sexta-feira, 27 de maio de 2011

Plataforma de transacção de cortiça ajuda a definir preços

26-05-2011

A plataforma de transacção de cortiça vai, pelo segundo ano
consecutivo, permitir aos produtores florestais mostrarem a qualidade
da cortiça que vai sair este ano dos seus montados, numa "montra" que
ajuda a definir o preço no mercado.
A plataforma foi uma das inovações apresentadas na edição de 2010 da
FICOR, Feira Internacional da Cortiça, que este ano abre portas na
próxima sexta-feira tendo como tema o "Ano Internacional das
Florestas".

«A plataforma de transacção de cortiça é um espaço privilegiado de
exposição das amostras da qualidade da cortiça, realizadas anualmente
nas propriedades que vão extrair, e onde os industriais podem escolher
a cortiça de acordo com o que vão produzir», disse à agência Lusa a
coordenadora técnica da Associação de Produtores Florestais de Coruche
(APFC), Conceição Santos Silva.
A APFC, criada em 1992, depois do grande incêndio que, em 1991,
consumiu 10 mil hectares de floresta no concelho, com a preocupação de
clarificar o mercado da cortiça e «conhecer melhor o que era
produzido», realiza desde então a recolha de amostras, serviço que
ganhou maior visibilidade com a criação da plataforma, disse.
«Nos pedaços recolhidos é simulado o processo industrial, a cortiça é
medida, é classificada, é cozida», visando transmitir ao produtor
florestal e ao industrial «as características médias da cortiça que
vai ser extraída e qual o seu preço aproximado no mercado», disse.
A plataforma visa «facilitar» a ligação entre os industriais e os
produtores, permitindo que os compradores vejam o que mais lhes
interessa adquirir e só depois vão ao local, frisou.
Em 2010, a plataforma representou cerca de 475 mil arrobas, esperando
a APFC que esse valor ande este ano perto das 500 mil arrobas,
situando-se a produção média anual em Portugal entre os seis e os oito
milhões de arrobas, adiantou.
«A qualidade e a espessura são determinantes na formação do preço»,
disse, sublinhando que a rolha de cortiça natural «é o que paga 70 por
cento da valorização da cortiça. Tudo o resto que se ouve falar, como
isolamentos, utilização no Space Shuttle, nos veículos e design é tudo
importante, é uma diversificação do uso, mas não é o que permite
sustentar o montado de sobro».
Conceição Santos Silva referiu a grande dispersão dos produtores
florestais, sublinhando que os mais pequenos «vêm poucas vezes ao
mercado e por isso têm maior dificuldade em obter os contactos» dos
operadores comerciais, que estão mais concentrados.
O facto de a cortiça só ser extraída de nove em nove anos leva
igualmente a que os produtores mais pequenos necessitem de se
actualizar sobre a evolução do mercado.
«Daí a importância de as pessoas conhecerem a sua cortiça e realizarem
as suas amostras», afirmou.
Para a qualidade da cortiça são determinantes os factores climatéricos
e a gestão dos solos, sublinhando esta engenheira florestal a
importância de se privilegiar o pastoreio à utilização de maquinaria
que, ao revolver o solo, pode cortar as raízes do sobreiro, afectando
a sua vitalidade.
A APFC tem mais de 200 produtores florestais de cortiça associados,
representando cerca de 90 mil hectares que produzem entre 400 a
600.000 arrobas/ano, fazendo do concelho o maior produtor mundial de
cortiça, afirmou.
Fonte: Lusa
http://www.confagri.pt/Noticias/Pages/noticia40043.aspx

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