terça-feira, 28 de junho de 2011

G20: “As finanças fora dos nossos pratos”

Com o slogan "As finanças fora dos nossos pratos", as associações
antiglobalização manifestaram-se no primeiro dia do G20 Agricultura,
em Paris. Foi um protesto contra a especulação nos mercados de
matérias-primas agrícolas, que consideram ser responsável por uma boa
parte da instabilidade dos preços.
O mesmo sentimento entre as delegações ministeriais do G20 de Paris,
para quem a especulação deve ser controlada e travada.

A França, que preside atualmente o G20, propôs um plano de ação para
combater o problema. "O presidente da República disse várias vezes que
a especulação nos mercados agrícolas é absolutamente inaceitável,
porque é uma especulação sobre a fome no mundo. Quando há investidores
financeiros pouco escrupulosos que compram uma parte importante do
stock de cacau unicamente para o vender mais tarde, ganhando uma
mais-valia, isso não é aceitável", realçou o ministro francês da
Agricultura, Bruno Le Maire.
Qual é a proporção de especulação no mercado de matérias-primas? Há
verdadeiramente uma instabilidade dos preços agrícolas devido à
especulação ou não? As respostas são de Philippe Chalmin, professor da
Universidade de Paris Dauphine: "A partir do momento em que um preço é
instável, todo o operador, quer seja produtor, consumidor ou
intermediário, deve antecipar o que será o amanhã. Portanto, ele é por
definição um especulador. Temos um segundo nível, que é aquilo a que
eu chamarei especulação financeira, que são pessoas que vêm jogar, e
sublinho o jogar, com a evolução de um mercado, sem ter a necessidade
física de receber a entrega ou de entregar o produto em causa.
Eu penso em todos os atores financeiros que vêm jogar nos mercados e
cada um de nós, telespetadores, através dos fundos de pensões, das
seguradoras a que adere, é, numa pequena parte, um especulador nos
mercados.
É preciso ter consciência que nós estamos em mercados nos quais as
trocas físicas têm sempre razão. E a experiência mostra que em
numerosos mercados, para os quais não há especulação financeira, as
variações e a instabilidade também são grandes. Não há especulação
financeira no mercado do arroz, ao contrário do mercado da farinha. A
instabilidade do arroz foi, em 2008, muito mais importante do que
aquela da farinha.
Quando um preço aumenta, não se deve, como muitas pessoas fazem,
gritar 'morte à especulação'. Devemos, sim, perguntar qual a mensagem
que o mercado nos transmite. Quando os preços sobem, hoje, o que o
mercado nos diz é que o mundo tem fome".
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