sexta-feira, 8 de março de 2013

ASAE. Controlo de substância proibida na carne de cavalo é feito no matadouro, mas por amostragem

Por Agência Lusa, publicado em 8 Mar 2013 - 17:23 | Actualizado há 6
horas 29 minutos
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A autoridade para a segurança alimentar assegurou hoje que o controlo
da presença em carne para consumo de fenilbutazona, anti-inflamatório
usado em cavalos, mas proibido na alimentação humana, é feito desde a
origem, no matadouro, embora por amostragem.

"Estamos sempre sujeitos a que apareça uma nova não conformidade",
admitiu à agência Lusa Jorge Reis, subinspetor-geral da Autoridade
para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) para a área científica.

Na quinta-feira, a Deco, associação de defesa dos consumidores,
anunciou, publicamente, ter detetado vestígios do medicamento em
amostras de hambúrgueres Auchan e almôndegas Polegar que continham com
carne de cavalo.

Os produtos foram retirados do mercado ainda na semana passada, depois
da ASAE ter sido, então, alertada pela associação, não obstante as
"quantidades muito pequenas" da substância encontradas não atentaram
contra a saúde, indicou a fonte da ASAE.

Jorge Reis assegurou que, até ao alerta da Deco, nunca antes foi
detetado, em amostras analisadas, o anti-inflamatório na carne para
consumo humano.

"O histórico de pesquisa da fenilbutazona em Portugal é bastante
positivo, no sentido de não haver amostras não conformes", sustentou,
insistindo que "em toda a Europa já foram efetuadas análises para
determinar a presença de fenilbutazona em produtos processados e
também não havia resultados positivos".

O subinspetor-geral da ASAE garantiu que o controlo desta e de outras
substâncias proibidas na alimentação humana é feito desde a origem, no
matadouro, muito embora por amostragem, definida pela Comissão
Europeia.

"Não é feito na totalidade dos animais, é impossível", vincou,
reconhecendo que, no caso em apreço, "a certa altura da cadeia
alimentar, alguém introduziu animais que foram tratados com a
substância".

Jorge Reis salientou que "não há país nenhum na Europa e no mundo que
não obtenha resultados positivos [para substâncias proibidas na
alimentação humana], o risco zero não existe".

Em Portugal, adiantou, o controlo de medicamentos como a fenilbutazona
é efetuado de acordo com o Plano Nacional de Pesquisa de Resíduos, da
responsabilidade da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária.

"O que é importante é que as entidades competentes tenham os seus
sistemas de controlo bem montados e a funcionar, de maneira a
detetarem tão rápido quanto possível e mitigarem este tipo de
problemas", advogou Jorge Reis.

A fonte relembrou que a ASAE pediu informação adicional à Deco para
"perceber a metodologia usada" nas suas análises, nomeadamente se o
laboratório que as fez "está acreditado", realçando que a autoridade
vai continuar a recolher amostras de produtos de carne e analisá-las,
para aferir o grau de segurança para o consumidor.

"O nível de empenhamento é total", frisou Jorge Reis, acrescentando,
sem apresentar números, que "colheitas de amostras são feitas
diariamente", no âmbito do plano de controlo de ADN de cavalo em
produtos rotulados como sendo de carne de bovino, mas cujos
"resultados têm sido negativos".

Para a Deco, os problemas relacionados com carne de cavalo rotulada
como produto de origem bovina podem ser mais abrangentes do que uma
mera fraude económica e demonstrar falta de controlo em todo o
processo.

*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico
aplicado pela agência Lusa

http://www.ionline.pt/portugal/asae-controlo-substancia-proibida-na-carne-cavalo-feito-no-matadouro-amostragem

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