terça-feira, 18 de novembro de 2014

Os melhores vinhos do mundo são portugueses


     
Pedro d'Anunciação Pedro d'Anunciação | 17/11/2014 13:45:10 373 Visitas   

Os melhores vinhos do mundo são portugueses

Vintage da Dow's de 2011 conseguiu 99 pontos e arrebata a 1ª posição; Chryseia 2011 (97 pontos) e Quinta do Vale Meão (também 97) da mesma colheita ficam na 3ª e 4ª. Talvez a ordem alfabética tenha aqui desembaraçado a igualdade da pontuação. A 2ª e o resto do destaque vai para vinhos do chamado Novo Mundo, os australianos, que tentam denegrir os 'terrioir', em favor das 'técnicas de fabrico' que ensinam nas suas escolas de enologia. A classificação apareceu numa das mais influentes revistas americanas de vinhos, a Wine Spectator, que faz classificações supostamente exactas de 85 a 100 pontos, em detrimento das velhas e flexíveis estrelas (1 a 5).

Mas é uma revista muito influente nos EUA e no mundo, apesar da sua linguagem esotérica (própria dos piores críticos de qualquer modalidade), e vai certamente granjear mais vendas aos galardoados.

No mesmo nível de influência, só Robert Parker e a sua Wine Advocate, que pôs os vinhos espanhóis nas bocas do Mundo, com os mais de 90 pontos dados em 1976 ao Vega Sicília e os 96 ao Pingus.

O problema é que tendo a concordar com Jonathan Nossiter, o realizador e autor de 'Mondovino', descrendo quer da classificação supostamente rigorosa dos 100 pontos (Parker começa nos 50), quer das tecnologias substitutas do terroir, quer dos critérios uniformizadores da Wine Spetator e da Wine Advocate, que colocaram na celebridade um enólogo capaz de lhes vender todos os seus vinhos, sejam feitos onde forem, o francês Michel Rolland.

Não posso esquecer que a Wine Spectator foi talvez a publicação que mais celebrou a prova cega de Paris, de 1976, onde os vinhos do Vale de Napa superaram os franceses. Numa prova cega, em que não podem ser avaliadas questões de terroir e evolução, é normal que ganhem os que sabem melhor no momento, os mais arredondados, os do estilo Parker/Spectater.

O 2 primeiros vinhos portugueses premiados, o Porto Dow's e o Chryseia, são produzidos por uma antiga e reconhecida família inglesa do Douro, os Symington. Já o Vale Meão é de um descendente da D. Antónia Ferreira, a Ferreirinha (empresa a que presidiu antes da venda à Sogrape), Francisco Olazábal.

Sem me querer pronunciar sobre o Porto, que não conheço, mas em cuja excelência acredito, assumo-me como grande apreciador e admirador do Vale Meão (sucessor, na vinha, do Barca Velha dos Feirreiras) e do Crhyseia (que só se faz em anos muito bons). Mas embora acreditando que a distinção vai acabar por beneficiar os vinhos portugueses junto de um mercado enorme, ela nada adianta na forma como eu encaro estes vinhos – ficando a saber só que o ano 2011 foi excepcional no Douro, à luz dos critérios Parker/Spectator – que neste caso particular podem coincidir com os meus.

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