terça-feira, 8 de setembro de 2015

Portucel inaugura hoje no centro de Moçambique o maior viveiro de plantas de África


LUSA8 de Setembro de 2015, às 06:12

A Portucel inaugura hoje em Moçambique o maior viveiro de plantas em África, com capacidade de produção de 12 milhões de árvores por ano, para abastecer o seu megaprojeto florestal nas províncias da Zambézia e de Manica.

Além da administração do grupo Portucel-Soporcel, a cerimónia de inauguração contará com a presença do Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que em julho, no âmbito da sua visita de Estado a Portugal, conheceu o complexo industrial da empresa em Setúbal.

A Portucel prevê que a capacidade do viveiro a ser hoje inaugurado possa ser duplicada até 2016.

O projeto florestal, à base de eucaliptos, desenvolve-se ao longo de 350 mil hectares no centro de Moçambique e prevê a construção, em 2023, de uma fábrica para o processamento de pasta de papel, num investimento em 2,3 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros), um dos maiores fora da indústria extrativa no país, prevendo-se a criação de sete mil postos de trabalho.

Ao longo da área de desenvolvimento florestal, a empresa adotou um conceito mosaico, em que convivem no mesmo território a área florestal industrial e a nativa, a atividade agrícola das comunidades, habitações e zonas de proteção ambiental.

A Portucel Moçambique tem como parceiro institucional o International Finance Corporation (IFC), membro do Banco Mundial, que detém 20% do projeto e presta consultoria para as relações com as comunidades locais.

HB // VC

Lusa/fim

Syngenta é parceira em projetos de melhoria tecnológica do milho

 

A Syngenta participou nos dias de campo SaniMilho e Mais Milho, a 1 e 3 de Setembro, no Ribatejo, onde apresentou novas variedades de milho tolerantes à cefalosporiose e um programa de controlo das infestantes, baseado no herbicida Lumax.


No momento em que se aproxima a data de colheita do milho é tempo de aferir os resultados no terreno, onde a Syngenta dispõe de uma vasta rede de campos de ensaio com soluções integradas para a cultura. Na passada semana a Syngenta recebeu várias dezenas de agricultores, técnicos e entidades oficiais na Estação Estação Experimental António Teixeira, em Coruche, onde decorre o projeto SaniMilho, e na Golegã, onde apresentou soluções que previnem os ataques de cefalosporiose, doença também conhecida como murchidão tardia do milho.


No campo de ensaios do projeto Mais Milho a Syngenta testou quatro variedades tolerantes à cefalosporiose: SY Sincero, SY Hydro, SY Brabus e SF6033, as duas últimas em ensaio pela primeira vez em Portugal. O SY Sincero (FAO 500), um milho híbrido para grão e silagem, comprovou pelo segundo ano consecutivo neste ensaio a sua boa tolerância à murchidão tardia do milho. «Quando comparadas com a testemunha (variedade suscetível à doença) as plantas do SY Sincero apresentam-se completamente verdes e com boas maçarocas», afirma Gilberto Lopes, field expert da Syngenta.


O SY Hydro tem apresentado uma boa performance também nos campos dos agricultores. «Tenho feito Hydro, Miami e Sincero e noto que o Hydro é bastante tolerante à cefalosporiose, apresenta muito boa sanidade até final do ciclo, mantém o vigor e a cor verde e além disso tem um bom comportamento em situações de stress hídrico», garante José Carlos Luz, que produz 160 hectares de milho no concelho da Golegã.


O SY Brabus (FAO 600), que apresenta um grão vítreo, é uma variedade bastante tolerante a fungos, nomeadamente fusarium e cefalosporiose, e poderá vir a ser mais uma ferramenta à disposição dos agricultores na próxima campanha. O SF6033 (FAO 500) demonstrou um comportamento interessante na tolerância aos fungos.

Minha querida agricultura


08.09.2015 às 8h150



António Duarte António tem 25 hectares de olival e um lagar de azeite que já está na família há mais de 100 anos
António quis fugir da vida na terra que os pais e os irmãos levavam. Estudou engenharia, trabalhou como programador e aos 50 anos voltou à agricultura. Emociona-se no fim da conversa, ele que faz parte dos 6,5% de população agrícola familiar em Portugal, proporção que em 1989 era de 19,8%. Este é o sexto artigo da série "30 Retratos" que o Expresso está a publicar diariamente. São 30 temas, 30 números e 30 histórias que ilustram o que Portugal é hoje em vésperas de eleições
Raquel Albuquerque
RAQUEL ALBUQUERQUE
Casais de Cabaça foi onde tudo começou. Foi lá que nasceu, numa pequena aldeia a 20 quilómetros de Santarém. O pai era agricultor e tinha nas suas mãos o lagar que já vinha do seu bisavô, conhecido como o Zé Cabaça. Já são 120 anos desde que o lagar de azeite chegou à família – e esteve sempre a funcionar até 1991. António cresceu a tratar dos animais, do olival do pai e de tudo o que ele o pusesse a fazer na terra. Desde pequenos que ele e os dois irmãos, ambos mais velhos, sempre foram incumbidos de várias tarefas na agricultura.

António começou por fazer a escola primária no Verdelho, a 1,5 quilómetros de casa. Depois foi para o liceu em Santarém, mas mesmo assim, ao fim de semana, o pai encarregava-o das tarefas na terra. "Aquilo já me custava mais porque ia tratar dos animais, ficava a cheirar mal e nessa altura já tinha contacto com as pessoas da cidade. Eu vinha de um meio camponês e sentia nas pessoas uma certa repulsa, tinha um certo complexo na integração", conta António Duarte António, 62 anos, proprietário de 25 hectares de olival e um lagar de azeite em Verdelho, Santarém.

Do liceu em Santarém, António passou para a faculdade em Lisboa e a vida começa a mudar, em vários sentidos. "Nessa altura, deixo o cabelo vir até debaixo da orelha. Foi lá para 1969, quando se começou a sentir no país uma certa abertura com a entrada de Marcello Caetano. Havia uma livraria onde costumava ir e que tinha lá catálogos de livros. Eu pedia para vê-los e queria tudo o que estivesse fora do mercado, ou seja, censurado. Trazia-os todos para casa – sobre educação sexual, deportação em campos de concentração, além de tudo o que fosse de Marx, Hegel ou Estaline."

Só que nem os pais nem os irmãos partilhavam os mesmos interesses. "Um dia, o meu irmão encontrou entre os meus livros o 'Manifesto do Partido Comunista'. Pegou nele e pô-lo na mesa do meu pai. A partir dessa altura, vir para aqui começa a ser uma tortura para mim." António lembra que nunca fez parte de nenhum partido durante toda a sua vida, mas as suas ideias e as questões que colocava foram-no afastando aos poucos do pai e dos irmãos, à medida que o seu dia a dia tinha cada vez menos em comum com o dos irmãos, que continuaram a trabalhar na terra com o pai.

Até cerca de 1975, o pai tinha como principal atividade a agricultura, mas também tinha a transformação de azeite e de outros produtos. "Tinha aqui uma unidade e fazia muito dinheiro. Isto funcionava bem e eu tentava dizer-lhe que dava para ter aqui uma situação de empresa, que ele devia dar um ordenado aos meus irmãos."


Em 1973, a população agrícola representava 28% da população ativa em Portugal. Mas foi também nessa fase que sofreu um decréscimo. "Os fluxos migratórios para os centros urbanos e a emigração para a Europa, na década de e 60 e princípios dos anos 70, foram responsáveis pela saída da agricultura de uma parte muito significativa da sua população ativa", escreve Francisco Avillez em "A Agricultura Portuguesa", ensaio publicado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Entre 1963 e 1973, a população agrícola teve um decréscimo de cerca de 400 mil ativos e assistiu-se à saída dos campos dos agricultores "potencialmente mais aptos", o que dificultou uma resposta à crescente procura interna de bens alimentares, segundo o autor.

Atualmente, de acordo com as estatísticas agrícolas do Instituto Nacional de Estatística (INE), a população agrícola familiar corresponde a 6,5% da população residente, ou seja, 674,6 mil pessoas – uma quebra de 15% em relação a 2009. Dentro dessa proporção estão os produtores, os cônjuges e restantes membros da família, pelo que o número desce para 565,8 mil pessoas quando olhamos apenas para os que trabalham na exploração agrícola (83,9% do total). E, mesmo assim, 13,8% trabalham a tempo completo.

Algumas das oliveiras junto ao lagar no Verdelho, em Santarém, já têm mais de 200 anos
Algumas das oliveiras junto ao lagar no Verdelho, em Santarém, já têm mais de 200 anos
O QUE OS NÚMEROS DIZEM
João Machado, presidente da Confederação de Agricultores de Portugal (CAP), sublinha precisamente essa diferença nos números. "Há uma grande parte que é agricultura de subsistência, são pessoas que têm uma horta, para complementar a reforma", afirma. Para avaliar de forma "mais correta" o que é a produção agrícola há que olhar para os que trabalham a tempo inteiro nas explorações. "É um número completamente diferente. Nele vê-se o crescimento da população superior e o decréscimo do ensino básico."

Os números do INE mostram que os produtores agrícolas singulares em Portugal são sobretudo homens (68,3%), com 64 anos, em média, sendo que mais de 52% têm pelo menos 65 anos. Sete em cada dez só têm o ensino básico e apenas 5,5% têm habilitações ao nível do ensino superior.

Na opinião de João Machado, os dados de 2015 estarão "melhores ainda", sobretudo devido ao aumento de jovens agricultores. "Há transferência de outros setores: arquitetos, advogados ou engenheiros que não encontram emprego e que tinham um terreno." E mesmo sem formação na agricultura, "têm um impacto positivo" na agricultura porque trazem conhecimentos de outras áreas – como o design ou a nutrição. "É uma ajuda para desenvolver a agricultura."

Só que há vários cuidados a ter quando um dia alguém decide dedicar-se à agricultura e um deles é não começar a produzir sem saber a quem vão vender. "Em primeiro lugar, é preciso identificar as potencialidades no terreno com apoio técnico. Em segundo lugar, é preciso fazer um estudo de mercado e saber quais têm maior probabilidade de vender. Em último lugar, toma-se a decisão sobre o investimento."

Mas além da estrutura envelhecida da população agrícola, há outro problema, na visão de João Machado: os terrenos agrícolas são geralmente pequenos e pulverizados. "A dimensão média tem menos de cinco hectares, pulverizada em 10 ou 15 blocos. Do ponto de vista económico, não são viáveis e é autoconsumo", afirma, defendendo a necessidade de um emparcelamento das terras, o que significa uma reestruturação. "Vai acontecer mas é lenta. É de idades, de mentalidades, de educação e de dimensão das propriedades. Leva gerações."

A SAÍDA E O REGRESSO
O pai de António manteve o lagar ativo até 1991, quando abandonou a atividade agrícola e, pela primeira vez, o lagar parou. António tinha ido estudar Engenharia Eletrotécnica para o Instituto Superior Técnico, em Lisboa, e quando acabou o curso começou a dar aulas. Por vezes, tentou ir ajudar ao fim de semana, mas desistiu. "Pensei para mim 'agora tens uma carreira profissional, as duas coisas são incompatíveis'.".

Até aos 50 anos, António trabalhou em Lisboa como analista, programador, passou pelos TLP (Telefones de Lisboa e Porto) e pela Petrogal, entre outros sítios. Em 2001, o pai morre e no ano seguinte são feitas as partilhas com os seus dois irmãos – já tinha passado algum tempo desde a sua juventude e do corte com a vida agrícola do pai e dos irmãos. António quis recuperar o lagar, comprou-o aos irmãos e conseguiu pô-lo a trabalhar novamente.

"A minha vida recomeça de uma forma diferente", lembra António, que deixou o trabalho que tinha e que regressou ao sítio e ao dia a dia do qual tinha fugido em jovem. Hoje tem 25 hectares de olival – terrenos separados que herdou do pai; e tem o lagar, que funciona 24 horas por dia nos três meses de campanha, entre setembro e novembro. Ali António recebe as azeitonas de pequenos produtos – são entre 250 a 300 – e transforma-as em azeite, cobrando uma fee por cada quilo. O seu objetivo é avançar para uma fase em que consiga ajudar os pequenos produtores a comercializarem o seu azeite.

António manteve em funcionamento o moinho antigo e gostava de conseguir organizar visitas de estudo para as escolas, de maneira a mostrar como é que tradicionalmente se fazia o azeite. "Quando comecei este projeto, sabia que havia muitas dificuldades. O lagar estava parado há mais de 10 anos. Tive de fazer um pedido de localização, um licenciamento da obra, um licenciamento industrial, tratar das águas residuais, etc. Levou dois anos até ter esse processo completo.".

"Gostava de vir a ter aqui um espaço para apresentações, fotografias antigas e mostrar como isto funciona. Mas são pequenos passinhos. É tudo muito bonito mas é muito complicado e hoje sinto que posso ter de fechar."

Apesar das dificuldades que sente e dos muitos obstáculos com os quais se tem cruzado, António diz nunca ter estado arrependido. "Muitas vezes, a paixão é cega face aos números e eu sabia que ia para um projeto com uma rentabilidade reduzida. Mas quando se está com paixão, é preciso levar muita pancada até se sentir arrependido."

Só há uma coisa que continua a emocioná-lo. "Isto era a vida do meu pai. Ele não imaginava que eu faria um esforço para ficar aqui. E eu nunca lhe disse que queria ficar com isto."

Ladrões de cortiça na mira da GNR



03-09-2015 14:00 por Rosário Silva 

Proprietários e produtores da região de Santiago do Cacém estão preocupados com o aumento dos furtos de cortiça. No terreno está um projecto de policiamento e prevenção deste tipo de ilícito, denominado "Cortiça Segura".

"Se não houver segurança, depois de nove anos à espera do fruto e ele ser furtado então a situação é muito complicada para o proprietário". O desabafo é de Jaime Guimas, produtor e um dos responsáveis da Associação de Produtores Florestais do Alto Alentejo (ASFOALA), com sede em Santiago do Cacém. 

O roubo de cortiça é um crime que tem vindo a aumentar numa região onde esta actividade económica assume cada vez maior relevância. 

Os criminosos já não roubam apenas as pilhas, mas até da própria árvore: "Vão de noite e fazem elas próprias a tiragem, danificando este recurso florestal" queixa-se à Renascença, o produtor. 

Com o aperfeiçoamento das novas tecnologias, acrescenta Jaime Guimas, " é fácil para os ladrões controlarem o que quiserem". A esta realidade junta-se uma outra. "Os montes têm cada vez menos pessoas" lamenta o responsável da ASFOALA, associação que tem cerca de 1.500 membros repartidos pelos concelhos de Grândola, Santiago do Cacém, Alcácer do Sal (distrito de Setúbal), Ferreira do Alentejo, Odemira e Ourique (distrito de Beja). 

Para combater este tipo de ilícito, a Guarda Nacional Republicana (GNR) lançou, como experiência, o "Cortiça Segura "um projecto de policiamento e prevenção dos furtos de cortiça, nesta fase, na zona de Santiago do Cacém. 

Pretende-se, em primeiro lugar, "uma intensificação do patrulhamento e investigação criminal", explicou à Renascença o tenente Luís Maciel. Depois, promover "uma acção informativa, de sensibilização e esclarecimento, para os proprietários e produtores de cortiça para lhes passar algumas informações de medidas de segurança passivas e activas para que os mesmos possam ter nas suas propriedades". 

Conselhos aos produtores
Entre os conselhos a ter em conta, as autoridades pedem que se tenha em "atenção o recrutamento de trabalhadores contratados para fazer este tipo de serviço". 

O tenente Luís Maciel pede muita atenção em situações estranhas, como por exemplo " luzes ou viaturas que vejam a circular nas proximidades ou nas suas propriedades". Sempre que possível os proprietários devem  fazer passagens frequentes pelas suas propriedades e alterar hábitos, porque "a rotina é um grande 'handicap' que temos para a prevenção deste tipo de ilícitos". 

No caso de a cortiça já ter sido extraída, a GNR aconselha a que seja acondicionada em locais fechados ou, se não for possível, colocá-la em lugares visíveis ou zonas habitadas.

Até ao final de Agosto, na área do destacamento territorial de Santiago do Cacém, a GNR contabilizou 28 queixas por furto. Comparativamente ao ano anterior há um maior número de ocorrências. 

Com o "Cortiça Segura", a GNR espera conseguir diminuir o número de furtos e, ao mesmo tempo, alertar os proprietários e produtores para a necessidade de formalizarem a acusação pois "muitas vezes não é feita queixa e, por isso, as autoridades ficam impedidas de realizar o seu trabalho de investigação".

ANIL News (08 Setembro)

Cooperativismo: acordo hispano-português para criar Central de Compras



 04 Setembro 2015, sexta-feira  Agronegócio

As cooperativas espanholas Delagro (das Astúrias, Cantábria e Galiza) e a Ucanorte (Douro, Minho e Trás-os-Montes) vão criar uma Central de Compras que irá ampliar a área de influência e o volume de compras de ambas entidades.
Tanto a Delagro como a Ucanorte caracterizam-se por ser uma das maiores uniões de cooperativas das suas regiões: a Delagro agrupa 64 cooperaticas nas Astúrias, Cantábria e Galiza, e a Ucanorte conta com 50, nas regiões do Douro, Minho e Trás-Os-Montes, no norte de Portugal.
A Central tirará partido das sinergias provenientes do volume de compras e as grandes dimensões dos armazéns industriais e associativos das sociedades, "procurando a definição de produtos e serviços cuja relação de qualidade, serviço e preço seja a mais justa para os agricultores, bem como para o conjunto da população do meio rural". 
A Delagro e a Ucanorte desenvolvem a sua atividade em diversas áreas relacionadas com a produção agrária, desde a fabricação e distribuição de consumíveis para a agricultura e pecuária, até aos sistemas informáticos de gestão de processos de trabalho.
Segundo os responsáveis das entidades, a criação de "plataformas europeias de grande dimensão", como a resultante do acordo intercooperativo entre Delagro e Ucanorte, permitirá a utilização de recursos e sinergias para reduzir os custos de produção dos associados a cooperativas.
A iniciativa foi formalizada depois de mais um ano de relações de cooperação e cordialidade, promovidas pela Associação Galega de Cooperativas Agroalimentares (AGACA), firme defensora da cooperação interterritorial e de aproveitamento de sinergias.
Ler aqui.

Carta sobre a aprovação de OGM’s


Setembro 04
12:32
2015

Várias organizações agrícolas e científicas da União Europeia (UE) enviaram uma carta aos Ministros da Agricultura dos Estados Membros, ao Comité do Ambiente do Parlamento Europeu  e, também, ao Comité Agrícola (Comagri), manifestando a sua grande preocupação das novas regras comunitárias para a aprovação dos OGM's.

A mensagem fundamental é que os agricultores devem ser livres para escolher qual tipo de sementes que querem utilizar, quer convencionais, ou OGM's, em função do que seja mais bem adaptado às condições de cultura.

Outro ponto importante prende-se com a proposta da Comissão para a autorização do uso de grãos OGM's para a alimentação animal, que quer dar poderes de decisão aos Estados Membros.

Esta proposta é altamente contestada, pois, a ser posta em prática, vai provocar graves distorções de mercado, sendo que privar os produtores de escolherem a melhor opção é ser muito negativo para o sector pecuário.

Relembraram que a UE é altamente dependente em proteína vegetal e que a proibição de comercialização OGM pode levar a uma ruptura de abastecimento, com consequências imprevisíveis para a produção animal.

Assim propõem:

1 – Rejeitar a proposta que dá poderes aos Estados Membros para decidir por si a utilização ou não de OGM's;

2 – Urgente regulamentação da aprovação, por parte da Comissão, de novos OGM's, de modo a dar a possibilidade de escolha e acesso ao mercado de todas as possibilidades a nível mundial aos produtores europeus;

3 – Desenvolver uma política pragmática e realista a nível europeu, para ajudar os agricultores e cientistas a usarem as melhores tecnologias e no interesse do correcto abastecimento do mercado, nenhuma tecnologia devia ser excluída. As decisões sobre as novas tecnologias não devem ser tomadas tendo como base a opinião de grupos de pressão;

Mais de vinte organizações europeias assinaram esta carta.

Carta do grupo popular do Parlamento Europeu ao Comissário Phil Hogan


Setembro 04
12:38
2015

Nesta carta, os eurodeputados, onde estão incluídos os portugueses Nuno Melo e Sofia Ribeiro, mostram a sua preocupação sobre a difícil situação que vivem alguns sectores agrícolas, como a carne de porco, a carne de bovino, as frutas e legumes e o leite.

No que diz respeito ao sector do leite, lembram que os preços têm estado sujeitos a grande pressão, devido ao embargo russo, à difícil situação na China e ao aumento da produção mundial, bem como dos custos de produção.

As áreas mais desfavorecidas, como as de montanha, são as mais atingidas pela crise.

A produção pecuária, como é o caso do leite, é a mais vulnerável às volatilidades do mercado e, também, dos factores de produção.

Outro problema grave é a fraca posição do sector pecuário face à grande distribuição, o que faz com que os preços sejam esmagados, por vezes, através de medidas comerciais desleais.

As medidas postas actualmente em prática, como as ajudas à stockagem privada e a intervenção pública, têm sido insuficientes para manter um preço aceitável.

A evolução do mercado internacional é feita de incertezas, com o embargo russo e a crise chinesa.

Durante as negociações da Política Agrícola Comum, em 2013, o Parlamento Europeu expressou a sua vontade de haver um aumento do preço de intervenção, no entanto, durante a discussão, o Conselho de Ministros foi sempre muito relutante em mexer no preço de intervenção, pelo que, neste momento, é preciso fazer lembrar ao Conselho as suas responsabilidades.

Devem ser postas em prática medidas, como a antecipação dos pagamentos directos e melhor apoio por parte do Banco Europeu de Investimentos.

O dinheiro proveniente do super levy (multas por ultrapassagem das quotas leiteiras) deve ser usado para apoio ao sector do leite.

Os eurodeputados lembram também que em Dezembro de 2013 elaboraram um relatório sobre a necessidade de manter a produção de leite em zonas de montanha, o que, actualmente, devido ao embargo russo, ainda tem maior relevância.

A carta termina pedindo ao Comissário que tenha estas propostas em consideração.


Um dia no Porto para conhecer a marca Kiwiberico


Set 07, 2015Destaque Home, Notícias01


A 19 de Setembro, no Edifício ANF – Centro Empresarial do Porto, decorre uma jornada de apresentação da marca Kiwiberico. Aberta a todos os produtores, meios de comunicação social e associações agrícolas, a iniciativa visa «mostrar aos agricultores a importância de pertencer a uma marca», esclarece a organização.

Os directores da marca, a PMNI/ARC Eurobanan, marcam presença neste dia pensado para conhecer os agricultores e revelar as potencialidades da Kiwiberico, um selo já colocado nos kiwis produzidos no noroeste da Península Ibérica.

O objectivo principal da marca é «juntar os kiwicultores sob uma marca chapéu que os proteja e lhes dê força» no mercado nacional, onde cada vez mais há «entrada de kiwi estrangeiro, oriundo especialmente de países como Grécia, Itália e França, e também venda a granel sem qualquer identificação».

A jornada, cujo arranque está previsto para as 9h30, terá também uma mesa-redonda com os directores da Kiwiberico que vão responder a todas as dúvidas dos participantes.

A marca implementa-se no mercado com sinónimo de «qualidade, proximidade ao consumidor, produção sustentável e sabor delicado».

O evento é organizado pela a PMNI/ARC Eurobanan e a participação é gratuita. As inscrições estão disponíveis aqui: http://unaseakiwiberico.com/formulario-evento-2/

CAP Participa na Manifestação dos Agricultores Europeus


SEGUNDA, 07 SETEMBRO 2015 11:13

Lisboa, 7 de setembro de 2015: A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) marca presença na manifestação que se realiza hoje junto ao Conselho de Ministros da Agricultura, convocada pelo Copa-Cogeca – organização europeia de agricultores – a propósito da situação "drástica" verificada nos setores do leite, das frutas e hortícolas e das carnes de vaca e porco, na sequência do embargo comercial da Rússia aos produtos agrícolas europeus.

Os agricultores europeus pretendem assim confrontar os ministros europeus da agricultura com uma realidade que consideram grave e sem precedente, e reivindicar medidas tendentes a colmatar os efeitos do excesso de oferta dos produtos embargados no mercado interno europeu, nomeadamente uma intensificação das medidas europeias de promoção em mercados alternativos.
 
O embargo russo está em vigor há um ano e os agricultores europeus consideram que estão a pagar uma fatura de questões de política internacional às quais são alheios. De acordo com o Copa-Cogeca, os preços estão já abaixo dos custos de produção em muitos países, elevando de forma relevante o risco de falência de muitas explorações agrícolas, pelo que reivindicam medidas compensatórias por parte dos ministros do setor e das instituições europeias.
 
De acordo com os argumentos a apresentar pelo Copa-Cogeca, por exemplo, as exportações europeias de peras e maçãs para a Rússia sofreram reduções de cerca de 90% e o setor das frutas e hortícolas não conseguiu encontrar mercados alternativos para a colocação dos produtos. No setor do leite o panorama é igualmente grave, com uma pressão muito significativa nos preços pagos aos produtores.
 
De acordo com João Machado, Presidente da CAP, "o embargo russo tem vindo a preocupar os produtores nacionais ao longo do último ano, sendo o caso da pêra Rocha provavelmente o mais grave, uma vez que se tratava de um mercado em que os produtores nacionais tinham vindo a apostar e com resultados crescentes. O caso do leite, tendo em conta a pressão generalizada sobre os preços no mercado interno europeu tornou-se também muito crítico para os produtores nacionais. Desde o início do embargo, temos vindo a alertar para que o problema não seria apenas o fecho do mercado russo, mas também o consequente excesso de oferta no mercado interno europeu o que, infelizmente, está neste momento a verificar-se".

«Falta uma abordagem coerente e integrada à administração do recurso solo»



 08 Setembro 2015, terça-feira  Ana Clara Agroflorestal

Carlos Alexandre, presidente da direção da Sociedade Portuguesa da Ciência do Solo (SPCS), fala sobre o Ano Internacional dos Solos 2015 e não tem dúvidas: «está por fazer uma avaliação geral da degradação que os solos do país sofreram ao longo da história». O responsável adianta ainda que «falta uma abordagem coerente e integrada à administração do recurso solo, a nível nacional, regional e local».
solo

Agronegócios: Qual a importância deste Ano Internacional dos Solos, globalmente mas também para Portugal?
Carlos Alexandre: A declaração pela Organização das Nações Unidas (ONU) de 2015 – Ano Internacional dos Solos – constitui uma oportunidade para chamar a atenção para a importância vital do solo. Segundo as estatísticas da FAO - Food and Agriculture Organization da ONU, o solo sustenta cerca de 99% de toda a produção de biomassa do mundo – destinada à alimentação humana e animal, à produção de fibras vegetais com diversas aplicações industriais, à bioenergia, à obtenção de produtos farmacêuticos e outros – o que dá bem a medida da nossa dependência extrema deste recurso. Mas a nossa dependência do solo é ainda mais profunda, uma vez que ele desempenha outros serviços ou funções ecológicas insubstituíveis, como é o caso do seu papel na reciclagem dos materiais orgânicos e, portanto, em quase todos os ciclos biogeoquímicos (como o ciclo da água, do carbono e do azoto, para referir apenas os mais relevantes para as alterações climáticas); o conjunto de organismos que vivem no solo (dos macro aos micro) constitui também uma imensa reserva de biodiversidade; o solo pode ainda conservar materiais e informação de enorme interesse científico, cultural, artístico e religioso. Sem solos e sem as funções que eles desempenham, o mundo seria completamente diferente do que conhecemos e, seguramente, muito mais pobre de vida. Em geral ninguém quer ver degradada a região onde nasceu, onde cresceu ou onde vive. No entanto, nem sempre temos a consciência de que cada paisagem, com toda a sua riqueza natural, só se manterá enquanto se conservar o solo que a sustenta. Um dos objetivos mais importantes do Ano Internacional dos Solos, tanto a nível global como nacional, é consciencializar a sociedade sobre a sua dependência do solo e sobre a importância vital de proteger este recurso. No fundo, aplica-se também ao solo o que disse Baba Dioum (1968) acerca do ambiente: "no final, conservaremos apenas o que amamos; amaremos apenas o que compreendemos; e compreenderemos apenas o que nos foi ensinado".

AN: Falando dos aspetos vitais – para a Agricultura, floresta e sustentabilidade dos ecossistemas – o nosso país tem tratado bem os nossos solos?
CA: Está por fazer uma avaliação geral da degradação que os solos do país sofreram ao longo da história. A ocupação humana do território e o seu aproveitamento para a agricultura, a silvicultura e o pastoreio implicou sempre a remoção da cobertura de vegetação natural e, por regra, contribuiu sempre para uma maior degradação do solo, principalmente por redução da matéria orgânica e da biodiversidade do solo, aumento da compactação e aumento da perda de solo por erosão hídrica. O nosso país tem uma longa história de ocupação humana que deixou marcas na paisagem e, necessariamente, também nos solos. Os primeiros sinais de desflorestação extensiva no território português são anteriores a 3 000 A.C. Desde essa época o uso intensivo do fogo para aumentar as áreas de pasto e as áreas agrícolas, bem como a exploração da madeira para lenha, carvão e todo o tipo de construção, culminou numa redução drástica das áreas florestais que, segundo alguns autores, terá chegado a valores mínimos de pouco mais de 10% do território em meados do século XIX. O enorme crescimento demográfico do país, em especial durante o século XX (entre 1920 e 1960 a população passou de 6 para 9 milhões) aumentou a pressão para expandir as áreas de produção de cereais e levou à ideia de converter o Alentejo no celeiro do país. Esse movimento ganhou expressão na lei de Elvino de Brito em 1899, conhecida por "lei da fome" e prosseguiu com a campanha do trigo de 1929, que levou a um forte aumento da área de produção de cereais, especialmente entre os anos 40 e 60 do século passado (de menos de 40% para cerca de 55% do território). A par da expansão da área agrícola, a utilização crescente de maquinaria permitiu a intensificação de técnicas de cultivo tradicionais com mobilizações do solo mais frequentes e mais profundas. A fatura de degradação dos solos do Alentejo, e do país, ao longo do século XX não é fácil de quantificar, mas originou muitos vestígios, alguns que foram documentados e vários que ainda são identificáveis. Os efeitos dessa degradação vão perdurar por muitas centenas de anos. Os solos demoram milénios a formar-se (1000 a 2000 anos para formar apenas 10 cm de espessura nas regiões temperadas) mas podem degradar-se em poucos anos, ou até em poucas horas. No nosso país, em que os solos de qualidade são escassos e em que muitos já têm um longo historial de uso, é vital para o nosso futuro incluir a preservação deste recurso nas prioridades nacionais, tanto pela promoção de medidas de gestão adequadas a cada tipo de uso, como na definição dos critérios de alocação dos usos aos solos, isto é, nos critérios adotados para o ordenamento do território.
Medidas

AN: Que políticas considera urgentes tomar nesta matéria?
CA: Em consequência da sua natureza multifuncional o solo interage com várias políticas, principalmente as do território, do ambiente e da agricultura. Talvez por esta diversidade de interesses, falta uma abordagem coerente e integrada à administração do recurso solo, a nível nacional, regional e local. Para tal seria necessário considerar dois tipos de medidas: no âmbito da administração e no âmbito da valorização e da proteção dos solos, estas últimas adaptadas aos principais tipos de usos do solo, desde as áreas mais sujeitas a expansão urbana até às áreas de reservas naturais, passando por áreas agrícolas e florestais com níveis de intensificação muito variados. Exemplificam-se algumas medidas para cada um dos tipos.
solo
Medidas no âmbito da administração dos solos do país:
- Concluir o reconhecimento dos solos do país, atualizar e harmonizar a sua cartografia numa escala âmbito nacional (1:1.000.000 ou 1:500.000).
- Definir indicadores do estado dos solos do país, programar e implementar a sua monitorização de modo a responder a compromissos internacionais, por exemplo, sobre o stock de carbono e os níveis de degradação do solo.
- Criar um sistema de informação dos solos de Portugal que possa reunir e disponibilizar informação à escala nacional, nomeadamente a resultante das medidas anteriores.
Medidas de valorização produtiva e de proteção do solo:
- Valorizar as ações de conservação do solo, através de instrumentos de apoio e de condicionalidade eficazes, alargando-as a outras práticas para além do enrelvamento e da não mobilização do solo, nomeadamente a práticas eficazes, simples de implementar e de verificar como, por exemplo, a conservação da vegetação das linhas de escoamento naturais, desde os vales aos alto das encostas.
- Apoiar a manutenção de uma rede mínima de produtores de cereais e de outras culturas alimentares básicas, em terras de boa aptidão para essas culturas. Manter e reforçar a defesa dessas terras vitais de que é exemplo a RAN. Promover a investigação e o desenvolvimento visando uma gestão mais sustentável desses sistemas nos nossos condicionalismos ambientais.
AN: Como olha para a importância da criação da Parceria Portuguesa para o Solo?
CA: Esta parceria começou por ser uma iniciativa da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR) e da SPCS, à qual aderiram várias outras instituições (ver lista atualizada de aderentes). Nos últimos 30 anos assistiu-se a uma progressiva e substancial redução de meios humanos e materiais nos serviços que tutelam o recurso solo no País. Esta evolução deu-se em contraciclo com o crescente reconhecimento da importância do solo a nível europeu e global. O papel do solo na produção agrícola e florestal, mas também na mitigação das alterações climáticas e na conservação da biodiversidade, traduz-se numa procura de informação cada vez mais detalhada e de conhecimento cada vez mais aprofundado sobre este recurso. A Parceria Portuguesa para o Solo visa congregar os esforços de entidades, públicas e privadas, interessadas na valorização e na proteção do recurso solo. Procura-se assim criar massa crítica, dispersa por várias instituições, para discutir e promover iniciativas para um melhor aproveitamento dos solos do país.
Sistemas produtivos mais sustentáveis

AN: De que forma temos sabido sensibilizar e dinamizar a sociedade em geral para uma utilização segura do recurso solo?
CA: Temos sabido pouco. É necessário aproveitar melhor os nossos solos, não apenas sob a perspetiva da produção agrícola, florestal ou pecuária tradicionais, mas em todas as suas componentes multifuncionais. Para isso é indispensável a investigação e o desenvolvimento de métodos de gestão que garantam sistemas produtivos mais sustentáveis. Garantir a sustentabilidade destes sistemas significa dar prioridade não apenas à produção mas também à proteção do solo, de modo a permitir que as gerações futuras se possam continuar a sustentar dos mesmos solos que nós. No entanto, mais conhecimento e melhor formação dos agentes mais diretamente envolvidos no uso do solo – agricultores, técnicos e investigadores – não diminui a nossa obrigação de informar e consciencializar todos os cidadãos da sua dependência do solo, e de como todos temos o direito, e até o dever, de exigir que o aproveitamento deste recurso não se faça à custa da sua degradação.
solo
AN: Fala-se muito da importância do solo na produção e qualidade dos alimentos, em matéria de segurança alimentar futura. Como agir de forma célere e eficaz, passando dos discursos à prática?
CA: Prevê-se que a população humana aumente dos atuais cerca de 7 mil milhões para mais de 9 mil milhões de habitantes em 2050. Em consequência, aumentará a pressão sobre o solo enquanto recurso indispensável para satisfazer muitas das nossas necessidades. À escala global tende a aumentar também a competição por diferentes usos da terra, incluindo usos não alimentares que algumas sociedades conseguem pagar melhor do que muitas outras podem pagar pelos seus bens alimentares básicos. Com as perspetivas de aumento da procura e sabendo-se que as terras agrícolas são limitadas, grandes instituições públicas e privadas têm vindo a assegurar reservas de terras para garantir as suas necessidades de produção futura. Por outro lado, tudo aponta para que a ocorrência de eventos extremos mais frequentes e mais intensos seja o traço dominante das alterações climáticas, aumentando a incerteza sobre toda a produção agrícola. Neste contexto, a conjugação do aumento gradual da procura de culturas alimentares básicas com o aumento da irregularidade da produção à escala global, aumenta o risco de ocorrência de anos de produção deficitária relativamente às necessidades e, portanto, o risco de fortes subidas nos preços. Nos últimos anos, Portugal tem vindo a alterar substancialmente o seu perfil de produção agrícola, adequando-o melhor às suas condições edafo-climáticas e melhorando a sua competitividade externa em várias fileiras, nomeadamente de culturas perenes (olival, vinha, frutícolas diversas). Sob muitos aspetos este tem sido um processo positivo. Por outro lado, a área de solo arável do país (culturas anuais e prados temporários) é das mais baixas da Europa (0,1 ha por habitante) e, como se sabe, o país tem, também, uma enorme dependência externa de culturas alimentares básicas, principalmente cereais, em que praticamente nunca foi autossuficiente nem se justificaria que o procurasse ser atualmente. No entanto, as incertezas referidas acima justificariam que se procurasse garantir uma rede mínima de sistemas produção de culturas alimentares básicas, em especial para a produção de cereais.
AN: No final deste ano, com o fim das celebrações do Ano Internacional dos Solos, que balanço gostava que fosse feito?
CA: Gostaríamos que fossem atingidos alguns dos principais objetivos definidos pela ONU para o Ano Internacional dos Solos, tanto a nível global como nacional, nomeadamente:
- Uma maior consciencialização da sociedade e dos decisores públicos sobre a profunda importância do solo para a vida humana;
- O reforço da capacidade de recolha de informação sobre o solo e da sua monitorização em todos os níveis (global, regional e nacional);
- Um maior apoio a políticas e ações efetivas para a gestão sustentável e a proteção dos solos;
Para além de vários eventos, alguns já realizados e outros previstos, em que diversos membros da SPCS têm tido um papel ativo, gostaríamos que algumas ações pudessem perdurar depois de 2015 – Ano Internacional dos Solos. Neste sentido a SPCS promoveu a tradução para português da publicação "Solos – À Conquista do Crachá" da YUNGA e da FAO/ONU, destinada a professores e alunos do 1º, 2º e 3º ciclo do ensino básico e do ensino secundário. Este livro está disponível em formato pdf aqui.
AN: Falando da Sociedade, que atividades constam da vossa atuação e quais os vossos principais objetivos? Quando foi criada?
CA: A SPCS foi criada no início da década de 1960, mas os seus estatutos só foram aprovados oficialmente em 1973. A SPCS é uma associação portuguesa de indivíduos e entidades, interessados no estudo, utilização e proteção do solo. Entre outras iniciativas, a SPCS realiza regularmente Encontros Anuais e, numa parceria com a Sociedad Española de la Ciencia del Suelo (SECS), organiza Congressos Ibéricos de 2 em 2 anos, alternadamente em Portugal e em Espanha. O próximo Congresso Ibérico das Ciências do Solo será em2016 (CICS 2016), no Instituto Politécnico de Beja, envolvendo, para além das duas sociedades citadas, também a Escola Superior Agrária de Beja (ESABeja), o Centro Operativo e de Tecnologia de Regadio (COTR) e a Associação Portuguesa de Recursos Hídricos (APRH). Este congresso dará especial enfoque ao papel vital dos recursos solo e água para a valorização e a sustentabilidade do regadio no nosso País.

Pêra rocha procura alternativas à Rússia e à dependência do Brasil

ANA RUTE SILVA 07/09/2015 - 07:05
Autoridades da Colômbia, Peru e México fazem auditoria à fruta portuguesa para dar luz verde à exportação para estes países.

 Agricultores europeus recebem 500 milhões de ajuda
 Rússia e preço do leite arrastam agricultura europeia

Durante o mês de Setembro três missões de altos quadros dos ministérios da Agricultura da Colômbia, Peru e México vão fazer auditorias à produção de fruta e legumes portugueses que, caso tenham sucesso, abrem portas à exportação para aqueles países. Numa altura em que o Brasil – para onde vai mais de 40% da pera rocha - atravessa dificuldades económicas, e em que o embargo russo fez aumentar na Europa a oferta de fruta, as visitas são "absolutamente determinantes" para o sector, diz Manuel Évora, presidente da Portugal Fresh, Associação para a Promoção das Frutas, Legumes e Flores.

"Constituem a concretização de um trabalho exaustivo ao nível dos dossiês que são 'esgrimidos' durante meses e, por vezes, anos entre os ministérios da Agricultura de Portugal e dos países onde queremos chegar com as nossas frutas e legumes", continua. As chamadas "missões técnicas" são preparadas em conjunto com a tutela de Assunção Cristas, os produtores representados pelo Centro Operativo e Tecnológico Hortofrutícola Nacional (COTHN), a Associação Nacional de Produtores de Pera Rocha (ANP) e a Portugal Fresh.

O México é o mercado onde a abertura às importações portuguesas está mais próximo de concretizar. A visita marcada para 21 a 24 é para "validação conclusiva", adianta Manuel Évora. A mais recente comitiva, da Colômbia, esteve até sábado a visitar agricultores, pomares de pera rocha e os entrepostos das organizações de produtores. Se a missão técnica tiver sucesso, abre-se a possibilidade de fazer negócio com um país com "50 milhões de habitantes e com a particularidade de [lá] estar presente o grupo Jerónimo Martins com as lojas Ara, o que poderá ser também uma oportunidade para a fruta portuguesa e, em particular, para a pera rocha", continua.

A empresa liderada por Pedro Soares dos Santos, dona do Pingo Doce, tem já 100 supermercados na Colômbia. O mais recente foi inaugurado esta semana em Cartagena das Índias e marca a entrada da cadeia Ara na região da Costa do Caribe, onde terá 40 lojas até ao final do ano.

Os produtores de fruta e legumes estão também a tentar entrar na região do Magreb e no Oriente e têm traçado o novo mapa das exportações em conjunto com o Ministério da Agricultura, através da Secretaria de Estado da Alimentação. "Um dos grandes objectivos é a China que, pela sua dimensão, pode ser uma solução muito interessante em anos de muita produção para conseguirmos equilibrar a dicotomia da oferta e da procura mundial de pera rocha, por exemplo", afirma Manuel Évora.

Há mais de um ano que a busca por novos clientes internacionais tem sido a prioridades das empresas e agricultores, depois de a Rússia ter proibido a importação de hortofrutícolas europeus. Apesar de Portugal não exportar em grandes volumes para o mercado russo, outros países, como a Polónia, perderam o seu principal cliente. A oferta de fruta aumentou no espaço europeu, tal como a concorrência e a disputa por compradores alternativos.

O Brasil é um deles. Apesar de ser um dos mais importantes mercados para o sector e comprar regularmente pera, maçã, pêssego e ameixa, os problemas económicos e a desvalorização do real têm dificultado das exportações. "A pressão de muitos operadores, alguns deles pouco preparados e com uma abordagem incorrecta têm dificultado em muito a rentabilidade das empresas", adianta Manuel Évora. "Nos últimos anos tem havido mais problemas de incumprimentos financeiros e principalmente uma constante e sucessiva desvalorização da qualidade das encomendas que enviamos", lamenta.

A dependência do Brasil para a pera rocha, "a rainha" das exportações nacionais de fruta, é enorme. Em 2014, os produtores associados da ANP venderam para o estrangeiro 102 mil toneladas de pera, 40,2% das quais para o Brasil. Segue-se o Reino Unido, que absorve 17,5%, França (16,5%), Marrocos (9,5%) e Irlanda (5,9%).

Pacote de 500 milhões anunciado por Bruxelas não convence agricultores

ANA RUTE SILVA 07/09/2015 - 14:39 (actualizado às 19:38)
Milhares de produtores protestaram ontem em Bruxelas contra o fim das quotas leiteiras e os impactos do embargo russo. Proposta da comissão passa por antecipação de pagamengos já previstos

 Rússia e preço do leite arrastam agricultura europeia
 Pêra rocha procura alternativas à Rússia e à dependência do Brasil
A Comissão Europeia anunciou, nesta segunda-feira, um pacote de medidas no valor de 500 milhões de euros para ajudar os agricultores, no mesmo dia em que os ministros da Agricultura se reuniram de urgência para debater a crise no sector do leite. À porta, na praça Schumann, cinco mil produtores com mais de mil tractores concentraram-se em protesto contra aquela que já é apelidada da maior crise de sempre na agricultura.

Enquanto na rua se lançavam petardos e se incendiavam pneus e fardos de palha, o vice-presidente da Comissão Europeia Jyrki Katainen, dizia que o fundo de 500 milhões pode ser "imediatamente utilizado em benefício dos agricultores". "Esta é uma resposta robusta e decisiva", disse. Mas para os produtores, o conjunto de medidas ainda é "genérico" e fica aquém das pretensões de criar um mecanismo público de regulação da oferta, no caso do leite.

De acordo com a informação disponibilizada por Bruxelas, o pacote está dividido em quatro temas. O primeiro conjunto de medidas servirá para ajudar os agricultores a enfrentarem as dificuldades financeiras a curto prazo, o segundo para travar o desequilibro de mercado, estimular a procura e reduzir a oferta, o terceiro prende-se com a cadeia de abastecimento e o quarto tem como objectivo "reforçar a ligação entre a agricultura e a sociedade".

Em comunicado, a comissão descreve que a parte "mais significativa" das verbas será entregue aos Estados-membros para ajudar o sector do leite e lacticínios. Os países podiam até agora antecipar em 50% as ajudas dos pagamentos directos e a comissão propõe aumentar essa percentagem para 70%. Outra das medidas é a antecipação de 85% em vez de 75% dos pagamentos relacionados com os programas de desenvolvimento regional aplicados à área animal.

"A comissão está a trabalhar de perto com o Banco Europeu de Investimento em várias opções para estabelecer instrumentos financeiro", continua o documento, divulgado ao início da tarde.

Para aliviar a pressão no mercado, Bruxelas refere já ter estendido as ajudas à armazenagem privada de manteiga e leite em pó até ao próximo ano. Está agora a trabalhar num novo esquema, com mais ajudas, e que garanta que o produto "seja armazenado pelo tempo apropriado, tornando o esquema mais efectivo no alívio da pressão no lado da produção". Haverá, ainda, uma medida semelhante para a carne de porco, e um reforço do orçamento destinado à promoção em 2016.

Outro dos pontos, prende-se com os acordos de comércio bilaterais, de forma a escoar a produção. Estão em curso negociações com os Estados Unidos e o Japão.

No final do conselho extraordinário de ministros da Agricultura, onde Portugal apresentou uma proposta concertada com Espanha, França e Itália, Assunção Cristas lamentou a "falta de detalhe" do plano, mas aplaudiu o facto de o documento abranger "um conjunto alargado de matérias". "Há um pacote de 500 milhões de euros, mas não sabemos qual a repartição das diferentes medidas. Estão incluídas acções de apoio ao rendimento dos agricultores, uma das medidas que Portugal pretendia, mas não sabemos qual a sua repartição", disse ao PÚBLICO.

A proposta de aumento do preço de referência a partir do qual os Estados-membros poderiam comprar e armazenar leite (retirando o produto do mercado e fazendo, assim, subir os preços) não está incluída. A Ministra da Agricultura espera "que possa haver ainda evolução nesta matéria". Assunção Cristas disse ainda que ficou visível a diferença de opiniões entre os países da UE. Para a semana haverá reunião informal no Luxemburgo onde o tema será, de novo, debatido.

Para os agricultores, as medidas souberam a pouco. "Estamos um pouco desiludidos", disse Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenalac, a federação das uniões de cooperativas leiteiras. "É importante minorar o impacto da crise neste momento mas também pensar a longo prazo", defendeu. A "tempestade perfeita" que está a afectar os produtores (confrontados com o fim das quotas à produção, o embargo russo e a queda no consumo) não será resolvida com "paliativos". "Não há, a longo prazo, uma medida que nos permita dizer que esta situação não vai acontecer no futuro", lamenta. "Se não temos um instrumento de regulação de oferta, um sinal vinculativo de que é preciso parar a produção, a volatilidade vai ser constante e agreste. E é isso que nos preocupa. Vamos sair desta crise, mas mais tarde ou mais cedo vai regressar", continua.

João Machado, presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, diz por seu lado que a verba de 500 milhões de euros é "curta" para toda a União Europeia. Antecipar os pagamentos aos produtores "é bom", mas esta é uma ajuda que já estava programa. "O que me parece é que o que foi anunciado vem na linha do que tem sido feito no último ano e não tem resolvido o problema", diz.

PE vota proibição de clonagem de animais na UE e sua importação

07-09-2015 
 

 
O Parlamento Europeia vota na próxima terça-feira um projecto legislativo para proibir na União Europeia a clonagem de todo o tipo de animais de explorações, seus descendentes e produtos derivados, incluindo importações.

O Parlamento apertaram a proposta inicial da Comissão, com destaque para a elevada taxa de mortalidade durante todas as fases do processo de clonagem, assim como na preocupação dos cidadãos europeus pelo bem-estar animal e padrões éticos.

Tendo em conta que fora da União Europeia pratica-se a clonagem para pecuária, a norma assegura que seja ilegal importar animais, produtos para a sua reprodução, alimento e rações de origem animal de terceiros países caso o certificado de importação não prove que não são resultado de clonagem nem descendentes de um animal clonado.

A Agência Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA), assinalou em 2008 numa informação que a saúde e o bem-estar de uma significativa proporção de animais clonados forma afectados, frequentemente de forma grave e com um resultado fatal, oque contribui para o baixo índice de eficiência da clonagem, de entre a 6 e 15 por cento para o gado bovino e 6 por cento para o gado suíno.

Os eurodeputados indicam que, segundo investigações sobre hábitos de consumo, os cidadãos da União Europeia rejeitam os alimentos procedentes de clonagens ou seus descendentes. A maioria também desaprova o uso da mesma para fins pecuários, por motivos de bem-estar animai e razões éticas.

Fonte: Agrodigital

CONFAGRI em protesto na manifestação de Bruxelas

07-09-2015 
 

 
A Engenheira Maria Antónia Figueiredo, Secretária Geral Adjunta da CONFAGRI e Vice-Presidente da COGECA (Confederação Geral das Cooperativas Agrícolas da União Europeia), juntamente com dezenas de agricultores portugueses ligados à CONFAGRI, dos sectores dos suínos, leite e lacticínios, bovinos e frutas, estão esta segunda-feira, 7/9/2015, em Bruxelas a protestar contra as políticas europeias que têm sido seguidas nos últimos tempos, e que estão a arruinar os agricultores portugueses. Trata-se de uma mega manifestação europeia, que se realiza no dia da reunião extraordinária do Conselho de Ministros em Bruxelas.

Esta manifestação é uma resposta à situação deplorável a que as Instituições Europeias conduziram os agricultores e as cooperativas agrícolas e pretende sublinhar o carácter sem precedentes a que se chegou.

Esta situação altamente penalizadora em especial para os sectores do leite e lacticínios, suínos, bovinos e frutas é o resultado das restrições impostas pela Rússia à exportações da União Europeia destes produtos desde 2014 e com continuidade em 2015.

Estamos assim, com as fronteiras do principal mercado de exportação da União Europeia fechadas. Os preços são inferiores aos custos de produção conduzindo a que alguns tenham que fechar aporta, uma vez que há muito produto na europa, e por isso os preços baixam.

O que não é aceitável é que os produtores estão a ser vítimas da política internacional, não tendo qualquer culpa ou intervenção.

Por outro lado, a desregulação da Política Agrícola Comum (PAC) nomeadamente o fim das quotas leiteiras em Março 2015,determinado pela Comissão Europeia, originou um desequilíbrio profundo entre a oferta e a procura no espaço europeu, o que contribuiu também para o abaixamento dos preços, sobretudo nos países periféricos como Portugal.

Os agricultores e as cooperativas agrícolas reclamam esta segunda-feira medidas urgentes e enérgicas à Comissão Europeia, Conselho de Ministros e Parlamento Europeu, no sentido de contrariar a profunda crise de preços que afecta estes sectores e que coloca em risco a sobrevivência de milhares de explorações, e um número significativo de postos de trabalho.

São necessários:

- apoios imediatos ao rendimento dos produtores pecuários

- medidas estruturais de regulação da oferta de leite na UE

- concessão de mandato politico do Conselho à Comissão, para negociar a abertura de mercados sujeitos a embargo sanitário nos suínos

- medidas de gestão de mercado como por exemplo preços de referencia que assegurem a viabilidade das explorações

- regulação da cadeia de valor agroalimentar.

Agricultores Portugueses Reclamam em Bruxelas por medidas de apoio aos sectores do Leite e da Carne

07-09-2015 


Agricultores Portugueses Reclamam em Bruxelas por medidas de apoio aos sectores do Leite e da Carne

- Manifestação juntará mais de 4 mil agricultores europeus

A CONFAGRI e as suas Federações ligadas à pecuária (FENALAC, FENAPECUÁRIA e FPAS), conscientes da situação dramática de muitas explorações pecuárias de leite e de carne de suíno e bovino, decidiram aderir à Manifestação, em Bruxelas, esta segunda-feira, dia 7 de Setembro, visando sensibilizar o Conselho de Ministros Europeu e a Comissão Europeia para a situação dramática do sector.

O embargo Russo às exportações de produtos agrícolas europeus originou excedentes de carne e leite criando uma pressão insuportável sobre os preços desses produtos. Por outro lado, a desregulamentação da PAC, nomeadamente a cessação do regime das quotas leiteiras em 2015, originou um desequilíbrio profundo entre a oferta e a procura de leite no espaço europeu. Como consequência, ocorreu uma quebra abrupta dos preços ao produtor e do seu rendimento, em particular nos países periféricos. 

Os produtores de leite e de carne de suíno e bovinos nacionais reclamam uma actuação imediata e enérgica das autoridades europeias, no sentido de contrariar a profunda crise de preços que afecta o sector e que coloca em risco a sobrevivência de milhares de explorações e um número muito significativo de postos de trabalho.

Importa que o Conselho de Ministros da Agricultara da UE estabeleça apoios imediatos ao rendimento dos produtores pecuários e determine medidas estruturais de regulação da oferta de leite na UE, uma vez que a abolição do sistema de quotas veio liberalizar a produção de leite e assim contribuir para o presente desequilíbrio de mercado. 

Por outro lado, o Conselho deveria conceder um mandato político à Comissão para negociar a abertura de mercados que estão atualmente sujeito a um embargo sanitário de todo inexplicável, nomeadamente no caso da carne de suíno.

Finalmente, será importante atuar ao nível da regulação da cadeia de valor agro-alimentar, nomeadamente no que respeita ao relacionamento dos Agricultores com a grande distribuição, uma vez que o excesso da oferta está a conduzir a uma excessiva pressão negocial e consequente quebra de preços.


Preço-referência do leite “deve subir com regras restritas”


Ontem 23:07 Ana Petronilho
Portugal defende que o preço-referência deve ser um critério a ter em conta na distribuição das verbas entre os Estados-membro. Alemanha, França e Itália têm a mesma posição.

Preço-referência do leite "deve subir com regras restritas"
O preço-referência do leite "deve subir de uma forma temporária e com regras restritas" e deve ser um critério a ter em conta na hora de distribuir os 500 milhões de euros entre os vários países. Esta é, de acordo com a ministra da Agricultura e do Mar, a posição de Portugal no apoio urgente de Bruxelas aos produtores agrícolas. Assunção Cristas - que falou ao Diário Económico depois da reunião extraordinária entre os ministros da Agricultura europeus que decorreu ontem - explicou que esta é, aliás, a mesma posição da Alemanha, França e Itália. A ministra ainda não tem uma previsão do valor que vai caber a Portugal e para a data de desbloqueio das verbas, frisando que o plano está ainda numa fase "embrionária".

Do pacote de 500 milhões para apoiar a produção agrícola, qual é a fatia para Portugal?

A Comissão Europeia não detalhou dois aspectos que para nós são relevantes: um tem a ver com a forma como esses 500 milhões se vão repartir nas várias medidas. Estamos a falar de medidas de apoio directo aos agricultores, por um lado, da vantagem privada por outro, medidas de promoção dos produtos do leite e dos produtos lácteos, quer no mercado interno quer no mercado internacional. Isso não foi explicado. Tão pouco foi explicado como é que os 500 milhões se repartem os apoios directos agricultores entre os diferentes países. 

Embargo da Rússia e preço do leite arrastam agricultura europeia para a crise


MANUEL CARVALHO 07/09/2015 - 07:07
Milhares de agricultores protestam esta segunda-feira em Bruxelas às portas do conselho extraordinário de ministros do sector.

 
Franceses têm sido os mais activos na contestação AFP PHOTO / KENZO TRIBOUILLARD

 Pera rocha procura alternativas à Rússia e à dependência do Brasil
Milhares de agricultores de vários países europeus concentram-se hoje à porta da reunião do conselho extraordinário de ministros do sector para protestarem contra a falta de escoamento e a baixa de preços de alguns dos mais importantes produtos da economia agrária da União. Em causa estão as consequências do embargo da Rússia à produção europeia que estão na base de uma quebra de rendimentos de 1,7% no ano passado e no agravamento da situação dos mercados agrícolas. Além disso, há também a questão da quebra nos preços do leite pagos ao produtor, na sequência do fim das quotas de produção. Ontem, já havia uma centena de tractores a chegar às ruas de Bruxelas, e antecipa-se a presença de cerca de 5000 tractores de produtores de leite, onde estarão portugueses.

No caso do embargo russo, os impactos directos na produção portuguesa estão longe de causar as perdas registadas por países como a Polónia ou a França, mas as quebras dos preços em sectores sensíveis como o do leite, da carne bovina e suína ou da fruta, estão a deteriorar as margens de rentabilidade dos produtores e a afectar a recuperação que a agricultura portuguesa estava a registar nos últimos anos.

"Os agricultores estão a pagar o preço das políticas da UE em relação à Rússia", lê-se num documento do Copa e da Cogeca, que reúnem as principais associações de agricultores e cooperativas agrícolas da União. Para superar as dificuldades actuais, os agricultores mobilizaram-se para a manifestação de hoje com o objectivo de pressionar o Conselho Agrícola e a Comissão Europeia a avançar com novas medidas de intervenção nos mercados (que passam, por exemplo, pela compra de excedentes para fazer subir os preços), a antecipação e flexibilização dos pagamentos das ajudas directas pagas pela PAC (Política Agrícola Comum) e o aumento de incentivos para acções de promoção externa. Os ministros de Portugal, da Espanha, França e Itália vão pedir à Comissão o aumento do preço de referência do leite para efeitos de retirada de excedentes no mercado. A Comissão Europeia parece estar disposta a reforçar os meios financeiros para acudir a uma situação de excepção que ameaça sublevar a agricultura.

Os sectores mais afectados na actual conjuntura são o do leite, da carne bovina, da carne suína e da fruta e se em todos há um efeito directo do embargo russo, há problemas que são específicos do leite. Actualmente, "os produtores estão a vender leite por 20 ou 21 cêntimos o litro, quando os custos de produção se situam nos 30/32 cêntimos", diz João Machado, presidente da CAP, o que se explica com a perda do mercado russo, para onde os agricultores europeus exportavam 13% da sua produção, mas depende também da redução do consumo mundial. Até Abril deste ano, o sistema de quotas de produção ajudava de alguma forma a estabilizar o mercado, mas a sua extinção e a criação de um regime livre faz com que os produtores tentassem compensar as quebras de preços com o aumento da produção. Criou-se assim uma espiral de excedentes que ajuda a depreciar ainda mais os preços e ameaça varrer do mapa agrícola milhares de produtores.

Nas outras produções, a causa principal do mal-estar está associada ao bloqueio do mercado russo que, nas contas do Copa e da Cogeca, gera perdas na economia agrária na ordem dos 5,5 mil milhões de euros anuais. A Rússia é, recorde-se, o principal mercado de exportação da agricultura europeia.  

O caso da carne bovina é um bom exemplo das dificuldades. Das 7,7 milhões de toneladas produzidas por ano na União Europeia (é o terceiro maior produtor mundial, depois dos Estados Unidos e do Brasil), 233 mil toneladas são exportadas. E a Rússia era o mercado de destino de 29% dessa fatia. No caso da carne de porco, 10% da produção anual de 22,3 milhões de toneladas eram exportadas e, neste caso particular, para lá do embargo russo, que consumia anualmente 800 mil toneladas, a agricultura da União perdeu o acesso ao mercado bielorrusso (86 mil toneladas) e ucraniano (55 mil toneladas). Como consequência, o preço caiu entre 15 e 25 cêntimos em relação à média dos últimos cinco anos, estimam as organizações de agricultores.

Idêntica situação se verifica no sector dos hortofrutícolas. A Rússia era o destino de um terço das exportações europeias de fruta, que rendiam anualmente 1,2 mil milhões de euros, e de 26% dos hortícolas. Era nestes sectores que a produção portuguesa estava a conquistar quotas de mercado a um ritmo de dois dígitos nos últimos anos, com destaque para a pêra rocha. A barreira do embargo é mais preocupante por "destruir o trabalho de promoção dos últimos anos" do que pelas perdas imediatas nos rendimentos dos produtores, diz João Machado.

Em termos globais, "o embargo não é dramático para a agricultura portuguesa", nota João Machado – embora os seus custos indirectos na formação dos preços sejam "muito preocupantes". Em relação ao ano passado, as exportações agro-alimentares portuguesas para a Rússia nos primeiros quatro meses deste ano baixaram em relação ao período homólogo de 2014 de 13,6 milhões de euros para 7,6 milhões - o vinho e o azeite, os mais importantes da exportação nacional, ficaram de fora do embargo.

Ainda assim, "há um grande mal-estar na agricultura europeia que se reflecte em Portugal também", acrescenta João Machado. É por isso que uma delegação de agricultores portugueses estará hoje em Bruxelas numa manifestação que a Comissão Europeia tentará esvaziar com o anúncio de novas medidas de apoio à produção. com Ana Rute Silva

Ministra da Agricultura diz que resolveu problema de décadas na Casa do Douro



Assunção Cristas está de consciência tranquila e com o sentido de missão cumprida

6 de Setembro às 09:54 Redação Assunção Cristas [Foto: Lusa]


A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, afirmou este sábado que acaba esta legislatura de consciência tranquila e sentido de missão cumprida por este Governo ter resolvido o problema da Casa do Douro (CD) que já tinha décadas. 

"Este Governo resolveu o problema da CD, que era um problema que tinha décadas e que, na prática, estava a prejudicar os viticultores durienses, que há muito tempo não tinham maneira de fazer ouvir a sua voz de forma vigorosa, defendendo os seus interesses", disse à agência Lusa. 

A CD, com sede no Peso da Régua, foi extinta enquanto associação de direito público a 31 de dezembro de 2014, e no final de maio o Ministério da Agricultura anunciou a escolha da Federação Renovação do Douro como a associação de direito privado e inscrição voluntária que sucede à organização duriense.
"Houve uma reforma muito profunda naquilo que é a organização. Foi um processo que demorou muito tempo, que implicou oito grupos de trabalho, com vários ministérios envolvidos, com produção de legislação, com muito trabalho político, mas eu creio que a solução é boa".

Criada em 1932, a CD viveu durante anos asfixiada em problemas financeiros e possui uma dívida ao Estado na ordem dos 160 milhões de euros. 

O Governo vai agora nomear um administrador liquidatário que irá proceder à regularização das dívidas da extinta CD. 

Assunção Cristas disse que o nome do administrador, que terá um "perfil técnico", será anunciado em breve. 

"É um administrador liquidatário, tem uma missão muito específica que é resolver a questão da dívida e que demorará tempo, terá de ir traduzindo um determinado património por dinheiro que passará a ser alocado a abater a dívida ao Estado", frisou.

Ministra da Agricultura otimista quanto ao futuro do setor do leite em Portugal


Lusa 04 Set, 2015, 17:50 | País
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, mostrou-se otimista num resultado positivo para o setor leiteiro, em Portugal, na cimeira de ministros da Agricultura da União Europeia, que decorre na próxima segunda-feira, em Bruxelas.

A governante, que hoje visitou a AgroSemana, uma feira agrícola na Póvoa de Varzim, organizada pela Agro, uma união de cooperativas do setor, acredita que serão encontrados mecanismos alternativos ao fim das quotas leiteiras que possam proteger os produtores nacionais.

"Este não é um problema de Portugal, é também um problema da Europa e vamos discutir e pedir à Comissão Europeia medidas de suporte para este período difícil que os produtores estão a atravessar", garantiu Assunção Cristas.

"Tenho estado em contacto com os meus homólogos de outros países e conversado com o comissário europeu a debater soluções. Todos nós estamos a trabalhar para que na segunda-feira possa haver um bom resultado para os nossos produtores de leite", acrescentou a ministra.

Assunção Cristas não acredita que, por enquanto, o fim das quotas leiteiras na União Europeia possa ser invertido, mas garantiu que tem conseguido sensibilizar alguns países para que esse possa ser um caminho no futuro.

"Portugal, em 2003, no governo de Durão Barroso, votou contra o final das quotas, e nós sempre nos temos batido para que voltem a entrar em vigor. Comecei a falar disto sozinha, mas já tenho seis países, e de dimensão relevante, como a Espanha ou Polónia, do meu lado. Admito que outros países também já estejam a mudar de posição", afirmou.

Independentemente do desfecho da reunião desta segunda-feira, em Bruxelas, Assunção Cristas garantiu que serão tomadas mais medidas de apoio aos produtores, nomeadamente na valorização e promoção do consumo de leite.

Recorde-se que na passada sexta-feira, Portugal, Espanha, Itália e França acordaram pedir em Bruxelas, no Conselho de Ministros extraordinário de ministros da Agricultura, um aumento dos preços de referência, que permitirão retirar leite do mercado quando o produto está em excesso e, com isso, ajudar a regular o preço do leite.


Preço do leite em queda na UE exige medidas urgentes

Ministros da Agricultura reunem-se hoje em Bruxelas para encontrar soluções para o fim das quotas

Produtores de leite manifestam-se em Bruxelas

D.R.
07/09/2015 | 00:01 |  Dinheiro Vivo

Hoje é um dia decisivo para os produtores de leite da Europa. Depois do fim das quotas, a 1 de abril, o setor vive uma crise sem paralelo. Só em Portugal, desde o início do ano, abandonaram a atividade cerca de 200 produtores, de acordo com a Federação das Cooperativas de Leite, a FENALAC.
O problema agudizou-se com o fim das quotas leiteiras, que originou um grande excedente de produto no mercado, esmagando os preços. Em junho, o preço em Portugal era de 0,288 euros/quilo. Mas não era muito melhor em Espanha: 0,294euro, ou Itália: 0,347euro.
De acordo com os dados do do observatório do mercado do leite, em junho, o preço médio da tonelada de leite era de 30 euros, uma quebra de 20% face ao mesmo mês de 2014, de 1,8% face a maio último e de 9% em relação à média dos últimos cinco anos.
As estimativas do observatório apontam para que o preço do leite cru continue a recuar nos próximos meses e tudo aponta para que os produtores enfrentem dificuldades de tesouraria.
Por todas as razões, os ministros da Agricultura dos 28 reunem-se hoje em Bruxelas, com o objetivo de encontrar medidas, a nível europeu, para enfrentar a crise. Nas ruas já estão os produtores de leite, representados por associações de vários países, incluindo de Portugal, em manifestações promovidas pelo "European Milk Board".

"Não podemos vender leite mais barato do que água"


Os produtores de leite da zona do Minho e Douro Litoral alertaram hoje que a maioria das explorações leiteiras estão numa situação financeira insustentável, lembrando que se está "a vender leite mais barato do que água".

Lusa
ECONOMIA PRODUTORES
HÁ 10 HORAS
POR LUSA
   
Alguns produtores da região reuniram-se hoje numa exploração em Vila do Conde para deixar um apelo aos consumidores nacionais que bebam leite português, mas, também, para pedir maior colaboração por parte do Governo.

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"A mensagem para o nosso Governo, mas também para os setores da distribuição e da indústria, é que parte do problema resolve-se em Bruxelas, mas também tem de haver uma intervenção nacional", começou por dizer Carlos Alves, da Associação de Produtores de Leite de Portugal - APROLEP.

O empresário revelou "esperança moderada" nas negociações que hoje decorrerem em Bruxelas, na Comissão Europeia, para se fixar um novo preço de referência a partir do qual a União Europeia comprará os excedentes do mercado, e explicou o motivo da sua relutância.

"Já existe um preço em que a Europa intervém comprando os excedentes do mercado, mas é muito baixo. Resta saber se hoje vai ser negociado um aumento simbólico ou algo realmente significativo. Porque como está atualmente não compensa", disse o produtor.

"O preço de intervenção está entre 18 e 21 cêntimo por litro, mas o que precisávamos era de 34 cêntimos. E nem queremos estar sempre a trabalhar para a União Europeia, pois se, tal como em França, existisse um acordo com os sectores da indústria e distribuição para vendermos a esse preço, ficaríamos bem", completou Carlos Alves.

Para alcançar esse acordo, os produtores apelam à intervenção do Governo e do Presidente da República, mas pedem, também, para que se consuma mais leite nacional.

"Não queremos inflacionar o preço do leite, mas se a indústria e a distribuição colocarem à venda a um preço razoável e os consumidores preferirem leite nacional as coisas melhoravam. O que não podemos é estar vender leite mais barato do que água", afirmou o produtor, completando.

"Não gostaria que as manifestações muito violentas que aconteceram em França se pudessem repetir aqui em Portugal. Mas estamos a sentir-nos abandonados e ignorados por toda a cadeia do setor", concluiu.

Outro produtor, Manuel Azevedo, de 40 anos, que detém uma exploração familiar em Vila do Conde, partilhou os números da sua empresa para justificar a afirmação de que "a situação está insustentável.

"Tenho 230 vacas, que por mês produzem 85 mil litros de leite. O comprador está, de momento, a pagar-me 23 cêntimos por litro, mas isso representa um prejuízo de 10 cêntimos em cada litro que produzo", explicou.

Manuel Azevedo lembrou que em janeiro de 2014 recebia por litro de leite 39 cêntimos e que um ano depois o preço caiu para 29 cêntimos.

"Para podermos viver deste negócio precisamos de receber pelo menos 35 cêntimos por litro, porque só os custos de produção representam 33 cêntimos", apontou.

O produtor vila-condense lembra que o setor, que representa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que cria cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, e que concentra na zona de Minho e Douro Litoral 55% do leite produzido em Portugal Continental, poderá "não sobreviver se a situação continuar como está".

"Alguns produtores que conheço fecharam as explorações, outros estão prestes a fazê-lo. Eu não sei quanto tempo mais consigo aguentar, e felizmente não tenho empréstimos de investimentos senão seria impossível continuar", descreveu.

Crise do leite em imagens. UE decide desbloquear 500 milhões


7/9/2015, 16:49
Os produtores portugueses alertam que se está a vender "leite mais barato do que água", em dia de manifestações em Bruxelas. UE decidiu desbloquear 500 milhões imediatamente para ajudar o setor


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Os produtores de leite da zona do Minho e Douro Litoral alertam para o facto de que a maioria das explorações leiteiras estão numa situação financeira insustentável, lembrando que se está "a vender leite mais barato do que água". A Comissão Europeia já anunciou que vai desbloquear imediatamente um pacote de ajuda no valor de 500 milhões de euros, para apoiar os produtores agrícolas europeus, sobretudo do setor do leite, face às atuais dificuldades.

"Este pacote permitirá que 500 milhões de euros de fundos da UE sejam utilizados imediatamente em benefício dos agricultores. Esta é uma resposta robusta e demonstra que a Comissão assume de forma muito sérias as suas responsabilidades face aos agricultores", declarou Jyrki Katainen, vice-presidente do executivo comunitário.

O anúncio teve lugar durante uma reunião extraordinária de ministros da Agricultura da União Europeia, em Bruxelas ao mesmo tempo que milhares de agricultores, sobretudo produtores de leite se manifestaram.

Entre os manifestantes contavam-se cerca de duas dezenas de portugueses, tendo Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenelac (Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite), apontado que a crise que o setor do leite atualmente atravessa se deve em muito à "falta de políticas da UE", pois "o mercado nem sempre é eficiente, e neste momento não é eficiente", pelo que necessita de regulação.

"Há um grande desequilíbrio entre a oferta e a procura – há muito mais oferta que a procura – e o objetivo de uma política é exatamente (ser acionada) quando o mercado não responde às exigências", disse, comentando que um das razões para o desequilíbrio atual foi a decisão de por fim às quotas, "um instrumento que permite controlar a oferta de leite na UE sem custos para o contribuinte".

Em  Portugal, alguns produtores da região reuniram-se numa exploração em Vila do Conde para deixar um apelo aos consumidores nacionais que bebam leite português, mas, também, para pedir maior colaboração por parte do Governo.

"A mensagem para o nosso Governo, mas também para os setores da distribuição e da indústria, é que parte do problema resolve-se em Bruxelas, mas também tem de haver uma intervenção nacional", começou por dizer Carlos Alves, da Associação de Produtores de Leite de Portugal – APROLEP.

O empresário revelou "esperança moderada" nas negociações que decorrerem em Bruxelas, na Comissão Europeia, para se fixar um novo preço de referência a partir do qual a União Europeia comprará os excedentes do mercado, e explicou o motivo da sua relutância.

"Já existe um preço em que a Europa intervém comprando os excedentes do mercado, mas é muito baixo. Resta saber se hoje vai ser negociado um aumento simbólico ou algo realmente significativo. Porque como está atualmente não compensa", disse o produtor.

De acordo com a Comissão Europeia, o pacote de ajudas agora anunciado visa fazer face às dificuldades de liquidez que os agricultores estão a enfrentar, a estabilizar os mercados e a melhorar o funcionamento da cadeira de fornecimento, assegurando Bruxelas que, quando determinar a distribuição deste envelope, "será dada particular atenção aos Estados-membros e agricultores mais afetados pelos desenvolvimentos de mercado".

"O preço de intervenção está entre 18 e 21 cêntimo por litro, mas o que precisávamos era de 34 cêntimos. E nem queremos estar sempre a trabalhar para a União Europeia, pois se, tal como em França, existisse um acordo com os sectores da indústria e distribuição para vendermos a esse preço, ficaríamos bem", completou Carlos Alves.

Para alcançar esse acordo, os produtores apelam à intervenção do Governo e do Presidente da República, mas pedem, também, para que se consuma mais leite nacional.

"Não queremos inflacionar o preço do leite, mas se a indústria e a distribuição colocarem à venda a um preço razoável e os consumidores preferirem leite nacional as coisas melhoravam. O que não podemos é estar vender leite mais barato do que água", afirmou o produtor, completando.

"Não gostaria que as manifestações muito violentas que aconteceram em França se pudessem repetir aqui em Portugal. Mas estamos a sentir-nos abandonados e ignorados por toda a cadeia do setor", concluiu.

Outro produtor, Manuel Azevedo, de 40 anos, que detém uma exploração familiar em Vila do Conde, partilhou os números da sua empresa para justificar a afirmação de que "a situação está insustentável.

"Tenho 230 vacas, que por mês produzem 85 mil litros de leite. O comprador está, de momento, a pagar-me 23 cêntimos por litro, mas isso representa um prejuízo de 10 cêntimos em cada litro que produzo", explicou.

Manuel Azevedo lembrou que em janeiro de 2014 recebia por litro de leite 39 cêntimos e que um ano depois o preço caiu para 29 cêntimos.

"Para podermos viver deste negócio precisamos de receber pelo menos 35 cêntimos por litro, porque só os custos de produção representam 33 cêntimos", apontou.

O produtor vila-condense lembra que o setor, que representa 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que cria cerca de 100 mil empregos diretos e indiretos, e que concentra na zona de Minho e Douro Litoral 55% do leite produzido em Portugal Continental, poderá "não sobreviver se a situação continuar como está".

"Alguns produtores que conheço fecharam as explorações, outros estão prestes a fazê-lo. Eu não sei quanto tempo mais consigo aguentar, e felizmente não tenho empréstimos de investimentos senão seria impossível continuar", descreveu.

Agricultura: A revolução tecnológica

 Drones com câmaras espectrais acompanham o crescimento das plantações 
Por João Ferreira, Marta Ribeiro da Silva 

Os campos agrícolas podem ser hoje campos tecnológicos com sondas a enviarem informação para os produtores. Estes equipamentos podem ser utilizados, por exemplo, em regadios para medir a humidade do solo ao nível das raízes. Determinam a quantidade de água e a forma como deve ser distribuída durante a semana. Podem medir até um metro de profundidade e fazem leituras de meia em meia hora. O aumento da eficiência da rega pode chegar aos 30%. Os drones, com câmaras multi-espectrais, permitem acompanhar o crescimento das plantações em campos agrícolas. Os equipamentos cruzam os dados recolhidos num software e o produtor tem acesso a informação num link da internet, protegido por password. As novas tecnologias modernizaram o setor. Primeiro, as máquinas agrícolas que fazem em horas o que manualmente levaria dias. Depois, as tecnologias de informação que revolucionaram a agricultura.  E é por isso que a ministra Assunção Cristas não tem dúvidas em garantir que a agricultura portuguesa tem futuro.


Taxa de desaparecimento de florestas regista queda desde 1990


A superfície florestal no mundo continua a cair, mas nos últimos 25 anos a taxa de desaparecimento de bosques registou uma queda pela metade, afirma um relatório divulgado pela FAO, a Agência da ONU para a Alimentação e a Agricultura.
«Embora à escala mundial a extensão das florestas continue a diminuir, ao mesmo tempo que avançam o crescimento demográfico e a intensificação da procura de alimentos e terras, a taxa de perda líquida de bosques caiu mais de 50% entre 1990 e 2015», revela o documento da FAO.
O documento foi divulgado na 14ª edição do Congresso Florestal Mundial, que acontece até sexta-feira na cidade sul-africana de Durban.
Apesar da boa notícia do relatório, a superfície florestal no planeta diminuiu em 3,1% nos últimos 25 anos, passando de 4,128 mil milhões para 3.999 mil milhões de hectares.
Isto significa que desde 1990 o mundo perdeu 129 milhões de hectares de floresta, uma superfície equivalente ao território da África do Sul, segundo a organização.
No entanto, o ritmo de mudança registou uma desaceleração de mais de 50% entre 1990 e 2015. Concretamente, a taxa anual de perda líquida de florestas (que inclui as plantações de bosques novos) passou de 0,18% nos anos 1990 a 0,08% nos últimos cinco anos.
As principais perdas aconteceram nos trópicos, em particular na América do Sul e África, mas as taxas de desaparecimento registaram fortes quedas nos últimos cinco anos, destaca o relatório.
A FAO adverte que a superfície de bosques seguirá provavelmente em queda, em especial nos trópicos, sobretudo pela actividade agrícola.

Ministra da Agricultura otimista quanto ao futuro do setor do leite em Portugal



A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, mostrou-se otimista num resultado positivo para o setor leiteiro, em Portugal, na cimeira de ministros da Agricultura da União Europeia, que decorre na próxima segunda-feira, em Bruxelas.

A governante, que hoje visitou a AgroSemana, uma feira agrícola na Póvoa de Varzim, organizada pela Agro, uma união de cooperativas do setor, acredita que serão encontrados mecanismos alternativos ao fim das quotas leiteiras que possam proteger os produtores nacionais.
«Este não é um problema de Portugal, é também um problema da Europa e vamos discutir e pedir à Comissão Europeia medidas de suporte para este período difícil que os produtores estão a atravessar», garantiu Assunção Cristas.
Dinheiro Digital / Lusa

Stoock, um sensor e uma “app” para agricultores


A start-up Agroop desenvolveu um multi-sensor para monitorizar parâmetros físicos em terrenos cultivados. O Stoock é um dos semi-finalistas do Prémio EDP Inovação

Texto de P3 • 04/09/2015 - 13:35
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À primeira vista pode parecer uma placa de identificação de plantas, como aquelas que colocamos nos vasos de ervas aromáticas para não corrermos o risco de confundir salsa com coentros. Mas o Stoock é um multi-sensor desenvolvido por uma start-up portuguesa para rentabilizar a produção agrícola. Controlado por uma aplicação, o produto é um dos oito semi-finalistas do Prémio EDP Inovação.
 
A ideia é aproveitar conhecimentos de gestão operacional do dia-a-dia da agricultura, através de "funções de monitorização de parâmetros físicos no terreno", como a temperatura, em tempo real, de uma exploração, a velocidade do vento ou a humidade do solo. Quem o explica é Bruno Fonseca, da start-up Agroop.
 
A identificação destes parâmetros permite o cálculo de um "índice de evapotranspiração", ou seja, aquilo que uma determinada planta transpira. Ter este conhecimento é útil para definir as necessidades de rega de uma planta e, com isso, poupar água.
 
Segundo o designer de comunicação de 29 anos, já existe tecnologia semelhante ao Stoock no mercado. "O factor diferenciador é estarmos a tentar fazer um produto tão simples e intuitivo que o próprio utilizador consegue configurar", diz. O facto da instalação deste tipo de produtos ter, normalmente, que ser feita por uma equipa especializada "limita, à partida, a escala do negócio". A facilidade na configuração, acredita, pode ajudar na internacionalização da marca.
 
O Stoock inclui um painel fotovoltaico, responsável pela alimentação de toda a comunicação do sensor com a aplicação, disponível para "smartphones" e computadores. Esta "app" já estava em desenvolvimento na Agroop antes da participação no Prémio EDP Inovação e terá um custo adicional. Cara "stick" deverá ser vendido por 900 euros.
 
O Prémio EDP Inovação, já na 7.ª edição, distingue projectos na área da inovação tecnológica ou negócios ligados a tecnologias limpas no sector da energia. A concurso estão 50 mil euros, entregues em Novembro, a um dos três projectos que, entretanto, serão escolhidos como finalistas.

Agricultores portugueses também reclamam outras políticas à Europa



Produtores de leite e outros agricultores portugueses participam hoje em Bruxelas numa grande manifestação para convencer os ministros da Agricultura da União Europeia a «emendar a mão» e a apoiar o setor, que dizem estar a sofrer as consequências de «medidas tristes».

Num dia em que os ministros da Agricultura dos 28 debaterão, numa reunião extraordinária, a situação do mercado, milhares de agricultores, sobretudo produtores de leite e criadores de porcos, contestam nas ruas em redor do "bairro europeu" e da sede do Conselho Europeu as recentes medidas da União Europeia, ou a falta delas.
Segundo Fernando Cardoso, secretário-geral da Fenelac (Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite), a crise que o setor do leite atualmente atravesse deve-se em muito à «falta de políticas da EU», pois «o mercado nem sempre é eficiente, e neste momento não é eficiente», pelo que necessita de regulação.
«Há um grande desequilíbrio entre a oferta e a procura -- há muito mais oferta que a procura -- e o objetivo de uma política é exatamente (ser acionada) quando o mercado não responde às exigências», disse, comentando que um das razões para o desequilíbrio atual foi a decisão de por fim às quotas, «um instrumento que permite controlar a oferta de leite na UE sem custos para o contribuinte».
«Nós sempre fomos a favor das quotas (...) mas inexplicavelmente os ministros da Agricultura da UE decidiram terminar com as quotas e estamos a ver o resultado neste momento. É uma medida triste, uma medida que foi errada, esperemos que agora deem a mão e voltem atrás, eventualmente não com quotas, mas algum tipo de medida equivalente às quotas», afirmou.
Para dar uma ideia do impacto da crise em Portugal, o responsável da Fenelac aponta «um número que é significativo: desde o início do ano, cerca de 250 produtores deixaram o sector», disse, considerando que «isto é muito grave» e mostra que «o setor está a caminhar numa depressão muito grave».
Já David Neves, da Federação dos Suinicultores, reclama sobretudo medidas que visem minimizar os efeitos do embargo russo a produtos agrícolas europeus, afirmando que se trata sobretudo de um protesto «contra o facto de se tomarem decisões políticas que não são acauteladas», sendo por isso necessárias «medidas ao nível europeu» para compensar os produtores.
Entre as mais de duas dezenas de portugueses que participam na manifestação, Maria Antónia Figueiredo, secretária geral-adjunta da Confagri (Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas de Portugal), comentou que «esta manifestação é uma resposta às medidas de política da UE, que nos últimos anos têm sido altamente prejudiciais para a agricultura», e para Portugal.
A responsável sublinhou que a grave crise atual se deve precisamente a uma conjugação de dois fatores, o embargo russo, que levou a que «os preços aos agricultores e cooperativas tivessem baixado muito», e a «novas medidas da Política Agrícola Comum, que desregularam completamente os mecanismos de mercado», com o fim das quotas leiteiras e abolição de mecanismos de intervenção.
Na reunião de ministros da Agricultura de hoje à tarde participa a ministra Assunção Cristas, que no passado sábado disse acreditar em «bons resultados» para os produtores de leite portugueses.
Diário Digital com Lusa