação deste vinho já hoje a bandeira da região».

Como pontos fundamentais do acordo alcançado a delegação de produtores com representação no GTP destacou a fixação de «um prazo de 18 anos durante o qual as uvas Alvarinho de Monção e Melgaço não saem da sub-região, sob pena de perderem a designação da casta» e o desenvolvimento «um programa de investimento no valor de três milhões de euros na promoção da sub-região e do seu território».

«Impôs-se uma regra de lealdade de concorrência à região dos Vinhos Verdes. A partir desta data, todos os lotes que mencionem Alvarinho, terão de conter 51 por cento desta casta, se for a primeira mencionada, e 30 por cento se for a segunda, quando até agora o valor era de 0,1 por cento», lê-se na nota.

A delegação de produtores de Monção e Melgaço que participou no processo negocial destacou ainda que «a produção de vinho Verde Alvarinho, a partir de uvas produzidas fora da sub-região só será permitida a partir da vindima de 2020/21».

Fonte: Lusa

Debate da Sustentabilidade da Vinha reúne especialistas nacionais e internacionais em Lisboa


QUARTA-FEIRA, 14 DE JANEIRO DE 2015
 
1º Simpósio Técnico sobre a Sustentabilidade na Vinha, dia 15 de Janeiro, a partir das 9h30, na Academia das Ciências Técnicas de Lisboa
 
Promover a inovação na vinha e discutir novas perspectivas para o sector é o objectivo do 1º Simpósio Técnico sobre a Sustentabilidade na Vinha, que será realizado amanhã, dia 15 de Janeiro, na Academia das Ciências Técnicas de Lisboa, a partir das 9h30. A iniciativa é organizada e apoiada em conjunto por JBP-Plansel, IVV - Instituto da Vinha e do Vinho, ViniPortugal, Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, INIAV, Viticert, Viveiros Plansel e Academia das Ciências de Lisboa tendo, ainda, o patrocínio da Bayer Portugal.
 
Vários especialistas nacionais e internacionais, ligados à inovação e à sustentabilidade económica na vinha, participam neste espaço de reflexão e debate, com o objectivo de gizar as prioridades aproveitando ao máximo as oportunidades geradas pelo novo Programa-Quadro Comunitário. "Inovação por selecção e aproveitamento da riqueza genética existente" e "Ranking das estratégias a favor da economia na vinha em Portugal" serão alguns dos temas abordados no Seminário.
 
O 1º Simpósio Técnico sobre a Sustentabilidade na Vinha será ainda um palco privilegiado para reflexão sobre a melhoria da produtividade das vinhas portuguesas, num esforço permanente de aproximação aos níveis registados noutras partes do globo preservando, ao mesmo tempo, a qualidade e tipicidade dos vinhos. Questões relevantes num contexto global no qual o vinho nacional tem que ser competitivo, pois muito embora a qualidade do vinho em Portugal tenha melhorado significativamente nas últimas décadas e conquistado o reconhecimento tanto no mercado nacional como nos principais mercados internacionais estratégicos, a produtividade média, de 3.000 l / hectare, continua a ser uma das mais baixas de toda a União Europeia.
 
Mais informações sobre a programação e inscrição poderão ser obtidas no sitio www.viticulturasustentavel.com
 
PROGRAMA
 
I) Mesa de abertura
 
9.30 h | Academia das Ciências, Eng. Jorge Monteiro – ViniPortugal, Eng. Frederico Falcão – IVV
 
II) Segunda Mesa | Estado da arte de conhecimento tecnológico na viticultura nacional e internacion
Prof. Carlos Lopes, Dr. Nick Dokoozlian, Prof. Reiner Schultz.
 
10.00 h | Levantamento económico da situação vitivinícola e estratégias para melhorar a sustentabilidade da viticultura portuguesa.
Levantamento estatístico IVV, Carlos Lopes, Prof. ISA.
 
10.30 h | O desafio da produção rentável na vinha. Dr. Nick Dokoozlian, Ex Prof. Universidade de Davis; Vice Pres. E&J Gallo, California.
 
11.15 h | Vineyard management em interacção com o ambiente, considerando a tradição do mundo velho vitivinícola e a mudança do clima. Prof. Hans Reiner Schultz, President Geisenheim University.
 
12.00 h | Discussão.
 
12.30 h | Almoço oferecido pela CVR-Alentejo.
 
III) Terceira Mesa | Inovação por selecção e aproveitamento da riqueza genética existente
Prof. Ernst Rühl, Joaquim Schmid, Eng. Ricardo Andrade.
 
14.00 h | Aproveitamento conciso da variabilidade nas castas por clones distintos e melhoramento genético, considerando o efeito ambiental, no velho mundo vitícola. Prof. Ernst Rühl, Universidade de Geisenheim.
 
14.30 h | Estudos estratégicos na procura da capacidade de adaptação de castas e dos seus clones às condições ambientais por escolha e melhoramento de porta-enxertos. Prof. Joachim Schmid, Universidade de Geisenheim.
 
15.00 h | Disponibilidade de material vitícola com garantia de certificação; estratégias para garantir acesso dos viticultores à informação. Eng. Ricardo Andrade, S. G. Viticert.
 
15.30 h | Café
 
IV) Quarta Mesa | Ranking das estratégias a favor da economia na vinha em Portugal
Academia das Ciências, Prof. Timothy Alun Hogg, Dr. Eiras Dias, Prof. Mota Barroso.
 
16.15 h | Resultados obtidos a partir do cluster Porter do vinho, moderado pelo Monitor group, 2003 ViniPortugal, Prof. Tim Hogg, Universidade Católica do Porto.
 
16.30 h | Resultados do G. O. – 8.QC-EU, PDR 2020 – INIAV Nov. 2014, Dr. Eiras Dias.
 
16.45 h | Debate sobre estratégia para melhoramento da sustentabilidade na vinha.
Conclusões
 
17.00 h | Apresentação ranking das medidas prioritárias a favor da sustentabilidade na vinha.
 
18.00 h | Prova de vinhos a cargo da ViniPortugal.


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Portaria de extensão alarga regras a todo o sector agrícola


Económico 

12 Jan 2015

No final de Junho, o Governo suavizou as restrições à emissão de portarias de extensão. Foi agora publicada a primeira portaria com base no novo requisito.
Seis meses depois de o Governo admitir esta possibilidade, foi publicada em Diário da República na sexta-feira a primeira portaria de extensão com base num novo critério, menos restritivo.Trata-se da extensão do contrato assinado entre a Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP) e o Sindicato da Agricultura, Alimentação e Florestas (SETAA), que vai alargar a mais trabalhadores daquele sector (embora haja excepções) um conjunto de regras, nomeadamente o aumento dos salários mais baixos aplicáveis em cada categoria, com efeitos ao início deste mês. O impacto é de 4,4% na massa salarial total, avança a portaria. Entretanto, com o aumento do salário mínimo, é de esperar que a tabela tenha de ser novamente actualizada. Também são estendidos outros aumentos, nomeadamente no subsídio de alimentação.

A parte patronal que assinou o contrato colectivo - agora alargado a mais trabalhadores através da portaria de extensão - é constituída por 30% ou mais de micro, pequenas e médias empresas. 

Esta possibilidade, introduzida pelo Governo no final de Junho de 2014, veio contrariar as intenções assumidas pelo anterior ministro da Economia e doEmprego,Álvaro Santos Pereira. Inicialmente, o Governo, em conjunto com a 'troika', criou fortes restrições à emissão de portarias de extensão, com o intuito de defender a moderação salarial. Isto porque as portarias de extensão permitem alargar a todo um sector as condições (nomeadamente o aumento dos salários mais baixos) negociadas entre associações sindicais e patrões. Num primeiro momento, as normas negociadas só abrangem empresas e trabalhadores filiados nas associações que subscrevem a convenção colectiva. Só com uma portaria de extensão é possível alargar o acordo ao restante sector (ou parte dele). 

Com Santos Pereira, começou por ficar previsto que só seriam estendidas as convenções colectivas assinadas por entidades patronais que representassem mais de metade dos trabalhadores do sector. Mas a medida gerou forte contestação entre os parceiros sociais e Mota Soares acabou por rever a norma no final de Junho de 2014, admitindo que a extensão também possa ocorrer se os associados da entidade patronal subscritora forem constituídos em, pelo menos, 30% por micro, pequenas e médias empresas.

Insolvência da Casa do Douro vale 124,6 milhões

13 Janeiro 2015, 19:47 por Lusa

 
O Estado apresentou um pedido de insolvência da Casa do Douro, sediada no Peso da Régua, num processo ao qual foi atribuído um valor de 124,6 milhões de euros, confirmou à agência Lusa fonte judicial.
Este processo de insolvência deu entrada no dia 31 de Dezembro na secção cível do Tribunal Central de Vila Real, tendo como requerente o Ministério Público, enquanto representante do Estado, designadamente a Direcção Geral do Tesouro.
 
Trata-se de um primeiro processo de insolvência a dar entrada no tribunal, devendo-se seguir outros por parte de outros credores da instituição duriense. 
 
Nesse mesmo dia, 31 de Dezembro, a CD enquanto associação de direito público foi extinta, dando cumprimento ao decreto-lei n.º 152/2014 publicado em Outubro.
 
Criada em 1932, a CD vive há anos asfixiada em problemas financeiros e possui actualmente uma dívida ao Estado na ordem dos 160 milhões de euros.
 
Para resolver o problema da organização o Governo preparou um plano que incluía um acordo de dação em cumprimento, de troca dívida por vinho, e uma alteração legislativa que transforma o estatuto de direito público e inscrição obrigatória em associação de direito privado e de inscrição voluntária.
 
Na ausência desse acordo de dação, que não chegou a ser assinado, o decreto-lei estipula que é "aplicável supletivamente o Código de Insolvência e de Recuperação de Empresas".
 
O processo vai ser agora analisado por um juiz do Tribunal de Vila Real. A direcção da instituição duriense disse ainda não ter sido notificada.
 
O 'dossier" Casa do Douro tem sido liderado pelo secretário de Estado da Agricultura. A Lusa tentou obter mais informações sobre o pedido de insolvência junto do Ministério da Agricultura, o qual ainda não deu resposta.
 
Por sua vez, contactado o Ministério das Finanças apenas respondeu não ter qualquer informação a prestar e remeteu esclarecimentos para o decreto-lei.
 
Entretanto, após a extinção da CD "pública", decorre até 19 de Janeiro o processo concursal dirigido às associações de direito privado interessadas em suceder à CD.
 
Podem candidatar-se à CD as associações ou federações de direito privado, sem fins lucrativos, que estejam constituídas nos termos da lei geral, tenham como associados pelo menos cinco mil viticultores da Região Demarcada do Douro com uma superfície de vinha superior a cinco mil hectares e apresentem uma situação tributária e contributiva regularizada.

A vida, o futuro... e as vacas

Chegou a Portugal o documentário mais importante desde 'Uma Verdade Inconveniente'. Por Ana Maria Ribeiro O realizador Darren Aronosfky (de 'Cisne Negro' e 'Noé') já o saudou como o filme que vai "abanar e inspirar o movimento ambientalista" nos próximos anos e muitos dizem tratar-se do documentário mais importante alguma vez feito sobre a degradação do planeta. Pelo menos desde o badalado 'Uma Verdade Inconveniente', de Davis Guggenheim, com Al Gore como estrela. 

'Cowspiracy', que fez a sua estreia nacional ontem, no Saldanha Residence, em Lisboa, já começou a mudar mentalidades. Em Portugal, o apresentador João Manzarra anunciou publicamente que depois de ver o filme tinha passado a ser vegan e que estava "chocado" por "só aos 29 anos" se ter tornado consciente do principal problema a ameaçar a sustentabilidade do planeta que habitamos. 

"Sempre me preocupei com o ambiente mas agora tornei-me mais ativo e acho que as figuras públicas podem e devem ajudar esta causa. Afinal, educação é salvação." 

Mas Manzarra não está sozinho. Também a atriz Mafalda Luís de Castro – vegetariana há dois anos e vegan há um – foi ver o filme, alertada pelas redes sociais, e aplaude a ousadia dos realizadores americanos, Kip Andersen e Keegan Kuhn. Segundo a atriz, de 25 anos, os dois conhecidos ativistas  dos direitos dos animais desviaram o foco do trabalho para a questão ambiental – evitando assim as críticas que "tipicamente perseguem vegetarianos e vegans". 

"As pessoas que estão habituadas a ridicularizar quem defende a causa animal não vão poder abrir a boca", garante Mafalda. "Pessoalmente, já assisti a vários documentários sobre este assunto, porque me interessa, mas este é muito diferente de tudo o que vi. Põe o enfoque na questão da sustentabilidade do planeta. E isso diz respeito a todos nós", conclui. 

ONU JÁ SABIA 

O filme – cujo título original faz um trocadilho com as palavras 'cow' (vaca) e 'conspiracy' (conspiração) sublinha os vários desafios ao ambiente que coloca a produção de animais para a alimentação humana. Não é novidade que tem efeitos nefastos no planeta, que é responsável pelo aquecimento global, desflorestação, poluição dos mares e extinção de espécies animais. 

Em 2005, as Nações Unidas divulgavam um relatório da Organização para a Comida e para a Agricultura que analisava as implicações ambientais da produção em massa de ovelhas, galinhas, porcos e cabras para alimentação. A produção bovina, porém, ultrapassa-as a todas em capacidade destrutiva. De acordo com os dados desse relatório, 18% dos gases que provocam efeito de estufa no planeta derivam da criação de gado. Ou seja, mais do que o uso de carros, aviões e transportes públicos juntos. 

Todos os anos, esta indústria lança no ar 32 milhões de toneladas de dióxido de carbono – isto é, 51% dos gases responsáveis pelo efeito de estufa. Nuno Sequeira, presidente da Quercus – Associação Associação Nacional de Conservação da Natureza, diz que em Portugal há sensibilidade para esta temática. 

"Está tudo documentado", começa por dizer. "No nosso país, é sabido que 80% da pegada hídrica [consumo de água envolvido na produção de bens e serviços que consumimos] está ligado à agricultura. E que 50% da produção agrícola não se destina à alimentação humana, mas sim à alimentação animal. Ou seja, produzimos cereais para alimentar os animais, para depois comermos os animais", diz. 

Para este responsável, é urgente repensar a forma como nos alimentamos. O que não significa que nos transformemos todos em vegetarianos. Ou vegans. "Se fizéssemos aquilo que aprendemos na escola, seria o ideal", afirma. "Toda a gente conhece a roda dos alimentos, a que agora se passou a chamar pirâmide dos alimentos, mas com os mesmos princípios. Precisamos de menos carne do que aquela que consumimos e até do que seria desejável para a nossa saúde. A que se devem as doenças do coração senão a este desequilíbrio?" 

O responsável da Quercus lembra que os padrões alimentares do Ocidente têm vindo a mudar nos últimos séculos, sobretudo para dar resposta ao número crescente de população. Atualmente somos mais de 7 mil milhões e em 2050 estima-se que chegaremos aos 9 mil milhões. A necessidade de produzir muitos alimentos, muito depressa, além dos efeitos ambientais, está ainda a reduzir a diversidade alimentar. 

"Desde 1900, a industrialização reduziu a diversidade alimentar em 75% na Europa e em 90% nos EUA", quantifica este responsável. "O que se torna tão mais grave quanto os povos em vias de desenvolvimento estão a adotar os nossos hábitos alimentares." 

TEMA TABU 

Chamar a atenção para a necessidade de alterar a forma como se pensa globalmente na alimentação não é fácil – como descobriram os realizadores de 'Cowspiracy' [ver caixa]. Em Portugal, tanto os produtores de carne como o Ministério da Agricultura e do Mar parecem considerar que a situação está "mais ou menos" controlada e desvalorizam o que consideram ser o "alarmismo excessivo".

 A engenheira Fátima Veríssimo, ligada a uma empresa de produção de carne de bovino, lembra que, ao contrário do que acontece noutros países, sobretudo na América do Sul, Portugal tem uma legislação apertada no que diz respeito ao controlo do impacto ambiental da pecuária. "Entre nós, a criação dos animais é feita em extensivo, ou seja, os animais crescem ao ar livre, de acordo com o seu ritmo natural. Não há engordas. 

Na Europa, para se conseguir uma licença para a engorda, é preciso assegurar o tratamento de fezes e águas", garante. O mesmo assegura fonte do Ministério da Agricultura e do Mar. "Os produtores agrícolas e pecuários são os primeiros a desejarem que seja alcançada uma sustentabilidade no uso dos recursos das suas explorações (água e solo), uma vez que disso depende a viabilidade da sua atividade", lê-se em nota enviada à 'Domingo'. E prossegue a mesma fonte explicando que, "no quadro da aplicação da recente Reforma da Política Agrícola Comum em Portugal", neste momento está-se a promover "o pastoreio extensivo, o apoio à biodiversidade doméstica e a limitação de encabeçamentos por hectare". Nos EUA, a discussão tem sido menos pacífica. 

Assim que 'Cowspiracy' foi apresentado, detratores do documentário apressaram-se a contrapor com o trabalho do biólogo Allan Savory – ele próprio agricultor e ambientalista famoso –, que defende que quando o gado é criado ao ar livre e alimentado com pasto (e não com rações), está, pelo contrário, a combater o aquecimento global e a restabelecer o nível de carbono do solo. 

Mas nem Allan Savory contradiz os dados científicos: as necessidades de proteína são mesmo baixas num adulto. Segundo os médicos – e citando, por exemplo, o Dr. Mehmet Oz – basta-nos comer um ovo por dia ou 85 gramas de frango, peru ou bife (que cabem na palma da mão) para suprir as nossas necessidades proteicas. Que, de qualquer forma, podem ser substituídas por proteína de origem vegetal. 

E lá vai o tempo em que se dizia que os vegetarianos não tinham tanta saúde como os omnívoros. Na lista dos vegetarianos famosos inclui-se o escritor britânico George Bernard Shaw, que morreu aos 94 anos, ativo até ao fim. 

Em Portugal, a cantora Romana, de 35 anos, é vegetariana desde os 15 e criou a filha, de 11 anos, sem proteínas animais. "É a criança mais saudável que conheço – nunca está doente", garante, lamentando não ter visto ainda o 'Cowspiracy'. "Tornei-me vegetariana quando me apercebi de que estava a contribuir para o sofrimento dos animais. Só mais tarde me vim a aperceber do bem que estava a fazer a mim própria, à minha saúde e ao planeta." 

SOLUÇÕES PARA O FUTURO 

Uma das pessoas a congratular-se com a apresentação do documentário americano nas nossas salas é Rita Silva, conhecida ativista dos direitos dos animais e responsável da ONG (organização não  governamental) ANIMAL. Amiga de um dos realizadores [Keegan Kuhn] há muito tempo, diz que esta é uma discussão que "já tardava". 

"Contra factos não há argumentos e ninguém pode negar os números que os meus colegas apresentam no documentário", diz. "A questão da sustentabilidade do planeta é inevitável para todos nós", diz ela, que está bastante otimista quanto ao futuro. "O homem é um animal conhecido pela sua extraordinária ca-pacidade de adaptação. O mundo evolui e nós vamos evoluir com ele, adaptando-nos. Como sempre."

CNA lamenta leis «persecutórias e castigadoras» para agricultores

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) fez hoje um balanço negativo do ano agrícola de 2014, apontando entre outros motivos a atividade legislativa "persecutória e castigadora para os pequenos e médios agricultores".

Em causa estão, por exemplo, a revisão da Lei dos Baldios, a privatização da Casa do Douro e seu património, a florestação e reflorestação ou a Bolsa de Terras, segundo um comunicado da confederação.
A CNA lamenta também a baixa nos preços à produção na generalidade dos produtos, com destaque para a batata e para o leite, que atingiu menos de três cêntimos por litro nalgumas regiões, enquanto sementes, rações e adubos mantêm "preços especulativos".
Outro dos aumentos que a CNA contesta é o do preço do gasóleo agrícola (que custa próximo de 80 cêntimos por litro) por causa da "fiscalidade verde".
A CNA acredita, por isso, que o rendimento da atividade agrícola deverá descer abaixo dos 3,2% estimados pelo Instituto Nacional de Estatística para 2014 face ao ano anterior.

Dinheiro Digital com Lusa

Funcionários públicos da Casa do Douro vão para a requalificação



Os trabalhadores da Casa do Douro (CD) que pertencem à administração pública começaram segunda-feira a receber os ofícios que formalizam a extinção dos seus postos de trabalho e os informam de que vão ser colocados no regime de requalificação.

Os ofícios, com data de sexta-feira, foram enviados pelo Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral do Ministério da Agricultura e do Mar, que informou os funcionários públicos da Casa do Douro de que deu início «aos procedimentos de colocação dos trabalhadores do mapa de pessoal» da instituição «em situação de requalificação».
O documento, a que a agência Lusa teve acesso, lembra que a CD foi extinta no dia 31 de dezembro e os postos de trabalho previstos no seu quadro de pessoal «consideram-se extintos naquela data».
Dinheiro Digital / Lusa

Marca de lacticínios lança «Programa Leite de Vacas Felizes»


A Bel Portugal, através da marca Terra Nostra, acaba de anunciar o lançamento do Programa Leite de Vacas Felizes – Puro Leite de Pastagem, junto dos seus 500 produtores de leite nos Açores.
Este projecto tem como missão contribuir para uma produção mais sustentável, de forma a conseguir um leite único de qualidade superior – um puro leite de pastagem.
 
Com práticas agrícolas sustentáveis e elevados critérios de qualidade, a grande diferenciação deste programa está na pastagem. O melhor leite vem da pastagem e de «vacas felizes, vacas que vivem ao ar livre e em comunidade, com uma alimentação à base de erva fresca o ano inteiro», refere a empresa em comunicado. É também uma preocupação do programa contribuir para a viabilidade económica das explorações parceiras.
 
O programa Leite de Vacas Felizes está dividido em cinco pilares: pastagem, bem-estar animal, qualidade e segurança alimentar, produção sustentável e eficiência. 
 
Para aderir ao programa e ser um produtor certificado, este tem de cumprir um conjunto de requisitos e boas-práticas agropecuárias tendo, por outro lado, à sua disposição um conjunto de benefícios que passam por uma melhor valorização do leite, suporte técnico dedicado, apoio na aquisição de sistemas informáticos adequados e vários benefícios sociais.
 
A marca Terra Nostra, símbolo de pura naturalidade, reforça com este programa o investimento na sua origem única, Açores.
O programa foi anunciado num evento realizado nos Açores, em Ponta Delgada, que contou com a presença de Vasco Alves Cordeiro, presidente do Governo Regional dos Açores, de Luís Neto Viveiros, secretário regional da Agricultura e Ambiente e de Fernando Fernandes, vice-presidente da Câmara Municipal de Ponta de Delgada.
 
«O lançamento do Programa Leite de Vacas Felizes é mais um passo na superiorização do nosso leite, vindo também criar valor e proteger o nosso bem mais precioso – os Açores, a nossa terra. Este programa revela o compromisso da BEL para com a nossa origem, em termos o melhor leite, único, distinto, que crie valor em toda a cadeia de produção. Este Programa é sobre fazer o bem, para os nossos animais, para o ecossistema, para os Açores e para todos nós. Vamos trabalhar em conjunto com os nossos produtores e com o Governo Regional, para que seja uma verdadeira parceria, e que no final, tenha a garantia de um leite distinto – puro leite de pastagem, protegendo os belos recursos naturais dos Açores», declarou Ana Cláudia Sá, directora-geral da Bel em Portugal.
 
Em Portugal, a BEL conta com três fábricas, duas nos Açores e uma em Vale de Cambra, dando emprego a cerca de 500 colaboradores. Nos Açores, emprega perto de 250 pessoas e trabalha com 500 produtores locais.
 
Para 2015 a BEL tem previsto um reforço de investimento nos Açores, na ordem dos sete milhões de euros, que inclui um investimento directo no Programa Leite de Vacas Felizes, bem como nas unidades fabris dos Açores.

Parlamento Europeu aprova regras sobre cultivo de OGM

13-01-2015 

 
O Parlamento Europeu aprovou esta terça-feira, em Estrasburgo, uma nova lei comunitária que permite aos Estados-membros proibirem ou limitarem o cultivo de organismos geneticamente modificados autorizados a nível europeu.

A alteração do actual quadro legislativo da União Europeia (UE), hoje aprovado pelos eurodeputados, visa dar mais latitude e uma maior segurança jurídica aos Estados-membros que desejem proibir, na totalidade ou em parte dos seus territórios, o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM) permitidos ao nível da UE, devendo as decisões ter por base outros fundamentos além dos abrangidos pela avaliação dos riscos para a saúde e o ambiente que faz parte do processo de autorização da UE.

O cultivo poderá «exigir maior flexibilidade em certos casos, uma vez que se trata de uma questão com forte dimensão nacional, regional e local, dado estar estreitamente ligado ao uso do solo, às estruturas agrícolas locais e à protecção ou manutenção dos habitats, ecossistemas e paisagens», lê-se no texto aprovado em plenário por 480 votos a favor, 159 contra e 58 abstenções.

Entre os motivos susceptíveis de serem invocados pelos Estados-membros para justificar uma proibição ou restrição do cultivo de OGM, encontram-se critérios ambientais que complementem os critérios avaliados pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos a nível europeu, critérios relacionados com o ordenamento do território, com o uso do solo, com os impactos socio-económicos, com os objectivos da política agrícola e com a necessidade de evitar a presença de OGM noutros produtos.

Os Estados-membros devem também assegurar que as culturas GM não contaminam as culturas convencionais e biológicas e prevenir a contaminação transfronteiriça, um pedido expresso pela maioria dos agricultores europeus.

Segundo dados do Ministério da Agricultura, a área cultivada com OGM em Portugal era de 8.542,41 hectares em 2014.

Fonte: Lusa

Cooperativa da Beira Central organiza workshop sobre Medronheiro

13-01-2015 
 

 
A Cooperativa da Beira Central organiza um Workshop Medronheiro, a decorrer no próximo dia 23 de Janeiro, no Auditório da Caixa de Crédito de Oliveira do Hospital.

O programa inclui temas como o contributo da cultura do medronheiro para uma boa gestão da floresta, técnicas de confecção de aguardente e a organização do sector para a sua valorização.

As inscrições para a participação no workshop são gratuitas e obrigatórias até o próximo dia 21 de Janeiro.


Vinho da Madeira fecha 2014 com vendas a registarem crescimento de seis por cento

13-01-2015 
 

A presidente do Instituto do Vinho, do Bordado e do Artesanato da Madeira (IVBAM), Paula Cabaço, revelou que as vendas de "vinho Madeira", em 2014, registaram um aumento de seis por cento, atingindo um valor de cerca de 18 milhões de euros.

«Com efeito, os dados relativos ao ano de 2014 revelam que a quantidade total comercializada de vinho da Madeira foi de 3.372.160 litros, o que correspondeu, em valor, a 17.904.794 euros», afirmou, sendo «este o valor mais elevado dos últimos 12 anos».

A contribuir para o crescimento das vendas em 2014, face ao ano anterior, esteve o mercado nacional, incluindo continente, Açores e Madeira, que registou um crescimento de cinco por cento, face ao ano anterior.

Este valor é «válido quer para a quantidade, quer para o valor», ressalvou a responsável, adiantando que o mercado nacional consumiu no último ano 567.459 litros de "vinho Madeira".

Também no mercado comunitário as vendas cresceram seis por cento na quantidade vendida e sete por cento no valor. A responsável destacou ainda o bom comportamento do mercado inglês, o mais tradicional, que registou um aumento da ordem dos 13 por cento, valendo agora dois milhões de euros, de acordo com os dados, com 314.166 litros de vinho Madeira vendidos.

Já os franceses compraram menos vinho em 2014, menos um por cento, 1.014.741 litros, mas ainda assim continuam a ser os maiores compradores e os que menos pagam em média por litro, 3,35 euros.

Os mercados referentes a países terceiros também contribuíram para o crescimento das vendas de "vinho Madeira" em 2014, com um aumento de sete por cento, tanto em quantidade como em valor.

E os Estados Unidos continuam a ser o mercado estratégico em que a região mais aposta, refletindo-se nos resultados obtidos. Em 2014, as exportações para aquele país aumentaram 16 por cento na quantidade e 11 por cento no valor, valendo 1,9 milhões de euros.

«Para nós é muito positiva a evolução dos mercados, sobretudo do mercado nacional, ou seja, o do continente, que aumentou em 2014, em termos de valor, 66 por cento», valendo meio milhão de euros, explicou.

Fonte: Lusa

Situação das culturas de cereais de Inverno na UE

13-01-2015 
  
Em Portugal, as culturas de cereais de Inverno para a campanha de 2015 foram tardias devido às precipitações de Outubro e Setembro, prevendo-se superfícies estáveis de plantações, com uma descida do trigo, que será compensada com um aumento de trigo duro devido ao bom preço, segundo uma informação do ASAJA Cádiz, que inclui estimativas fornecidas pelos países presentes na reunião de cereais do Copa-Cogeca.  
 
Em Espanha, as culturas de Inverno na campanha de 2014/2015 foram no tempo certo, mas com algum atraso em algumas comunidades. As chuvas de Outono foram as necessárias à excepção no leste do país onde ocorreram apenas em Novembro. No entanto, é prematuro avaliar as estimativas das culturas, ainda que se espere a manutenção da superfície de trigo.
 
No Reino Unido espera-se uma ligeira redução nas superfícies cultivadas de trigo, que podem chegar a um total de 1,83 milhões de hectares frente aos 1,93 milhões de 2014. As culturas de Inverno ocorreram sem problemas, com excepção de algumas zonas afectadas pela seca. Aguarda-se um aumento para a cevada de Inverno e de Primavera, que conduzirá a um aumento da produção de nove por cento. Pelo contrário, prevê-se uma redução de 13 por cento nas culturas de aveia.
 
AS culturas de trigo em França aumentaram 5,09 milhões de hectares (ha), cerca de mais dois por cento em relação a 2014, apesar da possibilidade de um volume significativo de existências, já que em 2014 a colheita de trigo foi de baixa qualidade, o que se repercutiu nas exportações. Para o trigo duro estima-se um aumento de 26 mil ha, até um total de 313 mil. Contudo, previam-se culturas mais elevadas tendo em conta o actual nível de preços deste cereal, com uma manutenção da superfície das restantes culturas.
 
Na Alemanha estimam-se resultados superiores aos do ano passado, as quais já foram elevadas, com um total de 6,5 milhões de hectares que conduziram a uma colheita recorde de 51,7 milhões de toneladas. Para 2015, prevê-se mais 60 mil ha de trigo, até um total de 3,29 milhões e também um aumento de 60 mil ha de cevada, totalizando 1,64 milhões de hectares. Os cereais de Inverno tiveram um bom desenvolvimento, com temperaturas suaves em Novembro.
 
Na Polónia as culturas de cereais de Inverno serão semelhantes às de 2014, quando atingiram 7,34 milhões de hectares, dos quais, 2,3 milhões de trigo, com uma colheita recorde de 30 milhões de toneladas.  
 
Para a Itália, prevê-se um aumento das culturas de trigo duro, o cereal mais cultivado, ocupando cerca de metade da superfície. Os bons preços do trigo duro favoreceram as culturas, com um crescimento de 55 mil hectares, até um total de 1,32 milhões. Pelo contrário, no caso do milho, que é a segunda cultura mais importante, é previsível uma redução de 30 mil hectares, devido à presença de doenças.
 
A Irlanda mantém as mesmas áreas cultivas que em 2014. A cevada é a mais importante, com 211 mil hectares, o que representa mais de 70 por cento da superfície total de cereais, de 299 mil. É possível que se produza uma redução das culturas de cevada em detrimento de outros cereais devido ao impacto da norma de diversificação de culturas.
 
A Bulgária pode passar por uma quebra de quase 30 por cento da superfície de trigo, com apenas 900 mil hectares de área cultivada, frente aos 1,27 milhões de 2014. Mais de 300 mil hectares não foram cultivados a tempo devido a factores meteorológicos. Espera-se também uma diminuição nas superfícies de triticale e aveia.
 
Na Hungria, para 2015, as previsões apontam para superfícies muito semelhantes a 2014, ano em que se cultivaram 2,7 milhões de hectares e se obteve uma produção de 15,9 milhões de toneladas, com a probabilidade de uma redução de dois por cento na área de trigo.
 
Por fim, para a República Checa, estima-se resultados semelhantes a 2014, com um total de 1,45 milhões de hectares e colheitas de 8,96 milhões de toneladas. O Outono e Inverno foram suaves, podendo haver um crescimento das superfícies de cevada com desvantagem para o trigo.
 
Fonte: Agrodigital

Preço dos cereais em alta nos mercados grossistas

 13-01-2015 
 

 
Muitos são os factores que actualmente pressionam o mercado dos cereais para uma subida, como a baixa do preço do petróleo, a taxa imposta às exportações russas de cereais, devido à queda do rublo e risco de um Inverno rigoroso nos Estados Unidos da América, que atinge o Centro-Oeste americano.

Em Espanha, os mercados grossistas subiram na segunda semana do ano os preços dos cereais, à excepção do trigo duro, com o preço do milho a registar o maior aumento, com mais 1,9 euros a toneladas até um total de 175,09 euros.

 O trigo, seguido pela cevada, com mais 1,72 euros, até 183,4 euros a toneladas e do trigo branco, com uma subida de 1,2 euros por toneladas, até um total de 195,6 euros, de acordo com a informação avançada pela Associação de Comércio de Cereais e Oleaginosas de Espanha (ACCOE), para a segunda semana.

O preço do trigo duro baixou dois euros a tonelada, apesar de manter um valor muito elevado, de 371 euros a tonelada. Os valores mencionados são do comércio grossista, tanto da mercadoria nacional e/ou importada armazenada.

Fonte: Agrodigital

A alheira de Mirandela mudou e está mais saudável


     
13/01/2015 19:36:00 2716 Visitas   

Shutterstock
A alheira de Mirandela mudou e está mais saudável
Um médico prescrever uma alheira para a dieta de um doente renal pode parecer um contra-senso que uma clínica de hemodiálise de Mirandela acaba de contrariar com um enchido adaptado às necessidades de quem padece da doença.

O alimento foi apresentado hoje e resulta de um desafio lançado pela empresa Tecsam, responsável pela unidade de Mirandela, à Faculdade de Ciências de Nutrição do Porto, que encontrou a receita na original alheira à base de aves criado pelos judeus e que ao longo dos tempos foi sendo adaptada à tradições transmontanas da carne de porco.

Os promotores prometem, a partir da terra da famosa alheira de Mirandela, criar um alimento que pode também ajudar a atenuar o problema de subnutrição de proteínas de que padecem alguns doentes renais em hemodiálise, por não comerem carne e peixe.

A responsável pelo estudo para o projecto produtos alimentares adaptados a doentes em hemodiálise, Olívia Pinho, confessou hoje que quando foi confrontada com o desafio hesitou por lhe parecer um contra-senso dar alheira, um enchido gordo e salgado, a estes doentes.

As desconfianças desapareceram depois de a empresa de Mirandela lhe ter apresentado a ideia que surgiu da dificuldade em alimentar os hemodiálises, que ficam com um baixo teor de proteína, com perda de músculo e por vezes desnutrição.

Analisou várias alheiras produzidas nesta região de Trás-os-Montes e encontrou aquela que tem o ponto certo para estes doentes: um enchido à base de carne de aves, com azeite, pão e ervas aromáticas, em vez da carne de porco, banha e alho.

Esta alheira tem menos potássio e sódio, que estes doentes não podem ingerir.

A investigadora alerta, contudo que "tem de se ter muito cuidado e alguma vigilância sobre os restaurantes que vão aderir" e "atenção à quantidade" que os doentes vão ingerir.

Uma das principais produtoras de alheira em Mirandela, Sónia Carvalho, forneceu alguns produtos para a fase de investigação e garantiu que, nos estudos realizados, a tradicional alheira de caça que confecciona foi aprovada com apenas alguns ajustes nos teores de sal.

Os produtores vão poder comercializar este enchido com um rótulo adaptado a chamar a atenção de que pode ser consumido por estes doentes.

O administrador da empresa responsável pelo centro de hemodiálise, Nunes Azevedo, explicou como surgiu esta ideia e novo produto já experimentado entre os cerca de 100 doentes que fazem tratamento nesta unidade.

"Aos doentes que têm resistência à ingestão de carne e peixe, sempre que lhes fazia a pergunta: e uma alheira, come? A resposta era 100 por cento positiva e, daí, surgiu esta ideia", contou.

O curioso, continuou, é que, embora com menos sal e com estas características, "os doentes saborearam a alheira e gostaram imenso dela".

A empresa vai agora realizar um estudo em doentes desnutridos, a quem será dada uma alheira no final de cada sessão de hemodiálise para perceber de que forma contribui para atenuar o problema de desnutrição proteica.

As conclusões serão apresentadas no congresso português de nefrologia e na Associação europeia de diálise e transplante.

O administrador espera que a clínica com a empresa mãe em Mirandela possa "dar à comunidade internacional um alimento que o doente renal gosta e resolver o problema de subnutrição proteica".

Para breve está também o lançamento de um livro com receitas de vários chefs de cozinha transmontanos à base de alheira para doentes renais e a forma de a combinar com outros alimentos.

Lusa/SOL

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

GNR reforça policiamento em olivais de Beja para prevenir furtos de azeitona

 12-01-2015 
 

Fonte: Lusa

A GNR anunciou o reforço do policiamento em olivais de Beja para prevenir furtos de azeitona, após ter detido 54 pessoas e identificado 49 por suspeitas daquele crime e aprendido 33 toneladas de fruto furtadas desde novembro.

Trata-se de um reforço do policiamento no âmbito da operação "Agrisegur", que decorre desde o passado mês de novembro e termina no dia 31 deste mês, em plena campanha de apanha de azeitona, para fiscalizar explorações agrícolas do distrito de Beja com o objetivo de prevenir furtos.

Segundo a GNR, num comunicado enviado à agência Lusa, o reforço do policiamento vai ser feito com "particular incidência" nos olivais dos concelhos de Beja e Moura, onde tem sido praticada "a maioria" dos furtos de azeitona registados desde novembro.

O reforço do policiamento para prevenir crimes de furto de azeitona deve-se ao "forte impacto a nível económico" deste tipo de criminalidade para os donos das explorações agrícolas e ao número de suspeitos já detidos e identificados e à quantidade de azeitona furtada e apreendida desde o início da operação "Agrisegur", explica a GNR.

Para "intensificar" o policiamento, o Comando Territorial de Beja da GNR "conta, desde hoje, com o reforço de equipas da Unidade de Intervenção", as quais "irão apoiar o patrulhamento" no âmbito da operação "Agrisegur" para "prevenir e, sempre que for o caso, reprimir rigorosamente o furto" de azeitona, refere a força de segurança.

No distrito de Beja, desde o início da operação "Agrisegur" no passado mês de novembro e até hoje, a GNR já deteve 54 pessoas e identificou 49 por suspeitas da prática de crimes de furto de azeitona e apreendeu 33 toneladas daquele fruto que foram furtadas.

Só no passado sábado, a GNR deteve 50 pessoas e identificou 10 por suspeitas de crime de furto de azeitona nos concelhos de Beja, Serpa e Moura e apreendeu 18,5 toneladas daquele fruto que foram furtadas e 22 viaturas, que se destinavam, alegadamente, ao transporte da azeitona furtada.

Governo vai adquirir dois meios aéreos para combater incêndios florestais

11-01-2015 
 

Fonte: Lusa

A ministra da Administração Interna, Anabela Rodrigues anunciou, em Torres Vedras, que o Governo vai comprar dois meios aéreos para o combate aos incêndios florestais.

"O Governo iniciou esta semana o processo que levará à aquisição pelo Estado Português de dois meios aéreos, pesados, anfíbios de asa fixa, para combate a incêndios florestais", afirmou Anabela Rodrigues, durante a tomada de pose dos órgãos da Liga Portuguesa de Bombeiros, para os próximos três anos.

A governante adiantou que a aquisição daqueles equipamentos "será possível com recurso a financiamento europeu e foi ponderada de forma a permitir que os respetivos fundos continuem a estar disponíveis para outras áreas de equipamento dos bombeiros".

O presidente da Liga, Jaime Marta Soares, sublinhou a necessidade de a lei do financiamento dos bombeiros entrar em vigor com rapidez, para resolver o problema da falta de sustentabilidade financeira de muitas corporações e, com isso, melhorar a resposta de socorro às populações.

Sem apontar prazos e sem responder aos jornalistas, Anabela Rodrigues afirmou, durante o seu discurso, que "o trabalho está concluído no que diz respeito ao financiamento pela administração central, representando um aumento do financiamento em mais de 10%, estando neste momento em curso um esforço final de negociação com a Associação Nacional dos Municípios Portugueses (ANMP)" para responderem também ao financiamento.

À alegada falta de respostas da ANMP, o presidente da Liga mostrou-se "estupefacto" e disse que irá sensibilizar os autarcas para a necessidade de assumirem a sua "responsabilidade" e financiamento por terem competências de Proteção Civil.

"Não sei o que é que os municípios portugueses estão à espera ou o que pretendem, a menos que queiram que se extinguem os bombeiros voluntários em Portugal. Espero que não seja isso que irá acontecer, mas se não houver uma resposta tão rápida quanto necessária e urgente, a Liga dos Bombeiros Portugueses não deixará de dar a conhecer aos portugueses esta atitude. Nós somos soldados da paz, mas não deixaremos de fazer guerra a quem nos tira a paz em que queremos viver", sublinhou Jaime Marta Soares.

"A esmagadora maioria dos municípios não financia ou financia muito pouco os bombeiros", alertou.

A liga dos Bombeiros Portugueses pediu a reforma da lei orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica e da Autoridade Nacional da Proteção Civil de modo a englobar os bombeiros nas decisões, bem como a criação do cartão social do bombeiro e do Observatório Nacional para os Incêndios Florestais.

A ministra da Administração Interna respondeu que também é intenção do Governo criar esse observatório, enquanto "espaço de reflexão, análise, diálogo e partilha constantes, na busca das melhores soluções em três áreas fundamentais: prevenção, fiscalização e combate".

Quanto ao cartão social do bombeiro, Anabela Rodrigues manifestou "disponibilidade para analisar e discutir" uma proposta a ser apresentada pela Liga dos Bombeiros Portugueses.

FAO: preços dos alimentos voltam a descer em dezembro


12 DE JANEIRO DE 2015 AGROTEC PUBLICAR UM COMENTÁRIO
precos-alimentos-faoSegundo um comunicado da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), os preços dos produtos alimentares baixaram 3,7% em 2014.

Este estudo tem por base a evolução, a nível mundial, dos preços de 5 grupos de produtos: cereais, leite, carne, óleos e açúcar. De todos estes produtos, em 2014, apenas a carne registou um aumento de preço em relação a 2013, que foi de mais 8%. Os cereais, por outro lado, registaram uma queda de 12.5%.

O índice mensal de evolução dos preços teve uma queda em dezembro, face a novembro, de 1,7%, devido sobretudo à baixa de preços dos açúcares (-4.8%) e dos óleos alimentares (-2.4%).

No caso do açúcar, esta redução deve-se ao elevados stocks no Brasil, pois com a baixa do preço do petróleo, a produção de etanol diminuiu e, consequentemente, também a procura de cana de açúcar. A descida do preço do petróleo foi também a razão para a queda do preço dos óleos alimentares, que levou a uma queda na procura por biodiesel e, consequentemente de alguns óleos vegetais.

Os produtos lácteos também tiveram uma descida de 2,3%, atingindo o valor mais baixo desde 2009.

Os cereais apresentam um subida de 0,4%, devido ao anúncio de que a Rússia vai restringir as suas exportações.

Amerifarms. A ‘startup’ de marijuana que está a dar que falar


4/1/2015, 21:39
Quatro amigos de Silicon Valley trocaram a tecnologia pela agricultura e transformaram a quinta do avô numa estufa com 2.200 plantas de "cannabis". Produzem 40 mil dólares por dia em óleo de haxixe.

Ana Pimentel
São dois irmãos e dois amigos, e estão a gerir uma plantação de marijuana como se fosse uma startup, em Seattle, nos Estados Unidos da América. Dois anos depois de o estado de Washington ter legalizado a utilização recreativa de cannabis, Josh Chase, Alex Curry, Miles e Connor Deife despiram os fatos de executivos para fazerem aquilo que a maior parte dos empreendedores faz: arriscar num negócio incipiente. Neste, a droga, que o Governo federal norte-americano classifica de classe 1, é o produto final.

A história de Josh, Alex, Miles e Connor, que têm entre 23 e 25 anos, começa na Universidade de Santa Clara, em Silicon Valley, mas muda-se para a quinta do avô dos dois irmãos pouco tempo depois de terminarem os estudos. A engenharia informática de Alex e a análise financeira de Josh deram lugar a um campo onde só existiam vacas a pastar e é aí que querem construir um negócio de milhões de dólares – tal como qualquer empreendedor de Silicon Valley. Estarão os quatro amigos a estrear uma nova área de negócio em pleno epicentro tecnológico?


A história é contada no Mashable. Enquanto os colegas de universidade trabalham em empresas como Facebook ou Google, incubadoras tecnológicas ou sociedades de capital de risco, os quatro amigos renderam-se a um mercado que acabava de emergir. Josh já tinha trabalhado em seis ou sete startups, mas queria arriscar num negócio que lhe permitisse crescer. Encontrou-o na marijuana. A quinta tem, neste momento, cerca de 2.200 plantas em várias fases do crescimento, mas tem capacidade para mais sete mil.

Por ser considerada uma droga de classe 1, os empreendedores são obrigados a reportar diariamente a sua atividade ao Governo. A estufa, onde produzem a marijuana, demorou cerca de um ano a ser construída e os jovens puderam contar com a ajuda de agricultores locais. Mas para erguer a empresa, a Amerifarms, houve uma ajuda que foi fundamental: a da mãe de Miles e Connor.

"Eu e o Miles fomos apanhados muitas vezes pela nossa mãe a fumar marijuana", explicou Connor, o que justifica o facto de a mãe não ter ficado surpreendida quando os filhos lhe contaram que queriam fazer da planta negócio.

Foi ela quem ajudou a convencer o avô a alinhar no investimento dos netos. Para lançar a empresa, os quatro jovens precisaram de cerca de 350 mil dólares (290,4 mil euros), que pediram emprestados a amigos e familiares.

O dinheiro não era o único problema dos quatro amigos. Por ser uma startup pioneira, não existia nada escrito sobre o assunto. Durante o processo, os quatro amigos visitaram várias empresas que produzem marijuana para fins medicinais, na Califórnia, e Josh aumentou as suas competências em agronomia e liderança.

Como gerir um negócio de grande escala de marijuana? Nada como aprender com os melhores. Foi por isso que Josh dedicou parte do ano a ler sobre Steve Jobs. Outro grande aliado: o Youtube. Na Amerifarms, não existe um presidente executivo - a liderança é partilhada pelos quatro jovens.


3,6 mil quilogramas de marijuana para produzir óleo de haxixe

Em dezembro de 2014, a empresa começou a vender o "Juicy Fruit" aos comerciantes. Miles disse ao Mashable que fazem cerca de 40 mil dólares (33,2 mil euros) por dia em óleo de haxixe – utilizado em produtos medicinais – e que têm um contrato de cerca de um ano para transformar 3,6 mil quilogramas de marijuana nesse produto.

A Amerifarms tem uma licença que permite produzir e embalar marijuana, mas também produtos feitos à base da planta. É por isso que podem produzir óleo de haxixe – resina extraída das folhas e das inflorescências femininas da planta cannabis sativa. Antes de venderem a marijuana aos comerciantes, esta tem de ser testada em laboratório. Objetivo: verificar se as plantas cumprem com os requisitos legais, ou seja, se não têm mofo, bolor ou outro organismo vivo.


Tal como uma startup tecnológica, uma quinta de marijuana precisa de escalar rapidamente, explicou Michael Zaytsev, um empreendedor de Nova Iorque que trabalha para ligar o mundo tecnológico à cannabis. Nos próximos 14 meses, os jovens esperam atingir o break-even (ponto de equilíbrio, em que não há nem perdas nem lucros). Isto significa que vão ser capazes de reembolsar a dívida de 290 mil dólares (240 mil euros) que contraíram, em breve. Um dos próximos passos passa por aumentar os salários dos fundadores e começar a expandir a empresa.


De acordo com a agência independente Economic and Revenue Forecast Council, é espectável que a marijuana consiga gerar cerca de 600 milhões de dólares (498 milhões de euros) em impostos nos próximos cinco anos. Não é de estranhar que a cannabis seja uma das culturas que mais rende no estado de Washington, tendo ficado logo atrás das maçãs e do trigo.

Em Washington, existem 66 produtores e foram concedidas 266 licenças para a produção de marijuana. À espera de autorização, estão cerca de 180 candidaturas. De acordo com Condotta, do House Government Accountability and Oversight (responsável pela regularização do tabaco, bebidas alcoólicas e marijuana) – que se descreve a si próprio como conservador -, a marijuana "é uma indústria de mil milhões de dólares" e que iniciativas deste género já deviam ter surgido há cerca de dez ou quinze anos.

Transformar um produto pouco ortodoxo num negócio de milhões? Em Washington, parece que sim. O futuro do empreendedorismo também pode vir da terra. Neste caso, da "erva".

Jerónimo Martins e Sonae sobem no ranking mundial de retalhistas

Grupo proprietário dos supermercados portugueses Pingo Doce figura no top 50 das empresas que mais cresceram em 2013 em todo o mundo

Supermercados pingo Doce, da Jerónimo Martins
D. R.
12/01/2015 | 19:46 |  Dinheiro Vivo
Apesar da Crise, os grupos de distribuição portugueses Jerónimo Martins (JM), proprietário da cadeia de supermercados Pingo Doce, e Sonae, dono das marcas Continente e Modelo, subiram no ranking mundial das maiores retalhistas, elaborado pela Deloitte e a revista Stores.
No relatório Global Powers of Retailing 2015, o grupo Jerónimo Martins surge na 62.ª posição de uma lista de 250 empresas ordenadas por volume de receitas da sua atividade retalhista, estando também no top 50 das que mais cresceram em 2013.
Com um aumento das receitas de 10,7%, para 15,712 mil milhões de dólares (cerca de 13,265 mil milhões de euros), o grupo presidido por Pedro Soares dos Santos passou a ocupar a 45ª posição. Mas em relação ao ano anterior houve porém um retrocesso de 20 lugares nesta classificação, com a Jerónimo Martins a cair do 25º para o 45º lugar da lista das 50 empresas retalhistas que mais cresceram em 2013.
Além da Jerónimo Martins, só a Sonae marca a presença portuguesa no ranking das 250 maiores retalhistas do mundo, ocupando a 155.ª classificação, com receitas líquidas de 6,144 mil milhões de dólares (5,187 mil milhões de euros),10 posições acima do ano anterior, quando se situou na 165ª posição.
A lista é liderada, em termos mundiais, pelas norte-americanas Wal-Mart Stores e Costco Wholesale Corporation, com 476,294 mil milhões de dólares e 105,156 mil milhões, respetivamente. Seguiram-se o grupo francês Carrefour, o alemão Schwarz Unternehmens Treuhand e a britânica Tesco PLC.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Politica Agrícola Comum - Regras do 1º Pilar /Greening - Preocupação

COMUNICADO

Agrotejo e Agromais

Com a recente reforma da política agrícola comum, as regras do chamado 1º pilar foram substancialmente alteradas a nível europeu, dando origem a um novo regime de apoio, com início no passado dia 1 de Janeiro de 2015.

Do cumprimento dessas regras depende a planificação das culturas a instalar, das parcelas a cultivar assim como toda a planificação de gestão das explorações agrícolas.
Concretamente, desde 1 de Janeiro de 2015, os agricultores estão obrigados a cumprir um conjunto de regras ambientais, agora denominadas " Greening".

Na sequência das definições estabelecidas pela união europeia, devem os estados membros concretizar, a nível nacional, a operacionalização destas novas regras ambientais.

O estado português ainda não deu a conhecer um conjunto de regras fundamentais que os agricultores já deveriam conhecer e estar a cumprir.

A Agrotejo e a Agromais manifestam assim a preocupação generalizada que se verifica nos agricultores associados, que, não conhecendo as regras da presente campanha, podem, involuntariamente, incorrer em penalizações gravosas e de enorme impacto económico nas explorações agrícolas.

O desconhecimento das regras de aplicação da nova política agrícola comum pode dar ainda origem ao não enquadramento de muitas explorações neste novo regime, que se traduziria na perda de verbas disponibilizadas pela União europeia para os agricultores da Região e do país.

Golegã, 12 de Janeiro de 2015

Douro, Alentejo e Bairrada, os melhores vinhos de 2014

ViniPortugal premiou os melhores 280 vinhos portugueses


29/05/2014 | 23:30 |  Dinheiro Vivo
Alentejo, Dão e Porto foram eleitos os melhores do ano no Concurso Vinhos de Portugal organizado pela ViniPortugal.Tomando como referência o ano passado merecem destaque na edição de 2014 - para além das regiões do Alentejo e Douro - Bairrada, Dão e Tejo se tivermos em conta o número de Grandes Ouros e Ouros atribuídos.
Esta quinta-feira, no jantar de entrega de prémios no Palácio da Bolsa no Porto, com a presença do Secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque, foram distinguidos 280 vinhos, 22 Grandes Ouros, 45 Ouro e 213 Prata.
A categoria Melhores do Ano distinguiu Terra D'Alter Reserva, Tinto 2011 como Melhor Vinho de Lote, Rozés, Porto Tawny, 40 anos, como Melhor Vinho Fortificado, e Quinta das Marias Touriga Nacional Reserva, Tinto 2011, como o Melhor Vinho Varietal.
De acordo com a organização os 1070 vinhos em concurso demonstraram que "Portugal dispõe manifestamente de uma elevada consistência de qualidade. 75% dos vinhos alcançaram nota que lhes permitira a obtenção de uma medalha". No entanto, salienta, o regulamento estabelece um limite máximo o que não permitiu ir além das 280 medalhas.Frisam ainda, que "também pelas elevadas notas obtidas não foram atribuídas medalhas de bronze, ficando-se pelas medalhas de Prata".
Veja aqui os vinhos distinguidos
Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal, afirma que "O Concurso Vinhos de Portugal conseguiu reunir um importante painel de jurados nacionais e internacionais que em unanimidade valorizaram a consistência da qualidade dos nossos vinhos. A diversidade e a autenticidade das nossas castas são de facto únicas", referindo que a gala de entrega de prémios tem "como objectivo promover o que de melhor se faz em Portugal".
A ViniPortugal é a associação interprofissional do setor vitivinícola que tem como missão promover a imagem de Portugal, enquanto produtor de vinhos por excelência, valorizando a marca "Vinhos de Portugal".
A ViniPortugal agrupa estruturas associativas e organizações de profissionais ligadas ao comércio (ANCEVE e ACIBEV), à produção (FENAVI e FEVIPOR), às cooperativas (FENADEGAS), aos destiladores (AND), aos agricultores (CAP) e às regiões demarcadas (ANDOVI).
O seu Plano de Marketing para 2014, no montante de 7,5 Milhões de euros, atingirá 11 mercados internacionais estratégicos, onde serão implementadas mais de 100 acções de diferentes perfis.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Produtores contra "intromissão política" no vinho

Manifestação convocada pela Câmara de Melgaço está a causar polémica

09/01/2015 | 21:34 |  Dinheiro Vivo
A Avitiviver, associação de viticultores da região dos Vinhos Verdes, representativa de mais de cinco mil viticultores das principais cooperativas da região rejeitou hoje "a intromissão dos políticos" nas regras de produção e comercialização do Vinho Verde Alvarinho, que se encontram em debate na região. Em causa a manifestação de produtores promovida pela Câmara Municipal de Melgaço frente à sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, no Porto, na próxima terça-feira, dia 13, quando decorre, em Arcos de Valdevez, a última ronda negocial entre os produtores de Alvarinho em busca de um consenso.

Para a Avitiviver, o "melhor contributo" para este processo negocial "é dar-lhe tempo e espaço para que atinja um acordo justo". Razão porque assume "estranhar" que, "enquanto está em curso esta negociação, surja uma manifestação convocada por uma autarquia que financia transportes a todos (produtores e não) que queiram dispor de um dia completo no Porto".
Uma posição que é partilhada pelo presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes. "Estranho que uma manifestação seja convocada por uma empresa privada, cujo capital social é maioritariamente detido pela Câmara de Melgaço e que a autarquia subsidie o transporte e dê licença aos seus trabalhadores quando, em simultâneo os representantes dos produtores estarão a negociar nos Arcos de Valdevez", diz Manuel Pinheiro. Também a Adega de Monção assume que o protesto ocorre "fora de tempo" porque, primeiro, "que esgotar as vias negociais", sublinhou Armando Fontaínhas em declarações ao Dinheiro Vivo.

Mas a Ativiver vai mais longe nas suas críticas ao autarca de Melgaço. Em comunicado, a associação sublinha estranhar, ainda mais, a atitude de Manoel Batista atendendo às suas declarações no Parlamento dizendo que "privilegia o diálogo sobre a questão do Alvarinho". Para agora "convocar e financiar uma manifestação precisamente para obstaculizar qualquer acordo que, de livre vontade os produtores queiram estabelecer". A associação divulga, ainda, parte de um vídeo do Canal Parlamento, datado de 22 de julho, quando os autarcas de Monção e de Melgaço estiveram na comissão de Agricultura a falar da polémica do Alvarinho.
A terminar, a Avitiviver apela aos produtores e ao Ministério da Agricultura para que "não se deixem intimidar" pelo que classifica como "pouco mais que um movimento político local". Porque, garante, "os verdadeiros viticultores estão a podar e a cuidar das vinhas e não têm um dia livre para passar no Porto, mesmo que financiado à custa dos contribuintes".
O Dinheiro Vivo tentou ouvir Manoel Batista as suas declarações no Parlamento, mas o autarca de Melgaço mostrou-se indisponível. No vídeo, Manoel Batista surge a dizer que "relativamente às questões da negociação [sobre o Alvarinho] que aqui foram aventadas, queremos uma negociação. Faz sentido, é importante que haja uma conversa com a região sobre isto".

Portugal bateu recorde nas energias renováveis


     
11/01/2015 10:08:51 5595 Visitas   

Portugal bateu recorde nas energias renováveis
Portugal atingiu um valor recorde de produção de electricidade através de fontes renováveis em 2014, o que permitiu evitar a emissão de 13 milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera, revelaram hoje duas associações.

A Quercus e a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN) analisaram dados da REN - Redes Energéticas Nacionais sobre a produção de electricidade em 2014 e concluíram que "foi o ano mais renovável" e que, sem esta forma de conseguir energia eléctrica, "as emissões atingiriam 26 milhões de toneladas de CO2" (dióxido de carbono), ou seja, "o dobro do actual, [ou] cerca de 40% do total de emissões de gases de efeito de estufa" de Portugal.

"Sem electricidade renovável em Portugal e, partindo do princípio que seria possível assegurar o consumo recorrendo somente à utilização de toda a capacidade instalada das centrais a carvão e nas centrais de ciclo combinado a gás natural", as emissões atingiriam 26 milhões de toneladas de CO2, explicam as organizações, em comunicado.

O contributo das renováveis permitiu poupanças de 1.565 milhões de euros: 1.500 milhões na importação de gás natural e carvão e 65 milhões em licenças de emissão de CO2.

Por isso, a Quercus e a APREN apelam à continuação do investimento em energias amigas do ambiente e "mostram como o investimento em fontes de energia renovável é vital para a independência económica e energética do país, para além do respeito pelos compromissos climáticos internacionais".

Em 2014, a electricidade obtida a partir de fontes renováveis foi responsável por 62,7% do total energia eléctrica consumida, um aumento de 6% em relação ao ano anterior.

Em cada hora de consumo de electricidade, 38 minutos tiveram origem em centrais renováveis, dos quais 14 minutos foram produzidos pela energia eólica.

Este comportamento levou à redução do valor de electricidade importada para 1,8% do consumo, o mais baixo desde 2002, segundo as associações.

O ano passado foi mais húmido do que a média (em 27%) e favorável em termos de vento, enquanto no aproveitamento solar se verificou uma subida de 31% da capacidade instalada para a obtenção de energia fotovoltaica.

"Não podemos deixar de continuar a apostar nas energias renováveis e na eficiência energética, permitindo a recuperação da economia sem onerar o ambiente. Para tal, é preciso um investimento na sensibilização e um planeamento adequado do sector energético também em prol de uma desejável política climática exigente", defende o coordenador do grupo de energia e alterações climáticas da Quercus, Francisco Ferreira, citado no comunicado.

O presidente da APREN, António Sá da Costa, salienta que "2014 foi um ano em que Portugal beneficiou em ter apostado nos seus recursos renováveis para produzir electricidade pois, além de se terem evitado importações de combustíveis fósseis e emissões de gases com efeito de estufa, o facto de quase dois terços da electricidade consumida ser de origem renovável possibilitou estabilizar o preço deste bem".

Lusa / SOL

Exportações de vinho verde cresceram dois dígitos em volume e em valor


As exportações de vinho verde entre janeiro e outubro de 2014 cresceram em volume e em valor, 15,01% e 12,44%, respetivamente, face a igual período de 2013, segundo a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes.

ECONOMIA Exportações de vinho verde cresceram dois dígitos em volume e em valor Lusa
20:18 - 08 de Janeiro de 2015 | Por Lusa

Nos primeiros dez meses do ano passado, Portugal exportou 19,8 milhões de litros de vinho verde, contra 17,2 milhões no período homólogo do ano anterior. O valor exportado foi de 43,9 milhões de euros, mais 4,9 milhões do que entre janeiro e outubro de 2013.

"Comercialmente, 2014 foi um ano muito bom", resumiu o presidente daquela Comissão, Manuel Pinheiro.

O responsável salientou, por outro lado, que "há que plantar mais vinha, porque já não há produção suficiente" para a procura que vem de fora e que não cessa de aumentar.

"Precisamos claramente de mais vinha e de produzir mais, porque o vinho está a escoar-se todo e a produção responde à justa para as necessidades", reforçou.

Manuel Pinheiro referiu também que a "produção de vinho verde vai aumentar, mas muito lentamente".

Ao contrário do que se verifica na frente externa, que já absorve 40% da produção de vinho verde, o mercado nacional está mau", ressentindo-se da crise que o país atravessa.

Manuel Pinheiro afirmou esperar que o mercado externo absorva este ano "45%" da produção total.

A Alemanha confirmou a sua ascensão entre os principais mercados consumidores de vinhos verde. De janeiro a outubro de 2014, os alemães ocuparam o primeiro lugar, com 4,7 milhões de litros comprados, pagando dois euros por litro.

Os Estados Unidos desceram para o segundo lugar, com 4,2 milhões de litros (2,1 euros por litro).

A França, o Canadá e o Brasil são os países que se seguem na lista dos principais destinos externos de vinho verde. O Canadá sobressai por ser o que melhor paga, 2,6 euros por litro, de acordo com a CVRVV.

A Comissão informa ainda que foi exportado vinho verde para 98 países.

O vinho verde branco é mais vendido, de longe. No período referido, as exportações subiram 3,7% face ao mesmo período de 2013.

"O rosado é a grande estrela, tendo aumentado 50%", de dois para três milhões de litros salienta ainda a CVRVV.

Câmara de Melgaço promove protesto contra alargamento da produção de Alvarinho



A Câmara Municipal de Melgaço anunciou hoje uma manifestação para dia 13, no Porto, contra o alargamento da produção de vinho Alvarinho a todos os concelhos da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV).

Em comunicado de hoje, o município liderado pelo socialista Manoel Batista adiantou que o protesto vai decorrer pelas 10:00 em frente à sede da CVRVV, no Porto.
«A manifestação, liderada pelo Município de Melgaço, pretende reforçar a posição de defesa da exclusividade e de salvaguarda da qualidade deste vinho único produzido na Sub-Região de Monção e Melgaço, em oposição ao alargamento, em negociação entre as partes por imposição do Governo e com a chancela da CVRVV», lê-se na nota.
Dinheiro Digital / Lusa

Vinho verde Alvarinho de Monção e Melgaço vai ter rótulo próprio


08-01-2015 18:52 | Norte
Fonte: Agência Lusa 
Porto, 08 jan (Lusa) - Os produtores da Sub-Região de Monção e Melgaço (SRMM) vão poder usar uma rotulagem própria dos seus vinhos Alvarinho, que os distinga face aos que são produzidos na Região dos Vinhos Verdes.

O Alvarinho daquela Sub-Região poderá chegar ao mercado com a designação extra de Premium, sendo esta uma das contrapartidas que produtores locais garantiram nas negociações sobre o alargamento da denominação daquele tipo de vinho a toda a região

A informação foi hoje adiantada pelo presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), Manuel Pinheiro, num encontro com alguns jornalistas em que fez o "ponto da situação" das negociações sobre a denominação do vinho Alvarinho na região.

As negociações, que têm decorrido sob a égide da CVRVV, são entre produtores da SRMM e da restante região. Monção e Melgaço detêm o exclusivo da denominação vinho verde Alvarinho e os outros produtores reclamam o fim desse exclusivo.

É permitido plantar e produzir Alvarinho em toda a região, mas a menção da casta no rótulo ainda só é possível naqueles dois concelhos do Alto Minho. Fora daqui, o rótulo pode ter Alvarinho mas não pode ser identificado como Vinho Verde, tendo que ser identificado como Vinho Regional Minho.

Manuel Pinheiro acredita que será possível "fechar um acordo ou ficar perto" na última reunião entre as duas partes reunião que terá lugar dia 13, em Arcos de Valdevez.

"Resulta claro que pouco trabalho falta para que se consiga um acordo equilibrado que traduza ganhos para todos os envolvidos", concluiu a CVRVV.

Depois daquele dia, o Governo vai ser informado sobre "os pontos em aberto e os fechados" e estará apto a informar a União Europeia (EU) sobre a questão

Recorde-se que a UE pediu a Portugal esclarecimentos sobre o problema, por haver dúvidas sobre se o exclusivo detido pela SRMM é conforme com a legislação comunitária. A resposta portuguesa tem que ser dada até ao dia 31.

A menos de uma semana da reunião marcada para Arcos de Valdevez, a CVRVV dá como "fechado" o ponto sobre a "distinção da Sub-Região (de Monção e Melgaço) na rotulagem" do seu vinho verde Alvarinho, como forma de reforçar a sua qualidade inequívoca.

Manuel Pinheiro disse ainda haver acordo sobre a "possibilidade de lotar" Alvarinho de Monção e Melgaço com castas oriundas da restante região, como a Trajadura ou a Loureiro.

Ao contrário, está ainda em aberto a percentagem mínima de Alvarinho que um vinho de lote deve ter para poder mencionar aquela casta no rótulo respetivo. "As propostas em discussão mencionam valor4es entre 20 e 50%", refere a CVRVV.

Também "não é pacífico" se as uvas Alvarinho de Monção e de Melgaço podem ser vinificadas fora dali "ou se lá devem ser vinificadas em exclusivo".

A CVRVV refere que "algumas medidas entrarão em vigor já em 2015", sendo uma delas a que prevê a rotulagem diferenciada para Monção e Melgaço. Outras, porém, segundo a mesma entidade, terão "um período gradual de aplicação" ainda em estudo, "mas não inferior a quatro anos".

A Câmara Municipal de Melgaço anunciou na quarta-feira uma manifestação para dia 13, no Porto, contra o alargamento da produção de vinho Alvarinho a todos os concelhos da CVRVV.

AYM // MSP

Lusa/fim

52 detidos a furtar azeitona no Alentejo


TEIXEIRA CORREIA | Ontem
A GNR deteve, este sábado, 52 pessoas que estavam a furtar azeitona em Baleizão, no concelho de Beja.
 

TEIXEIRA CORREIA/JNSuspeitos foram detidos pela GNR

Na operação, foram apreendidas 22 viaturas e, apesar das autoridades ainda não terem a contagem final, terão sido recuperadas mais de quatro toneladas de azeitona.

Os detidos são 51 adultos e um menor, todos de origem romena, com residência em Espanha.

Entre quarta-feira e quinta-feira, a GNR tinha detido 20 pessoas apanhadas a furtar azeitona em Beja e Moura. 2,5 toneladas de azeitona foram recuperadas na ocasião.

Produtores de Alvarinho a um passo do acordo

Chave do sucesso está nas uvas. Monção e Melgaço exigem que não possam ser vendidas


Casta Alvarinho no seio da polémica nos Vinhos Verdes
José Mota
10/01/2015 | 00:00 |  Dinheiro Vivo
É o tudo ou nada. Os produtores de Vinho Verde sentam-se sentam-se terça-feira, dia 13, pela última vez à mesa das negociações do Alvarinho. O Governo tem, até ao fim de janeiro, de explicar a Bruxelas porque é que a lei trata de forma diferente os produtos de Alvarinho de Monção e Melgaço dos restantes e um acordo entre as partes facilitaria tudo porque permitiria mudar a legislação. A chave de sucesso da negociação parece residir na questão das uvas de Alvarinho de Monção e Melgaço, cujos produtores exigem que continuem a não poder sair da sub-região sem serem vinificadas. E ameaçam mesmo bater com a porta negocial se houver insistência em mudar isso.
De um lado e do outro da mesa de negociações estão produtores de Vinho Verde. Mas uns têm, por lei, a exclusividade da produção de Vinho Verde Alvarinho (os de Monção e Melgaço) e outros, os restantes viticultores da Região Demarcada dos Vinhos Verdes, são obrigados a rotular os seus Alvarinhos como vinho regional Minho. A mediar está a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes e o Instituto da Vinha e do Vinho que acompanha as negociações em nome do Ministério da Agricultura.
Há questões já praticamente fechadas, como a criação de um selo de garantia diferenciador para os Vinhos Verdes Alvarinho de Monção e Melgaço - que, tal como o Dinheiro Vivo avançou em novembro, passarão a ostentar nos rótulos a designação Premium -, e de um plano de apoio à competitividade das empresas desta sub-região ( falta estabelecer o montante do pacote financeiro ), mas o tema das uvas e o prazo de aplicação das novas regras são questões delicadas em cima da mesa.
O presidente da Adega de Monção, reconhece que a intenção de manter as uvas Alvarinho na sub-região de Monção e Melgaço está a ser um entrave ao acordo, mas garante que "é inegociável". Armando Fontaínhas explica que tem havido "cedêcias de parte a parte" e que este é o único ponto negocial que "recebeu um não completo". E se os restantes produtores insistirem em mexer neste ponto, a Adega de Monção abandona as negociações. "Já abdicamos de muita coisa, não abdico dos meus princípios neste tema. Não estamos a negociar a saída de uvas da sub-região para que depois quem as compre faça Alvarinhos como sendo seus", diz o responsável por aquela que intitula como "a maior adega cooperativa da Região dos Vinhos Verdes", com dois mil sócios, uma produção anual de 5,5 milhões de garrafas e um volume de negócios superior a 12,5 milhões de euros.
A APA - Associação de Produtores de Alvarinho de Monção e Melgaço partilha do ponto de vista, mas mostra abertura para ir mais longe. Miguel Queimado assegura que, se houver acordo nos restantes pontos, designadamente no que se prende com "a introdução de regras mais apertadas para os vinhos regional Minho e fazendo a alteração do paradigma do Alvarinho de modo regulado e faseado", também o tema das uvas poderá ser ultrapassado. Desde que seja garantido "um prazo substancialmente alargado" para a mudança, sublinha.
Do outro lado, António Guedes, da Aveleda, diz apenas que "tudo o que seja um prazo temporal demasiado longo fará com que toda esta negociação perca interesse". No entanto, admite que o ambiente negocial "tem sido bom" e mostra-se convicto que será possível chegar a bom porto "se os pequenos pormenores que faltam forem trabalhados".
Também Manuel Pinheiro, presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) se mostra confiante numa solução negociada. Atendendo à aproximação das partes nos últimos meses, a Comissão irá apelar ao Governo para que avance com a alteração legislativa sobre o Alvarinho. Até porque, diz Manuel Pinheiro, "o Governo não pode ignorar que Bruxelas considera a lei atual incompatível com a legislação comunitária".

Cowspiracy: É preciso ser radical?


10/1/2015, 18:22117 PARTILHAS

O documentário promove o veganismo enquanto expõe os problemas ambientais causados pela alimentação à base de animais. Mas há quem defenda que não é preciso ser tão radical, o que é preciso é mudar.


O documentário estreou este sábado Lisboa

"Cowspiracy", um documentário centrado nos problemas ecológicos causados pela produção animal, estreou este sábado em Lisboa, no Saldanha Residence. O filme que tem feito com que muitas pessoas mudem os hábitos alimentares, incluindo os do apresentador João Manzarra, encontrou uma sala maioritariamente composta por vegetarianos e veganos, muito deles já sensibilizados para as questões ambientais abordadas ou com uma perspetiva mais centrada no bem-estar animal como a associação Animal, promotora do evento. Para chegar a mais pessoas, incluindo os "carnívoros" que não estavam presentes, os realizadores esperam que o documentário chegue aos canais de televisão.

João Manzarra, vegano há cerca de dois meses, foi convidado para apresentar o documentário e moderar o debate. Mudou os hábitos alimentares e abdicou do restaurante de sushi do qual era sócio depois de ter visto o filme quando viaja de Amesterdão para Lisboa. "Já sei o que estão a pensar: a erva era boa!", diz no tom humorístico que o caracteriza. Aliás, faz questão de frisar que é o mesmo Manzarra de sempre – "não sou ambientalista, nem nutricionista", "não sou uma pessoa muito espiritual, sou mais prático".

Tal como o apresentador, outras pessoas se sentiram tentadas a mudar os hábitos alimentares depois de verem o documentário que aponta a produção animal como a atividade humana com maior impacto no planeta, seja pela produção de gases com efeito de estufa, pela destruição das florestas para pastagens ou para produzir alimento para os animais, ou pela poluição da água e dos solos. Muitas das pessoas presentes vieram à procura de mais informação. Mas o canadiano Stephen Leahy, jornalista de ambiente, disse ao Observador que considera que o filme perde na parte em que tenta convencer as pessoas que a única solução para o planeta é se todos se tornarem veganos.

O jornalista critica ainda a acusação que o realizadores do documentário, Kip Andersen e Keegan Kuhn, fazem às organizações ambientalistas. Estas organizações são acusadas, no documentário, de não assumirem que o consumo de animais tem um enorme impacto no planeta e de não quererem falar do assunto. Durante o debate Keegan Kuhn referiu mesmo que os maiores fundos recebidos pela Greenpeace provêm dos maiores exploradores de gado nos Estados Unidos.

MORRINSVILLE, NEW ZEALAND - APRIL 18:  A herd of cows are seen through the lush green grass at a dairy farm on April 18, 2012 in Morrinsville, New Zealand. Raw milk sales are growing as more people are educating themselves on what they believe healthy food is. (Photo by Sandra Mu/Getty Images)
"O gado produz 130 vezes mais excrementos do que a população humana", Nuno Sequeira, presidente da Quercus – Sandra Mu/Getty Images

Ao Observador, a Greenpeace respondeu que "encorajava iniciativas como o 'Cowspiracy' que expõe o lado destruidor da indústria agropecuária intensiva e os efeitos negativos no nosso planeta". Cientes de que a desflorestação na Amazónia ocorre também para a plantação de soja que servirá de alimento aos animais, a Greenpeace conseguiu em 2006, o McDonald's e outras empresas de fast food, mas não o Kentucky Fried Chicken (KFC), aceitassem deixar de vender galinha que tivesse sido alimentada pela soja plantada em terrenos de floresta amazónica.

A World Wide Fund for Nature (WWF) – que não foi entrevistada no âmbito do documentário – tem como objetivo de trabalho ter 10% da carne de vaca consumida no mundo certificada como sustentável até 2020. Ângela Morgado, responsável pelo Programa Mediterrânico da WWF em Portugal explica ao Observador que o objetivo da associação é envolver todas as partes – desde o produtor ao consumidor, passando pela distribuição, transformação, transporte e Estado – para se chegar a uma solução sustentável tendo em conta os aspetos ambientais, sociais e económicos. "Não dizemos que ninguém pode comer ou produzir carne, mas dizemos que tem de o fazer de uma forma sustentável." Em Portugal o principal foco da organização são a produção de madeira e papel e as pescas.

A sobrepesca e a quantidade de animais que são apanhados involuntariamente nas redes são outro dos problemas abordados por Kip Andersen e Keegan Kuhn. Na Oceana, associação ligada à conservação dos oceanos, ambientes e espécies marinhas, não encontraram as respostas que procuravam. Ao Observador, a Oceana respondeu que não tinha ninguém neste momento que pudesse comentar o filme.

O documentário defende que ao ritmo a que se pesca, ao ritmo a que se destroem florestas para plantar soja ou produzir óleo de palma e ao ritmo a que aumentam o número de cabeças de gado para alimentar a população humana o planeta não resistirá. "Cada cidadão na Europa vive como se tivesse quatro planetas à disposição. Em termos mundiais, como se tivéssemos um planeta e meio", refere Ângela Morgado. Mas há quem defenda que as vacas poderão ter um papel importante no sequestro de carbono, na fertilizar os solos e combate à desertificação e no desempenho das funções que outrora couberam aos animais selvagens, que pastavam nas áreas agora ocupadas pela agropecuária.

Fishermen collect bonitos as they sail on the Black Sea, near Zonguldak, on September 1, 2013, during the start of the fishing season. Horse mackerel and bonito are caught in nets during the beginning of the fishing season. AFP PHOTO/GURCAN OZTURK        (Photo credit should read GURCAN OZTURK/AFP/Getty Images)
"Se os oceanos morrerem, nós também morremos", Chad Nelsen, Surfrinder Foundation (documentário) – GURCAN OZTURK/AFP/Getty Images

Nuno Sequeira, presidente da associação ambientalista portuguesa Quercus, confirma que "existem muitos bons casos de compatibilização do ambiente com a atividade agrícola, porque Portugal tem um longo historial de agricultura tradicional". Em projetos realizados em conjunto com os agricultores, a associação ajuda-os a angariar fundos para uma agricultura tradicional ao mesmo tempo que promove a conservação da natureza. Numa zona de produção extensiva de de gado bovino em Elvas colocaram uma estrutura para a nidificação do peneireiro-das-torres. "As aves estepárias [que vivem em zonas de pastagem de gramíneas] são dependentes de um tipo de ambiente que não seria possível manter no mediterrâneo sem a intervenção humana."

O ambientalista acrescenta que "quando feita de uma forma tradicional pode ser importante para a preservação da biodiversidade" e dá o exemplo da gralha-de-bico-vermelho. Esta espécie prefere as zonas de clareira na Serra de Aire e Candeeiros. Estas zonas de clareira eram abertas tradicionalmente pelos rebanhos, por isso a Quercus arranjou, para o projeto, um rebanho de cabras criadas de forma tradicional que além de abrirem clareiras para as gralhas, ajudavam a controlar o crescimento dos matos e consequentemente a prevenir incêndios.

A associação considera que acabar com a produção animal é inviável, mas defende que é importante que as pessoas reduzam o consumo de carne. "Não é preciso ser radical, mas se forem alterando os hábitos alimentares gradualmente estão a fazer mais pela saúde pessoal e pelo ambiente." A saúde era o mote para a alimentação vegetariana que Célia Bastos, mãe de João Manzarra presente no debate, começou a praticar há 40 anos. E a espiritualidade também. Ao longo do tempo viu juntar-se aos princípios do vegetarianismo o bem-estar animal e mais recentemente o impacto no ambiente. Durante a intervenção mostrou-se satisfeita pela escolha do filho, mas também pela quantidade de caras jovens que a acompanhavam na audiência. "No meu tempo, eu era uma jovem, mas o resto estava tudo na casa dos 50 anos."

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"Se todos comermos menos carne e menos peixe, estaremos a fazer melhor", diz Pedro Costa, do Geota.

João Manzarra diz que se sente como se estivesse em plena faixa de Vegano (numa ligação ao que se passa na faixa de Gaza) – "é uma guerra", uns adoram-no, outros odeiam-no -, mas no geral sente-se bem com a opção que tomou e muito mais honesto consigo e com os outros. Entre a audiência estão duas amigas veganas que trazem uma amiga "carnívora" para ver se a convencem a mudar de alimentação, mas acima de tudo as três procuram mais informação.

Tânia Simões é "vegetariana a caminho do vegano" – uma descrição escutada entre outros presentes – e explica que ainda tem de mudar a forma como compra os produtos de higiene e limpeza ou a roupa. Lucia Antunes já se preocupa com o tema a algum tempo e além da alimentação que já mudou – é vegetariana – quer ter uma atitude mais ativa, fazer mais coisas.

Kip Andersen também começou por mudar alguns comportamentos. Seguia os conselhos do ex-vice-presidente norte-americano Al Gore e reduzia o tempo no duche, separava o lixo e optava pela bicicleta em vez do carro. Até que descobriu que a produção animal era uma das grandes responsáveis pela emissão de gases com efeito de estufa – 14,5% das emissões causadas por atividades humanas, segundo o último relatório da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Os números e percentagens expostos são uma das formas de impressionar quem vê o documentário a julgar pelas reações obtidas, mas Stephen Leahy alerta que o relatório de Robert Goodland and Jeff Anhang, citado no filme, em que se afirma que a produção animal emite acima de 50% dos gases com efeito estufa, não foi revisto por outros cientistas e não reúne consenso na comunidade científica.

Kip Andersen lamenta que Al Gore nunca tenha feito referência ao problema da produção animal no documentário "Uma verdade inconveniente". Mas durante o debate afirmou saber que o político se afirmou vegano, mas sem atribuir essa decisão a questões ambientais. O realizador especula que pode ser porque parte da família de Al Gore tem ligações com a indústria agroalimentar.

Quebra na produção do azeite potencia o furto de azeitona e a exploração de pessoas

Carlos Dias 10/01/2015 - 12:27 

GNR de Beja recuperou 14 toneladas de azeitona e identificou 39 indivíduos suspeitos, mas só quatro foram detidos porque os proprietários dos olivais furtados não quiseram apresentar queixa.
 

Ao longo das últimas semanas e à medida que a campanha de apanha de azeitona decresce de intensidade, brigadas da GNR envolvidas na operação "Operação Azeitona Segura" apreenderam 14 toneladas de azeitona furtada, adiantou ao PÚBLICO o tenente-coronel Joaquim Figueiredo comandante do Comando Territorial de Beja. A redução da época da colheita frustrou as expectativas dos engajadores de mão-de-obra, que agora vêem no furto e na exploração dos trabalhadores uma forma de compensação financeira.

 O militar da GNR adiantou que no decorrer da operação, foram identificados 39 indivíduos suspeitos mas só quatro é que foram detidos porque os proprietários das explorações onde ocorreram os furtos "não quiseram apresentar queixa". Um dos empresários vítima de furto, de nacionalidade espanhola, justificou a sua recusa em apresentar queixa com a carga burocrática que as autoridades portuguesas impõem a quem recorre para a Justiça.

Numa das suas intervenções mais recentes, uma brigada da GNR deteve 15 suspeitos que transportavam em quatro viaturas 2500 quilos de azeitona furtada na zona de Baleizão, concelho de Beja. Na sua maioria eram homens, com idades entre os 14 e 38 anos, mas também havia crianças e eram todos cidadãos romenos que se faziam transportar em veículos de matrícula espanhola.

A azeitona furtada, com maior incidência nos concelhos de Serpa e Moura, é depois vendida em Espanha a "receptadores que se concentram na localidade de Rosal de la Frontera", junto à fronteira com Portugal, afirmou o empresário agrícola António Barradas.

"Este ano, os furtos notam-se mais porque o trabalho (apanha de azeitona) acabou mais cedo" e os cidadãos romenos que são engajados por indivíduos da mesma nacionalidade não conseguiram ganhar o dinheiro que esperavam, adianta o proprietário agrícola.  

O impacte desta actividade à margem da lei reflecte-se também "nos danos provocados nas oliveiras", assinala o comandante da GNR de Beja, frisando que há casos em que as árvores são sujeitas a processos de varejamento que danificam a ramada e podem afectar a produção no próximo ano.

O deputado do PSD, Mário Simões, já analisou com Joaquim Figueiredo o problema dos roubos da azeitona, realçando o "elevado número de participações" e as consequências dos furtos na economia das explorações e o grupo parlamentar do PCP endereçou ao Ministério da Administração Interna um pedido de esclarecimento sobre as acções que pensa tomar para travar a "ocorrência de roubos de azeitona".

Os comunistas precisam que os olivicultores "dão conta dos roubos da azeitona quando iniciam o seu dia de trabalho", admitindo que estas acções possam ocorrer durante a noite, o que vem "agravar a situação de rentabilidade das explorações" num ano já de si difícil por causa da doença que afectou a produção.

Para além do prejuízo económico, os furtos têm associado um outro problema: a maior parte da azeitona é recolhida do chão, expediente que vai afectar, inevitavelmente a qualidade do azeite que "vai ser péssima", antecipa António Barradas. Desta forma, o mercado paralelo da produção olivícola assume maior dimensão. Acresce para este facto a elevada quebra (quase 60%) da produção na região espanhola de Andaluzia, onde é produzido quase metade do azeite a nível mundial, como descreve a Oil World, organismo internacional que fornece informações sobre óleos, produtos oleaginosos e gorduras.

Tal como em Portugal as razões desta quebra são imputadas ao clima: as baixas temperaturas e excessivas chuvas estivais em 2014 conduziram a uma infestação anormal de moscas que afectaram a quantidade e a qualidade do azeite.  

No último Outono, João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores Portugueses, já advertia que a produção estava a ser afectada pela praga da mosca da azeitona, admitindo que o "ano não seria bom para a produção de azeite".

Estes condicionalismos reflectiram-se no encurtamento da campanhas de recolha de azeitona e, consequentemente, na menor necessidade de mão-de-obra. Como os engajadores romenos não tiveram o retorno financeiro esperado, "forçam agora os que engajaram a envolverem-se no furto de azeitona para compensar os ganhos", prolongando um problema social que começou com o tráfico de pessoas na Roménia para trabalhar no Alentejo, alerta António Barradas.

O comandante da GNR de Beja acrescenta ainda a exploração desumana de pessoas, que "até crianças envolve", garantindo que a intervenção das forças sob o seu comando vai prosseguir.