sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Venda de saladas e sopas cresce à custa da restauração

AGRICULTURA
Ontem

A quebra no sector da restauração, que vai passar a cobrar IVA à taxa
máxima, pode ser uma oportunidade para aumentar o consumo de saladas e
misturas para sopa embaladas, antecipam as empresas que operam neste
mercado.
O consumo de frutas e legumes minimamente processados, conhecidos como
IV Gama, cresceu 31 por cento entre 2008 e 2010 e vale atualmente
cerca de 100 milhões de euros (correspondentes a 14 mil toneladas),
segundo um estudo da Consulai.
E a tendência, de acordo com as empresas especializadas nestes
produtos, é para continuar a crescer, admitindo-se que possam vir a
beneficiar com um maior número de pessoas que vão optar por fazer as
refeições em casa.

"Uns choram, outros vendem os lenços", comentou José Burnay,
administrador da Campotec, uma empresa que tem crescido em média dois
dígitos por ano.
"Podemos aumentar as vendas por via da diminuição das idas ao
restaurante", admitiu o mesmo responsável, destacando que "a lógica da
Campotec é tornar estes produtos acessíveis para estimular o consumo",
em vez de vender "produtos de luxo".
Por isso, os produtos da Campotec são vendidos com marca da distribuição.
"Não investimentos em nenhuma marca nem em marketing para ser mais
competitivos", salientou José Burnay.
O empresário avisa, no entanto, que o mercado nacional pode atingir
rapidamente um ponto de saturação, pois as empresas têm capacidade
para produzir o dobro do que estão a produzir atualmente e "ainda há
pouco consumo".
"Já são quatro empresas a operar, há muita concorrência", afirmou José
Burnay, acrescentando que é difícil exportar este tipo de produtos
devido ao prazo de validade muito limitado.
O administrador da Vitacress, Luís Mesquita Dias, acredita que vai
haver cada vez mais portugueses a optar pelo "pronto a consumir" e não
prevê um decréscimo nas vendas devido à crise.
"Há pessoas que comiam fora e passam a comer em casa, mas preferem
este tipo de produtos que facilitam a preparação da refeições",
destacou.
Também o administrador da Naturar, Rui Vilar, tem confiança no
"futuro" da IV Gama, por estar muito associada à alteração dos hábitos
de consumo.
"As pessoas têm um ritmo mais acelerado e procuram comprar os produtos
com algum grau de preparação, que simplifiquem a vida", justificou,
adiantando que a sua empresa, embora recente, tem crescido todos os
anos.
Estas são algumas das 20 empresas do setor hortofrutícola que vieram a
Madrid mostrar a sua oferta na feira Fruit Attraction, que decorre
entre 19 e 21 de outubro.
As empresas estão a participar de forma conjunta através da Portugal
Fresh, uma associação que promove a internacionalização do setor.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2070037&page=-1

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