quarta-feira, 25 de julho de 2012

Autarca de São Brás de Alportel alerta para possíveis problemas na água

Publicado ontem


foto ALGARVEPHOTOPRESS/GLOBAL IMAGENS

Autarca preocupado com qualidade da água após os incêndios

O presidente da Câmara Municipal de São Brás de Alportel alertou, esta
terça-feira, para o perigo de poluição das águas de abastecimento de
barragens, caso as áreas ardidas nos fogos da semana passada não sejam
tratadas brevemente.


"Estas áreas queimadas têm que ser tratadas nos próximos meses,
correndo o risco de podermos estar a poluir água de abastecimento das
barragens", afirmou António Eusébio aos jornalistas no final de uma
reunião com a comissão interministerial para o apoio às vítimas dos
fogos florestais, que decorreu em Lisboa.

De acordo com o autarca, o assunto foi um dos abordados na reunião
desta terça-feira. "Temos que encaminhar e tratar toda a massa
florestal que ficou queimada em carvão e que não deve ficar naquele
espaço", disse.

A "importância de precaver algumas questões ambientais", foi também
referida pelo presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento
Regional (CCDR) do Algarve, David Santos, que, tal como os autarcas de
São Brás de Alportel e Tavira, também participou hoje na reunião.

"Se não forem rapidamente realizadas intervenções", poderá haver
"penetração para aquíferos ou até para as barragens de água, uma
questão muito importante para o Algarve", disse.

De acordo com David Santos, "aquela é uma zona de recolha de água nas
barragens e fornecimento para o Sotavento algarvio".

Na segunda-feira, o vice-presidente da associação ambientalista
Quercus já tinha dito, em declarações à Lusa, que os incêndios que
destruíram vários hectares de floresta e mato na Madeira ou no Algarve
podem provocar problemas futuros devido à fragilização do solo.

De acordo com João Branco, após estes incêndios o "solo vai ficar mais
desagregado" e "passam a haver grandes arrastamentos de terra" o que
"pode provar erosão".

O dirigente da Quercus admitiu que, com os incêndios da última semana,
aumenta a probabilidade de se voltarem a repetir enxurradas no inverno
como as que ocorreram recentemente na Madeira.

"Na ausência de vegetação há muito menor infiltração da água o que
provoca maior escorrência superficial. Em situações anómalas de
precipitação a ausência de vegetação vai agravar os efeitos das
enxurradas e poderá haver enxurradas que não ocorreriam se estivesse
lá a vegetação", assinalou João Branco.

O incêndio da Serra do Caldeirão deflagrou cerca das 14 horas de
quarta-feira em Catraia, na freguesia de Cachopo, concelho de Tavira,
tendo alastrado até ao concelho de São Brás de Alportel.

As chamas só foram dominadas ao final da tarde de sábado, depois de um
prolongado combate que chegou a mobilizar mais de 1.100 operacionais,
13 meios aéreos e mais de duas centenas de veículos.

A Proteção Civil admitiu nesse dia que o rescaldo se poderia prolongar
por vários dias.

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=2684366&page=-1

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